clube   |   doar   |   idiomas
O desastre da economia brasileira e o gigantesco buraco fiscal do governo

O desastre da economia brasileira tem estampado os jornais nacionais e estrangeiros. Não há mais como negar o que os fatos friamente atestam: estamos em recessão. Nossa economia está se contraindo. E para piorar o quadro: uma recessão aliada a uma inflação de preços de quase dois dígitos com um câmbio que se deteriora perante o mundo.

O recém-divulgado PIB do segundo trimestre do ano confirma mais um dado negativo: a contínua queda dos investimentos. As empresas não apenas não estão investindo, como também estão reduzindo a produção e a força de trabalho. A escalada do desemprego inquieta toda a nação, e a incerteza econômica assombra os empresários. Em tal cenário, é natural a confiança do consumidor estar no pior nível desde a crise financeira de 2008.

Complicando ainda mais o drama, temos déficits recordes nas contas públicas, dívida em ascensão e arrecadação em queda. A situação fiscal é a pior da história do Plano Real e — dada a total falta de governabilidade em Brasília — tem grandes chances de se agravar. O governo Dilma enfrenta uma profunda crise política, em cuja origem está o maior escândalo de corrupção do planeta. A classificação de "grau de investimento" está por um fio — mantém-se apenas pela boa vontade das agências de risco e pela permanência do fiador do país, Joaquim Levy. 

Há muito tempo não tínhamos uma confluência de fatores tão perversa. As causas do fracasso da nossa economia, contudo, são bem conhecidas. Felizmente, hoje já há um consenso: pertence ao próprio governo a culpa pela maior crise econômica dos últimos 20 anos.

Mas esse conhecimento não basta à sociedade brasileira. Ela quer saber o que está por vir, como será o futuro. As dúvidas e incertezas pairam no ar e inquietam a todos. Já chegamos ao fundo do poço? Onde vamos parar? Como consertar os fundamentos da economia brasileira? O quão grave é a situação fiscal? Quanto tempo levaremos para contornar e superar essa crise?

Este artigo é uma tentativa de fornecer algumas respostas a essas importantes questões.

O retrato do desastre econômico

Poucos sites de economia documentaram e previram tão bem — com dados e argumentos — a queda da economia brasileira como o Instituto Mises Brasil. Quando muitos se empolgavam com a decolada do país — muito bem ilustrada pela fatídica capa da revista The Economist em 2009 —, os autores do IMB atentavam para os diversos desequilíbrios em formação e os perigos do dirigismo econômico praticado pelo governo e intensificado após a crise de 2008.

Comprovando as nossas teses, o fim do ciclo de crescimento econômico insustentável não tardou para chegar —mais um voo de galinha de uma economia viciada no intervencionismo.

Ao fim de 2012, já buscávamos entender e explicar os males que assolavam a economia. Naquele ano, muitos economistas não compreendiam o porquê do crescimento pífio depois do espetáculo de 2010 e 2011, quando o país cresceu 7,6% e 3,9%, respectivamente. A verdade é que as políticas equivocadas e as distorções econômicas já estavam em plena gestação. Era uma questão de tempo para a economia ruir.

Compilados os dados do segundo trimestre de 2015, a economia brasileira entrou oficialmente em recessão.

01_PIB.png

Fonte: IBGE

Em linha com o declínio do PIB está a incrível queda da variável mais importante: os investimentos. A formação bruta de capital fixo (FBCF) cai há oito trimestres consecutivos, algo inédito na era do real.

02_FBCF.png

Fonte: IBGE

No acumulado dos últimos quatro trimestres, a FBCF registrou queda de 7,9%, um tombo preocupante, pois é o mais acentuado desde 1999 — um ano de alta turbulência internacional, quando nossa moeda passou a flutuar livremente — e tem clara tendência negativa.

Um dos grandes causadores da queda de investimento no Brasil foi a má precificação do capital. Em realidade, a má precificação do capital foi também responsável pelo boom inicial de investimentos. Conforme escrevemos e previmos ao fim de 2012, foram precisamente a política de juros baixos e crédito estatal subsidiado dois dos fatores responsáveis pelo crescimento insustentável da FBCF em 2010 e 2013. Mas o boom insustentável contém as sementes da sua própria ruína, pois a má alocação do capital na economia logo se torna evidente.

Nesse mesmo artigo de 2012, usamos um gráfico interessante para ilustrar o custo do capital artificialmente baixo. Na maioria dos países, as taxas de concessão de crédito tendem a andar junto com o crescimento nominal do PIB.  A taxa de crescimento do PIB (renda) deve ser suficiente para sustentar o serviço da dívida.  Ela é também um sinal para os produtores: o capital não é gratuito.

A taxa de juros livre de risco é geralmente similar à taxa de crescimento nominal do PIB, o qual é um bom substituto para a taxa de crescimento dos lucros.  Assim, em economias em que há menos repressão financeira, o crescimento nominal do PIB e a taxa de juros livre de risco geralmente são similares.

No Brasil, um bom mensurador para o custo do capital é a taxa do CDI (Certificados de Depósito Interbancário — taxa de juros para empréstimos interbancários, os quais são lastreados por títulos do Tesouro). Durante a maior parte da década, as taxas do CDI mantiveram-se bem acima do crescimento nominal do PIB, o que implicava alto custo para o capital.

03_PIBNominal.png

Fonte: Bacen e autor

O grande descasamento entre o CDI e o crescimento do PIB em 2010 sugere precisamente que o custo do capital estava abaixo do seu valor de mercado. Um boom insustentável era a consequência inevitável.

Mas o governo não aprendeu a lição e insistiu na política de crédito barato em 2013 e 2014. Era preciso concluir os investimentos necessários à Copa do Mundo, bem como agradar o eleitorado em ano de eleições. Felizmente, essa política parece ter cessado em 2015, como bem ilustra o gráfico acima.

Com uma taxa de juros das mais altas do mundo, hoje o capital tem custo. E um custo bastante alto. Somem-se a isso as incertezas políticas e os escândalos de corrupção com as maiores empreiteiras do país, e resta claro que os investimentos não serão retomados tão cedo. Na atual conjuntura, a FBCF só cresce por milagre.

De todas as políticas adotadas pelo governo, a mais perversa é justamente a do crédito abundante e subsidiado. Não quero, com isso, menosprezar o potencial destrutivo dos infindáveis planos e pacotes econômicos lançados dia sim, dia não pelo governo Dilma e a equipe Mantega. Sem dúvida alguma, as intervenções cirúrgicas e constantes causam graves distorções na economia. Contudo, na maior parte das vezes, elas são diretas e plenamente visíveis. Isso quer dizer que seus efeitos nocivos podem ser previstos e diagnosticados com mais precisão.

Mas uma política deliberada de juros artificialmente baixos — aliada ao controle estatal sobre o crédito bancário — é capaz de desorganizar toda a estrutura produtiva da economia, com consequências profundas no longo prazo, em diversos setores. É uma política com efeitos adversos não intencionados, embora poucos economistas saibam identificar essa relação causal. 

Quando do lançamento do Plano Real, os bancos públicos respondiam por quase 60% do crédito no país. Os saneamentos dos bancos por meio do Proer e do Proes deixaram uma marca extremamente positiva no sistema financeiro nacional: a prática bancária voltaria a ser majoritariamente uma atividade privada, sujeita às leis da economia e ao sistema de lucros e prejuízos.

Atualmente, porém, a realidade é outra. Quando Lula assumiu a presidência, em janeiro de 2003, o total do crédito bancário nas mãos de bancos estatais era de 37,5%. Hoje está em 55,3% (BNDES, BB, CEF, entre outros), um patamar semelhante ao da China comunista.

04_CreditoPrivEst.png

Fonte: Bacen e autor

Isso quer dizer que, na era Lula-Dilma, a cada R$ 1.000 de novo crédito criado, R$ 580 foram oriundos de bancos estatais. Durante o primeiro mandato da atual presidente, a proporção do crédito estatal em novas concessões aumentou para 67%. E nos anos de 2013 e 2014, os bancos públicos concederam estarrecedores 79% de todo o novo crédito no Brasil, uma relação de quatro para um!

05_CreditoporGoverno.png

Fonte: Bacen e autor

Nenhum governo abusou tanto do crédito abundante e barato como o da presidente Dilma. Nenhum governo abusou tanto dos bancos estatais como o governo do Partido dos Trabalhadores.

Mesmo assumindo, por um instante, a improvável hipótese de inexistência de corrupção, essa política tem consequências gravíssimas na economia. Crédito bancário jamais deve estar sujeito a pressões políticas, não deve ser um programa de governo.

Ao utilizar os bancos estatais como principal funding do investimento no país, o governo abdica do racional econômico em favor do "crédito direcionado". Ora, nenhum político, burocrata ou órgão do governo tem a clarividência para saber aonde o crédito deve ser direcionado, por mais bem-intencionados e abnegados que possam ser. Quais indústrias precisam de financiamento? Quais linhas de produtos são realmente demandadas pelos consumidores? Há capacidade real de pagamento? Qual deve ser a exposição máxima ao setor XPTO? Para um banco público, essas perguntas são secundárias, ou até mesmo irrelevantes.

O resultado trágico é a esquizofrenia do nosso sistema bancário. Enquanto a taxa de juros média nas operações de crédito com recursos livres é de 44,17% ao ano, a do crédito direcionado é de apenas 10,1% ao ano. Enquanto o prazo médio da carteira de crédito com recursos livres é de não mais que 1,5 ano, o prazo em operações com recursos direcionados é de 6,2 anos. Quem paga pelo subsídio do crédito direcionado são os devedores do "crédito livre". Daí o elevado e patológico spread bancário no país.

É um verdadeiro cabo-de-guerra entre, de um lado, os bancos privados e, do outro, os bancos estatais. Enquanto um desarranja a economia ao conceder crédito como se ato de caridade fosse, a banca privada mais do que compensa ao praticar os juros mais altos do mundo.

Considerando que, durante a era Lula-Dilma, a concessão de crédito foi majoritariamente um ato de política pública — com uma forte guinada a partir de 2010 —, não deveria nos surpreender a queda vertiginosa dos investimentos e o fracasso econômico atual. Se juros artificialmente baixos são capazes de gerar ciclos econômicos, a combinação de juros baixos com banca estatal é a receita perfeita para o desastre.

O crédito barato e abundante viabilizou os empreendimentos de quem — em condições normais de temperatura e pressão — jamais deveria ter sido financiado. Agora, com a Selic acima de 14% ao ano e a retração da farra creditícia pelos bancos públicos, os investimentos errôneos estão sendo lentamente liquidados e expurgados da economia. Demissões são a consequência natural, e o engavetamento de novos projetos, também.

Nessa conjuntura, a corrupção é um agravante adicional à economia: empiora o que já estava ruim e paralisa o que beirava a inércia.

O gigantesco buraco fiscal do governo

Boa parte do agravamento fiscal decorre do imbróglio dos bancos públicos. Além de desordenar a atividade econômica com uma política creditícia não convencional, o uso do BNDES, em especial, impõe um custo elevado à gestão da dívida do Tesouro Nacional. Não está apenas no diferencial das taxas de juro — entre o que o Tesouro capta no mercado e repassa ao banco — o subsídio concedido pelo governo, mas também, e sobretudo, no diferencial entre o prazo de captação do Tesouro e prazo de repagamento dos repasses feitos ao BNDES.

No artigo de 2012, ressaltei o fato de que "Os empréstimos concedidos pelo BNDES representam um quinto do crédito total no país. E o que é ainda mais perturbador é o fato de que o Tesouro Nacional tem sido a principal fonte de financiamento para o BNDES, o qual se endivida com o governo (o Tesouro emite títulos para levantar os fundos) por um período médio de amortização de mais de 30 anos".

Como se já não bastassem 30 longos anos de prazo médio de suas obrigações com o Tesouro — um perfil de dívida de causar inveja a qualquer instituição financeira do planeta, em qualquer ponto da história —, no começo de 2014, o BNDES conseguiu a façanha de renegociar para 46 anos (!) o vencimento de um total de R$ 194 bilhões em débitos com o erário. Quarenta e seis anos! Isso elevou o prazo médio de seu passivo com o Tesouro para mais de 40 anos.

Afirmei à época, e reforço novamente: o BNDES certamente já deixou sua marca na história do sistema bancário mundial, pois alcançou o nirvana almejado por qualquer banqueiro, financiando-se com prazos extremamente longos, concedendo empréstimos de maturação bastante curta e, em todo esse processo, auferindo altos lucros oriundos de um spread positivo.

Todo esse intrincado relacionamento entre Tesouro e BNDES fez a dívida bruta aumentar consideravelmente no mandato da presidente Dilma — felizmente, a dívida líquida já é largamente ignorada pelos analistas, pois ela considera como crédito os repasses do governo ao banco.

Ao fim de julho deste ano, a dívida bruta alcançou 64,6% do PIB, em valores absolutos, R$ 3,68 trilhões. O que preocupa é a rapidez assustadora com que ela tem crescido nos últimos meses. Terminou 2014 com um incremento anual de 18,4% e, nos últimos 12 meses, subiu mais de 23,5% — nada menos que R$ 700 bilhões acrescidos à divida total do governo brasileiro.

06_DividaBruta.png

Fonte: Bacen e autor

Adicione a essa montanha de dívida um custo de mais de 14% ao ano e temos como resultado um gasto com juros colossal, na ordem de R$ 451 bilhões no último ano, ou 8% do PIB, um patamar que não era alcançado desde 2003.

Para concluir a ópera, a estagnação de 2014 e a recessão oficializada no último trimestre fizeram secar os cofres do erário. Desde novembro, o Tesouro vem registrando queda real na arrecadação. Enquanto as despesas seguem subindo, as receitas encolheram 6,6% ao ano em termos reais. E qual o grande desfecho final? O primeiro déficit primário desde 1996. Mais um recorde para a presidente.

07_Deficits.png

Fonte: Bacen e autor

Se considerássemos os aportes no BNDES como despesa primária do Tesouro — porque, na verdade, é exatamente como deveriam ter sido considerados, não fosse a criatividade fiscal de Guido Mantega e Arno Augustin —, o déficit nominal seria ainda mais profundo.

08_DeficitcomBNDES.png

Fonte: Bacen e autor

O desastre da economia abriu um rombo nas contas fiscais. Ou melhor, a inépcia na condução da política econômica, aliada à gestão fiscal inconsequente, abriu um buraco enorme nas contas públicas como há muitos anos não se via. A julgar pela tendência atual, o ano de 2015 encaminha-se para ostentar o pior déficit nominal da história do real.

Mas isso não é tudo. O quadro é mais alarmante. O verdadeiro déficit causa ainda mais aflição. Quando consideramos, além do resultado nominal (primário menos gasto com juros), a necessidade de refinanciamento da dívida, o verdadeiro déficit alcança 23% do PIB — isso seria a necessidade total de financiamento do setor público (NFSP). A título de comparação, esse patamar é similar ao dos países periféricos da Zona do Euro quando eclodiu a crise dos PIIGS. A Grécia quebrou justamente por dificuldade na rolagem de dívida.

09_CustoPrazoDPF.png

Fonte: Bacen e autor

A elevada NFSP decorre do curtíssimo prazo de maturação da dívida pública brasileira (prazo médio) e do custo exorbitante exigido pelo mercado para carregá-la. O prazo de maturação é de 4,6 anos, mas praticamente um quinto da dívida pública vence em 12 meses. Isso implica dizer que, a cada ano, o Tesouro precisa rolar um quinto do seu passivo.

Na prática, quando consideramos as operações compromissadas do Bacen, o prazo de maturação é ainda menor, cerca de três anos. Porque, na prática, quase R$ 1 trilhão de dívida pública é rolado mensalmente. Aqui adentramos um ponto que tem acendido a luz amarela — e com razão —para alguns economistas, notadamente Gustavo Franco e Gustavo Loyola, dois ex-presidentes do Banco Central do Brasil.

Um dos grandes avanços na reforma fiscal e monetária no país, iniciado com a extinção da famigerada "conta-movimento", foi a vedação constitucional de o Banco Central "conceder, direta ou indiretamente, empréstimos ao Tesouro Nacional e a qualquer órgão ou entidade que não seja instituição financeira", conforme disposto no art. 164 da CF de 1988.

Em realidade, a linha divisória entre política monetária e fiscal é bastante tênue, uma vez que o Bacen utiliza os próprios títulos da dívida mobiliária federal como instrumento para gestão da liquidez, o que naturalmente cria um mercado cativo para os papéis emitidos pelo governo. Com o aumento descomunal das operações compromissadas, a já tênue linha divisória praticamente desapareceu. Explico.

Uma operação compromissada nada mais é do que a venda de um título pelo Bacen ao mercado com o compromisso de recomprá-lo em um data futura a um preço e em prazo predeterminados. É um instrumento rotineiro para gestão de liquidez no sistema. O aumento das compromissadas ocorreu inicialmente devido à política de acúmulo de reservas internacionais a partir de 2006. Foi a forma utilizada para remover a liquidez excedente.

Acontece que, nos últimos três anos, o volume de reservas pouco tem oscilado, ao passo que as compromissadas quase dobraram nesse período, saltando de saldo de R$ 500 bilhões para quase R$ 1 trilhão. Qual o motivo? A dificuldade que o Tesouro vem encontrando para rolar integralmente a dívida pública federal.

De que forma isso ocorre?

Nos últimos meses, especialmente por conta de toda a incerteza política e macroeconômica, os leilões do Tesouro não têm alcançado os objetivos de emissões nas condições pretendidas de taxa e prazo — em miúdos, as taxas ofertadas não têm tido demanda suficiente. O resultado prático é um resgate líquido de títulos públicos. Assim, quando o volume de novas emissões é inferior ao montante amortizado da dívida pública, há um excesso de liquidez no sistema — recursos saem do caixa único do governo em favor do caixa dos bancos. Como um excesso de liquidez no sistema tem efeitos sobre a taxa de juros, o Bacen é obrigado a enxugar a liquidez para garantir o pleno atingimento da meta para a taxa Selic.

As compromissadas são um financiamento de curto prazo tomado pelo Bacen no mercado com lastro nos títulos de sua carteira. Porém, dado que o Banco Central não tem estoque infinito de títulos públicos, o Tesouro é convocado a emitir títulos de dívida em favor do Bacen de modo a recompor a sua carteira e possibilitar a execução da política monetária. Mas isso não seria uma clara violação do art. 164? Dependendo da interpretação, sim, e por isso os dois ex-presidentes do Bacen acima têm soado o alarme.

Ocorre que, por conta de uma lei criada em 2008 para repassar ao Tesouro o custo de carregamento das reservas cambiais, o Poder Executivo está autorizado a emitir títulos de dívida pública para "assegurar ao Banco Central do Brasil a manutenção de carteira de títulos da dívida pública em dimensões adequadas à execução da política monetária". Dados os fracassos parciais nos leilões do Tesouro, o governo tem recorrido ao Bacen, emitindo títulos de dívida em favor da autoridade monetária, respaldado justamente por essa legislação.

Recapitulando: o Tesouro tem tido dificuldade na rolagem integral da dívida pública, causando um resgate líquido e, portanto, aumento da liquidez no sistema. O excesso de liquidez afeta a taxa Selic, obrigando o Bacen a utilizar as operações compromissadas — cujo lastro são títulos públicos — para enxugar a liquidez e manter a Selic na meta estabelecida. Para recompor a carteira do Bacen, o Tesouro emite novos títulos em seu favor.

Em outras palavras, as complicações fiscais estão influenciando diretamente na condução da política monetária. Dito de outra forma, por causa da incapacidade do governo de colocar dívida no mercado nas taxas desejadas, o Tesouro tem recorrido ao Bacen para se financiar — e a um alto custo, porque, nesse arranjo, o Banco Central remunera as operações a taxas de juros mais elevadas e por um prazo curtíssimo.

10_OperComprom.png

Fonte: Bacen e autor

O montante de compromissadas carregado pelo Bacen corresponde a nada menos que 24,5% da dívida bruta. Em relação à sua própria carteira de títulos públicos, as compromissadas representam hoje 75%; em 2005, não passavam de 14%. Segundo Gustavo Franco, o saldo das compromissadas representa a dívida "encalhada", aquela que o governo simplesmente não consegue rolar no mercado.

Estivesse a situação fiscal equacionada, essa dívida toda estaria no mercado, e jamais sendo carregada pelo Banco Central. Com isso, estaria o Bacen financiando o Tesouro, em uma clara infração do art. 164, ressuscitando um velho problema dos tempos de hiperinflação? Na letra fria da lei, talvez não. Na dura realidade econômica, é a única conclusão cabível.

Esse estado de coisas evidencia a inabilidade fiscal do governo, a qual invariavelmente impacta na dívida pública federal (DPF). Por certo período, a gestão da DPF foi levada a sério. Reduziu-se a dependência do endividamento externo — hoje os títulos indexados ao câmbio são uma proporção ínfima da dívida total — e aumentou-se a proporção dos papéis prefixados.

