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Sair do euro não é a cura para a Grécia - adotar uma moeda fraca só piora a situação

O drama grego continua se desenrolando, com a possibilidade de uma "grexit" — junção de "Greece" e "exit", significando a saída da Grécia da zona do euro — se tornando cada vez real. 

No entanto, a grande maioria da população grega — 70% — quer continuar com o euro.  O povo grego, justamente por já ter vivenciado devastadores casos de hiperinflação, e por só agora estar vivendo um período relativamente longo de estabilidade de preços, sabe que a saída do euro e a eventual adoção de uma nova moeda traria justamente o risco de ressuscitar o fantasma da destruição diária do poder de compra.

Só que continuar no euro requer que o governo grego passe a viver estritamente dentro de seus meios — algo que ele não tem feito há décadas.  E, com partidos políticos anti-austeridade ganhando musculatura em todo o continente europeu, a Grécia pode se tornar o primeiro, mas não o último, a sair do euro.

Durante muitos anos, virou moda entre alguns economistas culpar o euro por todos os problemas da Europa.  No entanto, o problema da Europa não é ter uma moeda comum, mas sim estar submetida a excessivas regulamentações governamentais, a leis trabalhistas inflexíveis (veja, por exemplo, a diferença entre o mercado de trabalho na Alemanha e na Espanha), a altos gastos governamentais e, consequentemente, a uma alta carga tributária.

Economistas que dizem que sair do euro irá solucionar os problemas econômicos da região são como curandeiros que vendem produtos exóticos que prometem uma substancial redução no peso sem que a pessoa tenha nem de cortar carboidratos ou fazer exercícios.  Eles querem ganhos sem dor.

Na prática, o que esses economistas querem é apenas dar aos governos que saírem do euro mais flexibilidade para que eles possam, agora de maneira autônoma, inflacionar suas moedas (atualmente, a política monetária de todo o bloco é comandada pelo Banco Central Europeu).  Segundo esses economistas, é muito melhor reduzir as dívidas governamentais por meio da destruição do poder de compra da moeda do que por meio de doloroso ajuste que limite o tamanho do governo estritamente àquilo que ele é capaz de tributar.

A manipulação da moeda é o segredo que permite crescentes intervenções governamentais

Imagine duas regiões sob um mesmo sistema monetário.  Por exemplo, São Paulo e Rio de Janeiro.  Suponha que há um boom econômico em São Paulo gerado por uma expansão inflacionária do crédito e, ao mesmo tempo, um crescente desemprego no Rio de Janeiro.

Nesse cenário, os salários iriam cair no Rio e disparar em São Paulo.  Consequentemente, a mão-de-obra (pelos menos a mais flexível) tenderia a sair do Rio e ir para São Paulo em busca de empregos.  Por outro lado, uma fatia do capital sairia de São Paulo, onde o preço da mão-de-obra é crescente, e iria para o Rio, onde a mão-de-obra está mais barata.

Entretanto, se o capital não puder se movimentar livremente de São Paulo para o Rio, e se a mão-de-obra não puder se movimentar livremente do Rio para São Paulo, então o Rio ficará permanentemente nessa situação de salários em queda ao passo que os capitalistas de São Paulo estarão amarrados a uma mão-de-obra cara.

Uma simples solução de livre mercado para esse problema é permitir a ampla liberdade de movimento tanto para a mão-de-obra quanto para o capital — de modo que eles possam ir aos lugares em que estejam mais demandados —, e também permitir uma maior liberdade no uso dessa mão-de-obra e desse capital. 

Porém, se os respectivos governos de cada cidade possuíssem um Banco Central próprio, eles repentinamente se tornariam capazes de evitar o "ônus" de ter de permitir tamanha liberdade de mercado.  Se Rio e São Paulo agora estiverem sob dois arranjos monetários distintos, a política monetária de cada cidade pode ser manipulada para tentar lidar com os problemas econômicos específicos de cada cidade.

Nesse caso, o Rio poderia adotar uma política monetária inflacionista para tentar igualar o boom econômico gerado pela expansão do crédito em São Paulo.  E, caso a moeda do Rio se desvalorizasse perante a moeda de São Paulo, essa taxa de câmbio desvalorizada poderia fornecer um estímulo temporário às exportações do Rio, trazendo uma melhoria de curto prazo ao emprego na cidade.

Logo, é fácil ver que, em vez de desregulamentação e reformas, os governos preferirão recorrer a uma política de crédito fácil para tentar corrigir seus problemas econômicos.

Por outro lado, se Rio e São Paulo utilizam a mesma moeda e estão sob uma mesma política monetária, de modo que o Rio não pode simplesmente inflacionar sua moeda à vontade, então a cidade só poderá resolver seus problemas econômicos tornando-se mais economicamente atrativa para empreendedores por meio de cortes de impostos, desburocratização e desregulamentação.

Este é o tipo de pensamento que prevalece na Europa hoje.  Os europeus sabem que um controle autônomo da política monetária pode ser utilizado para encobrir (ou, pelo menos, arrefecer) as consequências de políticas fiscais e regulatórias irresponsáveis.  Sendo assim, não é surpresa nenhuma que justamente os mais fiscalmente desastrosos governos da Europa estejam hoje falando sobre sair do euro e criar uma moeda própria. 

Cada governo quer ter o controle de sua própria moeda para que, por meio de manipulações na política monetária, possa adiar as reformas econômicas necessárias.  Inflação monetária é aparentemente mais indolor do que austeridade, e promete o milagre de colocar uma economia em crescimento permanente sem jamais ter de fazer correções. 

