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Economia brasileira, presidenciáveis, justiça do trabalho, mercado financeiro, ensino jurídico
Heterodoxias, planos econômicos, democracia, reservas fracionárias - veja todas as nossas palestras

Com quase 900 pessoas na platéia do auditório da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a V Conferência de Escola Austríaca, realizada pelo Instituto Mises Brasil nos dias 12 e 13 de maio, foi a mais exitosa de nossos 10 anos.

E foi também a que apresentou a maior variedade de assuntos. Ao todo, foram 17 palestras.

Tendências da economia brasileira. Os presidenciáveis de 2018. Como o governo brasileiro transformou uma recessão em depressão. Democracia versus liberdade (há compatibilidade?). O futuro do mercado financeiro. Heterodoxos, ortodoxos e austríacos (os dois primeiros brigam entre si enquanto os últimos ensinam). O Reino Unido pós-Brexit. A doutrinação esquerdista e o intervencionismo no ensino jurídico. Os cinco planos econômicos que tentaram salvar (e afundaram) o Brasil. Por que a Justiça do Trabalho tem de acabar. O homem que acelerou o fim da União Soviética. Patentes. Propriedade Intelectual. Reservas fracionárias não são fraude (pois é...). O que impulsiona a esquerda moderna.

E muito mais.

Deixe o Netflix de lado (a quinta temporada de House of Cards é enfadonha), pegue a pipoca e confira os vídeos.

 

Cenário Brasil e os mercados financeiros aqui e no mundo

Com Helio Beltrão (presidente do IMB), Dalton Gardimam (economista-chefe do Bradesco BBI) e Florian Bartunek (sócio-fundador e CIO da Constellation). Painel aprofundado e técnico sobre o mercado financeiro no Brasil e no mundo, suas perspectivas e suas grandes incógnitas. Há como os EUA subirem os juros? E a Europa? Por que o Japão não faz isso desde 2001? O Brasil está indo para o mesmo caminho?

 

 

A democracia é inimiga da liberdade?

Bruno Garschagen, autor do best-seller "Pare de Acreditar no Governo - Por que os Brasileiros não Confiam nos Políticos e Amam o Estado" (Editora Record), comenta todos os detalhes de cada regime de governo, mostra por que a democracia tende a ser o pior e explica por que deve ela deve ser repensada e até mesmo abolida.

 

 

Economia brasileira: como chegamos aqui? — ou: Como o governo transformou uma recessão em uma depressão

Leandro Roque, economista, editor e tradutor do site do Instituto Mises Brasil, explica em detalhes como o governo, ao tentar corrigir lambanças feitas por ele próprio, acabou agravando a situação econômica. A palestra explica por que tivemos dois anos de depressão, por que a inflação de preços disparou e em seguida desabou, por que o desemprego foi para 14%, e por que os governos estaduais estão quebrados.

 

 

A cultura do intervencionismo no ensino jurídico no Brasil: o problema do dirigismo contratual

André Ramos, especialista, mestre e doutor em Direito, professor de Direito Empresarial e Econômico do Centro Universitário IESB e autor de diversos livros jurídicos, mostra como o ensino jurídico no Brasil é viciado e eivado de apologias ao intervencionismo e à onisciência de burocratas e reguladores. No Brasil, não há o direito de firmar contratos livremente. E isso emperra toda a nossa economia, afetando o empreendedorismo, a livre iniciativa e a criação de riqueza. Palestra obrigatória para todos os estudantes de direito.

 

 

Os cinco planos econômicos que tentaram salvar (e afundaram) o Brasil

Ubiratan Jorge Iorio, economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado da UERJ, mostra nesta palestra bem-humorada (e ao mesmo tempo trágica) como a população brasileira serviu de cobaia para economistas heterodoxos e seus experimentos cada um mais maluco que o outro. E mostra como o governo conseguiu destruir nada menos que 7 moedas no Brasil em 5 décadas.

 

 

Reservas fracionárias não são crime

Fernando Ulrich, mestre em Economia da Escola Austríaca sob a orientação de Jesús Huerta de Soto, atuante nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros, e o maior especialista em Bitcoin do país, não limita a polêmica apenas ao título. Ele realmente adentra a fundo na questão das reservas fracionárias, cita nomes, faz críticas fortes (inclusive ao seu mentor de Soto) e apresenta uma ambiciosa abordagem deste que é um dos temas mais polêmicos nos círculos libertários. Segundo Ulrich, reservas fracionárias não são fraude, não causam inflação de preços e não geram ciclos econômicos. E quem diz o contrário está errado.

 

 

O fim da justiça do trabalho?

Rodrigo Saraiva Marinho, advogado, professor e mestre em Direito Constitucional pela UNIFOR, relata várias bizarrices cotidianas que já vivenciou em decorrência da Justiça do Trabalho (como um indivíduo que pediu indenização de R$ 250 mil após seu primeiro dia de trabalho na empresa), explica como ela onera exatamente o empreendedor mais pobre e mostra — com números espantosos — por que ela tem de ser abolida. Marinho também apresenta várias brechas da Constituição que permitem que todas as suas partes ruins possam ser legalmente revogadas.

 

 

O governo Temer, as reformas, as eleições de 2018 e os rumos da economia brasileira

Leandro Roque, Fernando Ulrich, Paulo Scarano (economista e doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP) fazem um painel no qual respondem a perguntas sobre as reformas do governo Temer (a principal e mais importante já foi aprovada, segundo Leandro), os presidenciáveis de 2018 (Lula, Ciro Gomes, Bolsonaro, Doria, Marina Silva), secessão, lei do teto de gastos, reforma da previdência, setores que puxarão a retomada da economia brasileira (é possível prever?), e tucanos que afinam perante dificuldades.

 

 

Austríacos no fogo cruzado entre heterodoxos e ortodoxos

Fabio Barbieri, mestre e doutor pela USP, e professor na FEA de Ribeirão Preto, faz uma palestra bem-humorada e, ao mesmo tempo, extremamente provocativa, na qual critica, cita nomes e aponta erros de ortodoxos e heterodoxos brasileiros, ilustrando seus erros metodológicos, seus dogmas e seus fanatismos. Embora o diálogo com os ortodoxos seja mais racional, austríacos não se sentem à vontade com nenhuma das duas correntes.

 

 

Da Europa para o Brasil: lições de liberdade

O italiano Adriano Gianturco (professor do IBMEC-MG), o alemão Antony Mueller (professor na Universidade Federal de Sergipe) e o português José Manuel Moreira (professor da Universidade de Aveiro) trazem detalhes políticos de seus respectivos países e mostram o que podemos copiar e o que devemos sumariamente rejeitar. Especial atenção para a verdadeira zorra que é o parlamentarismo italiano.

