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A democracia do patíbulo

"Dilma foi reeleita por culpa daqueles que se abstiveram de votar!  Eles poderiam ter decidido a eleição!"

"Quem não vota não tem o direito de reclamar!"

"Cidadãos conscientes têm de escolher o destino do seu país, e este se dá por meio da urna!"

"Vamos para as ruas!"

As frases acima, vociferadas por pessoas até bem intencionadas, mostram bem o caráter divisor (o famoso "nós e eles") que predomina em uma democracia, sem dúvida o regime mais superestimado da história.

Um regime que vê na "vontade da maioria" um exemplo de modernidade, prosperidade e respeito aos direitos individuais é, na melhor das hipóteses, incoerente; na pior, representa um atentado aos direitos de propriedade, inclusive dos mais pobres.

Na democracia, sempre haverá aqueles que quererão que seus estudos, sua saúde, sua segurança, seu transporte, seus subsídios, seu assistencialismo sejam pagos "pelo estado", o que, na prática, significa "por outros que não eu".

Como explicou Hans-Hermann Hoppe:

Dado que o homem é como ele é, em todas as sociedades existem pessoas que cobiçam a propriedade de outros.[...] 

Quando a entrada no aparato governamental é livre, qualquer um pode expressar abertamente seu desejo pela propriedade alheia.  O que antes era considerado imoral e era adequadamente suprimido, agora passa a ser considerado um sentimento legítimo.  Todos agora podem cobiçar abertamente a propriedade de outros em nome da democracia; e todos podem agir de acordo com esse desejo pela propriedade alheia, desde que ele já tenha conseguido entrar no governo.  Assim, em uma democracia, qualquer um pode legalmente se tornar uma ameaça.

Consequentemente, sob condições democráticas, o popular — embora imoral e anti-social — desejo pela propriedade de outro homem é sistematicamente fortalecido.  Toda e qualquer exigência passa a ser legítima, desde que seja proclamada publicamente.  Em nome da "liberdade de expressão", todos são livres para exigir a tomada e a consequente redistribuição da propriedade alheia.  Tudo pode ser dito e reivindicado, e tudo passa a ser de todos.  Nem mesmo o mais aparentemente seguro direito de propriedade está isento das demandas redistributivas. 

Pior: em decorrência da existência de eleições em massa, aqueles membros da sociedade com pouca ou nenhuma inibição em relação ao confisco da propriedade de terceiros — ou seja, amorais vulgares que possuem enorme talento em agregar uma turba de seguidores adeptos de demandas populares moralmente desinibidas e mutuamente incompatíveis (demagogos eficientes) — terão as maiores chances de entrar no aparato governamental e ascender até o topo da linha de comando.  Daí, uma situação ruim se torna ainda pior.

Essa mentalidade explica por que partidos de esquerda obtêm sucesso nas eleições.  

Só que sempre pode chegar o momento em que aqueles que são obrigados a sustentar esse arranjo se cansam da espoliação e, impelidos por uma eventual deterioração das condições econômicas, decidem protestar mais veementemente contra o governo, exacerbando ainda mais os problemas inerentes da democracia.

Mas esse fenômeno, observado atualmente no Brasil, é apenas um efeito colateral da democracia.  O grande e real problema da democracia — abordado em vários artigos deste site — é que tal regime representa uma forma de controle quase que total sobre os indivíduos e sobre suas respectivas propriedades. 

Pior ainda: tal totalitarismo vigora sob o verniz da legitimidade política, o que permite àqueles que estão no poder — e, por conseguinte, aos seus defensores ideológicos — cometerem o maior número possível de atentados aos direitos dos indivíduos.

A democracia do patíbulo

Um pequeno júri de uma cidade condena um indivíduo à morte pelo "crime" de sonegação fiscal.  Ele não estava "compartilhando sua riqueza" como deveria.  A maioria da população não aprova a severidade da punição, mas nada pode fazer contra, pois é a lei.

O "criminoso" é então enviado ao patíbulo, prestes a ser executado.

O carrasco lê a sua sentença da seguinte maneira:

- "O senhor será condenado à morte por meio de uma votação, da qual o senhor terá o direito de participar. Há 4 formas possíveis de morrer: enforcado, queimado, decapitado ou crucificado.  Haverá uma primeira votação, ao fim da qual as duas maneiras mais bem votadas irão para um segundo turno de votação, na qual será decidida a forma de sua execução."

O condenado pensa: "Prefiro morrer decapitado.  É uma morte mais rápida e indolor."

Começa a votação. Todas as pessoas da vizinhança são obrigadas a votar neste espetáculo escatológico, inclusive o condenado.  A ele também é dado o direito de fazer lobby e tentar convencer as pessoas a votarem na execução que mais lhe agrada — ou, melhor dizendo, na que ele considera a menos dolorosa.

Acaba a primeira votação.

1ª) Crucificado:  35% dos votos válidos

2ª) Queimado: 24% dos votos válidos

3ª) Enforcado: 22% dos votos válidos

4) Decapitado: 19% dos votos válidos

Muitas pessoas não votaram, ou por serem contra a pena de morte ou por considerarem qualquer uma das quatro penas cruel demais.  A votação, portanto, é efetuada apenas por aquela fatia da população mais adepta da crueldade.  

A votação é validada e comemorada como a 'festa do povo'.

E a maneira menos dolorosa de morrer foi fragorosamente derrotada.

É então dada a largada para o segundo turno da votação.

Só que agora, tanto o condenado quanto todas as outras pessoas que não escolheram nenhuma das duas opções de execução que restaram na cédula de votação — ou seja, 41% dos eleitores que votaram (em enforcamento ou decapitação) e mais todos os outros que não votaram — terão justamente de escolher entre duas formas de morte que claramente desprezam.

Novamente, é dado ao condenado o direito de fazer lobby pela forma de morte que ele menos abomina.  No entanto, compreensivelmente, o homem decide não fazer. Nenhuma das duas formas de execução "escolhidas pelo povo" é do seu agrado, de modo que ele não vê sentido em despender energia apoiando uma ou outra.

Realizada a segunda votação, o resultado se segue:

1ª) Queimado: 52% dos votos válidos

2ª) Crucificado: 48% dos votos válidos

Novamente, houve uma grande quantidade de pessoas que não votou, por motivos similares aos da primeira votação. 

Mas, dessa vez, o condenado se incluiu entre os não-votantes.

A sentença é deferida e a 'festa do povo' é celebrada pela mídia local.

E a fogueira começa a ser preparada.

O réu, compreensivelmente, protesta contra uma clara violação do seu direito de não ser submetido a algo que ele não escolheu.  Mais ainda: ele protesta por não estar sendo submetido à opção "menos ruim" que lhe foi apresentada (a decapitação).

O carrasco então lhe pergunta: "Se o senhor não queria ser queimado, por que não votou na crucificação?"

Ele responde: "Porque eu preferia ser decapitado, ora! Não queimado ou crucificado!"

O carrasco rebate: "Sim, mas a decapitação perdeu, foi a escolha do povo.  E a voz do povo é a voz de Deus.  Foram lhe dadas mais duas opções e você não escolheu nenhuma. Portanto, seu destino ficou nas mãos do povo.  E o povo sempre sabe escolher o que é melhor."

— "Mas eu nem conheço essas pessoas!", exclama o condenado.

— "Olha só: se o senhor quer reclamar de alguém, reclame dos que não votaram. Essas pessoas poderiam ter mudado o seu destino, mas não fizeram nada. Escolheram não votar também. Bote na conta delas a culpa de você estar sendo queimado!"

— "O voto delas me faria ser decapitado?"

— "Não, a decapitação perdeu na primeira votação".

— "Então, me faria escapar da morte?"

— "Não, ora! Você iria morrer de qualquer jeito. Só teria que escolher a forma, e de maneira livre e democrática.  Veja que privilégio!"

O condenado explode:  "Então, como diabos você acha que os votos de quem não votou em uma eleição 'livre e democrática' para decidir algo contra a minha vontade poderiam me ajudar?!"

O carrasco olha para ele de forma incisiva e diz: "Boa. Escreverei isso na sua lápide".

Da metáfora à realidade

O mais assustador da metáfora acima é que ela é muito mais branda do que a nossa realidade democrática.  Exatamente: ela é muito mais branda.

