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Por que é impossível acabar com a pobreza por meio da redistribuição de renda
Desigualdade não é pobreza

Dentro do imaginário coletivo, os conceitos de "pobreza" e "desigualdade" se tornaram sinônimos: se há pobres é porque somos desiguais; se a desigualdade aumenta é porque aumentou a pobreza.

Esta mentalidade tende a ser reforçada durante períodos de recessão econômica: quando as rendas agregadas da sociedade (o PIB) entram em contração, a economia passa a ser vista como um jogo de soma zero, ou seja, se a renda de uma pessoa aumentou é porque a renda de outra inevitavelmente caiu.

Porém, as recessões econômicas não duram para sempre, e o fato é que a economia de mercado se mostrou capaz, ao longo dos últimos 200 anos, de aumentar a renda de todos os cidadãos. Segundo as estatísticas compiladas pelo economista britânico Angus Maddison, passamos de uma renda per capita mundial de 1.130 dólares por ano em 1820 para uma de 15.600 em 2015. E isso ao mesmo tempo em que a população global aumentou de 1 bilhão de pessoas para 7 bilhões. (Veja o estudo. Confira também este vídeo).

Igualmente, em 1820, aproximadamente 95% da população mundial vivia na pobreza, com uma estimativa de que 85% vivia na pobreza "abjeta". Em 2015, menos de 10% da humanidade continua a viver em tais circunstâncias.

Ou seja, não só o número de habitantes no mundo aumentou 7 vezes, como ainda cada habitante aumentou sua renda em 11 vezes. Isto é uma façanha extraordinária.

Este fato, por si só, mostra como estão errados aqueles que dizem que toda a riqueza do mundo já está dada e deve apenas ser "redistribuída justamente". Se toda a riqueza do mundo já estivesse dada, devendo apenas ser redistribuída, seria impossível que a renda per capita e a população mundial aumentassem simultaneamente. O que ocorreria é que algumas pessoas aumentariam suas rendas à custa de todas as outras, e a renda per capita permaneceria constante — aliás, cairia, por causa do aumento do número de indivíduos.

Que tenhamos conseguido multiplicar por 11 a renda per capita do conjunto de habitantes do planeta (e por 20 em alguns países ocidentais, como os EUA) ilustra claramente que a economia não é um jogo de soma zero. E, principalmente, que desigualdade não é o mesmo que pobreza.

Uma sociedade pode ser muito igualitária e muito pobre. Ou bastante desigual e rica. Albânia, Bielorrússia, Iraque, Cazaquistão, Kosovo, Moldávia, Tajiquistão e Ucrânia são sociedades que apresentam uma distribuição de renda muito mais igualitária que a da Espanha, mas são muito mais pobres. Por outro lado, Cingapura é uma sociedade muito mais desigual que a Espanha, mas apresenta uma renda per capita maior em todos os quintis da redistribuição de renda.

A Etiópia, cujo coeficiente de Gini — indicador que mensura a desigualdade; quanto mais próximo de 1, mais desigual é um país — é de 29,6 e o Paquistão (30) são mais igualitários que a maioria dos países desenvolvidos, como Austrália (35,2), Coréia do Sul (31,6) e Luxemburgo (30,8) e Canadá (32,6).

Tajiquistão (30,8), Iraque (30,9), Timor Leste (31,9), Bangladesh (32,1) e Nepal (32,8) são mais igualitários que Bélgica (33), Suíça (33,7), Polônia (34), França (35,2), Reino Unido (36), Portugal (38,5), Estados Unidos (40,8), Cingapura (42,5) e Hong Kong (43,4).

Já o Afeganistão (27,8) é uma das nações mais igualitárias do mundo.

Por isso, o objetivo primordial de qualquer pessoa preocupada com o bem-estar alheio deveria ser o de aumentar a renda total de cada indivíduo, e não reduzir as diferenças de renda entre cada indivíduo.

O bem-estar de um indivíduo está estritamente relacionado com seu nível de renda: quanto maior a renda, melhor sua alimentação, maior seu acesso a bens e serviços, maior seu acesso a bons serviços de saúde, maior seu acesso a uma boa educação, maior o seu tempo de lazer etc. Por outro lado, como mostram as estatísticas, o bem-estar das pessoas não tem nenhuma relação com o grau de desigualdade da sociedade em que moram. Mais ainda: nem sequer há evidências de que a desigualdade prejudica o crescimento econômico e, por conseguinte, o aumento da renda de todas as pessoas.

Logo, não faz sentido nem mesmo qualquer preocupação indireta para com a desigualdade. É claramente preferível uma sociedade com rendas elevadas, porém muito desiguais, a uma sociedade de rendas ínfimas, porém igualitárias. Qualquer política econômica de bom senso deve visar ao crescimento econômico inclusivo (ou seja, um crescimento que beneficie a todos, ainda que em proporções desiguais), e não a uma redistribuição de renda.

Redistribuir renda é redistribuir miséria

É claro que, para algumas pessoas, o crescimento econômico global não é desejável ou mesmo não é possível. Segundo elas, não podemos e não devemos seguir explorando um planeta com recursos limitados (sobre essa "exploração", vale ressaltar que tais pessoas não aceitam nem mesmo que haja um aproveitamento mais eficiente dos recursos disponíveis por meio do aumento da produtividade).

Para tais pessoas, o objetivo é frear o crescimento econômico e redistribuir a riqueza que já existe: nós não precisamos de mais, precisamos apenas distribuir melhor.

O problema é que apenas redistribuir a renda não tem nenhum efeito duradouro sobre a pobreza mundial. Hoje, a renda per capita global é de 15.600 dólares. Isso significa que, caso houvesse uma imediata distribuição igualitária de renda, conseguiríamos apenas fazer com que cada cidadão passe a ter 15.600 dólares.

À primeira vista, tal valor não parece pequeno. Uma família composta por dois adultos e um menor desfrutaria de 46.800 dólares, aparentemente mais do que a imensa maioria das famílias da Espanha, por exemplo. Mas o erro deste cálculo é não entender os conceitos que realmente integram a definição de renda per capita.

Em primeiro lugar, 15.600 dólares representam aproximadamente a renda per capita atual de países como Argélia, Bielorrússia, Botsuana, Brasil, China, Costa Rica, República Dominicana, Iraque, Líbano, Montenegro, Sérvia e Tailândia. Ou seja, se redistribuíssemos perfeitamente a renda mundial, o padrão de vida de um europeu ou de um americano seria reduzido ao nível desses países [e nós brasileiros, como um todo, ficaríamos na mesma]. Trata-se de uma constatação nada esperançosa, ainda que, em uma análise superficial, os 15.600 dólares por cidadão pareçam bastante.

Em segundo lugar, nem toda a renda per capita disponível pode ser consumida: uma parte dela deve ser reinvestida de modo a garantir uma geração de renda no futuro — se consumirmos toda a renda gerada por uma colheita, não será possível investir para gerar uma nova colheita no futuro.

