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“Quero mudar o mundo e quero pra já!” - eis a receita para a tragédia
São idéias e ações imperceptíveis - e não projetos arrogantes - que criam prosperidade

Ontem à tarde, na academia de ginástica, ouvi uma conversa entre duas mulheres, cada uma já perto dos cinquenta anos de idade.  O assunto era a filha de uma delas, que havia acabado de entrar na faculdade.

Mulher #1 (falando para a mulher cuja filha entrou na faculdade): "Qual curso ela está fazendo?"

Mulher #2: "Ciências políticas.  Com o tempo, ela quer se candidatar a algum cargo público.  Ele vive me dizendo 'Mãe, quero mudar o mundo!'  E ela realmente fala a sério.  Hoje ela trabalha voluntariamente para a campanha de Hillary Clinton."

Mulher #1: "Mas isso é ótimo!  Você deve estar muito orgulhosa!"

Mulher #2: "Estou sim!"

.....

Não fosse eu um modelo de polidez e temperança, teria abordado a Mulher #2 e dito: "Senhora, não pude deixar de ouvir sua conversa.  Tenho apenas um pedido: por favor, diga a sua filha para ir cuidar da própria vida.  O mundo não precisa do tipo de mudança que políticos, tanto os atuais quanto os aspirantes, querem impor."

Essa ideia de "mudar o mundo" é, na melhor das hipóteses, juvenil e imatura.  Na pior, é completamente perigosa.

Sim, tenho certeza de que há muita coisa no mundo que poderia ser mudada para melhor.  Mas estou igualmente certo de que nenhuma mudança benéfica será alcançada por políticas de engenharia social implantadas por políticos e por outros burocratas do governo.

O mundo muda para melhor gradualmente, pouco a pouco, e de maneira experimental.  Nada é planejado.  Não existe um comitê planejando centralizadamente a construção de um mundo melhor. 

João abre um novo restaurante para concorrer com o restaurante já estabelecido de Paulo, e os consumidores — gastando voluntariamente seu próprio dinheiro — é que irão decidir, em última instância, qual dos dois continuará operando.  Ou se ambos continuarão funcionando.  Ou se ambos irão à falência.  Essa concorrência muda o mundo de uma maneira quase insignificante: as opções de restaurante naquela cidade são aprimoradas.

Guilherme abandona seu vício em álcool, volta ao mercado de trabalho e se especializa em uma profissão.  Ele consegue um emprego como eletricista ou mecânico, e se torna bem sucedido.  Ele melhora o mundo.

Ricardo inventa um novo aplicativo de celular para ajudar os ornitólogos e os observadores de pássaros a se manterem atualizados sobre locais interessantes nos quais há belos pássaros.  Essa criação, também, muda o mundo.

Mudança silenciosa ou mudança para pior

Com raras exceções, cada evento que de fato melhora o mundo é pequeno demais para ser detectado nas estatísticas.  Ele não é suficientemente digno de nota para lançar o nome do seu efetuador nas manchetes de jornais.  É apenas um entre milhões de aprimoramentos que ocorrem diariamente.  Cada um deles é ínfimo, mas a soma de todos eles se transforma em uma mudança notável ao longo do tempo.

Aquelas pessoas que querem "mudar o mundo" raramente param para pensar sobre exatamente qual aspecto do mundo precisa ser mudado.  Afinal, boa parte de tudo que existe no mundo atual é realmente muito bom, e não deve ficar à mercê dos embustes de qualquer "agente da mudança". Pior: as pessoas que querem mudar o mundo têm em mente esquemas que envolvem forçar os outros a se comportarem de uma maneira distinta daquela como se comportariam espontaneamente.

Nosso mundo mudou, maciçamente para melhor, ao longo dos últimos dois ou três séculos.  E praticamente todas essas mudanças vieram em doses tão pequenas, que os nomes daqueles que efetuaram cada mudança benéfica jamais se tornaram amplamente conhecidos, e foram hoje perdidos para sempre na névoa espessa da história. 

Aqueles "agentes da mudança" — embora não todos — cujos nomes são hoje muito conhecidos foram ou verdadeiros açougueiros humanos — como Hitler, Stálin, Mao Tsé-Tung — ou arrogantes 'homens do sistema' — como Franklin Roosevelt e Clement Atlee (ou Lula, Getulio Vargas e Ernesto Geisel) — que oneraram terceiros impondo a eles fardos e restrições contraproducentes, ainda que as destruições trazidas por essas medidas sejam ainda hoje amplamente negadas.

Gotas em uma piscina

A prosperidade material humana é como se fosse toda a água de uma enorme piscina. Quanto maior o nível da água, maior a nossa prosperidade.  O nível da água seria o "nível de prosperidade".

E como essa piscina é enchida?  Gota a gota.  Inúmeras pessoas — empreendedores, inventores, cientistas, financiadores, investidores etc. — se aglomeram em torno da piscina, cada uma delas contribuindo com uma gota ou duas de "água" adicional — a prosperidade adicional — de tempos em tempos.  Cada uma dessas gotas possui um efeito praticamente imperceptível sobre o nível da prosperidade. 

Coisas como novas cores de tinta para as casas, aparelhos de som de melhor de qualidade, novos aplicativos de smartphone, técnicas aprimoradas para alimentos congelados, lâmpadas mais duradouras, novas técnicas culinárias, máquinas de costura mais eficientes, ferramentas que facilitam a abertura de garrafas de vinho — a lista é praticamente infinita.  Tudo isso gerou um mundo melhor. Tudo isso passou quase que imperceptível quando surgiu.  E nada disso foi criado por um comitê que queria criar um mundo melhor.

Algumas pouquíssimas gotas são realmente grandes — por exemplo, a vacina contra a paralisia infantil e a inovação de Henry Ford nas técnicas de montagem de automóveis.  Mas praticamente todas as gotas são ínfimas.  Essas ínfimas gotas, no entanto, resultam conjuntamente em um incrivelmente alto nível de prosperidade material.

No entanto, os "agentes do mundo melhor" são impacientes.  Eles querem mudar o mundo agora, para já!  Querem que o nível de prosperidade seja aumentado de maneira repentina e de forma explícita, por meio de uma infusão gigantesca.  Só que, como cada um de nós individualmente, mesmo as grandes corporações, somos ínfimos em relação ao todo, nenhum de nós pode realmente ter a esperança de elevar o nível da prosperidade de maneira imediatamente notável.  Consequentemente, os "agentes do mundo melhor" acreditam que não basta "mudar o mundo" contribuindo com pequenas gotas; arrogantemente, querem fazer uma grande esguichada na piscina — uma medida que aumente o nível de prosperidade de maneira imediata e notável.

Ato contínuo, o que eles fazem?  Os mais brandos recorrem ao governo, aquela instituição que supostamente pode fazer uma grande esguichada.  Os mais radicais inventam modos de produção heterodoxos e anti-naturais, como comunismo, socialismo, fascismo e nazismo.