 

 

Paternalismo libertário — problemas de uma trilha bem escorregadia

Roberta Muramatsu, mestre em economia pela USP, Ph.D pela Universidade Erasmus (Roterdã) e professora adjunta na Mackenzie e em regime parcial no Insper, aborda de uma maneira original um tema recorrente entre os libertários: o paternalismo do estado e suas aparentemente inofensivas intervenções que, embora de início sejam aceitas por alguns libertários como um mal menor, acabam se expandindo até virar uma metástase irreversível. Doação de órgãos, sistema de saúde e aposentadoria são abordados.

 

 

Lições da história que não aprendemos

Yuri Maltsev, pesquisador do Mises Institute americano, trabalhou na equipe da reforma econômica de Mikhail Gorbachev antes de desertar para os Estados Unidos em 1989. Suas experiências práticas com o comunismo e com a social-democracia, bem como os efeitos nefastos de ambos, fornecem lições valiosas. (Palestra em inglês)

 

 

Brexit: o que poderia significar e o que realmente significa

Andy Duncan, especialista em finanças, conta tudo o que a imprensa esconde sobre o Brexit. (Palestra em inglês)

 

 

Legislação estatal versus lei e liberdade

Stephan Kinsella, advogado especialista na área de patentes e autor prolífico sobre leis de propriedade intelectual, direito internacional e outros tópicos jurídicos, explica como são falhas e injustas as leis criadas pelo estado e mostra como seriam as leis e o direito em um ambiente sem estado. (Palestra em inglês)

 

 

Os novos Bárbaros — o que dirige a esquerda moderna?

Andy Duncan está de volta, e agora para explicar a confusa mentalidade da esquerda progressista e defensora da ditadura do politicamente correto. Todas as tendências progressistas e vitimistas (como "apropriação cultural" e o "direito" de não ouvir coisas ofensivas) sempre surgem na Europa e nos EUA, sendo em seguida copiadas, embora com algum atraso, pelos nossos progressistas. É de extrema importância entender como funciona a mentalidade dessa gente para saber como contra-atacar. (Palestra em inglês)

 

 

O imperialismo da propriedade intelectual versus inovação e liberdade

Stephan Kinsella volta para abordar mais um tema polêmico que divide libertários: patentes, direitos autorais e todos os demais tipos de propriedade intelectual em geral. Para Kinsella, tais medidas são monopólios protegidos pelo estado, atrasam o progresso e servem apenas para garantir reservas de mercado. Copiar não é roubar e idéias não são bens escassos e, consequentemente, podem ser monopólios protegidos pelo estado. (Palestra em inglês)

 

 

Perestroika e como eu destruí a União Soviética

Yuri Maltsev, nesta palestra de encerramento, relata como ele, atuando dentro do regime (na equipe da reforma econômica de Mikhail Gorbachev), ajudou a acelerar a derrocada do império comunista, libertando o povo da opressão e trazendo uma maior estabilidade para o mundo. (Palestra em inglês)

16 votos

autor

Equipe IMB

  • Anti-Estado  22/06/2017 13:08
    "Capitalistas do mal" fornecendo informações gratuitamente. Que absurdo!

    Brincadeiras a parte, parabéns pelo ótimo conteúdo! E viva a liberdade!
  • PESCADOR  22/06/2017 14:50
    Eu estava presente e vi todas essas palestras ao vivo. Mas verei todas aqui mais uma vez. Agradeço imensamente ao IMB por filmar e disponibilizar essas verdadeiras preciosidades aqui. Obrigado!
  • Marina  22/06/2017 14:54
    Olá,

    Essas duas palestras estão com o link errado:

    Os novos Bárbaros — o que dirige a esquerda moderna?

    Legislação estatal versus lei e liberdade
  • Editor  22/06/2017 17:50
    Já corrigidos. Obrigado pelo aviso!
  • Mídia Insana  22/06/2017 15:23
    Queria estar presente um dia.

    Parabéns pela apresentação, pessoal.
  • Medrado  22/06/2017 16:38
    Que bom terem disponibilizado as palestras. Parabéns aos organizadores!
  • Economista Heterodoxo  22/06/2017 17:56
    Parabéns ao IMB, muito boa a conferência. Só pecaram em não chamar um Heterodoxo de peso para estimular o debate. Acho que seria interessante chamar, por exemplo, Prof Belluzzo e Profa Conceição Tavares para esclarecer algumas coisas sobre os planos Heterodoxos.
  • Frederico Paiva  22/06/2017 17:57
    Já vi 5 vídeos. Impressionado com o alto nível. Muito obrigado!
  • Michel  22/06/2017 18:46
    "Facistas"!! Querem um Brasil melhor, sem corrupção e sem a ditadura do PT, isso é um absurdo. kkkk
  • tales  22/06/2017 18:54
    Parabéns a toda a equipe pela realização e muito obrigado ao Instituto por compartilhar todo esse conteúdo.
    Aliás, fico feliz e orgulhoso que a universidade na qual me formei há quase 10 anos cedeu espaço para um evento desse tamanho para falar sobre liberdade e economia pela ótica da escola austríaca.
    É de fato impressionante o avanço das ideias reverberadas por este Instituto ao longo dos últimos anos. Enquanto universitário, começando a ter contato com ideias da economia austriaca, jamais passou pela minha cabeça que um dia um evento desse tamanho pudesse ser realizado nessa universidade.
  • Fernando S. Lempê  22/06/2017 19:28
    Excelentes palestras!

    Eu acho que a nossa arma hoje é a infomação. Adultos normalmente procuram conhecimento por si só porém adolescentes e jovens não. Como sugestão, o instituto poderia utilizar os famosos "memes" com questionamentos humorados sobre os problemas e as aternativas liberais assim como é feito por outros divulgadores liberais como: MBL, Spotniks, Marxismo Cultural da Depressão, Canal Mamae Falei.