No exemplo dado, a moeda comum restringe os governos de Rio e São Paulo naquilo que realmente podem fazer.  O fato de ambos os governos não poderem manipular suas ofertas monetárias os obriga a adotar reformas de mercado caso queiram sanar suas economias.  Naturalmente, economistas seguidores da Escola Austríaca veem essa limitação como algo positivo — desde que, obviamente, a moeda seja forte.

Por que o bloco do sul da Europa quer sair da União Europeia

Defensores de uma saída do euro nunca falam sobre altos os custos trabalhistas dos países do sul da Europa, e nunca comparam esses custos aos da China e da Índia, por exemplo.  Eles gostam de centrar seus ataques na Alemanha, cuja mão-de-obra é mais produtiva e mais eficaz em termos de custos.  Os italianos não gastam de ter concorrer com a Alemanha — na produção de carros, por exemplo — sob um mesmo sistema monetário. 

Se os italianos tivessem seu próprio sistema monetário, eles poderiam manipular a oferta monetária e a taxa de câmbio em prol de sua própria indústria automotiva.  Com um Banco Central próprio, os italianos poderiam deixar de lado a incômoda pergunta do motivo de a indústria automotiva deles ser pouco competitiva na Europa (dica: tem a ver com as regulamentações italianas e com os subsídios).  

Defensores de uma saída do euro esperam ganhar competitividade por meio da desvalorização da moeda.  Só que uma desvalorização da moeda cria, na melhor das hipóteses, apenas um benefício temporário para os exportadores (e só para eles).  Todo o resto da sociedade perde, e muito, com uma desvalorização da moeda.

Uma solução para a Alemanha

Uma unidade de conta e de troca estável é uma grade ideia, mas só funciona se o governo estiver disposto a se submeter às disciplinas que ela impõe (ou a uma população que exija uma moeda forte).

Com efeito, se há um país que de fato deveria sair do euro é a Alemanha.  Sua atual estratégia de proteger o euro é utilizando o dinheiro de impostos de seus cidadãos para tentar socorrer — por meio de empréstimos a juros baixos — os países endividados do sul da Europa.  Na prática, o país está aumentando o endividamento dos governos periféricos para resolver um problema que foi causado pelo endividamento deles.

A Alemanha faria melhor caso se juntasse aos outros países que estão mais alinhados a ela em termos de política monetária (como Holanda, Áustria, Suíça, Luxemburgo, Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia) e criar uma nova moeda comum lastreada em ouro.

Os países do sul da zona do euro crescentemente vão se revelando uma causa perdida.  As pessoas não vão às ruas protestar por menos governo, mas sim por mais governo.  Sendo assim, a Alemanha deveria se retirar do euro e entregar o controle da moeda para esses países.  Deixem-nos ter o que querem: uma moeda sem nenhum poder de compra.

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Leia também:

Em defesa do euro - uma perspectiva austríaca 

E se a Grécia sair do euro? 

A verdadeira tragédia grega foi o seu gasto público 

O sonho do governo grego: espoliar permanentemente os pagadores de impostos da União Europeia 

A crucial diferença entre o mercado de trabalho na Espanha e na Alemanha 

Desvalorizar o câmbio - uma péssima política 


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autor

Frank Hollenbeck
é Ph.D. em economia e leciona na Universidade Internacional de Genebra.


  • Marcos  25/06/2015 15:00
    Lembro de um antigo artigo que apresentava alguns fatos históricos dos países, principalmente a França, pressionando a Alemanha a fazer parte da UE. O motivo era a evidente força da economia Alemã e de sua moeda forte. Os países pura e simplesmente não queriam competir com a Alemanha.
    Seria esse um argumento para a permanência da Alemanha na União Européia?
  • Ricardo Perotoni   25/06/2015 15:10
    Povo é povo e não adianta mesmo! Se a população queria estar na zona do Euro, queria participar da comunidade comum por que diabos votou num esquerdista que é contrário a tudo isto? Agora sugiro que apoiem o "Socialismo e Liberdade" até o fim. Será certamente mais um exemplo gritante que socialismo não funciona.
  • JPaulo Borba de Quadros   25/06/2015 15:11
    Perfeita colocação. Socialismo possui 100 anos de fracasso e os caras insistem.
  • Vitor  25/06/2015 15:28
    "A Alemanha faria melhor caso se juntasse aos outros países que estão mais alinhados a ela em termos de política monetária (como Holanda, Áustria, Suíça, Luxemburgo, Dinamarca, Suécia, Noruega e Finlândia) e criar uma nova moeda comum lastreada em ouro."

    Isso seria lindo e humilhante para os irresponsáveis.
  • Analista de Bagé  27/06/2015 20:55
    Minha nossa, e põe poder de compra que essa moeda teria! Uma moeda comum formada por esses países altamente competitivos, eficientes e criativos teria uma demanda astronômica. De fato, seria um exemplo para o mundo. Tomara que um dia isso se torne verdade!!! :)
  • Diego  25/06/2015 15:30
    O euro é uma burrice, por isso que Inglaterra e Suíça pularam fora. Os países europeus têm n diferenças econômicas, culturais, políticas etc pra se juntarem numa única moeda. Segundo os conspiratórios a adoção do euro veio com esse objetivo de um dia transformarem o continente numa coisa só, igual aqui com a Pátria Grande, a reedição da União Soviética em cada continente. A Alemanha parece que vive eternamente culpada pelo nazismo, como se fosse obrigada a se prejudicar pelos outros, como se não tivessem voz ativa pra escolher o melhor pra eles e foda-se o resto. Basicamente quem sustenta o euro são Alemanha e França. Como essas 2 potências podem ter a mesmo moeda que falidos igual Grécia, Itália, Portugal, Espanha.....
    Que tenham bom senso e acabem com o euro. Quero ver o que vai ser da Grécia com aqueles comunistas sem ter um centavo pra nada, a mesma coisa vai ser a Espanha com o Podemos. Que se explodam.
  • Armando  25/06/2015 16:00
    Errado, Diego. A União Européia é o erro, e não a moeda comum.  

