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... E os caminhoneiros pensaram que aquilo seria bom para eles

Caminhoneiros de todo o Brasil estão, há mais de uma semana, bloqueando estradas em vários estados do país em sinal de protesto contra algumas políticas do governo.

Com essa greve, várias cidades estão sendo severamente afetadas, pois toda a cadeia de suprimentos foi quebrada. 

No Paraná, há cidades em que o litro da gasolina está sendo vendido a R$ 7.  No oeste e no sudoeste do Paraná, indústrias suspenderam a coleta de leite e o abate de aves.  Sem alternativas de desvio para seguir viagem, cargas de alimentos e insumos estão estragando em vários pontos de bloqueio nas estradas do sul do país. Fornecedores de frutas reclamam ainda das perdas com saques de cargas nas barreiras. 

A operação do porto de Paranaguá, principal terminal de exportação de produtos agrícolas do país, também é prejudicada por causa dos protestos.

Em Santa Catarina, cirurgias foram canceladas em dois hospitais do oeste do estado por falta de medicamentos, que não chegaram devido à falta de transporte.  Também no oeste, falta gasolina em 90% dos postos de combustíveis da região. A coleta de leite foi suspensa e algumas indústrias pararam a produção.

Em São Paulo, houve redução de entrega de frutas na Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Já foi registrada queda de 10% na entrada de caminhões carregados de frutas, como a maçã, pêra e melancia, vindas da região Sul do Brasil.

Em Minas Geraisa produção da Fiat foi afetada.  Segundo a empresa, devido à falta de peças que não foram entregues, não é possível retomar a produção, e turnos foram suspensos. No Centro-Oeste do estado está faltando gasolina.  Na mesorregião do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba, há filas nos postos de combustíveis. Na quarta-feira, chegou a faltar combustível em estabelecimentos dos dois municípios.  Na Ceasa (Centrais de Abastecimento de MG), a oferta de alimentos caiu e os preços subiram, em média, 7,8%.

No Rio Grande do Sul, diversos setores produtivos estão afetados. Indústrias de laticínios e frigoríficos estão com produção reduzida por falta de matéria-prima.  Os supermercados afirmam que podem faltar produtos nas prateleiras.  Um caminhoneiro que tentou passar por um trecho interditado foi apedrejado na cabeça e está respirando por aparelhos.  Seu caminhão capotou e sua carga (avaliada em R$ 35 mil) foi saqueada.

Já o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do estado (Sindilat-RS) afirma que, se o bloqueio continuar, em um ou dois dias faltará leite no mercado.  Adicionalmente, o maior frigorífico de suínos do estado suspendeu as atividades na manhã de quarta-feira e 3 mil animais deixarão de ser abatidos.

No Mato Grosso, nada menos que dez trechos das BRs 364, 163 e 070 continuavam bloqueados até ontem.  Os caminhoneiros tentam impedir, há quase uma semana, que os veículos de cargas façam o escoamento da produção agrícola.  Os caminhões com combustíveis seguem presos em bloqueios e, nesta quarta-feira, postos de combustíveis amanheceram fechados em cidades do norte do estado.

No Mato Grosso do Sul, veículos com carga perecível e de combustíveis estão sendo bloqueados.

O que querem

O objetivo do protesto dos caminhoneiros é bastante difuso.  Como não há uma liderança específica coordenando todo o movimento, não é possível saber exatamente qual é a lista de exigências.  Mas é possível identificar pelo menos três pedidos claros:

1) Redução do preço do diesel;

2) revisão da Lei 12.619, conhecida como Lei do Descanso, que obriga o caminhoneiro a repousar 11 horas em um prazo de 24 horas e parar por uma hora de refeição.  Os caminhoneiros querem apenas 8 horas de descanso. (Quanto mais horas obrigatórias de repouso, menos eles ganham por mês).

3) aumento do valor do frete;

Sobre reduzir o preço do diesel, que é controlado pelo governo, não há a menor chance de isso acontecer.  Com o balancete destroçado pela corrupção e desesperada para aumentar seu fluxo de caixa, a Petrobras (leia-se: o governo) resolveu apenas jogar a fatura para o consumidor brasileiro.  Em um momento em que os preços do petróleo e seus derivados estão em queda no mundo inteiro, no Brasil estão em alta acentuada, graças à corrupção da estatal monopolista.

Sobre a Lei do Descanso, caso ela não seja revisada, haverá um forte impacto sobre a produtividade e sobre os custos, principalmente em decorrência de uma redução do número de viagens.  Será necessário um redimensionamento na quantidade de motoristas para manter os prazos de entrega, principalmente nas viagens de média e longa distância.  Em tese, novas contratações seriam necessárias, mas isso não será tarefa fácil, pois atualmente o país já vive um grande déficit de motoristas, estimado em cerca de 160 mil profissionais.

O governo simplesmente está desconsiderando as particularidades do país: o tempo perdido nas barreiras fiscais, as péssimas condições das estradas, e os engarrafamentos das cidades.  Com estradas cheias, esburacadas, sem sinalização e sem acostamento, é quase impossível os caminhoneiros desenvolverem uma velocidade padrão e constante que permita se enquadrarem dentro da nova legislação. Viagens que já são demoradas irão se prolongar ainda mais dentro dessa lei. 

Uma coisa é impor essas regras na Europa, onde há autoestradas civilizadas, a distância entre as cidades de um mesmo país é muito menor, e há diversas alternativas de transporte (trens são extremamente comuns).  Outra coisa é fazer isso no Brasil, país de dimensões continentais, repleto de estradas inacabadas e precárias, com amplos gargalos na infraestrutura.  Além do maior dispêndio de horas, tanto o empresário quanto o caminhoneiro autônomo terão de arcar com esses custos adicionais gerados exclusivamente pela inépcia e incompetência estatal.  Esses custos mais altos não serão suportados somente pelas empresas do setor; eles terão de ser repassados para o consumidor.

Por último, sobre aumentar o valor do frete, é aí que as coisas ficam extremamente interessantes.

As consequências não-premeditadas das ajudas estatais

Assim como qualquer empreendimento, o transporte rodoviário no Brasil lida com vários custos. 

No caso de um caminhoneiro autônomo, ele tem de arcar com o seguro do caminhão, com o IPVA e com o seguro obrigatório, com o combustível, com os pneus, com os lubrificantes, com a manutenção, com o pedágio, com os eventuais danos causados por estradas ruins, e com as eventuais avarias do veículo. (No caso de uma transportadora, além de todos os itens acima, ela também tem de pagar o salário do caminhoneiro e dos seus funcionários.)

Os custos de todos esses itens subiram, e muito, ao longo dos últimos 4 anos.  Em decorrência do súbito enfraquecimento do real perante (quase) todas as moedas do mundo, os preços de todos esses bens e serviços dispararam.  No que tange a moedas, não há muito segredo.  Se uma moeda enfraquece, todos os preços mensurados por ela sobem.  E dado que nos últimos 4 anos o real se esfacelou — desvalorizou-se quase 50% em relação ao dólar —, a carestia vivenciada por todos nós, e pelos caminhoneiros, é inevitável.

Só que, no caso dos caminhoneiros e das transportadoras, houve um ingrediente especial, quase que irônico: por causa de políticas do governo criadas justamente com o intuito de ajudá-los, hoje eles estão em situação delicada.  Seus custos dispararam, mas suas receitas diminuíram.

Para entender o que houve, veja esse trecho revelador dessa reportagem (negrito meu):

Segundo a Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC), a redução do valor pago pelo frete entre a safra 2013/14 e a safra 2014/15 foi de aproximadamente 25%.

O diretor executivo a ATC, Miguel Mendes, cita exemplos de preços de frete reduzidos de municípios do Médio-norte de Mato Grosso até o porto de Santos (SP). Partindo de Sorriso, o frete passou de R$ 315 em 2014 para R$ 235 em 2015; de Lucas do Rio Verde, passou de R$ 300 em 2014 para R$ 220 em 2015.

Mendes afirma que o maior número de caminhões disponíveis para o frete foi o principal fator responsável pela queda no preço da atividade, já que muitos empresários e motoristas autônomos conseguiram adquirir seu veículo de carga pelo financiamento do BNDES.

[...]

[...] o empresário Édio Moreira de Castro, tem 60 caminhões atualmente, mas no ano passado sua frota era composta por 80 caminhões. Em uma conta rápida, ele calcula que está tendo prejuízo de cerca de R$ 453 por viagem caso faça um frete de Lucas do Rio Verde para Rondonópolis, com um caminhão de 7 eixos cobrando R$ 70 por tonelada.

Castro aguarda agora uma resposta do governo sobre as reivindicações. "Minha vontade é de vender todos os caminhões, porque do jeito que está a atividade fica inviável, estamos tendo prejuízo e assim vamos à falência", diz.


Trata-se de um perfeito exemplo prático daquilo que a teoria econômica sempre enfatiza: estímulos e benefícios artificiais geram efeitos aparentemente benéficos no curto prazo, mas cobram um preço caro no longo prazo.

Permita-me ser mais claro: o BNDES, por meio de um programa chamado Procaminhoneiro, financia, a juros bem abaixo da SELIC, a compra de caminhões por parte de caminhoneiros autônomos, de empresários individuais e de empresas individuais.  Atualmente, os juros são de 9% ao ano, com prazos de financiamento de até 96 meses, incluída a carência de 6 meses.  No entanto, nos anos de 2010 a 2013, os juros variavam entre módicos 2,5% a até no máximo 7%.

Esses juros baixos, aliados a todos os estímulos dados pelo governo, impulsionaram uma farta compra de caminhões. 

O gráfico abaixo mostra os números das vendas mensais de caminhões no Brasil.  Veja como as vendas disparam justamente entre 2010 e 2013:

cewolf.png

Fonte: Banco Central

Muito bem.

Isso é positivo, não?  Afinal, mais caminhões, mais transportes, mais concorrência entre as transportadoras, menores os preços do frete.

O problema é que esse é apenas um lado da história.  Se tudo terminasse aqui, seria ótimo.  Só que, infelizmente, há o outro lado, e as consequências não são boas.

A encrenca começa com a maneira como o BNDES arranja esse dinheiro para emprestar barato aos caminhoneiros e aos empresários.

Originalmente, os recursos do BNDES eram oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador — fundo destinado a custear o seguro-desemprego e o abono salarial).  E os fundos do FAT advêm das arrecadações do PIS e do PASEP.  Sob esse arranjo, o BNDES era uma máquina de redistribuir recursos, mas não era inerentemente inflacionário, pois ele não criava dinheiro.

O problema é que essa matriz, já ruim, foi alterada para pior a partir de 2009.  Se antes o BNDES se financiava exclusivamente via impostos, agora ele passou a se financiar também via endividamento do Tesouro, o que significa que ele se financia via inflação monetária.

Funciona assim: como o BNDES não tem todo o dinheiro necessário para fazer todos os empréstimos que o governo quer conceder a seus empresários e grupos favoritos, o Tesouro começou a emitir títulos da dívida com o intuito de arrecadar esse dinheiro para complementar os empréstimos. 

E quem compra esses títulos?  Majoritariamente, o sistema bancário.  Como ele compra?  Criando dinheiro do nada, pois opera com reservas fracionárias.  Ou seja, a atual forma de financiamento do BNDES é inerentemente inflacionária.  Ela aumenta a quantidade de dinheiro na economia.

O gráfico a seguir mostra a evolução dos empréstimos do BNDES, atualmente com um saldo de R$ 638 bilhões.  Observe a guinada ocorrida em meados de 2009, quando essa nova modalidade foi implantada.

bndes1.png

Evolução dos empréstimos concedidos pelo BNDES. A linha vermelha (que foi descontinuada em 2013) representa a soma da linha azul (empresas) com a linha verde (pessoas físicas).

Portanto, além de aumentar o endividamento do governo, este mecanismo utilizado pelo Tesouro para financiar o BNDES também aumenta a quantidade de dinheiro na economia.  E, como mostra o gráfico acima, desde 2009, o BNDES já jogou mais de R$ 400 bilhões na economia. 

(Todos os bancos estatais em conjunto despejaram na economia, nesse mesmo intervalo de tempo, R$ 1,100 trilhão, o que significa que apenas o BNDES responde por quase 40% desse valor).

Além de ter causado uma grande inflação monetária — algo que, por si só, pressiona a carestia —, esse mecanismo de financiamento do BNDES, via endividamento do Tesouro, também ajudou a deteriorar o quadro fiscal do governo.  A dívida bruta está em 63,4% do PIB.  (Para que se tenha uma ideia, no final de 2013, a dívida bruta do Brasil estava em 56,7% do PIB.)

Esse valor da dívida bruta — mais ainda, essa tendência —, além de ameaçar o grau de investimento (investment grade) conferido ao país pela Standard & Poor's, ajudou a acelerar a depreciação do real, o que turbinou ainda mais a inflação de preços.

Portanto, eis o roteiro trágico:

1) o BNDES, com o intuito de estimular a economia, estimular os caminhoneiros, e ajudar o setor de veículos pesados, decidiu conceder empréstimos baratos para que indivíduos autônomos e também transportadoras comprassem caminhões a juros baixos e a várias prestações;

2) ato contínuo, a quantidade de caminhões em circulação aumentou, bem como o número de caminhoneiros autônomos, o que gerou mais concorrência para as transportadoras e para os caminhoneiros autônomos já estabelecidos.  Os preços dos fretes caíram;

3) esses empréstimos concedidos pelo BNDES foram feitos por meio de endividamento do Tesouro, o que deteriorou a situação fiscal do governo (elevou a dívida bruta), e ainda aumentou a quantidade de dinheiro na economia;

4) ambos os efeitos acima desvalorizaram o real e geraram carestia generalizada;

5) como consequência dessa carestia generalizada, os custos operacionais das transportadoras e dos caminhoneiros autônomos dispararam, mas a maior concorrência no setor — gerada pela maior quantidade de caminhões — impediu um que os custos fossem repassados para o preço do frete, que continuou caindo;

6) a subida do preço do diesel terminou por empurrar de vez o setor à bancarrota

7) com custos crescentes, receitas em queda e total inviabilidade operacional, os caminhoneiros resolveram protestar.

