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O que o Zimbábue pode ensinar sobre o uso de múltiplas moedas para acabar com a hiperinflação

O Zimbábue apareceu nas manchetes durante toda a década de 2000 devido à sua extraordinária taxa de inflação, a qual chegou a 79,6 bilhões por cento ao mês em Novembro de 2008, o que significava uma taxa de inflação de 98% ao dia.  

A hiperinflação foi o resultado da desmesurada impressão de dinheiro pelo governo de Robert Mugabe para financiar a corrupção governamental e o envolvimento do país na República Democrática do Congo.

Como era de se esperar, o Zimbábue se tornou um dos assuntos favoritos entre os economistas monetários devido a essa sua extraordinária taxa de inflação.  

Entretanto, mais recentemente, o Zimbábue se tornou um fascinante exemplo de uma economia operando com várias moedas concorrentes, mas não tem recebido praticamente nenhuma atenção dos economistas acadêmicos.

O PIB do país, que encolhia ano após ano, apresentou um salto impressionante tão logo a concorrência monetária foi estabelecida em no início de 2009:

zimbabwe-gdp.png

Gráfico 1: evolução do PIB do Zimbábue em dólares.

Para um país que vive sob uma longeva ditadura e cujas instituições estão esfareladas, um aumento de quase 3 vezes no PIB mensurado em dólares em apenas 5 anos é um feito notável.

A taxa de inflação de preços, por sua vez, desabou:

zimbabwe-inflation-cpi.png
 

Gráfico 2: taxa de inflação anual de preços no Zimbábue desde 2011

Uma Mistura de Moedas

A situação monetária no Zimbábue é bastante complexa e parece ainda mais peculiar quando vemos que o estado tem não apenas uma, mas nove moedas em sua lista de "moedas de curso legal", sendo que a sua própria moeda não está na lista.  Ou seja, nenhum do cidadão do Zimbábue é legalmente obrigado a aceitar a moeda nacional em uma transação.

Inicialmente, as moedas mais utilizadas eram o dólar americano e o rand sul-africano; entretanto, o pula de Botswana, a libra britânica e o euro também estão encontrando grande aceitação. Todas essas cinco moedas já circulam legalmente dentro do país.

Recentemente, o governo do Zimbábue concedeu o status de curso legal a mais quatro moedas; o dólar australiano, o renminbi chinês, o iene japonês e a rúpia indiana.

Embora este não seja exatamente o sistema monetário ideal defendido pelos economistas seguidores da Escola Austríaca (que preferem um padrão-ouro ou a concorrência de moedas privadas sem curso forçado), trata-se de um cenário instigante. No passado, a criação do curso legal quase sempre se comprovava um impedimento à concorrência entre as moedas; porém, neste aspecto, o regime monetário no Zimbábue é, em várias formas, singular na história recente.

Para ilustrar melhor esse efeito, é necessário fazer duas considerações importantes: os efeitos de rede e a Lei de Gresham.

Efeitos de Rede

Um efeito de rede ocorre quando a desejabilidade de um item depende da quantidade de pessoas que o utilizam.  Quanto mais pessoas utilizam um determinado item, mais as outras pessoas estarão inclinadas a também utilizá-lo.  O dinheiro é o exemplo perfeito de um bem que exibe efeitos de rede.

Dado que a demanda voluntária por uma determinada moeda ocorre de acordo com o seu grau de aceitação entre terceiros — quanto maior a aceitação, maior a facilidade de se fazer pagamentos presentes e futuros —, pode-se dizer que o dinheiro exibe efeitos de rede.

Caso não haja leis que impõem o curso legal, quanto maior for o número de pessoas que utilizam um determinado meio de troca, maior a facilidade de se realizar transações com essa moeda.  Adicionalmente, quanto maior for a facilidade de se fazer transações com uma determinada moeda, mais desejável essa moeda se torna para todos os indivíduos.

Em outras palavras, aceitar uma determinada moeda aumenta sua desejabilidade e assim estimula os outros à também aceitá-la, aumentando ainda mais sua desejabilidade.

Essencialmente, essa é a visão que Carl Menger discute ao descrever a origem do dinheiro a partir de um sistema de escambo.

Uma vez que uma determinada moeda adquire aceitação generalizada, o sistema tende a favorecer essa moeda — que passa a ser vista como a moeda do status quo — em vez de alternativas em potencial.  Portanto, no contexto dos efeitos de rede de uma moeda, os usuários do dinheiro têm em mente o tamanho e a localização da rede que utiliza essa moeda, e o dinheiro se torna aceito tendo essas variáveis em mente.

Sob tais circunstâncias, uma alternativa supostamente superior pode não conseguir substituir uma moeda que já usufrui circulação generalizada.

Entretanto, os problemas que os efeitos de rede ocasionam para moedas alternativas deixam de existir quando a moeda alternativa adquire o status de curso legal.  Se uma moeda ganhou status de curso legal, isso significa que ela tem necessariamente de ser aceita caso seja oferecida em transações comerciais ou na quitação de dívidas.

Consequentemente, se uma nova moeda alternativa adquire o status de curso legal, os indivíduos não mais terão preocupações quanto ao tamanho ou à localização de sua rede de aceitação, permitindo que ela substitua a antiga alternativa que não desfruta o status de cunho legal.

Entretanto, além dos efeitos de rede, quando se fala de moedas concorrentes também é importante considerar a Lei de Gresham.

