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O grande problema da China não é o seu mercado de ações - é o seu mercado imobiliário

Bolhas sempre explodem muito mais rapidamente do que são infladas.  E, após inflarem 159% em um ano, as ações chinesas despencaram 35% em três semanas.

Tudo isso ocorreu enquanto a economia e as exportações chinesas continuavam em forte desaceleração.  E dois terços dessas movimentações na bolsa foram feitas por investidores chineses que não têm nem sequer formação escolar.  Quão insano é isso?

O governo chinês tomou todas as medidas imagináveis (e desesperadas) para tentar conter o declínio da bolsa: começou a comprar ações de todos os tipos para conter o declínio; baniu da bolsa aqueles fundos de pensão que estavam vendendo ações; ameaçou mandar para a cadeia investidores que estavam fazendo vendas a descoberto; permitiu que 1.350 de 2.900 grandes empresas interrompessem, por um período de tempo indefinido, as transações com suas ações (que estavam em queda); cancelou as transações de outras 750 empresas cujas ações haviam caído 10% ou mais.

Insano!

Essa segunda e última bolha nas ações chinesas ocorreu precisamente porque o mercado imobiliário parou de crescer.  Ao longo do último ano, aliás, o mercado imobiliário chinês declinou

Ou seja, após décadas de especulação no mercado imobiliário, os ganhos acabaram.  Consequentemente, tanto os investidores pobres quanto os ricos foram para a bolsa de valores tentar manter suas receitas.

O gráfico a seguir mostra a evolução do índice da bolsa da Xangai desde 1990. Foram duas bolhas:

china-stock-market.png

Mas o mais interessante sobre os chineses é que eles não colocam a maior fatia de seu dinheiro em ações.  Apenas 7% dos investidores urbanos detêm ações.  E metade desses que detêm ações não investiram mais do que US$ 15 mil.  Com efeito, estima-se que os chineses colocam apenas 15% de seus ativos na bolsa — e tal estimativa talvez ainda esteja exagerada.

O que é realmente atípico nos chineses é que eles poupam mais da metade de sua renda.  Mais ainda: os 10% mais ricos da população poupam acima de dois terços da sua renda.

E para onde vai toda essa poupança? É investida no mercado imobiliário.

A porcentagem de famílias chinesas proprietárias de imóveis chega a 90%.  Para efeitos comparativos, nos EUA, essa taxa é de apenas 64%, mesmo com os americanos sendo muito mais ricos que os chineses e, consequentemente, com uma melhor capacidade de receber crédito.

E é assim porque, na China, ser dono do próprio imóvel é uma característica inerente à cultura deles.  Um homem chinês não terá nenhuma chance de arrumar uma namorada ou mesmo de usufruir um rápido encontro sexual caso ele não seja o proprietário de um imóvel — não importa o quão pequeno seja o imóvel.

O gráfico abaixo mostra a porcentagem que os imóveis representam da riqueza total da população americana e da população chinesa.

Share-of-Chinese-Wealth-Held-in-Real-Estate-Versus-US.gif

Ou seja, 74,7% das riquezas das famílias chinesas estão na forma de imóveis.  Nos EUA, essa cifra é de 27,9%.  Isso ajuda a explicar por que a bolha imobiliária chinesa é uma das maiores da história moderna.

Mas a questão principal é essa: quando essa bolha estourar e os valores dos imóveis despencarem, isso irá causar uma inimaginável implosão na riqueza dos chineses.  De uma só vez, 75% (três quartos) dos ativos das famílias chinesas serão destroçados.

Quão grande é essa bolha?  Só em Xangai, os preços dos imóveis mais do que sextuplicaram desde 2000, aumentando 6,6 vezes.  Isso representa um aumento de 560%.

Só que, atualmente, 27% dos imóveis chineses em áreas urbanas estão desabitados.

Houve maciços e esbanjadores projetos de construção na China, os quais envolveram a construção de basicamente qualquer coisa que você seja capaz de imaginar.  Como explicado neste artigo:

Durante um período de apenas dois anos, 2011 e 2012, o qual representou o ápice da tão aclamada "agressiva política de estímulos" do governo chinês em resposta à recessão do mundo desenvolvido, a China consumiu mais cimento do que os EUA consumiram durante todo o século XX!

Esse fato insano tem de ser corretamente digerido.  Eis uma maneira de colocar as coisas em suas devidas proporções.

Pense em todo o processo de urbanização ocorrido nos EUA ao longo dos últimos 100 anos.  Pense na construção de todos os edifícios comerciais, de todos os prédios residenciais, de todas as casas, de todos os arranha-céus, e de todos os shoppings que adornam as milhares de cidades americanas da costa leste à oeste.  Pense também na construção de toda a infraestrutura do país, desde as simples ruas e avenidas das cidades até as grandiosas represas Hoover, TVA e Grande Coulee, passando por toda a malha de rodovias, aeroportos, portos, rodoviárias, estações de trem, de metrô.  Pense em todos os estádios de futebol americano, de beisebol, de basquete, de hóquei; em todos os auditórios e estacionamentos que já foram construídos no país. 

Todo o volume de cimento gasto nesse processo de 100 anos foi o mesmo que a China gastou em dois anos.

Essa bolha inevitavelmente irá estourar.  E, não importa quão intensos sejam os esforços do governo para evitar essa correção, o pouso será brusco.

