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E se a Grécia sair do euro?

Sempre que um país passa por problemas econômicos, surge um grupo de economistas dizendo que tudo pode ser corrigido caso o governo simplesmente desvalorize a moeda — isto é, deprecie sua taxa de câmbio.

Não obstante não seja possível encontrar um só exemplo de país que tenha saído da pobreza e se tornado próspero depreciando sua moeda em relação às outras, tal "solução" segue impavidamente em voga. A desvalorização da moeda é uma panacéia que ainda atrai muitos "pensadores" e continua sendo uma ideia extremamente popular entre alguns círculos de economistas.

Aproveitando o momento, façamos um exercício mental para analisar as prováveis consequências da desvalorização.  Vamos utilizar a Grécia como exemplo.

Suponhamos que a Grécia, que hoje faz parte da zona do euro, conseguisse de alguma forma voltar a emitir um Novo Dracma, e que essa nova moeda se desvalorizasse rapidamente, passando de um dracma por euro para dois dracmas por euro em um curto período de tempo (um mês, talvez), o que representaria uma desvalorização de 50%.  

Vamos também supor que o governo utilize seus poderes coercivos para estipular que todas as obrigações existentes em euro, tais como títulos e contratos trabalhistas, para todas as pessoas e entidades na Grécia, sejam unilateralmente convertidas em dracmas na relação de 1 dracma para 1 euro.

O dracma agora é uma moeda independente e com câmbio flutuante, e sua taxa de câmbio está relativamente estável perto de 2 dracmas por euro (uma taxa até bastante otimista).

Sendo assim, o valor total da dívida do governo da Grécia, em termos de euro, cai 50% (repetindo: a moeda se desvalorizou 50% em relação ao euro, mas todos os passivos foram convertidos de euro para dracma à taxa de 1 para 1).

Consequentemente, as dívidas de todos os outros devedores na Grécia, tais como empresas, bancos e pessoas físicas, também são reduzidas em 50% em termos de euro.  (Se uma empresa devia 100 milhões de euros, agora ela deve 100 milhões de dracmas.  Mas como 1 dracma vale 0,50 euro, 100 milhões de dracmas são 50 milhões de euros.)

A princípio, isso não é um grande benefício para os endividados gregos, dentre eles o governo, pois a renda deles, denominada em dracmas desvalorizados, também caiu 50% em valores de euro.  Tanto a dívida quanto a receita tributária do governo foram simultaneamente desvalorizadas, e o mesmo ocorre com os salários das pessoas e suas dívidas. 

No entanto, não vai demorar muito para que as receitas tributárias, as receitas das empresas e os salários das pessoas comecem a subir (em termos nominais) em decorrência tanto da inflação monetária que agora o governo grego poderá causar (ao sair do euro e adotar uma moeda própria, o governo está mais livre para inflacionar a moeda) quanto da grande inflação de preços que será causada pela desvalorização da moeda.

Como consequência de tudo, os calotes nas dívidas diminuirão.  O declínio nos calotes irá permitir que os bancos gregos, até então descapitalizados por causa de empréstimos ruins, readquiram alguma saúde financeira.  Para completar, os ativos estrangeiros dos bancos gregos (como títulos do governo alemão ou empréstimos feitos a empresas italianas e espanholas) irão dobrar de valor em termos de dracma, o que irá melhor seus balancetes consideravelmente.

Com a redução dos calotes, as falências corporativas também irão diminuir, o que significa menos desemprego.  Trabalhadores gregos, cujos salários foram reduzidos à metade em termos de euro, agora estão mais "competitivos" (isto é, recebem menos) que os de Portugal, Espanha e Itália. 

Por outro lado, as empresas gregas voltadas exclusivamente para o mercado interno não usufruirão grandes benefícios, pois os trabalhadores gregos não serão capazes de comprar muita coisa com seus salários desvalorizados.  Por causa da súbita desvalorização cambial, o poder de compra dos gregos despencou. O custo dos bens e serviços importados dobrou, o que reduz ainda mais a renda disponível dos trabalhadores. Tudo o que foi produzido no país e que não foi consumido (pois a renda real da população caiu), será transformado em excedente exportável.

Aqueles assalariados mais bem pagos da Alemanha e da Inglaterra, que querem escapar de seus respectivos invernos e estão à procura de uma praia (ou mesmo de um local barato para viver quando se aposentarem), trocarão a Espanha pela Grécia e aproveitarão todas as ofertas sendo oferecidas em dracmas desvalorizados.

Sendo assim, a Grécia vivenciará um forte aumento nos negócios e nas contratações relacionadas ao turismo e, talvez, ao setor de exportação.  Por causa disso, a economia parecerá estar melhorando, e as receitas tributárias do governo estarão aumentando, ao menos em termos nominais de dracmas.  Os preços ao consumidor subirão aproximadamente 20% no primeiro ano da desvalorização, e os economistas aplaudirão efusivamente, pois a deflação de preços "foi superada".

Principalmente por ter começado com valores pequenos em decorrência da crise, a bolsa de valores da Grécia irá disparar.  Mas ela teria de subir pelo menos 100% apenas para se manter com o mesmo valor em termos de euros.

Esse cenário parece palatável, não?

Mas há outros fenômenos ocorrendo.  O que acontecerá com todos os bancos alemães e franceses que fizeram empréstimos para empresas gregas?  O que acontecerá com todos aqueles títulos do governo grego em posse dos bancos alemães?  Os títulos e os empréstimos agora valem apenas 50% de seu valor de face em termos de euro.  Os bancos alemães e franceses terão de ser socorridos, e milhões de correntistas alemães e franceses darão esse socorro compulsório por meio de uma redução em suas contas bancárias (exatamente como ocorreu no Chipre).

Os destinos turísticos na Espanha e no sul da Itália perderão clientes e, como consequência dessa súbita perda de receitas, começarão a dar calotes em suas dívidas.  As indústrias de cimento e naval de outros países europeus não conseguirão concorrer contra as importações baratas da Grécia, e também começarão a dar calotes em suas dívidas.  O desemprego nestes países irá subir.

O trabalhador grego agora tem um novo emprego, mas seu salário, reduzido à metade em termos de euro, não mais compra tudo aquilo que antes ele conseguia comprar.  Os preços internos aumentam continuamente, e, embora seu salário também aumente em termos nominais, ele não acompanha a subida dos preços.  Os pensionistas gregos são os mais afetados, principalmente aqueles cuja poupança estava nos bancos gregos (e não em outros países da zona do euro).  Ao passo que seus semelhantes na França e na Alemanha tiveram uma perda de 20% em suas contas bancárias (20% é o total de títulos gregos em posse dos bancos europeus), os poupadores gregos descobrirão que agora compram aproximadamente 50% menos com sua poupança (por causa da desvalorização cambial e da inflação de preços crescente na Grécia).

O sistema tributário grego certamente não será ajustado de acordo com a desvalorização.  A consequência será a de que, com rendas nominais maiores, uma maior fatia dos ganhos será tributada.  E o resultado final é que pessoas com renda real mais baixa — e até então isentas — também terão de pagar imposto de renda.  Isso gerará um grande fardo sobre toda a economia, o qual poucos serão capazes de identificar.  Tradicionalmente, a culpa será atribuída aos altos preços da energia importada.

Após algum tempo — talvez alguns anos —, os salários dos trabalhadores gregos já terão subido, em termos nominais, o bastante para acabar com aquela "vantagem comparativa" inicial.  Os impostos reais mais altos começarão a introduzir uma persistente obstrução na economia grega.

Adicionalmente, o sistema financeiro grego já se tornou deficiente e inconfiável.  Após a desvalorização, ninguém mais está disposto a conceder mais empréstimos em dracmas.  Afinal, quem vai querer correr o risco de ter seus ativos subitamente desvalorizados novamente?  As taxas de juros domésticas já subiram e estão altas, e o volume de empréstimos está baixo. 

Grandes empresas ainda conseguem tomar empréstimos em euros, mas isso não estará disponível para famílias e pequenas empresas.  As famílias, que já foram prejudicadas uma vez, não irão manter sua poupança nos bancos gregos.  O mais provável é que elas descubram maneiras informais de poupar e investir sem recorrer ao sistema financeiro.  Já as famílias mais sofisticadas irão simplesmente utilizar os bancos alemães (mesmo porque os mais ricos já retiraram quase todo o seu dinheiro dos bancos gregos), e sua poupança e seu capital jamais retornarão à Grécia.

