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Nesta Black Friday, aja como um genuíno capitalista: poupe e invista
Capitalismo não é sinônimo de consumismo; aliás, é o oposto

A Black Friday, que é a sexta-feira após a quarta quinta-feira do mês de novembro, é a data que inaugura oficialmente a temporada de compras natalinas nos EUA. Por tradição, trata-se de um evento em que o comércio varejista concede grandes descontos de preços aos consumidores.

Como tantas outras tradições norte-americanas, esta também acabou se expandindo pelo mundo e se tornou também um costume em vários países da Europa e da América Latina, motivo pelo qual vários estabelecimentos comerciais estão hoje, ao redor do mundo, oferecendo bons descontos na maioria de seus produtos.

Para muitos — especialmente na esquerda — esta nova "moda" é condenável por dois motivos. Primeiro, porque se trata de uma conquista do "imperialismo cultural ianque"; segundo, porque seria uma manifestação que acentua as manifestações mais exacerbadas do espírito capitalista, isto é, o consumismo desenfreado feito à base de um endividamento desnecessário e perigoso.

A primeira crítica é fraca e descabida. Toda e qualquer cultura é fruto de uma evolução histórica, a qual foi afetada por inúmeras influências e miscigenações oriundas do exterior. Sendo assim, a importação de novas influências culturais que adicionem novas características à nossa cultura herdada não tem por que ser algo necessariamente negativo. Se somos produtos de uma evolução, não faz sentido querer que toda essa evolução histórica seja interrompida exatamente em nossa geração.

Já a segunda crítica consegue ser ainda pior, pois não apenas não há nenhum fundamento nela, como ainda inverte totalmente a realidade.

Capitalismo é o oposto de consumismo

Embora muitas pessoas acreditem que a força-motriz do capitalismo é o consumo (ou, mais ainda, o consumismo), tal ideia está fundamentalmente incorreta.

Sim, não há dúvidas de que o consumo é o propósito supremo de toda atividade humana de caráter produtivo, tanto em sociedades capitalistas quanto em sociedades não-capitalistas: as pessoas produzem para poder consumir; ninguém quer dedicar esforços e recursos para fabricar algo que não será utilizado no futuro.

Por isso, dado que tal prática ocorre em toda e qualquer sociedade, desde a tribal até as metropolitanas, não faz sentido dizer que a característica distintiva do capitalismo seja o consumo. Muito pelo contrário, a característica distintiva do capitalismo é direcionar a poupança dos cidadãos para investimentos produtivos. Em outras palavras, transformar poupança em capital.

Aqueles que crêem que o capitalismo se sustenta sobre o consumismo desconhecem a própria raiz da palavra "capitalismo". Capitalismo advém de capital. Capitalismo é acumulação de capital. E capital é aquela fatia do nosso patrimônio que aumenta a nossa riqueza futura. Capital é toda a riqueza acumulada — que pertence a empresas ou a indivíduos — e que é utilizada para o propósito de se auferir receitas e lucros futuros.

Capital, em suma, é aquilo que cria riqueza futura para nós mesmos e para o resto da sociedade.

Para acumular capital é necessário poupar. E para poupar é necessário restringir o consumo.

Sendo assim, qual o sentido de dizer que um sistema — o capitalismo — cuja própria existência depende da virtude da poupança e do não-consumo só pode sobreviver e prosperar quando se consome maciçamente?

O capitalismo não depende do consumo, mas sim da poupança. Uma sociedade que consome 100% da sua renda será uma sociedade nada capitalista. Não haveria um único bem de capital existente: não haveria moradias, não haveria fábricas, não haveria infraestruturas, não haveria meios de transporte, não haveria maquinários, não haveria escritórios e imóveis comerciais, não haveria laboratórios, não haveria cientistas, não haveria arquitetos, não haveria universidades, não haveria nada.

Simplesmente, todos os indivíduos estariam permanentemente ocupados produzindo bens de consumo básicos — comidas e vestes — e não dedicariam nem um segundo para a produção de bens de capital, que são investimentos de longo prazo que geram bens futuros. Por definição, se uma sociedade consome 100% da sua renda, ela não produz nenhum outro bem que não seja de consumo imediato.

É a poupança, é o não desejo de consumir tudo o que se pode, o que nos permite direcionar nossos esforços para satisfazer não os nossos desejos mais imediatos, mas sim nossas necessidades futuras: com a poupança, produzimos bens de capital que irão, por sua vez, fabricar os bens de consumo de que podemos necessitar no futuro.

A lição de Crusoé

A diferença entre o Robinson Crusoé pobre e o Robinson Crusoé rico é que o rico dispõe de bens de capital.  E para ter esses bens de capital, ele teve de poupar e investir.  

Os bens de capital do Robinson Crusoé rico (por exemplo, uma rede e uma vara de pescar, construídas com bens que ele demorou, digamos, 5 dias para produzir) foram obtidos porque ele poupou (absteve-se do consumo) e, por meio de seu trabalho, transformou os recursos que ele não havia consumido em bens de capital.  Estes bens de capital permitiram ao Robinson Crusoé rico produzir bens de consumo (pescar peixes e colher frutas) e com isso seguir vivendo cada vez melhor.

Já o Robinson Crusoé pobre é aquele que não poupa. Consequentemente, ele não dispõe de bens de capital. Logo, todo o seu trabalho é feito à mão. Por isso, ele é menos produtivo. E, por produzir menos e ter menos bens à sua disposição, ele é mais pobre e seu padrão de vida é mais baixo.

O Robinson Crusoé rico é mais produtivo.  E, por ser mais produtivo, não apenas ele pode descansar mais, como também pode poupar mais, o que irá lhe permitir acumular ainda mais bens de capital e consequentemente aumentar ainda mais a sua produtividade no futuro. 

