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Só o capitalismo pode fazer com que a ganância e o egoísmo melhorem a vida das pessoas
A caridade é essencial, mas não elimina a pobreza; só o capitalismo o faz

O setor privado e suas empresas são frequentemente retratados como sendo rudes e cruéis. De acordo com a narrativa popular — a visão de mundo típica de Charles Dickens —, o setor privado é repleto de avarentos insensíveis que dão mais valor ao lucro do que ao povo.

Esse retrato está em profundo contraste com a bondade e o altruísmo das instituições de caridade, das entidades sem fins lucrativos e dos governos, os quais supostamente existem e foram criados para ajudar o povo. A caridade, em particular, é vista como sendo eticamente superior aos negócios do setor privado e da livre iniciativa. Afinal, o que poderia causar um maior impacto no mundo do que dar aos necessitados?

Essa visão do mundo, obviamente, é míope. Embora seja verdade que a caridade ajuda as pessoas, o setor privado e a livre iniciativa fazem uma contribuição muito maior à humanidade. Praticamente todos os aumentos no padrão de vida da sociedade ocorreram por causa do simples comércio; e são os pobres, em especial, os que mais se beneficiam. 

Para entender por quê, é necessário examinar as diferentes fórmulas sob as quais a caridade e o setor privado operam.

A criação de riqueza vem antes

Caridades lidam com a redistribuição de riqueza: elas coordenam a transferência do "excedente" de algumas pessoas para suprir a "escassez" de outras.  Os negócios do setor privado, por outro lado, lidam com a criação de riqueza por meio da produção e venda de bens e serviços que as pessoas querem e desejam.

Sem essa anterior criação de riqueza, as instituições de caridade não teriam nada para distribuir. Na nossa atual situação de pujança, é fácil nos esquecermos de que a pobreza é o estado natural da existência humana. A riqueza não é encontrada pronta na natureza; ela tem de ser criada e transformada, e esta é precisamente a função dos capitalistas e empreendedores. 

Capitalistas e empreendedores são a força que nos retiram do estado brutal da natureza — a pobreza — e nos elevam à pujança. Todos os casos de pobreza têm a mesma solução: a cura não está na distribuição de riqueza, mas sim na criação de riqueza. E isso não é um argumento meramente teórico. Ele pode ser testemunhado em todos os pontos do globo.

Quanto mais pesquisamos, mais claro tudo se torna. 

Pense, por exemplo, na máquina de lavar. Trata-se de um recurso que consideramos trivial e ao qual não damos a devida importância. Mas a máquina de lavar mudou as vidas de centenas de milhões de pessoas. Não é nenhum exagero dizer que seu inventor mudou o curso da história. 

Como? 

Reduzindo dramaticamente a quantidade de trabalho manual necessário para fazer a lavagem das roupas sujas. Milhões de pessoas ao redor do globo — mulheres, em especial — foram liberadas da faina de ter de despender várias horas semanais perante um tanque tendo de lavar manualmente as roupas da família. Com a invenção da máquina de lavar, essas mulheres passaram a poder dedicar mais tempo a outros afazeres, como dar mais atenção aos filhos.

Façamos uma estimativa bastante conservadora e digamos que a máquina de lavar poupa cinco horas de trabalho por semana. Se 100 milhões de pessoas possuem uma máquina de lavar, então 500 milhões de horas de trabalho são poupadas por semana — um número tão grande que é difícil sequer imaginá-lo. São 500 milhões de horas que agora podem ser aplicadas em outras funções mais prementes, como: adquirir educação e cultura, passar mais tempo com a família, trabalhar e adquirir renda, fazer serviços voluntários etc.

O impacto da criação de riqueza e do empreendedorismo sobre as pessoas é enorme, ainda que o engenheiro que criou a máquina de lavar tenha sido uma pessoa egoísta. E essa é a beleza do capitalismo. Talvez a única motivação do criador da máquina de lavar tenha sido ganhar dinheiro. Pode até ser que ele tenha bondosamente pensado "Puxa, gostaria muito que as mulheres não tivessem de gastar tantas horas da semana lavando roupa. Vou inventar algo!", mas isso é improvável. De qualquer maneira, o resultado foi o mesmo. O mundo mudou por causa da sua invenção.

O comerciante que encomenda e revende máquinas de lavar, os engenheiros que inventam novos e melhores modelos, os empreendedores e capitalistas do ramo siderúrgico que descobrem maneiras mais baratas de criar as matérias-primas essenciais para a fabricação da máquina de lavar — todos eles contribuem para um aumento exponencial no padrão de vida das pessoas.

O empreendedorismo e seus efeitos propagadores

Os benefícios do empreendedorismo não apenas são imediatos, como também criam um efeito borboleta. 

Considere o que ocorre com crianças que nascem em famílias que possuem máquinas de lavar. Elas, também, se beneficiam do fato de suas respectivas mães terem mais tempo livre. Elas podem ser mais bem cuidadas e mais bem educadas. Com mais tempo livre, suas mães podem até trabalhar fora e ajudar no orçamento da família, o que permite que a criança vá a uma boa escola e até mesmo se torne um engenheiro ou empreendedor. Quem sabe? Talvez a invenção da máquina de lavar tenha dado uma contribuição essencial para a cura de várias doenças. Afinal, as crianças que crescerem e se tornaram médicas tiveram de ter um padrão de vida alto o bastante que as permitisse cursar uma boa universidade de medicina.

Mas os efeitos propagadores não param por aí. Pense nos indivíduos que são salvos pelo médico que faz cirurgias complexas. Eles, e suas famílias, também se beneficiaram da existência da máquina de lavar, e, consequentemente, poderão continuar trabalhando e produzindo ainda mais para o resto da sociedade.

Fenômeno idêntico aconteceu com várias outras criações capitalistas, como o micro-ondas (que reduziu o tempo de preparo dos alimentos), o automóvel e o avião (que reduziram o tempo de deslocamento), o computador (que aumentou a produtividade), a alimentação fora de casa (que reduziu enormemente o tempo gasto no preparo dos alimentos em casa) e, ainda recente, o advento dos tablets e smartphones, os quais fazem com que você tenha, literalmente à palma da mão, todo o conhecimento disponível no mundo, bem como acesso a lazer e entretenimento. Você pode ler todos os livros em seu smartphone, assistir a todos os filmes na comodidade de sua casa, sob demanda, e ainda tem acesso a amenidades como GPS e serviços de transporte, os quais ajudam a poupar tempo perdido em deslocamentos.