Na metáfora acima, tanto as pessoas que não votaram quanto aquelas que votaram, mas cuja opção foi a derrotada, não sofreram nenhuma consequências.  Suas vidas continuaram rigorosamente as mesmas, pois o único afetado foi o condenado. 

Já no nosso sistema democrático, tanto os que não votam quanto aqueles que votam e perdem sofrem as consequências da eleição de alguém que não queriam.  Não apenas sua propriedade é afetada, como também elas se tornam obrigadas a viver sob políticas das quais discordam — e muitas vezes abominam.

É difícil conceber um arranjo político mais instável, anti-social e propenso a explosões do que esse.

As pessoas que irão às ruas neste próximo domingo para protestar contra o governo são aquelas que se sentem como o condenado da metáfora: ao passo que o condenado foi obrigado a aceitar uma execução que ele não quis, tais pessoas estão se vendo obrigadas a viver sob um regime comandado por um carrasco que não foi escolhido por elas e de cujas políticas elas discordam.

Só que, assim como o condenado queria apenas troca do método da execução, boa parte dessas pessoas está apenas pedindo a troca do carrasco.  E de nada adianta apenas trocar o carrasco se o patíbulo democrático continuar intacto.

A única maneira de o patíbulo democrático deixar de produzir resultados que são contra a vontade da maioria das pessoas (lembrando que o número de abstenções, de votos brancos e nulos e de votos em outro carrasco é sempre maior do que o número de votos obtidos pelo carrasco vencedor) é convencendo essas pessoas a se separar desse regime.

E a solução mais viável é a secessão.

________________________

Leandro Roque contribuiu para este artigo.


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autor

Luciano Rocha
é Coach, planejador financeiro e coordenador estadual do Estudantes Pela Liberdade do estado da Paraíba.


  • Tannhauser  10/04/2015 13:44
    Charter Cities


    Gostaria da opinião sobre essa alternativa à secessão. Palestra do TED abaixo:

    www.ted.com/talks/paul_romer

    A ideia seria criar "zonas livres" em terras não povoadas, com regras importadas de países que funcionam, dando a liberdade da pessoa mudar para lá e construir sua vida. Citou o exemplo de Cingapura.

    Sugeriu que Cuba/EUA/Canadá fizessem isso em Guantanamo.

    Sei que tem algo semelhante ocorrendo atualmente em Honduras.

    Enfim, por favor opinem sobre essa alternativa.
  • Luciano Rocha  10/04/2015 15:13
    O modelo de Honduras é esse aqui: g1.globo.com/mundo/noticia/2012/10/projeto-entrega-cidades-gestao-privada-em-honduras-e-e-questionado.html

    Embora pareça interessante na teoria, o modelo tem um grave problema: é uma concessão. Na prática, o estado apenas dará para a iniciativa privada as funções que ele já exerce, além de dar alguns privilégios para os gestores da cidade.

    Segundo a própria notícia, embora o estado saia de cena, as cidades ainda terão serviços como "coleta de impostos" autorizadas por lei. Ou seja, nem um pouco parecido com a ideia de secessão.

    Comprar essas cidades com Cingapura - que é uma cidade-estado - me parece inadequado. pois as cidades hondurenhas não serão assim. Na notícia nem se fala o tempo previsto para a concessão desse modelo.

    Sobre Guantanamo, na prática ela já segue as leis dos EUA. Tanto que as denúncias de violações dos direitos humanos realizadas após o 11 de setembro foram direcionadas para a Suprema Corte.

  • Renato S. Borges  10/04/2015 15:15
    A solução mais viável é considerada crime pela democracia!!
    Idade das trevas é hoje!!!
  • Taison  11/04/2015 04:15
    É. Uma pena que os autores que escreveram os artigos do Mises.org sobre as passeatas atacam uma passeata que é apenas tirar a Dilma e o PT (e nada mais do que isso). O autor do texto deveria escrever um texto para convencer libertários do site a usar os protestos para propagar e difundir ideias libertárias (ou pelo menos de um Estado menor que já um começo) para essas pessoas não satisfeitas com o governo Dilma.

    Nenhum libertário concorda com a Democracia, mas É MUITA inocência tentar mudar o sistema brasileiro com uma propaganda partidária assim. É um suicídio.

    Enfim, o autor do texto errou ao atacar as manifestações. Por quê? Elas não são o resultado final de acabar com um modelo keynisiano democrático do Brasil, mas serve para esse fim. Tirar um partido populista mais popular do Brasil já pode ser o início para uma "Revolução Cultural Libertária" no Brasil.

    Mises.org.br deveria publicar uma opinião de algum autor libertário (eu conheço quatro no Facebook) que seja a favor das manifestações para mostrarem ideias libertárias, pois Secessão não é a melhor opção para se lutar contra a Democracia.

    A melhor maneira é Subverter o sistema da democracia pela própria Democracia (Longa Marcha através das instituições), igual Gramsci propôs. E é por isso que a Esquerda é bem sucedida politicamente atualmente na América Latina, nos EUA e quase na Europa inteira.
  • Mike  11/04/2015 12:07
    Não houve crítica nenhuma às manifestações per se. Houve, isso sim, crítica à falta de foco das manifestações. Pedir a simples
    troca do verdugo não adianta nada. No que mais, Dilma nem sequer governa mais. O presidente em exercício é Michel Temer, e o vice é Levy. Não é à toa que o real vem conseguindo ganhar algum valor em relação ao dólar.

    Em vez de levarem cartazes pedindo "Fora Dilma" (algo que já ocorreu), levem cartazes pedindo mais liberdade para o empreendedorismo, redução das tarifas de importação, fim das agências reguladoras e moeda forte.

    Pronto, taí um mote.

    De resto, qualquer leitor -- você inclusive -- é livre para mandar artigos para o IMB publicar. Se o artigo for de qualidade e não defender coerção, não creio que não irão publicar. Sendo assim, qualquer artigo em defesa das manifestações, e que não defenda a coerção, certamente será publicado.
  • Cassius Clay  11/04/2015 13:55
    ...igual Gramsci propôs.


    Você tem em Antonio Gramsci o seu paradigma de liberdade? É isso mesmo?

    Parem o mundo que eu quero descer.
  • Marcelo Corghi  10/04/2015 15:31
    Concordo com o texto, mas acredito sim que devemos ir protestar e difundir as ideias libertarias! Estive no ultimo protesto, e dá pra se ver que o pessoal está cansado dos políticos! temos que aproveitar o momento, ir aos protestos e difundir os nossos ideais.
    Derrubaremos um presidente por vez, até que derrubemos o sistema!
  • Alexandre  10/04/2015 15:35
    O Brasil adota o princípio federativo, em decorrência do qual não se admite o direito de secessão. Isso significa que o vínculo entre as entidades componentes da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) é indissolúvel, ou seja, nenhuma delas pode abandonar o restante para fundar um novo país.

    Vale observar ainda que, sendo a forma federativa de Estado cláusula pétrea, conforme o art. 60, §4º, da CF, não é possível que emenda constitucional institua a possibilidade de secessão.

    Ou seja, para tal alternativa os libertários devem trabalhar por uma nova Constituição, desta vez constituindo-se uma forma de Estado não federativo.
  • anônimo  10/04/2015 16:34
    Não sei se o autor do artigo acharia essa informação relevante, se ele quisesse seguir as regras da propria democracia pra acabar com ela, teria necessariamente que contar com o voto.
    No mais se a constituiçao ta escrito isso ou que eu posso voar ou até mesmo que a secessão é possível isso não deixa mais ou menos viável a implementação. Cara são palavras num papel, que são validadas somente pelo processo emocrático (que é o ponto do autor, que o considera ilegitimo, logo se pode considerar a constituição ilegitima).
    Se pedaço de papel é tão importante assim eu faço um assim que houver secessao dizendo que ela pode acontecer agora, e chamo ele de constituição do brasil2, talvez ganhe alguns adeptos com isso
  • Jeferson  10/04/2015 17:37
    Ih, rapá, aí ferrou! Os libertários não tão nem aí pra política, só querem conjecturar em como seria o mundo ideal deles e tentar convencer as pessoas sucessivamente para que, quem sabe, daqui a uns 200 anos - desde que este trabalho seja feito contínua e sucessivamente, de geração a geração - conseguir seu ideal de abolir o estado. Até seu território ser invadido por um país que não só não aboliu o estado, como é governado por um ditador socialista.

