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A saúde é um direito ou uma mercadoria?

Esse tema é motivo de muita discussão entre os médicos. Não é atípico um colega ser apontado com desdém pelos demais por ter uma visão "mercantilista" da medicina (ou seja, com objetivo de obter lucro).

O próprio Conselho Regional de Medicina, por meio do Código de Ética Médica, critica e condena essa prática: "A Medicina não pode, em nenhuma circunstância ou forma, ser exercida como comércio".

Se a medicina não pode visar ao lucro ou ser exercida como comércio — lembre-se de que, paradoxalmente, o médico deve ser remunerado de forma "justa" —, então ficamos tentados a responder à pergunta do título com um sonoro não.

Para avançar o raciocínio, é fundamental tentar encontrar uma definição satisfatória para o que seria 'saúde'.

Saúde é um conceito complexo e muito difícil de ser apreendido, uma vez que possui diversas implicações legais, sociais e econômicas. Se utilizarmos a definição defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), "saúde" seria "um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças".  

Mas há um problema: ou essa definição está equivocada ou esse tipo de situação jamais poderia ser alcançado por qualquer habitante deste planeta. É natural do ser humano buscar esse estado maravilhoso de perfeição, mas temos de ter em mente que ele raramente é alcançado, a não ser por poucos momentos.

O que dizer, então, de transformar esse "estado de completo bem-estar físico, mental e social" em um direito fundamental, garantido pelo estado e financiado pelo dinheiro extraído à força do pagador de impostos? Pois foi exatamente isso que a constituição de 1988 fez. Adotou essa definição de saúde e logo abaixo decretou que ela seria um direito garantido pelo estado.  Com isso, foi criado o Sistema Único de Saúde.

De fato, esta definição de saúde possui inúmeras críticas, entre elas: a "medicalização" da existência e a possibilidade de abusos por parte dos governos com o pretexto de promover "saúde". Não é difícil, então, entender por que a maior parte deles adota essa definição utópica.

Mas vejamos outras tentativas.

Saúde já foi descrita como "ausência de doença", como "o bem-funcionar de um organismo como um todo" ou ainda como "uma atividade do organismo vivo de acordo com suas excelências específicas". A melhor definição, a meu ver, seria uma mistura entre "um estado físico e mental sob o qual é possível alcançar todas as metas vitais, dadas as circunstâncias", associada a "uma percepção subjetiva e individual de bem-estar", que varia enormemente entre as pessoas.

Qualquer tentativa global de definir a saúde massacra o indivíduo e deve ser evitada.

O termo "mercadoria" é derivado do latim e tem origem na palavra mercatóre (mercador). Na economia política clássica, uma mercadoria é tudo aquilo que é produzido pelo trabalho humano e pode ser colocado no mercado para ser comercializado. O mercado, longe de ser um lugar, é, na realidade, o processo que guia o sistema econômico baseado na divisão do trabalho e na propriedade privada dos meios de produção.  As interações voluntárias que ocorrem no mercado fazem surgir os preços, e a existência dos preços permite o cálculo econômico. O cálculo econômico é a base intelectual que norteia as escolhas realizadas por seus participantes. A estrutura de preços é um sinalizador fundamental do que está ocorrendo a cada momento, pois reflete o conjunto de todas as interações que lá ocorrem e informa aos produtores o que produzir, como produzir e em que quantidade.

A alternativa a esse sistema capitalista de produção seria o socialismo, no qual a propriedade privada é abolia e há apenas propriedade estatal ou coletiva dos meios de produção. Neste segundo sistema, a produção é determinada por decretos governamentais e, na ausência de preços, o sistema de cálculo econômico se torna impossível, como foi demonstrado por Ludwig von Mises em sua obra Socialismo. O fato de arranjos socialistas serem inviáveis no longo prazo explica por que o socialismo fracassou em todos os lugares em que foi implementado.

Em outras palavras, dizer que saúde é uma mercadoria significa simplesmente aceitar a realidade e dizer que é possível obter serviços de saúde por meio de trocas voluntárias dentro desse sistema complexo no qual todos agem por conta própria, sem compulsão ou coerção.

Por tudo isso, podemos dizer que ninguém consegue obter o produto "saúde" pronto no mercado; a saúde em si não pode ser comercializada, uma vez que se trata de um conceito abstrato, um bem intangível, independentemente da definição que quisermos adotar. No entanto, é possível sim obter serviços e produtos que vão garantir a manutenção ou a restauração da saúde perdida em decorrência de doenças ou externalidades.

Nesse sentido, apesar de a saúde não poder ser considerada uma mercadoria, os serviços médicos e os serviços dos outros profissionais de saúde são, sim, uma mercadoria, dado que podem ser — e são — fornecidos pelo mercado, e de forma superior a qualquer tentativa do governo de fazer o mesmo. Só faria sentido falar em ausência de comércio em uma situação em que os serviços médicos fossem fornecidos pelo governo, em sua totalidade. Algo altamente indesejável.

Existe, no entanto, uma situação em que a saúde pode ser — e frequentemente é — usada como mercadoria. O estado assistencialista usa o conceito abstrato "saúde" como moeda de troca para impor suas intervenções e controles e justificar taxas e impostos. Uma das observações mais perspicazes de Mises foi a tendência cumulativa das intervenções estatais. O governo, em toda a sua onisciência, julga ter percebido um problema e interfere com o objetivo de "resolvê-lo".  Essa intervenção do governo gera consequências inesperadas.  Ato contínuo, o governo decide recorrer a novas intervenções apenas para "sanar" as consequências não previstas da intervenção anterior.  Cada nova intervenção cria dois ou três novos problemas não previstos, os quais empurram continuamente o estado a novas intervenções "saneadoras".  E assim vai, cada vez mais rumo ao socialismo.  

Nenhuma área fornece uma ilustração mais dramática deste processo maligno do que a saúde pública. (Clique aqui para ver um exemplo prático de como funciona essa escalada intervencionista no SUS).

A verdade é que decretar que a saúde é um direito de todos e que é dever do estado fornecer saúde universal, gratuita e de qualidade para todos é uma medida que não pode alterar as leis básicas da economia. Os serviços podem ser "gratuitos", mas os recursos são, por definição, limitados (o socialismo vai até onde termina o dinheiro dos outros) e a demanda é crescente. Não há milagre. O resultado disso será racionamento e escassez, traduzidos sob a forma de filas, restrições ao atendimento, falta de medicamentos etc. (Veja o exemplo prático aqui).

Por outro lado, quando o governo sai de cena, quando os impostos deixam de ser recolhidos e quando cessam as regulamentações, o poder aquisitivo dos pacientes aumenta, os custos dos profissionais de saúde diminuem e, assim, aumenta a concorrência entre eles, o que faz com que os preços caiam.

Com a "caridade governamental" fora de cena, abre-se caminho para a caridade privada.

Talvez a nossa única chance/sorte seja demonstrar que o sistema socialista de medicina, além de imoral, também é estratosfericamente caro e ruim. E que, além de tudo, sob a falsa promessa de saúde universal e gratuita, esse sistema redistributivista nos conduz, como ovelhas, ao caminho da servidão. É crucial aceitar que a saúde possa — ou, melhor ainda, que ela deve — ser fornecida por meio de serviços e procedimentos obtidos no mercado.

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Leituras complementares e indispensáveis:

Como Mises explicaria a realidade do SUS? 

Como o SUS está destruindo a saúde dos brasileiros 

Um breve manual sobre os sistemas de saúde - e por que é impossível ter um SUS sem fila de espera 

Um retrato da saúde brasileira - um desabafo de dois médicos 

Quatro medidas para melhorar o sistema de saúde 

A medicina socializada e as leis econômicas 

A saúde é um bem, e não um direito 

Como realmente funciona o sistema de saúde americano

As diferenças entre os serviços de saúde da Alemanha e do Canadá 

Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco 

Nem todos os problemas de saúde são seguráveis


1 voto

autor

Tatiana Villas Boas Gabbi
é médica, dermatologista, libertária e defensora radical do livre mercado.


  • Iago Gama  15/12/2015 13:58
    Artigo com precisão cirúrgica (no pun intended). Parabéns.
  • Rene  15/12/2015 14:08
    Situação hipotética: Se um laboratório desenvolvesse um tratamento revolucionário que curasse qualquer doença existente no mundo, desde um resfriado comum até câncer em estágio terminal, mas que custasse um bilhão de dólares, nós poderíamos obrigar o governo a pagar por este tratamento para um familiar que esteja doente?

    O próprio livre mercado resolveria este problema. A princípio, a demanda por este tratamento seria bem restrita, afinal, são poucas as pessoas que teriam condições de pagar uma quantia tão grande pelo tratamento. Mas aí viria a questão: Por que o custo é tão alto? Será que é algum elemento químico de difícil obtenção, ou será que o alto custo é apenas por causa da exclusividade? Se for por causa da dificuldade de produzir os medicamentos, assim que um bilionário pagar esta quantia para o laboratório, este vai utilizar boa parte do montante recebido em pesquisa, a fim de reduzir o custo de produção e atender novos mercados. Se for só por causa da exclusividade, esta indústria pode perder o mercado em breve, pois imediatamente após o anúncio do tratamento, todas as outras empresas farmacêuticas iriam tentar fazer uma engenharia reversa. Um produto como este não é algo que se possa ignorar. Neste ritmo, não demoraria muito tempo até o tratamento ser disponibilizado para um número cada vez maior de pessoas.

