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Laboratório de ideias keynesianas, Japão aprofunda a recessão

À medida que o primeiro-ministro do Japão vai transformando seu país em um laboratório de ideias keynesianas, a trajetória da economia do Japão tem muito a nos ensinar sobre o bom senso dessas políticas adotadas.

Dados divulgados na semana passada mostram que a economia japonesa voltou para a recessão após se contrair pelo segundo trimestre consecutivo.  E, nos últimos quatro trimestres, a economia japonesa encolheu em três deles

A conclusão apresentada pelos apologistas do keynesianismo é a de que os eventuais benefícios gerados pela inflação de preços — que saltou de zero para 3,1% ao ano, em decorrência das políticas expansionistas do Banco Central do Japão — foram contrabalançados, temporariamente, pelos efeitos negativos gerados por um aumento do imposto sobre vendas, ocorrido em abril deste ano. 

Essa lógica tortuosa já deveria servir como um claro indicador de que as políticas eram ruins desde o início.

Embora a economia do Japão já apresente uma estagnação há mais de 20 anos, as coisas pioraram bastante desde dezembro de 2012, quando Shinzo Abe assumiu o governo e implantou sua cirurgia econômica radical, batizada de Abenomics.  Desde o início, seu principal objetivo era desvalorizar o iene e criar inflação de preços.  Nesse front, seu êxito foi absoluto: o iene se desvalorizou 23% em relação ao dólar e a inflação de preços, como dito acima, foi "exitosamente" elevada de zero para 3,1%, de acordo com as estatísticas do governo japonês.

Mas não há nenhum mistério e nenhuma grande dificuldade em criar inflação ou desvalorizar a moeda.  Todo o necessário é o governo aumentar a quantidade de dinheiro em circulação ou — como ocorre na nossa era moderna — estimular os bancos a criar crédito eletronicamente, nem que seja para financiar os déficits orçamentários do governo.  Esse "êxito" do governo japonês não deveria ser nenhuma surpresa quando se considera o tamanho relativo do programa de afrouxamento quantitativo implantado pelo Banco Central de Abe. 

Durante os últimos dois anos, o Banco Central do Japão (BoJ) comprou títulos do governo em uma quantidade equivalente a 7 trilhões de ienes por mês, o que é igual a US$65 bilhões.  Simultaneamente, o BoJ anunciou sua intenção de praticamente triplicar seu ritmo de aquisição de ações na bolsa de valores do Japão.  De acordo com a Nikkei's Asian Review, o BoJ detém em seu portfólio aproximadamente 7 trilhões de ienes em ações em ETFs de imóveis.  

E o que todo esse ativismo financeiro do Banco Central do Japão logrou?  Além de uma inflação de preços acima de 3% (algo que não acontecia no Japão desde 1990), de um iene enfraquecido (o que, dentre outras coisas, encarece sobremaneira as importações de petróleo), e de um rali na bolsa de valores (o que beneficia majoritariamente os mais ricos), esse ativismo financeiro aprofundou a recessão e aumentou a ameaça de uma estagflação.

Supostamente, um iene mais fraco deveria estimular as exportações e, com isso, ajudaria a balança comercial do Japão.  Só que ocorreu exatamente o oposto.  Em setembro, o país apresentou um déficit comercial de 958 bilhões de ienes (o equivalente a US$9 bilhões), o 27º mês consecutivo de déficits comerciais.  A deterioração ocorreu não obstante o fato de os preços das importações terem encarecido substantivamente, o que deveria ter reduzido as importações e estimulado as exportações.  Mas não há surpresa nenhuma nisso.  Uma moeda desvalorizada encarece as importações de recursos essenciais e indispensáveis, como petróleo e matérias-primas.  Um iene mais fraco logrou apenas encarecer os dispêndios com esses itens essenciais, afetando a balança comercial em vez de estimulá-la.

E enquanto alguns grandes conglomerados japoneses atribuem ao iene desvalorizado uma melhora em suas exportações, as pequenas e as médias empresas japonesas, que vendem majoritariamente para o mercado interno, estão sofrendo com vendas estagnadas ao mesmo tempo em que os preços dos combustíveis e das matérias-primas só fazem aumentar.  Eis as maravilhas de uma desvalorização da moeda: ajudam os grandes e destroem os pequenos e médios.