    No mais, obrigado por mais este conteúdo de qualidade e gratuito.
  • Fernando  22/06/2017 21:37
    Sensacional. Recomendo as palestras do Leandro, do André, do Barbieri, do Ubiratan. Vou parar por aqui senão vou digitar todas.
  • Maurício P.  22/06/2017 23:57
    Social-Democracia "Doriana" ou conservadorismo "Bolsonariano"... isso ou Lula e a ditadura comunista.
  • Glauber  22/06/2017 23:58
    Situação atual da direita:
    - Um candidato conservador sem partido.
    - Um partido liberal sem candidato.
  • Bill  23/06/2017 01:12
    Luz no palco fraca, o Leandro ficou parecendo o Bashar al Assad.
  • Leandro  23/06/2017 15:00
    Pô, essa foi sanguinária...
  • Deltan  23/06/2017 01:35
    Parabéns a todos do Instituto pelo sucesso e pela proporção que alcançou o evento! E tenho certeza que não apenas eu, todos aqui acabam também se sentindo muito engrandecidos por isso. (Se não se importam com este tipo de comensalismo)

    Seria interessante se vocês procurassem uma plataforma, como o SlideShare ou o SlidePlayer, para também publicar as apresentações. Se eu não me engano, no sábado o Hélio Beltrão falou que iria disponibilizá-las para download. #TenhoConvicçãoMasNãoTenhoProva


    P.S.: Ou talvez, ele estivesse falando das próprias palestras, e eu é que me confundi. Dentro da normalidade, já que eu vivo fantasiando essas coisas. Em cada palestra que assisto.
  • Hall  23/06/2017 02:20
    Não querendo estragar a festa, mas olhem essa matéria aqui e dê uma boa olhada nos comentários, é de se surpreender: Chefe das Forças Armadas condena entreguismo de Temer

    Não sei se eu rio ou choro.
  • Beto Guedes  23/06/2017 02:59
    Ainda temos viúvas de militares. Sanha intervencionista forte. Parece que no Brasil isso não muda. Vide o candidato da "direita".
  • anônimo  23/06/2017 11:32
    A última esperança pro Brasil ter sido um país sério foi durante a Ditadura. Todas as reformas liberais no Estado seriam muito mais fáceis de acontecerem porque nessa época não existia a Internet, nem Democracia e o poder estava todo na mão deles.

    Mas como os milicos brasileiros foram astronomicamente burros em seguir à risca o nacional-desenvolvimentismo de Vargas (que levou o Brasil à segunda maior crise brasileira da história na década de 50) só podemos lamentar de não sermos igual ao Chile. Os imbecis entregaram a faca e o queijo na mão dos socialistas.

    Quem é viúva de militar brasileiro com aposentadoria gorda merece levar tapa na cara.
  • Felipe Lange S. B. S.  26/06/2017 09:55
    Isso é verdade. Nessa parte o Pinochet foi implacável. Agora para passar essas reformas... isso se elas forem propostas, porque a constituição e os parasitas da esquerda (pode ter da direita também, dependendo do caso) que integram câmara, senado e congresso atrapalham tudo.
  • Diego  25/06/2017 22:35
    Não sei qual a surpresa. Milico brasileiro também fez a escolinha como qualquer outro esquerdista do DCE.

    Aliás, Ciro Gomes e os Petistas devem sentir inveja do que os militares fizeram com o Brasil na década de 70 e 80.
  • Eterno Defensor da Liberdade  23/06/2017 12:27
    Parabéns ! O instituto está ficando "parrudo".

    O IMB precisa sair um pouco da internet e fazer mais palestras, cursos, consultorias, entrevistas, etc. Isso vai fazer a liberdade aumentar exponencialmente.


    O nosso maior problema era que a informação não chegava até as pessoas. Estávamos vivendo numa bolha socialista.


    A democracia no Brasil virou uma briga entre bolcheviques e mencheviques.

    Foi uma completa doutrinação socialista sem armas, comparado aos regimes cubano, norte coreano e russo. Nenhum estado democrático foi tão dominado na imprensa, instituições e aparelhado dentro do estado.


    Acho que a bolha já foi estourada, mas sempre haverá pelegos e militontos querendo restaurar o regime antigo.
  • Luiz Moran  23/06/2017 14:46
    Estado Brasileiro - definição:
    "Abstrato mastodontico que abriga burocratas parasitas, lotados em instituições inúteis e ineficientes que sugam o dinheiro do setor produtivo, criando um ciclo vicioso de destruição de riquezas, destruição de vidas e supressão das liberdades através do confisco das propriedades e das dignidades humanas".
  • Dam Herzog  01/07/2017 02:36
    Adorei a definição.
  • O sensacionalista  23/06/2017 15:03
    OFF

    Ouvi isso esses dias: "o Brasil não cresce porque sua economia não é inclusiva!"

    Faz sentido?
  • O realista  23/06/2017 15:44
    Depende do significado de 'inclusiva'.

    Se 'inclusiva' se refere a incluir todas as pessoas na economia produtiva, então essa sua frase está corretíssima. No Brasil, o estado exclui do sistema produtivo todas as pessoas que não conseguem cumprir com todas as suas burocracias, impostos, regulamentações, e encargos sociais e trabalhistas, empurrando estas pessoas para o mercado informal, que opera sem qualquer segurança jurídica.

    No Brasil, quase 50% da população opera no mercado informal, exatamente porque o estado impõe tantas regulamentações, impostos, burocracias e encargos, que acaba sendo impossível para as pessoas pobres trabalharem e produzirem legalmente.

    Por isso, se reduzíssemos o estado ao mínimo, todas as pessoas poderiam trabalhar e produzir legalmente. Aí sim haveria uma grande inclusão.

    Para haver economia inclusiva, o estado tem de ser abolido. Ou reduzido ao máximo até se tornar ínfimo.

    Artigo inteiro sobre isso:

    A informalidade é o único refúgio de quem quer sobreviver em uma economia asfixiada pelo estado
  • Nilo Cunha  25/06/2017 03:52
    O tema do Fernando Ulrich sem dúvida é o mais importante e que merece atenção e estudo aprofundado.

    Altera toda a teoria monetária austríaca.

