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Ouro não é mais dinheiro e não voltará a ser

Ron Paul, o famoso congressista e libertário americano, certa vez perguntou ao então presidente do Federal Reserve (Fed) Ben Bernanke se "ouro era dinheiro". O breve debate ocorreu em uma audiência do Financial Services Subcommittee sobre Política Monetária, em julho de 2011.

"Quando você acorda de manhã, você se importa com o preço do ouro?", perguntou ele a Bernanke.

 "Bem", disse o ex-chairman do Fed, "eu presto atenção ao preço do ouro. Mas acho que ele reflete um monte de coisas. Ele reflete as incertezas globais. Creio que a razão pela qual as pessoas entesouram ouro é como forma de proteção ao que chamamos de riscos de cauda (tail risk), resultados realmente catastróficos. E na medida em que os últimos anos deixaram as pessoas mais preocupadas com o potencial de uma crise maior, elas então têm ouro como uma proteção".

Não satisfeito, Dr. Paul retrucou: "Você acha que o ouro é dinheiro?". Bernanke pausou, estranhando a pergunta, mas deu sua resposta: "Não, não é dinheiro. É um metal precioso".

"Mesmo que tenha sido dinheiro pelos últimos 6.000 anos, alguém reverteu isso, eliminou essa lei econômica?", replicou Dr. Paul.

"Bem, é um ativo", afirmou o ex-chairman do Fed. "Você diria que Treasury Bills (títulos do Tesouro) são dinheiro? Tampouco acho que são dinheiro, são um ativo."

"Por que bancos centrais possuem ouro?"

"Bem, é uma forma de reserva."

"Por que não possuem diamantes, em vez de ouro?"

"Bem, é uma tradição, uma tradição de longo prazo", concluiu Ben Bernanke.

Quem tem razão nesse debate? Por incrível que possa parecer — e jamais achei que fosse escrever isso —, Bernanke está repleto de razão. Ouro não é dinheiro. Mas os bancos centrais mantêm ouro em reserva não apenas por tradição — nesse ponto, o ex-chairman do Fed é um pouco simplista. A tradição advém dos tempos em que o papel-moeda era de fato lastreado no metal precioso. Há muito mais do que apenas tradição nisso.

Mas Bernanke tem razão, e Ron Paul está errado. Ouro já foi dinheiro, mas não é mais. E não é dinheiro há muitos anos, décadas. Talvez há quase um século. Desde o momento em que os cidadãos foram proibidos de resgatar as cédulas de papel em espécie — moedas e barras de ouro —, para todos os fins práticos dos intercâmbios monetários, ouro não circula na economia há bastante tempo.

Se definirmos moeda como o "meio de troca universalmente aceito", é claro que o ouro, hoje, não é dinheiro. Se definirmos moeda como "qualquer bem econômico empregado indefinidamente como meio de troca", ouro também não pode ser considerado moeda — quase não se tem notícias de empresas que aceitam ouro como forma de pagamento ou de trocas comerciais liquidadas com o metal.

Adquirir ouro hoje em dia é uma tarefa ingrata em muitos países. No Brasil, a forma mais simples para valores expressivos — ainda assim extremamente laboriosa — é por meio de corretoras. Mas faço uma aposta: ligue agora para seu corretor e peça para executar uma ordem de compra de ouro. É bastante provável que ele tenha que desligar para poder se informar no backoffice como diabos se compra ouro no mercado financeiro.

Ultrapassadas as barreiras iniciais e lograda a aquisição, você será dono de um papel chamado OZ1D, um contrato cujo lastro são 250 gramas do metal precioso garantido pela BM&F Bovespa. Mas não tente jamais resgatá-lo em espécie, pois essa seria uma aventura digna de outro artigo.

Porém, esse contrato não pode ser transferido a outra pessoa. Para vender o seu OZ1D, você precisa usar novamente a corretora. Se estivéssemos falando de quantidades menores — 10 gramas, por exemplo, que podem ser adquiridas mais facilmente na internet —, as dificuldades de negociação seriam as mesmas que para o papel-moeda em espécie: você não consegue transferi-lo a um comerciante distante; a troca deve ser em pessoa.

Em outros países, os problemas para aquisição do ativo são similares. O ponto aqui é simples: ouro não é mais dinheiro, é um ativo líquido e, mesmo assim, provavelmente nem tão líquido quanto outros ativos do mercado financeiro (ações, títulos de dívida etc.). Para você comprar algo com ouro, há uma elevada probabilidade de que precise, antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação. Isso, por si só, seria suficiente para concluir que ouro, definitivamente, não é mais dinheiro.

Não nego o fato de que a evolução do nosso dinheiro não foi nada natural. O papel-moeda que hoje usamos é fruto direto das intervenções dos estados no âmbito monetário. O ouro não deixou de circular na economia meramente por livre decisão da sociedade; não foi o processo espontâneo de mercado o único responsável pelo desaparecimento do metal no cotidiano da economia.

A grande responsabilidade pela eliminação do ouro como dinheiro ou padrão monetário recai nas decisões arbitrárias dos bancos centrais. A âncora no ouro sempre foi um empecilho às políticas monetárias expansionistas; livrar os bancos centrais dessa amarra foi uma decisão política. Não havia ciência nem progresso tecnológico que pudessem justificar o fim do papel desempenhado pelo ouro no sistema monetário.

Mas se ouro não é dinheiro, então o que é? Voltemos a Bernanke: ouro é simplesmente um metal precioso. É uma commodity. E tem sido usado como ativo no portfólio de muitos investidores como proteção contra cenários bastante catastróficos. Um porto seguro para preservação de valor.

Durante milênios, ouro foi ou o meio circulante propriamente dito ou o lastro ao meio circulante. Naturalmente, a memória coletiva da humanidade não permite interromper esse processo de forma abrupta. E justamente devido à tradição milenar de commodity empregada como dinheiro é que o ouro segue sendo um refúgio, um ativo de proteção para muitas pessoas. Nesse sentido, o risco de um cataclismo financeiro global reforça, ou sustenta, a demanda pelo metal precioso — em um cenário de colapso do papel-moeda e de crise sistêmica, o ouro poderá voltar a ser demandado como moeda corrente ou como lastro para as moedas nacionais — esse é o racional.

Por que precificar pelo ouro é errado

Se ouro não é mais moeda e está longe de ser o bem mais líquido em uma economia, precificar outros bens com o metal não tem sentido algum. Analisar a evolução do Dow Jones, da Bovespa ou de qualquer outro ativo do mercado financeiro pelo ouro carece de fundamento.

A característica principal de uma moeda extremamente líquida é a de servir como unidade de conta, seja em uma jurisdição, seja internacionalmente. Para muitos economistas, servir como unidade de conta é a própria definição de moeda — embora divirja dessa opinião, pois moeda é mais um adjetivo que descreve uma propriedade que diferentes objetos podem possuir, em graus distintos, mas deixemos essa discussão para depois.

Voltando ao ponto que interessa, pergunto: qual é a moeda mais demandada no mundo atualmente? O dólar, é óbvio. Não é o euro. Nem o iene. E muito menos o ouro — que não é moeda, é uma commodity.

Mas o fato de o dólar não ter nenhuma base ou lastro para seu valor — depende unicamente das decisões arbitrárias dos PhDs do Fed — não prejudica qualquer análise temporal dos preços de outros bens e ativos? Em outras palavras, o fato de o dólar ser constantemente inflacionado pelo Fed não pode distorcer a análise de valor dos outros bens e ativos?

É claro que pode. E, sim, distorce. Mas por ser o bem mais líquido em uma economia, por ser a moeda mais demandada internacionalmente e ter uma oferta relativamente estável — atentem para o "relativamente", o que não significa desejável ou correto —, o dólar é inevitavelmente a unidade de conta internacional. É a moeda global. É o bem pelo qual todos os outros bens no mundo são precificados atualmente. E não há nada que os 6.000 anos de história do ouro possam fazer para mudar essa realidade.

Se a inflação monetária do dólar engendrada pelo Fed deturpa uma análise precisa de valor ao longo do tempo, que meios temos para mitigar essa falha? A melhor opção existente é ajustar o dólar pela depreciação da moeda conforme medida por índices de preço, apesar dos milhares de defeitos inerentes aos índices de preços. Talvez utilizar alguma mescla de índices de preços minimize as imperfeições de um índice apenas.

Mas ajustar pelo ouro não seria uma alternativa melhor? Se estivéssemos em 1900, talvez. Mas não hoje em dia, em que o ouro foi largamente desmonetizado, não é um bem com alta liquidez no mercado, não é usado como meio de troca; é apenas uma commodity, um ativo de proteção com baixíssima proporção nos portfólios de investimentos globais.

O metal precioso já foi um excelente termômetro da depreciação das moedas fiduciárias. A alta no valor do ouro refletia, em larga medida, a inflação gerada pelos bancos centrais. Contudo, dado o status atual de apenas commodity ou ativo de proteção, essa relação já não é mais tão estreita. Por isso, analisar outros bens e ativos ao longo do tempo, ajustados pelo preço do ouro, é mais do que um equívoco, pois insere uma distorção adicional à já complicada análise pela moeda global, o dólar, que sofre manipulações diárias pelos PhDs do Fed.

Não basta uma oferta estável — como a do ouro — para servir como um bom mensurador de preço ao longo do tempo. É necessário, também, uma demanda relativamente estável. E isso, hoje, o ouro infelizmente não tem. Que estejamos sob um padrão monetário sem lastro algum, em que a provisão de moeda obedece às vontades de economistas com alto grau de discricionariedade, não nego. Aliás, lamento. Mas a realidade é inegável: ouro não é mais moeda. A moeda global é o dólar. O denominador comum mundial é o greenback. Pedaços de papel e dígitos eletrônicos, nos quais as pessoas confiam e pelos quais bens e serviços são intercambiados no mundo todo e a riqueza do planeta é precificada. E esse estado de coisas não retrocederá no tempo.

Ouro não voltará a ser dinheiro

Durante a década de 1960, economistas do calibre de Milton Friedman e Paul Samuelson prognosticaram que, caso o dólar fosse libertado das correntes do ouro, o preço do metal cairia bem abaixo do valor oficial de US$ 35/onça. Segundo eles, o ouro acabaria tendo seu valor restrito ao seu uso não monetário, estimado então em US$ 6/onça. A commodity seria finalmente desmonetizada, previam.

Contudo, uma minoria de economistas da Escola Austríaca de Economia (por exemplo, Ludwig von Mises e Jacques Rueff, assessor econômico do general Charles DeGaulle) antevia precisamente o oposto: com o fim da conversibilidade do dólar em ouro, a moeda americana ficaria desprovida de lastro, perdendo na prática o câmbio fixo com o metal precioso e possibilitando a inflação descontrolada de papel-moeda. A alta no preço do ouro seria uma consequência inevitável, um reflexo da depreciação do dólar.

Friedman e Samuelson erraram. Mises e Rueff estavam certos nas suas previsões. Quando Richard Nixon cortou o último vínculo formal com o ouro — em 1971, jogando pela janela o sistema de Bretton Woods —, a cotação da commodity disparou, chegando a mais de US$ 70 em poucos meses. Os anos seguintes foram marcados pela inflação galopante do dólar e a implacável alta no preço do ouro. Naturalmente, o metal seguiria servindo como refúgio e proteção em um mundo de papel-moeda e câmbios flutuantes.

O passo político para o início da desmonetização total do ouro foi dado em 1971. Mas as circunstâncias tecnológicas estão se desenrolando há muito mais tempo. Na prática, o ouro já havia sumido do dia a dia da economia décadas antes do fim de Bretton Woods. O metal precioso desapareceu do cotidiano dos agentes econômicos não apenas por decisões políticas, como também por questões de simples conveniência, por questões de uso prático. Recorrendo ao economês, usar ouro em espécie eleva os chamados custos de transação.

Custodiar e transferir o ouro sempre foram empreitadas complicadas, especialmente em longas distâncias. Todo o sistema bancário se desenvolveu para resolver, dentre outras coisas, essa grande desvantagem do metal. Os substitutos de dinheiro (certificados de depósito, cédulas bancárias e depósitos bancários) foram concebidos para melhor prover os serviços que o metal físico jamais conseguiria. Ironicamente, a materialidade do ouro é uma força — pois por meio dela a escassez é assegurada —, mas é também uma grande fraqueza, porque dificulta a custódia e a simples transmissão de propriedade.

Ouro, como padrão monetário, é insuficiente sem um sistema de pagamentos. Ouro, como moeda, jamais prescindiria de inúmeros terceiros responsáveis pela custódia, liquidação e transferência. Esse emaranhado de intermediários inevitavelmente introduz uma vulnerabildiade no sistema: o risco da contraparte.

Sejamos honestos, transacionar com ouro em espécie é inconveniente. A característica fundamental do ouro como dinheiro reside na sua oferta inelástica, na incapacidade de governos ou bancos inflacionarem a quantidade do metal em circulação. Mas seria a materialidade a única forma de garantir uma moeda inviolável? Mais adiante remotarei esse ponto.

Friedman e Samuelson erraram porque acreditavam que não haveria mais demanda por ouro como ativo. Não entenderam que a estabilidade de valor — a previsibilidade do poder de compra — era protegida pela âncora na commodity. Mises e Rueff entendiam muito bem essa relação. À época, simplesmente não havia alternativa à moeda puramente fiduciária senão o ouro, a despeito de todos os inconvenientes de uso prático.

Mas hoje os tempos são outros.

O invento do Bitcoin mudou radicalmente os fundamentos do ouro. O passo político para desmonetização do metal foi dado há 40 anos; mas será o Bitcoin o responsável pela sua desmonetização absoluta. Uma criptomoeda como o Bitcoin tem o potencial de restringir o valor do ouro ao seu uso não monetário. No futuro, o preço do metal refletirá majoritariamente a sua demanda em aplicações industriais, joias ou qualquer outra utilidade possível. A previsão de Friedman e Samuelson será concretizada, não pelos motivos expostos por eles, mas sim porque hoje há uma alternativa à altura da commodity milenar.

A superioridade tecnológica do Bitcoin

Se os gold bugs continuam lendo até aqui, peço-lhes um pouco mais de atenção aos argumentos que seguem.

Por que afirmo que o Bitcoin é superior ao ouro?

Qualificar o Bitcoin como o ouro digital é subestimar toda a potencialidade dessa invenção revolucionária. Ambas são commodities escassas, uma pelas leis da natureza, a outra pelas leis da matemática. Mas as semelhanças acabam por aí.

Um bitcoin é perfeitamente divisível. Bitcoins podem ser custodiados pelo próprio detentor e em diversos formatos — físico ou digital —, sem precisar de nenhum terceiro. Na verdade, bitcoins não são "manuseados", não há posse física. O que temos é a titularidade dos bitcoins gravada no blockchain, e o que se guarda são apenas as senhas (chave privada) que dão acesso e controle aos fundos. E não importa o saldo custodiado. O mecanismo de controle é indiferente à quantia em questão.

Podemos transferir bitcoins diretamente entre dois usuários, independentemente de localização geográfica ou montante. Não há fronteiras.

Bitcoin é dinheiro programável. Você pode configurar condicionantes para liberação de fundos. É possível definir múltiplas senhas, em que são necessárias ao menos duas assinaturas para a transferência ser efetuada, em uma espécie de conta-caução (escrow account).

Bitcoins não podem ser confiscados, apreendidos ou bloqueados. Simplesmente não há o que bloquear. Não há a quem cercear ou coagir. A rede não pode ser obstruída por decreto. A não ser que derrubem toda a internet, o blockchain seguirá pulsando nos computadores distribuídos ao redor do mundo.

O Bitcoin é a evolução do dinheiro. É a forma mais abstrata de moeda já inventada pelo homem.

Não muito tempo atrás, uma das críticas contra a moeda digital era: o que você pode fazer com um Bitcoin? Não tem valor intrínseco, não tem utilidade, alegavam os céticos. Hoje a situação é inversa. A quantidade e diversidade de aplicações possíveis ou potenciais da tecnologia são assombrosas. Inclusive, manter-se atualizado acerca de todas as iniciativas e novos projetos sendo desenvolvidos com a inovação do Bitcoin tornou-se um feito quase inalcançável.

