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Como a mensuração do PIB distorce a realidade da economia

O cálculo do PIB tem o propósito de mensurar a atividade econômica.  Só que ele não mensura — e nem tem como mensurar — a qualidade, a lucratividade, a profundidade, a amplitude, as melhorias e os avanços dos bens e serviços produzidos.  E é isso o que realmente importa para uma economia.

Por exemplo, se um navio — construído a custos altos — estiver navegando sem passageiros, sem cargas, e sem conseguir pescar nada, ainda assim sua construção terá contribuído para o crescimento do PIB.  Não importa se tal navio foi lucrativo para os investidores ou se ele atolou na areia; ele contribuiu para aumentar o PIB.  Navegando nos mares ou enferrujando abandonado em um estaleiro, o PIB do país cresceu por causa de sua construção.

Colocando de outra maneira, o PIB não avalia corretamente o valor dos bens e serviços fornecidos por uma economia, e, consequentemente, é incapaz de estimar o padrão de vida de uma sociedade.  O PIB é uma régua com uma métrica totalmente irregular; é um relógio com um tic-tac errático.  

Como evidência empírica, veja essa absurdidade: em 1990, o PIB soviético equivalia à metade do PIB americano, de acordo com o CIA Factbook de 1991.  Só que ninguém que visitasse a União Soviética em 1990 iria acreditar que a economia deles sequer chegasse perto de ter 50% da qualidade e da quantidade dos bens e serviços produzidos nos EUA.  As estatísticas de produção definidas pelo PIB podiam ser robustas, mas construir estradas que vão do nada a lugar nenhum, fundir aço que não será utilizado na fabricação de nenhum produto, e fazer pães intragáveis é forçar demais a definição de "produção".

E isso descreve apenas os bens que foram realmente produzidos.  Não há como contabilizar todo o custo de oportunidade perdido; não há como contabilizar os bens e serviços essenciais que não puderem ser produzidos porque recursos escassos foram utilizados para produzir bens e serviços que não estavam sob demanda.

E por que é assim?  Por que o cálculo do PIB não reflete o real tamanho e a real vitalidade de uma economia? 

A maneira tradicional de calcular o PIB de um país é por meio da seguinte (e extremamente simples) equação:

PIB = C + I + G + X - M

C representa os gastos do setor privado, I representa o total de investimentos realizados na economia, G representa os gastos do governo, X é o total de exportações e M, o de importações.

Há três conceitos amplamente falaciosos embutidos nessa "mensuração" do PIB:

(1) bens intermediários (por exemplo, aço) são eliminados dos cálculos para evitar a "contagem dupla";

(2) gastos governamentais são considerados atividades econômicas viáveis; e

(3) importações são consideradas negativas, e são subtraídas das exportações, que são consideradas positivas.

A importância exagerada dada ao consumismo

Quais transações deveriam ser incluídas no cálculo do PIB?  Dado que a maioria dos produtos foi produzida utilizando outros produtos que já haviam sido produzidos, os arquitetos do cálculo do PIB tentam evitar essa "dupla contagem" incluindo na equação apenas bens e serviços finais

Por esse método, a produção de um carro é contabilizada (como um aumento nos estoques), mas os metais, as borrachas e os plásticos comprados durante o processo de produção do carro são desconsiderados.

Adicionalmente, as regras que estipulam que uma determinada transação seja considerada "final" ou "intermediária" são arbitrárias.  Tal lógica poderia perfeitamente incluir apenas a venda do carro para o consumidor e desconsiderar todo o processo de produção anterior.  No que mais, qualquer transação "final" ocorrida durante um dado período de tempo não necessariamente inclui bens intermediários produzidos naquele mesmo período de tempo: metais, borrachas e plásticos comprados hoje muito provavelmente serão utilizados na fabricação de um carro que só será vendido em outro período de tempo (no futuro).

Mas, independentemente da natureza arbitrária de se determinar as vendas finais, e não obstante o problema da não-correspondência temporal entre bens intermediários e a venda dos bens finais produzidos pelos bens intermediários, a exclusão de determinadas transações "intermediárias" simplesmente exclui volumes significativos da atividade econômica.  Sendo assim, o PIB simplifica em demasia a real situação da economia ao superestimar o consumo em detrimento dos investimentos produtivos.

Só que variações no investimento e nas cadeias produtivas influenciam muito mais a economia do que variações no consumo.

Exatamente por isso, uma melhor maneira de mensurar a produção geral da economia foi criada em 2014, quando o Departamento de Comércio dos EUA começou a publicar a Produção Bruta, a qual incorpora transações intermediárias.  Utilizando a Produção Bruta, a estatística do consumo, que atualmente responde por 70% da economia americana, despenca para apenas 40%.

A abordagem dos gastos do governo como se fossem produtivos

Se o PIB tem o objetivo de mensurar atividades econômicas que beneficiam a sociedade, então a inclusão dos gastos do governo é dúbia.  O PIB "produzido" pelo governo da União Soviética não é diferente do PIB "produzido" por qualquer outro governo — a diferença é só de escala.

[Nota do IMB: Todos os gastos do governo representam investimentos errôneos de algum tipo.  Os gastos do governo são, sob qualquer aspecto e em qualquer situação, um fardo para toda a economia de um país.  Para financiar os gastos do governo, são necessários impostos e contínuos endividamentos do Tesouro (os quais, por sua vez, serão quitados ou com novos impostos ou com inflação monetária). 

