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Que bom seria se esse PIB caísse...

Em tempos de PLN 36 (Projeto de Lei do Congresso Nacional nº 36 de 2014), muito terrorismo político se escutou de parlamentares e burocratas.

Coisas do tipo "é preciso aprovar o PLN 36 para não haver recessão!"; "Haverá desemprego e redução da atividade do país se o PLN 36 não for aprovado!"; foram muito noticiadas. O PLN 36 foi votado e aprovado.  Um grande erro.  Explico.

Tudo gira em torno da equação[1] PIB = C + I + G + (X-M) que muita gente conhece. Particularmente, há uma falácia que se centra em "gastos do governo" (G). Se "G" diminui, cai o PIB e há recessão.  Mas o que não está claro é que, se o PIB caísse em decorrência da diminuição de "G", as consequências seriam amplamente positivas.

O raciocínio para explicar essa falácia começa com uma pergunta: de onde vem o financiamento do governo? Dos impostos, da inflação monetária e do endividamento do próprio governo.  Mas, dado que o endividamento será pago com impostos e inflação monetária, então em última instância todo o financiamento do governo advém de impostos e de inflação monetária.  

Ou seja, é algo simples e direto: todo governo se financia perante o setor privado da economia. Quando o governo drena recursos para si, ele reduz a capacidade de investimento do setor privado.

De imediato, poderíamos até pensar que, se os recursos migram de um ente privado para um ente público via impostos ou inflação monetária, então não há problemas. O que o privado gastaria será o público que gastará. Mas esse argumento é facilmente rejeitável dada a natureza coerciva da tributação: as fontes de financiamento são uma usurpação às propriedades dos cidadãos. E essa usurpação é igual a quase metade do seu tempo dedicado à produção.

Em suma, um turno de trabalho é do governo, o outro do cidadão.

No entanto, dado que o confisco não cessará e o gasto continuará existindo, deixemos de lado o argumento moral e concentremo-nos nos argumentos econômicos.  Dizer que o ente público gastará o mesmo que o privado gastaria é ilógico porque os gastos públicos não se orientam pelo mercado e para o mercado; eles se orientam para a perpetuação do poder dos defensores da ideologia de plantão.  E aí já temos uma diferença intransponível: ao passo que os cidadãos privados gastariam (ou investiriam) seguindo suas preferências subjetivas e a lógica de mercado, o governo gastará seguindo lógicas político-eleitoreiras.

No âmbito político, os projetos mais viáveis nem sempre são os prioritários e o gasto não é eficiente.  No que mais, e paradoxalmente, o próprio governo tem de incorrer em gastos extras para fiscalizar o gasto público e se certificar de que este esteja em parâmetros mais ou menos de acordo com o mercado! Fiscalização essa que, por si só, é um consumo de recursos.[2]

Economia não é uma ciência exata, mas podemos associar esses dois fatores e concluir que há perdas. E essas perdas no Brasil vão além do aceitável. A conta é mais ou menos a seguinte: o tudo o que o governo arrecada via impostos, ele gasta; e tudo aquilo que ele arrecada via endividamento, ele investe[3].

Lembra-se da usurpação da metade do trabalho do cidadão? Toda ela é gasta pelo governo em algo não-produtivo.  Mais ainda: parte da poupança que o setor privado faz não é reinvestida, mas sim desviada para financiar o governo.

E se você ainda não está convencido do argumento, vamos aos números.

Há algum tempo, escrevi um ensaio sobre a desindustrialização brasileira[4][5] evidenciando que o câmbio não era o culpado pelo que ocorria na época, e sim os fatores internos da economia. O consumo intermediário (isto é, o consumo de bens que são utilizados na produção de outros bens; o vidro é utilizado na fabricação de um copo, o papel é utilizado na impressão de um livro) e a alta drenagem de recursos do setor privado pelo governo estavam entre os principais fatores da desindustrialização, além do alto consumo das famílias. O resultado era uma despoupança em relação à produção total, um efetivo consumo de capital, o que prejudicava o crescimento econômico sustentável.