11_ComposicaoIndexDPF.png

Fonte: Secretaria do Tesouro

No entanto, perduram dois pontos delicados: i) prevalecem ainda os títulos indexados aos índices de inflação ou atrelados à Selic na composição da DPF e ii) o mercado ainda não aceita carregar as Letras do Tesouro (LTNs, títulos prefixados) por um duration acima de dois anos, em média. Ambos os fatores impedem um alongamento do perfil da dívida – o que facilitaria a rolagem – e oneram pesadamente o Tesouro quando o Bacen tem de elevar a taxa de juros.

Dado o descontrole fiscal atual e as perspectivas macroeconômicas, a tendência para a DPF é preocupante.

O tamanho do ajuste fiscal e a saída para a crise

À medida que o governo se enreda cada vez mais nas suas próprias trapalhadas, os economistas vão revisando — para baixo — a previsão de crescimento econômico para este e os próximos anos. Muito provavelmente, teremos dois anos consecutivos de recessão. Ademais, é cada vez mais real a possibilidade de um déficit primário neste e no próximo ano. Considerando todo o exposto acima, o gasto com juros deve ser ainda maior. Há uma boa chance de a dívida bruta atingir quase 75% ao final de 2016.

Rebaixamento da classificação de risco com perda de grau de investimento? Na conjuntura atual, esse se torna o cenário-base para o ano que vem.

E qual deve ser o tamanho do ajuste? Simples, o ajuste é do tamanho do buraco fiscal. O ajuste necessário é igualmente gigantesco, pois as contas nacionais estão em um estado calamitoso.

Apenas elevar alguns tributos — como insiste em propor o governo — não resolverá o problema. Dada a já estonteante carga tributária, aumentos de impostos podem inclusive derrubar a arrecadação em uma economia em contração.

A recessão econômica está revelando o óbvio: o Estado é deveras inchado, e a reforma fiscal abrangente precisa ser retomada, assim como a agenda de privatizações (inclusive no setor financeiro) e concessões. Acima de tudo, é preciso endereçar o grave déficit previdenciário, que ultrapassará R$ 60 bilhões em 2015. Para equacionar as contas públicas de forma sustentável, a reforma da previdência é imprescindível.

12_ResultPrevi.png

Fonte: Bacen e autor

Nenhuma dessas propostas é inédita. Não há novidade alguma. Soamos repetitivos, é verdade. Mas o óbvio tem sido ignorado solenemente há tanto tempo que não resta remédio senão repeti-lo insistentemente.

Todavia, conseguirá o governo de Dilma Rousseff levar adiante um ajuste dessa magnitude? Praticamente impossível.

Especialmente depois do fiasco da proposta orçamentária deficitária para o ano que vem – mais um feito inédito da presidente na história do Plano Real –, as chances da atual administração de levar a cabo algum ajuste no Congresso são quase inexistentes.

Dilma já não governa. O déficit orçamentário jogado no colo do Congresso é mais um atestado dessa realidade.

Depois de solapar os fundamentos da economia com sua Nova Matriz Econômica e atrofiar duas pernas do tripé da política econômica — a fiscal e a de metas inflação —, o governo do Partido dos Trabalhadores tornou-se a principal fonte de insegurança e incerteza no país. A origem da maior crise econômica na história contemporânea está nas políticas do próprio governo.

O lado positivo disso tudo é que, por ora, as medidas heterodoxas foram contidas. Embora Joaquim Levy seja incapaz de levar adiante o ajuste fiscal do tamanho exigido, ele tem buscado impedir novos malabarismos na condução da economia.

O problema está na falta de governabilidade absoluta da presidente Dilma. Ainda que não haja novas rodadas de heterodoxia, se nenhum ajuste for realizado, se tudo permanecer como está, a tendência é de piora grave no quadro fiscal.

É certo que, no paradigma atual, dívida não se paga, dívida se rola, conforme a célebre frase de Delfim Neto nos anos 1980. Mas a que custo? E por quanto tempo? E quando o mercado cruzar os braços e se negar a rolar a dívida pública? Cedo ou tarde, a relação Tesouro-Bacen pode ficar ainda mais íntima — uma doença da qual o Brasil parecia estar curado. Se entrarmos por essa via, a perspectiva de inflação será das piores. Nos moldes, talvez, do que já anda ocorrendo na Argentina.

Não nos enganemos: a depreciação da moeda é um sintoma de patologia fiscal.

Tampouco nos esqueçamos do que está por vir: a caixa preta do BNDES ainda está por ser aberta. Resta saber, também, o quão afetado será o balanço do banco em decorrência da crise que ele próprio ajudou a alimentar.

Concluindo, a incerteza política é grande e, hoje, é ela quem contamina, retroalimenta e aprofunda a crise econômica.

Após tornar-se o principal inibidor dos investimentos no país, o governo, personificado pela figura da presidente Dilma, é hoje o obstáculo central para sairmos da crise. Sem mudanças, a crise será longa.  Entendamos, porém, que, seja por impeachment, seja pela renúncia, a saída de Dilma da presidência não é garantia de sucesso. Mas sua permanência é quase certeza de fracasso.


1 voto

autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • amauri  03/09/2015 14:14
    Bom dia Fernando!
    voce acha que sem a crise politica nao teriamos o caos economico
  • anon  03/09/2015 17:42
    Você inverteu a ordem dos fatores.
  • Aaron  03/09/2015 14:27
    Parabéns ao Mises por ter visto o que agora é óbvio lá atrás, quando todos se esbaldavam na farra petista.

    Os feras da Empiricus viram a bomba lá atrás também (2014 antes da eleição) e avisaram. Foram insultados, perseguidos e processados pela gangue da Dilma, e agora estão rindo a toa.


    A propósito, alguém aqui do site teria interesse em vender créditos/títulos podres? Quero comprar.

    Valeu
  • Tiago Moraes  05/09/2015 12:40
    Esses caras da Empíricus Research são fodas! Eu tenho a assinatura do M5M deles, leio com afinco toda semana. Eu até não botei muita fé na aposta deles, desde o início de 2015, que o câmbio fecharia o ano batendo na casa dos R$ 4,00.
  • Pobre Paulista  03/09/2015 14:28
    " Mas isso não seria uma clara violação do art. 164? Dependendo da interpretação, sim"

    Nossa, que surpresa, quer dizer que escrever regras num papel não impede as pessoas idiotas de fazerem idiotices?

    Cadê a ala conservadora do instituto para me explicar porquê as tão inquestionáveis leis não foram capazes de nos "proteger" das maldades dos políticos?
  • Guilherme  03/09/2015 14:40
    Do que você está falando, cidadão? Quem é que falou sobre "inquestionáveis leis"? Certamente não este instituto, que já publicou vários artigos dizendo claramente que, se uma lei é imoral, cidadãos decentes têm a obrigação de desobedecê-las.

    Vá caluniar em outras bandas.
  • Rico Goiano  03/09/2015 14:41
    Esse tal "pobre paulista" não foi aquele que disse, na seção de comentários deste artigo, que não estava nem aí se o governo prendesse o vizinho dele por porte de maconha? Pelo visto, quem realmente acha que as leis são inquestionáveis é ele próprio.
  • Pobre Paulista  03/09/2015 14:58
    Que bom que vocês vieram, estava os aguardando.

    Eu ou vi as críticas, mas cadê as explicações?

    As leis não deviam nos proteger? O que deu errado?

    No aguardo.
  • Anomalous  03/09/2015 17:29
    Em um mundo ideal as leis deveriam proteger os cidadãos. Na forma como o Estado é idealizado por John Lock, esta seriam uma das funções das leis. Mas num Leviatã, as leis não necessariamente são feitas para proteger as pessoas, mas para proteger o próprio Estado ou governante.
    A ausência de lei já foi vista na história da humanidade. E como pode-se perceber, onde não havia código de leis, não havia civilização. Creio que isto foi crucial para que existisse alguma civilização e alta cultura. Se as leis estão escritas no papel ou na pedra não importa, o que importa é que há um pacto onde as pessoas se comprometem a obedecer estas leis em troca de alguma coisa.
    Nos moramos em um país de regime democrático. A democracia, que deveria ser o governo do povo, deveria também produzir leis que fossem do interesse do povo. Mas, infelizmente, o sistema representativo não garante que os representantes irão fazer leis em acordo com a vontade dos que os elegeram e nem que as pessoas irão eleger representantes decentes. Compete ao povo se manifestar para que estes representantes ajam da maneira correta. Não estou dizendo que é o melhor sistema, mas é o que vivemos e, creio, não inventaram nada melhor ainda e que valha a pena ser posto em prática.
    No Brasil de hoje, há uma lei que foi infringida pelo próprio governo, mas há também órgãos responsáveis pela fiscalização das atividades do governo. Pena que não funcionam devido a corrupção alastrada. Mas novamente o povo tem que cobrar que elas façam o seu trabalho. Não estamos cobrando.
  • Anderson  03/09/2015 17:32
    Bom, tenho nada contra o "Pobre Paulista", que é um dos leitores mais ativos do site. A única "desavença" que tive com ele foi em relação ao comentário dele, nesse artigo, maldizendo os minarquistas só porque nós, os "minarcas", ficamos, por um instante, alegres por causa da decisão de um juiz a favor do Uber. Ora, qual é o problema de nos alegrarmos com o encolhimento, embora pequeno, do estado? Para o Pobre Paulista e outros anarcocapitalistas, nós estamos errado por "lutar por poucas liberdades", e ainda nos acusaram (algum anarcocapitalista lá) de que estamos nos juntando ao estado, compactuando com ele, só porque batemos palmas para as decisões que diminuem o estado (apesar de não extingui-lo), incrível, não?

    Enfim, minha crítica lá foi para os anarcocapitalistas inflexíveis, que é tudo ou nada, ou come caviar ou come nada.
  • Pobre Paulista  03/09/2015 22:05
    Anderson ,

    Desculpe se pareceu desdenho, pode comemorar o que quiser, seja uma decisão do STF, seja uma vitória do XV de Piracicaba. Não tenho autoridade para julgar as preferências de cada um.

    Meu ponto naquela discussão era apenas apontar uma inconsistência ideológica no argumento (e a reação explosiva subsequente só me evidenciou que ela realmente deve existir), mas não esperava que fossem sobrar farpas para todos os lados.

    Anomalous,

    O assunto é extenso para discutir aqui, mas basicamente:

    1. Seu argumento é baseado em coletivismo;
    2. Leis, códigos e costumes são conceitos diferentes, e não há nada que justifique o monopólio estatal de cada um destes conceitos;
    3. Ainda que se admitisse o princípio do interesse coletivo, ele não explica porquê o estado (e não o livre mercado) seria o único meio de prover isso tudo.

    Rico Goiano,

    Me diga seu nick usual por favor.

    Guilherme,

    Eu sei.


  • Anomalous  04/09/2015 02:36
    Pobre Paulista, boa noite.

    Me desculpe, mas você viajou na maionese. Você diz que meus argumentos são coletivistas, mas não faz nenhum sentido afirmar isto. Apenas defendo que as Leis são necessárias para que haja civilização.

    Você disse: "1. Seu argumento é baseado em coletivismo;"
    Não falei em coletivismo, falei de história e da realidade do Brasil.

    Você disse: "2. Leis, códigos e costumes são conceitos diferentes, e não há nada que justifique o monopólio estatal de cada um destes conceitos;"
    Códigos, Leis e costumes são conceitos diferentes, isso é óbvio.
    Vamos começar com o que é Lei.
    No dicionário:
    s.f. Regra necessária ou obrigatória: submeter-se a uma lei.
    1. Ato de autoridade soberana, que regula, ordena, autoriza ou veda: promulgar uma lei.
    2. Conjunto desses atos: a ninguém é lícito ignorar a lei.
    3. Enunciado de uma propriedade física verificada de modo preciso: a lei da gravidade dos corpos.
    4. Obrigação da vida social: as leis da honra, da polidez.
    5. Autoridade imposta a alguém: a lei do vencedor.
    6. Lei divina, conjunto dos preceitos que Deus ordenou aos homens pela revelação.
    7. Leis de guerra, conjunto das regras (tratamento dispensado a feridos, prisioneiros etc.) admitidas por numerosos Estados que se comprometeram a respeitá-las em caso de guerra.
    8. Lei marcial, lei que autoriza a intervenção armada em caso de perturbações internas.
    9. Lei moral, lei que nos ordena praticar o bem e evitar o mal.
    10. Lei natural, conjunto de normas de conduta baseadas na própria natureza do homem e da sociedade.

    No contexto das civilizações que surgiram ao longo da história, as definições 1, 2 e 5 se encaixam muito bem. Mas quem faz estas leis precisa ser investido de certa autoridade para que os demais a aceitem e a sigam. O que vemos é que em geral a autoridade vêm da coerção e esta é aplicada a quem transgride as leis.
    O conceito de código é um conjunto de leis. Temos na legislação brasileira vários códigos, o código penal, o código de defesa do consumidor e outros.
    Na história das civilizações temos o código de Hamurabi como um dos mais antigos conhecidos. Mas ainda existiam outros mais antigos oriundos das primeiras civilizações da Mesopotâmia.
    Na América pré-colombiana, as civilizações asteca e maia também possuíam suas leis. O governo dos primeiros maias era parecido com o dos antigos gregos. Famílias nobres elegiam conselhos para reforçar as leis, ajudavam com a administração do governo e agiam como juízes.
    Semelhantemente aos maias, os astecas tinham um código de leis centralizado. Essas leis eram brutais e o judiciário asteca era propenso a distribuir punição rigorosa para ofensas relativamente menores. Por exemplo, a punição para bebedeira era a morte.
    Se não há leis escritas por homens, temos o exemplo dos hebreus, em que as suas leis foram reveladas por Deus. Eu acho bastante interessante a forma como Israel se organizava antes do primeiro rei, Saul. Não havia um governante, apenas juízes e alguns serviços públicos eram exercidos pelos levitas. O dízimo, imposto pago pelos israelitas aos membros da tribo de Levi, era justificado pelo fato de que esta tribo não recebeu terras.

    Já o conceito de costume se enquadra bem nas definições 4, 9 e 10. Como sendo uma regra, geralmente não escrita, que as pessoas respeitam para aprimorar o seu convívio social.

    Você disse: "3. Ainda que se admitisse o princípio do interesse coletivo, ele não explica porquê o estado (e não o livre mercado) seria o único meio de prover isso tudo."
    Não há como falar em vida em sociedade ou em civilização sem admitir que as pessoas terão que conviver harmonicamente e respeitar as mesmas regras.
    Eu falei que a realidade do Brasil é a da democracia. Vivemos num país de regime democrático, isto é um fato. Como eu disse, não estou defendendo que é a melhor forma, mas é a que temos.
    O livre mercado não pode prover soluções para tudo. Livre mercado se limita a economia. Não estou dizendo que o Estado é, porque também não é. Mas o que faz as leis terem autoridade é a mesma coisa que faz com que o Estado tenha, são as pessoas.
    Se não há um conjunto de leis, escritas ou não, não há como haver civilização, sociedade e muito menos livre mercado e direito a propriedade. Quem garante o direito a propriedade são as próprias leis aceitas por todos.
  • Anomalous  04/09/2015 03:41
    Bom, eu escrevi isto tudo e me esqueci de falar que as leis tem que ser feitas por alguém ou conjunto de pessoas. Nas civilizações antigas pelos déspotas, reis e até por Deus. Hoje são feitas pelos representantes eleitos.
    O fato é que as leis têm que ser aceitas por todos os cidadãos de determinado país. Sem leis bem definidas é impossível haver judiciário. Não importa quem faz as leis ou se elas são boas ou não, mas importa é que elas existam. Quem faz, se é o rei, os deputados ou, numa sociedade libertária, sabe-se lá quem, não importa. O que importa é que elas devem existir e ter autoridade.
  • Anomalous  04/09/2015 11:50
    É verdade também que houve épocas, na antiguidade principalmente, que o direito a propriedade não era garantido por leis, mas pela força. E onde existe apenas a lei do mais forte, não há civilização.
  • Jorge  05/09/2015 01:12
    Pobre Paulista e demais anarcocapitalistas, por curiosidade poderiam exemplificar como se daria a pacificação de um assassinato. Em uma sociedade sem leis?

    Considerando que o crime foi cometido contra criança menor de 3 anos, sendo a autoria conhecida, sem flagrante, por pessoa desafeta aos pais da criança.
    Onde estes, por violação de direito fundamental da vitima, vem a publico recorrer a sanção contra o autor crime.

  • anônimo  05/09/2015 12:08
    Isso é uma agressão e qualquer pessoa tem o direito de revidar na mesma moeda.
  • Pobre Paulista  09/09/2015 01:38
    Isto é um problema entre o pai da criança e o assassino... O que EU tenho a ver com isso ?????????

    É cada um viu...
  • Mms  27/09/2015 01:10
    Tipo montechio e Capuleto, ou tipo a realidade de caçadores-coletos como ianomâmis onde até 80% da mortalidade geral é por homicídio? O livre mercado da vingança deve ser uma maravilha.
    Pelo jeito na ideia dos anarcocapitalistas a violência não é uma questão. Anarco...:mais uma panacéia simplista e filosoficamente rasa como o totalitarismo...
  • Leo  03/09/2015 14:30
    O texto estava indo bem,até que li "o maior escândalo de corrupção do planeta".
  • Jayme  03/09/2015 14:41
    É verdade, não dá pra afirmar que o petrolão foi o maior escândalo de corrupção do planeta, pois a caixa-preta do BNDES ainda não foi aberta. Quando ela for, é bem provável que esta assuma a condição de pior escândalo de corrupção do planeta (que, por enquanto, pertence ao petrolão).
  • Douglas  04/09/2015 06:30
    Só um aviso para os paraquedistas do IMB: privatização não é, nem de longe, um "caso de corrupção".
  • Diego M.  03/09/2015 14:42
    Fernando, Leandro,

    Pelo amor de Deus, nos salvem.
    O Real está derretendo, e o país está afundando rumo a dois buracos:
    Ou uma grande crise a la Grécia, ou um empobrecimento prolongado a la Argentina.

    Nos salvem !!!
    kkkkkk (rindo pra não chorar, mas ta difícil.)

    Abraços.
  • Leandro  03/09/2015 14:45
    Pode deixar.

    Já tiramos o uniforme azul e a capa vermelha do armário. Daqui a pouco sairemos voando para o socorro...

    P.S.: de fato, só um super-herói com poderes fictícios para resolver a encrenca em que estamos -- isso, é claro, se ele não optasse por sair voando para outro país.
  • Diego M  03/09/2015 15:00
    Kkkkkkkkk.

    Era isso que estava comentando com amigos meus.

    Se eles tivessem honra e senso de responsabilidade e bem para o país, pediriam pra sair, que isso por si só daria um fôlego pro país e mercado, além da confiança gerada.
    Mas com essa turma aí...

    É triste !!!
  • Didi  04/09/2015 10:41
    Caramba!

    Mas o sujeito do uniforme azul e capa vermelha está lá desde janeiro como capataz da Fazenda, todavia segue disfarçado de Clark Kent, repare bem na estatura e semblante do moço - óculos nerd e queixo avantajado - só falta o topete pega-rapaz.

    Quanto a caixa preta do BNDES ele encara numa boa, mas se abrirem aquela de kryptonita ele "num güennnnnta", salvo engano, ele integra o conselho do referido banco milagreiro.
  • Fabio  03/09/2015 15:45
    O Brasil está caminhando rumo a se tornar uma Argentina.

    A única coisa que funciona bem por lá e por aqui é o Futebol. Apenas isso salva o povo sofrido Argentino e o Brasileiro.
  • cmr  03/09/2015 17:18
    O futebol funciona ?, será mesmo ?.
  • Anomalous  03/09/2015 17:31
    Futebol não salva o Brasil, mas salva o jogador, que se tiver talento, pode ir jogar na Europa e ganhar muito dinheiro.
  • Tiago RC  03/09/2015 19:13
    A única coisa que funciona bem por lá e por aqui é o Futebol.

    A seleção alemã que o diga...
  • Antonio  05/09/2015 11:37
    Ele comentou que o Futebol funciona, não que a seleção funciona. São coisas diferentes.
  • André  03/09/2015 14:58
    É verdade que o Mises previu todo esse caos, e quanto a isso, faz jus ao valor que adiciona ao debate no Brasil.

    Porém, gostaria de ler um artigo sobre a economia americana. Há anos adeptos da economia austríaca dizem que a política americana pós 2008 (juros baixos, impressão monetária, etc...) causaria grandes desequilíbrios no país e no mundo, mas até agora... Afinal, os EUA estão se recuperando ou não? O que deu errado na teoria? Ou ainda acreditam que o pouco será ainda mais forçado num futuro próximo?
  • Leandro  03/09/2015 15:48
    O primeiro mandato de Obama foi pavoroso. Foi tão ruim quanto o segundo mandato de Bush. E publicamos vários artigos sobre isso. Em agosto de 2011, o dólar chegou ao seu menor valor no mercado mundial. Tão ruim era o governo Obama, que até mesmo o real sob Dilma conseguiu a façanha de se fortalecer perante o dólar.