Já o Robinson Crusoé pobre consome tudo o que produz. Ele não tem outra opção.  Como ele não é produtivo, ele não pode se dar ao luxo de descansar e poupar. Essa ausência de poupança compromete suas chances de aumentar seu padrão de vida no futuro.

Por tudo isso, sociedades ultra-consumistas são necessariamente sociedades de subsistência. Uma tribo africana consome 100% de sua produção (renda). Como não consegue poupar, não consegue acumular capital. Sem capital acumulado, não consegue aumentar sua produtividade. Sem aumento de produtividade, não sai da pobreza. Nada é mais anti-capitalista que uma sociedade ultra-consumista.

O que fazer na Black Friday

O poupador-rentista da sociedade vitoriana é um personagem muito mais tipicamente capitalista do que o consumista impulsivo e desenfreado da Black Friday. Quem enriquece é aquele que poupa e financia o consumo dos outros (em troca de juros) e não aquele que consome e se endivida.

Por isso, quem critica esta data por ser um monumento ao "capitalismo selvagem" está, na realidade, batendo em um espantalho. Que o capitalismo respeite estratégias comerciais e comportamentos consumistas individuais — isto é, que respeite que cada loja escolha quando oferecer descontos e que cada indivíduo escolha livremente quanto quer consumir hoje e quanto quer consumir amanhã — não implica que isso seja a característica precípua do capitalismo.

Com efeito, muito mais capitalista seria você capitalizar o eventual gasto que estivesse planejando fazer na Black Friday: ou seja, não consumir este dinheiro (poupá-lo) e aplicá-lo em investimentos que irão aumentar sua riqueza futura.

Por exemplo, destiná-lo à compra de ações daquelas empresas que fabricam e vendem os produtos da Black Friday. Ou de quaisquer outras empresas que você creia que possam contribuir para melhorar o futuro do país. Ou aplicar em LCAs para financiar o produtor rural. Ou, caso prefira, você pode também financiar o consumo alheio. Invista em LCIs para ajudar quem optou pela casa própria. Ou em LCs (Letras de Câmbio) para financiar as financeiras que emprestam para consumidores. Ou em CDBs de bancos para ser o credor deles.

Em suma, seja aquele que financia e não aquele que se endivida. Seja aquele que poupa e capitaliza, e não aquele que consome e se descapitaliza. Seja, enfim, o capitalista.

Capitalismo é poupança e investimento visando a melhorar nossa renda — e nossa capacidade de consumo sustentável — no longo prazo. Capitalismo não é consumismo desbragado, voltado para o curto prazo e financiado por endividamento. Capitalismo é austeridade, e não esbanjamento público ou privado.

Conclusão

Para ser bem claro: respeitemos as pessoas que, por livre e espontânea vontade, optaram por sair comprando desbragadamente produtos de todos os tipos e variedades. Estão em seu perfeito direito de fazê-lo. Agora, que não digam que tal comportamento representa a apoteose do capitalismo. Não é: capitalismo é poupança e investimento. Capitalismo é acumulação de capital, e não consumo de capital.

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Leia também:

O consumismo não gera crescimento econômico - e sua defesa é o cerne da teoria keynesiana

Produção versus consumo - a confusão que causa miséria

Não é o consumo o que cria a prosperidade

Consumidores não criam empregos

Consumidores não provocam recessões

 

29 votos

autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Jota Moreto  25/11/2016 14:55
    Imaginem um cenário com um tal Sr Josué tendo dois filhos, porém um com necessidades especiais (paralisia cerebral por ex) como permitir que os dois se transformem em geradores de bens de capital?
  • Marcos  25/11/2016 15:45
    Elabore melhor, por favor. O que tem a ver esse cenário com o tema do artigo?

    Por que o senhor Josué deveria colocar seu filho deficiente para trabalhar, produzir e poupar em vez de ele próprio trabalhar, produzir e poupar? Eu tenho filhos e nunca pedi isso deles. Isso é tarefa minha. Fui eu quem os colocou no mundo. A responsabilidade é minha e de ninguém mais.

    Quer ajudar o Josué? Pare de atrapalhá-lo (como faz o governo e suas regulamentações, burocracias e destruição da moeda). Josué quer muito mais não ser atrapalhado do que receber "ajuda".

    P.S.: Ah, sim: como exatamente fazer com que essas três pessoas sejam consumidoras se elas não forem antes poupadoras? Como se faz essa mágica de maneira ética e moral?
  • Puppo  25/11/2016 15:53
    Vamos levantar alguns pontos básicos:
    1) Quando alguém vai ter um filho, tem que pensar em toda e qualquer possibilidade - inclusive a de ter de sustentá-lo pelo resto da vida;
    2)Se o filho não for totalmente inválido, ele conseguirá gerar o mínimo de valor, que numa sociedade capitalista já é o suficiente para viver. Quanto mais capitalismo, mais barato fica viver, por isso os pobres de hoje estão melhor que os pobres de ontem;
    3)Numa sociedade capitalista, muita riqueza seria gerada (é inerente ao capitalismo - poupança, investimento), portanto, teríamos muito mais dinheiro para acolher os desamparados, desafortunados. Se, hoje, numa social-democracia (socialismo), já existem diversas instituições filantrópicas, não tenha dúvida que haveria muito mais.
  • Andre  25/11/2016 15:54
    Você não especificou o quanto essa deficiência é incapacitante, então vou supor 2 cenários libertários:

    Deficiência não incapacitante para algum tipo de trabalho: As empresas não só lidam com faturamento, custos, lucros e prejuízos, elas lidam com uma matéria escura chamada reputação, empresas preocupadas com inclusão tendem a atrair mais clientes e atribuir imagem mais humana à sua marca, no Brasil estima-se que há 25 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, maior parte tem família, e são consumidores, é muita gente que sabe na prática o que é deficiência e se sente mais generosa comprando produtos de empresas com boa reputação em inclusão.

