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O que faz de alguém um bom economista - ou, por que acertamos nossas previsões gerais

Foi apenas em meados de 2014, após dois trimestres consecutivos de PIB negativo, que toda a imprensa nacional começou a falar sobre os desarranjos da economia brasileira — àquela altura, visíveis até mesmo para os panfleteiros político-partidários — e sobre como aqueles desequilíbrios levariam a uma recessão no ano seguinte.

(Atualmente, todos os economistas já falam abertamente que o ano de 2015 será um ano perdido.)

O que poucos fizeram, no entanto, e este site se inclui nessa honrosa lista das "minorias ínfimas", foi detectar e explicar estes problemas quando a economia brasileira ainda estava "bombando", crescendo a 7,5% do PIB

Uma coisa é gritar "recessão" somente após o IBGE trazer os dados negativos; outra coisa, bem diferente, é explicar como e por que haverá uma recessão enquanto o país ainda está vivenciando um crescimento chinês.

E foi isso o que fizemos ainda no longínquo ano de 2010.  Enquanto a economia brasileira crescia a chineses 7,5%, este site publicou este artigo explicando por que aquilo tudo era insustentável e mostrando por que a situação iria se reverter.  O artigo abordou, inclusive, os truques contábeis que já vinham sendo praticados desde àquela época, e que só em 2014 passaram a ser abertamente denunciados pela grande imprensa.

Um ano depois, já no terceiro trimestre de 2011, um novo artigo foi publicado prevendo uma ligeira recessão para 2012.  Em termos de PIB per capita, que é o que realmente interessa, a economia de fato ficou estagnada em 2012, mas o que realmente aconteceu é que a economia brasileira foi mantida animada por novas e crescentes doses de crédito estatal, que é um crédito totalmente imune à taxa de juros estipulada pelo Banco Central.

Este fenômeno do agigantamento do crédito estatal, sobre como ele traria um curto impulso à economia e faria um grande estrago nos balancetes dos bancos estatais foi esmiuçado neste artigo de 2012 e, um ano depois, neste de 2013.  Hoje, nossas previsões se confirmaram e o próprio governo já fala abertamente em recapitalizar a Caixa e o Banco do Brasil.

Também em 2012 publicamos este artigo abordando novamente, dentre outras coisas, a situação fiscal brasileira.  Naquela época, ainda eram poucos os economistas que alertavam para essas "pedaladas" no orçamento do governo.  Menor ainda era o número de economistas que alertavam sobre como isso iria terminar.

De novo em 2012, um novo artigo fazendo previsões para a economia brasileira, todas elas concretizadas, inclusive para o setor imobiliário.

Para completar, também em 2012, este artigo e este artigo já alertavam para o risco de problemas no setor elétrico em decorrência do intervencionismo populista do governo.

A partir de 2013, todos os desarranjos previstos já estavam explícitos.  Aos nossos articulistas restou apenas fazer uma narração em tempo real de como a vaca caminhava rumo ao brejo. 

O esfacelamento do real foi narrado em tempo real aqui e aqui (e aqui um post-mortem).  Os principais desmandos do governo Dilma, que iriam culminar na atual recessão econômica que vivenciamos, foram sintetizados em tempo real aqui.  Os motivos da insatisfação da população com a situação do país, o que gerou os protestos de junho de 2013, foram explicados aqui e aqui.  Os motivos da então aparentemente baixa taxa de desemprego foram explicados aqui e aqui

Até mesmo a inviabilidade do pré-sal foi prevista.  Em agosto de 2013, explicamos neste artigo que o desinteresse de grandes empresas no primeiro leilão de um campo do pré-sal indicava que, aos preços vigentes do petróleo, a operação era inviável.  Os atuais acontecimentos comprovam a previsão.

Toda a narrativa culminou com este artigo que traça um panorama completo da economia brasileira ao longo da última década; com este artigo que sintetiza os dez principais erros do governo Dilma; com este artigo, que antecipava tudo de errado que seria feito pelo novo Ministro da Fazenda: e, finalmente, com este artigo, que faz uma narração cronológica completa das medidas desastrosas adotadas pelo governo Dilma.

De brinde, ainda em meados de 2011, produzimos este artigo prevendo que a inflação de preços, dali em diante, seria continuamente alta.

Guido Mantega

Embora hoje Guido Mantega seja uma figura execrada e ridicularizada, houve uma época em que ele era unanimidade.  Até mesmo os semanários antipetistas eram abertamente simpáticos ao ministro — que nunca enganou os articulistas deste site —, sempre lhe agraciando com uma cobertura positiva.

A paixão da imprensa por Guido Mantega — que sempre falava estultices sem ser questionado e sempre fazia previsões que se comprovavam demasiadamente otimistas sem ser cobrado por isso — foi primeiramente abordada aqui, no longínquo ano de 2010.

Seus atos totalitários — como a imposição de soviéticas tarifas de importação sobre automóveis, o aumento generalizado de todas as tarifas de importações sobre todos os produtos importados, a imposição de políticas de conteúdo nacional, a imposição de políticas de preços mínimos, a implantação de métodos à la Stasi de revista de passageiros em aeroportos — foram esmiuçados, denunciados e tiveram suas consequências previstas aqui, aqui, aqui e aqui, ao mesmo tempo em que ganhavam um passe livre de toda a imprensa.

Sua idiótica declaração de guerra à entrada de capital estrangeiro no Brasil foi aplaudida pela imprensa e veementemente denunciada por este site (aqui, aqui e aqui), pois sabíamos que isso geraria uma saída de dólares, uma desvalorização da moeda e uma consequente disparada da carestia.  Previsão efetivada.  De 2011 até hoje, o real foi uma das moedas que mais se desvalorizou no mundo

E tudo isso foi feito por Mantega com a justificativa de "proteger a indústria".  A indústria, no entanto, foi o setor que mais sofreu sob o seu reinado, e o motivo disso — algo totalmente alheio ao conhecimento de Mantega — foi explicado aqui.

Foi só no início de 2014 que a imprensa finalmente acordou e começou a jogar duro com Guido Mantega.  Tarde demais.  Seus estragos já eram irreversíveis.

Cenário externo

Também no front externo tivemos acertos. 

Este artigo de meados de 2009 explicava por que o tão comemorado "fim da recessão americana", reverberado por toda a imprensa, era uma falácia.  Um ano depois, em 2010, todos voltaram a falar que a recessão americana, na prática, ainda não havia acabado.

este artigo de setembro de 2011 explicava por que o Banco Central da Suíça não iria manter sua âncora cambial em relação ao euro por muito tempo.  Vários investidores estrangeiros e fundos de investimento acreditaram na declaração do BC suíço de que a âncora seria eterna.  Nós não.  Com a súbita flutuação do franco em janeiro deste ano, vários fundos e empresas — que acreditavam piamente na durabilidade da âncora — perderam dinheiro e quebraram.

Explicamos também, neste artigo, como ocorreu a recessão europeia e apresentamos os fatos que mostravam por que ela não acabaria tão cedo.  A realidade nos provou corretos.

Produzimos também este artigo que explica em detalhes como se deu a implosão do sistema financeiro americano, naquela que talvez seja a narrativa mais completa disponível em língua portuguesa.

E, de brinde, produzimos esta série de artigos sobre a China.

Qual o método?

Ao se fazer análises econômicas, é imperativo deixar paixões e preferências ideológicas de lado.  Para se ser sensato em economia, ideologias e preferências não podem ter voz nem vez.

Nesse sentido, foi memorável a participação do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros no programa Entre Aspas, da Globo News.  "Mendonção", que se declarou keynesiano, se disse "depressivo" com o fato de que as políticas keynesianas aplicadas nos EUA não estarem funcionando para recuperar a economia. 

Segundo ele:

Acho Krugman um sujeito inteligente, muito preparado, mas eu.... que bebo na mesma água que ele, keynesiana, esse negócio todo.... eu estou meio depressivo porque era pra funcionar!  Tudo que o Banco Central fez, tudo o que o Obama fez ... [era pra ter funcionado]...

Tal desespero é típico de quem passou a vida lendo panfletos ideológicos em vez de estudar a ciência econômica verdadeira; é típico de quem passou a vida estudando aquilo que governantes gostam de ouvir, e não aquilo que eles realmente deveriam fazer.  Caso tivesse se livrado de suas ideologias de juventude, Mendonção poderia estar vendo o mundo com mais clareza hoje, e não estaria tão perdido assim.

É por isso que nós do IMB sempre tentamos seguir à risca os dizeres do economista Robert Higgs, uma das melhores mentes da Escola Austríaca de economia.  Segundo ele:

A habilidade mais escassa entre os economistas (e entre aqueles que acreditam entender de questões econômicas) é o bom senso.

Muitos economistas claramente são muito preparados, no sentido de que são muito versados em matemática e são capazes de lidar facilmente com modelos matemáticos e econométricos extremamente complexos.

Mas esse tipo de habilidade técnica não necessariamente — e é lamentável dizer que normalmente é assim — fará você realmente entender como o mundo funciona.

Ter bom senso e bom discernimento sobre a realidade econômica depende muito mais de uma combinação desses três fatores:

1) dominar a teoria básica do funcionamento dos preços, ou seja, a teoria de como alterações nos incentivos e nos custos relativos afetam as ações dos indivíduos;

2) ter um conhecimento substancial da história econômica e do contexto institucional dentro do qual ocorreram as ações econômicas; e

3) ter aquele autocontrole que impede que caiamos de amores por aquilo que é meramente uma possibilidade (normalmente, um modelo sedutor, de apelo fácil, e totalmente errado) e ignoremos aquilo que é realmente factível.

Em outras palavras, a maioria dos economistas e supostos especialistas, não obstante sua clara destreza em relação às ciências exatas, não conseguem "sentir" como realmente uma economia funciona.  É como se eles fossem incapazes de enxergar além das minúcias numéricas e das tecnicalidades, jamais conseguindo apreciar como realmente ocorrem as interações econômicas no mundo real.  Muito menos conseguem compreender as magnitudes dos vários fatores que governam a ação humana de cada indivíduo, seja ele um consumidor, um empreendedor ou um investidor.

Ou, como disse o grande Frédéric Bastiat, o bom economista não é aquele que explica o que se vê, mas sim aquele que consegue também explicar o que não se vê.  Em suas imortais palavras:

Na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos.  Dentre esses, só o primeiro efeito é imediato.  Manifesta-se simultaneamente com a sua causa.  É visível.  Os outros só aparecem depois e não são visíveis.  Podemo-nos dar por felizes se conseguirmos prevê-los. 