    Não é à toa que, mesmo sendo venerado pela mídia americana e pela mídia mundial, e mesmo tendo disputado a reeleição com um republicano que não contava com nenhuma simpatia da sua base, Obama passou aperto para se reeleger, tão ruim estava a economia.

    Mas aí aconteceu algo que este Instituto sempre defendeu como solução: o governo federal americano, a partir de 2013, ficou totalmente paralisado. Obama perdeu toda a sua base de apoio na Câmara e no Senado. O governo federal entrou em gridlock.

    Desde então, o que Obama fez? Nada. Absolutamente nada. Ele nunca mais conseguiu aprovar nenhuma lei. Sua almejada reforma do sistema de saúde paralisou-se por completo, e nenhuma outra medida intervencionista foi aprovada. O máximo que Obama hoje consegue fazer é mudar nome de montanha, conceder entrevistas a talk shows de comediantes, e dizer se sentir frustrado por não conseguir impor leis mais rigorosas sobre a venda de armas.

    Só.

    Em suma: desde que o governo americano ficou travado, começando em 2013, a economia automaticamente começou a melhorar. Sem o governo para atrapalhar, o dólar se fortaleceu e a bolsa de valores americana (que sempre se dá bem quando o dólar está forte) se valorizou.

    O próprio Fed hoje possui em seu alto escalão pessoas mais sensatas que na época de Bernanke, como é o caso de Stanley Fischer, vice-presidente do Fed, que abertamente faz declarações em prol de um dólar forte. O atual secretário do Tesouro, Jack Lew, também fala abertamente sobre as vantagens de se ter uma moeda forte.

    E, como este site nunca se cansa de repetir, moeda forte e governo em retração é o segredo para qualquer recuperação econômica. A economia americana é apenas mais um exemplo prático disso.

    Sendo assim, posso dizer apenas -- jocosamente, é claro -- que Obama nos leu. Faz 6 anos (desde nossa criação) que insistimos aqui que uma moeda forte é o segredo. Sem moeda forte não há economia forte. A moeda forte pode não ser tudo, mas sem moeda forte, tudo vira um nada.

    E o que aconteceu com os EUA? Bastou o dólar ficar forte (algo que vem ocorrendo desde o final de 2012, mas que se intensificou a partir de junho de 2014), e a economia americana se recuperou. Praticamente como mágica.

    (Ah, sim: o fato de o mercado de trabalho nos EUA ser bem mais flexível, também ajuda bastante, principalmente nos índices de desemprego.)

    Enquanto isso, aqui no Brasil, o real segue sua inexorável viagem rumo ao esgoto.
  • Andre  03/09/2015 16:18
    Tem sentido Leandro. Mas acho que vale um bom artigo mais detalhado sobre isso. Afinal, a massa monetária continua altíssima e os juros irreais. Como reverter isso sem implodir a economia?
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/09/2015 16:30
    E em termos de política externa conseguiu ser muito pior.
  • Leandro  03/09/2015 16:30
    Você se refere à massa monetária americana? Errado. Ela cresceu muito pouco.

    O Fed criou dinheiro e o repassou aos bancos, mas esse dinheiro nunca entrou na economia. Ele ficou parado nas "reservas em excesso" que os bancos voluntariamente mantêm depositados junto ao Fed.

    E por que os bancos agiram assim?

    Porque o Fed, em uma medida totalmente sem precedentes (uma medida que nunca foi abordada em nenhum manual de macroeconomia), passou a pagar juros sobre todo o dinheiro que os bancos voluntariamente mantêm depositados no Fed.

    Antes, o Fed pagava juros apenas sobre os depósitos compulsórios dos bancos. Agora, ele paga juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente depositam no Fed.

    É por isso que a base monetária -- mais especificamente, o componente "reservas em excesso" -- explodiu, mas esse dinheiro não entrou na economia.

    Pode conferir neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1661

    Vale ressaltar que, no atual arranjo financeiro, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito. Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia americana, não haverá nenhum risco de inflação de preços.

    A taxa de crescimento do M2, por exemplo, está em suas médias históricas:

    research.stlouisfed.org/fred2/graph/?g=1Gu1

    Já a taxa de expansão do crédito está abaixo das médias históricas:

    https://research.stlouisfed.org/fred2/graph/?g=1KPc
  • Andre  03/09/2015 18:04
    Segundo link não funciona.

    E vc acha que o FED pode mudar de posicionamento? Quais as variáveis que fariam com essa condição de pagamento de juros sobre os dinheiros depositados dos bancos se alterasse?
  • Guimarães  03/09/2015 19:36
    Funciona sim. É só tirar o "s" do "https" e colocar os dois pontos ":" depois do "http".
  • Thiago Teixeira  03/09/2015 18:50
    Está havendo algumas previsões catastrofistas para a bolsa de valores americana no ano que vem.

    Qual a base para esta desconfiança?
  • Dede  04/09/2015 14:49
    Obama deixará um grande legado para o povo americano: o enfraquecimento do Partido DEMOcrata.

    www.breitbart.com/big-government/2015/08/26/since-obama-took-office-dems-have-been-decimated-all-across-the-country/
  • Rhyan  11/09/2015 06:04
    Você está muito mais otimista que o Peter Schiff, eu imagino.
  • Fabio  03/09/2015 15:09
    Leandro, muito boatos de confisco/congelamento das poupanças e contas correntes nas redes sociais. Claro sei que são boatos, mas teríamos que afundar muito mais nesta crise para chegar neste ponto novamente? Me parece que as reservas internacionais e o maior controle sobre os bancos (que são casadinhos com o BC e o governo) reduz bastante esta possibilidade. Qual seu palpite?
  • jackson  03/09/2015 15:19
    o que mais preocupa a mim ( e acredito a todos que visitam o site) é que ninguém tem a menor esperança de haver luz no fim do túnel. tudo que esperamos ver são mais erros, trapalhadas, intervencionismo... enfim...

    eu por exemplo, tinha a esperança de sair do meu atual emprego (10 anos na mesma empresa, meu primeiro emprego :)) e abrir uma franquia num shopping de BH. porem teria que financiar 50% do capital total

    como que abre, nem cenário calamitoso desse? como alguem investe tudo o que guardou durante a vida, com esperança de se enriquecer e poder gerar empregos, sendo que o cenario é apenas recessão?

    vou sair do emprego (porque tenho data marcada já), e sinceramente, nao sei o que fazer. Talvez sair do brasil, mas a cada dia que passa, o total de grana que juntei vale cada vez menos. enfim, to numa bela sinuca.

    ah, otimo texto!

  • Vinicius  03/09/2015 16:10
    Compra dólar e sai do Brasil.
  • Daniel  04/09/2015 12:28
    Procure um investidor-anjo e faça dele seu sócio por um determinado período. Vai por mim, você vai precisar de alguém que segure a sua barra no início de tudo. Um banco que financie o crédito não vai estar nem aí se o seu negócio estiver ruim, ele irá depenar tudo o que você tem com o aval do estado. Se for montar uma franquia, procure algo que as pessoas terão propensão a consumir ainda que a economia esteja muito ruim (ex.: ramo de alimentação a preços baixos).
    Não se esqueça: empreender agora demanda visão muito acurada do que será consumido. Como a moeda tem perdido poder de compra e o desemprego avança, a demanda se constitui somente no básico. Vender cerveja, produtos de limpeza e reparo em máquinas ainda pode dar dinheiro, mas esqueça copos de cristal, frozen yogurt e artigos para festas. Já passamos dessa fase. Nem imóveis vêm sendo comprados ou alugados com a mesma frequência, o que colocou muitas imobiliárias surgidas nos últimos tempos em estado de bancarrota.
    Se puder, saia do Brasil. Infelizmente, é algo que muitos querem e nem todos podem. Eu sou engenheiro químico e de segurança do trabalho, Mestre em Ciências e atuei muito tempo para tornar o biodiesel de segunda geração algo viável nos quesitos técnico e econômico. Fiquei sem minha ocupação, como alguns de meus pares. Quem estava no ramo de combustíveis, tomou uma invertida fantástica neste território de socialista ladrão (pleonasmo, eu sei) e não vai achar emprego na indústria tão cedo (monopólio da Petrobras, alguém?). A nós, sobrou o empreendedorismo como saída, com todo a sorte de dificuldades disponíveis. Daí todo o palpite aí de cima, vindo de quem vem se preparando para encarar o desafio.
    Aproveite para disponibilizar transações em Bitcoin no seu comércio e ajude-nos a erradicar este governo lixo. Milhões de brasileiros que não se vêem como parasitas agradecem.
  • michael  04/09/2015 13:42
    vou sair do emprego (porque tenho data marcada já), e sinceramente, nao sei o que fazer. Talvez sair do brasil, mas a cada dia que passa, o total de grana que juntei vale cada vez menos. enfim, to numa bela sinuca.

    Sim, saia do Brasil, isso aqui até tem jeito, mas não para nosso tempo de vida. E digo mais, como você já não tem mais emprego aqui, nem se preocupe muito com essas frescuras de imigração legal, simplesmente vá. Só não faça a burrada de ir para um país socialista como a França, Grécia ou mesmo Espanha. Se for para recomeçar a vida, que faça isso num país decente.

    Sugiro Irlanda e Nova Zelândia, que são famosos por possuírem programas de emprego para estrangeiros. Também sugiro os EUA (o país dos imigrantes) e qualquer outro país dentre os mais livres. Canadá, Austrália e Suíça também são legais. Enfim, se você quiser uma vida decente sem ter que virar lacaio do estado, vai ter que cair fora daqui.
  • jackson  04/09/2015 15:30
    Daniel e Michael,,

    eu ainda estou empregado. trabalho no setor de construção e montagem, e a empresa que trabalho esta envolvida nesses escândalos da Lava jato. com obra obra termina esse ano, entao tenho data marcada pra minha demissao, e sinceramente, nao vejo a hora!

    a minha sorte é que todo dinheiro que possuo está aplicado, então consigo uma renda razoável mensal até me decidir o que fazer da vida


    sobre mudar de pais, gosto muito da alemanha. Eua tambem moraria tranquilamente. enfim, lugares melhores que o Brasil para se construir a vida, infelizmente existem muitos, como esses citados pelos senhores.

    meu problema em morar longe é o mesmo problema que tive em trabalhar nesta empresa por 10 anos: a cada 2 anos em media, me mudo de lugar. ja morei em MG, SP, RJ, RS... queria ficar perto da familia e amigos.

    mas vou pensar com cuidado, até o meio do ano que vem, onde eu, num puro chute, será o fundo do poço, decido se abro mesmo uma franquia ou pego minha namorada e sumo daqui pra tentar ter uma vida tranquila. porque sinceramente, estou com medo do que nosso Brasil está se transformando
  • Edujatahy  03/09/2015 15:23
    Bem meus caros. A dúvida é:

    Vamos comprar bitcoin, ouro ou dólar?
  • Fernando Ulrich  03/09/2015 17:21
    Mais dólar, um pouco de bitcoins, menos reais.
  • Lucas C  03/09/2015 17:42
    Primeiramente, chegue as suas próprias conclusões para saber como alocar seu dinheiro. Porque depois, se der errado, não vai adiantar nada você sair botando a culpa nos outros. O problema será sempre seu.

    Dito isso, o que eu tenho feito:
    -Uma porção ínfima em bitcoin (1 a 3%). Se o bitcoin realmente pegar mundo afora, ele deverá valorizar tanto que essa pequena alocação podera fazer hedge para todo o capital alocado em ativos ligados à moeda fiduciária desvalorizada.
    -15 a 20% em ouro. Deste, tenho uma pequena parte em ouro físico (paga-se um prêmio sobre o alvo muito caro para tê-lo em pequenas quantidades), uma parte em fundo de investimento em ouro e outra em títulos OZ1D na bolsa. Acredito que se o dólar f**** de vez, é o ouro que vai bombar de imediato (e menos o bitcoin). Além disso, quando o dólar oscila em relação ao real, o ouro vai junto.
    -Uma tanto em fundo cambial no banco (30% - no meu caso, o bastante para me manter como cliente especial do banco sem pagar tarifas). A medida que o dólar esta subindo, estou desmontando minhas posições aos poucos. Uns 3 mil dólares em cash em casa para emergências e uma conta aberta o exterior para poder cascar fora se for o caso.
    - Dinheiro para brincar em bolsa (5 a 10%). Tenho perdido mais que ganhado neste. Mas recentemente deu pra ganhar um pouquinho com aluguel de ações. Desta grana aí, tenho um pouquinho em fundos imobiliários também. E dado que deverão vir mais estímulos monetários do FED, BCE, Bacen, PBC, etc, é capaz de isso ainda dar uma rendinha antes de ser destruído.
    -Papéis do tesouro, principalmente pós-fixados (o resto).

    Perdi a onda de LCAs e LCIs confiáveis pagando um bom percentual do CDI, então estou fora deles.

    E vocês, galera. O que tem feito com a reserva de vocês? Leandro e Fernando, alguma opinião?
  • Lucas C  03/09/2015 21:42
    Bem, aparentemente não se discute estratégias de investimento por aqui, não é? Há alguma regra explícita ou mesmo subentendida sobre isso?
    Acho massa ler e discutir sobre a economia austríaca, suas bases filosóficas e distorções do mundo frente à ela. Mas fico louco para discutir um pouco sobre investimento com a turma, já que lá fora não há quem discuta tal coisa com a clareza e fundamentos que costumamos ver por aqui.
    Abraços e desculpa qualquer coisa.
  • Marcelo  03/09/2015 21:56
    O canal está aberto. Qualquer um é livre para discutir sobre investimentos aqui.
  • austriacos.com  04/09/2015 08:39
    Criei o forum austriacos.com recentemente, com o objetivo de fomentar debates e discussoes desse tipo. Fique a vontade para utilizar o espaço.

    Abs
  • Lucas C  04/09/2015 11:04
    Legal. Vou bater ponto lá!
  • Joaquim Saad  04/09/2015 12:45
    Olá, Lucas C !

    Também tenho interesse em conversar sobre investimentos (como creio ser o caso de praticamente todos por aqui).
    Vi que reproduziu teus posts no austriacos.com, mas por enquanto vou utilizar este fórum mesmo...

    Você disse: "E dado que deverão vir mais estímulos monetários do FED, BCE, Bacen, PBC, etc, é capaz de isso ainda dar uma rendinha antes de ser destruído."
    Pergunto: o Fed deverá mesmo conceder mais estímulos ?! Não seria o contrário, nesse contexto de expectativa pelo tão aguardado aumento de juros por lá ?

    Sobre fundos cambiais, ñ prefere se posicionar em contratos futuros (além do OZ1 que já tem) e/ou Forex? Sem falar nos demais derivativos agrícolas da BMF, em especial os cotados em dólar (café e soja).

    Já se informou sobre abertura de conta em corretoras dos EUA (TradeStation, por ex) ? Agradeço se puder passar informações a respeito, parece que deve-se evitar manter patrimônio em pessoa física por lá por conta de imposto (50%!) sobre herança, sendo relativamente fácil abrir uma "LLC" ou algo semelhante. Só me parece estranho operar nos mercados americanos por meio de uma "empresa" (a qual não teria qq atividade)...

    Abs.
  • Edujatahy  04/09/2015 13:59
    Caro colegas,

    Agradeço pelos comentários. De qualquer forma fiz o comentário de forma a demonstrar que não nos resta muita opção a não ser sair do real, imagino eu.

    Bem, como sou importador procuro sempre me posicionar com dólar. Prefiro ter dólar e converter na medida do necessário as despesas que tenho em reais (especialmente as despesas com impostos, que quem trabalha com importação sabe muito bem o inferno que é).

    Como sou pequeno não me sobra muito para outros investimentos (ouro seria uma opção, mas acho burocrático e complicado a conversão no dia-a-dia, se alguém tiver um método fácil estou aberto a sugestões). Além disso, meus prazos de entrega são pequenos, não compensa ficar fazendo hedge com cada venda. Não tenho tempo para isso no dia a a dia, infelizmente.

    Estou olhando a possibilidade do bitcoin já faz algum tempo, só que sou um pouco conservador para investir. Irei começar a adquirir em pequenas quantidades.

    E por último. Na visão de vocês, caso queira comprar imóveis, vocês acham que compensa imóveis no Brasil ou imóveis lá fora? Porque comprar algo que é valorizado em real é complicado né?

  • jackson  04/09/2015 15:34
    Joaquim

    da uma olhada no www.investidorinternacional.com

    site muito bem feito que visito sempre. dá pra esclarecer muitas duvidas de como investir no exterior

    e ficar embasbacado com a quantidade de opções de investimento de qualidade q nem sonhamos em possuir aqui algum dia...
  • Joaquim Saad  04/09/2015 22:51
    Valeu, Jackson ! Já estou fuçando as informações lá.
  • Lucas C  05/09/2015 13:38
    Joaquim,

    "Você disse: "E dado que deverão vir mais estímulos monetários do FED, BCE, Bacen, PBC, etc, é capaz de isso ainda dar uma rendinha antes de ser destruído."
    Pergunto: o Fed deverá mesmo conceder mais estímulos ?! Não seria o contrário, nesse contexto de expectativa pelo tão aguardado aumento de juros por lá ?"

    Acredito que a espectativa não corresponda à realidade. Se o FED subir os juros, deve ser de maneira muito branda (como 0.25) para depois ser obrigado a baixa-lo novamente e ser obrigado a conceder uma nova rodada de QE. Com alta de juros e novo QE o FED estouraria a bolha que ele mesmo criou para camuflar a bolha de 2008. Então cuidado com o que a imprensa mainstream (keynesiana) diz. O FED está criando o cenários ideal para justificar a manutenção dos juros zero e novas rodadas de despejamento de liquidez. Apesar ter sido proferida em 2012, esta palestra continua totalmente atual:
    mises.org.br/FileUp.aspx?id=197



    "Sobre fundos cambiais, ñ prefere se posicionar em contratos futuros (além do OZ1 que já tem) e/ou Forex? Sem falar nos demais derivativos agrícolas da BMF, em especial os cotados em dólar (café e soja)."

    Entrei no fundo cambial do meu banco (HSBC) para poder me manter como cliente Premium gratuitamente e poder realizar transações internacionais sem custo. Não me interessei por nenhum outro fundo deles. E o cambial, apesar dos custos embutidos, era o mais fácil. Acredito que contratos futuros em bolsa seriam sim uma boa, mas simplesmente não corri atrás deles. Quanto à soja e café, acho que não se pode esperar muita coisa boa de commodities num momento de bolha mundial de ativos como temos visto. Veja o petróleo, o minério de ferro, o cobre...


    "Já se informou sobre abertura de conta em corretoras dos EUA (TradeStation, por ex) ? Agradeço se puder passar informações a respeito, parece que deve-se evitar manter patrimônio em pessoa física por lá por conta de imposto (50%!) sobre herança, sendo relativamente fácil abrir uma "LLC" ou algo semelhante. Só me parece estranho operar nos mercados americanos por meio de uma "empresa" (a qual não teria qq atividade)..."

    Abri uma conta no exterior com o HSBC devido à facilidade que ele me proporcionou. É certo que agora terei que ver o que fazer com ela, já que a filial brasileira foi vendida. MAs foi super fácil de enviar a grana lá pra fora. Assim me mantive em dólar, pude investir em fundos do próprio banco lá fora (o que é fácil), e passei a me sentir mais seguro para o caso de uma super guinada a esquerda do governo brasileiro.

    Quanto a investir mais 'profissionalmente' lá fora, creio que não tenho o conhecimento para isso ainda e o tempo anda meio escasso. Assim sendo, procuro alternativas que tornem o processo mais fácil para mim, ainda que um pouco mais taxadas. Acho que EUA é fria. Tá regulado demais, como você mesmo disse.

    ------------------------

    Edujatahy,


    "Como sou pequeno não me sobra muito para outros investimentos (ouro seria uma opção, mas acho burocrático e complicado a conversão no dia-a-dia, se alguém tiver um método fácil estou aberto a sugestões). Além disso, meus prazos de entrega são pequenos, não compensa ficar fazendo hedge com cada venda. Não tenho tempo para isso no dia a a dia, infelizmente."


    Os contratos de ouro OZ1 são fáceis de se obter em bolsa. Basta ligar para a mesa da sua corretora e requisitar a compra. Se quiser portar um pouco de ouro físico, pode procurar revendedores tradicionais como o grupo OuroMinas. Vendem pela internet e entregam em casa. O problema é o valor acima da cotação que você terá de pagar.