Conclusão: uma medida intervencionista que foi criada com o intuito de ajudar um setor acabou deixando-o próximo da insolvência.

Isso vale de lição para todo e qualquer setor da economia, e também para aqueles que defendem intervenções, subsídios e ajudas estatais a determinados setores: uma aparente benesse governamental pode gerar a própria bancarrota do beneficiado.


32 votos

autor

Leandro Roque
é editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • SERGIO ROBERTO  26/02/2015 13:48
    Perfeito texto. Poucos , infelizmente, tem consciência que não existe almoço grátis!
  • Alan  26/02/2015 16:04
    Se tivesse o botão curtir aqui eu curtiria sua observação.
  • Leandro Tideman  26/02/2015 13:57
    Nao entendi a parte do déficit de caminhoneiros. Como pode o frete estar barato com déficit de 160 mil caminhoneiros? Se não existisse esse déficit o frete seria ainda menor?
  • Magno  26/02/2015 14:08
    Quem reclama da escassez de caminhoneiros são as transportadora. Há uma grande fatia de caminhoneiros que se tornou autônoma.
  • Bruno  26/02/2015 16:49
    Clama gente, não vamos confundir as coisas. O déficit ocorre pela lei do descanso também citada no texto que obriga os caminhoneiros a 11 horas CONTINUAS de descanso a cada 24h trabalhadas.
    Voltando ao ponto de vista economico, vc que comprou seu caminho facilitado com pressao de custos, oleo, manutenção, pedagio, financiamento e tudo mais faz como para ganhar algum dinheiro sendo que a lucratividade está apertada? TRABALHA MAIS

    mas agora por lei isto é proibido! precisa de mais horas/homem trabalho para fazer o mesmo serviço, o que pressiona o custo, que diminui a lucratividade, que faz-se necessario mais horas/homem trabalho...

    espero ter sido claro
  • facto  26/02/2015 18:35
    Bruno,

    Não faz o menor sentido o seu raciocínio. A jornada de descanso de 11 horas, prevista no § 3º do artigo 235 da CLT, alterada pela lei 12.619, é uma garantia dada ao trabalhador EMPREGADO, e não ao AUTÔNOMO. Até porque quem faz o controle da jornada de trabalho é o empregador, que fica obrigado de pagar o adicional de horas extras, caso o seu empregado labore em jornada extraordinária.

    Se, por outro lado, quem exerce a profissão de caminhoneiro é um autônomo, que assume todos os riscos da atividade e a exerce sem subordinação, não se aplica o referido artigo, até porque não faria sentido o próprio profissional liberal se impor um limite de sua atividade. As limitações de jornadas de trabalho são garantias do empregado perante o empregador.

    Parece que a referida greve foi conduzida e arquitetada pelo poder patronal, e não pelos caminhoneiros empregados.
  • Pedro  26/02/2015 18:46
    Aplica-se para todos os caminhoneiros. A lei é válida para caminhoneiros, não importa se autônomo ou empregado.

    Agora, é claro que, sendo autônomo, é mais fácil driblar a lei. Você só não pode é ser pêgo.
  • facto  26/02/2015 19:01
    Nossa, Pedro. É sério?

    Se o empregado AUTÔNOMO laborar por jornada extraordinária e não usufruir do período de descanso em tela, ele vai descontar o adicional de horas extras de seus próprios lucros ? O Ministério do Trabalho irá promover uma ação contra ele?(risos) ou O sindicato dos Caminhoneiros?

    E quem controla a jornada de trabalho de um caminhoneiro AUTÔNOMO? Ele próprio! Não é o Papa e nem Karl Marx.

    Você está redondamente enganado.
  • Pedro  26/02/2015 19:10
    Pelo visto, meu caro facto, esta não é a sua área. Todo caminhoneiro, ao ser parado por uma fiscalização, tem de dar detalhes não apenas sobre sua carga, mas também sobre sua hora de partida e outras miudezas. (Sim, ele pode mentir e subornar o guarda, mas isso é outra história).

    Se um caminhoneiro for parado por uma fiscalização, e o guarda descobrir que ele extrapolou as horas legais, ele será multado.

    Pela sua lógica, aliás, se eu for parado sem cinto de segurança, o guarda não poderá fazer nada: afinal, é apenas a minha vida que está em risco e eu sou autônomo.
  • Bernardo F  26/02/2015 19:53
    Pedro, a Lei 12.619/2012 aplica-se aos motoristas profissionais "que exerçam a atividade mediante VÍNCULO EMPREGATÍCIO", nos termos do parágrafo único do art. 1° da Lei n° 12.619/2012.
    E vínculo empregatício = regime celetista (empregador e empregado).

    É só conferir no site www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12619.htm.
  • Roberto  26/02/2015 20:00
    Aí lascou. A mesma profissão está sujeita a duas leis distintas? Um motorista está proibido de dirigir determinadas horas ao passo que o outro está totalmente liberado? Para a mesmíssima profissão?

    E o respeito à vida de terceiros (na concepção dos burocratas, é claro)? Ela só é impingida para os celetistas?

    Não faz sentido.
  • facto  26/02/2015 20:35
    Roberto,

    Na verdade, faz todo o sentido.

    O motorista autônomo assume os riscos de sua atividade e a exerce sem subordinação. Assemelha-se à figura do empresário, se realizada a atividade com organização empresarial. Por ser autônomo, o motorista contrata diretamente com remetente do produto e obriga-se a transportar a carga, assumindo o risco e o resultado da atividade( cuja remuneração chama-se "frete").

    Já o motorista empregado é protegido pela CLT e labora de forma subordinada, habitual e pessoal ao seu empregador(que pode ser uma Transportadora ou outra empresa que realize também o transporte de suas mercadorias ao destinatário). Ele não sofre os riscos do negócio e é remunerado por meio do salário. A sua jornada de trabalho é regulada pela legislação trabalhista.
  • facto  26/02/2015 20:17
    Pedro,

    Você deve ser um grande jurista trabalhista e um notório intérprete da legislação de trânsito. E, claro, um grande sofista, cheio de silogismos falsos e conclusões absurdas. É feio discutir sobre desconhecidos. De qualquer forma, vamos ao que me interessa.
    A CLT ( Consolidação das Leis do Trabalho), que regula e disciplina a atividade profissional dos motoristas profissionais, conforme consta em seu artigo 235 e seguintes, só é aplicada aos contratos de trabalho individuais e coletivos, conforme, assim, prevê o seu 1º artigo:

    "Art. 1º - Esta Consolidação estatui as normas que regulam as relações individuais e coletivas de trabalho, nela previstas."

    Contrato empregatício é, segundo o jurista e ministro do Tribunal Superior do Trabalho Maurício Godinho Delgado, o "acordo de vontades, tácito ou expresso, pelo qual uma pessoa física coloca seus serviços a disposição de outrem, a serem prestados com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação do tomador"( Pág. 483, DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho.10ª Edição, Editora Ltr, 2011).

    Como é evidente, as normas celetistas são aplicadas com vista regular o contrato de trabalho existente entre empregados e empregador. Não serve para disciplinar a atividade econômica de empresários. A figura jurídica do autônomo é a do empresário, prevista no art. 966 do Código Civil:

    "Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços."

    O fato de o art. 235-A da CLT regular a atividade profissional do motorista, não significa que este seja empresário. Olhe o que a lei 12.619, que é objeto da presente discussão, afirma:

    "Art. 1o É livre o exercício da profissão de motorista profissional, atendidas as condições e qualificações profissionais estabelecidas nesta Lei.
    Parágrafo único. Integram a categoria profissional de que trata esta Lei os motoristas profissionais de veículos automotores cuja condução exija formação profissional e que exerçam a atividade mediante vínculo empregatício, nas seguintes atividades ou categorias econômicas: I - transporte rodoviário de passageiros; II - transporte rodoviário de cargas;"

    Diante disso, é evidente que a limitação da jornada de trabalho das 11 horas já é aplicada ao Motorista EMPREGADO. O autônomo tem plena autonomia (pleonasmo) na organização de sua própria jornada, bastando que observe as regras administrativas impostas pela ANTT e pela legislação de trânsito, que não impõe obviamente limites a sua jornada de trabalho, vide a lei 11.441:


    www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11442.htm
    Logo, o seu raciocínio não tem base jurídica e supõe apenas que o art. 235-C, parágrafo 3°, da CLT, modificada pela Lei 12.619, seja uma norma de caráter administrativo, o que não é verdade, pela própria lógica celetista e pela própria determinação do artigo 1º da lei 12.619.

    Resumindo: Você está totalmente errado. Não é aplicável a CLT para disciplinar a atividade do motorista autônomo e tampouco a lei 12.619, que expressamente diz que só é aplicável aos motoristas empregados.
  • Trucão  27/02/2015 23:10
    Importante informar aos senhores que a lei da jornada do motorista alterou o Código de Trânsito, logo qualquer agente da autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via pode fiscalizar e apenar o transportador autônomo que não cumpra o interstício de onze horas entre jornadas, por exemplo. Essa lei é decorrente do número alarmante de mortes nas estradas brasileiras, que em sua grande maioria envolve os transportadores autônomos.

    Quanto ao procaminhoneiro, lembro que a idade média da frota de caminhões brasileiros é muito alta, e consequentemente ineficiente e aumenta os riscos de acidentes nas estradas. Sem crédito, um transportador autônomo não se compra um cavalo mecânico de 500 mil reais.
  • facto  28/02/2015 16:48
    Trucão,

    Como já expus, o seu argumento está totalmente equivocado. A lei 12.619 regula a jornada de trabalho do motorista empregado, que considerado como HIPOSSUFICIENTE e, por isso, precisaria da tutela jurídica estatal para limitar a exploração do empregador.

    A própria lei determina isso, como já disse, em seu art. 1°. A restrição à jornada de trabalho às 24 horas e a imposição de horário de descanso são garantias dadas ao empregado, limitando-se o poder patronal. Tal garantia tem natureza, portanto, trabalhista, e não administrativa. O descumprimento do parágrafo 3º do art. 235 – C da CLT, alterado pela lei 12.619, acarreta ao pagamento do adicional de horas extras por parte do empregador.

    Se o Sr. não concorda com isso, refute-me. Procure se, na lei 12.619, existe uma norma ADMINISTRATIVA que tipifique a conduta específica de transitar por vias públicas por mais de 24 horas como uma infração administrativa, impondo uma sanção (multa, suspensão do direito de dirigir e etc) ou procure tal determinação no CTB ou na lei 11.442 de 2007, que determina as regras gerais do transporte de cargas e, por conseguinte,regula a atividade empresarial do TAC(Transportador Autônomo de Cargas) e da ETC ( Empresa Transportadora de Cargas).

    Eu vejo aqui que temos muitos "experts" que gostam de dar uma de "adevogado" sem conhecer absolutamente nada de direito.
  • João Bortoluzzi  01/03/2015 00:47
    Facto,

    O Pedro e o Trucao estão corretos.

    Quem esta "pagando" de sabichão é o senhor em demasiada prepotência.

    Quem refutará sua tese não sou eu, mas sim o Dr. Marcos Aurélio Ribeiro, assessor jurídico da maior entidade representativa do empresariado do segmento.

    Segue o link no YouTube:

    https://www.youtube.com/watch?v=9uG6RnrCZ4g

    Em 4 minutos ele explica por que os rapazes dos post anteriores estão certos e você esta equivocado.

    Por fim, no momento, tivemos aprovação da revisão da lei na câmara; com a onda de protestos que esta ocorrendo, bem provavelmente a presidentA sancionara em breve.

    Noticia:

    www.portalntc.org.br/rodoviario/revisao-da-lei-do-motorista-e-aprovada-na-camara/55364

    Abraço!
  • Akira  01/03/2015 13:44
    É facto,acho que você deve desculpas a eles.
  • anônimo  01/03/2015 14:00
    Ninguém deve desculpa a ninguém, direito é isso mesmo, uma coisa vaga e imprecisa, aberta a um milhão de interpretações justamente pros burocratas e parasitas de plantão interpretarem do jeito que for conveniente pra eles.
  • oculto  01/03/2015 20:19
    Direito não é isso mesmo coisíssima nenhuma. O Direito é lógico e coerente. Sempre foi e sempre será. O problema é que nossos legisladores socialistas há muito ignoraram o jusnaturalismo e abraçaram porcaria do positivismo, ou seja, ignoraram a idéia de que o certo e o errado são estabelecidos pela própria realidade e abraçaram a idéia imbecil de que o certo e o errado podem ser definidos arbitrariamente pela lei.

    Por isso é que nosso corpo de leis é uma coisa vaga e imprecisa, aberta a um milhão de interpretações, justamente porque isso permite aos burocratas e parasitas de plantão interpretarem a lei do jeito que for conveniente pra eles.
  • marcio  01/03/2015 14:49
    Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!
  • Brant  01/03/2015 21:33
    Eu também gostaria de ver um pedido de desculpas do facto bem como do Guido Mantega, mas não vai acontecer. O sujeito chega aqui com uma arrogância olimpiana ofende os leitores do Mises é desmentido e desaparece.