    Deficiência totalmente incapacitante: Essa não tem erro, caridade privada, as pessoas não são imortais, um dia a juventude e saúde se vão, e é exatamente esse sentimento de se colocar no lugar de seu semelhante necessitado que ativa a vontade do indivíduo ser caridoso, graças à atual crise econômica e altos impostos as pessoas que mais contribuem estão com menos dinheiro para ajudar os necessitados, é por isso que devemos combater qualquer intervenção do governo na economia, pois quem mais precisa de impostos baixos e economia em boa forma são os deficientes, os gravemente enfermos e os idosos sem posses.
  • Tarantino  23/11/2017 02:20
    Henry Ford já dizia que não existe pessoa imprestável. O que deve ser feito é justamente criar condições para que tais pessoas possam prestar .
  • Leandro Ávila  25/11/2016 15:50
    Essa é a grande lição:

    Se as pessoas forem inteligentes, perceberão que dívidas são alavancas de empobrecimento. Os juros e as taxas que você pagaria durante uma vida, para sustentar bancos e financeiras, poderiam ser utilizados para aumentar o seu patrimônio, para gerar renda passiva (juros sobre juros) nos seus investimentos. Isso poderia melhorar a qualidade de vida da sua família.

    Dívidas são alavancas de riqueza quando você é o credor e não quando é o devedor. Você enriquece quando as pessoas devem para você e não quando você deve para as pessoas. Banqueiros enriquecem emprestando o seu dinheiro para os outros. São os outros que precisam trabalhar mais para pagar os juros que você recebe quando faz um investimento financeiro (emprestando dinheiro para os bancos ou para o governo).

    Por isso mesmo, no Brasil, vender produtos é apenas um pretexto para vender crédito. Grandes lojas de eletrodomésticos, grandes lojas de moda e fabricantes de automóveis lucram mais vendendo crédito do que vendendo produtos. É por isso que a maioria possui o cartão próprio da loja, a maioria estimula que você compre parcelado ou financiado no lugar de comprar à vista. Os empresários sabem que podem ganhar duas vezes. Eles podem ganhar vendendo o produto e emprestando o dinheiro para que você compre.

    Quando você compra qualquer coisa através do crediário de uma loja ou de financiamentos, você está pagando duas vezes. Isso faz você empobrecer se comparado com quem poupa, recebe juros e paga à vista negociando descontos. As pessoas não percebem que passam a vida toda trabalhando para pagar juros e taxas, transferindo sua riqueza para os outros.
  • Leandro  25/11/2016 16:00
    Excelentes pontos, xará.
  • Vladimir  25/11/2016 16:05
    Por incrível que pareça é verdade! comprando a vista sem cartão economiza mais, e é bom sem ter dívida porque se planeja melhor sem endividamento, mas infelizmente tem aqueles que pregam que dívidas são boas o que falta mesmo é educação financeira porque a grande maioria com poucas exceções são analfabetos financeiros principalmente os socialistas e intelectuais progressistas.
  • José Jorge  25/11/2016 16:12

    Pontos excelentes. Tem gente que fica toda empolgada quando vê um "12x sem juros no cartão". Ora, não existe isso. Nenhum vendedor é idiota de parcelar um produto em 12 vezes, ainda mais em um país de inflação historicamente alta como o Brasil.

    Neste valor anunciado -- que é o mesmo à vista -- já estão embutidos os juros. O que o comerciante está fazendo é justamente vendendo uma dívida para você (há uma financeira por trás de tudo).

    Por isso eu sempre pechincho e peço pelo menos 10% de desconto à vista. De início há resistência do vendedor (justamente por causa da financeira). Mas se ameaço ir para a loja concorrente, imediatamente consigo. Sugiro que façam o mesmo.
  • Ulysses  25/11/2016 16:34
    Perfeito. Rico é aquele que acorda pensando em como ganhar mais dinheiro e em como multiplicar o que já tem. Pobre é aquele que acorda pensando em fazer dívida para gastar o que não ganhou ainda.
  • FL  25/11/2016 16:47
    Caro José Jorge, isso me lembrou de uma vez em que me questionaram por eu não usar cartão de crédito, com a seguinte pergunta: "mas e se você quiser um playstation e não tiver dinheiro na conta, como faz para comprar?".

    Ué, não compro, simples. Espero ter o dinheiro e depois compro. É uma daquelas coisas tão óbvias que quase ninguém consegue ver.
  • Pobre Paulista  25/11/2016 16:20
    Eu acho ótimo que existam pessoas consumistas e que se endividem pra isso. Senão, de onde viriam os juros que eu recebo de minhas economias?

    Deixem os consumidores serem felizes. Assim, nós poupadores também ficamos.
  • Medrado  25/11/2016 16:22
    Bem que notei nos posts do seu blog um alinhamento "simpático" à escola austríaca. Parabéns pelo seu trabalho por lá, Leandro Ávila!
  • Raphael  25/11/2016 17:56
    Também tinha notado isso. Esse artigo dele sobre calote na dívida bebeu diretamente desse artigo do IMB. Há trechos bastante semelhantes.