    Foi a União Européia que introduziu todo o risco moral ao arranjo ao deixar claro que socorreria aqueles países usuários do euro que eventualmente passassem por problemas. Tendo a certeza de que seriam socorridos, os governos desses países não tinham motivo nenhum para ser austeros.

    Isso não é um defeito da moeda, mas sim do arranjo político.

    Prova disso é que aqueles países que ancoraram sua moeda ao euro por meio de um Currency Board (como Bulgária, Estônia, Lituânia e Letônia) não passam por dificuldades. Óbvio. Eles sabiam que, se fizessem besteira, estariam por conta própria, sem ninguém para socorrê-los.

    Isso faz toda a diferença.

    No que mais, pelas sua lógica, Rio Grande do Sul e Amapá não podem ter a mesma moeda. Santa Catarina e Maranhão devem ter políticas monetárias distintas. Deve haver uma taxa de câmbio flexível entre Paraná e Roraima.

    E isso não apenas seria para o bem de todos, como ainda estimularia as trocas comerciais e o turismo entre esses estados. Todos seriam mais ricos em decorrência dessa dificuldade introduzida por várias taxas de câmbio entre os estados.

    Faz sentido?
  • Dom Pedro  25/06/2015 16:02
    Prezados amigos do Mises Brasil, ontem vi num desses site de notícias que o Estado Islâmico estava lançando sua própria moeda, e ilustrava a matéria com a foto de uma moeda de ouro, chamada dinar, utilizada historicamente no oriente médio, pelo q entendi.

    Aqui:g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/imagens-de-supostas-moedas-do-estado-islamico-circulam-na-web.html

    Perguntas de um leigo:
    Estaria o EI criando uma moeda lastreada em ouro?
    Esta moeda seria viável no contexto de guerra permanente e sem reconhecimento internacional do EI?
    Uma moeda lastreada em ouro seria imune a variações cambiais? Isto é, passaria incólume, ou mesmo fortalecida, diante de uma súbita desvalorização do dólar ou do euro?
    Dólar fraco faz o preço das commodities (petróleo) subir, certo?
    A Arábia Saudita, dona das maiores reservas de petróleo, é muçulmano sunita como o EI, e possui imensas reservas de dólares, certo?
    Seria interessante para um país exportador de petróleo desvalorizar o dólar? (se tivesse esse poder, claro) E se esse país utilizasse uma moeda lastreada em ouro? Poderia ser ainda mais interessante? ou não?

    Sou leigo, e talvez eu esteja paranóico, mas pode ter algo aí... Alguém opina?
  • Leandro  25/06/2015 17:28
    "Estaria o EI criando uma moeda lastreada em ouro?"

    Não há informações confiáveis a esse respeito.

    "Esta moeda seria viável no contexto de guerra permanente e sem reconhecimento internacional do EI?"

    Perfeitamente. Ouro tem liquidez plena, aceitação imediata, conversibilidade total. Quem porta ouro não passa fome e não fica sem comprar insumos básicos, como ocorre hoje com a Venezuela.

    "Uma moeda lastreada em ouro seria imune a variações cambiais?"

    O câmbio dela variaria estritamente de acordo com a variação do ouro em relação ao dólar, euro, franco suíço, libra esterlina, iene etc.

    "Isto é, passaria incólume, ou mesmo fortalecida, diante de uma súbita desvalorização do dólar ou do euro?"

    Perante uma súbita desvalorização do dólar ou do euro, tal moeda seria fortalecida.

    "Dólar fraco faz o preço das commodities (petróleo) subir, certo?"

    Correto.

    "A Arábia Saudita, dona das maiores reservas de petróleo, é muçulmano sunita como o EI, e possui imensas reservas de dólares, certo?"

    Correto.

    "Seria interessante para um país exportador de petróleo desvalorizar o dólar? (se tivesse esse poder, claro)"

    Não necessariamente. Um dólar fraco poderia levar a uma diminuição da demanda por petróleo saudita e a um amento da prospecção de xisto nos EUA.

    Mas vale enfatizar que a Arábia Saudita opera um regime de câmbio fixo em relação ao dólar americano.

    "E se esse país utilizasse uma moeda lastreada em ouro? Poderia ser ainda mais interessante? ou não?"

    Para sua população, sem dúvida sem nenhuma.
  • Dom Pedro  25/06/2015 17:51
    Leandro, agradeço a resposta rápida, vc é o cara!

    Mas voltando a esse preocupante assunto: vamos assumir que o EI esteja criando uma moeda lastreada em ouro, e que essa moeda, por sua liquidez, terá aceitação e viabilidade nas áreas dominadas pelo EI e até fora dela. A partir do momento em que esse dinar for aceito e utilizado no mundo árabe, o que impediria a Arábia Saudita de inundar o mercado de dólares (comprando ouro?), fazendo o dólar cair, o petróleo subir, e o poder de compra de sua população subir? Isso não seria uma manobra vantajosa? O shale gas americano seria capaz de equilibrar as coisas, em face as reservas de petróleo da Arábia?

    Ainda na matéria: "Em novembro, o Escritório da Casa de Finanças do EI anunciou que iria fabricar moedas em ouro, prata e cobre para "substituir o sistema de câmbio tirânico que foi imposto aos muçulmanos e levou a sua opressão"."

    Será possível que fanáticos religiosos poderiam derrubar (ou tentar derrubar) o sistema financeiro de reservas fracionárias mundial??

    Talvez isso seja assunto para um artigo...