Para fazer uma grande esguichada, o governo tenta jogar baldes de água na piscina da prosperidade.  Infelizmente, dado que burocratas não são guiados por sinais de mercado, dado que eles desconhecem o sistema de lucros e prejuízos, dado todos os problemas já explicados pela Teoria da Escolha Pública, e dado que a natureza da prosperidade do mercado é crescer descentralizadamente e de maneira gradual, as grandes infusões que o governo faz são o resultado de galões vazios burocraticamente jogados na piscina.  Esses galões de fato geram uma estrepitosa pancada na água da piscina.  Eles frequentemente alteram o nível da prosperidade da piscina — para baixo.  Afinal, pancadas fortes na água da piscina geralmente fazem com que boa parte da água vá para fora da piscina, de onde ela evapora.

E mesmo se o nível mensurado de prosperidade da piscina for maior após o lançamento do galão, esse maior nível se deve ao fato de que agora há um enorme galão na piscina, o qual desloca um equivalente volume de água, dando a impressão de que há mais água na piscina.  Mas não há.  O real volume de prosperidade é menor.

Pura arrogância

A conclusão é que tentativas de "mudar o mundo" como um todo — mudá-lo de uma maneira que seja perceptível e identificável a uma ação ou a um conjunto de ações — são o ápice da arrogância.  Nenhuma mudança, não importa quão bem intencionado seja o agente da mudança, será para melhor.

Esforços benéficos para mudar o mundo quase sempre são sempre pequenos, graduais, e efetuados naquele setor voluntário da sociedade — nas transações comerciais voluntárias (mercado), nas famílias, na sociedade civil.  Não ocorre nem dentro do governo nem por meio do governo. 

As mudanças benéficas ocorrem ao se acrescentar pequenas gotas à piscina da prosperidade.  E não ao se dar grandes pancadas na água da piscina.

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Leia também:

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O que realmente cria a riqueza - e por que muitas pessoas são contra isso


21 votos

autor

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.


  • Bruno Feliciano  20/09/2016 15:55
    Que artigo excepcional!!!

    O IMB está pé embaixo,um artigo melhor que o outro!!!!!

    Estou no 3 ano de direito e o que eu mais presencio é exatamente essa visão de concurso público.
    É muito comum essa visão de mudar o mundo com o estado,que os problemas do Brasil serão facilmente resolvidos com estadismo.
    Canso de quebrar o pau com isso,alguns com o tempo acordam pra vida,outros ainda vivem no mundo da Xuxa e me tratam como o malvado terrestre.

    Grande abraço!!
  • Camila Salvador  21/09/2016 11:56
    Adorei a referência ao mundo da Xuxa! No meu caso, estou cansada daquele tipo de gente que fica seis, sete anos ou mais pra se formar, só defendendo o protecionismo do governo pra tudo e que isso deveria aumentar (e por isso se autoconsidera o cidadão do mundo melhor) e depois que finalmente se forma não quer nem trabalhar porque não tem certeza da escolha da carreira, mas acha que porque lê bastante, isso basta. Enquanto eu, que me formei e abri minha empresa, gero empregos, pago minhas contas, compro coisas, faço parte da engrenagem que faz girar a economia, sou taxada como a pessoa que não tem consciência e que faz piorar o mundo.
  • Bruno Feliciano  21/09/2016 18:38
    Exato.

    Sinto em lhe informar Camila,mas a minha geração esta repleta de futuros funcionários públicos,que infelizmente serão sustentados por pessoas como você,que realmente geram riqueza e emprego.
    Eu brigo muito em relação a isso na faculdade,mas lá existem poucos que pensam como eu.O pior é quando professores incentivam os alunos a serem parasitas,divulgando as benesses de mamar da teta do estado.
    Junto a isso,ainda fazem a cabeça deles de que a burocracia estatal é que resolve os problemas.

    Há alguma duvida de que a minha geração sera feita em sua maioria de parasitas e burocratas?

    Tenha orgulho de si própria,pessoas como você carregam esse país nas costas.Pode dormir com a conciencia tranquila e você tem toda a moral pra reclamar do país.

    Abraços
  • Renan Merlin  20/09/2016 16:09
    Pesquisando sobre o Bitcoin se ouvir que BITCOIN e uma moeda privada contra ponto a moedas estatais chamadas FIDUCIARIAS. Mas Bitcoin também não é fiduciaria? Ele não tem lastro e tem valor na confiança de quem recebe ou paga.
  • Gabriel  20/09/2016 19:00
    A Bitcoin tem valor pois é recurso escasso.
    a mineração digital da moeda é limitada pelo código que a gera, e não pode ser alterado, desta forma, ela tem uma dinamica de mercado parecida com o ouro...possui valor pois é escasso, e já que é um bem homogêneo e quantificável é perfeito para ser usado como moeda.
  • Mallico  20/09/2016 19:21
    Qual o lastro do Bitcoin?

    Propriedades matemáticas que garantem uma oferta monetária, cujo aumento ocorre a um ritmo decrescente a um limite máximo e pré-sabido por todos os usuários da moeda.

    Aprofunde seus conhecimentos lendo: Fernando Ulrich - BitCoin - A Moeda na Era Digital
  • Renan Merlin  20/09/2016 19:57
    Moeda Fiduciaria não é uma moeda sem lastro? Bitcoin também não tem lastro assim como o proprio ouro não tem lastro a não ser o valor subjetivo que as pessoas dão a ele.
  • Henrique Zucatelli  20/09/2016 22:22
    Renan meu garoto, não faça contorcionismo mental, é perigoso.

    Todo lastro, além do valor subjetivo possui em si uma constante real e palpável, que impossibilita que decretos, palavras ou qualquer tipo de balanço furado mude a realidade.

    Exemplo do ouro: o mesmo possui uma reserva mundial contabilizada certo? Logo o valor do mesmo só vai mudar se essa reserva subir (extração) ou diminuir (perdas através de processos produtivos, como sucateamento de componentes eletrônicos que impossibilitam a recuperação do ouro contido ali).

    Quanto mais raro mais vale. Quanto mais abundante, menos.

    Incluindo o Bitcoin nessa métrica, o lastro do mesmo se dá pela encriptação. A unica forma de gerar bitcoins é "minerando" o mesmo, através de um complexo processo de operações matemáticas, que obviamente custam tempo e recursos (equipamentos potentes, energia elétrica, etc).

    A falsa impressão que se tem com uma cripto moeda é que ela é fácil de replicar. Pelo contrário: o custo para obter um simples bitcoin é enorme, e por isso ele vale milhares de reais.

    Ao contrário de um bem lastreável, o valor de uma moeda fiduciária é relativo a outras moedas,sendo que o valor base é determinado primeiramente pela entidade emissora (Bancos Centrais) e secundariamente o mercado de valores mobiliários (bolsas de valores). Na razão tempo, seu valor oscila conforme diversas métricas como:

    - Inflação
    - Tamanho da base monetária (emissão e recolhimento de cédulas e dígitos)
    - Confiança de seus usuários

    Quando as moedas eram lastreadas em ouro e prata, tudo ia bem, pois o Estado só poderia em si gerir a base monetária, e não manipula-la.