    E ambos os Leandros são excelentes.
  • João Couto  22/11/2017 23:05
    Muito bom!
  • Berto  23/11/2017 15:51
    Falou o cara que publicou no site dele que poupador é "loser" sem questionar.
  • Raphael  23/11/2017 16:17
    Onde ele publicou isso? Vasculhei o site dele todo e não encontrei. Mostre-me, por favor.
  • Berto  23/11/2017 23:48
    Ele publicou um artigo sobre o que o Robert Kyosaky disse, para se endividar para aumentar riqueza. Tem os comentários lá nesse artigo.
    www.clubedospoupadores.com/empreendedorismo/rico-fazendo-dividas.html
  • Raphael  24/11/2017 00:09
    Li tudo. Em momento algum ele falou qualquer coisa sequer remotamente semelhante a isso. Muito pelo contrário, aliás: ressaltou que essa ideia do Kiyosaki não faz sentido nenhum no Brasil. A frase "savers are losers" é do Kyosaki, e não do Avila. Mais atenção na próxima.
  • Carlos  25/11/2016 15:58
    Se o empresário produzir mais e mais e não tendo demanda , então está certo em investir no consumo. Assim deve ser ao menos durante uma recessão, não?
  • Leandro  25/11/2016 16:01
    Não.

    Se ele investiu em algo para o qual não havia demanda -- por exemplo, um hotel de luxo na Cracolândia --, então ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

    O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

    O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O capitalista que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que agora muito provavelmente está endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro capitalista que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

    Este outro capitalista -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores. No nosso exemplo, o hotel de luxo da Cracolândia poderá ser transformado em um motel barato ou mesmo em um cinema estilo "Boca do Lixo".


    Traduzindo tudo: a recessão nada mais é que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

    A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

    Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

    Artigo inteiro sobre isso:

    Como a crescente estatização do crédito destruiu a economia brasileira e as finanças dos governos

  • Pobre Paulista  25/11/2016 16:03
    Se não tem demanda, o empresário irá falir. O que ele precisa fazer é trocar o capital que produz inutilidades por outro que produza coisas úteis.
  • Maurício Ramos  25/11/2016 16:06
    Aproveitando o gancho, as principais corretoras brasileiras estão oferecendo CDBs, LCIs, LCAs e LCs com ótimas taxas e com valores mínimos muito baixos (em algumas, apenas mil reais). Não percam a oportunidade.
  • saoPaulo  25/11/2016 16:27
    Falando em Robinson Crusoé:
    How an Economy Grows and Why It Doesn't (by Irwin Schiff)
  • Taxidermista  25/11/2016 20:46
    Prezado saoPaulo:

    vc deve saber, mas, mesmo assim, vale registrar para quem porventura não saiba: o conhecido economista da EA Peter Schiff escreveu um livro com base nessa história aí do pai dele, o Irwin:

    www.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-047052670X.html
  • saoPaulo  25/11/2016 21:49
    Caro Taxidermista, muito obrigado pela informação, não conhecia este livro do Peter.
    Já estou maluco procurando um exemplar!
    Ainda ontem estava pensando em como criar uma brincadeira a partir do livro do Irwin para ensinar meu pequeno.
    Sua sugestão certamente será de grande valor. =)
  • Taxidermista  25/11/2016 22:23
    Prezado saoPaulo:

    que legal, meu caro, fiquei contente.

    Meu prezado, falando em ensinar o pequeno, esses dias andei adquirindo um livro na editora libertária (e de EA) espanhola chamada Unión Editorial e, coincidentemente, deparei-me com a seguinte obra: unioneditorial.net/novedades/novedades?page=shop.product_details&category_id=17&flypage=flypage.tpl&product_id=530

    Um forte abraço para vc e para seu pequeno!
  • saoPaulo  19/12/2016 12:50
    Novamente, muito obrigado Taxidermista.
    Abraços!
  • Anderson  25/11/2016 17:17
    E ainda não podemos esquecer que quanto mais uma sociedade poupa para investir, mais dinheiro ela terá para construir coisas úteis ao país, como investimentos em infra-estrutura. Aliás, nós, país emergente (ou éramos, rs), precisamos e muito de um maior capital para investimentos, já que temos todo um país para construir: estradas, ferrovias, linhas de metrô, saneamento básico, portos e etc. Nosso país precisa dessas coisas se quiser crescer economicamente - diminuir custos com logística, encurtar distâncias, oferecer possibilidades e assim ser mais atrativo a empresas.

    Só que, em nosso país, governos são mais preocupados em gastar - tirar dinheiro da economia para dificultar ainda mais a mesma economia. Com isso, menos capital fica disponível à criação de riquezas.

    Numa conversa com um colega empreendedor, uma confissão me foi feita. Ele me disse que precisaria de um pouco mais de dinheiro, ao fim de cada mês, para poupá-lo e reinvesti-lo na empresa, esse "caixa" serviria para comprar um terreno vizinho à empresa, construir um galpão, comprar maquinário, contratar mais pessoas e produzir mais. Ele não consegue porque não tem certa quantia - esse colega ainda faz um grande esforço para viver com poucos gastos, pois manda a maior parte para a empresa, e mesmo assim não consegue juntar o capital necessário. Disse-me ele, também, que se a tributação não fosse tão violenta, o objetivo seria atingido e, hoje, sua empresa já teria crescido bastante, mais riquezas estariam sendo criadas, mais pessoas estariam trabalhando, ele ganharia mais, porém, nossa realidade - governo - não o ajuda.