    Além disso, estão surgindo mil maneiras de se investir em ouro por aí. Uma legal é o banco do Peter Schiff, o Euro Pacific Bank, localizado no Caribe e que não faz reserva fracionária. Você pode comprar e vender ouro e prata em tempo real e eles armazenam para você. Existem também empresas como a Serica que intermediam negociações em metais preciosos e fazem o armazenamento confidencial para você.


    "Estou olhando a possibilidade do bitcoin já faz algum tempo, só que sou um pouco conservador para investir. Irei começar a adquirir em pequenas quantidades."


    Legal. Aqui no Brasil tenho experiência com o MercadoBitcoin e com a BitcoinToYou. A primeira tem maior volume de transações e a segunda cobra menores taxas. Aconselharia negociar pelas casas de câmbio brasileiras e depois transferir seus bitcoins para uma carteira considerada mais segura, dado o histórico de problemas com casas de câmbio sumindo com a grana de seus clientes. Eu uso a carteira da blockchain.info


    "E por último. Na visão de vocês, caso queira comprar imóveis, vocês acham que compensa imóveis no Brasil ou imóveis lá fora? Porque comprar algo que é valorizado em real é complicado né?"


    Minha visão é de que comprar imóveis aqui ou mundo afora ainda é fria. Uma boa opção para entrar nessa seriam os FII (Fundos de Investimento Imobiliários) em bolsa. É provável que boa parte da queda de preços que ainda poderá vir pela frente já esteja precificadas nos fundos os barateando.


    Abraços.
  • Trader Carioca  03/09/2015 15:41
    Excelente Fernando Ulrich

    Parabéns pelo trabalho.
  • Fernando Ulrich  03/09/2015 20:53
    Obrigado, Trader.
  • Investidor  03/09/2015 15:50
    É revoltante. É de chorar. Fico puto com o que a Dilma fez com o Brasil. Vai ser burra assim na pqp... Essa coisa dentuça destruiu nossa economia. Anos e anos de trabalho desde o início do plano real, desde 1994, jogados no ralho simplesmente porque uma dona apoiada por meia dúzia de quadrúpedes resolveu fazer do país laboratório de maluquices heterodoxas. Brincaram com a vida de centenas de milhões de brasileiros. Uma simples comparação é suficiente para demonstrar de forma contundente o que fizeram com o país: cotação do dólar quando Dilma assumiu 1,65; hoje: superou 3,80. Vai levar décadas para reparar o mal que Dilma e sua gangue fizeram com o Brasil.
  • Daniel  04/09/2015 13:05
    Você fala como se ela tivesse feito isso por burrice. Pode deixar, eu convivi muito tempo com petistas para saber que eles não dão ponto sem nó. São psicopatas e não ligam para o sofrimento alheio, mais até do que outros estatistas. Essa gente pode ficar sem dinheiro, mas nunca sem poder.
  • Investidor  03/09/2015 16:11
    O que o PT fez com o Brasil, particularmente sob Dilma, não tem perdão. Essa coisa que mal sabe articular as palavras, só tem um direito hoje, de renunciar.

  • Daniel  04/09/2015 13:08
    Nem que a vaca tussa. Como faz para ela matar a população de fome via impostos e sustentar ditaduras comunistas pelo mundo afora?
  • Marco  03/09/2015 16:41
    OS FALSOS RELIGIOSOS TERIAM SIDO OS PIVOTS MAIS ANTECEDENTES DESSA CRISTE ATUAL ÉTICO-MORAL, FINANCEIRA...
    A peste comunista desenvolveu-se na A Latina e Central destruindo varias nações; talvez seria mais por força da Teologia da Libertação que tudo, pois os padres infiltrados na Igreja nas poaroquias, nos seminários e congregações, (a serviço da maçonaria) não doutrinavam as pessoas acerca dos efeitos deletérios da praga que é o regime comunista, antes de mais nada destrutivo, predador e diabólico!
    Os que se insurgem contra as ideologias, tanto nas paroquias, nunca vi e quantos nas redes, seria quase capaz até de os nomear!
    Mesmo a direção da CNBB que, desde o vermelho D Hélder tem sido a poderosa linha auxiliar do PT em vários apoios a seus projetos apenas de poder, em omissão e/ou conivencia - comunistas não têm planos de governo - daí colaborando na implantação do niilismo na sociedade, motivo por que é 100% malhada nas redes, com toda razão e merecimento!
    Esses falsários faziam mil promessas com a pseudo "Opção preferencial pelos pobres", mas à realidade, a igreja e doutrina que pregavam eram a parodia da Igreja de Jesus: foi maquiada, macaqueada, doutrina de laboratórios de engenharia socialistas, nada mais; os pobres que sempre almejam "são os desinformados, ignorantes para fazerem deles massa-de-manobra para se instalarem no poder" e em retribuição, os escravizam!!
    Isso redundaria nisso acima e merecem os que nunca:
    "Seus sacerdotes violam a minha lei, profanam o meu santuário, tratam indiferentemente o sagrado e o profano e não ensinam a distinguir o que é puro do que é impuro". Ez 22, 26.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  03/09/2015 16:42
    Parabéns pelo artigo, Fernando Ulrich!
  • Fernando Ulrich  03/09/2015 20:52
    Obrigado, Rodrigo.
  • Lopes  03/09/2015 17:19
    Excelente artigo, Fernando. Você logrou encaixar em um só texto tudo o que eu temia.

    A infelicidade é que quase nenhum economista, receio, está ciente da situação dramática com as operações compromissadas em quantias absurdas que o BACEN está fazendo; à exceção dos que estão dentro do grande jogo e dos que assistiram às escassas palestras dos primeiros.
  • Fernando Ulrich  03/09/2015 20:53
    Obrigado, Lopes.
  • Jacyara Ferreira Vilela  03/09/2015 17:50
    Sou leiga em economia. A impressão que tenho é que dormi em um doa países nórdicos (Suíça) e acordei na Grécia, por que em menos de um ano as coisas pioraram tanto (2014/2015)? Apenas por causa da reeleição? Pocha, pensei que um dos maiores legados do governo FHC tinha sido o neoliberalismo econômico. Por favor me explique.E, como podemos fazer para protegermos nossas "contas"?? Obrigada!
  • Lucas C  03/09/2015 21:33
    Que tal começar por aqui, Jacyara:

    mises.org.br/EbookDownload.aspx?file=92.pdf

    (O que o governo fez com o nosso dinheiro?
    Título original em inglês: What Has Government Done to Our Money?
    Autor: Murray N. Rothbard)

    Este é um livro que você pode ler em uma tarde e já vai te dar uma excelente base para entender esta confusão toda na qual nos metemos.
    Faça bom proveito e use sem moderação.
  • Gustavo Silva  26/09/2015 23:07

    "Sou leiga em economia."
    Eu também, mas esse site tem me ajudado bastante e tenho me fascinado sobre economia.

    "[...], por que em menos de um ano as coisas pioraram tanto (2014/2015)? Apenas por causa da reeleição?"
    Aí é você é quem pensa. Como eu sempre digo: só porque você não sabe, não quer dizer que não exista. As coisas já estavam se deteriorando antes de você perceber.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1767 - A economia brasileira em 2013 - um resumo de final de ano

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2120 - O trágico legado da "Nova Matriz Econômica" - um resumo cronológico (com dados atualizados)

    "Pocha, pensei que um dos maiores legados do governo FHC tinha sido o neoliberalismo econômico. Por favor me explique."
    Ok, te explico. O liberalismo econômico de neo não tem nada!! E segundo: FHC é social democrata (socialismo fabiano para ser mais exato - vertente mais moderada de intervencionismo), ele fez medidas "neoliberais" por puro pragmatismo fiscal e orçamentário para salvar o seu próprio governo, não fez por que quis, fez por necessidade.
  • New Old Boys  27/09/2015 14:01
    O neoliberalismmo existe sim, no entanto, não tem nada de liberalismo. O neoliberalismo é a velha terceira via, que é o socialismo de sempre. Só para acrescentar, isso nunca deu certo em lugar nenhum do mundo. E no Brasil não ia deixar de ser diferente.

    Nesse sentido, sugiro as seguintes leituras:

    O conceito de neoliberalismo

    A "terceira via" é escravidão disfarçada

  • Andre  03/09/2015 18:53
    Excelente artigo!

    Mas será mesmo que é possível haver hiperinflação no cenário atual?
  • Fernando Ulrich  03/09/2015 20:46
    Andre,

    Pois é, o que pode ocorrer é o governo esculhambar ainda mais as contas, o mercado exigir juros mais altos e o Bacen acabar financiando diretamente o Tesouro.

    Dito de outro forma, o governo pode imprimir dinheiro, por meio do BC, para pagar pela dívida. Isso é gerar inflação para amortizar a dívida. É o default padrão para qualquer dívida interna.Bem como nos tempos da hiperinflação.

    Ainda não estamos nesse cenário catastrófico, mas estamos indo nessa direção. Dada a inoperância do governo, as contas tendem a piorar, elevando a dívida inevitavelmente.

    O problema é que as coisas podem piorar rapidamente. Como o perfil da dívida é muito ruim (prazo curto e mais da metade atrelada a taxas flutuantes), qualquer deterioração exigirá do governo colocar no mercado mais "dívida ruim" (do ponto de vista do Tesouro), como LFTs (taxa pós-fixada) e de prazos curtos. O mercado já está calejado e não vai emprestar para o governo do PT a prazos longos com juros travados. Ninguém é louco.

    Isso elevará o gasto com juros, aumentando o déficit, fazendo com que emitam mais dívida, e assim por diante num círculo vicioso. É uma sinuca de bico.

    Estamos num momento delicado. Os próximos meses serão chaves para sabermos se iremos na direção da Argentina ou não. Mas uma coisa é certa, não há outro remédio, tem que cortar gasto já. Para ontem. Não podemos mais empurrar com a barriga.
  • Tiago Moraes  05/09/2015 12:54
    Fernando, faltou você mencionar um outro problema com o qual precisamos lidar: fechar a Faculdade de Economia da Unicamp. O Roberto Campos já denunciava esse "problema" há mais de 30 anos.
  • anônimo  05/09/2015 18:13
    De fato, urgentíssimo.
    Abs, Fernando Ulrich
  • Investidor  03/09/2015 18:53
    É estarrecedor o que acabo de ler no site Valor:

    Continua partindo do PT e, mais especificamente da Casa Civil, a pressão pela saída de Levy e mudança da política econômica. Tal mudança seria focada na aceitação de um déficit fiscal e na redução da taxa de juros. O que se pretende com isso seria a retomada da economia.

    Imagina se essa ideia for adiante? Imaginar deixar esse deficit fiscal e baixar a selic... É assustador. O Brasil ia perder o grau de investimento no dia seguinte, dólar ia a 5, 6 reais rapidamente. Investimento ia cair mais e inflação disparar para 15, 20%.

    Bom, o problema é que quem vai decidir isso é a Dilma e a Dilma é a Dilma, uma completa tapada que acha que entende alguma coisa de economia, a mulher sapiens que afundou o Brasil e continua firme em suas convicções.

    Seria a volta em cheio aos anos 80.

  • Investidor  03/09/2015 19:25
    Odeio o molusco, mas ao menos ele não era burro e louco. O cara podia ser bandido, populista e tal, mas pelo menos segurou o PT nos 2 mandatos e manteve a política econômica tucana, que não era excelente, mas quebrava o galho né. Agora o que dizer da Dilma? Ela é retardada e doida. O QI da mulher é baixo e ela não mede as consequências dos seus atos. Cederia fácil a sanha petista comunista de fazer uma política econômica 10 vezes mais heterodoxa que a que ela fez no primeiro mandato.

    O que esperar duma mulher que teve a coragem de virar terrorista e assaltante de banco? Poderia ter sido violentada, presa, espancada, morta, etc. Mesmo assim assumiu os riscos e entrou para a luta armada. Daí já dá pra ver quão maluca essa mulher é e o risco que estamos correndo. O Lula ao menos era "cagão". Meu, essa mulher deveria estar presa num sanatório.
  • Fernando Ulrich  03/09/2015 18:56
    Neste texto falo justamente da dificuldade de rolagem da dívida do governo e a tendência de piora.

    Confirmando a tese, hoje mesmo o Tesouro cancelou um leilão de títulos prefixados pela primeira vez desde fev/14.

    www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/4263821/tensao-com-levy-aumenta-tesouro-sente-efeito
  • Marcelo  03/09/2015 19:02
    Excelente artigo.. Acompanho há anos o site e sou grande fã da escola austríaca!
    P/ Pessoal do Mises
    Agora o que vocês acham melhor para sairmos dessa encrenca?

    Cenário 1 - Fazer o que o governo está fazendo... Que é deixar aumentar o rombo fiscal para não acelerar a taxa de desemprego. Fazer ajustes pequenos que trarão economias a médio e longo prazo e cessar completamente as pedaladas o os "jeitinhos"... O que teoricamente só vai trazer algum fôlego daqui uns 3 ou 4 anos.

    Ou

    Cenário 2 - Querer resolver o problema fiscal no curto prazo... Demitindo milhares de funcionários públicos... cortando salários, privatizando todas as estatais (o que também geraria desemprego), isto é, tentando resolver o problema já em 2016.

    O que vocês sugerem fazer e por quê?


  • Fernando Ulrich  03/09/2015 20:47
    Melhor cenário é cortar logo, o quanto antes. E muito. De preferencia privatizando e resolvendo deficit previdenciario.
  • Investidor  03/09/2015 19:10
    Estarrecedor 2

    Leiam isso. Saiu no valor. Bom, podemos concluir que toda lambança que a mulher sapiens fez em seu primeiro mandato será brincadeirinha de criança perto do que ela vai fazer no atual mandato.

    Os esforços para "queimar" o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e Tombini, só podem indicar que o Palácio do Planalto quer retomar para si as rédeas da política econômica, cuja essência seria a expansão fiscal, monetária e creditícia. Importante lembrar que, há poucos dias, a Caixa e o Banco do Brasil anunciaram linhas de crédito para salvar o setor

    Olha isso. Esse senhor Skaf vai se arrepender amargamente no futuro quando as indústrias da FIESP começarem a ser confiscadas. Essa FIESP maldita só sabe pedir redução de juro. Bando de lunáticos. São uns inocentes mesmo. Galinhas que serão devoradas pela raposa petista.

    O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, pediu a exoneração do ministro da Fazenda, em jantar com o vice-presidente Michel Temer e um grupo de grandes empresários, e nenhuma voz oficial se levantou para defender Levy.

    Meu, o negócio vai ficar pesado mesmo se a Dilma chutar de vez o balde do ajuste fiscal e não é nada difícil ou improvável que isso aconteça.
  • Investidor  03/09/2015 19:49
    Meu, na atual situação só existe uma coisa que pode salvar o Brasil, PMDB. É a última esperança. Se esse partido se afastar do governo e se juntar à oposição pelo impeachment, ainda há salvação. Sempre odiei o PMDB, mas os estragos que esse partido pode causar é fichinha perto do PT. Acho que o momento é de unir forças, mesmo que com partidos da laia do PMDB.
  • Luan  03/09/2015 20:22
    O problema da economia brasileira é um problema de demanda ou de oferta?
  • Fernando Ulrich  03/09/2015 20:51
    Luan,

    Não entenda isto como ofensa, mas o problema da economia brasileira é justamente acreditar que há "um problema de demanda ou oferta". O que quero dizer com isso é que essa visão simplista de que basta uma maior demanda (agregada) ou oferta para resolver o problema. E essa é normalmente a visão dos economistas e do que se ensina nas universidades.

    O problema é de intervenção. Ponto. Demanda ou oferta é um problema de mercado, o qual os indivíduos dão cabo todos os dias trabalhando, produzindo e consumindo. Não há nada que o governo possa fazer para melhorar essa atividade. Mas há muito que ele possa fazer para dificultá-la.
  • Gustavo  03/09/2015 21:53
    Fora que "demanda" nunca foi um problema. Todos nós, pelo simples fato de sermos seres humanos com desejos e necessidades a serem supridos, naturalmente demandamos coisa. Nunca deixaremos de demandar coisas.

    O problema sempre foi a oferta. Produzir coisas é complicado. Já demandar é fácil.
  • Freddo  03/09/2015 20:29
    O que eu faço para os eleitores assíduos do PT lerem e entenderem esse artigo? rsrs
  • anônimo  03/09/2015 20:51
    Nada, eles não vão mudar nunca e o brasil vai ser lixo pra sempre.Use seu tempo e dinheiro pra pensar em como ir embora pro mundo civilizado.
  • Godo  03/09/2015 20:58
    Sem chance. Eleitores da esquerda tem visões totalmente distorcidas da realidade, são mais fieis a Marx do que um crente a jesus, e pior, acham que os outros é que são burros.

    Um exemplo, eles pensam que tudo isso é problema do capitalismo, e não da ausência dele. Acreditam cegamente que capitalismo de estado é capitalismo, não existe a tal separação como nós liberais fazemos. Para eles o estado é apenas um instrumento do capitalismo, e se você falar na possibilidade de separação entre mercado e governo ele vão rir da sua cara.

    O pior de tudo é a visão utópica deles: um mundo com propriedade comunal e sem necessidade de dinheiro, imagina só a mente de alguém que acredita nisso.
  • Daniel Flores  03/09/2015 21:05
    Ulrich, parabéns pelo excelente diagnóstico da situação fiscal! Abraço.
  • Fernando Ulrich  03/09/2015 22:10
    Obrigado, Daniel.
  • IRCR  03/09/2015 21:18
    Leandro/Ulrich

    br.advfn.com/noticias/ADVNEWS/2015/artigo/68394328

    De acordo com o texto acima. Vcs acham que o BC pode perder ainda mais sua "autonomia" ??? será que o BC vai começar a comprar títulos direto do Tesouro ? imposto inflacionário voltando com força total ?

    Mesmo que digam que existe lei que proíba isso desde de 2000, mas lei é apenas um escrito no papel, nada impede que seja mudada ou quebrada.

  • Fernando Ulrich  03/09/2015 21:46
    Na prática, como expus no texto, o BC JÁ está comprando títulos do Tesouro, embora de forma velada e respaldada em lei. Mas confesso que começa a se abrir uma fresta para que esse demônio volte para nos assustar. Infelizmente...
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  03/09/2015 21:46
    Passem logo o brasil para o meu nome(minha propriedade privada) e tenham seus problemas resolvidos. Quem avisa amigo é.
  • luxaman  03/09/2015 21:56
    Eu aguardo seriedade e comprometimento e que a CPI do BNDEs seja aberta e concluida com punição de todos os implicados e a devolução dos valores . Incusive pelas republiquetas bolivarianas, países africanos e alem disso sejam
    reveladas as cláusulas confidênciasis dos emprestimos de um banco público com recursos de impostos pagos pelos brasileiros
  • Gustavo  03/09/2015 23:01
    Alguns pontos que ficaram confusos:

    — Quando o Tesouro emite um título em favor do BC, ou quando não consegue vender algum título no leilão, o BC cria dinheiro do nada para pagar por este título ou o recebe de graça?

    — Operações compromissadas injetam liquidez no momento de sua liquidação, visto que os bancos vão receber um valor maior do que o emprestado ao BC? Se sim, como a liquidez é controlada no longo prazo?

    — Que títulos cambiais são estes que não aparecem no Tesouro Direto?
  • Leandro  04/09/2015 03:08
    1) Não. O título é apenas repassado ao BC.

    2) Correto. A liquidez é controlada com novas operações de mercado aberto feitas pelo BC. No extremo, e isso nos remete ao item 1, o Tesouro terá de emitir títulos apenas para repassá-los ao BC para que o BC possa então utilizá-los para enxugar essa liquidez.

    3) Títulos cambiais são papéis que o BC vende com o compromisso de resgatar no futuro pagando a variação do dólar mais uma taxa de juro definida em leilão.

    Ou seja, toda essa operação -- também chamada de swap cambial -- se dá em reais. O BC paga aos investidores (em reais) a variação do câmbio no período de vigência dos contratos. E os investidores pagam ao BC a oscilação dos DI. Tudo em reais.

    Ou seja, na prática, o BC cria reais e, com isso, tenta garantir (em reais) a renda de quem perdeu com o câmbio.
  • Fernando Ulrich  04/09/2015 12:36
    Caro Gustavo,

    Respondendo suas perguntas:

    — Quando o Tesouro emite um título em favor do BC, ou quando não consegue vender algum título no leilão, o BC cria dinheiro do nada para pagar por este título ou o recebe de graça?
    Normalmente não. O tesouro pode emitir títulos em favor do BC com ou sem contrapartida financeira.
    Neste exemplo abaixo, em março deste ano, houve ume emissão direta do Tesouro ao BC sem contrapartida financeira, para fins de recomposição da carteira.
    www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/183940/dpf_portaria177_emiss%C3%A3o_LTN_LFT.pdf/7c587ed0-ae02-47d3-a7d3-0b4d880563fc
    Já nesta emissão do ano passado, foi para quitar uma obrigação do Tesouro com o BC por conta de perdas no carregamento das reservas internacionais.
    www.stn.fazenda.gov.br/documents/10180/183940/DPF_Portaria_717_17.12.2014_LFT_NTN-B.pdf/73367e81-35e5-40e4-aeb3-0160e1ac07cf
    Mas o BC pode comprar em leilão títulos do Tesouro – criando dinheiro do nada -- para recompor a carteira para fins de política monetária sim, embora isso não tenha ocorrido com frequência.


