clube   |   doar   |   idiomas
Bizarrice européia: taxas de juros negativas restringem empréstimos e afetam bancos e empresas

Desde ontem, o Royal Bank of Scotland (RBS) — do qual o governo do Reino Unido é acionista majoritário — se tornou o primeiro banco do Reino Unido a impor um taxa de juros negativa sobre alguns de seus correntistas.  Na prática, isso significa que o banco irá cobrar para que esses correntistas lhe emprestem dinheiro. 

Repetindo: em vez de pagar para obter um empréstimo, o banco cobra para obter um empréstimo.

Por enquanto, as taxas de juros negativas incidirão apenas sobre clientes corporativos, incluindo gerentes de fundos de investimento e fundos de pensão, que mantiverem depósitos em determinadas moedas estrangeiras, dentre elas o euro.  Mas, algumas semanas atrás, o RBS já notificou mais de um milhão de pequenos empreendedores que têm conta no banco de que eles também poderão ser cobrados caso o Banco Central da Inglaterra reduzisse a taxa básico de juros — que hoje está em 0,25% — para território negativo.

Especialistas já estão alertando que essa inédita medida do RBS irá "disparar alarmes" entre os pequenos empreendedores e demais clientes comuns, podendo desencadear em uma clássica corrida bancária caso o Banco Central da Inglaterra jogue os juros para território negativo.

Na Alemanha, a situação está ainda pior: dois grandes bancos já estão praticando taxas de juros negativas sobre depósitos acima de 100.000 euros.  E não só de empresas, mas também de pessoas físicas.

Embora taxas de juros negativas tenham se tornado comuns na Europa e mesmo no Japão, elas ainda não foram expandidas, em grande escala, para as contas bancárias dos clientes.  Por exemplo, o Banco Central Europeu, o Banco Central da Suíça, o Banco Central da Suécia, o Banco Central da Dinamarca e o Banco Central do Japão instituíram taxas de juros negativas sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos comerciais desses países depositam nos respectivos Bancos Centrais.  Isso significa que os bancos comerciais desses países têm de pagar para depositar seu dinheiro em seus respectivos Bancos Centrais.  Mas os correntistas, até então, estavam isentos disso.

Aparentemente, não mais.

Na zona do euro, desde que o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa básica de juros em março para menos 0,4% (- 0,4%), os bancos já pagaram um total de aproximadamente 2,64 bilhões de euros para manter seus fundos depositados no BCE.  Essa prática está afetando diretamente os lucros dos bancos, como mostra essa reportagem do Financial Times.

Não é de se estranhar que os bancos europeus estejam em dificuldades financeiras, com alguns correndo sérios riscos de quebra.

E com os banqueiros centrais da Europa ameaçando novos cortes de juros, instituições financeiras privadas estão explorando uma possibilidade de contornar essas cobranças: converter os dígitos eletrônicos depositados no BCE — sobre os quais incidem os juros negativos — em cédulas de dinheiro, e então guardar essas cédulas em instituições não-bancárias, como cofres.

A ideia de manter pilhas de dinheiro vivo guardadas dentro de cofres de alta segurança parece saída de uma trama de um filme antigo, mas já está acontecendo na Europa moderna.  Como descreve esta reportagem, a companhia de seguros alemã Munich Re já colocou dezenas de milhões de euros em um cofre de alta segurança a um "custo aceitável".  O Commerzbank, o segundo maior banco da Alemanha, está considerando uma opção similar.

A coisa simplesmente não faz sentido

Em tese, o objetivo do BCE ao jogar a taxa básica de juros em território negativo — e, com isso, cobrar dos bancos que deixam dinheiro depositado no BCE — é estimular que eles emprestem esse dinheiro para pessoas e empresas.

Só que há várias falhas neste raciocínio.

1) Comecemos pelo óbvio: é impossível os bancos não terem dinheiro depositado no Banco Central.  O dinheiro que os bancos mantêm depositado no BCE constitui sua reserva bancária, um item que faz parte da base monetária.  Toda e qualquer transação eletrônica — em que os dígitos eletrônicos são movimentados de uma conta bancária do Banco A para outra conta bancária do Banco B — é compensada pelo Banco Central por meio das reservas bancárias.  O Banco Central retira dígitos eletrônicos das reservas do Banco A e transfere esses dígitos para as reservas do Banco B.  No total, a quantidade de reservas bancárias não se alterou.

Mesmo que as taxas negativas estimulassem os bancos a emprestar, esse dinheiro seria, na melhor das hipóteses, transferido de um banco (o banco da pessoa que pegou o empréstimo) para outro banco (o banco da pessoa que foi paga pelo tomador de empréstimo).  No geral, a quantidade de dinheiro nas reservas bancárias continuaria a mesma.

Portanto, é impossível os bancos europeus saírem emprestando dinheiro a rodo de forma a reduzir suas reservas bancárias (que é a intenção do BCE).  O dinheiro que sai de um banco termina em outro banco.  A quantidade total de reservas bancárias permanece a mesma.

2) Empréstimos bancários dependem da capacidade e disposição do banco em emprestar dinheiro, e do histórico de crédito e da disposição do tomador de empréstimo em se endividar.  Se o banco estiver descapitalizado, ou se as pessoas e empresas estiverem endividadas, ou mesmo se o banco acreditar que as pessoas e empresas não terão capacidade de quitar o empréstimo (porque as expectativas quanto ao futuro da economia não são animadoras), não haverá empréstimos.

3) Uma taxa de juros negativa imposta pelo Banco Central sobre as reservas bancárias aumenta os custos operacionais dos bancos.  (Como dito acima, desde março, os bancos europeu já gastaram 2,64 bilhões de euros apenas para manter seus fundos depositados no BCE).  Custos operacionais mais altos reduzem os lucros dos bancos.  Lucros menores afetam seu capital (patrimônio líquido).  E bancos descapitalizados não concedem empréstimos.  Isso não apenas é uma questão contábil como também é uma regra imposta pelo Comitê da Basiléia.

Portanto, a imposição de juros negativos sobre os bancos é uma medida que afeta diretamente sua capacidade de emprestar dinheiro, e não uma medida que estimula mais empréstimos.

Adicione a isso o fato de que as expectativas quanto ao futuro da economia européia não são animadoras e também o fato de que as pessoas seguem endividadas, e ficará fácil entender por que taxas de juros negativas acabam desestimulando ainda mais novos empréstimos.

O gráfico a seguir mostra a evolução dos empréstimos bancários na Europa.  Ele resume tudo.

euro-area-loans-to-private-sector.png

Por tudo isso, é realmente um mistério por que o Banco Central Europeu acredita que adotar uma política que afeta o capital dos bancos e torna sua atividade menos lucrativa irá estimular a concessão de empréstimo.  E quando se entende que não há como os bancos se livrarem de suas reservas bancárias, o raciocínio do BCE fica ainda mais bisonho. 