Consequentemente, se uma pessoa ganhar 15.600 dólares hoje e gastar em bens de consumo, visando a aumentar seu bem-estar, rapidamente voltará a ser pobre. Terá algum luxo momentâneo, mas não terá renda futura.

Nas sociedades capitalistas, parte da renda reinvestida faz os capitalistas garantirem suas rendas futuras. No entanto, se esta renda for redistribuída entre todos, todos nós teremos de investir uma parte da nossa renda para manter a mesma capacidade produtiva da sociedade. Quanto deveríamos investir? O consenso é algo ao redor de 20% do PIB. Assim, da renda per capita de 15.600 euros, somente 12.480 poderiam ser consumidos.

Em terceiro lugar, e este é o ponto crucial: após esta renda distribuída ter sido consumida, não haveria como ocorrer novas redistribuições. Afinal, de onde viria a nova renda a ser redistribuída? Vale lembrar que não há mais ricos e pobres. Todos estão em igual situação. Consequentemente, não haverá mais de quem tirar.

Logo, e por definição, uma redistribuição de renda é algo que só pode ser feito uma única vez. E, após a redistribuição, os contemplados estarão em melhor situação apenas enquanto durar sua nova renda. Tão logo ela seja consumida, tais pessoas voltarão ao estado de pobreza anterior. E pior: com os empreendedores mais pobres, será muito mais difícil para tais pessoas melhorarem de vida.

Em quarto lugar, e complementando o terceiro item, em uma economia de mercado, a riqueza dos ricos não está na forma de dinheiro guardado na gaveta. Também não está em amontoados de bens de consumo dentro de suas mansões. A riqueza dos ricos está majoritariamente na forma de meios de produção: instalações industriais, maquinários, ferramentas, edificações, estoques, ferramentas de produção, equipamentos de escritório de uma fábrica ou de uma empresa qualquer. 

Esses meios de produção, além de tornarem o trabalho humano mais eficiente e produtivo, produzem os bens e serviços que todas as pessoas consomem. Mais ainda: esses meios de produção demandam o emprego de mão-de-obra, e essa mão-de-obra é vendida pelas massas em troca de salários.

Quanto maior a riqueza de empreendedores e capitalistas, maior será a produção e a oferta de bens e serviços. Consequentemente, maior será a demanda por mão-de-obra.  Consequentemente, maior será o padrão de vida de todos.

Caso os ricos sejam espoliados destas posses, todo o nosso bem-estar e toda a nossa capacidade de auferir receitas via trabalho assalariado estarão seriamente comprometidos.

Conclusão

Em suma, dizer que a pobreza mundial se resolve com redistribuição de renda e sem crescimento econômico é mentira. A única coisa que teríamos seria a redistribuição da miséria.

O problema atual do mundo não é a desigualdade, mas a pobreza que ainda resta. Tanto nos países desenvolvidos, como nos países em desenvolvimento, existem muitas pessoas pobres (embora o número seja cada vez menor).

A nossa prioridade deve ser tirá-los da pobreza e não universalizar suas carências.

Mais uma vez, desigualdade não é pobreza: combater a desigualdade não acaba com a pobreza e diminuir a pobreza não implica acabar com a desigualdade. É imprescindível separar esses dois conceitos para não sermos enganados pelos defensores do igualitarismo, os quais querem apenas redistribuir a pobreza.

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Leia também:

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"Sem o estado, quem cuidará dos pobres?"

Em vez de culpar a desigualdade, pense em criar mais riqueza

 

44 votos

autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Devaneio   20/07/2017 15:45
    Igualdade é uma utopia.

    Capitalismo é um jogo... é preciso ensinar as pessoas a jogar esse jogo.


    O ser humano precisa do outro. Assim que nascemos ja precisamos do outro... diferente de um réptil que sai da casca e se vira.


    Ainda hoje tem pessoas no Brasil sem luz elétrica. O homem com olhos de cifrão não tem interesse nessas pessoas.

    Menos Mises, Mais Humanismo ao IMB.
  • Realidade  20/07/2017 16:57
    "O ser humano precisa do outro. Assim que nascemos ja precisamos do outro... diferente de um réptil que sai da casca e se vira."

    Exato. E o único arranjo que coloca uma pessoa para servir bem a outra -- pois servir bem a outra é do seu interesse próprio -- é o capitalismo.

    "Ainda hoje tem pessoas no Brasil sem luz elétrica. O homem com olhos de cifrão não tem interesse nessas pessoas."

    Ué, mas foi exatamente a busca por cifrões o que retirou bilhões de pessoas da miséria e melhorou a qualidade de vida de todos. E é exatamente a busca por cifrões o que gera oferta de energia ao redor do mundo.

    E é exatamente no Brasil -- onde o setor elétrico está majoritariamente sob controle do estado -- onde as pessoas ainda não têm energia elétrica. Apenas a busca por cifrões garantirá maior oferta de energia elétrica para essas pessoas.

    "Menos Mises, Mais Humanismo ao IMB"

    Menos vitimismo e mais inteligência para você.

  • Pobre Paulista  20/07/2017 17:44
    Vamos lá, responda sinceramente:

    Qual a razão do "homem com olho no cifrão" não levar, ele mesmo, a luz elétrica a quem não tem, e ainda lucrar com isso?

    Quem é que o impede de ter sua ganância transformada em benefícios aos necessitados?

    Tente adivinhar. É fácil.
  • Capitalista  20/07/2017 22:32
    Exatamente, Pobre Paulista...

    Excelente pergunta.

    Pq eu investiria em algo que não vai me gerar lucro ??? Vou fazer pq sou bonzinho ??? Claro que não...

  • lorivaldo  21/07/2017 00:12
    Pegando o gancho da energia, se pelo "lado social" o PLPT (Luz para Todos) foi um "sucesso", pelo lado econômico se tornou um "presente de grego". Além das distribuidoras sofrerem com a inadimplência, soma-se os subsídios na conta, onde o ROI nunca fechará no azul.
  • Nilo  21/07/2017 00:44
    Pegando o gancho do seu comentário...

    uma vez conversando com um burocrata de uma agência reguladora ele me falou o seguinte: "É melhor ter do que não ter..."

    Mesmo que aquilo que vc tenha não seja da forma ideal, mesmo que esteja incompleto...é melhor ter alguma coisa do que não ter nada.