    Grande abraço a todos do Mises!
  • Leandro  25/06/2015 19:53
    Não visualizo muito nem como nem por que a Arábia Saudita teria interesse em destruir o dólar. Sua principal commodity de exportação (aliás, a única) é o petróleo, e o petróleo é cotado em dólar. Não faz sentido um país querer destruir justamente a moeda na qual vende seus produtos e com a qual garante todas as suas receitas.

    A destruição da moeda americana dificilmente traria uma melhora do padrão de vida para sua população. E nem para o resto do mundo.

    No que mais, no extremo, nada impede que o Fed eleve os juros para, por exemplo, 20% (como no início da década de 1980). Isso impede qualquer aniquilação do dólar.
  • Gustavo  25/06/2015 20:39
    No que mais, no extremo, nada impede que o Fed eleve os juros para, por exemplo, 20% (como no início da década de 1980). Isso impede qualquer aniquilação do dólar.

    Mas o FED não perdeu o seu poder de manipular os juros, devido às colossais reservas em excesso que o sistema bancário americano possui?


  • Leandro  25/06/2015 21:11
    Não. Ele alterou o formato. Agora ele paga o valor estipulado dos juros sobre as reservas bancárias que os bancos voluntariamente deixam depositadas no Fed.

    Por exemplo, atualmente, o Fed paga 0,25% de juros sobre as reservas bancárias que os bancos voluntariamente deixam depositadas no Fed. Se o Fed elevar a taxa básica de juros para 20%, o Fed passará a pagar 20% sobre essas reservas bancárias.

    Isso, em tese, desestimula os bancos a emprestar para o setor privado e os etimula a deixar o dinheiro parado no Fed. Trata-se de um mecanismo completamente novo, o qual quebra em definivo o mecanismo de transmissão que existia entre a expansão da base monetária e a criação de crédito bancário.

    São novos tempos.

    P.S.: com a adoção desse novo mecanismo, não há mais nenhuma chance de hiperinflação.
  • Gustavo  25/06/2015 21:31
    E este novo arranjo é melhor ou pior que o anterior? Digo melhor ou pior me referindo aos ciclos econômicos e à estabilidade do poder de compra da moeda.
  • Leandro  25/06/2015 22:19
    A conferir. Até o presente momento, tem sido bem sucedido em desvincular completamente a expansão da base monetária da expansão do crédito, em restringir a expansão do crédito (apenas grandes empresas com bons históricos estão conseguindo crédito a taxas tão baixas), e a manter o poder de compra da moeda.
  • Schneider  26/06/2015 05:06
    Senhores,

    só quero lhes parabenizar pela excelente e interessante discussão abordada nesta sequência de comentários.

    Realmente, vale um artigo próprio.

    Forte abraço!
  • Deilton  26/06/2015 16:00
    Seria correto afirmar que o sistema financeiro se tornou mais seguro com essa mudança. O risco do sistema entrar em colapso se tornou menor?
  • CORSARIO90  27/06/2015 16:05
    Caro Leandro, dúvida: elevando para 20%, da onde iria tirar dinheiro para pagamento aos bancos?? Imprimindo dinheiro ou criando dígitos eletrônicos para remunerar os bancos? Isso não iria ao encontro da Teoria dos Ciclos Econômicos Austríacos??
    aBs
  • Leandro  27/06/2015 17:11
    O dinheiro vem dos lucros do Fed (majoritariamente, do dinheiro que ele ganha nas operações com títulos públicos).

    Quando o Fed tem lucro, seu capital (patrimônio líquido) aumenta. Esse dinheiro é então retirado do patrimônio líquido e jogado nas reservas bancárias, que são um passivo para o Fed.
  • Emerson Luis  25/06/2015 16:32

    Gregos e semelhantes querem os benefícios da estabilidade econômica, mas não querem pagar o seu preço: a genuína austeridade em todos os níveis, do individual ao nacional.

    Lembro-me de que um artigo aqui disse que o euro poderia ter um efeito semelhando ao do padrão ouro.

    Seria interessante se cada Estado ou região do Brasil pudesse ter sua própria moeda e política monetária.

    * * *
  • Leandro  25/06/2015 17:16
    "Seria interessante se cada Estado ou região do Brasil pudesse ter sua própria moeda e política monetária."

    Depende do seu conceito de "interessante". A meu ver, seria trágico.

    Cada estado com sua própria moeda geraria um sistema de câmbio flutuante entre os estados. E câmbio flutuante é, por definição, um sistema de "quase-escambo".

    Taxas de câmbio flutuantes introduzem incertezas indesejadas nos mercados, obstruindo o livre comércio, principalmente os investimentos. O investidor torna-se muito mais um especulador do que propriamente um investidor.

    Taxas de câmbio flutuantes são aceitas por economistas simplesmente porque estes têm em mente apenas o conceito de 'nação'. Entretanto, embora 'nação' seja uma importante unidade política, ela não é uma unidade econômica. Imagine se houvesse uma taxa de câmbio flexível entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro? Ou entre Bahia e Santa Catarina? Isso seria um incentivo ao livre comércio entre os estados ou uma barreira?

    Se os estados adotassem câmbios flexíveis entre si, os efeitos seriam desastrosos para o comércio, com cada estado fazendo guerra cambial e impondo várias tarifas protecionistas. Ainda bem que não é assim.

    Não faz sentido -- a menos para protecionistas inveterados, é claro -- defender câmbio flutuante entre países, mas "câmbio fixo" entre estados, cidades e bairros.

    Ademais, vale lembrar que o padrão-ouro clássico, que vigorou de 1814 a 1913, nada mais era do que um sistema de câmbio fixo. Porém, ao contrário da ideia deturpada que se tem hoje de câmbio fixo, o câmbio fixo do padrão-ouro não era um câmbio determinado por políticos. As moedas nacionais (dólar, libra, franco etc.) eram simplesmente denominações para uma determinada massa de ouro. Um dólar era igual a 1/20 onça de ouro e uma libra era igual a 1/4 onça de ouro -- o que significava que uma libra era igual a 5 dólares.