Para coroar, vale ressaltar que qualquer movimento significativo dos bancos para converter as reservas bancárias depositadas no BCE em dinheiro vivo irá solapar o próprio objetivo do BCE, que é o de estimular novos empréstimos.  Com os bancos operando com dinheiro vivo, todo o mecanismo das reservas fracionárias é interrompido.

A menos, é claro, que os governos proíbam transações com dinheiro vivo.  E, não coincidentemente, já está se formando um movimento orquestrado visando exatamente a este fim.

O mundialmente famoso economista Kenneth Rogoff, professor de Harvard e ex-membro do FMI, acabou de publicar um livro pavorosamente intitulado The Curse of Cash (A maldição do dinheiro vivo).  O livro vem colhendo elogios efusivos de gente como Ben Bernanke, Alan Blinder e Michael Woodford.  Em seu livro, Rogoff simplesmente defende a abolição de todo e qualquer dinheiro em espécie, e não apenas de cédulas de alto valor nominal.  Embora admita que usar dinheiro vivo tenha algumas vantagens, Rogoff apresenta a fantástica alegação de que o grosso do dinheiro vivo é utilizado para facilitar a evasão de impostos e para financiar atividades ilegais, como tráfico de seres humanos e terrorismo.

Ah, sim, Rogoff também argumenta que uma economia sem dinheiro em espécie deixaria a política monetária mais eficiente, impedindo que as pessoas retirassem dinheiro dos bancos sempre que os banqueiros centrais — aconselhados por economistas sagazes como Rogoff — decidissem que a taxa de juros ótima para uma economia tem de ser profundamente negativa.

Conclusão

Ao passo que na Europa e no Japão os Bancos Centrais instituíram taxas de juros negativas sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos comerciais desses países depositam em seus respectivos Bancos Centrais, nos EUA, o Fed está pagando juros sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos comerciais americanos depositem nele.

Os bancos americanos, por enquanto, não apresentam riscos de solvência.  Mas nada garante que eles também não imponham taxas de juros negativas para seus clientes.

O fato é que a guerra ao dinheiro em espécie está bem avançada na Europa e está chegando aos EUA.  Alternativas como o Bitcoin se tornam bastante atraentes.

_______________________________________

Leia também:

A era da insanidade - um resumo das medidas surrealistas dos Bancos Centrais mundiais 

Os Bancos Centrais mundiais são hoje a principal fonte de risco e instabilidade à economia mundial

As taxas de juros negativas na Europa sinalizam a aproximação de uma profunda crise econômica

_______________________________________

Joseph Salerno, vice-presidente acadêmico do Mises Institute, professor de economia da Pace University, e editor do periódico Quarterly Journal of Austrian Economics.

Mike Shedlock, orientador de investimentos da SitkaPacific Capital Management

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


5 votos

autor

Diversos Autores

  • Escambo  23/08/2016 14:58
    Estes homens não param de fazer bobagens, atualmente presto consultoria na Venezuela, mas se continuar assim vou ter que sair da aposentadoria.
  • Renan Merlin  23/08/2016 15:39
    Isso não pode ser bom pro Brasil com suas taxas de juros insanas atraindo capital estrangeiro?
  • Leandro  23/08/2016 16:14
    O problema é o risco cambial. De nada adianta o estrangeiro ganhar 14,25% ao ano se o câmbio se desvalorizar mais do que isso.

    Exemplo:

    1) O cara traz 100 euros pra cá e converte para R$ 350 reais (taxa de câmbio de 3,50).

    2) Aplica esses R$ 350 em títulos do Tesouro que rendem a SELIC.

    3) Daqui a um ano, ele terá R$ 400 brutos (ganho de 14,25% ao ano).

    4) Com o IR de 17,50%, ele terá R$ 391.

    5) Um bom ganho, certo?

    6) Mas agora ele tem de reconverter R$ 391 em euros e ir embora. Afinal, na Europa, a moeda corrente não é o real.

    7) No entanto, nesse ínterim, o câmbio foi de R$ 3,50 para R$ 4.

    8) Ao converter os 391 reais em euros a um câmbio de 4, ele terá 97,75 euros -- menos do que tinha antes.

    9) Conclusão: ele perdeu dinheiro com a desvalorização cambial, não obstante ter ganhado muito dinheiro em reais.

    Levando-se em conta que o real vem se desvalorizando desde meados de 2011, é compreensível o pé atrás dos europeus.
  • Terráqueo  23/08/2016 16:43
    Caro Leandro,

    E caso o estrangeiro não resolva voltar com seu dinheiro para o país de origem, ou seja, eliminando o risco cambial. Como ficaria a situação econômica?

    Seria favorável ao ambiente doméstico? Teríamos um escalada inflacionária?

    Agradeço a atenção.
    Tenho 17 anos, e estou fascinado com a Escola Austríaca de Pensamento Econômico.
  • Leandro  23/08/2016 17:11
    "E caso o estrangeiro não resolva voltar com seu dinheiro para o país de origem, ou seja, eliminando o risco cambial. Como ficaria a situação econômica?"

    Aí não faria sentido nenhum. Ele enviou o dinheiro dele para cá por quê? Por caridade? Em algum momento ele vai reconverter reais em euro e voltar para a Europa. No mínimo, ele fará remessas de lucros esporádicas.

    "Seria favorável ao ambiente doméstico?"

    Ajudaria a apreciar a taxa de câmbio no curtíssimo prazo, o que ajudaria a conter a carestia.

    "Teríamos um escalada inflacionária?"

    Pelo contrário.
  • Imposto e' roubo  24/08/2016 01:48
    Caro Leandro,

    Em grandes volumes de investimento estrangeiro, o Real tenderia a valorizar, não?

    Seria uma ótima oportunidade pro governo imprimir mais dinheiro e "compensar" essa valorização..... e o povo se lascaria novamente.
  • tulio araujo  24/08/2016 17:46
    Leandro,

    Mas se o dinheiro estrangeiro está entrando aqui, o Real tende a valorizar.

    Então acredito que, na situação hipotetica sugerida, o câmbio de R$3,50 iria para R$3,00.

    Convertendo

    R$391 > EUR 130,33

    Obteve um ganho nominal de de 30,33%.
  • Leandro  24/08/2016 18:23
    Em primeiro lugar, e como foi explicado, nada garante que o dinheiro estrangeiro virá. Por que os estrangeiros desovarão sua poupança em um país de consagrada história de instabilidade econômica?

    Portanto, você colocou a charrete na frente do cavalo. Para o capital estrangeiro vir, primeiro tem de haver estabilidade.

