clube   |   doar   |   idiomas
As bênçãos de uma deflação de preços
Ignore os catastrofistas e aprecie este raro e efêmero fenômeno

Suponha que você reserve o seu sábado para ir ao shopping fazer compras. Ao chegar lá, você vê um cartaz anunciando: "50% de desconto em tudo!".

Isso é uma ótima notícia, certo?

Ou então, suponha que você está à procura de um carro novo. Ao pesquisar, você se surpreende ao descobrir que os carros estão mais baratos em relação ao ano anterior. Incrível e sensacional!

Ou digamos que você está pagando o colégio de sua filha e descobre que você separou mais dinheiro que o necessário, pois os preços da mensalidade e dos livros estão mais baixos do que você esperava. Glória!

Olhemos agora do ponto de vista empreendedorial. Você é um industrial e seu principal gasto é com as peças de aço. Após vários anos, até mesmo décadas, de preços crescentes para rolamentos e outras partes do maquinário, seus custos repentinamente caem. Consequentemente, o custo de manutenção e de substituição de ativos é dramaticamente reduzido. Isso lhe deixa com mais dinheiro para investimentos, folha de pagamento, propaganda, e para atrair mais investidores por meio de maiores dividendos. Trata-se de uma situação em que todos ganham.

Até agora, a deflação de preços parece algo glorioso. "Mas não é!", grita o economista empertigado. Consumidores e produtores podem até se beneficiar, mas e os vendedores?

É fato que vendedores sempre querem vender seus produtos ao preço mais alto possível. Isso vale tanto para a Apple quanto para a padaria na esquina da sua casa. Se dependesse da Dell, cada computador custaria $ 1 milhão e, se ela conseguisse vender por $1 milhão o mesmo número de computadores que vende hoje aos preços atuais, é claro que ela cobraria este novo valor.

Igualmente, consumidores gostariam de pagar exatamente $0 por tudo aquilo que compram.

É a interação entre estes dois mundos ideais o que gerará os preços de mercado.

Sendo assim, em um cenário de deflação de preços, se as empresas estão sendo forçadas pela concorrência a venderem a preços cada vez menores, como elas podem ter lucros? Simples: tornando-se mais eficientes. Cortando custos.

Qualquer um que já tenha trabalhado em uma empresa sabe que eficiência é algo que empresas implantam quando realmente necessitam dela e quando não há alternativa mais fácil (por exemplo, apenas aumentar preços). Um monopólio (pense nos Correios ou no Detran) não enfrenta nenhuma concorrência, de modo que ele pode continuar elevando preços e mantendo horrendas ineficiências ano após ano. Já uma empresa em um ambiente concorrencial não pode se dar a este luxo.

A indústria tecnológica fornece a melhor ilustração prática desta teoria. Ao longo das últimas décadas, os preços desabaram (principalmente naqueles países que praticam livre comércio, sem barreiras à importação), as vendas aumentaram, e os lucros não pararam de subir. Fabricantes e revendedores de computadores e notebooks auferiram fartos lucros.

Mas este não foi o único setor. O mesmo ocorreu para os utensílios e os aparelhos eletrodomésticos, cujos preços também caíram ao mesmo tempo em que as vendas e os lucros aumentaram. Por quê? Porque fabricantes e vendedores melhoraram naquilo que fazem, e consequentemente conseguiram obter lucros mesmo em um cenário de queda de preços.

Consequentemente, não há nenhum conflito entre os interesses dos consumidores (quem sempre querem preços menores) e a saúde de uma economia em geral. O que é bom para os consumidores é bom para todos.

Vale lembrar que, do início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, até o início da Segunda Guerra Mundial, os preços nos países desenvolvidos geralmente caíam, ano após ano. Um cenário de deflação de preços anual era a norma no mundo, especialmente nos EUA, entre 1865 e 1913 (ano da criação do Fed). Foi também nessa época que o país mais cresceu em termos anuais

Isso porque um contínuo aumento da produtividade, gerado pelo livre mercado, levou a uma queda nos preços. E dado que os custos de produção caíam junto com os preços de venda, os investimentos aumentavam normalmente. Em geral, os salários permaneceram constantes ao passo que o custo de vida caiu — de tal forma que os salários "reais", ou o padrão de vida de todos, aumentou constantemente.

Vale enfatizar: o segredo está na produtividade. Com o aumento da produtividade e da eficiência dos métodos de produção, os custos podem cair proporcionalmente mais que os preços, tornando qualquer empreendimento lucrativo, mesmo com queda de preços.

Com efeito, em um cenário de deflação de preços generalizada, ter lucros pode ser ainda mais fácil, pois, ao contrário do que ocorre em um cenário de inflação de preços, os custos de produção também estariam caindo. E, com a correta adoção de economias de escala e métodos produtivos mais eficientes, os custos cairiam ainda mais que os preços, garantindo altos lucros.

Não há nada de terrível se ter preços em queda. Queda de preços é justamente o que ocorre em uma economia de mercado em que haja concorrência e um contínuo aumento da oferta de bens e serviços. Todos nós consumidores gostamos quando os preços das coisas ficam mais baratos.

Entram em cena os economistas para bagunçar tudo       

Tendo entendido isso, é de se espantar a quantidade de economistas e comentaristas econômicos que tentam convencer o público de que a deflação de preços é uma coisa apavorante. Muitos gostam de falar isso porque tal afirmativa traz aquela comoção e aquele impacto geralmente associados a uma conclusão contra-intuitiva. Só que, neste caso, eles simplesmente estão errados. A primeira e natural intuição — a de que barganhas são ótimas — é exatamente a intuição correta. Em matéria de economia, algumas vezes o bom senso acaba sendo todo o necessário para se avaliar uma medida.

Eis, a seguir, os principais "argumentos" anti-deflação apresentados por essas pessoas.