    O dólar era "fixo" em relação à libra da mesma forma que 1 real é fixo em relação a duas moedas de 50 centavos. Ou seja, na prática, todos os países tinham a mesma moeda (ouro) e, neste sentido o câmbio, entre eles era fixo.

    Esse foi o período em que o mercado mundial era genuinamente globalizado. Com o advento da Primeira Guerra Mundial, tudo se esfacelou.
  • Lucas Melillo  25/06/2015 17:41
    Ter o câmbio fixo não causaria problemas no longo prazo?

    Eu vejo como um ótimo instrumento para controle da inflação, porém se o país tem uma moeda muito forte e câmbio fixo, não teríamos problemas com as exportações ?
  • Leandro  25/06/2015 19:59
    Nunca foi apresentado um único dado ou estatística que comprove essa afirmação.

    Por outro lado, eu lhe apresento dados e estatísticas que comprovam a afirmação contrária: moeda fraca afeta as indústrias.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089


    Aliás, se você pensar em Suíça, Cingapura e Alemanha, eis aí três países que sempre tiveram moedas fortes -- a moeda deles se valorizou perante as outras por 4 décadas seguidas -- e suas exportações não só aumentaram, como seus produtos ficaram cada vez melhores.
  • Pobre Paulista  25/06/2015 19:02
    Se São Paulo adotar uma moeda lastreada em Ouro, e o Rio de Janeiro adotar uma moeda lastreada em Prata, não teríamos um regime de câmbio flutuante também?
  • Leandro  25/06/2015 20:00
    Sim. E eu iria querer estar em São Paulo, com uma moeda mais forte. Meu padrão de vida certamente seria mais alto.
  • Emerson Luis  25/06/2015 19:09

    Pois, é, Leandro: "interessante" pode ser bom ou pode ser mau.

    Aproveitando o gancho, muitos liberais defendem o fim dos bancos centrais e a liberdade de cunhar moedas privadas. Se fossem permitidas e não houvesse nenhum bacen para salvá-los, cada banco poderia emitir a sua e quem especulasse com reservas fracionárias poderia arruinar-se, mas a economia como um todo não sofreria muitas grandes crises.

    Estes argumentos que você apresentou não se aplicariam em um sistema de moedas privadas também?

    * * *
  • Wellington Kaiser  25/06/2015 19:29
    "Se os estados adotassem câmbios flexíveis entre si, os efeitos seriam desastrosos para o comércio, com cada estado fazendo guerra cambial e impondo várias tarifas protecionistas. Ainda bem que não é assim."

    Mas talvez muitos desses estados fariam Currency Board, não?
  • Leandro  25/06/2015 20:01
    Aí não seria câmbio flutuante, mas sim fixo.
  • Lucas  25/06/2015 19:39
    Leandro,

    Você não poderia me indicar um artigo detalhado (do IMB ou outro lugar) sobre essa questão do cambio fixo ou cambio flutuante, como funciona, vantagens e desvantagens, á parrtir da ótica liberal.
  • anônimo  25/06/2015 19:39
    Mas num mundo livre não seria assim mesmo? Competição de moedas privadas?
  • Leandro  25/06/2015 20:04
    Sim, com a ligeira diferença de que, com moedas privadas, o interesse do emissor está justamente em fornecer uma moeda forte (e não uma moeda vagabunda).

    Hoje os governos competem para ver quem desvaloriza mais. Com moedas privadas, a competição é pra ver quem entrega uma moeda mais estável e mais forte.
  • Wellington Kaiser  25/06/2015 16:55
    "Entretanto, se o capital não puder se movimentar livremente de São Paulo para o Rio, e se a mão-de-obra não puder se movimentar livremente do Rio para São Paulo, então o Rio ficará permanentemente nessa situação de salários em queda ao passo que os capitalistas de São Paulo estarão amarrados a uma mão-de-obra cara.

    Uma simples solução de livre mercado para esse problema é permitir a ampla liberdade de movimento tanto para a mão-de-obra quanto para o capital — de modo que eles possam ir aos lugares em que estejam mais demandados —, e também permitir uma maior liberdade no uso dessa mão-de-obra e desse capital. "


    Isso também ajudaria a diminuir o problema de pobreza de muitas populações no mundo, como África por exemplo.

    Nessa semana mesmo está sendo noticiado que o governo inglês está investindo fortemente para coibir a entrada de estrangeiros no país. Obrigando a essas pessoas a ficarem no seu país de situação ruim.
  • anônimo  25/06/2015 17:24
    O problema é que muitos desses imigrantes não vão a Europa apenas para trabalhar honestamente, e sim para viver a custa do estado. E se o estado assistencialista já é instável por natureza, imagina com milhões de bocas atrás de recursos fáceis. Não haverá setor produtivo para aguentar tudo isso.