    Lógico que, neste exemplo, bastaria adicionar o governo na equação, e tudo ficaria mais difícil. As regulamentações e as leis anti patente reduziriam o ritmo em que o preço cairia. Os pobres continuariam morrendo na fila do SUS.
  • Túlio Rios   15/12/2015 17:33
    E obviamente os governos protegeriam seus cartéis das indústrias farmacêuticas e haveria demanda por tal produto no mercado negro, ao qual como já sabemos haveria menor qualidade, mortes, etc..e como você disse, as pessoas continuariam morrendo, sendo que suas oportunidades estariam logo à frente, porém com uma barreira, o estado... assim como acontece com o câncer..
  • O Tesoureiro do Partido  15/12/2015 14:12
    Sou eu ou essa mania de "bolacha na esquina não pode ser comércio" está crescendo? Eles realmente querem que todo mundo apodreça na fila de hospital, tendo de ser "internado" para ter um serviço mais rápido?

    Parece que todo mundo hoje em dia vive para dizer o que pode ou não ser vendido. O pessoal não trabalha por sacerdócio e lucro não é presente, ele ratifica os serviços bons e condenada os ruins a falir e entregar recursos escassos a quem sabe usar melhor.
  • Emerson Luis  15/12/2015 14:34

    É lindo dizer que "todos têm direito à saúde".

    Porém, a contrapartida dessa afirmação é que todos são obrigados a financiar a saúde de todos. E a progressão lógica é que todos devem satisfação a todos quanto a como levam suas vidas.

    * * *
  • Raulzito  15/12/2015 17:57
    Bem observado, Emerson Luis.
  • Sol  15/12/2015 15:00
    Matei uns 10 mosquitos suspeitos ontem com aquela raquete elétrica.

    Se a saúde é um "direito", eu posso então processar o governo por contrair uma dessas doenças maravilhosas de país subdesenvolvido?
  • Amigo da Biosfera  15/12/2015 15:41
    Dengue?

    DDT em tudo.

    Ponto.

    Cansei de malária, dengue, Zika e tudo que esta droga deste mosquito traz. E acho que todo mundo cansou. Já briguei muito por causa de DDT mas hoje não tenho vontade. Se tivessem continuado com DDT no Norte da África, milhões de pessoas estariam vivas hoje. Não quero mais ver uma morte se quer por causa de doenças dos trópicos. Era para sermos melhores do que isso. E não, o mosquito favorito da garotada não seria extinto. Não posso dizer que 'felizmente'.
  • Ricardo  15/12/2015 16:11
    Em 1970, pouco antes da proibição do DDT, a Academia Nacional de Ciências dos EUA declarou que o DDT havia salvado mais de 500 milhões de vidas humanas ao longo das últimas três décadas ao erradicar os mosquitos transmissores da malária.

    Naquele ano, a Academia lançou um relatório no qual dizia: "Se tivéssemos de eleger alguns produtos químicos aos quais a humanidade deve muito, o DDT certamente seria um deles. ... Em pouco mais de duas décadas, o DDT evitou que 500 milhões de seres humanos morressem de malária, algo que sem o DDT seria inevitável".

    Antes da proibição do DDT, a malária estava prestes a ser extinta em alguns países.

    O DDT foi banido pelos governos no início da década de 1970 não obstante o fato de não ter sido apresentada nenhuma evidência científica comprovando que ele gerasse os efeitos maléficos que o movimento ambientalista alegava

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1605.
  • André  15/12/2015 16:45
    "Dengue?

    DDT em tudo.

    Ponto."

    Mas como alguém pode usar isso se existe uma lei criada em 2009 ESPECIALMENTE para proibir o DDT de modo que a dengue pudesse ferrar com a população:

    www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11936.htm

    ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

    LEI Nº 11.936, DE 14 DE MAIO DE 2009.

    Mensagem de veto
    Proíbe a fabricação, a importação, a exportação, a manutenção em estoque, a comercialização e o uso de diclorodifeniltricloretano (DDT) e dá outras providências.

    O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

    Art. 1o É proibida, em todo o território nacional, a fabricação, a importação, a exportação, a manutenção em estoque, a comercialização e o uso de diclorodifeniltricloretano (DDT).

    Art. 2o Os estoques de produtos contendo DDT, existentes no País à data da publicação desta Lei, deverão ser incinerados no prazo de 30 (trinta) dias, tomadas as devidas cautelas para impedir a poluição do ambiente e riscos para a saúde humana e animal.

    Art. 3o (VETADO)

    Art. 4o O Poder Executivo realizará, no prazo de 2 (dois) anos, a contar da data da publicação desta Lei, estudo de avaliação do impacto ambiental e sanitário causado pelo uso de DDT para controle de vetores de doenças humanas, na Amazônia.

    Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

    Brasília, 14 de maio de 2009; 188o da Independência e 121o da República.

    LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
    Tarso Genro
    José Gomes Temporão
    Miguel Jorge
    José Antonio Dias Toffoli
  • Amigo da Biosfera  16/12/2015 16:43
    Eu sei da lei. Quem fez tem sangue nas mãos e o de muita gente. A mídia e os intelectuais especialmente. Estes demônios e seu exército de imbecis querem matar a humanidade, só pode. É de uma crueldade absurda proibir o DDT.

    O impacto que a proibição teve só poderia ser replicado se estes idiotas proibissem os remédios de forma geral.
  • Renegado  15/12/2015 16:22
    Trabalho em uma empresa fornecedora de produtos hospitalares aqui no Brasil. Já li muitos artigos neste sitio relacionados a regulamentações do setor de saúde como por ex: www.mises.org.br/Article.aspx?id=349. Lendo o respectivo artigo, pude observar a seguinte evidência "Aquela pequena porção da indústria que ainda permanece voltada para o lucro é regulada de modo tão extraordinariamente violento pelos governos federal, estaduais e municipais, que a maioria das decisões tomadas pelos administradores desses hospitais tem mais a ver com o cumprimento das regulamentações do que com a oferta lucrativa de serviços ao pacientes/clientes. E é o lucro, obviamente, o que possibilita que os hospitais do setor privado tenham os meios para ofertar seus serviços de saúde."
    Sou testemunho de que esta afirmativa é a mais pura verdade. Só como exemplo, dentre todas as regulamentações já existentes a anvisa (minúsculo mesmo) em meados de 2012, elaborou uma RDC (resolução da diretoria colegiada), diretoria essa que faz jus ao nome, pois nunca saiu da escola aparentemente, chamada de RDC16, que dentre outras coisas regulamenta todo o setor de produtos médico-hospitalares. Dito isto, com esta RDC, a anvisa tem amparo legal para atuar e determinar os arranjos de várias etapas da cadeia produtiva nos nossos processos e consequentemente tudo o que pensarmos em fazer, temos que levar em conta os devaneios inúteis desta entidade. De modo que a empresa em que trabalho, criou uma área de garantia do controle de qualidade, somente para tratar de questões da anvisa. Vale ressaltar que já existia um setor de regulatória. Ou seja, para empresas já consolidadas, ok, para quem não tiver dispondo de muito $ e quiser fundar uma empresa, já era, só com estas regulamentações são diversos advogados e burocratas inúteis que a empresa terá de contratar, muitas vezes inviabilizando de cara o negócio. Isso explica o fato da empresa em que trabalho não ter muita concorrência. Deste tema, já vou falar.
    Caso a empresa não cumpra com as exigências da anvisa, esta pode retirar o selo de boas praticas de fabricação, ou vulgo BPF, invalidando a empresa de poder participar de inúmeras licitações, vendas em hospitais públicos e etc, gerando resultados muito ruins para a empresa. De outra forma a guilda da saude está completa, ou seja, para justificar as intromissões da Anvisa, os hospitais que participam de licitações exigem o certificado BPF, que por sua vez, é monopolio da anvisa. Agora então a anvisa é necessária.
    E o que isso tudo melhora na vida de nós consumidores finais, ou seja, pacientes nos hospitais e que pagamos os impostos que sustentam tudo isso? Nada, apenas teremos produtos mais caros, pois a concorrência é baixa e nenhuma garantia a mais.
    E o empresário, como fica? Por que ele não reclama e aceita tudo a ponto de colocar mais um departamento na empresa? Se já não ficou claro, ele ganha muito, pois aumenta as margens de lucro que devido a todas as regulamentações e preços proibitivos, a concorrência vai ser bem baixa. Ou seja eles tem motivos totais para apoiar a causa. Isso explica por que a maioria desses empresários são socialistas roxos.
    Isso tudo que tenho relatado e vivido na prática é só mais um exemplo de conluio empresa/estado a que tanto este site do mises já falou. Conluio este também conhecido como fascismo.
    Estas coincidências não são fáceis de perceber, ninguém ao meu redor se da conta destes esquemas.
    Eles são sutis e discretos, assim como os conluios bancos/estado. Acredite. O estado é o seu maior inimigo, não duvide, eles se metem em tudo e corrompem a todos. Alguns ganham e a população como todo perde. Muitos só vão se dar conta no dia em que o estado proibir e determinar quando as pessoas podem sair de suas casas. Todos esses arranjos são ao meu ver corruptos e inescrupulosos.
    Qual a forma de acabar com tudo isso? Para essa pergunta gosto de usar a resposta de outro participante deste site "para acabar com a corrupção, temos que acabar com aquilo que há para ser corrompido".
    Abraço a todos.