Consumo versus poupança

O principal argumento utilizado por esses economistas e comentaristas econômicos é que, se as pessoas sabem que os preços cairão continuamente, então elas irão postergar ao máximo seu consumo, esperando tudo ficar mais barato. Consequentemente, com o consumo em queda, o desemprego aumentaria e toda a economia entraria em uma permanente depressão.

Na prática, essas pessoas estão dizendo que, entre comprar hoje ou postergar a compra em cinco anos, quando os preços estarão menores, todos optarão pela segunda alternativa.

Em primeiro lugar, é verdade que preços em queda criam um incentivo para a poupança. Mas isso, por si só, é ótimo. Enquanto a preferência voluntária dos consumidores for pela poupança em detrimento do consumismo, isso irá criar os fundamentos para um crescimento econômico futuro. A poupança é exatamente a atitude que possibilita uma maior acumulação de capital e um maior volume de investimentos. E consumidores poupam por um motivo óbvio: para poderem gastar mais no futuro.

Em segundo lugar, não há nenhuma evidência de que uma queda nos preços faça com que as pessoas posterguem suas compras. Se isso de fato ocorresse, ninguém jamais compraria televisões, smartphones, câmeras, notebooks e demais apetrechos eletrônicos, pois sabemos perfeitamente bem que tais itens estarão mais baratos e com ainda mais qualidade no ano que vem. O que ocorre na realidade é que as pessoas acabam comprando uma maior quantidade de todos esses itens.

As pessoas compram coisas quando necessitam delas, e levam em consideração a tendência dos preços (afinal, ninguém pode adiar compras para sempre).

Ademais, e isso é ainda mais importante, o ser humano sempre irá preferir ter um bem hoje a ter esse mesmo bem apenas no futuro distante. Isso é o básico da teoria da preferência temporal. Logo, sempre que possível, consumidores preferem consumir no presente. Além de você não poder postergar sua demanda por alimentos, roupas, moradia e alguns outros bens, há também o fato de que você não necessariamente irá adiar sua aquisição de um bem hoje só porque ele estará mais barato daqui a uma ano. Porque mesmo comprando-o hoje a um preço maior, você sabe que seu poder de compra será maior no futuro. E isso muda tudo.

Se você vive em um ambiente em que os preços estão caindo, você sabe que seu poder de compra futuro será maior que o atual. Mesmo sabendo que um carro estará $3.000 mais barato daqui a dois anos, você ainda assim irá comprá-lo hoje, pois sabe que daqui a dois anos seu dinheiro estará valendo mais. Não obstante seu gasto de hoje, você terá maior poder de compra para aquisições futuras. É justamente o fato de você saber que terá maior poder de compra no futuro o que não irá restringir seu consumo presente.

Ao contrário: é até bem possível que o consumo presente possa aumentar.

Portanto, eis o que temos em um cenário de deflação de preços: 1) ou as pessoas pouparão mais, o que será ótimo para o futuro da economia; ou 2) elas consumirão mais, o que é o exato oposto do que temem os economistas anti-deflação de preços.

O problema do endividamento

Outro temor destes economistas se refere às implicações da deflação de preços para o endividamento. Segundo eles, a deflação de preços "faz com que seja muito mais difícil a quitação das dívidas pendentes".

É verdade que, em um cenário de deflação de preços, os empréstimos serão quitados com um dinheiro que vale mais do que aquele que foi emprestado. No caso de empresas pouco eficientes, a queda dos preços levará a uma queda de suas receitas, o que dificultará a quitação dos empréstimos.

Mas tudo isso faz parte do risco que um indivíduo assumiu quando decidiu se endividar. Se todos nós tivéssemos uma perfeita capacidade de previsão, nosso comportamento seria totalmente diferente. Isso não é um argumento para apertarmos o botão do pause nas relações econômicas. O que a deflação de preços faz é fornecer um desestímulo ao endividamento e criar um estímulo ao uso da própria poupança para o propósito do investimento. Isso significa que indivíduos frugais e empresas prudentes e bem-capitalizadas serão os mais recompensados — algo ótimo em termos éticos e econômicos.

Já os indivíduos gastadores terão de apertar os cintos, e as empresas ineficientes terão de se aprumar, cortar custos e otimizar seus serviços e suas linhas de produção. 

Deflação e investimentos

Não há nenhuma evidência de que preços em queda afetem a confiança das empresas. As empresas investem naqueles setores em que acreditam ser possível ter lucro, e o lucro está muito mais relacionado a custos do que aos preços de venda. Se os custos estiverem caindo, não haverá problemas se os preços também caírem.

Em um cenário de deflação de preços, os preços cairiam, mas os custos também cairiam. Custos são preços. Eles também estão embutidos na queda.

Com o aumento da produtividade e da eficiência dos métodos de produção, os custos podem cair proporcionalmente mais que os preços, tornando qualquer empreendimento lucrativo, mesmo com queda de preços.

Ademais, se uma redução de preços contínua levasse a uma depressão permanente, o setor tecnológico já teria desaparecido. Deflação de preços é a norma neste setor. Os preços de câmeras, notebooks, smartphones, televisões etc. só caem. E ainda assim as empresas desses ramos só lucram. Se uma queda de preços realmente afetasse a confiança das empresas, nenhuma empresa jamais iria empreender no ramo tecnológico.

Uma recessão com inflação ou uma recessão com deflação de preços?

Preços em queda são exatamente a "grande vantagem" de uma recessão econômica.

Apenas se pergunte a si próprio: durante uma recessão, você quer que o poder de compra do seu dinheiro aumente ou diminua? Se o futuro do seu emprego está em risco, você quer pagar mais ou menos por bens e serviços? Se a sua poupança é baixa, você quer que este seu pequeno dinheiro acumulado tenha maior ou menor poder de compra no futuro?

Se você responder a estas questões racionalmente, você pode entender por que a deflação de preços é ótima para todos, sendo inclusive a redenção em um período de contração econômica.