    Fica aí uma dica para os estudantes de economia.
  • Dja  25/06/2017 18:59
    Não que altera. Dizer não ser crime não significa que reservas fracionárias são boas. Seus efeitos nocivos são uma consequência amplificada de uma emissão monopolista de moeda.
  • Gabriel  25/06/2017 23:29
    O Ulrich não se limitou a dizer que não são fraude. Ele disse, ainda, mais duas coisas: que não são inflacionárias e que não causam os ciclos econômicos.
  • Henrique Hinz  25/06/2017 05:36
    Prezados, muito importante a iniciativa de realizar eventos onde os ideais liberais sejam apresentados, difundidos e defendidos. Assisti aos vídeos e fiquei realmente impressionado, lembrando-me, por diversas vezes, das lições de Mises, Hayek e demais.
    Mas apresento aqui minhas sinceras reservas quanto à apresentação realizada por Rodrigo Saraiva Marinho, em que tratou do fim da "justiça do trabalho" (nem as iniciais maiúsculas se preocupou em usar).
    Sou juiz do trabalho desde 1999, e não vi, nas palavras desse apresentador, qualquer fato que diga respeito ao meu dia a dia de trabalho, e a de muitos colegas meus.
    Sei - é claro - que decisões absurdas e surreais são muitas vezes tomadas, não poderia negar, e sou totalmente contra elas! Mas daí generalizar, como ocorreu na apresentação - a própria forma da apresentação do professor leva à caricaturização da instituição - e se propor o fim da justiça laboral vai uma distância muito grande.
    Há abusos ocorrendo na atuação da Justiça do trabalho? Sim, muitos e muitos. Mas não podemos jogar a criança fora junto com a água suja.
    E se, ao invés de se propor a extinção da mesma, esse Instituto procedesse a debates (e não apresentação de palestras individuais) acerca do papel a ser por ela exercido, apresentando críticas à sua atuação e as melhorias por que deveria ela passar, inclusive convidando representantes da mesma que tenham essa (ao meu ver surreal) "visão social"? E se o Instituto Mises procedesse a publicações nas revistas dos 24 tribunais trabalhistas brasileiros, mostrando os inconvenientes que muitas posturas adotadas por juízes acarretam à economia?
    A Justiça do Trabalho é um órgão do Judiciário. Em minhas atividades diárias sou um juiz, não sou advogado de quem quer que seja (empregado ou empregador), nem legislador para criar direitos para uns e obrigações para outros: a mim cabe aplicar a lei ao conflito de interesses que me é apresentado. Justamente por ter essa postura creio ser bem reconhecido por aqueles que se submeteram ao meu entendimento - sejam empregados, sejam empregadores. Discordo totalmente do chamado "ativismo judiciário", por entender que isso invade competência constitucionalmente atribuída ao Legislativo.
    Em suma, proponho aqui a realização de debates sobre esse tema, sobretudo porque é sempre interessante "ouvir a outra parte", seja para dela discordar ou concordar. Isso, a meu ver, não prejudicaria as teses defendidas por esse Instituto, mas poderia, em verdade, começar a provocar uma reflexão mais crítica a juízes, desembargadores e ministros trabalhistas, muitos dos quais, infelizmente, e em face de uma visão totalmente errada do que sejam as relações trabalhistas no século XXI, ainda acham que o empregado deve ser sempre "protegido" contra o empregador, seu algoz (mas sem o qual o empregado não teria emprego...)

    Parabéns, novamente, pela iniciativa.
  • Minarquista  27/06/2017 20:19
    Meritíssimo Henrique Hinz:

    1) Introdução:
    Primeiramente, parabéns por comentar no site Mises. A maioria de seus colegas, com certeza, não teria a mesma coragem de Vossa Excelência.
    A sua proposta de estimular o debate representa um grande avanço em relação ao status quo, ao zeitgeist que vivemos.
    A pergunta "a justiça do trabalho deve existir?" está em evidência, não só na mencionada conferência, a qual tive o prazer de assistir pessoalmente, como também em colocação recente do presidente da Câmara, Sr. Rodrigo Maia. Desse evento em diante, vejo essa pergunta ser repetida em diversas ocasiões. Só o fato de termos um Juiz do trabalho do TRT15 de Campinas comentando seriamente a questão, e aberto a ouvir posições diversas, já demonstra a aceitação de uma pergunta, que, um ano atrás, seria automaticamente desqualificada e ridicularizada em todo e qualquer meio jurídico brasileiro, e até mesmo em mesas de botequim.
    Acontece que esta questão para os libertários não é nova. Está amplamente evoluída, debatida, aperfeiçoada - enfim: é matéria bastante consolidada no pensamento libertário. Como não sei se Vossa Excelência já as leu, gostaria de lhe sugerir a leitura de algumas matérias do site:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2586
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2492

    2) A Lei - Aspectos Utilitários
    Fica evidente que Vossa Excelência tem razão num ponto: o juiz de direito tem por função interpretar e aplicar da lei, não sendo culpado por ela. Se a lei é injusta (vide livro "A Lei", de Bastiat), o produto do tribunal tem que ser a injustiça.
    Adicionalmente, há casos relatados em que os juízes do trabalho, travestidos de paladinos da justiça, descumprem a própria lei - ou a torcem - para se arvorar em defensores dos fracos e oprimidos, em vez de cumprirem o seu papel de entender quem tem razão. Não sei dizer em quantos porcento dos casos isso acontece, mas relatos há muitos.
    Independente deste fato, e a lei em si? Que tal a lei trabalhista? A CLT, imposta nos tempos de Vargas - um presidente de ideologia fascista, apoiador inicialmente de Hitler e Mussolini - foi fortemente inspirada na "Carta di Lavoro", do Mussolini. Como não poderia deixar de ser, a CLT está fatalmente contaminada por conceitos fascistas. Daí sucede termos um arcabouço legal baseado em premissas totalmente inválidas: o empregador, de empreendedor, de gerador de riqueza, de peça fundamental para o aumento de riqueza de toda a sociedade, se transforma num tirano explorador dos pobres. As relações de trabalho são então totalmente reguladas e vigiadas pelo estado, com o intuito de proteger os empregados dos patrões, que são todos imorais.
    A conseqüência dessa visão absurda é um sistema perverso, onde o empreendedor emprega muito menos, e a valores muito mais baixos - afinal, precisa pagar um monte de encargos e fazer reservas para eventuais processos. Tudo isso prejudica primeiramente o empregado!
    Essa visão errada de conflito eterno entre patrões e empregados - em vez da visão de colaboração - leva a criação de regras totalmente rígidas, e de sistemas de vigilância estatal caríssimos, incluindo o caged e a justiça do trabalho. E de onde sai esse custo? Está no cálculo da viabilidade financeira do empreendimento, impedindo muitos investimentos, e reduzindo ainda mais os salários em todos os outros.
    E aí, todos têm que pagar os sindicatos, para proteger o empregado do patrão tirano. Tome mais custo nas costas do empregador. Tome menos empreendimentos viáveis. Tome menos empregos. Tome menores salários para os empregados.
    É óbvio que do ponto de vista utilitário, a CLT representa o que há de pior para os empregados.
    A CLT transforma relações de colaboração e consenso num jogo de conflito eterno. Essa lei completamente irracional, cria artificialmente um oceano de conflitos nas relações de trabalho. Acabamos com tantos conflitos, que precisamos de uma justiça específica para tratá-los. Sob essa ótica, a Justiça do Trabalho é a solução correta para o problema errado.
    E qual seria a solução correta? A base de conceitos da CLT está tão errada, que é impossível reformá-la aos poucos: ficaríamos com um arcabouço legal inconsistente. Não há dúvida: A CLT tem que ser extinta. Assim que isso for feito, a quantidade de conflitos diminui substancialmente, e não precisaremos de uma justiça específica para resolvê-los.