    Em segundo lugar, e como já várias vezes explicado por este site, não é o fluxo de capital que define a taxa de câmbio no longo prazo, mas sim o poder de compra da moeda.

    Por si só, fluxo de capital em nada determina a taxa de câmbio (prova disso é que o fluxo de dólares para o Brasil foi positivo em 2015, e ainda assim o dólar disparou de R$ 2,50 para R$ 4,20.

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,entrada-de-dolares-no-pais-em-2015-supera-saida-em-us-9-4-bi,10000006314

    Nada é tão simples quanto o senso comum dá a entender.
  • patricio  31/08/2016 17:06
    Salvo engano estrangeiro não paga imposto em aplicação renda fixa.
  • Tributarista  31/08/2016 18:18
    Sobre renda fixa paga sim. Alíquota de 15%.

    www.investeducar.com.br/como-e-a-tributacao-de-investidores-estrangeiros/

    Ele não paga nada é sobre ações, futuros e ouro.
  • Tributarista  31/08/2016 18:24
    Ver item 649.

    www.receita.fazenda.gov.br/PessoaFisica/IRPF/2006/perguntas/AplicFinanRenFixaRenVariavel.htm

    Atenção para o detalhe de que se o estrangeiro for oriundo de um país cuja alíquota seja menor que 20%, então ele pagará o mesmo que qualquer brasileiro.
  • Luciano  23/08/2016 15:45
    Na opinião da equipe do IMB, o que falta acontecer (estopim) para que de fato a próxima grande crise venha a estourar? Pois me parece que o objetivo de gente como esses presidentes de BCs está muito próximo de se concretizar. Creio que com os movimentos que eles tem feito talvez tenhamos apenas crescimentos irrisórios das economias, mas sem que os juros subam fica impossível que os ciclos econômicos se cumpram...
  • João  23/08/2016 16:09
    Qual seria o objetivo disso, além dos números, falando em termos sociais? Tem alguma coisa que ver com controle total sobre o povo ou estou pensando longe demais?
  • trouxa2  23/08/2016 16:15
    Ou seja.. vc deposita mil reais, passa um ano e vc perdeu os mil reais e como no mês seguinte cai o juros do mês passado, vc começa a dever.. no final do outro ano, o juros de dívida que é tão alto vc acaba devendo 2000 mil.. ou seja.. vc deposita mil e dois anos depois tão leioando sua casa pra pagar a divida do banco.. eu cancelaria minha conta no banco na hora.. que se fda a economica o karlho
  • Alfredo Morais  23/08/2016 16:15
    Vamos correr para o ouro...
  • gabriel  23/08/2016 16:33
    discordo que o valor netado no BC sera zero apos um banco emprestar. Tem que se levar em conta que a maioria dos emprestimos tem como objetivo o investimentos, entao nao ficara parado em uma conta bancaria. Por exemplo, pode-se investir em maquinas, ou pagamento de salarios (que se converterao em alimentos, roupas etc).
  • Leandro  23/08/2016 17:04
    Prossiga com o raciocínio.

    Você vai ao banco e pede um empréstimo. Ato contínuo, o banco cria dígitos eletrônicos na sua conta.

    Você utiliza esses dígitos eletrônicos para investir comprando máquinas e pagando salários. Beleza.

    Ao comprar máquinas e pagar salários, esses dígitos eletrônicos saem da sua conta bancária e vão parar na conta bancária da pessoa que lhe vendeu a máquina e na conta bancária do seu empregado.

    Ato contínuo, seu banco faz a transferência de reservas: o dinheiro sai das reservas do seu banco e vai para os reservas dos bancos que receberam o dinheiro (o banco do vendedor da máquina e o banco do seu empregado).

    O que mudou no total das reservas bancárias? Nada.

    Se o vendedor da máquina e o seu empregado gastarem esse dinheiro comprando alimentos e roupas (como você sugeriu), o mesmo processo acima se repete: o dinheiro sai da reserva desses bancos e vai para as reservas do banco da pessoa que vendeu alimentos e roupas.

    Qual foi a alteração do total das reservas? Nenhuma.

  • gabriel  23/08/2016 17:26
    verdade. Mas nesse caso o BC nao atingiu o objetivo que era aumentar o incentivo para investimentos privados vis a vis comprar divida soberana?
  • Leandro  23/08/2016 17:51
    O que você quer dizer com "nesse caso"?

    Seu exemplo ilustrativo abordou tão-somente o caminho do dinheiro após concedido um empréstimo, sem qualquer consideração para com taxas de juros e política monetária. Tal exemplo de "trajetória do dinheiro" vale tanto para o Brasil quanto para a Mauritânia.

    Já no mundo real europeu das taxas de juros negativas -- como mostra o artigo com fatos, dados e teoria --, tal política monetária não apenas não estimula empréstimos, como ainda os desincentiva.
  • maicon rodrigo de morais  23/08/2016 21:23
    Boa tarde ! O BC Europeu não teria chegado ao objetivo ? Pois o dinheiro passou por diversas mãos e criou riqueza. Ou o objetivo seria apenas aumentar o lucro dos bancos ?
  • Draghi  23/08/2016 22:00
    Por quais mãos o dinheiro passou, já que ele está indo para os cofres? Qual riqueza ele criou?

    Aliás, desde quando "dinheiro trocando de mão" gera riqueza?

    O que gera riqueza é produção e criação de bens e serviços. É aumento da oferta de bens e serviços disponíveis para as pessoas. E não simplesmente "dinheiro trocando de mão".

    É cada um...
  • Henrique Zucatelli  24/08/2016 15:41
    Calma aí pessoal, considerem que uma fatia marginal desse montante realmente seja inserido na cadeia de investimentos para a produção de bens e serviços (como extração de ouro, por exemplo).

    Até onde entendo a EA isso é criação de riqueza. De forma errada e centralizada? Claro que sim. Porém se 10% do montante criar riqueza, é ponto pacífico que o objetivo foi alcançado.

    É óbvio que como bom libertário sou totalmente contra qualquer mecanismo estatal de controle financeiro, mas a grosso modo antes isso que o tal crédito direcionado que temos aqui no Brasil, onde nós pobres mortais pagamos 36% a.a enquanto os barões pagam 12% a.a no máximo.
  • maicon rodrigo de morais  24/08/2016 22:13
    Boa noite Draghi! Minha concepção de "dinheiro trocando de mãos", é quando nenhuma das partes obtêm lucro. Quando uma têm, ela gerou riqueza. Também normalmente a empresa visa ampliar seus lucros através reinvestimentos na operação, seja em forma de maquinário, aumento de salários, propaganda, treinamento, etc ... . Aí sim aumentando a produtividade e aumentando a base monetária. Posso estar errado, se estiver, favor corrigir. De preferência sem ironia.
  • Ilan  24/08/2016 22:44
    Empresa aumentando a base monetária?!