Entre um mau e um bom economista existe uma diferença: o primeiro se detém no efeito que se vê; já o outro leva em conta tanto o efeito que se vê quanto aqueles que se devem prever. 

E essa diferença é enorme, pois o que acontece quase sempre é que, quando a consequência imediata é favorável, as consequências posteriores são funestas e vice-versa.  Daí se conclui que o mau economista, ao perseguir um pequeno benefício no presente, está gerando um grande mal no futuro.  Já o verdadeiro bom economista, ao perseguir um grande benefício no futuro, corre o risco de provocar um pequeno mal no presente. 

De resto, o mesmo acontece no campo da saúde e da moral.  Frequentemente, quanto mais doce for o primeiro fruto de um hábito, tanto mais amargos serão os outros.  Testemunham isso, por exemplo, o vício, a preguiça, a prodigalidade.  Assim, quando um homem é atingido pelo efeito do que se vê e ainda não aprendeu a discernir os efeitos que não se veem, ele se entrega a hábitos maus, não somente por inclinação, mas por uma atitude deliberada. 

Isso explica a evolução fatalmente dolorosa da humanidade.  A humanidade se caracteriza, em seus primórdios, pela presença da ignorância.  Logo, está limitada às consequências imediatas de seus primeiros atos, as únicas que, originalmente, consegue enxergar.  Só com o passar do tempo é que aprende a levar em conta as outras consequências. 

Dois mestres bem diferentes lhe ensinam esta lição: a experiência e a previsão.  A experiência atua eficazmente, mas de modo brutal.  Mostra-nos todos os efeitos de um ato, fazendo-nos senti-los: por nos queimarmos, aprendemos que o fogo queima.  Seria bom se nos fosse possível substituir esse rude mestre por um mais delicado: a previdência.  Por isso, buscarei a seguir as consequências de alguns fenômenos econômicos, opondo às que são visíveis àquelas que não se veem.



autor

Equipe IMB


  • Silvio  09/02/2015 13:44
    "...é típico de quem passou a vida estudando aquilo que governantes gostam de ouvir, e não aquilo que eles realmente deveriam fazer."

    Mas é aí que está o problema. Esse pessoal não quer saber da verdade, só quer saber de prestígio. Eles não buscam o conhecimento, buscam uma sinecura dentro do ninho estatal. Portanto, essa turma vai sempre rejeitar a EA, pois o problema deles não é a ingenuidade ou a ideologia, mas sim a mais pura má-fé.

    Lew Rockwell explica bem esse problema nessa palestra (Liberdade ou Poder? As vidas paralelas de Rothbard e Greenspan).



  • Diogo  09/02/2015 13:48
    Mata cobra e mostra o pau! Parabéns IMB!
  • Mr. M  09/02/2015 13:56
    Ótimo artigo, parabéns a todos!
    Este artigo me faz lembrar um pouco deste artigo do Fernando Chiocca, comparando a EA com jiu-jitsu.
    As evidências de que a EA é a única linha de pensamento econômico SÓLIDA e capaz de fazer previsões acertadas são esmagadoras.
    It's happening.
    Um abraço.
  • Isaias Lobão  09/02/2015 14:05
    Meus parabéns. Que maravilha! Todo mundo deveria ler este artigo e divulgar para todos os seus contatos.
  • Andre Cavalcante  09/02/2015 14:06
    Muito bom artigo.

    E mais ainda, é um resumão do links. Assim, fica mais fácil fazer comentários, é só ligar este aqui! :D

    Parabéns ao IMB e, em especial, ao articulista de economia, o Leandro Roque.

    Tenho também uma historinha. Há alguns anos tinha "previsto", matraqueava o que li aqui sobre a bolha imobiliária no Brasil à minha irmã e ela era cética: "que é isso? não tem bolha nenhuma, é uma boa comprar um apartamento agora!". Na última vez que conversei com ela sobre isso, a coisa de 1 mês atrás ela, já indicava o oposto: "Já viu que parece que a bolha imobiliária estourou?" - É assim...

    Abraços

  • Pedro Morais  09/02/2015 14:40
    Leandro,o que era a correção monetária e a teoria da inflação inercial?
    A alta generalizada de preços de imóveis na cidade do Rio de Janeiro é característica de uma bolha ou de acontecimentos conjunturais?
  • Leandro  09/02/2015 15:21
    Correção monetária significa "atualizar" o valor de um ativo ou de um passivo pela inflação de preços acumulada durante um determinado período.

    E inflação inercial é a carestia gerada por esta ato de indexação. Segundo os "especialistas", isso gerava uma "memória inflacionária" que levava automaticamente à propagação da carestia.

    Os proponentes dessa idéia aparentemente ignoravam o fato de que é impossível haver inflação "inercial" caso os agregados monetários estejam estabilizados.

    Veja a evolução do M1 durante a década de 1980 e meados da de 1990. Com tamanha expansão monetária, é óbvio que a carestia iria se perpetuar. E isso nada tem de "inercial".

    Por outro lado, há sim um momento em que uma inflação pode adquirir um comportamento semelhante a algo inercial: quando a economia já está em hiperinflação e as pessoas dão como certo o fato de que a inflação continuará aumentando em um ritmo cada vez maior. Nesse ponto, as pessoas se preocupam apenas em se livrar da moeda o mais rápido possível, adquirindo qualquer tipo de produto.

    Nesse cenário, mesmo que você interrompa a expansão monetária, a demanda por moeda cai a praticamente zero e os preços disparam sem nenhum controle. A única solução passa a ser uma total reforma monetária, como fizeram com o Plano Real.

    Sobre bolha imobiliária, a causa principal está na expansão do crédito para este setor, o qual foi abordado neste artigo.
  • Carlos Eduardo  09/02/2015 14:47
    Parabéns à equipe IMB pela excelente cobertura dos eventos econômicos aqui no Brasil e no mundo.
    Como comprovação da excelência estão aí na nossa cara as consequências do que já vinham alertando.

    Creio que o meu sentimento é o de muitos leitores deste site, sejam eles da Economia ou não: o sentimento de que as análises aqui são o puro bom senso, as peças se encaixam, e tudo começa a fazer sentido.

    O que não falta na área da Economia, na academia e nas páginas dos jornais, são proposições que completamente absurdas, insanas e desafiadoras de qualquer bom senso.
    Coisas como criar dinheiro a rodo, desvalorizar a moeda, gerenciar preços, regulamentar tudo, estimular o consumo desenfreado de pessoas endividadas, saquear os cidadãos mais produtivos do país, impedir pessoas de comprar de estrangeiros, gerenciar o quanto trocamos com estrangeiros, pagar gente para cavar buracos e encher novamente, enfim. A lista é longa.

    Requer um enorme exercício de auto-enganação ou falta de conhecimento econômico e raciocínio lógico básico para levar tais insanidades a sério.

    O resultado está aí: os fora-da-realidade ficaram completamente perdidos, incapazes de compreender os eventos presentes e estimar um futuro, enquanto os adeptos do bom-senso e conhecedores de teorias econômicas sólidas mostram-se corretos no que dizem e disseram.
    Consequentemente, o IMB atrai cada vez mais leitores desiludidos com o absurdo que querem dar uma chance ao bom-senso.

    Parabéns novamente, já aprendi muito por aqui e acompanho sempre as análises da realidade sempre fundadas no que faz sentido.
  • Anarca da floresta  09/02/2015 14:56
    O anarca retira seu chapéu.

    Só lhe resta lembrar que os sons da guerra uivam por todos os lados.
    Não há paz alguma para os ímpios, então, à carga.
  • PESCADOR  09/02/2015 15:43
    Muito bom ler os artigos do IMB diariamente. Vale mais do que a assinatura de todas as revistas semanais e todos os jornais impressos juntos. Esse site é uma ilha de sanidade num mar de loucuras econômicas e políticas.

    Parabéns pelo artigo e principalmente pelos outros artigos linkados ao longo do texto.
  • Yves  09/02/2015 16:20
    Leandro, sobre este trecho "Até mesmo a inviabilidade do pré-sal foi prevista. Em agosto de 2013, explicamos neste artigo que o desinteresse de grandes empresas no primeiro leilão de um campo do pré-sal indicava que, aos preços vigentes do petróleo, a operação era inviável. Os atuais acontecimentos comprovam a previsão."

    Baseado em que os atuais acontecimentos comprovam a previsão? O pré-sal não era inviável na época e nem é hoje (o brent de equilibrio gira em torno de 45~60 dólares, brent passou um breve periodo abaixo dos 50 dolares mas já começa a se recuperar). O Libra é apenas uma das áreas do pré-sal, que é muito maior e tem muitos mais parceiros (www.valor.com.br/empresas/3058670/testes-indicam-comercialidade-em-poco-da-bp-no-pre-sal , www.valor.com.br/empresas/3506666/petrobras-bate-recorde-de-producao-no-pre-sal-e-abre-novo-poco-na-area , economia.estadao.com.br/noticias/geral,bg-diz-que-dobrara-producao-de-petroleo-com-o-pre-sal,181572e)

    Agradeço desde já a resposta.
  • Leandro  09/02/2015 16:41
    A lógica é simples: o pré-sal do campo de libra foi propagandeado como a maior reserva de petróleo do Brasil e a maior área para exploração de petróleo no mundo, cujo potencial poderia se aproximar dos 12 bilhões de barris. Com tamanha promessa, o governo brasileiro esperava atrair pelo menos 40 empresas para o leilão de Libra.

    Quantas realmente se candidataram? Apenas quatro: duas estatais chinesas (CNPC e CNOOC), uma empresa francesa (Total) e a anglo-holandesa Shell. As quatro formaram um único consórcio, o que significa que não houve nenhuma concorrência no leilão. Gigantes do setor, como Chevron, Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, BP e Repsol não se interessaram.

    Se a coisa era tão boa e garantida assim, por que surgiu apenas um consórcio? Por que os grandes do setor não se interessaram? Se o pré-sal é realmente a barbada prometida pelo governo, por que as gigantes como Chevron, Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, British Petroleum, Suncor e Repsol não se interessaram? Essas petrolíferas odeiam dinheiro?

    "o brent de equilibrio gira em torno de 45~60 dólares, brent passou um breve periodo abaixo dos 50 dolares mas já começa a se recuperar)"

    Essa conversa sempre é bastante especulada e nunca é provada. Os americanos, por exemplo, dizem que, com o barril abaixo de US$ 85, buscar petróleo em águas profundas no Golfo de México deixa de ser lucrativo (link aqui). E buscar petróleo nas águas profundas do Golfo do México é mais simples do que o nosso pré-sal. E aí?