A tributação nada mais é do que uma destruição de riquezas.  Parte daquilo que o setor privado produz é confiscado pelo governo e desperdiçado em salários de políticos, agrados a lobistas e empreiteiras que fazem obras de cunho político, e em péssimos serviços públicos (para não falar dos desvios na corrupção).  Esse dinheiro confiscado não é alocado em termos de mercado, o que significa que está havendo uma destruição da riqueza gerada. 

Adicionalmente, impostos nada mais são do que um preço que o governo coloca sobre a produtividade; uma penalidade impingida ao trabalho. Quanto maior a quantidade de impostos, menores serão os incentivos ao investimento e à produção.

Já o aumento da oferta monetária gera a inflação de preços que distorce toda a economia, além de ser o fator causador dos ciclos econômicos.  E a emissão de títulos gera o aumento da dívida do governo, cujos juros serão pagos ou por meio de mais impostos ou por meio da inflação monetária ou por meio de mais lançamento de títulos (que é o que chamam de "rolar a dívida"). 

Logo, quanto maiores forem os gastos do governo, maiores terão de ser os impostos e a inflação monetária.  Quanto maiores forem os impostos, menores serão os incentivos ao investimento e à produção; quanto maior for a inflação monetária, maior será o estrago sobre a estrutura de produção da economia].

Adicionalmente, como disse Murray Rothbard:

Gastos só podem mensurar o valor da produção na esfera da economia privada, pois se trata de um gasto feito voluntariamente em troca de bens e serviços prestados.  No que tange ao governo, a situação é totalmente diferente ... os gastos do governo não necessariamente têm relação com os serviços que ele presta compulsoriamente à população.  Com efeito, é simplesmente impossível mensurar estes serviços.

A ausência de uma ação voluntária nos gastos do governo faz com que os preços e custos desses gastos se tornem sem significado; e sem uma genuína ação empreendedorial de descoberta de preços, os benefícios dos gastos não podem ser mensurados.

Isso não significa que todos os bens e serviços produzidos pelo governo não existiriam; ao contrário, boa parte dessa produção (por exemplo, hospitais, escolas e estradas) seria feita pelo setor privado.  Se há demanda por eles, haverá oferta.  Considerando-se que os gastos do governo em bens e serviços seria efetuados pelo livre mercado, a verdadeira contribuição do governo ao PIB até pode ser positiva, mas certamente está superestimada (nos EUA, por exemplo, os gastos do governo representam 20% do PIB; no Brasil, representam incríveis 40,4% do PIB). 

Uma descrição mais acurada da atividade econômica seria eliminar os gastos do governo do cálculo do PIB.  Ou, indo mais além, deduzir do PIB todos os gastos do governo, uma vez que todo o gasto governamental representa uma clara depredação, e não uma adição, à atividade econômica.  Veja mais detalhes sobre esse método aqui.

Os problemas de subtrair as importações das exportações

O cálculo do PIB considera que as importações subtraem da economia.  Ao fazer isso, o PIB seriamente subestima a contribuição do comércio para a atividade econômica como um todo.

Para saber, uma economia que exporta $1 e importa $1 terá a mesma contribuição ao PIB (zero) que uma economia que exporta $100 bilhões e que importa $100 bilhões.

Obviamente, esta última economia ficaria em uma situação muito pior caso ocorresse uma súbita interrupção no comércio mundial.

[Nota do IMB: não faz nenhum sentido as importações contribuírem para o decréscimo do PIB, como mostra a equação. 

Se a economia está importando maquinário e bens de capital, isso irá torná-la mais produtiva, e não menos, que é o que a equação sinaliza.  Porém, olhando-se estritamente do ponto de vista contábil, as importações são subtraídas porque o PIB está preocupado apenas com aquilo que é transacionado dentro da fronteira brasileira, sem se importar com a nacionalidade do produtor. 

Assim, um Audi fabricado no Paraná gera um aumento no PIB; porém, se uma empresa brasileira atuando no exterior vendesse para o Brasil um produto seu fabricado lá fora, mesmo que fosse um bem de capital que aumentasse a produtividade da economia, tal transação diminuiria o PIB.]

O PIB segue a mentalidade mercantilista de tratar as exportações como algo positivo e as importações como algo negativo.  Ora, por que as exportações adicionam ao PIB mas as importações deduzem do PIB?  Se o objetivo do PIB é mensurar os bens e serviços fornecidos às pessoas que vivem dentro de uma região geográfica, então as importações — e não as exportações — é que são benéficas. 

[Nota do IMB: Um aumento das importações indica que o poder aquisitivo população aumentou; indica que o bem-estar da população aumentou.  Já um aumento das exportações indica que a população agora possui menos bens ao seu dispor, pois estes foram enviados para fora.  Pode também indicar que o poder de compra da população está em queda, o que significa que a exportação foi a maneira de as empresas se livrarem de seus excedentes não consumidos.  Em ambos os casos, o padrão de vida da população diminuiu].

O PIB foi criado com o intuito de avançar a agenda keynesiana

O russo Simon Kuznets (1901-1985) foi quem revolucionou a econometria e padronizou a mensuração do PIB.  Após ter afiado suas habilidades estatísticas na Rússia bolchevista, ele se mudou para os EUA para continuar suas pesquisas, as quais culminaram em seu livro, lançado em 1941, chamado National Income and Its Composition, 1919–1938 (A Renda Nacional e sua Composição, 1919—1938).

Embora não fosse um keynesiano per se, a natureza e o momento exato de suas pesquisas serviram para aditivar a revolução keynesiana, uma vez que o planejamento central requer estatísticas econômicas. 