    3) A Lei - Aspectos Morais
    E do ponto de vista moral? A maioria tem o direito de nos impor a CLT? NÃO! É só lembrar da base: voltemos ao jusnaturalismo. O meu corpo é meu, e faço com ele o que eu quiser, desde que meu ato não cause danos a terceiros. Isso vale também para grupos de pessoas: duas pessoas podem fazer o que quiserem em conjunto desde que seu ato não represente dano a terceiros. Obviamente, isso inclui relações de troca entre elas, e inclui portanto troca de trabalho por dinheiro. Então, a princípio, a lógica nos diz que relações de trabalho são decisões individuais, não sujeitas aos humores e desejos do estado nem da maioria. Não há então justificativa moral para se regular relações de trabalho. A tentativa de fazê-lo não passa de um ato de violência - violação do meu direito natural à minha liberdade de ação.

    4) Críticas à Liberdade nas Relações de Trabalho - e por que são falsas!
    a. Num sistema de trabalho totalmente livre, não corremos o risco de termos trabalho escravo?
    Claro que sim! Mas menos risco do que temos hoje com a CLT.
    Com ou sem CLT e Justiça do Trabalho, sempre haverá seres humanos imorais, que usarão a violência e fraude para obter vantagem.
    Essas pessoas podem apontar armas para os empregados em fazendas, impedindo-as de irem embora. Podem também levar pessoas para lugares ermos com muitas promessas, mas, chegando lá, essas pessoas percebem que têm que pagar por alojamento e comida mais do que ganham, e que estão devendo as viagem de ida. Isso é claramente fraude. Violência e fraude têm que ser punidas - sempre!
    Mas com menos intervenção estatal, as pessoas terão muito mais opções de trabalho, mais dinheiro, mais discernimento. Mais dificilmente cairão em arapucas de escravidão.
    E os casos de trabalho escravo são tão poucos perto do total, que por si só não justificam a existência da Justiça do Trabalho.

    b. Sem regras e salários mínimos, os patrões não vão explorar os empregados?
    Não. Quanto mais livre o mercado de trabalho, menores os custos do trabalho, mais empreendimentos se tornam viáveis, mais empregos há, e, consequentemente, mais ganham os empregados. E isto não é achismo. É apenas o entendimento das leis da ciência econômica. Há inúmeros artigos no Mises a este respeito.
    E é só olhar para a intervenção do estado nas relações de trabalho, e para o nível de vida das pessoas nos diversos países. Sugiro o Heritage Index como ponto de partida. Quanto mais intervenção estatal, pior as pessoas vivem.

    Grande [] Meritíssimo!

  • anônimo  25/06/2017 14:38
    Se o governo não consegue ensinar ba be bi bo bu e da de di do du para as crianças, como eles querem administrar a vida de milhares de pessoas ?
  • Mikael  25/06/2017 16:12
  • Pobre Paulista  25/06/2017 17:39
    "gabarito"
  • Mikael  25/06/2017 19:53
    Pobre Paulista

    Eu até gosto dos conteúdos que não envolvem economia diretamente, mas quando eles passam a falar sobre isso é uma ignorância profunda. Na matéria "Você está por dentro da PEC241?", existe um gráfico que mostra o gasto do governo em 2014, se você somar todos eles dão 100% do orçamento, sendo que o maior gasto do governo no gráfico é o juros e amortização da dívida que dá uma porcentagem de 45,1% do orçamento do governo, isso deixa a entender que o governo se financia apenas com os impostos, eu acho que esse pessoal nunca ouviu falar em superávit primário, déficit primário e superávit nominal não. O governo desde 2014 está tendo déficit primário, nem a economia para pagar os juros o governo está conseguindo, consequência disso é a emissão de títulos para pagar a dívida, ou seja, fazendo dívida para pagar outra dívida. E o pior é ainda colocar um vídeo do Ciro Gomes que eu mesmo não cheguei a ver, já sei exatamente o que ele irá dizer, "rentismo", "especulação internacional" e blá blá blá.
    Tem horas que dá vontade mesmo de bater peito e defender o calote da dívida, assim o governo não teria mais credibilidade para pegar empréstimos com os bancos, a falência do governo é iminente nesse cenário, assim conseguiríamos restringir sua maximização.
    E ainda tem as demais matérias que são ainda mais "impressionantes".

    Em pouco tempo que eu passo lendo matérias naquele blog, percebe-se que a maioria deles são nacionalistas, é claro que existem alguns esquerdistas ali, mas acredito que são uma minoria. O regime preferido deles é o "administrado" pelo Sr. Czar(Putin), a Rússia para eles é o paraíso anti-nom, onde o nacionalismo impera o cenário sócio-econômico do país, com isso o povo ficar a mercê da plutocracia nacional em detrimento do desenvolvimento que poderiam ter se a economia fosse mais live. É só ver o desenvolvimento da Rússia comparando com outros da região, tudo é ultrapassado desde geladeiras até carros, mas o nacionalismo é mais importante do que o desenvolvimento devem dizer eles. Não é de se espantar que os oligarcas que ganhem dinheiro na Rússia enviem seus dólares para a Suíça, Londres e Panamá e depois ainda querem pregar que o monopólio só acontece no livre mercado.
    Falando mais sobre o livre mercado, deve ter inúmeras matérias falando sobre o controle financeiro mundial, mas não devem falar que os bancos eram resgatados pelo governo americano ao invés de deixarem falir como deveria ser em um livre mercado, e ainda eles têm a coragem de baterem peito e afirmarem que o controle financeiro mundial só se dá através do livre mercado. Pode isso Arnaldo? O lucro é certo e o risco é nulo em um cenário desse, isso me lembra do filme "A grande aposta", no final o Mark Baum(Steve Carrel) diz que os bancos sabiam que seriam socorridos pelo governo americano em um cenário de crise financeira e isso acabou se concretizando. Como isso pode-se chamar de livre mercado? Ou é burrice econômica ou é desonestidade intelectual.
  • Muralha  25/06/2017 18:32
    Aqui no Brasil, a maioria dos conspiracionistas sempre tiveram a mentalidade típica de Vargas e Brizola de ser contra o "Entreguismo".

    Era pura questão de tempo para caírem de vez no Socialismo.
  • Dja  25/06/2017 19:02
    Sei lá, acho às vezes que a esquerda se passa por conservadores pra dividir. Não é possível. Fica a dúvida porque militares, que se dizem conversadores, realmente são intervencionistas, não muito de diferentes de PT e cia em matéria econômica.
  • Pedro  25/06/2017 19:58
    Prezado Fernando Ulrich,

    Sua palestra foi muito instigante. E sobre ela que desejo expor o que segue:

    Pelo que compreendi, você acredita que o descasamento entre os vencimentos dos ativos e passivos do bancos são a causa dos ciclos econômicos e não as reservas fracionárias - como acreditam os austríacos Mises e Rothbard, por exemplo.

