clube   |   doar   |   idiomas
“O Brasil tem de voltar a investir para crescer!”. Mas e se os investimentos forem ruins?
Investimentos sem fundamentos são piores do que não investir. Eis alguns exemplos

É comum escutarmos economistas, empresários e políticos falando da importância do investimento para que o Brasil entre em uma trajetória de crescimento de longo prazo.

De fato, eles não estão errados: são os investimentos que geram crescimento econômico. Sem investimentos, dificilmente voltaremos a crescer.

Os investimentos são importantes porque aumentam a quantidade de capital (máquinas, equipamentos, instalações e estruturas) na economia e permitem que novas tecnologias se integrem ao processo de produção por meio da aquisição de máquinas que trazem embutidas essas tecnologias.

Tanto o aumento do capital quanto a introdução de novas tecnologias no processo produtivo tendem a aumentar a produtividade do trabalho, levando, portanto, ao crescimento de longo prazo.

Até aqui, todas as escolas de pensamento econômico concordam.

Mas há um porém: tamanha a importância do investimento não o torna uma panaceia.

Para que o investimento cumpra sua função é necessário que o aumento da capacidade de produção ocorra e seja sustentável, isto é, produza bens que estão realmente sendo demandados pelos consumidores. Adicionalmente, é necessário que novas tecnologias de fato sejam incorporadas na produção e sejam mais produtivas que as tecnologias anteriores.

Um investimento que não leve a um efetivo aumento da capacidade de produção equivale, para ficar no popular, a jogar dinheiro fora.

Estádios

Considere, por exemplo, os estádios construídos para a Copa do Mundo e que estão sem uso: as estruturas e equipamentos dos estádios foram contabilizados como investimentos, mas não houve nenhum aumento na capacidade de produção do país. Só os três grandes "elefantes brancos" da Copa — Mané Garrincha, Arena Amazônia e Arena Pantanal — custaram R$ 2,716 bilhões. A troco de quê?

Para começar, tais obras aumentarem o endividamento do governo (bancado por nós).

Em segundo lugar, e ainda mais importante, tais obras desnecessárias, ao consumirem grandes quantidades de aço, cimento, vergalhões e argamassa, fizeram com que todo o resto do setor da construção civil do país tivesse de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de aço, cimento, vergalhões, argamassa.

Eis uma realidade incontornável: vivemos em um mundo de escassez. Logo, se há um aumento no consumo destes insumos, sobra menos para ser usado por outras pessoas. Tais obras desnecessárias causaram o aumento dos preços desses itens, fazendo com que todos os bens que utilizam esses itens em sua construção — como imóveis e carros — ficassem mais caros. Investimentos que realmente estavam sendo demandados pela população tiveram de pagar mais caro para obter estes insumos.

Esses estádios representam um perfeito exemplo de destruição de capital e de desperdício de recursos escassos, os quais agora estão imobilizados em algo que não eleva a produtividade e não cria riqueza para ninguém. Tais construções são um monumento ao erro econômico.

Caso todo este dinheiro tivesse sido simplesmente queimado, as consequências seriam melhores: no mínimo, não causaria novos prejuízos e nem induziria outros investimentos perdidos.

Em Brasília, com efeito, o governo local tem passado por dificuldades para encontrar alguém que queira administrar o estádio construído para a Copa e arcar com os milhões de reais anuais necessários para sua manutenção.

Mas não pára por aí.

Investimentos que pareciam bons

Investimentos que de fato aumentam a capacidade de produção instalada, mas não são sustentáveis, também são um problema.

Peguemos o caso da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. R$ 58 bilhões já foram "investidos" ali. Até agora, nada.

O prejuízo para a Petrobras e para quem investiu acreditando no projeto é evidente, mas os tais bilhões foram computados como investimento e, consequentemente, ajudaram a aditivar os números do PIB. Qual foi o benefício real para a economia?

Já o drama da região onde seria o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) mostra de maneira ainda mais clara como investir mal pode ser desastroso: após R$ 66 bilhões terem sido "investidos" ali, verdadeiras cidades foram criadas ao redor na expectativa da materialização deste complexo petrolífero. Milhares de pessoas largaram seus empregos em outras cidades e se mudaram para os arredores do Comperj na expectativa de empregos e altos salários. Hoje, estas cidades estão tomadas por desempregados, cujas expectativas não se concretizaram.

Outro exemplo clássico é o da indústria naval. Recorrentemente, o governo de plantão resolve dizer que, por termos um imenso litoral, temos de ter uma indústria naval forte Na era FHC, os navios eram feitos fora do Brasil, pois eram mais baratos. Sob Lula, os navios passaram a ser feitos aqui, tudo com o objetivo de "aumentar investimentos e gerar empregos". O que de fato ocorreu?

Vamos analisar.

Quando eram construídos lá fora, os navios tinham um custo menor para a Petrobras. Quando passaram a ser construídos aqui dentro, o custo aumentou.

Dica: em toda e qualquer decisão política — em absolutamente todas, sem nenhuma exceção — sempre haverá ganhadores e perdedores. Sempre. Não há exceção a essa regra.

Logo, quem ganhou com essa política? As empreiteiras que construíram os estaleiros, os fornecedores das empreiteiras, os fornecedores dos materiais de construção e as pessoas ligadas a essa área naval.

Quem perdeu? Todo o resto do país. 

Em primeiro lugar, os cidadãos tiveram de pagar por esse populismo via impostos. Não apenas para pagar as empreiteiras, como também porque parte desses navios foi comprada ou pela Marinha ou pela Petrobras. Se não foi via impostos, então o governo teve de se endividar para financiar tudo isso.

Depois, como explicado acima, os cidadãos tiveram de arcar com preços maiores de todos os materiais de construção que, ao passarem a ser direcionados para a indústria naval, tiveram seus preços aumentados. Isso afetou o resto do setor da construção civil, que teve de arcar com insumos mais caros.

Ademais, os próprios serviços das empreiteiras não apenas encareceram artificialmente (por causa da contratação do governo), como elas próprias — ao serem contratadas pelo governo para construir estaleiros — deixaram de atuar em outras áreas, como construção de infraestrutura, estradas e aeroportos.

Em toda intervenção sempre há aquilo que você vê e aquilo que você não vê. Você viu os empregos sendo criados na indústria naval. Você não viu as consequências que essa criação forçada de empregos gerou para todo o resto do país.

Para piorar, veja o que aconteceu com a Sete Brasil, a empresa que foi criada para construir e alugar 28 sondas de perfuração, em um projeto orçado em US$ 25 bilhões: o governo decidiu incentivar a indústria naval, e a empresa criada, tendo a Petrobras como sócia, quebrou.

Areia de praia não faz navios, e os investimentos gigantescos na (re)construção da indústria naval deixaram um rastro de destruição de capital e desemprego em investimentos feitos na esperança que os estaleiros prosperassem.

Nossa história

Todos esses são exemplos de investimentos ruins por causa de capital mal alocado. E a má alocação de capital é uma das chaves para explicar o não-crescimento de alguns países.

No Brasil, temos larga experiência com ciclos de alta de investimento que terminam em desgraça. A figura abaixo ilustra dois exemplos.

investbrlp1.jpeg

O primeiro ocorreu nas décadas de 1960 e 70. Entre 1965 e 1981, a taxa de investimento foi de 14,7% para 24,3% do PIB. Na sequência, tivemos a década perdida, que durou mais de dez anos e apresentou a hiperinflação.

Fenômeno semelhante, porém menos intenso, ocorreu entre 2003 e 2011, quando tivemos um novo ciclo de alta da taxa de investimento, que foi de 15,3% em 2003 para 19,3% em 2011. Na sequência, tivemos a maior retração do PIB de nossa história.

A figura acima mostra os dois períodos.

O período 1965 a 1981 pode ser subdividido naquele do Milagre Econômico, que começa com os ajustes de 1965 e toma forma no crescimento do começo da década de 1970; e no período da Marcha Forçada, que ocorre na segunda metade da década de 1970.

O primeiro período pode ser visto como um aumento natural da taxa de investimento como consequência dos ajustes da dupla Roberto Campos e Octávio Bulhões na segunda metade da década de 1960. O segundo período, a Marcha Forçada, foi uma tentativa de manter o aumento do investimento na marra por meio de incentivos, subsídios, alto endividamento externo e inflacionismo da oferta monetária.