Como observou Murray Rothbard:

As estatísticas são os olhos e os ouvidos do burocrata, do político, do reformador socialista.  É somente pelas estatísticas que eles conseguem descobrir, em toda a economia, quem "necessita" do quê, e quanto de dinheiro o governo deve gastar para fazer isso acontecer.

As instáveis bases teóricas do PIB, bem como sua aceitação politicamente conveniente, distorcem o desempenho e a natureza de uma economia ao mesmo tempo em que são incapazes de estimar de maneira satisfatória o real padrão de vida de uma sociedade.  Com efeito, o próprio Kuznets entendeu isso.  Em seu primeiro relatório ao Congresso americano, em 1934, ele disse que "o bem-estar de uma nação dificilmente pode ser inferido de uma mensuração da renda nacional".

Ainda assim, o uso cego e fanatizado do PIB persiste até hoje.  O fato de que sua existência e persistência serve apenas às políticas keynesianas de estimular o consumismo, defender aumentos dos gastos governamentais, incentivar as exportações por meio de desvalorizações cambiais e restringir as importações por meio de tarifas protecionistas não é algo que deve ser considerado uma mera coincidência.

Infelizmente, as consequências de tudo isso — estagnações econômicas, aumento do endividamento e inflação de preços — são tão inevitáveis quanto previsíveis.



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Diversos Autores

  • Felipe  15/05/2015 14:51
    O principal problema do PIB é que ele não mensura a satisfação dos consumidores. Um governo pode desviar recursos para setores escolhidos arbitrariamente por ele em vez daqueles que atenderiam melhor os consumidores.

    Para o PIB está tudo ok, mas para os indivíduos não.

    Para o PIB a produção é um fim, mas para os indivíduos é só um meio.

  • Alexandre Silva  15/05/2015 15:22
    É tão óbvio quanto ridículo. O governo vive vomitando q temos o oitavo ou sexto maior PIB do mundo mas o q isso reflete realmente? Nada...
  • Henrique  15/05/2015 15:28
    Vale também ressaltar que o PIB não mede a concentração de renda. Se apenas os ricos se beneficiarem de determinado aumento do PIB, isto não estará visível em seus números. É necessária a utilização do Coeficiente de Gini, nesses casos.


    Abraços.
  • Meirelles  15/05/2015 15:32
    E o coeficiente de Gini, por sua vez, também não mede nada.

    Pelo índice de Gini, os EUA são mais desiguais que o Senegal; o Canadá é mais desigual que Bangladesh; a Nova Zelândia é mais desigual que o Timor Leste; a Austrália é mais desigual que o Cazaquistão; o Japão é mais desigual que o Nepal e a Etiópia.

    E o Afeganistão é das nações mais igualitárias do mundo.

    Ou seja, trocou o estrume pelo esterco.
  • Veron  19/05/2015 16:22
    Excelente, Meirelles.
  • jose guilherme   14/05/2016 01:38
    nossa,eu adoro assuntos sobre economia,estou ainda no 2°periodo de contabilidade e tive algumas disciplinas de fundamentos de economia .pretendo estudar as 2 duas juntas so falta-me tempo que vale mais que o dinheiro.muitos desses comentarios ae acima sao copiados de sites.mas ta valendo.
  • Tiago silva  15/05/2015 15:29
    O grande problema com o PIB,é que se o governo confiscar mais em relação a uma situação anterior,automaticamente o PIB aumenta,apesar das pessoas ficarem com menos rendimento disponível,o que obviamente é um contra-senso lógico básico.

    keynesianismo é uma furada mesmo,por isso é que deve ser tão atractivo para as massas emburrecidas pelo ensino compulsório estatal.
  • P  17/05/2015 22:10
    Não, aumento do G deduz o C e o I privado no mesmo valor, essa equação serve apenas para discriminar os demandantes.
  • Lucas Amaro  14/06/2015 13:39
    Não, não deduz na mesma proporção. Os teóricos keynesianos não deixariam um deslize metodológico desse tamanho em sua teoria. Seria mais fácil ainda de desmistificar.

    Existe o chamado multiplicador de gastos. Basicamente é uma equação de primeiro grau que subtrai a propensão marginal a consumir de 1.

    (1/1-propensão marginal a consumir)

    É claro que é apenas uma justificativa teórica para tentar dar mais sentido ao keynesianismo, não algo real efetivamente. Uma sociedade consumista e com pouca poupança (portanto, pouco investimento) e/ou com um governo gastão é, segundo tal modelo, um exemplo de robustez econômica.
  • Trader Carioca  15/05/2015 15:33
    Achar que PIB maior é sinônimo de uma economia melhor cria incentivos ao aumento do número do PIB sem que isso se reflita na qualidade de vida.


    Aplicação da Lei de Goodhart: "When a measure becomes a target, it ceases to be a good measure."(Quando uma medida se torna uma meta, ela deixa de ser uma boa medida).
  • Luiz Edmundo  16/05/2015 01:15
    O Cálculo do Produto Interno Bruto -PIB- não é feito pela equação C+I+G+X-M, pois essa é denominada de Gasto Interno Bruto GIB ou também Demanda agregada. O Cálculo do PIB é a soma dos valores agregados do setor primário, secundário e terciário, por isso o nome Produto e não Gasto ou Despesa.
  • Carlos  17/05/2015 18:06
    Edmundo, avise então ao IBGE, pois é exatamente assim que eles fazem:

    www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/pib/pib-vol-val_201404_8.shtm

    Some os valores das colunas "consumo das famílias", "consumo da administração pública", "formação bruta de capital fixo", "variação de estoques" (ambos são indicadores de investimento), "exportações" e "importações".