Enquanto os Bancos Centrais mundiais inflaram suas respectivas bolhas de 1995 a 2007, o governo chinês começou a inflar a sua bem antes e ainda não interrompeu o processo.  A minha estimativa é que a infraestrutura, os imóveis e a capacidade industrial da China estão de 12 a 15 anos a frente da demanda.  E isso se o atual processo de urbanização se mantiver às atuais e impressionantes taxas.  Com a economia mundial se desacelerando, o atual processo de urbanização chinês terá de ser afetado.  E aí esse descasamento entre oferta e demanda ficará ainda mais acentuado, o que inevitavelmente provocará uma pressão baixista nos preços.

Os chineses fizeram essa maciça reestruturação da sua economia com o intuito de criar empregos para meio bilhão de pessoas que saíram das planícies rurais do interior do país e foram para os grandes centros urbanos em busca de uma melhor qualidade de vida.  Esse maciço êxodo rural já dura três décadas.  Foi tão intenso que, apenas nos últimos 12 anos, 220 milhões de chineses migraram, mas ainda não se tornaram cidadãos legais nas cidades em que vivem.  (Veja mais sobre isso aqui).

Agora, essa ambição chinesa está cobrando seu preço.  Caso a correção da bolsa de valores prossiga, a economia e o setor imobiliário serão os próximos.  E, como dito, isso irá destruir uma maciça quantidade de riqueza, e o processo levará anos para ser superado.

E irá para muito além da China.  As ondas de choque propagar-se-ão pelo setor imobiliário de vários países.  Afinal, quem são atualmente os principais compradores de imóveis em cidades como Sydney, Cingapura, Los Angeles, San Francisco, Nova York, Vancouver e Londres?  Exatamente, os chineses.  Apenas em 2014, eles representaram 24% do total de imóveis comprados nos EUA, em um valor que chegou a US$ 22 bilhões.

Igualmente, países exportadores de commodities para a China, os quais vinham saciando o aparentemente insaciável apetite chinês por minério de ferro para suas aparentemente infindáveis construções, sofrerão com a inevitável queda da demanda que ocorrerá. 

Não é necessário ser nenhum Einstein para entender o que acontece quando compradores estrangeiros com toda essa potência repentinamente pisam no freio com força.

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Leia também:

Por que a China vai implodir

A bolha imobiliária chinesa e o espectro de uma grande recessão


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autor

Harry Dent
formou-se em economia na década de 1970, mas considerou a doutrina vaga e inconclusiva.  Tornou-se tão desiludido com o estado da profissão de economista, que preferiu se dedicar à área das finanças, a qual abrangia pesquisas econômicas, pesquisas de mercado, o estudo de tendência demográficas, ciclos econômicos, poder de compra dos consumidores e várias outras tendências.  Hoje, ele é analista de mercado internacional e se ocupar de prever mudanças econômicas e de mercado.


  • amauri  15/07/2015 14:24
    74,7% das riquezas das famílias chinesas estão na forma de imóveis. Nos EUA, essa cifra é de 27,9%. Isso ajuda a explicar por que a bolha imobiliária chinesa é uma das maiores da história moderna.? Qual o índice no Brasil?
  • Júnior  15/07/2015 14:31
    Ninguém ainda se interessou pelo Brasil ao ponto de fazer tal pesquisa. Quem souber de algo, posta aí por favor.
  • anônimo  15/07/2015 14:40
    O dia que a China virar uma democracia ela acaba. Geralmente com a democracia vem o estado assistencialista, e ai não tem chinês rico que aguente tantos chineses pobres.
  • Felipe  15/07/2015 14:47
    Eu não entendi a relação de alta poupança com a bolha imobiliária. Se é uma poupança legítima ela não poderia ocasionar bolhas, correto?

    Outra coisa, quão ruim é ter excesso de imóveis num país? Isso apenas não despencará o valor do imóvel? Ou isso quebrará alguns bancos também?

    Ultima coisa, o segredo do crescimento chinês seria sua alta taxa de poupança? Eu li comentários de economistas do globo news que a China deveria incentiva mais o consumo e menos a poupança. Uma política seria criar um sistema previdenciário. O que vocês acham?
  • Leandro  15/07/2015 15:12
    "Se é uma poupança legítima ela não poderia ocasionar bolhas, correto?"

    Na economia como um todo, não. Em setores localizados, sim.

    E por um motivo óbvio: se toda a população começa a direcionar vultosas quantias de dinheiro para um determinado setor, os preços desse setor irão crescer. Economia básica.

    Se, por exemplo, todos os brasileiros passarem a direcionar uma grande fatia do seu salário para jantar diariamente em restaurantes, os preços desse setor irão subir, mas os demais preços de todas as outras áreas da economia cairão.

    Já se estiver havendo uma expansão do crédito, os preços de todos os setores da economia subirão, e não apenas os de restaurantes.

    Essa é a diferença entre os efeitos de uma poupança genuína e de uma expansão do crédito.

    Vale enfatizar, adicionalmente, que o direcionamento da economia para o setor da construção civil, com estímulos e tudo, é uma política explícita do governo chinês.

    "Outra coisa, quão ruim é ter excesso de imóveis num país?"