Lei de Gresham

A Lei de Gresham diz que, se o governo estipular uma taxa de câmbio fixa entre duas moedas concorrentes, a moeda ruim irá retirar de circulação a moeda boa.  Isso ocorre porque a moeda ruim, em decorrência da imposição artificial de uma taxa de câmbio, se torna sobrevalorizada, ao passo que a moeda boa, também por causa dessa taxa de câmbio artificial, se torna subvalorizada. 

[N. do E: na prática, é como se o governo da Suíça decretasse uma taxa de câmbio fixa entre o franco e o real, e o real se tornasse moeda de curso legal na Suíça.  Os suíços passariam a entesourar o franco e utilizariam o real para transações correntes e corriqueiras].

Em sua forma mais pura, a Lei de Gresham é inaplicável no caso de Zimbábue. A razão é que, ao contrário do que ocorreu em séculos atrás ao redor do globo, o regime de Zimbábue não determinou taxas de câmbio fixas entre as várias moedas. Em vez disso, os comerciantes têm de verificar as taxas de câmbio do mercado diariamente.

Entretanto, fazendo alguns pequenos ajustes à teoria original, uma variante da Lei de Gresham pode ser construída para ser aplicada ao Zimbábue.  E as consequências dessa teoria modificada são semelhantes à lei original.  Uma moeda que esteja sendo mais inflacionada do que suas moedas concorrentes tenderão a ser utilizadas com mais frequência no comércio e nas pequenas transações comerciais.  E há dois motivos para isso: primeiro, o dono dessa moeda ruim irá preferir utilizá-la no comércio e, com isso, manter as outras moedas mais estáveis e robustas em sua posse; segundo, um indivíduo em posse de uma moeda que perde valor iria correr para trocá-la por bens que perdem valor menos rapidamente do que a dita moeda.

Mas é importante ressaltar que uma moeda só seria vista como ruim caso estivesse perdendo poder de compra em relação a todas as outras moedas da economia. No que mais, se tal moeda continuasse a perder valor, seu efeito destrutivo sobre a economia eventualmente chegaria ao fim, já que, no final, ela se tornaria uma moeda praticamente inútil, tendo seu uso restrito às transações mais triviais.

O curso legal impede a concorrência

Entretanto, quando modelamos uma economia utilizando tanto as leis de curso legal quanto a Lei de Gresham, criamos um novo problema.  

Não é provável que alguma nova moeda substitua uma moeda já constituída, a menos que a essa moeda já constituída sofra uma grande perda de valor, fazendo com que as grandes transações nessa moeda se tornem impossíveis.  Isso porque a Lei de Gresham garante que moedas inferiores serão as primeiras a serem utilizadas (as pessoas querem se livrar delas), e leis de curso legal obrigam que qualquer moeda com o status de curso legal sejam aceitas.

Porém, mesmo em casos em que a moeda mais popular utilizada para o comércio sofra um declínio maciço em seu poder de compra, ela não será substituída pela moeda mais robusta. Ela será substituída pela segunda pior.

Além disso, o Zimbábue ainda oferece outra distorção que tende a favorecer moedas inferiores. Um fato peculiar sobre o Zimbábue — e um fato que terá consequências importantes para qualquer escolha de moeda a ser utilizada mais frequentemente no Zimbábue — é que, por ser um país pobre devastado por anos de altíssima inflação, qualquer nota estrangeira, por menor que seja o seu valor de face, é vista como uma pequena fortuna para os nativos. 

Consequentemente, o comércio tem sido afetado por causa desse valor relativamente alto de até mesmo as cédulas mais baixas das moedas estrangeiras que usufruem curso legal.

Há uma escassez de moedinhas metálicas no Zimbábue devido a seu alto custo de envio. Quando se usa o dólar americano, por exemplo, a nota de 1 dólar é a nota mais popular por causa das restrições do orçamento das famílias. Para um zimbabuano médio, US$ 1 é muito dinheiro e, devido à escassez de moedinhas metálicas, as pessoas geralmente são forçadas a comprar mais bens do que querem ou precisam. Ironicamente, moedas inferiores podem, na verdade, ser favorecidas por uma questão de conveniência.

Conclusão

Embora as moedas mais fortes (aquelas que se depreciam mais vagarosamente) tendem a ser utilizadas para poupança, o sistema monetário de Zimbábue incentiva o uso das moedas menos estáveis para as transações diárias.

Ao passo que as leis de curso legal removem o problema dos efeitos de rede, elas criam um novo problema: uma situação que permite que moedas inferiores dominem o comércio.

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Para ler sobre o sistema de moedas concorrenciais implantados no Peru, e como isso poderia ser feito no Brasil, veja este artigo:

Para impedir a destruição do real e do setor industrial, o Banco Central tem de ter concorrência

 


autor

Finbar Feehan-Fitzgerald
é um estudioso autodidata que mora na Irlanda.


  • Luis  01/07/2015 14:43
    Eu tenho pensado que uma moeda poderia ser lastreada com energia. Do seguinte modo: pagamos antecipadamente as companhias elétricas o valor da energia que iremos usar no futuro. Este valor, com o papel certificando ( 10Kwh, 100Kwh...) poderia ser usado em outras transações comerciais. Até que um dia, este papel- moeda poderia ser trocado pela energia consumida.
    Inflação significaria o aumento da quantidade de energia fornecida, ou a diminuição do custo da energia na produção.
  • Yuri  01/07/2015 16:24
    O problema é que energia não é estocável facilmente. A energia produzida pelas Hidroelétricas deve ser consumida ou será desperdiçada. No melhor dos casos, as comportas são fechadas e a energia é armazenada sob forma de água parada.