    Esperar que um esquerdista reconheça seus erros é algo que vai contra a própria doutrina esquerdista que ensina a jogar a culpa dos seus erros em terceiros.
  • Jango  27/05/2018 10:40
    João Bortoluzzi, essa lei criada em 2012 só entrou em vigor em 2015. Como ela pode ser a responsável pela insolvência no setor que vem desde 2011?
  • Daniela  01/03/2015 19:04
    As horas e os quilômetros rodados de um caminhoneiro autônomo é controlada da quilometragem rodada por meio de tacógrafos....
    Se vocês não tem base de falar no assunto desculpe-me, mas infelizmente quando um motorista é parado umas das primeiras coisas que verificam é o tacógrafo.
    Então seja ele empregado ou autônomo as horas tem que ser cumprida.
    OK
  • Bernardete  27/05/2018 17:37
    Muito me interessam esses assuntos e aprendo com o texto publicado e com os comentários. Sobre o controle das horas rodadas e das horas descansadas pelo motorista autônomo, não é para isso, também, que serve o tacógrafo? Me ocorre agora, o autônomo pode ter um motorista reserva(aí o tacógrafo não pararia???????
  • Marcos Paulo  26/05/2018 11:57
    Concordo plenamente. Era isso que ia dizer.
  • joacir  01/03/2015 18:16
    Amigo esta faltando motorista porq ninguem quer mais nao pela pois a lei nao e cumprida por 1 por cento dos caminhoneiros essa lei e inviavel de ser cumprida
  • Maicon  02/03/2015 06:14
    Ola, pelo que entendi esse déficit é agora com essa nova lei do descanso, o mercado vai precisar de mais motoristas, antes dessa lei não existia esse déficit.
    Abs
  • Lopes  26/02/2015 14:00
    Precisa e agilíssima análise do Leandro. É impressionante como um indivíduo alheio ao Estado é capaz de gerar uma verificação muitíssimo mais atenciosa e lúcida.

    A oferta da Dilma para acabar com o protesto dos caminhoneiros é muito mais do que eles NÃO querem:

    www.dm.com.br/politica/2015/02/dilma-nao-diminui-preco-diesel-mas-faz-proposta-para-caminhoneiros.html

    O projeto aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 11 de fevereiro trás alguns benefícios aos trabalhadores motoristas de caminhão. A carga horária permitida, junto com horas extras, será de apenas 12 horas, com descanso de no mínimo 11 horas. Caminhões vazios não vão precisar pagar pedágio.

    O governo verdadeiramente acredita que tal lei é solução e não parte do problema.

    Se tal proposta suicida for aceita (aceita por quem? Onde? Como? O protesto é de extensão nacional, mas liderança descentralizada), será um prego ainda maior no caixão insolvente da profissão.

    O estado não faz a menor ideia do que faz. Parabéns, Leandro.
  • Lopes  26/02/2015 14:35
    ATUALIZAÇÃO

    ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2015-02-26/governo-e-caminhoneiros-chegam-a-acordo-para-fim-de-paralisacao.html

    Resultado:

    Controle de preços para lançar os fretes para cima e sem conexão com a realidade. Preços serão mediados pelo governo federal. Duvido que será fortemente regulado pela PF (provavelmente) e ainda haverá competição entre os caminhoneiros, mesmo que informal; ao menos se não for criado mais um antro estatal para averiguar o controle de preços. E nesta empreitada, todos perdem.

    Como os caminhoneiros competirão a partir de agora? Não sou especialista, mas sem a competição entre fretes, haverá uma dificuldade enorme para um caminhoneiro entrar neste mercado contra um já estabelecido e com contratos firmados. Mesmo que eu more na cidade X e fazer frete até a cidade Y seja bem mais econômico do que um baiano fazê-lo, teremos de cobrar o mesmo. Algumas rotas carecerão em caminhoneiros enquanto em outras, haverá carestia de contratos e os forçará a ir para longe. Menos autonomia aos autônomos sobre como querem fazer seu próprio trabalho.

    O pior será ter de esperar pelo soviético reajuste anual dos fretes. Mais insegurança aos produtores do país inteiro já que não sabemos quão valorizados estarão o frete. Mas posso adiantar que será suficiente para negativar o lucro de linhas de produção menos capitalizadas, como o mercado do leite sulista.
    ---
    Prorrogado o limite de tempo para mais dívidas serem angariadas pelo programa do Procaminhoneiro. Sim, endivide a categoria mais. Sabemos como funcionou nesta primeira vez, não? Toda esta manifestação foi só um devaneio ou uma esquizofrenia coletiva e não possui nada a ver com as consequências do programa.
    ---
    Espere, protestar dá resultados? O Sindicato dos Professores, quando aprendeu isto, passou mais de 1/3 do ano letivo da USP sem trabalhar. Se nós, por ironia, colocássemos o salário total de um professor qualquer de lá dividido pelas horas efetivamente trabalhadas (contando as faltas por 'sono', 'resfriados', 'dengue', greve, férias e indolência) em um ano , veríamos que a situação deles é bem melhor do que dizem. Afinal, eles não precisam prover nenhum serviço para continuarem ganhando dinheiro do estado.

    O que esta manifestação tão brutal gera é um histórico aterrorizante para futuros atos e como eu estabeleci no item 1, podem gerar um enrolo que enforcará linhas de produção completamente. E nenhum programa de reparação de gastos ou incerteza do BNDES reparará isso. O pior é que as autoridades até exaltaram este protesto como uma conquista histórica.

    E a lei do descanso (que ninguém quer e nem pediu), aparentemente, entrará junto à tomada de três dentes em nosso livro de bizarrices.
  • Trader Carioca  26/02/2015 15:34
    Lopes, ótimo comentário.

    Leandro, como sempre, parabéns pelo texto. Muito bom.
  • facto  26/02/2015 18:54
    Quem quer o que, Lopes?

    O trabalhador empregado quer: reduzir a sua jornada de trabalho, ampliar o seu salário e aumentar o seu período de convivência familiar( o que implica,tautologicamente, ao aumento de sua "intra jornada" ou, seja, a diminuição da jornada de trabalho).

    O que o Empregador quer: redução dos custos da atividade e ampliação da jornada de trabalho e, portanto, redução do período de descanso.

    O que o caminhoneiro autônomo quer: reduzir os seus custos.
  • Lopes  27/02/2015 02:56
    Agradeço pela intervenção, Facto. Mas me referia ao órgão que dialogará com o governo e sua legitimidade em representar todos os caminhoneiros em quaisquer conclusos ou negações.

    Como o senhor pode averiguar, o contrato já foi firmado mas vários caminhoneiros continuam a ocupar rodovias, evidência da deficiência comunicativa e representativa entre os manifestantes que eu suspeitava que ocorreria.
  • Luiz  26/02/2015 14:18
    excelente! texto repleto de fontes e informações precisas. muito didático (bom para mostrar para amigos e familiares). +1 para o IMB
  • César Mello  26/02/2015 14:26
    Este texto foi escrito baseado em uma "não verdade" ou em uma "quase verdade".

    Os caminhoneiros não querem essas três coisas (baixa do diesel, regulamentação de horas e aumento do valor do frete).

    Essas três coisas na verdade fundamentam um pedido maior, que demonstra claramente o entendimento de que não existe almoço gratis.

    Eles querem a derrubada do governo intervencionista/comunista.

    A Greve não é uma greve por algumas coisas. Essa é a pauta inventada pela imprensa e pelos sindicatos que fingem representar os caminhoneiros (quase todos autônomos).

    Trata-se de um protesto ao estilo Gandhi. Não é Greve. É desobediência civil.
  • Bino  26/02/2015 15:45
    Ai, ai... Quem dera...
  • Diego Lagedo  26/02/2015 16:29
    Concordo plenamente.
  • Perplecto  26/02/2015 16:35
    Caramba, isso é whishful thinking demais para o meu gosto. O cara parece que veio de outro planeta e chegou no Brasil esta semana.
  • Andre  27/02/2015 12:02
    "Eles querem a derrubada do governo intervencionista..."

    Esse trecho dizendo que eles querem derrubar o governo intervencionista
    contradiz esse em que eles pedem intervenções do governo:
    """
    Os caminhoneiros não querem essas três coisas (baixa do diesel, regulamentação de horas e aumento do valor do frete).
    Essas três coisas na verdade fundamentam um pedido maior, que demonstra claramente o entendimento de que não existe almoço gratis.
    """
    Ou seja, eles ADORAM uma bela intervenção governamental, desde que favoreça eles, como todo bom intervencionista.

    "Trata-se de um protesto ao estilo Gandhi."

    Com apedrejamento de quem não aderir, nossa que pacífico.
    Igualzinho ao Gandhi.
    Você pode citar o nomes de alguém que o Gandhi tenha apedrejado?
  • Marcelo  26/02/2015 14:27
    Leandro, excelente!

    Ontem mesmo iria pedir uma visão a respeito deste assunto.
    Estou ligado direto ao setor de transporte rodoviário e estamos sentindo bastante os efeitos citados, faz algum tempo que os custos estão pressionando o setor e as receitas sendo empurradas para baixo.
    Outros três fatores que gostaria de colocar:

    1- Com o aumento de crédito para financiamento os valores dos veículos, bem como seu prazo de entrega, haviam subido muito.

    2- Com o enfraquecimento do mercado interno, recentemente em especial declínio, os fretes foram ainda mais pressionados para baixo, tanto em valor quanto volume.

    3- Com a legislação de controle sobre horas trabalhadas aumentaram custos administrativos para manter este parâmetro dentro dos conformes de legislação, ficando frequentemente margem para questionamentos judiciais futuros, ficando à mercê da nossa justiça trabalhista, que dispensa comentário adicional como todo sistema judiciário nacional, capaz de deturpar o entendimento da lei para fins contra a lógica consensual.

    Podemos perceber que qualquer pacote de estímulo criado pelo governo nada mais é que a criação de uma potencial bolha no médio/longo prazo.
    Está valendo a máxima de "ajuda mais quem não atrapalha". O governo poderia entender este fato de uma vez por todas...

    O problema é que qto mais problemas, mais há clemência por intervenção governamental.
    Vi em alguns lugares que há a reivindicação para que seja estipulada uma "Tabela de Fretes" a nível nacional ... chega a ser medonha a idéia.
  • Rafael Rauen  26/02/2015 16:32
    "Podemos perceber que qualquer pacote de estímulo criado pelo governo nada mais é que a criação de uma potencial bolha no médio/longo prazo.
    Está valendo a máxima de "ajuda mais quem não atrapalha". O governo poderia entender este fato de uma vez por todas..."

    O nome disso é liberalismo, coisa tão abominada pelo governo petista.
  • Daniel  26/02/2015 14:57
    Engraçado que ontem, quando vi a matéria no noticiário, pensei: "É triste, são trabalhadores inocentes que caíram no engodo do governo quando apostaram que o modal rodoviário seria algo sustentável a longo prazo." Obviamente não é e a coisa só vai piorar. Exemplos como este temos aos montes nesse país onde o desperdício é melhor que a eficiência. Como costumo dizer, daqui a 750 anos a gente chega lá.
  • Hudson  26/02/2015 15:06
    E a Venezuela retorna ao perído de escambo
    internacional.estadao.com.br/noticias/geral,trinidad-e-tobago-dara-papel-higienico-por-petroleo-venezuelano,1640213
  • Andre  27/02/2015 12:05
    "trinidad-e-tobago-dara-papel-higienico-por-petroleo-venezuelano".

    Escambo oficializado. Como em qualquer país socialista.
    Que venham os gulags!
  • ludmila shutaeskova  26/02/2015 15:06
    O que o artigo afirma não bate com minha experiência pratica do dia a dia.
    Uma tradicional montadora de caminhões estava atualizando sua linha de produtos . Protótipos estavam fazendo durabilidade .
    Vários caminhoneiros foram convidados para avaliar estes caminhões. Desde grandes frotistas até donos de um único caminhão . Havia um pequeno exercito de 100 pessoas que inspecionavam o caminhão , lavava e fazia um diagnostico de problemas.
    Metade dos caminhoneiros dirige verdadeiras peças de museu e houve um Scania com 35 anos de idade que ainda rodava . Fazia um único tipo de transporte : containers vazios , pois as seguradoras não confiavam mais no veiculo . Para ter clientes , cobrava um preço ridiculamente baixo.
    Assim , no survey da montadora , fui anotando casos particulares de caminhoneiros que recebem tão pouco que não conseguem comprar um caminhão mesmo que seja subsidiado.
    Há algum tempo atrás , a profissão de caminhoneiro tinha certo glamour ,mas hoje , está tão arrochado economicamente que não passa de um barnabé às portas da mendicância.
  • Ricardo  26/02/2015 16:04
    Oi? Hein? Mas isso só confirma o texto...
  • Maverique  26/02/2015 15:06
    Agradecimentos ao Leandro Roque, pelo texto extremamente esclarecedor. Andei lendo outros sites de notícias e artigos, no entanto sempre a informação é picotada, sendo que aqui teve um agrupamento lógico e conciso. O fato que o sistema do modal rodoviário está preso em um ciclo vicioso, e infelizmente as medias são paliativas e no final irão gerar um estrago maior ainda. A ironia de tudo que o fundo do poço é mais em baixo.
  • Qualquer  26/02/2015 15:07
    Impressionante como as análises do Leandro Roque têm um olhar quase clarividente, é o economista que vê aquilo que está diante dos olhos e aquilo que se esconde por trás das artimanhas estatais.
  • anônimo  26/02/2015 15:26
    olha aí mais uma incoerência dos liberais: reclamam que o real desvalorizado encareceu os itens necessários pra fazer o caminhão rodar. mas é claro. todos esses itens são importados. isso é mais um motivo para se produzir pneus, lubrificantes, e etc aqui no brasil. além de criar vários empregos, não teria esse problema de encarecer por causa do real desvalorizado, pq os produtos feitos no brasil não são afetados por isso. Mas não. Seguem defendendo que tudo seja importado, e não estão nem aí que isso irá tirar milhares de empregos aqui no brasil.
  • Lógico   26/02/2015 15:54
    É isso aí, campeão. Na década de 1980, as importações eram praticamente proibidas, e tudo era fabricado nacionalmente. Vai ver que é por isso que não houve nenhuma inflação de preços na década de 1980. Opa, não, espera...
  • anônimo  26/02/2015 16:08
    eu não falei de inflação cara. eu falei que caso esses itens fossem produzidos no brasil, eles não sofreriam aumento por causa do real desvalorizado. mas como são todos importados...
  • Thiago  26/02/2015 16:15
    Prezado anônimo, a maioria dos custos citados não é importada. Seguro, IPVA, seguro obrigatório, manutenção, lubrificantes, pedágio, nada disso é importado.