Desde registro de ações e transferências de ativos, até plataformas de apostas e previsões, registro de terras, comprovação de documentos, serviços notariais, processos de auditoria, etc. Certamente me esqueci de uma dúzia de outras iniciativas. A utilidade potencial da tecnologia está recém sendo percebida, entendida e desenvolvida.

O ritmo de inovação desencadeado pela invenção do Bitcoin é simplesmente extraordinário.

Mas já que este artigo é essencialmente sobre o ouro — e o início do seu fim como ativo de proteção —, devolvo a pergunta aos gold bugs: o que podemos fazer com o metal precioso? Qual a sua utilidade além de ativo ou moeda? De todas essas aplicações possíveis, quais são realmente essenciais ou relevantes ao seu uso como moeda ou ativo de proteção?

A questão fundamental, porém, e sobre a qual os gold bugs devem refletir, é esta: qual de suas propriedades intrínsecas é realmente essencial à função monetária? Qual característica de fato distinguiu o ouro dentre outros meios de troca? A escassez. A impossibilidade de reproduzi-lo em laboratório. A sua oferta rígida e limitada pela própria natureza. O que nos remete à pergunta feita acima: seria a materialidade a única forma de garantir uma moeda inviolável?

Historicamente, a escassez e a tangibilidade sempre foram inseparáveis. Mas o Bitcoin conseguiu a façanha de dissociar a escassez da tangibilidade. A invenção de Satoshi Nakamoto permitiu recriar a escassez do mundo físico na forma digital. E as implicações disso não podem ser menosprezadas.

Assim, quando um gold bug pergunta "por que não lastrear o Bitcoin em ouro?", das duas, uma: ou ele não entende o propósito do lastro em ouro ou ele não entende como funciona o Bitcoin. Implicitamente, o que eles buscam é uma forma de assegurar a restrição de oferta, é impedir a inflação, é garantir a escassez. Mas não há com o que se preocupar, pois a criptomoeda já contém esse atributo no seu código-fonte.

O futuro da moeda

Em sua obra "The Case for 100 Percent Gold Dollar", Murray Rothbard escreveu:

É particularmente estranho que aqueles que professam ser campeões da economia de livre mercado sugiram padrões monetários complexos para evitar lidar com o simples fato: que o ouro, aquele escasso e valioso metal produzido pelo mercado, sempre foi, e continuará sendo, de longe a melhor moeda para a sociedade humana.

Estivesse vivo hoje, creio que Murray Rothbard repensaria essa afirmação.

Não sei se o Bitcoin será a moeda corrente no futuro. Não sei que forma ou nome terá a moeda no futuro. Mas tenho cada vez mais convicção de que o ouro não terá nenhum papel a desempenhar no sistema monetário das gerações vindouras. Suas vantagens históricas são potenciais fraquezas hoje em dia.

Naturalmente, o principal ingrediente, em qualquer sistema monetário, é a liberdade. A liberdade de produzir e de escolher moeda. Nesse ambiente, tenho certeza de que a melhor alternativa será descoberta pelos indivíduos. Hoje não temos esse ambiente. Mas mesmo se o tivéssemos, ouro dificilmente seria superior ao Bitcoin.

Considerando o estado de socialismo absoluto no âmbito monetário, a única alternativa viável de uma moeda de livre mercado é o próprio Bitcoin ou o que vier a superá-lo. O que quero dizer com isso? Permitam-me citar um trecho de um artigo de 1966 do ex-chairman do Fed Alan Greenspan, intitulado "Ouro e liberdade econômica", para contribuir com minha resposta:

Na ausência do padrão-ouro, não há como o indivíduo proteger sua poupança do confisco que ocorre por meio da inflação.  Não existe mais uma reserva de valor confiável.  Se existisse, o governo torná-la-ia ilegal, assim como fez com o ouro.  Se todos os cidadãos decidissem, por exemplo, converter seus depósitos bancários em prata ou cobre ou em qualquer outro bem, e em seguida se recusassem a aceitar cheques como forma de pagamento por seus bens, os depósitos bancários (formados por dinheiro de papel) perderiam todo o seu poder de compra, e a expansão do crédito bancário fomentada pelo governo passaria a ter valor zero.  A política financeira do estado assistencialista requer que não haja maneiras com que os proprietários de riqueza possam se proteger. (grifo nosso)

O Bitcoin sobressai-se ao ouro precisamente no ponto em que o último fracassou: uma forma de reserva de valor segura. À prova de confiscos. Imune a bloqueios. Livre do risco de terceiros fiduciários. Especialmente quando levamos em conta a tendência atual de cada vez mais impotência perante o sistema financeiro tradicional — guerra contra o dinheiro e juros negativos —, o Bitcoin surge como uma grata e necessária inovação no mundo financeiro.

Por todos esses motivos, o ouro pouco a pouco perde seu apelo como ativo financeiro, como ativo de proteção, como porto seguro. No longuíssimo prazo, o valor do ouro estará predominantemente ligado a sua utilidade industrial. Acabará sendo nada mais que uma relíquia bárbara, um metal precioso, mais um símbolo na tabela periódica.  

Antes de concluir, um breve adendo com relação ao preço do ouro atual (cerca de US$ 1.100/onça). A queda dos últimos meses pode estar refletindo a expectativa de aumento dos juros e um dólar relativamente mais forte, é verdade. Mas também pode estar refletindo justamente o que expus neste texto. É impossível saber com certeza. A reflexão aqui contida, porém, não está embasada pela queda ou alta recentes de um ou outro ativo. O diagnóstico é bem mais profundo que isso.

Vale destacar que boa dose do racional de valorização potencial do ouro — na ótica dos gold bugs — advém principalmente da expectativa de que investidores, cedo ou tarde, se darão conta da insanidade perpetrada pelos bancos centrais mundiais e buscarão refúgio no metal. Alguns anteveem um cenário ainda mais otimista: uma possível remonetização da commodity elevaria sobremaneira sua cotação. Mas essa conjuntura não se materializará.

O Bitcoin já vem sendo demandado como um porto seguro e, na margem, está abocanhando uma fatia do ouro na alocação de investimentos destinados a ativos dessa natureza. Não encarem, contudo, este artigo como um sinal de compra ou venda imediata da criptomoeda ou do metal — não estou fazendo timing de investimento. Meus argumentos e previsões aqui expostos têm mais a ver com uma tendência secular, com uma transformação fundamental no âmbito monetário do que com uma simples oportunidade de investimento.

A seu favor, os gold bugs têm a história. Não se apagam milênios de experiência humana da noite para o dia. Mas isso não será suficiente para manter o status de ativo de proteção nos próximos séculos. O Bitcoin, a seu favor, tem a superioridade tecnológica, a redução nos custos de transação e a blindagem natural contra a coerção estatal. Nada disso é garantia de que será demandado, mas é um bom indício de que pode vir a ser. E um indício melhor ainda de que a liberdade vencerá.



autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Eduardo Maal  27/07/2015 14:41
    Interessante o artigo. Acho que o elemento chave de diferença entre o ouro e bitcoin é que o ouro TEM um uso industrial. Sim, a um valor mais baixo. Mas nao depende 100% da confiança dos consumidores. Amanhã, se por algum motivo, as pessoas perderem a confiança no Bitcoin, o valor pode ir rapidamente para zero, pois o bitcoin não tem função alguma além de "reserva de valor" - e até isso acabaria sendo perdido numa perda de confiança forte. No final das contas, o seu valor é bits que foram minados. Esses bits têm valor pequeno, especialmente se você considera que com as inovações que existem diariamente, o bit amanhã vale menos que o bit hoje.

    O ouro, se algum dia ocorrer uma perda de confiança, pelo menos pode ser vendido para seu uso industrial, ou como jóia, ou até guardado para o dia de amanhã, quando passar a crise de confiança.

    Claro, é muito importante a transmissibilidade da moeda. E o ouro não é transmissível, ou muito difícil de transmitir. Especialmente se o dia de amanhã os Governos decidissem confiscar todo o ouro, daí que realmente seria impossível mover o metal pelas fronteiras - além do mais que é fácil de detectar.

    Acho que haverá alguma solução. Precisa ser anônima (o Bitcoin não é perfeitamente anônimo ainda), precisa ser transmissível, e precisa ter um lastro de algum commodity. Pode ser que esse lastro seja o ouro, e aparecerão os "traficantes de ouro" no futuro, para burlar os limites impostos pelos governos. Pode ser que o commodity seja algo mais fácil de transportar, e mais imperceptível. Também há o "catch 22", de como montar um banco que guarda grandes quantidades de algum lastro, ao mesmo tempo que é um serviço anônimo E confiável.

    Mas a criatividade humana é infinita.

    Apenas acredito que o dia de amanhã trará essa solução. E concordo que ela não é ouro. Mas também não é bitcoin.

    Talvez um dos passos de transição será alguma moeda de algum dos países que estão comprando muito ouro no momento, e vêem os benefícios de passar o ocupar a posição do dólar, com uma política austera de dinheiro.
  • cmr  27/07/2015 18:30
    "Talvez um dos passos de transição será alguma moeda de algum dos países que estão comprando muito ouro no momento, e vêem os benefícios de passar o ocupar a posição do dólar, com uma política austera de dinheiro."

    País que está comprando muito ouro é a China; que se não me engano, já possui a maior quantidade de ouro atualmente no mundo.
  • atorres1985  28/07/2015 03:54
    Já existe a ZeroCoin, que basicamente faz uma lavagem na Bitcoin, tornando-a essencialmente anônima. E também a Dash, antiga Darkcoin, que já nasceu com privacidade embutida.
  • Filipe da Silva Costa Leite  28/09/2019 12:29
    discordo totalmente.
  • Fred  27/07/2015 14:51
    Fernando, parabéns pelo artigo de uma lucidez impecável.
  • Lúcio  27/07/2015 14:52
    ".....: uma forma de reserva de valor segura. À prova de confiscos. Imune a bloqueios."

    Fernando, me surgiu uma dúvida: quem aceitaria bitcoins como forma de garantia, se elas são justamente à prova de confiscos? Em caso de inadimplência do devedor, como o credor reaveria seu crédito?

    Seria o bitcoin, na prática, apenas um meio de pagamento à vista? Qual o valor de um ativo que não pode ser dado em garantia pra nada (poder até pode, mas quem iria aceitar?)

    É isso, ou entendi errado?
    Obrigado.
  • Tiago RC  27/07/2015 16:44
    Não sei se entendi bem tua dúvida.

    Usar bitcoins como garantia é possível através do mecanismo que o Fernando descreveu: múltiplas assinaturas. Cria-se uma conta onde duas assinaturas dentre três são necessárias para liberar o dinheiro depositado. Dá-se uma chave a cada parte do contrato e uma terceira ao árbitro. Mas enquanto esse dinheiro estiver depositado nessa conta, ninguém pode utilisá-lo.

    Agora, no que diz respeito a dívidas, bom, não há como garantir que um devedor vai honrar seus compromissos futuros. Isso sempre foi o caso, desde a época do ouro até hoje. Não é função do dinheiro dar essas garantias. Ou você se refere a algo como "roubo legítimo", tipo confiscar propriedades do devedor, incluindo sua conta bancária? De fato Bitcoin dá proteções contra confisco, mas o credor sempre poderia exigir meios para poder realizar esse confisco, ou mesmo meios para saber quanto o devedor possui em dinheiro etc, tudo isso antes de conceder o empréstimo.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  27/07/2015 15:46
    Solução passe todo o ouro, prata, etc para o meu nome.
  • cmr  27/07/2015 18:31
    E o que você faria com todo o ouro, prata, etc... ?
    Teria que vendê-los para pegar o dinheiro, assim como ações, títulos, etc...
  • Machado  27/07/2015 18:35
    Na verdade, essa provocação do Amarilio procede sim. Quem tem ouro e prata mas não acredita muito em seu potencial tem de desovar seu estoque.

    Se o sujeito tem ouro e prata, diz não acreditar em seu potencial, mas não desova seu estoque, então realmente não está seguro quanto a esta ausência de potencial dos metais.

    De resto, o que o Amarilio fará com o que o ouro e a prata que ele receber do desovador é problema dele.
  • anônimo  28/07/2015 17:44
    Eu tinha um professor de física que falava:
    'Então pra vc dinheiro não traz felicidade? ENTÃO ME DÁ O SEU'.
  • Tannhauser  27/07/2015 15:47
    Prezado Fernando,

    Parabéns pelo artigo. Achei interessante sobre a parte da programação do bitcoin.

    Lembro a você que está devendo um artigo sobre o Ripple.

    Concordo que o ouro não é moeda. Não sei se voltará a ser. Se algum país grande resolver lastrear a moeda com ouro, pode ser que volte.

    O Bitcoin também não é moeda (na maioria dos países). Aliás, aqui no Brasil nem o dólar é moeda, já que não posso fazer minhas compras em dólar.

    A questão é: como o Bitcoin (ou qualquer outra Cryptomoeda) irá vencer a barreira Estatal sobre a moeda de curso forçado de um país específico?

    Querendo ou não, a transação deixa rastro, que poderá ser usada posteriormente para multa ou prisão do infrator. Se nem o dólar consegue furar a barreira, por que o bitcoin iria conseguir? Como uma empresa declararia sua receita em Bitcoins sem levar uma multa?

    Acredito que o Bitcoin, assim como o ouro, funcionará mais como reserva de valor, não como moeda: se ele mantém seu valor ao longo do tempo e não é a moeda de curso forçado, as pessoas preferirão transacionar com a moeda do país e guardar o Bitcoin para preservar o patrimônio.
  • Leonardo  27/07/2015 15:59
    Um dos melhores artigos que já li por aqui. Foi o que tentei dizer tempo atrás quando comentei em um artigo que não entendia o fetiche com ouro de alguns economistas austríacos. Também achei muito oportuna a afirmação de que só em um ambiente realmente livre teríamos conhecimento da melhor solução de mercado para a moeda.
  • Pedrão  27/07/2015 16:19
    Sei que o foco do artigo é o ouro mas como Bitcoin foi trazido(e ovacionado pelo autor) aproveito para avisar aos interessados em mais detalhes sobre o funcionamento do Bitcoin que a Universidade de Princeton vai oferecer um curso online(em inglês e de graça) sobre Bitcoin, inicio previsto para primeiro de setembro desse ano: https://www.coursera.org/course/bitcointech.




  • Morete  27/07/2015 16:29
    Não basta uma oferta estável — como a do ouro — para servir como um bom mensurador de preço ao longo do tempo. É necessário, também, uma demanda relativamente estável. E isso, hoje, o ouro infelizmente não tem. Que estejamos sob um padrão monetário sem lastro algum, em que a provisão de moeda obedece às vontades de economistas com alto grau de discricionariedade, não nego. Aliás, lamento. Mas a realidade é inegável: ouro não é mais moeda. A moeda global é o dólar. O denominador comum mundial é o greenback. Pedaços de papel e dígitos eletrônicos, nos quais as pessoas confiam e pelos quais bens e serviços são intercambiados no mundo todo e a riqueza do planeta é precificada. E esse estado de coisas não retrocederá no tempo.

    Este artigo não vai contra a análise que foi feita sobre o plano real neste artigo?

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2055

    O artigo inclusive termina assim:

    Aqui vai uma dica para Michel Temer: quer se tornar popular quando assumir o governo? Estabilize a moeda em relação ao ouro. As consequências são incríveis. Não é teoria. É empiria.
  • Leandro  27/07/2015 18:28
    Em absoluto.

    Ouro é uma commodity e, como tal, serve perfeitamente para estabilizar o valor de uma moeda qualquer. Isso não significa, e tampouco o artigo linkado afirmou isso, que o ouro passará a ser a moeda de troca. Significa, isso sim, que o ouro será a commodity por meio da qual a moeda nacional será precificada. Apenas isso.

    Em regra, qualquer commodity pode servir como padrão para uma moeda. Aliás, qualquer objeto inanimado ou até mesmo fenômeno natural pode servir de padrão (se você quiser, você pode (tentar) criar uma moeda ancorada às fases da lua; boa sorte em ver se ela será aceita).