    Infelizmente isso acontece no Brasil... projetos começam e não terminam, projetos são mal executados.
    E não se engane, acontece até no setor privado. Acontece no cotidiano das pessoas...
  • Mais Mises...  24/07/2017 16:56
    Rapaz, reparastes na besteira que você escreveu? Ahhh já sei, você é daqueles que olham o copo 'meio vazio'. Pra você, pessoas sem luz estão assim porque as pessoas que podem fornecer a energia elétrica não ligam para os 'desalumiados'. Ou seja: um vendedor de sandálias que vê um bairro inteiro andando com os pés no chão, mas não os atende por pura maldade ou capricho! hahahaha Você é um fanfarrão meu caro!
  • Neoclassico  20/07/2017 15:51
    Um pouco off, se numa hiperinflação a preferência temporal se torna gigante, por que, ao contrário, numa deflação você não postegaria o consumo, por que a preferência temporal não diminuiria? Vocês dizem que não? Teoria falha.
  • Hans  20/07/2017 17:03
    "se numa hiperinflação a preferência temporal se torna gigante"

    Sim, pois é questão de vida ou morte. Se você ganha dinheiro hoje e não se desfaz rapidamente deste dinheiro em troca de bens essenciais, amanhã você não conseguirá adquirir estes mesmos bens essenciais (pois amanhã seu dinheiro já não vale mais nada), e a sua própria subsistência estará em risco.

    "por que, ao contrário, numa deflação você não postegaria [sic] o consumo, por que a preferência temporal não diminuiria? Vocês dizem que não?"

    Há um artigo inteiro sobre isso.

    Na prática, este seu raciocínio diz que, entre comprar hoje ou postergar a compra em 5 anos, quando os preços estarão menores, todos optarão pela segunda alternativa.

    Só que, em primeiro lugar, não há nenhuma evidência de que uma queda nos preços faça com que as pessoas posterguem suas compras. Se isso de fato ocorresse, ninguém jamais compraria televisões, smartphones, câmeras, notebooks e demais apetrechos eletrônicos, pois sabemos perfeitamente bem que tais itens estarão mais baratos e com ainda mais qualidade no ano que vem. O que ocorre na realidade é que as pessoas acabam comprando uma grande quantidade de todos esses itens.

    As pessoas compram coisas quando necessitam delas, e levam em consideração a tendência dos preços (afinal, ninguém pode adiar compras para sempre).

    Em segundo lugar, e isso é ainda mais importante, o ser humano sempre irá preferir ter um bem hoje a ter esse mesmo bem apenas no futuro distante. Isso é o básico da teoria da preferência temporal. Logo, sempre que possível, consumidores preferem consumir no presente.

    Além de você não poder postergar sua demanda por alimentos, roupas, moradia e alguns outros bens, há também o fato de que você não necessariamente irá adiar sua aquisição de um bem hoje só porque ele estará mais barato daqui a uma ano. Porque mesmo comprando-o hoje a um preço maior, você sabe que seu poder de compra será maior no futuro. E isso muda tudo.

    Se você vive em um ambiente em que os preços estão caindo, você sabe que seu poder de compra futuro será maior que o atual. Mesmo sabendo que um carro estará $3.000 mais barato daqui a dois anos, você ainda assim irá comprá-lo hoje, pois sabe que daqui a dois anos seu dinheiro estará valendo mais. Não obstante seu gasto de hoje, você terá maior poder de compra para aquisições futuras. É justamente o fato de você saber que terá maior poder de compra no futuro o que não irá restringir seu consumo presente.
    Ao contrário até: é bem possível que o consumo presente possa aumentar.

    "Teoria falha."

    A sua, a neoclássica? De fato é mesmo. Mas ao menos você ganha o crédito de estar buscando o aprendizado. Seja bem-vindo.

    Saudações.
  • reinaldo  20/07/2017 16:13
    Sem contar que, como as pessoas tem hábitos de consumo e poupança diversos entre si, logo alguns teriam mais dinheiro e outros menos, o que geraria uma nova onda de desigualdade.
    Em pouco tempo seria necessário redistribuir o dinheiro novamente, com as mesmas desculpas usadas da vez anterior.
    E de novo, sem nenhum efeito duradouro, só que cada vez haverá menos dinheiro para ser distribuído.
  • Gustavo  20/07/2017 17:15
    Exato. E vale um adendo politicamente incorreto (o qual, por isso mesmo, poucos têm a coragem de fazê-lo): a esmagadora maiorias das pessoas recebedoras da redistribuição não tem nenhuma cultura econômica e financeira. Em vez de pouparem e investirem o dinheiro, prontamente sairiam torrando tudo com supérfluos.

    Rapidamente, voltariam ao mesmo estado financeiro de antes. Só que, agora, não haveria mais dinheiro para ser confiscado e redistribuído. E também não haveria ricos para dar empregos a bons salários. Consequentemente, estas famílias estariam na miséria, muito piores do que antes da redistribuição.
  • Juliano  20/07/2017 18:17
    É uma discussão parecida com a que li relacionada a ajuda internacional do Banco Mundial. Há algumas décadas, o grande objetivo era mandar dinheiro para os países pobres.

    O problema que ficou cada vez mais evidente é que esses países consumiam os recursos com corrupção e desperdício. Os líderes passavam a desfrutar de riqueza e a população não era beneficiada. O discurso passou a ser centrado em doar apenas para países que possuíssem instituições mais estáveis, para garantir que o dinheiro não seria perdido.

    O problema é que países com essas instituições deixam de ser pobres. A pobreza está sempre acompanhada de um conjunto de fatores culturais que impedem o enriquecimento, mesmo com o auxílio externo.

    A África já recebeu de ajuda humanitária mais de dez Planos Marshal (destinado à reconstrução da Europa) e continua inundada com lutas tribais e miséria. As guerras do século XX não deixam de ser evidência em como países que foram devastados conseguiram se reerguer em um período curto, mesmo depois de toda a destruição e traumas.

    Como bem diz o artigo, as causas da pobreza vão bem além da simples distribuição. O buraco é sempre mais embaixo.
  • Felipe Lange S. B. S.  24/07/2017 12:52
    Verdade. Eu sou o único membro da minha família que consegue gastar até o que ganha e não tem dívidas. Quero me manter assim pelo resto da vida.
  • Jorge  20/07/2017 17:40
    Em um ambiente de liberdade econômica, um indivíduo que produz duas vezes mais, ao mesmo tempo em que todos os outros continuam produzindo o mesmo, será capaz de usufruir duas vezes mais o fruto de seu trabalho, pois terá um rendimento duas vezes maior.

    Mas se essa duplicação da sua produção tiver de ser dividida com os mais de 7 bilhões de habitantes do planeta, esse indivíduo, em vez de receber duas vezes mais como resultado da duplicação de sua produção, irá receber apenas a sétima bilionésima parte do dobro de sua produção (0,0000000001428) — ou seja, em termos práticos, absolutamente nada.

    Sob a liberdade que permite a desigualdade econômica, um indivíduo é capaz de aprimorar o bem-estar econômico seu e de sua família dramaticamente. Porém, quando uma política estipula que, para ele aprimorar o seu próprio bem-estar, ele tem de ser obrigado a aprimorar o bem-estar de toda a população na mesma intensidade, então ele nada pode alcançar.

    É como ver um indivíduo com pernas fortes o bastante para caminhar, e então estipular que, se ele quiser caminhar, ele tem de ser obrigado a carregar o peso de toda a população do globo sobre suas pernas.
  • L. Simonetti   20/07/2017 17:44
    Na verdade, uma sociedade em que não existisse estado para impor a igualdade, pelo menos no Brasil, seria bem mais igualitária, uma vez que mais da metade da alta renda é constituída de funcionários públicos. Isso fora os corporativistas e grandes empresários que só estão onde estão por causa da ausência de concorrência gerada pelas regulações estatais.