    "O preço da liberdade é a eterna vigilância"
  • Gunnar  17/12/2015 17:17
    Excelente relato, Renegado. Obrigado por compartilhar.
  • Taxidermista  15/12/2015 17:09
    Texto para ser lido em conjunto com esse:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=338
  • Thiago Teixeira  15/12/2015 17:35
    Caso seguíssemos honrosamente o Juramento do Hipócrates, não trabalhariámos em empregos estatais.
  • duvida  15/12/2015 18:15
    Sei que aqui não é forum de pergunta e resposta, mas tenho uma dúvida. Se alguém puder dar uma luz agradeço.

    No libertárianismo, não existiriam patentes correto? Valeria a pena investir em pesquisa para desenvolver novos remédios ou curas(ou em qualquer pesquisa)? Afinal, com engenharia reversa poderia rapidamente descobrir do que é feito o novo remédio. Ai supomos que uma empresa X descobre uma formula melhor, mas não tem a mesma eficiência em produzir o remédio que a empresa Y. Então a empresa Y passa a lucrar em cima da pesquisa feita pela empresa X, mas sem despesas, pois não existem patentes.

    Como evitar esse problema? Se a pessoa/empresa que tem a ideia não é tão boa na execução, ela não tem direito nenhum sobre sua ideia? Tem algum artigo que aborda essa situação?
  • Resposta  15/12/2015 18:23
    Esse seu cenário já ocorre: veja a indústria da moda.
    Lá as cópias correm soltas e a indústria está cada vez mais forte. A cada ano surgem novas grifes e consumo de roupas de uma marca específica só aumenta (exceto em épocas de crise econômica, obviamente).

    Não podemos também nos esquecer da indústria de cosméticos e de perfumes. Estas também só se expandem. Embora as cópias existam em profusão, os investimentos em linhas caras de perfumes só aumentam.

    Vale repetir: no ramo da moda, as cópias ocorrem da noite pro dia, e no entanto trata-se de uma das indústrias mais lucrativas do mundo. Não há absolutamente nenhum tipo de direito autoral ou de patente. Mais ainda: você pode comprar cópias de roupas e bolsas de enorme qualidade, e ainda assim as marcas originais continuam ganhando fábulas de dinheiro.

    E os grandes nomes da sua indústria são podres de rico. E todas as suas obras são copiadas livremente. Não há absolutamente nenhum tipo de propriedade intelectual, os produtos piratas e baratos abundam, e mesmo assim os lucros das grandes seguem intactos.
  • Taxidermista  15/12/2015 18:52
    Para o austro-libertarianismo, não há "problema" aí nesse cenário. Não existem direitos (de propriedade) sobre "ideias".

    Há diversos artigos sobre a temática:


    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=23


    Há um livro específico sobre isso:

    www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=29


    https://mises.org/library/against-intellectual-property-0


    Te sugiro, ainda, o capítulo 10 do livro "Libertarianism Today", Jacob Huebert:

    www.abc-clio.com/ABC-CLIOCorporate/product.aspx?pc=D2222C
  • duvida  15/12/2015 19:56
    Acho que o exemplo da moda ainda não é ideal. Na verdade é exatamente o que acho um pouco injusto. Se uma estilista faz uma roupa linda(empresa X, desenvolve a fórmula), mas não tem nome ou meios de produção otimizados, então vai vender pouco. Mas ai a Prada(empresa Y) vai lá e imita e vende milhões e quem criou a roupa não recebe crédito. Se para ser livre, tem que ser desse jeito, paciência, melhor esse problema que o de ter o governo regulando tudo. Mas ainda assim, não vejo isso como certo, pois é possível explorar e lucrar com a ideia de alguém sem dar o devido crédito e é mais fácil alguém já com nome, poder, dinheiro, etc roubar ideias e se perpetuar, de certa forma criando uma barreira a entrada no mercado. Por exemplo, se o dono da Prada disser que quem roubou a ideia foi a estilista desconhecida, em quem vão acreditar? Se isso parar em tribunal, Prada terá advogados melhores, etc...

    Sinceramente me parece uma falha bem grave. Não acredito em sistemas perfeitos, acredito em sistemas melhores, e mesmo com esse problema, é melhor que governo se metendo em tudo. Mas igual fico com minha dúvida se existe remédio para isso, ou se para ser livre tem que arcar com essa falha. Até agora nunca vi nenhuma solução pra isso. Sempre termina no argumento de que isso não é necessariamente ruim, sem realmente dar uma solução.



    De qualquer forma, agradeço as respostas e os links. Vou ler tudo e pensar mais sobre o assunto. Abraço.
  • Andre  16/12/2015 12:08
    "Se uma estilista faz uma roupa linda(empresa X, desenvolve a fórmula), mas não tem nome ou meios de produção otimizados, então vai vender pouco."

    Em geral os estilistas não possuem os meios de produção para produzirem as roupas que eles projetam.
    E mesmo assim ganham muito bem.
    A analogia é perfeita.

    "Mas ai a Prada(empresa Y) vai lá e imita e vende milhões e quem criou a roupa não recebe crédito. Se para ser livre, tem que ser desse jeito, paciência, melhor esse problema que o de ter o governo regulando tudo. Mas ainda assim, não vejo isso como certo, pois é possível explorar e lucrar com a ideia de alguém sem dar o devido crédito e é mais fácil alguém já com nome, poder, dinheiro, etc roubar ideias e se perpetuar, de certa forma criando uma barreira a entrada no mercado. Por exemplo, se o dono da Prada disser que quem roubou a ideia foi a estilista desconhecida, em quem vão acreditar? Se isso parar em tribunal, Prada terá advogados melhores, etc..."

    Não há tribunal algum quando alguém copia um vestido.
    A empresa apenas publica a prova de que ela lançou primeiro em algum evento famoso da moda.
    Os consumidores avaliam os dois argumentos e comprar o que quiserem.

    "Sinceramente me parece uma falha bem grave."

    Se a falha é tão grave como a industria da moda segue prosperando?

    "Não acredito em sistemas perfeitos, acredito em sistemas melhores, e mesmo com esse problema, é melhor que governo se metendo em tudo. Mas igual fico com minha dúvida se existe remédio para isso, ou se para ser livre tem que arcar com essa falha. Até agora nunca vi nenhuma solução pra isso. Sempre termina no argumento de que isso não é necessariamente ruim, sem realmente dar uma solução."

    Considerando o sucesso contínuo da industria da moda concluo que não há nenhuma falha.
    Apontar falhas hipotéticas que não estão acontecendo não refuta a REALIDADE.

    A REALIDADE é o que vale, se sua teoria está incoerente com a REALIDADE ela está ERRADA.
  • Alexandre M. R. Filho  15/12/2015 19:34
    Pode ter patente sim, só nao pode pedir pro governo proteger.

    A empresa pode criar uma série de instrumentos para proteger seu segredo.

    No caso dos remédios, forçar os consumidores/revendedores a não divulgarem nada ou, ainda, só permitir o uso em certos lugares controlados.

    Como fazer é problema da empresa.

  • Wolmar  15/12/2015 21:50
    Pois é. No início da década de 90 o Brasil fez exatamente isso: "quebrou" a patente do AZT e iniciou um bem sucedido programa de combate à AIDS com a produção e distribuição gratuita do medicamento, através da Fiocruz ou do Instituto Butantã, não me lembro exatamente. Na época criou-se uma enorme celeuma por o Brasil estar desrespeitando os direitos de propriedade e de patente detidos pelos laboratórios que descobriram a fórmula e a defesa que o governo usou foi justamente dizer que saúde é um "direito de todos" e que "não é mercadoria", e que pelo bem da sua população passaria por cima dos direitos reclamados pelos antigos laboratórios produtores.
    Antes que me acusem de estatista quero deixar bem claro que não endosso a cotização do tratamento dos aidéticos pela população saudável do país
  • Andre  16/12/2015 12:12
    "Antes que me acusem de estatista quero deixar bem claro que não endosso a cotização do tratamento dos aidéticos pela população saudável do país.".