    Sobre previsões, a refinaria de Abreu Lima foi projetada para custar US$ 2,5 bilhões, quando a obra começou em 2009 a Petrobras já esperava investir US$ 13,4 bilhões, até o momento já investiu mais de U$ 20 bilhões e a refinaria ainda não está completa. Se erraram tão vergonhosamente em algo relativamente simples como o custo de uma refinaria, o que esperar de algo complexo e arriscado como o pré-sal?

    De resto, assim como você, eu também já "ouvi falar" que, com o barril abaixo de US$ 100, o pré-sal não é viável. Esse número parece ser mais consistente com os US$ 85 para viabilizar o Golfo do México, que é mais simples que o nosso pré-sal.

    Abraço!
  • Leandro  09/02/2015 16:56
    Se bem que, com a Petrobras/governo cobrando R$ 4 pelo litro da gasolina, sem sofrer nenhuma resistência popular, até mesmo o pré-sal pode acabar se tornando viável com tamanha fonte de receita.
  • anônimo  09/02/2015 17:05
    Leandro, afinal, para quanto vai o preço da gasolina aqui em São Paulo?

    abraços
  • Leandro  09/02/2015 17:23
    Até onde o gado aguentar sem mugir nem gemer.
  • Yves  09/02/2015 17:15
    Obrigado pela resposta, Leandro.

    Lembro desse argumento (ausência de outras empresas) do artigo, mas o contrário também é válido: as empresas que entraram no consórcio não tem pena do dinheiro? Afinal, elas efetivamente tiveram que entrar com algum para participação da exploração do campo. Se fosse apenas a Petrobras eu realmente começaria a desconfiar que este é só mais um negócio (como a das refinarias pelo nordeste e no RJ) feito a mando dos governantes, sem nenhuma expectativa de retorno financeiro, mas não é o caso.

    "Se a coisa era tão boa e garantida assim, por que surgiu apenas um consórcio? Por que os grandes do setor não se interessaram? Se o pré-sal é realmente a barbada prometida pelo governo, por que as gigantes como Chevron, Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, British Petroleum, Suncor e Repsol não se interessaram? Essas petrolíferas odeiam dinheiro?"

    Eu só poderia especular os motivos pelos quais todas essas petrolíferas não se interessaram pelo pré-sal de Libra, mas como eu mostrei nas notícias algumas delas efetivamente se interessaram pelo pré-sal de outras regiões (como eu disse, Libra é apenas um campo do pré-sal da bacia de Santos, que tem diversos outros campos).
    Só pra citar, a Repsol tem como fato relevante no seu site a seguinte notícia:

    "21 de maio de 2014: Após a conclusão do teste de formação do poço 1-SPS-98 (1-BRSA-1063-SPS), conhecido informalmente como Sagitário, localizado em águas ultraprofundas no pré-sal da Bacia de Santos, a Repsol Sinopec e suas parceiras no bloco BM-S-50 comprovaram a descoberta informada ao mercado em 25 de fevereiro de 2013, quando o poço ainda estava em perfuração."
    www.repsolsinopec.com.br/web/guest/fatos-importantes

    Onde você viu a informação de que o pré-sal do México seria mais complexo (e que tipo de complexidade é essa? Complexidade geológica é diferente de complexidade operacional para explorar e explotar)

    Onde você viu que o pré-sal não é viável abaixo de US$ 100? As notícias que eu vi informam que a viabilidade dele gira em torno de 45~60 dolares pelo barril de brent (exame.abril.com.br/economia/noticias/governo-pre-sal-so-se-inviabiliza-com-barril-a-us-45 , www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0602200924.htm , veja.abril.com.br/noticia/economia/pre-sal-resiste-a-petroleo-ate-us-60-diz-anp)

    Bom, não estou argumentando que as inferências são absurdas, só estou dizendo que mesmo hoje não há nada de concreto que que comprove (como se afirmou no artigo: "Até mesmo a inviabilidade do pré-sal foi prevista(...)Os atuais acontecimentos comprovam a previsão.") a inviabilidade do pré-sal, mesmo o do campo de Libra.

    Agradeço desde já.

    Abraços.
  • Leandro  09/02/2015 17:22
    "mas o contrário também é válido: as empresas que entraram no consórcio não tem pena do dinheiro? Afinal, elas efetivamente tiveram que entrar com algum para participação da exploração do campo."

    Ué, as duas maiores são justamente estatais chinesas, que operam com o dinheiro do governo chinês.

    Sobre a Total e a Shell terem se aventurado, não quero especular, mas é sintomático que elas tenham querido fazer parcerias com estatais chinesas, cujo dinheiro é notoriamente farto e sem grandes restrições institucionais.

    "Só pra citar, a Repsol tem como fato relevante no seu site a seguinte notícia:
    "21 de maio de 2014: Após a conclusão do teste de formação do poço 1-SPS-98 (1-BRSA-1063-SPS), conhecido informalmente como Sagitário [...]"


    Em 21 de maio, o barril de petróleo estava acima de US$ 100.

    "Onde você viu a informação de que o pré-sal do México seria mais complexo (e que tipo de complexidade é essa? Complexidade geológica é diferente de complexidade operacional para explorar e explotar)"

    Até onde sei, o Golfo do México opera majoritariamente com sub-sal e deepwater. Se deepwater e subsal forem mais difíceis e custosos que o pré-sal -- principalmente para as ultra-tecnológicas e bem capitalizadas empresas americanas --, aí realmente o mundo está de cabeça para baixo.

    "Onde você viu que o pré-sal não é viável abaixo de US$ 100?"

    A fonte principal e oficial são os US$ 85 da notícia que linkei. Os US$ 100 eu ouvi de engenheiros, mas ninguém precisa acreditar. Os US$ 85 já dão uma boa métrica.

    "As notícias que eu vi informam que a viabilidade dele gira em torno de 45~60 dolares pelo barril de brent (exame.abril.com.br/economia/noticias/governo-pre-sal-so-se-inviabiliza-com-barril-a-us-45 , www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0602200924.htm , veja.abril.com.br/noticia/economia/pre-sal-resiste-a-petroleo-ate-us-60-diz-anp)"

    A "fonte" da primeira e da terceira notícias que você postou é o governo.

    Já o segundo link é sintomático. A fonte é a BP e ela dá um valor US$ 60. Só que -- atenção! --, US$60 no ano de 2009.

    Como estamos em 2015, US$ 60 de 2009 equivalem hoje a US$66. Como o barril está girando em torno de US$ 50, não é necessário ser economista para entender que, quando se desconta a inflação, a coisa ficou feia.

    Mas isso nem é o principal. A questão é: se a BP dizia, em 2009, que o pré-sal brasileiro era viável a US$ 60, por que ela não participou do leilão em 2013, quando o barril girava na casa de US$ 100?

    Já a fonte da notícia que eu postei são as empresas privadas americanas que operam no subsal e na deepwater do Golfo do México, e é de outubro de 2014.

    Abraços.
  • Andre  09/02/2015 17:03
    Excelente artigo!

    Gosto desses artigos que linkam outros artigos resumindo as previsões que o site fez pois assim eu posso mandar pras pessoas que eu conheço apenas um link e lá está TUDO que elas precisam ler.
  • Thiago  09/02/2015 17:31
    E a grande imprensa segue sem entender nada.

    Nesse artigo (recomendado só para quem tem estômago forte e gosta de ser tratado como vaca presa no curral), o ignaro repete as mesmas baboseiras mercantilistas de sempre e diz que se o dólar chegar a R$ 3 tudo ficará lindo e maravilhoso para as indústrias, e com o bônus de que menos pessoas viajarão para o exterior (é serio).

    Só que logo em seguido, ele alerta que "estamos vivendo um período novo na análise econômica brasileira. Embora a desvalorização seja boa, na prática, as exportações não estão aumentando e as perspectivas não são boas. Pela primeira vez, uma grande desvalorização da nossa moeda não está trazendo os efeitos esperados.

    Se ao menos ele soubesse o motivo disso...

    Ainda há muito trabalho a ser feito.
  • Yves  09/02/2015 18:16
    Agradeço novamente a resposta, Leandro.

    "Ué, as duas maiores são justamente estatais chinesas, que operam com o dinheiro do governo chinês.

    Sobre a Total e a Shell terem se aventurado, não quero especular, mas é sintomático que elas tenham querido fazer parcerias com estatais chinesas, cujo dinheiro é notoriamente farto e sem grandes restrições institucionais."

    Não entendi esse trecho: seria vantajoso para a Total e a Shell (20% cada) sofrerem prejuízos para seguir estatais chinesas (10% cada)?

    "Em 21 de maio, o barril de petróleo estava acima de US$ 100."

    E não se vê notícia de que a Repsol tenha abandonado a área de Sagitário. Ademais, nenhuma empresa investe sem uma margem de segurança no preço do barril, não há nada que indique que o preço que viabiliza essa área é 100 dólares e que agora a Repsol está sofrendo prejuízos por continuar participando da concessão.

    "Até onde sei, o Golfo do México opera majoritariamente com sub-sal e deepwater. Se deepwater e subsal forem mais difíceis e custosos que o pré-sal -- principalmente para as ultra-tecnológicas e bem capitalizadas empresas americanas --, aí realmente o mundo está de cabeça para baixo."

    Bom, a própria notícia da BP (preço de 60 dólares) já contraria a tese de que qualquer que seja a complexidade do pré-sal frente ao Golfo do México ela o torne mais caro que os 85 dólares da área do Golfo do México. Como você vai ver mais abaixo a BG indica preços mais altos na área da cessão onerosa girando entre 70~80 dólares, ainda abaixo que os 85 do Golfo do México.

    "A "fonte" da primeira e da terceira notícias que você postou é o governo.

    Já o segundo link é sintomático. A fonte é a BP e ela dá um valor US$ 60. Só que -- atenção! --, US$60 no ano de 2009.

    Como estamos em 2015, US$ 60 de 2009 equivalem hoje a US$66. Como o barril está girando em torno de US$ 50, não é necessário ser economista para entender que, quando se desconta a inflação, a coisa ficou feia.

    Mas isso nem é o principal. A questão é: se a BP dizia, em 2009, que o pré-sal brasileiro era viável a US$ 60, por que ela não participou do leilão em 2013, quando o barril girava na casa de US$ 100?"