    No caso do petróleo, a energia só existe após a queima... então, como a armazenagem deste bem (petróleo) também não é trivial, a única forma de armazenar essa energia é mantendo-a enterrada no solo.

    No caso das usinas nucleares, não há armazenamento. A energia é toda jogada na rede e a usina não pode ser desligada facilmente.

    No caso das eólicas e solares também não há armazenamento.

    Não tendo como fazer estoque, o lastro deixa de fazer sentido. Assim, a moeda "vale x kwh" passa a ser lastreada em produção futura, ou seja, é uma moeda baseada em especulação, portanto fiduciária.

    Ou seja, é um boa, mas não funciona.
  • Dissidente Brasileiro  02/07/2015 03:15
    Yuri 01/07/2015 16:24:17

    No caso das eólicas e solares também não há armazenamento.

    Diga isso ao Elon Musk então. Tenho certeza que ele discorda de você.
  • Fulgor  02/07/2015 05:30
    Não pode ser estocada facilmente hoje, mas a tecnologia pode mudar isso.

    exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/bateria-da-tesla-pode-ameacar-rede-eletrica-tradicional
  • Andre Cavalcante  02/07/2015 17:22
    Deixe o futuro ao futuro.

    As baterias do Tesla podem ser usada para armazenamento, mas de uma forma ainda pouco econômica/eficiente tanto do ponto de vista energético, quanto econômico/ambiental.

    Mas, creio, é só uma questão de tempo até que alguém consiga uma forma mais barata e/ou mais eficiente. Aí sim termos uma revolução no campo elétrico.

    Abraços
  • Yuri  05/07/2015 06:03
    Não importa. A moeda não seria a geração de energia, mas lastreada em baterias carregadas.
  • Pinochet  01/07/2015 14:45
    Esse negócio de moeda fraca eliminar a moeda forte não faz o menor sentido.

    Quando o texto diz que : "Uma moeda que esteja sendo mais inflacionada do que suas moedas concorrentes tenderão a ser utilizadas com mais frequência no comércio e nas pequenas transações comerciais"

    O texto simplesmente esquece que as pessoas podem querer pagar com o que eles quiserem, mas cabe aos comerciantes aceitarem ou não. Nenhum comerciante vai aceitar de boa uma moeda instável se existe opções melhores.

    Imagine que tenhamos dólar e real na economia.

    Ora eu sou um padeiro, tem o dólar e o real, é obvio que vou preferir receber dólar, e obvio que vou criar incentivos, como descontos, para quem pagar em dólar.

    Assim também como as pessoas vão preferir receber seus salários em dólares, estocar dinheiro em dólar, e assim, por consequência, o dólar acabará sendo a principal moeda.

    Em outras palavras, a moeda mais estável será mais demandada e por consequência eliminará a moeda mais instável.
  • Leandro  01/07/2015 15:27
    "Esse negócio de moeda fraca eliminar a moeda forte não faz o menor sentido."

    Vejamos seus argumentos.

    "O texto simplesmente esquece que as pessoas podem querer pagar com o que eles quiserem, mas cabe aos comerciantes aceitarem ou não."

    Já começou errado. Se uma moeda é decretada como sendo de curso legal, sua aceitação é obrigatória. Um comerciante no Brasil, por exemplo, é obrigado a aceitar reais. Na época do Cruzado e do Cruzeiro, mesmo com aquela absurda hiperinflação, as pessoas eram obrigadas a transacionar com a moeda nacional.

    "Nenhum comerciante vai aceitar de boa uma moeda instável se existe opções melhores."

    De novo, se for de curso forçado, ele é obrigado a aceitar. Não dá pra ser mais claro do que isso.

    "Imagine que tenhamos dólar e real na economia. Ora eu sou um padeiro, tem o dólar e o real, é obvio que vou preferir receber dólar, e obvio que vou criar incentivos, como descontos, para quem pagar em dólar."

    Ok, para o bem do debate, vamos supor que tal cenário ocorra em um ambiente em que não há curso forçado (que é exatamente o cenário que defende este instituto).

    A primeira pergunta é: e se o seu cliente não tiver dólares? Você vai dispensá-lo? Não seria muito inteligente de sua parte.

    Na pior das hipóteses, reais serão importantes para você utilizar como troco. Se você não pensa nisso, você não é comerciante.

    "Assim também como as pessoas vão preferir receber seus salários em dólares, estocar dinheiro em dólar, e assim, por consequência, o dólar acabará sendo a principal moeda."

    Errado. E para entender por que você está errado, pense primeiro em "taxas de juros". Depois, em "custo de oportunidades". A agora junte uma expressão à outra.

    Vou ser mais claro.

    Se o sujeito está empregado, mas mora com os pais, então os custos dele são praticamente nulos. Ele não tem de pagar aluguel, condomínio, conta de luz, água, internet, nada. Ele é capaz de poupar praticamente todo o salário que ele recebe.

    Nesse cenário, receber em reais e aplicar uma taxa de juros de 13,75% ao ano pode ser mais negócio do que receber em dólares e aplicar a 0,25% ao ano (se muito). Basta haver qualquer indício de estabilidade da taxa de câmbio, e a aplicação em reais será muito mais vantajosa.

    O mesmo raciocínio pode ser expandido para várias outras situações em que portar a moeda nacional traz mais ganhos. No extremo, basta o BC nacional elevar a taxa de juros para o que o custo de oportunidade de carregar moedas estrangeiras aumente.