    Assim, de nada adiantaria, segundo seu raciocínio, "impor" 100% de reservas bancárias, pois não evitaria a iliquidez do sistema - iliquidez no sentido que você expôs na palestra.

    Continuando, novamente pelo que compreendi, somente - ou principalmente - a abolição do banco central e da moeda de curso forçada diminuiria o descasamento dos ativos bancários, pois os banqueiros seriam muito mais prudentes sem a certeza do prestamista de última instância - o banco central.

    Dito isso, não consegui entender a relação direta do descasamento dos ativos bancários com a ocorrência dos ciclos econômicos. Não seria esse descasamento uma consequência das reservas fracionárias ao invés de ser a causa dos ciclos econômicos? A iliquidez do descasamento dos ativos e passivos não seria também uma consequência das reservas fracionárias?

    Ligar o descasamento dos ativos e passivos dos bancos à ocorrência dos ciclos econômicos retira o excesso de moeda criada pelas reservas fracionárias do núcleo central da teoria. Como entender então os investimentos errôneos feitos pelos empreendedores, pois a teoria diz que o aumento artificial da oferta monetária - através das reservas - causa um aumento artificial da renda e, consequentemente, um aumento artificial do consumo.

    Desta forma, como o descasamento em questão causaria os ciclos econômicos?

    Obrigado antecipadamente.
  • Ex-aluno do Mackenzie  26/06/2017 02:18
    Toda essa discussão não serve para nada, enquanto o governo não for boicotado.

    Nada adianta a população ser honesta, se os juízes são corruptos.

    Não é falta de ética ignorar o estado. Se o governo engana, mente, rouba e confisca sem a mínima satisfação, ignorar o governo é motivo de sobrevivência.

    A questão é simples. Os fiscalizadores do governo tem medo, são corruptos ou estão sossegados com a estabilidade no emprego.

    Todos os tribunais de contas do governo não tem poder para punir. Os tribunais de contas são todos indicados por políticos.

    O estado é composto por juízes que não julgam, médicos que não curam, professores que não ensinam, policiais que não prendem, etc.

    Enfim, somos livres...
  • Skeptic  27/06/2017 02:14
    Não vi nenhuma dessa leva ainda, mas todas as palestras que vi do André Ramos são perfeitas. Ele não deixa sobrar um argumento contrário, ele mata todos.
  • MB  28/06/2017 00:15
    Muito boa a V conferência austríaca de economia,mas a minha indagação é sobre o que Fernando Ulrich explanou...

    De acordo com o mesmo,as reservas fracionárias não provocam crises,mas sim o descasamento entre ativo e passivo.

    O FED ao praticar uma política heterodoxa ao remunerar reservas em excesso(Reservas acima do compulsório)ele conseguiu salvar os bancos da insolvência(Os mutuários das hipotecas não foram salvos,diga-se de passagem) devido a alta exposição com a bolha imobiliária.As hipotecas não vencem no mesmo prazo portanto dá para o Fed carrega-lás em seu ativo e remunerar reservas em excesso em seu passivo com os juros do títulos do Tesouro.
    Então pergunto ao Leandro Roque,se os depósitos remunerados do Banco Central norte-americano salvou a América de uma hiperinflação e depressão severa,qual o argumento um libertário deve usar para objetar está política,pois ela fez os bancos se livrarem de ativos tóxicos de longo prazo e o FED pode carregar estes ativos de baixo custo por ser o dono da impressora,tal politica monetizou o déficit público do governo norte-americano de forma avassaladora,o que tem provocado até mesmo rumores de terceira guerra mundial(Improvável,mas a ameaça funciona e amedronta,propaganda de guerra também é arma de combate)devido a instabilidade do Dólar por causa da trilionária divida norte-americana,enfim não consigo argumentar contra esta política de depósitos remunerados e Dilma se fosse presidente estaria praticando tal política,enfim não consigo enxergar os furos desta operação e gostaria que os demais comentaristas não usem de baixarias e ofensas pois estou querendo aprender humildemente com todos e confesso que as vezes tenho dificuldade para entender alguns assuntos devido a falta de tempo para estuda-los a fundo,
  • Leandro  28/06/2017 00:23
    "se os depósitos remunerados do Banco Central norte-americano salvou a América de uma hiperinflação"

    Nunca houve riso de hiperinflação.

    No atual sistema monetário e bancário, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito.

    Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia americana, não haverá nenhum risco de hiperinflação.

    Portanto, para haver hiperinflação, os bancos americanos teriam de emprestar trilhões de dólares para empresas e pessoas em um curto espaço de tempo. Isso significa que essas pessoas e empresas teriam de estar dispostas a se endividar em trilhões de dólares em um curto espaço de tempo, algo totalmente impensável e impossível, principalmente naquele cenário recessivo.

    E, dado que hiperinflação não é do interesse dos bancos (seus empréstimos seriam quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, o que destruiria o valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido), e dado que são os bancos que hoje controlam o dinheiro que eles jogam na economia, não houve por que se preocupar com esta probabilidade nos EUA. Ela só existirá se o Fed perder sua independência e passar a seguir ordens do Congresso.

    "e depressão severa"

    Também não houve qualquer medida que afastasse uma depressão severa. Ao contrário: exatamente como foi feito em 1929, e ao contrário do que foi feito em 1921, as medidas do governo simplesmente prolongaram a recessão, fazendo com que a recuperação econômica pós-recessão fosse a mais fraca da história.

    As medidas do Fed foram feitas exclusivamente para salvar seus bancos amigos, e foram destrinchadas em detalhes neste artigo.

    Alguns detalhes pouco conhecidos da crise financeira de 2008

    Não havia nenhum risco de depressão. Haveria apenas algumas falências bancárias, sendo que esses bancos seriam prontamente comprados por outros bancos (o que, de fato, chegou a ocorrer). A interferência do governo, que escolheu vencedores e perdedores, simplesmente embaçou a situação, criando incerteza de regime e prolongando desnecessariamente a recessão.

    "qual o argumento um libertário deve usar para objetar está política, pois ela fez os bancos se livrarem de ativos tóxicos de longo prazo e o FED pode carregar estes ativos de baixo custo por ser o dono da impressora"

    Essa é uma postura errada. Você não tem de comentar uma política de acordo com um "ponto de vista libertário" ou um "ponto de vista estatizante". Não é assim que se faz ciência. Você tem de entender o que o houve, e observar quem se deu bem e quem se deu mal. Política é isso: escolher vencedores e perdedores.