Tudo isso permitiu que menos tempo fosse despendido em atividades mecânicas e, consequentemente, gerou mais tempo para ser investido na busca por conhecimento e eficiência, o que gerou para terceiros efeitos benéficos impossíveis de serem mensurados.

Em outras palavras, a criação de riqueza é exponencial, e literalmente muda o curso da história. Um capitalista ganancioso pode se preocupar apenas consigo próprio, mas as invenções que ele financia, bem como sua eficiência, acabam beneficiando a sociedade de uma maneira extraordinária.

Agora, compare isso à caridade. Dar uma máquina de lavar ou um smartphone para uma pessoa irá mudar a vida dela, sem dúvida nenhuma. E certamente criará benéficos efeitos propagadores.  Mas criar uma máquina de lavar e um smartphone — ou inventar uma máquina e um smartphone melhores — é o que muda o mundo. 

Até mesmo suprir as indústrias com as matérias-primas necessárias para a construção da máquina de lavar e do smartphone muda o mundo. Os trabalhadores das mineradoras, ou mesmo a garçonete que serve o almoço para esses trabalhadores, estão diretamente envolvidos nesse processo de retirar as pessoas da pobreza.

Isso não diminui o papel da caridade; ela também desempenha uma função valiosa. Se você é como eu — se você não é um engenheiro ou um empreendedor —, então a caridade é uma maneira essencial de ajudar o seu semelhante. Nem todo mundo tem as habilidades necessárias para criar uma nova invenção ou para se tornar um empreendedor de sucesso. Mas isso não as impede de fazer uma diferença positiva para mundo. 

Entretanto, temos de ser realistas: uma doação para uma instituição de caridade não cria os mesmos efeitos propagadores que vender comida boa e barata — ou vender máquinas, utensílios domésticos e aparelhos eletroeletrônicos — para todos.

Conclusão

Várias verdades econômicas funcionam desta maneira. Somos rápidos em elogiar aquilo que vemos — uma instituição de caridade que distribui comida para os miseráveis —, mas negligenciamos ou até mesmo condenamos aquilo que não vemos: todo o trabalho e cooperação que foram necessários para produzir e distribuir comida. O agricultor, o açougueiro, o caminhoneiro, o cozinheiro, o engenheiro, o empreendedor e o capitalista também deveriam ser louvados pelo seu trabalho que possibilitou a existência daqueles pratos de comida que agora saciam os esfomeados. 

Sem tais pessoas, não haveria nenhum excedente de comida para que a instituição de caridade aplacasse a fome dos necessitados.

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Leia também:

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16 votos

autor

Steve Patterson
é escritor freelancer, produtor audiovisual, e autor de What's the Big Deal About Bitcoin? Ele é o criador da popular série educacional da BBC The Truth About... . Veja seu website.


  • Vinícius  06/10/2017 15:06
    É um dever de cada cidadão crescer e se tornar bem sucedido e gerar riqueza ao mundo, só assim você pode ajudar ao próximo. Quem condena a riqueza não entende que sendo pobre você não ajuda a ninguém; você é apenas mais uma boca para comer. Não parte de um ponto de força, mas sim de fraqueza. É dever de cada um se tornar o melhor que puder.
  • Fernando  06/10/2017 15:07
  • Pedro  06/10/2017 15:08
    A causa da abordagem equivocada que muitos têm acerca da questão da criação de riqueza, é uma concepção simplória do próprio conceito de "riqueza", que é vista como pré-existente - ou seja, não necessita ser criada, apenas dividida, tal como uma pizza sobre uma bandeja, onde quem pega um pedaço grande para si deixa um pedaço pequeno para os demais. Com esta lógica, a pobreza de uns é consequência da riqueza de outros, e portanto, enriquecer é moralmente errado e prejudicial à comunidade. Enquanto essa concepção equivocada não for desconstruída, sempre haverá quem veja na criação de riqueza um exercício de pura ganância pessoal.
  • Capital Imoral  06/10/2017 15:09
    LinkedIn e o Império dos homens falsos

    Provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre a famosa rede social LinkedIn. Todos jornais de negócios adoram falar sobre a importância dessa rede social e sobre como ter bom "Network", sobre como o novo ser humanos será alguém hiper-conectado, sobre maneiras de falar e agir em frente ao público. Tudo isso está em volta do Império dos homens falsos.

    Existe uma rede social que praticamente domina todo meio corporativo do Ocidente. Está rede social chama-se LinkedIn e conta com mais de 500 milhões de pessoas. Pensadores como Jeffrey A. Tucker, adoram escrever sobre essa rede social. Como se o mundo fosse um grande parque de diversões onde todo mundo é legal e compreensivo. Onde as redes sociais não criam um modo de ser e agir que foge da nossa natureza enquanto seres humanos. Pois, sim. Se trata disso.

    A rede social LinkedIn muda a nossa natureza; nós perdemos espontaneidade frente à pressão social que existe nessa rede. Imagine que você afirme algo que é profundamente verdadeiro - Portanto, é uma homenagem à verdade- mas que foge do pensamento dominante dentro da empresa. Logo acontece nesta rede uma grande boicote social, onde todo mundo fica marcando seu perfil com comentários negativos. ou pode acontecer algo pior ainda; quando você faz parte da rede social e aprende a linguagem do "Bom mocismo", você começa a se tornar uma pessoa profundamente populista. É o que eu chamo de "Pastor da iniciativa privada", tendo como maior exemplo o Pastor Flávio Augusto e o Prefeito Doriana. Logo você aprende que a sociedade tornou-se um grande: "Excelentíssimo", "Meu Caríssimo", "Meu querido". Somos à sociedade do tapinha nas costas e depois reclamamos da corrupção no Brasil. Sim! à corrupção nasce na iniciativa privada através desta falsidade social.

    Para se ter uma idéia, existem malucos neoliberais que ficam vasculhando redes sociais como Facebook para ver tudo que você afirma, caso seu comentário fuja do pensamento dominante de extrema-direita, ele pode ir no seu perfil LinkedIn e entrar em contato com a empresa no qual você trabalha. Diga se isso não é matar qualquer tipo de espontaneidade ou livre pensamento?

    A verdade é que essa rede social só tem cobra comendo cobra. Aliás, está é a natureza do Capitalismo. Jeffrey A. Tucker estava totalmente errado ao afirmar que este novo indivíduo "Corporativo" seria alguém santinho. Que não haveria traições e boicotes coletivos contra indivíduos que não fizeram nada demais. O capitalismo é nojento.