    No que mais, o Peru é um exemplo prático que refuta essa sua tese. Lá, o sol peruano concorre livremente com o dólar. O que aconteceu? Pela sua teoria, era para o sol ter desaparecido. No entanto, ocorreu o contrário: o sol se fortaleceu. Óbvio: o governo sabe que, se a população abandonar o sol e ir para o dólar, as finanças (do governo) ficariam arruinadas (por causa da súbita perda do poder de compra do sol). Ato contínuo, por causa dessa concorrência, tanto governo quanto Banco Central são obrigados a manter, respectivamente, uma política fiscal e monetária austera.

    A consequência desse arranjo foi exatamente a pretendida: fortaleceu a moeda nacional e a economia deslanchou.

    Veja todos os detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    "Em outras palavras, a moeda mais estável será mais demandada e por consequência eliminará a moeda mais instável."

    Correto. A questão é que o emissor da moeda menos estável -- no caso, o Banco Central nacional -- será obrigado a gerir sua moeda de maneira mais prudente. E aí todos ganham.
  • Alexandre Melchior  01/07/2015 16:31
    Sobre o curso forçado, funciona assim no Brasil:

    dois contratante podem até realizar uma compra e venda em dólar (ou euro, ou gado, ou ouro) e colocar isso no papel, levar o contrato no cartório etc.

    Porém, se o comprador aparecer no dia acertado com o valor dos dólares em reais de acordo com a cotação oficial daquele dia, o vendedor não pode se recusar a entregar o bem.

    Se ele fizer isso, vai ser responsabilizado, inclusive criminalmente.

    O mesmo vale para os preços do comércio em geral.

    O padeiro pode colocar lá "pão francês - 2 doletas o quilo".

    Se o dólar estiver valendo 3 reais e nego aparecer lá com 6 reais e pedir um quilo de pão, o padeiro será preso se não aceitar vender.

  • Enrico  01/07/2015 17:35
    Não é assim.

    São nulos os contratos domésticos em moeda estrangeira, salvo determinados casos: www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0857.htm

    Contratos de compra e venda podem ser estipulados em moeda estrangeira, mas deve ser apenas um parâmetro, devendo haver conversão para a moeda nacional (isso é uma decisão do STJ, não constando na lei): stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/603462/recurso-especial-resp-799832-pr-2005-0195576-8

    E de qualquer maneira, a transação cambial está sujeita ao IOF e ao IR.
  • Ricardo Campos  01/07/2015 18:07
    Também gostaria de saber de onde o Alexandre tirou essas informações. Até onde sei (ou ao menos imaginava saber), uma padaria que anunciar produtos em dólares está agindo fora da lei, pois o padeiro é proibido pelo governo de cobrar produtos em dólar.

    "dois contratantes podem até realizar uma compra e venda em dólar (ou euro, ou gado, ou ouro) e colocar isso no papel, levar o contrato no cartório etc."

    Eles só podem fazer isso informalmente. Só. No Brasil qualquer transação formal que ocorra dentro das fronteiras está sujeita a imposto (recolhido em reais). Além do mais, o sistema judiciário está isento (aliás, acho que o termo certo seria "proibido") de fiscalizar o cumprimento de contratos feitos em moeda estrangeira, pois estes são ilegítimos.
  • Tiago silva  01/07/2015 15:40
    Tenho uma dúvida,será que alguém pode esclarecer,por favor:no caso do Zimbábue como eles fazem para obter dólares?
  • Leandro  01/07/2015 16:57
    No caso das cédulas, elas vão para o Zimbábue da mesma maneira que chegam ao Brasil: por meio de turistas, viajantes, executivos, empresários, empreendedores nacionais (que viajam ao exterior e voltam com moedas de fora) e estrangeiros (que vêm para cá com moedas estrangeiras).

    E com um adicional: se o cara sabe que pode ir para um determinado país levando sua própria moeda, sem ter de passar pelos aborrecimentos das casas de câmbio e sem ter de pagar nenhuma taxa de conversão, então ele tende a levar ainda mais moedas. O simples fato de um país aceitar como moeda corrente outras moedas estrangeiras já estimula o ingresso de um maior volume dessas moedas no país.

    Adicionalmente, qualquer banco nacional que tenha ativos estrangeiros (como uma simples conta-corrente em algum banco estrangeiro) pode pedir a restituição desse dinheiro em espécie (aí as cédulas chegam de avião).

    Já o dinheiro eletrônico, tão logo os bancos nacionais são autorizados a transacionar com dígitos eletrônicos estrangeiros, qualquer correntista do país, por meio de um banco nacional que possua contas em bancos estrangeiros (como citado no parágrafo acima), pode movimentar qualquer conta bancária estrangeira.
  • Gustavo  01/07/2015 19:10
    E o sistema tributário como fica? Não consigo imaginar muito bem como ele funcionaria... O governo receberia os impostos e emitiria títulos públicos nas mais diversas moedas?
  • Carlos  01/07/2015 19:21
    Exatamente igual a como é hoje. Qualquer transação eletrônica é tributada. Se os dígitos eletrônicos são reais, dólares, francos ou libras, isso não imaterial.

    E se você transaciona com dinheiro vivo, não há como tributar (exatamente como é hoje).

    Sobre os títulos do governo, também hoje o governo emite títulos em dólares (embora ainda seja pouco). Absolutamente nada o impede de fazer isso. Aliás, seria mais um estímulo para ele não destruir a moeda nacional: com a moeda nacional destruída, fica difícil trocar reais por dólar para quitar uma dívida em dólar.
  • Luan  01/07/2015 18:26
    Pessoal, tenho escutado em bate-papos entre amigos e até mesmo de uma professora de faculdade (Ciências Econômicas), a seguinte afirmação:

    "A culpa da atual crise brasileira é da MÍDIA que acaba passando informações negativas sobre a economia e, com isso, gera incertezas aos empresários e consumidores".