    O que esquerdistas economicamente ignorantes (com o perdão do pleonasmo) não sabem é que uma moda fraca afeta todos os preços internos, inclusive os produzidos nacionalmente. Isso é óbvio: se a moeda está fraca, então é necessário uma maior quantidade delas para adquirir o mesmo bem.

    Não tem escapatória: moeda fraca, carestia alta. Sem exceção.
  • Marcos  26/02/2015 16:27
    Esse anônimo tá de zoação, é obvio. Custo de estrada esburacada, de pedágio, de IPVA, de seguro obrigatório etc. é tudo importado... Gostei.

    Outra coisa, quem desvaloriza moeda e detona os preços é o governo. É interessante que você o isente disso. Como todo esquerdista, aliás.
  • Brant  26/02/2015 20:14
    Que idéia original.

    Produzir tudo nacionalmente e fechar as fronteiras para as importações para estimular o consumo de produtos nacionais e preservar empregos. Coisa de gênio.

    Como ninguém pensou nisso antes, estou encaminhando o comentário do anônimo para o ministério do desenvolvimento indústria e comércio exterior, aguardem que uma nova onda de prosperidade e crescimento está por vir, agradeçam a colaboração do nosso amigo anônimo, sem pessoas como ele tudo o que vai acontecer nos próximos anos não seria possível.
  • Andre  27/02/2015 12:11
    "Seguem defendendo que tudo seja importado, e não estão nem aí que isso irá tirar milhares de empregos aqui no brasil.".

    Hmmm, então o embargo que Cuba sofre é ÓTIMO para eles do seu ponto de vista correto?

    Afinal de contas graças ao embargo eles não tem nem a mais remota possibilidade de cair na terrível tentação de importar produtos americanos!

    Deve ser por isso que Cuba é uma POTÊNCIA econômica e Singapura é um lugar tão pobre e miserável.

    Esquerdistas, sempre com idéias birutas.
  • Leonardo  26/02/2015 15:42
    Boa tarde Leandro.
    Primeiramente, parabéns pelo excelente artigo.
    Neste texto e em outras publicações e palestras que você apresenta, vejo com frequência a utilização do termo carestia.
    Estou interpretando como inflação, porém acredito que não seja exatamente isso que você quer dizer. Pode me explicar o que significa essa carestia?

    Obrigado.
  • Porta-Voz  26/02/2015 15:53
    Carestia = aumento de preços = inflação de preços

    Por que "inflação de preços" e não apenas "inflação"? Porque, nas concepção austríaca, "inflação" é aumento da oferta monetária.

    Grande abraço!
  • Lopes  26/02/2015 15:55
    Não sou o Leandro, mas suponho que carestia seja a perda do poder de compra e a miséria gerada por ela, manifestada geralmente em um aumento de preços e em carrinhos de supermercado mais leves.
  • Tarcisio Medeiros  26/02/2015 16:16
    Carestia até onde eu sei é o sentido literal da palavra, ou seja, é quando bens ou serviços ficam com preços acima da realidade. Não vejo exatamente como inflação, mas como quando um ou uma série de produtos sobem acima da inflação, se tornando realmente mais caro, e não tão somente numericamente mais alto.

    Porém, consultando a internet também vi que pode estar relacionado a falta de produtos e fome, mas acho que não é o sentido empregado no texto.
  • Pasquale  26/02/2015 16:34
    Carestia = encarecimento do custo de vida
  • Eduardo R., Rio  27/02/2015 04:38
    Mais uma definição, do dicionário português on-line Priberam:

    ca·res·ti·a
    (italiano carestia)
    substantivo feminino
    1. Elevação de preço acima do valor habitual (falando de gêneros que escasseiam)
    2. [Figurado] Dificuldade em obter algo = CARÊNCIA, ESCASSEZ
  • Bernardo F  26/02/2015 19:10
    Direto do Dicionário Houaiss:

    CARESTIA
    s.f. (1344 cf. IVPM) 1 escassez de víveres ou de determinado produto 2 p.ext. encarecimento do custo de vida 3 p.met. preço elevado, acima do valor real ¤ etim orig.contrv.; ou do it. carestia (a1306) 'grande escassez de coisas necessárias à vida', de orig. tb. contrv., ou de um lat.medv. caristia (carestia), de form. duv.; f.hist. 1344 carestia, sXIV caristea, sXV caristia ¤ sin/var careza; ver tb. sinonímia de escassez e pobreza ¤ ant abastança, barateza; ver tb. sinonímia de quantidade e riqueza

    A acepção utilizada pelo Leandro é, na minha opinião, a de número 2 ("encarecimento do custo de vida").
  • Leonardo  26/02/2015 23:30
    Muito obrigado à todos que responderam.
    Aprendi mais uma!
  • Eduardo  26/02/2015 15:47
    Genial como sempre! Leandro é um gênio!
  • Daniel H  26/02/2015 15:51
    Leandro,
    ótimo artigo, como sempre.

    Como conciliar "o país já vive um grande déficit de motoristas, estimado em cerca de 160 mil profissionais." com a conclusão de que se vendeu caminhões demais nos últimos anos graças ao BNDES?
  • Guilherme  26/02/2015 16:02
    Já explicado aqui mesmo nessa seção de comentários. Quem reclama da escassez de caminhoneiros são as transportadoras. Há uma grande fatia de caminhoneiros que saiu das transportadoras e se tornou autônoma. A própria notícia linkada fala sobre isso.

    Outra coisa (e disso eu posso falar porque sou da área): as transportadoras se empolgaram com as condições de financiamento (e a economia estava crescendo à época, de 2010 a 2012), compraram muitos caminhões e agora estão se vendo sem quem os dirija. Quem é caminhoneiro bom já virou autônomo.
  • Pedro  26/02/2015 19:46
    O déficit diz respeito a procura de caminhoneiros por parte das transportadoras. Com a expansão do crédito barato muitos caminhoneiros compraram seu próprio caminhão e se tornaram autônomos, dificultando a contratação por parte das transportadoras que, por sua vez, também expandiram sua frota devido a esse crédito farto e barato, elevando sua demanda por mão de obra em um cenário em que a oferta (para contratação) está decrescente.

    Essas aberrações criadas pela intervenção estatal são tamanhas que chegam a ser difíceis de entender mesmo. Temos aqui, ao mesmo tempo, um excesso de caminhoneiros (número total) e uma falta deles (disponíveis para contratação), um desencontro tal da oferta e da demanda que parece ser contraditório, mas não é, isso é tipico de ciclos econômicos.
  • Ali Baba  27/02/2015 10:33
    Resumindo, diversos fatores (entre eles a lei do descanso) levaram os profissionais a virarem eu-presários ou autônomos. Esses profissionais não estão mais nos quadros das empresas, que, aogra, têm caminhões sobrando (graças ao crédito) e caminhoneiros celetistas faltando.
  • Diego M  26/02/2015 15:55
    Leandro, faltou citar também alguns estados do Nordeste como Ceará e Bahia, que participaram da manifestação bloqueando a BR-116, gerando até casos policiais entre a PRF.
  • Giovani Facchini  26/02/2015 16:13
    Leandro = gênio.

    Espero conseguir, um dia, chegar ao nível de leitura necessário para conseguir fazer as análises do Leandro.

    Keep moving :)
  • Andrey  26/02/2015 16:30
    Sensacional... some-se ainda à questão econômica o aumento significativo no número de acidentes envolvendo caminhões (e motoristas despreparados...
  • Felipe  26/02/2015 17:47
    Será que daqui uns anos o Leandro aceitaria um convite para o Ministério da Fazenda? HAHAHA
  • Silvio  27/02/2015 14:22
    Felipe, veja o mês dezenove desse artigo escrito pelo próprio: www.mises.org.br/Article.aspx?id=285
  • Marcos Villela  26/02/2015 17:59
    Assim como várias questões importantes de reformas no Brasil, como a política, tributária, trabalhista, o governo também está conseguindo enrolar os caminhoneiros na questão do transporte. O que o governo federal promete não resolve 1% dos problemas do setor.
    São promessas vazias e enganosas. O que vi os representantes falando ao vivo na TV, fica claro que não entendem nada de transporte e das necessidades do setor. Infelizmente, mais uma vez, o problema foi empurrado com a barriga, mas a conta virá mais cara mais a frente, como já estamos pagando por outras contas, como inflação, PIB negativo, desemprego, ameaça de racionamento (fora alto custo da conta de energia), falta de água etc.
    As promessas do governo >
    1. PREÇO DO DIESEL - Não aumentar o preço do diesel nos próximos seis meses. Mas a reclamação não é do preço atual? Isso significa que o preço aumentaria nos próximos meses e que vai aumentar depois de seis meses? E a incidência da Cide em abril, foi cancelada? Não ficou claro isso.
    2. FINANCIAMENTO Pró-Caminhoneiro - A carência de 12 meses para pagamento do financiamento do Pró-Caminhoneiro? Mas, pelo que todos que trabalham no setor sabem, são raros os caminhoneiros que conseguiram esse financiamento em função da burocracia do BNDES e dos bancos em geral. Quantos caminhoneiros têm financiamento com o Pró-Caminhoneiro? Uma minoria!
    3. LEI DO MOTORISTA - Aprovação de todos artigos da Lei do Motorista. Mas é uma lei (importante) mas ainda polêmica e, no caso aqui, secundária dentro das reivindicação dos grevistas, senão, sem importância na pauta do momento.
    4. PEDÁGIO - Manter uma coisa que já existia um tempo atrás que ninguém que não é do setor não entende. Então, as TV estão falando bobagem, que é a questão dos eixos extras do caminhão. Um caminhão, por exemplo, de três eixos, ele precisa de apenas dois para rodar vazio e dos três quando carregado. Esse caminhão tem tecnologia para suspender um eixo, quando está vazio para evitar desgaste desnecessário dos pneus do terceiro eixo. Quando carregado, os três eixos ficam no chão. Portanto, era injusto que pagasse pedágio pelos três eixos, quando vazio, sendo que o caminhão estava rodando com apenas dois. As administradoras de rodovias estavam cobrando os três eixos independentemente se o caminhão estava vazio ou cheio. Uma injustiça. Ou seja, o governo prometeu fazer justiça em troca de parar a greve?
    5. DIÁLOGO - Manter uma mesa constante de diálogo com os embarcadores. Espero que sim.
    6. FRETE - O governo prometeu intermediar uma mesa de negociação entre caminhoneiros e empresários para estabelecer uma tabela justa de frete. Pelo histórico, duvido. Mas, quem sabe, milagres realmente existam.
    CONSIDERAÇÕES
    Sinceramente, como jornalista há 13 anos cobrindo o setor de transporte e membro de família que trabalha há 25 anos no setor, não vejo que haverá nenhuma mudança no setor e que está sendo apenas uma enganação.
    Quero ver se o governo vai conseguir renovar a frota. Como está o projeto apresentando por mais de 10 entidades para renovação da frota de caminhões do país, começando com os caminhões de 30 anos de idade, que poluem, cada um, mais do que 20 caminhões Euro 5 (fabricados a partir de 2012) juntos? Fora que o risco de um caminhão velho e por falta de tecnologias modernas causar um acidente é muito maior. O projeto está há mais de um ano com o governo federal e não saiu do papel.
    E o roubo de carga, um custo alto para o Brasil, como resolver isso? Muita gente não entende o que é Custo Brasil. Mas sabe aquele iPhone que é muito caro aqui? Para todo o lugar que a carga vai, tem que andar com um batalhão de seguranças atrás. Os seguranças são apenas mais um dos itens que encarecem os produtos no Brasil, fora vários outros, como buraco, corrupção, impostos etc.
    A burocracia que faz alguns tipos de cargas ter que rodar com mais de 200 folhas de papel A4 de licenças etc.? Para que isso? Já diz o velho ditado que, quanto mais burocracia, mais corrupção. Dali mais Custo Brasil.
    Como resolver a falta de mais de 100 mil motoristas, porque os jovens não interessam mais pela profissão, por causa das condições precárias, como baixo salários, preconceito, lugares ruins de parada, carga e descarga etc.? As transportadoras estão com dificuldade de substituir os motoristas que aposentam ou falecem por idade, doença ou acidentes (que são muitos).
    Vou parar por aqui, porque a lista de problemas é muito longa.
  • Marcelo Simoes Nunes  27/02/2015 00:13
    Marcos, se me permite, faria uma pequena correção: a cobrança do pedágio sobre o eixo suspenso é uma cobrança sobre uma utilização da rodovia que simplesmente não existe. Portanto não é uma injustiça, é um roubo descarado. E acabo de ler no UOL que as concessionárias estão ameaçando fazer um aumento de pedágio generalizado, para carros e caminhões, se o governo regulamentar que essa cobrança absurda não seja feita.
  • Marconi  26/02/2015 18:02
    Bom texto! O mesmo raciocínio se aplica ao setor imobiliário?
  • Alexandre Melchior  26/02/2015 18:33
    Marconi, o mesmo raciocínio (teoria da intervenção e teoria austríaca dos ciclos econômicos) se aplica a toda e qualquer traquitana econômica que o governo inventa.
  • Dalton C. Rocha  26/02/2015 18:13
    O artigo deveria falar de outras coisas:
    1- A mania de mais de cem anos, de tantos governos do Brasil de desprezar as hidrovias e jogar dinheiro em ferrovias estatais corruptas, como a NORTESUL de Sarney, Lula, etc. No livro "Mauá - Empresário do Império" se mostra que um quilômetro de ferrovia imperial custava mais de seis vezes daquela feita, sob livre iniciativa.
    2- Para transportar cargas à longa distância, como levar uma tonelada por mil quilômetros, o caminhão custa mais de vezes mais caro que hidrovia e mais do triplo, que por ferrovia.
    3- Em simples termos, a distorção econômica e o tremendo endividamento do setor público foi feito na pior das alternativas de transporte. Os governos e suas leis idiotas entregaram os portos às máfias de sindicatos portuários.
    4- Não é para existir nem BNDES, nem bancos públicos. Os bancos estaduais não fizeram falta, nem deixaram saudade. Também tem de acabar o tal compulsório do Banco Central, que manda a esmagadora maioria da poupança do país para a compra de títulos do tesouro, aniquilando a fonte de investimento privado com uma mão e sustentando estatais e órgãos públicos corruptos com a outra. Condene-se a Bolsa Família para os pobres, mas condene-se antes e com mais vigor as Bolsas BNDES, Caixa Econômica, etc. para BNDESários como Eike Batista e toda escumalha de mamadores do dinheiro público que desfilam(ou desfilavam) em iates, em nome do tal "interesse nacional".
    5-Cuba é o futuro da Venezuela.
    A Venezuela é o futuro da Argentina.
    E a Argentina é o futuro do Brasil.
    Dilma é Lula. E Lula é Sarney.
    Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre. O petróleo é dos árabes.
    E a Petrobrás é dos políticos e de seus funcionários.
  • anônimo  26/02/2015 23:03
    Se o artigo fosse falar de bancos, não ia ser um artigo, ia ser um livro.
  • pedro  26/02/2015 22:24
    o cLasse esta confusa pelo pedidos , o maior inimigo dos autonomos não e o governo e sim as trasportadoras que ficam com o maior valor dos fretes,pedagio e disel quem paga eo consumidor final.
  • José Ricardo   26/02/2015 23:26
    Atendendo ao apelo do blog, tentarei ser o mais educado possível. Tudo está se encaminhando para o caos total, e o final todos nós já conhecemos. Democracia não é o modelo ideal para povo burro!
  • Marcelo Simoes Nunes  27/02/2015 00:27
    Leonardo, o caminhoneiro que adquiriu por financiamento o caminhão novo, logo em seguida descobriu que ia ter de trabalhar muito mais só para pagar o seguro do caminhão, que é caríssimo, dada a total insegurança a que estão submetidos. O Brasil é campeão em roubo de carga e assassinato de motoristas. Não vi ninguém aqui falando das malditas (desculpem o pleonasmo) multas. Não há quem aguente. Combustível subindo, pedágio caríssimo, insegurança e um governo desmoralizado, imobilizado e perdido. O primeiro passo para começar por a casa em ordem passa necessariamente pela saída do PT do governo. Adeus pedidanta!
  • Leandro  27/02/2015 01:19
    Prezados, muito obrigado a todos pelos calorosos elogios. São estimulantes muito mais sólidos do que empréstimos do BNDES.