    Na verdade quebrar uma patente é uma ação libertária.
  • Erick  15/12/2015 19:49
    Vocês, pessoal do Instituto Mises, já pensaram em abrir uma consultoria de investimentos? Vocês entendem tanto de economia, por que não vender a informação sobre possíveis cenários e previsões para a compra de ações, ativos etc?
  • Ramos  15/12/2015 19:59
    O presidente do instituto já seguiu seu conselho bem antes de você pensar nisso. E ganhou (e segue ganhando) muito dinheiro.
  • Taxidermista  15/12/2015 20:13
  • Marcio Aparecido da Silva  15/12/2015 21:31
    Concordo em partes com o texto. O capitalismo é necessário mas ele não é uma resposta completa, falta ponderar que o capitalismo é produto da cultura ocidental e essa cultura foi construída sobre o cristianismo que é o fundamento da nossa civilização. O capitalismo só é viável com o principio da caridade voluntária das pessoas, que daria sustentabilidade ao sistema. Caridade voluntária com a busca pelo lucro forma o sistema ideal que evita crises de liquides monetária. Indo para o tema saúde. Saúde não pode ser mercadoria livre de regulação por ser essencial ao consumidor, a pessoa que consome o produto saúde não tem escolha, ela não pode optar por consumir ou não consumir. Saúde não é uma carro que você compra quando poder. A saúde não é passível de negociação, o consumidor se torna submisso ao fornecedor do serviço. É necessário haver regras que regulem esse mercado, nunca haverá livre mercado esse setor da economia.
  • Médico  15/12/2015 21:52
    "Saúde não pode ser mercadoria livre de regulação por ser essencial ao consumidor"

    Não existe, por definição, nenhum mercado desregulado. A escolha a ser feita é quem irá regular o mercado: burocratas estatais (sempre em conluio com as grandes empresas) ou os próprios consumidores?

    Nunca haverá uma escolha entre regulação e ausência de regulação. Sempre haverá uma escolha entre dois tipos de regulação: regulação feita por políticos e burocratas, ou regulação feita pelas forças do mercado. Regulação feita por decretos, ou regulação feita pela liberdade de escolha.

    Sabe em que arranjo é possível fornecer péssimos serviços e se manter impune? Em mercados regulados, em que a concorrência é banida, o governo decide -- por meio de agências reguladoras -- quem pode e quem não pode atuar no mercado, e você não tem opção a não ser continuar comprando de uma mesma empresa. Espero que não seja esse o arranjo que você defende, pois ele já existe.

    E quem exerce as "forças do mercado"? Somos nós. Você, eu e todos os cidadãos. Nós é que decidimos, por meio de nossas decisões de comprar e de se abster de comprar, qual indústria sobrevive, qual deve ser extinta e qual deve trocar de gerência. Não é nada complicado. Se houver alguma política mais eficaz e mais ética do que essa, favor avisar ao mundo sobre essa revolucionária descoberta.

    É impossível existir um mercado desregulamentado

    "a pessoa que consome o produto saúde não tem escolha, ela não pode optar por consumir ou não consumir."

    Troque "saúde" por "alimentação" e o sentido é idêntico. Você conhece alguém que vive sem ter de comer? Defende que o estado também imponha ao setor alimentício as mesmas regras que impõe ao sistema de saúde? (Por favor diga que não!)

    "Saúde não é uma carro que você compra quando poder."

    Alimento também não.

    "A saúde não é passível de negociação, o consumidor se torna submisso ao fornecedor do serviço."

    Com alimentos também. Aliás, com vestuário também.

    "É necessário haver regras que regulem esse mercado, nunca haverá livre mercado esse setor da economia."

    Regras, como dito acima, sempre haverá. Agora, se você quer que políticos e burocratas regulem esse mercado, e não os próprios consumidores, então você merece pagar caro e receber serviços ruins. Você está levando exatamente aquilo que você está pedindo.
  • Juan Domingues  15/12/2015 22:24
    Discordo plenamente.
    Primeiro da ideia de que saúde é essencial ao indivíduo. O Homo sapiens sapiens pode sobreviver por anos a fio com médicos, sem médicos ou apesar dos médicos. É inegável que obviamente com o auxílio da medicina moderna (e ai entram vacinas, antibióticos, antihipertensivos, estatinas, procedimentos diversos) a expectativa e qualidade de vida dos indivíduos é muito maior. Isso não torna saúde, entretanto, essencial. Essencial é oxigênio, comida, água, e só. Todo o resto pode ser importante, mas não é essencial.
    E mesmo que saúde fosse essencial, esse seria apenas mais um argumento a favor da sua comercialização, afinal ironicamente a comida, que é de fato um item essencial, não tem sua distribuição regulada pelo estado (e quando o estado tenta fazer isso gera desabastecimento).
    A ideia de que a falta de regulação torna um produto ou serviço menos acessível é falsa e me impressiona que ainda discutamos isso.
  • Taxidermista  15/12/2015 22:29
    "Saúde não pode ser mercadoria livre de regulação por ser essencial ao consumidor, a pessoa que consome o produto saúde não tem escolha, ela não pode optar por consumir ou não consumir"

    Ora, justamente por ser tão essencial é que a saúde não pode ficar a cargo do estado. E você pede por "regulação" olvidando que no mercado existe regulação, a regulação do mercado (www.mises.org.br/Article.aspx?id=2024). Entenda: mercado não é sinônimo de "caos"; o que gera caos é a interferência de burocratas na economia.

    Outrossim, você diz que "quem consome o produto saúde não tem escolha", mas sua proposta é tirar esse produto do mercado e colocar como fornecedor uma entidade monopolista (o estado)? É nonsense isso: diante da suposta "falta de escolha do consumidor no mercado", você propõe tirar completamente a escolha do consumidor, colocando um monopolista como fornecedor.


    "A saúde não é passível de negociação, o consumidor se torna submisso ao fornecedor do serviço"

    É exatamente o oposto: num mercado genuinamente livre (sem interferência estatal) é o fornecedor que é submisso ao consumidor. Confira:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1888

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=757

    Prezado, a cultura estatista fez você acreditar no paternalismo, que infantiliza consumidores. Ora, não é um burocrata estatal que deve dizer se o consumidor tem condições ou não de "negociar", meu caro. Os consumidores não são débeis mentais. A respeito, dê uma lida nesse artigo: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1988


    "É necessário haver regras que regulem esse mercado, nunca haverá livre mercado esse setor da economia"

    Como falei, livre mercado não implica "ausência de regras". O que há é ausência de regras feitas por burocratas que se colocam como planejadores centrais. É importante que você compreenda isso. Seja como for, a sua argumentação é completamente tautológica: você exige que o estado regule esse setor (com uma consideração de cunho paternalista) e ao mesmo tempo conclui que "nunca haverá livre mercado nesse setor".

    De duas, uma: se você acha que "nunca haverá livre mercado esse setor" (se com isso você quer dizer algo como "o estado, naturalmente, sempre estará presente nesse setor"), então você não precisa "exigir" por intervenção estatal nesse setor;

    ou

    se o que você quer dizer com isso é que sempre uma empresa privada "dominará" as demais do setor (e por isso, segundo você, não haveria "livre mercado"), então carece de sentido você pedir que o estado seja monopolista do fornecimento desse produto. Perceba: você insinua que sempre haverá monopólio nesse setor - dando a entender que isso seria algo ruim -, mas ao mesmo tempo pede que o estado seja o monopolista no setor, o que para você é algo bom.

    Recomendo a leitura desses dois artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1309

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1057


  • Andre  16/12/2015 12:10
    "O capitalismo só é viável com o principio da caridade voluntária das pessoas, que daria sustentabilidade ao sistema.".

    Cite um local do planeta terra onde não há caridade voluntária.
  • anônimo  15/12/2015 22:34
    E na questão da saúde, não existe isso de "soberania do consumidor". O indivíduo que está doente e precisa de uma operação urgente, não tem o poder de escolher o médico/plano, tudo o que precisa é de serviços e cuidados médicos. Se um médico pratica é vigarista, até ele ser pego, quantas vidas já se perderam? A saúde tem que ser muito bem regulada, senão abre espaço para qualquer vigarista. É um setor onde o consumidor não tem poder de escolha. Ou ele recorre a um médico, ou morre....
  • Cardiologista  15/12/2015 22:43
    "O indivíduo que está doente e precisa de uma operação urgente, não tem o poder de escolher o médico/plano, tudo o que precisa é de serviços e cuidados médicos."

    Tradução: se você está doente, outras pessoas, inclusive médicos e enfermeiras, devem ser escravizadas para lhe prestar serviços "gratuitos". E isso é um arranjo moral, pois você é um coitado a quem o mundo deve favores pelo simples fato de você ter nascido.

    O mais legal é que se você trocar "doente" por "faminto" e "operação" por "refeição" na frase acima, o sentido da mesma se mantém, mas a absurdidade de sua exigência fica ainda mais patente.