    O que devo responder a eles?
    rs

    Desculpe fazer esta pergunta sem ter nexo com o assunto do artigo rsrs
  • Leandro  01/07/2015 19:14
    Disponibilizando este artigo para eles lerem, e em seguir pedir refutações:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2120
  • anônimo  01/07/2015 19:25
    Claro, a inflação disparando, o dólar alto, a luz subindo, os impostos subindo e você simplesmente aceita esse discurso fraco de professor que nunca trabalhou.

    Mais ousadia para debochar de seus professores.

    Eu conheço bem esse tipo de gente, fui aluno de economia, e o professor de economia típico é aquele cara que no máximo da vida dele apenas estagiou. Geralmente foi um bom aluno quando cursou, e portanto sabe papagaia bem o que aprendeu. Logo que saiu prestou ANPEC e assim passou mais uns anos da vida apenas estudando para depois começar a dar aula.

    O professor não sabe como funciona o mundo dos negócios, sabe apenas o que aprendeu nos textos acadêmicos, dificilmente tem capacidade para questionar o que aprendeu e ao mesmo tempo carrega um certo ar de superioridade, mas lá no fundo ele sabe que não passa de um fracassado.
  • Santana  01/07/2015 19:43
    Gasolina, luz, água, câmbio, impostos, juros, preço do pão, da carne e dos serviços sobem por causa da Folha de S. Paulo.
  • Luan  01/07/2015 20:01
    É justamente isso senhores.. Pelo menos aqui encontro gente que me entende, tentei expor isso aos meus colegas de turma e, mesmo assim, preferiram ficar com a ideia exposta em aula.. haha

    A Veja, Folha de São Paulo, Globo, etc, são mais responsáveis pelo momento da nossa economia do que as atitudes/intervenções por parte do governo.. rs


    Na mesma aula desta professora ainda ouvi que "os empresários aproveitam a 'crise' para aumentarem suas margens de lucro".

    O jeito é vir aqui no IMB se nutrir de boas informações para conseguir debater com os mestres universitários..
  • Lopes  01/07/2015 20:39
    É lamentável o estado em que se encontra a academia brasileira. E ainda pior é que estes indivíduos são pagos para desinformar os estudantes. Lembro-me do Típico Filósofo há um ano atrás realizando o mesmíssimo argumento de que toda a economia é achismo dos homens (e os homens nunca acham a riqueza, curiosamente) e que o mal-estado dela é somente responsabilidade de uma conspiração midiática para retirar o PT do poder e que, por isso, bastaria a Secretaria da Comunicação Social ser instaurada para "democratizar" (novilíngua para "censurar") a mídia e toda chaga econômica estaria resolvida.

    É ridículo que uma hipótese de personagem satírico seja tese acadêmica ensinada por profissionais pagos.
  • anônimo  01/07/2015 22:35
    É só usar a Venezuela como exemplo. A mídia é praticamente toda pró-governo pois as de oposição foram fechadas. E mesmo assim a crise bate forte. Para se dar conta da falta de papel higiênico não é preciso de noticia alguma; sente-se na pele (literalmente).
  • Vinicius  02/07/2015 12:42
    Que curso lamentável esse que faz, por que não faz engenharia, ou técnico/superior no SENAI? Dificilmente pode-se dar aulas nestes cursos sem meia dúzia de neurônios e conhecimento prático.
    Não há nenhuma profissão econômica que um engenheiro não possa exercer.
  • Fronha  01/07/2015 18:38
    Poderíamos dizer então que durante toda a década de 2000 o Zimbábue representou o ápice e glória do Keynesianismo? Não é de se admirar que tenha ocupado as manchetes econômicas durante essa época.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  01/07/2015 21:52
    O certo é apenas uma moeda(O Dólar) para todo o mundo. Como não é o caso, o real, no Brasil, cumpre seu papel dignamente. Resta combater a inflação provocado por políticos desonestos.
  • Henrique Zucatelli  01/07/2015 22:14
    Até somos obrigados a adotar o curso legal, mas nada nos impede de dolarizar nossas transações implicitamente, posto que a priori quem define quanto custa o meu produto sou eu.

    Logo, se meu hoje custa R$ 10,00 no câmbio do dia 01/07/2015, e amanhã pode custar R$ 12,00, tudo dependendo de quanto o BRL valer.

    E posto que todos os dias transformo a metade do que vendo em USD, mesmo que tenha que realizar uma grande compra em BRL amanhã.

    Quem é que sabe o que vai acontecer agora em julho com o Rating Soberano... fora as teses mundo a fora sobre a taxa soberana dos States e a Bolha da Shangai Composites.


    Minha vontade mesmo era indexar em ouro, mas fica complicado demais explicar para os clientes e ainda não me sinto muito a vontade para ficar fazendo vai e volta toda semana.
  • Cesar  01/07/2015 22:14
    Muito intrigante o caso do Zimbabwe. Porém fiquei com uma duvida, em qual moeda é expresso o PIB? isso nao causaria distorções?
  • Tralli  01/07/2015 22:50
    Em qualquer uma. Todos os PIBs mundiais, ao serem publicados, são convertidos em dólar para efeitos de comparação e de ranking.  Não importa a moeda em que o PIB é publicado; basta converter o valor encontrado para o dólar para comparar a evolução.
  • Marcio  02/07/2015 02:53
    Cesar, para evitar essas distorções, muitas vezes considera-se o PIB em PPP (Paridade de poder de compra, na sigla em ingles) Não sei se é o caso desse artigo.
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Paridade_do_poder_de_compra
  • Corsario90  01/07/2015 23:44
    Boa noite Leandro, caberia um artigo ponderando o Currency Board X a mistura de moedas? O Currency Board sofreria com a Lei de Gresham? Fiquei inculcado com o câmbio fixo.
    Tb sou autodidata e sem formação em economia.
  • Leandro  02/07/2015 14:49
    "O Currency Board sofreria com a Lei de Gresham?"