    O ouro, por suas características históricas, continua sendo a melhor commodity à qual ancorar a moeda de uma nação -- outra opção seria a ancoragam a outra moeda fiduciária, como o dólar.

    E sim, a empiria comprova a eficácia de se manter uma moeda com valor estável em relação ao ouro (mostrado no artigo linkado). Há um arranjo melhor do que esse? Pode haver, mas, ao menos até ontem, este ainda não se revelou.
  • Eduardo Maal  27/07/2015 18:51
    Nao, nao faz sentido usar as fases da lua como ancora. A ideia da ancora eh que se voce nao tiver confianca na moeda, o emissor te entregue algo tangivel, como ouro, prata, petroleo, que vc pode depois trocar por outro produto ou outra moeda na qual vc confie.

    Estao vendo a coisa ao contrario, e pondo o burro antes da carroça. O ouro surgiu como moeda de troca por ser o melhor denominador comum. O dinheiro surgiu como certificados de deposito dos bancos, onde as pessoas guardavam seu ouro, para nao ficar carregando por ai, ou guarda-lo debaixo do colchao onde podia ser roubado mais facilmente. Eventualmente, as pessoas passaram a trocar os certificados de deposito, pois representava uma quantia em ouro. Essa separacao de dinheiro (papel) e algo de valor veio apenas neste seculo passado.
  • Leandro  27/07/2015 19:04
    É óbvio que não faz sentido. Daí a ironia ao dizer "boa sorte em ver se ela será aceita".

    Quanto à restituição, ela é um item importante, sim (e eu sou completamente a favor dela), mas não é crucial para o sucesso de um plano de estabilização. A simples âncora já opera façanhas enormes (vide as reformas monetárias de Hong Kong, Cingapura, Estônia, Lituânia, Letônia e Bulgária). 
  • Vinicius Zucareli  27/07/2015 19:52
    Não sou especialista, mas acredito que ele se referia as propriedades de reserva de valor do ouro, e não de moeda. Ouro não precisa ser moeda pra ser reserva de valor e lastro econômico.

  • carlos  27/07/2015 16:34
    Lúcio,

    Não sei se entendi direito a sua pergunta, mas me parece que você confundiu duas coisas distintas.

    Dar um bem como garantia contra eventual inadimplência é algo que a humanidade faz há milênios. Não há confisco nessa transação, se definirmos confisco como a aquisição violenta de propriedade (como no caso dos tributos, por exemplo).

    Alienação fiduciária em garantia, hipotecas, e similares são contratos voluntários (pleonasmo, eu sei, mas hoje em dia nunca se sabe...). Adotando a definição de confisco acima, ele não existe aqui. As partes contratantes se comprometes, uma a providenciar o crédito, a outra a oferecer uma garantia de natureza diversa da obrigação principal, via de regra um bem imóvel, mas pode, por exemplo, ser obrigado a comprar uma apólice contra esse risco em benefício de quem empresta, caso venha a inadimplir.

    Se isso ainda não é possível dentro da arquitetura bitcoin, pode estar certo que alguém vai inventar.

  • Daniel  27/07/2015 16:35
    "A não ser que derrubem toda a internet"

    é com isso que eu fico com o pé atrás com essas criptomoedas
  • Tao Han Hsui  28/07/2015 12:12
    Mesmo que derrubem a Internet você terá que impedir o funcionamento do protocolo P2P em qualquer computador, em todo planeta. Mesmo que a NSA derrube a Internet eu posso transferir BTC pra ti, numa transação privada pelo smartphone via bluetooth por exemplo. A questão será a atualização desta transação na cadeia de blocos.
  • IRCR  27/07/2015 16:37
    Na realidade quem substituiu o ouro no papel de refugio contra desvalorização dos papeis moeda nas ultimas décadas foram os imoveis.

    As pessoas sabem que o dinheiro vale cada vez menos (inflação) então é comum que elas imobilizem suas riquezas em imoveis, por exemplo.

    Só que imoveis no geral tem uma liquidez muito ruim, tão pior quanto do ouro. Nesse ponto que o Bitcoin pode contrapor.

    Mas o Bitcoin tb não é muito bom (ainda) em liquidez. Mas basta que cada vez mais gente use para que ganhe mais liquidez.

  • Zero  27/07/2015 16:47
    "À prova de confiscos. Imune a bloqueios."

    Quando falam que o Bitcoin é a prova de intervenção governamental, acho uma afirmação bastante inocente (pra não dizer desonesta). Nenhuma forma de criptografia está imune à "rubber-hose cryptanalysis", ou seja, coerção e tortura. A natureza virtual e descentralizada torna as coisas difíceis, mas "derrubar a Internet" não é a única ação que os agentes coercivos podem tomar. É importante não cometer o erro de propagar essa falsa segurança.
  • Trader Carioca  27/07/2015 18:29
    Prezado Zero

    Eu concordo com o que você disse. Bitcoin na minha opinião não é a prova de intervenção. Mas nada é. Meu ponto é que acho fácil causar um bom estrago ao Bitcoin na atualidade. Basta o governo ir em cima das empresas que atuam como "casas de câmbio". Existem algumas poucas no Brasil, seria muito fácil rastrear os sócios-proprietários e pressioná-los.

    Uma pessoa poderia então fazer remessas de dinheiro para o exterior e comprar BTC fora do Brasil. Mas isso não é acessível para a maioria da população.

    A virtualidade da moeda a transforma em algo mais difícil de se monitorar e regular, mas não acho que é impossível.
  • Bits&bytes  28/07/2015 19:45
    Sempre que um ser humano (ou conjunto de) cria algo, algo novo, algo que não é natural ou não se encontra na natureza como, por exemplo, um bitcoin, sempre é passível de "descriar". Bitcoin, assim como o ouro, possui nas suas propriedades todo o seu potencial positivo quanto o seu negativo.
    Veja bem, o caso do ouro é um caso de hackeamento! Na impossibilidade de burlar as leis naturais que confiam ao ouro sua escassez, lá foram os seres humanos e mudaram as regras do jogo (pouco a pouco e com diversas tentativas ao longo dos séculos) e pronto: acabaram com o ouro. Agora seja franco, tu acha mesmo que seres humanos não iam conseguir minar as leis da "matemática" que supostamente assegura o bitcoin?
    Olha o detalhe e me entendam: não se fez alquimia com o ouro para se libertar dele, não é necessário romper com leis matemáticas de fato para as burlar!

    Ouro por ser tangível e ter sim utilidades, sempre terá necessariamente algum valor de mercado, o bitcoin não. Não terá necessariamente algum valor de mercado. Ambos tem a maior parte de seu valor de mercado graças à confiança. Seja ela certa ou errada, enquanto seres humanos acreditarem no valor, valor terá! Para ambos. Mas só um terá um valor mínimo acima de zero.

    Ademais, a falha dos bitmalucos é essa fé inflexível na suposta segurança da criptomoeda. Especialmente no que toca a segurança jurídica dela, como cita o cara aí em cima. O governo pode simplesmente furar o bloqueio de toda essa ladainha ao caçar o elo que liga o bitcoin a outras moedas e ativos, na hora da conversão. Pronto, fudeu já.

    Aliás, se eu sou do governo e quero obviamente mais e mais poder e menos liberdade pro povo otário, como todos que vão pro lado negro da força (governo) sempre fizeram, eu acabaria totalmente com o bitcoin numa mega operação contra criptomoedas em conjunto com outras nações! Põe tudo na ilegalidade e com penas incrivelmente estúpidas como morte, prisão, multas bilionárias, etc. Fecha todos os negócios legítimos com criptomoedas em questão de dias. Daí só resta o mercado negro (com preços inflados, instáveis e mais trabalhoso).
  • Andre Cavalcante  29/07/2015 16:44
    Puts.

    Essa discussão já tive com outros, mas vamos lá:

    "Ouro por ser tangível e ter sim utilidades, sempre terá necessariamente algum valor de mercado, o bitcoin não. Não terá necessariamente algum valor de mercado. Ambos tem a maior parte de seu valor de mercado graças à confiança. Seja ela certa ou errada, enquanto seres humanos acreditarem no valor, valor terá! Para ambos. Mas só um terá um valor mínimo acima de zero."


    Você começa dizendo que o ouro, por se tangível, tem uma utilidade e que, por isso, tem um valor de mercado. Aí você diz que o bitcoin não, dando a entender que ativos digitais não tem valor de mercado. Essa sua afirmação é falsa porque um Editor de Textos é algo que só existe nos computadores e tem um baita valor de mercado e uma baita utilidade. Como algoritmo, por si só, bitcoin une a tecnologia bittorrent com banco de dados distribuídos. Por si só, esse código tem uma validade "intrínseca" (odeio essa palavra) e, se não para você, mas para um programador, por exemplo, tem uma utilidade e pode ter um valor de mercado, independente de seu valor como moeda.

    Depois, você diz, quase contrariando o que disse anteiormente, mas que eu concordo é que ambos, tanto ouro como bitcoins tem um valor mais devido ao seu uso como ativo. E completa, "enquanto seres humanos acreditarem no valor...", isso significa que o valor de tais bens, independentemente de qualquer valor "intrínseco" porque valor é algo subjetivo, sempre!

  • Bits&bytes  10/08/2015 15:04
    Mais ou menos...
    Não é por um ser tangível e outro intangível. É pq o bitcoin é 100% subjetivo. Já o ouro não é 100% subjetivo. Não estou defendendo ouro, já não possuo nenhuma grama do metal, estou apenas atacando essa fé total no bitcoin pelos seus fãs. No caso, ouro possui propriedades que lhe conferem usos diversos, mesmo que todos humanos passem a achar o ouro feio e ridículo vc ainda poderá fazer uso do metal para, por exemplo, conexões eletrônicas em que o banho de ouro melhora a qualidade do produto.
    Quanto ao único argumento aí que realmente posso capitular que seria a programação, como não manjo disso não vou entrar em detalhes. Ainda assim, me parece mais fácil usar a programação do bitorrent então, já que se pega de graça, não é?
  • bruno  27/07/2015 16:53
    hehehe

    O ouro está para os minarquistas assim como o bitcoin está os anarcocapitalistas.

    Artigo fantástico, agradeço ao Fernando por escrevê-lo.
  • Fernando  27/07/2015 17:15
    Até as barras de ouro do Silvio Santos estão acabando.
  • Andre  27/07/2015 17:21
    E ano que vem a taxa de "produção" do Bitcoin vai cair pela metade.
    Isso ocorre em média a cada 4 anos:

    www.bitcoinblockhalf.com/
  • Marcelo Armani Lopes  27/07/2015 17:31
    Fernando Ulrich,

    Considerando-se que o Bitcoin pode sofrer concorrência de outras criptomoedas, te pergunto: não estaria aí um argumento em favor dos gold bugs - já que o ouro é irreplicável, mas a Blockchain não?

    No futuro, é possível que as pessoas optem - seja por que motivo - por uma outra Blockchain; ou, até mesmo, por várias outras.

    Mas não é possível que optem por outro ouro.

    Não estaria aí a chave da diferença entre o ouro e o bitcoin?
  • bruno  27/07/2015 18:49
    Marcelo, pelo seu argumento então, descarta o ouro ser substituído por diamantes, ou sei lá, terras raras?

    E por que não seria?
  • cmr  27/07/2015 19:47
    Avaliar o valor de um diamante é muito mais complicado do que avaliar ouro.

    Ouro vale o quanto pesa, diamante não.
    Se você quebrar um diamante em dois pedaços, os dois pedaços juntos valerão muito menos do que o inteiro.
  • bruno  28/07/2015 15:50
    Como assim, o ouro pode ser fraudado!

    Para toda divisão q se faz, o teor deve ser medido...Falamos do diamante, que tal o paládio então?

    Uma coisa q me ocorreu agora é que a prata possui um uso industrial maior q o ouro, vou pesquisar sobre isso.
  • cmr  28/07/2015 18:22
    Pelo menos na indústria eletrônica o ouro é insubstituível.
    O ouro é o material mais maleável e dúctil da natureza, em outras palavras, o fio mais fino possível de se fabricar é um fio de ouro maciço.

    Os circuitos integrados em larga escala (chips), possuem ouro dentro.

    Então uma pergunta pode surgir: equipamentos eletrônicos obsoletos são verdadeiras minas de ouro ?.
    Resposta: sim; são, mas pelo menos aqui no ocidente é inviável minerar ouro em placas de circuito eletrônico obsoletas.

  • Andre Cavalcante  31/07/2015 17:35
    Olá,

    "Pelo menos na indústria eletrônica o ouro é insubstituível."

    Não é não. Na verdade o cobre possui uma condução elétrica melhor. O uso do ouro dentro dos chips se dá porque o ouro tem número atômico 79, portanto um metal com apenas 1 elétron externo e todas as outras camadas eletrônicas preenchidas, o que faz dele um excelente material em que quase nada o ataca. Veja https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Electron_shell_079_Gold.svg. Então o motivo de se usar ouro é pela corrosão (ou a falta dela :) para o ouro).

    E, sim, há hoje inúmeros métodos de se conseguir ouro em laboratório (assim como diamantes e praticamente qualquer material) e em quantidades bem razoáveis. O problema: se usa muuuuuuita energia para fazer esse tipo de síntese de elementos em laboratório, o que não compensa economicamente.

    E não, não vale a pena minerar CIs a procura de ouro. A quantidade de ouro por lá é ínfima. Seria necessário minerar toneladas para se conseguir alguns poucos gramas.

    Abraços
  • cmr  31/07/2015 21:43
    "Então o motivo de se usar ouro é pela corrosão"

    Não é, é pela ductibilidade.

    "E, sim, há hoje inúmeros métodos de se conseguir ouro em laboratório (assim como diamantes e praticamente qualquer material) e em quantidades bem razoáveis. O problema: se usa muuuuuuita energia para fazer esse tipo de síntese de elementos em laboratório, o que não compensa economicamente."

    Viajou !!!!!!
  • anônimo  31/07/2015 21:51
    André, seu raciocínio é muito engraçado.Primeiro diz que é substituível e depois vem explicar porque ninguém substituiu ele ainda.
    Esse pessoal da indústria eletrônica deve ser muito burro, usando ouro sem necessidade.
  • Andre Cavalcante  11/08/2015 17:19
    Ao anônimo 31/07/2015 21:51:42

    "André, seu raciocínio é muito engraçado.Primeiro diz que é substituível e depois vem explicar porque ninguém substituiu ele ainda."

    É claro que é substituível. Se atenha a questão colocada. Ele só tem algumas propriedade que são interessantes com um custo acessível. Encareça demais o produto e a industria iria usar outro material.

    Sobre outros materiais que podem ser usados na eletrônica:
    www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=010170021105
    www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=grafeno-molibdenita-industria-eletronica-ultrafina&id=010110150804#.VcorhZM2xC0

    Mas, deixemos ao tempo desenvolver os novos materiais...


    "Esse pessoal da indústria eletrônica deve ser muito burro, usando ouro sem necessidade."

    Claro que usam por necessidade. E isso nunca esteve em discussão. É cada um que aparece?


  • Gredson  27/07/2015 18:58
    "A não ser que derrubem toda a internet"...
    Eu acredito que quando a coisa pegar de verdade para os governos, eles vão tentar derrubar a internet, E digo mais, se eles não encontrarem uma maneira de cobrar os impostos, eles vão provavelmente de casa em casa recolher dinheiro, como antigamente. Do estado, eu só espero o pior.
  • Rodrigo Pereira Herrmann  27/07/2015 19:03
    Ouro é um puta investimento de longo prazo, e ainda será assim por muitos e muitos anos.

    Boa sorte pra quem emigrar da commodity pra cryptomoeda. Vai precisar.
  • Tullio Bertini  27/07/2015 19:07


    "Vale destacar que boa dose do racional de valorização potencial do ouro — na ótica dos gold bugs — advém principalmente da expectativa de que investidores, cedo ou tarde, se darão conta da insanidade perpetrada pelos bancos centrais mundiais e buscarão refúgio no metal. Alguns anteveem um cenário ainda mais otimista: uma possível remonetização da commodity elevaria sobremaneira sua cotação. Mas essa conjuntura não se materializará."