    As pessoas simplesmente não entendem que impor coisas como redistribuição, além de imoral, é ineficaz, não funciona, não adianta. Isso só dá mais jus à expressão "o mundo é dos espertos", que, no caso, são os sanguessugas engravatados.
  • Alfredo Gontijo  20/07/2017 17:52
    O grande desafio de uma sociedade não deveria ser combater a desigualdade, mas sim a pobreza em si. Isso, de cara, pode chocar, mas não existe outro caminho. Vejamos:

    a) Pode-se ter todo o mundo vivendo igualmente na pindaíba ou pode-se ter diferenças brutais com a base vivendo dignamente. E em regimes autoproclamados igualitários, sempre um estamento burocrático virou a elite econômica de um país ou mesmo passou a exercer uma simbiose com setores eleitos (via protecionismo, cartorialismo, empréstimos subsidiados… ).

    b) Diferenças surgem até mesmo entre irmãos criados sob o mesmo teto. Pessoas têm aptidões, talentos e aspirações diversas. Passando-se do micro para o macro, existem povos mais empreendedores do que outros, assim como há os mais poupadores, os mais 'estudiosos', os mais legalistas etc. Escolhas diferentes produzem resultados diversos.

    c) Com efeito, existem países paupérrimos mais igualitários do que as nações mais ricas da Terra, se levarmos em conta o tal do Coeficiente GINI.

    d) Se for para se tentar reparar injustiças históricas "na marra", então teríamos que adentrar em discussões acerca das guerras indígenas pré-colombianas; teríamos que identificar também que povos africanos subjugaram povos vizinhos ou mesmo averiguar que povos europeus dominaram outros europeus. A coisa se complica muito mais ainda entre povos miscigenados*. A questão que se impõe é o que se pode fazer para reduzir a pobreza daqui para frente. Há, portanto, dois caminhos que podem ser trilhados (com suas gradações – o diabo vive entre elas):

    d.1) O primeiro é liberar e potencializar a capacidade empreendedora de um povo, dar um choque de liberalismo, ficando o Estado nos cuidados de prover uma boa educação, de manter as relações jurídicas protegidas e, na proporção do grau de prosperidade, de algum sistema de proteção contra o desamparo (tudo ao lado das funções clássicas, como segurança, defesa e diplomacia). Isso permite que um país evolua de forma consistente e que os mais pobres vivam com dignidade e perspectiva de melhora (mas diferenças sempre haverá). Normalmente países que percorrem essa trilha, DEPOIS QUE ENRIQUECEM, passam a ter lá seus programas sociais mais generosos e restrições ambientais. É daqui que nasce o mito do "socialismo" escandinavo.

    d.2) O segundo meio é o que visa acabar com a desigualdade tirando dos 'ricos'. Seus métodos são mais do que previsíveis e podem até produzir bons efeitos no curto prazo. É a via chavista. Com desapropriações, tabelamentos, tributação escorchante, confiscos, nacionalizações, controles e mais controles. Não precisa ser exímio conhecedor dos fatos para lembrar que logo a economia de um país se atrasa ou colapsa, mas com líderes demagogos sendo alçados à condição de Deus.

    ________________

    *No Brasil, ainda tem aquela lenga-lenga esquerdista de "mesma-elite-de-500-anos". Ora, grandes fortunas do passado se perderam nas mãos de herdeiros perdulários ou relapsos, brigas de família, golpes e arrivismo; chegaram por aqui, de metade do sec. XIX em diante, levas de migrantes japoneses, alemães, italianos, libaneses, bem como novas ondas de portugueses que nada tinham a ver com os que por aqui já estavam. Em grande parte, especialmente no Centro-Sul do Brasil, é essa a elite do Brasil de hoje.

    Isso não quer dizer que o Brasil não tenha velhos vícios de natureza anti-liberal que condenam o lucro e o mérito, já que o senso comum por aqui é que todos podem viver sob as asas do Estado, desde os pobres com suas bolsas, quotas e pensões; passando pela classe média concurseira, até os ricos, beneficiados pelo protecionismo, cartorialismo, empréstimos de BNDES e regulações feitas sob encomenda
  • Élide  20/07/2017 18:13
    Imaginem um sujeito que resolva constituir uma família, baseado numa ideologia que, teoricamente, promoveria a justiça, a solidariedade, o progresso coletivo e o bem estar social.

    Estabelece, em seu lar, uma norma inicial: - Nenhum de seus membros será conspurcado pelas "más" influências externas. Seus filhos permanecerão confinados à casa, diuturnamente controlados, para que não sejam contaminados por "esse mundo devasso e egoísta de seus vizinhos".

    Sua saúde, sua educação formal, seu aprendizado acadêmico, tudo será feito a domicílio por profissionais treinados nas crenças do Chefe, de forma a garantir a imunidade contra os vírus vindos do exterior.

    Seus brinquedos, leituras e palavras deverão sempre obedecer aos critérios do pai, que orientará sobre a pertinência de cada uma e todas as coisas.

    Conviver e interagir com a vizinhança, nem pensar! Apenas poderão brincar entre eles e dentro dos muros. Visitantes só terão acesso desde que obedeçam às regras da casa e não extrapolem ao permitido.

    Tudo isso para preservar a saúde, a segurança, a integridade física e mental e os elevados ideais de seus filhos. Tudo, inclusive a vida privada de cada um, será monitorado por esse pai provedor, cuidadoso e justo.

    Ao atingirem a idade de trabalhar, o farão nas empresas do pai, que designará a cada um sua função, segundo seus sábios critérios. Afinal, o incontestável progenitor sempre sabe o que é melhor para sua cria.

    Os proventos desse trabalho coletivo deverão ser entregues ao pai, que os distribuirá segundo as necessidades de cada um. Assim, independente de competência ou produtividade, todos serão atendidos em suas necessidades básicas, sem que, para isso, haja um critério de mérito, mas sim de justiça social.

    Sendo uma só família, todos os seus membros subalternos terão direito ao mesmo quinhão e, em caso de penúria, causada por qualquer motivo que seja, dividirão irmãmente sua miséria.

    Ao Chefe da Família caberá o maior quinhão, tendo este, como mentor e administrador da casa, direito aos melhores aposentos, à melhor alimentação, gozando ainda de todas as liberdades e privilégios negados aos seus filhos.

    E deverá ser respeitado e ouvido quando, em longas conversas, mostrar à sua prole todas as vantagens do sistema vigente em sua casa, o qual favorece igualmente a todos, em contrapartida ao caos que reina na vizinhança, onde seus chefes que se apegam a princípios egoístas e gananciosos, ao mesmo tempo que não dão limites a seus filhos, que gozam de liberdade tal que os levam aos mais baixos instintos, exploram uns aos outros e vilipendiam as necessidades básicas dos desfavorecidos.