    Isso é ótimo, desde que eles sejam vistos como o que realmente são: bens de consumo e não ativos especulativos.

    Se imóveis se tornam ativos especulativos, de modo que seu padrão de consumo passa a depender da contínua valorização desses ativos, então qualquer queda em seus preços afeta completamente a capacidade de consumo da população.

    Isso aconteceu nos EUA, e duplamente: os preços dos imóveis e os preços das ações desabaram, e a capacidade de consumo da população foi severamente afetada.

    "Isso apenas não despencará o valor do imóvel? Ou isso quebrará alguns bancos também?"

    Essa é outra encrenca. Se você pega financiamento para comprar um imóvel, o imóvel se torna a garantia do seu financiamento. Enquanto ele estiver se valorizando, sua situação perante o banco é ótima. Mas se o imóvel se desvalorizar, então ele deixa de servir como garantia. O valor da sua dívida se torna muito maior do que o valor da garantia (o imóvel). Consequentemente, o banco não apenas pode tomar seu imóvel, como você ainda continuará devendo dinheiro ao banco. Foi isso o que aconteceu nos EUA.

    No que mais, se os valores dos imóveis caírem, as construtoras que também pegaram financiamento para construir não conseguirão vender aos preços que imaginavam. Consequentemente, tenderão a dar calote nos financiamentos, afetando todo o sistema bancário.

    "Ultima coisa, o segredo do crescimento chinês seria sua alta taxa de poupança? Eu li comentários de economistas do globo news que a China deveria incentiva mais o consumo e menos a poupança. Uma política seria criar um sistema previdenciário. O que vocês acham?"

    Por uma questão de pudicícia, reservo-me ao direito de não emitir opiniões sobre essa opinião.
  • Rafa  16/07/2015 20:18
    Dados da Pnad de 2013:


    V0207 | Freq. Percent Cum.
    ------------+-----------------------------------
    1 | 45,116,128 69.09 69.09
    2 | 3,312,234 5.07 74.16
    3 | 11,660,932 17.86 92.02
    4 | 1,336,369 2.05 94.07
    5 | 3,458,512 5.30 99.36
    6 | 245,578 0.38 99.74
    . | 171,104 0.26 100.00
    ------------+-----------------------------------
    Total | 65,300,857 100.00


    V0207 - Condição de ocupação do domicílio

    1 Próprio – já pago
    2 Próprio – ainda pagando
    3 Alugado
    4 Cedido por empregador
    5 Cedido de outra forma
    6 Outra condição
    . Não aplicável
  • Rafa  16/07/2015 20:27
    Esquece, eu me confundi. A afirmação era sobre a riqueza e não sobre a posse de imóvel próprio.
  • Vinicius  15/07/2015 15:44
    Imóveis e famílias não sei, mas o estado brasileiro fica com 60% das riquezas do país.
  • Felipe Frazão   15/07/2015 14:33
    O problema da China é seu governo mesmo; imagina se a China tivesse um livre mercado dentro de seu território e um governo mais liberal (pra não dizer não comunista ), o quanto isso contribuiria pra economia mundial.
  • Claudio Pires   15/07/2015 15:27
    No cenário atual seria um desastre pois haveria um êxodo dessas pessoas com bastante capital. Eles "comprariam" uma África, por exemplo
  • Thauan C Santos   15/07/2015 15:28
    Fora do cenário atual, eles simplesmente se tornariam uma América Asiática. A China veria sua economia crescer a no mínimo 12% a.a. Sem contar o fato de que empresas que hoje têm o mercado regulado, lá dentro, poderiam se expandir. Causando uma aceleração na economia mundial em massa.
  • cmr  15/07/2015 15:39
    Mais cedo ou mais tarde, não haverá outra saída senão o liberalismo econômico, pois regular uma economia com bilhões de pessoas não deve ser viável, nem para governos totalitários.
  • Renato Souza  15/07/2015 16:43
    O governo Chinês não é de forma alguma comunista.

    É um governo intervencionista, mas hoje em dia, a imensa maioria dos governos é fortemente intervencionista. Um governo comunista, para ser minimamente coerente com sua ideologia, teria de estatizar todos os meios de produção. O governo chinês, desde a década de 70, tem permitido que a quase totalidade dos bens e serviços sejam produzidos por agentes privados. Mas intervém no mercado fortemente, e isso é um problema.

    Ocorre que o grupo que está no poder, o tomou com muita violência, e depois usou de violência extrema contra a população, em razão da ideologia marxista. Se abandonasse oficialmente essa ideologia, seus crimes imensos ficariam sem "justificação"...
  • Renan Faria  15/07/2015 18:11
    Quem disse que é preciso apenas concentrar a propriedade nas mãos do Estado pra ser comunista? O comunismo é uma ideologia para concentração de poder nas mãos do Estado. Se eles permim que exista uma pujante economia privada é porque sabem que é única coisa que funciona, mas tem o domínio total do poder político e mantém o povo controlado a ferros.

    Na China, o que existe de fato é uma variante do comunismo chamada fascismo. O Estado domina todos os aspectos da sociedade e põe os empresários de joelhos, permitindo que fiquem com sua propriedade e enriqueçam, mas não podem dar um pio contra o governo. Na Rússia, por exemplo, a classe que governa é a mesma corja do antigo Partido Comunista.