    A solução para a pobreza seria o investimento estrangeiro, mas, infelizmente, e por motivos tolos, empresas não conseguem ir tranquilamente à áfrica para investir. Além de problemas políticos, ainda são caluniadas, pela mídia ocidental, por oferecerem empregos melhores aos africanos.
  • Wellington Kaiser  26/06/2015 01:15
    Tem países que nem oferecem nenhuma assistência para estrangeiros e o pessoal vive migrando. Por exemplo, todo mundo quer fugir para o USA, com certeza não é por assistencialismo.
  • Henrique Zucatelli  25/06/2015 19:46
    Leandro, pergunta totalmente pertinente e que eu quero fazer há muito tempo:

    Se eu por acaso montasse um banco, onde esse criasse uma moeda virtual lastreada em ouro, onde todo o lastro se daria da seguinte maneira:

    - Um capital inicial de uma certa quantidade de ouro;

    - Todos os depósitos dos clientes, independente da moeda, seriam automaticamente convertidos na moeda do banco (ou seja, esse dinheiro seria trocado imediatamente pela sua respectiva quantidade de ouro no cambio do dia)

    - Essa moeda virtual não sofreria variações, pois totalmente lastreada em ouro, não poderia haver inflação monetária pela emissão dessa moeda pelo banco

    - Esse banco jamais poderia fornecer crédito por reservas fracionárias (somente o montante de capital acumulado pelas taxas cobradas pela administração dos valores), logo, o negócio principal desse banco seria guardar o dinheiro dos seus clientes em moeda forte, cobrando apenas por esse serviço e como negócio secundário fornecer crédito apenas com o capital que possui.

    - Em um segundo momento, essa moeda virtual poderia ser utilizada como qualquer outra moeda, sempre mantendo seu valor, mas a nível mundial.


    1- Qual a viabilidade de um tipo de negócio desses?
    2- Sendo viável, algo parecido (exceto claro, comprar ouro e deixar no banco) já existe? E se não, porque ninguém o fez até hoje?
  • Leandro  25/06/2015 20:08
    1- Não sei.

    2a- Os modelos de bancos suíços não são muito diferentes disso.

    2b- Certamente por regulação estatal. Não é qualquer um que abre banco. Nos EUA, um cidadão começou a cunhar uma moeda de ouro. Está preso até hoje.
  • Henrique Zucatelli  25/06/2015 21:23
    ok.
  • Rafael Andrade  26/06/2015 23:52
    Essa idéia já existe, por sinal o banco é de um liberal muito famoso chamado Peter Schiff. Dá uma olhada: https://europacbank.com/
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  25/06/2015 21:40
    Pagará até o último centavo da dívida.
  • Paulo Henrique  25/06/2015 22:13
    Mas se eles saírem do euro a taxa de desemprego cairia não? Haja visto que seus salários seriam desvalorizados por adotar uma nova moeda, o que também os levaria a um poder de compra menor. Porem, caso eles não façam isso, teriam que flexibilizar as leis trabalhistas e abolir qualquer controle salarial(estou supondo que as taxas de desemprego persistentemente elevadas sejam resultado de controles salariais impostos), e para isso políticos teriam que enfrentar sindicatos e revolta popular por perder "direitos trabalhistas".
    Políticos vão escolher a saída mais fácil. Mas mais danosa ao povo grego. Sinto que é questão de tempo para a Grécia abandonar o Euro..
  • Leandro  25/06/2015 22:20
  • Rafael Andrade  25/06/2015 22:50
    A questão não é nem mais se a Grécia fica ou sai do euro. A questão é: se ela vai sair ou se vai ser expulsa, haja vista o calote na dívida, que é o grande desejo do governo atual deles
  • Rafael Andrade  25/06/2015 22:42
    Acompanhar esse dilema grego aqui de camarote no IMB tá uma delícia... que drama! hehehehe
    Por outro lado me entristece muito saber que a maioria das nações do mundo engataram a 5ª marcha na direção da farra dos gastos públicos, vide o Brasil, que vive em iminente risco de default
  • José Roberto Baschiera Junior  26/06/2015 03:23
    Mesmo que nossa dívida tenha crescido, o Brasil não está correndo risco de calote da dívida.
  • Wesley  26/06/2015 00:18
    Só uma dúvida: o dólar é a moeda mais expandida mundialmente. Se ela é a mais disponível, por que o dólar possui uma baixa inflação? Isso ocorre porque a demanda de dólares é alta e imprimir mais dinheiro simplesmente supre essa demanda? Ou o governo americano usa artifícios para manter o dólar pouco inflado? Um abraço!
  • Leandro  26/06/2015 01:26
    Oferta monetária, por si só, não determina nem câmbio nem desvalorização da moeda. Fosse assim, a moeda do Paraguai -- de oferta ínfima em relação ao dólar -- seria uma das mais caras do mundo.

    Muito mais importante do que oferta, é a demanda por essa moeda (o dólar tem demanda mundial; o guarani paraguaio e o real não), as transações que ela efetua (o dólar é utilizado mundialmente; o guarani paraguaio e o real não), e, acima de tudo, a percepção dos especuladores e investidores estrangeiros quanto à estabilidade dessa moeda.
  • Wesley  26/06/2015 05:55
    Em relação a inflação, supondo que o FED decidisse imprimir mais dinheiro e jogá-lo na economia além da demanda mundial, isso não geraria uma inflação do dólar a nível mundial? Além do mais, o dólar ser usado mundialmente não dá o privilégio ao FED de imprimir mais dinheiro sem inflacionar a moeda, o que outros países não tem? Um abraço!
  • Leandro  26/06/2015 11:48
    No atual arranjo monetário e bancário, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito).

    Se não houver demanda por empréstimos, ou se os bancos estiverem mais rigorosos na concessão de empréstimos (que é o caso nos EUA, dado que os bancos ficaram assustados após os calotes que levaram à crise de 2008), este dinheiro não entra na economia americana, e consequentemente os preços não são pressionados.