Por tudo isso, a economia grega apresentará uma baixa criação de capital, um ambiente de investimentos totalmente distorcido, no qual apenas as grandes corporações conseguem financiamento, e uma baixa criação de empregos.  A economia volta a se estagnar.  Consequentemente, o governo volta a incorrer em déficits orçamentários, uma vez que as receitas tributárias começam a cair e as demandas por serviços assistencialistas cresceram.  Como o governo não mais consegue se endividar em dracmas — só a taxas de juros proibitivas —, ele terá de se endividar em euros.  Mas isso também será difícil, pois o governo já se mostrou inconfiável.  A única opção restante será aumentar ainda mais os impostos. 

À medida que essas dificuldades vão se acumulando, alguns economistas acreditarão ter encontrado a solução: desvalorizar novamente! Essa ideia ganhará o imediato apoio dos grandes exportadores e do setor de turismo, os quais adorariam voltar a ter uma "vantagem competitiva" em termos de mão-de-obra barata. 

Como esses setores já haviam se beneficiado economicamente antes, eles se tornaram mais politicamente influentes.  Por outro lado, os setores que foram prejudicados pela desvalorização, como as empresas que dependem de importações e as voltadas exclusivamente para o mercado doméstico, já perderam toda a sua influência política.  Sendo assim, o sistema político passa a ser guiado apenas pela ideia de mais desvalorizações.

Com a imposição de novas desvalorizações, todo o ciclo se reinicia: o setor exportador e o setor turístico ganham um impulso temporário, mas todo o restante dos trabalhadores gregos perde poder de compra, e seu custo de vida sobe.  A inflação de preços dá outro salto.  O imposto de renda continuará não sendo corrigido pela inflação — pois o governo precisa de todas as receitas possíveis —, o que gerará um confisco cada vez maior da renda real das pessoas e empresas, o que, por sua vez, prejudicará ainda mais os investimentos.

Já os outros países da zona do euro muito provavelmente não ficarão passivos perante os setores exportador e turístico gregos.  É provável que imponham pesadas tarifas sobre as importações e também sobre a conversão de euros em dracmas.

A conclusão é que a desvalorização funciona apenas por algum tempo, e é benéfica apenas para poucos setores muito específicos — e ainda assim apenas no curto prazo.

Em termos gerais, a desvalorização da moeda prejudica toda a população, pois esta é roubada do seu poder de compra, é submetida a uma grande inflação de preços, e acaba ficando sem acesso a bens importados de maior qualidade. 

Um governo que desvaloriza sua moeda está, na prática, fechando suas fronteiras aos bens estrangeiros, isolando sua população (e prejudicando principalmente a fatia mais pobre, agora proibida de comprar produtos estrangeiros mais baratos), reduzindo sua renda, e destruindo enormemente seu padrão de vida.

Economista que realmente acredita que desvalorizar a moeda é o caminho para a prosperidade está, na prática, dizendo que uma sociedade formada por uma minoria exportadora e rica e por uma maioria que não tem nenhum poder de compra é o arranjo ideal. Está dizendo que uma redução compulsória da renda total da população representa prosperidade e enriquecimento. Não faz absolutamente nenhum sentido.

O que aconteceu com a Argentina em 2002, quando a súbita desvalorização do peso fez com que fosse quase impossível para muitas mães comprarem leite para seus filhos, pode perfeitamente acontecer com a Grécia em 2015.  É muito difícil uma desvalorização da moeda passar impune.

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Leia também:

A verdadeira tragédia grega foi o seu gasto público

O sonho do governo grego: espoliar permanentemente os pagadores de impostos da União Europeia

Explicando a recessão europeia

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Autores:

Nathan Lewis é colunista de revista Forbes, escreve sobre política monetária e tributária, e gerencia uma pequeno fundo de investimentos de alcance global.

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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Diversos Autores

  • Cristian William  08/01/2015 14:37
    Simplesmente esclarecedor.
    Porém, fiquei mais sedento do título do artigo: " e se a Grêcia sair do Euro"?
    Acho que poderia ser aprofundado mais o tema.

    Abraços
  • Leandro  08/01/2015 16:16
    Só ao longo do tempo.. No momento, qualquer outra coisa além destas seria mera especulação. A própria reação dos outros países do euro é totalmente imprevisível.
  • Gustavo Nunes  08/01/2015 15:13
    Leandro, não é bem isso que está acontecendo no Brasil?
  • Leandro  08/01/2015 16:17
    Em uma escala bem menor, pois aqui a desvalorização está sendo mais lenta e gradual, dando mais tempo aos agentes econômicos para se adaptar. Desvalorização de 14% em 12 meses é bem mais brando do que 50% em um mês. Na Argentina, além da desvalorização de 75% em 6 meses, houve também o corralito, que confiscou o dinheiro da população.
  • Gustavo Nunes  09/01/2015 16:29
    Obrigado pela resposta.
  • Rhyan  29/06/2015 15:08
    Oi Leandro, qual dado é esse de 14% em 12 meses?
    Obrigado!
  • Leandro  29/06/2015 15:44
    Ih, esse comentário já está defasado. Observe que ele foi feito em janeiro, quando o dólar ainda estava em saudosos R$ 2,50.

    Atualizando os números: hoje, 29 de junho de 2015, o dólar está valendo R$ 3,13. Em 27 de junho de 2014 (uma sexta-feira), o dólar valia R$ 2,20.

    Ou seja, o dólar encareceu 42% em 12 meses, o que significa que o real se depreciou 29,7% em 12 meses.
  • Luis  10/01/2015 20:33
    Na verdade esse é o padrão histórico de política econômica brasileira. O que foi descrito se encaixa plenamente em em 1970, 1987, 1999 e 2013-2014 pelo que me lembro.
  • carlos mello  08/01/2015 16:53
    Muito bom.
    Uma aula de economia.
  • Gabriel  08/01/2015 17:00
    Parece que todo mundo já esqueceu que o Brasil já passou por isso, vários planos econômicos e outras coisas para corrigir os problemas ocasionados pela desvalorização da moeda, pra mim isso se resume numa só palavra "calote".
  • IRCR  08/01/2015 23:19
    Leandro,

    Vc realmente acredita que a Grécia tem vontade de voltar para o drachma ?

    Na minha concepção eles querem continuar usando Euro, pois se trata de uma moeda mais forte, porém eles querem um "cheque" branco da Alemanha para poderem gastar com estímulos fiscais, o que geralmente os keynesianos pregam, mais gastos públicos e o fim da austeridade.

    Imagina vc torrando grana na maquina publica em Euros que "maravilha" que seria.
  • Leandro  08/01/2015 23:27
    Os gregos de bom senso querem manter o euro. Já o governo quer voltar ao dracma, justamente para ficar livre para inflacionar (que é o que todo governo quer).
  • breno  09/01/2015 03:22
    Leandro extrapolando acredito que a totalidade da população economicamente ativa, votam por manter o Euro. A maioria podem não ter convicção firme disto, mas em um canto profundo da consciência tem esse sentimento.

    Somente o governo e seus seletos compadres empresariais (que ganhariam muito com uma moeda desvalorizada). Apoiam deixar o Euro.

    Infelizmente a historia nos mostra, que nesses casos a maioria das vitórias é sempre dos 10% sobre os 90%. Pois quando o governo está entre os 10%, utiliza-se do todo aparato do estado em conjunto com propagandas, controle das mídias, sindicatos, "especialista". E engana os "maleáveis".


    Não vou dizer 'não instruídos' pois conheço engenheiro que votou na macaca, por medo do 'viciado' fazer cagada. Na visão dele melhor estar na merda, do que se mexer e tentar tirar pelo menos a cara do estrume. E comparar com outro ser, analfabeto e trabalhador que diz que a ditadura errou, em não fazer espetinho de molusco e sopa de orangotango. .

    Por isso disse em comentário anterior, que a maioria entende de economia (que não se compara a astrofísica). Corrigindo, aquela economia direta e básica, que está ligada a vida, como exemplo: o valor do trabalho x salário.