    O comunismo não é uma ideologia tão rígida, ela evoluiu ao longo do tempo, assim como suas estratégias de dominação. Aqui na América Latina, o Foro de São Paulo domina quase tudo e apenas agora vê sua posição ameaçada no Brasil. Eles já conquistaram o poder por meio da revolução armada, ou subvertendo as instituições que lhe fazem resistência como a Igreja, ocupam o espaço no meio cultural, fortalecem a marginalidade, enfim, o Dragão Vermelho utiliza várias artimanhas para dominar o mundo.
  • Marcelo SImoes Nunes  16/07/2015 01:06
    Renan, vinha lendo os comentários quando me vejo surpreendido pelo seu texto. Desde a morte de Mao e a reviravolta política chinesa, que começa com a prisão da viúva do ditador, que atuou fortemente na revolução cultural, venho acompanhado o que ocorre na China. E fico perplexo por nunca ter encontrado em lugar algum nenhuma análise que constate o que me parece o óbvio, a opção pelo modelo fascista. Já peguei vários ganchos no Mises tentando colocar esse assunto, que me parece da maior importância, dada sua implicação com as estratégias do comunismo internacional, sem, no entanto, ter obtido resposta alguma. É reconfortante encontrar finalmente alguém que compreendeu essa realidade.
  • Renan Faria  16/07/2015 01:26
    Obrigado, Marcelo

    Fico agradecido pelo elogio, mas a vista de todos os acontecimentos cheguei nessa percepção de que o arranjo comunista chinês possui características mais próximas à variedade fascista. Na verdade, essa é a forma de maior sucesso do comunismo, pois preserva um mínimo de liberdade econômica para a sobrevivência do sistema, mas controla com mãos de ferro todo o resto da sociedade.
  • Marcelo Simoes Nunes  19/07/2015 03:31
    Renan, não é apenas uma questão de percepção, é uma realidade eloquente. No comunismo, isto é, no regime socialista marxista leninista, o estado é totalitário, detém o controle absoluto da economia, da política, da cultura (educação, informação, contra informação etc) e da violência, pela polícia, aparato de informação, exército etc. Veja que menciono a teoria e não o socialismo real, porque nem mesmo na URSS o aparato atingiu esse purismo. No que difere esse sistema do nacional socialismo fascista ou nazista. Todos os três sistemas são socialistas estatizantes (desculpe o pleonasmo) e possuem as mesmas características, com exceção do seguinte: no nacional socialismo nazi-fascista o Estado permite a propriedade privada, mas sob rígido controle estatal. Não há propriamente um livre mercado, mas há mercado. E no nazismo se acresce o fenômeno do racismo. Fora isso, há ainda diferenças de menor importância, como a tolerância com a família tradicional, com a religião etc. Em geral o comunismo tende ao internacionalismo (mas nem sempre. Stalin é por exemplo) e o nacional socialismo, como o nome já diz é eminentemente nacionalista. E só. Assim, de comum todos são socialista, todos são adoradores do estado com E maiúsculo. E, na medida em que o socialismo real vai à falência e as atrocidades do sistema vêm a público, fica difícil defender o velho sistema. Não é de se estranhar que a partir daí as esquerdas se lancem em novas e velhas aventuras e criem novos algozes. Nasce daí o ecoterrorismo, o racismo anti racista, a teoria do gênero, o gayzismo, o feminismo e outros ismos. Não há socialismo sem o dualismo do explorador e do explorado. Como Lula, o novo socialismo é uma retórica de paz e amor, amor ao próximo, à natureza etc. Assim, nessa análise, fica muito claro o caráter fascista no regime chinês. Mas isso já não é novo. O que preocupa no momento é que as esquerdas caminham, a meu ver, nessa direção. O feroz regime cubano já dá mostras dessa mudança de paradigma. Lula é um bom exemplo: recicla o racismo nazista criando o racismo às avessas, brancos contra negros, contra indígenas e quilombolas. Apoia terroristas islâmicos anti sionistas. Opõe as elites contra a democracia dos sem terra ou dos sem teto, os heterossexuais contra os GLTS. E por aí vai. Cria da noite para o dia mega empresários amigos no novo socialismo: Eike Batista, Marfrig, JBS, Odebrech etc. E o que é tudo isso se não o mais puro e deslavado fascismo. Como os comunistas vêm o mundo através da luta de classes, e são especialistas e deturpar o sentido das palavras, viram eles no fascismo o seu extremo oposto, o que obviamente é paradoxal e ao mesmo tempo não é. De sua lógica, o fascismo perpetuaria a propriedade privada. Por isso chamam o fascismo de extrema direita. E esse é o ponto de vista do comunista. Porém do ponto de vista liberal, se se deseja usar essa dicotomia de direita e esquerda eu diria que extrema esquerda é o comunismo, esquerda é o comunismo cultural e o fascismo, direita é o capitalismo de livre mercado, centro é o capitalismo da social democracia keynesiana e extrema direita é uma palavra que só existe no dicionário dos idiotas.
  • Renan Faria  19/07/2015 10:41
    Muito obrigado, Marcelo, pois sua resposta foi muito esclarecedora.Faço apenas um adendo, pois nos países comunistas sempre existiu um mercado negro sem o qual as pessoas não conseguiriam sobreviver. Mesmo na ditadura soviética existiu um pouco de capitalismo.
  • Marcelo Simoes Nunes  19/07/2015 23:37
    Renan, estamos de pleno acordo. Releia o trecho:"Veja que menciono a teoria e não o socialismo real, porque nem mesmo na URSS o aparato atingiu esse purismo."
  • Marcos  16/07/2015 01:21
    O que realmente é o fascismo