No século XXI, também temos dois períodos distintos: o primeiro, que vai até 2008, pode ser visto como resultado das reformas da década anterior, inclusive do primeiro governo Lula, e do boom das commodities. A esse período sigo a sugestão de Lula e me refiro a ele como "Espetáculo do Crescimento".

A partir de 2008, repetindo o final da década de 1970, o governo resolveu comprar a saída de uma crise mundial por meio de incentivos e subsídios ao investimento.

A Marcha Forçada original durou vários anos e terminou com a década perdida, uma inflação descontrolada e o fim da sequência de generais que governou o país a partir de 1964. Já o que seria a segunda Marcha Forçada teve pouco fôlego e ficou mais parecida com uma corrida forçada, deixando o país na maior crise de nossa história.

Por fim, o leitor deve ter notado um pico de investimento no final da década de 1980. Muito provavelmente esse pico é resultado de distorções de preços relativos e não deve ser levado em conta. De toda forma, o movimento foi curto e não configura um ciclo de aumento do investimento. Porém, caso o leitor insista em ver este período como um ciclo de aumento de investimento, então a conclusão inevitável é que o fim deste ciclo foi uma hiperinflação e um congelamento de ativos financeiros (sob Collor).

Conclusão

Fica a lição: investimentos estimulados pelo governo não seguem regras de mercado e não estão preocupados em atender a genuína demanda dos consumidores. No final, eles geram destruição de capital e empobrecimento.

O crescimento econômico ocorre em função de investimentos privados feitos voluntariamente por empreendedores, que se orientam pelo sistema de lucros e prejuízos e por genuínas demandas de mercado, e não de investimentos conduzidos por políticos visando a ganhos eleitorais.

De resto, é possível que nos próximos semestres a economia comece a se recuperar. Se isso acontecer, é certo que irão aparecer políticos, economistas e empresários pedindo para o governo estimular investimentos por meio de subsídios, incentivos e protecionismo. Irão falar de "ganhos de produtividade" e várias outras coisas boas associadas ao aumento consistente da taxa de investimento. O ciclo será reiniciado.

Quando isso acontecer, não se esqueça da figura desse artigo e da lição de que investimento ruim é pior do que simplesmente não investir.

______________________________________

Leandro Roque contribuiu para este artigo

45 votos

autor

Roberto Ellery
é professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), articulista do Instituto Liberal, e participa de debates sobre as formas de alterar o atual quadro de baixa taxa de investimento agregado no país e os efeitos de longo prazo das políticas de investimento.

  • Luis  30/08/2017 15:14
    Se o governo fizer investimento em capital humano e capital natural ja esta muito bom.
  • Curioso  30/08/2017 15:22
    E como exatamente o governo faria esse investimento? Como ele se guiaria? Qual seria a sua baliza? Como ele descobriria os talentos corretos nos quais investir?
  • Constatação  30/08/2017 15:34
    Um bom investimento do governo em capital humano seria liberar todo mundo para a iniciativa privada :D.

  • José Ricardo das Cgagas Monteiro  31/08/2017 17:47
    Excelente investimento seria um "haraquiri político", todos 513 poderiam fazer esse gesto de grandeza de amor à pátria; reunidos em qualquer lugar do Alvorada fariam, os nobres congressistas,o autoempalamento ; ficaria assim instituído "2017, o ano patriótico dos legisladores brasileiros".
  • Edson  30/08/2017 15:26
    E o pior é que estamos rapidamente caminhando para níveis de endividamento da era pré-Collor:

    terracoeconomico.com.br/evolucao-da-divida-publica-brasileira-desde-1978-um-grafico-para-voce-refletir
  • Leandro  30/08/2017 15:28
    Sobre a diferença, em termos econômicos gerais, de uma obra feita pelo estado e de outra feita voluntariamente pela iniciativa privada, vou até repetir aqui o que já foi respondido em outros comentários:

    1) Se a obra é estatal -- isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos --, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Os estádios da Copa na região Norte do país são os melhores exemplos). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

    2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.

    3) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário -- ou seja, caso houvesse superfaturamento --, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

    Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há accountability; os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.

    Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

    Dentre esses dois arranjos, o estatal pressionará bem mais os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país.
  • Mathias  30/08/2017 19:30
    "3) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto"

    Ou porque se notou que há possibilidade de superfaturamento, de se especulação imobiliária, porque se obteve vantagens políticas, entre outros N exemplos de artimanhas que o setor privado, dito eficiente, faz no Brasil para se aproveitar e se locupletar do que é público.

    O problema das obras estatais não reside no fato delas serem estatais. É como se o culpado pela gripe fosse o inverno e não o vírus causador. O problema reside nos homens que administram as obras públicas, geralmente políticos que representam determinado setor econômico, determinado nicho da iniciativa privada.

    Além disso, ao se enaltecer neste site a iniciativa privada, se fecha os olhos para o quanto ela é dependente do Estado. A mão de obra barata e farta da qual os empresários tiram seu lucro pagando baixos salários (já que são ineficientes em obter vantagem competitiva através de outros fatores) é formada financiada com o dinheiro de toda a sociedade, afinal, a imensa maioria do "capital humano" advém das instituições públicas. Isso só para citar um exemplo.
  • Substituto  30/08/2017 20:01
    "Ou porque se notou que há possibilidade de superfaturamento, de se especulação imobiliária, porque se obteve vantagens políticas, entre outros N exemplos de artimanhas que o setor privado, dito eficiente, faz no Brasil para se aproveitar e se locupletar do que é público."

    Superfaturamento só existe quando uma entidade estatal contrata uma empresa privada para fazer a obra. Aí, sim, compensa fazer faturamento. A empresa privada paga propina ao agente estatal que, em troca, superfatura a obra (com dinheiro de impostos).

    Quando há somente empresas privadas envolvidas -- ou seja, não há dinheiro de impostos e nem dinheiro de terceiros --, não dá para haver superfaturamento. Afinal, quem seria o trouxa que pagaria o superfaturamento? A empresa privada que pagasse superfaturado para outra empresa privada iria à falência. Quando apenas o capital próprio está envolvido, não há nenhum incentivo para superfaturamento.

    Aliás, ainda que houvesse superfaturamento (algo completamente sem sentido), os únicos prejudicados seriam apenas os envolvidos. Todo o resto da população passaria incólume.

    O simples fato de você nem sequer se atentar para essa diferença mostra como você desconhece o mais básico de economia.

    "O problema das obras estatais não reside no fato delas serem estatais. [...] O problema reside nos homens que administram as obras públicas, geralmente políticos que representam determinado setor econômico [...]"

    Ou seja, o problema não é ser estatal. O problema é ter agentes estatais envolvidos. Brilhante.

    O problema, meu caro, é haver dinheiro público envolvido. Tire o dinheiro público da equação e nunca mais ouça falar em corrupção e desvio de dinheiro.

    Quando vão entender sequer este básico?

    "Além disso, ao se enaltecer neste site a iniciativa privada, se fecha os olhos para o quanto ela é dependente do Estado."

    Isso só pode ser zombaria, não é possível.

    Para começar, este site é campeão em críticas a empresas privadas que fazem conluio com o setor público. Há praticamente um artigo por semana criticando este arranjo que envolve privado e estatal. Só de cabeça, eis alguns:

    Precisamos falar sobre o "capitalismo de quadrilhas"

    Empresas grandes, ineficientes e anti-éticas só prosperam em mercados protegidos e regulados

    A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

    O estado agigantado gerou o estado oculto, que é quem realmente governa o país

    Por que o livre mercado é o arranjo mais temido pelos grandes empresários

    Explicando todo o problema com o nosso sistema político - em 2 minutos

    Por que o BNDES deve ser abolido

    Grandes empresas odeiam o livre mercado

    De resto, este site não defende empresa privada, mas sim livre mercado e livre concorrência. Há uma enorme e intransponível diferença entre ser pró-empresa e pró-mercado.