    O jeito é captar empréstimo do banco, que sai a juros altíssimos, já que o governo disputa crédito com o mercado e tem a vantagem de "pagar quando quiser" e com o dinheiro dos outros.
  • Dam Herzog  25/11/2016 22:08
    Será que um sócio resolveria a questão?
  • Igor  25/11/2016 17:35
    Sem banco central manipulando (o famoso "política monetária) a oferta de moeda este consumismo desenfreado diminuiria drasticamente.
  • Leandro Campos  25/11/2016 18:17
    Como se existisse black friday no Brasil

    Aqui os vendedores sobem os preço pouco tempo antes(ou criam propaganda enganosa) e nesta data dizem que o valor caiu uma enormidade
    Um exemplo, um smartphone custa em torno de 500 reais, mas na propagando diz: smartphone da marca tal, de 999 por apenas 499 é a black friday, aproveite. Rss tem que rir muito
  • Guimarães  25/11/2016 18:27
    Mais um motivo para você poupar, investir e olhar para o seu futuro em vez de se entregar ao consumismo fútil. Está fazendo isso?
  • Leandro Campos  25/11/2016 22:08
    Te garanto que de mim não sairá dinheiro para o dia que for, compro quando necessário e consciente do que e como gastar
    abraço
  • Johann Kaspar  25/11/2016 19:08
    Esse artigo ta muito Max Weber...

    O que seria do capitalismo se todos poupassem ? O que seria das lojas no Black Friday se não houvesse aquele monte de pessoas se pisoteando esperando a loja abrir ? De que adianta produzir tanto se não tiver ninguém do outro lado pra consumir ?
    O capitalismo é tudo isso que o artigo disse sim, concordo, mas também é o capitalismo selvagem que o próprio artigo quer esconder...

    Tem pessoas que vão poupar a vida inteira e não vão chegar no estágio financeiro que gostariam, enquanto outras estão por aí rasgando dinheiro a toa(e não porque pouparam, longe disso).
    A vida é injusta meso...

  • Keppler  25/11/2016 21:12
    Pela sua lógica, então, a Venezuela é extremamente capitalista: lá, as pessoas saem no braço para conseguir um saco de arroz. E a escassez é geral (o que significa, por definição, que tudo o que foi produzido foi consumido). Na prática, lá nada fica sem ser consumido.

    Capitalismo selvagem venezuelano. Certo?

    Quanto às suas outras perguntas, todas estão respondidas em detalhes nos artigos linkados ao final do texto. Escolha um. Sem medo.
  • Johann Kaspar  26/11/2016 01:32
    Você me viu falando de Venezuela ? A sua lógica é que está deturpada... não mencionei Venezuela em nenhum momento.

  • Henrique Zucatelli  25/11/2016 19:22
    Com toda certeza. Aliás a melhor coisa que existe na vida de qualquer ser humano seguido de saúde é liquidez e patrimônio. A primeira dá condições à segunda, e na maioria dos casos a segunda dá muita base à primeira.

    Ao ver esse consumismo que anos atrás previ a depressão econômica que estamos enfrentando. Riqueza é poupança, e não uma Land Rover na garagem (me desculpem aqueles que tem uma e são líquidos, o comentário não foi para vocês).

    Analiso o contexto macro, e com isso e monto alguns modelos conceituais para prever movimentos e investimentos, e com base nos dados abaixo, não consigo prever uma retomada do PPB em prazo algum (não uso mais o PIB, pois ele é sujo):

    - Inflação resiliente;
    - Juros pornográficos;
    - Carga tributária com chance zero de descomplicar ou ao menos diminuir;
    - Leis trabalhistas... enfim, você sabe;
    - Deterioração do parque industrial, com fechamento massivo de indústrias;
    - Infra estrutura também em plena deterioração;
    - Mercado internacional de commodities cada vez mais concorrente ao nosso;
    - Migração espontânea de cérebros (principalmente da área de tecnologia) para o exterior;
    - Alto índice de endividamento em quase todas as classes sociais;
    - Cenário político incerto;

    Meu diagnóstico é que a economia potencial do Brasil está morta. A existente está viva mas doente. Mesmo se o tamanho do Estado fosse cortado pela metade, ainda assim seriam 5 anos para a retomada de algum crescimento.

    Brilhante Leandro, te faço a seguinte pergunta: com base no que elenquei brevemente, é certo dizer que estamos em um beco sem saída? Você consegue enxergar algo que eu não estou vendo e estou pessimista demais, ou realmente vamos ficar no abismo, sem perspectiva de sair dele?



  • saoPaulo  25/11/2016 21:26
    Riqueza é poupança, e não uma Land Rover na garagem (me desculpem aqueles que tem uma e são líquidos, o comentário não foi para vocês).
    Tá desculpado! =)
  • 4lex5andro  25/11/2016 23:18
    Bom artigo, realmente essa black friday é só um pretexto pra desafogar estoques deficitários ao longo do ano, e sem a pecha de Natal e ano novo.

    Os ciclos de endividamento são promovidos, os bancos e o Bc mantém suas agendas pra serem os primeiros a sair da recessão, e logo chega janeiro e haja 13. salário pra pagar ipva, iptu, pra sustentar o Estado.
  • Henrique Zucatelli  26/11/2016 13:21
    Obrigado São Paulo, por dividir que tem uma Land Rover conosco.

    Um abraço.
  • Andre Cavalcante  25/11/2016 22:24
    Na verdade sou bem otimista em relação ao Brasil. Quanto mais o governo se afundar mais a gente pode ficar livre pra produzir de verdade. O problema é a transição que é penosa justamente para quem já tá na penúria
  • Henrique Zucatelli  26/11/2016 13:20
    André, bom dia. Obviamente que sempre existirão aqueles que vão enriquecer nas crises. Espero que seja um deles. Aliás O IMB é um celeiro de poupadores e guerreiros, então estamos em casa.

    Otimismo é ótimo, mas sinceramente a matemática não me permite, e já se vão 5 anos desde que comecei a equacionar essa escalada de endividamento público e privado, aumento na carga tributária, enfim, todos os tópicos que citei acima.

    Isso me fez escapar de ciladas, como todo tipo de consumo desnecessário ou projeto furado, que resultou sim em um conforto nos dias de hoje. Porém estamos falando do macro.