No que mais, e ao contrário do que esperavam os keynesianos, a inflação de preços — surpresa! — não está estimulando os salários dos japoneses.  Em agosto, o Japão relatou que seus salários reais (ou seja, ajustados pela inflação) caíram 2,6% em relação a 2013, o que representou o 14º mês seguido de declínio.  Isso simplesmente significa que os consumidores japoneses hoje podem comprar menos do que podiam antes da implantação da Abenomics.  Não creio que isso seja uma receita para a felicidade do povo.

Os consumidores japoneses também estão tendo de lidar com o extremamente impopular aumento no imposto sobre vendas, o qual subiu de 5% para 8% em abril deste ano.  O imposto sobre vendas foi elevado com o intuito de impedir que o endividamento do governo aumentasse descontroladamente em decorrência dos enormes estímulos fiscais implantados pela Abenomics. 

E isso gerou uma situação paradoxal, a qual ilustra perfeitamente o atual estado de descalabro que reina no debate econômico.  Os economistas dizem que o aumento de preços gerado por esse aumento de impostos sobre as vendas foi o responsável pela forte queda no consumo.  Correto.  No entanto, e curiosamente, esses mesmos economistas não aplicam essa mesma lógica para um aumento de preços gerado por inflação monetária e desvalorização da moeda. 

Segundo eles, um aumento dos preços gerado por desvalorização da moeda e por expansão do crédito irá gerar resultados distintos aos de um aumento de preços gerado por um aumento dos impostos sobre as vendas.  Por quê?  Eles não explicam.

Uma das pedras fundamentais do pensamento keynesiano é a de que uma queda nos preços gera recessão porque tal queda estimula os consumidores a adiar suas compras: eles apenas ficariam em casa esperando que os preços caíssem ainda mais.  De acordo com essa teoria, até mesmo uma queda anual de 1% nos preços já seria o suficiente para dizimar a propensão dos consumidores a fazer compras. 

Inversamente, os keynesianos acreditam que preços crescentes irão estimular o consumo, e consequentemente o crescimento econômico, uma vez que a carestia inspiraria as pessoas a comprarem agora antes que os preços subam ainda mais no futuro.  Ora, mas se os consumidores japoneses foram claramente desanimados pelo aumento de preços em decorrência do aumento do imposto sobre vendas, por que iriam eles se sentir estimulados a consumir caso a carestia fosse decorrente de estímulos monetários? 

Não procure por explicações; não haverá nenhuma.  A realidade é que, como bem sabe todo e qualquer comerciante, consumidores compram quando os preços estão baixos, e ficam em casa quando os preços estão altos.

Não obstante os resultados desanimadores do Japão, Abe continua recebendo o amor de economistas ocidentais.  Em uma entrevista concedida ao The Daily Princetonian no dia 6 de outubro, Paul Krugman, que se transformou na principal tiete de Shinzo Abe, respondeu a uma pergunta sobre a economia europeia dizendo que "a Europa precisa de algo como a Abenomics; só que apenas a Abenomics ainda seria pouco.  A Europa precisa de algo realmente agressivo". 

Trata-se do procedimento padrão do keynesiano: se um estímulo não funcionou — aliás, se ele gerou resultados opostos ao esperado —, então é porque ele não foi agressivo o suficiente.  O certo seria aprofundá-lo ainda mais.

Quantas outras notícias ruins geradas pelo experimento keynesiano japonês teremos de esperar até que os keynesianos mudem de ideia?  Resposta: todas, pois eles não são suscetíveis à lógica. 

Já aquelas pessoas que ainda não estão cegados pelo dogma intervencionista deveriam analisar bem o que ocorre no Japão para ver até onde a estrada dos estímulos permanentes pode levar.

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Leia também: Um ano depois, quais os resultados dos estímulos econômicos no Japão?



autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • Leo  24/11/2014 14:14
    "Dados divulgados na semana passada mostram que a economia japonesa voltou para a recessão após se contrair pelo segundo trimestre consecutivo. E, nos últimos quatro trimestres, a economia japonesa encolheu em três deles." "Embora a economia do Japão já apresente uma estagnação há mais de 20 anos..."

    Porém, Matthew Lynn diz que é preciso olhar para o PIB per Capita e levar em consideração o declínio da população japonesa. Deste modo, " O Japão é o exemplo mais significativo porque é o país que apresenta as mais dramáticas tendências demográficas. Após chegar ao ápice de 128 milhões de pessoas alguns anos atrás, a população japonesa está hoje encolhendo, e rapidamente começará a encolher a um ritmo de um milhão de pessoas por ano.