    Claramente você com sua dedicação e estudo, consegue enxergar além dessa economia que utilizamos no dia à dia, e tem uma visão mais ampla dos mecanismos e teorias econômicas relacionadas diretamente e indiretamente a vida dos indivíduos. E diz a realidade sem medo ou vontade de agradar.

    E condeno esses outros ditos 'economistas', politicamente corretos, que brincam de distorcer a realidade, claramente em favorecimento próprio ou favor de alguma ideologia. Se as pessoas não entendessem nada de economia, esses 'economistas' estariam falando para o vazio, pois algo deve existir para ser distorcido e manipulado.
  • anônimo  09/01/2015 12:27
    Mais um excelente artigo,parabéns!Como sou leigo em economia,gostaria de entender por quê os governos gostam de inflacionar e o quê os mesmos ganham com essa medidas?
    Acionista25.
  • Leandro  09/01/2015 13:43
    Porque o aumento da oferta monetária lhes permite aumentar suas receitas e, consequentemente, seus gastos. Tudo isso sem a necessidade de um impopular aumento de impostos.

    Veja mais aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1966
  • Felipe  09/01/2015 12:16
    Um pequeno artigo que ensina mais que muitos manuais de economia.
  • Pepe Legal  09/01/2015 13:12
    Nao entendi o seguinte:
    " O que acontecerá com todos aqueles títulos do governo grego em posse dos bancos alemães? Os títulos e os empréstimos agora valem apenas 50% de seu valor de face em termos de euro."

    Pq o titulo seria desvalorizado? Seu valor nao é em euro?
  • Leandro  09/01/2015 13:42
    Escrito no artigo: "vamos também supor que o governo estipule que todas as obrigações existentes em euro, tais como títulos e contratos trabalhistas, para todas as pessoas e entidades na Grécia, sejam convertidas em dracmas na relação de 1 dracma para 1 euro."

    Como o título foi emitido pelo governo grego, ele (o governo grego) pode alterar unilateralmente a moeda em que ele (o título) será quitado. O governo argentino fez exatamente isso.
  • Emerson Luis  09/01/2015 13:38

    O que importa é apenas obter resultados de curto prazo, aliviar os sintomas sem tratar das causas crônicas e aparentar estar fazendo algo de produtivo que melhorou a situação.

    * * *
  • saoPaulo  09/01/2015 17:28
    Porque, afinal, no longo prazo estaremos todos mortos. E mesmo que não estejamos, sempre dá pra falar que o que faltou foi mais intervenção, e o gado vai acreditar...
  • George  09/01/2015 17:07
    Parece que estou lendo o que acontece com o Brasil
  • Gustavo Leitte  11/01/2015 23:18
    O problema é que o Partido de Extrema-Esquerda (Syriza) está na frente nas pesquisas da eleição que acontecerá daqui 2 semanas. Defendem calote em parte da dívida grega e fim da austeridade que resta.
  • IRCR  12/01/2015 05:46
    Leandro,

    Vc acha que o QE do Draghi vai mudar alguma coisa na Europa ?

    dzswc0o8s13dx.cloudfront.net/goldcore_bloomberg_chart2_18-11-14.png
  • Leandro  12/01/2015 11:07
    De novo? Ainda há quem acredite nisso após 6 anos de fracasso? Ainda estão no "agora vai!"? Incrível.

  • Marconi  12/01/2015 13:31
    [Off-topic]

    Leandro, pergunta nada a ver com o assunto, mas que creio ser importante compreender.

    Muito se diz sobre a dívida pública brasileira e que o gasto com ela consome, aproximadamente, 45% do PIB. Já li que essa conta não é certa, pois se trata de uma questão meramente contábil...

    Enfim, é verdade que o pagamento com serviços da dívida (juros+armotizações) é tão gigantesco no Brasil?
  • Leandro  12/01/2015 15:25
    Nem de longe o valor é esse.

    Se você considerar apenas as despesas com juros e encargos da dívida, mais amortização, o valor em 2013 foi de R$ 330,3 bilhões.

    E, dado que o PIB de 2013 foi de R$ 4,845 trilhões, temos um gasto de 6,8% do PIB.

    Já se você incluir na conta o refinanciamento (que é quando o Tesouro vende novos títulos para pagar os títulos vincendos), o total pula para R$1,050 trilhão, o que dá 22% do PIB.

    www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/205525/RRSdez2013.pdf

    É muita coisa, mas ainda é menos da metade desses 45% inventados aí.
  • Marconi  12/01/2015 16:01
    Vi em links como esse

    www.auditoriacidada.org.br/proposta-orcamentaria-para-2015-preve-r-135-trilhao-para-a-divida-publica/

    Outro [Off-topic]

    Viu a pergunta sobre "Chicago boy" que eu fiz para o Min. Levy?
    O que achou da resposta?
  • Leandro  12/01/2015 16:28
    Essa notícia fala em percentual sobre o total das despesas do governo, e não sobre o total do PIB. Você havia perguntado em relação ao PIB e não em relação às despesas do governo.

    Sobre a resposta do Levy -- não sabia que a pergunta fora sua --, a conclusão a que cheguei é que ele já virou político profissional: deu uma resposta excessivamente longa a uma pergunta extremamente simples, e no final não disse nada.
  • Marconi  12/01/2015 17:31
    É verdade! Queria saber em relação ao total das despesas do governo (que tem uma relação com o que se espera arrecadar) e perguntei sobre PIB, nada a ver. Foi mals.

    Mas acho que entendi o que queria. O estado arrecada 2,8 trilhões e paga, mais ou menos, 1,3 tri com a dívida. Porém, nesse 1,3 tri de despesa está computado a rolagem, ou seja, tem 1 tri que entra como receita.

    Assim, de fato, o peso da dívida no orçamento do governo seria de 330 bilhões (como você disse), ou seja, 17% da arrecadação.

    2,8 tri = arrecadação inflada

    2,8 tri - 1 tri = 1,8 tri arrecadação "real"

    330 bi / 1,8 tri = + ou - 17%.

    Portanto, as dívidas não consomem 47% da arrecadação (como o link da a entender), mas sim uns 17~18% mais ou menos. Não é isso ?

    Sobre o Levy, também achei que ele falou, falou e não disse nada. Nem que sim, nem que não. Mas citar Friedman foi um bom sinal.
  • IRCR  12/01/2015 22:22
    Leandro,

    Parece que o Draghi está preparando um "Abenomics europeu".

    A final de contas eles são pagos para fazer alguma coisa né. E está fazendo justamente o que banqueiros centrais sabem fazer de melhor.
  • Hipátia  14/01/2015 11:50
    Sabe que também seria interessante fazer um exercício mental semelhante ao do artigo, só que a partir de uma situação inversa: tendo como espinha dorsal, um processo de valorização cambial. E já que o Brasil atualmente também vive o seu dilema cambial - que não é muito melhor que o grego - podemos usá-lo como exemplo.

    Nessa suposição, a intenção não é emitir uma nova moeda, apenas tomar todas as medidas necessárias para uma contínua valorização do real frente a uma outra moeda, como o dólar, por exemplo. Obviamente já começamos com o ajuste fiscal, que é fundamental e é um bom começo, mas não é o suficiente. Tem que se somar a isso, a outra coisa crucial a ser feita, que é a abertura da economia. Como eu não sei mais que outras medidas poderiam ser tomadas, a análise vais ser feita a partir apenas destes dois feitos.

    Os endividados brasileiros, entre eles o governo, no curto prazo talvez começassem a ter problemas. Por exemplo a dívida pública que, em um ambiente de recessão e ao mesmo tempo de contínua apreciação cambial, certamente teria seu déficit fiscal elevado. Tanto as dívidas quanto as receitas tributárias do governo iriam simultaneamente aumentar o seu valor real, e da mesma forma, os salários das pessoas e suas dívidas.

    Mas em outro ponto, com metas de inflação que agora são extremamente apertadas, a expansão artificial do crédito feita por todos os bancos (e sim, todos) é rigidamente controlada. Além disso, com um inicial aumento do desemprego e menor abrangência dos benefícios trabalhistas, os calotes poderiam aumentar. Mas dado que o governo sinalizou claramente a postura a ser adotada, e se comprometeu a cumprir rigorosamente o proposto, a confiança não só dos empreendedores e dos consumidores aumentou, como também dos investidores internacionais, que agora injetariam liquidez continuamente na economia.