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1343
  • Marcelo Simões Nunes  19/07/2015 02:14
    Marcos, esse texto é leitura obrigatória para quem pretende compreender o mundo contemporâneo.
    Maravilhoso!
  • cmr  15/07/2015 14:36
    Bom; pelo menos eles estão com uma infraestrutura 12 a 15 anos a frente do seu tempo, enquanto nós aqui no Brasil estamos décadas atrasados.

    A China está falida com infraestrutura, o Brasil falido sem infraestrutura.
  • Tiago silva  15/07/2015 14:44
    Gostaria muito de saber a opinião do mito Leandro Roque sobre o ele acha que vai acontecer com a bolha chinesa,se ela vai desinflar lentamente ou ela vai explodir,ceifando tudo e todos?
  • Victor Antunes  15/07/2015 15:18
    Desde que li o artigo "Por que a China vai implodir" que comento com os meus amigos que a Vale vai despencar em breve (www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/02/1585423-vale-preve-aumento-de-125-nas-vendas-de-minerio-para-a-china.shtml). Fico imaginando que outros setores aqui no Brasil serão afetados além do da mineração, puxados ou não por ele.
  • Michael  15/07/2015 15:46
    Adoraria quem alguem do Mises Brasil escrevesse um artigo sobre a bolha imobiliária do Brasil!
  • Pobre Paulista  16/07/2015 03:37
    Chegou apenas CINCO anos atrasado ;-)
  • Marcelo  15/07/2015 15:58
    Visite o
    https://www.bolhaimobiliariabrasil.com
    e divirta-se!
  • Tiago silva  15/07/2015 16:02
    Leandro permita-me a seguinte pergunta:quando se fala que uma economia cresceu porque passou a consumir mais,o correcto não seria dizer que a economia passou a ofertar mais bens,ou consumo não cria riqueza apenas pode distribuir correcto?
  • Leandro  15/07/2015 17:19
    "quando se fala que uma economia cresceu porque passou a consumir mais"

    Está-se falando errado. O correto seria: passou-se a consumir mais porque a economia cresceu, ou seja, porque houve aumento da produção e, consequentemente, da oferta.

    Apenas estimular o consumismo, sem que haja aumento na produção e na oferta, gera unicamente inflação de preços.

    "o correcto não seria dizer que a economia passou a ofertar mais bens,"

    Certo.

    "ou consumo não cria riqueza; apenas pode distribuir correcto?"

    Correto.
  • Didi  15/07/2015 16:45
    Felicitações para toda equipe do IMB, este artigo é de qualidade ímpar!

    Surpreende a massa migratória HUKOU que o capimunismo gerou, boa parcela dos chineses em tais condições tiveram suas propriedades rurais confiscadas e caso a situação econômica deteriore hão de viver como zumbis.

    Argila expandida -

    Edificações simbolicamente nada estrutural [faltou ferragem] e ao estilo DESPENCOL quando isso ruir vai ser um pega pra capar mundo afora. Mais anabolizada que nunca é imperativo ficar de olhos bem abertos com a China.

    Esse balatinho ching ling vai custar caro!
  • Dede  15/07/2015 18:39
    "Igualmente, países exportadores de commodities para a China, os quais vinham saciando o aparentemente insaciável apetite chinês por minério de ferro para suas aparentemente infindáveis construções, sofrerão com a inevitável queda da demanda que ocorrerá."

    Se considerarmos que parte do boom da economia brasileira nos últimos anos foi sustentado pelo apetite chinês, nosso futuro é sombrio. Não produzimos valor agregado e o que produzimos está com tendência de queda.
  • Felipe  15/07/2015 19:39
    Realmente partilho dessa ideia, que uma hora vai sobrar demasiados imoveis, e falta inquilinos, isso vai jogar o preço do aluguel no chão, desvalorizar tantos imóveis, e os inquilinos poderam escolher qual residencia alugal, pobre dos proprietários.

    Atte, Felipe Cardoso
  • jose wandasson  15/07/2015 19:42
    De fato existe uma bolha na China, e pelo que deu pra entender no artigo, não tem como frear mais o caminhão, mas se fizeram a infra estrutura do pais de uma forma geral, gerou qualidade de vida, certo que gerou uma dívida absurda, mas para pagar quando? ano que vem? a China tem milhares de anos, não tem problema com o tempo, o importante é o povo chinês ter bens e qualidade de vida como os países desenvolvidos tem.
    90% do povo tem imóvel? que mal isso faz? tem que saber se 90% dessas pessoas tem de fato, está quitado? se estiver quitado e ele se desvalorizar, não é problema. Acho que problema maior tem o Brasil, um problema de moradia absurda, quem mora de aluguel é escravo perdem mais de 50% de sua renda pagando aluguel, e grande maioria vive em lugares precário como aqui no RJ, paga pra se morar em uma favela, aonde consome 50% da renda do inquilino, vejo isto como um problema muito maios.