    Sim, e essa mesma notícia da BP já demonstra que os custos de produção do pré-sal não giram em torno dos 85 ou 100 dólares especulados. Na verdade, como eu falei, o pré-sal é formado por diversos campos, os preços variam de campo a campo. Por exemplo, nessa notícia do valor (www.valor.com.br/empresas/3800508/queda-do-brent-ameaca-petrobras) o presidente da BG no Brasil diz que nas áreas que ele tem participação o brent de equilibrio gira em torno dos 40 dólares (ele também indica que em outras regiões (da cessão onerosa) os custos já são mais altos, de 70 a 80 dólares).
    O motivo pelo qual a BP não participou, repito, só poderia especular, não tenho conhecimento suficiente para fazê-lo, mas o fato de outras empresas terem entrado nos leilões tanto de Libra quanto de outras áreas (como a Repsol em Sagitário e, como eu disse, ela não parece ter desistido da área mesmo com a queda do preço do barril) me sinalizam que o "pré-sal" (genericamente) não é inviável em si, algumas áreas seriam, outras não, como em qualquer província petrolífera. Inclusive sobre Libra, que está sendo tomado como referência não existe nenhuma indicação de que a área tenha ficado inviável.

    (Entendi que você deve ter feito uma correção monetária de 60 para 66 dólares, mas é razoável também que as empresas consigam diminuir seus custos, por exemplo: os primeiros poços do pré-sal custaram em torno de 270 milhões de dólares, hoje já estão entre 70~100 milhões. As diárias de sonda eram mais baratas antes do pré-sal, inflaram com a sua descoberta (aumento brutal da demanda) e se a atividade desaquecer acredito que há espaço para os preços voltarem a um patamar próximo ao anterior da descoberta do pré-sal. Mas sem os dados das petrolíferas e das prestadoras de serviço eu estaria apenas especulando sobre a diminuição dos custos de produção de 2009 pra cá)

    Visto isto, quais fatos recentes comprovam a inviabilidade do pré-sal (em sua maioria)?

    Agradeço desde já a resposta.

    Abraços!
  • Leandro  09/02/2015 19:09
    "Não entendi esse trecho: seria vantajoso para a Total e a Shell (20% cada) sofrerem prejuízos para seguir estatais chinesas (10% cada)?"

    De fato, não entendeu. Vou tentar ser mais explícito.

    Sobre a participação da Total e da Shell, há 3 hipóteses:

    1) Seus engenheiros e estrategistas são muito melhores e mais espertos do que os engenheiros e estrategistas da Chevron, Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, British Petroleum, Suncor, Repsol etc., e perceberam uma mina de ouro que essas outras empresas não conseguiram perceber. (Esse cenário é até possível, mas, convenhamos, implausível);

    2) Seus engenheiros e estrategistas cometeram um erro de avaliação e jogaram ambas as empresas numa fria. (Esse cenário também é possível e até bem mais plausível que o primeiro, mas não creio muito nele. Uma empresa como a Shell não cometeria um erro amador);

    3) Ambas as empresas decidiram pegar carona no farto financiamento de que disporiam as estatais chinesas e também a Petrobras. Eventuais prejuízos seriam, dessa maneira, minorados, pois haveria todo esse dinheiro estatal em jogo. Melhor do que entrar na jogada sozinha e ter de arcar solitariamente com todos os custos.

    Essa hipótese me parece a mais verossímil.

    "E não se vê notícia de que a Repsol tenha abandonado a área de Sagitário. Ademais, nenhuma empresa investe sem uma margem de segurança no preço do barril, não há nada que indique que o preço que viabiliza essa área é 100 dólares e que agora a Repsol está sofrendo prejuízos por continuar participando da concessão."

    Não é assim que funciona. Mesmo que o preço despenque e toda a operação se torne inviável, nenhuma petrolífera vai simplesmente abandonar tudo e sair de cena, pois isso agravaria ainda mais a situação. Há vários fatores técnicos que devem ser considerados. No curto prazo (e faz apenas sete meses de preços do petróleo em queda), alterações no preço não afetam a produção. Quando se começa a extrair petróleo, o produtor está literalmente ao sabor do vento, da engenharia e da pressão da extração. O tempo de duração de cada um desses poços não é muito longo. Logo, não há motivos para se interromper o processo de produção, por maior que seja a queda do preço. O racional é continuar extraindo na esperança de que o preço volte ao "normal".

    Portanto, o fato de que ainda há empresas produzindo neste cenário não é indicativo de o preço do barril está lhe dando lucro.

    "Bom, a própria notícia da BP (preço de 60 dólares) já contraria a tese de que qualquer que seja a complexidade do pré-sal frente ao Golfo do México ela o torne mais caro que os 85 dólares da área do Golfo do México. Como você vai ver mais abaixo a BG indica preços mais altos na área da cessão onerosa girando entre 70~80 dólares, ainda abaixo que os 85 do Golfo do México."

    Não entendi.

    "Sim, e essa mesma notícia da BP já demonstra que os custos de produção do pré-sal não giram em torno dos 85 ou 100 dólares especulados. Na verdade, como eu falei, o pré-sal é formado por diversos campos, os preços variam de campo a campo. Por exemplo, nessa notícia do valor (www.valor.com.br/empresas/3800508/queda-do-brent-ameaca-petrobras) o presidente da BG no Brasil diz que nas áreas que ele tem participação o brent de equilibrio gira em torno dos 40 dólares (ele também indica que em outras regiões (da cessão onerosa) os custos já são mais altos, de 70 a 80 dólares).
    O motivo pelo qual a BP não participou, repito, só poderia especular, não tenho conhecimento suficiente para fazê-lo, mas o fato de outras empresas terem entrado nos leilões tanto de Libra quanto de outras áreas (como a Repsol em Sagitário e, como eu disse, ela não parece ter desistido da área mesmo com a queda do preço do barril) me sinalizam que o "pré-sal" (genericamente) não é inviável em si, algumas áreas seriam, outras não, como em qualquer província petrolífera."


    É só especulação. Não explicou por que Libra, com o barril a US$ 100, foi recusada. Sobre a Repsol em Sagitário, repito o que respondi ali em cima: "Mesmo que o preço despenque e toda a operação se torne inviável, nenhuma petrolífera vai simplesmente abandonar tudo e sair de cena, pois isso agravaria ainda mais a situação..."

    "Inclusive sobre Libra, que está sendo tomado como referência não existe nenhuma indicação de que a área tenha ficado inviável."

    De novo, pela quianta vez: se quando o barril estava acima de US$ 100 nenhuma grande quis participar, por que agora que o barril está em US$ 50 você afirma que continua viável? Se nem acima de US$ 100 ele atraiu as grandes...

    "(Entendi que você deve ter feito uma correção monetária de 60 para 66 dólares, mas é razoável também que as empresas consigam diminuir seus custos, por exemplo: os primeiros poços do pré-sal custaram em torno de 270 milhões de dólares, hoje já estão entre 70~100 milhões. As diárias de sonda eram mais baratas antes do pré-sal, inflaram com a sua descoberta (aumento brutal da demanda) e se a atividade desaquecer acredito que há espaço para os preços voltarem a um patamar próximo ao anterior da descoberta do pré-sal. Mas sem os dados das petrolíferas e das prestadoras de serviço eu estaria apenas especulando sobre a diminuição dos custos de produção de 2009 pra cá)"

    Ok.

    "Visto isto, quais fatos recentes comprovam a inviabilidade do pré-sal (em sua maioria)?"

    Pela última vez (e não irei mais repetir): aumento da produção, nos EUA, de petróleo retirado do xisto; aumento da produção, no Canadá, de petróleo de areias betuminosas, anúncio da petrolífera saudita de que estava abandonando sua política de proteção de preços e que passaria a se concentrar apenas em proteger sua fatia de mercado (lembrando que, na Arábia Saudita, o custo de extração gira em torno de míseros US$ 7, o que significa que o barril pode chegar a US$10 e eles ainda terão lucro); aumento da produção no Iraque, aumento da produção na Rússia, aumento generalizado da produção nos EUA, e tudo isso combinado a uma queda global na demanda. Esse aumento geral na oferta em conjunto com uma queda na demanda fez com que o preço do barril de petróleo desabasse 50%.

    Perante tamanha oferta, e oriunda das mais variadas e mais baratas fontes, o pré-sal se torna economicamente caro e (muito) arriscado. (A menos, é claro, que ocorra alguma calamidade e as atuais fontes de petróleo fiquem inutilizadas).

    Grande abraço!
  • Rafael (mais um)  09/02/2015 19:38
    Leandro, não sei se o pré-sal brasileiro é viável ou não, mas o custo do barril nos campos de deepwater no GoM para as majors gira em torno de USD 60/barril atualmente (trabalho no setor). E parece que as empresas continuarão apostando em águas profundas, pois várias empresas, entre elas Total e Shell, têm anunciado descoberta de óleo no pré-sal do Gabão. Apesar de ser sempre suspeito qualquer projeto grande no Brasil que envolva muito dinheiro, eu sou do grupo que acha que o pré-sal pode dar certo, especialmente se mudarem o regime e deixarem todas as empresas furarem por lá e não só a Petrobrás.

    Por sinal, parabéns pelo artigo. Impressiona como aqui se explicam as coisas de modo que qualquer um pode entender enquanto em artigos sobre economia no mundo "lá fora" não parecem falar nada com coisa nenhuma.
  • Leandro  09/02/2015 19:56
    Pois é. Custa US$60 e, mesmo com o barril a US$50, as que já estavam lá continuam lá, pois não é algo corriqueiro simplesmente parar e abandonar tudo.

    Explica isso pro Yves.
  • anônimo  09/02/2015 19:26
    Leandro, a Statoil seria um exemplo de estatal bem administrada?
  • Guilherme  09/02/2015 20:02
    "A Noruega é citada como a grande fonte de inspiração para o novo modelo exploratório do pré-sal brasileiro. A comparação faz jus à realidade?

    Até certo ponto, sim. Os dois países compartilham da compreensão de que os recursos naturais devem se converter em riqueza permanente e possuem estatais que atuam como indutoras da indústria do petróleo. Mas uma diferença significativa nos distancia: a Statoil não tem direito automático sobre todas as áreas exploratórias, como a Petrobras, que recebe pelo menos 30% de cada bloco licitado.

    Na Noruega, temos de competir com gigantes multinacionais como Exxon, Shell, BP e Chevron. E também podemos decidir em quais licitações entrar. Isso é bom para a empresa, porque não nos obriga a assumir negócios que não nos interessam, e benéfico à economia do país."

    "A Statoil não sofre interferência do governo e dos políticos?