Se temos de aturar uma recessão causada pelo governo, então que ela ao menos seja uma recessão deflacionária. Muito pior seria uma recessão inflacionária: você perde seu emprego e sua renda, e seu custo de vida continua subindo. Pelo mesmo motivo que uma deflação de preços é algo bom, preços crescentes durante uma recessão representam o pior dos mundos: além de todo o estrago no bem-estar, tal fenômeno também desestimula a poupança e o investimento futuro. Ele estimula o consumo presente e, com isso, afeta a acumulação de capital necessária para o crescimento futuro (entenda os detalhes aqui). É o perfeito exemplo do prolongamento do sofrimento.

Conclusão

Na economia, aquilo que é bom para os indivíduos e para as famílias é também bom para a economia. Todos nós gostamos de barganhas, promoções e descontos. Todos nós, em suma, gostamos de preços baixos.

Infelizmente, em nossa atual era inflacionária, preços menores estão restritos apenas a setores muito específicos (todos eles relacionados à tecnologia). Que sonho seria se os preços em queda destes setores se expandissem para todos os outros e para tudo aquilo que compramos.

Deixe os economistas e comentaristas econômicos darem chiliques e se preocuparem com aquilo que seus falaciosos modelos macroeconômicos lhes ensinam. Apenas desfrute este efêmero fenômeno de uma queda de preços e aproveite este momentâneo aumento no seu padrão de vida e no poder de compra do seu dinheiro.

[N. do E.: Desde 1994, o real já perdeu 82% do seu poder de compra. Este roubo irá continuar. Por isso, aproveite ao máximo este curtíssimo período de tempo, até que a "normalidade" seja restaurada].

_________________________________


Para entender por que os preços se estabilizaram no Brasil, confira este artigo.



autor

Diversos Autores

  • Andre  07/07/2017 15:03
    Ainda estou procurando essa tal deflação nas terras de Pindorama, IPCA acumulado 12 meses está em 3%, nada longe de nossos vizinhos economicamente civilizados, Paraguay com 3,4%, Chile 2,8% e Perú 3,2%. E depois da sequência de vários anos com inflações cavalares, por aqui mínimo de sensatez é radicalismo, totalmente desalentador este país.
  • Carlos Maurício  07/07/2017 15:27
    No Brasil, ter deflação por apenas um mês já é raríssimo. A última foi em 2006. Aliás, a última vez que a inflação acumulada em 12 meses ficou em 3% foi também em 2006. Onze anos atrás.

    É sim motivo de júbilo. No Brasil, isso é o máximo a que podemos aspirar -- ainda mais quando olhamos para o passado recente, em que o IPCA acumulado em 12 meses sequer ficava abaixo de 6,50%.

    Após os 11% de 2015 e os 6,30% de 2016, fechar um primeiro semestre com 1,18% quase que dá uma sensação de deflação. De novo: esse é o máximo a que podemos almejar.

    Aliás, em cidades como Goiânia, o acumulado em 12 meses foi de 1,74%. Isso é quase que padrão Suíça. Em Curitiba foi 2,04%. Menor que EUA.

    agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/29a24ed8c2a3b9e46c1e151adbb07ec7.pdf

    E há localidades em que o preço da gasolina, após bater R$ 4 o litro, voltou a R$ 2,99. E sem mágica ou controle de preços.
  • Andre  07/07/2017 15:51
    Não me refiro ao fracasso econômico absoluto de Pindorama, sei que em termos de comportamento de preços estamos no paraíso perto dos infernais 2014-16.
    Me refiro a isto, uma deflação microscópica gera uma reportagem com imagem dos anos 30:

    g1.globo.com/economia/noticia/entenda-o-que-e-deflacao-e-por-que-ela-e-um-problema-para-a-economia.ghtml

  • Tulio  07/07/2017 15:57
    Carai!!! E eu achando que o artigo tinha exagerado quando falou da existência de tais pessoas! Esses malucos existem mesmo!
  • Ricardo S. I.  07/07/2017 18:10
    Postei um comentário pedindo para os leitores lerem esse artigo... Talvez apareçam algumas pessoas de paraquedas nos próximos dias/horas aqui... Talvez mais alguém descubra a escola austríaca hoje :D.
  • Filipe Olegario  07/07/2017 20:01
    Tomara mesmo!
  • Andre  07/07/2017 21:32
    Descobri E.A. buscando sobre deflação de preços e entender a tal "armadilha de liquidez" do Japão, foram dias de mind blowing.
  • ???  07/07/2017 15:40
    Ótimo artigo pra derrubar as falácias desses economistas intervencionistas.

    Uma pergunta para quem quiser responder:alguém conhece uma fonte confiável e completa que não esteja contaminada pela esquerda para estudar história? Fica difícil fazer um debate quando eu não sei se me contaram tudo sobre a matéria ou se mudaram alguma coisa.
  • O.C.  07/07/2017 15:53
    Difícil, é melhor primeiro aprofundar suas bases filosóficas, econômicas e históricas com autores renomados sempre divulgados aqui no site e poderá ler qualquer porcaria sem ser contaminado, saberá separar joio do trigo.
  • Antônio Marques  07/07/2017 15:56
    História? No Brasil, só a coletânea do Narloch, o Guia Politicamente Incorreto da História Brasileira. Tem também o da América Latina e do Mundo.