    Por isso, seu desempenho em termos de PIB per capita não é nada mau — ainda mais quando se considera todas as notícias de jornal dizendo que o PIB do país está estagnado há décadas.

    Noticia divulgada no próprio site
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1969

    Alguém poderia analisar estas duas informações?????
  • Victor  24/11/2014 14:46
    É só você fazer uma conta simples e nada dolorosa (além de dispensar o ridículo aceno ortográfico dos 5 pontos de interrogação):

    Quanto a economia japonesa encolheu em um ano? 1,2%. E quanto a população encolheu -- se é que encolheu -- em um ano? Não creio que tenha sido 1,2%.

    Se os números forem iguais, então realmente está tudo bem com a economia japonesa. Por outro lado, se os números forem distintos, então de fato há algo de errado com a economia.

    O artigo que você citou pega o período dos últimos 20 anos, no qual a média de crescimento anual do PIB foi positiva (pode ver aqui), e diz que, em termos per capita, o resultado havia sido melhor do que aparentava O artigo não diz que o PIB japonês havia sido negativo nesse período; ele diz que o PIB havia sido baixo, porém positivo, e que em termos per capita era melhor do que aparentava.

    Já a realidade atual apresenta um PIB negativo, e relativamente acentuado, para o Japão. O que isso significa? Mesmo que haja um declínio populacional, o PIB de um país não necessariamente será negativo, pois há um contínuo aumento da produtividade. Mais especificamente sobre o Japão, país cuja produtividade é conhecidamente alta, um eventual declínio populacional não irá, por si só, afetar o PIB. Se o PIB caiu, então há outros fatores afetando. Se o PIB foi negativo, então algo de errado está acontecendo.
  • Leo  25/11/2014 13:39
    Meu caro,
    apesar da irascividade do início, sua resposta foi clara. O artigo que citei fala sobre um PIB japonês baixo, mas positivo nos últimos 20 anos. Mesmo com o declínio da população, um PIB baixo não necessariamente resultará em uma piora do PIB per capita. Porém este artigo fala sobre um fenômeno atual de um PIB negativo. Como a produtividade japonesa de fato sempre foi alta, um PIB negativo, mesmo com queda da população, é causado por outro fator.

    Agradeço
  • stockfischer  27/11/2014 23:52
    meu caro
    a situação é bem pior que se imagina, o goveno japones está jogando credito do banco central para amenizar a queda do pib! Voce ja deve ter lido sobre este assunto aqui mesmo no mises. Voce deve saber que a riqueza real do japão está em uma baixa ainda pior! Voce deve saber que o pib japones esta sendo acrescentada não a sua produção e sim a custas do povo! Isso uma hora pode gerar um colapso!
    Algo similar acontece no Brasil! Não temos crecimento real desde 2008, é algo fantasioso e uma hora pode entrar em colapso.
  • Ali Baba  24/11/2014 16:44
    Leo 24/11/2014 14:14:57

    "Dados divulgados na semana passada mostram que a economia japonesa voltou para a recessão após se contrair pelo segundo trimestre consecutivo. E, nos últimos quatro trimestres, a economia japonesa encolheu em três deles." "Embora a economia do Japão já apresente uma estagnação há mais de 20 anos..."

    Porém, Matthew Lynn diz que é preciso olhar para o PIB per Capita e levar em consideração o declínio da população japonesa. Deste modo, " O Japão é o exemplo mais significativo porque é o país que apresenta as mais dramáticas tendências demográficas. Após chegar ao ápice de 128 milhões de pessoas alguns anos atrás, a população japonesa está hoje encolhendo, e rapidamente começará a encolher a um ritmo de um milhão de pessoas por ano.

    Por isso, seu desempenho em termos de PIB per capita não é nada mau — ainda mais quando se considera todas as notícias de jornal dizendo que o PIB do país está estagnado há décadas.

    Noticia divulgada no próprio site
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1969

    Alguém poderia analisar estas duas informações?????


    Fácil: não havia nada de (muito) errado com a economia do Japão antes da Abenomics, mas aquele agregado absoluto por cuja cartilha todos os governos rezam (o PIB absoluto) teimava em exibir números ruins. Aí alguém resolveu remediar o número absoluto, foda-se a economia real. Resultado: Abenomics.