    Com a abertura para a competitividade no mercado interno, o setor exportador e a induústria perderiam os seus benefícios e encolheriam. Mas seria uma oportunidade para ele se reestruturar e se reequipar, já que agora os importados estariam mais baratos. Nessa mesma linha, o mercado interno e o consumidor se beneficiariam, graças à moeda valorizada.

    Os sindicatos agora teriam que aprender a lidar com uma nova realidade...

    Logicamente, já estou alongando demais esse assunto, e não era esse o propósito. Além do mais, nem é muito difícil deduzir o resto da história. Tirando algumas peculiaridades gregas, é quase a mesma coisa que o contrário do que diz o artigo, que é excelente, desenvolve muito bem a ideia e ajuda muito. Parabéns aos autores!

    P.S.: Apesar de o artigo ser ótimo, não isenta o meu raciocínio de erros. Mas espero que valha pelo menos uns 3,5.
  • Leandro  14/01/2015 13:14
    Esse seu raciocínio não faz nenhum sentido. Valorização da moeda significa aumento do poder de compra. Você ter uma moeda se valorizando em relação às outras moedas é o equivalente a você ter aumentos salariais contínuos. Você está ganhando poder de compra em relação às outras moedas.

    Sendo assim, não faz sentido dizer que as dívidas se tornarão impagáveis. Por quê? Muito pelo contrário: se o seu poder de compra aumenta, suas dívidas ficam mais fáceis de ser quitadas.

    Você talvez tenha se confundido e tenha pensado em deflação monetária, que é quando o crédito bancário se retrai e a quantidade de moeda na economia cai. Aí realmente esse seu cenário faz sentido. Mas ninguém aqui está defendendo deflação compulsória.

    E se você ainda não está convencido de que a valorização da moeda não gera esse seu cenário, pode olhar para o próprio Brasil: em outubro de 2002, o dólar chegou a R$4. Em julho de 2008, ele já havia caído para R$1,56. Valorização forte. E não houve nada desse cenário de crise da dívida a que você se refere. Ao contrário até: a dívida externa do governo brasileiro chegou a ser saldada.

    Aliás, e "curiosamente", esse seu cenário começou a ocorrer a partir de 2012, justamente quando o real começou a se desvalorizar perante todas as outras principais moedas do mundo. E esse resultado é bem óbvio: moeda desvalorizada reduz o poder de compra das pessoas. Os salários reais hoje são menores do que eram em 2011.

    Só pra completar, Suíça, Alemanha, Cingapura e vários outros países de primeiro mundo vivenciaram longas décadas de valorização de suas moedas. Em meados da década de 1970, o dólar custava 4,40 francos suíços. Hoje ele custa apenas 1 franco suíço. Pela sua lógica, a Suíça estaria dizimada.
  • Hipátia  15/01/2015 00:40
    É verdade, você tem toda a razão. Foi um erro grotesco meu. Eu misturei totalmente as estações: se fosse para colocar em prática um plano para a valorização do real, já este ano, quaisquer dificuldades iniciais com relação às contas do governo - ou mesmo do cidadão comum, por causa de um momentâneo aumento no desemprego - não teriam nada a ver com a apreciação da moeda. Uma moeda forte jamais poderá ser a causa de uma situação deste tipo. Mas devo salientar que minha lógica não passava, nem de longe, pelo raciocínio de que a economia de um país com moeda forte - que se valoriza continuamente relação às outras - estaria dizimada.

    Sendo assim, prezado Leandro, agradeço demais pela correção. E também pela resposta incontestável, embora nem precisasse de tanto para me convencer. (Isso é até um desperdício; você tem talentos que precisam ser melhor aproveitados)

    Grande abraço!
  • Felipe Chierighini  16/01/2015 11:38
    www.zerohedge.com/news/2015-01-15/greek-bank-runs-have-begun-two-greek-banks-request-emergency-liquidity-assistance
  • Sergio Mendes  24/01/2015 19:46
    No seu artigo voce se esqueceu de aspectos práticos na troca da moeda:
    1- Esta moeda teria que ser impressa, isto leva tempo (4-6 meses),
    2- Diante da noticia haveria uma enorme corrida bancaria dos Gregos para sacar seus Euros que iriam ser convertidos em dracmas,
    3- Os bancos quebrariam e a economia entraria em colapso...
    4- Outra solução seria a conversão imediata dos Euros em bancos em dracmas, com circulação apenas para pagamentos eletrônicos e a manutenção do Euro como moeda circulante, mas este caminho também é cheio de obstaculos,
    5-No seu artigo voce "converte" a divida em Euros para Dracmas assumindo que os credores iriam ficar quietos, infelizmente não seria simples assim, haveriam retaliações econômicas...Credores bonzinhos assim existem apenas na teoria.
  • Leandro  24/01/2015 20:41
    Tanto a conversão forçada da moeda (que, na prática, equivale a uma mera alteração no valor dos dígitos nas contas bancárias) quanto a conversão unilateral da dívida são coisas que já foram feitas antes, pelo governo da Argentina:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1562

    Na Argentina, as contas bancárias em dólares foram "pesificadas" unilateralmente, assim como o valor da dívida do governo, que foi desvalorizada na caneta.

    Ou seja, não se trata de uma mera suposição teórica, mas sim algo que já foi feito na prática.
  • Sergio Mendes  25/01/2015 12:16
    Não temos no mundo nenhum caso similar anterior para comparar com a situação atual da Grécia na Europa, no caso da Argentina a moeda era nacional, utilizada somente lá, enquanto a situação na Europa é completamente diferente porque a moeda é transnacional, e a Grécia é signatária de vários acordos que transferiram parte da soberania financeira para a Comunidade, etc.
    Comparar com a Grécia o casos Latinos (Brasil, Argentina, etc) onde bastava "carimbar" uma nota e declarar que estava criada "uma nova moeda", transformando o meio circulante "antigo" em "novo" e fazendo uma "conversão de valor" é inaplicável. Ninguém iria carimbar Euros valiosos transformando-os em Dracmas lixo, seria loucura.
    Por outro lado não existem Dracmas impressas e imprimir dinheiro em quantidade para um Pais demoraria vários meses, como fazer isto em segredo?
    A verdade é simples e fácil de entender: Com a criação do Euro diversos países tradicionalmente corruptos, e que sempre financiaram os excessivos gastos e mordomias do Estado com a simples emissão de moeda, ficaram impossibilitados de fazer isto, gerando enormes déficits estatais, quando acabou o crédito ficaram com uma enorme divida para pagar e sem outra opção além de fazer o que nunca fizeram antes: cortar despesas e abusos dentro do Estado, a chamada Austeridade Alemã.
    Esta tal austeridade em Portugal teve um resultado simples: corte de até 35% nos salários do funcionalismo, corte nas aposentadorias, corte nas despesas estatais, etc............causando uma comoção social e humana, além da revolta por parte dos atingidos.
    Esta gente quer voltar a ter uma moeda própria não com a finalidade de desenvolver o Pais, melhorar a competitividade das empresas exportadoras, etc que voce demonstrou serem puro factóide mas SIM voltar a ter um cheque em branco pra gastar a vontade como sempre fizeram.
  • Jorge  25/01/2015 15:20
    Austeridade em Portugal? Onde? Olha os déficits:

    www.tradingeconomics.com/portugal/government-budget

    Uma coisa é fazer austeridade para o governo, outra coisa -- completamente distinta -- é o estado impor austeridade ao setor privado.

    Austeridade para o governo seria corte de gastos e corte de impostos. Ou seja, teria de haver um genuíno emagrecimento do governo? Mas o que fizeram? Aumentaram os impostos para aumentar as receitas do governo. Isso não é austeridade para o governo. Desde quando austeridade implica aumentar as receitas?

    Se você se torna austero, seu salário nominal imediatamente sobe? Existe austeridade quando você próprio determina seus aumento salariais? Austeridade assim eu também quero pra mim...

    Aliás, é exatamente isso o que começaram a fazer aqui no Brasil. Prepare-se.


