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O Jardim da Inveja de Piketty

O ressentimento é a única emoção que pode durar a vida inteira e que nunca desapontará você. Em comparação, todas as demais emoções são passageiras e falíveis. Eu tentei odiar alguém por anos; isso, contudo, revelou-se impossível: o ódio desaparece como as cores das flores prensadas. Mas o ressentimento! Ele é a solução perfeita para o seu fracasso na vida. E, graças a Deus, todos nós cometemos falhas em algum sentido ou outro, pois nada seria tão insuportável, causando tanto ressentimento, quanto o sucesso total.

O sucesso dos outros fomenta o ressentimento, especialmente o sucesso em uma área na qual você gostaria de ser bem-sucedido. Sempre que eu leio um trecho de prosa maravilhosa, eu experimento o prazer dessa leitura, é claro; mas ele, muito antes, mistura-se com a irritação e, por fim, com o ressentimento. Por que o meu semelhante é capaz de escrever algo mais elegante, mais perspicaz, mais poético e mais conciso do que eu? O que ele fez para merecer o seu talento? A sorte dos escritores de língua inglesa é que Charles Dickens, por exemplo, tinha muitos e graves defeitos, pois, caso contrário, a genialidade autoevidente e transcendente de alguns dos seus parágrafos os paralisaria, minando a sua vontade de pegar caneta e papel ou de mexer os dedos no teclado.

Como se costuma dizer nos romances russos, chega de filosofia. Vamos agora descer da atmosfera rarefeita da abstração e nos deslocar para a realidade sórdida de um fenômeno real — neste caso, o fenomenal sucesso de um livro chamado Capital no Século XXI, do francês Thomas Piketty. Ele está vendendo tão rápido que as impressoras não conseguem acompanhar a demanda. Não se encontra a obra nas livrarias, mesmo (nas palavras de Lane, o mordomo do personagem Algernon em The Importance of Being Earnest, de Oscar Wilde) com dinheiro vivo.

Isso é realmente impressionante, uma vez que Thomas Piketty não é Dan Brown, o qual vende tolices abertamente supersticiosas escritas em prosa abominável para os crédulos pós-religião. Não: o livro de Piketty é grande, com centenas de páginas, e está recheado de dados misteriosos, que agora temos de chamar de fatos. Felizmente, eu comprara uma cópia desse livro quando ele apareceu pela primeira vez na França; e, em razão da sua rápida ascensão ao status de ícone internacional, eu tenho a esperança de que a minha edição original seja, no momento oportuno, considerada uma preciosa relíquia sagrada com propriedades curativas.

Obviamente, ter comprado um livro e tê-lo lido não são a mesma coisa. Infelizmente, apesar do seu tamanho e do seu peso, eu o perdi. Mas eu o carregava comigo por um tempo, assim como, há muitos anos, quando era um estudante de medicina, eu carregava comigo um livro de patologia, na esperança de que eu aprenderia o seu conteúdo por meio de um processo de osmose através das capas. No entanto, concluí que tinha de abri-lo e aprender apenas o suficiente para passar nos exames. Desnecessário dizer, eu esqueci tudo desde então.

Eu não costumo escrever sobre livros que não li; e eu suponho que, em minha vida, devo ter analisado pelo menos uns 500 livros. Seria falsa modéstia negar que eu li todos eles, incluindo muitas vezes as notas de rodapé, bem como negar a minha solidariedade e a minha empatia com os autores, até mesmo com os autores de livros tão ruins que eu considerava apenas ético fazê-lo — e isso apesar do fato de que não é preciso comer o pote inteiro de manteiga para saber que ela está estragada.

Todavia, duas ideias da obra de Piketty parecem ter sido discutidas com maior vigor em todas as análises que li sobre o seu livro; assim, eu suponho que elas devem representar o cerne daquilo que ele escreveu.

A primeira ideia é a de que há, em relação ao valor do capital, uma tendência de longo prazo a aumentar mais rapidamente do que o ritmo de crescimento da economia como um todo; e, já que a maioria das pessoas depende, para a sua sobrevivência, do seu trabalho em vez do seu capital, a desigualdade de riqueza só pode aumentar, chegando ao ponto de se tornar social e politicamente insustentável. Isso pode ser colocado em termos malthusianos: o valor do capital aumenta geometricamente, ao passo que o valor do rendimento do trabalho aumenta aritmeticamente. Ou, de novo, em termos marxistas: "Em uma determinada fase de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em conflito com as relações de produção existentes. (...) Em seguida, começa uma era de revolução social."

Mas Piketty não é um revolucionário; muito sensatamente, ele deseja evitar uma agitação violenta. Os meios através dos quais ele propõe isso é a sua segunda ideia: um imposto global sobre o capital — presumivelmente, para atingir realmente o seu desejado fim de uma maior igualdade, um imposto substancial.