    — Operações compromissadas injetam liquidez no momento de sua liquidação, visto que os bancos vão receber um valor maior do que o emprestado ao BC? Se sim, como a liquidez é controlada no longo prazo?
    A liquidez é controlada pelo próprio volume das operações. Como são operações de prazo curto, o BC pode decidir tomar menos emprestado quando vencer as operações.
    Outro instrumento utilizado para controlar a liquidez – e que por muito tempo foi o principal – são as vendas/compras definitivas, em que não ocorre o fenômeno descrito na pergunta.
    Outra forma de responder sua pergunta é: no longo prazo, a liquidez simplesmente não é controlada. No longo prazo, a liquidez sempre aumenta na economia, a quantidade de dinheiro não diminui, como pode ser muito bem observado pela depreciação da moeda medida pelos diversos índices de inflação. Poderia ser diferente, não há lei da natureza que obrigue a esse fenômeno, mas isso é tema para um tratado.


    — Que títulos cambiais são estes que não aparecem no Tesouro Direto?
    Não entendi essa pergunta. Poderia elaborar melhor?

    Em suma, a forma de entender as compromissadas é a seguinte: se o Tesouro estivesse conseguindo rolar sua dívida no mercado tranquilamente, essas compromissadas estariam em patamar irrelevante, os títulos estariam sendo carregados pelos bancos. Da forma que está hoje, o Bacen acaba colocando essa dívida no mercado temporariamente – mas renovando quase sempre as operações –, a taxas mais altas que as que o Tesouro ofertou e por prazos menores. Indiretamente, o Bacen está ajudando o Tesouro a se financiar. Como disse, na letra fria da lei, talvez não seja – ainda – uma violação do Art. 164. Mas que é um arranjo no mínimo esquisito, ah é, e por isso pode ser visto como uma forma de financiamento indireto.

    Abs,

    Fernando Ulrich
  • Joaquim Saad  04/09/2015 13:43
    Saudações, Fernando Ulrich.

    Desculpe insistir na questão, mas se por vias diretas o Tesouro apenas repassa títulos ao BC sem contrapartida financeira (conforme Art 2º da Lei 11.803/2008), e por sua vez a autoridade monetária estaria autorizada pela LRF (101/2000 - Art 39 - §2º) a comprar nos leilões os títulos vincendos em sua carteira (o que portanto não geraria qualquer transferência líquida de dinheiro p/ o Tesouro, já que este também estaria resgatando os papeis expirados a serem simultaneamente substituídos por outros recém-emitidos no mesmo montante financeiro), não compreendo como pode-se então afirmar que ocorre o financiamento direto de um pelo outro (apesar de ser a opinião do GHBFranco e seu xará Loyola).

    Abs.
  • Fernando Ulrich  04/09/2015 17:14
    Caro Joaquim,

    Escrevi no texto: "Com isso, estaria o Bacen financiando o Tesouro, em uma clara infração do art. 164, ressuscitando um velho problema dos tempos de hiperinflação? Na letra fria da lei, talvez não. Na dura realidade econômica, é a única conclusão cabível."

    Portanto, há financiamento do Tesouro pelo Bacen direta ou indiretamente?

    Do ponto de vista legal, é praticamente certo que não.

    E do ponto de vista econômico? Diretamente, talvez não, mas indiretamente, na minha opinião, por todos os motivos explicados no artigo, acredito que, sim, o Bacen está ajudando no financiamento indireto do Tesouro.

    Neste momento, estou mais preocupado com os efeitos econômicos desse arranjo. Da mesma forma que, do ponto de vista econômico, pouco importa se a presidente está ou não ferindo a LRF. Importa que os déficits são cada vez maiores e não há malabarismo contábil que altere essa realidade.

    Não se apegue tanto à questão jurídica, ela é secundária nessa argumentação.

    Abs,

    Fernando Ulrich
  • Joaquim Saad  04/09/2015 22:39
    Mas indiretamente o Tesouro sempre acaba sendo financiado pela autoridade monetária, bastando p/ tanto utilizar-se dos proxenetas de sempre (i.e. bancos comerciais), certo ?

    A propósito, qual tua opinião e a do Leandro acerca da proibição imposta pela LRF/2000 ao BC impedindo-o de emitir títulos próprios ?

    Ao executar o mandato de controlar a taxa SELIC no âmbito da política monetária empregando essencialmente a compra e venda de ativos os quais obrigatoriamente são papeis de responsabilidade do Tesouro, na prática não teria se estabelecido um arranjo garantidor do financiamento do governo pelo Bacen, uma vez que basta o Tesouro aceitar pagar juros ligeiramente acima daquele determinado pela Gosplan, digo...CoPom p/ que então todos os bancos subscrevam as ofertas nos leilões primários pela manhã e recomponham no mesmo dia suas reservas utilizadas nessas compras, revendendo à autoridade monetária os títulos recém-adquiridos e de quebra ainda lucrando algum spread de intermediação (mesmo que pequeno, mas bem interessante devido aos volumes e frequências envolvidos nessa "trama") ?
    Considerando o oligopólio de instituições financeiras privadas invariavelmente "chapas-brancas" (além das mastodônticas sob controle federal), há risco de mesmo assim elas se recusarem a continuar viabilizando o esquema ?

    Deste modo, vocês veem alguma probabilidade razoável de calote dessa dívida interna, mesmo se o cenário fiscal se agravar bem mais ?
    Ou o ajuste certamente se fará de novo via inflação e elevação de dívida (que, aliás, não se encontra limitada pela CF88 a exemplo dos déficits públicos, podendo talvez ambos serem arbitrariamente majorados por simples MP a cargo do ditador de ocasião no poder executivo segundo conveniências exclusivamente estatais) ?

    ps: Obrigado pelos retornos, Fernando e Leandro. A questão anterior era de cunho "didático" mesmo (como tantas outras que tenho colocado no fórum), embora o tema dela tenha implicações jurídicas extremamente relevantes no atual momento político do Brasil.
  • DEDE DE TONY OLIVEIRA  04/09/2015 01:03
    Como sempre muito ENRIQUECEDOR e BALIZADOR o seu artigo, reflete o cenário atual.Parabéns.Um abraço ao amigo.
  • Joaquim Saad  04/09/2015 01:07
    Texto muito bom, além de bem oportuno, por sinal !

    Mas gostaria de confirmar c/ seu autor e também c/ o Leandro Roque (e c/ quem mais quiser opinar) se o BC tem mesmo transferido dinheiro ao Tesouro em pgto pelos títulos que vem recebendo diretamente deste último p/ realizar as operações compromissadas de enxugamento de liquidez fortemente intensificadas na 2ª metade da década passada p/ conter a valorização do Real (bons tempos !), entregando parte desses papeis (saídos de sua "carteira livre") em garantia aos bancos comerciais em contrapartida pelo dinheiro provisoriamente esterilizado através deste expediente, o qual por sua vez foi devidamente autorizado pela Lei 11.803/2008 condicionado-o à inexistência de contrapartida financeira (Art 2º).

    Sei que diversos outros especialistas do "calibre" dos Gustavos (Franco & Loyola) também têm implicitamente sugerido tal configuração de financiamento do governo federal pelo Bacen no esquema acima, porém creio que não se chegou ainda a tal extremo de flagrante ilegalidade (embora talvez seja uma questão de - pouco ! - tempo, como já alertado por alguns aqui no fórum) uma vez que parece começar a diminuir (à exceção de hoje !) a dificuldade de colocação da dívida pública nos leilões primários (rejeição a propósito possivelmente causada em essencial pelo fim do ciclo de queda na taxa SELIC há uns dois anos, em Abr/2013), conforme indica a reversão da tendência do saldo entre resgates e emissões da DPMFi a partir de Out/2014 (diferença aliás já líquida da apropriação de juros, que de outra forma incrementariam ainda mais o estoque).

    Inclusive é o que alega o próprio Tesouro ao avisar no mês passado (www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/268746/Informe_Revis%C3%A3o_PAF_2015.pdf/f05e1ec1-f0e5-4e6c-b0ac-58605918064e) sobre o aumento do limite máximo da dívida no PAF2015 (a despeito de inspirar cada vez menos confiança os comunicados de um órgão que arbitrariamente altera as "regras" bem no meio do "jogo" do qual ainda por cima é parte totalmente interessada, além de ser comandado pelo governo mais deliberadamente irresponsável em muitas décadas), capitulando veladamente frente à imposição de taxas maiores e/ou prazos menores p/ absorção de suas rolagens pelo mercado, o qual até então vinha obtendo melhores condições de risco/retorno p/ suas aplicações diretamente c/ o BCB pela obrigação deste em praticar política monetária gradativamente mais restritiva via vendas compromissadas, incrementadoras apenas das dívidas bruta e líquida mas c/ a enorme desvantagem p/ o poder executivo de privar (?) o governo dos recursos financeiros não auferidos na emissão de tais papeis em favor da autoridade monetária.

    Ou as enormes disponibilidades do Tesouro no BC (atualmente em torno de R$800 bilhões, sempre por volta de uns 30% da DPF) são devidas ao menos em parte ao recebimento de moeda diretamente da autoridade monetária ? Isto não seria um argumento bem mais forte e incontestável p/ impeachment do que as próprias "pedaladas fiscais" ?!

    Obrigado.

    [ ]'s
  • Leandro  04/09/2015 03:33
    "gostaria de confirmar [...] se o BC tem mesmo transferido dinheiro ao Tesouro em pgto pelos títulos que vem recebendo diretamente deste último p/ realizar as operações compromissadas de enxugamento de liquidez fortemente intensificadas"

    Não. Não há monetização.

    Normalmente, o que ocorre é que, quando o Tesouro não consegue rolar sua dívida, ele é obrigado a quitá-la. E, como explicado no artigo, quando o volume de novas emissões é inferior ao montante amortizado da dívida pública, há um excesso de liquidez no sistema (recursos saem do caixa único do governo em favor do caixa dos bancos). E como um excesso de liquidez no sistema tem efeitos sobre a taxa de juros, o BC é obrigado a enxugar a liquidez para garantir o pleno atingimento da meta para a taxa Selic.

    Para enxugar essa liquidez, o Tesouro emite títulos exclusivamente para repassá-los ao BC (sem monetização), que então utilizará esses títulos em suas operações de mercado aberto para enxugar essa liquidez.

    Aqui uma notícia sobre isso:

    www.valor.com.br/financas/3910734/crise-forca-bc-buscar-mais-titulos-no-tesouro
  • Joaquim Saad  04/09/2015 12:03
    Ok, mas então não há que se falar em financiamento do Tesouro pelo BC, certo ?
  • Bernardo Neves Pantaleão  04/09/2015 12:15
    Fernando,
    Então parece que o bc não está financiando o tesouro diretamente, né? Não valeria a pena alterar o artigo para evitar a confusão?
    Grande abraço a todos e parabéns pelo ótimo texto.
  • Fernando Ulrich  04/09/2015 17:15
    Bernardo
    Veja minha resposta ao Joaquim no comentário acima.
    Abs.
  • Gabriel  04/09/2015 02:42
    O pior de tudo é ter que ouvir essa anta (me desculpem mas só falando assim) ainda ter a cara de pau de vir dizer que o déficit mostra claramente que há um problema.

    Isso qualquer orangotango percebe, agora eu acho que só ela não vê quem armou toda essa bomba. Quando nós achamos que já tinhas ouvido de tudo os políticos conseguem ir lá e nos mostrar que estávamos enganados.
  • Barroso  04/09/2015 11:12
    Leandro,

    Você afirmou logo acima que "E o que aconteceu com os EUA? Bastou o dólar ficar forte (algo que vem ocorrendo desde o final de 2012, mas que se intensificou a partir de junho de 2014), e a economia americana se recuperou. Praticamente como mágica.".

    Talvez esteja enganado, mas entendo que a tal "recuperação" não irá durar muito, pelos motivos abaixo expostos.

    É certo que o FED (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito. Se os bancos não quiserem despejar este dinheiro na economia americana, não haverá nenhum risco de inflação de preços.

    No entanto ele paga juros sobre esse dinheiro, criando dessa forma uma despesa para ele. Enquanto os juros forem quase zero tudo bem mais a medida que forem subindo as coisas iram se complicar bastante, isso porque, além de aumentar a despesa, poderá estimular que, caso haja excedentes, sejam destinados ao mercado.

    Os "investimentos em xisto", caso o preço do petróleo continuem baixo, o que acredito que aconteça, começaram a se transformar em despesas para todos os envolvidos em sua produção.

    Não podemos esquecer também, dos incentivos dados pelo governo americano aos "novos ricos", para "investir" nos EUA: ajude a construir um estádio e ganhe um Green Card; Invista determinada quantia de forma a gerar X empregos e ganhe um Green Card, compre uma casa nos EUA porque se comparada ao preço de seu país está muito barata etc.

    Quando os "novos ricos" descobrirem que ainda são pobres a situação se complicará bastante para os EUA e para os "novos ricos".

    Isso tudo sem falar que os países detentores de reservar em dólar podem começar a se desfazer de tais reservar... isso pode já estar acontecendo.

    Abraço.

    Barroso
  • Leandro  04/09/2015 11:50
    "No entanto [o Fed] paga juros sobre esse dinheiro, criando dessa forma uma despesa para ele. Enquanto os juros forem quase zero tudo bem mas a medida que forem subindo as coisas irão se complicar bastante, isso porque, além de aumentar a despesa, poderá estimular que, caso haja excedentes, sejam destinados ao mercado."

    Sim. O Fed, em uma medida totalmente sem precedentes (uma medida que nunca foi abordada em nenhum manual de macroeconomia), passou a pagar juros sobre todo o dinheiro que os bancos voluntariamente mantêm depositados no Fed.

    Antes, o Fed pagava juros apenas sobre os depósitos compulsórios dos bancos. Agora, ele paga juros sobre todo e qualquer dinheiro que os bancos voluntariamente depositam no Fed.

    Em todo caso, há várias maneiras de, no extremo, o Fed evitar que esse dinheiro seja despejado no mercado. Ele pode alterar compulsório ou ele pode arrepiar nos juros.

    "Os "investimentos em xisto", caso o preço do petróleo continuem baixo, o que acredito que aconteça, começaram a se transformar em despesas para todos os envolvidos em sua produção."

    E isso será uma ótima notícia para os EUA e para o mundo.

    Quando um país como os EUA, com uma população extremamente capaz e empreendedora, passou a concentrar recursos escassos em uma coisa tão primitiva quanto extração de petróleo (algo que até mesmo Nigéria, Venezuela e Cazaquistão já fazem), o mundo ficou mais pobre.

    Agora, com o desinvestimento nesse setor, mais recursos escassos serão liberados para ser investidos em outras áreas, como a de tecnologia de ponta. Os EUA, felizmente, voltarão a se concentrar naquilo que eles fazem tão bem, que é ofertar ao mundo tecnologia e novas invenções.

    Haverá, sim, um processo de reajuste, em que recursos escassos serão retirados de alguns setores e redirecionados para outros (mais demandados pelos consumidores). Haverá muita fricção quando este processo estiver ocorrendo. Mas, ao final, todos estarão em melhor situação.

    Quando os EUA deixam de criar Googles e Amazons e passam a extrair petróleo, todo o mundo fica mais pobre. Agora, torçamos para que os americanos voltem ao empreendedorismo, algo que sempre fizeram muito bem.

    "Não podemos esquecer também, dos incentivos dados pelo governo americano aos "novos ricos", para "investir" nos EUA: ajude a construir um estádio e ganhe um Green Card; Invista determinada quantia de forma a gerar X empregos e ganhe um Green Card, compre uma casa nos EUA porque se comparada ao preço de seu país está muito barata etc."

    É uma forma de incentivo ao capital estrangeiro. O Brasil estaria muito melhor se fizesse algo semelhante. No entanto, aqui nós somos mais avançados, e preferimos tributar o capital estrangeiro.
  • Dede  04/09/2015 16:56
    "Quando um país como os EUA, com uma população extremamente capaz e empreendedora, passou a concentrar recursos escassos em uma coisa tão primitiva quanto extração de petróleo (algo que até mesmo Nigéria, Venezuela e Cazaquistão já fazem), o mundo ficou mais pobre."

    Perfeito esse raciocínio. Nunca tinha pensado nisso. Apesar de achar que não falta mão de obra qualificada para extrair petróleo e produzir inovações tecnológicas. Li que a imigração de chineses e indianos já superam a de latino para os EUA, mas diferente desta, que vai para trabalhar como peão, os asiáticos vão para estudar, investir e empreender.

    veja.abril.com.br/noticia/mundo/chineses-superam-mexicanos-em-mudanca-migratoria-inedita-nos-eua/

    noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2015/06/02/onda-chinesa-supera-a-mexicana-e-promove-mudanca-migratoria-inedita-nos-eua.html

    ""China e Índia dominaram os vistos de estudante e emprego qualificado, tanto de maneira temporária como permanente", considera em sua análise o MPI.

    Segundo este instituto, o fato de os recém chegados asiáticos - programadores ou estudantes ambiciosos capazes de pagar matrículas de mais de US$ 45 mil anuais - não terem raízes familiares faz prever que estes "migrantes semente" asiáticos iniciem uma nova onda migratória histórica quando começarem a trazer suas famílias."


  • Barroso  04/09/2015 12:41
    Leandro,

    E o que aconteceria se, no extremo, o FED alterasse o compulsório ou arrepiasse nos juros?

    "Haverá, sim, um processo de reajuste, em que recursos escassos serão retirados de alguns setores e redirecionados para outros (mais demandados pelos consumidores). Haverá muita fricção quando este processo estiver ocorrendo. Mas, ao final, todos estarão em melhor situação."

    Isso não comprovaria que a situação atual dos EUA não e tão boa como se diz por ai?

    "É uma forma de incentivo ao capital estrangeiro."

    Essa forma de incentivo poderia se mostrar equivocada quando os "investidores" notarem que precisarão do seu dinheiro "investido" no dia a dia?

    O que aconteceria com os EUA se os países detentores de grandes reservas em dólar resolvessem de uma ora para outra desfazer-se de grande parte delas?

    Abraço.

    Barroso
  • Leandro  04/09/2015 15:25
    "E o que aconteceria se, no extremo, o FED alterasse o compulsório ou arrepiasse nos juros?"

    Qualquer risco de inflação seria contido.

    Vale enfatizar que essa medida de pagar juros sobre as reservas em excesso é totalmente inédita, e nunca havia sido nem sequer contemplada em nenhum manual de macroeconomia. E ela vem se comprovando totalmente eficaz em segurar a expansão do crédito. Sob esse cenário, não consigo visualizar nenhum riso de hiperinflação, e nem grandes necessidades de aumentar juros, muito menos de elevá-los acentuadamente.

    "Isso não comprovaria que a situação atual dos EUA não e tão boa como se diz por ai?"

    Isso comprovaria que ela ainda pode melhorar, e muito.

    "Essa forma de incentivo poderia se mostrar equivocada quando os "investidores" notarem que precisarão do seu dinheiro "investido" no dia a dia?"

    E aí eles retirariam dinheiro dos EUA em manada? Isso é facilmente reversível por meio de ligeiros aumentos nos juros.

    "O que aconteceria com os EUA se os países detentores de grandes reservas em dólar resolvessem de uma ora para outra desfazer-se de grande parte delas?"

    As reservas deles estão em títulos do Tesouro americano. Logo, desfazerem-se das reservas significa que eles venderiam esses títulos mais barato, o que significa que os juros desses títulos subiriam. Automaticamente, todos voltariam a comprar esses títulos -- afinal, são do governo americano, e não de uma republiqueta bolivariana.

    Ou seja, no curto prazo, não há nenhuma chance de isso acontecer.
  • Gustavo  04/09/2015 15:52
    Caro Leandro, do ponto de vista da Teoria Austriaca dos Ciclos Economicos, este novo arranjo incentiva maus investimentos porque as colossais reservas em excesso indicam (na formação dos juros) uma falsa quantidade de poupança disponivel?
  • Leandro  04/09/2015 16:47
    Não é tão simples assim.

    Quando um Banco Central estipula a taxa básica de juros de economia, ele está, na prática, decretando um controle de preços.

    Banco Central estipular juros nada mais é do que uma agência governamental controlando o preço do crédito.

    Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta.

    Se a prefeitura da sua cidade estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100 por mês, o que acontecerá com a demanda por imóveis? Garanto que vai explodir. Mas o que acontecerá com a oferta? Garanto que vai encolher.