    P.S.: a Argentina também utilizava o dólar, e o dólar não era uma "moeda nacional, utilizada somente lá".
  • Sergio Mendes  25/01/2015 19:51
    Concordo inteiramente quanto a "austeridade" ser insuficiente.
    Mencionei Portugal exatamente porque, assim como na Grécia, estão fazendo um carnaval lá com a tal "Austeridade Alemã", que ainda é claramente insuficiente.
    Quem visita Lisboa vê outdoors de partidos socialistas por toda a cidade pedindo a "volta" do Escudo e o fim da Austeridade "anti-patriótica e entreguista".
    Óbvio que se "esquecem" de contar que foram eles que causaram tudo isso nos Governos socialistas de Mário Soares até o Jose Sócrates...
    Ocorre que para um Estado crônicamente deficitário um deficit de 4,9% é comparável a abstinência de um viciado.
    Observar que os deficits menores em Portugal nos anos anteriores foram em decorrência do uso dos recursos das privatizações para tapar buracos do orçamento gastão.
    Agora restam poucas estatais para vender e uma grande dívida para pagar.
    Quanto ao Brasil concordo inteiramente que estamos no mesmo caminho a passos largos, mesmo porque os governantes são da mesma estirpe mal afamada.
    Quanto ao exemplo Argentino continuo discordando, lá existiram varias moedas ao mesmo tempo: dólares, títulos, pesos, etc. e na Grécia existe apenas uma.
    De qualquer modo iremos assistir o desenrolar desta novela nos próximos anos...
  • anônimo  26/01/2015 01:41
    Fim da Grecia meus amigos.

    www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/01/1580321-esquerda-radical-vence-na-grecia-com-promessa-de-governo-antiausteridade.shtml
  • Magno  28/01/2015 01:37
    Era tudo fingimento:

    Syriza: 'Houve um pouco de 'bluff' da nossa parte', diz provável titular das Finanças

    "O deputado do Syriza Yanis Varoufakis, apontado como provável novo ministro das Finanças, afastou hoje a saída da Grécia do euro e assegurou que o partido não procurará "a confrontação"."


    O Syriza é o PT da Grécia.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  30/03/2015 23:34
    A Grécia pagará sua dívida com juros ou cederá seu território aos credores internacionais. Não há opções.
  • Octavio Trovador  28/06/2015 14:13
    O fato simples e óbvio é que a Grécia se tornou um cavalo de tróia dentro da zona do euro. Assim, o calote que vai acontecer será o presente de grego a todos europeus. A história se repete mas agora como comédia.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  29/06/2015 16:03
    A Grécia Pagará até o último centavo da dívida ou terá os bens históricos e população penhorados. Simples.
  • Idevam Silva Sousa   29/06/2015 16:59
    A Grécia quebrou depois de fazer os jogos Olímpicos (gera muita despesas). Antes, eles já estavam com problemas econômicos. O Brasil já está com problemas econômicos e ano que vem vai fazer os jogos Olímpicos.

    Gregos já não conseguem sacar euros nos bancos
  • Fabio  30/06/2015 04:51
    E eu que pensei que a notícia fosse do Joselito Mueller!kkkk
  • Romullo Freitas  29/06/2015 18:28
    Fraquíssimo esse Leandro Roque, hein! hahaha...

    Parabéns! Ótimo artigo!
  • Adelson Paulo  29/06/2015 23:01
    Aprendi com a experiência do Collor no Brasil que homens com 40 anos de idade ainda não têm o equilíbrio necessário para exercerem uma liderança política em momentos de crise, principalmente se possuem um temperamento violento, como é comum em muitos políticos pela própria natureza da luta pelo poder. Aos 40 anos, nós homens ainda possuímos um elevado nível de testosterona, que nos levam a tomar atitudes impulsivas, acreditando que apenas nossa vontade é capaz de mudar a realidade.
    Este senhor Tsipras tem confirmado esta minha avaliação. Seu temperamento belicoso e orgulhoso, buscando sempre o confronto, está levando a Grécia a um beco sem saída, que pode ampliar o caos econômico que o país já está vivendo.
  • Magno  29/06/2015 23:08
    Essa é uma teoria interessante, Adelson.
  • cmr  30/06/2015 13:53
    Nada a ver...
  • edgar  30/06/2015 01:29
    Mundando um pouco de assunto. Essa geração piketty não vai acabar tão cedo. Se proliferam como ratos.

    veja.abril.com.br/noticia/economia/impostos-e-emprego-a-receita-do-mentor-de-thomas-piketty-para-reduzir-a-desigualdade-no-mundo
  • Mello  30/06/2015 11:53
    Esse senhor aí tá fazendo humor, só pode ser.
  • anônimo  30/06/2015 12:20
    Pior é que até a veja dá espaço para essa gente.
  • Douglas  30/06/2015 12:37
    www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150629_grega_nobel_mdb

    Alguém poderia me explicar isso?
    Um governo pega dinheiro emprestado e quando não pode pagar a culpa e de quem emprestou?

    "Dar condições para que a Grécia continue a crescer"
    Ou seria "dar condições para que o governo grego continue a gastar?

    Por que culpam os banqueiros pelos empréstimos?

    Não consigo ver explicação lógica para isso.
  • Pobre Paulista  30/06/2015 18:49
    Qual liberal não está com um sorrisinho contido no rosto lendo as matérias sobre a Grécia, pensando "Eu já sabia"?
  • MARCOS  30/06/2015 13:10
    Culpam para que a casca negra que circunda o capitalismo possa permanecer vivida e brilhante como o capacete de Darth Vader.
    A ausência de auxílio por parte dos bancos seria vista como a falta de benevolência com aqueles que estão em necessidade; a cobrança do valor emprestado com juros é vista como falta de benevolência com aqueles que estão em necessidade.
    Para todos os lados que você vá, os banqueiros (expressão mais visível do capitalismo para esse pessoal) serão sempre, inexoravelmente, os culpados - "chame-os do que você é acuse-os do que você faz".
    Cabe, portanto, àqueles (nós) que acompanham os estudos do "liberalismo econômico" combater e escancarar, E S C A N C A R A R, as falsas culpas e demonstrar claramente os agentes, os atos, os danos e o nexo entre os atos e os danos.
  • Lucas Oliveira  30/06/2015 17:13
    Caro Leandro,

    Tenho acompanhado nos últimos dias os artigos postados pelo site e tenho gostado bastante da escola do pensamento econômico de Mises. Porém fiquei com muitas dúvidas a respeito de alguns pontos bastantes debatidos aqui.

    As dúvidas são a respeito da política monetária atual, aquelas que não possuem nenhum lastro.
    Quando um país expande uma moeda e a utiliza para fomentar o investimento (atráves de investimento em infraestrutura e educação) e expansão da produção (atráves de financiamento a empresas privadas e públicas de forma subsidiada) o resultado será uma inflação de curto prazo (correto?). Mas com a ampliação da produção e do consumo no longo prazo (resultado dos investimentos) a inflação tenderá ao equilibrio, desde que a ampliação do crédito se mantenha em ritmo com a do consumo. Nesse cenário, um política expansionista seria salutar no sentido de aquecer a economia e gerar dividendos em um menor prazo de tempo. Porém o risco está no descompassos dessa politíca no longo prazo, pondendo causar euforia, decisões ruins e consequentimente bolhas. (caso tenha alguma erro, me corrija por favor).

    Sendo assim, países que adotaram uma política monetária expancionista teve ganhos no PIB no longo prazo (ex.: EUA, Japão e China mais recentimente), gerando de certa forma, um ganho real no poder de compra e no padrão de vida dos seus cidadãos, mesmo com todas as crises advindas do caos financeiro.

    Caso tivesse sido mantido o padrão ouro e fosse adotado o sistema de free banking, o resultado, partindo do ponto de vista teórico, seria melhor do que o atual, teriamos avançando tanto tecnologicamente, socialmente e economicamente?
    Sem a disputa de países, controle de capitais, expansão de crédito e guerras, teriamos incentivos fortes para o avanço científico no mundo (lembrando desde já dos dividendos tecnologicos e sociais da segunda guerra mudial e da guerra-fria)
    Resulmindo, a teoria liberal, numa ótica pragmática, seria mais bem sucedida do que a politica intervencionistas adotas pelos países, mesmo com as crises, ao longo dos séculos XX e XXI?