    Faça isso e veja que o valor será idêntico ao PIB divulgado (PIB pm = PIB a preços de mercado).
  • Luiz Edmundo  17/05/2015 21:43
    Carlos, observe a tabela, some as colunas: Agropecuária, industria, serviços, Valor Agregado, imposto e o resultado é PIB pm (preços de mercado). A visão do PIB pela ótica dos gastos não pode ser usado para calcular o PIL (liquido) pois é o PIB menos a depreciação.
  • Jorge  18/05/2015 00:14
    E quem está falando em PIL? Estamos falando de PIB e este é obtido somando-se consumo, investimentos (e variação de estoques, que nada tem a ver com depreciação), gastos do governo, exportações e subtraindo importações.

    Se você não aceita esse dado da realidade, nada posso fazer.
  • Hudson  15/05/2015 16:23
    "As estatísticas de produção definidas pelo PIB podiam ser robustas, mas construir estradas que vão do nada a lugar nenhum, fundir aço que não será utilizado na fabricação de nenhum produto, e fazer pães intragáveis é forçar demais a definição de "produção"."

    Outro exemplo: as inúmeras cidades-fantasma da China. A China, quando estourar, não será algo bonito de se ver (nem de viver).
  • Rafael Junqueira  15/05/2015 17:12
    Quais seriam possíveis alternativas mais inteligentes ao PIB?
  • Bruno  15/05/2015 17:24
    Linkado no artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2013


    Ou, na mais branda das hipóteses, utilizar o PIB per capita:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1969
  • Gustavo von Krüger  16/05/2015 10:32
    O PIB per Capita , para mim, faz menos sentido ainda, pois pressupões que o efeito PIB atinge igualmente todos os habitantes do país. Só como exemplo, no nosso caso, o meu PIB per Capita é taxado em 27,5%, enquanto o PIB per Capita de outras pessoas pode estar intocado pela Receita Federal, além de receber parte dos 27,5% que tiraram do meu, via algum programa de subsídio.
  • anônimo  15/05/2015 18:33
    Qualquer indicador é só mais um motivo para o maldito governo se meter na economia. Por isso seria melhor não usar nada. Além de burocratas, a quem mais interessa saber da "produção nacional"?
  • Luiz  15/05/2015 22:34
    Ola,
    Duas citacoes que me pareceram equivocadas no artigo:

    1- no exemplo do navio tratam-se de duas atividades distintas
    Produzir o navio, onde o estaleiro de fato vendeu algo
    Operar o serviço com o navio, no exemplo sem clientes
    Assim o pib mediu corretamente: produção (venda do navio) e
    Zero na operação

    2- na citação sobre o pib russo o problema nao e o medidor e sim
    a fraude pura e simples; por exemplo na Argentina a inflacao real
    é muito superior a divulgada pelo governo, fraude pura.....
  • Leandro  15/05/2015 22:52
    1) O artigo em nenhum momento diz que esse cálculo está "errado" do ponto de vista contábil. Ele fala, isso sim, que o cálculo não faz sentido.

    O navio foi construído com recursos escassos -- recursos esses que poderiam estar sendo utilizados em outros empreendimentos mais produtivos e para os quais havia real demanda --, mas sua produção não trouxe nada de positivo para a economia. Foi um verdadeiro elefante branco. Recursos escassos foram desperdiçados em uma empreendimento para o qual não havia demanda. A economia ficou mais pobre em decorrência desse desperdício de capital.

    No entanto, segundo os números do PIB, a construção do navio foi positiva para a economia.

    2) Isso passa longe do principal ponto do artigo.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  15/05/2015 22:50
    Não adianta tentar: nenhum governo pode fazer qualquer coisa que seja com qualidade mínima, pois lhe faltam incentivos(qual lucro eles teriam?). Os governos são desnecessários e PONTO FINAL.
  • Ederson  16/05/2015 01:51
    Saindo um pouco do assunto, achei um texto interessante sobre o modelo tradicional de ensino. Realmente vocês tem razão quando dizem que a educação deveria ocorrer num ambiente de livre mercado.

    www.administradores.com.br/mobile/artigos/cotidiano/sim-a-escola-esta-destruindo-geracoes/86918/
  • Pedro  16/05/2015 02:41
    Logo que comecou a abertura politica no Brasil, comecaram os programs de entrevistas politicas e economicas. Num deles, presente o ex-ministro do planejamento Joao Paulo dos Reis Veloso, um lider politico falava da desigualdade, dizendo, em suma, que a desigualdade fazia com que as pessoas vivessem mal. Joao Paulo disse a ele que havia dois estados onde o nivel de desigualde de um deles era bem superior ao do outro (deus os numerous. Em seguida perguntou ao politico em qual deles o povo viveria melhor. O politico respondeu que seguramente no estado menos desigual o povo estaria em melhores condicoes. Dai, Joao Paulo, desfilando os numerous, esclareceu que o estado menos desigual era o Piaui e o outro, Sao Paulo. O politico nao sabia onde metia a cara.
  • Rhyan  16/05/2015 21:45
    A alternativa seria o PPR? Mas ele também sofre de críticas, certo?
  • CORSARIO90  16/05/2015 23:28
    Boa noite. Qual a diferença entre O I de investimento e o G de gastos do governo? Ou Qual a diferença entre O I de investimento e o C da iniciativa privada ? O recolhimento de tributos entra só quando o governo Gasta?
    ABS a todos
  • Corolário  17/05/2015 00:53
    "Qual a diferença entre o I de investimento e o G de gastos do governo?"