    No caso das políticas do Fed, os vencedores foram os bancos, principalmente aqueles mais imprudentes e temerários (que estavam com os ativos podres). Os perdedores foram os bancos prudentes e sensatos, os pagadores de impostos (que arcaram com os pacotes de socorro) e os poupadores, que não mais ganham juros sobre sua poupança. Vários fundos de pensão estão em dificuldades, pois não há ganhos. Quem foi frugal se estrepou, e quem foi esbanjador se deu bem.

    E isso em nada ajudou a economia. Ao contrário: apenas embaçou todo o cenário (ao impedir que os ruins e imprudentes fossem expulsos do mercado pelos bons e prudentes), destruiu o mercado de juros (o segundo preço mais importante da economia; o primeiro é o preço da própria moeda), e criou incertezas (os bons são punidos e os ruins, premiados), arrastando a economia.

    Vale também lembrar que os juros que o Fed paga aos bancos faz com que ele repasse menos ao Tesouro (isso já foi explicado várias vezes neste site). Consequentemente, os déficits do governo aumentam e aumenta a dívida. E isso também é pespegado aos pagadores de impostos.

    "tal politica monetizou o déficit público do governo norte-americano de forma avassaladora"

    Isso é falso. Se o déficit tivesse sido monetizado, haveria hiperinflação. Aliás, o Fed -- como já explicado acima -- é proibido de monetizar a dívida. Com efeito, monetização da dívida é proibido em todos os países sérios do mundo. É praticado apenas na Venezuela e na Argentina.

    "o que tem provocado até mesmo rumores de terceira guerra mundial [...] devido a instabilidade do Dólar por causa da trilionária divida norte-americana"

    Confesso que não entendi esse salto de lógica.

    "enfim não consigo argumentar contra esta política de depósitos remunerados"

    Ela é excelente para os bancos, que agora ganham deixando dinheiro parado no Fed (tal política, como já explicada neste site, é completamente inédita, e nunca foi aventada em nenhum manual de macroeconomia). O pessoal critica os bancos brasileiros, mas, atualmente, os bancos americanos têm uma mamata muito maior.

    "e Dilma se fosse presidente estaria praticando tal política"

    Nunca vi ela falando qualquer coisa sobre isso. Aliás, duvido seriamente que ela sequer entenda disso.
  • Fernandes  28/06/2017 14:50
    Se os bancos americanos não estão emprestando os trilhões que dispõem, estão deixando essa grana parada no FED, o que explica a supervalorização dos ativos, que tem criado boatos de uma possível bolha tanto na bolsa, quanto no mercado imobiliário americano?

    O pessoal fala em 3a guerra mundial. Mas eu acho que hoje, com os mercados tão globalizados, economias tão integradas, é simplesmente impossível haver um conflito envolvendo grandes potências, tipo China e EUA.

    A Rússia, apesar do poderio militar, é economicamente irrelevante e jamais iriam querer ser varridos do mapa.
  • Leandro  28/06/2017 15:39
    Calma lá. Eles estão emprestando, sim. Apenas não no volume com que foi criada base monetária.

    Veja a evolução do crédito nos EUA desde 2008.

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/historical.png?s=UNITEDSTALOATOPRISEC&v=20170616224400&d1=20070101&d2=20171231

    O próprio M1 cresceu a uma média anual de 10,5% desde 2009. Isso é o suficiente para gerar bolhas em alguns ativos. (Sendo a forma mais líquida de dinheiro, o M1 mostra aquele dinheiro que está pronto para ser transacionado diariamente na economia; um dos destinos desta liquidez é exatamente o mercado de ativos, como ações, imóveis, papeis, obras de arte etc.)

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/united-states-money-supply-m1.png?s=unitedstamonsupm1&v=201706232029v&d1=20070101&d2=20171231


    Quanto ao que você disse sobre guerras, concordo plenamente. Mas sempre pode surgir um lunático com grandes poderes militares. E isso é imprevisível.
  • MB  01/07/2017 13:49
    "o que tem provocado até mesmo rumores de terceira guerra mundial [...] devido a instabilidade do Dólar por causa da trilionária divida norte-americana"

    "Confesso que não entendi esse salto de lógica".

    Devido o BRICS estar querendo acabar com o monopólio do Dólar (de ser a moeda de reserva mundial )ao querer criar uma moeda única entre eles e querer estender para demais parceiros comerciais.Os russos e chineses estarem seduzindo as monarquias do golfo a aderirem a esse pacto(Futuramente comercializarem o petróleo com esta moeda),isto tem aumentado as tensões entre as superpotências o que tem gerado rumores de terceira guerra mundial(Improvável,mas a ameaça esta na ordem do dia)devido a atual corrida armamentista e conflitos regionais principalmente no oriente médio região nevrálgica para o controle do mundo(Via moeda de reserva mundial,hoje o Dólar e futuramente com a moeda do BRICS).

    "Vale também lembrar que os juros que o Fed paga aos bancos faz com que ele repasse menos ao Tesouro (isso já foi explicado várias vezes neste site). Consequentemente, os déficits do governo aumentam e aumenta a dívida. E isso também é pespegado aos pagadores de impostos".

    O mercado interbancário ficou sem função,mas se os juros aumentarem o déficit do Tesouro aumentará,mas na atual conjuntura ele está se financiando a um baixo custo ao pagar juros irrisórios,enfim está política de depósitos remunerado beneficia banqueiros,Tesouro e pagadores de impostos visto seu baixo custo operacional e eliminação da volta da inflação,quando digo hiperinflação é devido ao salto da base monetária muito alta em curto espaço de tempo,portanto sem essa politica de depósitos remunerados a hiperinflação estaria acontecendo o que poderia provocar uma terceira guerra mundial(Apesar do arsenal nuclear)devido a desvalorização brutal do Dólar e reservas externas dos parceiros comerciais insatisfeitos igual Rússia e China e marginalmente demais países.

    "e Dilma se fosse presidente estaria praticando tal política"

    Nelson Barbosa cogitou implantar tal política antes do impeachment.
  • Fernandes  03/07/2017 13:30
    Os "BRICS"? A única economia relevante do BRICS é a China.

    1° China e Rússia são potências nucleares, mas duvido da capacidade destes de atingirem os EUA, o máximo que podem fazer é ameaçar os aliados americanos na Europa e na Ásia.

    2° A China possui trilhões aplicados em dólar, qual seria o benefício que a China teria em destruir o dólar?