    Um Currency Board, na prática, transforma a moeda nacional em uma mera substituta da moeda estrangeira que serve como âncora. Se o CB for ortodoxo, não há como a Lei de Gresham se manifestar.

    Entretanto, se o CB for heterodoxo -- tipo, um Banco Central operando com algumas características de Currency Board --, então é sim possível haver a manifestação da Lei de Gresham, pois as pessoas, ao suspeitarem que o arranjo não irá durar e que, a qualquer momento, a política será revertida e a moeda nacional irá se desvalorizar, passam a entesourar a moeda estrangeira e passam a se livrar da moeda nacional nas pequenas transações.

    Isso aconteceu na Argentina. Lá, se você pagava em dólar, recebia o troco em pesos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562
  • Aristóteles Duarte Ribeiro  02/07/2015 02:12
    Como seriam as moedas privadas?
  • guilherme  02/07/2015 04:08
    Pessoal, uma ajudinha aqui. Um conhecido meu publicou um artigo no Brasil 247 tão falho e absurdo que chegou a me desconcertar. Ele fez uma analogia ridícula para chegar na economia, mas aqui vão as partes relevantes:

    "O contexto que eu usei é o de sempre, o mais falado em 2015: a crise econômica no Brasil. O Ministério da Fazenda foi dado a um economista tipicamente ortodoxo e racional.

    Por lógica sua, o que foi feito foi cortar gastos públicos com o objetivo de equilibrar as contas do governo. O resultado: já há índices de que a política contracionista vai fazer com que a renda diminua, minimizando os impostos recolhidos pelo governo, e assim diminuindo a chance de se obter um superávit fiscal.

    Outra lógica tão brilhante foi a de aumento dos juros, com o objetivo de frear a inflação. Um ortodoxo diria que a inflação só pode vir de uma oferta muito grande de moeda e crédito, causando uma demanda por bens por parte dos trabalhadores que não poderia ser suprida, o que faria com que os preços se elevassem. Entretanto, a estagflação atual nos diz que o excesso de demanda não é a causa do aumento de preços, pois senão haveria crescimento. Há outros fatores na conta, como o inercial e o relativo às crises hídrica e energética. Com o aumento dos juros, o remédio é dado para a doença errada, fazendo com que o consumo e o investimento sejam estrangulados, agravando ainda mais a situação."

    Alguns argumentos afiados?
  • Ribeiro  02/07/2015 04:13
    Sim. Descritos em amplos detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2120


    P.S.:não houve corte de gastos; houve aumento de impostos. E nenhuma escola econômica -- nem a keynesiana -- defende aumento de impostos durante uma recessão.
  • Vinicius  02/07/2015 12:48
    Esse seu amigo não tem cura por agora, já fui desses, só vai se curar sozinho quando começar a montar uma família e perceber que precisa gerar valor para proteger e cuidar dela.
    Não jogue pérolas aos porcos, instrua gente trabalhadora que foi sistematicamente emburrecida, mas busca uma caminho prático para melhorar a situação própria e do país.
  • Ismael  02/07/2015 13:53
    E o que falta para o Paraguay dolarizar sua economia, ou então fortalecer sua moeda de alguma outra maneira? Afinal boa parte de sua movimentação econômica é há muitos anos de revenda de mercadorias chinesas e na tríplice fronteira Ciudad del Este, Puerto Iguazu (lado Argentino) e Foz do Iguaçu é movimentado 4 moedas como Peso argentino, Guarany, Reais e Dólar.
    Eles são 'atravessadores' de mercadorias há pelo menos uns 30 anos, não possuem custos de produção, apenas de logística, então não era para ao menos a região fronteiriça com o Brasil já estar em considerável desenvolvimento econômico?
    Ainda que o Estado Paraguayo esteja envolto em corrupção, mas não observamos daqui uma austeridade governamental daquele país em interferir na economia, comparado com o lado brasileiro, na formação de agências reguladoras e imposições legais. Temos até mesmo piadinhas aqui nas cidades paranaenses vizinhas ao Paraguay, quando vemos algum motorista fazendo atrapalhadas no trânsito, em perguntar-lhe se comprou a carteira de motorista no Paraguay! Assim sendo, pela teoria Austríaca, aquele país de baixa interferência estatal, não era para estar com a economia um pouco mais desenvolvida?
  • Leandro  02/07/2015 14:30
    "E o que falta para o Paraguay dolarizar sua economia, ou então fortalecer sua moeda de alguma outra maneira?"

    Pergunte aos políticos de lá.

    "Eles são 'atravessadores' de mercadorias há pelo menos uns 30 anos, não possuem custos de produção, apenas de logística, então não era para ao menos a região fronteiriça com o Brasil já estar em considerável desenvolvimento econômico?"

    Você se esqueceu de levar em conta um ponto crucial: a robustez das instituições. Coisas como segurança jurídica, estabilidade política, previsibilidade, confiança, moeda forte, respeito à propriedade e aos contratos.

    Sem isso, impossível haver acumulação de capital, investimentos de longo prazo e criação de riqueza.