    As diferenças econômicas e morais entre ser pró-empresas e pró-mercado

    "A mão de obra barata e farta da qual os empresários tiram seu lucro pagando baixos salários (já que são ineficientes em obter vantagem competitiva através de outros fatores) é formada financiada com o dinheiro de toda a sociedade, afinal, a imensa maioria do "capital humano" advém das instituições públicas. Isso só para citar um exemplo."

    Opa, bem-vindo ao libertarianismo! Agora, comece a defender a separação total e irrestrita entre estado e grandes empresas. Dica: isso só irá acontecer quando o estado for encolhido ao mínimo possível.

    "Para impedir que os ricos influenciem a política, temos de aumentar o estado!". Faz sentido?
  • Edvaldo  31/08/2017 19:17
    Eu ia rebater o individuo, mas você o fez com maestria. Muito obrigado por nos ajudar com suas ideias e fortalecer nossos pensamento pró-mercado!
  • Ex-microempresario  31/08/2017 15:06
    Pô, de novo esse argumento "a mão de obra dos empresários é fornecida pelo estado".

    Acho que o Mathias quer que o governo estatize toda a produção de canetas para poder dizer "Está vendo, se não fosse o estado você não poderia escrever!"
  • Dan Nobumi  30/08/2017 20:42
    Leandro, eu amo seus artigos e comentários, apenas me permita fazer uma pequena crítica.

    Pare com esses estrangeirismos. "Accountability". Porra, "accountabiluty"? Custa falar "contabilidade"?
  • Leandro  30/08/2017 22:56
    Puxa, que injustiça... Logo eu, que sempre me policio e me restrinjo ao máximo pra jamais usar anglicismos e estrangeiros (você não encontrará absolutamente nenhum em meus 99 artigos e 82 postagen des blogs), fui flagrado e reprimido na única vez que o fiz?

    Não aceito. Por isso, não vou deixar barato. Vou lutar, oferecer resistência e revidar. E vou fazer isso corrigindo a sua correção.

    A tradução correta para accountability, naquele sentido usado, não é "contabilidade". Com efeito, foi exatamente por isso que recorri ao anglicismo, pois a tradução em português para este termo é variada, e quase nunca se encaixa bem à frase dita.

    A Wikipedia, por exemplo, possui um verbete em português exclusivo para este termo. Está escrito lá:

    "Accountability é um termo da língua inglesa, que pode ser traduzido para o português, como responsabilidade com ética e que remete à obrigação de membros de um órgão administrativo ou representativo de prestar contas a instâncias controladoras ou a seus representados. Outro termo usado numa possível versão portuguesa é responsabilização.

    Accountability pode ser traduzida também para o português, deficientemente, por "prestar contas". «Accountability» significa que quem desempenha funções de importância na sociedade deve regularmente explicar o que anda a fazer, como faz, por que faz, quanto gasta e o que vai fazer a seguir. Não se trata, portanto, apenas de prestar contas em termos quantitativos mas de auto-avaliar a obra feita, de dar a conhecer o que se conseguiu e de justificar aquilo em que se falhou."

    Outras traduções seriam: chamada à responsabilidade, responsabilidade, prestação de contas, obrigação de dar conta, imputabilidade.

    Pronto, acho que já me penitenciei.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • Dan Nobumi  30/08/2017 20:49
    Eu não me importo com investimentos ruins, desde que não saiam do meu bolso.

    Como diz Peter Schiff: "Capitalismo não significa lucros privados e prejuízos socializados, capitalismo significa lucros privados e prejuízos privados".
  • leonardo  11/09/2018 21:39
    qual empresa privada investiria numa obra como o Ponte Rio-Niterói?
  • Mauro  11/09/2018 21:55
    Qualquer conglomerado (nacional ou estrangeiro) que tivesse garantido seu direito de propriedade, bem como tivesse a segurança de que não seria expropriado pelo governo.

    Isente a obra de impostos e dê a liberdade total de se remeter lucros para o exterior, e não faltarão consórcios estrangeiros ávidos para fazer investimentos de grande vulto.

    O único bloqueio às grandes obras é exatamante o estado.
  • Caio  11/09/2018 22:47
    A partir do momento em que você entende que o seu mercado é global, e que, principalmente, qualquer indivíduo do mundo pode investir em sua área, toda a análise econômica muda.

    Pense, por exemplo, em uma determinada região do seu país que seja extremamente pobre. Muito provavelmente, os habitantes locais não terão capital físico nem recursos financeiros para fazer grandes investimentos. Consequentemente, será impossível que essa região enriqueça. Entretanto, se você considerar que tal região está inserida em um grande contexto global, o cenário muda totalmente. Os habitantes locais podem não ter capital nem recursos próprios para investir, mas certamente há outros habitantes do resto do globo que possuem esse capital e que, com os devidos incentivos, terão sim interesse de investir ali.

    E isso muda tudo.

    Quando você passa a pensar em termos globais em vez de meramente nacionais, estaduais ou locais, vários desafios econômicos desaparecem.

    Se você pensa determinados mercados apenas em termos locais ou nacionais, partindo da premissa de que apenas pessoas que nasceram dentro dos mesmos limites geográficos que o seu podem investir nestes setores, aí realmente o desenvolvimento de vários destes setores será um grande desafio. Se você proíbe o capital externo de investir nestes setores, a melhoria deles se torna bem mais difícil.

    Por outro lado, se você pensa nestes mercados em termos globais, de modo que qualquer pessoa ou empresa do mundo tenha a liberdade de investir nele e de auferir lucros, a realidade muda.

    Quando se entende que o mercado é global, e não meramente local, vários obstáculos deixam de existir. Problemas como falta de recursos físicos ou de capital financeiro são imediatamente mitigados. Se os empreendedores de uma determinada região não possuem recursos para fazer um investimento vultoso e altamente demandado pelos habitantes locais, certamente há empreendedores no resto do mundo que possuem. E, se estes tiverem a garantia de que poderão manter seus lucros, eles virão.

    Se um determinado país está sem recursos para construir portos, aeroportos, estradas, sistemas de saneamento etc., certamente há investidores e empreendedores em algum ponto do globo interessados em ganhar dinheiro com este mercado. Basta apenas deixá-los livres para tal.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2083
  • Pobre Paulista  12/09/2018 13:08
    Qualquer uma que julgasse ser necessário uma ponte que liga o nada (o RJ) a lugar nenhum (Niteroi)

    Mas, caso vc não saiba, ela foi construída pela iniciativa privada.
  • Lee Bertharian  30/08/2017 15:31
    Ao dar nomes aos bois "bons" (Campos e Bulhões), não seria justo analisar os "maus"? Seria o Delfim Netto? Simonsen? Ambos? Qual escola eles seguiam (como se eu não desconfiasse...)?
    Desculpem o diletantismo, era muito criança na época...
  • Reinaldo  30/08/2017 15:36
    Sobre a Sete Brasil:

    1: O governo petista decidiu estimular a indústria naval brasileira. Capitalismo de estado assim mesmo: executa uma política econômica que liquida os setores competitivos para estimular aqueles em que o país não conseguirá ser eficiente.

    2: Sob os auspícios de Lula e Dilma, criou-se a Sete, empresa para construir e alugar 28 sondas de perfuração, um projeto orçado em US$ 25 bilhões. Eram sócios do empreendimento a Petrobras, o Bradesco, o BTG Pactual, o Santander e os fundos de pensão das estatais.

    3: Se a Petrobras recorresse a empresas estrangeiras para esse serviço, corrupção à parte, o país sairia ganhando porque gastaria menos. Mas sabem como é: é preciso lustrar o nacionalismo.

    4: A Sete faliu afogada em dívidas, e a empresa parou de pagar os estaleiros.

    5: Não é fácil sustentar nacionalismo tosco. Custa caro. Aí Dilma teve uma ideia: chamou os presidentes do BNDES e do Banco do Brasil — Luciano Coutinho e Aldemir Bendine, respectivamente — para viabilizar um empréstimo de nada menos que R$ 10 bilhões à Sete.

    6: Mas não só: ela também exigiu que o BB liderasse um consórcio de bancos para emprestar outros R$ 800 milhões à empresa para resolver seus problemas imediatos de caixa.

    7: Essa política de desenvolvimento da indústria naval foi boa para os brasileiros que foram escolhidos para… desenvolver a indústria naval. Esse é o nosso corporativismo: socialização do prejuízo.