    Isso é o equivalente ao médico tratar o exame e não o paciente.
  • Carlos Marcelo  24/11/2014 15:04
    O que deve haver no Japão para que ele possa ter crescimento sem inflação? Se o governo cortar gastos e o BoJ parar de afrouxar a moeda, isso basta? Gostaria de entender se a famosa parcimônia dos japoneses tem alguma culpa nisso. Existe algum ponto em que poupança demais passa a ser ruim, ou ela sempre é boa, por incentivar novos investimentos? Professores de macro dizem que ela só é boa se valer a Lei de Say, o que seria raro pois, geralmente, há recursos ociosos na economia.
  • Leandro  24/11/2014 15:18
    "O que deve haver no Japão para que ele possa ter crescimento sem inflação?"

    O que vinha sendo feito antes de Abe já seria um avanço.

    "Se o governo cortar gastos e o BoJ parar de afrouxar a moeda, isso basta?"

    É só um começo.

    Primeiro, os bancos -- que ainda não se recuperaram do estouro da bolha imobiliária -- devem ser saneados. Bancos zumbis, cujos balancetes foram dilapidados pelo estouro da bolha, não concedem créditos a empreendimentos produtivos, cujo retorno é mais baixo, mais incerto e mais demorado. Eles tendem a emprestar apenas para investimentos especulativos, cujo retorno é mais alto, mais rápido e, dependendo do ativismo do Banco Central, mais garantido.

    É por isso que o índice Nikkei está nas máximas. Os empréstimos bancários estão indo para a especulação.

    No que mais, a economia tem de ser desregulamentada, a burocracia tem de ser diminuída, e as leis trabalhista, afrouxadas.

    "Gostaria de entender se a famosa parcimônia dos japoneses tem alguma culpa nisso."

    Ao contrário: ela vem sendo a solução. O problema está no perdularismo -- altos déficits e crescente endividamento -- do governo, os quais passaram a gerar incerteza (veja mais aqui sobre "incerteza gerada pelo regime").

    "Existe algum ponto em que poupança demais passa a ser ruim, ou ela sempre é boa, por incentivar novos investimentos?"

    Sempre é boa. E quem pensa ao contrário deve estourar o cartão de crédito todos os meses para ser coerente.

    "Professores de macro dizem que ela só é boa se valer a Lei de Say, o que seria raro pois, geralmente, há recursos ociosos na economia."

    A Lei de Say diz que bens são ofertados porque o indivíduo quer adquirir outros bens (entre eles, o dinheiro). Um indivíduo produz com o intuito de demandar, o que significa que é impossível haver um excesso de produção em um mercado genuinamente livre de intervenções.

    Portanto, não faz sentido dizer que a Lei de Say deixa de valor quando há recursos ociosos na economia. Se há recursos ociosos, então está havendo alguma distorção de preços e salários causada pelo governo. E Say nada tem a ver com isso.
  • Silvio  24/11/2014 15:50
    Há um artigo em específico aqui no Mises sobre a Lei de Say:

    A verdadeira Lei de Say - e não a distorção keynesiana
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1164
  • Hay  24/11/2014 16:08
    Resumindo: o Shinzo Abe é uma espécie de Mantega japonês.
  • Pobre Paulista  24/11/2014 16:55
    Não ofenda o Japa, ele não precisou mentir nem camuflar dados para acabar com o Japão.
  • Mr. Magoo  24/11/2014 18:16
    Abe+Krugman=Abecomics?
  • Henrique  24/11/2014 18:52
    "Trata-se do procedimento padrão do keynesiano: se um estímulo não funcionou — aliás, se ele gerou resultados opostos ao esperado —, então é porque ele não foi agressivo o suficiente. O certo seria aprofundá-lo ainda mais."

    Ora, e qual é o procedimento padrão dos neoliberais? Se algo não funcionou, deve-se cortar gastos governamentais e regulamentações! Quando algum neoliberal pediu maior participação do governo?
  • Meirelles  24/11/2014 19:02
    Neoliberais?! E o que é que nós, libertários, temos a ver com neoliberais, que são meramente social-democratas um pouco menos radicais?

    Informe-se, meu filho, antes de sair atribuindo rótulos ignaros:

    Mises contra os neoliberais - as origens desse termo e seus defensores

    Sobre as reformas "neoliberais" na América Latina e por que elas fracassaram

    O conceito de neoliberalismo
  • Henrique  24/11/2014 19:10
    Tudo bem, mas vocês estão criticando os keynesianos por sempre quererem mais estímulos e gastos governamentais. Mas não é essa a mesma postura de vocês (ou dos liberais)? Ou em algum caso vocês advogam por mais intervenção, uma unicazinha que seja? É sempre assim: falhou algo, menos governo e regulamentações
  • Meirelles  24/11/2014 19:23
    "Tudo bem, mas vocês estão criticando os keynesianos por sempre quererem mais estímulos e gastos governamentais."