    E se a prefeitura fizer o contrário, e estipular que o valor dos alugueis, de qualquer imóvel e em qualquer ponto da cidade, está congelando em $100.000 por mês? Garanto que a oferta vai explodir, mas a demanda vai desaparecer.

    Com o preço do crédito ocorre a mesmíssima coisa (só que apenas para bancos privados; os bancos estatais operam sob ordens políticas, e não de acordo com as reais condições de mercado).

    O que acontece se o preço do crédito for decretado em um valor acima do de mercado? A oferta será ampla, mas haverá pouca demanda por empréstimos. E se o preço do crédito for decretado em um valor abaixo do de mercado? A demanda por empréstimos será alta, mas a oferta será escassa.

    Crédito farto gera todos os problemas apontados pela teoria. Mas a correlação entre crédito farto e taxa de juros não é tão direta quanto muitos acreditam.

    É perfeitamente possível haver farra creditícia em um cenário de juros crescentes (toda a bolha imobiliária americana ocorreu em um cenário de juros crescentes, com a Selic deles indo de 1% para 5,25%; quanto mais os juros subiam, mais o crédito se expandia), bem como é perfeitamente viável não haver nenhuma expansão do crédito em um cenário de juros nulos (como o atual cenário europeu e até mesmo o atual cenário americano, em que a expansão do crédito está ocorrendo a taxas mínimas históricas; daí a total ausência de inflação de preços).

    Portanto, eis as primeiras conclusões:

    1) Se as taxa de juros sobem, mas os empréstimos se expandem, então está claro que o preço do crédito ainda não encareceu o bastante para desestimular a demanda por crédito, mas já está alto o bastante para estimular sua oferta.

    2) Se as taxa de juros sobem, e os empréstimos se contraem, então está claro que o preço do crédito já encareceu o bastante desestimular a demanda por crédito (nada se sabe sobre a oferta).

    3) Se as taxas de juros caem, e os empréstimos se expandem, então está claro que o preço do crédito ainda está alto o bastante para estimular a oferta de crédito, mas já está baixo o bastante para também estimular a demanda.

    4) Se as taxas de juros caem, mas os empréstimos não se expandem, então está claro que o preço do crédito já está baixo o bastante para desestimular sua oferta (nada se sabe sobre a demanda).

    Só por aí já dá para você entender por que é absolutamente impossível colocar uma agência governamental para decretar o preço do crédito e imaginar que ela irá acertar exatamente qual é o valor que equilibrará todas essas variáveis e levará a economia a um perfeito ponto de equilíbrio.

    Isso, então, significa que se a SELIC for para zero, a carestia será interropida?

    Se a Selic fosse repentinamente derrubada para zero, o que aconteceria seria uma súbita desvalorização da taxa de câmbio. Afinal, não haveria absolutamente nenhum motivo para os investidores e especuladores aplicarem aqui. A taxa de inflação de preços está em quase 10%, os títulos públicos renderiam bem menos do que isso, e ainda haveria toda a desvalorização cambial para aniquilar de vez qualquer chance de retorno financeiro.

    Essa desvalorização cambial, além de afugentar novos aportes de capital estrangeiro, geraria uma enorme carestia dentro do país, possivelmente uma hiperinflação.

    Nesse cenário, haver ou não expansão do crédito é totalmente secundário. A economia já estaria completamente desarrumada.
  • Gustavo  04/09/2015 17:37
    Leandro, me perdoe, mas achei a analogia dos alugueis inadequada. A taxa SELIC não determina completamente o preço do crédito, pois é apenas o piso do valor, classificar isso como "congelamento de preço" é incorreto. Nada impede que com a SELIC à 0%, algum banco cobre 40% a.a. num empréstimo. Talvez o efeito mais importante da SELIC seja o de manipular os juros dos títulos publicos e, indiretamente, o câmbio. Aliás, aproveitando o assunto, o fato do Tesouro não estar conseguindo vender todos os títulos que oferta, significa que a SELIC está num valor inferior ao que deveria estar?
  • Leandro  04/09/2015 18:27
    "A taxa SELIC não determina completamente o preço do crédito,"

    Em momento algum eu disse isso.

    "pois é apenas o piso do valor, classificar isso como "congelamento de preço" é incorreto."

    Logo na primeira linha do meu comentário está escrito, e em destaque, que "Quando um Banco Central estipula a taxa básica de juros de economia, ele está, na prática, decretando um controle de preços."

    Com o termo "congelamento", eu me referia a alugueis, e mesmo assim em uma clara alusão comparativa.

    "Nada impede que com a SELIC à 0%, algum banco cobre 40% a.a. num empréstimo."

    Nada impede, de fato. Exceto a concorrência. Por mais mínima que ela seja, mesmo que haja apenas dois bancos, um sempre terá um enorme mercado a ser ganho caso reduza suas taxas de juros cobradas.

    Mais ainda: com os juros a zero, os bancos praticamente não têm de pagar rendimentos para seus correntistas. Sendo assim, uma simples taxa de juros na casa de 5%, já traz um lucro enorme.

    Vale lembrar, por exemplo, que a Suíça está com juros nulos desde 2009, e, ao contrário dos EUA e da zona do euro, não tem uma população endividada e nem tem bancos quebrados. Por que, então, os empréstimos lá não explodiram? Com juros zero, era para os bancos estarem fazendo empréstimos a rodo, sem medo do amanhã. No entanto, isso não aconteceu.

    A explicação é justamente essa: uma taxa de juros decretada por um Banco Central é um controle de preços, e esse preço foi estabelecido a um patamar extremamente baixo, o qual não torna os empréstimos bancários lucrativos. Apenas grandes empresas com ótimo histórico de crédito conseguem empréstimos nesse cenário.

    É a mesmíssima lógica do agiota: se os juros estão em, por exemplo, 50% ao ano, então os bancos podem se dar ao luxo de ser menos cautelosos na concessão de empréstimos. Se os juros são muito altos e o mutuário dá calote em algumas prestações, tudo bem; desde que ele pague as outras, o banco ainda tem lucro. Já com juros baixos, qualquer atraso na prestação já afeta severamente a possibilidade de lucro do banco.

    Se você emprestar para pessoas com histórico de crédito duvidoso, cobre juros altos; quanto mais altos os juros, mais você empresta para pessoas assim. E quanto mais baixos os juros, mais criterioso e cauteloso você tem de ser.

    Por isso esse aparente paradoxo entre juros zero, crescimento do crédito quase nulo e inflação de preços zero.

    "Talvez o efeito mais importante da SELIC seja o de manipular os juros dos títulos publicos e, indiretamente, o câmbio."

    Nem essa ligação é muito direta. Vide que o BC já praticamente dobrou os juros (de 7,25% para 14,25%), e o real se esfacelou quase que simultaneamente. Por outro lado, quando o BC derrubou os juros de 13,75% ao final de 2008 para 8,75% em meados de 2009, o real se valorizou.

    Juros são comprovadamente eficientes em desaquecer a economia. E, em um arranjo de câmbio flutuante e governo fiscalmente descontrolado, a única maneira de controlar inflação é gerando recessão e desemprego.

    "Aliás, aproveitando o assunto, o fato do Tesouro não estar conseguindo vender todos os títulos que oferta, significa que a SELIC está num valor inferior ao que deveria estar?"

    Correto.
  • Robinson Arthur Klein  04/09/2015 12:52
    Ótimo artigo, parabéns, sei que é complicado sugerir isso, mas sou gaúcho e a situação do nosso estado é calamitosa, seria interessante também se alguém pudesse fazer um apanhado geral sobre o grande problema que estamos enfrentando por aqui, funcionalismo inchado ao extremo e gastos exorbitantes com inativos, sem contar companhias estatais falidas e deficitárias. É apenas o começo da derrocada dos estados brasileiros.
  • Erick Skrabe  04/09/2015 14:17
    Olhando a metade cheia do copo: o brasileiro percebeu que o culpado é o governo e não o empresário e a parte produtiva.

    Sim, os problemas são graves mas são as consequencias de idéias erradas. O brasileiro escolheu o populismo.

    Não poderia ser diferente, no Brasil só haviam essas idéias. Hoje a coisa mudou e o Mises Brasil está ajudando a mostrsr os problemas dos modelos economicos e do desenvolvimentismo.

    E é por isso que não vamos seguir o exemplo da Argentina e da Venezuela e seguir para o populismo. São centenas de anos de erros, vai levar algum tempo para arrumar, mas é possível arrumar.
  • Pauloh  04/09/2015 18:13
    Confesso que agora fiquei com medo.
    A coisa estava ruim, mas nada que se compare a capacidade de um banco central comprar títulos de um governo irresponsável.
    Ainda mais no Brasil, que tem um histórico de hiperinflações por culpa dessa capacidade que por bem foi limitada no plano real e um dos principais responsáveis de nossa inflação estar em patamares ''aceitáveis''. e poe aspas nisso, pois ainda é muito alta comparado com países "sérios"

  • Luiz  04/09/2015 18:15
    Prezado Leandro,

    Sem querer abusar: Voce poderia fazer um breve comentario sobre o atual momento
    Das bolsas americanas?

    Obrigado!
    Luiz
  • Leandro  04/09/2015 18:27
    Prezado, minhas pretensões não chegam a tanto. Essa não é e nem nunca foi minha especialidade. Se o pessoal que mora lá diverge quanto a isso, imagine eu, que não moro lá e, logo, não tenho como saber quão realmente sólida está a economia.

    O que é realmente perceptível é que, sempre que saem dados que fazem crer que o Fed elevará os juros agora em setembro, a bolsa cai.
  • Barroso  04/09/2015 20:05
    E o que aconteceria se, no extremo, o FED alterasse o compulsório ou arrepiasse nos juros?

    "Qualquer risco de inflação seria contido."

    O risco de inflação seria contido, mas a dívida já impagável dos EUA aumentaria certo?


    Essa forma de incentivo poderia se mostrar equivocada quando os "investidores" notarem que precisarão do seu dinheiro "investido", no dia a dia?

    "E aí eles retirariam dinheiro dos EUA em manada? Isso é facilmente reversível por meio de ligeiros aumentos nos juros."

    O aumento dos juros, ao aumentar o valor da dívida já impagável dos EUA, não aumentaria a desconfiança de outros estados nacionais (Alemanha e China) e de alguns investidores acerca da capacidade de pagamento dos EUA?


    Isso não comprovaria que a situação atual dos EUA não e tão boa como se diz por ai?

    "Isso comprovaria que ela ainda pode melhorar, e muito."

    Melhorar antes de piorar?

    O que aconteceria com os EUA se os países detentores de grandes reservas em dólar resolvessem de uma ora para outra desfazer-se de grande parte delas?

    "As reservas deles estão em títulos do Tesouro americano. Logo, desfazerem-se das reservas significa que eles venderiam esses títulos mais barato, o que significa que os juros desses títulos subiriam. Automaticamente, todos voltariam a comprar esses títulos -- afinal, são do governo americano, e não de uma republiqueta bolivariana.

    Ou seja, no curto prazo, não há nenhuma chance de isso acontecer."

    Eu não tenho tanta certeza de que TODOS voltariam a comprar esses títulos, afinal a dívida dos EUA está só aumentando e ele ainda tem alguns problemas a resolver: enxugar a liquidez por ele provocada e descobrir o quanto a economia americana está dependente de juro zero, afinal, ninguém consegue prever, muito menos evitar, investimentos equivocados bem como excessos, quando o capital não tem custo, pois neste caso quase todo investimento é viável, inclusive o do xisto em que se gastou altas quantias.
  • Leandro  04/09/2015 21:36
    "O risco de inflação seria contido, mas a dívida já impagável dos EUA aumentaria certo?"

    Se os juros aumentarem exorbitantemente, sim. Mas não há nenhuma tendência de isso acontecer. Não no curto prazo. O dólar está forte, a expansão do crédito está contida, e os produtos chineses (por causa da desvalorização do renminbi) ficaram ainda mais baratos para os americanos (em mais um exemplo clássico de como a desvalorização prejudica os nativos e beneficia os estrangeiros).

    Adicionalmente, com este recurso inédito de pagar juros sobre as reservas em excesso, qualquer aumento ínfimo dos juros já terá um efeito forte sobre a expansão do crédito.

    Não há nenhum indício de que haverá necessidade de aumentos substantivos de juros nos EUA no curto prazo (sorte a nossa). O máximo da discussão ali é se devem aumentar de 0,25% para 0,50%.

    "O aumento dos juros, ao aumentar o valor da dívida já impagável dos EUA, não aumentaria a desconfiança de outros estados nacionais (Alemanha e China) e de alguns investidores acerca da capacidade de pagamento dos EUA?"

    Como dito acima, os juros indo de 0,25% para 0,50% não alteram nada.

    "Eu não tenho tanta certeza de que TODOS voltariam a comprar esses títulos, afinal a dívida dos EUA está só aumentando e ele ainda tem alguns problemas a resolver:"

    As dívidas de todos os governos só fazem aumentar (uma conseqüência inexorável do estado assistencialista). A corrida é para o fundo do poço, mas, nesta corrida, americanos e alemães sempre estão (na ótica do mercado) lá atrás.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  05/09/2015 01:42
    Uma coisa ridícula sem fim: elegem pessoas que sabem ou deveriam saber que não são as mais capacitadas(inclusive, com histórico negativo) e, depois, ficam reclamando. É como diz o ditado: "Não adianta chorar o leite derramado". Nesse caso, seria: "Não adianta tentar valorizar o real a US$ 30,00".
  • Marconi  06/09/2015 03:58
    Leandro/Ulrich,

    essas compromissadas me assustaram.. Essas engenharias financeiras permitem tudo!

    Pelo que entendi, essa é uma maneira de subir os juros só para os banqueiros! E ainda aumenta a quantidade de dinheiro na economia, a medida q os títulos são recomprados pelo BC, correto?

    É sim inconstitucional, pois o BC vai pagar (com dinheiro emitido do nada) juros - ao vender os títulos com compromisso de recompra -, que deveriam ter sido pagos pelo tesouro.

    Vou reler o texto.. essas coisas são muito confusas.
  • Leandro  06/09/2015 18:15
    "Pelo que entendi, essa é uma maneira de subir os juros só para os banqueiros! E ainda aumenta a quantidade de dinheiro na economia, a medida q os títulos são recomprados pelo BC, correto?"

    Aumenta a quantidade de dinheiro nas reservas bancárias, mas não necessariamente na economia. Para ir para a economia, os bancos têm de emprestar esse dinheiro.

    "É sim inconstitucional, pois o BC vai pagar (com dinheiro emitido do nada) juros - ao vender os títulos com compromisso de recompra -, que deveriam ter sido pagos pelo tesouro."

    Uma maneira de reduzir essa esculhambação e forçar o BC a agir com mais transparência é permitindo a livre circulação de moedas.

    E uma maneira de acabar por completo com essa esculhambação é implantando um Currency Board.

    Sem um dos dois, nada feito.
  • Joaquim Saad  06/09/2015 19:18
    Leandro,
    Como fica o cálculo do PIB numa economia c/ oferta estanque de moeda (como num CB qdo as exportações estivessem iguais às importações) ?
    O Pib fica sempre cte ?
    A deflação passa a ser a medida da saúde da economia ?
    Ou a medição física de cada setor é que deve ser considerada ?

  • Leandro  06/09/2015 20:39
    Só para deixar claro, em um arranjo de Currency Board a oferta monetária não é estanque. Os bancos, por meio do processo de reservas fracionárias, continuam criando meios de pagamento normalmente.

    Sobre o cálculo do PIB sob uma oferta monetária constante, ele continuaria sendo feito exatamente como é hoje; só que, como provavelmente haveria deflação de preços, o deflator utilizado será um número maior que zero e menor que 1, de modo que o PIB nominal, ao ser dividido por esse deflator, gerará um PIB real ainda maior.

    Por exemplo, se houve uma deflação de preços de 3% e o PIB nominal foi 100, então o PIB real será 100/0,97 = 103,1.
  • Joaquim Saad  07/09/2015 12:49
    Leandro,

    Tinha me esquecido de elencar a característica de reservas bancárias integrais em minha pergunta sobre cálculo de PIB numa economia onde a oferta monetária fosse sempre constante.
    Neste caso, penso que o PIB também nunca iria se alterar em termos financeiros, e que então a deflação de preços passaria a ser a medida do crescimento da economia.

    Só que como os preços também poderiam cair não apenas devido a uma maior disponibilidade de bens e serviços (p/ um mesmo volume de moeda em circulação) mas igualmente devido a um eventual aumento no entesouramento de dinheiro pela sociedade, a maneira mais adequada de se aferir o equivalente ao PIB monetário (e suas variações anuais) seria a medição física das quantidades produzidas por cada setor (recolocando o dinheiro de volta à função de meio de troca e de reserva de riqueza) ?

    Afinal, o "problema" dessa contabilização iria se verificar num sistema monetário sem reservas fracionárias totalmente lastreado por exemplo em ouro, o qual c/ o tempo poderia atingir uma taxa de mineração próxima a zero, configurando na prática uma situação muito próxima ao arranjo de quantidade fixa de moeda...

  • Thiago Teixeira  06/09/2015 16:13
    Leandro,
    tem algum austríaco que manje sobre as bolsas americanas? Gostaria que voce indicasse, pode ser em ingles mesmo.
    O Ricardo Amorim falou que prevê uma quebra em no máximo 12 meses. Pode ser esse o início do derretimento do dólar?
    .
    Outro ponto: Joaquim Levy pode renunciar.
    Fernando,
    neste cenário, o que ocorreria com o Brasil? Mais desvalorização do Real? Queda da avaliação das agencias de risco? Intensificação da fuga de capitais?
    .
    Para fechar:
    percebi que vocês não estão recomendando Euros. Mas ele não está valorizando mais que o dólar?
    O dólar está em uma pressão deflacionária, devido ao que o Leandro citou (pagamento de juros sobre as reservas bancarias no Fed alem do compulsorio), e por outro lado em pressão inflacionária, com os juros ridiculamente baixos. Isso eu entendo.
    Não sei porque o euro está valorizando, até mais que o dólar, e se esse fenomeno tem base sólida.
    E, repito, gostaria de saber por que voces não estão recomendando.
  • Equipe IMB  06/09/2015 16:17
    Prezado Thiago, nós nunca recomendamos nada. Vai contra o nosso estatuto. Não somos um fundo de investimento, mas sim um instituto voltado para a divulgação de idéias. Por favor, não confunda nada do que é dito aqui com "recomendação de investimento".

    Quanto ao euro, enquanto a Alemanha tiver voz no modelo, não há chance de a moeda ser desfeita.
  • Thiago Teixeira  06/09/2015 20:34
    Perdão. Sabia dessa restrição no estatuto, mas fiquei confuso depois do seguinte comentário:
    "Marcelo 03/09/2015 21:56:58

    O canal está aberto. Qualquer um é livre para discutir sobre investimentos aqui."

    E poderia dizer que a pergunta sobre recomentação de Euros não era destinada especificamente à equipe do site. Observem que usei um "vocês" bem genérico. O primeiro pedido de sugestão e a segunda dúvida foram direcionadas ao Leandro e ao Ulrich, a dúvida sobre o euro a ninguem específico.


    De qualquer modo, obrigado pela resposta sobre o Euro.

    Mas você deu a mão, e eu quero também o pé, hehehe, estão havendo pressões inflacionárias no Euro? Deflacionárias? Ou a "deflação relativa" (valorização cambial) do Euro sobre o Dólar é a repercussão de um euro "estável" versus dólar mais expansionista?

    E me mantenho aguardando a resposta do Leandro e do Ulrich. Fim de semana, emendado em feriado, hehehe, deixa eu ter paciencia.

  • Joaquim Saad  06/09/2015 16:44
    Marconi,

    Entendo que ao final de cada exercício fiscal os lucros e os prejuízos do BC (incluindo pgto de juros no resgate das vendas compromissadas de papeis públicos) são repassados ao Tesouro, que por sua vez fica em desvantagem quando transferi títulos à autoridade monetária sem contrapartida financeira, dinheiro que de outra forma (i.e. financiamento direto pelo Bacen - teoricamente proibido - ou pelos bancos comerciais) estaria disponível p/ ser utilizado em qq tipo de gasto do governo.

    Recentemente parece até que o Tesouro resolveu aceitar taxas maiores nos leilões primários a fim de absorver esse passivo que o BC vinha acumulando c/ as compromissadas p/ subir a SELIC (https://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/268746/Informe_Revis%C3%A3o_PAF_2015.pdf/f05e1ec1-f0e5-4e6c-b0ac-58605918064e).
    Assim, o Tesouro passa então a receber de fato a "monetização" da dívida que vinha sendo forçado a emitir "de graça" em favor do BC, o que deve aumentar ainda mais o já considerável saldo em sua conta na autoridade monetária.