    Fora isso, nada. Ou você recorre á internet ou irá emburrecer.
  • Felipe  08/07/2017 13:03
    Busco a muito tempo um bom conteúdo de história, sem uma visão "ocidentalizada" e sem estar ideologicamente poluído. Muito difícil! Como diz o ditado popular: "A história é contada pelos vencedores", ou no nosso caso, pelos idiotas mesmo.
  • Gui Ribeiro  08/07/2017 20:26
    Assinei o Liberty classroom organizado pelo excelente Tom Woods.
    Neste curso há módulos sobre a história da Civilização Ocidental, sobre a história Americana, a história do Pensamento conservador, a origem libertária do Sci-Fi, etc...
    Vale muito a pena o investimento! Mas é preciso fluência em Inglês.
    Para quem quiser checar o nível do produto, sugiro abaixarem o Pod Cast "The Tom Woods Show" antes.
  • Paulo Henrique  07/07/2017 15:58
    agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-07/inflacao-oficial-tem-deflacao-de-023-em-junho-primeira-em-11-anos
    Quando você acha que nunca veria uma notícia de deflação no Brasil

    : D
  • Ninguem Apenas  07/07/2017 16:27
    Leandro,

    Hipoteticamente, hoje em dia, se um país como o Brasil resolvesse abandonar toda loucura inflacionária e resolver congelar o M1 mas todos outros países seguissem inflacionando a moeda, isso poderia trazer problemas? e quanto a salário mínimo, agencias de regulamentação e CLT não poderiam provocar disparada no desemprego?

    Outra coisa, a moeda não poderia passar a se comportar como um ativo e passar a deflacionar de forma muito severa? com deflações de preços descoordenadas e de alta porcentagem? Porque na minha visão, passaria a valer a pena empreendedores do mundo todo manter estoques da moeda devido a deflação, a enorme procura e a busca por ganhos na venda posterior da moeda valorizada poderiam provocar ataques especulativos e falta de previsão no valor da mesma? Não sei se raciocinei corretamente.

    Se não me engano Mises defendia o congelamento do M1, isso é válido também para países fortemente intervencionistas, com altíssima carga tributária, entraves artificiais, e aplicando essa solução isoladamente?
  • Leandro  07/07/2017 17:37
    "se um país como o Brasil resolvesse abandonar toda loucura inflacionária e resolver congelar o M1 mas todos outros países seguissem inflacionando a moeda, isso poderia trazer problemas?"

    Tal país teria a moeda mais forte do mundo e sua população seria a mais privilegiada de todas (de certa forma, é isso o que acontece com o povo suíço).

    Há um artigo inteiro sobre as consequências de tal política:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=333

    "e quanto a salário mínimo, agencias de regulamentação e CLT não poderiam provocar disparada no desemprego?"

    Sim, como toda e qualquer intervenção do estado na economia. O problema, então, não é a deflação mas sim as intervenções do estado sobre a livre interação humana.

    "Outra coisa, a moeda não poderia passar a se comportar como um ativo e passar a deflacionar de forma muito severa? com deflações de preços descoordenadas e de alta porcentagem?"

    Essa parte eu não entendi.
  • Ninguem Apenas  07/07/2017 20:00
    A parte que você não entendeu (eu que não soube explicar kk), foi por causa de um podcast seu onde você disse que uma moeda se valorizar muito em pouco tempo de uma vez pode ser ruim, o certo é a moeda ir se fortalecendo aos poucos para evitar ataques especulativos. Posso ter entendido errado também, mas minha dúvida é quanto a uma forte valorização em um curto intervalo de tempo.

    A Suíça tem uma moeda mais forte que as dos outros países, mas nem tanto assim, eu estou imaginando que um M1 congelado poderia provocar uma forte deflação de preços e oscilação severa por ataques especulativos.

    Outra dúvida é, um M1 congelado obrigatoriamente seria um cambio de flutuação limpa, não?

    Quanto ao exemplo do Brasil eu entendi que é um problema das intervenções do Estado kkk acredito que seria excelente em um país Laizess Faire, mas infelizmente não vivemos em um kk


    E agradeço desde já as respostas!
  • Leandro  07/07/2017 21:57
    "um podcast seu onde você disse que uma moeda se valorizar muito em pouco tempo de uma vez pode ser ruim, o certo é a moeda ir se fortalecendo aos poucos para evitar ataques especulativos."

    Ruim não é. E eu nunca disse isso. Valorizar rápido ou gradualmente, no cômputo final, dá no mesmo. Mas, com efeito, em termos de facilidade de adaptação, o segundo cenário é o preferível. Só que tal cenário é totalmente fora da realidade brasileira. Aqui, o máximo que podemos almejar é exatamente isso que estamos vivenciando.

    Valorização súbita ocorre apenas em países sólidos e estáveis, como a Suíça.

    Uma surpresa suíça

    "A Suíça tem uma moeda mais forte que as dos outros países, mas nem tanto assim"

    A Suíça está em deflação de preços desde 2012.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/historical.png?s=SZCPIYOY&v=20170707182900&d1=20070101&d2=20171231&type=column

    Bem mais que o Japão, diga-se de passagem.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/japan-inflation-cpi.png?s=jncpiyoy&v=201707052030v&d1=20070101&d2=20171231&type=column

    Em termos de moeda robusta, o franco suíço continua imbatível

    "eu estou imaginando que um M1 congelado poderia provocar uma forte deflação de preços e oscilação severa por ataques especulativos."

    Bom, para começar, um M1 congelado não é factível. Mais ainda: seria totalmente contra a liberdade. Em um arranjo de liberdade, é inevitável haver aumento da oferta monetária. Se qualquer pessoa fosse livre para aceitar qualquer dinheiro, aumentos da oferta monetária seriam inevitáveis. Se, por exemplo, o uso de dólares fosse liberado no Brasil, isso levaria a um aumento da oferta monetária: qualquer pessoa que entrasse no país com dólares estaria aumentando a oferta monetária.

    Mesmo se o dinheiro fosse inteiramente formado por moedas de ouro, continuaria havendo aumento da oferta monetária: basta que alguém escavasse ouro da terra.

    Portanto, um M1 congelado só seria possível mediante intervenção estatal.