    Correto.

    "Mas não é essa a mesma postura de vocês (ou dos liberais)?"

    Oi? Liberais pedem mais gastos e mais estímulos governamentais? Chegou hoje?

    "Ou em algum caso vocês advogam por mais intervenção, uma unicazinha que seja?"

    Não. Apenas explicamos de antemão quais serão as consequências de determinadas intervenções. Só isso. E nunca erramos.

    "É sempre assim: falhou algo, menos governo e regulamentações"

    Ué, se a falha se deveu às regulamentações impostas, você acha que o lógico então seria pedir ainda mais regulamentações?

    Então ficamos assim: um economista alerta que duas garrafas de Vodka deixarão um sujeito -- até então sóbrio -- completamente bêbado. O sujeito vai e toma as duas garrafas de Vodka. "Surpreendentemente" ele fica bêbado, exatamente como o previsto.

    O economista sensato diz que ele deve parar imediatamente de tomar Vodka para recuperar a sobriedade.

    Já você diz que, se duas garrafas de Vodka deixaram embriagado um sujeito até então sóbrio, então quatro garrafas de Vodka certamente voltarão a deixar o sujeito sóbrio. Logo, a dose deve ser aumentada.

    Muito lógico.
  • Pedro Ivo  24/11/2014 20:15
    Tudo bem, mas vocês estão criticando os keynesianos por sempre quererem mais estímulos e gastos governamentais. Mas não é essa a mesma postura de vocês (ou dos liberais)? Ou em algum caso vocês advogam por mais intervenção, uma unicazinha que seja?

    Não advogamos intervenções, nem umazinha que seja, e há razões teóricas e empíricas para esta postura. Não é um dogma, e sim assertivas que derivam de reflexão conceitual e observação de eventos. Se você não as ler, não saberá quais são.

    Posso resumir as razões num conjunto de assertiva razoavelmente simples:

    "Indivíduos produzem bens, que são demandados por outros indivíduos através dos bens que eles próprios produzem. Estes bens são toda a riqueza disponível, e riqueza é o que satisfaz às necessidades dos indivíduos. O estado não produz nada, apenas taxa a riqueza que indivíduos produzem. Sempre que a riqueza de alguém é taxada, ele passa a ter menos com que satisfazer às próprias necessidades [consumo], ou às alheias [poupança e investimento]. Portanto, atividades econômicas dos indivíduos são produtivas, e as atividades políticas do estado predatórias"

    Mas você terá de ler os artigos teóricos para ter uma idéia de por que é assim. Recomendo comece porComo ocorrem os ciclos econômicos , Como as obras públicas subtraem riqueza da população e A anatomia do estado .

  • Felipe  24/11/2014 18:59
    Parece que a Abenomics descambou para Failnomics.
  • Luiz Alberto  24/11/2014 19:49
    Alguém pode me explicar por que mesmo o Japão não tendo inflação ao longo de anos, não saiu da estagnação ao longo de 20 anos? (Eu sei que inflação é uma péssima ideia para crescer, mas fiquei curioso acerca dessa comparação). Obrigado!
  • Ricardo  24/11/2014 19:54
    Não houve estagnação no Japão nos últimos 20 anos.

    Pode conferir aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1969
  • Felipe R  24/11/2014 20:18
    Pessoal,

    Muitos dos problemas econômicos do Japão advém da política energética após o desastre em Fukushima. De acordo com a Energy International Agency - EIA, a energia nuclear naquele país era responsável por cerca de 13% da energia primária consumida. Por uma decisão unilateral do Governo, o Japão foi obrigado a substituir essa energia nuclear, no curto prazo, por combustível fóssil, provocando uma inversão na balança comercial japonesa que era positiva e passou a ser negativa (em 2014 conseguiram reduzir bastante os "déficits").

    O custo da energia ficou mais caro. E numa sociedade com alto grau de consumo energético como a deles, nada mais natural que os preços dos produtos e serviços fiquem maiores. O aumento do custo da energia é tão determinante quanto a inflação de moeda, no caso de aumento de preços por lá.