    Vocês adoram reclamar sobre o "Politicamente Correto" que acontece na política e acadêmica, mas porque será que não abrem um pio diante de tamanha falsidade? o LinkedIn criou o reino da falsidade; ninguém ali age naturalmente; aliás, em qualquer empresa ninguém age naturalmente. Eles mataram à alma humana. O Politicamente Correto que se vê na política é apenas resultado de uma cultura de pressão social que é exercido pelas empresas. Se você não canta a música de uma nota só, eles te demitem.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Capital Imoral  07/10/2017 00:02
    Pensamentos posteriores sobre este artigo.
    Um dos livros que mais gosto nas Sagradas Escrituras chama-se: o livro de jó. Porque este livro revela a aflição de jó diante da miséria humana. Jó, foi um homem rico, famoso, saudável e bonito; mas Deus quis testar nossa natureza. Ele perdeu tudo; perdeu os filhos, à mulher, pegou uma grave doença e ficou deformado. O livro discorre sobre a mudança de jó diante da miséria. Ele saiu do Reino da falsidade por algum tempo e descobriu a verdade. Só se sabe o que falta num homem sepultando sua riqueza.

    Vivemos no tempo dos homens materialistas. O problema é que isso nunca vai satisfazer plenamente a alma humana. Não ligo nem um pouco se haverá uma máquina de lavar, ou sobre o novo Smartphone do momento; pois sei que tudo isso está destinado a virar pó. Tudo vai virar pó, neoliberal. Eu acredito que jó quis revelar isso.

    Jó 1880. Por Léon Bonnat.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Job-lc3a9on-bonnat.png

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
  • Tarantino  07/10/2017 17:39
    Bem, qualquer rede social é apenas a representação digital do modus operandi social humano. A fofoca, a maledicência e o boicote existem desde que o homem apareceu no planeta.
  • 4lex5andro  09/10/2017 14:36
    Que raios de relação o Linkedin tem com o texto do artigo ?

    O texto do artigo demonstra como o capitalismo ajuda a diminuir a pobreza no mundo de forma mais eficaz que a caridade.

    Então vem esse fake postar da boba serena do Linkedin.

    E ainda tem quem responda esse troll.
  • Valdemar  06/10/2017 15:12
    "...em caso de despressurização, coloque a máscara de oxigênio primeiro em VOCÊ, depois na criança ou pessoa incapaz ao seu lado...". Essa frase, falada nas instruções aos passageiros de um avião, parece ser cruel, no primeiro momento. Mas é, na verdade, de uma lógica irrefutável. Sem o próprio bem estar, não há como fazer bem ao próximo. Devemos nos lembrar de que altruísmo excessivo é destrutivo.
  • Vozes do Alem  09/10/2017 03:02
    A questão de colocar a mascara de oxigênio primeiro em você é realmente importante, faça isso imediatamente.
    Sem oxigênio pessoas não pensam, você fica confuso e confiante e não consegue executar ações simples depois que ficou sem oxigênio.
    Procure videos de testes de pilotos para ver como é ficar sem oxigênio na realidade.
    Por exemplo:


    Não é questão de altruísmo ou egoismo. Se os pais colocarem a mascara antes, a criança pode ate ficar confusa (como o adulto do vídeo) mas se alguem coloca a mascara nela depois de confusa ela fica bem.
    Se o adulto coloca a mascara na criança e entra em falta de oxigênio no cérebro, você tem alguem que nem sabe o que tem que fazer que nem conseguiria fazer cada vez mais confuso até alguem da tripulação perceber isso e conseguiu controlar ele e colocar a mascara nele. Ou ele vai morrer.

    Voltando ao tema, excelente artigo.
    Muito bom lembrar que a caridade é boa. É a única forma justa de doar para quem precisa sem roubar de outro, o que seria injusto.
    Não existe "justiça social" promovida pelo governo, que tira a força, fica com uma parte e distribui de forma igualmente injusta.
    Já na caridade, quem doa alem de não ser injustiçado ainda pode escolher uma forma inteligente de alocar recursos escassos.
  • Daniel  06/10/2017 15:15
    Respeito à propriedade privada num ambiente de liberdade, ou seja num livre mercado, é condição para a criação de riqueza e para as inovações que irã aumentar a produtividade, diminuindo o nosso tempo de trabalho, proporcionando uns pensarem enquanto outros executam trabalhos braçais que aos poucos vão dando lugar ao trabalho das maquinas e dos robôs.

    O livre mercado foi o maior processo com que o homem tomou conhecimento e levou ao sucesso e a decentralização. O mercado é o maior produtor de bens e serviços. A invenção do socialismo levou ao sofrimento, a pobreza e a matança indiscriminada. Devemos continuar esclarecendo que o capitalismo é ótimo e o socialismo uma tragédia para todos povos que o experimentaram e que hoje ainda experimentam.

    Apesar disso todos os partidos brasileiros tem ou social ou socialista em suas siglas. Quem não se interessa por política, ao votar erroneamente nos mais bonzinhos, vai sofrer as consequências de politicas econômicas erradas no próprio bolso. D. Dilma em quatro anos detonou a economia brasileira.
  • Wendel  06/10/2017 15:28
    Belo artigo! Os efeitos da divisão do trabalho são vastos e proporcionam riqueza de forma exponencial mesmo.
  • Escolástico  06/10/2017 17:11
    E proporcionam também a caridade.

    Todas as atividades caritativas já feitas não teriam sido possíveis sem uma prévia criação de riqueza. Desde a comida dada aos pobres pelas instituições de caridade até os hospitais que os abriga, tudo só existe porque foi produzido antes.

    A comida só existe porque toda uma rede de empreendedores e capitalistas visando ao lucro (o agricultor, o açougueiro, o caminhoneiro, o cozinheiro, o engenheiro, o empreendedor) possibilitou seu plantio e colheita.

    Igualmente, os hospitais para os pobres mantidos por instituições de caridade só puderam surgir porque uma rede de empreendedores e capitalistas visando ao lucro criaram os vergalhões, os tijolos, o cimento, a argamassa, o reboco, as tintas, os aparelhos médicos, o plástico utilizado para fazer as bolsas de soro e êmbolo das seringas, o metal para a agulha das seringas etc.
  • Little Brother  06/10/2017 16:01
    Muito bom o artigo. O difícil é fazer entrar nas cabeças desse povo que se acha esperto.
  • Edson  06/10/2017 16:54
    Não. A bronca é fazer um esquerdista entender isso.
  • Edu  06/10/2017 16:59
    Os computadores e os sistemas de programação foram fundamentais para o desenvolvimento tecnológico nos setor alimentício, permitindo aumento da produção e diminuição do preço dos alimentos. Os capitalistas por trás da mecanização da agricultura alimentaram mais pessoas do que todas as instituições de caridade juntas - as quais aliás nem teriam o que distribuir não fosse a criação de riqueza dos capitalistas.
  • Dúvida  06/10/2017 17:02
    Como alguém pode continuar defendendo o socialismo depois dessa overdose de lógica?
  • Esquerdilson  06/10/2017 22:30
    Lógica é um instrumento da burguesia para oprimir a classe trabalhadora com argumentos racionais.