    Caro Fernando,

    Concordo com a sua visão de longuíssimo prazo - de que há uma tendência de fortalecimento das cripto moedas, em particular da Bitcoin. Só acho que o caminho até lá não será tão suave e direto como você coloca. Acredito ser muito cedo para colocar o ouro como um ativo relativamente irrelevante em eventuais momentos de pânicos e crises. Creio que os governos farão de tudo para manter seus poderes de emissão monetária, nem que seja o retorno ao lastro metálico, antes de um domínio das cripto moedas. Acho o "timing" fundamental nessa discussão. De uma certa forma você discutiu o "timing", ao afirmar que "essa conjuntura não se materializará". Gostaria de saber por quê não?

    abçs


  • Fernando Ulrich  27/07/2015 23:39
    Oi Tullio,

    Na verdade minha afirmação não é de timing. A conjuntura não se materializará e ponto. Nem daqui cinco anos, nem daqui 50. Na minha opinião.

    Sinceramente, em um momento de crise e pânico, o ouro não é lá tão relevante assim não. Acho que até os austríacos concordam que o ouro é um ativo para cenários do tipo "caos econômico, interrupção da divisão do trabalho, estoquemos comida enlatada, armas e munição".

    Mesmo em crises e pânicos, o ouro tem muito pouca utilidade no mundo atual. E não acho que bancos centrais voltarão ao lastro no metal. É uma viagem sem volta. Não há consenso político, não há consenso acadêmico, não há nenhuma razão para voltarem a um padrão metálico.

    Os bancos centrais podem restaurar a confiança nas suas moedas e controlar a inflação monetária sem precisar recorrer ao ouro. Claro que não seria o ideal, mas seria o suficiente para levar esse sistema anômalo por mais alguns anos ou décadas.
  • Ramon  27/07/2015 19:11
    "Não basta uma oferta estável — como a do ouro — para servir como um bom mensurador de preço ao longo do tempo. É necessário, também, uma demanda relativamente estável. E isso, hoje, o ouro infelizmente não tem."

    E o Bitcoin por acaso tem uma demanda estável? Eu ainda não posso comprar um pão na esquina com ele. Nesse caso na minha opinião ele tem uma demanda baixissima.

    O Bitcoin também pode ser "trocado" por outra criptomoeda. Caso houver algum sinal de hackeamento (por favor não me venha com blockchains etc.) hacker que é hacker sempre acha uma maneira de driblar tudo. Em caso de "ataque hacker maciço e frequente" os usuários poderiam optar abandoná-lo e optar por outra criptomoeda substitutiva levando sua cotação a zero ou próximo a isso)

  • Edson  27/07/2015 19:35
    O autor esqueceu de escrever no artigo que acredita em Papai Noel e Fada do Dente. Sinceramente ... que cegueira ! Comprem todos os bitscoins que o computador fabricar ... que Eu compro todo o OURO que puder ...
  • Paulo Henrique Martinello  27/07/2015 19:47
    O bitcoin tem um preço muito instável para permitir que seja usado como moeda comercial
    Isso é normal em inicio de moedas? Algum dia ele pode ter um preço mais estável? Pois creio que isso seja o maior impedimento para usar comercialmente essa moeda.
    Um comerciante precisa de um dinheiro que não sofra tamanha instabilidade para que seus cálculos de lucros e prejuízos possam ser feitos. Se eu vendo algo por 'x' bitcoins, e amanha ele desvaloriza 20%, eu perdi poder aquisitivo e meu lucro da venda anterior reduziu. Teria que esperar ele se valorizar novamente para não tomar prejuízo com venda, e isso pode demorar muito como pode acontecer de um dia para o outro.

    Com essa falta de previsibilidade é difícil alguém usa-lo para transações de produtos, mas ele não sofre problema com especuladores, da para ganhar um bom dinheiro com esse sobe e desce


  • Odeio Pirâmide  27/07/2015 19:52
    Assim como as moedas "normais", o Bitcoin é uma pirâmide. O ouro ao menos tem uma utilidade se ninguém mais entrar na roda.

    Reserva de valor não é apenas proteger da inflação. É ter alguma utilidade caso ninguém mais aceite como dinheiro.

    Nem sou fã do ouro, prefiro outro bem ou serviço( ou conjunto deles).
  • anônimo  27/07/2015 22:08
    "o Bitcoin é uma pirâmide."

    Isso me fez lembrar uma frase:

    Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias.
    - Carl Sagan
  • anônimo  27/07/2015 22:38
    Evidência disso? Basta ter um cérebro e usar.
    Se os primeiros usuários são os que mais tem bitcoin, que mineravam bitcoin até com um pczinho vagabundo que qualquer um tem, e se quanto mais otários entram na jogada mais os bitcoins desses early adopters se valorizam, a conclusão é óbvia.
    Bitcoin sim é que nunca vai ser dinheiro porque é volátil demais, ele tinha que ser assim porque se não o esquema ponzi nunca funcionaria.
  • anônimo  28/07/2015 03:37
    "Evidência disso? Basta ter um cérebro e usar. Se os primeiros usuários são os que mais tem bitcoin, que mineravam bitcoin até com um pczinho vagabundo que qualquer um tem,"

    Para que o bitcoin exista faz-se necessário que ele seja minerado. Isso funciona usando computadores para descobrir bitcoins que casem com um algoritmo determinado. Esse algoritmo vai dificultando cada vez mais de forma que a quantidade venha a convergir e se mantenha fixa. Os mineradores fazem a tarefa de "descobrir" bitcoins, eles tem o mérito deles e se eles não tivessem feito isso os bitcoins não existiriam.

    " e se quanto mais otários"

    O ponto aqui não é se você ACHA se isso é coisa de otário ou não. Até o momento eu tenho tido muita felicidade de lidar com o bitcoin, podendo enviar meu dinheiro para Hong Kong, EUA, ou qualquer parte do mundo sem assinar nada, nem precisar explicar nada, e vendo meu bitcoin se valorizar a cada nova crise, inclusive podendo usar cartão de crédito em USD com bitcoin.

    "entram na jogada mais os bitcoins desses early adopters se valorizam"

    Naturalmente, da mesma maneira que se você tiver uma casa, e acontecer uma valorização do mercado imobiliário, você vai ter um ganho com isso. Isso é muito natural, você precisa deixar mais claro onde está o seu ponto pois isso não é pirâmide e apenas uma questão natural de propriedade e valorização.

    ", a conclusão é óbvia.
    Bitcoin sim é que nunca vai ser dinheiro"

    Não é tão óbvio, pois eu faço compras usando Bitcoin, e se eu pudesse receberia em bitcoin (como muita gente recebe). Então pra mim é dinheiro sim, naturalmente, e é o melhor dinheiro que existe porque no cartão de crédito demora mais de 3 dias para que o vendedor receba de verdade, e o pagamento em bitcoin é feito em menos de 10 minutos.
    E não se trata de "Vai ser" e sim de que "Já é".

    "porque é volátil demais
    , ele tinha que ser assim porque se não o esquema ponzi nunca funcionaria."

    Até onde eu sei esquemas ponzi são aqueles em que você paga sem ter de volta nada, a não ser a oportunidade de chamar outro que aceite te pagar e que isso continue indefinidamente. Bitcoin existe como uma coisa escassa, há propriedade. Esquemas são esquemas, não existe propriedade sobre esquemas, veja bem... eu tenho o mesmo bitcoin que comprei a muito tempo comigo, não se trata de um esquema e sim de uma coisa escassa. Continuar a afirmar isso parece desonestidade.

    Esquemas são esquemas.
    Bitcoins são bitcoins.
    Ventiladores são ventiladores.
    Mouses são mouses.

    Se um esquema Ponzi usa um X, isso não implica em um X ser um esquema ponzi.

    Então se você quiser continuar dizendo que bitcoin é um esquema Ponzi você vai ter que arrumar alguma estripulia argumentativa para dizer que uma coisa escassa é um esquema, isso é impossível, pois coisas escassas não podem ser esquemas por definição.

    Desculpe ser repetitivo, é que chamar Bitcoin de Esquema, é tipo chamar Ventilador de esquema. E como eu disse acima:

    Alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias.
    - Carl Sagan

    Nesse caso a própria existência da evidência é impossívelmente tão extraordinária quanto sua alegação.

    --
    Sua crítica parece muito mais em relação a propriedade ou valor de mercado ou sobre o algoritmo de criação monetária do Bitcoin. Pois é isso que você criticou e não o esquema ponzi que é uma outra coisa.
  • Odeio Piramide  28/07/2015 15:12
    Cara, o Bitcoin e moedas "normais" tem seu valor atrelado ao uso da moeda como meio de troca. Apenas tem valor pq um bando de gente decidiu usar isso como meio de troca. Se ninguém mais usar o bitcoin perde seu valor. Por isso funciona de forma semelhante a uma pirâmide. Precisa manter a roda girando ou vira pó.

    Com o ouro é diferente, se ninguém mais usa para meio de troca pode ser usado por seu valor físico na indústria ou para joias.

    Da mesma forma que Governos e bancos pintam papel e criam digitos, o pessoal do bitcoin faz o mesmo, criam bits(mesmo que limitado)

    Malabarismo argumentativo fez vc ao se ater estritamente a definição do termo quando no contexto fica claro o sentido que estava sendo usado. Como vc não me parece burro eu deduzo que seja desonestidade.
  • Andre Cavalcante  28/07/2015 16:36
    Olá Odeio Piramide 28/07/2015 15:12:44,

    Você leu o artigo? Ou simplesmente respondeu pelo que acha que é a realidade?

    Do artigo:

    "Mas se ouro não é dinheiro, então o que é? Voltemos a Bernanke: ouro é simplesmente um metal precioso. É uma commodity. E tem sido usado como ativo no portfólio de muitos investidores como proteção contra cenários bastante catastróficos. Um porto seguro para preservação de valor."

    Então, não se usa o ouro hoje e há quase 6000 anos por causa de suas "propriedades físicas" ou porque pode ser usado na indústria, etc. Se assim fosse, o ouro teria um valor male e male parecido com o de outras terras-raras. É capaz de platina (que é usada como catalizador de bateriais de íons de lítio) ser bem mais valorizado que o ouro. Se usa ouro por suas "características subjetivas", isto é, como porto seguro de preservação de valor, porque "confio", dada a sua relativa escassez na natureza e, principalmente, pela valor subjetivo que damos ao ouro, que ele valerá tanto no futuro quanto vale hoje.

    Então isso que cê falou simplesmente não procede.

    Abraços
  • anônimo  28/07/2015 17:44
    'O ponto aqui não é se você ACHA se isso é coisa de otário ou não. Até o momento eu tenho tido muita felicidade de lidar com o bitcoin'

    Então vá pesquisar sobre a felicidade de gente que 'investe' nessa coisa quando estava a 1200 reais antes de cair pra 200.Vá ver a felicidade de gente que teve seu 'dinheiro' roubado por essas 'casas de câmbio' e não tem a quem recorrer (e não adianta falar que ladrão tem em todo canto, esse tipo de roubo em particular só é possível exatamente pela forma como o bitcoin funciona), vá ver a felicidade dos usuários da mtgox, que os bitconizistas idolatravam até poucos dias antes do troço desabar.

    'Até onde eu sei , a não ser a oportunidade de chamar outro que aceite te pagar e que isso continue indefinidamente. (...)eu tenho o mesmo bitcoin que comprei a muito tempo comigo, não se trata de um esquema e sim de uma coisa escassa.'
    E o que acontece com o seu bitcoin escasso se mais gente parar de querer entrar na jogada? Ah, ele não vale mais nada? Nossa! E o que é que vc disse mesmo? 'esquemas ponzi são aqueles em que você paga sem ter de volta nada'...
  • anônimo  28/07/2015 19:50
    Então vá pesquisar sobre a felicidade de gente que 'investe' nessa coisa quando estava a 1200 reais antes de cair pra 200.

    Mas veja, acho que você não entendeu o ponto. Eu entrei nessa discussão apenas por um motivo: A afirmação falsa de que bitcoin tem relação com esquemas ponzi. O fato é que não é, na realidade não tem relação alguma, isso eu já expliquei acima. Talvez essa associação aconteça devido a alguns esquemas ponzi que se baseavam em bitcoin até mesmo usando marketing fraudulento, ou mineradores USB que na verdade não mineravam nada. Mas isso em si não tem nada a ver com bitcoin. A grande maioria dos usuários de desenvolvedores bitcoin tem aversão a esquemas ponzi, essa é que a real, basta entrar nos fóruns de bitcoin. Inclusive uma das maiores bolsas do brasil, talvez a primeira ou a segunda em volume de transações, tem como contrato que os sócios não podem por contrato participar de qualquer esquema de pirâmide, se esses administradores estiverem envolvidos em qualquer esquema pirâmide eles perdem parte na sociedade por contrato. Isso não é nada absurdo, é normal: a galera que usa bitcoin não tem envolvimento em pirâmide, pois isso não tem nada a ver uma coisa com a outra, na verdade existe mais uma repulsão.

    Com relação a sua observação de que pode acontecer uma desvalorização, isso é natural, como tudo que há no mercado. O Câmbio entre moedas pode variar bruscamente com uma notícia. As ações da petrobrás caíram, enfim, isso não é nada sobrenatural, isso é normal, não tem sentido esse seu comentário. Se você entra na área de Câmbio como uma forma de investimento, você precisa entender o que está fazendo. Só estou dizendo que como um lugar para me deixar seguro o bitcoin me serviu, mas se eu quiser deixar em dólar em posso fazer isso, convertendo pra dolar e deixando ele parado. Eu não preciso deixar em bitcoin, isso é uma escolha.
    A pergunta que faço é: Você consegue ficar em dolar com essa mesma facilidade que eu? Sem usar bitcoin eu duvido muito que você tenha a mesma flexibilidade sem usar criptomoedas.

    Mas mesmo que um investimento seja ruim, isso é apenas um investimento ruim, como inúmeros outros, não há nada que diferencie bitcoin de outras moedas ou investimentos quando se diminui o escopo de análise para essa questao de valorização. Uma empresa pode se mostrar futuramente ser um péssimo investimento, igualmente natural. Daí você poderia dizer que empresas são fraudulentas? Claro que não.

    Vá ver a felicidade de gente que teve seu 'dinheiro' roubado por essas 'casas de câmbio' e não tem a quem recorrer

    Se há um roubo, há um caso a ser tratado na justiça, como já aconteceu. Se a justiça não resolveu aí é outra coisa. Afinal, você está falando sobre o que? Precisa deixar claro, de insegurança jurídica, de ineficiência judicial? Isso não tem nada a ver com bitcoin.
    Existem administradores que usam seus cargos na empresa para obter vantagens a revelia dos acionistas, então daí concluiríamos que ações deveríam ser encaradas com fraudes? Não é bem por aí.

    (e não adianta falar que ladrão tem em todo canto, esse tipo de roubo em particular só é possível exatamente pela forma como o bitcoin funciona), vá ver a felicidade dos usuários da mtgox, que os bitconizistas idolatravam até poucos dias antes do troço desabar.

    Pelo que entendi, uma das duas coisas

    1- Ou você é um especialista da implementação do Bitcoin Core (bitcoin não é uma especificação, ele funciona com base em código Core por questão de segurança)
    2- Ou você está (mais uma vez) fazendo uma alegação incrivelmente extraordinária sem uma base extraordinária a altura

    Se você diz que a forma como o bitcoin funciona facilita roubos, isso é uma coisa mais do que extraordinária, é drástica, é radical, é uma afirmação muito grave. O ponto é: Eu não vi nenhuma explicação à altura dessa gravidade, nesse sentido eu prefiro me manter cético e desacreditar que você entenda do que diz.

    Com relação ao Mtgox, o Mtgox não é o bitcoin, Mtgox é um site, uma empresa que pode funciona como wallet. Se houve um roubo isso não tem a ver com o bitcoin e seu protocolo. Tem a ver com a MtGox. Se o Banco te rouba ouro, isso tem a ver com a escassez do ouro? Claro que não, Tem a ver com o roubo do banco. Seja um problema com funcionário interno, seja de uma fraude dos donos, isso não tem nada a ver com a natureza do ouro.
    Se a MTgox roubou, como você afirma, isso não tem a ver com a natureza do bitcoin e sim com a natureza do Mtgox. Mas ninguém te impede de manter a sua carteira no seu computador ou no seu pen drive. Assim como ninguém te impede de deixar seu ouro em casa.