    Para onde seu otimismo aponta, quando fala de um governo afundando e aumentando impostos, arrochando cada vez mais o empresário e emparedando quem tem patrimônio líquido, aqui e/ou no exterior?

    E diferentemente de outros países que tiveram ciclos de crescimento e depressão, a produtividade em nosso país é uma piada. Não temos grandes inventores, grandes indústrias, nem mesmo um momentum de ruptura como foi a explosão das empresas de tecnologia dos Estados Unidos, o que diga-se de passagem, sustenta aquele país até os dias de hoje.

    Também não somos como japoneses, alemães, coreanos ou chineses, que trabalham de sol a sol, disciplinadamente e vivem vidas frugais.

    Te peço mais uma vez: se puder apontar por onde o Brasil sai dessa, ficarei muio feliz. Se for apenas otimismo, agradeço mesmo assim.
  • Lopes  26/11/2016 14:04
    Redigo as inseguranças do Henrique Zucatelli. Já fui mais pessimista (quando o STF "salvou" Dilma do primeiro processo de impeachment e o dólar subiu a 4,20, parecia que o Brasil paria a Venezuela ali mesmo) mas dada a pressão atual do governo federal de sustentar os estados perdulários, não vejo por onde haverá um corte de gastos que faça diferença.
  • Anderson  26/11/2016 17:20
    Partilho dos mesmos temores dos colegas.

    Estamos numa situação difícil. Enquanto o governo não se equilibrar, a sociedade ficará presa às agruras dele. O problema é que o governo dificilmente conseguirá se estabilizar, a solução para tal nós já sabemos, mas o povo não vai aceitar. Se a PEC que é apenas uma controladora está tendo toda uma repercussão negativa, imagina os cortes de gastos, abolição da CLT e outras medidas de liberalização da economia?

    Nosso país entrou numa espiral que não é afim à realidade de países emergentes. Não somos, e nem éramos, ricos para ter um Welfare State, mas o governo insistiu nisso e acabou, portanto, inchando a máquina pública. Agora, nossa economia, que precisava de muitos investimentos em vez de desperdícios, se encontra nessa penúria, com muitas empresas apertadas e endividadas, sem condições de renovar seus bens de capitais, sem capacidades de produzir mais do que produzem atualmente. Como sair desse lamaçal sem liberalização da economia - diminuição e simplificação das regulamentações, diminuição da carga tributária, diminuição de obrigações trabalhistas e outras medidas que liberalizam uma economia - e sem uma austeridade real por parte do estado?

    Não vejo saída, infelizmente.
  • Henrique Zucatelli  28/11/2016 10:05
    Bom dia amigos, e obrigado pela contribuição. Como disse antes, lutas pessoais rumo ao sucesso empreendedor são nossa máxima, e espero que todos aqui consigam atingir seus objetivos.

    Mas voltando ao cerne: estamos em uma sinuca de bico. O Estado só dá sinais que vai aumentar como vinha, e a PEC 241 não resolve quase nada. É como um telhado cheio de goteiras: faz-se um remendo aqui, outro ali, mas vai continuar chovendo. Aprendi no IMB (vai soar clichê mas bem...) que contra os fundamentos econômicos nada pode prosperar. Limite o livre mercado, coloque o empresário contra a parede, inflacione a moeda e tudo vai pelos ares. Aprendi também que vivemos em um contexto global, onde a concorrência faz com que o menos produtivo se torne mais caro e fracasse. É o que vivemos.

    Sustento o modelo conceitual que construí e vem sendo afirmado ano após ano. E a perspectiva é de queda livre, sem paraquedas. E quando chegarmos lá no chão, o restante do mundo estará 20 anos a nossa frente, sem nenhum interesse em investir aqui para nada que seja relevante.

    Olhemos com atenção países com Estados pesados como a Grécia: recessões seguidas. Desemprego altíssimo. E continua assim. E estamos falando de um país pequeno, com inflação zero, juro baixo (comparado ao nosso) e impostos também menores. Se a UE é o inferno para o produtor, nós estamos no porão dele.

    Pelos meus cálculos, o ápice desse desastre será entre fev/mar 2017. Os 4 maiores bancos já fecharam as portas a quem possui rating menor que A, falando em física e jurídica. Veremos uma piora expressiva da qualidade de vida de 80% dos brasileiros em um período de 12 meses.

    Repito à exaustão: Se algum dos confrades possua um fato ou mesmo um palpite que vá na contra mão do meu modelo, ficarei muito grato.




  • Leandro  28/11/2016 11:42
    Prezado Henrique, você foi cirúrgico em suas constatações. Nada a acrescentar.

    O Brasil, como eu mesmo venho dizendo nos últimos artigos, quis brincar de social-democracia escandinava sem ter nem a riqueza e nem a produtividade deles. Os escandinavos sabem, ao contrário de nós, que um modelo social-democrata só se mantém se houver ampla liberdade econômica, o que permite que a livre iniciativa prospere e crie riqueza continuamente. Eles também sabem, ao contrário de nós, que social-democracia não significa salários de sultões para o funcionalismo público e para políticos.

    Nós aqui somos originais: juramos ser perfeitamente possível refutar as realidades econômica e contábil, e moldá-las aos nossos caprichos. Na prática, nossos políticos e burocratas se comportam como engenheiros aeronáuticos que acreditam ser possível criar um avião partindo do princípio de que a lei da gravidade é perfeitamente revogável, bastando para isso haver "vontade política". É claro que o avião vai se espatifar.