    Queria deixar desde já um parabéns pelo projeto e pelo empenho e dedicação de seus colaboradores.

    Abraço,
  • Leandro  30/06/2015 18:22
    "Quando um país expande uma moeda e a utiliza para fomentar o investimento (através de investimento em infraestrutura e educação) e expansão da produção (através de financiamento a empresas privadas e públicas de forma subsidiada) o resultado será uma inflação de curto prazo (correto?)."

    Errado. Será inflação de longo prazo. No curto prazo, não necessariamente haverá inflação de preços. Se a moeda entra hoje na economia, os preços não subirão imediatamente. Leva-se tempo.

    Esse processo foi explicado em mais detalhes logo no início deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2117

    "Mas com a ampliação da produção e do consumo no longo prazo (resultado dos investimentos) a inflação tenderá ao equilibrio, desde que a ampliação do crédito se mantenha em ritmo com a do consumo."

    Não é tão simples. Você está partindo do pressuposto que, basta expandir o crédito, que os produtos surgirão. Mas não.

    Que o crédito estimula a demanda é algo óbvio (com mais dinheiro, as pessoas consomem mais). Mas a criação de dinheiro, por si só, não faz com que os produtos surjam magicamente. É preciso haver investimento para fazer com que esses produtos surjam. E investimentos necessariamente demandam tempo para ficarem prontos. O consumo pode ser feito imediatamente, mas um investimento demora tempo para maturar e se transformar em produtos.

    Se uma nova linha de produção começa a ser montada hoje, pode demorar meses (ou até anos) para que os produtos produzidos cheguem ao mercado. Até isso ocorrer, os preços já subiram.

    "Nesse cenário, um política expansionista seria salutar no sentido de aquecer a economia e gerar dividendos em um menor prazo de tempo."

    Nesse cenário, uma política expansionista aditivaria o consumo. O investimento pode ser estimulado? Sim, pode. Mas, como explicado acima, investimentos não se maturam prontamente. Eles levam tempo, ao passo que o aumento do consumo é instantâneo.

    Sem levar em consideração o fator tempo, toda e qualquer análise econômica se torna incompleta e, por isso mesmo, errada.

    "Porém o risco está no descompassos dessa politíca no longo prazo, pondendo causar euforia, decisões ruins e consequentimente bolhas. (caso tenha alguma erro, me corrija por favor)."

    O erro estava nas suas premissas. Nessa parte em específico não há erro.

    "Sendo assim, países que adotaram uma política monetária expancionista teve ganhos no PIB no longo prazo (ex.: EUA, Japão e China mais recentimente), gerando de certa forma, um ganho real no poder de compra e no padrão de vida dos seus cidadãos, mesmo com todas as crises advindas do caos financeiro."

    Esses países usufruem uma vantagem que o Brasil não tem: a economia deles é mais aberta que a nossa. Sendo assim, eventuais pressões inflacionárias geradas pela expansão do crédito são mitigadas por produtos importados.

    Os ciclos econômicos ocorrem do mesmo jeito, só que os ciclos de expansão são mais prolongados.

    Esse artigo mostra os efeitos que um aumento de preços no varejo gera sobre as indústrias.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    "Caso tivesse sido mantido o padrão ouro e fosse adotado o sistema de free banking, o resultado, partindo do ponto de vista teórico, seria melhor do que o atual, teriamos avançando tanto tecnologicamente, socialmente e economicamente?"

    Teríamos uma moeda mais forte e mais estável. Consequentemente, uma economia bem mais previsível. E economia previsível, com moeda forte e estável, é propícia a investimentos de longo prazo, que são os que realmente aumentam o padrão de vida da população.

    Não haveria surtos de crescimento (por exemplo, crescer 7,5% em um ano), mas sim um crescimento moderado, porém contínuo.

    Mas tal arranjo jamais vai voltar. (Era assim até 1913).

    "Sem a disputa de países, controle de capitais, expansão de crédito e guerras, teriamos incentivos fortes para o avanço científico no mundo (lembrando desde já dos dividendos tecnologicos e sociais da segunda guerra mudial e da guerra-fria)"

    Perfeito.

    "Resulmindo, a teoria liberal, numa ótica pragmática, seria mais bem sucedida do que a politica intervencionistas adotas pelos países, mesmo com as crises, ao longo dos séculos XX e XXI?"

    Tanto a teoria quanto a empiria indicam que sim.

    "Queria deixar desde já um parabéns pelo projeto e pelo empenho e dedicação de seus colaboradores."

    Muito obrigado. Grande abraço!
  • Lucas Oliveira  30/06/2015 19:15
    Caro Leandro,
    Obrigado pela explicação e pelo tempo.

    Mas me veio outra dúvida.
    Sabendo que os banco centrais e governos gostam de brincar com a ofertada monetária como forma de fazer políticas de curto prazo e ganhar dividendos políticos, poderia ser feito um arranjo mais racional a respeito das políticas de expansão de crédito de forma a alavancar uma economia atrasada e subdesenvolvida?

    Por exemplo: se um país A elabora um plano economico de desenvolvimento indústrial com base na expansão de crédito. Primeiro ele cria linha de credito para a industria de base, com o objetivo de expandir sua oferta e diminuir os custos de infraestrutura. Na segunda etapa, cria zonas industriais especiais (com incentivos tributarios) com objetivo de expandir as exportações e ganhar experiencia e conhecimento industrial. Na terceira etapa aumenta a oferta de crédito para a industria de transformação e de bens de consumo. Ao final amplia o crédito para o consumidor e para os serviços de forma a armotizar a expanção da oferta, incentivando o consumo interno. Algo feito, acredito eu, na China.

    Caso esse país A seja bem sucedido e tenha acumulado experiência e tecnologia, poderia então iniciar um processo de abertura progressiva da economia, liberalizando importações e diminuindo a interferencia governamental até quase nada, deixando cada vez mais espaço para os mercados maduros.

    Esse minha prospota deve ser bem um censo comum entre alguns economistas. Mas mesmo sabendo do equilibrio que um pleno mercado gera, tenho receios se uma economia fraca e subdesenvolvida consiga prosperar em um mercado pleno, uma vez que há outros paises com politicas mais agressivas economicamente, avançados e intervencionistas.

    Simplificando, uma agenda liberal hoje para a economia do Brasil faria frente aos desafios devenvolvimentistas e sociais demandados pelo país?

    Abraço.
  • Leandro  30/06/2015 19:49
    Essa sua proposta nada mais é do que uma economia centralmente planejada.

    Na sua proposta, o estado define quem recebe crédito, em que quantidade, qual setor deve ser desenvolvido, por quanto tempo, o que deve ser produzido, o que deve ser exportado, o que deve ser voltado para o consumo interno etc.

    Para arrematar, cria até um cronograma especificando quando o crédito deve ser direcionado apenas para as indústrias de transformação, quando deve ser direcionado apenas para as indústrias de bens de consumo, e quando deve ser direcionado apenas para os consumidores.

    E tudo isso com a economia -- segundo você próprio -- fechada às importações.

    Um belo Politburo.

    Versões ligeiramente distintas dessa sua "proposta" já foram tentadas em satélites da União Soviética.

    Quer saber o que uma localidade pobre deve fazer para ficar rica e prosperar? Em vez de querer ficar inventando moda, apenas copie os exemplos práticos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1803

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1804

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=692

    Abração.
  • Magno  30/06/2015 21:50
    Recomendo também este aqui, que resume bem as ideias:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2083
  • Lucas Oliveira  01/07/2015 20:18
    Caro Leandro e Magno,

    Muito obrigado pelos artigos recomendados.

    Fiquei bastante impressionado com os casos. Sem dúvida inspiradores. Resta agora uma dúvida, como seria o Brasil se tivessimos adatos tais agendas puramente liberais?

    Talvez no Brasil falta uma escola puramente liberal que leve o discurso do verdadeiro pensamento libertário para os debates acadêmicos e públicos.

    Sou estudante de direito de uma universidade federal a 4 anos e sempre me passaram uma ideia totalmente errada a respeito do pensamento liberal.

    Cheguei nesse site por livre vontade de conhecer mais do tal "liberalismo" que nos levou a todas as crises da história.

    Confesso que fiquei muito surpreso com a qualidade tecnica e a boa didática dos textos, e como o discurso predominante está errado.