    Menos argumentos, mais sentimentos.
  • 4lex5andro  09/10/2017 14:41
    Menos argumentos, mais capim.

    Desse modo os comunas de iphone garantem seu almoço, pois a única "plantação" aparentemente grátis, é o capim mesmo.
  • Gustavo  06/10/2017 19:47
    OFF - Quais mídias internacionais (EUA/Europa) são confiáveis?
  • Ayrton  06/10/2017 21:44
    Nenhuma. Nos EUA, ou elas puxam saco dos Democratas (maioria) ou dos Republicanos (minoria).

    Na Europa, é só da Esquerda. Com um nariz bem tampado, dá para você aproveitar alguma coisa do britânico The Telegraph. Mas é só.
  • Gustavo  09/10/2017 14:26
    Valeu! Vou dar uma olhada.
  • Jean Carlo Vieira  06/10/2017 20:48
    Voltando um pouco no passado e pegando como referencia os povos Astecas e Maias da América Pré Colombiana, da pra se notar que não existia muita caridade entre eles. Como o texto bem abordou: Não existe caridade se, em primeiro, não existir o excedente para ser doado. Excedente esse que só é possível de ser adquirido via acumulo de capital - Mais conhecido como capitalismo "O Malvadão".
  • Afrânio   06/10/2017 21:52
    Bom ponto. A caridade cresce de acordo com o capitalismo, e isso é algo empiricamente comprovado:

    Quanto mais liberdade econômica, mais solidariedade e caridade - na teoria e na prática
  • Aprendiz  06/10/2017 23:47
    Meio off - dúvida genuína: se os economistas ortodoxos não gostam, com razão, de controle de preços, por que eles acham que o Banco Central deve determinar a taxa de juros, isto é, controlar o preço do aluguel do dinheiro? Não é incoerente com a própria teoria deles?
  • Experiente  06/10/2017 23:58
    Bingo! Economistas ortodoxos, assim como os heterodoxos, nada sabem sobre economia:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2413

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2370
  • Gabriel  07/10/2017 14:01
    A moeda quando ganha poder de compra, significa que o crescimento econômico foi superior ao aumento da oferta monetária, mas eu tenho uma visão que pode distorcer essa realidade. Veja o caso dos EUA, na maioria dos anos, o crescimento americano foi superior a taxa de inflação, mas ainda sim os preços americanos aumentaram mais do que deviam se formos analisar por este ângulo. Eu li em uma matéria que em um tempo atrás, era possível fazer a compra da semana com US$20, hoje ele destacou que essa quantia pulou para US$100. Será que é por causa dos índices usados pelo IPCA americano que distorcem a realidade da inflação do país?
  • Economista  07/10/2017 15:40
    Não. Você fez confusão nos conceitos.

    A taxa de crescimento da economia americana foi de fato maior que a taxa de aumento de preços (o que, por si só, não significa nada), mas não foi maior que a taxa de aumento da quantidade de dinheiro na economia.

    De 1970 até hoje, o M2 americano cresceu 2.233%. Muito mais do que o próprio PIB. Daí ter havido aumento de preços.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=201709161004v&d1=19700101&d2=19751007

    Artigo inteiro sobre isso, aplicado ao Brasil:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2663
  • Gabriel  07/10/2017 15:59
    Obrigado pela resposta, certamente eu me confundi.

    "De 1970 até hoje, o M2 americano cresceu 2.233%. Muito mais do que o próprio PIB. Daí ter havido aumento de preços."

    Você teria como me passar a perda do poder de compra da moeda americana durante este período, porque eu quero saber a relação entre o aumento da oferta monetária e a perda do poder de compra.

    Tenho uma outra questão:

    https://ocafezinho.com/2017/10/05/maduro-e-putin-avanca-venda-de-petroleo-no-mundo-em-cesta-de-moedas-e-preco-sera-regional/
    https://ocafezinho.com/2017/09/21/putin-impoe-nova-derrota-trump-comercio-maritimo-na-russia-abandonara-o-dolar/

    Isso poderia desvalorizar o dólar perante outras moedas e acabar com a hegemonia do dólar?
  • Economista  07/10/2017 18:38
    Correção no link da imagem acima:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=201709161004v&d1=19700101&d2=20171007


    "Você teria como me passar a perda do poder de compra da moeda americana durante este período,"

    Aquilo que custava US$ 100 em janeiro de 1970 custa US$ 649 hoje.

    data.bls.gov/cgi-bin/cpicalc.pl?cost1=100&year1=197001&year2=201708

    "porque eu quero saber a relação entre o aumento da oferta monetária e a perda do poder de compra."

    Não há relação numérica direta (se você tivesse lido o link recomendado saberia disso), pois tudo depende da produtividade da economia (quanto a oferta aumentou) e da abertura dos mercados (qual o volume das importações).

    Quanto mais aberta e produtiva a economia, menor a pressão sobre os preços.

    "Isso [relação Rússia e Venzuela] poderia desvalorizar o dólar perante outras moedas e acabar com a hegemonia do dólar?"

    Não. Nem faz cócegas.
  • 4lex5andro  09/10/2017 14:47
    Tráfego das marinhas mercantes venezuelana e russa não dá nem 0,5 % do Comércio Marítimo Internacional.

    O Fed deveria estar preocupado com uma desvalorização do dólar, só que não.
  • Brian McCall  07/10/2017 17:37
    Vejamos a lei da oferta e da procura. Quando a oferta diminui ou a demanda aumenta, os preços aumentam. Os economistas liberais afirmam que isso pode ser observado empiricamente e, portanto, o movimento do aumento dos preços em decorrência da queda da oferta ou do aumento da demanda é moralmente neutro; isso acontece como resultado da força de uma "lei econômica natural". Essa asserção é falsa. Os preços não são forças autônomas independentes da escolha humana. Os preços aumentam porque as pessoas escolhem aumentá-los.