    A grande pergunta é: Por que os Estados manipulam a base monetária, ou melhor, por que imprimem dinheiro?

    A grande resposta: porque gastam e tem esse poder. Quando fica imoral demais espoliar com impostos, simplesmente imprimem dinheiro através de reservas fracionárias, o que gera a famigerada inflação.

    Pergunta número dois: Por que existe inflação?

    Resposta: porque o Estado emite dinheiro sem lastro, para pagar suas próprias contas.

    Nesse contexto, a cada ano que passa o Estado fica mais rico (entenda Estado por burocratas e grandes empresários alinhados) e o povo fica mais pobre. Quanto mais inflação, mais riqueza para eles e mais pobreza para nós.

    Um abraço e por favor, não confunda mais as coisas.

  • Andre  20/09/2016 22:17
    Bitcoin não é moeda fiduciária por definição. Moeda fiduciária é emitida por governo ou por monopólio autorizado pelo governo e essa emissão não tem um limite definido. A única coisa que garante o valor da moeda fiduciária é a percepção positiva com relação a economia e as instituições do determinado país que a emitiu. Qualquer abalo na economia daquele país ou em suas instuições afeta, portanto, o valor da moeda de maneira drástica.
    O valor do Bitcoin e de outras criptomoedas, por sua vez, deriva do fato de que as mesmas são emitidas de forma independente e com número sabidamente limitado desde o princípio. Em outras palavras a criptomoeda é, por definição, um recurso escasso, ao contrário da moeda estatal fiduciária que pode ser impressa ad infinitum (e portanto tende a um valor cada vez menor essencialmente).
  • cmr  22/09/2016 03:15
    O bitcoin tem valor porque tem gente que confia nele, basicamente isso.

    É só ocorrer uma fraude ou qualquer coisa do tipo, que o valor dele despenca.
    Dinheiro de papel você ainda pode colecionar, usar como papel higiênico ou até acender fogão de lenha com ele.
    Já o bitcoin..., Fazer o que com essa sequencia de bits ?.

    Lembrando que já tem outras cripto moedas tidas como muito mais seguras do que o bitcoin,
    como o Litecoin, Dogecoin, etc... Logo, se for entrar nisso, é melhor ficar bem atento mesmo e não apostar tudo nisso.

    Agora, eu gostaria de saber quem venderia sua casa, sendo esta todo o seu patrimônio, aceitando bitcoins.
    Fazer transações de baixo valor é fácil, quero ver quem empata o seu patrimônio nessa doideira.
  • anônimo  20/09/2016 16:10
    Pessoas que querem mudar o mundo são egocêntricas, imaturas e carentes. Pessoas humildes e maduras procuram apenas viver sua vida e cuidar de sua familía.
  • Rennan Alves  20/09/2016 16:24
    "João abre um novo restaurante para concorrer com o restaurante já estabelecido de Paulo, e os consumidores — gastando voluntariamente seu próprio governo...".

    No trecho acima não seria "seu próprio dinheiro"?

    Se bem que seria deveras atrativo vender Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Dilma, Lula, et cavera como mão de obra escrava...
  • Guilherme Senna  20/09/2016 16:24
    Excelente artigo. Aos leitores do IMB, compartilho link para o artigo que publiquei em meu blog, intitulado "Liberdade Econômica x Desenvolvimento Social". Leiam e comentem!

    https://sennagn.wordpress.com/2016/09/14/liberdade-economica-x-desenvolvimento-social/




  • Gabriel Thomé  20/09/2016 16:37
    Como seria útil ter o pensamente de Hayek, quanto ao conhecimento espalhado por todos os indivíduos da sociedade, sendo pauta de discussão em escolas de ciências sociais. Muitas pretensos heróis seriam evitados.
  • Cauan Muller  20/09/2016 17:01
    Caro Leandro Roque,

    Primeiramente gostaria de agradecer pelos seus eficientes argumentos e textos que me trouxeram a curiosidade necessária para procurar cursar economia (ando estudando muito).

    Mas o que me fez escrever esse comentário é uma dúvida-argumento que formulei sobre o anarcocapitalismo, antes de mais sou liberal, apenas segurança e justiça entram na minha concepção de minarquia.

    Eis o argumento:

    Premissas:

    - o nível de incomodo que faz um indivíduo proclamar que sofreu agressão varia de pessoa a pessoa, pois varia do cálculo subjetivo individual de valor proveniente da avaliação entre o custo para tomar uma providência ou recorrer juridicamente e uma ação passiva que consente.

    - conflitos entre dois indivíduos que venham da divisão conceitual entre externalidade negativa e agressão à propriedade, os quais participam de associações ou empresas de segurança distintas, que também possuem divisões conceituais distintas, ocorrerão. Já que essa situação vem do cálculo subjetivo já citado, ou seja, cada pessoa possui uma distinção diferente, uma vez que cálculo de valor é individual e varia entre as pessoas, visto que ao menos um dos indivíduos demandou o processo legal. Isto é, seu cálculo subjetivo é diferente do outro envolvido.

    - esses conflitos teriam solução se houvesse apenas uma livre associação e que os participantes dessa concordassem com as distinções entre externalidades negativas e agressões. Dado que já haveria um rito jurídico concordante definido para solucionar o conflito.

    - se houvesse apenas uma associação e que mantesse seu monopólio partindo desse consenso é equivalente na prática a um estado de direito. Sendo que essa é a origem do estado. O estado ultra-mínimo.

    Conclusão:

    A noção da divisão jurídica entre externalidades negativas e agressão à propriedade precisam ser positivadas, arbitrariamente ou não, mas precisam.

    ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

    Espero que me responda...
  • Mallico  20/09/2016 19:26
    Minarquistas são inimigos da Liberdade, assim também o são os defensores desse blablablá de estado mínimo, ultra-mínimo, ultra-super-hiper-hard-mínimo, qual a próxima definição para o esbulho?

    Porque a Liberdade assusta tanto? Porque as pessoas recorrem ao estado?

    Seus argumentos não merecem resposta, todos já foram amplamente refutados pelo Nozick e pelo Rothbard.
  • Cauan Muller  20/09/2016 22:00

    Em primeiro lugar, estou argumentando, ou no mínimo tentando argumentar, o que por si só já tacitamente uma atitude civilizada. Por isso não vejo motivo para esse : "não merece resposta" . Não sou um inimigo da liberdade, pois até creio que quanto mais eu estiver estudando, no ritmo que estou agora, me tornarei, num futuro próximo, um anarquista de mercado, mas isso é só achismo; uma análise racional dos argumentos é obviamente necessária.

    Em segundo lugar, o próprio Nozick cunhou o termo estado ultra-mínimo, em uma perspectiva do surgimento natural do estado que surge da necessidade de proteção mútua numa comunidade, logo após a especificação do trabalho cresce, e com essa cresce a especificação para a proteção, desse ente, digamos de novo, CUNHADO POR NOZICK.