    "Assim sendo, pela teoria Austríaca, aquele país de baixa interferência estatal, não era para estar com a economia um pouco mais desenvolvida?"

    Não. Pelos motivos acima delineados. Sem segurança jurídica, estabilidade política, previsibilidade, confiança, moeda forte, respeito à propriedade e aos contratos.
  • Ismael  02/07/2015 20:44
    Obrigado Leandro.....esclareceu muitas dúvidas!Por algum momento pensei que numa situação em que o Estado não interferisse tanto, haveria espaço para a economia se arranjar com o tempo. É claro que não sendo eu um paraguayo, obviamente desconheço o quanto aquele 'gobierno' interfere ou não. Obrigado mais uma vez!
  • Nathan  02/07/2015 14:03
    Não entendi muito bem uma coisa. Embora o curso forçado seja impeditivo para a concorrência de moedas, por que ainda assim está havendo queda na inflação do zimbábue ? Isso não significaria que o sistema de adotar várias moedas de curso forçado funciona ? Se alguém puder esclarecer.
  • Leandro  02/07/2015 14:29
    "Embora o curso forçado seja impeditivo para a concorrência de moedas,"

    Isso não foi afirmado.

    O curso forçado é impeditivo para a concorrência de moedas apenas quando o governo diz que uma determinada moeda usufrui curso forçado (como o real) e todas as outras são proibidas.

    O melhor cenário, obviamente, seria o governo se retirar de cena e simplesmente permitir que todas as moedas estrangeiras pudessem ser livremente utilizadas. O segundo melhor cenário é o governo permitir que várias moedas estrangeiras concorram livremente, impondo que elas sejam de curso forçado. Esse é o cenário do Zimbábue.

    "por que ainda assim está havendo queda na inflação do zimbábue?"

    Confesso que não entendi o espanto. Por que não haveria queda da inflação?

    "Isso não significaria que o sistema de adotar várias moedas de curso forçado funciona?"

    Tal cenário é muito melhor do que o cenário brasileiro, em que uma única moeda usufruiu o curso forçado e todas as outras são proibidas. Nesse arranjo, a população fica totalmente refém das políticas monetárias do governo nacional.
  • Nathan  02/07/2015 15:18
    Minha dúvida em relação à queda da inflação era referente à lei de Gresham. Por exemplo, no caso de uma moeda ser mais inflacionada que outra, pela regra, ela prevaleceria sobre as outras em caso de todas usufruírem de curso forçado ? É esse o risco de assumir um sistema de curso forçado ao invés de eliminá-lo ?
  • Leandro  02/07/2015 15:57
    "no caso de uma moeda ser mais inflacionada que outra, pela regra, ela prevaleceria sobre as outras em caso de todas usufruírem de curso forçado ?"

    Não, e isso foi explicado no artigo. Uma moeda ruim só expulsa uma moeda boa se o governo estipular que a taxa de câmbio entre elas é fixa.

    Vou dar um exemplo mais extremo, mas que ajudará a entender:

    Imagine que o governo brasileiro decrete que o bolívar venezuelano também é moeda de curso forçado no Brasil. E imagine que ele estipulou que 1 bolívar vale 1 real, e que essa taxa de câmbio está fixa para sempre.

    Nesse cenário, a tendência será a de que os brasileiros passem a guardar o real (pois este é bem menos inflacionado que o bolívar) e passem a utilizar o bolívar (que está artificialmente sobrevalorizado) nas transações cotidianas.

    Ou seja, a moeda ruim só expulsa a moeda boa em condições artificiais de câmbio fixado em um nível irrealista pelo governo.

  • Nathan  02/07/2015 16:29
    Sim, ok até aí. Mas no caso da variação da lei de Gresham mencionada. Mesmo não havendo taxa de câmbio fixa, a moeda desvalorizada em relação as demais seria mais utilizada, certo ? A forma de eliminar esse efeito seria extinguir o curso forçado de moedas ? Porque eu entendi que dentre as nove moedas adotadas no zimbábue, as pessoas tenderiam a utilizar a mais desvalorizada para gastos rotineiros, isso seria algo ruim, não ?
  • Leandro  02/07/2015 16:41
    "Mesmo não havendo taxa de câmbio fixa, a moeda desvalorizada em relação as demais seria mais utilizada, certo ?"

    Depende da transação.

    Aliás, as pessoas que são contra a liberação de moedas estrangeiras utilizam justamente o argumento contrário: segundo elas, havendo a possibilidade de migrar para outras moedas mais fortes, o real seria totalmente abandonado e ninguém mais o usaria. Ou seja, o argumento é o contrário do seu.

    Veja o comentário do leitor "Pinochet" ali em cima, e veja minha resposta a ele.

    Tanto a teoria quanto a empiria já mostraram que não é assim.

    "A forma de eliminar esse efeito seria extinguir o curso forçado de moedas?"

    Extinção do curso forçado sempre é bem-vinda.

    "Porque eu entendi que dentre as nove moedas adotadas no Zimbábue, as pessoas tenderiam a utilizar a mais desvalorizada para gastos rotineiros, isso seria algo ruim, não?"

    Isso não foi dito no artigo. A moeda mais utilizada no Zimbábue é o dólar americano, e o dólar americano está longe de ser a moeda mais desvalorizada dentre todas ali.
  • Nathan  02/07/2015 18:03
    Entendi. Valeu Leandro !
  • Luiz  03/07/2015 13:21
    Ola Leandro,

    Voce acredita que o BitCoin poderá se tornar amplamente aceito nos próximos anos?