    Mais ainda: para haver hiperinflação, empresas e pessoas têm de pegar empréstimos como se não houvesse amanhã, na ordem dos trilhões ao mês (e os bancos, é claro, têm de ser loucos a ponto de abrir as torneiras assim), e o governo tem de incorrer déficits orçamentários maciços. Não há outra hipótese de haver hiperinflação -- a menos que o estatuto do Fed seja mudado e ele possa monetizar diretamente todos os gastos do Tesouro.
  • Pobre Paulista  26/06/2015 16:44
    Leandro, na prática o FED está apenas melhorando o índice Basiléia dos bancos americanos às custas da dívida pública dos EUA?
  • Leandro  26/06/2015 16:49
    Correto.
  • Andre  26/06/2015 00:21
    A velha história dos eleitores que elegem esquerdistas achando que é possível ter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo.
    E depois sofrem um implacável golpe da realidade.
    Quase sinto pena.
  • Anominuos  26/06/2015 13:49
    Como ser libertário hoje?
    Primeiro, todos os libertários juntem dinheiro, comprem propriedades numa determinada área do Brasil, de preferência numa área menos habitada. Pensei no nordeste, e de preferência com saída para o mar, assim pode ser criado um porto libertário.
    Depois todos os libertários começam a abrir seus negócios, sem legalização nenhuma. Contratam os serviços oferecidos por outros libertários na área. Tudo será negociado em dinheiro, qualquer moeda que escolham, sem o uso de bancos, a menos que seja um banco libertário não registrado. Serão pagos apenas os impostos da terra para que não seja tomada. Façam grandes condomínios fechados onde haverá segurança privada para pelos libertários residentes ou que tenham negócios no local.
    Assim, é possível criar uma mini nação libertária dentro do Brasil.
  • Andre Cavalcante  26/06/2015 15:30
    Isso só funciona enquanto a "terra libertária" não for mais que uma fazendinha, sem nem mesmo acesso à Internet. Assim que for construído um porto, mesmo bem chinfrim, a PF e a receita vão lá cobrar os "devidos impostos legais" e abrir um posto de aduana. A própria construção do porto, em si mesma, já seria ilegal, porque para se construir um porto (ou mesmo um ponto de atracagem) é preciso autorização das "entidades competentes". Lembrar que as águas são propriedade da união e sua guarde é de responsabilidade da Marinha do Brasil. Imagina então serviços considerados básicos hoje em dia, como produção e distribuição de energia elétrica, captação e distribuição de água, telecomunicações. Tudo isso é controlado, e muito bem, pelo governo central e somente suas agências podem conceder concessão para esses serviços, claro depois de uma monte de falcatruas, maracutaias e corrupção nos corredores de Brasília para beneficiar o grupo A ou B que vai "explorar" a "concessão" por tantos anos...

    A solução é a secessão estadual ou municipal, ou simplesmente a secessão individual, mesmo que "no papel", mas deixar claro pra todo mundo que não admite mais a interferência do governo central em sua vida: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1944
  • Anominuos  26/06/2015 16:00
    Se não se começar de algum lugar, nunca vai se chegar lá.
  • anônimo  26/06/2015 15:34
    Já pensei nessa ideia, parece uma saida prática e como quem faz parte desse local está associada, fica mais demorado pra alguém 'de fora' denunciar. O que não sei se é tão fácil é achar ula região proxima ao mar não habitada
  • Pobre Paulista  26/06/2015 15:54
    No Brasil não sei. Mas tem isso aqui: Liberland
  • Pobre Paulista  26/06/2015 16:04
    Esqueci da continuação

    Mas mesmo lá não está sendo nada fácil: Police in the Balkans block inauguration of Europe's new "mini-state"
  • Edujatahy  26/06/2015 17:25
    É uma pena. Simplesmente os estados não deixam espaço para ninguém. Me pergunto onde no mundo isso seria viavél...
  • Enrico  26/06/2015 18:08
    As FFAA monitoram praticamente todas as áreas de fronteiras. Você provavelmente, ao ser descoberto, seria indiciado por crime contra a segurança nacional. Lei 7.170/83 artigos 11, 16, 17, 18 e provavelmente 12, 22, 23, 24 e 26. A pena não será muito bacana.

    Se for para lutar politicamente, uma ideia seria a criação de Zonas Especiais, onde o território, ainda sob controle militar e diplomático brasileiro, poderia ter suas próprias leis, própria moeda, próprios tributos, próprio sistema jurídico, etc. Se estabelecêssemos umas cinco Hong Kongs no Brasil já poderíamos morrer felizes com a causa.
  • Anominuos  27/06/2015 00:02
    A idéia não é tentar logo de cara um estado independente. Mas após a coisa crescer é possível tentar um plebiscito ou algo assim para se tornar independente. Sei que a legislação brasileira não permite isso, mas tendo gente suficiente talvez seja possível fazer algo.
    A idéia é uma área onde não se negocie utilizando meios que o governo possa tributar ou fiscalizar e utilizar o dinheiro que cada um quiser. É possível sim ter serviços de internet etc sim. A única coisa que seria necessário pagar mesmo seria o imposto das terras, o resto ninguém pagaria. Não é o exército que iria atrás, talvez a receita federal.
  • Enrico  27/06/2015 00:38
    Como haveria um aeroporto sem autorização da FAB e da ANAC? Como haveria um porto sem autorização da Marinha? Como haveria estradas sem autorização da ANTT? Como haveria construção sem autorização da Prefeitura? Como haveria telecomunicações sem autorizacão da ANATEL?