    Acho que nem Eduardo Cunha tem tamanha megalomania.
  • Juan Domingues  15/12/2015 23:05
    Com relação às emergências, o seu argumento talvez tivesse algum valor caso um hospital, clínica ou consultório vivessem apenas de pacientes agudamente enfermos, inconscientes e sem capacidade de escolha alguma. Mas isso é falso. A maior parte dos pacientes que chega a um hospital ou outro serviço de saúde ainda está em alguma condição de decidir sobre sua vida e em última instância poderiam decidir, inclusive, para qual hospital se dirigir. E mesmo para os que fossem encontrados completamente inconscientes, seria muito fácil para uma seguradora privada exigir de antemão do paciente o que ele quer que seja feito em caso de crise, para qual hospital ele quer ser levado de preferência, etc. Bastaria andar com um pequeno cartão no bolso, com as informações do seguro e as preferências pessoais. Isso só não acontece no sistema atual em muitos países porque o próprio Estado obriga a ambulância a levar o doente para o hospital mais próximo, e não para o hospital de escolha dele. Assim, na prática, o Estado controla um aspecto fundamental da demanda: a capacidade de escolha do consumidor. E é pior que isso: ele também controla diversos aspectos fundamentais da oferta por meio de regulações nos hospitais, clínicas e consultórios.
    Com relação à qualificação dos profissionais em si, também é possível pensar em uma série de medidas voluntárias que garantiriam qualidade e elas seriam implementadas sem dúvida por serem do interesse de todas as partes (tanto dos profissionais de saúde quanto dos pacientes e principalmente das seguradoras de saúde privadas). Um banco de dados com as qualificações de todos os profissionais, um sistema de rankings feito pelos próprios pacientes, referências e avaliações por pares, etc... Possibilidades é o que não faltam. Existiriam charlatões? Sem dúvida, como em qualquer área. Eles já existem hoje, mesmo com um enorme número de restrições. Que o digam os "cirurgiões espirituais", alguns pastores de igrejas, as velhinhas em cidades do interior que vendem ervas, os quiropratas, entre outros.
  • Thiago Teixeira  16/12/2015 11:38
    Boas observações.

    Poderia haver também títulos privados de proficiência.

    Outro dia discutíamos aqui a questão do registro profissional obrigatório nos CRMs, monopolítico, que muitos libertários consideram como formador de um cartel protegido e como uma barreira de mercado. Argumentei que ao menos ele funciona com um barreira de qualidade (pelo menos não é cedido registro a médicos formados na bolívia, venezuela e cuba). E cedi num ponto, o CRM poderia ser substituído por outras formas de avaliação de qualidade, e um sistema claro daria para os pacientes a opção de escolher entre qualidade e preço.

    Quanto às avaliações dos pacientes, eles só são capazes de faze-las subjetivamente: se foi bem atendido, se o tratamento lhe fez sentir melhor ou não... Geralmente não tem o discernimento de se foi aplicada a melhor conduta, baseada em evidências; o que é totalmente válido, dado que há a divisão do trabalho (a quantas horas de estudo a pessoa teria que se dedicar para poder chegar a um diagnóstico independente? compensaria financeirtamente fazê-lo? seria acurado? as horas de prática do profissional não fariam falta?).
    Admito porém que essa avaliação subjetiva é um componente importante, está entre os parâmetros de qualidade do profissional, e deve ser respeitada. Quanto a isso, poderiam ser usados aplicativos semelhantes aos já disponíveis para outros serviços (restaurantes, hotéis, táxi...)
  • Juan Domingues  16/12/2015 17:08
    Concordo que o CRM, dentro da realidade estatista em que vivemos, é um "mal menor". Mas de forma alguma imagino que seja a única forma de controlar a qualidade dos colegas.
    Associações de médicos (de afiliação voluntária) também podem possuir seus próprios banco de dados (a maioria já possui inclusive) com as qualificações dos colegas. Pode-se criar um sistema de avaliação por pares e de referências, assim, os preceptores das faculdades e residência e os colegas de trabalho poderiam listar as qualidades do aluno em formação ou do médico já formado por exemplo. E os pacientes podem fazer a avaliação paciente x profissional, essa sem dúvida subjetiva como você comentou, mas também importante visto que reflete não necessariamente a competência clínica, mas principalmente a competência social no trato com o indivíduo (o que também é fundamental para uma boa relação médico x paciente).
  • Andre  16/12/2015 12:17
    "O indivíduo que está doente e precisa de uma operação urgente, não tem o poder de escolher o médico/plano, tudo o que precisa é de serviços e cuidados médicos.".

    As pessoa fazem essas escolhas ANTES de ficarem doentes.
    Elas escolhem pagar um plano/seguro de saúde ANTES de ficarem doentes.
    E raramente alguém fica doentes SUBITAMENTE precisando de atendimento URGENTE, a esmagadora maioria das demandas por atendimento médico apresentam sintomas leves e moderados com muita antecedência.

    Somente pessoas idiotas não pensam sobre o que farão no caso de ficarem doentes.
    E como pessoas com esse nível de idiotice são minoria absoluta os preços para atendimentos de emergência já serão naturalmente regulados pela maioria dos consumidores que não são idiotas.
  • Andre  16/12/2015 12:23
    "O indivíduo que está doente e precisa de uma operação urgente, não tem o poder de escolher o médico/plano, tudo o que precisa é de serviços e cuidados médicos.".

    Eu preciso de água e comida URGENTE, pois se não obtiver esses produtos morrerei de FOME!!!
    Logo eu não tenho soberania ou tempo de escolher onde comprar esses produtos por um preço justo.

    Poste aqui seu telefone endereço para que eu possa ir na sua casa coletar esses produtos, se eu não os obtiver eu MORREREI DE FOME e SEDE.

    Ou você me fornece água e comida ou eu MORREREI EM QUESTÃO DE UM OU DOIS DIAS!!!

    Você vai me ajudar ou vai me deixar MORRER DE FOME e SEDE por ser um TREMENDO EGOÍSTA!!!???
  • Taxidermista  16/12/2015 13:17
    anonimo diz: "E na questão da saúde, não existe isso de 'soberania do consumidor'. O indivíduo que está doente e precisa de uma operação urgente, não tem o poder de escolher o médico/plano, tudo o que precisa é de serviços e cuidados médicos".

    Por essa frase se vê q vc não sabe o que significa "soberania do consumidor" (e, logo, não sabe o que significa "livre mercado"). Não é a eventual "necessidade" (por um bem ou serviço) de um indivíduo, especificamente considerado, que determina a (in)existência de soberania do consumidor. Soberania do consumidor não é uma constatação empírica relativamente a esse ou aquele consumidor; é um atributo de um mercado genuinamente livre, em que as empresas e empreendedores só logram obter lucros caso satisfaçam os consumidores. Essa é a natureza do processo concorrencial, processo que só é interrompido com a interferência estatal. É a interferência estatal que faz com que empresas ineficientes (e vigaristas) continuem atuando à base do aniquilamento da concorrência de mercado, em detrimento dos consumidores. Logo, "não existe" soberania do consumidor apenas quando o estado interfere na economia.

    Como você parece não ter compreendido isso ainda, por favor leia:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=757

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=417

    Outrossim, vale repetir o que disse o colega acima:
    o que vc propugna é o seguinte: "se você está doente, outras pessoas, inclusive médicos e enfermeiras, devem ser escravizadas para lhe prestar serviços 'gratuitos'. E isso é um arranjo moral, pois você é um coitado a quem o mundo deve favores pelo simples fato de você ter nascido".


    anonimo diz: "se um médico pratica é vigarista, até ele ser pego, quantas vidas já se perderam?"

    Frase nonsense. Como alguém pode pretender defender "regulação estatal" dizendo isso? Afinal, o que isso tem a ver com a sua "tese"? Outrossim, essa frase não tem qualquer correlação com sua frase imediatamente anterior.


    "A saúde tem que ser muito bem regulada, senão abre espaço para qualquer vigarista. É um setor onde o consumidor não tem poder de escolha. Ou ele recorre a um médico, ou morre...."

    Pois é, a gente vê diariamente como a regulação estatal "fecha" todos os espaços para vigaristas, não é mesmo? Meu caro, você sabe (e se não sabe deveria saber): são as regulamentações que garantem a prosperidade dos vigaristas:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1200