    Não. O governo norueguês tem 65% das ações, mas apenas um único representante no comitê que nomeia os conselheiros. Em 2001, quando passamos a vender ações na bolsa, o estado norueguês assumiu publicamente o compromisso de nunca, sob hipótese alguma, tentar arbitrar os rumos da companhia. Minha obrigação é gerar valor para os acionistas. Se falhar, o governo me manda embora. Se não fosse assim, jamais teríamos conseguido quintuplicar a produção na área internacional na última década."

    "A Statoil não precisa pedir autorização ao governo para aumentar o preço dos combustíveis?

    Claro que não. O preço dos combustíveis deve ser regulado pelo mercado global, não pelo governo. Vendemos nossos produtos no exterior e estamos bem cientes de que os valores no mercado interno devem refletir as cifras internacionais.

    veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/o-presidente-da-estatal-de-petroleo-da-noruega-uma-das-gigantes-do-ramo-informa-la-o-governo-nao-se-mete-na-empresa-se-ela-nao-der-lucro-me-mandam-embora-conta/
  • Reinaldo  09/02/2015 20:05
    Só para constar: o preço da gasolina na Noruega é simplesmente o maior do mundo, de incríveis US$ 10,76 por galão. Pode conferir aqui.

    www.ibtimes.com/how-much-do-you-pay-gas-top-5-countries-cheapest-gas-prices-1544025

    Uma "eficiência estatal" igual a essa eu passo...
  • Pedro Henrique  09/02/2015 19:39
    Brilhante artigo IMB! Definitivamente, uma fonte formidável de inspiração para os graduandos e pós-graduandos em Ciências Econômicas! Aguardo anciosamente por mais artigos dessa natureza! Muito obrigado!
  • Yves  09/02/2015 20:08
    Agradeço novamente a resposta e a paciência em explicar os tópicos que questionei, Leandro.

    "1) Seus engenheiros e estrategistas são muito melhores e mais espertos do que os engenheiros e estrategistas da Chevron, Exxon Mobil, BHP Billiton, Statoil, British Petroleum, Suncor, Repsol etc., e perceberam uma mina de ouro que essas outras empresas não conseguiram perceber. (Esse cenário é até possível, mas, convenhamos, implausível);

    2) Seus engenheiros e estrategistas cometeram um erro de avaliação e jogaram ambas as empresas numa fria. (Esse cenário também é possível e até bem mais plausível que o primeiro, mas não creio muito nele. Uma empresa como a Shell não cometeria um erro amador);

    3) Ambas as empresas decidiram pegar carona no farto financiamento de que disporiam as estatais chinesas e também a Petrobras. Eventuais prejuízos seriam, dessa maneira, minorados, pois haveria todo esse dinheiro estatal em jogo. Melhor do que entrar na jogada sozinha e ter de arcar solitariamente com todos os custos."

    A hipótese 1 me parece a hipótese 3, mas escrachada: os profissionais das empresas do consórcio de Libra de fato viram alguma oportunidade de ganho que outras empresas não viram ou não se interessaram: socializar eventuais prejuízos com outras empresas que não se importam em ter prejuízo. Se eventuais prejuízos seriam minorados pela participação de empresas estatais e por isso empresas privadas se associaram, todas poderiam ter tido o mesmo raciocínio. O fato é que se essas empresas se interessaram algum ganho elas esperam ter, mesmo na hipótese de que o risco foi diminuído pela participação de outras empresas. Qualquer empresa privada poderia ter o mesmo raciocínio, algo em particular levaria a Total e a Shell a enxergar (e considerar) essa oportunidade e as outras todas citadas não?

    "
    Não é assim que funciona. Mesmo que o preço despenque e toda a operação se torne inviável, nenhuma petrolífera vai simplesmente abandonar tudo e sair de cena, pois isso agravaria ainda mais a situação. Há vários fatores técnicos que devem ser considerados. No curto prazo (e faz apenas sete meses de preços do petróleo em queda), alterações no preço não afetam a produção. Quando se começa a extrair petróleo, o produtor está literalmente ao sabor do vento, da engenharia e da pressão da extração. O tempo de duração de cada um desses poços não é muito longo. Logo, não há motivos para se interromper o processo de produção, por maior que seja a queda do preço. O racional é continuar extraindo na esperança de que o preço volte ao "normal"."

    Pensei nessa hipótese, acho que está descrita até em um artigo aqui do site, mas a conta já chegou lá nos EUA, com redução na atividade das sondas (www.rigzone.com/news/oil_gas/a/137018/Oil_Surges_8_As_US_Rig_Count_Plunges_Shorts_Cover?rss=true), você acredita que ela está apenas demorando pra chegar nas empresas que operam no pré-sal?

    ""Bom, a própria notícia da BP (preço de 60 dólares) já contraria a tese de que qualquer que seja a complexidade do pré-sal frente ao Golfo do México ela o torne mais caro que os 85 dólares da área do Golfo do México. Como você vai ver mais abaixo a BG indica preços mais altos na área da cessão onerosa girando entre 70~80 dólares, ainda abaixo que os 85 do Golfo do México."

    Não entendi."

    Você argumentou que os custos de produção no México são de 85 dólares e é uma região menos complexa operacionalmente (e portanto mais barata) que o pré-sal brasileiro. Mas eu mostrei pelo menos uma fonte que afirma que afirma que seu custo de produção nas áreas que ela avalia no pré-sal está entre 40~80 dólares, mais baratos que os custos que você citou do golfo do México.

    "É só especulação. Não explicou por que Libra, com o barril a US$ 100, foi recusada. Sobre a Repsol em Sagitário, repito o que respondi ali em cima: "Mesmo que o preço despenque e toda a operação se torne inviável, nenhuma petrolífera vai simplesmente abandonar tudo e sair de cena, pois isso agravaria ainda mais a situação...""

    Não tenho como explicar o motivo de cada empresa daquela ter recusado participar do consórcio de Libra, mas também não posso ignorar que empresas se interessaram pelo campo e que outras áreas do pré-sal também estão avaliadas com brents de equilibrio inferiores aos 50 dólares.

    "De novo, pela quianta vez: se quando o barril estava acima de US$ 100 nenhuma grande quis participar, por que agora que o barril está em US$ 50 você afirma que continua viável? Se nem acima de US$ 100 ele atraiu as grandes..."

    Já argumentei lá acima: desconsiderando as estatais, a Total e a Shell tiveram interesse no campo. Mesmo que o raciocínio seja de que elas pensem em socializar os eventuais prejuízos com empresas estatais elas estão esperando algum lucro desse empreendimento.

    "Pela última vez (e não irei mais repetir): aumento da produção, nos EUA, de petróleo retirado do xisto; aumento da produção, no Canadá, de petróleo de areias betuminosas, anúncio da petrolífera saudita de que estava abandonando sua política de proteção de preços e que passaria a se concentrar apenas em proteger sua fatia de mercado (lembrando que, na Arábia Saudita, o custo de extração gira em torno de míseros US$ 7, o que significa que o barril pode chegar a US$10 e eles ainda terão lucro); aumento da produção no Iraque, aumento da produção na Rússia, aumento generalizado da produção nos EUA, e tudo isso combinado a uma queda global na demanda. Esse aumento geral na oferta em conjunto com uma queda na demanda fez com que o preço do barril de petróleo desabasse 50%.

    Perante tamanha oferta, e oriunda das mais variadas e mais baratas fontes, o pré-sal se torna economicamente caro e (muito) arriscado. (A menos, é claro, que ocorra alguma calamidade e as atuais fontes de petróleo fiquem inutilizadas)."

    Entendi a situação de agora, realmente é um empreendimento caro e de risco, mas re-argumento: áreas do pré-sal (que já citei da reportagem da BG) não tem brents de equilibrio tão altos. Outros já não são viáveis.(mesmo com a recuperação do preço o brent ainda ronda os 60 dólares)
    Já entendi seu ponto, Leandro, agradeço pela paciência no debate. Apesar de não concordar com a afirmação genérica de que o pré-sal como um todo é um empreendimento inviável, concordo que muitas das regiões ofertadas são áreas inviáveis ou de risco. Num futuro talvez próximo veremos se ele é realmente inviável, como um todo.

    Agradeço pela discussão.
  • St. Laurent  09/02/2015 20:25
    "Você argumentou que os custos de produção no México são de 85 dólares"

    Não foi o Leandro quem disse isso, mas sim o pessoal que trabalha no setor (no Golfo do México e não no México). Tá escrito lá na reportagem da CNBC. Você tem de clicar para lá para ler. Eis o que o cara diz:

    "I've been in the market too long to make a prediction where the lows will be, but I do know that underneath $85 there's a lot of production that simply cannot come online".

    "Mas eu mostrei pelo menos uma fonte que afirma que afirma que seu custo de produção nas áreas que ela avalia no pré-sal está entre 40~80 dólares, mais baratos que os custos que você citou do golfo do México."

    Pelamor, hein? Entre "40~80 dólares"?! Você pega uma variância de 100% de diferença e quer acreditar que isso é mais acurado que o sujeito que cravou US$ 85 dólares e que trabalha lá? Como é que alguém trabalha com uma margem de erro tão enorme assim? Como é que alguém consegue planejar algo minimamente racional? Você pode até sinceramente achar que é possível, mas daí a crer que tamanha variância de 100% constitui argumento, já é outra coisa.

    Se só lhe restou isso como argumento, acho que tá bom de discussão.
  • Yves  09/02/2015 21:17
    Olá St. Laurent,

    Receio que me expressei mal: citei o preside da BG, que disse ter brent de equilíbrio em torno dos 40 dólares para uma região do pré-sal e 70~80 dólares para outra. Qualquer que seja a área (a de 40 dólares ou a de 70~80 dólares) tem um custo menor que os 85 que ele citou. E sim, eu vi que o Leandro citou uma fonte, isso fazia parte do argumento dele.


    Abraços
  • Renan   09/02/2015 20:17
    economia.estadao.com.br/noticias/geral,inundada-de-dinheiro-suica-vai-entrar-em-recessao-imp-,1631303

    Estou estudando economia por conta própria e ontem eu li essa reportagem:
    economia.estadao.com.br/noticias/geral,inundada-de-dinheiro-suica-vai-entrar-em-recessao-imp-,1631303

    O que falar sobre isso ?
    A Suiça pode entrar numa recessão por ter uma moeda valorizada ?

    Gostaria de saber a opinião de vocês em relação a essa matéria

    obrigado
  • Leandro  09/02/2015 20:30
    Dou-lhe duas respostas:

    1) A moeda dos suíços ganhou 20% a mais em termos de poder de compra e a reportagem quer nos fazer crer que isso é um desastre?! Pela lógica, se o articulista ganhar um aumento salarial ele terá de recusar, pois isso será uma "recessão" para ele. Moeda ganhar poder de compra é o equivalente a você ter um aumento salarial.