    Além do mais, qual é o problema debater?

    Por fim, vou fazer uma síntese do meu argumento:

    - definição de externalidade negativa e agressão é subjetiva
    - tal definição se varia devido à sua natureza subjetiva
    - conflitos que surgem desse problema de definição vão ocorrer
    - a única forma de resolver esse conflito seria se existisse apenas uma associação ou consenso sobre essa distinção. Isso na prática é o embrião do estado de direito. Logo, o estado tem demanda.

    Conclusão: A noção da divisão jurídica entre externalidades negativas e agressão à propriedade precisam ser positivadas, por um estado, para haver solução.

  • Henrique Zucatelli  20/09/2016 22:39
    Mallico, boa noite.

    Sei que já comentei aqui, mas vale relembrar. Não existe somente uma escola de pensamento libertário, pois existem tantas culturas quanto estrelas no céu.

    Há de se aceitar, seja ancap, liberal clássico (eu), minarquista ou até mesmo comunista libertário (sim, eles existem) que tudo é adaptável ao tempo, espaço e ao povo.

    Há seres humanos que querem liberdade completa e irrestrita e anseiam por micro estados privados que nada mais são do que condomínios, ou monarquias modernas.

    Bem como há seres humanos que acreditam no Império das Leis - ou monocracia, onde elites naturais são guardiãs de certos preceitos moralmente aceitáveis e inalteráveis dentro do contexto daquele Estado.

    Também existem aqueles que prezam pela democracia e alternância de poder - pois ela é uma interpretação de liberdade (Mises era um deles), porém tendo o Estado com um papel mínimo e restrito a questões básicas como segurança de fronteiras. Esses são os minarquistas.

    E há aqueles que coletivamente idealizam um líder centralizador, um Messias, que irá leva-los para um caminho de prosperidade e paz.

    Qual a grande questão hoje? Que cada corrente de pensamento considera a outra ridícula e ultrapassada, e quem tem mais poder anula a próxima. Pois eu sou totalmente contrário a isso.

    Penso eu que cabe o respeito ao pensamento do próximo sem desconsiderar a análise racional de cada ponto ou contraponto.

    Exemplifico com a polêmica da pedofilia. Como se processa isso em cada caso:

    ANCAP: Cada família cuida da sua vida, e sendo os filhos propriedades dos pais, o consentimento destes pode permitir que até recém nascidos possam ter relações sexuais com adultos, não se restringindo a isso: caso queiram vender seus filhos, podem faze-lo livremente. O máximo que pessoas insatisfeitas com essa atitude poderão fazer é se negar a fazer negócios com os agentes do ato.

    LIBERAL CLÁSSICO: Se dentro das leis locais a pedofilia for imoral, o cidadão que cometer ou os pais que permitirem serão julgados pelo próprio povo ou seus representantes, sendo punidos conforme reza a lei local.

    MINARQUISTA: Se dentro das leis locais a pedofilia for imoral, o cidadão que cometer ou os pais que permitirem serão presos pela polícia local, levados a juri e condenados conforme reza a Constituição daquele Estado.

    Para concluir (por hora), minha opinião é de que quem quiser montar seu Estado particular, se associar ou mesmo eleger um líder pode e deve faze-lo. Só assim a humanidade vai encontrar o caminho ideal de evolução.

  • Cauan Muller  20/09/2016 23:05
    Henrique Zucatelli,

    Eu compartilho sua visão minarquista, principalmente sob a ótica que eu apresentei acima.

    Mas observe: a moral é absoluta, e isso é algo amplamente debatido por ancaps. Não obstante, você disse que ancaps defendem a venda de crianças e pedofilia:

    "ANCAP: Cada família cuida da sua vida, e sendo os filhos propriedades dos pais, o consentimento destes pode permitir que até recém nascidos possam ter relações sexuais com adultos, não se restringindo a isso: caso queiram vender seus filhos, podem faze-lo livremente. O máximo que pessoas insatisfeitas com essa atitude poderão fazer é se negar a fazer negócios com os agentes do ato. "

    Isso é errado, o corpo argumentativo ancap explicita que a venda da guarda da criança pode ocorrer, não a criança, isto é, se você comprar a guarda de uma criança e abusar sexualmente dela, você ainda vai merecer um tiro no saco e sangrar até a morte. Quer dizer... Ser punido.
  • Fabrício  21/09/2016 01:46
    Mallico,

    Os textos do site são sempre muito bons, mas, por vezes, a área de comentários é tão ou mais proveitosa - aqui é onde acontecem os debates e vários pontos são esclarecidos pra quem não teve um aprendizado mais sistemático sobre EA.

    Sobre o comentário do Cauan, eu concordo contigo e acredito que uma sociedade completamente livre e voluntarista seria provavelmente mais eficiente em resolver os problemas cotidianos do que um Estado impositivo. Mesmo assim, não tenho o conhecimento necessário para elaborar essa ideia. Então, porque você não elabora uma pequena resposta com a refutação de Nozick e Rothbard ? Certamente seria útil para mim, para o Cauan e provavelmente para muita gente que lê os comentários. Além do mais, é sempre bom propagar e esclarecer as ideias de liberdade - a gente tá precisando muito disso... Joga uma gota na piscina aí!
  • Andre  20/09/2016 22:51
    Cauan,
    supondo que essa entidade de justiça venha a existir, é preciso considerar se:
    1. Ela surgiu de forma voluntária, oferecendo um serviço que foi utilizado de forma não coercitiva pela população.
    2. Ela conquistou o mercado monopolístico de forma voluntária.
    Se sim, ela é absolutamente compatível com uma sociedade livre. Ela em nada se associa ao Estado moderno pois a confiança nela e o financiamento de seu poder de solucionar conflitos decorre da escolha consciente dos consumidores.
    Ela só passa a ser nociva ao mercado se:
    1. Ela começa a cobrar compulsoriamente (imposto) de todo mundo, incluindo de quem nunca usou o sistema, ou
    2. Ela impede, por meio de força coercitiva, a entrada de novos concorrentes no mercado.
    Não havendo essas condições, não há problema.
  • Cauan Muller  20/09/2016 23:18
    André, antes de tudo, muito obrigado por promover um debate racional e civilizado.

    Compreendo sua avaliação.

    Vou me esforçar para esclarecer mais o ponto e reforçar a minha tese perante sua crítica:

    Isso não é uma "refutação" do anarquismo de mercado, é apenas uma dúvida-argumento sobre a impossibilidade de resolver esses conflitos numa sociedade livre.? E se essa associação -- que resolve os conflitos, os quais partem da diferença da avaliação subjetiva das pessoas entre externalidade que afeta a propriedade e agressão à propriedade (ufa!)-- surgiria naturalmente numa sociedade livre.