    Portanto, a política keynesiana que está sendo adotada explica apenas parcialmente o estrago que está ocorrendo por lá.


    Abraço
  • Reis  24/11/2014 20:51
    A política keynesiana foi a responsável direta pela desvalorização do iene, que encareceu sobremaneira a importação de combustíveis e demais fontes de energia.

    Ou seja, você identificou corretamente o problema, mas estranhamente o interpretou de maneira errada.
  • Vinicius  24/11/2014 20:51
    O socialismo ruiu pouco depois que nem mesmo os alemães conseguiram coloca-lo para funcionar, os japoneses não estão conseguindo colocar essa droga de keynesianismo para funcionar também, será um sinal?
  • Forever  24/11/2014 22:53
    Sinal ou confirmação que o socialismo/keynesianismo não funciona?
  • Vinicius  24/11/2014 23:51
    Sinal de que o keynesianismo vai ruir, e vai fazer barulho, minha dúvida é se após todo o barulho, vai-se formar uma economia mais liberal ou vão imprimir dinheiro e começar tudo de novo?
  • Trader Carioca  25/11/2014 16:37
    Vinicius e Forever,

    O Keynesianismo ruir, na minha opinião, não será o seu fim. Sempre vai existir o Socialismo e o Keynesianismo, apesar de nossos esforços para educar as pessoas sobre a liberdade.

    Controle de preços, por exemplo, já falhou incontáveis vezes, e sempre volta a aparecer. Vide artigo: mises.org.br/Article.aspx?id=1978
  • Kuruda  24/11/2014 22:19
    Veja o que o senhor Abe fez com o orçamento do governo: déficits que variam de 7 a 9% do PIB.

    www.tradingeconomics.com/charts/japan-government-budget.png?s=ehbbjpy

    De fato, keynesianismo na veia!
  • Lord Keynes  24/11/2014 23:20
    ...A demanda agregada foi estimulada!
  • Coringa  25/11/2014 17:34
    ... é isso mesmo Lex Luthor
  • Forever  25/11/2014 13:27
    A história mostra que os keynesianos seguem a mesma cartilha: destroem a economia, e pela piora da economia são tirados do poder. Aí entra um governo com tendências liberais que acaba colocando as coisas minimamente em seu lugar. ''Estranhamente'', a economia começa a melhorar e a população resolve eleger novamente os keynesianos (por Deus sabe-se lá o motivo), e esse ciclo fica se repetindo como um loop infinito.
  • Juliana  25/11/2014 14:31
    Pelo que eu entendi, se tiver alguma "LDO" no Japão (ou qualquer coisa parecida), deve servir apenas como adorno, porque o que esse Abenomics fez deixou no chinelo, em termos de irresponsabilidade fiscal, até mesmo a Nova Matriz Econômica brasileira.

    Comparando, de uma maneira bem superficial e rudimentar, o déficit nominal japonês com o brasileiro - em termos de porcentagem do PIB - o Shinzo Abe deve olhar para a Dilma e o Mantega e pensar que eles são um tanto austeros. Pois supondo que a média entre a taxa de juros e a inflação do Japão seja de uns 3% e a do Brasil uns 7% - para considerar que esses são os juros que cada um paga pelos títulos - imagina só o quanto que o governo japonês teve que gastar para ele ultrapassar o brasileiro. Nem se tirassem a nossa contabilidade criativa seriam revelados números tão perdulários.

    E o autor acertou muito na analogia do texto: poderia até considerar que o governo japonês resolveu fazer uma experiência, e comprovar cientificamente até onde pode dar os limites de uma falta de bom senso.

    Grande abraço
  • Professor de Macroeconomia 1  25/11/2014 17:21
    Lord Keynes, deve está se mexendo no caixão.

    O problema do japão é um problema de incerteza que leva a uma queda no consumo e por consequência uma estagnação dos investimentos.

    Cabe ao governo estimular as pessoas a consumirem mais.

    Isso não poderá ser feito através do crédito pois o japão se encontra preso numa armadilha de liquidez.

    Logo cabe ao governo estimular a demanda através de novos gastos públicos.

    Quanto a acusação desse estudo é inverídica.

    A acusação da escola austríaca de que o problema é justamente as políticas expansionistas que destroem a poupança não procede.

    O estudo da escola austríaca se baseiam em métodos não científicos, seus conceitos são dedutivos da mente humana, logo não podem ser considerado científicos.