    A Economia Cristã afirma que é imoral o aumento dos preços em decorrência da necessidade particular de um comprador de mercadorias e serviços. São Tomás ensina que é injusto da parte de um vendedor cobrar mais porque o comprador necessita particularmente de uma mercadoria.

    Por exemplo, mais de 125 mil casas e 160 mil pessoas ficaram desabrigadas em decorrência do Furacão Andrew, na Flórida, nos EUA. Nesta situação, seria justo elevar o custo de um quarto de hotel em 200% na Flórida, simplesmente porque mais pessoas demandam quartos? Os libertários afirmam que sim, alegando que permitir esse tipo de extorsão é bom porque permite que o meio pecuniário – o quarto – vá para a pessoa que mais o valorize. Na verdade, isso faz com que o quarto fique com os mais ricos, que podem ou não ser aqueles que dão mais valor ao quarto. Uma pessoa que possua meios modestos e que não tem nenhum outro lugar para encontrar abrigo para sua família pode dar maior valor ao quarto do que um milionário que apenas não quer passar uma noite com seus parentes. A diferença é que o homem de meios moderados tem menos riqueza para expressar o maior valor que dá ao quarto.

    Os economistas liberais tentam desviar do assunto nesse ponto, argumentando que manter os preços dos quartos em níveis normais num período de crise provocará o desperdício de recursos limitados, com uma família utilizando dois quartos quando ela usaria apenas um se os preços fossem mais altos. Antes de tudo, é precisamente o locatário mais rico, e não o chefe de família com baixo salário, que provavelmente receberá mais do que é devido, locando mais que um para o seu conforto, então o argumento falha por conta disso.
    De qualquer modo, uma vez que esse efeito envolve a escolha humana, ele não é inevitável. O proprietário do hotel pode simplesmente determinar que numa emergência uma família com quatro membros poderá locar apenas um quarto de modo que outros que necessitem possam ocupar o segundo quarto. Não há necessidade de elevar o preço em 200% para alcançar o racionamento justo de recursos escassos.
  • Miscelânia  07/10/2017 18:26
    Funciona assim: você é o prefeito de uma cidade que acabou de sofrer um desastre natural. A cidade ficou ilhada e todo o suprimento de bens essenciais foi interrompido. Logo, todo o estoque de alimentos tornou-se repentinamente escasso, pois agora há apenas uma quantia fixa. E não há data para reabastecimento.

    Aí você, como prefeito, demonstrando toda a sua sapiência e todo o seu amor pela humanidade, decreta congelamento de preços (na verdade, tenho a certeza de que você aboliria os preços e decretaria que tudo teria de ser dado de graça, mas vou aqui dar uma canja e superestimar a sua inteligência).

    Ato contínuo, as pessoas de bom poder aquisitivo e munidas de bons meios de transporte correm para os supermercados e mercearias, e compram absolutamente tudo o que podem, enchendo seus porta-malas, pois sabem que não há nenhuma previsão de normalização do abastecimento. Outras comprarão também tudo o que podem, mas mais por capricho. Afinal, pra que perder uma ida ao supermercado? Por que não comprar o máximo de água e leite possível, já que tudo está uma pechincha mesmo? Diabo, por que não comprar todos os tipos de carne e fazer um churrasco em um local sossegado para descarregar suas tensões? Estas pessoas irão entupir seus carros de gasolina, enchendo inclusive vários galões, e viajarão para seus retiros e casas de campo. Sem gasolina nos postos, ambulâncias e outros serviços de pronto atendimento não mais podem operar, e as pessoas morrem em suas casas, sem nenhum socorro.

    Os mais pobres, que só andam a pé e que estavam dispostos a comprar apenas o mínimo necessário, descobrem que os supermercados e mercearias já fecharam, pois todo o estoque já foi vendido para os mais ricos munidos de bons meios de transporte. As crianças começam a morrer de inanição e por falta de atendimento médico (afinal, médicos não podem ir voando para as casas destas pessoas).

    O mesmíssimo raciocínio se aplica a quartos de hotéis disponíveis.

    Aí quando uma mãe vai reclamar com você do desabastecimento, da falta de serviços médicos e da consequente morte de seus filhos, você apenas põe a mão no ombro dela e fala: "Mulher, pare de reclamar de barriga cheia! E daí que seus filhos morreram de fome? Você é realmente incapaz de perceber que algo muito mais sublime ocorreu? EU (batendo no peito) consegui fazer com que os malditos empresários não tivessem lucros maiores! EU fiz isso! Por que você é tão ingrata assim? Por que não dá valor ao meu visionário ato de justiça social? Comparada a esta minha façanha igualitária, a morte de seus filhos é algo completamente secundário e desimportante! Aprume-se, minha senhora, pare de chorar e vá fazer algo de útil! Vá roubar alguém, pois eu não posso fazer toda a justiça social sozinho! Que povo mais encostado..."

    Você de fato está qualificadíssimo para ser político. Sem dúvidas reelegeria Sarney.

    Abraços.
  • distributista  07/10/2017 18:46
    Então vc é a favor que, em caso de desastre natural, os preços dos hotéis aumentem 200% por causa do aumento da demanda? Você acha justo isso? O que aconteceria se os preços não aumentassem?

    O que você tem a dizer sobre a teoria do preço justo do São Tomás? Não é coisa de comunista. É cristão.

    Se ouvíssemos Doutrina Social da Igreja, tanta coisa seria resolvida hj.
  • Pobre Paulista  07/10/2017 19:49
    São leis econômicas, pode chorar à vontade.

    Vai reclamar que a gravidade nos impede de voar a não ser que tenhamos dinheiro para andar de avião também?
  • Gabriel  08/10/2017 00:03
    Eu estava lendo o seu comentário com muito desgosto, parei nessa frase antes de chegar no fim:

    "Antes de tudo, é precisamente o locatário mais rico, e não o chefe de família com baixo salário, que provavelmente receberá mais do que é devido (...)"

    E quem é você (ou qualquer outra pessoa) pra dizer o quanto o dono deve ou não receber? Você não passa de um vigaristinha invejoso.
  • L Fernando  09/10/2017 02:34
    Pelo jeito a tal da ajuda espontânea ou caridade passa longe dos libertários nas tragédias
  • Guimarães  09/10/2017 12:17
    Ué, mas ajuda espontânea e caridade são exatamente as duas coisas que os libertários defendem, pois sabem ser as únicas medidas que realmente serão efetivas em trazer alívio e ajuda.

    Já estatistas e intervencionistas defendem controle de preços em nome do "amor aos destituídos", medidas essas que simplesmente tornarão os destituídos ainda mais destituídos.