    Não, meu caro, só quem pode aumentar a base monetária é o Banco Central.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344
  • Andre  24/08/2016 13:40
    Qual riqueza foi criada? UE tem normas severas até para comercialização de pepinos, não adianta entregar um caminhão de dinheiro para você se não conseguirá nem produzir um mísero pepino dentro das normas.
  • gabriel  24/08/2016 10:42
    meu ponto eh que se os juros do BC diminuem, aumenta o incentivo a emprestimos ao setor privado, que pode aumentar investimentos produtivos.
  • Auxiliar  24/08/2016 12:21
    Isso foi feito de 2011 a 2013. Os resultados não foram exatamente como esperados:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2394
  • maicon rodrigo de morais  24/08/2016 21:54
    Se ele comprou 10 máquinas por R$ 5.000,00 e vendeu as mesmas por R$ 7.500,00, ele aumentou seu dinheiro em R$ 2.500,00. Se ele pegar R$ 6.000,00 e comprar mais 12 lavadoras ainda vão sobrar R$ 1.500,00, sendo que ele comprou duas máquinas a mais. Veja que apenas R$ 1,500,00 foram para o banco, não levando em conta a informalidade. Uma empresa quando faz uma venda, não deixa o dinheiro parado no banco, ela imediatamente repassa aos fornecedores, funcionários,impostos, manutenção, distribuição de lucros, etc... . Esse lucro aplicado na produção é que geraria a riqueza. Não é isso ???
  • Marcos  24/08/2016 22:40
    Oh Lord...

    E como é que você acha que essas transações econômicas são concretizadas?! Você acha que um empresário de um país compra uma máquina indo pessoalmente à casa do fornecedor -- que certamente mora em outra cidade -- e lhe dando dinheiro vivo?

    Meu caro, todas as transações comerciais são concretizadas via dígitos eletrônicos, seja por meio de cheques, seja por meio de TEDs. E quando você lida com dígitos eletrônicos, o dinheiro não sai dos bancos. Ele apenas é movido de um banco para outro. Não tem escapatória.

    Todas as cifras do seu exemplo estão no sistema bancário. Elas são movimentadas pelo sistema bancário.

    Sério, às vezes me pergunto em que mundo vivem algumas pessoas, que não conhecem nada da realidade.
  • patricio  31/08/2016 17:16
    Uma coisa discordo desta analise. Concordo que as reservas bancárias não se alteram. Mas o objetivo dos BCs é movimentar a base monetária. E economia se trata disso: de manter a roda girando, ou seja, dinheiro trocando de mãos. A maioria dos impostos se baseiam nesta premissa.
  • Guilherme  31/08/2016 18:12
    Comentário sem nexo, sem sentido, e tecnicamente errado.

    Pra começar, o BC controla o tamanho da base monetária. Isso é tudo o que ele faz. Não existe isso de o BC ter o objetivo de "movimentar a base monetária". Seu objetivo é manter a taxa básica de juros dentro de uma meta por ele fixada. E ele faz isso injetando e retirando dinheiro no mercado interbancário.

    Injetar e retirar dinheiro é o meio. O objetivo é manter a taxa básica de juros dentro da meta.

    Outra coisa: "manter a roda da economia girando" não é o equivalente "a dinheiro trocando de mão". Se fosse tão simples assim, a atual Venezuela estaria bombando economicamente. Lá, o dinheiro troca de mão com espantosa velocidade. Aliás, no Brasil da década de 80 também.

    O que mantém a economia girando é produção e investimento, e não consumismo e endividamento.

    O consumismo não gera crescimento econômico - e sua defesa é o cerne da teoria keynesiana

    Consumidores não provocam recessões

  • patricio  31/08/2016 18:59
    Estou falando no caso especifico do objetivo que se quer alcançar com a taxa negativa. agora vir falar de economias em frangalhos, sofrendo de hiperinflação e desabastecimento é outra coisa. Não confunda alhos com bugalhos.
  • Marcelo  23/08/2016 16:37
    "As taxas de juros negativas são os efeitos de longo prazo de um sistema de crédito que força mais capital a fluir em direção a entidades governamentais do que aconteceria em um sistema livre e aberto. A dívida pública é comprada em quantidades cada vez maiores, o que força a taxa de retorno desses títulos a ficar cada vez menor. O endividamento total aumenta, enquanto que as empresas produtivas são espremidas. Não é um quadro bonito."

    "Na verdade, se as taxas caírem mais fundo em território negativo, um banco pode acabar tendo que que escolher entre duas alternativas com perdas certas! Se esse não é um sintoma claro da destruição de capital no nosso atual sistema monetário e de crédito, então o que é? E está começando a se tornar uma realidade na Europa. Mas essa não é a forma como as grandes cidades e as economias da Europa ou do mundo foram construídas. Não é como a moderna cadeia de suprimentos e industrial foi criada. Isso representa o oposto das relações que fizeram civilizações humanas crescerem e florescerem. Essa não é a forma como a riqueza e a prosperidade são criadas, é a forma como elas são destruídas."

    https://descentraliza.com.br/2016/04/04/taxas-de-juros-negativas-causas-consequencias-e-ramificacoes/
  • Leandro  23/08/2016 17:20
    Impecável esse trecho.
  • Primo  24/08/2016 15:18
    Discurso politico:
    "O objetivo do BCE ao jogar a taxa básica de juros em território negativo — e, com isso, cobrar dos bancos que deixam dinheiro depositado no BCE — é estimular que eles emprestem esse dinheiro para pessoas e empresas."

    Real Intensão:
    "As taxas de juros negativas são os efeitos de longo prazo de um sistema de crédito que força mais capital a fluir em direção a entidades governamentais do que aconteceria em um sistema livre e aberto. "


    Acredito que isso deve estar em detalhes nas atas de reunião do BCE.

    O que é feito com o dinheiro que está sendo direcionado para entidades governamentais: ele é desintegrado ou entra na economia?
    Se ele é desintegrado, isso não ajudaria a reduzir a alavancagem?
  • JP  23/08/2016 16:51
    Após ler o artigo, não me permito ser ingênuo e achar que tudo isso é por simples ignorância dos banqueiros. Com certeza eles sabem muito bem o que estão fazendo, agora resta saber o porquê. Uma crise, seja qual for, favorece sempre algum grupo de pessoas que saiba usufruir da perda dos outros grupos. A história já mostrou isso várias vezes.
  • Poor man  23/08/2016 17:08
    Se existe pessoas como George soros no mundo, eu não duvido nada.
  • Matheus Penha  23/08/2016 16:57
    Ora,

    Mas a partir do momento em que os dígitos serão apenas eletrônicos sem lastro e sem limite de expansão monetária, as crises, em tese, deixarão de existir - pois não será possível a insolvência dos bancos -já que bastarão a criação de novos dígitos eletrônicos ou a alteração de regras das reservas fracionárias para que tudo em tese, se ajuste, e voltemos a expansão monetária mais uma vez.