    Entendo o ponto da escolha, realmente, se há a possibilidade de criar outra associação ou empresa para resolver conflitos, então não é estado. Mas isso não responde à crítica de que não há como resolver esse tipo de conflito sem direito positivado.

    Em outras palavras:

    A divisão jurídica e conceitual entre externalidade negativa que afeta a propriedade e agressão à propriedade precisa ser positivada, por um estado, para haver solução para os conflitos provindos da distinção subjetiva da mesma e que, por sua vez, varia muito entre as pessoas. E organicamente e espontaneamente o estado surge para resolver esses problemas.
  • Andre  21/09/2016 00:11
    Para que o conflito seja mediado, evidentemente, é necessária a noção do que é aceitável ou não, seja dentro de um mecanismo de common-law ou qualquer outro. Essa noção do que é minimamente aceitável ou não, apesar de necessária, não justifica a existência do Estado (ainda mais quando a própria existência do Estado já pressupõe a quebra das leis que ele diz defender).
    A pergunta que creio que você quer fazer no fundo é: de onde viria, então, a noção difundida entre as pessoas do que é minimamente aceitável ou não?
  • Rodolfo A. Germano  21/09/2016 02:07
    Cauan, se estou entendendo bem, vc está sugerindo que externalidade negativa necessariamente pressupõe impossibilidade de responsabilização e que, por esse fato, há que se positivar e tipificar, como se nenhuma externalidade negativa jamais se confundisse com agressão à propriedade.
    Eu entendo que não existe essa necessidade, pois para se responsabilizar alguém há propriedades bastante robustas capazes de estabelecer culpabilidade, até porque o direito consuetudinário até hoje é utilizado para dirimir as omissões da positivação. Não há motivos para crer que ele não seria útil nesses casos.
  • Cauan Muller  21/09/2016 01:35
    Andre,

    Sim -- para sua pergunta-- em suma, como eu argumentei, levando em conta a subjetividade da avaliação sobre o que é aceitável encarar como agressão ou não; bem como, também, a necessidade de se resolver esses conflitos; o estado surge como uma ferramenta que soluciona tais conflitos. No mais, é uma ferramenta que é demandada justamente pela sua eficiência nisso, eficiência cuja origem deriva de sua habilidade de positivar um rito jurídico para, e uma determinação legal entre, externalidades (negativas) e agressão à propriedade.

    Agora quanto a:

    " Essa noção do que é minimamente aceitável ou não, apesar de necessária, não justifica a existência do Estado (ainda mais quando a própria existência do Estado já pressupõe a quebra das leis que ele diz defender). "

    Isso levanta um ponto muito interessante e que, creio eu, é abordado de forma errada na maioria das discussões a repeito da utilidade do estado, bem como sua legitimidade.

    Siga o raciocínio, Andre.

    Para facilitar a compreensão do argumento vou dividir a questão cerne acima em duas:

    1- O estado, ontologicamente, possui tecnicalidades a seu dispor que resolveriam conflitos e situações mais corretamente que a livre associação, a qual nega a priori o uso da força, possuiria? Se sim, quais conflitos? Por que a livre associação não consegue contornar isso?

    2- Essa possível melhor resolução de conflitos que faz o estado, eticamente argumentando, legitima sua existência?

    Creio que essa abordagem é melhor para uma compreensão lógica.

    Para prosseguir, o problema, ao meu ver, nas discussões que cercam a questão número dois (e era sobre isso que eu falei ali acima) é a falta de axiologia, em última instância, escala de valores distintas entre os debatedores e a não discussão sobre elas.

    Pode parecer óbvio mas os debates deviam começar daí, pois sem essa discussão anterior uma conclusão racional do debate não irá nunca ocorrer, sendo que as posições iniciais não são questionadas, ou seja, no aprofundar do debate, mesmo ambos usando argumentos racionais e coerentes, não se chega a uma conclusão correta mútua, visto que as bases dos "prédios" são diferentes.

    E, nesse caso, uma resolução racional dum maior número de conflitos entre indivíduos é preferível, tendo em vista os direitos naturais, é algo preferível e um valor mais racional e coerente do que não utilizar essa resolução.

  • Andre  21/09/2016 16:04
    A discussão ai passa a ser mais filosófica do que pragmática (não deixando de ser pragmática, entretanto):
    Sim, o "Estado de direito" moderno, apesar dos pesares, serve para solucionar alguns conflitos. Mas perceba: Eu não estou dizendo que ele é A MELHOR forma de fazer isso, ou que ele é A ÚNICA forma de fazer isso. Eu simplesmente não posso fazer essa afirmação. Posso dizer que ele é uma forma possível (visto que existe). Entretanto a mera existência da justiça ou de qualquer outra estrutura estatal (educação, saúde) como paradigma atual não quer dizer que a mesma seja eficiente, desejável ou muito menos moral. Ainda que o Estado fosse ótimo em solucionar conflitos (o que, convenhamos, não é o caso), seria justo manter esse sistema funcionando à base de riqueza extraída de forma compulsória de terceiros? É essa a grande questão no final das contas: a forma de financiamento. Para o libertário radical ou anarcocapitalista o problema vai se resumir a isso: a justiça estatal, para existir, pressupõe a espoliação de terceiros. Esse próprio tipo de justiça seria, portanto, injusta, visto que a base moral libertária tem como princípio a não-agressão (e o atentado contra a propriedade de forma coercitiva é considerado agressão).
    Então, tentando responder ao número dois, mesmo que o Estado fosse eficientíssimo em solucionar conflitos, o libertário/anarcocapitalista não concordaria com a existência de um direito estatal só por isso visto tratar-se de uma filosofia moral, não utilitária. O libertário não defende o livre-mercado apenas porque tende a funcionar melhor. Esse é um grande plus, mas não é a base da filosofia. A base moral da filosofia libertária é a não-agressão.
    Agora se a não-agressão é, de fato, um princípio natural auto-dedutível, absoluto e constante é uma outra discussão bem mais cabeluda.
  • Indivíduo  21/09/2016 00:13
    Existem infinitos motivos para justificar a existência do estado, mas nenhum deles vai solucionar o SEU problema.
  • Henrique Zucatelli  21/09/2016 11:22
    O debate é longo e fervoroso quando contrapontos de opinião se fazem presentes.

    Por isso defendo que cada grupo de indivíduos afins pode e deve montar seu Estado (Hoppe). Só assim todos serão mais felizes.

  • Andre  20/09/2016 18:13
    Quando ouço algum jovem falando em mudar o mundo via estado já penso nos filhos adolescentes bem nascidos dos meus clientes, o quarto bem bagunçado, a pick up igual um chiqueiro e a conta bancária parecendo uma versão miniatura do quadro fiscal brasileiro.