    Abraços
  • Stuart  15/07/2015 20:09
    Mas a questão nem é essa. Como os chineses irão se virar é problema deles (tenho certeza de que vão se sair bem).

    A questão principal é: quais serão as consequências desse rearranjo chinês para o resto do mundo? Quando os chineses deixarem de construir tanto e pararem de comprar tanto minério de ferro, como o resto do mundo se adaptará a essa nova realidade?
  • Diogo  15/07/2015 21:44
    O fato é que quando a bolha estourar e o consumo de minério de ferro pela China diminuir, o preço do mesmo vai baixar, acredito que neste ponto será ótimo para a economia mundial. O mesmo vai acontecer para qualquer produto que a China venha a reduzir o consumo de forma drástica.

  • Andre  15/07/2015 23:42
    Quando estourar poderá ser pior que a crise de 1929.
  • Henrique Zucatelli   16/07/2015 02:47
    Capitalismo na China, uma ova.

    Ali o controle de ideias é restrito. E nada vale mais para um libertário que suas ideias- o capital humano. A receita (até agora indo bem) de manter áreas de livre comércio é só uma jogada gramsciana para atrair capital e sustentar o Partidão, com a conivência dos próprios capitalistas, aproveitando-se obviamente do custo de oportunidade.

    Os chineses são tão bons nisso que até os impostos lá são baixos: apenas 12% sobre o lucro.

    Os capitalistas que se instalaram lá estão esses errados em tese de apoiar esse neo comunismo? Não e sim.

    Não porque se o custo de oportunidade é menor, logo produzir ali é a lógica mais sensata para a sobrevivência do negócio e o aumento dos lucros.

    E sim porque mesmo sendo capitalistas somos seres humanos, e fechar os olhos para as barbaridades do vizinho (e aplaudi-lo por isso) é pura hipocrisia. Ele pode ficar muito forte e um dia querer bater em você também. E todos sabemos que acontecem coisas grotescas naquele país, financiadas basicamente pelo mundo inteiro.

    Acredito que os desdobramentos desse landing da economia chinesa serão um divisor de águas para a economia mundial.

    Li em um artigo há alguns anos porque os chineses economizam tanto (vou tentar encontrar depois posto), mas em suma o seu verdadeiro motivo é porque lá a poupança oficial é negativa- como estamos vendo atualmente em alguns casos, e é praticamente inexistente qualquer tipo de previdência que tenha correção positiva.

    Daí poupam muito para comprar ativos que ganhem valor, pensando em uma aposentadoria segura.

    Adicione nesse caldeirão o shadow banking, que nada mais é que uma versão anabolizada de nossos saudosos agiotas. Empresta-se dinheiro sem nenhum tipo de contrato ou aval lá em quantidades absurdas, o que deixa qualquer analista de cabelo em pé.

    Na verdade o receio que eu tenho é que a resultante dessa explosão vai catalizar a quebradeira geral do setor industrial chinês, bancado em boa parte pelo governo, e em boas partes pelo shadow banking .
  • Pedro  16/07/2015 03:23
    Caros Renan e Faria,
    Esse tambem e meu entendimento. A China nao e comunista, e facista. A forma como a economia e dirigida lembra o fascism; a forma como o povo e controlado, tambem; a existencia de partido unico, igualmente; o estremado nacionalismo, idem; considerer que o povo e superior aos outros, na mesma direcao. Entretanto, nao tem um chefe a quem todos obedecem,continuam com um politburo,de tradicao sovietica. Ainda ha grande presence do Estado em grandes empresas ou em setores da industria pesada, mas a privatizacao de tudo isso continua em boa marcha. Mas tudo isso podera desenbarcar numa grande crise...
  • mr  16/07/2015 13:51
    Acho que vou comprar uma casa na China, pelo menos terei onde morar quando estiver velho, sem depender de aluguel.
  • Andre souza  16/07/2015 14:24
    Dúvida leiga: "O que é realmente atípico nos chineses é que eles poupam mais da metade de sua renda". Ok. "E para onde vai toda essa poupança? É investida no mercado imobiliário." Pode citar a fonte?
  • Marcelo  16/07/2015 16:01
    É completamente ignorado por este site e por seus artigos que a causa primordial dos ciclos econômicos é a queda da demanda agregada. Já foi dito em um determinado artigo que a demanda agregada não precisa ser estimulada porque vivemos em um mundo de escassez. Nada mais falso. Demandar é efetivamente comprar algo. Apenas desejar um determinado produto ou serviço, sem manifestar este desejo, não é de forma alguma uma demanda.

    O principal e melhor indicador da confiança em uma economia é a curva dos juros dos títulos públicos. Uma curva onde os juros de curto prazo são menores que os de longo prazo indica que existe mais confiança no presente do que no futuro, e consequentemente a demanda dos consumidores está em alta e a economia funcionando bem. Uma curva onde os juros de curto prazo são maiores que os de longo prazo indica que existe mais confiança no futuro do que no presente, e consequentemente a demanda dos consumidores está em baixa e a economia não está funcionando bem.