    Segundo o articulista, a economia suíça entrará em recessão porque algumas empresas exportadoras estão se recusando a diminuir seus preços. Ora, se é assim, então que quebrem. A moeda deles ganhou 20% de poder de compra, então elas podem perfeitamente reduzir seus preços. Ou então, elas que se virem criando produtos diferenciados que passem a ser mais desejados por estrangeiros.

    Só que é sempre mais fácil fazer lobby pedindo para o BC depreciar a moeda do que batalhar no mercado.

    Outra coisa: escondidos na reportagem estão dois parágrafos que dizem que o salário médio na Suíça é de 6 mil francos (ao passo que na França é de meros 2,1 mil francos), é um dos maiores do mundo, e que terá de ser reduzido para manter a competitividade das exportações. Só que os sindicatos não aceitam.

    Que se estrepem então. Quem quer se manter competitivo tem de cortar custos. E se a sua moeda se valorizou 20%, cortar custos é indolor. Mas se essa gente se recusa a aceitar esta realidade de mercado, então que percam seus empregos.


    2) O BC suíço passou os últimos três anos jurando que a taxa de câmbio do franco em relação ao euro permaneceria fixa para sempre. Sendo assim, as empresas suíças e vários fundos de investimento acreditaram nessa promessa do BC suíço e se posicionaram de acordo, na crença de que a taxa de câmbio permaneceria assim para sempre.

    Aí, quando o BC repentinamente alterou sua política, todas essas empresas e fundos de investimento foram surpreendidos, e agora estão em situação difícil.

    De quem realmente é a culpa? Quem mentiu falando que iria seguir uma política e, repentinamente, adotou outra?

    Uma coisa é você ter uma política cambial clara e previsível. Outra coisa é você falar que vai fazer uma determinada política cambial, e repentinamente adotar outra completamente oposta. Aí, realmente, haverá vítimas, choro e ranger de dentes.


    Sobre o assunto:

    Uma surpresa suíça
  • Danilo Henrique  09/02/2015 20:49
    Essa é a diferença de uma análise que se sustenta em premissas racionais, principalmente, a mais racional de todas as premissas: a liberdade

    Se sustentar em premissas que buscam um mundo colorido, cheio de unicórnios vomitando arco-íris é mais fácil e é um discurso sedutor.

    Mas não funciona!
  • Fabiano  09/02/2015 21:49
    [OFF] Associação 2015
    Equipe IMB, quando irão disponibilizar a associação para 2015. Eu só achei o link para a de 2014.
    Grande abraço!
  • Tannhauser  09/02/2015 22:58
    Prezados,

    parabéns ao site e todos os autores que têm mostrado ao longo dos anos como a economia realmente funciona. Obviamente, nem tudo é previsível, pois vivemos em um mundo complexo, mas algumas propriedades são intrínsecas do sistema, em algum momento ocorre a massa crítica.

    Por último, mas não menos importante, poderia enviar ao meu e-mail os próximos números da megasena?

    Agradeço desde já.
  • Equipe  09/02/2015 23:16
    Jamais aposte no 13.
  • Zhara  10/02/2015 00:37
    kkkkkkk, ótima, senso de humor também de primeira da equipe IMB. Parabéns a todos.
  • Silvio  10/02/2015 11:40
    Se fosse só o 13 estava bom. Além do maldito 13, há outros números (por ora) nos quais jamais devemos apostar: 10, 11, 12, 14, 15, 16, 17, 19, 20, 21, 22, 23, 25, 27, 28, 29, 31, 33, 36, 40, 43, 44, 45, 50, 51, 54, 55, 65, 70, 77 e 90.
  • Pobre Paulista  10/02/2015 13:58
    Eu aposto sistematicamente no 99. Ainda não consegui nada, mas sigo tentando.
  • Osmar Neves  10/02/2015 03:29
    Eu só tenho a agradecer! Os artigos são muito esclarecedores e tenho aprendido bastante. Parabéns a toda equipe, Hélio, Prof. Ubiratan Iorio, Leandro, Bruno, aos demais, e também aos comentaristas (inclusive os chatos, hehehe). Muito obrigado a todos vocês e por favor continuem!



    PS: Sou um homem das cavernas digital, hehehe, e faço votos de que encontrem logo uma editora parceira para publicarem mais livros, inclusive os de natureza política, histórica e cultural, como os do Erik von Kuehnelt-Leddihn.
  • Pedro  10/02/2015 04:27
    O Leandro tem razão ao dizer que uma empresa que esteja produzindo petróleo no pré sal não sairá correndo. Nos campos em produção os custos já foram incorridos. A produção está na fase amena da colheita, portanto, é continuar bombando.
  • Equipe de Leitores  10/02/2015 11:50
    Senhores, eu perdi alguma coisa?

    O IMB já está divulgando seu portfólio para a sociedade, circúlos acadêmcos e, quiçá, autoridades? Se for isto, surpresas à parte, está certo e é assim mesmo que tem que ser. Oportunismo é fundamental, principalmente se a intenção for entrar na área pública.

    [Só não contem com total apoio - desta bancada que vos fala - a essa prentensão. O presente "portfólio" coloca holofotes justamente sobre os articulistas do IMB, que são os de nossa mais elevada estima. A causa é nobre sim, mas não é completamente do nosso interesse. Que a presidência da República nem tome conhecimento dele]

    Só resta dizer que o presente artigo - bem como todos os trabalhos que o acompanham e que têm sido desenvolvidos até aqui - é simplesmente devastador. Parabéns a todos e muito obrigada!

    Grande abraço!
  • Equipe IMB  10/02/2015 13:25
    De nossa parte, não há e nem nunca houve nada disso. As únicas pessoas que fazem a divulgação -- e voluntariamente -- são os nossos leitores.

    Agradecemos as gentis palavras e grande abraço!
  • Paulo Lima  10/02/2015 12:21
    Pelo amor a vida humana, porque não está nas disciplinas curriculares (Ensino Médio) aulas sobre Economia. Talvez, ao conhecer, o caminho do peixe até a mesa do almoço, o valor, o esforço do trabalho e o preço das 'coisas' tornariam o nosso dia a dia repleto de respeito entre cada um de nós. Acredito que aprender economia, vivencia a cidadania. Eficiência, eficácia, precaução, etc... uso racional da água. Obrigado, parabéns ao site e a todos os autores.
  • Pedro Limão  10/02/2015 15:53
    Pelo amor a vida humana, porque não está nas disciplinas curriculares (Ensino Médio) aulas sobre Economia.

    Como não vi nenhum comentário relacionado, apesar de não haver um ponto de interrogação, acho que isso foi uma pergunta e não uma resposta. Se foi mesmo uma pergunta, dê graças a Deus que não temos economia nas escolas públicas. Não vamos envenenar as cabeças de nossos jovens com keynesianismo e nacional-subdesenvolvimentismo. Meu Deus, tanto lixo já é empurrado goela abaixo de nossos jovens, não é preciso mais uma fonte de imbecilização.

    Talvez, ao conhecer, o caminho do peixe até a mesa do almoço, o valor, o esforço do trabalho e o preço das 'coisas' tornariam o nosso dia a dia repleto de respeito entre cada um de nós.

    Estava pensando em algo assim dia desses. As pessoas de antigamente tinham o costume de dar graças pelo alimento antes das refeições, pois elas tinham a noção da dificuldade para fazer com que um alimento chegue à mesa. Hoje em dia as pessoas não costumam mais fazer essa reflexão, não são gratas pelo que têm e querem mais e mais, ignorando as dificuldades do mundo real.

    Acredito que aprender economia, vivencia a cidadania. Eficiência, eficácia, precaução, etc... uso racional da água. Obrigado, parabéns ao site e a todos os autores.

    Quando vejo alguém falando em "cidadania", já prevejo BS. E não errei. Se há uso irracional da água, saiba que ele vem sobretudo do próprio estado. E, se as pessoas usam mal a água, saiba que é por causa do estado também, que tira o incentivo para as pessoas fazerem uso racional da água, uma vez que, usando ou não usando, você vai pagar do mesmo jeito.
  • paulolima  12/02/2015 01:19
    OK !

    'tanto lixo já é empurrado goela abaixo de nossos jovens, não é preciso mais uma fonte de imbecilização.' Ora, protegê-los dos 'lixos', seria um comportamento protecionista, similar a de uma intervenção governamental ? É necessário o acesso às teorias/práticas boas, ruins, medianas,ou ouvi-las, para tecer...construir conhecimento ? A informação assimétrica, o custo social, o ordenamento jurídico brasileiro (barreira), as forças de Michael Porter, estatísticas que seguem uma distribuição t de Student, variáveis significativas e os modelos econômétricos, o propósito Agnotology, é tudo, também, empurrado goela abaixo? Afinal como a ciência é construída ? Essa tal de antropologia, no estudo da cultura e consumo, nessa 'tribo', formidável é o escambo !

    Sabe, é que a '?' do teclado agora está funcionando, pretensiosamente semelhante à da época dos 'criadores' da Escola Austríaca. Às vezes falta-me palavras, devido a essa minha Alexithymia. Admito, não escrevo bem, e tudo fica confuso. E depois da Escola Austríaca, o que têm/temos ? Nessa 'tribo =realidade', formidável também será o escambo ? Não viverei, mas a curiosidade.
  • pedrolimão  18/02/2015 01:21
    "Protegê-los dos 'lixos', seria um comportamento protecionista, similar a de uma intervenção governamental ? É necessário o acesso às teorias/práticas boas, ruins, medianas,ou ouvi-las, para tecer...construir conhecimento ?"

    Ao contrário, ensinar economia no ensino médio é que é ser protecionista ao estilo governamental. Não se engane você pensando que todas as correntes econômicas serão ensinadas imparcialmente. Parte será simplesmente suprimida do currículo (como a EA), parte será citada só para ser ridicularizada, se é que será citada (Escola de Chicago), e parte ensinada como A economia (keynesianismo e suas variantes, é claro). Os jovens serão ensinados com esse viés e terão a impressão de que sabem algo sobre economia quando, na verdade, só aprenderam bobagens.

    Nesse caso, melhor não ensinar nada de economia ao jovem na escola e, desse modo, ele não terá qualquer ilusão de conhecimento, tendo plena ciência de sua ignorância. Assim, quando tiver interesse, o jovem buscará aprender o assunto sem viés, movido pelo sentimento honesto de tentar buscar a verdade e adquirir conhecimento válido sobre os fenômenos do mundo real. Tenha a certeza de que quanto mais longe o estado ficar longe da educação, mais as pessoas ganham.