    Os componentes dessa família que se mostrarem mais inteligentes, trabalhadores, ou competentes jamais deverão desfazer de seus irmãos desvalidos "pela natureza" dessas virtudes. Todos devem ser respeitados como iguais e acolhidos no seio dessa sociedade, sem atitudes elitistas e de segregação.

    Influenciados por esse discurso manipulador de suas mentes, alguns filhos se dobrarão à vontade do pai e reconhecerão nele seu guia e protetor. E viverão felizes suas vidas medíocres, sem questionarem nada.

    Outros se rebelarão, farão de tudo para fugir dos tentáculos paternos, mesmo correndo os piores riscos, em busca de sua liberdade de se expressar e de viver plenamente.

    Talvez aqueles irmãos inteligentes, competentes e produtivos cheguem a questionar os direitos iguais dos outros acomodados, preguiçosos e estúpidos, por usufruírem das benesses que eles proporcionam com seu empenho.

    Outros, talvez instados pelo discurso paterno, se convençam que eles, em sendo privilegiados, têm o dever moral de ajudar o coletivo e se orgulhar de poder fazê-lo pelo bem de todos e pela paz da família.

    Alguns, quem sabe, se sintam desestimulados e optem por se empenhar menos, dispensando suas habilidades e suas competências em favor de um desempenho mais medíocre, para não se sentir explorado.

    Os irmãos "antiça" (mistura de anta com bicho preguiça) defenderão sempre o sistema, já que este os favorece, sem que eles tenham que se empenhar para garantir seu sustento e seus direitos.

    Tudo bem nivelado por baixo, terá o pai um poder vitalício e inquestionável. Bom, não é?

    .-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.

    Agora, algumas perguntas:

    - Você gostaria de pertencer a uma "família" dessas?

    - Você considera correta a atitude desse pai que, para preservar seus filhos das mazelas do mundo, os condene à mediocridade, sequestre suas liberdades e decida tudo por eles?

    - Você é solidário aos seus irmãos "antiças" e acha justo dividir irmãmente o produto de seus esforços com eles?

    Se você respondeu sim às 3 questões, você é um autêntico socialista radical (ou comunista, como quiser). E se não for um esquerdista de carteirinha, talvez seja apenas aquele irmão "antiça".
  • Lineker  20/07/2017 18:19
    Lendo este artigo me lembrei de um trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, escrito por Allan Kardec em 1864.

    Desigualdade das riquezas

    A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual.

    A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens? Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.

    É, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis.

    Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades.
  • Maria  21/07/2017 11:01
    Nem todos são "igualmente inteligentes" e... igualmente ardilosos, gananciosos, trapasseiros, egoístas, corruptos e se utilizam da ingenuidade alheia para obter benefício próprio. Ainda, nem todos vivem de herança. Nascem, crescem, procriam e morrem sem a necessidade de trabalhar... é, concordo que a "inteligência" éfundamental para a garantia de riqueza.
  • Mais Mises...  24/07/2017 17:10
    Sou espírita e quando li, há uns 5 anos atrás aqui no Mises, sobre a impossibilidade e a falácia da igualdade, lembrei-me na hora deste texto do Evangelho Segundo o Espiritismo. Só uma observação: o livro em tela é um compilado de mensagens atribuídas a vários espíritos, organizadas conforme assunto/tema pelo Allan Kardec. Ele não foi um escritor na acepção maior da palavra.
    Forte abraço.
  • Hélio Schwartsman  20/07/2017 18:24
    O historiador Walter Scheidel (Stanford) decidiu olhar para o passado em busca daquilo que realmente faz com que a renda seja mais bem distribuída e concluiu que só grandes catástrofes sociais dão conta da missão –e mesmo assim apenas por tempo limitado.

    O resultado de suas pesquisas está em "The Great Leveler" (a grande niveladora). Ao longo de mais de 500 páginas, ele mostra com muita erudição histórica que a tendência geral das sociedades, desde a Idade da Pedra até hoje, é concentrar riqueza e que essa orientação só é revertida de forma um pouco mais perceptível em situações extremas das quais queremos manter total distância. Não é uma coincidência que o autor chame as forças niveladoras que identificou de quatro cavaleiros do apocalipse.

    Continua.

    www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2017/06/1891959-igualdade-ou-morte.shtml
  • Nordestino Arretado  20/07/2017 18:27
    Olá amigos, há algum artigo aqui que fale sobre a NEP promovida por Lênin na União Soviética? No geral, do que se tratou essas políticas?
  • Marques  20/07/2017 20:37
    A NEP (1918-1921) surgiu como resposta ao fracasso da estatização da economia. O fracasso universal do socialismo do século XX começou já nos primeiros meses após a tomada da Rússia por Lênin. A produção caiu acentuadamente. Ato contínuo, ele foi forçado a implementar um reforma marginalmente capitalista em 1920, a Nova Política Econômica (NEP). Ela salvou o regime do colapso. A NEP foi abolida por Stalin.

    Não que a NEP fosse um plano pró-mercado, longe disso, mas era menos socialista que as políticas anteriores. De fato, o afrouxamento da estatização no campo fez a produção melhorar, mas era tarde demais para recuperar a economia.

    Depois, veio Stálin e aí a carnificina foi total.

    A União Soviética e sua economia socialista sobreviveram artificialmente até 1989 graças a três expedientes, em ordem:

    a) Essa abertura do mercado feita por Lênin, que atraiu investimentos estrangeiros em quantidade;

    b) a Segunda Guerra Mundial, que, além de ter destruído todas as potências da Europa Ocidental, deu à Rússia (com as bênçãos de Churchill e Roosevelt) o controle de todo o Leste Europeu, o que lhe permitiu espoliar todo o capital destes países, ajudando assim a manter o regime socialista.

    Não fossem estes satélites europeus servindo de vaca leiteira para o comunismo, fornecendo "gratuitamente" (sob a mira de uma arma) bens de capital e mão-de-obra capacitada para a Rússia, não teria como o socialismo russo durar tanto tempo (daí a desesperada invasão do Afeganistão na década de 1980: o capital do Leste Europeu estava exaurido, e a Rússia precisava de novos recursos).

    c) A existência de um mercado negro que vendia ilegalmente de tudo, desde comida e roupas até gasolina e carros (foi desse mercado que surgiram "magicamente" os vários milionários russos após o fim da URSS).

    Mas mesmo com tudo isso, o cidadão soviético comum da década de 1980 consumia menos proteínas do que um súdito do Czar um século antes, e tinha menos acesso a automóveis, assistência médica e serviços públicos em geral do que os negros sul-africanos vivendo sob o regime humilhante do apartheid.
  • Nordestino Arretado  20/07/2017 21:14
    Obrigado pelas explanações meu amigo, é notório que na maioria dos países socialistas havia um capitalismo informal impedindo que mais vítimas sucumbissem de fome e miséria.
  • Vitor Leonel Pereira  20/07/2017 21:56
    Houve um erro no artigo:
    A Etiópia, cujo coeficiente de Gini — indicador que mensura a desigualdade; quanto mais próximo de 1, MAIS DESIGUAL é um país — é de 29,6 e o Paquistão (30) são mais igualitários que a maioria dos países desenvolvidos, como Austrália (35,2), Coréia do Sul (31,6) e Luxemburgo (30,8) e Canadá (32,6).