    Por essa e por outras que, por mais que eu seja um extremo simpatizante das idéias libertárias por dentro (inclusive, concordo com tudo do artigo até chegar na metáfora ridícula e na constatação de que a realidade é ainda pior), eu estou cada vez mais me alinhando politicamente aos liberais-conservadores. Espero que algum dia seja viável politicamente defender idéias libertárias em público. Se chegar a este ponto, vai ser graças a muito trabalho e esforço no sentido de garantir e aumentar a democracia no país, ao invés de querer simplesmente abolí-la.
  • Amilcar  10/04/2015 17:49
    Jefferson, você pode, por exemplo, ir às manifestações e ajudar a difundir as idéias. O Marcelo Corghi ali em cima já disse que fará isso.

    Agora, realmente, pedir só para trocar o verdugo e manter todo o patíbulo não é uma atitude que mereça tanta dissipação de energia. Mesmo porque Dilma nem mais apita nada. O presidente em exercício já é Temer e o vice-presidente, Levy.
  • Nilo BP  12/04/2015 00:19
    É normal ter receio de ser "consistente demais" e alienar quem não está familiarizado (ou pior, fazer eles acharem que você é louco e perigoso). Mas não tem jeito, é um sacrifício que qualquer um tem que fazer se quiser mudar alguma coisa de verdade.

    Ninguém gosta de estar errado. Até pessoas racionais, que admitem a possibilidade de estarem erradas, sofrem muito antes de mudar de idéia sobre algo que constitui um pilar do seu sistema de crenças. E a maioria das pessoas não está nem preocupada com isso - elas simplesmente assumem que aquilo com que estão acostumadas é certo, e qualquer um que discorde é um "radical".

    Vai ser difícil, custoso, devagar, e desagradável, mas para colocar o libertarianismo em primeiro plano, tem que dar quantas marretadas nas cabeças duras dos estatistas quanto for necessário.

    Portanto, não se desespere, e não vá para o lado dos conservadores, porque eles têm o potencial de serem tão ruins quanto a esquerda e possivelmente pior. É fácil esquecer disso, porque hoje a esquerda tem o monopólio do discurso politicamente correto, mas tenha em mente que os militares não foram bons para a liberdade no Brasil. Pelo contrário, foram mais estatizantes, com seus devaneios nacionalistas, do que um esquerdista confesso como FHC.
  • Renê  13/04/2015 10:19
    200 anos para as ideias libertárias vingarem? É um cálculo muito otimista!
  • Jeferson  15/04/2015 20:37
    É otimista se você considerar a realidade, não a situação hipotética que eu prescrevi. Em outras palavras: doutrinação de pai pra filho, ocupação de escolas e universidades, partidos políticos e veículos de comunicação da mesma forma que os marxistas culturais fizeram, aberturas e financiamento de Institutos e Fundações que atuem propagando essas idéias. E esse trabalho tem que ser passado dinasticamente de pai pra filho até se concretizar.

    Acho que se isso for feito, em 200 anos as idéias libertárias se tornam hegemônicas. Possivelmente antes disso. 50 anos, talvez. O problema é que sabemos que isso não vai ser feito. Nem em 50, nem em 200 anos. Não com o vigor necessário. E mais difícil do que nós fazermos, é conseguir manter essa continuidade após nossas mortes.

    Nilo, tenho plena consciência de tudo de ruim que há no conservadorismo. E é especialmente ruim a vertente brasileira dele, que junta tudo de ruim da direita a tudo de ruim da esquerda. Por isso escrevi em inglês, porque lá fora ele está intimamente associado ao liberalismo clássico, e por vezes ao libertarianismo. Eu sou "conservador" comigo e minha família, com as demais pessoas é PNA na veia. Mas politicamente é inviável defender a maioria das idéias libertárias de forma moderada, e quase todas elas de forma purista.

    Abraços.
  • Wanderson Pereira  10/04/2015 15:49
    Quando uma sociedade se forma, pode ser para descobrir a nascente do Rio Nilo, necessário é que haja um governo. Existem três modalidades de governo: o princípio da liderança ou monocrático no qual um líder é indicado; a organização pelos mais sábios, por exemplo biólogos e astrônomos formando uma aristocracia ou através do princípio democrático onde a maioria, qualificada ou não, vence. Quaisquer destes três regimes possuem formas corrompidas. Simplesmente liberar o indivíduo de qualquer compromisso com o grupo e ainda lhe dar o direito de impor a si mesmos seus direitos e deveres não é criar uma sociedade livre, é destruir a sociedade. E adeus nascente do Rio Nilo. Só digo uma coisa, obrigações, direitos, deveres são inerentes a uma sociedade, não existe sociedade sem eles. Simplesmente o Estado deve ser mínimo, pois deve focar em manter a unidade e a paz do grupo, inclusive este é também seu objetivo. No mais, as pessoas são livres. O Estado é necessário, deve ser mínimo, e qualquer forma de governo pode se degenerar, daí a importância dos valores morais para o direito, e também a importância de não se levar em conta valores morais na economia que se rege pela praxeologia. O problema é querer impor a teria econômica sobre a teoria jurídica, isso se chama libertarianismo, uma variante equivocada dos ensinamentos liberais (no sentido frânces e não americano) de von Mises.
  • Douglas Silva Rodrigues  12/04/2015 01:04
    Olá, achei seu comentário muito inteligente, sobretudo a parte final onde voce fala da teoria econômica e jurídica, e sobre o libertarianismo ser uma variante equivocada dos ensinos de Mises. Bom, eu sou novo, conheci a Escola Austríaca recentemente, tenho muito a aprender, mas tem coisas que não estou entendendo, os libertários impõem a teoria econômica sobre a teoria jurídica? Como elas se relacionam ? Um tempo atrás li um artigo sobre legalização das drogas, alguns criticavam, alegando que Mises não tinha pensamento similar. Se permite, por que a maioria dos libertários defendem aborto, e até direito a suicídio? A ideia de que minha vida é intocável, que eu posso fazer o que eu quiser com ela, me drogar, me matar, é o pensamento de Mises
  • Jeferson  16/04/2015 17:28
    Douglas, você está enganado. A maioria dos libertários é CONTRA o aborto, justamente por considerar o feto um ser humano e, portanto, um indivíduo com todos os direitos (que para os libertários são negativos) que os demais possuem.

    O maior expoente do libertarianismo e provavelmente seu fundador não foi Mises, mas seu aluno Murray Rothbard. Salvo engano, Mises se autodefinia como liberal clássico, e frequentemente dizia que a única função do estado deveria ser "proteger a vida e a liberdade dos indivíduos". É dele que parte a concepção modernas do jusnaturalismo, que não se baseia na teoria econômica, e sim na ética que parte do Princípio da Não-Agressão.

    Difícil dizer que o libertarianismo é uma corrupção das idéias de Mises, é uma evolução delas no sentido entender o estado como principal causador dos males sociais, e de enfatizar o direito e a moral no indivíduo, não na "coletividade". Por outro lado, também é difícil dizer que, se fosse vivo, Mises seria um libertário. Isso é apenas uma especulação. Talvez ele mantivesse a sua defesa liberal clássica de que o estado deveria atuar apenas na defesa da vida e da liberdade dos indivíduos, mesmo conhecendo os princípios da Ética Libertária de Rothbard, ninguém sabe se ele concordaria com elas ou se as refutaria.
  • Douglas Silva  04/05/2015 13:33
    Olá, Jeferson, obrigado por sua resposta. Sim, tenho muitas concepções erradas sobre o libertarianismo. Se me permite, quais a diferenças e semelhanças do libertarianismo e o objetivismo. ''A maioria dos libertários é CONTRA o aborto, justamente por considerar o feto um ser humano e, portanto, um indivíduo com todos os direitos (que para os libertários são negativos) que os demais possuem.'' Desculpe minha ignorância, mas eu não entendi essa parte: ''que para os libertários são negativos''.
  • Agnus  04/05/2015 14:27
    Todo direito impõe um dever a terceiros. Mas quando um direito é negativo, a única obrigação que ele impõe a terceiros é a de não efetuar uma determinada ação.