    E o que acontece com o seu bitcoin escasso se mais gente parar de querer entrar na jogada? Ah, ele não vale mais nada? Nossa! E o que é que vc disse mesmo? 'esquemas ponzi são aqueles em que você paga sem ter de volta nada'...

    Mas que pergunta sem pé nem cabeça. O que acontece com o preço de X se ninguém mais quer X? Ora bolas, que pergunta boba. Isso não parece nem um debate sério. Se ninguém quer mais comprar Tamagochi então quer dizer que Tamagochi é um esquema ponzi? Mas é claro que não.
    Esquema ponzi é um esquema em que você paga sem receber nada, e outras pessoas te pagam para poderem seguir, e assim por diante, mas o que isso tem a ver com desvalorização de bitcoins ou tamagochis? A resposta é: Nada. Como qualquer moeda alguém usa como meio de troca e outros como traders, isso é assim em qualquer moeda. Outros investem em câmbio pensando em longo prazo, independente da moeda. Mas o que isso tem a ver com a natureza do bitcoin? Isso tem mais a ver com a natureza de investimentos, especialmente em câmbio.
    Então por que você quer insistir nisso?
    Se ninguém quiser mais usar bitcoin (o que eu acharia muito estranho) ele vai cair em valor de mercado, mas daí você diz que ele é um esquema ponzi? Como você chegou a essa conclusão mágica? Isso beira ao ridículo, você precisa afirmar coisas que tenham respaldo lógico, assim fica difícil. De acordo com essa sua colocação qualquer investimento é um esquema ponzi, pois exige que o valor futuro seja maior do que o valor presente, não tem como discutir assim.
  • Odeio Piramide  28/07/2015 23:33
    Eu não afirmei isso. Eu apenas estou dizendo que se ninguém mais entrar na roda o ouro tem uma utilidade física que o bitcoin não possui. Isso não quer dizer que usam o ouro por causa disso.

    E nada impede que no ouro ocorra algo semelhante a uma pirâmide. Pode ser algo misto, não precisa ser um ou outro.

    E quando eu falo pirâmide é por semelhança, ok?

    O misto de valor real(físico) com pirâmide ocorre exatamente por causa da escassez do ouro. O "travamento" devia ser feito pelo custo e não pela escassez. Sendo esse custo mais estável/fixo que no bitcoin senão se torna uma pirâmide. Por isso não sou fã do ouro e prefiro outra commodity onde a trava é o custo de produção. E a trava para não se valorizar muito é o lucro. Assim mantem a estabilidade da moeda.

  • asdasdas  29/07/2015 14:28
    As primeiras pepitas de ouro era só pegar com a mão na terra, não precisava de esforço e nem equipamento. Isso é uma grande vantagem aos "early adopters" do ouro, sei lá quantos milhares de anos atrás. Isso não quer dizer que o ouro seja uma pirâmide.

    Antes do padrão ouro existiu o padrão-vacas e outros padrões. A moeda era a commodity mais líquida, e o valor dela tinha um prêmio pela sua utilidade de troca. Quem foi "early adopter" (comprou ou produziu antes da adoção como moeda) ganhou muito.

    Especular com BTC é idêntico a especular com ações, opções ou contratos futuros: precisa "dinheiro novo" indo atrás daquele ativo para o especulador sair com ganho de curto e médio prazo. Se o fluxo for negativo (pressão vendedora) o preço cai. Isso não tem nada de pirâmide, é só oferta e demanda mesmo.
  • Liberalismo  27/07/2015 20:02
    Mike Maloney, Ron Paul, Jim Rickards, Gerald Celente, Peter Schiff, Bill Holter, Robert Kiyosaky, entre tantos outros, iriam "adorar" este artigo...
  • anônimo  27/07/2015 23:18
    Iriam mesmo, quanto mais gente acreditar nessa besteira melhor o preço do ouro pra eles.
  • Dissidente Brasileiro  27/07/2015 20:03
    A fé cega de algumas pessoas em certas coisas as impede de enxergar aquilo que é óbvio: como é que algo criado pelo governo pode trazer liberdade econômica? Ou vocês acham que eles criariam algo que mais à frente pudesse prejudicá-los? Fica a pergunta para quem tem o mínimo de coerência responder.
  • Adriano  27/07/2015 20:31
    Realmente é um artigo excelente. Parabéns.

    Mas algo me ocorreu ao ler o artigo: se criptomoedas vierem a ser de fato amplamente aceitas como meio de troca e as moedas fiduciárias entrarem em descrédito; é possível que os governos retornem ao padrão ouro justamente por ser possível bloquear e confiscar o ativo físico. Seria a ironia das ironias, mas não seria surpresa - governo só faz algo certo quando não tem outra opção.
  • LUCIANO SILVA  27/07/2015 22:17
    As proposições abaixo dão um questão de raciocínio lógico (Tabela Verdade):

    "(...)Governo só faz algo certo quando não tem outra opção".

    O único governo bom é aquele que não existe.
    O segundo melhor governo é aquele que menos governa.


  • anônimo  27/07/2015 22:44
    É muito mais fácil pro governo ferrar a vida das criptomoedas do que ferrar o ouro.
    Aliás já andaram prendendo um monte de bitcoinzistas pelos states
    www.slashgear.com/bitcoin-user-arrested-for-4-5m-ponzi-scheme-08354674/
    www.forbes.com/sites/andygreenberg/2014/03/05/indicted-bitcoin-mogul-charlie-shrem-defiant-in-first-public-appearance-since-arrest/
    www.businessinsider.com/report-ceo-of-major-bitcoin-exchange-arrested-2014-1
  • Beto  28/07/2015 21:02
    No momento que os governos entederem o bitcoin ele irá acabar. Irão taxa-lo, proibi-lo e etc...

    Não entendo tanto de economia, mas entendo de informática. Digo pra voces...NÃO EXISTE ANONIMATO NA INTERNET. Simples assim. Prova disso é que até os responsáveis pelo Silk Road foram presos. Se o governo quiser achar alguém na internet, vai achar (falando de governo "competente" tipo EUA ou Alemanha). Talvez não consiga acessar a conta pessoal do usuário de bitcoin pela criptografia, mas nem precisa. Só precisa descobrir quem está usando (e isso é inevitável) e certamente conseguirá acha-lo e taxa-lo, multa-lo ou prende-lo.

    Bitcoin é lindo, mas assim como o padrão ouro, o governo PODE ferrar tudo. O que as pessoas não entendem é que precisa haver um computador físico operando como servidor...e esse servidor sempre será rastreável.
  • Andre Cavalcante  03/08/2015 14:40
    "O que as pessoas não entendem é que precisa haver um computador físico operando como servidor...e esse servidor sempre será rastreável"


    O que as pessoas ainda não entenderam é que Bitcoin é uma rede descentralizada. Não existe isso de servidor... Existem centenas, talvez milhares de servidores hoje que operam a rede Bitcoin
    É difícil colocar isso na cabeça das pessoas?

  • Renato  27/07/2015 21:44
    Dólar a R$ 3,36 !!


    Logo vi que a fantástica recuperação que nossa indústria vem apresentando desde o início do ano (produtividade cada vez maior e contratações em alta) não era à toa.
  • Vinicius  28/07/2015 11:42
    Não se esqueça do aumento fantástico das exportações graças ao câmbio.
  • Renato  28/07/2015 14:53
    Eu também queria que alguém explicasse como eu saio ganhando em ter cada vez menos produtos disponíveis para eu comprar no mercado.
  • Parcus  27/07/2015 23:03
    Bem, faltou citar um fator fundamental, que todas as moedas emitidas pelo governo tem um "lastro". Toda a propriedade privada que depende de impostos para não serem tomadas a força. Inclusive a primeira moeda fiduciária (Inglaterra) circulava paralelamente ao ouro sem qualquer lastro, e seu valor não era nulo. Bitcoin, por outro lado, é puramente confiança, e é por isso que não acredito que ele irá substituir moedas fiduciárias, fora em casos extremos de socialismo e caos civil e economico.

    O fim do padrão ouro é um experimento monetário recente e acho que é cedo demais para afirmar que ele é estável, por isso dou toda razão a quem guarda um pouco de metais preciosos. Pessoas afobadas podem achar que 40 anos é pouca coisa, mas acho que em termos históricos ainda há muito tempo para descobrir-mos as verdadeiras consequências desse sistema. Em uma situação assim teremos:

    Ouro: com valor intrínseco
    Moeda fiduciária: com valor intrínsico que diminui de forma constante e previsivelmente menos preciosas a cada momento; e
    Bitcoins: Sem valor intrínseco nenhum, não consigo nem imaginar direito em que realidade bizarra isso de fato seria usado como uma alternativa ao dólar.
  • Helio Angelo JR  29/07/2015 04:40
    Concordo plenamente!
  • Pobre Paulista  27/07/2015 23:29
    Fernando,

    As Criptomoedas não configuram bem escassos. Ao passo que uma delas em particular pode ser limitada à quantidade de hashes computáveis, a quantidade de algoritmos possíveis (e suas correspondentes criptomoedas) é infinito, ou seja, trata-se de um bem não escasso. Podem existir infinitos algoritmos de hash e portanto infinitas criptomoedas.

    O que tornaria uma criptomoeda em particular aceita no mercado - como exemplo o bitcoin - é justamente o efeito de rede. Mas oras, porquê o ouro não poderia ter o mesmo efeito de rede? Não há absolutamente nada no bitcoin - ou em qualquer outra coisa - que o faça superior ao ouro neste quesito.

    Entendo que o ponto central aqui é separar o conceito do meio de troca da sua reserva de valor - sim, o ouro perdeu seu status de meio de troca, mas nem de longe perdeu seu status de reserva de valor. E a causa disso é simples, o ouro ficou forte demais para ser usado em transações cotidianas, deixando essas trocas à cargo de meios de troca mais fracos (como por exemplo, cédulas de papel e moedinhas). O bitcoin está ganhando lentamente este território, muito mais pela agilidade da transação do que pelo seu valor intrínseco (Note que o Litecoin é muito melhor para isso mas ainda assim não "pegou"). Mas lembre-se que o governo pode acabar com a festa em uma única canetada...

    Longa vida ao ouro. Longa vida às criptomoedas. Mas cada um com sua função.
  • Thiago Teixeira  27/07/2015 23:43
    Artigo impactante... Antes de tudo pragmático, como se dissesse: "as ações dos governos no intuito de eliminar o irritante ouro como moeda surtiram efeito; eu me rendo"
    A discussão aqui na parte de comentários corre em altíssimo nível. Parabéns.
    Bem, solto meus pitacos:
    1) a imprevisibilidade da ação humana lança nossos esforcos em fazer previsoes como um mero exercicio de futurologia (desculpem ser óbvio). A questao das preferencias pessoais, as manipulacoes a que sao sujeitas tomam proporcoes consideraveis na questao monetaria.
    2) a vantagem do bitcoin que mais admiro é a de operar à margem do sistema monetário/ financeiro "oficial", o que retira seu monopólio e incomoda, pelo menos um pouquinho
    3) entre me garantir com ouro guardado em casa e confiar numa criptomoeda dependente da internet, acreditaria no bitcoin como penúltima linha de defesa, e no ouro como último recurso. Se eu tivesse ouro, e o governo confiscasse barras custodiadas pela BM&F, seria uma violacao muito clara à minha propriedade; agentes estatais adentrarem minha casa para subtrair tais barras, então, seria um absurdo inclassificável. Já a bitcoin pode sofrer ataques especulativos do mercado financeiro quando ela meramente ganhar um porte muito grande; alem de os governos poderem bloqueá-las com poucas medidas.
  • Yuri  28/07/2015 00:09
    Só digo uma coisa aos Bitlovers, como engenheiro de computação: Vai confiando em Software...


    Bitcoin é muito INFERIOR ao ouro. Bitcoin parte da premissa de que não se pode quebrar sua criptografia. Realmente atualmente não se pode, mas com o advento da computação quantica, todos os coins estariam expostos....

    Teríamos que ter algoritmos quanticos de criptografia (ainda não inventados).


    Aí eu pergunto: e quem vai fazer a conversão? quem garante que o padrão bitcoin vai valer algo quando surgir o quantumcoin? Enfim... nenhuma moeda tem valor. Acaba que todo meio de troca é fiduciário! mesmo o ouro.

    Se você me diz: quem vai decidir o valor é o mercado. Certo, concordo. Só que há o risco de o mercado simplesmente dizer que os coins de hj não valem nada e você perder tudo.

    O ouro, pelo menos, ainda tem aplicação industrial e estética, coisa que os coins não têm. O ouro dá para ser comprado como ouro físico, embora não seja fácil. Os coins não.

    O ouro não está sujeito a bugs e outros problemas. Percebam que o bug só aparece quando menos se espera... enquanto não dá pau, todo mundo segue cantando dizendo que é perfeito... kkkk ta certo!

    O ouro não pode ser ignorado como se nunca tivesse existido. No pior caso, pelo menos, ele existe. Já os coins nunca existiram, é tão fiduciário quanto os demais papeis-moeda....

    Me espanta um site libertário defender uma moeda fiduciária. Talvez não inflacionária (POR ENQUANTO), mas com certeza fiduciária.
  • atorres1985  28/07/2015 04:05
    1 - Se for possível quebrar a criptografia do Bitcoin, na boa, ninguém nesse planeta estará seguro. A criptografia envolvida no BTC é tão ou mais complexa que todas as já produzidas hoje em dia, e com código aberto amplamente disponível. Se seu medinho é que quebrem a criptografia do BTC com softwares quânticos, você deveria pensar em algo BEM mais apavorante: o seu banco sendo invadido por quantum hackers.

    2 - Há o risco de qualquer coisa perder o valor subjetivo. Será que, por exemplo, numa sociedade que está à beira da fome, o ouro ou um Guernica valem alguma coisa? Se seu medo é que as coisas percam o valor do dia para a noite, deveria ficar com mais medo de o real brasileiro estar cada vez mais desvalorizado.

    3 - O ouro já tem seus problemas. Além do mais, as pessoas já estão mais ou menos acostumadas a lidar com dinheiro eletrônico. Tem gente que nunca sacou um centavo na vida, só passa o cartão de débito.

    4 - Qualquer moeda, nesta definição aberta de fiduciária, é fiduciária. Porém, as moedas dos países são lastreadas a cassetete, e o bitcoin é lastreado a gente.


    5 - Por definição, o bitcoin não inflaciona. Ele não passa por uma line printer.
  • anônimo  28/07/2015 17:32
    '5 - Por definição, o bitcoin não inflaciona. Ele não passa por uma line printer.'

    Errado, inflaciona sim, a única diferença é que a taxa de crescimento diminui com o tempo até chegar o ponto de crescimento praticamente nulo.
  • Andre Cavalcante  28/07/2015 16:51
    Ao Yuri,

    "Só digo uma coisa aos Bitlovers, como engenheiro de computação: Vai confiando em Software..."

    Bom todos os bancos que conheçi operam com software e criptografia. Então, acho que eles confiam e bastante, não?!


    "Bitcoin é muito INFERIOR ao ouro. Bitcoin parte da premissa de que não se pode quebrar sua criptografia. Realmente atualmente não se pode, mas com o advento da computação quantica, todos os coins estariam expostos....
    Teríamos que ter algoritmos quanticos de criptografia (ainda não inventados)."

    Você deve sofrer de algum problema lógico-mental. Em outras palavras o que você está afirmando é: o advento da computação quântica permite a "quebra" de criptografias, mas não permite que se faça novas criptografias. Faz sentdo isso? Um algoritmo que quebra uma criptografia (usa a mesma matemática das criptografias) e não permite que se crie uma nova criptografia (apesar de usar a mesma matemática). Pois é, também não entendi nadinha dessa sua lógica.

    Agora a lógica correta: o advento da criptografia quântica irá permitir a troca de todas as criptografias atuais para o seu modelo, aumentando-se enormemente a segurança dos sistemas.