    Mas, ainda assim, não consigo visualizar ataques especulativos. Ataques especulativos envolvem súbitas alterações de valores e de oferta. Algo cuja oferta é fixa -- e que todos os agentes econômicos sabem serem fixa -- não tem como sofrer grandes variações de valores.
  • Ninguem Apenas  08/07/2017 00:35
    Posso estar exagerando muito, mas a Suíça tem uma deflação de preços que não ultrapassou 2% nesse gráfico, isso eu não considero severo, estou imaginando algo em volta de 20%. Algo próximo ao que vivenciou os EUA durante a crise de 20.

    https://d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-inflation-cpi.png?s=cpi+yoy&v=201707031807v&lang=all&d1=19140101&d2=19250101

    E eu vejo dessa forma porque a Suíça mesmo em deflação de preços a vários anos, nunca congelou o M1. Só de 2012 pra cá ele aumentou cerca de 30%.

    https://d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/switzerland-money-supply-m1.png?s=switzerlanmonsupm1&v=201707031857v&lang=all&d1=20120101&d2=20171231

    Se ela tivesse congelado o M1 e acabado com toda e qualquer expectativa de inflação de preços futura, não poderia vivenciar uma deflação próxima a americana durante 1920, só que de forma contínua?

    Minha pergunta foi mal elaborada e isso é culpa minha, mas resumindo ela de maneira mais simples:

    "Quanto mais deflação de preços (sem levar em conta deflação monetária) melhor? mesmo se for 10%, 20% e etc? Em outras palavras, não existe um limite saudável de deflação para a economia que caso ultrapassado seria maléfico?"

    E por último, congelar o M1 é anti liberdade? mas não era exatamente isso que Mises defendia e foi comentado nesse artigo do instituto?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=314

    Agora eu buguei kk

    Faço esta pergunta porque gostaria de realmente entender o assunto, e agradeço a paciência de me responder!
  • Leandro  08/07/2017 01:23
    Deflação de preços acima de 2% ao ano durante vários anos é raríssimo. Chegou pontualmente próximo a 20% em um ano durante a Grande Depressão simplesmente porque vários bancos quebraram e, consequentemente, a população perdeu seu dinheiro (que literalmente sumiu) e o M1 desabou. Houve uma genuína e acentuada deflação monetária ali.

    Já em uma economia funcional isso não ocorre.

    "Quanto mais deflação de preços (sem levar em conta deflação monetária) melhor?"

    Sem ocorrer deflação monetária? Sem dúvida. Pois aí a deflação de preços estará sendo inevitavelmente causada pelo crescimento econômico. E isso é excelente. Vide o setor tecnológico.

    "Em outras palavras, não existe um limite saudável de deflação para a economia que caso ultrapassado seria maléfico?"

    Em uma economia funcional e sem deflação monetária? Não.

    "E por último, congelar o M1 é anti liberdade?"

    Na prática, sim. Não existe oferta monetária fixa em um ambiente de liberdade monetária. Por outro lado, não vivemos em um ambiente de liberdade monetária. Consequentemente -- dado que já vivemos em um ambiente sem liberdade monetária --, é possível se fazer um argumento em prol do congelamento de M1 (algo que eu não defendo, embora já o tenha defendido num passado longínquo como uma opção aceitável vis à vis um Banco Central ruim).

    Quando hoje recorro a tal cenário (congelamento do M1) é apenas para fazer uma construção teórica, a qual é utilizada para clarificar um raciocínio ou fazer uma ilustração. Por exemplo: "como seria possível haver aumento contínuo de preços em um cenário de oferta monetária congelada?"
  • Ninguem Apenas  08/07/2017 02:30
    Agora eu entendi! kk

    Muito obrigado pela aula Leandro!
  • Fernandes  07/07/2017 17:10
    Não sei se estou errado, mas a deflação é boa quando advinda do aumento da produtividade ou valorização da moeda, que não é o que está ocorrendo no Brasil no momento. A inflação despencou no Brasil por estar havendo uma contração monetária.
    Quem comprou títulos com juros fixos pagando 17% a.a. há um ano atrás deve está rindo a toa.
  • Getúlio   07/07/2017 17:54
    Hove sim valorização da moeda. O dólar, que chegou a esbarrar em R$ 4,24, chegou a bater em R$ 3,10 recentemente, tendo voltado a subir apenas após o episódio Joesley.

    E isso exerceu uma grande e benéfica influência baixista sobre os preços.

    Ademais, antes uma queda de preços em meio a uma recessão do que uma disparada. Apenas, Bresser-Pereira, Belluzzo e demais ignaros estão tristes.
  • Joao  07/07/2017 17:20
    Nunca vi ninguém criticar a deflação, achei curioso esse texto. Como alguém poderia criticar isso?
  • Mauro  07/07/2017 17:43
    Bem-vindo ao mundo real, onde os loucos têm vez. E os acadêmicos é que impõem a pauta.

    g1.globo.com/economia/noticia/entenda-o-que-e-deflacao-e-por-que-ela-e-um-problema-para-a-economia.ghtml

    Como eu me formei em economia, passei quatro anos ouvindo esta besteira. Já você, que provavelmente é um cara de bom senso, compreensivelmente nunca nem sequer cogitou essa besteira.
  • Fake News  07/07/2017 19:12
    O verdadeiro problema econômico é o povo "aprender" economia através da grande mídia e das instituições de ensino superior.

    Isso sim causa estragos profundos na economia.
  • Joao  07/07/2017 20:48
    Caraca, não é que tem gente louca mesmo! Acho que me "falta" assistir rede Globo, hehehe. Coisa de maluco mesmo. Mas sabe que no Brasil isso é muito estranho: todo mundo é médico, advogado e economista. Acho hilário isso, hehehe.
  • Outro economista  09/07/2017 14:17
    Pois é, meu amigo. Para quem não "é do meio", isso soa totalmente contra-intuitivo. Baixa de preços, oferta crescente (como no setor de tecnologia), é uma coisa ruim?!?!?!?