    Grande amantes da humanidade que vocês são!


    P.S.: ah, sim, veja toda a caridade privada efetivamente realizada após o furacão Harvey devastar o Texas. Quem dependeu do governo, como você defende, está sem nada até agora:

    fee.org/articles/the-private-sector-is-coming-to-texass-rescue/
  • Ultra-Conservador  08/10/2017 00:04
    O problema não é a ganância, nem o egoísmo.

    O problema é que as pessoas confundem essas duas coisas com desrespeito, enganação, mentiras e roubo.

    São coisas completamente diferentes. Querer ganhar mais ou não doar dinheiro não é crime, nem desrespeito.

    O grande vilão que destrói o capitalismo é o desrespeito, as mentiras, ou roubos, etc.

    Essas coisas prejudicam mais as vidas das pessoas, do que um simples trabalhador que quer ganhar mais dinheiro.

    Essa ganância e egoísmo significam apenas um trabalhador querendo ganhar mais.

    Isso Não é crime.
  • Ultra-Conservador  08/10/2017 14:28
    Complementando...

    O capitalismo não resolve tudo...Se roubos e enganações não fizessem diferença, então as expropriações do governo também não fariam diferença.

    Capitalismo depende de respeito a propriedade privada.

  • Socialista de direita  09/10/2017 02:37
    Muito boa análise, porém libertários esquecem de falar sobre a Era Vargas, período de grande desenvolvimento econômico com base na ação do Estado e da centralização do poder. O desenvolvimento industrial e a quebra das oligarquias vindas do período pós monarquia onde o Brasil experimentou seu momento liberal (que no final só serviu para consolidação de coronéis e dos cartéis do café). De 1930 a 1945 foi a mudança de um país totalmente rural para uma pequena e nascente indústria. Sem esse presidente (e grande homem do povo) os pobres continuariam sofrendo nas mãos dos coronéis e nós estaríamos trabalhando nas lavouras dos senhores do café. O nordeste sobretudo passou a ser visto como região e não como mero "pedaço do Brasil" e passa então a receber as políticas necessárias para desenvolver seu ruralismo medieval e o ambiente urbano, as capitais e a faixa litorânea da região foram as que mais ganharam com essas políticas. Ele foi o criador da CLT e o defensor do trabalhador, deu direitos as mulheres e ajudou aos pobres.
    Com certeza, precisamos de mais políticos como Vargas, pessoas nacionalistas e que visem o bem maior do brasileiro.
  • Historiador Honesto  09/10/2017 12:25
    É sempre delicioso ver como o varguistas que dizem que Getulio fortaleceu o nordeste são totalmente incapazes de ver a ironia deste afirmação. Foi justamente Getulio Vargas quem tornou o nordeste totalmente dependente do governo federal.

    Vargas, ao impor seu nacionalismo e proibir a livre importação de bens, ajudou exatamente a plutocracia industrial do sudeste, concedendo-lhes uma reserva de mercado. Os nordestinos, por conseguinte, foram proibidos de comprar bens baratos do exterior, sendo obrigados a pagar caro pelos bens nacionais fabricados pela plutocracia do sudeste. Vargas obrigou os nordestinos a sustentar os barões de São Paulo.

    Mas a coisa é ainda pior: ao impor um salário mínimo nacional, Vargas retirou completamente a competitividade dos nordestinos. Afinal, se o salário mínimo é o mesmo, por que empreender no nordeste e não no sudeste?

    Vargas jogou o nordeste na miséria para beneficiar os poderosos no sul/sudeste. E os governos subsequentes, para manter este arranjo, passaram a comprar os nordestinos com assistencialismo.

    A migração nordestina em massa começou exatamente no período Vargas. E nunca mais acabou. Um patriota!
  • anônimo  09/10/2017 14:06
    O que você disse é a mais pura verdade. Vargas foi um cara extremamente interessante (para não dizer outra coisa). Não deixou São Paulo se separar, mas suas políticas nacional-desenvolvimentistas entregaram o Brasil inteiro nas mãos de São Paulo e Rio de Janeiro.

    Impor um salário mínimo pro território inteiro, criar trocentas agências burocráticas e elevar tarifas protecionistas deram um tiro na cabeça do potencial de desenvolvimento de todos os lugares no Brasil que não eram desenvolvidos antes da década de 30.

    Desenvolvimentismo, assim como todas as políticas estatizantes, só "funcionam" no início e só "funcionam" porque consomem o capital que as pessoas acumularam com muito esforço. Vargas industrializou o Brasil rapidamente direcionando recursos? Pode até ser, mas esse país é completamente atrasado exatamente por causa dele.
  • 4lex5andro  09/10/2017 14:57
    Grande resposta, não por acaso foi na era varguista a criação de excrescências como Cepal, Bnds (ou atual Bndes), Petrobras (que garante subsidios via adição compulsória de etanol na gasolina, beneficiando o setor usineiro), Sudene (um dos maiores cabides de emprego do país, que consiste em direcionar investimentos de forma perdulária para onde não são necessários via banco do nordeste), Sudam (idem à Sudene, mas via Basa) e Banco do Nordeste.

    Sem esquecer do monopólio de extração e refino de petróleo (senão a "eficiente" Petrobras nem conseguiria orçar qualquer compra de equipamentos como sondas e plataformas) e Ctps (versão brasileira da fascista carta del lavoro).

    Engodos estatistas, fantasiosos, distantes da realidade do analfabetismo e sub-empregos (sazonais) dos canaviais.

    Invenções que são contra o racionalismo e seriedade nas gastos com o erário e não deveriam existir.
  • Felipe  09/10/2017 15:19
    Excelentes comentários. Vargas foi o maior paulista da história do Brasil. E o maior anti-nordestino.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  08/10/2017 00:59
    É necessário dizer que o texto está certo. Parcialmente, lógico.
  • Surucucu, a cobra solenóglifa   08/10/2017 02:02
    Certo, inovação na produção é importante. Mas a respeito do incrível aumento da qualidade de vida, prefiro encarar a questão com sobriedade, não sei se as novas horas disponíveis estão sendo usadas para algo útil: temos mais tempo para nos tornarmos obcecados em consumir produtos como porcos comendo lavagem ? Ou que tal cultivar o ego nas redes sociais ? Manter relações superficiais ? Permanecer sedentário frente a uma tela ? Ser bombardeado por informações o tempo todo, sem criar um pensamento devidamente próprio ? Viver mais só por viver, vagando sem sentido ?