    Quanto à CF88, interessante notar a aparente esquizofrenia entre os §'s 1º e 2º de seu Art. 164...

    []'s
  • Gabriel  14/10/2015 05:52
    Também já tinha me chamado atenção essa aparente contradição entre o § 1º e § 2º do art. 164, isso porque o Banco Central faz a sua politica monetária negociando títulos emitidos para financiar o Governo.

    Mas nesse caso que estamos vendo hoje eu acredito que o ponto nevrálgico seja a destinação dada pelo Banco Central aos recursos arrecadados via operações compromissadas com aqueles títulos repassados "de graça" pelo Tesouro Nacional.

    Isso porque o Banco Central cria e destrói moeda, desse modo se o Banco Central estiver destruindo a "moeda" captada do sistema financeiro via operações compromissadas eu não vejo muito problema (pelo menos dos males o menor), pois de fato o Banco Central vai estar apenas mantendo a taxa de juros na meta do Governo, e não financiando este (o Governo). Apesar que isso me parece não fazer muito sentido, pois o Banco Central iria atuar para manter a taxa de juros artificialmente alta quando o normal seria ela abaixar "naturalmente".

    Mas eu confesso que não consigo acreditar que o Banco Central esteja destruindo essa moeda captada do sistema financeiro, ele só pode estar repassando isso de alguma maneira para recompor o caixa do Tesouro Nacional que foi desfalcado com a necessidade de amortização da dívida.
  • Marcelo  06/09/2015 18:05
    Alguem poderia explicar o motivo pelo qual a SELIC representa o custo anual da divida bruta? Não consigo imaginar como ela afeta as despesas do governo em relação aos titulos já emitidos.
  • Leandro  06/09/2015 18:22
    E de fato não representa. Quem fala isso está desinformado.

    Alterações na SELIC, por si só, não "aumentam a dívida pública", como boa parte da imprensa costuma dizer.

    O correto é dizer que aumentos da SELIC "encarecem o serviço da dívida", e por dois simples motivos:

    1) há títulos (LFTs) que são reajustados pelo valor da SELIC;

    2) há emissões quase que diárias de títulos; sendo assim, quanto maiores os juros, mais caro o serviço da dívida a ser paga sobre esses novos títulos emitidos.

    De resto, alterações na SELIC hoje não afetam todo o resto da dívida já contraída no passado.
  • Gustavo  06/09/2015 19:41
    Então esse trecho está incorreto ou os 14% não se referem à SELIC?

    "Adicione a essa montanha de dívida um custo de mais de 14% ao ano e temos como resultado um gasto com juros colossal, na ordem de R$ 451 bilhões no último ano, ou 8% do PIB, um patamar que não era alcançado desde 2003."
  • Leandro  06/09/2015 20:35
    Não se referem à Selic.

    Em dezembro de 2014, o total da dívida pública em posição de carteira no mercado era de R$ 2,183 trilhões (série número 4154 das "séries temporais" do site do Banco Central).

    Já os gastos totais do governo, também em 2014, apenas com o serviço da dívida (juros e encargos da dívida mais amortizações) foram de R$ 361,1 bilhões.

    Isso dava um total de 16,5% (sendo que a Selic fechou aquele ano em 11,75%).

    Não estou informado sobre os dados previstos para 2015.

  • Juliana  07/09/2015 03:00
    Nesse caso, eu penso que seria melhor falar da taxa de juros implícita da dívida líquida do setor público. Só que o total dos juros pagos no total no ano de 2014 — de acordo com o próprio Banco Central — foi até maior que esses 16,5%, tendo sido de 19,3% no acumulado do ano. Talvez essa diferença se dê porque além de serem levados em conta os repasses para o BNDES e para a CEF, também são consideradas a Petrobras e a Eletrobras. (Neste arquivo, tem duas planilhas do Excel que estão compactadas, e em uma está a série histórica da taxa de juros implícita no acumulado de doze meses, e na outra, a mesma série paga em cada mês. Eu tentei colocar as duas planilhas separadas aqui, mas não fui muito bem sucedida nesse propósito. Mas, apesar de não estarem tão à mão, vale a pena vê-las pois elas mostram perfeitamente bem, se considerarmos que a taxa de juros implícita mostra onde a Selic deveria estar para que a disparidade dos créditos no Brasil (o 'livre' e o 'direcionado') pudesse ser compensada, o quanto que é setor privado quem paga toda a conta pelo estatal.)

    Mudando de assunto, o cenário está se desenhando para um ajuste mais "radical" do que tem sido. Não tem muito mais espaço para aumento de impostos, e nem para reduções nos gastos do governo, pelo menos da forma como têm sido feitas. Uma hora esse pessoal vai ver que não tem mais para onde correr, e que tem que privatizar algumas coisas, tem que tirar a presidente, etc. Quanto mais se resiste a essas ideias, mais as coisas pioram.

    Quanto ao artigo, sinceramente eu não achei que ele foi dos mais fáceis de se assimilar, mas ficou muito bom. Cabiam umas notas explicando algumas coisas, e uns hiperlinks a mais também, para que o desenrolar fosse mais amigável com pessoas avulsas que estão interessadas no assunto. Mas aí o artigo iria ficar muito maior do que foi, então talvez tenha sido melhor assim. Eu gosto muito de utilizar o buscador do Google, mas como eu sou bastante lenta, isso só atrasa ainda mais o meu já atravancado entendimento. Mas não estou reclamando. Pelo contrário, e considerando que o assunto é obscuro mesmo e que não tem como ser mais completo ou claro que isso, estou justamente dizendo que o artigo ficou ótimo.

    Abraços!
  • Joaquim Saad  09/09/2015 00:13
    Juliana,

    A taxa de 16,5% calculada pelo Leandro refere-se à relação acumulada ao final de 2014 entre 1) o somatório (R$ 361.102.778.566,97) das despesas nominais (desatualizadas) c/ juros (R$ 170.350.506.798,41) e c/ amortizações (R$ 190.752.271.768,56) da dívida, e 2) a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi = R$ 2,183 bilhões = Dívida Mobiliária do Tesouro Nacional + Dívidas Securitizadas & Títulos da Dívida Agrária\TDA).

    Já os 19,3% naquela planilha do BC provavelmente se referem à relação entre os gastos acima e toda a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP = R$ 1.883.146.985.168,07) no término do ano passado, o que resulta numa taxa de 19,18%, bem próxima ao valor informado.

    Vale lembrar que, além de incluir de um lado os créditos do Governo Geral (em especial suas disponibilidades no Bacen e os "ativos" junto ao BNDES) e de outro os títulos emitidos pelo Tesouro em poder da autoridade monetária (carteira livre + papeis já empenhados em vendas compromissadas), a DLSP desde 2008 passou também a desconsiderar tanto Petrobrás quanto Eletrobrás (provavelmente p/ não causar rebaixamento de rating do Brasil já naquele ano por conta da mega capitalização da primeira dessas estatais no âmbito do pré-sal !).

    Assim, uma maior "taxa" computada nestes moldes (i.e. configurando uma simples divisão, pelo estoque da dívida "líquida", do total dispendido não só c/ juros mas principalmente também c/ amortizações) não necessariamente equivaleria a algo ruim, pois poderia significar uma redução do saldo devedor do governo. infelizmente, no entanto, no caso brasileiro o aumento dessa taxa sempre acaba se dando devido ao efeito aparente de diminuição da dívida obtido puramente por arranjos contábeis na forma de se definir qual é o somatório dos débitos no qual se baseia a "conta" da taxa...

    Espero ter ajudado, pois creio que já haviam "apagado as luzes" dos debates em torno deste artigo do Ulrich.

    Att.
  • Juliana  09/09/2015 15:40
    Ah, Joaquim, muito obrigada! Foi realmente ótimo o seu esclarecimento.

    De fato eu estava estava estabelecendo uma relação diferente (e errada), onde essa taxa implícita seria calculada pela diferença entre 1) os juros que o governo paga pelos títulos mais as amortizações e, 2) os ativos do governo nas estatais (BNDES, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, e outros). Como a rentabilidade das estatais não consegue ser maior que o total dos encargos da dívida pública, essa diferença, esse custo das estatais, seria calculado como juros implícitos. Mas está muito mais correto assim como você explicou.

    Mais uma vez, muito obrigada!

    Grande abraço!
  • Guilherme  09/09/2015 01:06
    Lamento informar aos missivistas que, como assinante da revista Visão, já vi este filme. Como afirmava Henry Maksoud, o Brasil não tinha capacidade para ter moeda própria. Granjeou inimigos por isso. Em breve o novo salário mínimo vai fazer o seu trabalho como indexador, fazendo a inflação passar a ter dois dígitos. Logo após vem a grita por aumento, e virá, é chamado "abono", que será incorporado. A hiperinflação não é questão de anos, mas de meses.
  • Erick  09/09/2015 18:13
    Qual a melhor maneira de se proteger contra esse lixo chamado Real? Qual é uma estratégia para quem aposta que ele vai para o esgoto? Investir em fundo cambial?

    Grato
  • Joaquim Saad  09/09/2015 19:28
    Manter-se constantemente posicionado em mini-dolar, ora comprado, ora também comprado (pois nestes tempos praticamente não se espera tendência de baixa contra o real...), numa qtd de contratos suficientemente grande p/ hedgear boa parte do patrimônio total (incluindo imóveis), aproveitando-se da alavancagem (4x) normalmente propiciada por este contrato, além do fato de se poder colocar títulos públicos como margem p/ operá-lo (reduzindo assim o estrago inflacionário que de outra forma seria causado em garantias constituídas em dinheiro).

    Mas isto requer acompanhamento constante, sem falar na enorme chance de se incorrer em seguidos prejuízos tentando adivinhar a tendência de uma moeda em relação à outra, especialmente nos imprevisíveis momentos em que resolverem ficar andando de lado.
    Além também do fato de se requerer um financeiro (monetário ou o equivalente em papeis do Tesouro) da ordem de uns 25% do valor de todos os bens que se quer proteger...

    Os fundos cambiais são "long-only" (i.e. somente operam comprados, ou seja, a favor da desvalorização do real), de modo que caso aconteça uma virada na tendência (por ex, se dentro de algum tempo a Índia resolvesse - e lograsse - contribuir c/ um grande aumento nas exportações de commodities do Brasil, o qual pelo jeito só consegue mesmo produzir pedra e banana; ou então o dólar enfrentasse uma grande inflação, ainda maior do que a daqui !), eles (os fundos) sofreriam constante queda (como ocorreu no governo Lula).

    Enfim, tamo fu...
  • Rhyan  11/09/2015 06:24
    Esse artigo merece ganhar um prêmio!

    Mas é certo considerar a necessidade de refinanciamento da dívida como um item que se acrescente ao déficit público? Não consigo ver isso como um "verdadeiro déficit" pois o governo paga uma dívida criando outra.

    Obrigado,
    Abraço!
  • patricio  25/09/2015 01:14
    Só em falar que o mercado parou de considerar a div líquida já é sintomático. Não tem como saber o custo pro tesouro das operações com o bndes.Isto ainda não vai acabar bem.
  • Henrique  28/09/2015 17:55
    Alguém consegue me explicar a diferença entre Necessidade de Financiamento do Setor Público e a Dívida Bruta Total?

    Tem vezes que parecem ser sinônimos, outras vezes não.

    Grato.
  • Professor  28/09/2015 18:31
    Dívida bruta total = total da dívida do governo, sem nenhum tipo de firulas.

    NFSP = déficits = quanto que o governo tem de arrecadar via emissão de títulos para fechar suas contas (dentre as quais estão o pagamento de juros da dívida).
  • Henrique  28/09/2015 18:37
    Erro meu, me confundi com os termos.

    A diferença que não entendi é entre NFSP e déficit nominal.

    São a mesma coisa?
  • Gabriel  14/10/2015 03:51
    Olá, gostaria que o Fernando, Leandro ou quem compreenda bem essa interação entre Banco Central e Tesouro Nacional me respondesse uma dúvida sobre essa questão operações compromissadas-financiamento indireto do Tesouro Nacional.

    A situação colocada pelo artigo é a seguinte:

    1) Os agentes econômicos não tem absorvido todos os títulos públicos ofertados em leilão pelo Tesouro Nacional.

    2) Consequentemente isso faz com que o Governo tenha dificuldades em rolar a dívida e acabe tendo que fazer uma "amortização forçada" da dívida, utilizando recursos próprios (do caixa do Tesouro) para amortiza-lá.

    3) Essa amortização acaba gerando uma liquidez no sistema financeiro, o que influencia na taxa de juros.

    4) Para manter a taxa de juros na meta do Governo, o Tesouro repassa títulos públicos (a título não oneroso) para o Banco Central para que ele possa realizar as operações compromissadas, mantendo a taxa SELIC na meta.

    5) E no cenário atual que nos encontramos essas operações compromissadas representam cerca de R$ 1 trilhão da dívida pública, valor que em 2006 representava 3% do PIB e hoje chega a picos de quase 17%.


    Mas agora vem o meu questionamento, que persiste apesar de eu ter lido o artigo e também as resposta (especialmente as respostas aos questionamentos do Joaquim Saad).

    Antes de fazer a pergunta eu apenas gostaria de fazer umas observações minhas analisando essa questão, quando o Governo não consegue passar todos os títulos públicos que oferta para os agentes econômicos ele acaba sofrendo um desfalque no seu caixa, o que pelo menos em tese deveria causar significativos problemas para o Governo e, também em tese, seria uma limitação ao continuo financiamento do Governo, uma vez que não havendo compra de títulos públicos diretamente pelo Banco Central o limite de financiamento do Governo seria a vontade e predisposição do mercado financeiro em emprestar dinheiro ao Governo, e no caso de o mercado financeiro não aceitar mais rolar a dívida do Governo haveria o que eu chamei acima de "amortização forçada" da dívida.

    A minha dúvida é se o Banco Central, em hipótese alguma, está repassando o valor arrecadado com as operações compromissadas (realizadas com os títulos públicos repassados de forma não onerosa pelo Tesouro) para o Tesouro, para recompor o caixa do Tesouro que havia sido desfalcado pela "amortização forçada".

    Eu digo isso porque o Banco Central cria e destrói moeda, dai perguntando de uma maneira clara e objetiva:

    O valor arrecadado pelo Banco Central com as operações compromissadas é destruído ou é repassado de alguma maneira ao Tesouro Nacional (talvez alocando esses recursos na conta única do Tesouro Nacional, que curiosamente fica junto ao próprio Banco Central)?

    Pois eu confesso que por mais esquizofrênico que esse Governo seja, eu não acredito que ele esteja repassando essa quantia vultuosa de títulos públicos, que chegam a R$ 1 trilhão, apenas para manter a taxa de juros na meta tendo em vista a maior liquidez gerada no sistema pela "amortização forçada" decorrente da não absorção dos títulos públicos pelos agentes econômicos.

    Desculpem o texto enorme, mas é que essa situação está me intrigando demais e eu acredito que o Governo está utilizando de algum subterfugio para disponibilizar esses recursos ao Tesouro Nacional (e particularmente eu acho que isso é realizado via conta única do tesouro).
  • Leandro  14/10/2015 11:26
    "A minha dúvida é se o Banco Central, em hipótese alguma, está repassando o valor arrecadado com as operações compromissadas (realizadas com os títulos públicos repassados de forma não onerosa pelo Tesouro) para o Tesouro, para recompor o caixa do Tesouro que havia sido desfalcado pela "amortização forçada"."

    Todo eventual lucro do Banco Central é repassado ao Tesouro. Se o BC estiver obtendo lucro com estas operações, então este lucro será integralmente repassado ao Tesouro.

    Veja um exemplo prático aqui:

    g1.globo.com/economia/noticia/2015/08/banco-central-registra-lucro-de-r-352-bilhoes-no-primeiro-semestre.html
  • Gabriel  14/10/2015 16:14
    Olá Leandro, obrigado pela resposta. Eu até já tinha visto essa "distribuição de lucros" do BC em favor do Tesouro Nacional, o problema é que ainda que haja essa distribuição a conta me parece não fechar.

    Digo isso porque, no exemplo da reportagem, a distribuição dos lucros não deve cobrir nem de perto o desfalque causado no caixa do Tesouro pela "amortização forçada", portanto o problema do Tesouro continuaria.

    Eu tenho desconfiado que essa "distribuição de lucros" do Banco Central para o Tesouro é algo meramente contábil, pois os valores levantados via operações compromissadas são disponibilizados ao Tesouro na Conta Única junto ao Banco Central.

    Por isso eu gostaria de saber, na prática, onde são alocados os recursos levantados nas operações compromissadas realizadas pelo Banco Central.

    Eu não acredito que o Governo esteja empurrando 1 trilhão e títulos públicos para o Banco Central apenas com o objetivo de controlar a taxa de juros, isso porque o problema principal, que é o desfalque no caixa do tesouro, persisti.

    Por isso eu ainda não consegui compreender toda essa operação, a conta parece não fechar.
  • Leandro  14/10/2015 17:08
    "Digo isso porque, no exemplo da reportagem, a distribuição dos lucros não deve cobrir nem de perto o desfalque causado no caixa do Tesouro pela "amortização forçada", portanto o problema do Tesouro continuaria."

    Correto. Nem de longe cobre o desfalque. E é por isso que o déficit nominal só faz aumentar.

    Estamos em um ciclo vicioso: a subida dos juros encarece o serviço da dívida (como há emissões quase que diárias de títulos, quanto maiores os juros, maior o serviço da dívida a ser paga sobre esses novos títulos emitidos); consequentemente, o Tesouro tem de se endividar (lançar mais títulos) apenas para pagar o serviço da dívida; consequentemente, a dívida do governo aumenta.

    Consequentemente, a relação dívida/PIB, já alta, se deteriora ainda mais; consequentemente, o risco-país aumenta e o grau de investimento da Moody's e da Fitch ficam ainda mais em risco. E tudo isso gera ainda mais desvalorização cambial, o que pressiona ainda mais inflação de preços.

    "Eu tenho desconfiado que essa "distribuição de lucros" do Banco Central para o Tesouro é algo meramente contábil, pois os valores levantados via operações compromissadas são disponibilizados ao Tesouro na Conta Única junto ao Banco Central."

    Isso é imaterial. Trata-se de um dinheiro que está entrando no caixa do Tesouro. Contabilmente, ele poderia ser oriundo de impostos, e o efeito seria o mesmo.

    "Por isso eu gostaria de saber, na prática, onde são alocados os recursos levantados nas operações compromissadas realizadas pelo Banco Central."

    O BC cria dinheiro para comprar títulos em posse do sistema bancário. Ao fazer isso, as reservas bancárias aumentam.

    Inversamente, o BC vende títulos para os bancos. Ao fazer isso, as reservas bancárias diminuem.

    Se, ao final de um ano, o BC tiver tido mais ganhos do que perdas, esse dinheiro é transferido ao Tesouro. Se o BC tiver tido mais perdas do que ganhos, o Tesouro tem de cobrir o BC.

    [i]"Eu não acredito que o Governo esteja empurrando 1 trilhão de títulos públicos para o Banco Central apenas com o objetivo de controlar a taxa de juros, isso porque o problema principal, que é o desfalque no caixa do tesouro, persisti."


    Esse R$ 1 trilhão é composto majoritariamente por operações compromissadas, nas quais o BC tem compra títulos dos bancos, mas os bancos têm a obrigação de recomprá-los mais tarde.

    No que mais, esse valor de R$ 1 trilhão é o resultado de um acúmulo que vem desde julho de 1994. Isso não aconteceu de um mês para o outro.

    "Por isso eu ainda não consegui compreender toda essa operação, a conta parece não fechar."

    A conta de fato não fecha, e é por isso que o déficit nominal só faz subir.
  • Fernando  14/10/2015 17:23
  • Joaquim Saad  15/10/2015 16:30
    Acho que existe um aspecto crucial e pouco notado nesta dinâmica de financiamento dos déficits governamentais: a SELIC acaba representando não apenas um piso, mas também simultaneamente um teto p/ as taxas de juros interbancárias, as quais o BC impede que aumentem acima da meta pré-estabelecida, mesmo nos períodos em que a SELIC vai sendo elevada a cada reunião do CoPom.

    Tal fato, associado às imposições da LRF vedando emissões de títulos próprios do BC e obrigando-o a utilizar-se exclusivamente de papeis federais p/ controlar as taxas de juros, acaba na prática garantindo que o governo sempre será financiado indiretamente pela autoridade monetária, bastando apenas que o Tesouro aceite taxas um pouco maiores nos leilões p/ que os bancos comerciais então comprem os títulos no mercado primário sabendo que poderão revendê-los logo em seguida ao BC no mercado secundário a uma taxa um pouco menor (preço maior) e lucrando c/ esse spread, independentemente da deterioração da situação fiscal do devedor.
    Este arranjo fatalmente desemboca em (hiper-)inflação, mas nunca em calote (o que daria no mesmo, já que receber de volta um dinheiro que vale cada vez menos equivale a receber apenas uma parte do principal, mas em uma moeda c/ um poder de compra protegido).