De lá pra cá, algo mudou? Estamos melhores? Piores? Para onde estamos indo? Eis as evidências atualizadas.[6]

Comecemos a analisar os recursos drenados do setor privado pelo setor público, em relação ao PIB. Assim, para 100% de PIB, temos o seguinte:

fig1.png

O setor público drena do setor privado, sob forma de impostos e endividamento, de 35% a quase 40% do PIB, o que deixa para o setor privado uma quantidade de recursos para consumir e poupar na ordem de 60% a 64% do PIB.  O consumo das famílias fica na ordem de 62% do PIB, mais ou menos constante ao longo da série. Logo, sobram recursos privados para consumir ou poupar na ordem de 2% ao ano, em taxa decrescente nos últimos anos e sendo negativa em 2012 e 2013.

Se considerarmos que a indústria de um modo geral deprecia (perde sua capacidade de produção em virtude do desgaste e obsolescência) na ordem de 5% ao ano[7], isso significa que ela não é capaz nem sequer de repor a sua capacidade produtiva.

E as coisas ainda pioram. Como seguimos o raciocínio do Produto Privado Remanescente explicado neste artigo (até porque somos economistas e economistas jamais podem violar o principio número 1 da economia, que é o princípio da escassez, sob pena de invalidez lógica ou desonestidade intelectual), temos de visualizar as coisas sob a ótica do valor adicionado, que é o quanto a economia realmente produz de riqueza no ano. Assim temos o seguinte:

fig2.pngO setor público drena de 40% a quase 47% (quase metade!) do valor adicionado.  Daí a conclusão, afirmada anteriormente, que um turno de seu trabalho é confiscado pelo governo e o outro turno é para si próprio.  Consequentemente, sobra para o setor privado consumir ou poupar (o trade-off em obediência ao princípio da escassez) em torno de 53% a 60% do valor adicionado.

As famílias, em decorrência dos estímulos ao consumo dados pelo governo, não dão folga e consomem algo em torno de 70% de todo valor adicionado, restando recursos privados para repor ou expandir a capacidade produtiva da economia na ordem de -12% (menos 12 por cento) em 2012, deteriorando-se recentemente e chegando a -20% (menos vinte por cento) em 2013.

E como é possível consumir além do que se produz?  Essa conta parece não fechar, certo? Errado. Se estivermos consumindo além do valor adicionado, isso significa que estamos consumindo o estoque daquilo que foi produzido no passado.

Notem que a lógica é perversa. O estoque do passado deve servir para expandir a capacidade de produção da economia (liberação de recursos reais). O governo está promovendo exatamente o contrário: a alta drenagem de recursos do setor privado pelo setor público acaba sendo um fator determinante na incapacidade de restabelecimento — ou mesmo de aumento — da capacidade produtiva do setor privado.

A análise evidencia que uma política estatal de estado empreendedor, nacional-desenvolvimentista, definidor de empresas campeãs nacionais, e defensor de políticas de crédito fácil (não-lastreado por poupança real) e de estímulo ao consumo (todas elas ativas e defendidas na era contemporânea da nossa economia) não somente não é eficaz, como na verdade é danosa à economia.

Infelizmente, não há perspectivas de uma retomada em um horizonte breve, pois são necessárias reformas que dependem dos governantes. A aprovação do PLN 36 acabou de mostrar o repúdio do governo às reformas necessárias. "G" vai aumentar e o PIB vai junto apresentar crescimento. Nada bom.  Um número positivo, mas que esconde inexoráveis leis econômicas que, mais cedo ou mais tarde, aparecerão.

Como seria bom se fosse o contrário: um "G" caindo vertiginosamente para restaurar a capacidade de investimento do setor privado.  Haveria PIBs negativos no intervalo de recuperação.  Seria um número negativo, mas que ocultaria a verdadeira retomada do crescimento econômico. Mas que político consegue ou quer explicar isso para os seus eleitores?

Ah, como seria bom se esse PIB caísse...



[1] Já foram escritos vários artigos sobre a falácia do PIB aqui no site do IMB (veja aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), e seus argumentos contribuem para a explicação desse artigo.