    "Aí eu pergunto: e quem vai fazer a conversão? quem garante que o padrão bitcoin vai valer algo quando surgir o quantumcoin?"

    Ué, mas não surgiu a quantumcoin? Então, a quantumcoin será a sucessora do bitcoin. Não entendi o problema. Quem vai fazer a mudança? Ora, as pessoas que deixarão de usar bitcoins e passarão a usar quantumcoins. Ou você está dizendo que não seria possível "comprar" quantucoins?


    Dai para baixo seu texto é ininteligível.

  • anônimo  28/07/2015 17:28
    'Você deve sofrer de algum problema lógico-mental. Em outras palavras o que você está afirmando é: o advento da computação quântica permite a "quebra" de criptografias, mas não permite que se faça novas criptografias.'

    É vc que tem um problema de raciocínio lógico, André.Hora nenhuma ele disse isso, pelo contrário:

    'Teríamos que ter algoritmos quanticos de criptografia (ainda não inventados).
    Aí eu pergunto: e quem vai fazer a conversão? quem garante que o padrão bitcoin vai valer algo quando surgir o quantumcoin? '


    O ponto que vc ignorou por completo, talvez porque não conseguiu compreender, é que com criptografia quântica todos os bitcoins do mundo obsoletos.Sim, é possível criar um novo bitcoin com essa tecnologia, mas os bitcoins de hoje não valeriam mais nada.
  • Andre Cavalcante  29/07/2015 16:57
    Sim, quando houver uma criptografia quântica o algoritmo de bitcoins pode se tornar obsoleto, assim como todos os software do mundo que guardam segredos tanto nos governos quanto nos bancos, mas como Engenheiro da Computação, como dizes, sabes que tais coisas não acontecem da noite para o dia. É preciso tempo, e durante os esforços de desenvolvimento, já dá pra fazer uma série de upgrades nos sistemas.

    Você, como engenheiro, deveria saber que brechas são encontradas todos os dias nos mais diversos software, e o bitcoin já teve vários upgrades. E vai continuar tendo.

    Agora, vamos supor que, por mágica, algum laboratório do mundo encontre a fórmula de se criar um processador quântico que funcione de verdade. O que você acha que os criadores iriam roubar primeiro: meros 3 bi USD (o mercado de bitcoins) que, como dizes, ao fazer isso, não valeriam mais nada, ou os trilhões guardados no FED que são de propriedade dos bancos, que ainda valerão alguma coisa mesmo após o roubo?

    Mas, vamos supor que isso acontecesse (não vai acontecer porque se trata de uma mudança tecnológica que envolve, além de sofware, hardware e uma porção de outras coisas, incluindo o entendimento da física quântica e teoria da informação), para o bem da argumentação. Você acha que os bancos, governos e, claro, todo o pessoal que envolve os bitcoins não fariam nada? Ficariam sentados olhando suas riquezas serem roubadas? Não! na sequência do uso de um novo algoritmo que hackeasse a blockchain, uma cópia poderia ser feita usando o novo algoritimo recém descoberto para se criar uma codificação mais forte. De fato algo parecido com isso já ocorreu, nos primórdios da blockchain, em que um bloco errado foi propositamente colocado na blockchain, detectado e, um consenso em apenas alguns minutos, todos os mineradores fizeram o upgrade para uma versão mais nova do programa.

    Para quem se diz engenheiro da computação, pareces entender pouco de como os sistemas realmente operam.
  • Yuri  30/07/2015 03:57
    Blablabla... só vi insultos nessa tua resposta. Praticamente nada construtivo, como já é de costume aqui: quem vai contra o texto leva na cara (o povo aqui mal lê, é xiitismo total). Mas vamos lá, como eu sou MUITO paciente, vou tentar te explicar:

    Você compara alhos com bugalhos. Uma coisa é um bug em um software comum, outra coisa é um bug na moeda. A perda de confiança na moeda gera caos. Você como leitor de Mises deve ou deveria saber disso.

    Um banco ser roubado por um invasor é uma coisa, todo o mercado financeiro ser ameaçado é outra. Acho que vai ser difícil explicar aos velhinhos que a economia de toda a vida deles foi hackeada por um moleque de 15 anos.

    Jogando de lado esse risco, que parece que ficou como o ponto principal do meu texto, o que eu estou dizendo é que o Bitcoin é uma moeda fiduciária, tanto quanto é o Real. A única diferença (e vantagem) é realmente não ter o governo lá para ligar a impressora feito louco, ou os bancos que destroem a moeda multiplicando por 10 seu valor de face sem produzir 1g de PIB. Concordo. O Bitcoin é superior ao Real e às moedas em "papel" fiduciárias

    Porém, o bitcoin é, por si, fiduciário. Tá... você vai me dizer que tem um hash inquebrável que é gerado por processos eletrônicos que tomam tempo etc e por isso ele é escasso blablabla... Até quando? Até entrar em produção de verdade.... aí vão aparecer mil soluções para criar bitcoins do nada, novas versões e por aí vai. Vai virar inflacionário no momento que começarmos a usá-lo. Por enquanto é só conto de fadas.

    Já o ouro, se tomado como moeda, não é inflacionário. Só tem como inflacionar o ouro aumentando a mineração (que por si tem limites) e diminuindo seu consumo industrial. Mesmo assim, não chega nem perto das moedas fiduciárias.

    O ouro é sim superior ao bitcoin. Não necessariamente o coin deve deixar de existir. Muito pelo contrário: a concorrência entre moedas é algo positivo Além disso, o coin é mais prático que o ouro. Muito mais. MAS, não me venha com esse papo de que o bitcoin é perfeito, que é inquebrável e outras baboseiras por que não é verdade. É enganação achar que um software é perfeito. Só no mundo das fantasias ou no país das maravilhas existe isso. Existem riscos sim, como tudo na vida.


  • Andre Cavalcante  31/07/2015 19:48
    Ao Yuri 30/07/2015 03:57:30

    "Blablabla... só vi insultos nessa tua resposta. Praticamente nada construtivo, como já é de costume aqui: quem vai contra o texto leva na cara (o povo aqui mal lê, é xiitismo total)."

    Vamos ver...

    "Mas vamos lá, como eu sou MUITO paciente, vou tentar te explicar:

    Você compara alhos com bugalhos. Uma coisa é um bug em um software comum, outra coisa é um bug na moeda."

    Aqui você mostrou que nada sabe sobre bitcoins. As únicas coisas que usam criptografia são as chaves públicas/privadas das carteiras e, claro, o código que deve ser quebrado para se gerar novas coins. A blockchain é pública! Mas, entre um e outro bloco há um vínculo (que aparece quando o código é quebrado: algoritmo chamado proof to work!). Então, quebrar a blockchain é um feito e tanto, mesmo para computadores quânticos: é preciso modificar a blockchain em cada computador que tenha uma cópia válida (e isso simultaneamente [na prática em menos de 10 minutos]). E essa é uma tarefa muito, muito difícil! (a rede bitcoin é hoje, a rede de maior poder de processamento do mundo, maior que qualquer computador sozinho ou qualquer outra rede privada, incluindo a rede da Akamai e do governo americano). O outro tipo de hack que pode haver sobre a rede de bitcoins é o hack de 50%+1 da rede, isto é, usar um poder de processamento tal que supere todos os outros nós da rede e aí se inserir um bloco novo, devidamente preparado com, ao menos, uma transação que coloque bitcoins a mais em uma wallet. Você gasta um poder de processamento que não ainda existe, portanto, significa um gasto de materiais e energia equivalente a metade de tudo que se tem em termos de processamento da rede bitcoin, para conseguir uns míseros bitcoins no fim das contas. Simplesmente não vale a pena.


    "A perda de confiança na moeda gera caos. Você como leitor de Mises deve ou deveria saber disso."

    Nunca dissemos o contrário. Aliás, a grande sacada de Nakamoto e o motivo primeiro dele ter construído o algoritmo de uma blockchain descentralizada, baseada no bittorrent, é que houve a crise de 2008, onde a confiança no sistema monetário atual foi pro buraco.


    "Um banco ser roubado por um invasor é uma coisa, todo o mercado financeiro ser ameaçado é outra."

    Todo o mercado financeiro está sob ameaça agora. Novamente, quem colocou as premissas foi você de que alguém pudesse "inventar" um computador quântico, da noite pro dia, capaz de quebrar a criptografia de qualquer wallet bitcoin. Neste caso, que foi o meu argumento e que você ignorou solenimente, é que quem tivesse tal poder de processamento iria roubar dólares, euros etc. dos bancos. Iria roubar coisas que ainda valeriam algo mesmo após o roubo. Alguém roubar todos os bitcoins ("quebrar a blockchain") coloca o valor do bitcoin simplesmente em zero, segundo a sua premissa.


    "Acho que vai ser difícil explicar aos velhinhos que a economia de toda a vida deles foi hackeada por um moleque de 15 anos."


    Interessante, o moleque de "15 anos" resolveu ferrar com 3 bi de dólares em bitcoins, só pra zoar, porque depois não iria valer mais nada mesmo, e deixou as aposentadorias dos velhilhos intactas em um banco em que ele poderia, usando as mesmas técnicas e materiais, roubar e ficar com ela. Esse é o seu raciocínio?


    "Jogando de lado esse risco, que parece que ficou como o ponto principal do meu texto, o que eu estou dizendo é que o Bitcoin é uma moeda fiduciária, tanto quanto é o Real."

    Errado! O Real é uma moeda fiduciária de uso forçado. Bitcoin é moeda eletrônica de aceitação voluntária. Há muuuuuita diferença entre esses conceitos...


    "A única diferença (e vantagem) é realmente não ter o governo lá para ligar a impressora feito louco, ou os bancos que destroem a moeda multiplicando por 10 seu valor de face sem produzir 1g de PIB. Concordo. O Bitcoin é superior ao Real e às moedas em "papel" fiduciárias"

    Uau! Já se contradisse, ou melhor, não era você que dizia que bitcoin não valia nada?


    "Porém, o bitcoin é, por si, fiduciário. Tá... você vai me dizer que tem um hash inquebrável que é gerado por processos eletrônicos que tomam tempo etc e por isso ele é escasso blablabla... Até quando? Até entrar em produção de verdade...."

    Já há 3 bi USD rodando no mundo na forma de bitcoins. Isso é mais produção "de verdade" do que muita empresas no Brasil.

    "aí vão aparecer mil soluções para criar bitcoins do nada, novas versões e por aí vai. Vai virar inflacionário no momento que começarmos a usá-lo. Por enquanto é só conto de fadas."

    Um conto de fadas que, conforme os seus argumentos, deveria ter acabado há muito tempo, e já vai com 7 anos. E o bitcoin tem uma inflação conhecida. Não há surpresa na oferta, só há variação na demanda.



    "Já o ouro, se tomado como moeda, não é inflacionário. Só tem como inflacionar o ouro aumentando a mineração (que por si tem limites)"

    Já se contradisse na mesma frase. Se aumenta a mineração, aumenta a produção de ouro, logo é inflacionário. Se a mineração e estabilizar, a produção de ouro, que é contínua, insere uma fração de novo ouro por ano (+- 2%), então é inflacionário do mesmo modo.

    "e diminuindo seu consumo industrial."

    O consumo industrial é infinitamente pequeno se comparado com o uso como ativo!

    "Mesmo assim, não chega nem perto das moedas fiduciárias."

    Claro, as moedas fiduciárias, de uso forçado, são inflacionadas pelos seus respectivos governos que as emitem. Bitcoin não tem "governo" para inflacionar além do previsto no protocolo. Se surgirem outras moedas mais inflacionadas, e o mercado assim o desejar, maa o bitcoin e usa outra moeda. Se não, bitcoin prossegue.


    "O ouro é sim superior ao bitcoin. Não necessariamente o coin deve deixar de existir. Muito pelo contrário: a concorrência entre moedas é algo positivo Além disso, o coin é mais prático que o ouro. Muito mais. MAS, não me venha com esse papo de que o bitcoin é perfeito, que é inquebrável e outras baboseiras por que não é verdade. É enganação achar que um software é perfeito. Só no mundo das fantasias ou no país das maravilhas existe isso. Existem riscos sim, como tudo na vida."

    Nunca dissemos que o bitcoin é perfeito. Nem que é inquebrável. Só dissemos que ele pode evoluir.


    "Blablabla... só vi insultos nessa tua resposta. Praticamente nada construtivo, como já é de costume aqui: quem vai contra o texto leva na cara (o povo aqui mal lê, é xiitismo total)."

    Não te insultei em nenhum momento de minhas respostas. Agora vou te insultar: perguntar não ofende! A resposta pode ofender! Se não queres ler/ouvir nada ao contrário do que você pensa, porque raios posta em um site libertário? Parece um Zé Mané (nada contra os Josés e os Manoeis, é só modo de expressar :) ...) E outra, falas pra ti mesmo. Se tivesses te dado ao trabalho de ler os artigos do site, saberias que eu já postei várias coisas contrárias ao artigo em questão - mostrou que és preguiçoso. - E xiitas querem ter um governo. Eu não!


  • anônimo  28/07/2015 18:02
    Não precisa nem esperar a computação quântica, nessa área a coisa mais comum é algum moleque gênio descobrir alguma falha, alguma vulnerabilidade no troço que até então era considerado perfeito.
  • Marconi  28/07/2015 01:48
    O bitcoin tem dois problemas óbvios.

    Pode não funcionar no futuro (amanhã?) e é altamente deflacionário.

    É o ouro melhorado no custo de transação e piorado na oferta.

    O dinheiro perfeito é o dinheiro eletrônico por conta do custo de transação, mas teria que ter uma oferta aumentada constantemente, para estimular os negócios e não o entesouramento.

    Além disso, seria interessante já ter embutido nele uma taxa para manutenção da atividade estatal. O dinheiro perderia valor de face e a conta do governo ganharia o correspondente. Assim, o custo de coleta de impostos tb cairia para zero.

    O ideal, portanto, é algo semelhante ao freicoin desde que com taxas pequenas. De toda forma, pode falhar no futuro tb.

  • Pobre Paulista  28/07/2015 02:48
    DEFLACIONÁRIO????

    Cara vc fumou um hash né....
  • Marconi  28/07/2015 16:50
    sim, deflacionário.
  • Vitor  31/07/2015 12:15
    Deflacionário não é. É inflacionário de maneira restrita e com uma quantia máxima já prevista.
  • Marconi  01/08/2015 17:23
    É deflacionário no sentido q interessa, ou seja, da variação dos preços.
  • Dissidente Brasileiro  28/07/2015 03:39
    Além disso, seria interessante já ter embutido nele uma taxa para manutenção da atividade estatal. O dinheiro perderia valor de face e a conta do governo ganharia o correspondente. Assim, o custo de coleta de impostos tb cairia para zero.

    Sério isso? Não acredito que você veio aqui defender mais imposto e estado. Não confundiu este site com o site do PSDB ou do PT? Tem certeza? Então vá lamber sabão, oras! Cada cretino que aparece por aqui...
  • Marconi  28/07/2015 16:55
    Não vim defender mais estado, mais impostos. Só disse que o custo de arrecadação também poderia cair pra zero, como ocorre com o custo de transação no caso eletrônico.

    Aviso: Mises não era anarquista.
  • Pedro  28/07/2015 03:28
    INICIADA A GUERRA CONTRA O IRAQUE, UMA DAS PRIMEIRAS PROVIDENCIAS DOS ESTADOS UNIDOS FOI DESLIGAR AQUELE PA'IS DA INTERNET. NA 'EPOCA, ISSO FOI AMPLAMENTE DIVULGADO PELA IMPRENSA. A SEDE DA INTERNET EST'A NA CALIFORNIA. LULA QUERIA, EM SUA SANTA IGNORANCIA E PRETENCIOSIDADE, QUE OS ESTADOS UNIDOS TRANSFERISSEM O CONTROLE DA INTERNET PARA A ONU. COMO NAO EXISTE BITCOIN SEM INTERNET, VAI DA'I...
  • Andre  28/07/2015 15:54
    "A SEDE DA INTERNET EST'A NA CALIFORNIA.".

    Pô cara, não anuncie por aí que a sede da internet está na califórnia, senão os terroristas vão descobrir e vão lá roubar a internet!