    Fora que o dá credibilidade ao dólar é o longo histórico de estabilidade das instituições americanas, além do patrimônio da sociedade americana, que é riquíssima.

    Quem vai confiar numa moeda que tenha como lastro as economias Russas, Sul africanas, Brasileira, Indiana e Chinesa (Por mais que seja uma grande, é uma ditadura, não dá pra confiar nas instituições chinesas)?

    Quantas das mil maiores empresas do mundo são americanas e quantas tem sede nos BRICS? Estenda para as 5 mil maiores do mundo. Os EUA ainda são os grandes produtores de riqueza do mundo.
  • MB  05/07/2017 23:32
    Fernandes,então para que todo este circo armado no oriente médio,ora,ora a Rússia só aceitará dividir o mercado consumo de gás europeu com o Catar,se o mesmo se associar com a Gazprom(Estatal de energia russa)e o Irã,pois do contrário o Catar ficará isolado e não conseguirá fornecer seu gás para a Europa,ou seja os EUA e a Europa querem o gás catariano passando pelo território Saudita e Sírio e isolar o Irá e a Rússia visando baixar o preço(Gás)do mesmo,a China tem apoiado Putin querendo com isso comprar o gás russo mais barato do que a Europa vem pagando para a Gazprom,enfim é uma guerra comercial e só não chegou as vias de fato por medo das armas atômicas,mas numa eventual disputa militar quem ganhar irá impor sua moeda para o restante do mundo,isso é fato.

    Fico no aguardo,caro Fernandes.
  • Ex-microempresario  06/07/2017 16:05
    Se me permitem dar uns pitacos:

    - Disputas comerciais sempre existiram desde que o mundo é mundo, e hoje não é diferente. O mundo não vai mudar por causa de um gasoduto, apenas alguns bilhões trocarão de dono. E não estou sendo irônico, em termos de economia global, alguns bilhões representam muito pouco.

    - Na questão do gás, incluir como fator adicional a produção do mediterrâneo que está em fase de implantação por Israel e Chipre.

    - Em uma disputa militar GLOBAL, o vencedor irá impor sua moeda para o restante do mundo, com a ressalva que o "restante do mundo" será um deserto radioativo.

    - Para entender a geopolítica da energia (petróleo/gás) são necessárias informações que nós, simples mortais, não dispomos. Fundamentalmente, as reservas verdadeiras de cada país. Hoje, o gás do Qatar compete com o gás da Rússia. Daqui a dez ou quinze anos, a Rússia terá gás? O Qatar terá gás? E quem terá petróleo? O Irã? o Iraque? A Arábia Saudita? Os EUA? A Rússia? Podemos apenas especular, com base nos pouco confiáveis dados de organizações como EIA, BP e OPEP.
  • Kelvin  06/07/2017 16:33
    O interesse da Rússia na Síria é a questão do gás que Assad não concordou com o gasoduto vindo do Catar, então Assad propôs que o gás viesse do Irã, o que a Europa e os EUA negaram, então a tragédia foi formada e é isso que estamos vendo. Só que isso vai além meu caro, é uma disputa ali entre Irã, Arábia Saudita, Israel e Emirados Árabes Unidos.
    Oitenta por cento do gás utilizado pela Europa e 39% do consumido pela Alemanha provém da Rússia. Logo, visando quebrar esse monopólio, suas motivações serão não só diminuir o gás, como quebrar esse monopólio que afetaria as contas públicas de Moscou e isso pesaria sobre o orçamento militar dos russos. Eu acredito que tenha um jeito mais fácil para resolver isso, como um amigo disse aqui, basta Petro Poroshenko fazer um referendo para decretar a secessão da parte oriental do país e abraçar o Ocidente de vez, assim Poroshenko poderia nacionalizar os gasodutos da Gazprom na nova Ucrânia, vale lembrar que os russos já advertiram sobre a consequência de uma nacionalização dos gasodutos, mas por esse jeito os russos ganhariam o leste da Ucrânia. Chances mínimas, mas melhores do que essa bagunça total.
    E não, o conflito do Oriente Médio não irá se tornar o propulsor do país vencedor da guerra para implementar a sua moeda. Acredito que o conflito fique restrito ao âmbito regional, mas não a ponto de uma troca de moeda por imposição.
  • MB  08/07/2017 20:56
    Caro colega a imposição de moeda ocorreria se houvesse um conflito Eua e seus aliados x Rússia e seus aliados,enfim uma terceira guerra mundial,mas devido ao arsenal nuclear de ambos os lados forçarem os dois lados a negociarem diplomaticamente a divisão dos lucros em suas práticas dominadoras,tal prática que as esquerdas gostam de culpar o capitalismo por tais mazelas,mas na realidade se trata do conluio da tirania estado malvadão e grupos de interesse e nesse tabuleiro nós pagadores de impostos independente da condição social somos as vítimas bovinamente conduzidas por estes vaqueiros tiranos,ou seja eles brigam entre-si e não serão nunca loucos de querer usar este arsenal dos infernos que são os mísseis atômicos,mas quanto as guerras regionais elas continuaram acontecendo para delírio da industria armamentista de todos os países inclusive da brasileira que também tem clientes no resto do mundo e não perde oportunidade de oferecer seus produtos e serviços para a clientela mundo afora...Quanto a moeda é fato que a potencia vencedora em um conflito entre grandes potências,a vencedora impõe sua moeda para os demais países,isto é histórico e a não ser quando o ouro era a moeda universal tal fato era impossível,mas com o advento das moedas fiduciárias ficou viável tal imposição...Rússia e China sonham com tal possibilidade apesar de tal feito ser impossível no momento,apesar de meu modesto conhecimento de geopolítica e futurologia.
  • Oscar  28/06/2017 03:20
    Ótimos vídeos.
  • Zaion  19/07/2017 09:37
    Orgulho de ser Mackenzista :3
  • Emerson Luis  25/07/2017 14:10

    Meu cachorro pediu para vocês colocarem legendas em português nas palestras em inglês.

    Enquanto o IMB disponibiliza essas informações gratuitamente, Dilma dará aula em um curso sobre esquerdismo que custará R$7200!



    * * *

  • Pedro  23/08/2017 16:09
    Olá,

    Para os interessados em Mercado Financeiro, indico o filme OUTSIDER, que conta a história real do trader que quase quebrou o banco Societe Generale no auge da Crise Financeira em 2008.
    Sucesso absoluto na Europa, agora chegou ao Brasil no iTunes, NET Now, Vivo Play e Looke.com.br

    Trailer legendado no YouTube:
    https://www.youtube.com/watch?v=cbHYALynMyk&t=16s


    Abs


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