[2] Lembrei-me agora de uma passagem de um episódio dos Simpsons que retrata bem essa situação. Springfield recebera um dinheiro extra proveniente de impostos e decidiram alocá-lo para a educação. Ao receber o cheque, disse a autoridade na cerimônia de entrega: "Esse dinheiro dos impostos irá para as crianças para que elas, no futuro, aprendam como alocar de forma mais eficiente os impostos".

[3] Consome por volta de 40% % do PIB, investe por volta de 2% e se endivida em mais 2%.

[4]O entendimento tradicional de desindustrialização se trata da participação da indústria no PIB. No entanto, esta visão é incompleta. Indústria é a conjugação do capital e do trabalho para transformar a matéria-prima em bens de produção e bens consumo. Uma simples padaria é uma indústria.

Com esse pensamento, deduzimos que uma economia mais industrial é a que apresenta uma maior conjugação entre capital e trabalho; é mais capital intensiva e apresenta, consequentemente, maior produtividade do trabalho (maior geração de riqueza por unidade de tempo). O contrário também é verdadeiro: menos industrial significa menor conjugação entre capital e trabalho; é menos capital intensiva e apresenta, consequentemente, menor produtividade do trabalho (menor geração de riqueza por unidade de tempo).

[5] Seguindo o conceito acima, podemos diferenciar economias desenvolvidas e subdesenvolvidas. As primeiras são mais produtivas porque só podem conseguir isso apresentando elevado estoque de capital empregado (que teve de ser poupado por gerações anteriores), o que proporciona alta produtividade; as segundas possuem baixo capital empregado (não houve poupança suficiente nos anos ou gerações anteriores), o que explica a sua baixa produtividade e atraso econômico. Se acrescentarmos ao conceito a teoria austríaca do capital, a qual explica como se ocorre o crescimento sustentável e o insustentável, podemos classificar as economias em 4 classes: desenvolvidas se industrializando; desenvolvidas desindustrializado; subdesenvolvidas industrializando e subdesenvolvidas desindustrializando. O quadro a seguir evidencia melhor essa classificação:

fig3.png

[6] Os dados-base da pesquisa são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém há uma ressalva a fazer. A partir do ano de 2010, o IBGE apresenta em suas contas nacionais trimestrais dados de recursos e usos a partir do Produto Interno Bruto (PIB), não sendo possível analisar a relação entre produção total, consumo intermediário e PIB (isso porque solicitei ao IBGE os dois primeiros). Entretanto, é possível fazer uma análise sem esses dados. Do mesmo modo que no primeiro ensaio, este segue a mesma lógica do Produto Privado Remanescente (PPR). Veremos duas análises: uma em relação ao PIB e outra em relação ao valor adicionado. São apresentados de forma relativa, pois esse tipo de análise dispensa qualquer método de deflação da série temporal, proporcionando uma análise mais realista e não-distorcida.

[7] Não é nada absurdo estimar uma taxa de depreciação de bens de capital na ordem de 5% ao ano de um modo geral. Significa uma vida útil de 20 anos.



autor

Domingos Crosseti Branda
é mestre em Economia da Escola Austríaca pela Universidade Rey Juan Carlos, Madri.

  • Felipe  23/01/2015 13:52
    "Quem me dera, ao menos uma vez,
    Ter de volta todo o ouro que entreguei"
  • Zé ruela  23/01/2015 13:57
    Alguem me diz, como uma instituição que não produz nada pode contribuir para o produto interno bruto??
  • Rodnei Cardozo Moreira  23/01/2015 16:38
    Todo gasto do governo entra na conta do PIB.

    Se numa produção em que o total é de R$1000 o governo arrecada R$200, e gasta isso numa atividade não produtiva (fiscais da receita federal por exemplo), o PIB será de R$1200.

    A conta é bizarra mesmo, pois o governo jura que 2+2=5.

    Bem vindo ao Instituto Mises Brasil.
  • Anonimo  23/01/2015 14:11
    O autor supõe que todo o dinheiro que vai para o governo é desperdiçado. Isso é verdade mesmo? Eu achava que o dinheiro que ia para o governo era aplicado com uma eficiência menor do que se permanecesse na iniciativa privada. Isso valeria para todos os países, sem distinção. No Brasil, por uma série de razões, a eficiência do governo seria muito menor do que em outros países do mundo. Mas daí a supor que o governo tem eficiência zero, parece muito radical, não?
  • Antônimo  23/01/2015 14:20
    Não. Mesmo que o governo fosse gerenciado por anjos e santos, ainda assim isso ocorreria. E os motivos foram explicados detalhadamente nestes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1378

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1391

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1025
  • Conhecido  23/01/2015 14:25
    Não tem nada de radical.