    Ter uma propriedade, segundo a legislação, não significa tanta coisa. O Estado pode desapropriá-la e quase todas as atividades que ocorrem nela são reguladas por ele.
  • Brasil Revelado  29/06/2015 20:23
    Sem dúvida que governos corruptos atrasam e dificultam o progresso. Mas também o arranjo econômico contribui para um endividamento sem volta de uma nação inteira. A Grécia se iniciou no euro já adquirindo uma dívida que não poderia ser paga. Os credores sabiam que o caminho grego era sem volta e que mais cedo ou mais tarde teriam que sujeitar-sem às medidas que limitam o crescimento individual e por consequência concentra ainda mais a riqueza nas mãos de poucos. Endividar para dominar. A lógica não muda. Vem sendo aplicada na América Latina, Africa, Oriente Médio, Ásia e não poderia ser diferente na Europa. Extrema concentração de riqueza e manipulações do mercado financeiro global impedem que a soberania nacional exista. E o objetivo escondido do euro, assim como o da união europeia, é de concentrar a tomada de decisões. O indivíduo não tem mais controle sobre sua própria vida.
    O povo grego está demandando equivocadamente. Devem pedir pelo "menos" ao invés do "mais". Menos governo e mais liberdade.
  • Pobre Paulista  29/06/2015 21:49
    Nossa, quanta besteira. Veio para fazer propaganda e acabou passando vergonha.

    "Sem dúvida que governos corruptos atrasam e dificultam o progresso."

    Correção: governos atrasam o progresso.

    "Mas também o arranjo econômico contribui para um endividamento sem volta de uma nação inteira"

    Quem se endividou foi o governo Grego. Quem vai pagar essa conta é o povo Grego.

    "Os credores sabiam que o caminho grego era sem volta[i]"

    Ninguém prevê o futuro. O risco esteve sempre precificado nas taxas de juros, comprou título da Grécia quem quis. Ademais, 80% desta dívida está nas mãos instituições públicas da Grécia. São estes os credores que sabiam que o caminho era sem volta?

    "[i] e que mais cedo ou mais tarde teriam que sujeitar-sem às medidas que limitam o crescimento individual e por consequência concentra ainda mais a riqueza nas mãos de poucos.
    "

    Agora sim você mostrou à que veio. Para dizer que tudo isto é uma conspiração do grande capital para concentrar riqueza nas mãos de poucos. Gostaria de saber quem exatamente vai ficar com riqueza concentrada após o calote.

    " Endividar para dominar. "

    Se endividou porquê quis.

    "A lógica não muda. Vem sendo aplicada na América Latina, Africa, Oriente Médio, Ásia e não poderia ser diferente na Europa."

    Sim, e absolutamente TODOS os países que gastarem mais do que arrecadam terão que se endividar para pagar a conta. TODOS.

    " Extrema concentração de riqueza e manipulações do mercado financeiro global impedem que a soberania nacional exista. "

    1. Manipulações de mercado? Cite ao menos um exemplo. Quem fez essas manipulações? Como ela foi feita?
    2. Impedir que a soberania nacional exista é algo extremamente positivo para a economia e para os cidadãos.

    "E o objetivo escondido do euro, assim como o da união europeia, é de concentrar a tomada de decisões. "

    Hm, se é um objetivo escondido, como exatamente você o achou?

    "O indivíduo não tem mais controle sobre sua própria vida."

    Não? São personagens de um video-game jogado pelo grande capital por acaso?

    "O povo grego está demandando equivocadamente. Devem pedir pelo "menos" ao invés do "mais". Menos governo e mais liberdade."

    Finalmente algo de correto no seu comentário. Curiosamente vai contra todo o seu embasamento. Foi você mesmo quem escreveu?
  • Brasil Revelado  30/06/2015 01:58
    O objetivo não foi outro senão o de expor minha opinião.
    Sem dúvida que governos atrasam o progresso individual por sua simples existência. Mas é interessante analisar comparativamente. Por exemplo, a Noruega é um dos maiores exportadores de petróleo e seu governo tem fortes características socialistas. O que não impede os noruegueses de terem um dos mais altos padrões de vida. Já os cidadãos da Arábia Saudita não disfrutam de semelhante padrão de vida, mesmo sendo um expoente produtor de petróleo. São diferentes modelos de governo mas não alteram a verdade dos fatos. Estado por si só não é sinal de relativo atraso e baixo padrão de vida.
    A dívida foi adquirida pelo governo grego, e sim, será paga pela população. Apesar de ser dívida originada pelo corrupto governo grego. Mas nem sempre empréstimos são tomados por ineficiência e ganância governamental. Às vezes o governo em questão não tem escolha. Tenho em mente dois exemplos. No início da década de 80 houve uma aproximação pelo FMI e o BM aos então presidentes do Equador, Jaime Aguillera, e do Panamá, Omar Torrijos, bem conhecidos por serem nacionalistas e com fortes tendências reformistas. Não aceitaram as ofertas e não por simples coincidência eles morreram, no intervalo de três meses entre eles, e no mesmo modus operandi, queda de avião. Na cena do acidente não foi permitida a entrada de policiais e investigadores locais, somente agentes da CIA e alguns oficiais militares. Como referência deixo a leitura do livro Confessions of an Economic Hitman, do ex-agente da CIA John Perkins.
    O que você chama de conspiração, Noam Chomsky identificou como análise institucional. É perfeitamente racional pensar nesses eventos como sendo consequências de atitudes orquestradas.
    Talvez eu tenha pecado em não contextualizar a ideia de soberania nacional. Potências internacionais tendem a não respeitar a "soberania nacional" no sentido da autodeterminação de seu governo e população. Como exemplo cito a Nicarágua que foi alvo do exército por procuração dos EUA, chamado de Contras, que por anos mataram e desestabilizaram e economia local com a desculpa de estar defendendo a democracia e liberdade dos nicaraguenses. É o comportamento natural e esperado daquele que detêm monopólio do poder.
    A própria ideia de BC é um mecanismo de manipulação do mercado. E não por coincidência é um sistema adotado mundialmente, com exceção de um par de países. Sua eficiência para o progresso e desenvolvimento responsável vem sendo provado falso, o que nos resta a interpretação descrita acima. Manipulando centralmente a oferta do instrumento de troca é, no fim, controlar todas as relações comerciais e sociais.
    Bem, espero ter contribuído para o debate.


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