    Quem veio da academia tradicional brasileira de economia, ouviu isso e muito mais...
  • Leonardo Scattolini  07/07/2017 17:25
    O autor esqueceu de contar que quando você for no banco tirar o seu salario no valor x vai ver que recebeu x - D. Afinal as empresas vão ter que "indexar" seu salario assim como ocorre hoje com a inflação isso se ele não for o demitido da vez. Venho pensando e lido bastante a respeito do assunto e a Deflação me parece tão prejudicial quanto a Inflação. Porque não colocar a meta em 0%?
  • Joaquim   07/07/2017 17:50
    Não há e nem houve nenhuma redução salarial (mesmo porque isso é proibido).

    Ademais, pela sua lógica, os salários da indústria tecnológica deveriam estar beirando zero, pois os preços ali só fazem cair.

    Por fim, e contrariamente à sua crítica, isso foi abordado no artigo. Era só tê-lo lido.
  • Ex-microempresario  07/07/2017 18:00
    Em primeiro lugar, aqui em Pindorama salários são irredutíveis por lei.

    Em segundo lugar, salários são determinados pela relação oferta/demanda das qualificações e produtividade de cada tipo profissional. Não tem por que oscilarem junto com os preços; se o fizessem, um engenheiro de computadores estaria ganhando hoje uns R$ 2,00 por mês.

    Em terceiro, não confunda a redução de preços causada pelo aumento de produtividade com a redução causada por uma empresa quebrada fazendo "liquidação" para se salvar. Neste último caso, é provável que acabem todos desempregados, do "peão" até o proprietário. Mas este é um caso específico de cada empresa, as outras não tem nada a ver com isso. Na verdade, as outras se livram de um concorrente ruim, o que se não é uma grande vantagem, também não prejudica ninguém.
  • Economista Heterodoxo  07/07/2017 17:48
    Lamentável. O pior de tudo é ver os rentistas soltando fogos com essa desaceleração violenta do IPCA, como se isso fosse uma coisa boa. Aliás, pra quem vive de LFT é uma boa coisa mesmo, tamanho os juros reais.

    Infelizmente, pra quem produz, como o setor industrial, só resta esperar essa equipe econômica saia para que se possa ter um câmbio de equilíbrio, uma política fiscal e monetária expansionista e uma linha de crédito de longo prazo decente.
  • Luís Carlos Gonzaga Bresser Belluzzo Pereira  07/07/2017 17:58
    Concordo, camarada. É lamentável. O povo estaria muito melhor se os preços estivessem subindo 20% ao mês e o dólar estivesse em 30 reais. Isso sim seria pujança e bem-estar. Seríamos a inveja dos suíços.

    Volta, Dilma!
  • Hiperinflação  07/07/2017 18:01
    Ouvi alguém pedindo meu retorno?
  • Mercado negro  07/07/2017 19:42
    Se precisarem de mim, estarei preparado.
  • Economista Heterodoxo  07/07/2017 21:27
    Ora, parece que eu não sou o único adepto da heterodoxia econômica por aqui. Vou aproveitar esse momento campinense para linkar as excelentes medidas que o mestre Bresser-Pereira postou em seu facebook.

    https://pt-br.facebook.com/bresserpereira/posts/1647763851932126

    Esse gênio é como vinho!
  • Gonzaga  07/07/2017 22:14
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  07/07/2017 22:42
    A deflação é desejável.
  • Gabriel  07/07/2017 23:53
    Nessas horas até os neoliberais (aqui representados pelos economistas do por que) são inflacionistas e usam argumentos despropositados. Não a toa, quando eles pegam gente como Ciro Gomes (por mais demagogo e errado que este seja) em debate, são trucidados.
  • Régis  08/07/2017 00:20
    Prezado Gabriel, seria possível ser um pouquinho mais específico em seu comentário? Agradecido.
  • Gabriel  08/07/2017 00:36
    Prezado Régis, não sei se você conhece, mas no facebook há uma página chamada "Por quê? Economês em bom português", a qual é compostas por economistas neoliberais. Só esclarecendo, o uso do termo neoliberal não é pejorativo, pois há de fato divergências claras entre o pensamento econômico desses economistas e o dos liberais clássicos. Pois bem, acontece que em um das muitas palestras dadas pelo Ciro Gomes Brasil, e até mundo à fora, estava presente uma economista neoliberal (a qual eu nada tenho contra a sua pessoa) e o questionou sobre os juros. Na resposta, Ciro Gomes simplesmente passou o trator por cima.
  • Antônio  08/07/2017 01:24
    Passar trator por cima de economista neoliberal? Mises fez isso já na década de 1940. Grandes merda.

    Mises contra os neoliberais - as origens desse termo e seus defensores
  • Pedro Cordeiro  08/07/2017 00:58
    Leandro, ou mais alguém que possa ajudar,

    as matérias que noticiam essa deflação falam que ela foi pontual e já era esperada para o mês. A N.E. no final do artigo alerta para o fato de que nossa moeda vem sempre perdendo valor desde 1994, o que dá a entender que não será diferente para os próximos anos. Apesar disso, no cenário atual, podemos esperar mais deflação para os próximos meses?

    O governo vem reduzindo a SELIC há algum tempo e mesmo assim não conseguiu aumentar a inflação.

    Essa deflação seria uma "acomodação" dos preços que estavam altos devido ao aumento da demanda causado pela concessão de crédito nos últimos anos?

    A meu entender, o governo vem buscando uma SELIC cada vez mais baixa, o que possibilita que os bancos ofereçam mais crédito, porém a população desempregada e endividada não está mais conseguindo pegar empréstimos. Então as ações do governo por enquanto não estão surtindo efeito e a demanda continua baixa.

    Essa linha de raciocínio estaria correta?
  • Leandro  08/07/2017 01:25
    "Apesar disso, no cenário atual, podemos esperar mais deflação para os próximos meses?"

    Improvável. Deveria ocorrer, pois houve um grande desabamento no M1 e o crédito está em contração. Mas como não há uma cultura deflacionária no país, não há muita chance de os preços continuarem caindo. Consequentemente, com esse descasamento entre preços e oferta monetária, o desemprego continuará alto.

    "O governo vem reduzindo a SELIC há algum tempo e mesmo assim não conseguiu aumentar a inflação."