    Na verdade, quanto mais próximo de 1 MENOS DESIGUAL é o país.
  • Lincoln  20/07/2017 22:14
    Nao, cidadão. Quanto mais perto de 1, mais desigual é o país.

    pt.wikipedia.org/wiki/Coeficiente_de_Gini

    Seja menos afobado na próxima e pesquise o básico antes de sair palpitando.
  • Lando  20/07/2017 23:18
    E lembrando que a Etiópia já teve um governo socialista.
  • Eliseu  21/07/2017 00:11
  • Igualitarista  20/07/2017 22:19
    Deve ser melhor morar na Etiópia do que nos Estados Unidos então, né.
  • Miles  20/07/2017 22:21
    Ótimo texto.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  20/07/2017 23:10
    O capitalismo é a única estrada para o bem-estar humano. É necessário respeito, porém.
  • Júlio César  21/07/2017 00:55
    Ótimo artigo, e eu diria que é perfeito se tivesse entendido uma coisa. Não é um pouco exagerado, no terceiro e crucial ponto dos conceitos que integram a definição de renda per capita, dizer que a renda só poderia ser redistribuída uma vez?

    Imagino que essa renda total inclua a renda de todo mundo, seja ela oriunda do capital ou do trabalho. Ou seja, é no mínimo razoável pensar que se essa redistribuição fosse feita, ela teria que exigir no mínimo que todos os trabalhadores e capitalistas permanecessem exatamente nas funções que estão. Assim como os 20% do PIB para reinvestimento, que o próprio Rallo citou.

    De todo jeito, é claro, não haveriam aumentos na produtividade e o capital ia ser dilapidado. Mas aí seria aos poucos, então a redistribuição ainda poderia ocorrer por algumas vezes.
  • Adriano  21/07/2017 01:27
    "no terceiro e crucial ponto dos conceitos que integram a definição de renda per capita, dizer que a renda só poderia ser redistribuída uma vez?"

    Se você toma 10 bilhões de Jorge Paulo Lehman, de modo que ele fique com apenas 15 mil dólares, como você espera confiscar novamente 1 bilhão de dólares dele?

    Ademais, leia o quarto ponto em conjunto com o terceiro.

    Se você confisca a renda e a riqueza dos empreendedores, não há mais empregos que paguem bons salários. Todos estarão agora com a mesma quantidade de dinheiro, mas sem empregos e sem produção -- pelo menos, não com a mesma produção de antes.

    Consequentemente, como seria possível haver uma nova rodada de renda a ser distribuída?

    "é no mínimo razoável pensar que se essa redistribuição fosse feita, ela teria que exigir no mínimo que todos os trabalhadores e capitalistas permanecessem exatamente nas funções que estão."

    Se você confisca tudo o que o Lehman tem, lamento, mas você não poderá simplesmente "exigir" que ele "permaneça exatamente na função que ele tem". Só se ele fosse mágico.

    Como exatamente ele poderia manter "exatamente a função que tem" se tudo o que ele tinha foi confiscado?

    "De todo jeito, é claro, não haveriam aumentos na produtividade e o capital ia ser dilapidado."

    Exato. Agora, sim, você entendeu tudo.

    "Mas aí seria aos poucos, então a redistribuição ainda poderia ocorrer por algumas vezes."

    O que você pode dizer, aí sim, é que é possível fazer pequenas redistribuições de renda, e aos poucos.

    Bom, mas isso já é exatamente o que é feito hoje. E tal medida é apenas um paliativo. Ela impede que o miserável morra de fome, mas não o retira da pobreza. E nem eleva em definitivo o seu padrão de vida. Tal medida o mantém vivo até a chegada do próximo cheque. Se o próximo cheque não vier, o miserável (que nada produz) morrerá de fome.

    Essa redistribuição parcial não retira ninguém em definitivo da miséria. E, como tentou mostrar o artigo, nem a redistribuição total, feita de uma só vez.
  • Júlio César  21/07/2017 15:40
    "Se você confisca tudo o que o Lehman tem, lamento, mas você não poderá simplesmente "exigir" que ele "permaneça exatamente na função que ele tem". Só se ele fosse mágico."

    Meu caro, acho que esse "exigir" confundiu um pouco o senhor. Se o que o que o senhor está querendo dizer é que uma redistribuição dessas mudaria tudo, que faria a "Terra parar", que fulano não iria trabalhar porque sicrano não estaria lá, que sicrano não iria comprar porque beltrano também não estaria lá, etc., portanto é humanamente impossível a sociedade continuar depois de uma redistribuição destas, estou de pleno acordo.

    Mas o que eu queria saber é se no caso a renda é renda, que é o que pode ser obtida do trabalho ou do capital. Pra facilitar, imagine que no lugar de humanos (seja o Lehman, seja o Warren Buffet, seja o Messi, seja um padeiro, seja um mecânico, seja alguém que pratica agricultura familiar...) existem máquinas, que continuam agindo conforme suas especificidades, porém não para atender a interesses pessoais (salários, remunerações, lucros) e sim a 'algo maior' (uma espécie de telos). No final das contas, o 'algo maior total', que juntaria tudo o que hipoteticamente seriam os salários, as remunerações e os lucros, separaria uma parte para o reinvestimento e redistribuiria a renda. Note que não estou falando de capital ou de bens.

    Mas eu entendi. Bastava o senhor dizer que a renda é a riqueza total, e não só os proventos.
  • Emerson  21/07/2017 01:36
    Mises já havia explicado tudo isso em seu livro Socialism:

    "A maioria das pessoas que exige a maior igualdade possível de rendas não percebe que o objetivo que elas desejam só pode ser alcançado pelo sacrifício de outros objetivos.

    Elas imaginam que a soma de todas as rendas permanecerá inalterada e que tudo o que elas precisam fazer é apenas distribuir a renda de maneira mais uniforme do que a distribuição feita pela ordem social baseada na propriedade privada.

    Os ricos abdicarão de toda a quantia auferida que estiver acima da renda média da sociedade, e os pobres receberão tanto quanto necessário para compensar a diferença e elevar sua renda até a média. Mas a renda média, imaginam eles, permanecerá inalterada.

    É preciso entender claramente que tal ideia baseia-se em um grave erro. Como demonstrado em capítulos anteriores, não importa qual seja a maneira que se conjeture a equalização da renda — tal medida levará, sempre e necessariamente, a uma redução extremamente considerável da renda nacional total e, consequentemente, da renda média.

    Quando se compreende isto, a questão assume uma complexidade bem distinta: agora temos de decidir se somos a favor de uma distribuição equânime de renda a uma renda média mais baixa, ou se somos a favor da desigualdade de renda a uma renda média mais alta.