    O que eu não entendo é (por mais ignorante possa parecer minha pergunta): A partir do momento que eu não tenho mais o dinheiro "vivo" e minhas transações serão apenas inter-bancos, com geração de expansão monetária, não entendo o que possa desencadear uma crise. Bancos não terão como quebrar / Hiperinflação poderá ser controlada (leia-se coercitivamente, através do bloqueio de empréstimos) instantaneamente - pelo que entendo, será o fim de nossa liberdade, em que banqueiros e políticos decidirão quanto dinheiro temos, o quanto vale e etc. Entendo também, que estaremos tão iludidos com a oferta monetária que a geração de riqueza em ficará em 2° plano.

    *********************************************************************************************

    Gostaria que dissessem se meu pensamento acima faz sentido ou errei de alguma forma.

  • Leandro  23/08/2016 17:19
    "já que bastará a criação de novos dígitos eletrônicos ou a alteração de regras das reservas fracionárias para que tudo em tese, se ajuste, e voltemos a expansão monetária mais uma vez."

    Não. Bancos podem criar dígitos para conceder empréstimos, mas eles não podem criar dígitos para aumentar suas reservas.

    Quando um banco concede um empréstimo, cria-se um ativo e um passivo. O ativo é o "empréstimo a ser quitado"; o passivo é o dinheiro que ele criou na conta do emprestador.

    Quando o emprestador saca esse dinheiro e o gasta, o dinheiro vai parar em outro banco. Ato contínuo, o banco que criou o dinheiro tem de repassar reservas para o banco que recebeu o dinheiro.

    Ou seja, nesse momento o banco fica com um "empréstimo a ser quitado" em seu ativo e com menos dinheiro em suas reservas bancárias (que também são um ativo).

    Não há como ele criar dinheiro em suas reservas (ativo). Quem faz isso é o Banco Central por meio da compra de títulos públicos em posse dos bancos. É nisso que se resume a política monetária.

    Mas você está no caminho certo ao entender que a abolição do papel-moeda seria o ápice da tirania e da falta de meios de se tentar restringir o governo.
  • Felipe  24/08/2016 14:47
    Qual vai ser o poder de coação para obrigar as pessoas a aceitarem isso? E se o dono da padaria não aceitar esses dígitos eletrônicos? E se o pequeno industriário perder a confiança nesses dígitos? Porque alguém entregaria ouro que necessitou de horas de escavação, limpeza e energia para ser obtido por simples dígitos eletrônicos?
    Tirar o papel moeda de circulação é viável, mas isso não significa que as empresas e famílias vão aceitar e confiar em dígitos eletrônicos, o escambo é mais confiável do que dígitos eletrônicos. Se esse "dinheiro" virtual não possui lastro e pode ser gerado infinitamente ele não vale de nada. Para que o dinheiro seja convivível ele precisa ser escasso.
  • Poor man  23/08/2016 17:04
    The Curse of Cash (A maldição do dinheiro vivo). O livro vem colhendo elogios efusivos de gente como Ben Bernanke, Alan Blinder e Michael Woodford. Em seu livro, Rogoff simplesmente defende a abolição de todo e qualquer dinheiro em espécie,
    ------------
    Sim sim, vamos todos para o bitcoin, sonegar impostos até dizer chega e deixar Kenneth Rogoff com a cara no chão.
  • Renegado  23/08/2016 18:16
    Eu ia mesmo comentar que esta noticia é ótima pra quem investe em bitcoin, mas o próprio artigo comentou no final. Vou amplificar meus investimentos na criptomoeda.
  • Gilson Moura  23/08/2016 18:29
    https://pt-br.insider.pro/economics/2016-08-22/stiglitz-diz-nos-por-que-razao-o-neoliberalismo-morreu/
    Olha isso man
  • Gilson Moura  23/08/2016 18:36
    https://pt-br.insider.pro/economics/2016-05-31/franca-e-italia-podem-ser-as-proximas-economias-europeias-a-entrar-em-colapso/
  • Fabio  23/08/2016 19:13
    Há uma corrida para artigos que prevejam a próxima catástrofe financeira. Afinal poucos acertaram a de 2008 e agora querem ser os próximos.
    Isto não é uma critica (bom artigo) , mas um zeitgeist atual. (o 'atual' ficou redundante ai)
  • Joaquim Saad  24/08/2016 01:49
    Será que veremos os bc's causarem é o maior short squeeze de todos os tempos ?
  • Antony  23/08/2016 19:16
    Leandro,
    Isso pode ser alguma forma de contra ataque ao BitCoin e companhia.
    Os governos estão cientes da ameaça do dinheiro digital e podem estar tentando "recolher" dinheiro com lastro, para então introduzir a moeda digital deles?

    Att
  • Cecilia Asuka  23/08/2016 19:44
    Ola meu amigo de faculdade me indicou esse site sobre econômia.
    Eu não entendo nadaaa mas gostaria que me tirasse duvidas. Como o Japão, Coreia do Sul e Israel são ricos com poucos recursos naturais e America do Sul e Africa com muitos recursos naturais são pobres? Impostos altos realmente prejudica econômia então porque Dinamarca, Italia e França são ricos com muitos impostos?
    Pro Brasil ficar rico tem que acabar com a corrupção? Investimentos em educação deixa ou não um pais rico? O Que é melhor pra econômia brasileira? Dolar alto ou dolar baixo? Me explique por favor?
  • Imposto e' roubo  24/08/2016 03:40
    Existem pessoas aqui muito mais preparadas para te responder com exatidão. Eu só busquei no site e encontrei alguns artigos que podem lhe ajudar um pouco, mais ou menos na ordem:

    mises.org.br/Article.aspx?id=2035

    mises.org.br/Article.aspx?id=204

    mises.org.br/Article.aspx?id=632

    mises.org.br/Article.aspx?id=2365

    mises.org.br/Article.aspx?id=1072

    mises.org.br/Article.aspx?id=2055
  • Luciano A.  26/08/2016 04:59
    Cecília Asuka, não sou a pessoa mais preparada, mas vou tentar responder:

    1)Japão, Coréia do Sul e Israel são países com economias altamente produtivas e inovadoras, consequência direta de um ambiente mais favorável a iniciativa privada com estabilidade política e monetária, respeito a propriedade privada, facilidade para abertura e fechamento de empresas e comércio voltado ao exterior que força as empresas a serem mais competitivas. Quanto aos recursos naturais, basta a eles importá-los em troca de seus produtos.