    O governo apenas consome, destroi a acumulação de capital, e portanto desperdiça o dinheiro.
  • Sivad  23/01/2015 14:54
    Caros,

    Recentemente conheci o instituto Von Mises e em minha visão os artigos aqui apresentados são muito bem elaborados e embasados. Sou profissional autônomo e sinto bastante o peso dos impostos que não são convertidos em serviços eficientes pelo menos para mim e minha família, tendo eu que recorrer aos serviços privados, pois tenho que pagar um plano de saude, escola particular para os filhos, tenho que ter um carro, sistemas de segurança em meu lar etc.

    Na visão da economia liberal o estado necessitaria existir? se sim qual sua função? como os serviços como os que citei deveriam ser providos? a iniciativa privada conseguiria atender toda a população de um país com serviços de qualidade??

    Caso estas indagações já tenham sido comentadas em artigos, poderiam indicar os links?

    Grato.
  • Pobre Paulista  23/01/2015 15:22
    Aqui vc irá encontrar basicamente conservadores, liberais, libertários e anarquistas. Cada um deles lhe dará uma resposta diferente. Vou tentar resumir:

    Anarquistas: O estado deve ser destruído.
    Libertários: O estado é desnecessário.
    Liberais: O estado não deve intervir na economia.
    Conservadores: O estado deve garantir apenas a segurança e a soberania nacional.
  • Forever  23/01/2015 15:49
    ''Na visão da economia liberal o estado necessitaria existir?''

    Na visão libertária não, na visão dos liberais clássicos o estado seria mínimo. Recomendo esses artigos: o sonho impossível do liberalismo clássico e liberalismo clássico versus anarcocapitalismo.

    ''Caso estas indagações já tenham sido comentadas em artigos, poderiam indicar os links?.''

    Artigos sobre saúde,segurança e educação.

    Boa leitura.
  • Anônimo  23/01/2015 15:45
    Não Concordo. Presumir que o governo tem eficiência 0 é ser radical demais. Aliás, o modelo de economia de Von Mises já é bem radical.
  • Pobre Paulista  23/01/2015 20:31
    Não é questão de ser radical, é questão de definição. O estado não produz nada simplesmente porquê ele não produz nada.
  • breno  25/01/2015 02:09
    Para o Estado é impossível ter uma eficiência acima de 0, já que ele não produz absolutamente nada, sendo que ele apenas consome recursos da economia.

    O fato dele pagar um professor ou fiscal 'do que lhe convir', isso em nada agrega à economia. Pois ele confiscou recursos alheios para isto.

    Basicamente,

    Na iniciativa privada - Existe o suficiente para pagar 2 professores.

    Após estatização do ensino e eleição de um prefeito - Existirá 1 professor e 1 prefeito.

    O prefeito além de não fazer nada, provavelmente ira ganhar mais que o professor ;)

    Ou seja existira agora apenas 1 professor.

    ...

    Se atentar bem, o estado ter eficiência 0 é na verdade impossível nos dias atuais. Na verdade a eficiência estatal é <0.
  • Emerson Luis  25/01/2015 19:54

    Depende do que se quer dizer com "eficiência".

    Stephen Covey definiu "eficiência" como a capacidade de atingir resultados, enquanto "eficácia" como atingir resultados sem desperdiçar recursos e preservando a capacidade de produzir. Neste sentido pode-se dizer que o governo é eficiente (sim, produz algum resultado), mas é ineficaz.

    Cada R$1,00 cobrado pelo governo é R$1,00 a menos para o setor privado produzir riqueza. E a maior parte dele é gasto com burocracia ou desviada, chegando apenas uma parcela ao cidadão e ainda por cima é mal administrada.