    A decisão irá depender essencialmente, é claro, de quão alta será a redução estimada na renda média causada pela alteração na distribuição social da renda. Se concluirmos que a renda média será mais baixa do que aquela que é hoje recebida pelos mais pobres, nossa atitude provavelmente será bem distinta da atitude da maioria dos socialistas sentimentais.

    Se aceitarmos o que já foi demonstrado sobre o quão baixa tende a ser a produtividade sob o socialismo, e especialmente a alegação de que o cálculo econômico sob o socialismo é impossível, então este argumento do socialismo ético também desmorona."

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1224
  • Jubileu  21/07/2017 03:05
    Nunca fica velho.
  • Kayky Santos  21/07/2017 04:57
    Provavelmente quem não tem energia elétrica são pobres, e pobres não geram renda...... o "homem cifrãozudo" tinha q literalmente DAR a luz pra todos e isso é trabalho de deputado e não de empresario, Esse papo de dar as coisas só funciona qnd as pessoas se voluntariaam



  • Bernardo  21/07/2017 14:38
    "o "homem cifrãozudo" tinha q literalmente DAR a luz pra todos e isso é trabalho de deputado e não de empresario,"

    Se eu consegui ler isso é porque não estou cego. Um ótimo consolo perante tamanha estupidez.

    E lembrando que "jente" como esse Kayky vota.
  • Alessandro Gusmão  21/07/2017 10:28
    Vamos considerar que a partir de hoje toda a riqueza mundial será distribuída igualitariamente para todos e que cada um passasse a ter os 15.600. Em pouco tempo toda a desigualdade retornaria. Nem todos são laboriosos, previdentes e responsáveis igualmente. Uns iriam poupar, outros iriam montar seu próprio negocio, que dependeria de sua dedicação para dar resultado, e outros iriam gastar de acordo com suas preferencias de consumo. No fim, os mais produtivos, assertivos e previdentes estariam sendo os detentores do maior quinhão e estariam multiplicando, novamente, seus ganhos. A desigualdade das riquezas não é uma sentença mas uma consequência da natureza humana.
  • Jorge  21/07/2017 12:38
    Correto. Mas aí, tão logo estes produtivos, assertivos e previdentes começassem a se destacar e avançar, novos clamores por igualdade de renda voltariam a ser feitos, o que desestimularia qualquer tentativa de progresso e de melhora de vida.

    E aí então o mundo estará a salvo de qualquer um que tente fazer algo que o beneficie e que, por isso, o torne desigual em relação aos outros. E, quando chegarmos a esse ponto, o mundo irá desfrutar toda a prosperidade gerada pela total paralisia.

    E voltaríamos a morar nas cavernas.

  • Without Rules  21/07/2017 11:25
    Pessoal,

    Poderiam me tirar uma duvida?
    Aprendi por meio desse site que Inflação é consequencia do aumento do M1
    Entretanto, esse aumento na gasolina gerará um aumento na taxa de inflação, sem aumentar a moeda em circulação.

    O que está de errado?
  • Ruled   21/07/2017 12:15
    Nada de errado. Apenas as consequências e que serão desastrosas. Se tal aumento de preços ocorrer, então ele gerará exatamente as consequências descritas neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2694
  • saoPaulo  21/07/2017 12:54
    Se chove, há nuvem.
    Se não chove, pode haver nuvem ou não.

    Se o M1 aumenta, há inflação de preços.
    Se o M1 não aumenta, pode haver inflação de preços ou não (no curto prazo).

    O que se diz é que inflação de preços, constante e de longo prazo, é dada pelo aumento da quantidade de dinheiro na economia.
    Obviamente flutuações momentâneas nos preços podem ocorrer devido a desastres naturais, colheitas menores, governos estúpidos, etc.

    Além do mais, inflação para os austríacos é definida como aumento da quantidade de dinheiro. Enquanto o uso coloquial e do mainstream a define como aumento nos preços.
  • Percival Péricles da Silva  21/07/2017 14:07
    Não pude deixar de notar este pleonasmo: governos estúpidos
  • Marcos da Silva  21/07/2017 14:14
    Claro que há um jogo de interesse dos mais ricos controlarem os políticos para permanecerem estes dois grupos mais ricos, mas distribuir dinheiro para um ignorante e mesmo que jogar perolas as porcos, em uma semana o cara vai estar pedindo esmola e o cara que foi rico em uma semana estará ficando rico de novo.
  • Capital Imoral  21/07/2017 15:40
    A grande pergunta que o artigo propositalmente faz questão de esconder, é: Quem será que é dono dos meios de produção? Sim, Os ricos. Portanto não se trata dos ricos serem espoliados, pois não se pode espoliar alguém que vive de espoliar os mais fraco. Eles não estão sendo espoliados, é apenas a mão invisível da justiça social fazendo seu trabalho. Você não gosta da mão invisível?

    Pois eu lanço um novo termo: Mão invisível da justiça social.
    Quando percebemos que o Capitalismo vive de escravizar os mais fracos através de trocas voluntárias, torna-se necessário que "Agentes da Democracia" possam atuar em favor do bem comum. Toda essa atuação que envolve obrigatoriamente o Estado, chamamos de Mão invisível da justiça social. È para o seu bem.

    Alguém poderia dizer: "Mas, Capital Imoral, o Uber permite que os pobres sejam donos do meio de produção."
    Obviamente, isso é uma falacia que não tem sentido, quando observamos atentamente, vemos que o Uber uma ferramenta do Grande Capital para corromper os homens. Para desmontar a falácia do Uber e os meios de produção, basta fazer as seguintes perguntas: Por que Josenildo que não sabe ler e nem escrever, e perdeu os braços e pernas, Não pode trabalhar no Uber? Por Que Welingson que não sabe ler e mora no Barraco, não pode pilotar o Helicóptero do Uber Helicopters? Por que Marinilsa que não terminou o primeiro grau, não pode fazer parte do Uber da Medicina? Logo vemos que o acesso ao meio de produção, não é para todo mundo.

    Capital Imoral é filosofo, escritor e já refutou Mises.
  • Liber  21/07/2017 21:16
    Ainda por aqui...tenho dúvidas de que leias os artigos. Se lê, será que compreende? Se compreende, só pode ser alguém que ganha com a atua situação. Só assim explicaria tamanha dissonância.
  • Bushido  22/07/2017 05:32
    O Capital Imoral é um personagem caricato, não é sério.
  • RicardoC  25/07/2017 14:50
    Não alimentem o Troll.
  • RicardoC  25/07/2017 14:56
    E a questão do controle de natalidade da população mais pobre como ferramenta de combate a pobreza?

    É um assunto bastante controverso, cheio de dogmatismos, mas a meu ver indispensável para essa discussão.