    Também não antevejo melhoras. Concordo com o Lopes: conseguimos nos livrar do pior (por enquanto). Se a PEC for aprovada, será mais um passo para longe da beira do precipício. Mas os grandes problemas estruturais -- que geraram todos os problemas que você perfeitamente elencou -- seguem inatacados. E ninguém fala em mexer neles.

    Sem isso, sem solução.
  • Henrique Zucatelli  28/11/2016 13:02
    Bom dia Leandro.

    Esse modelo foi montado totalmente baseado na Escola Austríaca. Nada disso seria possível sem o trabalho brilhante que você e a equipe do IBM tem feito todos esses anos, expondo de tantas formas, com centenas de exemplos no passado e presente, de como os fundamentos econômicos não podem ser desrespeitados. O IMB é a escola das escolas de economia do Brasil, e eu tenho muito orgulho de ser um aluno, aprendendo todos os dias.

    E a você Leandro, meu muito obrigado, mais uma vez. Só de vir até aqui nos iluminar de forma simples e direta, como fez Mises em seu tempo é um verdadeiro presente de sabedoria.

    Sua confirmação me deixa feliz (pelo modelo ser válido), mas triste, pois é a certeza que infelizmente o Brasil vai encontrar um futuro péssimo.

    Grande abraço e ótima semana.
  • Murdoch  28/11/2016 15:01
    Leandro, gostaria que você lesse esta matéria e os comentários do blog: informadordeopiniao.blogspot.com.br/2014/11/os-chistes-sobre-indices-de-liberdade.html

    Como podemos contra-argumentar?
  • Rupert  28/11/2016 15:30
    Prezado, você já fez pergunta idêntica (a qual foi amplamente respondia) na seção de comentários deste artigo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2570

    Por obséquio, pare de ficar poluindo o site com as mesmas perguntas sempre (as quais já foram respondidas).
  • Murdoch  28/11/2016 16:00
    Rupert, mas a resposta não me convenceu.
  • Murdoch  29/11/2016 01:19
    Eu acho importante saber contra-argumentar essas afirmações que a esquerda usa. Por essas razões que poucos liberais e anarcocapitalistas ganham um debate.
    Quanto ao meu questionamento, certamente deve haver uma resposta para essa afirmação, mas ainda não encontramos. Mas sabemos que o livre mercado é o único modelo econômico que gera riqueza e desenvolvimento para um país.

    Mas agradeço pela resposta.
  • Leandro  28/11/2016 15:33
    Aproveito o embalo para dizer que concordo com tudo o que foi escrito naqueles comentários (um deles, inclusive, foi copiado -- sem nenhum problema -- de uma resposta antiga que eu já havia dado a essa mesma pergunta).
  • Ismael Bezerra  30/11/2016 15:21
    Qual a solução? Imigrar?
  • Douglas  30/11/2016 17:46
    A solução é metade da população ir embora.
  • anônima das sextas  26/11/2016 00:39
    Mais um texto incrível de Juan Rallo! Consumo é sempre um assunto que, confesso eu, ainda não entendo muito bem sob o ponto de vista da filosofia libertária, e este texto foi altamente esclarecedor. Merece minhas cinco estrelas.
  • a  26/11/2016 08:50
    Sem poupar é impossível viver tranquilo.
  • Fernando  26/11/2016 20:21
    Eu invisto no Tesouro Direto quase 100%, não estou sendo capitalista rsrsrs
  • Dissidente Brasileiro  26/11/2016 22:42
    Mas está sendo conivente ajudando a financiar um inimigo direto: o estado. Quem compra títulos do TD faz exatamente isso. É algo tão óbvio que dispensa explicações.
  • Paulo  27/11/2016 01:39
    Mas se não for com títulos do governo, como a pessoa vai multiplicar o dinheiro? Qual é a empresa que permite que a gente invista em bitcoins pra receber os juros?
  • Dissidente Brasileiro  27/11/2016 20:46
    Paulo, hoje em dia tem um monte de empresas que trabalham com investimento em Bitcoin onde você pode lucrar com os juros. Aqui vão dois exemplos bem conhecidos:

    https://btcjam.com/invest/overview

    grayscale.co/bitcoin-investment-trust/

    Procure por "Bitcoin Investments" no Google para mais informações acerca desse assunto.
  • LG  01/12/2016 11:28
    Como o Liberalismo de Mises vê os especuladores, uma vez que eles não produzem bens "per se"?
  • Andre  01/12/2016 12:57
    Especuladores e traders fazem algo muito importante para a economia, dão liquidez ao sistema.

    Quando o Trump venceu as eleições e surpreendeu os mercados, que desabaram, adivinhe quem estava lá para permitir que os pais de família horrorizados pudessem sair ordenadamente das bolsas sem derreterem seu patrimônio? Os traders, eu estava lá.

    Especuladores idem na economia real. Quando você perde seu emprego e está endividado graças à política econômica porca do governo, anuncia seu carro 10% abaixo do preço de mercado e é vendido em poucas horas, agradeça ao especulador que mesmo num ambiente de crise total ainda tem $$$$ para lhe comprar os bens para que você possa alimentar seus fihos, eu estarei lá.

    "Eu, Mercado, nunca vou te abandonar, mesmo que o governo me proíba de trabalhar, meu irmão Mercado Negro emergirá para lhe fornecer tudo que precisar e mesmo quando o governo destruir completamente a moeda, nosso pai Escambo sairá da aposentadoria para lhe fornecer tanto poder de compra quanto for possível."
  • Guimarães  01/12/2016 13:02
    Quando você compra um bem antecipadamente, pois acredita que ele irá encarecer no futuro, você está especulando.

    Quando você vende um bem antecipadamente, pois acredita que ele irá baratear no futuro (como um carro), você está especulando.

    Quando você compra um imóvel para alugar, você está especulando.