    E você ainda insiste com essa de que o "consumidor não tem poder de escolha"? Meu caro, não tem "poder de escolha" quando o estado arvora-se como monopolista do fornecimento de um bem ou serviço. Ou seja, consumidor deixa de ter poder de escolha quando o estado resolve dizer que o consumidor deixará de ter poder de escolha.
  • Juan Domingues  15/12/2015 22:45
    A colega demonstra coragem ao abordar esse tema que é considerado tabu mesmo entre outros médicos. A maior parte dos médicos brasileiros, apesar de ser conservadora, é extremamente defensora do estatismo na saúde. É quase uma unanimidade. Raríssimo encontrar um médico liberal clássico, libertário ou anarcocapitalista. Normalmente é visto como um mercenário, alguém que não se importa com os pobres, ou qualquer coisa do tipo.
    Quando alguém me vem com esse tipo de apelo emocional eu já logo aviso que escolhi medicina como profissão, não como caridade. Ajudar pessoas é uma consequência (bastante agradável diga-se de passagem) do meu trabalho e um grande estímulo para dar o meu melhor, mas tenho consciência de que o que eu faço é uma profissão, nada mais. Assim como a atividade de um padeiro é essencial e melhora a vida de diversas pessoas ao produzir os pães.
    E (os pães do padeiro provam) a melhor forma de distribuir um produto ou serviço não é socializar à força a cadeia produtiva, é deixar as pessoas decidirem quais são suas prioridades, o que elas querem consumir e fornecer.
  • Marcio Aparecido da Silva  15/12/2015 22:59
    Você propõem uma sociedade sem o estado. Sua tese é boa e estruturada em pressuposto para mim ingênuos: primeiro pressuposto pessoas são inteligentes por natureza, segundo pressuposto nos sempre sabemos o que é melhor para nós, terceiro pressuposto a busca pelo enriquecimento é virtuoso em si só. Concordo com você pessoas poderosas manipulam o estado em favor de seus interesses. Ter poder corrompe as pessoas, devemos nos precaver contra falhas de carácter moral. É preferível manter um "Estado" em estado de vigilância do que manter todos os cidadão em estado de vigilância. Estado é uma ente jurídico, não é uma pessoa, não tem sentimentos vontades nem emoção. O Estado é produto do nosso intelecto passível de correção. Não entendo temer algo que se controla. Podemos controlar o estado que é através da política. Temos que dominar a ciência da engenharia social para competirmos de igual para igual com os comunistas travestidos de capitalista liberais. Eles estão infestando o governo com suas trapaças. O estado só faz mal porque é comunista.
  • Anonimo  16/12/2015 02:44
    ' primeiro pressuposto pessoas são inteligentes por natureza, segundo pressuposto nos sempre sabemos o que é melhor para nós, terceiro pressuposto a busca pelo enriquecimento é virtuoso em si só.'

    1 Inteligente ou não, não interessa, nem que vc fosse um Einstein vc não teria o direito de decidir o que é melhor pros outros
    2 Não é questão de saber mas de responsabilidade, se vc não sabe se o remédio te cura mas toma mesmo assim, quem assume o risco é vc e quem tem que arcar com as consequências (boas ou ruins) é vc
    3 Não é somente enriquecimento mas enriquecimento baseado em trocas voluntárias.
  • Taxidermista  16/12/2015 15:46
    Marcio diz: "Sua tese é estruturada em pressuposto para mim ingênuos: primeiro pressuposto pessoas são inteligentes por natureza, segundo pressuposto nos sempre sabemos o que é melhor para nós, terceiro pressuposto a busca pelo enriquecimento é virtuoso em si só"

    "Pessoas são inteligentes por natureza": o libertarianismo não "pressupõe" isso. O que os libertários rechaçam é a infantilização do ser humano, nos moldes como fazem os estatistas, que, a pretexto de "proteger" os "não-inteligentes", pretendem se intrometer (e se intrometem) na vida e no patrimônio alheios.

    "Sempre sabemos o que é melhor para nós": o libertarianismo não "pressupõe" isso. O que os libertários rechaçam é a interferência de burocratas na vida e no patrimônio das pessoas ao argumento de que as "pessoas não sabem o que é melhor para elas". Se as pessoas não sabem o que é melhor para elas, não serão os burocratas que saberão, burocratas que, sendo pessoas, tampouco sabem que é melhor para eles próprios.

    "A busca pelo enriquecimento é virtuoso em si só": a busca pelo enriquecimento é virtuoso, claro, desde que sem agressão à vida e à propriedade alheias, justamente a agressão que burocratas estatais realizam quando buscam o "enriquecimento" deles. Quem está sendo "ingênuo" aí, meu caro?


    "É preferível manter um 'Estado' em estado de vigilância do que manter todos os cidadão em estado de vigilância"

    Essa frase é de um absurdo colossal. Você está dizendo que, num cenário estatista, basta vigiar o estado, e, num cenário não-estatista, teríamos que vigiar "todos os cidadãos". Ora, a razão de ser do estado é a suposta necessidade (e a intenção arrogante e totalitária) de "manter todos os cidadão em estado de vigilância".
    Chega a ser difícil de acreditar que alguém tenha escrito isso com seriedade.


    "Estado é uma ente jurídico, não é uma pessoa, não tem sentimentos vontades nem emoção"

    Como é bom se esconder atrás de um "ente jurídico" para disseminar mistificações, né? Ora, os burocratas estatais que você tanto venera "não tem sentimentos vontades nem emoção", não é mesmo?


    "O Estado é produto do nosso intelecto passível de correção"

    Novamente, os burocratas estatais que você tanto venera "é um produto do seu intelecto", não é mesmo? Não conseguiu corrigi-los ainda?


    "Não entendo temer algo que se controla"

    Quem teme a liberdade dos outros (e ignora as leis econômicas) não consegue entender nada mesmo. Quem fica pedindo para o estado controlar a liberdade das pessoas não consegue entender nada mesmo. Fica com a mente obtusa.


    "Podemos controlar o estado que é através da política"

    Isso, grande sugestão. Enxergamos diariamente a eficácia dessa sua sugestão. Parabéns.


    "Temos que dominar a ciência da engenharia social para competirmos de igual para igual com os comunistas travestidos de capitalista liberais"

    Não, meu amigo, você não está "competindo" com essa gente que vc refere. Você está ao lado deles; cooperando com eles. Você é totalitário como eles.


    "O estado só faz mal porque é comunista"

    E sua proposta é fazer o "bem" por meio de agentes estatais que dominem a "ciência da engenharia social". Impressionante.

  • Paraninfo  15/12/2015 23:01
    Eu li um comentário na internet que tem tudo a ver com a saúde.

    Da mesma forma que o governo exige advertência nas embalagens dos alimentos menos saudáveis, deveria ter a seguinte advertência nas guias de impostos: "Cuidado ! O seu dinheiro pode ser roubado! ".

    É a pura verdade ! Uma advertência nas guias de impostos, advertindo que o dinheiro pode ser roubado, faz o maior sentido.

  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  15/12/2015 23:13
    +-
  • Double  16/12/2015 02:20
    Perfeito artigo. Parabéns!
  • Liberal Classico  16/12/2015 05:49
    Depois que nós dizemos que IMB é partidário alguns reclamam, mas isto é óbvio. Não se trata de ser "direito" ou "mercadoria", pois, a princípio, somos todos a favor do mercado e da saúde. Tal questão se remete, todavia, nos pobres: quem irá pagar esta conta? Se firma fizer caridade irá para falência. Se Estado inexistir a resposta é "dane-se os pobres". Se Estado for prestar este serviço, então este título da matéria esta incorreto, pois tal debate não seria "mercadoria vs direito", mas, sim, "quem paga a conta dos pobres"?! Consumidor também possui liberdade, logo isto é importante responder.
  • Liberal Clássico Verdadeiro  16/12/2015 10:50
    Vale perguntar: a pessoa que estiver nessa situação por acaso não possui absolutamente nenhum ativo para vender? Carro, roupas, televisão, computadores, nada? Mais ainda: tal pessoa por acaso não tem familiares, amigos ou mesmo colegas de trabalho que possam lhe emprestar dinheiro?

    Tal pessoa, em suma, não poderia fazer uma combinação destas duas medidas (vender ativos e pegar dinheiro emprestado)? Claro que pode. Mesmo porque, se a resposta for não, tal pessoa dificilmente ainda estaria viva (não tem familiares, não tem amigos, não tem colegas de trabalho e não tem ativos).

    O que você realmente quis dizer é que tais pessoas não devem ter que se desfazer de suas posses e nem pedir dinheiro emprestado, pois isso seria "indigno". Muito mais correto seria elas simplesmente saírem confiscando o dinheiro de terceiros. Isso seria uma solução "mais humana".

    Solução sempre existe para tudo, mas isso não quer dizer que determinadas soluções não exijam um alto nível de sacrifício individual.

    E se a pessoa não possui nenhum ativo para vender, não consiga pegar o dinheiro emprestado e não há ninguém disposto a ajudá-la? Então, lamento, mas tal pessoa já está morta.

    Por outro lado, vale lembrar que, há algumas décadas, antes de o estado se intrometer na saúde, a Igreja mantinha hospitais de excelente nível, fornecendo vários serviços gratuitos -- serviços estes que eram financiados por doações, inclusive de ateus caridosos.. Mas desde que o estado entrou em cena para mostrar todo o seu amor aos pobres, a Igreja perdeu doações, pois as pessoas pensaram: "O estado já faz o serviço; não preciso mais contribuir para serviços caritativos".

    O curioso é que absolutamente ninguém toca nesse assunto. Ninguém comenta como os serviços caritativos da Igreja auxiliavam as pessoas no passado e hoje perderam espaço para o SUS. Defensores da saúde estatal é que devem explicações.

    P.S.: gostaria de saber a origem e a explicação da calúnia de que "o IMB é partidário". Qual partido este site defende, por gentileza?
  • Taxidermista  16/12/2015 13:41
    "liberal clássico" diz: "Não se trata de ser 'direito' ou 'mercadoria', pois, a princípio, somos todos a favor do mercado e da saúde".

    Ser "a favor do mercado e da saúde" não infirma a distinção entre considerar a saúde como sendo "direito" ou como sendo "mercadoria", tal como proposta no artigo. Seja como for, você não parece ser "a favor do mercado" no setor de saúde, como se vê adiante.