    Um abraço

    Luiz
  • Andre Cavalcante  03/07/2015 18:39
    Olá Luiz,

    Não sou o Leandro mas vou dar o meu pitaco:

    A rede bitcoin tá passando por um processo de ampliação, para isso vão ter que fazer a primeira mexida (mais ou menos prevista, só não pra tão cedo :)) no protocolo para aumentar a capacidade de transações na rede. Hoje há um limite devido a como o protocolo gerencia as transações (e beneficia transações menores e de valores menores). Para uma aceitação mais ampla é preciso, em algum momento, se expandir a capacidade da rede em tratar transações (e beneficiar, talvez, transações maiores).

    Outro movimento necessário é a padronização de ambos os pontos: black wallets para transações absolutamente anônimas e white wallets para transações absolutamente abertas. O protocolo original previa uma certa anonimidade, pois as transações ocorrem a partir de chaves públicas e privadas, mas todas elas estão registradas no blockchain, de forma que hoje se sabe que é possível rastrear as transações e acabar achando o originador da transação. Lembrando que assim como há transações que não queremos aparecer em hipótese alguma (black wallets), há outras que fazermos questão que fique registrada tal operação (white wallets).

    Infelizmente o mundo ainda não é libertário e, para muitos, se o governo não regular (leia-se impostos) então está fora de cogitação o uso. Assim, ainda há muito trabalho no quesito regulação (e uma verdadeira tarefa herculana para os burocratas de plantão fazerem tais regulações em algo que facilmente extrapola a sua "jurisdição").

    Por fim, o mercado anda não tá estável o suficiente (já melhorou enormemente) para muitas aplicações. Por exemplo, uma das características básicas de uma moeda é que ela seja uma referência de valor. Com a variação ainda grande que o bitcoin apresenta, fica difícil usá-lo como uma referência de valor. No máximo o comerciante pode usá-lo como meio de pagamento.

    Por isso, apesar de ser super fã e usuário de bitcoins, há alguns anos, ainda não o percebo apto a uma ampla aceitação em detrimento das moedas correntes.

    Claro que, com o mercado crescendo e como está, ano após ano, a partir de um limiar o efeito de rede toma conta e as coisas começam a acontecer por si sós. A medida que o volume se torne cada vez maior, o sistema cria um bom colchão contra ataques especulativos de compra e venda de bitcoins, o que ameniza o problema da variação. Igualmente, mais e maiores players no comércio aderindo faz com que o efeito de rede se amplie e, aí sim, o bitcoin poderia servir de alternativa viável para qualquer moeda, inclusive o dólar.

    O lado ruim do crescimento é que os governos vão acabar por tributar os bitcoins, assim como fariam com qualquer outra moeda.

    Por outro lado, a aceitação individual como meio de pagamento, ou somente o invista o dinheiro que você pode perder para aprender a lidar com a moeda eletrônica é perfeitamente possível para todo mundo. Ainda mais, hoje, para valores pequenos (até 100,000 USD), é possível usar sem receio a rede bitcoin para fazer transferências de valores [nada mais de ser pego carregando dólares na cueca hehehe :)] com taxas muito boas e sem correr o risco de ser pego pela PF (ainda).

    Então, num exercício de futurologia, não prevejo, dadas as condições atuais da rede bitcoin e das demais moedas, que as pessoas vão passar a usar bitcoins corriqueiramente. Isso pode acontecer, mas dendro de décadas.

    Claro que os BCs mundo afora, podem fazer mais lambança que de costume e aí acelerar as coisas, mas seria preciso uma revolução (até tecnológica, dados os problemas acima mencionados com o protocolo), para que os bitcoins passas a ser uma moeda universalmente aceita. Mas, neste caso, talvez a volta de moedas lastreada em ouro seja mais rápida, criando-se uma rede tipo bitcoin (blockchain) para a geração e distribuição das "notas de ouro" para uso geral.


    Abraços


  • Luiz  04/07/2015 03:54
    Ola Andre,

    Muito obrigado pelos comentarios!

    Um abraço


    Luiz
  • Emerson Luis  22/07/2015 22:22

    Governos esquerdistas só agem de acordo com as leis econômicas por engano ou falta de opção.

    * * *
  • anônimo  04/02/2016 23:24
    O Equador também não possui moeda própria.

    Geralmente isso ocorre quando o país não é capaz de controlar sua própria moeda, essa atitude controla a inflação, porém deixa o país vulnerável ao cenário externo, além de correr risco de ficar sem caixa e/ou com deflação.
  • Jorg  04/02/2016 23:27
    Deflação é um "risco"? Ver o seu dinheiro ganhar poder de compra ao longo do tempo é ruim? Se sim, então eu quero esse risco e essa ruindade pra mim, por favor.
  • Julia  22/05/2016 14:28
    Atualizando o artigo:

    Zimbabwe de regresso à sua moeda
    jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/mundo_africano/zimbabwe_de_regresso_a_sua_moeda
  • Cruzado  14/01/2018 07:26
    Há algum país mais Keynesiano que o Zimbábue?
  • Márcio  27/05/2019 16:08
    Como está Zimbabwe hoje, depois que derrubaram o Mugabe em 2017? Mudou alguma coisa? Que eu sei foi o próprio partido do Mugabe — Zimbabwe African National Union - Patriotic Front (ZANU–PF) (tradução: União Nacional Africana do Zimbabwe - Frente Patriótica) — que derrubou o Mugabe. Afinal, o problema do Zimbabwe é o Mugabe ou é o partido do Mugabe? Ou é cultural?


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