    No caso do libertarianismo, eu tenho direitos negativos, ou seja, eu tenho o direito de que você não me mate, não me roube e não me coaja. O seu dever é não iniciar coerção contra mim, seja na forma de violência bruta, seja na forma furtiva de me obrigar a pagar por bens e serviços que você usará.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1902
  • Marcelo Simoes Nunes  10/04/2015 15:54
    É óbvio que a escolha do assunto se refere às manifestações do dia 12. É a velha teoria do tudo ou nada. O triste disso é que esses libertários acabam mesmo ficando com o nada. Entre fritar o PT e seu esquerdismo populista, preferem ficar sonhando com o fim do Estado. Quem não escolhe o menos ruim acaba ficando com o pior. Destaco do texto:

    "Como explicou Hans-Hermann Hoppe:

    Dado que o homem é como ele é, em todas as sociedades existem pessoas que cobiçam a propriedade de outros.[...]". Mais adiante:"Essa mentalidade explica por que partidos de esquerda obtêm sucesso nas eleições."

    Comento: todos aqui concordam que pegar de quem tem para dar a quem não tem apenas distribui pobreza. Então, não é nem a possibilidade de se apropriar da riqueza alheia que "explica por que partidos de esquerda obtêm sucesso nas eleições", mas sim a ilusão de que por essa possibilidade se criará riqueza. Resumindo: a democracia é uma fábrica de ilusões. É isso. Com certeza na monarquia ou em uma ditadura as coisas poderiam ser melhores. Mas não se tem garantia de que não possam ser bem piores também. Resta o fim do Estado, o que também é apenas uma promessa. E, como deixa claro o grande Hoppe, "dado que o homem é como ele é, em todas as sociedades existem pessoas que cobiçam a propriedade de outros.[...]",sempre haverá ladrões cobiçando o produto de nosso trabalho. Evidentemente, poder-se-ia sugerir que caçássemos esses lobos. Mas, como fazer isso, se libertários têm horror a qualquer tipo de violência? Tentar sua conversão? Impensável, já que não há argumentos capazes de convencer um lobo a comer capim, a menos que ele se encontre nas entranhas do carneiro abatido. Que fazer? Não sei. Me ajudem aí...
  • anônimo  10/04/2015 16:43
    A iniciação de violencia apenas, esquece que o direito de auto defesa é legitimado, então punir transgressores não é contra a teoria libertaria. Existem vários possiveis problemas acho que você consegue um argumento melhor que esse se quer desacreditar os libertarios
  • Marcelo Simoes Nunes  10/04/2015 21:38
    Anônimo, ("A iniciação de violencia apenas, esquece que o direito de auto defesa é legitimado, então punir transgressores não é contra a teoria libertaria. Existem vários possiveis problemas acho que você consegue um argumento melhor que esse se quer desacreditar os libertariosanonimo, esquece que o direito de auto defesa"), sei disso, que os libertários reconhecem o direito de auto defesa, ou mesmo de terceiros, não é? Disse o que disse como forma de provocação, porque, embora se reconheça o direito, jamais vi um libertário propondo uma reação violenta contra o Estado transgressor que nos escraviza. Queria abrir uma janela para a discussão desse assunto, que não me parece assim tão simples. Ao contrário do que afirma sem base nenhuma, não pretendo desacreditar os libertários, mas instigá-los à ação concreta, sem a qual nada muda.
  • gabriel  10/04/2015 23:42
    Olá, vou deixar meu pitaco também aqui. Até porque acho válida qualquer iniciativa que se tenha para que se possa engajar em algum plano de ação. Quanto a tomar uma ação violenta quanto ao estado cheguei a ver no youtube um hangout exatamente sobre esse tema, eram 2 libertários imagino (ambos advogavam o fim do estado) e um deles defendia a necessidade de reação violenta contra o estado enquanto o outro era contrario.

    Particularmente acho qualquer iniciativa para diminuição do estado válida. Tanto melhor que cada um atue da maneira que acha mais certa para essa mudança, em diversas frentes se possível. Hoje sinto que o melhor que faço é expor os problemas do estado a quem perto estiver.
    Acho que os libertários não são de fato um grupo, não tem uma liderança ou plano em comum. Caso tenha alguma ideia ou plano de ação por favor gostaria de ouvir, talvez ganhe um novo adepto, infelizmente não tenho ideia de que linha de ação seguir.
  • anônimo  11/04/2015 02:45
    Não ser importunado pelos parasitas já é difícil o suficiente, ter o direito de reagir não significa que você queira reagir.
  • Diego  10/04/2015 16:40
    É inútil discutir votação a partir do momento em que as urnas são fraudadas pela smartmatic. A única forma de tirar o pt é acabar com essa palhaçada. Se não mudar isso, eles nunca mais vão sair e podem eleger quem eles quiserem.
    Mas tem inocente útil que acha que vai tirar a anta indo pra rua. Devem achar que foram os caras pintadas que derrubaram o Collor. É incrível como esse pessoal gosta de romantizar as coisas e foge dos fatos.
    Sem contar os que pedem intervenção militar. É tanta ingenuidade e burrice que dá pena. Domingo vão repetir o circo. Paciência.
  • Felipe  10/04/2015 17:06
    E como acabar com essa palhaçada se não pode ser pela urnas, nem por protesto e nem por intervenção militar?
  • Marcelo Corghi  10/04/2015 17:44
    também queria saber!
    atrás do computador é que não vai ser.

    temos que aproveitar os protestos e disseminar as ideias liberais!
  • Rennan Alves  10/04/2015 18:00
    Como acabar? Eu digo como: Contra-Gramscismo/Gramscismo Reverso.
  • Marcelo Simoes Nunes  10/04/2015 21:58
    Isso merece um artigo.
  • Felipe  10/04/2015 20:12
    Este texto é só uma opinião de alguém que acha que protestar não funciona. Mas é só isso, uma opinião...
    Você pode tentar mudar as coisas pelas urnas (escolhendo o menos pior) ou protestando. Nenhum destes vai contra o PNA - então são ações aceitáveis (se serão eficientes é outra questão).

    Mas isso, claro, não se aplica à intervenção militar.

    Eu acho que os protestos são um bom momento para divulgar o libertarianismo. Domingo estarei lá com minha camiseta "Quem é John Galt?".

    Se for possível chamar a atenção de algumas pessoas, como no dia 15/03, então terá sido uma ação muito mais benéfica para a causa da liberdade do ficar em casa reclamando de quem está protestando.
  • Anomalus  10/04/2015 20:13
    A resposta, Felipe, é esperar até que o mundo magicamente se torne liberal. Porque se não se ocupa espaços como a esquerda fez, suas idéias não chegarão a todos. Não se pode também impor pela força. E nem se pode utilizar o sistema atual para chegar ao fim. Então somente cruzando os braços e esperando é que o mundo vai chegar a liberdade. Alguém pode tentar a estratégia da auto-secessão, deixar de pagar os impostos etc. e ver se vai dar certo. Da cadeia depois ele pode responder.
  • Marcelo Simoes Nunes  10/04/2015 21:52
    Diego, quem acha que foram os cara pintadas que tiraram o Collor? Você esta vendo coisas que não foram ditas nem pensadas. Também não disse que acredito que a manifestação vai tirar a anta. O que disse é que a manifestação põe lenha na fritura do PT e de seu esquerdismo populista. Por quê você não espera para ver o que acontece, em lugar de ficar prognosticando, como se tivesse uma bola de cristal. Ou você não quer ver o PT longe do poder? Se quer porque não propõe algo concreto, como ir a manifestação para divulgar o site do Mises? Ou você acha que a inação produz melhores resultados?
  • Estevam  10/04/2015 17:29
    Uma observação que faço é que nunca vejo distinguirem social democracia dos demais tipos de democracia.
  • Al  10/04/2015 17:45
    Como diz o artigo secessão é o ideal, mas é impensável no Brasil hoje.

    Entretanto, se diversas competências (e boa fatia do orçamento) do governo federal fossem passadas para os estados, tornando-nos uma federação de fato, isso já seria um baita avanço.