    8: A maioria dos estaleiros contratados pela Sete pertence a empreiteiras investigadas na Lava Jato;

    9: O governo decidiu incentivar a indústria naval, e a empresa criada, tendo a Petrobras como sócia, faliu.

    10: As personagens envolvidas na história estão sendo investigadas pela Polícia Federal.

    Assim se faziam as coisas na República petista: incentivou-se a indústria naval nativa batendo a carteira dos brasileiros, e os escolhidos para a empreitada foram socorridos com a garantia de que não iriam quebrar.

    É o capitalismo à moda petista — ou socialismo, tanto faz — na sua fase de pornografia explícita.
  • Pedro  30/08/2017 16:20
    O pessoal é muito ingenuo quando culpa o pt por tudo, o pt é um cachorro morto, é um partido nanico, que sem o apoio financeiro e político do pmdb, nada seria. Eu não estou tirando a culpa do PT, só que ver esse pessoal falando que o partidinho quebrou o país, é muita ingenuidade...
  • Marcelo  30/08/2017 18:19
    Quebrou sim, era ele que estava no poder e decidiu todos esses investimentos disparatados. Seria de quem então a culpa, senão do PT?
  • Realista  30/08/2017 19:00
    Superávit primário dez/2002 - positivo em 4,06% do PIB
    Superávit primário dez/2016 - deficitário em 2,47% do PIB

    Alguma dúvida?
  • João Santana  30/08/2017 19:03
    Isso, Pedrão. Compre essa narrativa.
  • Pensador Consciente  30/08/2017 19:11
    Pedro a atual crise econômica que vivemos é ressaca da gastança petista,agora se o partido ficou nanico com estas patetices ai são outros quinhentos,você parece ter memória curta pois desde o início deste site em 2008 ele vem denunciando os equívocos das políticas desenvolvimentistas do PT independentemente de ideologias ou seja mesmo que fossemos socialistas,o diagnóstico seria o mesmo....
  • Felipe Lange S. B. S.  30/08/2017 15:41
    Falar que estado faz algum tipo de investimento é igual falar que uma quadrilha de ladrões faz qualquer tipo de investimento.

    Investir é alocar recursos escassos de maneira voluntária e pacífica de maneira a esperar algum retorno. O estado não faz isso. Ele arranca o seu dinheiro à força e depois gasta naquilo que lhe for mais conveniente.

    Pode ver agora o próprio caso da Unicamp. Apesar do estado já ter gasto mais de 2 bilhões com esses caras, a universidade ainda está com déficit e deixa ainda mais evidente a sua falência. É aquela coisa, o estado pode gastar 20 bilhões com esses sanguessugas que eles vão sempre falar que está faltando dinheiro e fazer greve.

    Sempre pergunte para os estatistas que defendem gastos em "educação" (muito educativo os professores doutrinadores controlados pelo comitê soviético do MEC), o porquê de não gastar 60% ao invés de 10% do PIB.

    Enquanto as "uniesquinas" e demais instituições de ensino superior da iniciativa privada, que ainda têm de sustentar essa cambada de parasitas, precisam se virar para cortar custos e serem mais eficientes (apesar das extensas regulações estatais que pioram sua qualidade), o setor estatal vive numa bolha: querem cada vez mais verbas e falam mal do mercado que os sustenta.

    Podem esperar que ano que vem vai ter mais greve dessa turminha, além de que cairá ainda mais máscaras do falido sistema estatal de ensino superior. Muitos cursinhos pré-vestibular que ocupam esse nicho podem estar com os dias contados.
  • Max Stirner  30/08/2017 15:51
    Investimentos sem fundamentos são piores do que não investir. Eis alguns exemplos

    O artigo já começou errado por aí...


    Qualquer coisa é melhor que nada.

    Se essa coisa ta mal feita, pode-se ao menos fazer ajustes no futuro, mas alguém deu um pontapé inicial.
    Um grãozinho de arroz ja é melhor do que passar fome.
  • Adão Ferreiro  30/08/2017 18:02
    "Qualquer coisa é melhor que nada."

    O artigo recorre a teorias e a empirias para justificar que nada é melhor que qualquer coisa. E você, qual o seu argumento? Apresente-os.

    "Se essa coisa tá mal feita, pode-se ao menos fazer ajustes no futuro, mas alguém deu um pontapé inicial."

    Qual foi o pontapé inicial no caso dos estádios da Copa? Como essa coisa mal feita pode passar por "ajustes futuros" de modo a beneficiar toda a economia?

    Ou, sendo ainda mais específico: como é que o desdentado do interior do Piauí, que foi obrigado a financiar o estádio via impostos indiretos e inflação, se beneficiou disso tudo? Ainda que o Mané Garrincha, a Arena Amazônia e a Arena Pantanal venham a se tornar primores de gerenciamento, como é que esse desdentado foi beneficiado?

    Ele pagou por tudo. Mas qual foi o retorno dele?

    "Um grãozinho de arroz ja é melhor do que passar fome."

    Se o grãozinho de arroz caiu do céu, sem dúvida. Mas se o grãozinho de arroz foi produzido à custa da fome de vários outros desnutridos e desdentados, então você precisa de apresentar mais argumentos.

    No final, quem realmente encheu a pança e não passou nenhuma fome foram aqueles envolvidos nos empreendimentos, que se fartaram com o dinheiro público.

    Estude mais economia.
  • Max Stirner  30/08/2017 18:26
    Copa é pra dar prejuízo mesmo...

    Vocês estão procurando chifre em cabeça de cavalo.

    Esse retorno que vocês querem e que infelizmente os governantes prometeram vocês nunca terão...

    Copa é prejuízo mesmo...

    Se eu dou um evento na minha casa, uma festa... os convidados vão comer minha comida, vão sujar minha casa, vão mijar na minha piscina, vão estragar meu banheiro... ou seja... a baita festa que eu sonhei em dar , eu dei. E a COPA é a mesma coisa. Vida que segue.

    O Brasil fez uma das melhores copas...e o resto é conversa...

    Quer se desfazer dos estádios ? Os estádios viraram elefante branco ? Aí é problema de GESTÃO. E isso certamente querendo ou não uma hora vai se dar um jeito. Até com a destruição deles(estádios) da pra se fazer algum dinheiro.

    Agora esse "retorno"que vocês tão esperando... isso nunca vai ter.



    PRÓXIMO
  • Ex-microempresario  30/08/2017 19:28
    Para a comparação ser válida, faltou dizer que os vizinhos, que nem foram à festa, receberam a conta da comida, da bebida, da limpeza da casa e do conserto do banheiro.

    Mas o cara engole o papo da mídia tão completamente que não esquece nem de repetir o bordão "uma das melhores copas". Fico pensando em que parâmetros ele poderia estar pensando para fazer esta comparação. mas obviamente não há parâmetro algum. Apenas o cacoete de repetir desejos e esperanças como se fossem fatos.
  • João de Alexandria  30/08/2017 20:03
    Exatamente.

    E se você dá uma festa na sua casa, é lícito supor que sua família está de acordo com os gastos.
    No caso da Copa não.

    E ainda tínhamos a opção mais sábia de não fazer, porque não houve imposição.
  • Unicórnio  30/08/2017 23:42
    "Qualquer coisa é melhor que nada."

    Esqueçamos que os recursos são escassos e o tempo, o espaço e capital desperdiçados em qualquer coisa não estarão lá para a coisa certa. Alguma parte do investimento poderá ser liquidada para um empreendedor, mas jamais o todo. Pois se o todo estivesse corretamente aplicado, qualquer coisa seria a coisa certa.
  • Edson  31/08/2017 04:31
    Todas aquelas famílias que perderam seu FGTS investindo em Petrobras, para ajudar Lula a financiar a exploração do pré-sal, discordariam.

    Não, meu caro. Ficar parado é melhor que investir no projeto errado ou na hora errada.
  • DCaesar  08/09/2017 00:27
    "Qualquer coisa é melhor que nada"

    Muito interessante, esse raciocínio.
    Imaginemos que quero ir para o Norte, mas estou sem bússola. Começo a viajar para qualquer lugar e descubro, depois de dias, que estou a caminho do Sul.