    America do Sul e Africa são regiões compostas por países com economia desfavorável ao mercado por causa da instabilidade política, inflação recorrente que destrói o poder de compra da moeda e prejudica a capitalização e o planejamento das empresas, desrespeito e insegurança jurídica a propriedade privada, enorme burocracia para abertura e fechamento de empresas, além é claro de isolamento comercial por protecionismo que desmotiva as empresas desses países a serem mais competitivas. De nada adianta terem muito recursos naturais se não são capazes de transformá-los em produtos úteis e acessíveis para os consumidores.

    2) Dinamarca, Itália e França sempre tiveram impostos altos? No passado a carga tributária e os gastos públicos desses países era mais baixos, isso aliado a ao ambiente mais favorável a iniciativa privada permitiu que acumulassem uma grande quantidade de capital que resultou numa estrutura de produção mais complexa e diversificada, graças a alta produtividade fica mais fácil para as empresas destes países suportarem mais impostos.

    3) Somente com respeito a propriedade privada, livre-comércio e preservação do poder de compra (moeda forte) a economia brasileira vai se tornar altamente produtiva e o custo de vida da população vai reduzir. Não há outro jeito de isso acontecer sem diminuir o estado. Se reduzirmos o poder que os políticos e empresários brasileiros favorecidos por estes (amigos do rei) têm, consequentemente diminuiremos o efeito da corrupção. Quanto mais poder o estado possui, mais prejudicial é o alcance da corrupção do seus agentes e aliados.

    4) Você está falando de educação que melhora a qualificação profissional das pessoas ou de doutrinação socialista? Se for o primeiro caso, sim, ela melhora a qualidade de vida em um país.

    5) Acho que o melhor seria uma moeda forte associada a livre mercado, desburocratização, flexibilização das relações de trabalho, governo reduzido e equilíbrio fiscal. Mais isso vai contra o interesse dos políticos, empresários favorecidos pelo protecionismo e sindicatos que lucram muito com o imposto sindical e reserva de mercado.
  • Cecilia Asuka  23/08/2016 19:49
    O Que é taxa selic? Porque o dolar é moeda usada entre paises? Qual sistema econômico é melhor? Capitalismo ou Socialismo?
  • Imposto e' roubo  24/08/2016 03:48
    Continuando . . .

    mises.org.br/Article.aspx?id=344

    mises.org.br/Article.aspx?id=1673

    A última pergunta eu deixo pra vc concluir após a leitura dos artigos desse post E dos de cima...
  • Luis  23/08/2016 20:37
    Uma consequencia seria que o dinheiro dos corruptos deveria procurar outro lugar para se esconder, que nao a Suica? O Panama', os Bitcoins?
  • Marco de Tropoja  23/08/2016 20:40
    Vou começar a inestir em bitcoins
  • Pablo  23/08/2016 21:19
    Essa cobrança que os bancos pretendem fazer não estimularia os empresários/investidores a comprarem terras/imóveis como uma maneira de se protegerem dessas perdas?
    Ao invés de depositar$$$, imobilizá-lo. Claro que para os Bancos isso não seria possível.

  • Escobar  23/08/2016 22:08
    "Comprar terras e imóveis para se proteger de perda" está longe de ser algo que cria riqueza. Era exatamente isso que o brasileiro fazia na década de 1980 para se proteger da hiperinflação. Que riqueza tudo aquilo gerou?

    O que gera riqueza é criação, inovação, investimento em capacidade de produtiva, ciência e tecnologia. E não imobilização de patrimônio para se proteger de perdas.
  • Pablo  23/08/2016 23:19
    Mas quem disse que 100% das pessoas querem gerar riqueza?
    Às vezes, o que se quer, é somente proteção.
    Muitas pessoas têm um patrimônio superior as suas necessidades e a de seus filhos para toda uma vida. Penso que se tivesse que deixar meu patrimônio financeiro em um banco tendo que pagar para isso, preferiria investir em imóveis.
    Comprando imóveis, poderia escolher entre preservá-lo ou criar valor(terreno rural- com agricultura/pecuária , terreno urbano - abrindo um comércio ou qualquer outra coisa).
    Deixando o $$$ no banco(nessa situação de juros negativo) eu não tenho nenhuma das opções acima.
  • Escobar  24/08/2016 01:20
    Ok. Havia entendido que você, como fez outro leitor acima, estava defendendo tal política monetária como sendo criadora de riqueza. Agora entendi que você estava apenas descrevendo uma maneira de escapar de seus efeitos.

    Tudo certo quanto ao que você disse agora.
  • Julio Atila  24/08/2016 13:28
    Olha que maravilha, quanto mais rápido o dinheiro vivo for abolido como sugere o Rogoff
    mais rápido a marca da besta aparece e mais rápido Jesus volta.
  • André  24/08/2016 13:35
    OFF Topic: Luciana Genro empatada com um cara do PT para prefeitura de Porto Alegre:

    www.valor.com.br/politica/4682571/ibope-luciana-genro-tem-23-das-intencoes-de-voto-em-porto-alegre

    Alguém aqui ainda alimenta esperanças no Brasil? Por favor, me explique pois pareço um louco pessimista.
  • Pobre Paulista  26/08/2016 12:07
    Separatismo já.
  • TIAGO WERKHAUSER BITTENCOURT  16/09/2016 12:51
    Em POA temos a UFRGS e ela infelizmente foi bestializada pela esquerda, mas ainda é muito respeitada como centro intelectual, gerando enorme influência no pensamento politico da cidade, sobretudo nos mais jovens. Além disso estamos sofrendo com a politica atrapalhada do PMDB no governo do estado. Os adversários também não ajudam muito e o único candidato mais liberal que temos sofre para defender suas ideias na campanha, já que o discurso social é sempre mais atraente que o liberal para o publico em geral.
  • Helio Angelo Junior  24/08/2016 18:48
    A saida é o ouro fisico, como reserva de valor intrínseco.
  • Poor man  24/08/2016 20:01
    Ouro físico é só para quem pode.
    Para os meros mortais, poor man, resta somente o bitcoin como alternativa.
  • Joaquim Saad  24/08/2016 21:42
    Isso antes do advento de empresas como (Bit)GoldMoney, BullionStar (as quais aceitam até BitCoin como pgto), BullionVault, etc, onde hoje já é possível adquirir (e transferir a outros usuários) frações de ouro e prata "fully allocated" tão diminutas quanto 1 g (um grama).
  • Guilherme  24/08/2016 20:53
    Leandro

    Que livros sobre o sistema bancário moderno você recomenda?