    Abraços a todos!
  • Bajulador Honesto  27/02/2015 02:38
    Defendo que são merecidos. Sempre detinha uma suspeita e agora, principalmente após a agilidade com que este artigo foi recebido e a gigantesca discrepância entre as suas análises e as da esmagadora maioria da mídia e principalmente, dos próprios oficiais que estão tratando deste caso pelo governo federal - suspeito de que o IMB tenha um dos maiores analistas da economia brasileira que melhor faria se não estivesse aqui, mas se estivesse trabalhando como consultor, no mínimo do Ministro da Fazenda. E o maior de tudo: todos os seus artigos recentes se encaixam e compõem um cenário de filme de terror - em tempos que sofrem do Mal de Mantega, coerência (produto clássico do próprio método austríaco) é algo raro.

    E todos mantém o mesmo didatismo e qualidade. Parabéns.
  • Michel  06/04/2017 07:28
    Leandro, no texto tem o seguinte: "Sob esse arranjo, o BNDES era uma máquina de redistribuir recursos, mas não era inerentemente inflacionário, pois ele não criava dinheiro". Mas o BNDES funciona alavancado (seu grau de alavancagem é de 19%). Então ele cria dinheiro, certo?
  • Leandro  06/04/2017 13:16
    Atualmente (desde 2009), sim.
    Antigamente (antes de 2009), não.

    Exatamente como explicado no artigo.

    E aqui também:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2407
  • matias  27/02/2015 01:50
    Lembrando os grandes beneficiados durante a farra do procaminhoneiro: Mercedes, MAN, Scania e Volvo.
  • Rafael  27/02/2015 02:24
    Associação prevê quebra de transportadoras por frete defasado

    NTC&Logística aponta que há grande oferta de caminhões no país. Entidade ressalta desequilibro entre o frete e os custos de operação.

    A NTC&Logística, que tem cerca de 3,5 mil empresas de transporte de carga e mais de 50 entidades patronais associadas, aponta a diferença entre o preço do frete e os custos efetivos da atividade como um dos principais problemas por trás da crise. Pesquisa divulgada pela NTC nesta quinta-feira calcula que a defasagem média entre o frete e o custo está atualmente em 14,11%.

    De acordo com a NTC&Logística, a diferença entre o custo e preço do frete tem origem, principalmente, na inflação dos insumos que compõem as despesas, incluindo o recente aumento do preço do diesel, bem como as defasagens de frete que vêm se acumulando ao longo dos últimos anos. Mas também tem relação com a má administração de custos conduzida por muitos empresários e caminhoneiros.

    Frete a preço baixo

    O frete barato também pode ser explicado pelo crescimento da frota de caminhões do Brasil, impulsionada por financiamento subsidiado oferecido pelo governo federal, e a própria crise econômica pela qual passa o país.

    Se o país estivesse crescendo, observou Valdivia, a situação seria resolvida mais facilmente, porque os contratantes não teriam tanto problema em pagar mais pelo frete. "Mas está em um momento em que a economia não favorece recomposição de nada, o contratante também precisa reduzir o custo, porque o mercado também caiu", explicou.

    Ele apontou ainda que um dos setores com frete mais defasado é o do agronegócio. "Há três anos, quem estava reclamando eram os embarcadores (contratantes) em Mato Grosso. O frete subiu 40% (na época) e tinha gente brincando que até médico estava comprando caminhão (para transportar grãos)", afirmou Valdivia, lembrando que as cotações das commodities agora estão mais baixas, afetadas por grande safras globais, incluindo do Brasil.
  • Mauricio.  27/02/2015 04:00
    E o pior de tudo, Leandro: como o financiamento dos caminhões foi de 8 anos, tem muito caminhoneiro quebrado, operando com prejuízo, mas que não pode parar senão perde o caminhão. Show de horror.
  • Elektrabuzz  27/02/2015 11:13
    Excelente artigo Leandro, parabéns pelos esclarecimentos, abraços!
  • Rodrigo Amado  27/02/2015 12:19
    Excelente análise Leandro!
    Apontando os fatos que ninguém da mídia esquerdista percebe.
  • Diego  27/02/2015 12:19
    Ivar Schmidt, líder do movimento, deu uma entrevista ontem (26/02/2015) e afirmou que o principal objetivo deles é o estabelecimento da tabela de fretes e que o movimento não tem intenção política (no sentido de derrubar a Dilma).

    https://soundcloud.com/rvox_org/midia-sem-mascara-vide-versus-ivar-schmidt-lider-dos-caminhoneiros-do-brasil-26022015
  • João  27/02/2015 12:48
    Foi como aqueles fiorinos com equipamentos pra fazer cachorro-quente, mas em grandes proporções. A saída é um em cada dez desistir e o frete sobe 10%, porém a conta quem paga é o consumidor final.
  • Hudson  27/02/2015 13:06
    Esse protesto vai terminar em aumento da gasolina pra subsidiar ainda mais o diesel.
  • Gustavo  27/02/2015 14:09
    Que venha logo a tecnologia dos caminhões robotizados, assim teremos redução de custos, redução de acidentes, caminhões trafegando a qualquer hora do dia e da noite. Aliás, num futuro próximo, todas as profissões envolvidas com o transporte, como os taxistas, motoristas de caminhão e ônibus, maquinistas de trens, tripulação de navios, pilotos de avião e helicóptero, estarão extintas.
  • Alexandre  27/02/2015 15:59
    Apoiado. E defendo que a lei deveria proibir que um mesmo motorista (seja contratado ou dono do caminhão) dirigisse por mais de X horas seguidas, sem o devido descanso. Sou a favor da liberdade. mas depois que um caminhoneiro que dormiu ao volante matar toda a minha família, não adianta ele (ou o seguro) me indenizar.
  • Dennis Weaver  27/02/2015 16:31
    Miopia se sua parte, Alexandre.  Ao agir assim, você acredita que caminhoneiros são homogeneamente iguais, quando na verdade eles são totalmente diferentes entre si em termos de experiência e produtividade. 

    Dado que a idade média de um caminhoneiro é de mais de 40 anos, a maioria deles tem experiência em saber quando exatamente precisam parar pra descansar. Não é Dilma, Mercadante ou Zé Eduardo Cardoso que podem determinar isso.

    No que mais, qualquer motorista experiente sabe que seu trabalho não é o típico trabalho comum, que vai das 9 ás 18h. Elas sabem que, para ter mais produtividade (e consequentemente reduzir os preços para os consumidores), eles preferem trabalhar a noite para não pegar o congestionamento das estradas.

    Logo, só o próprio motorista conhece seus limites, e não burocratas do governo, os quais não são capazes, nem sob as mais fictícias hipóteses, de salvar a vida de sua família.
  • Alexandre  27/02/2015 16:45
    Obrigado pela miopia. É muito produtivo, numa discussão, ofender o interlocutor. Dá mais credibilidade ao argumento.

    Ok, a maioria dos caminhoneiros sabem quando parar. Mas não seria interessante colocar um limite máximo? Se um caminhoneiro pertencente à minoria tomar rebite e matar uma família, como fica?

    O limite não seria estabelecido pela Dilma. Seria estabelecido pela sociedade, representada através do Congresso Nacional.
  • Bino  27/02/2015 17:35
    Deus do céu, miopia agora é ofensa?! Pára, vai...

    "Ok, a maioria dos caminhoneiros sabem quando parar. Mas não seria interessante colocar um limite máximo? Se um caminhoneiro pertencente à minoria tomar rebite e matar uma família, como fica?"

    E como um decreto estatal impediria isso de acontecer? É proibido matar, no entanto há homicídios a rodo.

    Essa crença de que basta fazer uma lei e tudo se resolve tem de acabar. A maioria das leis serve apenas para gerar receitas ao estado através de multas.

    "O limite não seria estabelecido pela Dilma. Seria estabelecido pela sociedade, representada através do Congresso Nacional."

    Só tenho a bocejar quanto a isso. Se você realmente acredita que a presidência e o congresso realmente são a encarnação do desejo do povo, manda um alô aí para a Dorothy e para o Homem de Lata.

    Aliás, se o congresso é a encarnação do povo, então nenhuma corrupção deveria ser crime, pois representa o desejo do povo. Sendo assim, da mesma forma que "o povo" quer leis contra caminhoneiros, "o povo" também quer passe livre pra corrupção.
  • Alexandre  27/02/2015 18:32
    Uma coisa é o estado não dever intervir, por princípio. Outra, não dever intervir por ser ineficiente ao intervir. As pessoas hão de concordar que há estados eficientes ao fazerem cumprir a lei. EUA, por exemplo, apesar de ser um país bastante liberal (eu sei, há controvérsias...), lá a lei é bastante cumprida. Talvez haja formas mais eficientes de fiscalização e law enforcement. Mas não é essa a questão. A questão é que alguma coisa tem que ser feita para evitar que se percam muitas vidas no transporte de cargas. Esse é um problema do estado.
    O estado foi a forma encontrada de tentar representar minimamente o desejo da população, mas ele está longe do ideal. O ideal seria que o estado não fosse necessário para esse tipo de coisa. Que houvesse outros mecanismos, mais eficientes. Talvez, no futuro, com o surgimento de DAOs, possamos evoluir para novos mecanismos para a solução desse e outros problemas.
  • Frota  28/02/2015 03:13
    "Uma coisa é o estado não dever intervir, por princípio. Outra, não dever intervir por ser ineficiente ao intervir"

    Além da intervenção do estado ser moralmente errada, para noooooooosa alegria, ela também é errada segundo o critério da eficiência. E isso ocorre porque o estado não é orientado pelo sistema de preços, o que leva sempre à má alocação de recursos escassos. Traduzindo para um português mais acessível, a gente tem birra do estado não é porque ele é mauzão, é porque também ele só sabe fazer merda.

    "As pessoas hão de concordar que há estados eficientes ao fazerem cumprir a lei. EUA, por exemplo..."

    Bem, se encontrar alguém que concorde com isso, peça para a pessoa se informar ou se internar, senão vejamos: www.nbcnews.com/id/28116857/ns/us_news-crime_and_courts/t/more-us-are-getting-away-murder/#.VPElXHzF9DY. É claro que esses números, comparados aos do Brasil, são um sonho, mas nem por isso os EUA merecem o epíteto de eficientes.

    "Mas não é essa a questão. A questão é que alguma coisa tem que ser feita para evitar que se percam muitas vidas no transporte de cargas. Esse é um problema do estado"

    Woah, hold your horses, buddy! Tem nada disso não, você está fazendo um salto muito grande. Se você realmente quer que se diminuam os problemas de mortes no transporte de cargas, que se tire então o estado completamente do setor de transportes e o deixe a cargo da iniciativa privada, a qual orienta suas alocações de recursos da forma mais eficiente possível, isto é, segundo o sistema de preços.

    "O estado foi a forma encontrada de tentar representar minimamente o desejo da população"

    Nope, foi uma forma imposta. Além disso, a população não tem desejo, pessoas têm desejos. Se você quiser uma população cujos desejos das pessoas que a compõem estejam ao menos minimamente representados, que se eliminem as forças arbitrárias que suprimem ou restringem as escolhas desses mesmos indivíduos. Como o estado é o principal poder arbitrário que faz essas travessuras, você já sabe o que deve ser feito com ele, não é?

    "O ideal seria que o estado não fosse necessário para esse tipo de coisa. Que houvesse outros mecanismos, mais eficientes"

    Ainda bem que, ao menos nesse ponto, temos à disposição um mundo ideal. Ou seja, o estado não é necessário para esse tipo de coisa e há mecanismos mais eficientes à disposição. O mecanismo mais eficiente se chama sistema de preços e é incompatível com o estado.