    Há uns dez anos ou mais, li que havia 40 milhões de miseráveis no Brasil e que o governo gastava 40 milhões de reais por ano no combate à miséria. Na época pensei que era melhor que o governo desse um milhão diretamente para cada miserável; hoje sei que produtivo seria se não tirasse esses 40 milhões da população economicamente ativa.

    * * *
  • Marcelo Boz  23/01/2015 16:38
    Acho que em relação a renda per capita já temos a maior carga tributária do mundo!
    Com o pacote de medidas o governo só viu o lado dele! Fechar as contas... as custas do contribuinte, obviamente aumentando impostos!
    2015 vai ser o ano em que a recessão técnica que ora vivemos se tornará uma recessão aberta!
    A economia pode crescer, mais o desemprego vai aumentar!


    Att
    Marcelo Boz
  • Mario g bizerra  23/01/2015 17:08
    G é parte da equação porque existe, sempre, é real.
    O problema surge quando os detentores do poder, em economia capitalista é anticapitalista.
  • Andre Cavalcante  23/01/2015 19:02
    ?
  • Coringa  23/01/2015 19:16
    G existe na equação de Y, mas é SURREAL.

    No lugar de usar +G na equação de Y, deveriam alterar para -2G.
    Sugiro o artigo abaixo:

    mises.org.br/Article.aspx?id=2013
  • Luigi  23/01/2015 19:19
    "G é parte da equação porque existe, sempre, é real."


    Me diz como uma instituição que não produz nada, contribui para a produção nacional??

    Vou dá o prêmio nobel para quem responder esta pergunta.
  • Rennan Alves  23/01/2015 22:22
    Claro que contribui. Contribui para a produção nacional de idiotas úteis!

    Pode mandar o prêmio aqui pra Fortaleza.
  • breno  25/01/2015 02:26
    Alguém já viu político anticapitalista dentro do governo?

    A única coisa que eles fazem é acumular capital em suas contas...
  • IRCR  23/01/2015 19:54
    Friedman explica porque os gastos públicos são sempre ineficientes

    [VIDEO]https://www.youtube.com/watch?v=U704n6bGoHQ[/VIDEO]
  • Victor Z.  24/01/2015 00:11
    Gente, 1ª vez que comento aqui, sejam compreensivos se for uma pergunta estúpida.

    Existe a possibilidade de o governo aumentar (G) para elevar o PIB e, consequentemente, não entrar em recessão (ou seja, maquiar a contabilidade)?
  • Pobre Paulista  24/01/2015 10:59
    Uma coisa é o governo elevar os gastos, outra coisa é ele gastar o que não tem, outra é maquiar contas públicas, e nada disso tem a ver diretamente com recessão.

    Existem leis (inúteis, obviamente) que "limitam" a capacidade do governo de espoliar a sociedade, no entanto, como a realidade não se cansa de nos comprovar, tais limitações não tem eficácia alguma, e os políticos sempre dão um jeito de gastar mais dinheiro dos outros, seja pela maneira "honesta", que é alterando a legislação vigente, seja pela maneira "desonesta", que é passando por cima da legislação vigente (a tal da contabilidade criativa). Assim o governo utiliza a contabilidade criativa para gastar o que não tem, que significa aumentar ainda mais o "G".

    Já a recessão ocorre justamente pelo excesso desta intervenção estatal (seja ela "honesta" ou "desonesta"), mas não necessariamente pelo aumento do "G" e sim pela expansão do crédito (o que indiretamente aumenta o "G", como mostrado no início do texto". Quando isto acontece, milhares de investimentos são direcionados para setores errados da economia, ou seja, não dão retorno no futuro, causando as crises econômicas.

    Portanto não importa o mecanismo que o governo usou para aumentar o "G", se foi honesto ou desonesto, se usou para investir ou para corrupção, o resultado final é sempre a recessão.
  • breno  25/01/2015 02:23
    Não! Porque ele não produz absolutamente nada.



  • anônimo  25/01/2015 10:42
    Produz serviços de polícia e justiça, no mínimo. Mesmo que seja sacanagem impedir que outros façam isso, e eu concordo que é mesmo, não dá pra falar que o governo não faz NADA.
  • Empreendedor Libertario  26/01/2015 12:27
    Produzir ele produz, mas isso é bom pra mim? a policia me persegue e a justica pretende me encarcerar.