    E nem haveria por quê, pois não está havendo expansão do crédito. Felizmente, o BNDES e os demais bancos estatais -- que eram os principais causadores da inflação de preços -- foram contidos.

    E, como mostra o antepenúltimo gráfico deste artigo (o dos juros reais), ainda há muito espaço para reduções na SELIC.

    "Essa deflação seria uma "acomodação" dos preços que estavam altos devido ao aumento da demanda causado pela concessão de crédito nos últimos anos?"

    Também, mas não só. Sugiro, de novo, este artigo este artigo, que é inteiramente sobre isso.

    "A meu entender, o governo vem buscando uma SELIC cada vez mais baixa, o que possibilita que os bancos ofereçam mais crédito, porém a população desempregada e endividada não está mais conseguindo pegar empréstimos. Então as ações do governo por enquanto não estão surtindo efeito e a demanda continua baixa."

    Correto. Mas não deixemos de fora da equação os bancos estatais, que finalmente foram domados (ainda que temporariamente).
  • Duty Free  08/07/2017 01:50
    O governo estava "proibindo" a redução de preços.

    Agora os especialistras e o patrulhamento já estão exigindo a redução nos juros.

    Ou seja, não vai demorar para voltar a proibição na reduzição dos preços.



  • Fábio Augusto  08/07/2017 20:29
    Leandro,

    Em uma deflação duradoura, o Governo poderia "imprimir" e circular sua moeda sem se endividar (emitindo títulos)? Isso em teoria, claro, pois hoje a lei do Brasil assim não permite.

    Pergunto isso porque o motivo desse endividamento para emissão da moeda é justamente evitar a inflação, não?

    Desde já agradeço a resposta.
  • Leandro  09/07/2017 15:06
    Governo imprimir dinheiro para financiar seus gastos diretamente é exatamente o que ele fazia até 1994. E é o que faz o governo da Venezuela hoje. As consequências de tal arranjo nunca foram outras senão a hiperinflação.

    Por mais deprimida que esteja a economia, o governo jogar dinheiro nela de helicóptero será uma atitude hiperinflacionária de qualquer jeito. Vide, novamente, a Venezuela. O país está em depressão e com hiperinflação. O próprio Brasil na primeira metade de década de 1990 também mistura depressão com hiperinflação.

    Depressão econômica, por si só, não gera redução de preços e nem impede hiperinflação. Preços, no longo prazo, sempre serão um fenômeno monetário.

    Quanto ao atual arranjo (expansão monetária via endividamento), embora também seja deletério, ele é totalmente preferível ao arranjo em que o governo joga dinheiro diretamente na economia. No primeiro, a dívida sobe. No segundo, há hiperinflação. No primeiro, a economia fica estagnada. No segundo, a economia entra em contração e o povo passa fome.

    Caso domine o inglês, há uma ótima postagem de blog sobre isso. É curta, mas bem completa.
  • Fábio Augusto  09/07/2017 22:33
    Obrigado pela indicação, Leandro.

    Restam para mim duas dúvidas:

    1- Já li que é necessário aumentar a base monetária (não sei se este é o conceito técnico correto) quando há aumento do PIB, sob pena de deflação. Isso está correto?

    2 - A emissão direta de moeda pelo governo geraria hiperinflação mesmo se limitada pelo crescimento do PIB (por exemplo: aumentando a base monetária em um por cento se este fosse o crescimento do PIB)?



  • Respondedor Conciso  10/07/2017 00:39
    1 - Se o objetivo é estritamente evitar queda nos preços, então sim. Mas apenas elevar a base monetária não adianta. É preciso expandir o M1. E este só aumenta quando há expansão no crédito (ou seja, quando pessoas e empresas voluntariamente pegam dinheiro emprestado.

    2 - De jeito nenhum.
  • Fábio Augusto  10/07/2017 14:11

    Perfeito.

    Aí que vem o ponto: então por que não emitir moeda limitada pelo crescimento do PIB?

    Esse limite deveria ser estabelecido na Constituição Federal, para evitar descumprimentos (inclusive pela LDO).

    Sei que isso poderia gerar uma pressão política para aumento de gastos e manipulação de índices, mas não seria melhor do que o sistema atual?
  • Milton  10/07/2017 15:22
    Alguns liberais clássicos defendiam que a oferta monetária subisse de acordo com o crescimento populacional, o que é bem mais sensato do que de acordo com o PIB.

    Além de o PIB ter uma mensuração falha, não faz sentido aumentar a moeda de acordo com a riqueza criada na passado, que exatamente o que mensura o PIB.
  • Fábio Augusto  10/07/2017 18:10

    Mas se o parâmetro de aumento de moeda for o PIB, o Governo poderia "imprimir" dinheiro diretamente sem gerar hiperinflação, limitado a seu crescimento. Ou não?

    Por que não fazer isso?

    Ao menos não diminuiria a necessidade endividamento do Estado?
  • Emerson Luis  09/07/2017 14:14

    Dilma, na campanha da reeleição, disse que a inflação não podia ficar "muito baixa", conforme outros candidatos propunham, pois isso aumentaria o desemprego...

    Aliás, muitos pensam que o Banco Central combate a inflação, quando na verdade ele a causa no sentido de controlar o quanto dela será gerada. Quando se diz que a meta da inflação é X, isso significa que o BC se compromete a produzir apenas X de inflação...

    A única ressalva, conforme alguns comentários e outros artigos explicam, é que existe a deflação benigna (causada pelo aumento da produtividade) e a deflação maligna (causada pela contração da oferta monetária). Já a deflação causada pela queda da demanda pode ser benigna ou maligna conforme o contexto.

    Não sei em qual das três categorias a efêmera deflação brasileira (ou redução da inflação) mais se encaixa. Agradeço se o Leandro explicar.