    Caso queiram a prova empírica disto, acessar o seguinte site:

    www.treasury.gov/resource-center/data-chart-center/interest-rates/Pages/Historic-Yield-Data-Visualization.aspx

    E colocar as seguintes datas:

    01-DEC-2006 (momento pré-crise mundial)

    01-DEC-2014 (momento de forte crescimento econômico)

    Se quiserem outra prova empírica podem acessar o site do Tesouro Nacional para verificar que os títulos pré-fixados que estão com vencimento mais distante estão com os juros menores do que os que estão com o vencimento mais próximo. Nem preciso dizer como está a situação da economia brasileira.

    www3.tesouro.gov.br/tesouro_direto/rentabilidade_novosite.asp
  • Leandro  16/07/2015 17:21
    Certo. E o que é causou essa queda na "demanda agregada"?

    A sua narrativa, além de ser incompleta, confunde causa e consequência. Sim, em todas as recessões observa-se uma queda na "demanda agregada" (aliás, isso é tão óbvio que até chega a ser uma tautologia). Mas a questão é: o que é que causou essa queda na demanda agregada?

    Você faz parecer que tudo ia maravilhosamente bem até que, repentinamente, num belo dia, as pessoas acordaram de mau humor e, coletivamente, decidiram que não iriam gastar mais nada, derrubando a demanda agregada.

    Simplesinho, não?

    Economias não entram em recessão porque a demanda caiu. A queda na demanda é consequência, e não causa.

    Crises e recessões não são um problema de baixa demanda agregada. Crises e recessões são causadas por uma expansão de crédito que, de um lado, endivida as pessoas (afetando, aí sim, sua capacidade futura de consumo) e elevam os preços, e de outro, geram vários investimentos errôneos e insustentáveis (em decorrência da distorção das taxas de juros) para os quais nunca houve demanda legítima.

    Não se trata de um problema de demanda agregada, mas sim de um problema de capital que foi desviado para aplicações que não eram genuinamente demandadas pelo público.

    Sendo assim, de nada adianta os governos incorrerem em déficits, aumentar os gastos e imprimir mais dinheiro, imaginando que tudo magicamente seria resolvido.

    O fato é que recursos escassos foram aplicados em investimentos para os quais não havia demanda. Este capital se encontra agora destruído (ou com um valor extremamente reduzido). A recessão nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

    Portanto, para acabar com uma recessão, é preciso fazer com que este capital mal investido seja liquidado e que os investimentos sejam voltados para áreas em que haja genuína demanda dos consumidores.

    O governo fazer políticas que estimulem a demanda agregada, de modo a não permitir que haja essa reestruturação do capital, irá apenas prolongar a recessão. O governo elevar impostos e incorrer em déficits irá apenas retirar poupança do setor privado, justamente em um momento em que ele mais necessita dela.

    De resto, confesso uma curiosidade: "aumentar a demanda agregada em tempos de recessões econômicas" foi exatamente o que fez o governo brasileiro. E o que isso logrou? Estagnação, aumento da incerteza, aumento da imprevisibilidade.

    Sendo assim, como você resolveria a atual situação brasileira? A demanda está em queda, mas a inflação está alta. Se você tentar readitivar a demanda, a inflação explode. Se você tomar medidas ortodoxas para conter a inflação, a demanda cairá ainda mais. O que você faria

    Já sobre o que você falou a respeito da curva invertida, você identificou corretamente a ocorrência, mas interpretou de maneira errada. A curva de juros se inverte (com as taxas de curto prazo sendo mais altas que as de longo prazo) porque os investidores, ao perceberem que o país está entrando em recessão, sabem que, no futuro, as taxas de juros cairão (por causa da recessão). Sendo assim, eles correm para garantir a aquisição de títulos de longo prazo que ainda garanta altas taxas de retorno nesse cenário de incerteza. Ao correrem para esses títulos em busca de segurança, o preço deles aumenta e a taxa de juros cai.

    Nada a ver com a "demanda agregada da economia". Pode ler mais a respeito desse assunto aqui:

    https://fixedincome.fidelity.com/ftgw/fi/FIHistoricalYield?refpr=obrfi12
  • anônimo  16/07/2015 17:57
    hehehe keynesianos e seu mundo invertido.

    Se não tivemos inflação e uma Dilma a população deixa de consumir e a economia quebra.

    Hehehe...
  • Edujatahy  16/07/2015 18:50
    "Já foi dito em um determinado artigo que a demanda agregada não precisa ser estimulada porque vivemos em um mundo de escassez. Nada mais falso. "

    kkkkk. É simplesmente incrível o quanto a ideologia keynesiana vai contra a lógica. E pensar que um dia já acreditei nisso.

    Que vergonha... que vergonha...
  • Diego Sousa  18/07/2015 01:39
    Isto que bom do ser humano. Ele pode mudar.
    Eu já acreditei nisso. E sinto-me feliz por agora poder entender melhor às coisas.
    Mas mudar de idéia também requer humildade. Então é mais um ponto positivo pra quem
    tem coragem de mudar de idéia.
  • IRCR  17/07/2015 00:21
    Leandro,

    Tem muito "especialista" que diz que em 2016 a inflação irá despencar. Concorda com essa premissa ?
  • JBALL  19/07/2015 19:25
    Leandro, só uma questão:

    A China gastando todo esse dinheiro para expandir o setor imobiliário não seria bom, uma vez que ela usaria os impostos para tal e ainda geraria emprego? Estimula a economia e os setores de material de construção. Porque se formos pensar: "esse dinheiro todo poderia ser gasto com outra coisa mais produtiva", ainda sim o dinheiro voltaria para a população quando as construtoras e lojas de material de construção fossem gastar
  • Hardball  19/07/2015 20:20
    Esse tipo de comentário tem de vir acompanhado do alerta "modo irônico ativado". Caso contrário, os eventuais novatos deste site entenderão tudo errado e terão uma péssima impressão do nível das perguntas.
  • anônimo  20/07/2015 12:10
    Pra quem acredita que um pedaço de papel chamado dinheiro tem valor por si mesmo, é facil entender porque se imagina que o mundo não tem escassez, basta imprimir mais 1 trilhao de dolares que é como criar alimentos, minerios e produtos pra esss gente que acredita nisso.
    Sem entender essa premissa básica, acho muito dificil que se entenda todas as consequencias que a EA alerta. É necessário que a população em massa entenda e se conscientize da fraude que é o sistema monetário e que o dinheiro nada mais é que um pedaço de papel hoje usado para alocação de recursos, mas não é um recurso por si mesmo (nao mais que um pedaço de papel já desenhsdo é em valor-recurso).
  • Vegas  20/07/2015 14:24
    JBALL,

    Governo é uma entidade, portanto este não consegue raciocinar, decidir, tomar ações, mas é composto por pessoas, aqui chamados de burocratas ou pelegos, em outros lugares são divindades de alto conhecimento do mundo.
    Pela sua pergunta vc os considera divindades sábias, mas não passam de pessoas como eu ou você. Este é o primeiro ponto.

    Governo, no seu exemplo a China, mas vale para Brasil, EUA, Somália, Índia, Chile... eles não são donos da riqueza que administram. Todos eles em maior ou menor grau acumulam dinheiro às custas de toda a população. Logo os burocratas (ou pelegos) administram dinheiro que veio de toda a população, desde o gari até o médico, do zelador ao empresário. Logo eles não são donos deste dinheiro, e não seriam de fato se não fosse pelo uso da coerção (arrisque a não pagar seu impostos e irá experimentar alguns anos de cadeia por seu egoísmo). Este é o segundo ponto.

    Juntando os dois pontos temos a sua visão inicial: Divindades sábias detentoras de vultosos recursos financeiros que vieram de doações e arrecadação espontânea.
    Mas olhando para a realidade temos pessoas comuns, com variado nível de conhecimento, que detêm muito dinheiro arrecadado à força de todas a população.

    Quem compra casas, apartamentos? Os políticos ou a população?
    Qual o método utilizam para saber quantas residências são necessárias? Estão construindo muito? Pouco? As pessoas querem ir para aquele local? Existem pedreiros suficientes? Se não existe será preciso aumentar os salários para atrair profissionais de outras áreas. Existe material de construção suficiente? Se não, então haverá um aumento nos preços de todos os materiais de construção para que quem pagar mais leva, até que os fabricantes aumentem seu volume de produção para faturar mais, trazendo para si mão de obra de outros setores, já que este agora paga melhor.

    A pergunta então é: Por quanto tempo os políticos conseguirão manter este sistema de injeção de dinheiro? As consequências foram medidas? Todas elas?
    Você observou somente a primeira consequência visível. E as outras que não estão tão à vista assim?
    As empresas e pessoas que tiveram seu dinheiro tomado, que não tinham a mínima intenção de construir nada, queriam comprar um carro, frequentar restaurantes de luxo, fazer uma faculdade no exterior, ou somente continuar vivendo sua vida gastando seu dinheiro como bem quisesse.

    Qual a situação atual? Foi gasto muito dinheiro, comprando produtos para construção acima de preço normal de mercado (desperdício), para montar uma estrutura que deverá ser plenamente utilizada daqui a 30 anos (desperdício). Qual o ponto positivo nisso?
    As empresas que investiram capital para atender à demanda, vão fazer o que com a capacidade ociosa? Assumir algum prejuízo e demitir o pessoal excedente. O que farão as pessoas demitidas? Procurar emprego em setores que não são especialistas, a um salário inferior, deverão reduzir seu padrão de consumo.

    E aí volto ao começo, quem pagou essa conta toda? Os políticos gastaram mal, muito mal, um dinheiro que nunca foi dele, fabricando coisas para atender uma demanda que não existiu. Alguns ganhassem muito dinheiro por algum tempo, às custas de todos os outros que não tem nada a ver com isso.

    Se vc for um político e com bons contatos por lá até entendo sua preferência pelo desperdício de dinheiro que fazem por aí, mas saiba isso é (até) imoral.

    Caso vc seja um cidadão comum, que dependa somente de você mesmo para pagar suas contas, acredite, este sistema dos políticos de impulsionar determinado setor NUNCA resulta em algo positivo, continue seguindo demais artigos neste site para ter notícia de mais estripulias que fazem com o dinheiro das pessoas, e acredite, isso acontece aqui no Brasil tbm... lembra do programa "Minha Casa, Minha Vida"? Veja os efeitos secundários, os preços atuais dos imóveis e as inúmeras placas de "aluga-se" e "vende-se".
  • Emerson Luís  26/08/2015 15:49

    Crescimento artificial forçosamente leva a uma recessão natural.

    * * *


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