    E o que não é científico não pode ser validado, portanto esse artigo é infundado.

    A escola austriaca deve ir para o campo da religião onde suas ideias estão imunes ao julgamento cientifico.
  • thiago mota  25/11/2014 21:04
    Hahahahaha

    Muito boa.
    Faltou dizer que se não funcionar é pq o governo não gastou o bastante e deveriam jogar umas bombas atômicas no Japão pra estimular a demanda agregada por serviços de reconstrução das cidades.
  • Gabriel  25/11/2014 21:34
    Eu não sei se rio ou se choro.
  • Bruno  26/11/2014 01:31
    Como se Socialismo fosse sequer uma hipótese, meu velho.
  • Estevam  26/11/2014 19:22
    O problema com o Professor de Macroeconomia 1 é que não sabe distinguir uma epistemologia dogmática de uma logicista. Quando sugere que a escola austríaca é uma religião, não afasta as análises racionais das motivações dos diferentes autores.
    Não obstante, não percebe que a própria aplicação de qualquer política keynesiana carrega em si um julgamento de valor, este sim, dogmático e cientifista, que impõe aos demais seu padrão moral deturpado a contragosto de quem se opõe.

    Qualquer linha filosófica ou científica corre o risco de produzir fanáticos, mesmo libertários/austríacos.
    De qualquer modo a política está muito mais para a religião/ideologia do que ciência, de fato absolutamente não é ciência. Mas trata da vontade de uns sobre outros, isto não se expressa algebricamente.

    Se quisermos deixar a ciência de lado e falarmos a respeito do lado ideológico do libertarianismo (que não é o mesmo que economia austríaca) perceberíamos que está eticamente muito acima de qualquer socialismo/intervencionismo.

    Se este senhor considera realmente que keynesianismo está restrito à ciência, o que faria se alguém considerasse científico explodir sua casa com TNT, utilizando para isso todas as técnicas mais valorizadas no meio acadêmico em sua aplicação?
    Evidentemente ele não procuraria argumentos científicos para se defender, pois é seu patrimônio, a ciência não tem respostas para protegê-lo, seria ele um religioso?

    A ética não é ramo da ciência popperiana/cartesiana.

    O que dizer do marxismo/lenilismo/trotskismo? Não há nada mais religioso, pois se restringe a lamentações e murmúrios com análises ralas e incoerentes.
    Marxismo é estelionato e hipnose aos pobres, keynesianismo é sofisma reforçador de fantasias para servidores públicos, libertarianismo é expressão pura e autêntica de indignação da população que não tolera ser roubada, afinal, é das poucas ideologias que são frutos legítimos da sociedade civil.
  • Estevam  25/11/2014 20:42
    Eu só não entendo como alguns de vocês ainda acham que essas pessoas estão de boa fé, que acreditam na tese errada apesar de bem intencionadas.

    Isto é claramente um estelionato, fraude, e todo o argumento demagógico é feito apenas para amenizar os ânimos. Ninguém aceitaria essas medidas de bom grado, somente através de coerção.
  • Bruno  26/11/2014 01:16
    Até quando vão demorar pra entender que o keynesianismo é só um arranjo (um subterfúgio) que os socialistas criaram para varrer os outras escolas de economia pra baixo do tapete? Keynesianismo é o monopólio das idéias de esquerda. Keynes simpatizava com o comunismo, economicamente e, pior ainda, moralmente. Isso em si já é a prova de que todo seu sistema é uma picaretagem ideológica.
  • Deilton  27/11/2014 13:49
    Paul Krugman discordaria de Peter Schiff:

    Ainda à espera do colapso (www.cartacapital.com.br/revista/827/ainda-a-espera-do-colapso-1288.html).

    "Se alguém começar a gritar que estou sendo incoerente ao dizer que o déficit orçamentário e a emissão de dinheiro são um problema na Argentina, porque essas são as mesmas políticas que eu quero para os EUA, a resposta é: sim, são porque a economia americana está em uma armadilha de liquidez, sofrendo de persistente falta de demanda, enquanto a da Argentina está superaquecida"

    Eu não entendo como uma economia superaquecida pode ter inflação alta, já que a produção deveria estar bombando e os preços caindo ou no mínimo estáveis. E não entendo como uma economia que está superaquecida não consegue pagar suas dívidas.