    Pelo já observado em minha experiencia academica, vejo que falta muitos estudos do pensamento liberal, principalmente nas federais.

    Dentro do minha escola de direito é praticamente nulo.

    E o pior de tudo, é que até mesmo quem é de esquerda tem pouca paciência para o debate económico e acaba funcionando como mero reprodutores de pensamentos de teoricos marxistas poucos compromissados com a razão e o bom censo, descrevendo um pensamento distorcido do liberal. No final das contas se produz apendas debates pobres.

    Lamentável.



  • Douglas Silva  30/06/2015 20:32
    Olá, alguém poderia me ajudar? O que faz uma moeda ser forte e o que é necessário para o real se valorizar frente ao dólar americano?
  • Leandro  30/06/2015 20:50
  • Vander  30/06/2015 22:57
    O verdadeiro problema Grego começou com um partido... um partido socialista, chamado PASOK, que venceu as eleições em 1981 e colocou o Sr. Andreas Papandreou como 1º ministro por quase 12 anos. Por incrível que pareça, a economia grega cresceu em média 5,2% no período de 1929 à 1980. Para se ter uma ideia, o Japão cresceu em média 4,9% nesse período. Quando a Grécia entrou na União Européia em 1981, o déficit público era de 28% do PIB e a taxa de desemprego entre 2 à 3%.

    O que esse PASOK fez? Praticamente a mesma coisa que qualquer partido esquerdista faz quando assume o poder: começou a inchar o Estado, implantou programas sociais e começou a gastar dinheiro como se não houvesse o amanhã. Ironicamente esse partido elegeu-se prometendo tudo isso, e inclusive abandonar a União Européia. É claro que todas as promessas se cumpriram, exceto a de sair da União Européia. Em poucos anos o PASOK mudou radicalmente o clima político e econômico na Grécia. Essas mudanças, óbvio, podem ser resumidas em uma única palavra: catastróficas, incluindo uma espécie de mix entre um sistema de 'bem estar social' e regulação/intervenção no setor privado, aliado ao fato de que, exatamente como aconteceu no Brasil, o PASOK simplesmente destruiu a oposição grega, representada pelo partido conservador. Hoje, o partido conservador é uma mera cópia do PASOK.

    Assim, de 1981 até 2009, o PASOK ofereceu aos gregos um pacotão de socialismo baseado em populismo, estatismo, nepotismo, corrupção, protecionismo e paternalismo estatal sem igual na história grega (exceto talvez nos tempos de Platão). Entretanto isso teria tido um fim trágico (como o de agora) se não fosse o fato da Grécia ter maquiado suas contas públicas para poder, em 2002, ter entrado na zona do euro (o caso Goldman Sachs).

    Quando a Grécia entrou no Euro em 2002, isso foi uma benção para essa gente, pois puderam pedir milhões de euros emprestados à juros irrisórios para continuarem a fazer o que sempre fizeram: comprar eleições aumentando salários de servidores públicos, inchar o Estado e aumentar a quantidade de programas sociais, principalmente subsidiando generosas aposentadorias e subsidiando benefícios como o tal do "14º", que era uma espécie de 13º salário que na prática permitia à um funcionário estatal trabalhar 10 meses e ganhar 14 meses de salário. Praticamente 0% do dinheiro emprestado à Grécia foi destinado ao verdadeiro crescimento e desenvolvimento da economia.

    Em 1981 o déficit público era de 28% do PIB. Em 1990 (9 anos de socialismo PASOK) já era de 89% do PIB. Em 2010 já estava em 140% do PIB. Em 2008 o PASOK se reelege. Em 2009 vem a conta da farra governamental. Hoje essa conta cobra seu preço: somente 47% da população está na força de trabalho. 25% da população ativa está desempregada (50% com menos de 25 anos). E o governo dispende incríveis 42% do seu orçamento em programas sociais.

    O futuro: É óbvio! A Grécia vai fazer de tudo (possível e impossível) para se manter na zona do euro. E se não der certo, vão culpar os banqueiros e vão passar a imprimirem Dracmas como se não houvesse amanhã. A Venezuela finalmente terá um parceiro considerável no socialismo e na pobreza. Não duvido inclusive que o tal do BRICS não ofereça algum empréstimo a Grécia.
  • André  01/07/2015 12:42
    Já deram o calote:

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/06/1649882-grecia-da-calote-de--16-bilhao-no-fmi.shtml

    Agora é pegar a pipoca e assistir o circo pegar fogo!

    Os saques já estão controlados desde segunda-feira:

    www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/06/150629_grecia_segunda_mdb

    Aguardemos as próximas atrações.
  • Jean Oliveira  01/07/2015 13:21
    é incrível perceber o quanto um caso de fatal de administração pode afetar um pais, e pior de tudo é saber que a tendencia é piorar (tanto aqui, quanto lá)
  • Fronha  01/07/2015 14:24
    Estive lendo sobre essa questão da crise grega em um site/jornal aqui de Porto Alegre, o Zero Hora. Na seção de comentários, encontrei alguém que afirmava o óbvio:

    "Esses países forçaram a Grécia a pegar dinheiro emprestado? Colocaram um revólver na cabeça do presidente grego ameaçando? Até onde se sabe, a Grécia pegou dinheiro emprestado porquê quis, NINGUÉM obrigou ela à isso."

    E eis a resposta de uma besta-fera socialista:

    "Exatamente.FORÇARAM.TE INFORMA MELHOR SOBRE O ASSUNTO:As nações europeias credoras são as "culpadas" pela situação da Grécia desde que o país foi obrigado a pedir volumosos empréstimos para cobrir suas dívidas, e as condições impostas ao governo de Atenas são 'revoltantes'. Esse é o resumo da crise na Grécia feito pelo prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz, durante uma entrevista exclusiva à BBC Mundo."

    Agora pergunto: a situação do mundo hoje, inclusive Brasil, não é plenamente justificada pelas afirmações bestiais dessas criaturas? Eles culpam justamente as vítimas!!
  • Carlos Eduardo  01/07/2015 18:51
    Aproveitando o assunto, li um texto do Friedman sobre o Euro.

    E tem um trecho que eu não consigo sacar:

    Proponentes do "euro" costumam citar a era do padrão-ouro, de 1879 a 1914, como uma demonstração dos benefícios de uma moeda comum. Mas o padrão-ouro também teve seus custos. O período foi caracterizado por preços em queda de 1879 a 1896, inflação no período seguinte, e grandes flutuações durante toda sua duração, especialmente severas na década de 1890. O padrão só foi viável porque os governos eram pequenos (gastavam cerca de 10% da renda nacional, em vez dos atuais 50% ou mais), os preços e salários eram muito flexíveis, e a opinião pública estava disposta a tolerar (ou não tinha maneiras de evitar) choques amplos sobre a produção e o emprego. Tirando as lentes cor de rosa, fica claro que aquele o padrão-ouro não é um bom período para emular.


    Analisando:

    - O período foi caracterizado por preços em queda de 1879 a 1896, inflação no período seguinte, e grandes flutuações durante toda sua duração, especialmente severas na década de 1890

    Num padrão-ouro não deveria haver uma deflação leve se o mercado funcionar como deve(livre)? Como explicar esta inflação? Procurei dados para confirmar esta informação, mas não encontrei.

    - O padrão só foi viável porque os governos eram pequenos (gastavam cerca de 10% da renda nacional, em vez dos atuais 50% ou mais), os preços e salários eram muito flexíveis, e a opinião pública estava disposta a tolerar (ou não tinha maneiras de evitar) choques amplos sobre a produção e o emprego.

    Ele parece estar argumentando que o padrão-ouro causa choques de produção e emprego. Não deveria ser o contrário?

    O texto pode ser encontrado aqui:
    mercadopopular.org/2015/06/ha-20-anos-milton-friedman-fez-uma-analise-profetica-sobre-a-crise-do-euro/
  • Leandro  01/07/2015 19:41
    "- O período foi caracterizado por preços em queda de 1879 a 1896, inflação no período seguinte, e grandes flutuações durante toda sua duração, especialmente severas na década de 1890"

    Esse é aquele caso clássico de uma afirmação correta feita com o intuito de levar a uma conclusão enganosa.