    Aí vai lá a boiada elege gente que não consegue nem administrar os próprios problemas e acha impressionante quando tudo dá errado.
  • Rafael  20/09/2016 18:46
    OFF - Para onde foi o índice de artigos por assunto que tinha no rodapé do site antigo? Era excelente para se pesquisar sobre um assunto específico.
  • Anderson  20/09/2016 20:56
    www.mises.org.br/subjects.aspx
  • Rafael  20/09/2016 22:03
    Ah, excelente, obrigado. Se eu entendi bem, o link não se encontra visível, mas você pegou o link do site velho, não foi? Acabei de ver isso aqui pelo web.archive.org, não tinha pensado nisso.
  • Michel Benatti  20/09/2016 18:58
    Todas as utopias são na verdade distopias.
  • Marcos  20/09/2016 19:18
    Penso que há um motivo que "justifica" tentar algo na política ou na carreira pública.
    Justamente, para frear o Estado.
  • Ebenezer  20/09/2016 21:16
    Dica show-de-bola para artigos traduzidos (como este): incluir link para o original.
  • Alan  20/09/2016 22:13
    "Sim, tenho certeza de que há muita coisa no mundo que poderia ser mudada para melhor. Mas estou igualmente certo de que nenhuma mudança benéfica será alcançada por políticas de engenharia social implantadas por políticos e por outros burocratas do governo."

    Se nenhuma mudança feita por políticos pode ser benéfica à sociedade me respondam:

    1 - Como ocorreu a redução da jornada de trabalho? Os patrões, sozinhos, decidiram que os trabalhadores já não trabalhariam 16h diárias porque isso era desumano?

    2 - Como se explica o aumento nos níveis socioeconômicos e da quase dizimação da extrema pobreza e fome com o bolsa família?

    Sério mesmo que vocês acham que o Estado não pode contribuir em nada para a sociedade e que a "mão invisível" vai permitir um mundo mais humano e pródigo?
  • Delon  20/09/2016 22:40
    "Como ocorreu a redução da jornada de trabalho? Os patrões, sozinhos, decidiram que os trabalhadores já não trabalhariam 16h diárias porque isso era desumano? "

    Aqui:

    O mercado, e não os sindicatos, nos propiciou o lazer e o descanso

    Agradeçamos ao capitalismo pelo fim de semana e pela redução da jornada de trabalho

    "Como se explica o aumento nos níveis socioeconômicos e da quase dizimação da extrema pobreza e fome com o bolsa família?"

    Nossa! Políticos acabaram com a fome?! Mas que seres super-humanos! Quer dizer então que eles arregaçaram as mangas e foram plantar mais arroz, feijão e tomate para a população?

    Estou com lágrimas nos olhos. Vamos canonizá-los! Foram os políticos que plantaram comida e a puseram fartamente no prato do povo! Que santos!

    Será que isso só aconteceu no Brasil? Será que é só aqui que temos políticos sacrossantos? Será que na opressora Suíça também foi assim?

    Agora, hora de sair das aulinhas da oitava série:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2509
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2191

    "Sério mesmo que vocês acham que o Estado não pode contribuir em nada para a sociedade e que a "mão invisível" vai permitir um mundo mais humano e pródigo?"

    Sério mesmo que você acha que exatamente aquela instituição que destrói o padrão de vida dos mais pobres é justamente que irá ajudá-los? Saia da sala de aula e venha para o mundo real. São pessoas com sua mentalidade que perpetuam o nosso atraso.

    "Sem o estado, quem cuidará dos pobres?"
  • Ricardo  20/09/2016 22:42
    Sou suinocultor e meu produto (barato) enche a barriga dos pobres. Considero extremamente ofensivo um filhinho de papai (facilmente constatável pelo uso da adolescente gíria "sério mesmo?") vir aqui dizer que quem sacia a fome dos pobres são os políticos e não o produto do meu árduo trabalho.

    Lamentável ver a mentalidade estatista e coitadista do brasileiro médio.
  • Tulio  20/09/2016 22:43
    O Alan disse que quem ajuda os pobres são os políticos. Perguntas ao Alan:

    Quem é que adota políticas -- como déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres?

    Quem é que, além de destruir o poder de compra do dinheiro -- gerando inflação de preços -- ainda impõe tarifas protecionistas para proteger o grande baronato industrial, com isso impedindo duplamente que os mais pobres possam adquirir produtos baratos do exterior?

    Quem é que, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encarece artificialmente os preços das moradias e joga os pobres para barracões, favelas e outras áreas com poucas expectativas de vida?

    Quem é que impede que os moradores de favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas empresas, fornecer empregos e, de forma geral, se integrar ao sistema produtivo?

    Quem é que tributa absolutamente tudo o que é vendido na economia, e com isso abocanha grande parte da renda dos pobres?

    Quem é que, por meio de agências reguladoras, carteliza o mercado interno, protege grandes empresários contra a concorrência externa e, com isso, impede que haja preços baixos e produtos de qualidade no mercado, prejudicando principalmente os mais pobres?

    Quem é que cria encargos sociais e trabalhistas que encarecem artificialmente e mão-de-obra e, com isso, gera desemprego, estimula a informalidade e impede que os salários sejam maiores?
  • Murdoch  21/09/2016 00:38
    Que surra. Depois dessa eu teria vergonha de comentar qualquer coisa.

    "2 - Como se explica o aumento nos níveis socioeconômicos e da quase dizimação da extrema pobreza e fome com o bolsa família? "

    O bolsa família foi o mais prejudicado pelas políticas populistas do governo petista, com "déficits orçamentários e expansão do crédito via bancos estatais -- que destroem o poder de compra do dinheiro, perpetuando a pobreza dos mais pobres."
  • Alan  21/09/2016 14:06
    Túlio:
    Tudo isso são obras de um Estado ineficiente. Pra melhorar isso, não é necessário extingui-lo e sim melhorar a sua qualidade para que ele possa trabalhar para o povo. Concorda com o que você expôs, porém não acredito que a melhor alternativa seja o livre mercado.

    Murdoch:
    Você já viu os indicadores sociais antes e depois da implementação do bolsa família? Dá uma procurada ai pra você ver. Não a toa que projetos parecidos foram colocados em prática em vários cantos do mundo. E pode ter certeza que não foi o Bolsa Família que destruiu o poder de compra do brasileiro.

    Anônimo:
    Quero ver você aguentar trabalhar 16h por dia como era antes sem reclamar pra ganhar um salário miserável porque aquela é a única opção pra você poder viver. Hoje em dia as coisas estão bem melhores. Não entendi qual a relação de sua resposta ao meu texto.

    Obrigado pela discussão.
    Se discordas de mim, tu me enriqueces. (Dom Hélder Câmara)
  • Afonso  21/09/2016 17:01
    "Tudo isso são obras de um Estado ineficiente. Pra melhorar isso, não é necessário extingui-lo e sim melhorar a sua qualidade para que ele possa trabalhar para o povo."

    Essa conversa vem desde 1500. Quando é que este estado dos sonhos vai finalmente surgir? Acreditar nisso não é o mesmo que acreditar no Noel ou no Coelhinho?

    "Concorda com o que você expôs, porém não acredito que a melhor alternativa seja o livre mercado."

    Não é uma questão de concordar, mas sim de aceitar "o que tem pra hoje".