    Como também estamos longe disso, a ordem do dia é "fora PT" mesmo. E isso já seria uma bela melhora.
  • Anomalus  10/04/2015 18:20
    Acho que metáfora ficaria melhor se fosse uma grande fazendo cheia de escravos. E eles iriam votar no capataz que tomaria conta deles e os chicotearia de vez em quando. Teriam 4 opções no primeiro turno: João Cabeça de Ferro , Valdir Chicote Manso, Carlinhos Três Dedos e Tonho Bom Cabelo.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  10/04/2015 20:21
    O "estado" é uma organização criminosa e imoral, atualmente. Sua função atual é muito diferente do que o que deveria ser: limitar-se a proteger a vida das pessoas e suas propriedades contra ataques e invasões de bandidos, nacionais e internacionais. Não pode o "estado" penetrar, como tenta atualmente, em outros campos da vida humana, sob pena de arruiná-la. É necessário cortar o mal pela raiz.
  • IRCR  10/04/2015 21:58
    Aos libertários\ancaps

    Devemos salientar que existem vários tipos de democracia no mundo, desde a bolivariana, a brasileira, americana, inglesa etc... a democracia SUÍÇA pode ser jogada no mesmo saco dessas todas ?!?!
    A democracia SUÍÇA não seria ao menos a menos pior ou pelo menos a melhor de todas ?

    Vejamos, eles tem um federalismo pleno, com fortíssima autonomia para cada cantão, o governo central é relativamente limitado, gozam de enorme liberdade civil e econômica,os impostos são relativamente baixos no geral etc...

    Diferentemente da maioria das outras democracias no mundo lá existe uma genuína democracia direta\indireta onde o "povo" não apenas escolhe o candidato ou no caso ai escolhe entre a forca, decapitação, fogueira ou crucificação, vc poderia escolher outros métodos punitivos mas brandos (ex: prisão por uma semana) ou até mesmo não punir o individuo.
    Ou um exemplo real de lá onde a grande maioria da população escolheu em não fixar um salário minimo por lei.

    Não creio que a democracia suíça seja perfeita, mas de todas é a melhor. Pois ao menos DECENTRALIZA o poder nas mãos dos burocratas.

  • Gervasio  11/04/2015 03:45
    Lendo o texto, lembrei do voto nulo/branco.

    Se considerássemos o voto nulo como um candidato, podendo inclusive concorrer a segundo turno, talvez fosse possível encontrar alguém que representasse aqueles que não encontram o seu candidato numa eleição.

    Caso o candidato "voto nulo" ganhasse, uma nova eleição haveria de ocorrer, agora com outros candidatos que não fossem os mesmos da primeira eleição.
    Do jeito que está , todos são "obrigados" a votar no menos pior ao invés de votar naquele que acredita ser a melhor opção.



  • anônimo  13/04/2015 13:13
    Poxa melhor ainda seria deixar o nulo assumir ora q outra eleiçao se ele ganhar?
  • Pedro  11/04/2015 04:39
    A Paraiba quer fazer secessão para quê? 60% dos impostos federais são arrecadados em São Paulo. Se a Paraiba não contar com os impostos pagos por São Paulo estará ferrada, com ou sem secessão.
  • Paulo  11/04/2015 12:10
    Miopia. As tarifas de importação são majoritariamente implantadas para beneficiar a FIESP e as montadoras sediadas em São Paulo. Ferram os nordestinos para beneficiar a elite paulista. Uma secessão nordestina seria ótima para a região. No mínimo, poderiam ter mais liberdade de compra.
  • Luciano Rocha  12/04/2015 02:11
    Prezado Pedro, a Paraíba - assim como outros estados do Nordeste - JÁ tentaram a secessão do restante do Brasil. Talvez a expressão "Confederação do Equador" lhe ajude a refrescar a memória.

    Sobre os motivos para nós paraibanos querermos a secessão: ora, eles são vários. E muitos até são similares a outros movimentos de secessão pelo país afora. Mas lhe deixo apenas dois:

    1) fazer com que o estado da PB tenha alguma influência de energúmenos formados na Unicamp e na USP (entre os quais Dilma e Guido Mantega são os exemplos mais inglórios);
    2) sair de uma federação que segue normas protecionistas emitidas pela FIESP para proteger empresários acomodados e incompetentes;
    3) ter a chance de criarmos novas leis e nos livrarmos de impostos que só dificultam o acesso dos mais pobres a bens melhores e mais baratos.

    Só esses já valeriam uma nova Confederação do Equador - dessa vez, liderada pela terra de Ariano Suassuna, por que não?

    Abraço!
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  11/04/2015 12:29
    Acreditar em secessão é a mesma coisa que acreditar que 1 + 1 = 1. Não é possível.
  • Rhyan  11/04/2015 14:29
    Leandro, eu tô lendo 'Introdução à Economia' do Mankiw e acho ele bem liberal na maioria das vezes (pelo menos no começo do livro).

    Como pode um keynesiano ser aparentemente tão liberal? A microeconomia é naturalmente liberal?

    Desculpe pelo off-topic.

    Obrigado!
  • Lopes  11/04/2015 23:12
    O establishment costuma distinguir arbitrariamente entre micro- e macro-. Minha hipótese é que ele tenha se limitado a explicar as relações microeconômicas no começo da obra (sobre as quais não há como realizar grande distinção do já estabelecido pelos neoclássicos e antecessores) para finalmente trair o princípio fundamental da ação humana e a escassez em prol de dados macroeconômicos sem quaisquer relações com a produção de riqueza de uma sociedade (trocar-se-á produtividade por PIB ou emprego, por exemplo).

    É uma tendência em todos os livros de economia que leio. Ocorre um giro de linguístico e o léxico se inverte completamente em algum momento do meio da obra. Receio que até o fim do livro você notará o viés keynesiano do texto.
  • Daniel Costa  11/04/2015 18:10
    Por que liberais bilionários e milionários, e outros nem tanto, de todo o planeta não se unem e compram uma grande Ilha ou território e decretam sua emancipação do governo central numa espécie de bolsa de acionistas. Seria uma alternativa para se criar um território privado de grandes extensões como um grande condomínio particular. È claro, "machos" não poderiam faltar para lutar e matar, se precisasse, para manter independência das fronteiras. E onde encontraríamos estes "machos"? certamente nunca em algum tipo de movimento social. Acredito mais possivelmente se encontrar em algum desses países disciplinados do leste europeu, aí sim, se poderia encampar alguma experiência anarcocapitalista de dar inveja a um Lee kuan Yew.
  • Básico  12/04/2015 02:22
    Caro,
    Dubai é algo próximo a essa sua "idéia", ainda que o capital utilizado pelos financiadores não seja oriundo, creio eu, de propriedade justamente adquirida por meio de trocas voluntárias ou possessão natural.
    Além disso, capitalistas, via de regra, procuram (tentam) minimizar os riscos para seus investimentos e patrimônio. Veja que muitas empresas mudam suas sedes para localidades mais "atraentes" do ponto de vista econômico e até politico e cultural. Se multimilionários e bilionários não criam seu próprio país deve ser, nada mais, nada menos, porque julgam tal empreitada, economicamente (ou por qualquer outra razão), não seria muito lucrativa à curto prazo, além de ser arriscada, como você mesmo pontuou (gastos com segurança e defesa seriam necessários e provavelmente elevados). Mas a idéia é boa, talvez ainda não haja "a semente" (ver filme "A origem").
    Nunca esquecer que o homem, invariavelmente, age. Suas motivações, para a praxeologia, da qual a economia é o ramo mais desenvolvido, são irrelevantes. Um certo austríaco que todos nós conhecemos escreveu isso há quase 100 anos. Relembrar nunca é demais.
  • Cesar  12/04/2015 02:45
    Ué, só falta combinar com os governos. Qual governo vai querer abrir mão de uma parte do seu território e entregá-lo para um grupo que terá total isenção de impostos?