    Escrevendo aquela "pérola" deu um ótimo exemplo que ...

    "Nada é melhor do que escrever qualquer coisa".
  • Ninguem Apenas  30/08/2017 15:56
    Leandro,

    O tal Milagre Econômico Brasileiro foi um ciclo econômico gerado por keynesianismo?

    No caso da nossa situação atual da pra entender, o Brasil iniciou um ciclo de boom keynesiano após um período de estabilidade (real forte) e que foi pra alta inflação e se reverteu em uma crise absurda.

    Mas no caso do milagre econômico, é um pouco difícil de entender, pois nunca houve estabilidade da moeda, a menor taxa de inflação foi por volta de 30% durante o PAEG. Como eles conseguiram forçar um crescimento por tanto tempo?

    Sem falar que não ocorreu uma enorme contração, mas uma grande hiperinflação já após o regime militar. Foram ajudados pelo cambio externo (queda do dólar) também? Minha especulação é sobre a inflação americana da década de 70, estou certo?
  • Leandro  30/08/2017 16:30
    Resumidamente, todo o período se resumiu a endividamento do governo em dólares para fazer obras faraônicas (ótimo negócio para as empreiteiras nacionais), inflacionismo da oferta monetária, e câmbio controlado para tentar mitigar os efeitos da inflação monetária sobre a carestia.

    Como a inflação monetária era excessiva, o câmbio controlado passava por várias e sucessivas "desvalorizações controladas", as quais faziam a carestia explodir.

    Porém, como havia o mecanismo da indexação (principalmente salarial) -- algo que o resto do mundo desconhecia --, a coisa foi sendo levada.

    De maneira bem básica, era assim:

    1) O governo gastava o que tinha, e pedia empréstimos (a bancos nacionais e estrangeiros) e também imprimia dinheiro para gastar o que não tinha.

    2) Tal política, totalmente inflacionária, era contrabalanceada por uma taxa de câmbio fixa, a qual ajudava a contar os preços.

    3) Só que não há truques em economia. Se o governo gasta os tubos e aumenta continuamente a oferta monetária, essa taxa de câmbio não pode ficar fixa por muito tempo. Afinal, a moeda nacional está se desvalorizando muito mais que o dólar.

    4) Ato contínuo, o governo frequentemente tinha de fazer o inevitável: com a moeda desvalorizada, mas o câmbio artificialmente fixado, sua única alternativa era fazer mini ou maxi-desvalorizações. Caso contrários, as reservas internacionais iriam acabar.

    5) Só que a cada desvalorização do câmbio, a inflação de preços galopava, e cada vez mais rápido.

    6) E assim foi, até o Plano Verão, em janeiro de 1989 (última vez em que tal artifício foi tentado).

    Apenas neste período, nada menos que 4 moedas foram hiperinflacionadas e destruídas.

    Dentre os generais, Geisel foi o pior de todos. Pior até do que Dilma. Ninguém expandiu mais o estado do que ele; ninguém criou mais estatais do que ele. Ninguém fechou a economia mais do que ele. Ninguém foi economicamente mais socialista do que ele.

    Já no início da década de 1980, a economia brasileira estava sovieticamente fechada. Importar algo era praticamente proibido. Carestia nas nuvens, moeda sem nenhum poder de compra, e população proibida de comprar produtos estrangeiros. O exemplo mais explícito de reservas de mercado e de povo sendo tratado como gado. (Vale, adicionalmente, dizer que todas essas empreiteiras atuais cresceram justamente no período militar -- daí a afinidade com o governo petista, igualmente estatizante.)

    Não havia exatamente ciclos econômicos explícitos simplesmente porque a economia era bagunçada demais para sequer percebermos tal ocorrência (ainda assim, você nota quedas reais em meados da década de 1970, em 1981-83, e em 1987-88). O sistema de preços era uma zorra, o que impossibilitava qualquer cálculo econômico minimamente sensato. Investimentos privados de longo prazo eram suicídio, pois ninguém sabia quanto a moeda valeria nem no mês seguinte, quanto mais dali a dois ou três anos.

    Olhando em retrospecto, é impressionante que tenhamos sobrevivido àquilo tudo.
  • Edson  30/08/2017 17:12
    Não há um post especificamente sobre o quanto o governo militar foi, de fato, socializante?

    É isso que digo para todo mundo, que esquerda ou direita não importam, porque as medidas econômicas tomadas pelos militares foram de esquerda.

    Mas ainda mantenho a esperança em Bolsonaro. Melhor queimar logo esquerda e direita, assim o povo percebe que o Brasil não tem jeito.
  • Otimista  30/08/2017 18:08
    O Brasil tem saída sim! Tem inclusive mais de uma saída: Galeão, Guarulhos, Viracopos, etc.
  • Joao  30/08/2017 17:47
    Leandro, esta política expansionista que narrou ocorreu mesmo no período inicial do Bulhões e do Roberto Campos ou foi mais a partir do "milagre" promovido por Delfim e companhia?
  • Leandro  30/08/2017 18:05
    Começou mais a partir de Médici e se intensificou sob Geisel.

    Trata-se da típica política intervencionista keynesiana: funciona aparentemente bem no início -- principalmente se for aplicada imediatamente após reformas ortodoxas (como as da dupla Campos-Bulhões) -- e se degenera em colapso no final.

    A Nova Matriz Econômica foi a mesma coisa.

    Não existe mágica em economia. Não existe atalho fácil e indolor para o crescimento e o enriquecimento. Como sempre dito aqui, o que gera riqueza e crescimento econômico é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população, respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, desregulamentação econômica, facilidade de empreender, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Qualquer coisa fora disso é puro esoterismo. E tem um preço.
  • Ninguem Apenas  30/08/2017 20:54
    Leandro,

    A inflação americana também teve uma importante participação, não?

    Na década de 70 com o dólar virando pó, a moeda brasileira (seja qual for), iria se manter relativamente mais forte que em momentos diferentes, não?

    Posso afirmar que o milagre econômico conseguiu controlar a inflação também devido a isso, ou é falso?
  • anônimo  31/08/2017 16:18
    Isso deve ser verdade. E até as datas batem.

    O dólar voltou a valorizar no início da década de 80, depois do final do mandato de Jimmy Carter. E foi mais ou menos nesse período que o Brasil degringolou de vez.
  • EEp  07/09/2017 02:58
    Penso da mesma maneira; hoje me pergunto como sobreviviam naquela época. Acho incrível como ninguém lembra de como era viver sob essa carestia imposta. Até hj o brasileiro comum não entende oq é inflação e as implicações dela na economia.
  • Pobre Paulista  30/08/2017 16:49
    "Tem vezes que é mais barato pagar só a propina e nem fazer a obra.", Roberto Campos
  • Without Rules  30/08/2017 19:09
    Acho que caberia muito bem ao Instituto artigos a respeito do Período Militar e também do Período Monárquico.

    O que temos de saudosismo desses períodos...
  • anônimo  30/08/2017 20:02
    Concordo. Assim como deveria ter um artigo comparando as propostas do Ciro Gomes com a Nova Matriz Econômica.

    Obs: só um adendo, mesmo nosso país sendo praticamente colonial na época da monarquia, foi o período que a liberdade econômica do país era muito maior. www.mises.org.br/BlogPost.aspx?id=2726
  • Felipe Lange S. B. S.  30/08/2017 19:55
    Pessoal, estou preparando três artigos para o meu professor de esquerda da faculdade. Há artigos aqui que falem sobre o motivo dos bens se tornarem cada vez mais acessíveis ao consumidor? Se sim, podem achar para mim por favor? Não estou encontrando...
  • Magno  30/08/2017 20:18
    A resposta é: globalização e maior acumulação de capital

    Quanto aos artigos, dos que eu me lembro, o mais direto é este aqui, que é fantástico:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2664


    Já estes aqui fazem a explicação teórica de tudo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2535
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2393


    Estes aqui também são sensacionais:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2672
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2325


    De resto, há os dados: nos EUA, os preços de vários bens de consumo importante desabaram. Coisas como fogão, geladeira, televisão e todos os tipos de sistemas de entretenimento doméstico, lava-louças, churrasqueiras, microondas, forno elétrico, panelas especiais, torradeiras, esteiras de ginástica, aspiradores de pó etc. ficaram 76% mais baratos, em média. Fonte aqui

    Os preços de vários utensílios domésticos caíram 81% entre 1959 e 2013 em termos de horas de trabalho necessárias para comprar esses itens. Fonte aqui


    E, para o Brasil, recomendo este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2499
  • Felipe Lange S. B. S.  31/08/2017 21:40
    Obrigado Magno!