    De 1879 a 1896, a inflação anual média foi de - 1% (menos um por cento). Ou seja: a cada ano, os preços caíam 1%.

    www.measuringworth.com/calculators/inflation/result.php

    De 1896 a 1913 (ano da criação do Fed), a inflação anual média foi de 0,98%.

    Ou seja, aquilo que custava US$ 100 em 1879 estava custando US$ 99,30 em 1913.

    Isso é instabilidade? Eu quero.

    "- O padrão só foi viável porque os governos eram pequenos (gastavam cerca de 10% da renda nacional, em vez dos atuais 50% ou mais), os preços e salários eram muito flexíveis, e a opinião pública estava disposta a tolerar (ou não tinha maneiras de evitar) choques amplos sobre a produção e o emprego."

    Outro caso clássico de confusão entre correlação e causalidade: o padrão-ouro não funcionou porque os governos eram pequenos; os governos eram pequenos porque o padrão-ouro funcionou.

    Prova disso é que, tão logo acabaram totalmente com o padrão-ouro (em 1971), os estados só se agigantaram.
  • Thiago Augusto  01/07/2015 23:04
    Leandro,
    especulando... Caso a Grécia saia do Euro, voce acha que eles vao adotar que tipo de cambio? Flutuante, né?
    Que tipo voce acharia interessante eles adotarem? Currency board ortodoxo? (Sem banco central aumentando base)
    Enfim, perguntando sem enrolar, qual seria o caminho para a Grécia não repetir o caminho argentino?
  • Leandro  02/07/2015 14:38
    Não faço ideia. Como explicado detalhadamente neste artigo, não há como um país, sozinho, criar uma moeda do nada. Uma moeda só pode ser criada quando ela tem um lastro ou um histórico.

    O segredo é aquilo que pode ser chamado de "qualidade da moeda". A qualidade da moeda é determinada ou pelos ativos que a lastreiam ou pelos ativos pelos quais ela pode ser trocada sob demanda e sem restrição.

    Por exemplo, no caso do real, o segredo estava justamente no tamanho das reservas internacionais em dólares.

    Ao final de julho de 1994, a quantidade de reais em poder do público e em contas-correntes (ou seja, o M1) era de R$ 10,687 bilhões. Já a quantidade de reservas internacionais era de US$ 43,09 bilhões.

    Isso significa que mesmo se todos os reais em circulação na economia brasileira fossem convertidos em dólares, ainda sobrariam (muitos) dólares. Em outras palavras, na eventualidade de uma crise econômica mundial que assustasse os investidores estrangeiros e os levasse a retirar todos os seus investimentos do Brasil, eles não teriam por que se preocupar em não conseguir converter reais em dólares. Havia dólares sobrando.

    Foi justamente esta "qualidade do Real" -- o fato de estar lastreado abundantemente em dólares -- que garantiu a confiança dos investidores, levando à sua imediata apreciação logo após o seu surgimento.

    No caso de uma eventual nova moeda grega, ela só poderá existir se nascer lastreada em outra moeda (ou em uma commodity, como o ouro).
  • Rhyan  02/07/2015 12:19
    O Brasil já pode dizer que tem um déficit de país europeu em crise:

    Déficit nominal em 12 meses é de 7,9%

    g1.globo.com/bom-dia-brasil/videos/t/edicoes/v/contas-estao-mostrando-uma-coisa-e-o-congresso-fazendo-outra-diz-miriam-leitao/4290183/
  • anônimo  02/07/2015 20:50
    só pra constar
    www.theguardian.com/commentisfree/2013/feb/27/greece-spain-helped-germany-recover?CMP=fb_gu
  • Thiago Augusto  02/07/2015 23:09
    Olá.

    Leandro, qual caminho você pensa que seria menos doloroso para a Grécia, em caso de abandono do Euro?
    Currency board atrelado ao Euro? Câmbio flutuante (acho que não...)? Dolarização? Total, parcial?
    Dá quase pena dos inativos (devido à subsequente perda de renda), não tivessem ele se aposentado aos 50, não fossem a maioria funcionários públicos aposentados...
    .
    PS.: sou comentarista frequente do Blog do Caio Blinder, tô enchendo ele e os demais com as lições da EA.
    Se eu tiver escrito algo equivocado, sinta-se livre para me corrigir (pode ser por e-mail)
    .
    PS2: dúvida nada a ver: qual dos sistemas eleitorais vigentes goza de mais prestígio entre os autríacos? Voto proporcional? Distrital? Como na Alemanha? Na França?
    Mais uma: já vi vocês elogiando o liber; mas qual sua opinião sobre o Partido Novo? Estou muito disposto a votar no NOVO, penso que é um vetor na direção correta, mesmo não tendo um módulo suficiente.
  • Leandro  02/07/2015 23:34
    "Currency board atrelado ao Euro?"

    Trocar seis por meia-dúzia. Seria como o estado de São Paulo se separar, abandonar o real, e adotar um CB lastreado em real.

    "Câmbio flutuante (acho que não...)?"

    Esse é o pior que tem. Vide o que aconteceu com a Argentina. Soltou o câmbio e, em seis meses, o dólar pulou de 1 para 4 pesos. A população passou fome e a miséria foi para 60%.

    "Dolarização? Total, parcial?"

    Não creio que haja dólares já circulando entre a população para possibilitar isso.

    "sou comentarista frequente do Blog do Caio Blinder, tô enchendo ele e os demais com as lições da EA. Se eu tiver escrito algo equivocado, sinta-se livre para me corrigir (pode ser por e-mail)"

    Caio Blinder não dá. Minha área é economia e não fantasia.


    "qual dos sistemas eleitorais vigentes goza de mais prestígio entre os autríacos? Voto proporcional? Distrital? Como na Alemanha? Na França?"

    A Escola Austríaca nada tem a dizer sobre sistemas eleitorais. Trata-se de um corpo teórico dedicado a fazer análises sem juízo de valor sobre a ciência econômica. A Escola Austríaca é uma ciência positiva (explica como funciona a economia) e não normativa (ela nada tem a palpitar sobre arranjos eleitorais).

    Quem palpita sobre arranjos eleitorais é a filosofia libertária, e não a Escola Austríaca. E Escola Austríaca não está ligada ao libertarianismo. Libertários tendem a seguir a EA, mas a EA não está ligada à filosofia do libertarianismo.

    "já vi vocês elogiando o liber; mas qual sua opinião sobre o Partido Novo? Estou muito disposto a votar no NOVO, penso que é um vetor na direção correta, mesmo não tendo um módulo suficiente"

    Dado que eu não sei que seriam esses "vocês", não posso palpitar. De minha parte, declaro-me um monarquista anti-democracia (sou um pragmático incorrigível).

    Grande abraço!
  • Rhyan  03/07/2015 12:58
    A Grécia tem obrigação de abandonar o euro caso saia da UE? Atrelar uma nova moeda ao Euro não me parece má ideia, mas não sei se isso resolveria o problema do teorema da regressão.
  • Thiago Augusto  03/07/2015 04:21
    Valeu!
    Mas nenhuma especulação sobre o que seria menos doloroso num abandono do Euro?
    .
    Sobre o Caio, discordo dele em quase tudo, hehehe, mas a dinâmica de debate judaica é bem interessante. Além de haver alguns comentaristas enriquecedores.
  • Papofuradiz  04/07/2015 01:26
    Olha sei não viu. E se ela se der bem? Já pensou o fim do Euro?

    Só sei que Londres poderia fazer isso tranquilo, já que o Libra é super valorizado, até mais que o Euro.
  • Leandro  09/07/2015 20:38
    A moeda da Bulgária, o Lev, que opera sob um Currency Board desde 1997 (ancorada ao euro), começa a ser demandada na Grécia.

    https://euobserver.com/beyond-brussels/129438

    www.ft.com/intl/cms/s/0/3c5c32b0-264f-11e5-9c4e-a775d2b173ca.html#axzz3fQaktgm4


    "For Bulgarians who lived through runaway inflation in the late 1990s, it is deeply ironic that their currency is suddenly viewed as dependable and stable in their richer southern neighbour, which joined the euro in 2001. The lev crashed from 71 to the dollar in 1995 to more than 3,000 in early 1997 and its current resilience is due, in part, to being pegged to the euro."


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