    Quandl argumento c eles, os covardes tiram o corpo fora alegando que nao podem fazer nada pois "tá na lei".
  • Ed  24/01/2015 03:00
    PIB mede gastos, na verdade, e a partir deles se infere o quanto foi produzido na economia. Quanto foi gasto pelo consumo privado (C), quanto foi investido (I), quanto se exportou (X) e quanto o governo gastou (G). A importação é descontada porque isso foi produzido fora. Também não é contabilizada a poupança em termos monetários, embora sua maior parte seja certamente utilizada em C, I e, claro, G. Afinal de contas, até mesmo seu FGTS é utilizado para financiar setores do governo e sua poupança é utilizada para financiar casa própria.

    Portanto, PIB é sim uma boa medida para o total de riqueza gerada num país no momento, mesmo que parte considerável desses recursos seja jogada fora em programas ineficientes e mesmo inúteis em G. Embora eu concorde com quase tudo que o autor disse, o certo seria dizer que cada variável da equação do PIB mede quantas maçãs produzidas internamente foram consumidas, não produzidas. Se algumas maçãs foram poupadas guardando-se em casa ou utilizadas para consumo próprio, estas não entram na conta do PIB, mas apenas estas. Se foram para um "banco de maçãs", um atacadista, já entram para a conta.

    PPR é uma boa medida para apurar o desempenho da parte livre da economia, onde se atende a uma demanda genuína, privada. Dado que G só se financia mediante apropriação coerciva de recursos do setor privado, é no PPR que se verifica a saúde real de uma economia, em minha opinião. Não sou radical a ponto de dizer que não há serviços úteis e demandados em G. Escolas e hospitais públicos estão aí para provar que estes existem. No entanto, estas mesmas instituições estão aí para provar o quanto a parte G do PIB é ineficiente e destruidora de valores. Não há um único país do mundo onde se possa dizer que serviços públicos são tão bons quanto os privados, nem mesmo nos queridinhos da esquerda, como Suécia e Canadá.

    Mudando para o assunto da eficiência, o problema com G é que este consumo de riqueza se dá por via coerciva, basicamente por impostos. Como o governo se apropria da renda de uns para oferecer serviço "gratuito" para outros, é difícil mensurar qual o valor real desses serviços que, certamente, caso o governo cessasse de oferecer, trariam um crescimento em C. Não há como os serviços de G serem eficientes porque não há os incentivos corretos. O usuário, em geral, não é aquele que paga e, para piorar, muitos serviços são monopolizados. Talvez existam exceções, mas o que se verifica é que não há incentivo para maior oferta de serviços porque não haverá aumento de renda, nem há pressão por maior eficiência porque a despesa será paga de qualquer maneira. O serviço governamental pode até ser bom em alguns raros casos, como em certas universidades e estradas, mas sempre a um custo mais alto do que se poderia esperar em um ambiente privado e competitivo. Isso sem contar na verdadeira concorrência desleal contra entes privados, que não podem, por definição, se financiar através de coerção, os impostos.
  • Tiago Moraes  26/01/2015 21:51
    Eu entendo suas colocações Ed, de fato, se não computarmos os gastos públicos como variável positiva, na equação, os bens e serviços (que a iniciativa privada produziu) consumidos pelo Estado não serão computados na produção global. Porém, para compreender o argumento austríaco, você tem de entender que os bens e serviços consumidos pelo Estado são produtos de uma renda que foi confiscada da iniciativa privada ex ante. Se você abstrair o aspecto monetário do processo, poderá interpretar que esses bens e serviços finais, consumidos pelo Estado, podem ser entendidos como bens e serviços confiscados.
  • Ed  26/01/2015 22:12
    Foi o que eu disse Tiago. Releia: "Dado que G só se financia mediante apropriação coerciva de recursos do setor privado, é no PPR que se verifica a saúde real de uma economia, em minha opinião."
  • Andre Cavalcante  27/01/2015 19:41
    Caríssimos,

    Não entendi algumas coisas:

    C - consumo privado - tudo o que entes privados consumiram, certo?
    G - consumo público - tudo o que o governo gastou, certo?
    I - o quanto foi investido - tudo o que entes privados gastaram em produção futura
    X - exportações
    M - importações

    Para existir C e G, não é preciso haver primeiro a produção, isto é, o investimento no período anterior?