    É segredo! Pshhhhhhh!!!


  • Pára, Pedro  28/07/2015 23:33
    Não sei ao certo se esse Pedro está falando a sério ou apenas trollando.
  • eugenio  28/07/2015 06:56
    E "PARA SE FAZER EXISTIR"?

    UMA MOEDA QUE SERVE PARA "SÓ DE VEZ EM QUANDO"?

    UM PENDRIVE,UM CARTÃO DE MEMÓRIA,COMO SERIA OPERACIONALIZADO?

    Só serve ,hoje,a moeda digital,em alguns ambientes,nichos sociais;experimente andar e tentar usar,(comprar e vender coisas,pagar serviços) pelo mundo,vilarejos,zonas rurais,lugares conflagrados ,hoje impossível e amanhã como seria, qual ferramenta se usaria para transacionar bitcoint?

    A moeda digital precisa de uma ferramenta auxiliar,celular,tablet,computador,para que se faça existir,então ,sem sinal de cel e internet,sem banco de memória portatil,SEM UM USUARIO COM CONHECIMENTO DO ASSUNTO,já "não tem negócio;".

    Um milionario de bitcoint é um "pelado",nem um cachorro quente consegue em ambiente onde é desconhecido, e não dispuser de ferramentas,infraestruturas de telecomunicação,mas com cédulas da moeda mais vagabunda do mundo ,se compra e vende uma vaca,uma galinha,qualquer coisa é transacionada em qualquer lugar,a qualquer hora.

    Alguem ilumine esta questão,pois fica a idéia de que não é operacional,no dia a dia.Não vi ninguém dar exemplos de funcionabilidade na vida pratica.Em alguns lugares cartões funcionam espetacularmente bem em outras sem chance de conseguir nem um cafezinho ou um pastel.Uma cédula da moeda daquele país,pode ser de moeda podre inflacionada, compra um pastel.



  • PAULO FERREIRA   28/07/2015 12:28
    Alguém aqui conhece essa agência de consultoria financeira Empiricus
  • Henrique Zucatelli  29/07/2015 00:21
    Sim Paulo, é uma agência independente que não faz corretagem, somente análises e alguns outros serviços premium caso deseje.

    Sou assinante de alguns serviços há um ano, e estou muito satisfeito, pois 95% de suas previsões se concretizam.
  • Yonatan Mozzini  28/07/2015 12:46
    Não sei se eu é que não sou versado em moedas digitais ou se elas não fazem o menor sentido mesmo... Afinal, em que são lastreadas as moedas digitais? É conversível exatamente no quê? Estar em posse de um bitcoin é equivalente a estar em posse do quê? Qual a utilidade real de um conjunto de megabytes que juntos não passam de dados num computador?

    É verdade que nem mesmo o dólar é lastreado num ativo real, como o ouro, mas ao menos é lastreado em outro metal, que é o chumbo... das munições do Estado americano. Ninguém recusa o dólar. Se nós, estrangeiros, não aceitarmos o dólar, o povo americano não irá; afinal, o dólar possui curso forçado. É obrigatório seu uso como pagamento em todo o território americano. Apesar de poder ser factível apenas no longuíssimo prazo, caso o Estado americano (assim como outros Estados importantes no mundo) deixasse de existir, o dólar viraria pó. E o que ocorreria com uma moeda digital não lastreada em ativo real? Creio que teria o mesmo destino do dólar.

    Se o padrão ouro não é viável num futuro próximo, a ideia de Hayek, através da desestatização de moedas me parece muito mais factível. Afinal, caso os bancos emitam moedas, elas podem ser lastreadas em ativos reais, como ouro, ações de empresas, propriedades, letras bancárias, etc. São coisas que existem, que tem utilidade, que podem ser aceito por todos (você se recusaria a aceitar um ativo que representa um metro quadrado de uma propriedade urbana? Eu não recusaria) e que são, ou representam, de fato, a riqueza real.
  • anônimo  28/07/2015 17:51
    'Estar em posse de um bitcoin é equivalente a estar em posse do quê? '
    De nada. Mas muita gente compra e fica dando corda pros outros comprarem porque eles lucram com a especulação.
  • Shmuel  28/07/2015 13:05
    O único problema dos Bitcoins é que dependem de algo bem frágil e inseguro: eletricidade. Se uma tempestade solar 'derrubar' a malha elétrica da terra, queimar os servidores, adeus dinheiro.
    Acho incrível a confiança que os indivíduos colocam em algo tão frágil como a web.
    Desculpem se pareço antiquado e turrão, mas entre bitcoins e ouro, prefiro o último. Qualquer indígena de qualquer continente aceita ouro em troca de comida, cavalo ou qualquer outro bem.
    Duvido muito que aceite Bitcoins.
  • Ragnister  29/07/2015 01:11
    No caso de tempestade solar não é só o Bitcoin que vai brejo. Todo o sistema financeiro vai junto, dependendo da intensidade desta tempestade até os homos sapiens vão juntos. Se você sobreviver neste cenário pós apocalíptico os teus metais preciosos talvez teriam algum valor. Agora se mudarmos o cenário, o que aconteceu foi o colapso das moedas estatais. O mundo iria continuar precisando fazer transações com alguma moeda, não há dúvidas que o Bitcoin (ou qualquer outra cripto moeda) seria bem mais eficiente. O que vai acontecer amanhã ninguém sabe, mas todos nós deveríamos saber que para se proteger contra o futuro o melhor é diversificar!
  • cmr  28/07/2015 14:27
    "Qualquer indígena de qualquer continente aceita ouro em troca de comida, cavalo ou qualquer outro bem."

    Sim, mas o nome disso é escambo.

    Mas concordo com você, o ouro é ouro, cavalo é cavalo, etc... mesmo não sendo moedas.
    O que não significa que sou contra bitcoins ou qualquer outra idéia mirabolante que tenha alguma utilidade, apenas nunca aposto nem apostarei todas as minhas fichas em idéias mirabolantes.
  • Giovani  28/07/2015 16:43
    Esperto é o Silvio Santos que paga os prêmios da tele-sena com barras de ouro, que, nas palavras dele, "valem mais do que dinheiro".
  • anônimo  28/07/2015 18:02
    Empiricus = corretora que propala o que muitos já sabiam sobre a economia brasileira ( crise ) ....e faz disso um baita terrorismo para fins de venderem seus serviços no mercado....tipo : o mundo vai acabar e eu ofereço o abrigo antinuclear, faça a adesão logo.....rsss...eles insistiram muito na alta do dolar, muita gente alarmada foi na deles, mas o dolar ainda neste ano chegou a cair a menos de R$ 3,00......os mesmos que compraram acima de 3 voltaram a vender no pânico.....rssss....para eles interessa é induzir o giro....quanto mais giro , mais ganham !
  • Diogo  28/07/2015 20:22
    Perdoem a minha ignorância, mas essa ideia de que não se pode usar o ouro para precificar as coisas não vai contra o artigo do Leandro Roque sobre a destruição do real em que ele usa gráficos mostrando o quanto de ouro podia-se comprar com o real ao longo dos anos??

    De acordo com o raciocínio do Fernando, portanto, avaliar o poder de compra do real pela evolução do preço do ouro estaria errado??
  • anônimo  29/07/2015 00:39
    Diogo, essa idéia carece de fundamentos teóricos e empíricos. Pode até ser que o ouro não mais sirva de parâmetro para precificar os bens, mas é necessário apresentar teorias e fatos sustentando esse argumento, pois ele vai contra milênios de prática de mercado.

    Que o ouro não é dinheiro, isso é fato. Aliás, no Brasil, nem ouro, nem euro, nem franco suíço, nem iene, nem Bitcoin são dinheiro. E diria até que nem o dólar é dinheiro (suspeito que uma mercenária do interior do país não aceitaria dólares em lugar de reais). Agora, dizer que o ouro perdeu todo o seu histórico inclusive como parâmetro de mensuração de preços, aí é uma afirmação mais forte que carece de fatos, dados, argumentos e teoria.

    Caso ele tenha perdido essa característica, isso aconteceu essa madrugada, e eu não me dei conta.
  • Fernando Ulrich  29/07/2015 12:13
    Diego,

    Precisamente, acho equivocado e pouco útil fazer as mensurações pelo preço do ouro. O porquê dessa afirmação está contido no próprio artigo.
  • Andre souza  28/07/2015 20:30
    Que foto maravilhosa. Ainda chego lá. Além de um boa reserva de capital uma cidadania dupla é o meu objetivo agora.
  • Diego  28/07/2015 21:06
    Toda expectativa sobre o futuro da história humana, entendo eu, é baseada na pressuposição. Quanto mais lógica a pressuposição - como esta, feita no impecável artigo supra -, menos presunçosa é a pressuposição.

    Por outro lado, afirmar, como que uma sentença se fosse, que "o ouro não voltará a ser dinheiro" é presunção pura. Se o desenvolvimento tecnológico e a aplicação das Exatas têm coerência histórica - como que um desenvolvimento ascendente e gradual aplicado às utilidades da humanidade -, as relações humanas, que se desaguam na ciência política, para conciliar valores humanos conflitivos, assim não o são: Do mesmo modo que, a saber, finalizada a 1ª Guerra Mundial, ninguém supunha, à época, que praticamente os mesmos países iniciariam uma 2ª, que foi muito mais sangrenta, porque com recursos tecnológicos aperfeiçoados.

    A história da humanidade, no que toca às relações humanas e políticas, não tem, necessariamente, uma lógica. À medida que o tempo passa e que novas tecnologias e ideias políticas ressuscitam parcialmente modificadas, no seio do povo, a própria humanidade responderá a elas não de modo racional e confiada, mas cada vez mais instintivo.

    No mesmo passo em que a tecnologia informática é certo que foi e é uma evolução da humanidade, por meio da qual, supostamente, ri-se dos "bárbaros antepassados nossos", pode ser também que esse mesmo passo seja a direção para mostrar-nos o quanto dessa pressuposição havia presunção para um futuro dito mais auspicioso.
  • R Santos  28/07/2015 23:58
    O nível dos comentários está muito abaixo do nível do artigo.
  • Francisco Seixas  29/07/2015 00:25

    Uma opção para comprar ouro físico, bem como negociar com ouro, pode ser esta: GoldMoney


    "Talvez utilizar alguma mescla de índices de preços minimize as imperfeições de um índice apenas."

    Um índice que parece cumprir esse papel é: SCB - Stable Currency Benchmark

  • Tiago Bezerra  29/07/2015 01:14
    Muito se fala do ouro como melhor forma de ancorar uma moeda ou até mesmo substituí-la, porém me questiono se a prata não seria melhor que o ouro para cumprir essa função. Sob o meu ponto de vista a prata seria mais uma moeda mais popular, pois seria mais acessível para a classe média e até os pobres a usarem como meio de pagamento.
  • bruno  29/07/2015 12:30
    Sim, fora o uso mais intenso na indústria.

    Em termos de adornos, a prata tbm rivaliza com o ouro.
  • Pedro  29/07/2015 02:29
    Falei a serio. Peguem as noticias da epoca da invasao do Iraque,entrem no Google etc. que acharao o que registrei na memoria. A internet nao esta solta no espaco. Tem sede e esta na California. Lula, Fidel et magna cocomitante caterva queriam coloca-la sob os auspicious da ONU. E' o frenesi esquerdista de querer cortar tudo o que os USA criam ou tem sob controle.
  • Helio Angelo JR  29/07/2015 04:33
    Esse foi um dos piores artigos que já li no site. Não sou entusiasta do Ouro, mas dizer que o Ouro não é moeda e nunca mais voltará a ser, é no minimo irracional. Na minha opinião, não vejo fundamento para a valorização do dólar. "Controlem os meios fiduciarios e finalmente controlaram o mundo." O futuro é quem dirá se 6000 anos serão jogados na privada. Ouro sempre será Ouro e sempre manterá seu valor intrínseco. Ouro não rende juros, a ganancia e a ilusão da sociedade moderna. Não vou entrar no mérito do Bitcoin ou moedas digitais, mas concordo que os norte-americanos não irão querer abrir mão de sua supremacia de controlar o mundo com sua moeda fiduciária, que o diga Saddam e Kadaf, ousaram criar outros meios de troca em relação ao petróleo e foram aniquilados. A Rússia, a China e a Índia estão erradas em adquirir grandes reservas de Ouro? A escravidão na Terra nunca deixou de existir. Ouro sempre será Ouro! Um metal precioso, uma commodity, um porto seguro para precificar o valor intrínseco de um bem. As pessoas foram enganadas com o fim do padrão ouro. O Ouro foi confiscado pelo governo norte americano e que depois se tornou a nação mais poderosa do planeta, justamente por ter a maior reserva de Ouro do mundo e criar a "moeda" de troca global.
    Não há interesse em devolver ao Ouro o seu "status" de moeda na sociedade atual.
    O Tempo irá dizer quem terá razão. Ouro sempre será Ouro!
  • Anderson Nascimento Nunes  29/07/2015 12:37
    Alguém pode me recomendar uma fonte (livro/página web - preferencialmente em en_US ou pt_BR) que indique a razão de o Japão ter abandonado o uso de arroz como dinheiro para adotar metais/papel? Agradeço-lhes.
  • mkv20  29/07/2015 12:55
    Meu medo sobre o bitcoin é o governo "grande" proibir o seu uso ou uma nova criptomoeda melhor surgir provocando uma desvalorização brutal do bitcoin, se ao menos tivesse como fazer um tipo de proteção hedge seria muito mais interessante pra que é tipo eu bem cauteloso kkkkk.
  • bruno  29/07/2015 19:21
    Há quem diga que estão fazendo o mesmo com o ouro hoje...

    www.youtube.com/watch?v=Ru9mtz9-3ls
  • Diego  29/07/2015 19:13
    Como já foi mencionado em posts anteriores, os hackers e crackers podem se tornar um grande problema nesse jogo de transacionar dinheiro, já que o sistema que possibilita a utilização do bitcoin (os computadores e a internet) é o próprio sistema no qual eles, por definição, possuem amplo conhecimento e experiência.
  • Rennan Alves  29/07/2015 22:45
    Ué, pra quê eles perderiam tempo tentando quebrar o blockchain quando eles podem simplesmente invadir bancos, uma tarefa bem mais fácil - "já que o sistema que possibilita a utilização do internet banking (os computadores e a internet) é o próprio sistema no qual eles, por definição, possuem amplo conhecimento e experiência."?

    Aliás, pra quê perder tempo tentando quebrar sistemas, correndo o risco de deixar rastros e serem pegos, quando poderiam simplesmente enviar um spam via email, dizendo que houve um problema na conta bancária, com um link redirecionando para um website falso exigindo os dados da conta?

    Sério, eu fico estarrecido com o nível dos comentários deste artigo.
  • Analista de Bage  29/07/2015 23:19
    Gurizada! O negócio é o seguinte... Toda essa parada que vocês discutiram aí acima é muito interessante, muitos argumentos coerentes... Mas o gauchão aqui entende da seguinte forma: tudo é uma questão de oferta e demanda e isso não é muito fácil de explicar. Por isso, tanto ouro quanto bitcoin podem trazer surpresas desagradáveis para investidores no futuro (considerando ouro e bitcoin APENAS como ativos). Eu me protejo das ações insanas do Banco Central do Brasil diversificando em vários ativos (dólar, ações, fundos imobiliários, imóveis, ouro, etc). Agora, de fato para usar o bitcoin como moeda ainda vai levar muitos anos, senão décadas...
  • Pobre Paulista  29/07/2015 23:33
    Não é uma questão de oferta e demanda quando o governo interfere. Aí passa a ser uma questão de decisão política apenas.
  • Tano  30/07/2015 03:35
    Fala tche

    Bitcoin como ativo: Especulação, tem que comprar só com dinheiro que sobra. Minha opinião claro.

    Bitcoin como moeda: Acho complicado, certamente o governo vai limitar o uso. Ou seja, pode até permitir, mas sujeito a tanta norma e regra que não vai ter nenhuma vantagem com relação à moeda nacional.