    Investimento = construção de fábricas, ampliações de instalações, compras de maquinários diversos etc.

    Gastos do governo = salários de funcionários públicos, de políticos, de burocratas e todas as despesas da máquina pública.

    "Qual a diferença entre o I de investimento e o C da iniciativa privada?"

    Investimento = construção de fábricas, ampliações de instalações, compras de maquinários diversos etc.

    Consumo das famílias = tudo que as pessoas consomem: roupas, alimentos, carros, televisão, celeulares, diversão, serviços, comércio em geral.

    "O recolhimento de tributos entra só quando o governo gasta"

    O recolhimento de tributos ocorre em C, I, X e M.
  • CORSARIO90  17/05/2015 11:51
    Obrigado. Então o investimento (I) seria puramente privado, estou correto? QQ "investimento " por parte do governo seria na verdade gastos? EX: construção de nova ferrovia pelo governo seria computado igual a pagamento da previdência social?
    Pergunto porque vivo num ambiente estatal, não sou economista, mas tenho vontade de construir algo melhor pro futuro.
    O C não seria gastos do setor privado com suas despesas e gastos recorrentes? O trecho do texto está '' C representa os gastos do setor privado '' e I investimento feito na economia não identificando o autor.
    Falo isso pq vejo um dos principais argumentos argumentos utilizados pelo governo na área de defesa é incentivo a indústria nacional de defesa. Neste caso seria Investimento ou Gastos?


    Valeu pela paciência!
    ABS
  • Marcos  17/05/2015 12:45
    O "investimento" computa tudo: estatal e privado, sem distinção (mais um motivo da inutilidade do PIB).

    Gastos do governo são gastos do governo e entram em G; investimentos do governo (construção de estradas e pontes) são investimentos, e entram em I.
  • CORSARIO90  17/05/2015 13:05
    Pelo que entendi então é que se o governo nos tributa ele retira capital privado que seria aplicado na economia com maior razoabilidade e sem interesses pífios, fora os gastos para sustentar toda a máquina administrativa. Se abrisse o mercado o investimento entraria livremente e naturalmente para aquilo que a sociedade escolheria de maneira natural. Um PIB PPR mesmo e os gastos seriam para real necessidade como proteção da sociedade contra ameaças externas (defesa da vida e propriedade privada).
    Pelo que eu vejo nas repartições públicas, a principal alegação é que o mercado e a iniciativa privada não chegaria em lugares longínquos dos grandes centros e a população viveria na miséria.
    Tem algo que eu possa ler e fundamentar o que eles estão falando é uma grande bobagem? Toda vez que falo de singapura e hong kong sou agredido pq são países pequenos (infelizmente tb já pensei assim antes de conhecer o IMBs. O pior argumento que escuto é que o nosso povo não tem a capacidade de gestão própria e por isso o estado deve regular a vida se não descamba geral.

  • Lucas Amaro  14/06/2015 13:59
    Preços, oferta e demanda explicam isso. Não precisa nem ir muito além.

    Teoricamente, tudo pode dar lucro. Você só precisa de um preço que seja alto o suficiente para cobrir os gastos ou uma demanda que te possibilite reduzir os gastos por escala.

    No caso dos serviços postais, é só cobrar mais caro para endereços que dão um custo maior, por exemplo. Tal custo pode ser explícito (maior distância, por exemplo) ou implícito, por meio do custo de oportunidade, como acontece em regiões mais violentas e que corriqueiramente verificam roubos de mercadoria.

    Aliás, no Brasil inteiro você encontra casos em que o Correios não faz nem entrega em determinada área por falta de segurança e você que tem que retirar sua mercadoria na agência deles.

    Existem outros pontos como a Voz do Brasil. Se a ideia é levar propaganda do governo, quer dizer, informação para regiões mais afastadas porque então a obrigatoriedade em grandes centros urbanos?
  • Pobre Paulista  17/05/2015 00:21
    Não entendo essa paranoia de se medir a "riqueza da nação" ou algo que o valha. A única medida necessária para um mercado livre funcionar é o lucro, e cada empreendedor já faz isso com seus próprios negócios.

    Esse assunto só serve a interesses coletivistas.
  • 4lex5andro  06/07/2018 13:07
    FMI, Onu, Banco Mundial, Fed, UE.

    Empenhados na "nova ordem mundial", reduzindo a importâncias das iniciativas privadas individuais e maximizando a "necessidade" de uma intervenção cada vez maior de entidades mastodônticas, ou seja, o Estado e seus parceiros.
  • renan merlin  17/05/2015 06:42
    E como nos tempos dos militares. A Inflação era altíssima, a população miserável mas o Pib crescia 15 a 20%
  • Roberto  18/05/2015 12:17
    Off topic --

    Leandro, segundo a escola austríaca, uma moratória da dívida pública no brasil seria bom ou ruim para economia?

  • Leandro  18/05/2015 23:22
    De um lado, privaria o governo de novos empréstimos, pois este perderia totalmente a credibilidade. Logo, por esse prisma, seria positivo.

    De outro, destruiria totalmente o sistema bancário, pois este é o detentor majoritário dos títulos da dívida do governo. Com um sistema bancário quebrado, toda a economia iria para o vinagre.