    Outra questão é que, se por um lado a qualidade de vida da população como um todo aumenta, a desigualdade socioeconômica mundial também, os países subdesenvolvidos não têm recursos para entrar na 3ª/4ª Revolução Industrial com alta tecnologia, nem há interesse do mundo desenvolvido para tanto. Poderia talvez, existir um projeto semelhante à criação dos tigres asiáticos. Por mais que o benefício próprio deva ser considerado, não faz mal pensar nos outros e cooperar, o ser humano é sociável-até porque, da perspectiva do consumidor, a maior competitividade melhoraria os produtos e seus preços -. Sei lá, para dar um exemplo, acho essa lógica de mercado exagerada: as crianças são criadas para ver os coleguinhas como concorrentes, só ver o caso da Coreia do Sul, a qual possui ótima qualidade de vida, por sinal, mas vale a pena o desgaste emocional e psicológico ?

    O biólogo E.O.Wilson já falava que "Estamos nos afogando em informação e famintos por sabedoria". Eu acho que o homem precisa de tempo para processar informações e o ócio criativo, praticamente ausente com os smartphones e conexão integral , é vital para pensamentos inovadores.

    Enfim, não sou comunista nem nada, só estou meio cético com o esvaziamento de sentido em viver como gado esperando pra ser abatido.



  • Mr Richards  13/10/2017 05:12
    Concordo que a sociedade é bem sugestiva a este tipo de comportamento materialista, para colocarmos em questão a sociedade ocidental, a qual é detentora do título vulgarmente consumista. Mas é disso que se trata a liberdade, quando a pessoa sente prazer ao se curvar diante do consumismo, e para ela tudo bem embora signifique que ela esteja feliz, nada mais justo do que ela ter a liberdade para fazer isso. Pode ver que nos países com maior índice de liberdade, são sociedades que obtém maior grau de felicidade, mesmo que alguns países tenham características únicas, mas ainda assim é a liberdade que proporciona a base da felicidade para essas pessoas.

    Todos os países que se encontram no grau de subdesenvolvido são os que mais restringem os investimentos estrangeiros e a liberdade para multinacionais pisarem em solo nacional, grande parte deste sentimento provido da tese do imperialismo norte-americano. O Brasil é um exemplo notório e direto deste tipo de comportamento anti-americano, como a esquerda é a que faz maior barulho na imprensa e a imprensa aplaude este tipo de evasão jornalística, o Brasil sob a pauta anti-imperialista abdica de todo tipo de investimento, com exceção de um: o estado. Sob este tipo de norma, sempre o que irá prevalecer é o investimento do estado para desenvolver a economia do país por "falta"de comprometimento da iniciativa privada nacional, veja bem como a estratégia é relacionada, abdicam do investimento estrangeiro sob a tese de imperialismo ao mesmo tempo que o estado pega a maior parte do crédito do país sob os bancos públicos para financiar o próprio governo afim de afirmar que falta investimento por parte da iniciativa privada nacional, e sabe quem é o maior representante deste tipo de discurso? Ciro Gomes.
    Como o estado é ineficiente em sua definição natural, o estado como o maior provedor do discurso desenvolvimentista só pode dar em ruína, e é exatamente a conclusão que se chega nos países subdesenvolvidos. Neste tipo de situação comportamental, fica difícil para um país se integrar na economia global, o estado asfixia a iniciativa privada nacional e o investimento estrangeiro, logo a inserção global desse país fica em decadência porque não têm nada para oferecer competitivamente com verdadeiros países capitalistas, logo é quase impossível acontecer revoluções industriais nestes países protecionistas e se tornam cada vez mais desiguais do que se tivessem ampla liberdade econômica, porque o estado vai abocanhar cada vez mais a fatia da renda nacional afim do discurso desenvolvimentista. É um ciclo vicioso.
    Como eu disse, o estado abocanhando uma fatia cada vez maior da renda nacional, a cooperação dos indivíduos e a falta de iniciativa para ajudar o semelhante fica cada vez mais desencorajada e isso é consequência da intervenção estatal na economia, pensam eles: "se o estado ajuda tudo e todos, por que eu devo me preocupar com meu amigo?"

    Esse exemplo que você deu das crianças sul-coreanas verem o amigo como concorrente não têm nada de livre mercado nesse arranjo. Primeiro que o estado é quem fornece a educação integralmente e nacionalmente, não há sequer lógica de pensar esse ambiente como livre mercado, e segundo, quem promove essa concorrência é o próprio estado. Pego como exemplo o ensino na Finlândia, o qual é totalmente despolitizado embora fornecido pelo governo, os jovens são encorajados a ler por diversão, isso é como se houvesse um livre mercado, porque não há coerção para aquela obrigação.
  • Elias  09/10/2017 01:40
    Só não dá para acreditar em Capitalista que reclama do Estado(tributo, impostos...) e no fim tem uma lucratividade monstruosa, pagando salários aos seus funcionários que mal dá para comer. Como que o pobre irá ascender se temos uma péssima educação, alunos com um déficit escolar inimaginável, o mal não está na vontade de ter as coisas, mas,precisamos garantir meios para que todos consigam alcançar seus desejos, a equidade é o que nos falta.
  • Leigo  10/10/2017 13:03
    E qual o problema de ter uma lucratividade monstruosa?

    https://www.google.com.br/search?q=lucro+mises&oq=lucro+mises&aqs=chrome..69i57j0l5.1463j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8
  • Luiz Moran  09/10/2017 11:26
    Enquanto o socialismo e o comunismo não forem colocados na mesma prateleira do nazismo e do fascismo, ou seja, na categoria de CRIME CONTRA A HUMANIDADE, seguiremos enxugando gelo ao tentar "debater" com hipócritas que defendem essas ideologias assassinas.
  • Without Rules  10/10/2017 12:20
    Leandro,

    Estive acompanhando no Trading Economics, a Dívida Pública dos EUA dispararam nesse ultimo mês, e sem motivo aparente, pois os gastos seguem os mesmos, e não houveram cortes de impostos....

    Sabe o motivo?

    Abraço
  • Felipe Lange S. B. S.  10/10/2017 13:41
    Leandro, o fato das décadas de 60, 70 e 80 terem sido protecionistas ao extremo explica a total presença nacional de carros, mesmo os de porte médio e grande? Porque hoje, por exemplo, não se vê carros do porte de Vectra (mid-size) e Omega (full-size) sendo feitos no Brasil, hoje todos acabam vindo de fora. Há alguma explicação do fato do Monza ter sido líder de vendas de 1984 a 1986? Com essa medida, o que pode se esperar do mercado nos próximos anos?
  • Leandro  10/10/2017 18:03
    "o fato das décadas de 60, 70 e 80 terem sido protecionistas ao extremo explica a total presença nacional de carros, mesmo os de porte médio e grande?"