    "Tal questão se remete, todavia, nos pobres: quem irá pagar esta conta?"

    Pois é, e qual a sua resposta? Vejamos adiante.


    "Se firma fizer caridade irá para falência. Se Estado inexistir a resposta é 'dane-se os pobres'".

    "Se firma fizer caridade irá para falência"? Frase absurda. Essa é a razão pela qual vc propugna que o estado deve fazer "caridade" com o dinheiro dos outros? Ah, claro, o estado nunca entra em "falência", pq sempre pode extorquir dinheiro das firmas, não é mesmo?
    Então veja o vc afirma: firma "fazer caridade" não pode, pq levaria ela à falência; mas o estado pode expropriar dinheiro da firma para fazer caridade, e isso não será um problema para as finanças da firma. Sensacional.

    E vc ainda diz que se o "Estado inexistir a resposta é 'dane-se os pobres'"? Pura falácia. Aqueles que genuinamente querem ajudar os pobres não ficam choramingando por intervenção estatal, meu caro: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1446


    "Se Estado for prestar este serviço, então este título da matéria esta incorreto, pois tal debate não seria 'mercadoria vs direito', mas, sim, 'quem paga a conta dos pobres'?!"

    Rodopiou e concluiu para dizer a mesma besteira.
  • Marco  16/12/2015 09:06
    Gostei do final do texto. Existem dados que mostram o custo da saúde pública no Brasil?
  • Capital imoral  16/12/2015 11:59
    O capitalismo mata os pobres.

    A ideia de se vender a saúde como um direito, veio porque o capitalismo explora os pobres, e isto é um fato.

    Quantos e quantos Brasileiros, tem que carregar cimento nas costas no sol forte por 8 horas e logo depois descansar rapidamente, comer rapidamente, para no dia seguinte fazer a mesma coisa? Cade os médicos nesta horas? Quantas Brasileiras tem que ficar por mais de 9 horas em pé em frente a alguma loja, ou aguentar pressão psicológica, ofensas, sem ter o devido cuidado psicológico ou médico?
    Veja que na essencial trabalhar esta matando a todos um pouco de cada vez.

    A vida passa muito longe dos escritórios confortáveis, fazendo trabalhos que exige somente um esforço intelectual, todos os outros 99 trabalhos de esforço físico, destrói o ser humano.

    Nestas horas faz todo sentido, afirmar que o trabalho mata. Porque de Fato mata.

    #menostrabalhoMaisfilosofia
    #filosofiaparatodos
  • Rodrigo Amado  18/12/2015 11:33
    Capital imoral, vai pra Cuba.
  • mauricio barbosa  18/12/2015 16:41
    Esse capital imoral é mais um falacioso,então se você é a favor do coitadinho do trabalhador sofrendo de sol a sol,você também será a favor da robótica pois ela tem sido implantada em processos de trabalho pesados e escaldantes,ou seja na sua (Detestável)opinião para que se mantenha o emprego,devemos abolir o caminhão,o trator, as escavadeiras e principalmente o escritório de carpete e ar condicionado e todo mundo pegar na enxada assim será o trabalhador braçal recompensado vendo todo mundo ralar que nem ele coitadinho,oh capital imoral vai chorar em outra plagas pois aqui você será humilhado igual seus companheiros comunistas de sofá ou e\ou sindicalista(Pelego vermelho) puxa-saco...
  • Capital imoral  20/12/2015 22:24
    Vivemos sob um sistema capitalista, quem deve o ônus da prova da moralidade deste arranjo é quem defende este sistema.

    Pois bem Libertários, eu apresento a vocês o homem que leva cimento nas costas por 8 horas tendo a própria saúde destruída. Por mais que você ache aceitável está condição, todos que tem consciência social, sabem da imoralidade deste fato.

    Mas o libertário poderia dizer: há mas não vivemos no anarcocapitalismo...
    Como se viver no anarcocapitalismo, fosse acabar com os trabalhos que exige esforço físico...o cimento poderia mudar por outra coisa, mas ainda tal sistema permitiria a destruição da saúde em troca do dinheiro, pois como sabemos o capitalismo cria uma cultura deturbada que leva as pessoas a fazer escolhas ruins na vida. Inevitavelmente alguém irá fazer esforço físico em troca de dinheiro.

    Se você acha tal sistema aceitável, de inicio, você já está refutado.
  • Andre  22/12/2015 23:54
    "Pois bem Libertários, eu apresento a vocês o homem que leva cimento nas costas por 8 horas tendo a própria saúde destruída.".

    É só ele pedir demissão e virar mendigo. Daí pode virar sedentário.
    Se o cara é workaholic é problema dele.
  • anônimo  16/12/2015 12:33
    Vamos virar uma China... (Agenda PSDB e PMDB)

    https://www.youtube.com/watch?v=rzqc0Jx1LmE
  • Rodrigo Amado  16/12/2015 13:03
    Então finalmente vamos fabricar componentes de computador aqui mesmo?

    Isso seria ótimo!

    Ou vamos roubar órgão de pessoas vivas que foram presas?

    Isso seria péssimo!
  • Vinicius  16/12/2015 15:22
    Se alguém puder me responder seriamente eu fico grato, faz pouco tempo que conheci esse maravilhoso mundo do livre mercado, mas tenho serias duvidas em relação a algumas consequências sobre a remoção das regulamentações (principalmente no caso da saúde) caso algum dia venha-mos ser de fato uma economia livre, sem nenhum tipo de interferência estatal. Primeiro: Sem as regulamentações para a industria farmacêutica, como iriamos ter confiança nas drogas que fossem lançadas? pois sem um conjunto de diretrizes que obrigam que os testes sejam longos e cheios de procedimentos para garantir 100% de certeza de sua eficacia isso não poderia trazer serios problemas? e se uma industria farmacêutica com pressa de se obter lucros a curto prazo, fizesse testes superficiais e lançasse a droga? quem iria impedi-lá de fazer isso? que iria assegurar que esse medicamento não causaria algum efeito colateral? que não se lembra do caso de um remédio chamado TADILOMINA? Outro exemplo: O trabalho da ANVISA em checar a qualidade das carnes? ou o Ministério da saudê em checar a qualidade das vacinas que tomamos em quanto crianças? E caso haja uma epidemia como essa do Zika virus ou Deus me livre e guarde de uma nova peste bubônica ou o Ebola? Quem iria arcar com os custos de erradicar uma dessas doenças? pois quem não pudesse pagar pelo tratamento iria ficar a esmo por ai? voltando a infectar aqueles que já tenham sido curados? e as gravidas que vivem nas favelas de Pernambuco? (onde é registrado mais casos de bebes com microcefalia) elas não tem dinheiro para pagar por saneamento básico ou serviços médicos, a renda per capta de muitas delas não ultrapassam 500 reais, iriamos isola-lás e deixa-las sofrer com seus bebes com cérebros pequenos e fazer vista grossa caso aparecessem mais casos com outras gravidas pobres? e se ninguem quisesse se voluntariar para ajuda-lás? isso é isso a ponta do iceberg sobre as minhas duvidas, sei que o serviço de saude estatal está sendo uma M.E.R.D.A, e o estado em sí tambem, mas será que não prevalece essa frase: "melhor pouco do que nada"? pensem nessas questões que eu citei ao inves de apenas ficarem repetindo: "Mas a culpa e do estado que impede elas de ajuntarem riquezas" ou "o capitalismo em sí conseguiria resolver esses problemas de maneira natural" com alguns pseu-intelectuais aqui no site. Grato
  • de Moraes  16/12/2015 16:53
    "Sem as regulamentações para a industria farmacêutica, como iriamos ter confiança nas drogas que fossem lançadas? pois sem um conjunto de diretrizes que obrigam que os testes sejam longos e cheios de procedimentos para garantir 100% de certeza de sua eficacia isso não poderia trazer serios problemas? [...]"

    Em primeiro lugar, você sinceramente acha que, tão logo um remédio falso seja lançado, todas as empresas farmacêuticas concorrentes não irão examiná-lo com uma lupa, ansiosas para achar um erro qualquer e denunciar essa empresa fraudadora?

    Você realmente acha que inventar algo contendo um composto químico prejudicial à saúde humana passaria em branco pelos seus concorrentes?

    Outra coisa: por que uma empresa inventaria algo que mataria todos os seus consumidores? Como é possível ter lucro criando produtos que matam todos os seus consumidores? Por acaso, matar consumidores é prática de capitalistas genuínos.

    Você realmente acredita que fabricar um produto, comercializá-lo e lançá-lo é algo extremamente simples, e que passa despercebido pelo resto da concorrência? Você acha que a concorrência não irá passar um pente fino nesse produto e denunciá-lo tão logo surja qualquer evidência, levando essa empresa fraudadora à ruína?

    Mais ainda: você realmente acredita que deliberadamente matar consumidores é uma prática capitalista? É possível ter lucro com isso? No mínimo, tal empresa irá à falência em decorrência de todos os processos judiciais que tomará

    Afinal, capitalistas querem lucros ou querem prejuízos? Impossível ter lucros duradouros com fraudes, principalmente em setores altamente concorrenciais.