    É exatamente por isso que governos, quando decretam moratória, fazem apenas para a dívida externa.
  • Luiz Edmundo  18/05/2015 13:11
    As tres ótica para medida de desempenho da economia:
    1º) Conta do produto
    Valor agregado líquido:
    + setor primário
    + setor secundário
    + setor terciário
    = produto interno bruto a custos de fatores
    + impostos indiretos
    - subsídios
    = produto interno bruto a preços de mercado
    - renda líquida enviada ao exterior
    = produto nacional bruto Conta da renda
    2º) Renda:
    + salário
    + lucro líquido
    = renda interna bruta a custo de fatores
    + impostos indiretos
    ­ subsídios
    = renda interna bruta a preços de mercado
    - renda líquida enviada ao exterior
    = renda nacional bruta
    3º)Conta das despesas
    + consumo pessoal
    + consumo do governo
    + investimento Bruto
    + variação de estoque
    + exportação de bens e serviços
    - importação de bens e serviços
    = despesa interna bruta a preços de mercado
    - renda líquida enviada ao exterior
    = despesa nacional bruta

    Fonte: Costa, F. N. da.- "Economia" pg.179
  • Flávio  19/05/2015 13:43
    PIB não mede nem pretende medir bem-estar. Seu objetivo é tão-somente medir a capacidade produtiva de uma economia, e deve portanto ser julgado de acordo. PIB desconta importações precisamente porque o que foi produzido fora não ajuda a medir a capacidade de produção interna. Pelo mesmo motivo, exportações de produção interna conta positivamente no PIB.

    Embora não seja seu objetivo medir bem-estar, O PIB se correlaciona com qualidade de vida de forma notável. Basta ver a lista de países com maiores PIBs per capita e comparar com os menores e ver onde gostaríamos de morar.

    en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(PPP)_per_capita

  • Gomes  19/05/2015 14:25
    "PIB não mede nem pretende medir bem-estar."

    E o artigo em momento algum fala isso.

    "Seu objetivo é tão-somente medir a capacidade produtiva de uma economia, e deve portanto ser julgado de acordo."

    Então piorou tudo. Se o PIB mede a "capacidade produtiva" da economia, então ele está todo errado.

    Por exemplo, gastos do governo afetam a capacidade produtiva da economia; no entanto, na equação do PIB, eles aumentam a capacidade produtiva da economia.

    Importação de bens de capital e maquinários em geral aumenta a capacidade produtiva da economia. No entanto, na equação do PIB, a importação desses produtos reduz a capacidade produtiva da economia.

    Faz sentido?

    "PIB desconta importações precisamente porque o que foi produzido fora não ajuda a medir a capacidade de produção interna."

    E a importação de máquinas e bens de capital modernos? Isso não ajuda na capacidade de produção interna?

    "Pelo mesmo motivo, exportações de produção interna conta positivamente no PIB."

    Nada contra.

    "Embora não seja seu objetivo medir bem-estar, O PIB se correlaciona com qualidade de vida de forma notável. Basta ver a lista de países com maiores PIBs per capita e comparar com os menores e ver onde gostaríamos de morar."

    Sim, isso já foi discutido em um artigo específico.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1969
  • Leandro  19/05/2015 14:43
    "[O objetivo do PIB] é tão-somente medir a capacidade produtiva de uma economia"

    Errado. Nem mesmo os apologistas do PIB dizem isso.

    A equação do PIB mede apenas o valor monetário de todos os bens e serviços finais que foram comprados e vendidos dentro das fronteiras do Brasil em um dado ano.

    Ou seja, o PIB é apenas um cálculo de todas as transações monetárias envolvendo bens e serviços finais. Ele é utilizado para mensurar o gasto agregado da economia.

    Só isso.

    Portanto, o que os economistas chamam de "crescimento econômico" mensurado pelo PIB de um ano para o outro nada mais é do que aumento do valor final (preço) das transações monetárias de um ano para o outro. Esse resultado nominal é dividido por um questionável deflator de preços, para se obter o PIB real.

    Ponto.

    Agora, se, a partir dos valores obtidos, as pessoas decidem fazer elucubrações sobre o real estado da economia, aí elas já fazem isso por sua própria conta e risco.

    Vale lembrar que o crescimento do PIB durante o governo Sarney foi maior do que o do governo Dilma e maior também do que o do governo FHC. No entanto, não apenas ninguém sentiu esse "crescimento econômico", como, na verdade, sentiu uma brutal recessão. Tanto é que o cidadão saiu do governo com 6% de aprovação e tem altíssima rejeição até hoje. O PIB não explica isso.

    Que o PIB ainda seja levado a sério mostra bem o estado em que se encontra o estudo da ciência economia.
  • Marconi  19/05/2015 16:20
    Que o PIB ainda seja levado a sério mostra bem o estado em que se encontra o estudo da ciência economia.

    hahaha Belo comentário! Existe uma verdadeira adoração ao PIB, como se ele fosse mais do que apenas um indicador meia-boca, como todos indicadores sozinhos são.
  • Felipe  19/05/2015 15:07
    " Seu objetivo é tão-somente medir a capacidade produtiva de uma economia, e deve portanto ser julgado de acordo"