    Claro. Não sendo possível importar carros estrangeiros, todos eram obrigados a pagar caro pelas carroças nacionais. Essa política de reserva de mercado garantida pelo governo fez a alegria do baronato industrial ao mesmo tempo em que relegou os pobres aos ônibus e aos jumentos.

    Por isso, protecionismo é a maior política de apartheid econômico: apenas os ricos podem ter bens, que são caros. Os pobres ficam sem nada.

    "Porque hoje, por exemplo, não se vê carros do porte de Vectra (mid-size) e Omega (full-size) sendo feitos no Brasil"

    Omega e Vectra são criações estrangeiras. Ambos foram criados pela Opel (subsidiária alemã da GM), e só passaram a ser fabricados no Brasil após a abertura de mercado feita pelo governo Collor. O Omega surgiu aqui em 1992 e o Vectra, em 1993.

    Não fosse a abertura de mercado, duvido muito que a GM se daria ao trabalho de trazê-los para cá. Afinal, por que se dar ao trabalho de produzir algo aqui se não há concorrência? Muito melhor seria manter a produção das carroças.

    "Há alguma explicação do fato do Monza ter sido líder de vendas de 1984 a 1986?"

    Deve ser porque era o melhor da época. Tendo como concorrentes Gol, Brasília, Fusca, Chevette, Escort, Uno, Opala, Voyage, Prêmio, Parati e Marajó, realmente não era muito difícil assumir a liderança.

    "Com essa medida, o que pode se esperar do mercado nos próximos anos?"

    Vai depender do câmbio. Se ele se mantiver estável, haverá aumento da oferta de importados e redução dos preços destes. A verificar se as nacionais irão também reduzir seu preços.
  • Felipe Lange S. B. S.  12/10/2017 01:52
    Omega e Vectra são criações estrangeiras. Ambos foram criados pela Opel (subsidiária alemã da GM), e só passaram a ser fabricados no Brasil após a abertura de mercado feita pelo governo Collor. O Omega surgiu aqui em 1992 e o Vectra, em 1993.

    E no caso de Chevette, Monza e Opala? Ambos vieram também de Opel, o Chevette sendo originalmente o Kadett (chegou aqui antes da Alemanha), Monza sendo originalmente o Ascona e o Opala o Rekord, seriam um caso de exceção no Brasil protecionista? O fato do país ser protecionista influencia em alguma coisa em um carro ser de um projeto de fora ou não?

    Interessante notar que o Opala ficou a mesma carroceria por mais de 20 anos, o Chevette por mais de 15 anos e o Monza, um tempo bem próximo também. Certamente se não houvesse a abertura dificilmente o Corsa surgiria em 1993 por aqui (e o Gol poderia ficar daquele jeito por mais um tempo tranquilo), talvez só um tempo depois, ou se chegasse, iria ficar na mesma situação do Opala (o Corsa sedã ficou 20 anos por aqui, se contar o Corsa Classic/Classic a partir de 2002).

    Você deve me conhecer aqui, sou talvez um dos poucos entusiastas de carros pró-mercado de fato, inclusive postei um tópico neste fórum (nem sei se teve comentário estatista lá porque não li).

    Eu penso que o melhor retrato do atraso brasileiro tenha sido aqueles modelos fracassados da Gurgel...
  • Leandro  12/10/2017 14:38
    Naquela época, todos os carros nacionais eram meras adaptações (toscas) de modelos europeus. E, dado que o mercado era fechado, você podia literalmente produzir qualquer coisa com qualquer qualidade, pois os mais ricos sempre iriam comprar. Afinal, não havia concorrência externa.

    Vide os casos de Opala, Chevette e Monza, que você tão bem relatou. Carros assim ficarem tanto tempo dominando o mercado é algo que só é possível quando não há concorrência.
  • Felipe Lange S. B. S.  13/10/2017 01:00
    Ainda que hoje infelizmente soframos com o protecionismo (pode ver que, ainda que o projeto seja de fora, aqui vem sempre pior, o que você já disse, vide Fiesta, Golf, A3, Kicks, eu posso fazer uma lista dos itens de série que eles tiraram quando nacionalizaram, e os importados quando vêm acabam vindo com menos itens do que lá fora, infelizmente eu creio que seja por causa da burocracia e do alto custo de adaptar o carro para cá), imagino que nas décadas de 80, 70 e 60 tenham sido infinitamente piores. Te indico a leitura deste artigo (eu que traduzi, está no meu blog) que conta um pouco da história de um período obscuro de protecionismo no mercado americano nas décadas de 70 e 80. É aquela coisa, é uma indústria nacional medíocre e, quando há importados bons (e relembrando, com menos itens do que no exterior), só para pessoas endinheiradas. Há casos de protecionismos ao nível brasileiro, onde há uma parcela pequena de paridade com o mercado internacional ou casos de protecionismo como foram os da União Soviética e Alemanha Oriental ou, hoje, na Coreia do Norte, onde com certeza o Kim Jong-un, assim como o seu pai canalha, também deve adorar um Mercedes-Benz.

    Quem sabe o Bolsonaro não traga uma boa equipe econômica e faça ajustes importantes que já eram para terem sido feitos desde que o Brasil é Brasil. Nas entrevistas até agora, só falou de nióbio, grafeno e nada mais...

    E reforço o que o Without Rules disse: seu conhecimento sobre a economia brasileira é impressionante, se você tivesse um canal de vídeos acho que teria sucesso. Obrigado Leandro!
  • Without Rules  11/10/2017 11:56
    Leandro,

    Muito obrigado, mais uma vez.
    Seu conhecimento é fantástico. Insisto para que, quando puder escreva algo sobre o período monárquico e o regime militar.
    A capacidade de você explicar assuntos complexos para um leigo foge dos meus adjetivos para te elogiar;
  • Leandro  12/10/2017 14:37
    Muito obrigado pelas palavras (exageradas ao extremo), meu caro. Esse é o aditivo.

    Quanto ao seu pedido, está na lista.

    Grande abraço!
  • Felipe Lange S. B. S.  22/10/2017 12:08
    Leandro, veja que interessante a notícia de 20 de outubro sobre a Kia. Foi só acabar aquela porcaria do Atrasar-Auto que o cenário já mudou.


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