    Agora já dá para você saber qual é o negócio.
  • Alexandre Mota  27/02/2015 14:10
    Eu não sou de comentar os artigos que leio neste site diariamente.
    Mas tenho que render totais agradecimentos ao Leandro Roque, que sempre nos brinda com análises assertivas e pragmáticas, sem deixar de lado a profundidade teórica que o assunto merece.
    Muito obrigado, Leandro.
  • getúlio dealmino fava  27/02/2015 21:37
    Isto só acontece porque o nosso "governo" não trata as coisas num conjunto macroeconômico. Tudo são medidas populistas, consumistas e eleitoreiras, de impacto imediato, sem pensar nos reflexos paralelos a médio e a longo prazo. Meu pai foi caminhoneiro por quase 30 anos. Educou seus 5 filhos. Suando muito, conseguiu comprar e pagar 3 FNMs, que depois trocou por duas carretas Scania. Aposentou-se pelo teto máximo em 1980. Ao falecer em 2000, percebia por volta de 3 SMs( mas isso é outra senvergonice). Eu pergunto: qual o caminhoneiro( autônomo) que hoje consegue fazer isso?
    Abs, Getúlio Dealmino Fava, economista
  • Silvio  28/02/2015 02:09
    "nosso "governo" não trata as coisas num conjunto macroeconômico"

    Antes de mais nada, bonito relato. É realmente tocante saber da história de um homem que conseguiu ser bem sucedido na vida apesar (e não por causa) do estado.

    Posto isso, vamos ao ponto. O problema é justamente o oposto, ou seja, o governo trata tudo "num conjunto macroeconômico". Nosso governo não quer nem saber do indivíduo, este é absolutamente descartável. Tudo o que importa para o governo são os malditos "agregados macroeconômicos". É a porcaria do PIB pra cá, é a droga da balança comercial pra lá, é o lixo do superávit primário aqui, é a nojeira da taxa de desemprego acolá. E por aí vai, sendo o indivíduo continuamente esmagado em prol desse fetichismo por números cabalísticos.

    Ah, mas não era exatamente isso que você queria dizer. Você queria dizer que nosso governo não pensa no "big picture", na coisa toda, nos objetivos de longo prazo. Mas isso não é muito acertado, ainda mais se pensarmos numa certa estrela vermelha. Eles pensam psicoticamente na totalidade, nos objetivos de longo prazo. Eles pensam tão grande e tão a longo prazo que nos esquecemos de vez em quando o que querem de fato. Não se engane, se há pessoas que pensam "num conjunto macroeconômico" são os totalitários.

    Por fim, honre a memória de seu pai e seje hômi, não um boneco repetidor de frases feitas, que apenas servem para angariar a aprovação fácil, irrefletida e volátil da turba.
  • Juliana  27/02/2015 22:31
    Não se vê por aí uma análise que seja feita a partir do propósito de investigar e divulgar a raiz das causas dessa greve dos caminhoneiros – e que é também a mesma de tanto outros problemas. Pior que isso, é que ainda não se vê nem sinal de pelo menos uma discussão sobre repensar o crédito subsidiado, o endividamento do governo e a inflação monetária; só medidas paliativas. Mas espero que esta seja a razão de estarmos aqui.

    Não tem a menor importância, mas Alto Paranaíba não é precisamente Triângulo Mineiro. Em todo caso (emancipação, independência, secessão, etc.), sim, aceitamos. Ficamos com ele.

    E, claro, parabéns ao autor pela iniciativa e pela excelente forma com que (sempre) apresenta e esclarece a questão. Se fosse a primeira vez que eu estivesse lendo um artigo daqui, ficaria encantada.

    Abraços!
  • anônimo  27/02/2015 23:41
    Tem algo mais nessa questão do preço do frete. Eles querem que o governo federal faça uma planilha nacional (tabela) sobre os custos do setor. Coisa que eu acho que as entidades ligados ao setor — associações e federações de caminhoneiros e transportadores — deveria fazer (não sei se já não fazem). O que vai aumentar a intervenção estatal no setor. Ou seja, eles não aprenderam a lição.
  • Antonio  28/02/2015 00:10
    No meu humilde entendimento, bancos criam dinheiro do nada apenas em cima de uma base monetária previamente criada do nada pelo banco central. Assim, se o banco compra um título novo do gov, mas este nunca é comprado pelo banco central, não houve dinheiro novo criado a priori. A não ser que assumamos que o banco não tenha nenhuma outra alternativa para o seu excesso de reservas na sua conta no banco central. Creio que isso no Brasil é meio difícil de ocorrer, pois os bancos sempre podem fazer algum empréstimo ou investimento com o dinheiro excedente do compulsório. Em realidade, quem efetivamente cria dinheiro do nada é o banco central, que, ao comprar um título, aumenta a base monetária, a qual, por sua, vez pode ser multiplicada pelos bancos. No entanto, se zero dinheiro é criado do nada pelo banco central, os bancos vão criar zero dinheiro novo, pois o múltiplo de zero é zero. Os bancos apenas multiplicam o dinheiro criado pelo banco central. Talvez o correto fosse dizer que os bancos podem multiplicar o dinheiro criado do nada belo banco central. No caso dos EUA atualmente, os bancos não tem multiplicado o dinheiro criado do nada pelo FED, e o excesso de reservas se acumula, deixando o M0 > M1. Não creio que esta situação tenha jamais acontecido no Brasil, ao menos por tempo considerável.
  • Leandro  28/02/2015 01:07
    "No meu humilde entendimento, bancos criam dinheiro do nada apenas em cima de uma base monetária previamente criada do nada pelo banco central."

    Errado. E essa é uma confusão extremamente comum, muito difundida pelos livros-textos de macroeconomia.

    A verdade é que o evento ocorre de maneira inversa: primeiro os bancos criam crédito, e depois, só depois, eles vão atrás do dinheiro para lastrear esse crédito.

    Em outras palavras, primeiro os bancos criam dígitos e emprestam; depois, só depois, eles vão ao Banco Central (ou ao mercado interbancário) pegar fundos para compor suas reservas.

    E não precisa acreditar em mim, não. Pode ir direto a uma fonte nada suspeita: o BC da Inglaterra. Nessa monografia feita para o público leigo (a qual eu fortemente recomendo, pois é extremamente esclarecedora sobre o sistema bancário), o BC inglês explica exatamente como funciona esse mecanismo, e explica por que o BC -- ao contrário do que muita gente pensa -- não tem como controlar a quantidade de dinheiro na economia.

    Em termos puramente didáticos, não faz muita diferença dizer que primeiro o BC cria dinheiro e então, só então, os bancos emprestam. Afinal, os efeitos finais são os mesmos.

    No entanto, em termos práticos, faz toda a diferença.

    O modelo-padrão dos livros-textos leva a entender que os bancos esperam passivamente por depósitos de seus correntistas para então, só então, começar a emprestar. Isso é falso. Não é assim que os bancos operam. No mundo real, os bancos criam crédito -- e, nesse processo, criam depósitos -- e então, só então, vão buscar reservas.

    Primeiro vem os empréstimos -- que criam depósitos -- e depois, só depois, vêm as reservas.

    Imagine esse cenário: o Banco A está com exatos $10.000 em suas reservas bancárias, e há exatamente $100.000 nas contas-correntes, e o compulsório é de $10%.

    Nesse cenário, ele já está no limite máximo permitido.

    Aí, um correntista vai a uma loja e passa um cartão de crédito desse banco no valor de, por exemplo, $500. Ato contínuo, o Banco A vai perder reservas de $500 (os quais vão parar no banco em que o dono da loja tem conta). Consequentemente, o Banco A ficará agora com $9.500 em suas reservas, mas continua com $100.000 nas contas-correntes.

    Se levarmos ao pé da letra o que diz os livros-textos -- os bancos só emprestam após o BC ter lhe dado reservas --, então o essa transação acima teria sido impossível. O cartão de crédito do cidadão seria recusado pelo motivo de "insuficientes reservas bancárias do Banco A junto ao Banco Central".

    Agora, vamos um ponto adiante. E se todos os bancos estiverem nessa mesma situação do Banco A? Pela lógica dos livros-textos, todas as transações seriam congeladas.

    Eu realmente sugiro a leitura da monografia do BC da Inglaterra linkada logo acima. É bem esclarecedora.
  • juliano   28/02/2015 00:18

    leandro
    você acha que o governo vai tomar alguma medida para mudar essa situação a curto prazo?
  • Leandro  28/02/2015 01:08
    No diesel ele não vai mexer. Na Lei do Descanso, acho que ele vai fazer o que os caminhoneiros quiserem. Também é muito provável que irá estender os prazos de quitação das dívidas dos caminhoneiros junto ao BNDES.

    Agora, o que seria realmente pavoroso é ele inventar de tabelar os preços dos fretes. Aí é um abraço.
  • Gelson Linck  28/02/2015 12:19
    Ótimo texto. Vale lembrar que a intenção do governo quando baixou as taxas juros para financiamento não foi pra ajudar os transportadores mas pra se livrar da pressão das montadoras que estavam com os pátios abarrotados de caminhões e com previsão de demitir muitos funcionários caso as vendas não reagissem.
  • patricio   01/03/2015 02:20
    Ou seja, tudo este governo faz de improviso e tudo a custa de inflação monetária.
    Engraçado que isto já foi tentado na década de 80 com consequências trágicas.
    Isto que dá não conhecer a própria estória.
  • Leonardo F.  28/02/2015 22:59
    Texto Magnifico. Parabéns ao Leandro que consegue sempre demonstrar com exemplos práticos a situação pós intervenção governamental.
  • Nill  01/03/2015 03:20
    "E os caminhoneiros pensaram que aquilo seria bom para eles" Ótima análise Leandro.
    Mas ! Não seria melhor a frase :"E os brasileiros pensaram que aquilo seria bom para eles" Vou explicar porque a frase "E os brasileiros pensaram que aquilo seria bom para eles" seria melhor. Sou um velho descontente e opositor com os governos de Lula,Dilma até FHC. Todos governos esquerdistas. E não é por razões financeiras (não estou levando prejuízos financeiros por causa do Governo)mas,por razões ideológicas,morais e até religiosas.
    Sou um cristão protestante conservador abomino este Governo de Dilma (Lula,FHC também)por apoiarem o aborto,aceitação do homossexualismo,legalização de drogas,serem contra a Família,o Estado de Israel,desprezarem o Cristianismo,a Democracia,a Liberdade,etc,etc.
    Mas ! Reconheço a vasta maioria do povo brasileiro não é descontente ou abomina os governos de Lula ou Dilma,pelo contrario Lula e Dilma até recentemente e por anos a fio gozaram de alta popularidade. Dilma ganhou uma eleição recentemente. E vasta maioria do povo não se importa com questões morais e valores,não estão nem aí se o Governo apoia aborto ,homossexualismo,apoia ditaduras,etc,etc. Para eles este é um Governo que protege e ajuda os pobres,contra os ricos,populismo puro,simples assim.
    Ai ! cai bem a frase :"E os brasileiros pensaram que aquilo seria bom para eles" Pensaram que o corrupto governo esquerdista petista seria bom para eles. Na verdade os caminhoneiros só estão revoltados com o Governo porque estão se lascando,se ferrando,se danando,entrando pelo cano por causa do Governo. E este é o destino dos brasileiros em geral. INSATISFAÇÃO GERAL.
    Como disse um comentarista:" Não suspeitam tais personagens que estão armando uma bomba. Nem conhecem,também, a história universal, e, por isso, não mostram temor algum sobre o processo crescente de INSATISFAÇÃO que estão alegre e inocentemente promovendo." Traduzindo no popular a revolta dos caminhoneiros é apenas uma BOMBA DE INSATISFAÇÃO que estourou, na medida que mais gente(brasileiros) forem se lascando,se ferrando,se danando por causa do imprestável,incompetente,perverso,corrupto Governo que o Brasil tem. Mais e mais bombas de insatisfação explodiram. Como diz a frase : " E os brasileiros pensaram que aquilo seria bom para eles " Mas ! Agora depois de longos anos finalmente estão levando na cabeça o que é bão pra tosse. Na história não falta exemplo de povos que "levam na cabeça" por causa de maus governos e governantes.
  • PauloH  01/03/2015 18:24
    Ahh que esses episódios me geraram raiva com as opiniões ignorantes sobre os preços nos postos.

    Todo mundo reclamando que alguns postos elevaram os preços por não estarem recebendo reabastecimento e que o consumidor deveria "reclamar com o procon"; cometi o erro de tentar explicar o que raios essa elevação dos preços fazem para evitar que o combustível acabe e a racionalização dele aumente.. Mas nada, as pessoas só olham "ganancia" naquilo que é pura lei de oferta e demanda. Acham que é "crime'' cobrar mais por algo mais escasso, e que é dever do estado impedir essa "exploração"..

    Pois é, até a falta de água em São Paulo pode ser explicada pelo congelamento de preços. O Brasileiro médio é ignorante em economia, e mesmo assim ele não se sente inibido em implorar medidas aos estados. Com sua mão de ferro, como se por um decreto a gravidade estivesse anulada. E pulamos assim rumo ao abismo, achando que estamos voando e em segurança, graças a uma lei de congelamento. Até que o chão duro chega.




  • fernando  01/03/2015 19:29
    É cilada Bino !

    Agora só chamando o Pedro e Bino da Globo.

    O fato é que o disel subiu, os pedágios controlados pelo governo são caros, as estradas sem pedágios são esburacadas, a inflação está corroendo o salário dos caminhoneiros, etc.