    O problema do PIB é justamente este, não só é inútil tentar medir a soma de tudo que foi produzido numa determinada linha imaginaria, como ele também favorece a existência do positivismo na política, e assim, somos manipulados arbitrariamente por governantes e intelectuais com o único objetivo de melhorar a estatística.
  • Jefferson  20/05/2015 03:16
    Outro fato que gostaria de citar sobre o PIB é com relação a inflação. Embora no cáculo do PIB haja um deflator para eliminar os efeitos do aumento dos preços finais (sem isto, com a inflação, teríamos PIB maiores a cada ano mesmo sem aumento algum da produção), sabemos que, a inflação é um valor ponderado, ou seja, podemos dizer de forma didática que o valor da inflação é de fato um média geral do aumento de preços dos bens e serviços finais. Desta forma, assim como ocorre com a população em geral, a inflação real é diferente entre as diversas camadas sociais, bem como, dos itens que compõem o PIB. E na fómula "PIB real = PIB nominal / deflator x 100" vemos claramente que estamos usando um valor geral para itens com características diferentes. Sem aprofundarmos-nos muito, outra coisa fácil de se notar é com relação as importações que são subtraídas do PIB. Com a variação do câmbio compramos mesmos produtos com preços diferentes no decorrer do ano, e estes influenciam de maneira diferente no cáculo do PIB. Outro exemplo da mentira que é o PIB são as novas fórmulas de cáculo de PIB que estão ocorrendo na Europa. Estas,estão propondo adicionar os rendimentos com prostituição na conta do PIB. Sem entro no mérito da questão, não vejo onde há correspondência entre aumento da produção e a profissão em questão. Mesmo sendo um serviço, o aumento deste pode estar ocorrendo, por exemplo, por falta de oportunidade em outras ramos de atividades (repito, apenas estou falando de economia). Desta forma, e de outras, o cáculo do PIB é, ao meu ver, muito falho e carrega grandes ditorções.
  • Emerson Luis  01/06/2015 19:32

    "As estatísticas são como o biquíni:
    o que elas mostram é interessante, mas o que elas escondem é essencial".

    Roberto Campos

    * * *
  • Carlos Eduardo  08/01/2016 20:29
    Boa noite,

    Fiquei pensando numa questão referente ao PIB, e por enquanto não obtive resposta:

    O PIB do Brasil, por exemplo, é medido em dólares ou em reais?
    Pergunto isso porque uma desvalorização do real, como ocorreu em 2015, teria um efeito muito pior na taxa de crescimento do PIB se este for medido em dólares, correto?
    No entanto, a estimativa de queda gira em torno de 4%, mas com a desvalorização, nossos produtos não ficam mais baratos e portanto menos riqueza é produzida nesse ano?
    A queda em dólares não é muito maior?

    Essa pergunta parece bem óbvia, mas não encontro a explicação.

    Obrigado!
  • Guilherme  08/01/2016 20:36
    "O PIB do Brasil, por exemplo, é medido em dólares ou em reais?"

    Reais.

    "Pergunto isso porque uma desvalorização do real, como ocorreu em 2015, teria um efeito muito pior na taxa de crescimento do PIB se este for medido em dólares, correto?"

    Se o PIB em reais for convertido para dólares, sim.

    "No entanto, a estimativa de queda gira em torno de 4%,"

    Correto. Em reais.

    "mas com a desvalorização, nossos produtos não ficam mais baratos e portanto menos riqueza é produzida nesse ano?"

    Não entendi.

    "A queda em dólares não é muito maior?"

    Sim.
  • Guilherme dos Reis Santos  22/03/2017 01:53
    Como sempre, ótimo artigo produzido pelo IMB.

    Bom, tenho dúvidas a respeito da atuação do governo no cálculo do PIB.

    A contabilidade do PIB nos moldes do IBGE parte da premissa de que o governo não produz bens e serviços mercantilizáveis. Nesse sentido, (1) serviços prestados pelo Correios e outras empresas estatais para empresas e pessoas são considerados produtos/serviços mercantilizáveis, visto que há um valor por adquirir aquele bem/serviço? (2) como que os lucros positivos das estatais entrariam nessa equação ( Valor bruto da produção, Demanda final...)?

    Desde já agradeço a atenção e aguardo respostas. Obrigado!
  • Matheus  03/09/2017 02:10
    Leandro e cia, tenho uma dúvida quanto ao PIB.

    Pelo cálculo do PIB, não podemos dizer que todos as estatísticas estão erradas?

    Vejam bem:

    PIB(= C + I + G + X - M), C representa os gastos do setor privado, I representa o total de investimentos realizados na economia, G representa os gastos do governo, X é o total de exportações e M, o de importações.
    Focando na parte dos gastos do governo.
    Se um governo tributa 20% da economia, e isso pelo cálculo do PIB é um acréscimo do medidor, mas como os gastos do governo seriam de 20% se o próprio gasto do governo foi adicionado ao cálculo do PIB?
    Estou um pouco me enrolando para tirar essa dúvida.
    Pelo PIB o G só existe por conta que o governo tributa o C, I, X e M. Como que o G ainda é usado para acrescentar o PIB?