    Ainda no assunto, interessante citar o argumento do Adolfo Sachsida. Ele, com razão, diz que antes de ficar inflando o currículo das escolas com um monte de matérias, muitas de utilidade duvidosa, que o pessoal se preocupe em ensinar direito algumas matérias básicas para os jovens, tais como Português, Matemática, Ciências e História. E considerando que muitos jovens concluem o ensino médio sem saber compreender um texto, sem saber a tabuada, sem saber o que é uma molécula e sem saber o que foi o helenismo, tal crítica se apresenta perfeitamente razoável.
  • Marcos  10/02/2015 12:22
    Equipe IMB,

    Parabéns pela qualidade e regularidade do trabalho!
    Venho seguindo o site há alguns meses, e não raro tenho surpresas positivas sobre assuntos interessantes e explicados de maneira bem didática por aqui. Gosto muito de como vocês abordam a economia brasileira especialmente, sempre ilustrando e traduzindo conceitos teóricos para uma realidade prática que vivenciamos (e sofremos) por aqui.

    Apesar de ter estudado administração de empresas, com razoável cobertura de matérias de economia em uma faculdade considerada de ponta (pelo menos na concepção do nosso mercado de trabalho), tenho a humildade de reconhecer que infelizmente, foi para dizer o mínimo, vaga a cobertura sobre a teoria austríaca que tive acesso naquela época, e vejo que isto fez falta.

    Não por acaso, quando descobri o site, demorei a associar o que aqui é discutido ao tema de uma singela aula de final de semestre onde a discussão (rapidamente) foi sobre os distintos pontos de vista sobre a crise de 29. (quisera eu ter descoberto o vídeo de rap Keynes vs. Hayek naquela época)

    Outra coisa que venho percebendo é que quanto mais me aprofundo nos ensinamentos aqui transmitidos, mais me incomoda a leitura do noticiário de mídia tradicional, que acaba quase sempre indo para uma mesmice de argumentos keynesianos e mercantilistas.

    Engraçado como antes eu realmente não tinha esta percepção. Uma belo choque de realidade ocorreu, pelo menos em meu caso.

    Tenho duas pequenas dúvidas, por ainda não dominar plenamente a TACE.
    Certa vez comentei com um amigo meu que mora nos EUA, formado em MBA no MIT, sobre os preceitos da teoria austríaca e como eu estava gostando de assimilá-los, e ele tentou desqualificá-la sob dois ângulos:

    - é uma teoria antiga, pouco disseminada (acho uma crítica pobre e pouco construtiva. o fato de ser "antiga" também é péssimo argumento, pois não é a data que ilustra a qualidade do que é dito - mas, enfim,..nem de me dei ao trabalho de tentar refutar esta parte)

    - e a segunda, um pouco mais pertinente, é que ele diz que os austríacos sempre alarmam para a questão da inflação, no entanto, com toda a injeção de liquidez e juros artificialmente baixos nos EUA, desde 2008 (Quantitative Easings,etc) ele pergunta porque não há inflação da forma como os austríacos imaginariam que deveria ocorrer, nos EUA. (ou pelo menos, não ainda?)

    Agradeço se puderem me ilustrar com alguns bons pontos para endereçar este segundo tópico

    Um abraço
    Marcos
  • Leandro  10/02/2015 13:23
    Olá, Marcos.

    Obrigado pelas palavras.

    Sobre a ausência de inflação de preços nos EUA, isso também foi abordado aqui repetidas vezes: o Fed deu dinheiro para os bancos, mas os bancos não emprestaram esse dinheiro.

    Ou seja, o dinheiro simplesmente ficou represado nos bancos.

    No atual arranjo monetário e bancário, o Fed (bem como o Banco Central brasileiro) não injeta dinheiro diretamente na economia; ele injeta dinheiro apenas nos bancos, e os bancos é que decidem se irão despejar este dinheiro na economia (por meio da criação de crédito).

    Se não houver demanda por empréstimos, ou se os bancos estiverem mais rigorosos na concessão de empréstimos (que é o caso nos EUA, dado que os bancos ficaram assustados após os calotes que levaram à crise de 2008), este dinheiro não entra na economia americana, e consequentemente os preços não são pressionados.

    As pessoas acharam que o simples fato de o Fed estar entupindo os bancos com reservas faria com que esse dinheiro automaticamente vazasse para a economia. Eles se esqueceram do pequeno detalhe de que, para que esse dinheiro realmente entre na economia, as pessoas e as empresas têm de estar dispostas a se endividar.

    Mais ainda: para haver hiperinflação, empresas e pessoas têm de pegar empréstimos como se não houvesse amanhã, na ordem dos trilhões ao mês (e os bancos, é claro, têm de ser loucos a ponto de abrir as torneiras assim), e o governo tem de incorrer déficits orçamentários maciços. Não há outra hipótese de haver hiperinflação -- a menos que o estatuto do Fed seja mudado e ele possa monetizar diretamente todos os gastos do Tesouro.

    Ainda assim, devo enfatizar que não é do interesse dos bancos gerar hiperinflação. Imagine que você é um banqueiro. Você sabe que, se você gerar uma hiperinflação, os empréstimos que você conceder serão quitados com um dinheiro sem nenhum poder de compra, e isso destruiria o real valor de seus ativos e, consequentemente, seu patrimônio líquido.

    Grande abraço!
  • Diogo  14/02/2015 10:59
    Leandro,

    Poderia me explicar com de fato ocorre o aumento da base monetária, o banco central pode simplesmente aumentá-la ou depende também do tesouro?
  • Auxiliar  14/02/2015 12:22
  • Diogo  14/02/2015 14:01
    Valeu, muito bom artigo.

    Pela logica do funcionamento do sistema é o banco central quem efetivamente eleva a base monetária, mas como o bc so compra titulos do tesouro, sem a emissão dos mesmos não haveria expansão da base.

    Então o aumento da base só pode se dar através da emissão de títulos, e como os títulos serão pagos com impostos, podemos dizer que a moeda é de certa forma lastreada na economia do país emissor da mesma? Ou na capacidade espoliativa do governo local?

  • Pedro Tavares  10/02/2015 13:14
    Parabéns equipe IMB!

    Acompanho o site há mais ou menos 2 anos, era um total leigo em economia/política mas graças ao trabalho de vocês e a escola Austríaca já posso ver o mundo com outros olhos hoje.

    Muito sucesso a todos em 2015.
  • Marcos  10/02/2015 13:36
    Legal Leandro,
    Bem esclarecedor, como de costume.

    Abraço,
    Marcos
  • Victor  10/02/2015 20:52
    Existe algum político ou algum partido político que ao menos chegue perto de querer trabalhar a economia do país sob a visão da Escola Austríaca?
  • Leandro  10/02/2015 21:16
    A escola austríaca jamais será aceita por políticos porque ela diz exatamente tudo aquilo que político, burocrata e acadêmico nenhum quer ouvir. O governo gastar muito é ruim para a economia; imprimir dinheiro é péssimo para economia; déficits orçamentários devem ser abolidos; inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é ruinoso para a economia; regulamentações atravancam o crescimento econômico.

    Já a mescla ideológica atual diz: "Ei, gastar muito é bom para a economia; imprimir dinheiro é ótimo para economia; déficits são perfeitos para a economia; inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é maravilhoso para a economia; regulamentações, se feitas por keynesianos, são supimpa e geram muito crescimento econômico. Ah, sim, e austeridade é péssimo. Ignorem economistas insensíveis que sugerem isso. Apenas gastem os tubos e se endividem ao máximo. O paraíso é aqui, e o Jardim do Éden, onde não há escassez, pode ser perfeitamente replicado pela impressora de dinheiro."

    Qual político resiste a isso?

    Aliás, conhecendo-se a volúpia do ser humano por poder e controle sobre a vida alheia, seria genuinamente um milagre caso as ideias austríacas prevalecessem no mundo atual.
  • Babooska  11/02/2015 11:34
    Então é correto afirmar que as ideias da Escola Austríaca na politica são utópicas?
  • Leandro  11/02/2015 13:55
    Depende da sua definição de utopia.

    Se é "utopia" querer impor disciplina a políticos e "bom senso" dar-lhes plena liberdade, então a EA é utópica e o keynesianismo é sensato.

    Se querer políticos com liberdade de ação é algo "realista" e querer políticos restringidos é "utópico", então as ideias da EA são utópicas.

    Fica a seu critério.
  • Silvio  13/02/2015 13:18
    O senhor mesmo deve admitir que é utopia querer impor disciplina a políticos, bem como querer restringi-los.

    E querer políticos com liberdade de ação é algo realista sim (até porque eles já a possuem), mas nem por isso há qualquer bom senso em lhes dar plena liberdade.

    Se formos seguir esse critério, as idéias da EA são sim pra lá de utópicas. A meu ver, mais realista é querer um mundo sem políticos.
  • Emerson Luis  10/02/2015 22:36

    Conhecem o mito de Cassandra? Ela foi amaldiçoada com o poder de prever o futuro.

    Era uma maldição porque ninguém acreditava nela. Tentou avisar os troianos da destruição de sua cidade, mas foi considerada louca, até ser tarde demais.

    Podemos imaginar como Cassandra se sentia.

    * * *
  • Silvio Luiz  11/02/2015 16:37
    Se Cassandra fosse brasileira, ela poderia usar esse dom para adivinhar os números da Mega-Sena, ganhar uma bolada e se mudar para a Suíça ou Nova Zelândia.
  • Andre  11/02/2015 17:13
    E depois poderia multiplicar o dinheiro comprando e vendendo ações.
  • anônimo  06/04/2015 19:37

    Os dotados de presciência não podem utilizar seus poderes em benefício próprio, foi a explicação que me deram sobre os videntes atuais.

    Sobre Cassandra, Carl Sagan especulou que ela era ignorada porque suas previsões invocavam a responsabilidade das pessoas, tanto a responsabilidade pelos erros passados quanto a "responsa-habilidade" por agir diferente daqui em diante.

    * * *
  • FellipeBC  12/02/2015 18:36
    Desculpe o comentário nesse post, é meio off-topic
    Comecei recentemente meus estudos sobre economia, tenho muita dificuldade em entender a divisão das escolas, quais estão relacionadas, a relação por exemplo da escola Austríaca, liberalismo, neoliberalismo e termos afins e o que cada escola prega, tem algum artigo ou livro no site que explique esses termos? Porque quando estou lendo alguns artigos as vezes me deparo com estes termos e referencias que acabam dificultando a interpretação plena do artigo.