    "Você já viu os indicadores sociais antes e depois da implementação do bolsa família?"

    E você já viu os indicadores sociais antes e pós-recessão? Meu caro, é isso que você se recusa a entender: sem uma economia de mercado funcionando, não há indicadores sociais que resistam.

    Políticos não fazem milagres (ao contrário do que você pensa). Políticos conseguem, no máximo, enganar: quando a economia está indo bem e as pessoas estão enriquecendo, eles vêm a público e dizem que tudo está melhor por causa deles.

    E, pelo visto, há incautos que acreditam nisso. Impressionante.

    P.S.: vá ver os indicadores sociais antes e pós-2015.

    "E pode ter certeza que não foi o Bolsa Família que destruiu o poder de compra do brasileiro."

    E quem é que falou isso, cidadão? Mais uma prova de que você discute sem nem ler.

    "Quero ver você aguentar trabalhar 16h por dia como era antes sem reclamar pra ganhar um salário miserável porque aquela é a única opção pra você poder viver."

    Eu não mais preciso trabalhar 16 horas por dia porque, graças ao capitalismo e a toda riqueza criada pela economia de mercado, há muito mais riqueza disponível. Graças à acumulação de capital, há hoje bens de capital -- máquinas, ferramentas e equipamentos -- que tornaram meu trabalho mais produtivo. Posso fazer em apenas 6 horas aquilo que antes levava de um a dois dias.

    E é exatamente esse tipo de progresso que você nega. Pior ainda: diz que tudo o que melhorou se deve a políticos.

    Que mentalidade trágica.
  • Alan  21/09/2016 17:37
    Afonso:
    1º - Olha os IDH dos países Nórdicos. Não existe um Estado 100% eficiente, mas os dos desses países tem maior qualidade de vida do que os neoliberais.

    2º - Não sou obrigado a aceitar algo que não é provado como sendo eficiente.

    3º - Os indicadores sociais de hoje (recessão) são melhores do que antes da implementação do bolsa família. Dá uma procurada ai nos dados e ver se estou mentindo.

    4º - Como é possível dizer que as decisões políticas não interferem monstruosamente na vida da população? Repare só Estados como os países nórdicos em relação à Venezuela e Bolívia. Em todos esses há fortes intervenções estatais, porém enquanto os primeiros são líderes no IDH, os 2 últimos são miseráveis.

    5º - Verdade, me equivoquei na leitura sobre o Bolsa Família e diminuição do poder de compra do dinheiro. Referia-me ao texto do Murdoch, acima do meu.

    6º - Onde eu disse que o progresso se devia apenas aos políticos? Gentileza me aponte onde.

    7º - "Eu não mais preciso trabalhar 16 horas por dia porque, graças ao capitalismo e a toda riqueza criada pela economia de mercado". Pode me mandar uma fonte, sem ser Mises.Org ou outra liberal, que prove isso? Fico no aguardo.
  • Afonso  21/09/2016 19:01
    "Olha os IDH dos países Nórdicos. Não existe um Estado 100% eficiente, mas os dos desses países tem maior qualidade de vida do que os neoliberais."

    Legal você citar os países nórdicos. Segundo o site "Doing Business", nas economias escandinavas,

    1) você demora no máximo 6 dias para abrir um negócio (contra mais de 130 no Brasil);

    2) as tarifas de importação estão na casa de 1,3%, na média (no Brasil chegam a 60% se a importação for via internet);

    3) o imposto de renda de pessoa jurídica é de 22% (34% no Brasil);

    4) o investimento estrangeiro é liberado (no Brasil, é cheio de restrições);

    5) os direitos de propriedade são absolutos (no Brasil, grupos terroristas invadem fazendas e a justiça os convida para negociar);

    6) e o mercado de trabalho é extremamente desregulamentado. Não apenas pode-se contratar sem burocracias, como também é possível demitir sem qualquer justificativa e sem qualquer custo. Não há uma CLT nos países nórdicos.

    7) Não existe salário mínimo.

    Na Dinamarca, por exemplo, não há nem sequer indenização por demissão (mesmo sem justa causa) e nem leis trabalhistas que restrinjam horas extras (empregado e patrão acordam voluntariamente as horas de trabalho), o que permite que as empresas dinamarqueses operem 24 horas por dia, 365 dias por ano.

    De fato, isso é bem mais liberal do que vários "estados neoliberais", seja lá o que signifique essa bobagem.

    A única coisa que os escandinavos têm de menos liberal que o Brasil é o IRPF, que tem uma maior alíquota (óbvio, lá a população é muito mais rica, o que significa que ela pode arcar com mais).

    Artigos sugeridos:

    Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

    Sim, deveríamos ser mais parecidos com a Suécia - quer tentar?

    Mitos escandinavos: "impostos e gastos públicos altos são populares"

    Como a Suécia (ainda) se beneficia de seu passado de livre mercado

    Sobre a grande depressão da Suécia

    "Não sou obrigado a aceitar algo que não é provado como sendo eficiente."

    Não faço a mínima ideia do que você está falando.

    "Os indicadores sociais de hoje (recessão) são melhores do que antes da implementação do bolsa família. Dá uma procurada ai nos dados e ver se estou mentindo."

    Ufa! Ainda bem, né? Já pensou se hoje, em pleno 2016, os indicadores fossem piores que os de 2000?

    Cidadão, à exceção de Cuba e Coreia do Norte, o padrão de vida de toda a população mundial só faz crescer. Todo mundo está melhor e mais rico hoje do que há 16 anos atrás. Sem perceber, você acabou de elogiar toda a criação de riqueza possibilitada pela economia de mercado.

    A menos, é claro, que você ache que todos estão mais ricos por causa de políticos, que fazem apenas tributar pessoas. Gostaria muito de ver uma teoria que mostre que tomar dinheiro da população gera enriquecimento para a população.

    "Como é possível dizer que as decisões políticas não interferem monstruosamente na vida da população?"

    Hein?! Cidadão, é exatamente sobre isso que este site fala! Quanto mais estado, mais decisões políticas. Quanto mais decisões políticas, maiores e mais monstruosas as interferências nas vidas dos cidadãos!

    Carai....

    "Onde eu disse que o progresso se devia apenas aos políticos? Gentileza me aponte onde."

    Ora, lá na sua primeira participação. Você disse que foram os políticos os responsáveis pela redução da jornada de trabalho, pelo aumento dos níveis socioeconômicos e pela dizimação da extrema pobreza.

    Seria interessante você explicar como é que uma atividade que se baseia exclusivamente em tomar dinheiro da população pode ser capaz de criar riqueza. Sigo no aguardo até agora.

    Mas que bom que você agora está tendo a humildade, ainda que tímida, de reconhecer o erro. Ainda dá tempo de se retratar.

    "Eu não mais preciso trabalhar 16 horas por dia porque, graças ao capitalismo e a toda riqueza criada pela economia de mercado". Pode me mandar uma fonte, sem ser Mises.Org ou outra liberal, que prove isso? Fico no aguardo."