  • Leandro  27/11/2014 14:07
    É a velha cantilena keynesiana de sempre: déficits são ótimos para estimular uma economia em recessão, mas devem ser evitados se a economia estiver em crescimento.

    O que mais me espanta no Krugman é sua total incapacidade de analisar dados para conferir se eles batem com sua teoria. Primeiro ele diz que a economia da Argentina está superaquecida. Oi? Nos últimos quatro trimestres, o país cresceu em apenas um. E olha que esses são dados maquiados do governo. Os dados verdadeiros devem ser ainda piores.

    E o Japão? Dá só uma olhada no tamaninho dos déficits. Pela lógica krugmaniana, esses déficits de incríveis 9% do PIB eram pra ter feito a economia japonesa bombar. No entanto, recessão.

    Krugman só tem seguidor no Brasil. Nem Obama quis mais saber dele.
  • Felipe  27/11/2014 18:07
    A nova do Paul krugman:
    "Se alguém começar a gritar que estou sendo incoerente ao dizer que o déficit orçamentário e a emissão de dinheiro são um problema na Argentina, porque essas são as mesmas políticas que eu quero para os EUA, a resposta é: sim, são porque a economia americana está em uma armadilha de liquidez, sofrendo de persistente falta de demanda, enquanto a da Argentina está superaquecida."
  • Antonio  27/11/2014 21:42
    Faltou Schiff falar sobre os maus investimentos resultantes dessa expansão creditícia e toda a destruição de riqueza daí decorrente.

    Eu vejo uma diferença na inflação causada pelo aumento de imposto e pela expansão monetária. No primeiro caso, ela é mais pontual, pois o aumento de impostos acontece de uma vez. No segundo caso, a expansão é contínua, o que torna a inflação permanente. De qq forma, isso não altera mto as conclusões: toda inflação é ruim. Até mesmo evitar deflação (o que é natural em vista da tendência de que a produtividade aumenta cada vez mais com a incorporação de novas tecnologias e métodos de produção) já é ruim, e faz com que as pessoas fiquem mais pobres do que se não houvesse expansão monetária (inflação monetária). Os Eua cresceram fortemente nos anos 1880 e houve forte deflação, por exemplo.
  • Fec  27/11/2014 23:36
    Caro Antonio,

    Não existe inflação causada pelos impostos, inflação significa expansão na quantidade de moeda.

    Esse é o significado correto da inflação.

    Você pode conferir essa afirmação com o doutor wikipedia : "A palavra "inflação" é utilizada para significar um aumento no suprimento de dinheiro e a expansão monetária" (Wikipedia)

    O aumento do preço é uma consequência da inflação.

    É importante definir os termos de maneira correta.
  • Antonio  28/11/2014 15:00
    FEC,

    Estou ciente dessas definições, mas acontece que, como a mídia popularizou o termo inflação para indicar aumento de preços, costumamos usar aqui inflação de preços e inflação monetária. Vc tem razão, de fato, impostos maiores não causam inflação de preços generalizada, mas pode aumentar os preços de alguns produtos (cuja demanda é menos preço-elástica, como alimentos e remédios, geralmente aqueles que têm maior peso nos índices de preço ao consumidor), mas que teriam de ser compensados pela queda do preço de outros (cuja demanda é mais preço-elástica, como carros e produtos luxuosos), caso não houvesse inflação monetária.
  • Emerson Luis, um Psicologo  30/11/2014 21:23

    É incrível o poder da doutrinação: não aprendem com a experiência própria nem com a dos outros; quanto mais os fatos refutam suas teorias, mais acreditam nelas.

    * * *
  • Pol Pot  16/02/2015 14:04
    Como vocês explicam isso abaixo???

    Japão voltou a crescer!

    Hmm???
  • Kuroda  16/02/2015 14:52
    Cresceu 0,6% no quarto trimestre após ter encolhido 0,6% no terceiro trimestre e 1,9% (!) no segundo trimestre.

    E, comparando o quarto trimestre de 2014 com o quarto trimestre de 2013, o PIB encolheu 0,5%. Comparando o terceiro trimestre de 2014 com o terceiro trimestre de 2013, o PIB encolheu 1,4%. E comparando o segundo de 2014 com o segundo de 2013, o PIB encolheu 0,4%.

    Tem certeza que quer dialogar?
  • Anderson  04/08/2015 12:33
    E o Japão quer mesmo a inflação...


    economia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/07/15/bc-do-japao-mantem-politica-monetaria-e-reduz-projecao-para-pib.htm


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