    E por favor, sem acusação de eugenismo, racismo, ou coisas do tipo...
  • saoPaulo  25/07/2017 15:30
    Que tal parar de subsidiar tal comportamento?
  • Tradutor Liberal  24/07/2017 17:53
    Boa tarde

    Em março passado eu traduzi um artigo parecido do Prof. Juan Ramon Rallo:

    tradutorliberal.wordpress.com/2017/03/21/desigualdade-nao-e-o-mesmo-que-pobreza/
  • Emerson Luis  07/08/2017 13:02

    Desigualdade não é pobreza.

    E desigualdade não é necessariamente injustiça.

    Que cômodo seria se a realidade fosse tão simples quanto os utópicos dizem!

    * * *
  • Sampaio  24/08/2017 01:57
    Sinceramente, achei o texto pobre trabalhando em cima de premissas falsas, como por exemplo equiparar o DISCURSO DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDA a uma forçosa conta de dividir de toda a riqueza mundial pelo total de habitantes do planeta. Primeiro isso não é nem razoável se imaginar e, depois, quando se fala em desigualdade, pobreza e distribuição de renda se está criticando SIM sociedades onde convivem partes significativas da população (quando não a maioria) vivendo com quase nada de renda, enquanto poucos acumulam riquezas volumosas.

    Raciocinar em cima de renda per capta deve ser relativizado, pois o fato desta ter aumentado ao longo dos anos não tem se traduzido em um enriquecimento mais distribuídos. Na minha cidade existe em média 1,2 carros por habitante, mas a maioria não tem carro!!!

    Outra falácia é afirmar que quem defende distribuição de renda é contra o crescimento econômico!!! De onde tirou isso??? O que precisa compreender é que precisamos defender o DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (Crescimento econômico combinado com enriquecimento de todos e com sustentabilidade ambiental);

    Raciocínios do tipo é melhor uma sociedade muito desigual com mais riqueza que sociedade mais igualitária, porém mais pobres...É no mínimo INFELIZ!!! QUE TAL SOCIEDADES RICAS E MAIS IGUALITÁRIAS???
  • Carlos  15/10/2017 13:56
    Mises é o novo Marx. Pegam uma ideologia e a usam sem crivo ou criticidade visando apenas estabelecer uma verdade absoluta. Produção, Renda, capitalismo e criterios menos injustos de organização social não podem ser excludentes. Sempre se usa um extremo para validar outro, desconsiderando maquiavelicamente o meio. Mises ao pé da letra simplesmente gera escasses de renda e moeda na base da pirâmide e excesso no topo. E isso com regras zero, a vida de quem está na base, passa a valer zero também. Assim como Marx apesar de muitos erros, pode até servir como critica a um modelo mas jamais, nunca como substitutivo, mises, anarcocapitalismo, diminuição do estado e de impostos o máximo possível, serve como contraponto, mas nunca como modelo social. Só quem nunca viveu, conviveu de fato em sociedade e com suas mazelas pode pensar em um modelo social darwiniano e uma sociedade movida unicamente pelo egoísmo.
  • Emerson  15/10/2017 14:22
    O mais legal de todas as supostas críticas aos artigos é que ... nunca há realmente uma crítica lógica e embasada. Há apenas gemidos, vitimismos, coitadismos e afetação de dignidade ofendida. Nunca há argumentos contrários realmente sérios e embasados na lógica e na razão. Há apenas flatus vocis. Por isso que nossa esquerda é uma piada. Por isso destruíram a economia.
  • Demolidor  15/10/2017 15:00
    O problema é que essas afetações influenciam a mente das pessoas. E estatistas adoram jogar com elas. Libertários e conservadores deveriam fazer uso das mesmas, na mesma moeda.

    Aí vai uma sugestão minha de resposta à altura (para o Carlos):

    A defesa de uma terceira via, com o governo permitindo que o livre mercado funcione, mas corrigindo suas supostas mazelas, através de, entre outros mecanismos, uma pesada tributação sobre aqueles que obtêm maiores lucros e salários na sociedade, revela não somente uma grande desconsideração pelos riscos incorridos por aqueles que dedicam seu tempo e recursos para criar maneiras de melhorar a vida humana, como também uma punição pelo talento e disponibilidade para o trabalho daqueles mais capazes.

    No extremo, o trabalho vale zero ou próximo disso. Por consequência, a vida humana, numa sociedade dominada por um governo que age ferozmente contra seus membros mais produtivos, vale, também, próxima de zero. Nivelamos todos por baixo, pelo menos capaz, pelo mais preguiçoso, por aquele que, no lugar de correr riscos calculados, arrisca sua vida e a dos outros por um ideal, que normalmente se revela impossível de ser alcançado. A sociedade, dominada por aventureiros e incompetentes, torna-se incapaz de garantir sua própria segurança, saúde, educação e bem estar.

    Além disso, a defesa da terceira via revela, não só uma total ignorância quanto à maneira como as interações sociais e econômicas se dão, o que pode ser comprovado empiricamente em países outrora ricos e pacíficos, como Argentina, Venezuela e vários países da Europa, como uma defesa perniciosa e cruel da exploração do homem pelo homem, através do estado. Cria-se um mecanismo concentrador de poder e renda às avessas, concentrado em poucos dirigentes e empresários amigos de políticos.

    Assim como o socialismo, a terceira via não pode ser pensada como um modelo social ou econômico viável. Este modelo social darwiniano, onde prospera e é capaz de reter recursos para si somente aquele mais capaz de ter boas relações com o governo e políticos, independente da qualidade de seus serviços e produtos para com seus próximos, leva a comportamentos egoístas e predatórios impraticáveis em uma sociedade livre, colocando em risco a própria existência desta. No extremo, as barreiras morais desaparecem e todos se tornam ladrões. É muito mais rentável e certo se apoderar de uma parte do butim e enviar estes recursos para um local (sua casa) ou um país (paraíso fiscal) seguro do que arriscar-se tentando criar uma maneira de tornar mais fácil a vida de outras pessoas.

    Por fim, deve-se sempre desconfiar dos defensores deste sistema. Pensando logicamente, ou são pessoas sonhadoras, utópicas, que não conseguem perceber o que se passa à sua volta, ou, no pior dos casos, são elas mesmas parte do grupo que se beneficia da exploração do homem pelo homem.

    Em resumo: o Brasil contemporâneo é resultado direto do amor pelas políticas de terceira via e sua adoção. O resultado não poderia ser outro. E surgiu uma desconfiança aqui se o autor do comentário não seria um funça.
  • Proposta  12/04/2018 17:25
    Proponho o seguinte... quem é a favor do capitalismo.. continue trabalhando... quem é contra.. para de trabalhar para as empresas "exploradoras".... e vamos ver no que dá!!

  • Flavio  08/07/2018 03:05
    Pode-se dizer então que uma família pobre de séculos atrás invejaria uma família considerada pobre hoje em dia?



  • Bruno Pfeiffer Utsch  20/08/2018 19:25
    Só é possível promover a geração e distribuição de riqueza/renda se houver poupança/investimentos.
    E distribuição de renda sem criação de riqueza é expropriação/confisco.


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