    Já tentaram fazer isso com usam pequena fatia do estado de New Hampshire (procure ler sobre o Free State Project), mas os governos federal e estadual não deixaram. Aí fica difícil.
  • Adelson Paulo  11/04/2015 19:26
    Prezados, não existe avanço social sem luta política. Querer se abstrair da luta política, nos marcos da atual sociedade, é sonhar em viver em uma comunidade hippie isolada do mundo, cultivando seu próprio alimento e tecendo suas próprias roupas (que aliás é uma alternativa extremamente legítima).
    Fora isto, é meter a mão na massa e na sujeira da política, o grande palco da ação humana. Os atores que hoje atuam neste palco têm anos de intenso treinamento, e só serão desmascarados com uma luta política ainda mais intensa. Manifestações, protestos, eleições, campanhas, partidos políticos, todos são necessários (ou se preferirem, obstáculos incontornáveis) na luta pela plena liberdade social e econômica.
    Todos às ruas dia 12 de abril!

  • Basico  12/04/2015 04:08
    Ultimamente, venho notando que qualquer artigo publicado sobre manifestações e congêneres logo descamba para premissas do tipo "libertários não tem plano de ação", "fim do estado", "o estado é necessário". Peço então licença para relembrar alguns pontos, e também a ajuda dos mais experientes, caso eu venha a cometer deslizes.

    Por tudo que vivi, li e apreendi até hoje, julgo-me libertário e anarcocapitalista, e se nao me engano, libertarianismo não se preocupa com o fim do estado literalmente e nem advoga essa idéia como objetivo fundamental. O que os libertários concluem, geralmente, é que o estado é uma grande agência monopolística, e monopólios, do ponto de vista do(s) consumidor(es), são nocivos ao ambiente econômico SE não existir a possibilidade de novos "entrantes" naquele ramo. A partir daí, e sempre considerando o famoso PNA, é que alguns pensadores sugerem e até lutam (de forma bem diversa, seja acadêmica, política, cultural, etc) para que seja concedido aos indivíduos o direito de escolha, o direito de desfrutar da sua liberdade e propriedade justamente adquirida. Esses assuntos já foram exaustivamente discutidos em livros desde os anos 60, 70 (MES e For a New Liberty, por exemplo).

    Vivemos em anarquia, apenas não nos damos conta. Para que os que não lembram, um cara chamado Richard Nozick, em seu livro "Anarquia, Estado e Utopia" (1974), lançou as mesmas críticas sobre um sistema de justiça operado por iniciativa privada que ainda hoje são lançadas, discutidas e esclarecidas aqui. Poucos devem lembrar também que Rothbard respondeu a Nozick, refutando todos os pontos levantados por este, e nunca houve a tréplica. Ademais, após este episódio, Nozick não voltou a escrever sobre o assunto e até foi um pouco esquecido pelo meio acadêmico.

    Libertarianismo, em suma, é uma doutrina economica e política, que se baseia na teoria econômica e nos ensinamentos deixados por seus luminares, a maioria de tradição austríaca, sendo pois uma espécie de evolução natural do liberalismo clássico. Os libertários continuam de onde os escolásticos, os economistas clássicos e os austríacos até Mises pararam. Se suas idéias não são plenamente aceitas na comunidade liberal atual, gerando até mesmo cisões entre jusnaturalistas e utilitaristas, isso não quer dizer que o movimento seja apático, sem rumo ou inválido de qualquer maneira.

    Aos que cobram dos libertários brasileiros uma postura mais "combativa" nestes tempos de instabilidade política, devo lembrar que isso é uma escolha moral e objetiva de cada um. Não me considero um libertário "pior" ou traidor do movimento apenas por não estar disposto a ir para a rua protestar. Apoio muitas das bandeiras dos manifestantes, mas não me junto às massas e à turba. O IMB também considero esteja além dos protestos. Aqui, eu penso, é lugar de divulgação e discussão da teoria libertária. Alguns de seus fundadores, muito antes de quaisquer outros, já criaram e implementaram um plano de ação libertário através do Liber (libertarios.org.br/liber). O canal escolhido para atuação política direta foi aquele e não este.

    Aos que sugerem o gramiscismo como ferramenta para dissolver o status quo, devo lembrar que isso vai do espírito e da vontade de cada um. Praticar a marcha para dentro do estado e derrubar um grande império desde dentro não é libertarianismo, é outra coisa bem distinta. Um libertário pode até desejar intimamente um objetivo último que julgue deva ser alcançado pelo grupo social ao qual pertence, mas o Libertarianismo em si, na melhor tradição miseniana, não defende um objetivo último para a humanidade. Nem mesmo a tal "paz perpétua". A preocupação com as ameaças aos valores da civilização ocidental ou simplesmente não querer ficar de braços cruzados diante do avanço da maré vermelha, é digna e louvavél, porém a crítica aos que não desejam se envolver diretamente com o cotidiano do país deve ser mais cuidadosa. Há soldados lutando em todos os campos, não só na linha de frente. A guerra silenciosa já está em marcha há tempos, pensem bem.

    Por fim, aos que não sabem direito o que fazer e, sobretudo, como fazer, mas desejam a construção de uma "sociedade libertária", seja lá o que isso signifique, eu sugiro consultar os escritos de Rothbard, Hoppe e outros. Há textos específicos acerca do tema. Aos mais radicais, que arriscariam até mesmo um "libertarian life-style", as idéias de Samuel Konkin (pt.wikipedia.org/wiki/Samuel_Edward_Konkin_III) podem ser de grande inspiração.

    Abraços
  • carlos  12/04/2015 02:59
    texto falho. A democracia tem sim suas falhas (por exemplo, se existisse uma maioria racista, ela poderia passar leis contra a minoria), porém restringir a liberdade econômica não é uma delas. Como o liberal John Stuart Mill disse "A sociedade pode submeter a distribuição da riqueza às regras que lhe parecerem melhores". Porque? porque o comércio é um ato social e não preocupa apenas a um indivíduo, e sim a sociedade.
  • Thales Lima  12/04/2015 14:42
    "A democracia tem sim suas falhas (por exemplo, se existisse uma maioria racista, ela poderia passar leis contra a minoria), porém restringir a liberdade econômica não é uma delas."

    Não? Na democracia, vence aquele político que prometer mais benesses com o dinheiro alheio. Nesse caso, o dinheiro de ninguém está a salvo.

    Se eu empreendo para sustentar a minha família, mas o governo democraticamente achar por bem tomar uma parte do dinheiro que eu ganhei empreendendo para repassá-lo aos seus grupos favoritos -- sejam eles empresários poderosos que recebem subsídios, filhos de classe média que irão passear na Europa ou nos EUA por meio do "Ciência sem Fronteiras", ou pobres que recebem bolsa-família --, onde está a minha liberdade econômica? Onde está a minha mais básica liberdade econômica de manter aquilo que eu recebi por meio do meu trabalho?

    Só que tudo piora ainda mais.

    E se o governo determinar que eu, como empreendedor, devo ser obrigado a investir uma fatia da minha receita em programas socialmente desejáveis, como o Sistema S? Na democracia, a demanda dos consumidores não é o único fator a determinar como os meios de produção serão utilizados. O governo pode impor regulamentações estipulando metas de produção, obrigando a prestação de serviços em determinados mercados sem demanda ou proibindo a produção de determinados tipos de produtos ou serviços.

    E tudo de olho no voto.

    E, mais ainda, se o governo quiser agradar o poderoso do lobby dos empresários -- que representa muitos votos -- e estipular tarifas de importação para proteger suas indústrias, praticamente me proibindo de comprar produtos bons e baratos do exterior? Isso não representa uma restrição à minha liberdade econômica?

    Acorda, cidadão!
  • anônimo  12/04/2015 14:49
    Você começa com as premissas erradas, não existe 'distribuição' de riquezas, riqueza não é uma coisa que cai do céu, é uma coisa criada.