    Agora só chamando o Pedro e Bino !
  • Dam HerzoG  01/03/2015 22:46
    Os caminhoneiros estão equivocados em seus objetivos. Primeiro eles reclamam para o estado. O estado é tudo de ruim que está ai e muito mais. Ao apelar para o estado já estão de antemão se sujeitando ao estado, numa posição submissão. O objetivo atual seria pedir menos estado, menos interferência do estado em seus negócios. Negociar com ladrão que é o que o estado é, perdendo aos poucos a liberdade que já é pouca. Eles deveriam fechar as estradas contra a interferência do governo em seus negócios. O caminhoneiro trabalha para prover sua família não para ser assistente social de muitos vagabundos que não trabalham e vivem as custas do governo, acrescentando os parasitas do serviço publico é um fardo imenso na maioria da população. Existe até programa para ajudar economicamente aos travestis. Um absurdo. Todos são iguais perante a lei. Além disso o procurador do governo Sr Lula da Silva e a presidanta Dilma, dizem que nada sabiam, sobre a corrupção na Petrobrás (desestizaçao já), mas deveria saber. No estagio atual, deveríamos ter um mandato único e que não poderia ser repetido, proibida a reeleição em qualquer tempo, retirada de todas a imunidades dos membros do governo, todos os ativos do governo divididos e devolver a população que criou tudo. Dividindo as riquesas do estado (que pertence ao povo) entre população. Cada Cidadão brasileiro teria direito a uma ação correspondente a 1/200.000.000 de todos os bens do governo. O governo não poderia ter nenhum bem. Colocar na Contituição o principio da não agressão, proibindo o governo de interferir no direito as pessoas a liberdade. Definir liberdade na constituição e lei como conjunto de normas justas iguais para todos válidas em qualquer prospetivas no tempo e no espaço...até chegarmos ao anarco capitalismo. O Estado nunca vai melhorar. Só o individuo sabe o que é bom para ele.
  • DM  02/03/2015 01:18
    Leandro,

    Parabéns para texto

    Massssss...

    Como de costume, volto a focar que os tópicos aqui sofrem de "Amadorismo Político"

    Pergunto:

    E as montadoras parecem ser santas, esquece de enfatizar os lobistas do setor que atuam há muito tempo.

    Qual caminhoneiro não quer um Truck novinho em folha pagando juros baixos?

    Lula, gênio político, operário obviamente queria fomentar o setor e fazer girar a cadeia. Eu lembro bem nesse período que FORD no Interior do Rio, (Penedo, eu acho) contratava gente a rodo. Não é a toa que o PT está há 12 anos no poder...

    Montadoras sempre arrumam uma chantagem contra os Governos. Acompanhe a greve da GM em São José dos Campos - SP . (www.ovale.com.br). "Se não vender carro, vamos demitir".

    Lei do descanso: Qual trabalhador que não quer melhoria para categoria. Do jeito que escrevem aqui, melhor é colocar a criançada para dirijir o Truck e aumentar a produtividade.

    Qual empresário não quer um frete barato, parasse até piada o texto "criminalizando" a queda dos fretes...

    Enfim, texto bem tendencioso que desconsidera a realidade do jogo Governo x Montadoras.


  • Leandro  02/03/2015 12:09
    "E as montadoras parecem ser santas, esquece de enfatizar os lobistas do setor que atuam há muito tempo."

    Esse certamente é o primeiro artigo que você lê neste site. Só isso pode explicar a sua absurda acusação de que as montadoras ganham passe livre aqui...

    Não há um único artigo que fale sobre tarifas de importação e sobre cartéis protegidos pelo governo que não mencione as montadoras e os privilégios que ganham do governo. E isso vale tanto para artigos quanto para podcasts.

    Alguns exemplos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1272
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1320
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1027
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1876
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1900
    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=284
    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=335

    Mais cuidado em suas generalizações.

    "Qual caminhoneiro não quer um Truck novinho em folha pagando juros baixos?"

    Qual ser humano não quer algo novinho e baratinho? O artigo em momento algum faz qualquer juízo de valor a respeito desse desejo humano natural. O artigo limitou-se apenas a explicar as consequências não-premeditadas de determinadas políticas.

    "Lula, gênio político, operário obviamente queria fomentar o setor e fazer girar a cadeia. Eu lembro bem nesse período que FORD no Interior do Rio, (Penedo, eu acho) contratava gente a rodo. Não é a toa que o PT está há 12 anos no poder..."

    A cadeia girou. E agora parou. E era inevitável que isso acontecesse. Mas, segundo você, explicar os mecanismos por trás dessa cadeia configura "amadorismo político". Ok.

    "Montadoras sempre arrumam uma chantagem contra os Governos. Acompanhe a greve da GM em São José dos Campos - SP . (www.ovale.com.br). "Se não vender carro, vamos demitir"."

    Remeto-lhe novamente aos links acima indicados. Montadoras não têm passe livre neste site, e estão entre os setores mais severamente criticados por nós.

    "Lei do descanso: Qual trabalhador que não quer melhoria para categoria. Do jeito que escrevem aqui, melhor é colocar a criançada para dirijir o Truck e aumentar a produtividade."

    O gozado é que eu, em momento algum, opinei sobre essa lei. Apenas transcrevi a opinião dos próprios caminhoneiros sobre ela. Pelo visto, há gente com dificuldade de leitura.

    "Qual empresário não quer um frete barato, parasse até piada o texto "criminalizando" a queda dos fretes..."

    Criminalizando?! Aponte isso, por favor. O texto se limita a explicar por que os fretes caíram e por que isso está afetando o setor. Não houve qualquer juízo de valor a respeito da queda de preços (um fenômeno fervorosamente defendido por este site, diga-se de passagem).

    "Enfim, texto bem tendencioso que desconsidera a realidade do jogo Governo x Montadoras."

    Qual foi a "tendenciosidade"? Pode falar. Mas tem de substanciar suas afirmativas. Até agora, você apenas provou que não sabe interpretar o que lê.

    Seja menos afoito em sua próxima crítica. Antes, certifique-se de que ela procede
  • ROBERTO NATALINO FERREIRA DA SILVA  02/03/2015 01:25
    Leandro Roque..sera que essa situação de aquisição fácil de caminhões com um trágico, vai se estender para automóveis?
  • Leandro  02/03/2015 12:33
    Ué, já houve e já acabou.

    Houve uma época -- entre 2007 e 2012 -- que era possível comprar carros a 99 prestações. Agora, com o encarecimento do crédito, acabou a farra. E aumentaram o endividamento e os calotes. E as montadoras entraram em recessão.
  • Nelson  02/03/2015 04:21
    Analise perfeita... Mas faltou mencionar que o pró caminhoneiro foi alardeado como uma ferramenta para o profissional autônomo, mas o que realmente aconteceu foi que pequenas médias e grandes transportadoras foram as mais beneficiadas. Enquanto alguns poucos caminhoneiros autônomos conseguiram financiar 1 (um) caminhão, empresários financiavam 100, 200 ou 1000 caminhões pelo mesmo sistema pró caminhoneiro.
    Na prática seria como se construtoras comprassem de uma vez todas as casas do programa Minha Casa, Minha Vida a juros baixíssimos...
  • Leandro  02/03/2015 12:11
    Trata-se de um programa que está sob total controle do governo. Se houve tal logro, então eis aí o responsável.
  • Blah  02/03/2015 14:40
    Faz sentido. A burocracia envolvida nesses financiamentos é colossal. Um cidadão tem dificuldades extremas para conseguir levantar todos os documentos e passar por todo o rito burocrático envolvido. Já uma empresa tem mais facilidade para conseguir centenas de financiamentos ao mesmo tempo pois pode alocar equipes inteiras nisso.

    O problema é que o crédito farto é uma sinalização de que há grande quantidade de recursos disponíveis e poupança volumosa. Sinalização que, obviamente, era completamente falsa. Não havia tantos recursos assim e não havia poupança: os recursos estavam sendo criados através de emissão de títulos e muita contabilidade criativa. Seria necessário um crescimento econômico incrível para sustentar esse programa. E crescimento econômico genuíno nunca foi resultado de gastos e contabilidade para trouxa.

    Isso não aconteceu só com o Procaminhoneiro. O segundo governo Lula começou essa farra, que só foi possível no início graças a um cenário favorável e uma política econômica minimamente sã do primeiro governo Lula. Depois a coisa começou a degringolar. Como toda farra de recursos baseados em endividamento e manipulação de números e estatísticas, uma hora a conta tinha que chegar. Está chegando, e ainda não chegou de verdade.
  • Marcos  02/03/2015 14:11
    Há ainda uma outra consequência grave para a intervenção governamental: a distorção de uso dos modais de transporte. Com os incentivos para o setor rodoviário, cargas que poderiam ser transportadas em outros modais com maior eficiência acabam tomando o caminho das rodovias, graças as medidas governamentais. Uma empresa ferroviária, por exemplo, precisa pagar parte do subsídio ao diesel e do financiamento a compra de caminhões por meio de impostos. Ou seja, acaba sendo obrigada a transferir dinheiro para seus concorrentes.

    O único modo de ter um setor de transporte racional e eficiente é permitindo a igualdade de condições entre os modais. Enquanto o governo privilegiar determinados tipos de combustível ou conceder linhas de créditos específicas, o resultado será apenas a ineficiência, que aparece no encarecimento do frete ou na piora das condições de trabalho em algum setor.
  • DM  02/03/2015 23:35
    Leandro

    Bom, mas o caminhoneiro que quer um Truck novo, espera e VOTA numa legenda que vá beneficiá-lo. Logo ele quer uma política que o favorece. Você diz que a intervenção estatal está resultando numa ressaca mas o caminhoneiro quer um GOV que ajude ele de alguma forma... Então mesmo com essa ressaca ele vai continuar qrendo intervenções.
    Ai você via dizer, "mais intervenções somente gerará mais intervenções". Porém o cidadão quere ver o governo trabalhando. Como se fosse um técnico de futebol gritando com o time, por isso que o PT está 12 anos e vai ficar 16 anos no poder.

    -----


  • Denise  04/03/2015 20:00
    Leandro, parabéns, mais uma vez um belo texto.
    Você gosta de podcast? Tem um ótimo chamado "mamilos". É apresentado por duas mulheres muito inteligentes.
    Num programa a pauta foi o atual problema dos caminhoneiros, e a âncora gostaria muito de trazer mais assuntos onde a economia e o livre mercado podem esclarecer. Se tiver oportunidade de nos ajudar com seus conhecimentos, nós ouvintes ficaríamos agradecidas. Segue o email se tiver interesse : mamilos@brainstorm9.com.br
  • Deilton  05/03/2015 18:32
    Interessante essa análise: ricardogallo.ig.com.br/index.php/2015/03/03/muito-caminhao-para-pouco-pib/

    Corrobora o que diz neste artigo.
  • Eduardo  08/03/2015 18:37
    Leandro, como você explica que as outras distribuidoras (Shell, Texaco, Esso, Ipiranga, Castrol, Agip) não ofereçam preços menores que a BR importando barato enquanto a Petrobras tem alto custo de produção? Mesmo se admitirmos que os impostos de importação não permitiam um preço menor que o da BR _antes_ da queda do preço do petróleo, certamente agora elas poderiam importar e tomar o mercado da BR praticando preços menores que ela. Segundo o raciocínio de outros artigos desse site, um cartel nesse cenário seria instável, mas parece que vemos justamente o contrário.
  • Guilherme  08/03/2015 20:05
  • Alexandre  08/03/2015 21:25
    Obrigado pela informação. Mas discordo da sua colocação "informe-se minimamente". Você não é ninguém para dar ordens para outras pessoas. O post do colega foi uma pergunta. Uma pergunta, se for pertinente ao assunto, sempre colabora com a discussão. A sua resposta só ocorreu porque o colega fez a pergunta. Não é contrário ao espírito de um forum criticar um post, mas é contrário se criticar a atitude de postar.
  • Eduardo  12/03/2015 04:10
    O artigo fala da dificuldade em uma empresa entrar aqui. Porém, temos distribuidoras já instaladas (citei pelo menos cinco).

    - A gasolina BR, produzida no Brasil pela Petrobrás, detentora do monopólio de _produção_, custava R$3 antes da queda dos preços internacionais do petróleo, enquanto a Shell importada custava R$3.50 depois de passar pelos impostos (ambos apenas um exemplo)

    - Hoje, a gasolina BR passou a custar R$4, pois reverteu as perdas para o mercado interno. Por outro lado, a Shell pode agora, acrescidos impostos, vender gasolina _importada_ a R$3, pois o preço do petróleo internacional diminuiu (novamente, exemplos).

    Por que ela não o faz? Mesmo que as diferenças, no mundo real, sejam de R$0.15 ou R$0.25, isso já faz toda diferença na hora de atrair o consumidor. Seguindo a lógica de um artigo sobre monopólios, seria essa a tendência...
  • Campos  12/03/2015 11:26
    De nada adianta ter cinco distribuidoras se todas elas são obrigadas a comprar da mesma fonte produtora, que é a Petrobras. Se a Perrobras detém o monopólio da produção e da venda, e estipula o preço que o governo manda, como você quer que os preços sejas diferentes?

    De resto, não entendi esse seu exemplo numérico. Você está dizendo que viu um posto de outra bandeira vender gasolina mais cara que um posto da Petrobras? Nossa, é o fim da livre iniciativa! Meu caro, o preço da gasolina nos postos depende de inúmeros fatores, a começar pelo preço do aluguel. Um posto em um bairro mais elegante vai ter uma gasolina mais cara que um posto em um bairro pobre.

    Agora, aqui na cidade em que moro, no interior de MG, há um posto sem bandeira que vende gasolina confiável (sempre abasteço nele) a um preço bem abaixo dos preços cobrados pelos dois principais postos da Petrobras na cidade.

    Sabe o que isso significa? Exato, nada.
  • fernando  09/03/2015 00:12
    IMB, por que esse ajuste fiscal com aumento de impostos, se o governo possui 370 bilhões de dólares em reservas cambiais ?

    Esse ajuste de 100 bilhões de reais do governo, poderia ser realizado com a venda de reservas cambiais.

    Hoje, vendendo 33 bilhões de dólares da reserva, seria possível fazer todo o ajuste fiscal sem danos à população.

    Esse ajuste fiscal está claro que é para segurar o dólar acima de 3 reais.

    Além disso, a venda das reservas vai dar muito lucro ao governo, porque eles compraram os dólares por um preço muito mais baixo.