    Eu vou ter que demonstrar de outra maneira, eu pressinto que vocês não vão entender.
    Usando como exemplo o conteúdo deste artigo: As falácias sobre o PIB brasileiro

    Imagine uma economia simples na qual os agricultores produziram 1.000 bananas. Ao serem vendidas no mercado as mil bananas, o governo coleta 200 como impostos. Assim, os gastos do governo serão de 200 bananas, o que fará com que o PIB seja de 1.200 bananas (consumo privado de 1.000 mais gastos do governo de 200).
    Agora vejam bem, pelo cálculo do PIB(C + I + G + X - M), os gastos do governo não seria de 20%(1000 x 0,2) e sim de aproximadamente 16,75%(1200 x 0,1675), porque foi acrescentado mais 200 bananas(os gastos do governo) neste cálculo.
    Fazendo uma analogia, vamos usar como exemplo os gastos deste governo com a educação, os gastos com a educação equivale a 4,5% do PIB. Pelo PIB isto dá 54 bananas, mas os 4,5% incindindo pelo consumo privado(1000 bananas) dá 45 bananas, mas o governo dá como o valor exato em gastos de educação 54 bananas e não 45 bananas.
    A mesma coisa com saúde, gastos com saúde equivale a 3%, pelo PIB dá 36 bananas, mas incindindo pelo consumo privado(o que realmente foi produzido) dá 30 bananas os gastos com a saúde.
    E assim indefinidamente, gastos pelo PIB com defesa, segurança, aposentadoria, municípios e governos estaduais e o próprio gasto do governo federal resultado proferido anteriormente dando 16,75% e não 20%.
    Uma coisa importante que notei, pelo gasto total do governo sobre o PIB parece que arrecada menos com um valor de 16,75% ao invés de 20%, mas por setores(educação, saúde, defesa...) arrecada mais dando 54 bananas ao invés de 45 na educação, na saúde dando 36 bananas ao invés de 30, efeito ocasionado pelo aumento do G no cálculo do PIB.
    As perguntas finais, pela mentalidade exercida hoje, na educação o gasto seria de 54 bananas e não 45?
    Na saúde o gasto seria de 36 bananas e não 30?

    Colocando em valores monetários, uma economia que produza US$1 trilhão, os gastos do governo seriam de 20% desse valor, portanto, US$200 bilhões, mas o PIB seria de US$1,2 trilhão.
    Com a educação seriam gastos 4,5% do PIB e com a saúde 3%, sendo assim, 4,5% sobre o PIB dá US$54 bilhões e 3% dá US$36 bilhões. Esses US$54 bilhões e US$36 bilhões saíram do US$1 trilhão ou US$1,2 trilhão?
    Se saiu do US$1 trilhão, então a porcentagem correta é 5,4% e não 4,5% da educação e 3,6% e não 3% da saúde.
  • Matheus  04/09/2017 14:37
    Nesse caso, eu tenho que concordar com o Richard.
    depositode.blogspot.com.br/2009/05/comentarios-sobre-ppr-e-pib.html

    "Se ele vende 1000 bananas e 200 vão como impostos depois de ter vendido as bananas, o consumo é computado como 800 e não 1000 (R$1000 obtidos com a venda, menos os impostos pagos ao governo, que depois volta na conta do PIB somando como gasto"

    Nesse caso, a porcentagem está correta. Portanto PPR = PIB - G ou simplesmente C + I + X - M.
  • Leandro  19/10/2017 01:02
    "Se ele vende 1000 bananas e 200 vão como impostos depois de ter vendido as bananas, o consumo é computado como 800 e não 1000 (R$1000 obtidos com a venda, menos os impostos pagos ao governo, que depois volta na conta do PIB somando como gasto"

    Não. O PIB calcula valores monetários. E não produtos físicos.

    Logo, eis o raciocínio correto:

    Se ele vende R$ 1.000 em bananas e R$ 200 vão como impostos para o governo, o consumo total continua sendo computado como R$1.000, pois esse foi o montante total que o consumidor gastou para adquirir as bananas. Já governo, ao receber os R$ 200 despendidos pelo consumidor, irá gastá-los.

    Portanto, ficamos assim: o consumidor gastou um total de R$ 1.000 (R$ 800 foram para o vendedor de bananas e R$ 200 foram para o governo) e o governo gastou R$ 200.

    Total de R$ 1.200 em gastos.

    Esse é o raciocínio.



    Só para constar, de fato utilizar bens físicos como exemplo dá margem para confusão. Mas isso porque a equação do PIB mensura apenas valores monetários, e não realmente bens físicos. Essa, inclusive, é uma das críticas à metodologia.
  • Vítor SV  04/10/2018 14:27
    Um pequeno erro no artigo, apesar da conta importação subtrair o PIB ela não o diminui. O que ocorre é que consumo de produtos importados já está incluso na variável C portanto para evitar a dupla contagem, subtrai-se as importações.
  • Vladimir  04/10/2018 15:28
    Acho que você não percebeu que esta é exatamente a crítica. Se as importações já estão incluídas no consumo, então o item "importação" simplesmente não tem que entrar na equação, nem subtraindo e nem adicionando.

    Se eu comprei uma máquina, não interessa se ela foi fabricada em São Tomé das Letras ou na Alemanha. Meu consumo do produto foi o mesmo. Logo, se eu consumi algo e esse algo em seguida entra subtraindo, então é claro que ele diminui o PIB.

    Exemplo: se eu comprei um bem de capital fabricado em São Tomé das Letras, o PIB aumenta pois o C aumenta. Já se eu comprar esse mesmo um bem de capital fabricado na Alemanha, o C aumenta mas o I fica negativo, e o PIB fica na mesma.

    Essa é a crítica. Se algo é importado, afeta o PIB para baixo, ainda que o bem importado seja um bem de capital que irá aumentar a produtividade da economia. Lógica insensata.

    Aliás, a coisa fica ainda mais bizarra quando se olha o item exportações: ao entrar adicionando, ele gera uma dupla contabilidade, pois, para algo ser exportado, ele teve antes de ser produzido, e para ser produzido, teve que haver investimento. Logo, somar exportações mais investimentos gera uma dupla contabilidade.
  • Adelson  16/12/2018 04:32
    Perfeito texto. Muito convincente.


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