    Você poderia me dar sugestões de artigos para me ajudar a elaborar outro sobre o tema "Tecnologia, trabalho e formação profissional", sob o ponto de vista austro-libertário?
  • Geraldo  30/08/2017 20:47
    OFF: O que vocês acham desta notícia publicada agora há pouco no G1?

    g1.globo.com/economia/noticia/omc-recomenda-que-brasil-retire-subsidios-industriais-em-ate-90-dias.ghtml
  • Leigo  31/08/2017 11:27
    Acho ótima, vejo várias notícias promissoras: g1.globo.com/economia/noticia/governo-zera-imposto-de-importacao-de-322-itens-sem-producao-nacional.ghtml, mas às vezes aparecem umas, como a criação da Agência Nacional de Mineração que nos decepcionam.
  • Pobre Paulista  31/08/2017 12:20
    Não fique otimista, aqui é o Brasil
  • Kleber  31/08/2017 14:04
    "DEIXAI TODA ESPERANÇA, VÓS QUE ENTRAIS!", A Divina Comédia - Inferno, Canto 3
  • Luiz Moran  31/08/2017 14:38
    O Brasil está dominado por uma elite governante recheada de vigaristas com seus discursos socialistas e por parasitas sugando o dinheiro de quem produz.

    Antes de pensarmos em qualquer tipo de linha ou "política econômica", temos que encontrar uma maneira de acabar com este estado de coisas.

    Grande mídia escrota, escolas e universidades marxistas, funcionalismo marajá, artistas rouanet, sindicatos e as ong's de fachada são os verdadeiros FASCISTAS que, tal qual sanguessugas, estão drenando o Brasil.
  • M%C3%83%C2%ADlber  31/08/2017 19:46
    Entendendo a necessidade da demanda para que o investimento ocorra, creio ser justo pontuar que houve investimentos corretos durante o regime militar. Havia enorme demanda por energia elétrica e um grande investimento foi realizado ao construir a hidrelétrica de ITAIPU, que passou a gerar energia para boa parte do país. Muitas empresas privadas e residências se beneficiam até hoje daquele investimento. Naquele período foram criadas empresas que nasceram estatais, cumpriram seu papel inicial e posteriormente foram privatizadas (várias). O país era carente em diversas áreas (muitas demandas): energia, comunicações, transporte aéreo, agricultura, malha rodoviária, etc. E os investimentos foram sendo realizados: EMBRATEL, EMBRAER, EMBRAPA, pistas de pouso, construção e pavimentação de estradas, Ponte Rio-Niterói,.... e por aí vai. O país saiu da 46ª posição para a 8ª posição entre as economias do mundo. Então, creio que os investimentos realizados atenderam a muitas demandas e geraram condições para que o país pudesse continuar crescendo posteriormente. Pessoalmente eu era muito pequeno ainda na década de 80, mas podia brincar na rua a noite, pois havia segurança e estudei sempre em escolas públicas, que naquele período propiciavam uma boa base de ensino.
    Mas ficou na lembrança de muitos apenas a dívida e a inflação no campo da economia. Realmente faltou naquele período um economista que conseguisse "acertar a casa". Hoje, gostaria que o tamanho do Estado fosse reduzido, porque de fato gasta muito e gasta mal, é extremamente ineficiente. Mas acho que é um gesto honesto reconhecer que houve acertos (bons investimentos) durante o regime militar. Algumas vezes tentei imaginar como seria o país hoje se o nosso Congresso Nacional não tivesse tirado João Goulart do poder em 64.
  • Rodrigo Lopes Lourenço  01/09/2017 21:35
    M%C3%83%C2%ADlber,
    Se uma ou mais usinas hidrelétricas eram necessárias, sempre surgiriam investidores privados interessados em edificá-las. O problema - tanto naquela época de socialismo disfarçado quanto no governo petista, de socialismo escancarado - é que ninguém consegue empreender no Brasil se não tiver autorizaçõooooeeeeeesssssss estatais múltiplas e variadas.
    Aliás, estritamente obedecendo à herança vargista, os militares mantiveram a estrutura do BNDE(S), o qual, como várias vezes foi demonstrado neste sítio, serve, apenas, para concentrar renda, fazendo com que a poupança compulsória de trabalhadores seja emprestada sob taxa de juros ínfima para pessoas bem relacionadas em Brasília.
    Durante a ditadura militar, as carências brasileiras também existiam similarmente nos países que se desenvolveram por meio da liberdade de mercado, isto é, sem criação de inúmeras empresas estatais. Na América do Sul, veja o Chile; no Caribe, veja Santa Lúcia; na África, veja Botswana; na Ásia, os exemplos são clássicos. No ponto, é importante observar-se o desespero da esquerda em falar mal do Chile, porque seu sucesso é desmoralizante para ideias socialistas.
    Por fim, o que não se fala é que os militares de 1964 e quaisquer de seus defensores alegaram que pretendiam interromper a marcha para a "república sindicalista" de Goulart, Brizola & Cia.
    O que fizeram os militares? Mantiveram o sistema sindical criado por Vargas; mantiveram a contribuição sindical criada por Vargas; mantiveram a CLT criada por Vargas; mantiveram e aprimoraram um sistema brutal de reserva de mercado; mantiveram e aprimoraram o sistema de "proteção ao locatário", que servia apenas para impedir a livre negociação nos aluguéis urbanos.
    Aliás, a Lei n° 59/1833 instituiu o mil réis como unidade monetária brasileira e estritamente vinculada ao ouro. Evidentemente, por meio do Decreto-lei n° 4.791/1942, Vargas exterminou esse "padrão-ouro", instituindo o cruzeiro, a inflação e as desgraças consequentes. O que fizeram os militares? Simples, aprimoraram seu grande ídolo: Vargas.
    A ditadura militar não protegeu a livre iniciativa, não expandiu o livre comércio e, exatamente por isso, foi responsável por concentração de renda e o caos brasileiro.
    Os militares brasileiros foram tão incompetentes que nem mesmo a pena de morte eles conseguiram realizar. Falharam em 100% dos casos, isto é, não conseguiram executar a condenação à morte de Teodomiro Romeiro dos Santos.
    Por fim, o teórico e fracassado combate ao comunismo não prova nada. Ninguém perseguiu e matou mais comunistas que Stalin. Ele era nacionalista, a favor de forte investimento do Estado, contrário ao aborto, ao homossexualismo e a favor da pena de morte, exatamente como os áulicos do regime militar. Nesses pontos, únicos argumentos que os fracassados da ditadura militar tentam argumentar, o regime de 1967-1985 (deixo de incluir os três primeiros anos, de Castello Branco, porque ele era de centro-esquerda, isto é, um pouquinho mais à direita) era stalinista puro.
  • EEp  07/09/2017 02:52
    Adorei seu post, concordo com cada palavra; Os milicos eram keynesianos até o talo
  • Victor  03/09/2017 15:14
    Bom dia,

    Gostaria de saber qual é a melhor forma de lidar com um monopólio, se quando privatizado vai melhorar com certeza ou, se o estado mantê-lo é o melhor pra sociedade(eletrobras por exemplo). Desde já agradeço.
  • Alfredo Martins  03/09/2017 17:27
    Nem um nem outro. O segredo está em privatizar e desestatizar da maneira correta:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2457