    Outro pto a se lembrar referente às vendas compromissadas pelo BC é que o estoque dessas operações teve um enorme crescimento nos últimos dez anos principalmente por conta da esterilização dos reais criados pela autoridade monetária p/ comprar os dólares das exportações exuberantes de commodities p/ China e outros países.
  • Gabriel  16/10/2015 19:45
    Até porque para os Bancos também não é nem um pouco interessante que haja um calote, então eles vão enrolando e enrolando.

    Porém se, por algum motivo, eles passarem a se recusar em rolar a dívida do Governo, ai a coisa vai complicar de vez.

    Eu particularmente já não consigo entender como o Governo está conseguindo segurar esses "mini calotes" causados pela dificuldade na rolagem da dívida, agora um calote total ai iria complicar também os próprios bancos.

    Tem um artigo aqui no IMB que fala sobre como foi criada a crise de 2008, e o sistema é muito parecido com o sistema de financiamento do Governo/atuação do Banco Central.
  • Joaquim Saad  16/10/2015 21:48
    O governo vem mantendo ao menos há uma década um enorme saldo em sua conta no BC (aprox. 30% da DLSP), inclusive p/ dar uma melhor impressão aos credores quanto à sua capacidade de honrar resgates da dívida (tanto vincendos, como principalmente os antecipados).
    A dificuldade de venda de papeis federais nos leilões ocorreu durante o ano passado e consistiu numa tentativa do Tesouro de impedir ou minimizar uma elevação nas taxas de juros daquele mercado (primário), estratégia pelo visto abortada por volta de Out/2014 (decisão formalizada à típica maneira estatal bem cínica e disfarçada: https://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/268746/Informe_Revis%C3%A3o_PAF_2015.pdf/f05e1ec1-f0e5-4e6c-b0ac-58605918064e) já que os bancos comerciais insistiram c/ sucesso na obtenção de um retorno maior comprando diretamente do BC naquele período os títulos de responsabilidade do governo, pois a autoridade monetária estava publicamente comprometida em aumentar a SELIC.
  • Gabriel  18/10/2015 21:55
    Obrigado Joaquim, esse saldo no caixa do Tesouro (que eu fui pesquisar e chamam de "colchão de liquidez") explica o porque essa dificuldade na rolagem da dívida não está criando um problema de caixa na conta do Tesouro, há uma "reserva de contingência" que cobre o rombo no caixa até que os novos títulos sejam absorvidos.

    E aliado a isso, aquilo que você citou acima sobre o fato do aumento das operações compromissadas decorrerem do aumento da liquidez causado pelo aumento das reservas internacionais explicaria tudo.

    Mas então boa parte dos títulos em posse do Banco Central não poderiam ser considerados na dívida bruta do Governo, pois eles são emitidos a título não oneroso para o BC e são "resgatados" pelo Tesouro também sem nenhum ônus financeiro. Ele pode gerar ônus na relação BC/Bancos, entretanto em relação ao Tesouro não há qualquer ônus, e como o BC monetiza a sua dívida não seria relevante para o caixa do Tesouro.
  • Joaquim Saad  19/10/2015 00:38
    Os títulos de responsabilidade do Tesouro disponíveis na carteira livre do BC (i.e. que não estejam lastreando vendas compromissadas de papeis federais pela autoridade monetária) não entram no cômputo da chamada Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), sendo apenas considerados na Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) a qual porém também leva em conta os abatimentos tanto daquele saldo financeiro do governo no BaCen como adicionalmente outros "créditos" bem questionáveis (principalmente aqueles em haver c/ o BNDES), além de surpreendentemente ignorar a dívida da Petrobras e da Eletrobras (atualmente em uns R$500 bi ou mais) !

    Penso que a tal carteira livre do BC configura sim um montante que deve ser refletido em algum indicador adequado do endividamento público, pois pode representar dinheiro efetivamente emitido já que nela não há distinção entre os papeis públicos recebidos do Tesouro sem contrapartida financeira e aqueles comprados dos bancos pela autoridade monetária em eventuais expansões de moeda p/ manter ou reduzir a SELIC.

    obs: sobre teu comentário anterior acerca do interesse das instituições financeiras em evitar um calote do governo, entendo que seria um fator possivelmente importante favorável à colocação dos títulos nos leilões do Tesouro mas apenas até algum limite estabelecido pelos bancos em um determinado percentual conservativo de suas respectivas reservas, posto que segundo o próprio site do BC elas são imediatamente "consumidas" nas aquisições de papeis públicos, operações que são efetivadas c/ Liquidação Bruta em Tempo Real (LBTR) no âmbito do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), de modo que talvez não houvesse tempo hábil p/ o governo transferir de volta ao sistema bancário (em um verdadeiro circuito fechado entre ambos) o financeiro recebido deste em pgto pelos títulos e assim impedir que os bancos ficassem momentaneamente sem saldo p/ honrar as milhões de transferências inter-instituições (bem como saques) ocorrendo diariamente a todo instante, caso o BC não estivesse comprometido em manter um teto p/ a taxa básica de juros e na prática assumir então a função de comprador compulsório (e imediato) de papeis necessária p/ eliminar tais riscos de esgotamento de reservas bancárias.
  • Gabriel  14/10/2015 18:18
    Desculpe em insistir no assunto, mas é curioso como cada vez mais parece ter alguma variável nesse sistema que ainda não foi trazida ao debate.

    Isso porque o mercado não absorve os títulos públicos de rolagem da dívida, esses títulos vão para o BC pura e simplesmente para controlar a taxa de juros, e o tesouro fica com um desfalque no caixa.

    Esse desfalque no caixa do tesouro que não é coberto pelo BC aumenta o déficit nominal, só que para "fechar a conta" desse déficit nominal o governo precisa emitir títulos.

    Dai que vem mais uma dúvida, se o Tesouro teve um desfalque em caixa porque o mercado não absorveu todos os títulos públicos que foram disponibilizados, como o Tesouro vai emitir novos títulos públicos para cobrir esse desfalque em caixa que foi causado porque os títulos emitidos lá atrás já não tinham sido "aceitos" pelo mercado?

    Na verdade quando eu falei que a "conta não fecha", foi me referindo mais a essa situação onde a indisposição do mercado em carregar a dívida do Governo tem que ser financiada por esse mesmo mercado, o que na prática daria na mesma.

    Por isso eu acho que há alguma "engrenagem" a mais que faz funcionar esse "sistema".

    Por exemplo no caso Grécia, ela não conseguiu mais rolar a dívida porque os agentes econômicos não estavam mais dispostos em emprestar mais para eles, o que até esse ponto é uma situação parecida com a brasileira.

    Porém há uma diferença entre a Grécia e o Brasil, nós temos um Banco Central que emite moeda própria e a Grécia não.

    Me parece que a única explicação lógica é o Banco Central estar financiando de uma maneira muito bem camuflada o Tesouro Nacional, caso contrário como o Governo financia o déficit nominal se ele foi causado pela indisposição dos agentes econômicos em emprestar mais para o Governo? Sem perder de vista que os lucros do BC distribuídos ao Tesouro não cobrem esse "rombo".

    Mais uma vez desculpe se eu estou sendo chato insistindo nesse tema, mas é porque como eu disse me parece estar faltando alguma "engrenagem" para explicar esse "sistema.

    Inclusive eu até encaminhei uma pergunta ao Ministério da Fazenda (via lei de acesso à informação) questionando como (e se é que são) contabilizados no orçamento da União esses títulos emitidos "de graça" para o Banco Central pelo Tesouro Nacional.
  • Leandro  14/10/2015 19:16
    "o mercado não absorve os títulos públicos de rolagem da dívida, esses títulos vão para o BC pura e simplesmente para controlar a taxa de juros, e o tesouro fica com um desfalque no caixa."

    Correto.

    "Esse desfalque no caixa do tesouro que não é coberto pelo BC aumenta o déficit nominal, só que para "fechar a conta" desse déficit nominal o governo precisa emitir títulos."

    Correto.

    "Dai que vem mais uma dúvida, se o Tesouro teve um desfalque em caixa porque o mercado não absorveu todos os títulos públicos que foram disponibilizados, como o Tesouro vai emitir novos títulos públicos para cobrir esse desfalque em caixa que foi causado porque os títulos emitidos lá atrás já não tinham sido "aceitos" pelo mercado?"

    Aí o Tesouro terá de emitir novos títulos -- muito provavelmente no dia seguinte -- pagando taxas de juros maiores do que o inicialmente planejado.

    Se ele não conseguiu vender hoje todas as LTNs que vencem em janeiro de 2016 a 14,25% ao ano, então amanhã ele tentará vender, sei lá, uma LTN que vence em janeiro de 2017 a 16% ao ano. Ou uma NTNB que paga juros de 7,5% mais IPCA (o que, atualmente, rende 17%%).

    Ou seja, o Tesouro terá de vender títulos pré-fixados a juros maiores do que o inicialmente previsto. Sempre haverá uma taxa de juros que os investidores estarão dispostos a aceitar.

    Portanto, não tem conversa: o Tesouro terá, na próxima oportunidade, de vender outros títulos, a juros maiores. A conta terá de fechar.

    Você pode acompanhar as taxas diárias aqui.
  • Gabriel  14/10/2015 20:38
    Obrigado pela atenção Leandro, mas ainda parece haver algo nessa sistemática que está escondido, ou talvez esse Governo que tenha feito eu perder completamente a fé em qualquer ato que eles realizem.

    Pois veja só, o fato de o Tesouro ter que emitir novos títulos para cobrir o déficit nominal, que foi causado (pelo menos ficando adstrito apenas a situação sob análise) pela não absorção de títulos anteriores por parte dos agentes econômicos, anula a necessidade de se repassar títulos públicos "de graça" para o Banco Central controlar o aumento de liquidez, pois a amortização não vai gerar liquidez, uma vez que ela vai ser "anulada" pela emissão de novos títulos (mais vantajosos) para cobrir o déficit nominal, que vai retirar aquela liquidez que havia se verificado num primeiro momento com a amortização.

    Ou seja, a amortização pela não absorção dos títulos anteriores vai ser "anulada" com a emissão de novos títulos mais vantajosos para cobrir o déficit (que foi causado pela amortização).

    OBS: Veja como essa atuação do Tesouro mencionada acima é IDÊNTICA à atuação do Banco Central, colocando os títulos públicos ao mercado com juros maiores e prazos menores (no caso do BC via operações compromissadas).

    Mas ainda persiste a dúvida, como fica o Banco Central nessa história? Porque, pelo menos em tese, o Banco Central receber títulos públicos para retirar liquidez do mercado, concomitantemente com o Tesouro tendo que emitir novos títulos para cobrir aquele déficit nominal (causado pela amortização) vai apenas complicar ainda mais a vida do Tesouro, pois o Tesouro terá que emitir títulos a juros maiores do que se o Banco Central não estivesse intervindo.

    Dai que a conta parece ainda não fechar, pois se o Tesouro está conseguindo "reverter" aquele desfalque da amortização emitindo títulos mais vantajosos, porque continua o repasse tão significativo de títulos ao Banco Central? Oque em tese apenas faria com que o Tesouro tivesse que ofertar juros maiores do que se o Banco Central não tivesse retirado a liquidez do sistema financeiro.
  • Leandro  15/10/2015 01:37
    "o fato de o Tesouro ter que emitir novos títulos para cobrir o déficit nominal, que foi causado (pelo menos ficando adstrito apenas a situação sob análise) pela não absorção de títulos anteriores por parte dos agentes econômicos, anula a necessidade de se repassar títulos públicos "de graça" para o Banco Central controlar o aumento de liquidez, pois a amortização não vai gerar liquidez, uma vez que ela vai ser "anulada" pela emissão de novos títulos (mais vantajosos) para cobrir o déficit nominal, que vai retirar aquela liquidez que havia se verificado num primeiro momento com a amortização."

    Não. O repasse de títulos para o BC controlar o aumento da liquidez tem de ser imediato (caso contrário, a SELIC sai do lugar). Já os leilões futuros do Tesouro têm data marcada, e não são diários. Podem, em alguns casos, demorar até um mês.

    "Ou seja, a amortização pela não absorção dos títulos anteriores vai ser "anulada" com a emissão de novos títulos mais vantajosos para cobrir o déficit (que foi causado pela amortização)."

    Isso, como dito, pode levar alguns dias ou até meses. Até lá, a SELIC já saiu do lugar.

    Obviamente, nada disso seria um problema caso houvesse um Currency Board no lugar do banco Central, e não mais houvesse metas de inflação e nem metas para a SELIC. Mas como essa foi a opção de política econômica, então as consequências serão inevitáveis.
  • Gabriel  15/10/2015 04:28
    Então na hora que o Governo efetuou o novo leilão e cobriu aquele desfalque causado pela amortização, o BC necessariamente tem que liquidar a operação realizada com aquele título repassado para retirar liquidez do sistema, caso contrário a taxa de juros vai passar da meta. É isso que ocorre?

    Dai as coisas realmente parecem começar a se encaixar, pois o Governo amortiza a dívida e emite títulos em favor do BC apenas para controlar a taxa de juros, e ai no próximo leilão ele (o Tesouro) recompõe o caixa emitindo títulos mais vantajosos, entretanto tendo em vista que no novo leilão do Tesouro haverá uma diminuição de liquidez (pois o valor da amortização será "resgatado" pelo Governo) o Banco Central "liquida" aquela operação que ele havia realizado com os títulos recebidos após a amortização da dívida realizada pelo Governo.

    Então na realidade aqueles R$ 1,1 trilhão no Banco Central em última análise representam o tamanho do rombo no caixa do Governo causado pela dificuldade em rolar a dívida, ou seja a quantidade de títulos que ele precisa emitir no futuro (titulos mais vantajosos) para cobrir um rombo do passado (titulos que não foram absorvidos)?

    E ai vem uma questão de caixa mesmo, porque a arrecadação anual do Tesouro (sem contar operações de crédito) deve ser uns 1,3 trilhões. Ai vem a pergunta, como o Governo está segurando um rombo dessa magnitude no seu caixa até que consiga rolar a dívida que hoje chega a cerca de R$ 1,1 trilhão?

    Isso porque no período entre a amortização da dívida e a emissão de novos títulos (para cobrir aqueles que não foram aceitos) o Governo vai ter que possuir caixa para bancar o rombo, e ainda garantir que haja dinheiro para todas as outras obrigações.

    A não ser que haja alguém dando "cobertura" para o Tesouro nesse período.

  • Brenno  16/10/2015 19:50
    Gabriel e Leandro,

    Os senhores poderiam, por gentileza, me recomendar algum livro que explique como funciona a contabilidade do governo e que conceitos estes termos técnicos compreendem?

    Obrigado.
  • Gabriel  18/10/2015 22:14
    Olá Brenno, no meu caso todos esses termos e conceitos (e as relações de causa e efeito) eu aprendi lendo os artigos do IMB mesmo, e também pesquisando na internet outras questões. Eu confesso que acho incrível a didática do site, pois explicam muito bem a coisa toda e de uma maneira fácil de entender.

    Mas eu acho que os principais artigos para mim foram os que explicam o sistema bancário de reservas fracionárias, o que é a taxa SELIC, como o Banco Central faz sua politica monetária e o artigo que comenta como ocorreu a crise de 2008.

    Tendo bem essa base acho que tudo fica mais fácil de se compreender.
  • Gabriel  18/10/2015 23:41
    Obrigado Gabriel.

    Eu já li todos estes artigo que voce se referiu e mais um monte do site, extensivamente há diversos anos. A didática daqui é realmente sensacional e me mudou muito o conhecimento adquirido aqui. Mas não entendo de finanças públicas com a clareza que os senhores, mas acho que é só pesquisar mais mesmo a respeito dos termos mais técnicos que eu não domino muito.
  • Emerson Luis  15/12/2015 17:18

    "Mas o governo não aprendeu a lição e insistiu na política de crédito barato em 2013 e 2014. Era preciso concluir os investimentos necessários à Copa do Mundo, bem como agradar o eleitorado em ano de eleições. Felizmente, essa política parece ter cessado em 2015"

    Não foi tanto o caso de "não terem aprendido a lição", foi proposital.

    * * *

  • Ricardo  05/01/2016 13:56
    Notícia fresquinha falando exatamente sobre o assunto do artigo:

    Tesouro Nacional emite R$ 40 bilhões para Banco Central

    O Tesouro Nacional informou, nesta segunda-feira, que emitiu R$ 40 bilhões em títulos da União, sem contrapartida financeira, para o Banco Central (BC). Segundo nota divulgada pelo Ministério da Fazenda, a operação tem como objetivo manter a carteira do BC "em dimensões adequadas para a condução da política monetária".

    Na prática, a emissão foi mais uma etapa no processo de pagamento das pedaladas fiscais (atrasos nos repasses de recursos do Tesouro para bancos públicos e para o FGTS). Como a União quitou todas essas dívidas, num montante de R$ 72,4 bilhões, em dezembro, os bancos passaram a ter mais dinheiro em caixa, o que tende a aumentar a liquidez no mercado financeiro e pressionar a inflação.

    Assim, para evitar desequilíbrios, o Banco Central precisa realizar as chamadas operações compromissadas, que enxugam a liquidez. "A emissão de títulos pelo Tesouro Nacional para o Banco Central tem o objetivo de suprir a carteira da autoridade monetária com títulos públicos em montante suficiente para viabilizar as operações compromissadas", explica a nota da Fazenda, que também destaca:

    "A emissão é necessária para manter em equilíbrio as condições diárias de liquidez bancária, de modo que a taxa de juros de mercado (Selic) esteja em linha com a definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom)", afirma a nota.

    De acordo com a Fazenda, já há previsão de um aumento sazonal da liquidez do mercado em janeiro. Um dos motivos para isso foi o vencimento de R$ 141,9 bilhões em títulos públicos em poder do mercado no dia 1º.

    A operação de hoje, no entanto, ainda não vai recompor o colchão de liquidez que foi usado para pagar uma parte das pedaladas fiscais. Ao todo, foram gastos R$ 21,2 bilhões do colchão. Essas emissões serão feitas ao longo do primeiro trimestre de 2016.
  • corsario90  05/01/2016 21:55
    Então, emitiu para enxugar, mas para quando é o vencimento do título? Se estava resgatando o título líquido, essa manobra não vai potencializar ainda mais a dívida bruta tendo em vista já está havendo um resgate líquido dos títulos públicos? Alguém sabe informar a maturidade destes títulos?
    No momento do vencimento vai rolar novamente a dívida?
    ABS
  • Eduardo R., Rio  14/03/2016 03:55
    "Avaliando o desempenho do PT no poder", por Vinicius Carrasco e João Manoel Pinho de Mello.
  • Fernando  06/07/2016 18:07
    Leandro, se o Banco Central lucra R$ 69 bilhões com operações de câmbio, por que ele não transfere este dinheiro para o governo reparar em parte o rombo fiscal de 160 bilhões que haverá neste ano?
  • Leandro  06/07/2016 18:24
    Mas ele transfere. Semestralmente. Lei 11.803/08

    www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11803.htm

    Todos os BCs mundiais fazem o mesmo.
  • Fernando  06/07/2016 18:27
    Obrigado
  • Andre  06/07/2016 18:29
    "Mas ele transfere. Semestralmente. Lei 11.803/08".

    Pois é, e por mais que ele transfira o governo sempre terá rombos.
    É da natureza de qualquer governo gastar mais do que arrecada.
  • Fernando  15/08/2016 12:48
    Alguém pode me explicar porquê o Abilio Diniz defende aumento de impostos? O que está por trás disso, sendo ele uma pessoa esclarecida? Saiu uma entrevista dele na Infomoney, fiquei estupefato de ler ele defendendo CPMF.
  • Cavendish  15/08/2016 13:22
    Ué, ele está simplesmente defendendo seus interesses.

    Como já inúmeras vezes explicado por este site, grandes empresários gostam de impostos pois eles funcionam como uma barreira à entrada de novos concorrentes. Altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

    A mesma alíquota de imposto que incide sobre os lucros de uma grande corporação, tirando-lhe parte de seu resultado, inviabiliza a continuidade de um pequeno negócio que consegue taxas de retorno menores.

    Toda regulamentação ou imposto traz custos fixos. Gastos jurídicos, contábeis, de auditoria — os quais uma grande empresa consegue diluir no seu enorme faturamento ao passo que uma pequena quebra e fecha.

    Nessa mesma entrevista, Diniz defende abertamente a desvalorização do real, para acabar com as importações que lhe roubam uma fatia de mercado.

    Quem é leitor habitual deste site não tem o direito de se surpreender ao ver um grande empresário defendendo regulação, tributação e desvalorização da moda. Estão apenas defendendo sua reserva de mercado.

    Grandes empresas odeiam o livre mercad


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.