    O mesmo raciocínio é válido para o resto de suas colocações.

    "E caso haja uma epidemia como essa do Zika virus ou Deus me livre e guarde de uma nova peste bubônica ou o Ebola?"

    Como o livre mercado lidaria com epidemias e quarentenas?

    "pensem nessas questões que eu citei ao inves de apenas ficarem repetindo: "Mas a culpa e do estado que impede elas de ajuntarem riquezas" ou "o capitalismo em sí conseguiria resolver esses problemas de maneira natural" com alguns pseu-intelectuais aqui no site. Grato"

    Deixe de ser arrogante, cidadão. Este site existe desde 2008 e todas essas suas perguntas já foram abordadas em inúmeros artigos daqui. Se há uma coisa que este site não faz é ficar repetindo frases de efeito. Pare de achar que o mundo gira à sua volta. Pare de achar que, só porque você descobriu um assunto ontem, tal assunto jamais foi abordado pelo resto da humanidade.
  • Auxiliar 3.5  16/12/2015 17:20
    "pensem nessas questões que eu citei ao inves de apenas ficarem repetindo: 'Mas a culpa e do estado que impede elas de ajuntarem riquezas' ou 'o capitalismo em sí conseguiria resolver esses problemas de maneira natural' com alguns pseu-intelectuais aqui no site"


    A típica voz da ignorância posando, arrogantemente, de "superior aos demais".

    Nossa, meu amigo, nunca ninguém "pensou" nessas "questões que você citou", né? Descobriu a pólvora!
    Dizer que o site fica repetindo essas frases aí é, para dizer o mínimo, desonestidade intelectual. Essas "suas questões" chavões estão todas respondidas nos artigos dos sites. Pesquise. Vá à luta; se esforce. Um "intelectual" de verdade (e não um pseudo), como você, não fica esperando as coisas mastigadinhas.

  • Professor Ciência  16/12/2015 18:20
    Sempre aparece um "Gustavo" ou um "Vinicius" fazendo as mesmas perguntas. Será coincidência?

    a) O primeiro ponto do Vinicius é a a velha tese do assassino de consumidores.

    Se você acha que o estado é quem o protege de ver uma pedra no seu saco de feijão, está muito enganado. A própria lei é escrita em uma produtora de feijão como ensina o recente incidente com a Vale só serve de mais evidência do quão inútil é a regulamentação estatal.

    Um exemplo fere mais o consumidor do que remédios e comida está nas telecomunicações que são verdadeiras campeãs de processos. E advinha, a Anatel existe e o propósito dela é justamente proteger os vigaristas:

    gizmodo.uol.com.br/unicel-acusa-anatel-e-operadoras/
    www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/02/1234847-empresa-acusa-anatel-de-negociar-decisoes.shtml

    Quando não há agências reguladoras (Guatemala):


    Se você põe tanta fé em agências reguladoras que vão continuar existindo independentemente da satisfação de quem as usa aqui está um filme para você:



    Sobre o FDA (o equivalente da Anvisa) mantendo remédios fora do mercado americano que poderiam estar salvando vidas para agradar a interesses privados.

    Minha outra sugestão é comprar um carro aprovado pelo Detran, com certeza podemos confiar que eles têm garantia de 100% de eficácia e que o funcionário público que os inspeciona e continuará emprego de qualquer forma tem toda a motivação para fazer um bom trabalho.

    Vai entender...

    2) O segundo ponto é a epidemia.

    O buraco é muito mais embaixo e a pergunta está errada e anacrônica para o mundo de hoje.

    Estados existem em todo lugar e ainda há milhões de pessoas morrendo por causa desta porcaria deste mosquito e do que ele carrega. Na verdade o estado proibiu o DDT justamente quando a malária estava sendo derrotada na África, o que parecia impossível. Sinceramente acho que "quem é que vai nos salvar dos políticos" seria uma pergunta melhor do que "quem é que vai nos salvar da dengue". Porque está claro quem não é aliado de verdade da humanidade.

    Enfim, tudo é o velho "o estado é perfeito". Muita opinião que não foi pensada e só aceita. Espero que ao menos sirva para refletir. Fora isso é o que todo mundo disse: o IMB lança um artigo sobre isto toda semana.
  • Thiago Teixeira  16/12/2015 18:46
    Esse é apenas mais um capítulo da gritaria "eu tenho direito a tudo, tá na constituição!!".

    No rol de tantas outras merdas que essa cultura esquerdista incutiu...
  • merabe Monice Pereira Bichara  17/12/2015 11:18
    Bom dia,

    Gostaria de saber a opinião de vocês a respeito do bloqueio do WhatsApp. Vocês concordam ou discordam com a liminar do juiz? E como solucionar?
  • Max  17/12/2015 12:58
    Leia o artigo que foi publicado no dia de hoje no site.

    Abraço.
  • Pedro Costa  20/02/2018 22:37
    As Leis do negócio farmacêutico com a doença.

    Algumas pessoas podem achar que a indústria farmacêutica não pode ser tão ruim assim. Infelizmente, ela é mais do que imaginamos. Felizmente porém, é muito fácil para todo mundo entender por que esta indústria tem um efeito tão negativo sobre milhões de vidas humanas.

    Não se trata de drogas individuais ou empresas individuais. É sobre os princípios, as leis da indústria farmacêutica no "negócio com a doença". As mais importantes destas leis podem ser resumidas da seguinte forma:

    A indústria farmacêutica não é uma "indústria da saúde", mas um "investimento de negócio", que prospera com a continuação e expansão das doenças.A indústria farmacêutica fatura mais de 500 bilhões de dólares em lucros a cada ano, mas apenas enquanto a doença existir como seus mercados.A indústria farmacêutica construiu e mantêm o maior negócio de fraudes na história da humanidade: ela promete saúde para milhões de pessoas, mas em vez disto oferece serviços de saúde, a indústria farmacêutica oferece cada vez mais doenças (através de suas vacinas e "medicamentos"), porque as doenças são a base econômica para a existência do seu investimento neste negócio.A fim de proteger seus mercados de (doença/investimento) de bilhões de dólares como doenças cardiovasculares, câncer, AIDS e outras doenças chamadas crônicas, a indústria farmacêutica faz de tudo para manter estas doenças e proibindo a divulgação de qualquer cura.A "mercadoria" bilionária da indústria farmacêutica são as drogas sintéticas que são patenteadas, a fim de garantir grandes lucros com taxas sobre suas patentes. Somente moléculas sintéticas recentemente inventadas podem ser patenteadas, o que explica a taxa de toxicidade e morte em pessoas que tomam estes medicamentos.Ao construir este "negócio com a doença" ao longo do século passado, a indústria farmacêutica já arrecadou tanto dinheiro com esta fraude organizada que se tornou uma das maiores e mais rentáveis indústrias do nosso planeta atualmente.A indústria farmacêutica investe estrategicamente alguns bilhões dos lucros de seu negócio global fraudulento para se infiltrar em todos os setores da sociedade e influenciar a opinião pública ao redor do globo.Para cobrir a dimensão genocida de seus negócios fraudulentos, a indústria farmacêutica está gastando o dobro da quantidade de dinheiro que gasta em pesquisa, a fim de manipular a opinião pública e encobrir o seu "negócio com a doença", difundindo a falsa promessa de drogas saudáveis.Vitaminas, micronutrientes e outras abordagens naturais da saúde são os arqui-inimigos da indústria farmacêutica, porque eles não são patenteáveis. Ainda mais importante, eles efetivamente ajudam a prevenir e controlar as doenças, porque corrigem o mau funcionamento de milhões de células em nosso corpo que são a principal causa das doenças. Meia dúzia de prêmios Nobel foram concedidos para as descobertas científicas em pesquisas sobre vitamina, mesmo assim todo este conhecimento foi proibido de ser aplicado na medicina em favor dos negócios de vários bilhões de dólares de investimento com os medicamentos patenteados que não curam.Cada país deve decidir se quer manter um sistema de saúde orientado a indústria farmacêutica fraudulenta baseado na expansão das doenças ou se quer desenvolver um novo sistema de saúde com base na cura eficaz da doença de forma natural, objetivando prevenir e finalmente erradicar as doenças.

    O negócio da fraude farmacêutica, obviamente não é um negócio que cresceu naturalmente. Desde o seu início há cerca de um século atrás, foi projetado, construído e alimentado como uma gigantesca fraude organizada sobre a saúde e a vida de cada homem e mulher neste planeta.

    Os arquitetos inescrupulosos desta maior fraude na história da humanidade estão listados abaixo. Estas partes interessadas do cartel de drogas e seus fantoches na medicina, mídia e política, governos, estão ativos até hoje e são responsáveis por mais mortes do que todas as guerras da humanidade no seu conjunto.

    Mas claro, os neoliberais jamais mostrarão o quanto seu livre mercado é cruel. Tão pouco postarão meu comentário, porque eu não "agrego" a discussão com minha verdade cruel.


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