    A sua aversão à leitura lhe deixou a descoberto. Em cada um dos artigos que lhe foi sugerido, há várias fontes externas servindo de lastro para cada afirmação. O fato de você não saber disso mostra que você nem sequer leu nada, o que denota incrível insegurança e uma postura totalmente anti-intelectual.

    Vou mastigar para você:

    www.jstor.org/stable/2123771?seq=1#page_scan_tab_contents
    https://eh.net/encyclopedia/hours-of-work-in-u-s-history/
    https://crew.co/backstage/blog/why-you-shouldnt-work-set-hours/
    economia.elpais.com/economia/2015/07/09/actualidad/1436429663_457877.html

    Especificamente no primeiro link, que é um trabalho acadêmico, o economista e historiador Robert Whaples diz que:

    "Mais de 80% dos historiadores econômicos já aceitam a idéia de que a redução na jornada de trabalho semanal nas indústrias americanas antes da Grande Depressão deveu-se majoritariamente ao crescimento econômico e aos aumentos salariais gerados por esse crescimento econômico. Outras forças tiveram um papel apenas secundário. Por exemplo, dois terços dos historiadores econômicos rejeitam a proposta de que os esforços dos sindicatos foram a principal causa da queda na jornada de trabalho antes da Grande Depressão."

    De resto, sugeriria a você ler a trilogia da historiadora econômica Deirdre McCloskey, uma das mais renomadas e respeitadas do mundo. Mas, obviamente, para quem está acostumado só com apostila de colégio, isso não vai descer.

    Deixe de ser medroso e se entregue às leituras sérias, e não às propagandas ideológicas de colégio. O pior que pode lhe acontecer é você descobrir a verdade.
  • anônimo  21/09/2016 12:39
    "Os patrões decidiram que os trabalhadores já não trabalhariam 16h diárias porque isso era desumano? "

    E a relação de trabalho é unilateral por acaso? Não sei você, mas eu quando não estou satisfeito aciono a Catho e procuro algo melhor, é assim que tenho melhorado meu salário. Também sempre recusei propostas de trabalhos que incluem o sábado, para mim só segunda a sexta.

    Agora, se o sujeito não procura se qualificar e nem se mexer da cadeira obviamente ficará refém de seu patrão.
  • Andre Cavalcante  20/09/2016 22:52
    Favoritadíssimo.
    E a foto diz tudo! Quer mudar o mundo? Que tal uma boa ação hoje?
    Abraços
  • Diego  21/09/2016 00:31
    Membros e leitores do IMB, sei que este não é o tema do artigo, mas gostaria de aproveitar para fazer uma pergunta. Recentemente estou pesquisando em relação aos Estados do Sul e Norte antes da guerra civil, e minhas fontes informaram a diferença entre os modelos econômicos das regiões, sendo o Sul muito mais voltado para o livre mercado(com exceção da parte dos escravos) e o norte com uma economia mais regulada, e isso levou a um grande enriquecimento da economia do Norte em relação à outra região, que passava por dificuldades econômicas "por causa de suas políticas liberais". Alguem poderia dizer se foi realmente isso que aconteceu? Ou recomendar fontes que expliquem melhor o que houve, já que pelo que eu li de economia nesse site, deveria ter acontecido o oposto.
  • Professor  21/09/2016 01:06
    O sul tinha uma economia voltada para a produção de bens manufaturados e de baixo valor agregado. As pessoas queriam livre comércio porque queriam importar matéria-prima barata e porque queriam exportar livremente todo o seu produto de baixo valor agregado fabricado por escravos.

    Já o norte -- colonizado por europeus industrialistas -- sempre foi a região rica do país. Por ter muitas indústrias, os barões queriam garantir sua reserva de mercado e, por isso, defendiam o protecionismo. Exatamente como faz a FIESP.

    A história é sempre a mesma, em qualquer lugar do mundo: tão logo industriais crescem e enriquecem, eles pedem para o governo fechar o mercado e lhes garantir uma reserva de mercado.

    Não tinha como o sul ser rico produzindo produtos de baixo valor agregado e utilizando mão-de-obra escrava. Aliás, essa realidade americana refuta os idiotas que dizem que a "mão-de-obra escrava da China vai dominar o mundo e quebrar as indústrias de todos os países". Ora, desde quando mão-de-obra escrava produz bens de qualidade e de alto valor agregado?

    Dito isso, vou comentar algumas de suas afirmações.

    "sendo o Sul muito mais voltado para o livre mercado(com exceção da parte dos escravos)"

    A questão do trabalho escravo não é uma simples exceção. Ela é crucial. Impossível uma região ser rica e próspera tendo trabalho escravo. Impossível uma região produzir bens de alto valor agregado e mundialmente demandados utilizando trabalho escravo.

    Questão de economia básica. A Argentina, por exemplo, enriqueceu muito antes do Brasil porque era formada por industriais europeus e porque havia abolido a escravidão bem antes (oficialmente em 1853, mas o sistema econômico argentino começou a substituir a mão-de-obra escrava já por volta de 1840.).

    "e o norte com uma economia mais regulada"

    A economia do norte não era "mais regulada". As regulações eram basicamente as mesmas. A questão é que os industriais do norte queriam (e impuseram) tarifas protecionistas, inclusive para produtos fabricados no sul. E os escravocratas do sul eram contra.

    "e isso levou a um grande enriquecimento da economia do Norte em relação à outra região"

    A economia do norte sempre foi mais rica. E o motivo é simples: os grandes industriais europeus aportaram lá, na Nova Inglaterra. Esse é um fenômeno que simplesmente não pode ser ignorado em qualquer análise econômica minimamente séria.

    "que passava por dificuldades econômicas "por causa de suas políticas liberais"."

    Aí virou escárnio. A economia sulista, escravocrata, e toda bloqueada por tarifas protecionistas do Norte era "liberal"?

    "Alguem poderia dizer se foi realmente isso que aconteceu?"

    Isso o quê?

    "Ou recomendar fontes que expliquem melhor o que houve, já que pelo que eu li de economia nesse site, deveria ter acontecido o oposto."

    Não entendi. Você está dizendo que, segundo este site, trabalho escravo deveria gerar uma região mais rica e próspera do que uma região inteiramente formada por industriais europeus? Isso não pode ser sério.
  • Getulio Araújo  26/09/2016 23:18
    Meu nome é Getúlio Marques de Araujo, morador do Rio de Janeiro. Brasil. Parabenizo pelo texto e agradeço o uso da fotografia que ilustra o texto e digo que para melhorarmos o mundo as boas atitudes e generosidade é muito simples embora as pessoas compliquem. A palavra chave é ATITUDE!
    Eu sou o homem da fotografia.
    Um cordeal abraço.
    Muito obrigado!
  • Hideki  06/11/2017 13:45
    Alguns baldes de vez em quando são bons.
    Férias, 13 salário, PLR, descanso remunerado etc.




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