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=646
  • Pacato cidadao  04/09/2017 13:55
    Mas veja bem, esse governo lulista traiu o movimento socialista visando ganhos politicos. Houvesse um governo realmente preocupado com o bem-estar da populacao, os investimentos seriam feitos de maneira mais adequada, visando o aumento da produtividade. Um governo que pensa no povo, que nao cometera atos imorais eh o que precisamos!
  • Cidadão preocupado  12/09/2018 03:40
    Presado Pacato Cidadão
    Todos que vão para lá estão indo para o mesmo (lula neves, Ciro Sarney, Fernando Henrique Geisel, Leonel Bolsonaro, TODOS), ou seja, ser populista no modo de falar e mercantilista no modo de agir. O político não representa ninguém, senão a si mesmo, ele quer sair rico de lá ou continuar lá enriquecendo às custas dos outros, pois o estado e, portanto, ele mesmo não produz nada mas cobra de todos. A questão é como sair deste ciclo, desse estado mental, ou sei lá como chamar? Visto que, em nossa história como nação, nossa população só evoluiu em um aspecto, ser cada vez mais dependente desse próprio estado.
  • Cidadão cético   12/09/2018 15:22
    Mas como saber qual o investimento correto? No livre mercado existem milhões de empreendedores tomando decisões diferentes e apenas uma pequena parte consegue "acertar" investimento com a real demand da população. Como podemos achar adequado centralizar as decisões de investimento em um burocrata (por melhor que sejam as decisões dele) se a chance dele errar é sempre maior do que de acertar?
    Muito mais sensato deixar esta decisão de investimento ocorrer naturalmente no livre mercado onde teremos alguns que conseguirão acertar do que sempre errar. É quase uma impossibilidade saber exatamente o que desejam milhões de pessoas, é insanidade centralizar este pode em um grupo de burocratas.
  • Bruno  04/09/2017 14:02
    Otimo artigo, Instituto Mises faz um trabalho fantástico e tem a cada dia mais aberto os meus olhos e entendimento para a realidade. Enfim, pelo que tenho entendido, queria que avaliassem se estou correto, não existe a possibilidade real e sincera de o governo fazer investimentos, afinal como não há poupança - pelo contrário as noticias dizem que temos um deficit gigantesco de 170 bi na economia - então, para tudo que o Estado queira fazer ele simplesmente vai tomar emprestado, se endividar mais ainda. Por essa lógica, então faz todo o sentido a conclusão do artigo que diz que todo o investimento deve ser privado. Ao Estado sobra somente diminuir seus gastos, vender todas as empresas públicas, injetar a grana dessas vendas no rombo economico para adiantar mais ainda a diminuição da dívida, e consequentemente o tamanho do Estado. Estou certo? É este mesmo o caminho a ser seguido?

    Por fim, minha outra questão é: qual é de fato a função do Estado, pq pelo que tenho entendido e tbm sou contra, o anarquismo não é benéfico. Sendo assim, qual deveria ser o papel do Estado de maneira geral?
  • Giovanni Antonielli  11/09/2018 16:36
    Na minha visão o papel do estado deve ser limitado à questões relacionadas à medições judiciais, e só!

    Como nada é tão simples, e nosso país ainda é extremamente pobre, acredito que o governo deve sim (*no atual momento*), investir no crucial (saúde, segurança e educação).

    Mas essa é só a minha humilde opinião.
  • Gustavo A.  11/09/2018 19:55
    Você não vai encontrar uma só resposta para essa questão, um socialista falará que é para tudo; já um anarcocapitalista falará que o estado não deve existir.

    Recomendo que leia quantos artigos deste instituto você conseguir ler, leia autores libertários e liberais e faça um contrassenso com autores keynesianos e marxistas. No final você tira suas conclusões acerca do tamanho do estado.

    Massss... empiricamente, historicamente e estatisticamente falando, não há estado com grande intervenção governamental e prosperidade, os países que mais se desenvolveram foram os que adotaram mais liberdade economica e individual, aqueles que respeitam a vida, liberdade e propriedade.
  • Emerson Luis  10/09/2017 11:45

    "Caso todo este dinheiro tivesse sido simplesmente queimado, as consequências seriam melhores: no mínimo, não causaria novos prejuízos e nem induziria outros investimentos perdidos."

    Caso todo este dinheiro tivesse sido simplesmente queimado, a redução da oferta monetária geraria deflação, aumentando o poder de compra de todos nós.

    É até difícil imaginar o que é R$1 bilhão, quanto dinheiro é isso e o que daria para fazer.

    * * *
  • Giovanni Antonielli  11/09/2018 16:27
    Peço desculpas por estar fugindo do tópico principal. Mas acompanho o Instituto há 4 anos (tenho 20), e acabei me tornando referencia quando o assunto é política/ economia nas minhas rodas de amizades.

    Hoje um amigo meu pediu que eu sugerisse um app de economia, para que ele se mantenha atualizado.

    Vocês tem alguma sugestão pro amiguinho libertário aqui?

    MUITO OBRIGADO!
  • Libertariozinho  11/09/2018 18:17
    Nunca ouvi falar nesse tipo de app, mas se ele quer se manter atualizado, o próprio IMB é uma boa para ele.
    E eu também me tornei referência após acompanhar o IMB por um ano(tenho 17)
    Em rodas de debate de economia e política eu falo como se fosse adulto XD
    Devo tudo ao Leandro
  • A vida nos anos 80  11/09/2018 17:24
    Caótica! Entre a década de 80 e 90 os preços de produtos e serviços brasileiros subiram absurdamente. Para viver nessa época, além de gastarem todo seu salário rapidamente, as pessoas criaram hábitos que perduram até os dias de hoje, como o de fazer compras do mês. Foi nessa época que se consagrou o dragão como símbolo da inflação, por ser um monstro enorme, que solta fogo e representa perigo iminente.

    Jornais da época registravam "Deu a louca nos preços". De acordo com o livroSaga Brasileira, de Miriam Leitão, um fogão de brinquedo poderia custar maisdo que um fogão de verdade. Você poderia comprar um blazer de linho ou uma geladeira pelo mesmo valor. Ou escolher entre um carro zero ou 42 conjuntos de calcinha e sutiã

    O corre-corre para comprar tudo que era possível trazia alguns efeitos imediatos: o primeiro era o desaparecimento rápido de alguns produtos das prateleiras. A venda racionada também era frequente entre os comerciantes: para dar conta de atender a todos, cada um só podia levar uma garrafa de leite, por exemplo.Preços eram congelados por determinação do governo e os supermercados escondiam alguns itens para forçar o descongelamento.

    Havia muita insegurança: não se sabia se o dinheiro seria desvalorizado com o passar dos dias. Por isso, muitas pessoas, principalmente as mais pobres, assim que recebiam o salário do mês, corriam para os supermercados para comprar tudo que pudessem. Enchiam os carrinhos e esvaziavam os bolsos em um único dia.

    Supermercados remarcavam diariamente os preços dos produtos. Era comum, ao pegar algo na prateleira, notar que havia etiquetas e etiquetas de remarcação de preços, umas sobre as outras – apontando para a oscilação do dia. Por muito tempo essa tarefa era feita "na mão", visto que o código de barras como conhecemos hoje só foi adotado no Brasil em 1983.

    Fazer a compra do mês é um hábito criado pela inflação exacerbada. Como as pessoas temiam não poder comprar tudo o que precisavam se deixassem para o dia ou a semana seguinte, faziam estoques de alimentos em casa. Havia quem comprasse, por exemplo, 20 latas de óleo de uma vez (suficiente para abastecer uma família de quatro pessoas por dez meses!)

    Se hoje as pessoas são seduzidas por promoções e compram coisas das quais não precisam, imagine nos tempos de caos econômico! De vassouras a freezers, o que fosse anunciado como oferta era comprado, pois não se podia perder esse tipo de oportunidade.Segundo o livro de Miriam Leitão, um garoto perguntou para a mãe se todos estavam virando bruxos ao ver pessoas saindo com vassouras do mercado.

    Em toda crise, alguém sempre lucra. Assim foi com a hiperinflação. Fazer contas era tão necessário que as vendas de calculadoras da empresa brasileira Dismac dobraram em apenas um ano! Os bancos também se aproveitavam da hiperinflação, pois possuíam incentivos econômicos para abrir agências em municípios com poucos habitantes. Entre 1985 e 1994, 1.078 novas agências bancárias foram abertas!


  • Carlos  11/09/2018 17:32
  • Doidera  12/09/2018 15:46
    Outra mentalidade brasileira que surgiu nos anos 50 e ficou muito mais forte nos anos 80 é a mania de achar que terras e imóveis são "investimento".