    Pode servir para o comercio internacional, mas tem que ver se a volatilidade não atrapalha.
  • Sandro lima  30/07/2015 16:52
    Independente de ser moeda ou não, prefiro ouro.
    Ouro nunca perde seu real valor, você que pode compra-lo mais caro por conta da oferta-procura.

    Gostaria de saber então qual é o fetiche de toda nação ter reservas em ouro.

    Gosto de assistir ao canal History chanel, e já tem um tempo, onde vi um programa sobre o ouro. De como os EUA recolheram todo o ouro da população, e depois emitiu títulos desse ouro pela metade do seu preço de mercado aos seus donos.

    O ouro deixou de ser moeda, porque o governo AINDA dificulta o seu comércio.

    Se tirassem toda a burocracia, não demoraria muito para as pessoas voltassem a criar reservas.
    Acredito, que todos procuram por algo 'tangível' de fácil liquidez, e o ouro cumpre bem isso.

    Não estou dizendo de 'grandes quantidades'. mas se o cara tiver 500 mil ou 1 milhão,
    em ouro, não é lá grande quantidade.


    Para quem tem muito, o ideal é diversificar seus investimentos.
    mas para quem tem pouco, e quer segurança que independe de terceiros, o ouro é uma opção que eu com certeza utilizaria.




  • Giovani  30/07/2015 20:59
    Fico me perguntando por que será que os antigos escolheram o ouro como moeda de troca? E por quê a escolha do ouro e não outro metal, ou outra coisa qualquer, sei lá, terras, ou diamantes?! (Claro, terras em si seriam dificeis de "trocar", mas talvez um "certificado de propriedade" fosse mais fácil)

    Podem argumentar sobre a aplicação prática que tem o ouro: na indústria (beleza, mas há 6 mil anos nem existia indústria) ou como jóias, ou outra coisa qualquer. Mas essa avaliação de valor (como qualquer outra avaliação de valor) do ouro como uma jóia é subjetiva: afinal, pra mim não tem nenhum valor um brinco de ouro de 500 mil dólares (preço hipotético), ao passo que valorizo muito mais uma Ferrari. Mas sei que outras pessoas valorizariam muito esse mesmo brinco de 500 mil dólares, portanto, se eu o possuísse não seria por eu não valorizá-lo que ele não teria valor, mas sim pq uma grande maioria valora essa jóia. Confuso meu raciocínio?

    O ouro funcionou pq todos (ou a maciça maioria) acreditaram no valor dele. E isso vale até hoje. Mesmo que não se utilize mais como moeda de troca (por diversos motivos), ainda sim quem dispensaria uma jóia em ouro? Acho que o mesmo vale para o bitcoin: pode dar certo se todos acreditarem na idéia, porém tenho dificuldade para entender a sua utilidade no mundo real, tangível. O que alguém pode fazer com um bitcoin no mundo real? Até uma nota de dinheiro na Venezuela tem serventia.... e vocês sabem qual é... uma vez que o papel higiênico está escasso.

    Me ajudem, por favor.




  • Andre Cavalcante  31/07/2015 19:59


    "Fico me perguntando por que será que os antigos escolheram o ouro como moeda de troca? E por quê a escolha do ouro e não outro metal, ou outra coisa qualquer, sei lá, terras, ou diamantes?! (Claro, terras em si seriam dificeis de "trocar", mas talvez um "certificado de propriedade" fosse mais fácil)"

    A humanidade já usou várias coisas como moeda: gado, sal, milho, prata e, claro, ouro. O ouro foi escolhido por suas boas propriedades: é fácil de ser reconhecido, é razoavelmente fácil de ser transportado, é fácil de ser pesado/contado, pode ser fracionado até certo ponto, e é bonito! Mas a escolha dele no lugar de outros metais se deu justamente porque ele não tinha lá muitas outras funções, portanto, não tinha um valor muito alto para outras aplicações, ele não servia para outras coisas, exceto para adornos. Hoje ele tem mais valor para indústria, mas esse valor é ínfimo, se comparado ao valor subjetivo que ele tem. Aliás, se não fosse o uso como guarda de valor, o ouro já minerado e atualmente guardado nos cofres-fortes de vários bancos mundo afora, poderiam ser usados pela indústria por centenas de anos...

    Sou da teoria que, se não houvessem governos, o ouro seria a moeda de lastro de uma moeda virtual (talvez uma blockchain baseada em bittorrent, como o bitcoin) que registrasse as posses de certas quantidades de ouro em wallets. O limitante aqui é a restituição do ouro a partir dos terceiros que custodiariam o ouro. Esse é um limitante que, como disse o articulista, moedas puramente digitais não possuem.

    Abraços
  • Thiago Augusto  01/08/2015 00:25
    Dei uma passadinha no site da infomoney sobre o ouro, é de chorar...
    Concordo com o Giovani, o Bitcoin terá valor como moeda quando (e se) muitas pessoas acreditarem que ele tem esse valor.
    Bem, fico confuso sobre o papel da China na cotação do ouro. As suas volumosas compras de ouro deveria estar puxando a cotação para cima.
    Aliás, há a possibilidade da a China converter o renmibi para o padrão-ouro clássico?
    Que países hoje conseguiriam fazer isso? Holanda?
    .
    Leandro?
  • Auxiliar  01/08/2015 01:38
    Em reais, o ouro está nas máximas históricas (R$ 120,50). O ouro caiu em termos de dólar porque o dólar se fortaleceu. A relação entre força do dólar e preço das commodities (ouro, petróleo, minério etc.) é inversa: quando o dólar fica forte, as commodities ficam baratas, e vice-versa (vide o preço recorde do ouro, em dólares, em meados de 2011)
  • Dissidente Brasileiro  01/08/2015 04:15
    Para você comprar algo com ouro, há uma elevada probabilidade de que precise, antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação. Isso, por si só, seria suficiente para concluir que ouro, definitivamente, não é mais dinheiro. (ênfase adicionada)

    Esse parágrafo me passou despercebido na primeira leitura. Se for assim, então Bitcoin também não pode ser considerado dinheiro porque você precisa "antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação" para adquirir Bitcoins, ou não é verdade? A menos que você consiga minerar por sua conta, algo inviável para a grande maioria das pessoas atualmente.
  • Rennan Alves  01/08/2015 13:52
    "Se for assim, então Bitcoin também não pode ser considerado dinheiro porque você precisa "antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação" para adquirir Bitcoins, ou não é verdade"

    Esta frase sem o primeiro trecho fica sem sentido, o raciocínio valeria para qualquer tipo de moeda de troca (dólar, euro, real, iene, etc.).

    Releia a primeira frase:

    "Para você comprar algo com ouro, há uma elevada probabilidade de que precise, antes, conseguir dinheiro, a moeda corrente local, a fim de concretizar a transação."

    Basicamente, o que o autor disse é que a probabilidade das pessoas aceitarem ouro como troca é muito baixa, o que implicaria na troca do ouro por uma moeda local. O padeiro da esquina dificilmente aceitaria ouro na venda de pães.

    Já no caso do bitcoin:

    Bitcoin: moeda digital conquista adeptos em SE
  • anônimo  01/08/2015 19:33
    Se não dá pra comprar diretamente com ouro é porque o governo proíbe. Meia dúzia de nerds aceitando bitcoin não significa nada, na hora que o governo quiser ele proíbe isso também.
  • Andre Cavalcante  03/08/2015 20:52
    O governo já proíbe. No Brasil a única moeda aceita é o Real. Você não pode ir a uma farmácia, pagar em dólares, por exemplo, e sair de lá com uma nota fiscal, emitida para um pagamento em dólares.

    O mesmo só não vale, ainda, para bitcoins porque o governo não admite que bitcoin é moeda. No dia que admitir (para proibir o seu uso, por exemplo), é o dia em que o real morre de vez e todo mundo passa a usar o bitcoin.

    E hoje, a propósito, assim como todo e qualquer ativo negociado em bolsa, tu tens que declarar o uso para a receita, inclusive discrminando o quanto foi de rendimentos que apuraste no período. É claro que quem usa bitcoins de fato jamais vai fazer isso (a não ser que queira comprar uma casa com bitcoins e registrar em cartório a compra), porque o governo não tem como rastrear isso (até tem, mas não tem como te obrigar a pagar os impostos devidos em bitcoins por transações fora de sua jurisprudência, a não ser na pancada).

    Abraços

  • Tiago RC  04/08/2015 14:33
    A nota fiscal tem que ser em reais, porque os impostos têm que ser pagos em reais. Mas não acredito que seja ilegal para o comerciante aceitar dólares ou bitcoins no lugar de reais e lidar com a conversão ele mesmo (de maneira automática por ex.). O que talvez seja proibido no Brasil seria recusar reais, caso o cliente queira pagar com eles.
  • Amazonense  05/08/2015 19:41
    "A nota fiscal tem que ser em reais, porque os impostos têm que ser pagos em reais."

    Exatamente, essa é a essência da moeda de uso forçado! Daí a proibição de usar outras moedas. Não dá pra pagar impostos com dólares (é proibido por lei), ouro ou qualquer outra coisa que não reais. Não dá pra ter uma nota fiscal, ou mesmo um título de compra de um bem qualquer, como um carro ou uma casa em moeda estrangeira (assim saberíamos melhor o quanto realmente vale um imóvel...). E não dá (é proibido por lei) para se ter uma conta em um banco com saldo em dólares, francos, euros, ienes ou qualquer outra coisa.

    "Mas não acredito que seja ilegal para o comerciante aceitar dólares ou bitcoins no lugar de reais e lidar com a conversão ele mesmo (de maneira automática por ex.)."

    Aí é escambo.

    "O que talvez seja proibido no Brasil seria recusar reais, caso o cliente queira pagar com eles."

    Isso também é proibido.

    A propósito, Thiago, tens operado em bitcoins, aproveitando esse último rush?
  • Luiz  05/08/2015 01:43
    Não se pode afirmar isso, não se sabe o que se passa na cabeça das bilhões de pessoas, o que elas iriam usar como moeda, só chegando o momento para saber.
  • Thiago Teixeira  13/08/2015 22:52
    Gostaria de opiniões:
    m.journal-neo.org/2015/08/12/the-worth-of-gold-growing-by-the-day/
  • Viktor  04/09/2015 22:03
    ahahahah... bitcoin!! Só nos ultimos 30 dias desvalorizou 20%. Só tem utilidade para fazer transações ilegais na deep web (ainda assim com risco de ser pego pela policia ou ser enganado). Bitcoin só é famoso por seus golpes, como Mt. Gox, que valorizou fraudulentamente essa "coisinha de nerd" até 1200 dolares, e desde então o valor só cai, está em "bear-market" desde a fraude do Mt.Gox. Suporta apenas 4 transações por segundo, é caríssimo de se manter (torram em energia o equivalente a 80kg de carvão mineral por transação). Já se sabe que 99% das "moedas" estão com 1% dos usuários, que manipulam seu valor a seu bel prazer. Em resumo, essa porcaria nunca será aceita em massa e ninguém a leva a sério. Se os bancos centrais e governos do mundo vissem o bitcoin como uma ameaça, bastaria gastar uns 5000 dolares por dia (o que não é nada para eles) para inundar a rede de trasações. Bitcoin não é moeda, é uma piada.

    Enquanto isso, a India, China, e Russia estão comprando ouro sem parar. A Alemanha está exigindo suas 300 toneladas de ouro supostamente guardadas no Federal Reserve, que devolveu apenas 5t, prometendo devolver o resto até 2020. As reservas de ouro da Ucrania, Libia, Iraque, Egito e Afeganistão desapareceram, foram roubadas pelos paises ocidentais nas revoluções que houve nesses países. Tudo isso por causa de uma relíquia sem valor, né?
  • Orbán  04/09/2015 22:30
    Not so fast, champ.

    t.co/grWz9ASLoJ
  • Anonimo  22/11/2015 12:18
    Isso só significa que bc não é dinheiro, como diamantes também não são, mas ele pode ter alguma utilidade mesmo assim.
  • Emerson Luis  21/11/2015 20:50

    Os governos estatizaram o dinheiro e mudaram seu lastro do ouro para a confiança na palavra deles.

    No curto prazo não parece haver reversão, mas devemos ser cautelosos quanto a dizer que algo nunca ocorrerá, melhor falar de probabilidades.

    * * *
  • Bruno  26/03/2016 11:46
    Excelente debate, Harry Dent pensa parecido com Ulrich quanto ao ouro não ser mais dinheiro.

  • Marcelo  20/06/2016 19:13
    "A questão fundamental, porém, e sobre a qual os gold bugs devem refletir, é esta: qual de suas propriedades intrínsecas é realmente essencial à função monetária?"

    Esta: o ouro não é dependente de energia para ser dinheiro ou lastrear uma moeda.


    "O Bitcoin sobressai-se ao ouro precisamente no ponto em que o último fracassou: uma forma de reserva de valor segura. À prova de confiscos. Imune a bloqueios."

    Imune exceto a um bloqueio energético. (A propósito: sou usuário e adepto do bitcoin)


    "Por todos esses motivos, o ouro pouco a pouco perde seu apelo como ativo financeiro."

    Não vejo isso acontecendo. Veja: www.zerohedge.com/news/2016-04-16/china-embraces-gold-advance-post-dollar-era e www.pravdareport.com/business/finance/17-05-2016/134444-russia_china_gold-0/


    www.descentraliza.com.br
  • gisele  26/01/2017 16:01
    eu não acho que o ouro seria uma boa troca, o melhor ainda é o real, apesar da desvalorização da Inflação...
    Eu vejo muita alteração nos saldos
  • Denis Gomes Samia  13/06/2017 23:15
    Acho que temos que considerar também que vivemos ainda numa sociedade aonde manda quem pode e obedece quem tem juízo. Não pode ser desconsiderado o poderio militar e de persuasão dos países desenvolvidos na economia. Por que será que alguns países possuem armas nucleares e buscam proibir outros que tenham a não ser pela questão hegemônica. Observo que o bitcoin basicamente necessita de energia como insumo (sem energia, sem mineração) e eu pergunto somos livres em energia?
  • Alexandre Nascentes Schmitt  21/11/2017 04:33
    "O metal precioso já foi um excelente termômetro da depreciação das moedas fiduciárias...Contudo, dado o status atual de apenas commodity ou ativo de proteção, essa relação já não é mais tão estreita"

    Este trecho não estaria equivocado? Pois o ouro ainda serve para fazer uma analise da depreciação cambial do dólar, por exemplo, a quantidade de ouro que o dólar podia comprar antes e depois da Guerra do Iraque mostra como a commodities ainda possui importância monetária.
  • carlos joao mohn  28/03/2018 20:36
    O bitcoin é uma piramide de dolar.Com hora certa para desmilinguir.É preciso criar um novo padrão que tenha equilibrio ,essa bolha pelo papel pintado não pode prosseguir.Há uma necessidade de fazer o avião da alvancagem descer para a economia real,isto implica em contrariar interesses e abrir mão de regalias.E dar um basta na fantasia dos mercados de capitais voláteis a luz da internet e dos supercomputadores.
  • carlos joão mohn  28/03/2018 20:41
    Se tivermos um problema sistemico na rede de comunicações via radiação solar.Como ficaria um mundo bitcoiniano?
  • Jonas Fagá Jr.  14/04/2018 19:10

    "Porque é errado precificar pelo ouro?"

    Cof, cof, cof...

    www.zerohedge.com/news/2018-04-14/morgan-stanley-goes-full-tinfoil-use-gold-proxy-true-value-dollar
  • Henrique   31/01/2019 19:41
    Tô lendo isso em 2019
    Desde 2015 (quando o artigo foi escrito), o ouro 40% pt.bullion-rates.com/gold/BRL/Year-5-chart.htm
    O autor do texto errou feio...
  • Trader  31/01/2019 22:59
    Eu sou defensor do ouro, mas o fato de ele ter se apreciado 40% não o classifica como dinheiro. Classifica, isso sim, como um ativo ótimo para preservar sua riqueza. Mas ele não necessariamente é dinheiro. Para ser dinheiro ele tem de ser universalmente aceito e transacionado normal e diariamente. Você tem de comprar pão com ouro, pagar almoço com ouro, pagar seu dentista, seu médico e seu mecânico com ouro.


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