    Abraço
  • anônimo  26/08/2016 10:57
    A pior coisa que poderia acontecer.
    A vantagem de bitcoin e similares é não ser controlada por bancos, uma criptomoeda controlada pelos bancos e governos daria MUITO mais poder pro leviatã do que ele tem hoje
  • Eduardo  25/08/2016 02:47
    Muito se fala das conseqüências de juros negativos em países que adotam essa política. Mas e quanto a quem só possui investimentos em real? Nossa moeda se valorizaria em caso de uma crise mundial, ou o dólar, por ainda ser o porto seguro, é que seria valorizado? Pelo que andei conversando com amigos economistas, o dólar não perderia valor frente ao ouro ou bitcoin, pois o mundo utiliza o padrão-dólar. Se todas as outras moedas fortes também estão sofrendo, não haveria como a confiança dos investidores e governos em geral mudar para outra moeda/metal/criptomoeda. Não sei se fui muito claro...
  • Leonardo Silva  25/08/2016 05:36
    Leandro, parabéns pelos comentários nas respostas. Você é a minha referência quando o assunto é câmbio e inflação. Pois bem, fui verificar as Reservas Internacionais de alguns países europeus e me surpreendi ao constatar que grande parte delas (das reservas) não é papel moeda (ainda que também), mas Títulos de Dívidas (Bonds), algum Ouro e também muito Special Drawing Right (SDR). Nessa situação descrita pelo artigo, e também nesse complexo sistema monetário europeu, o que se está chamando de dinheiro no artigo é somente Papel-Moeda ou também essas outras formas de dinheiro? (Se é que posso chamar estes Títulos e SDRs de Dinheiro).

    Muitíssimo obrigado Leandro!
  • Leandro  25/08/2016 13:46
    Prezado Leonardo, reservas internacionais não são o mesmo que reservas bancárias.

    Reservas internacionais pertencem ao país (ou, mais especificamente, ao Banco Central) e são majoritariamente compostas por títulos do governo americano. O próprio Banco Central brasileiro, que possui mais de 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, tem estas reservas na forma de títulos do Tesouro americano, e não em dólares em espécie.

    Já as reservas bancárias pertencem aos bancos, ficam depositadas no banco central, e estão na forma de dígitos eletrônicos.

    Obrigado pelas palavras e grande abraço!
  • TIAGO WERKHAUSER BITTENCOURT  16/09/2016 12:35
    Leandro, bom dia. Para quê são utilizadas essas reservas que o Brasil possui?
    Elas tem algum papel no comércio exterior de bens ou até de títulos públicos?
  • Leandro  16/09/2016 13:43
    Sob um regime de câmbio flutuante, não servem para muita coisa. No máximo, servem para dar alguma segurança aos investidores estrangeiros de que, se o governo quiser, ele consegue impedir -- por apenas um curto período de tempo -- uma súbita desvalorização cambial, dando a esses investidores tempo de converter reais em dólar e ir embora antes da brutal desvalorização (a qual aniquilaria a rentabilidade real dos seus investimentos).
  • Joaquim Saad  16/09/2016 13:49
    Em banânia servem também p/ "turbinar" a conta do governo junto ao BC... ; )
  • Consciente  25/08/2016 12:46
    Impressionante como os críticos dos BCs antecipam o final de uma história que apenas começou. Ninguem sabe ainda qual sera o desfecho. Fica exposto o quanto são tendenciosos os comentaristas e articulistas desse sítio.
  • Exigente  25/08/2016 13:44
    Gentileza apontar os trechos do artigo em que há uma "antecipação do final de uma história que apenas começou". Aponte o trecho em que "o desfecho" é antecipado.

    Até onde vi, o artigo se concentrou em simplesmente explicar o que está acontecendo, apontando fontes e tudo.

    Caso não aponte esses trechos, ficará exposto o quão calunioso e analfabeto funcional você é.
  • Andre  25/08/2016 13:46
    Capital imoral assumiu outro link?
  • Gold Currency  06/09/2016 23:15
    Você achou isso bisonho? Então veja essa:

    www.esquerda.net/artigo/bitcoin-e-perigosa-fantasia-do-dinheiro-apolitico-por-yanis-varoufakis/42956
  • Tiago  15/09/2016 21:16
    Tem uma coisa que minha limitada capacidade ainda não entendeu sobre essa história de juros negativos. Por que os investidores simplesmente não compram títulos do tesouro americano em vez de se submeterem aos juros negativos da europa e japão?
  • Leandro  15/09/2016 21:23
    Porque, dado que o Banco Central Europeu está comprando títulos a rodo, isso garante que os preços desses títulos subam constantemente. E, como explicado no artigo, essa subida de preços (queda da taxa e juros) traz ótimos ganhos especulativos.

    Já o Fed não está fazendo isso.
  • Tiago  16/09/2016 00:39
    Tenho lido tudo que encontro a respeito disso nos últimos três dias. Do blog acredito que já li todos os artigos. Mas acho que ainda não consegui visualizar a situação completa. Essa resposta me deixou ainda mais confuso.
    Deixa eu focar no exemplo dos bancos. Se eles ainda não estão recorrendo a papeis de governos que não estejam estipulando taxas negativas, é porque ainda não estão tendo prejuízo com as taxas negativas, certo? (Pelo resposta que deste eles estão até tendo ganhos). Nesse caso, (não estarem tendo prejuízo), a política de juros negativos estaria dando certo e seria uma alternativa melhor para fomentar a economia do que a expansão monetária pela impressão de dinheiro e compra de títulos, já que geraria crédito e investimento sem inflação, não?

    E outra questão, no momento em que a taxa cair a ponto de não permitir ganhos nem com especulação, a fuga de capitais parece inevitável. Nesse caso, países como o Brasil e suas taxas de 12 a 14 não seriam um destino em potencial?

    Por fim, pensei em algo aqui. Me diga se já consegui entender um pouco de economia ou se só consegui me atrapalhar mais.

    Se a taxa de inflação no brasil cair (o que deve acontecer se o novo governo conseguir implantar ao menos parte do plano de austeridade que pretende), e os juros da dívida pública seguirem no mesmo patamar (O que também deve acontecer para ajudar a diminuir a inflação atual), é possível que o pais atraia investidores interessados em fugir dos mercados de juros negativos, aumentando a demanda e, consequentemente, diminuindo os juros, o que geraria um quadro ótimo para especulação desses papeis. Não seria agora um bom momento para comprar papeis da dívida pública?




  • Leandro  16/09/2016 03:32
    "Nesse caso, (não estarem tendo prejuízo), a política de juros negativos estaria dando certo e seria uma alternativa melhor para fomentar a economia do que a expansão monetária pela impressão de dinheiro e compra de títulos, já que geraria crédito e investimento sem inflação, não?"

    Mas crédito e investimento é exatamente o que essa política não está gerando. E pelos motivos explicados no artigo. (Vide itens 1, 2 e 3 da seção "A coisa simplesmente não faz sentido").