    Enfim, as reservas cambiais são para momentos de crise e devem ser usadas nesse momento que estamos vivendo.
  • Leandro  09/03/2015 00:52
    Não é tão simples assim.

    Em primeiro lugar, os dólares (na verdade, títulos do Tesouro americano) pertencem ao Banco Central brasileiro. Sendo assim, a eventual venda desses títulos públicos americanos pelo BC brasileiro configuraria apenas uma transferência de dinheiro dos bancos para o BC. E os BC, por uma questão de estatuto, não pode simplesmente transferir esse dinheiro arrecadado para o Tesouro.

    Ou seja, na prática, a venda de dólares (na verdade, títulos do Tesouro americano) pelo BC brasileiro não irá gerar dinheiro para o Tesouro brasileiro. O dinheiro irá todo para o Banco Central do Brasil, que não pode repassar esse dinheiro para o Tesouro (e ainda bem, pois, quando podia -- como na década de 1980 -- houve hiperinflação).

    O BC só pode repassar dinheiro para o Tesouro se, ao final do ano fiscal, ele apresentar lucro operacional. Uma fatia desse lucro, descontados os custos necessários para a manutenção do BC, é repassado para o Tesouro, e aí sim poderia ajudar no ajuste fiscal.
  • Enrico  09/03/2015 17:22
    Leandro, falando em reservas, o BACEN pode trocar um título do tesouro americano por um título de ouro comprando-o no mercado ou apenas através de uma operação de mercado aberto, criando moeda?
  • Leandro  09/03/2015 18:01
    Ele pode utilizar os dólares para comprar ouro no mercado internacional. Sem problema nenhum. Aliás, é justamente isso que defendo: o BC usar suas reservas para lastrear o real em ouro, e em seguida ser transformado em um Currency Board.

    Mas isso exige um artigo detalhado para explicar como funcionaria esse mecanismo.
  • Eliana Figueiredo  09/03/2015 14:37
    Bom dia!Por favor, comente a entrevista dada à Veja pelo ministro do desenvolvimento Armando Monteiro.
    veja.abril.com.br/multimidia/video/os-ajustes-economicos-nao-vao-sucumbir-ao-pessimismo-diz-ministro-do-desenvolvimento
  • Leandro  09/03/2015 16:25
    Ele simplesmente repete as mesmas cansativas e surradas bobagens de sempre, o que realmente comprova que essa gente jura que somos um bando de desinformados e imbecis.

    Segundo ele, repetindo o mantra de sempre, o que atrapalhou a indústria foi o tal "câmbio valorizado", um fantasma que é ainda mais fictício do que ministro competente no governo Dilma. Foi justamente durante o período desse suposto "câmbio valorizado", de 2005 a 2011, que a indústria mais cresceu, e foi justamente durante o período da forte depreciação cambial, de 2012 até hoje, que a indústria mais encolheu.

    Ou seja, uma simples análise empírica refuta totalmente a afirmação do ministro. Por isso eu digo que essa gente jura que somos otários, imbecis e ignorantes.

    Sobre os efeitos do câmbio, sugiro estes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2018

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2033

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1441

    Sobre o que realmente causa a desindustrialização no Brasil, veja este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1918
  • Justo Como Dedo N'agua  10/03/2015 02:18
    Didático artigo, Leandro.
    Parabéns e obrigado pela clareza e riqueza de dados.
    Existe um setor onde a maioria dos financiados não paga as parcelas dos BNDES faz tempo e somente vão prorrogando para o final do contrato por qualquer problema que surge: máquinas agrícolas.
    Talvez esteja no momento de fazer um artigo sobre este setor extremamente subsidiado e intervencionista. Seria uma forma de provar, de forma antecipada, porque nós, libertários, respeitamos e acreditamos no mercado livre e independente.
  • Rodrigo  10/03/2015 17:55

    Leandro,

    Você tem sempre batido na tecla do quanto é ruim ter uma moeda desvalorizada.

    Com a grande desvalorização do real nos últimos dias, temos uma confirmação de que os piores cenários previstos para 2015 irão se realizar, certo?

    PS: Não que houvesse dúvida de que 2015 seria ruim, mas parece que o ritmo das coisas está superando até mesmo os cenários mais pessimistas.
  • Emerson Luis  18/03/2015 16:50

    Algumas concessões do governo à custa de todos eles conseguiram.

    Brasileiros costumam reclamar das consequências do estatismo, mas pensar que a solução é ainda mais estatismo.

    * * *
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  25/03/2015 21:40
    A conta que o governo brasileiro está deixando para o povo pagar será enorme e os custos psicológicos serão incalculáveis. O estado deve ser extinto o quanto antes.
  • Roberto Ferreira  13/09/2015 06:16
    Leandro, parabéns, muito bom o texto "... E os caminhoneiros pensaram que aquilo seria bom para eles" Concordo plenamente, na realidade estamos todos 'enrolados' por acreditar num Deus chamado Estado. Sou motorista carreteiro desde piquinininho, celetista ate 2005. Em 2006 tomei uma dose de coragem e comprei um cavalo mecânico ano 95 e uma carreta 2004. Foram 36 prestações bem pesadas, fora uma poupança que foi consumida com a entrada e as primeiras manutenções. Realmente é um mundo novo, totalmente diferente do celetista que vivi por longos anos, mas é muito mais interessante, adorei a liberdade para trabalhar, sem destino(não é aquele filme de 69 com o Jack Nicholson e o Peter Fonda), quero dizer, o destino era o dindin, quem pagava mais eu corria atrás. Uma das coisas que mais me atrai nesse ramo é exatamente a lei da oferta e procura. Vivemos isso todos os dias, precisamos baixar custos e aumentar rendimentos como qualquer empresa. Mas, estou escrevendo pra relatar uma decisão tomada antes dessa crise toda, quando foi liberado esse financiamento chamado 'pro caminhoneiro'. Acreditei que seria um bom momento pra atualizar o bruto mas, quando percebi que quase todos os meus colegas estavam entrando no esquema comecei a pensar num tal 'efeito manada' e cheguei a conclusão que esse troço ia dar m*rda por alguns detalhes: todo mundo de caminhão novo, prestação alta, especialistas falando em inflação represada, desindustrialização acelerada, etc, etc. Fiquei com um pé atrás, desisti da troca, fique com o meu bruto velho e como se dizia lá no interior, é véi mais tá pago. Hoje estou sofrendo os mesmos problemas que todos os caminhoneiros sofrem, só que não devo nada pra banco algum, tenho as despesas normais de um caminhão já bastante usado, porem, vivo bem tranquilo em ralação aos meus colegas que meteram a cara num financiamento de longo prazo. Troncando em miúdos: escapei desse furacão. Continuando a história, enquanto essa 'lei do caminhoneiro' não estava em vigor, consegui juntar um patrimoniozinho bem legal, antes, tinha um terreninho e o sonho de construir uma casinha, hoje tenho alguns terrenos e uma tremenda casa(com aquecimento solar e sistema grid tie e também com coleta de agua de chuva com um tanque de 70 metros cúbicos), um carrão que nunca imaginei possuir sem dever nem obrigação a ninguém... Tudo bem que trabalhava umas 20 horas por dia sete dias por semana e 360 dias no ano, sem acidentes e sem prejudicar a saúde(digo, sem ribite). Mas agora, tudo mudou , acabou a farra, não dá mais pra trabalhar tanto, a renda caiu muito e passamos mais tempo parado descansando do que trabalhando, enfim, vou mudar de ramo...
  • Leandro  13/09/2015 11:58
    Prezado Roberto, parabéns pela postura e pela presciência. Se mais pessoas também fossem dotadas dessa sua capacidade de discernimento, as agruras por que elas passam hoje certamente seriam bem menores.

    Obrigado pelo depoimento e muita força na atual fase da sua vida.

    Grande abraço!
  • Felipe Lange  24/05/2018 04:23
    E hoje, 24 de maio de 2018, outra greve de caminhoneiros com reivindicações parecidas. Realmente algumas coincidências.
  • Marcelo  24/05/2018 04:27
    Impressionante como esse artigo continua atual.
  • EDUARDO VIEIRA SABINO  24/05/2018 14:48
    Os caminhoneiros NÃO estão em GREVE, estão em uma PARALISAÇÃO. Não confunda um ato patriótico com ato ideológico.
  • Pobre Paulista  24/05/2018 15:37
    Grande coisa. Parar de trabalhar é coisa de vagabundo, chame isso de greve, de paralisação, manifestação ou o escambau.
  • Andre  24/05/2018 16:02
    E trabalhar pra sustentar bandido é cumplicidade.
  • Felipe Lange S. B. S.  24/05/2018 21:42
    Você é contra as greves Pobre Paulista?
  • Pobre Paulista  28/05/2018 12:55
    Sou contra pessoas que param de trabalhar e se unem para ameaçar e/ou praticar violência contra aqueles que estão pacificamente tentando criar valor para a sociedade. Tanto faz o nome que se dá a isso.
  • thiago  28/05/2018 14:32
    estão bloqueando refinarias, isso é paralisação patriótica?
  • Intruso  25/05/2018 19:04
    Um texto perfeito como esse deveria estampar a primeira página dos jornais mais importantes do Brasil.
  • 4lex5andro  28/05/2018 13:58
    Que é legítima essa greve [ou paralisação] não há dúvidas;

    O problema é que tudo voltará como era antes após uma solução dada pelo governo que implicará em repasse de impostos/tributos para os outros segmentos da sociedade, justamente os que não são "organizados" ou não fazem greve.

    Por exemplo, o rebaixamento em $ 0,46 no litro do diesel, sem uma garantia de que pelo menos parte dessa redução chegue também aos preços da gasolina e do etanol, no DF os últimos abastecimentos de gasolina já estão com aumento de preços..
  • Rogério   26/05/2018 01:37
    Li o artigo e achei estranho os gráficos pararem em 2015, somente ao ler os comentários contendo "presidenta" que fui verificar a data da postagem. Impressionante como continua atual esse artigo, será que teremos mas um repeteco em 3 anos após a engabelada desse governo?
  • cmr  29/05/2018 15:56
    E como sempre no Brasil, eles ficam insatisfeitos e saem por aí fechando estradas, apedrejando quem quer trabalhar, e está tudo certo.

    Eles tem todo o direito que não tirar o caminhão da garagem, mas bloquear estradas e apedrejar quem quer trabalhar ?.
  • Karina Nunes  29/05/2018 19:06
    Texto esclarecedor.
  • Rafa  01/06/2018 14:02
    Não entendi direito como funciona o financiamento do BNDES via endividamento do Tesouro. Alguém pode me explicar melhor isso?
  • Carlos  01/06/2018 14:07
    O Tesouro emite títulos para arrecadar dinheiro (ou seja, se endivida) e então repassa esse dinheiro para o BNDES.

    Artigo inteiro sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2407
  • Emerson  19/06/2018 17:04
    Parece que o BNES resolveu rebater as criticas que recebeu por inflar o mercado de camilhões: "BNDS publica estudo ..." economia.estadao.com.br/noticias/geral,bndes-publica-estudo-para-mostrar-que-nao-teve-culpa-na-greve-dos-caminhoneiros,70002351732 . Talvez alguém do Mises queira comentar a respeito dos argumentos usados.
  • Amante da Lógica  19/06/2018 18:33
    Normal, ué. E nem teria como ser diferente. Você por acaso já viu alguma agência governamental reconhecer que fez lambança? Aliás, você já viu algum mísero político reconhecer em público que errou? Isso sim seria um evento digno de nota.

    Especificamente quanto às justificativas do BNDES (acabo de ler o link), alguns comentários:

    1) O Banco está dizendo que não é o único culpado por essa recente greve dos caminhoneiros. Verdade. Não é o único. Impostos e Petrobras são igualmente culpados.

    2) O BNDES teve uma responsabilidade muito maior na greve de fevereiro de 2015 (da que trata o artigo acima) do que nesta de 2018, dado que o aumento do número de caminhões de 2015 até 2018 foi nulo, e essa política foi extinta em 2016.

    3) Como diz a notícia, o "estudo" do BNDES foi inteiramente baseado nesta postagem de blog de um tal Bráulio da FGV.

    E eu já tinha lido o texto do Bráulio. O cara só enrolou e nada argumentou de concreto. E nem tinha como.

    Só o segundo gráfico do próprio autor (veja você mesmo) já destroça completamente a tese dele. E é impressionante que ele não tenha se dado conta disso.

    Pelo gráfico do próprio autor, a oferta de caminhões cresceu 50% entre o final 2007 e o final de 2014 (estou considerando a primeira greve dos caminhoneiros, que foi em fevereiro de 2015).

    Crescimento de 50% em 7 anos dá um crescimento anual de 6%.

    Só que o PIB não cresceu 6% ao ano entre 2008 e final de 2014. Ele cresceu [link=br.advfn.com/indicadores/pib/Brasil]
    ]em média 3,12%[/link].

    Ou seja, do final de 2007 ao final de 2014 a oferta de caminhões aumentou simplesmente o dobro da economia.

    Ora, se a oferta de algo aumenta mais do que a renda das pessoas, seu preço inevitavelmente irá cair. Se a oferta aumenta o dobro, é de se esperar que o preço caia à metade. Matemática básica.

    Mas piora: de 2014 até hoje, o PIB simplesmente encolheu (voltamos à mesma renda que tínhamos no primeiro semestre de 2011).

    Portanto, ficamos assim: de um lado a oferta de caminhões explodiu de 2007 até hoje; de outro, a renda da população se estagnou e parou em 2011. Acrescente a isso o aumento dos custos operacionais por causa de diesel e impostos, e a farra do capeta está completa.

    Logo, boa sorte pra quem quer argumentar que a oferta de caminhões não explodiu e não foi responsável pela breca do setor.

    Que esse economista da FGV -- refutado por mim em 3 minutos -- esteja sendo levado a sério pela imprensa e sirva de único refúgio para o BNDES apenas mostra o tamanho da nossa miséria intelectual.


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