    Para se proteger da inflação, pessoas com uma renda boa (nem precisava ser alta) compravam quantas terras ou imóveis conseguiam para seu dinheiro não virar pó.

    É uma mania que atualmente, além de não fazer mais sentido, destrói seu patrimônio, já que os preços de terras e imóveis estão estagnados desde 2011 e a inflação aumentando continuamente.
  • Refugiado do esquerdismo  13/09/2018 09:46
    Alem de terra,tem gente que ainda acha que carro e investimento. Por isso os populares vendem muito e nao mudam quase nada.
  • Jairdeladomelhorqptras  12/09/2018 02:35
    O artigo está correto em todos os apectos.
    E o governo dos generais-presidentes brasileiros(do ponto de vista econômico) nem foi socialista, foi Estalinista.
    Posso estar errado, (e se alguém tiver os dados corretos , receberei a correção com prazer), mas tenho quase certeza que em algum momento do regime civil-militar a economia brasileira era 60% estatal.
    Agua, luz, petróleo, telecomunicações, transportes, tudo pertencia ao ESTADO. O que não pertencia ao estado estava cem por cento engessada pelas suas regulamentações.
    Tudo era "CIPADO". Lembro bem. Havia em Brasília um tal de CIP: Conselho Interministerial de Preços. O tal CIP determinava o preço de tudo: combustíveis, carros, vacinas veterinárias (ganhei dinheiro vendendo as tais vacinas). Posto de gasolina que vendesse gasolina abaixo do preço CIPado era multado.
    Se compararmos hoje com aquela época podemos afirmar que temos uma liberdade econômica Suiça. As importações eram simplesmente probidas se o ítem em questão tivesse "similar nacional". Em resumo, vale um artigo sério do Mises comparando a economia da URSS em seu momento mais fechado com a economia brasileira do período dos generais presidentes.
    Aqui , do ponto de vista econômico, contraditoriamente, e vindo de militares genuinamente nacionalistas(não tenho dúvida disto), ocorreu um verdadeiro crime de lesa-pátria.
  • Conservador  12/09/2018 12:54
    A direita brasileira tem tão poucos exemplos para serem usados que gostam de usar um regime completamente estatista e totalitário apenas por ser anticomunista (como se apenas isso bastasse).

    A lógica dos milicos foi sensacional. "Vamos combater o comunismo!" Como? "Criando dezenas de estatais e controlando toda a economia!".

    Se o Getúlio Vargas foi o "Lênin" responsável por criar o sistema fascista que vivemos, os generais militares foram o "Stálin" que aprimorou e levou o sistema até suas últimas consequências.

    Ironicamente esse país soviético só começou a se abrir e modernizar por um presidente playboy que estava cansado das carroças nacionais.
  • Judeu  15/09/2018 01:33
    E a URSS e a China implementaram reformas econômicas ANTES do Brasil. Esse país está fadado à eterna mediocridade. Sempre vai demorar pra copiar ideias boas e demorar pra abandonar ideias ruins.
  • Henrique  12/09/2018 16:35
    Como conciliar o que está escrito neste artigo com o rápido crescimento chinês puxado por enormes investimentos estatais?
    Como deixar tudo para o setor privado se o empresário brasileiro só quer retorno alto e rápido?


    Abraços.
  • Meirelles  12/09/2018 16:47
    Simples: é só olhar para a realidade chinesa. Cidades fantasmas, rodovias desertas e, fora dos grandes centros urbanos, uma pobreza ainda dantesca, com pessoas comendo ratos.

    Uma enorme destruição de capital e pouco retorno prático para a esmagadora maioria da população. As empreiteiras premiadas com as obras do governo estão em excelentes condições financeiras, bem como os empresários do setor de exportação. Já o resto do povo ainda passa fome.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2736

    Ah, e a renda per capita chinesa, mesmo com seus números do PIB manipulados pelo governo, ainda consegue ser menor que a brasileira. Aliás, é menor até que a da Romênia.

    en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(nominal)_per_capita

    Invejável...
  • Edujatahy  12/09/2018 17:43
    Acho interessante este comentário.
    "O empresário brasileiro só quer retorno alto e rápido".

    Aparentemente o empresário brasileiro, este vilão ganancioso e de pouca visão, é diferente de todos os outros empresários que existem no resto do mundo.

    Será que o empresário querer retorno alto e rápido tem alguma coisa relacionada com:
    Insegurança jurídica?
    Histórico de moeda instável (quantas moedas tivemos neste pais desde a independência?)?
    Insegurança política?
    Altíssimo custo de empréstimo?
    Altíssimo custo e risco logístico?
    Altíssimo custo e risco trabalhista?
    Dentro outros...

    Mas claro, não existe motivo para se querer lucro alto e rápido aqui. Aparentemente vivemos em um pais que não existe nenhum risco em um investimento com retorno décadas para frente.
  • Lucas Rodrigues  13/09/2018 00:08
    Necessitamos de uma economia liberal que faça com que o Estado não interfira e que o próprio mercado propicie o devido "crescimento econômico"
  • Cristiane de Lira Silva  14/09/2018 10:51
    "De resto, é possível que nos próximos semestres a economia comece a se recuperar. "

    Raphael Lima nunca fala estas coisas. É só previsão de catástrofe. E todo mundo vai votar pensando na possibilidade de que o Brasil se torne a Venezuela ou a Alemanha nazista.
  • Tiago de Castro  17/09/2018 19:28
    Haveria possibilidade de alguma empresário arriscar montantes altíssimos, como na construção de obras de infraestrutura portuária ou até mesmo de energia, como Itaipu ou Belo Monte? Nem para isso o Estado serve??
  • Estevão  17/09/2018 19:36
    Isso é um contrafactual.

    Em primeiro lugar, a iniciativa privada não investe nestes setores porque eles tendem a ser monopólios estatais. Ou seja, é proibido investir neles.

    Em segundo lugar, é impossível a iniciativa privada investir vultosamente nestes setores sendo que ela é impiedosamente tributada e espoliada. É o ápice da ironia: o governo tributa e espolia a iniciativa privada, e depois diz que ela não tem condições de investir.

    Em terceiro lugar, o governo sempre proibiu investimentos estrangeiros nestes setores. Se investimentos estrangeiros fossem liberados, consórcios de empresas estrangeiras não teriam nenhum problema ou dificuldade para investir maciçamente aqui (e lucrar bastante com essa demanda). Porém, como o governo proíbe essa "exploração estrangeira" e exige que o capital seja exclusivamente nacional, fica difícil realmente haver algum investimento maciço.

    Em suma: o governo proíbe investimentos estrangeiros, tributa pesadamente o capital nacional, estipula monopólios, e então sai falando que a iniciativa privada não se interessa. É conclui que, se não fosse o governo, nada seria possível.

    Coisa de gênio.
  • Caio  17/09/2018 19:39
    Se você pensa em determinados mercados apenas em termos locais ou nacionais, partindo da premissa de que apenas pessoas que nasceram dentro dos mesmos limites geográficos que o seu podem investir nestes setores, aí realmente o desenvolvimento de vários destes setores será um grande desafio. Se você proíbe o capital externo de investir nestes setores, a melhoria deles se torna bem mais difícil.

    Por outro lado, se você pensa nestes mercados em termos globais, de modo que qualquer pessoa ou empresa do mundo tenha a liberdade de investir nele e de auferir lucros, a realidade muda.

    Quando você passa a pensar em termos globais em vez de meramente nacionais, estaduais ou locais, vários desafios econômicos desaparecem. Quando se entende que o mercado é global, e não meramente local, vários obstáculos deixam de existir. Problemas como falta de recursos físicos ou de capital financeiro são imediatamente mitigados. Se os empreendedores de uma determinada região não possuem recursos para fazer um investimento vultoso e altamente demandado pelos habitantes locais, certamente há empreendedores no resto do mundo que possuem. E, se estes tiverem a garantia de que poderão manter seus lucros, eles virão.

    Se um determinado país está sem recursos para construir portos, aeroportos, estradas, sistemas de saneamento etc., certamente há investidores e empreendedores em algum ponto do globo interessados em ganhar dinheiro com este mercado. Basta apenas deixá-los livres para tal.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2083


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.