    Quando você decide seguir uma profissão, você está especulando.
  • LG  01/12/2016 15:48
    Mais uma pergunta "básica" para quem ainda "estou" dando os primeiros passos na EA: E como fica isso do ponto de vista da EA? Vale o governo intervir desta forma? Embora eivado de boas intenções, o que pode vir a ocorrer na prática?

    www.oantagonista.com/posts/de-475-8-para-28
  • Auxiliar  01/12/2016 15:59
    Comentado e respondido aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2578#ac186517
  • Andre  01/12/2016 18:16
    EA? Isso é atroz até mesmo pra keynesiano.
  • Emerson Luis  05/12/2016 22:28

    Para espanto da maioria, capitalismo não é consumismo e sim poupança.

    Sim, o comércio e a mídia estimulam o consumismo. E a população gosta disso, claro!

    Mas quem está por trás disso? Quem, direta ou indiretamente, cria condições que dificultam (e até punem) a austeridade individual e promovem o consumismo?

    Quem cria condições que pressionam as empresas de modo que elas precisam aumentar cada vez mais as vendas para não entrar em falência?

    Sim, o verdadeiro promotor do consumismo é o governo/estado!

    * * *
  • Douglas  14/12/2016 01:16
    Acho engraçado quando esquerdistas falam que capitalismo é consumismo. Capitalismo é justamente o contrário: é a poupança de capital.
  • Hideki  24/11/2017 12:14
    Capitalismo e a busca por riquezas.
    E rico é quem consegue acumular e multiplicar o capital, já o pobre é o que consome toda sua renda e ainda precisa dar outro bem ao banco ou a loja.

    Black Friday é bom desde que compre o que precisa, não se endivide e não se importe em comprar produtos que estão saidno de catálogo.
  • Luiz Moran  22/11/2017 16:05
    Não deixem de aproveitar as ofertas da Black Friday brasileira: O DOBRO PELA METADE !
  • Marco de Tropoja  22/11/2017 23:15
    Black Fraude deveria ser o nome desta data.

    Uma coisa que sempre evito é me endividar,parcelar compra.

    Eu prefiro pagar um produto a vista.
  • Vinicius Gabriel Tanaka de Holanda Cavalcanti  23/11/2017 02:43
    Mas sem consumo também não tem produção. As pessoas morreriam de fome. O exemplo de 100% consumo vale o mesmo pra 100% produção. Para um indivíduo produzir outro deve consumir.
  • Humberto  23/11/2017 11:18
    Meu caro, consumo é inevitável. Nunca há consumo zero. Consequentemente, nunca há problema de demanda. Por definição.

    Demandar é algo que ocorre naturalmente; demandar é intrínseco ao ser humano. A partir do momento em que você sai da cama até o momento em que você vai dormir você está demandando coisas. Demandar coisas é o impulso mais natural do ser humano. É impossível viver sem demandar.

    Você gasta eletricidade, você consome alimentos, você consome combustível, você utiliza roupas, você gasta borracha, você compra mantimentos para a casa etc. Como não haver consumo?

    Por isso, a ideia de que é necessário "estimular a demanda" é completamente ilógica. A demanda é algo que ocorre naturalmente pelo simples fato de sermos humanos.

    Portanto, o problema não é e nem nunca foi "estimular a demanda". O grande problema sempre foi criar a oferta. De nada adianta haver demanda se não houver oferta.

    É exatamente a oferta o que sacia a demanda.

    O que permite a oferta? A produção. E o que permite a produção? O investimento. E o que permite o investimento? A poupança. Fim.

    Uma sociedade consumista consome todos os recursos (matéria-prima e insumos) disponíveis, impossibilitando que os mesmos sejam utilizados em investimentos de longo prazo, que são os que realmente elevam o padrão de vida da população.

    Por isso, investir e criar um sistema de produção em massa só é possível em sociedades poupadoras. Por definição. Lá no Sudão do Sul, todo mundo consome imediatamente tudo o que produz. Lá ninguém poupa. Tudo é imediatamente consumido. Como seria possível criar ali "um sistema de produção em massa"?

    Por fim, sempre há aquelas pessoas que pouparam muito no passado e que hoje podem se dar ao luxo de gastar mais. Esse é um processo contínuo. Consequentemente, sempre há no presente gastos de pessoas que pouparam no passado.

    Logo, o consumo nunca cairá. Por definição.
  • anônimo  23/11/2017 12:07
    Ótimo texto. Apresentou pontos pontos bem interessantes.
    Eu apenas queria pedir ao editor que corrigisse alguns errinhos no texto:

    "Já a segunda crítica consegue ser ainda pior, pois não há apenas não há nenhum fundamento nela, como ainda inverte totalmente a realidade."
    Existem dois "não há" nesse trecho.

    "É a poupança, é o não desejo de consumir tudo o que se pode, o que nos permite direcionar nossos esforços para satisfazer não os nossos desejos mais imediatos, [...]"
    Há um acento desnecessário no segundo "e". Creio que o certo seria: "É a poupança, e não o desejo...".
    Se a parte entre vírgulas for um aposto, desconsidere esse segundo apontamento.

    Grande abraço e parabéns pelo site.
  • Leandro  23/11/2017 12:22
    Sim, o segundo é um aposto. Já a correção da primeira sugestão foi feita. Obrigado pelo aviso e pelas palavras.
    Grande abraço!
  • Richard Stallman  23/11/2017 15:20
    Dong duff

    https://pictr.com/images/2017/11/23/6436d853a5dae56641cb60075f0301f9.jpg
  • Jobson Bronson  24/11/2017 22:41
    Os três princípios de João Calvino: TRABALHO, POUPANÇA E FRUGALIDADE.


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