    ...'porque o comércio é um ato social e não preocupa apenas a um indivíduo, e sim a sociedade.'
    Ah é?, engraçado que o exemplo que você deu, leis racistas num país de maioria racista, também iriam preocupar toda a sociedade.
    Resumindo, isso não é critério, é só uma desculpa amarela.
  • Raphael  12/04/2015 17:42
    Se a democracia não é um bom regime político, qual outro é melhor do que ela? Como Churchill disse " Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. A democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos."
    Qual o regime político que seria implantado nesse território que viesse a se separar do Estado original? Uma monarquia, uma ditadura, uma oligarquia? Acho que é evidente que nenhuma dessas formas de organização política é melhor que a democracia. Nesse território independente haveria um governo - completando junto com o povo e o território o trio necessário para a fundação de um Estado? Bom, não parece coerente querer trocar um Estado por outro. Mesmo que a opção fosse por um Estado reduzido, proposta que tem a seu favor todos os argumentos racionas, seria muito mais simples defender a causa publicante de modo a esclarecer a população até torna-la a reivindicação da maioria do eleitorado do que separar um região do país para obter isso.
    Então alguém poderia dizer: Nenhuma dessas. O ideal é uma anarquia capitalista. Geralmente quem defende esse tipo de modelo socio-econômico tem profunda repulsa pelo comunismo. E a repulsa é recíproca. A ironia é que esses dois grupos radicais são mais parecidos do que pensam. Ambos são extremistas, e absolutamente convictos de que suas ideologias são as melhores para a humanidade, as únicas verdadeiras, e quem discorda é estúpido ou egoísta.
    Como descobrir onde está a razão, onde está a "verdade"? Como saber qual o melhor caminho a seguir? Pela própria experiência; Os fatos históricos na trajetória da humanidade e aqueles que estão à nossa volta, disponíveis para serem analisados sob nossa razão. Acontece que essas ideologias radicais não se baseiam exclusivamente nos fatos, mas em ideais, em utopias. Projetam suas expectativas a um mundo perfeito, que nunca foi experimentado ou observado e cujos meios para alcança-lo são necessariamente radicais e revolucionários. Essas pessoas não admitem ou resistem muito a fazer concessões. Sua ideologia está de tal modo petrificada em suas mentes e estão de tal modo entorpecidos ideologicamente que nem mesmo argumentos factuais, empíricos e históricos são capazes de demovê-los. Creem que sua visão de mundo está ancorada nos mais nobres princípios morais e simplesmente se recusam a mudar de ideia, sob o preço de estarem renunciando a valores humanos inalienáveis - ainda que tais ideias sinalizem para um destino diferente do pretendido, cuja trilha é quase sempre mais pragmática e sistemática que revolucionária.
    Diz o autor: "As frases acima, vociferadas por pessoas até bem intencionadas, mostram bem o caráter divisor (o famoso "nós e eles") que predomina em uma democracia". Ora, que regime político tem um "caráter unificador"? Grupos sociais divergentes ou com posicionamentos divergentes, como os exemplificados no texto, não existiriam em outros regimes? E será que uma estrutura política com um "caráter unificador" seria boa para a sociedade? De certa forma não era isso que propunha - estúpida e cinicamente, como sabemos - o comunismo clássico? Um regime que tenha um caráter hegemonizador, dominador ou absolutista, me parece que seria bastante nocivo e problemático. Divisões econômicas nas sociedades, em maior ou menor grau, sempre existirão devido às diferentes capacidades e habilidades dos indivíduos. Do mesmo modo, divisões políticas e de pensamento também sempre ocorrerão em função da própria racionalidade humana - ou, em alguns, o comprometimento dela. Em certo nível, sempre haverá divisões que colocarão pessoas em lados opostos e ensejarão um "nós e eles", não necessariamente num contexto beligerante, mas meramente distinguidor. Portanto não é a democracia que tem um "caráter divisor", mas o próprio ser humano tem um caráter paradoxalmente divisor e agregador, - com prevalência, diga-se, deste último, por consequência do qual se formam as sociedades. Uma democracia consolidada aliada à uma boa gestão capitalista propicia que essas divisões co-existam da maneira mais harmônica e justa possível. A democracia permite que essas divisões se expressem, ao contrário de outros modelos unificadores. A democracia é o regime político que melhor conseguiu unir os homens em torno dos valores mais civilizados conquistados até hoje.
    Segue o autor: " Um regime que vê na "vontade da maioria" um exemplo de modernidade, prosperidade e respeito aos direitos individuais é, na melhor das hipóteses, incoerente; na pior, representa um atentado aos direitos de propriedade, inclusive dos mais pobres.". Ora, se não é pela vontade da maioria de um povo, autonomamente expressa, que se alcança a modernidade, a prosperidade e respeito aos direitos individuais, será então por imposição da vontade de uma minoria? Em países como Suíça, Noruega, Dinamarca, EUA e Canadá co-existe a democracia, expressa entre outros, pela vigência do governo escolhido pela maioria do povo, com os valores acima almejados. Onde está a incoerência? " Na democracia, sempre haverá aqueles que quererão que seus estudos, sua saúde, sua segurança, seu transporte, seus subsídios, seu assistencialismo sejam pagos "pelo estado", o que, na prática, significa "por outros que não eu". As pessoas que usufruem de tais benefícios também pagam impostos, certamente menores em números absolutos que os "outros", porém provavelmente maiores, percentualmente, em relação às suas rendas. Em certa medida, elas também pagaram pelos serviços que o Estado posteriormente as ofereceu - em geral de forma precária.
    Outro argumento utilizado, sobretudo na citação feita, para justificar a oposição do autor contra o sistema democrático é que nessa sistema haveria uma espoliação de parte da sociedade, notadamente através do pagamento de impostos, para sustentar os benefícios de uma outra. Primeiro que essa afirmação somente seria verdadeira se a parte beneficiada estivesse completamente isenta do pagamento de tributos, o que não é verdade. Todos pagamos impostos. Segundo que quem paga mais - porque também ganha mais nesse "arranjo" - também é beneficiária dos serviços públicos. Entre os mais evidentes, por exemplo, receber atendimento médico num hospital público, quem sabe depois de um acidente de trânsito, após ser socorrido por uma ambulância pública. Ou diante de um possível declínio financeiro que impossibilite o custeio de uma educação privada a seus filhos, poder matriculá-los numa escola pública. Cabe lembrar também que, a propriedade ou o capital, sobre os quais incidirão os tributos, foram conquistados mediante a iniciativa de seu proprietário, porém se valendo, bem ou mal, da estrutura estatal que a comporta. Ou seja, há um território delimitado, protegido por Forças Armadas, onde as trocas comerciais ocorrem por uma moeda comum, amparados por um sistema jurídico único, com leis pré definidas, com um sistema bancário funcional conectado globalmente e com a existência de força policial 24 hs para a segurança da propriedade e dos indivíduos. É claro que nós, no Brasil, podemos contestar a eficiência desses serviços prestados pelo nosso Estado, porém eles estão disponíveis, e sobretudo estes últimos, querendo ou não, contribuíram para que fosse possível a construção desse patrimônio. Baseado nisso, pode-se concluir que a bem da verdade, o pagamento de tributo não é mera espoliação ou vil expropriação. Trata-se sim de uma parcela de responsabilidade financeira para a sustentação dessa estrutura, que em tese, deve existir para beneficiar a contento toda a sociedade. E assim o é em diversos países desenvolvidos e civilizados, onde o livre mercado pode atuar e produzir riqueza. O problema não é o Estado em si e os impostos que o sustentam, mas como eles são geridos. É claro que é pertinente e correta a discussão sobre o percentual de carga tributária que sustenta um Estado. Sabemos que no Brasil ela é altíssima e complexa, e deve ser reduzida e simplificada para estimular o crescimento do país. Porém os impostos não são mera expropriação, porque existem também em benefício do proprietário. É razoável discutir seu volume, mas não sua existência, porquanto também garantem a existência do Estado, que a história da humanidade já mostrou ser necessária em alguma medida.
    "Essa mentalidade explica por que partidos de esquerda obtêm sucesso nas eleições. "
    Partidos de esquerda se elegem em muitos casos por falta de esclarecimento - político, histórico e econômico - da população, o que resulta em uma massa facilmente manipulada por indivíduos pretensamente preocupados com justiça social.
    "Só que sempre pode chegar o momento em que aqueles que são obrigados a sustentar esse arranjo se cansam da espoliação e, impelidos por uma eventual deterioração das condições econômicas, decidem protestar mais veementemente contra o governo". Não acredito que a população que sustenta o arranjo dos países desenvolvidos citados acima sintam-se espoliados, porque percebem que os impostos que pagam são revertidos em serviços públicos de excelência. Quanto a protestar contra o governo diante de uma crise econômica, não conheço outro sistema que permita a expressão dessa insatisfação de forma mais livre.
    "O grande e real problema da democracia — abordado em vários artigos deste site — é que tal regime representa uma forma de controle quase que total sobre os indivíduos e sobre suas respectivas propriedades." A democracia não ocorre por intermédio de ordens autoritárias, mas é sustentada por uma legislação determinada pelos representantes do povo eleitos para esse fim. Se a legislação vigente implica num super-regulamento da vida individual e da propriedade privada, ela se impôs com a conivência da população atingida, na medida em que elegeu representantes com tal visão de mundo - por equívoco ou por ignorância - e pelo distanciamento da vida pública, o que não configura mazelas inerentes da democracia, mas dos eleitores que a exercem.
    "Já no nosso sistema democrático, tanto os que não votam quanto aqueles que votam e perdem sofrem as consequências da eleição de alguém que não queriam. Não apenas sua propriedade é afetada, como também elas se tornam obrigadas a viver sob políticas das quais discordam — e muitas vezes abominam." O bom é que essa condição não é permanente, como o castigo do condenado, ou de populações sob uma ditadura. A cada quatro anos isso pode mudar. E até mesmo antes disso, a democracia oferece instrumentos para um povo depor um mandatário criminoso, pelas leis vigentes, exatamente como reivindicará milhares de pessoas neste domingo. Além do mais, acredito que seja mais justo a minoria se submeter à vontade da maioria - desde que não em condições anti-humanitárias - do que a maioria ser subjugada por uma minoria. A democracia também é um exercício social de tolerância ao outro. E como bem me informou um liberal: "se, apesar de toda a razão estar ao nosso lado, não conseguirmos convencer a maioria das pessoas sobre nossas ideias, a culpa será toda nossa".
    O que o país precisa não é de ideias mirabolantes, fim do Estado, separação do território, intervenção militar. Precisamos neste momento principalmente de uma boa gestão pública e dos recursos públicos, com um Estado eficiente, menor, com estímulo à iniciativa privada, ao empreendedorismo individual, de uma revolução de qualidade na educação e de medidas de inteligência para garantir a segurança que nos trará paz e civilidade. Basicamente, precisamos de um país mais liberal. E nesse sentido, o IMB colabora significativamente.
  • Basico  13/04/2015 13:27
    "O que o país precisa não é de ideias mirabolantes, fim do Estado, separação do território, intervenção militar. Precisamos neste momento principalmente de uma boa gestão pública e dos recursos públicos, com um Estado eficiente, menor, com estímulo à iniciativa privada, ao empreendedorismo individual, de uma revolução de qualidade na educação e de medidas de inteligência para garantir a segurança que nos trará paz e civilidade. Basicamente, precisamos de um país mais liberal. E nesse sentido, o IMB colabora significativamente."