    * * *
  • Bruno  09/07/2017 14:49
    Ele já publicou dois artigos exclusivamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2663

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2694

    A atual deflação se deve à contração da oferta monetária e do crédito.
  • Leandro  09/07/2017 15:05
    Obrigado pelo auxílio, Bruno. É isso mesmo. Contração monetária e do crédito. Essa efêmera estabilidade nos preços foi prevista no primeiro artigo que você linkou.
  • Emerson Luis  09/07/2017 19:20

    Sim, eu vi estes artigos. Mas a minha pergunta foi mais específica.

    A redução da inflação e essa deflação momentânea NÃO foram causadas pelo aumento da produtividade e sim pela contração da oferta monetária.

    Porém, a redução da demanda (que possui um efeito similar/espelhado ao do aumento da produtividade) também contribuiu. A questão é: até que ponto?

    Podemos dizer (apenas como força de expressão, já que não dá para mensurar) que a deflação e a redução da inflação são 50% contração monetária e 50% redução da demanda?

    Ou seriam 75% contração monetária e 25% redução da demanda?

    Ou 90% contração monetária e 10% redução da demanda?

    Qual a influência da redução da demanda na deflação e diminuição da inflação? Grande, moderada ou pequena?

    * * *


  • Steve Hanke  09/07/2017 20:34
    50% contração monetária e 50% valorização da moeda (causada, em parte, pela contração monetária).

    Redução de demanda não gera redução de preço se estiver havendo expansão monetária (vide Venezuela). Ademais, a demanda vem caindo desde 2014. Por que só agora os preços caíram? E, por fim, contração monetária e do crédito geram inevitavelmente redução da demanda.

    Portanto, a resposta é crédito e oferta monetária. E tudo deriva daí.
  • Fabiano  09/07/2017 22:14
    Se o crescimento econômico, por aumentar o número de bens e serviços disponíveis na economia, causa deflação natural; então uma recessão causaria inflação, ao diminuí-los? Por que isso não acontece? E se vê alguns economistas justificando até a inflação baixa pela recessão? Agradeço.
  • Guilherme  10/07/2017 00:34
    "então uma recessão causaria inflação, ao diminuí-los?"

    Isso é possível.

    "Por que isso não acontece?"

    Porque a demanda está baixa. Pessoas estão sem emprego e sem aumento da renda. Na maioria das vezes a renda está em queda. Consequentemente, a queda na oferta é também acompanhada de uma queda na demanda.
  • Observador  11/07/2017 01:41
    Não existe deflação grátis. Iguais aos empréstimos com juros camaradas do BNDES.
  • Wallace  11/07/2017 10:25
    Palavras da economista Monica de Bolle

    Deflação não é desinflação, como tantos confundem. Desinflação é queda
    da inflação. Deflação é queda generalizada
    dos preços, forte sinal de desajuste
    econômico e de erro na condução da política monetária. Desinflação pode ser comemorada. Deflação jamais.
  • Grommit  11/07/2017 12:26
    O que apenas mostra como essa dona não tem nenhum arcabouço teórico e nenhuma constância. Ela simplesmente sai criando teorias ad hoc.

    Até o início do ano, ela vociferava que o Brasil estava sob "dominância fiscal", dizendo que o país jamais teria inflação de preços baixa enquanto o governo apresentasse déficit fiscal. Segundo ela, a política monetária havia perdido toda a eficácia, pois havia sido sobrepujada pelos déficits do governo federal, os quais eram os geradores da inflação de preços (daí a "dominância fiscal").

    De lá pra cá, os déficits do governo federal só fizeram aumentar e bater recordes. E, no entanto, a economia apresentou deflação de preços. E aí a de Bolle foi inteiramente refutada.

    Não é à toa que a dona nunca mais voltou a falar de "dominância fiscal". E deve estar implorando para todo mundo esquecer a manota dela. O Leandro já se encarregou de destruir essa senhora neste artigo (recorrendo até a Paulo Francis para aumentar o torpedo).

    Quanto a deflação indicar desajuste econômico, não sabia que a economia suíça estava desajustada. Muito menos sabia eu que a economia americana passou 40 anos desajustada ("coincidentemente" no mesmo período que ela mais cresceu).

    O que tem de ignaro na academia... No fundo, todos pertencem à mesma escola: o inflacionismo.
  • Rafael  11/07/2017 13:16
    Não foi a De Bolle que havia dito que nunca mais teríamos inflação baixa -- e muito menos deflação -- enquanto o governo federal apresentasse déficits?

    No foi a De Bolle que disse que, qualquer que fosse a política monetária, esta não teria mais efeito nenhum enquanto o governo estivesse com déficit?

    Não foi ela que disse que a política monetária havia perdido toda a eficácia por causa dos déficits fiscais?

    E agora ela vem dizer que a deflação foi causada por um erro na política monetária -- a mesma que ela jurava ter perdido toda a eficácia por causa dos déficits (os quais só aumentaram de lá pra cá)?

    Isso só pode ser piada. Mas não é tão sem graça quanto a outra que diz que queda nos preços significa economia desajustada.
  • Marlon Vieira  12/07/2017 00:54
    Excelente texto, linguagem muito simples. Os argumentos contrários foram muito bem apresentados e contraposição.
  • Chaves  22/07/2017 05:40
    O engraçado são os ECONOMISTAS BRASILEIROS ficarem "preocupados com isso. Dá impressão que eles não vivem no mesmo país que nós.
  • Alexandre Nascentes Schmitt  09/11/2017 19:25
    O que ocorreria com bens de mercado com preços proximos a 0? Desapareceriam do mercado?
  • Júlio   09/11/2017 19:48
    Tipo, como já acontece com clipes de papel, bolinhas de gude e serviços de xerox? Nenhum deles sumiu.

    Aliás, a deflação deles foi ainda mais intensa, pois ocorreu em um arranjo de aumento generalizado de preços.

    Os preços de todos os bens e serviços aumentaram (graças à estrondosa inflação monetária), menos destes três bens. Como eles se mantêm no mercado?


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.