    Onde entra na conta os estoques atuais, uma vez que nem tudo que é produzido é imediatamente consumido?

    Como G vem da espoliação, o valor de G é retirado de C+I ou falta alguma variável nessa conta?

  • Leandro  27/01/2015 20:27
    "Para existir C e G, não é preciso haver primeiro a produção, isto é, o investimento no período anterior?"

    Sim e não. Em última instância, as coisas podem ser importadas em vez de produzidas internamente, o governo se financiar via imposto de importação. É um arranjo que não vai durar muito, é claro, mas é possível de existir por um curto período de tempo.

    "Onde entra na conta os estoques atuais, uma vez que nem tudo que é produzido é imediatamente consumido?"

    A formação de estoques entra no I.

    O I é igual à formação bruta de capital fixo (FBCF) mais a variação nos estoques.

    Aí a equação mais detalhada fica

    PIB = C + G + FBCF + EST + (X - M).

    Se a variação dos estoques for positiva -- ou seja, houve produção e armazenou-se uma fatia do que foi produzido --, o I sobe. Se os estoques são reduzidos, o I cai.

    "Como G vem da espoliação, o valor de G é retirado de C+I ou falta alguma variável nessa conta?"

    Na teoria, é retirado de C+I. Na prática, pode vir também da inflação monetária (expansão do crédito), que aditiva ao mesmo tempo o C, o G e o I, e cujo efeito -- inflação de preços -- será ligeiramente neutralizado com o uso de um deflator.
  • Dam Herzog  25/01/2015 08:43
    O povo aos poucos vai tornando o governo inútil como ele é. Acho que eles não sabem o que é liberdade econômica, ambiente econômico, excesso de crédito, que gastos com pessoal não é investimento. Já existe um cartão que que é abastecido em bitcoin e paga em dólares. Quando eles perderem o monopólio do dinheiro eles não poderão desvalorizar os nossos ativos, produzir inflação, intervir nos preços administrados pelo governo o que lhes dará um prejuízo. Sem liberdade econômica não há progresso pois a liberdade econômico já inclui o direito a propriedade ganha com o próprio suor e legitima. E esquecer o intervencionismo e abandonar a democracia que faz com que a maioria sobrecarregue a minoria. Oxalá este dia chegue mas a imprensa sempre ajuda os governos pedindo sempre mais governo. Não sei até quando a gente vai levando... Por isto acho a Dilma e o Lula lixos putrefatos, as bondades deles só fazem, num prazo maior, mal ao povo.
  • Marcos  27/01/2015 15:55
    Não entendi o artigo. Realmente seria desejável se o G caísse. Mas porque o PIB cairia por causa disso, se tudo o que o governo faz é tirar dinheiro do setor privado? Não seria mais lógico pensar que os empreendedores investiriam melhor a quantidade de dinheiro extra nas mãos deles e fizessem o PIB subir ainda mais? Se o G caísse provavelmente o I e o C aumentariam ainda mais.
  • Roberto  27/01/2015 16:05
    Prezado Marcos, se o G cai, o PIB também cai no [/u]curto prazo[/u]. Isso foi explicado em excruciantes detalhes neste artigo.

    Sim, a economia como um todo melhora, no longo prazo, em decorrência da queda de G, mas o número divulgado pelo PIB, no curto prazo -- que é o que interessa para governo e imprensa --, cai.

    E esse é o ponto do autor: o PIB cai, mas a economia melhora.

    Recomendo a leitura do artigo linkado ali no primeiro parágrafo de minha resposta. Ele é crucial para se entender tal raciocínio.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  29/03/2015 23:26
    Coloquem algo em suas cabeças: o dinheiro que nós pagamos em impostos para os governos é PERDIDO. Ele não é aplicado ou investido em nada. Ele é simplesmente PERDIDO. Pensem nos buracos negros que aprisionam até a luz e percebam que, nesse planeta, os buracos negros são os governos. Mas, podemos extinguir os governos.


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