    Ok. E como voce propõe que estas metas sejam alcançadas, em meio a maré vermelha? E quem não quiser participar desse arranjo que voce irá propor, qual a alternativa?
  • Raphael  14/04/2015 06:14
    O Brasil não se tornará um país desenvolvido com uma qualidade de vida e de serviços públicos de países com esse status em menos de 40 anos, sendo bem otimista. Acho que essa condição de país emergente ainda nos acompanhará por esses anos. Mas podemos caminhar naquela direção mais rapidamente se consolidarmos uma concepção de Estado mais eficiente - o que implica menos burocracia e intervenção e uma gestão pública, política e econômica mais liberal. Fazendo uma análise meramente conceitual, (como avalio que é o adequado a este site) se essa for a meta, necessariamente o atual partido que comanda o país (e todos os semelhantes) teria que estar fora do poder, tendo em vista que apresenta perfil ideológico oposto à essa perspectiva. Seria necessário o país estar sob o comando de gestores alinhados com as ideias liberais, ou pelo menos, não tão distantes delas, num projeto de longo prazo. Durante esse processo, creio que o melhor caminho é o esclarecimento da população quanto à racionalidade e logicidade das ideias liberais e sua capacidade inigualável de produzir riqueza, crescimento econômico e desenvolvimento. E tenho observado nos últimos anos um aumento significativo de conscientização na sociedade. Falácias socialistas e populismo totalitário prosperam basicamente em meio à ignorância (e isso não tem a ver necessariamente com escolaridade). Quanto mais esclarecimento nossa sociedade tiver, melhor escolherá seus representantes, melhor será o nível de suas cobranças aos governos e mais requererá liberdade de iniciativa e empreendedorismo individual, diminuindo sua dependência do Estado. Cada um é livre para pensar como acha melhor mas acho que esse seria um bom caminho para nos parecermos mais com países como os Estados Unidos do que com a Venezuela.
    Fico por aqui. Att.
  • Arthur  13/04/2015 16:29
    Raphael, não sei se você já leu esse livro www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=82 (pequeno, mas esclarecedor) e também tem esse, mais abrangente www.mises.org.br/Product.aspx?product=84, bons livros pra você pensar e analisar sobre o tema discutido!
  • Raphael  13/04/2015 22:52
    Obrigado.
  • Gunnar  15/04/2015 20:26
    "O ideal é uma anarquia capitalista. Geralmente quem defende esse tipo de modelo socio-econômico tem profunda repulsa pelo comunismo. E a repulsa é recíproca. A ironia é que esses dois grupos radicais são mais parecidos do que pensam. Ambos são extremistas, e absolutamente convictos de que suas ideologias são as melhores para a humanidade, as únicas verdadeiras, e quem discorda é estúpido ou egoísta. "

    Há um erro fundamental nessa comparação - ou melhor, uma omissão. De fato, os ancaps consideram uma anarquia capitalista a melhor opção para a humanidade, mas não é por isso que a defendem. O libertário quer apenas o direito de NÃO ser obrigado a fazer parte desse ou daquele arranjo. Ele não quer dizer a ninguém o que fazer ou deixar de fazer. Quer apenas a liberdade. Entende, claro, que como consequência natural da liberdade (associada ao respeito pela propriedade), virá a prosperidade e a paz, mas isso é "bônus", o objetivo do libertário é individual, não coletivo. Se o resto das pessoas optarem por viver sob um estado opressor, ou quiserem passar o dia cozinhando num barril de óleo fervendo, problema delas. Nesse sentido, o comunista é o oposto: seu objetivo é, de fato, "melhorar" a "humanidade". Seu objetivo é coletivo. Pior: para alcançá-lo, crê ser justificado sacrificar vontades e objetivos individuais.
  • anônimo  14/04/2015 11:06
    Democracia é uma ferramenta pra controlar as massas, os otários votam achando que vão mudar alguma coisa, e isso sufoca a vontade de fazer uma revolta armada.A única coisa positiva na democracia é que ela mostra que os governos não teriam tanto poder assim, se todo mundo fosse consciente
  • Jon Dorian  14/04/2015 18:30
    O artigo está correto porque as pessoas não têm idéia de que a democracia leva inevitavelmente ao socialismo, comunismo e, em seguida, em seguida, para o total destruição econômica. As pessoas no Brasil pediu e agora eles têm. Esperando algo diferente, é uma ilusão completa.

    Let's Blame The Brazilian President
  • Felipe  14/04/2015 19:01
    O principal problema da democracia não é o sistema em si, mas a falta de uma base jurídica que respeita os direitos individuais. O nosso corpo legislativo é uma aberração que mistura a visão utilitarista com jargões marxistas, onde tudo que for melhor para o bem-estar do povo deve ser permitido, só que para piorar esse "bem-estar do povo" se associa com a figura do estado.

    E reparem que é esse mesmo pensamento utilitarista que toma a cabeça daqueles que propagam um estado menor, pois ninguém na mídia questiona a alta carga tributária porque ela viola os direitos de cada indivíduo e sim porque seria mais eficiente para o país uma carga menor.

    É sempre a mesma mentalidade, "questiona o que seria melhor para o país", "qual deve ser o rumo do país". Associam a figura do individuo com o país. É um erro derivado de termos uma visão utilitarista com inclinações marxistas.

    A solução antes de querer mudar o sistema ou separar o país é retorna os conceitos de jus naturalismo que se perderam. É necessário que o corpo legislativo e judiciário defendam antes de qualquer coisa os direitos individuais. Falando em termos ideias, seria aceitável se tivéssemos um utilitarismo, mas que tivesse como base o jus naturalismo.
  • Emerson Luís  22/04/2015 16:52

    A solução mais viável é o princípio da subsidiariedade: maior autonomia local.


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