    Qual a opinião da escola Austríaca sobre os monetaristas e Milton Friedman?

    Existe diferença entre libertario e liberal? Ou são termos semelhantes? Ou algum deles nem existe?

    O que é carestia? Vejo o termo em diversos artigos e já tentei entender mas tenho muuuita dificuldade? Algum artigo recomendado.

    Praxeologia foi um termo criado por Mises correto? Sendo a economia uma das áreas da praxeologia certo? Alguma outra escola utiliza este termo?

    Se puderem sanar essas dúvidas ficarei muito grato.

    Abraços
  • Assistente do Auxiliar  13/02/2015 12:04
    Esse artigo também é interessante: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349

  • Pobre Paulista  14/02/2015 10:58
    Qual a opinião da escola Austríaca sobre os monetaristas e Milton Friedman?

    De maneira geral a Escola de Chicago tem raízes semelhantes à Escola Austríaca, porém peca justamente na questão do monopólio da moeda: eles sempre observam a "demanda agregada" ao invés de se preocupar com a estrutura de capital, e assim cometem o mesmo erro dos Keynesianos: A de que a inflação (aumento da quantidade de dinheiro circulando) estimula a economia. Por isso defendem que o estado controle a emissão de moeda.

    Existe diferença entre libertario e liberal? Ou são termos semelhantes? Ou algum deles nem existe?

    Cuidado aqui. Nos EUA, liberal é, paradoxalmente, aquele que acha que o governo deve controlar a economia, e seu maior ícone é o Paul Krugman. Aqui, liberal remete mais ao liberalismo clássico. Já o libertarianismo é uma filosofia político-social, que prega a ausência do estado nas decisões cotidianas de um cidadão, e por isso a maioria dos libertários é simpático aos ensinamentos da escola austríaca.

    O que é carestia? Vejo o termo em diversos artigos e já tentei entender mas tenho muuuita dificuldade? Algum artigo recomendado.

    Aumento de preços. Normalmente chama-se isso de "inflação", no entanto inflação é o aumento da quantidade de dinheiro na economia, sendo o aumento de preços é uma consequência disso. Sem aumento de dinheiro circulando na economia é simplesmente impossível um aumento generalizado nos preços, pois como a quantidade é constante, para que um produto suba de preço, outros precisam cair, e assim as variações de preços refletem exatamente as novas vontades do consumidor, sinalizando aos produtores o que produzir e o que parar de produzir. Com um aumento contínuo de dinheiro na economia, os preços não caem nunca, e os produtores continuam fabricando bens que não necessariamente estão no gosto dos consumidores, levando os produtores à fazerem investimentos ruins (que não darão retorno no futuro) e semeando as crises e ciclos econômicos.

    Praxeologia foi um termo criado por Mises correto? Sendo a economia uma das áreas da praxeologia certo? Alguma outra escola utiliza este termo?

    Praxeologia é o estudo das ações humanas, as iterações sócio-econômicas estão incluídas aí. Mises não separa o estudo da economia da sociologia.
  • FellipeBC  14/02/2015 15:21
    Primeiramente obrigado pelas respostas, me ajudaram muito, estou terminando de ler os artigos.
    Agora outro ponto no artigo indicado pelo Assistente do Auxiliar:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349

    Como fica claro a doutrinação Marxista nas escolas, todas as posições que eu lia eram exatamente iguais aos livros de história e geografia que vi durante meu ensino fundamental e médio, eu lembrava até das figuras e quadros nos livros fazendo as mesmas afirmações que "resposta marxista" dava para as questões.

    Fora que ouvi de um colega meu, bem instruído até, a afirmação de que a recessão que o Japão vem enfrentando nesses últimos anos era causada pela disciplina, o hábito de poupar dos japoneses e ao baixo consumo, expliquei pra ele que é justamente o contrario, pelos japoneses serem disciplinados e poupadores o Japão não esta pior, o que mantém ele nessa crise são as medidas politicas tomadas pelo governo (Espero ter explicado certo xD).
  • patricio  14/02/2015 01:37
    gostaria da saber porque a economia dos eua esta tao bem? isto era previsto?

    e no caso da petrobras, se o pressal eh inviavel, a empresa vai ter q sofrer um resgate, nao ?
  • Leandro  14/02/2015 02:40
    A moeda se fortaleceu, o preço da gasolina despencou, sobrou mais dinheiro para as pessoas quitarem suas dívidas e voltarem a consumir.

    É exatamente por isso que nós do IMB insistimos tão repetidamente nessa questão da moeda forte, que é de suma importância. Observe que foram anos e anos de estímulo governamental e nada. No entanto, bastou o dólar se fortalecer, e pronto. A economia voltou a viver.

    Lembre-se de que a recessão americana começou oficialmente em dezembro de 2007. Lá se vão mais de 7 anos de estímulos governamentais.
  • Vinicius  14/02/2015 12:18
    E já está sendo resgatada, pelo preço abusivo da gasolina, apertando os fornecedores de derivados do petróleo para eles tomarem prejuízo ou saírem do negócio e é claro, via impostos.
    Se o pré sal se tornar inviável por ainda mais tempo, basta abandonar as plataformas, quem vai pagar a conta é o povogado brasileiro mesmo.
  • Giovani Facchini  17/02/2015 20:50
    Ótimo artigo e excelentes discussões nos comentários! Isso sim que é um veículo de informações de alto nível :)
  • Thyago  20/02/2015 11:43
    Parabéns IMB!

    Trabalho maravilhoso!
  • Alexandre  20/02/2015 12:14
    "Foi apenas em meados de 2014, após dois trimestres consecutivos de PIB negativo, que toda a imprensa nacional começou a falar sobre os desarranjos da economia brasileira"

    Gostaria apenas de alertar sobre o termo "PIB negativo". O termo correto seria "Crescimento do PIB negativo", pois PIB seria uma quantidade.


    No mais, excelente artigo.
  • Graciliano  20/02/2015 18:50
    Sou estudante da área de finanças e me sinto privilegiado por ter lido esse artigo. Gostaria que a maioria dos estudantes das áreas de economia, contabilidade e finanças pudessem lê-lo. Certamente aconteceria com eles o que aconteceu comigo. A possibilidade de criar um novo, eficiente e sólido molde para a geração de resultados mais positivos em prol de uma sociedade mais justa. A partir desse artigo, "o economista disse ou os economistas disseram" não soam mais no pejorativo pois há esperança.
  • gutemberg  06/03/2015 16:09
    Parabens IMB. Matéria fantástica. Aproveitarei para ler todos os posts citados. Valeu
  • Gunnar  18/03/2015 16:48
    Sensacional coletânea de links. Obrigado, IMB.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  29/03/2015 00:19
    O Brasil merece todo o sofrimento que está passando e muito mais! Se tivesse escolhido diminuir a opressão estatal em prol da liberdade, talvez não estivesse na crise econômica que está passando. IMPOSTO ZERO JÁ.
  • anonimo  20/06/2015 01:02
    Alguns especialistas dizem que a elevação da taxa dos juros se deu devido à imposição dos credores e rentistas.

    Estes querem mais dinheiro e pressionam O GOVERNO com a elevação da taxa de juros junto ao Banco central que é controlado pelo FMI e bancos credores norte-americanos.

    O fim do governo PT foi decretado quando as estatais fornecedores de crédito começaram a disputar mercado com os rentistas.

    O FMI representado por partidos de direita elevam a tributação da energia, diminuem salários, aposentadorias, direitos trabalhistas e civis.

    A única política trabalhista no Brasil contemporâneo foi a migração para Estados do Sudeste, principalmente S. Paulo que arrecada a metade da receita do governo Federal.

    Diante deste quadro resta ao PT o papel de bode expiatório, fora a corrupção.

    A auditoria da dívida pública nunca foi realizada no Brasil por quê?

    Vamos tentar a auditoria na dívida pública e apontar quem realmente deve e por quê?

  • Leandro  20/06/2015 01:20
    "Alguns especialistas dizem que a elevação da taxa dos juros se deu devido à imposição dos credores e rentistas."

    Ouço isso desde antes de eu nascer. Ninguém nunca provou nada; nem mesmo com teorias conspiratórias.

    "Estes querem mais dinheiro e pressionam O GOVERNO com a elevação da taxa de juros junto ao Banco central que é controlado pelo FMI e bancos credores norte-americanos."

    E por que eles não pedem isso dos outros bancos centrais ao redor do mundo, que estão com juros zero? Ou, se o foco é a América Latina, por que não pedem isso do BC do México (juros de 3%), ou do BC da Colômbia (juros de 4,5%), ou do BC do Chile (juros de 3%), ou do BC do Peru (juros de 3,25%)? Por que pedem isso apenas do BC do Brasil?

    "O fim do governo PT foi decretado quando as estatais fornecedores de crédito começaram a disputar mercado com os rentistas."

    Os bancos estatais fornecedores de crédito -- que são os principais responsáveis pelo descalabro inflacionário que vivemos -- continuam fornecendo crédito a juros baixo impavidamente. Informe-se.

    "O FMI representado por partidos de direita elevam a tributação da energia, diminuem salários, aposentadorias, direitos trabalhistas e civis."

    Até outro dia, o chefão do FMI era Dominique Strauss-Kahn, do Partido Socialista Francês, conhecido partido de direita...

    [i] "Diante deste quadro resta ao PT o papel de bode expiatório, fora a corrupção."


    Claro. O PT é vítima de tudo. Ele é há 12 anos vítima do poder.

    "A auditoria da dívida pública nunca foi realizada no Brasil por quê?"

    Pergunte ao PT. É ele quem está com a chave do cofre.

    "Vamos tentar a auditoria na dívida pública e apontar quem realmente deve e por quê?"

    Vamos.
  • M.S. Batista  25/09/2015 15:48
    Leandro,


    Parabéns pelas análises!

    Sempre tão óbvias, mas é preciso estar disposto a pensar diferente para entendê-las; e agir a tempo. Para compreender o que tem nesse site é necessário predisposição para tal, desvincular de idéias impregnadas na sociedade, presente na maioria das cabeças inebriadas pelas falácias populistas.

    "Burro é aquele que não vê e nem acerta o alvo. Inteligente é aquele que vê e acerta o alvo. SÁBIO é aquele que acerta o alvo que ninguém viu."

    E o IMB acertou muito antes de aparecer!
  • guilherme  18/03/2018 05:47
    Gotaria de estudar mais a fundo a teoria q vcs falam. Como/onde achar? Mestrado, MBA, cursos, palestras, livros?


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