    Política monetária que estimula apenas a especulação de curto prazo com títulos do governo não tem como ser propícia ao investimento.

    "no momento em que a taxa cair a ponto de não permitir ganhos nem com especulação, a fuga de capitais parece inevitável."

    É isso o que todos vêm dizendo: o estouro da bolha dos títulos públicos.

    "Nesse caso, países como o Brasil e suas taxas de 12 a 14 não seriam um destino em potencial?"

    Só se as contas estiverem em ordem e não houver grandes riscos de desvalorização cambial. Se houver desvalorização cambial, o estrangeiro que trouxer seu dinheiro para cá poderá perder muito.

    De nada adianta o estrangeiro ganhar 14,25% ao ano se o câmbio se desvalorizar mais do que isso.

    Exemplo:

    1) O cara traz 100 euros pra cá e converte para R$ 370 reais (taxa de câmbio de 3,70).

    2) Aplica esses R$ 370 em títulos do Tesouro que rendem a SELIC.

    3) Daqui a um ano, ele terá R$ 403 brutos (ganho de 14,25% ao ano).

    4) Com o IR de 17,50%, ele terá R$ 397.

    5) Um bom ganho, certo?

    6) Mas agora ele tem de reconverter R$ 397 em euros e ir embora. Afinal, na Europa, a moeda corrente não é o real.

    7) No entanto, nesse ínterim, o câmbio foi de R$ 3,50 para R$ 4.

    8) Ao converter os 397 reais em euros a um câmbio de 4, ele terá 99,25 euros -- menos do que os 100 euros que ele tinha antes.

    9) Conclusão: ele perdeu dinheiro com a desvalorização cambial, não obstante ter ganhado muito dinheiro em reais.

    Levando-se em conta que o real vem se desvalorizando desde meados de 2011, é compreensível o pé atrás dos europeus.

    "Se a taxa de inflação no brasil cair [...], e os juros da dívida pública seguirem no mesmo patamar [...], é possível que o pais atraia investidores interessados em fugir dos mercados de juros negativos, aumentando a demanda e, consequentemente, diminuindo os juros, o que geraria um quadro ótimo para especulação desses papeis."

    Apenas leve em conta o que foi dito sobre o câmbio logo acima.

    "Não seria agora um bom momento para comprar papeis da dívida pública?"

    Vários investidores estão apostando nisso, jurando que as taxas de juros de longo prazo vão desabar para um dígito. Para mim, isso só irá acontecer se o dólar derreter.

    A única vez em que os juros ficaram em um dígito no Brasil foi quando esses quatro fenômenos ocorreram simultaneamente: 1) dólar fraco; 2) preço da gasolina congelado; 3) preço da energia elétrica reduzido na caneta; 4) reduções pontuais de impostos indiretos, o que reduziu pontualmente os preços, ajudando nos índices de inflação.
  • zanforlin  13/12/2016 18:07
    Prezado Leandro.
    Eis trecho do artigo:
    "Para coroar, vale ressaltar que qualquer movimento significativo dos bancos para converter as reservas bancárias depositadas no BCE em dinheiro vivo irá solapar o próprio objetivo do BCE, que é o de estimular novos empréstimos. Com os bancos operando com dinheiro vivo, todo o mecanismo das reservas fracionárias é interrompido".
    Ora, o "entesouramento" é reação à política do BCE, ação contrária, pois; assim agindo, os bancos estão se lixando para o BCE. No limite, "os bancos operando com dinheiro vivo todo o mecanismo das reservas fracionárias é interrompido", o "paraiso" seria alcançado, com o fim dos bancos centrais, por absoluta falta de função! Bancos voltariam a intermediar poupanças e não criar dinheiro do nada!

    Estou errado?
    Essa questão me surgiu da leitura do artigo de 13/12/16: "Afinal, o Fed irá elevar os juros? Sua decisão refletirá sua posição em relação a Trump".
  • Leandro  13/12/2016 20:07
    Mas os bancos não têm interesse nenhum em operar com dinheiro vivo. Muito pelo contrário: a atual tendência mundial é o conluio entre bancos e governos abolir o dinheiro físico.

    Caso voltassem a operar majoritariamente com dinheiro vivo, toda a prática de reservas fracionárias -- que é o que lhe garante lucros estrondosos -- seria acentuadamente restringida.

    O trecho que você destacou no artigo não diz que os bancos estão fazendo isso ou que querem fazer isso. Diz apenas que, se os bancos porventura fizessem isso (algo que eles não irão fazer), a medida do BCE revelar-se-ia ainda mais bisonha e incoerente.
  • Gabriel  30/10/2017 20:21
    Leandro, eu já vi aqui no site que a razão do FED pagar juros sobre as reservas em excesso era pra evitar que os bancos americanos jogassem a montanha de dinheiro dos QE´s na economia. Porém o mesmo não ocorreu na Europa, e, mesmo assim, os bancos europeus não saíram jogando dinheiro a rodo na economia. Então pode-se, a partir disso, concluir que não era necessário o FED pagar juros aos bancos americanos?
  • Leandro  30/10/2017 20:37
    Correto. Nunca houve esse risco de hiperinflação.

    Como várias vezes já explicado por esse instituto, no atual sistema monetário e bancário, tanto Fed quanto o Banco Central brasileiro e o Banco Central Europeu não injetam dinheiro diretamente na economia; eles injetam dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito.

    Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia americana, não haverá nenhum risco de hiperinflação.

    Portanto, para haver hiperinflação, os bancos teriam de emprestar trilhões de dólares (reais, euros) para empresas e pessoas em um curto espaço de tempo. Isso significa que essas pessoas e empresas teriam de estar dispostas a se endividar em trilhões de dólares em um curto espaço de tempo, algo totalmente impensável e impossível, principalmente em um cenário recessivo.

    E, dado que hiperinflação não é do interesse dos bancos (seus empréstimos seriam quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, o que destruiria o valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido), e dado que são os bancos que hoje controlam o dinheiro que eles jogam na economia, não houve por que se preocupar com esta probabilidade. Ela só existirá nos EUA se o Fed perder sua independência, for nacionalizado e passar a seguir ordens do Congresso.

    Até hoje, todas as hiperinflações só ocorreram em arranjos nos quais os BCs eram liberados para imprimir dinheiro para financiar diretamente o Tesouro.


    P.S.: não despejar o dinheiro na economia era uma das razões (sem sentido do Fed). Outra, ainda mais premente, era simplesmente recapitalizar os bancos. Como estavam com seus balancetes dizimados após os calotes que receberam, o Fed decidiu dar essa força adicional pagando juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente deixassem parado ali.
  • Gabriel  31/10/2017 01:30
    Grato!


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.