Em primeiro lugar, analisemos a primeira ideia. Eu hesito em expor o meu próprio caso mais uma vez diante do público, mas alego a atenuação de que, pelo menos, trata-se de um assunto sobre o qual sou relativamente especialista. Como me prejudica o fato de que a proporção entre a riqueza de Bill Gates e a minha excede o quociente entre a minha riqueza e a de alguém que se encontra sob os cuidados do assistencialismo estatal? Eu me considero uma pessoa afortunada: eu nunca passei por quaisquer privações e dificuldades, pelo menos por nenhuma que não fosse a consequência do meu próprio comportamento ou das minhas próprias escolhas. Já fui pobre, mas não passei fome. Jamais sofri injustiça flagrante, exceto algumas detenções injustas em países da má fama (foi culpa minha tê-los visitado, embora, é claro, eu os tenha adorado).

A fortuna de Bill Gates só me prejudica se eu deixar o ácido da inveja e do ressentimento corroer a minha mente. Isso não significa dizer que algumas fortunas não possam ter sido adquiridas de maneira imoral e ilícita: por exemplo, as fortunas de muitos oligarcas russos. Há algo de errado com essas riquezas não porque elas são muito maiores do que a minha, mas sim porque elas foram adquiridas de forma imoral e ilícita. Não há dúvida de que existem muitas áreas cinzentas entre a legitimidade completamente branca e a escura negritude da desonestidade absoluta, mas as óbvias incertezas da vida devem ser suficientes para refrear e conter o nosso ressentimento.

Quanto ao imposto sobre o capital, Piketty está certo ao dizer que ele tem de ser global, pois, caso contrário, haveria fugas de capitais ou restrições locais muito severas sobre os movimentos de capitais — e isso não seria economicamente produtivo ou propício à igualdade. Um imposto global sobre o capital, porém, exigiria uma autoridade mundial para estabelecê-lo, arrecadá-lo e impingi-lo — com efeito, uma espécie de União Europeia gigante. Sinto-me feliz porque não estarei vivo para ver isso ocorrer, mas eu duvido que alguém, nascido ou não nascido, chegará a ver isso acontecer, pelo simples motivo de que os chefes supremos desse governo mundial precisariam de um paraíso fiscal no qual colocar o seu próprio dinheiro.

Eu suspeito que o enorme sucesso desse livro de Piketty seja uma homenagem ao nível de ressentimento que impera no mundo — e não o resultado de uma sede por conhecimento, especialmente entre aqueles indivíduos suficientemente ricos para comprá-lo, usando-o, em grande medida, como um reles acessório. A verdade, como Edward Gibbon nos ensina, raramente encontra uma recepção tão favorável no mundo. Eu posso estar errado, pois ainda não li a obra. Entretanto, posso invejar o seu sucesso.

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Algumas frases aterradoras contidas no livro de Thomas Piketty

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autor

Theodore Dalrymple
é médico psiquiatra e escritor. Aproveitando a experiência de anos de trabalho em países como o Zimbábue e a Tanzânia, bem como na cidade de Birmingham, na Inglaterra, onde trabalhou como médico em uma prisão, Dalrymple escreve sobre cultura, arte, política, educação e medicina. Além de seu trabalho em medicina nos países já citados, ele já viajou extensivamente pela África, Leste Europeu, América Latina e outras regiões.


  • Um observador  13/06/2014 13:48
    "A verdade raramente encontra uma recepção tão favorável no mundo."

    Que frase fantástica!
  • Leonardo Faccioni  13/06/2014 14:22
    Dias atrás um telejornal da Globo que passava por plano de fundo mencionou Piketty e sua obra. Pensava eu mesmo que já demorava para o jornalismo da Vênus Platinada os encampar. A apresentação do indigitado ao público-massa seguiu o padrão de qualidade daquela corporação, cantando loas ao grande sucesso editorial, apontando-o como última palavra das ciências e encerrando com um contraditório-para-inglês-ver - algo mais ou menos assim: "há quem conteste suas conclusões, mas o autor mantém suas posições". Ponto. Nem a mais breve menção ao teor dessas - insinua-se pelo tom - suspeitosíssimas contestações, deixando-se no ar a presunção de que, sendo Piketty um "intelectual de vulto" da mesma cepa dos paladinos da velha esquerda europeia, que entrara no debate de boa-fé, ele próprio emendar-se-ia caso as respostas a sua obra possuíssem substância.
    Ocorre que, por tudo o que já se viu, a obra de Piketty é peça de propaganda, e nenhum propagandista que se preze desmente a si mesmo quando confrontado com os fatos. A propaganda política, vejam só que coisa!, possui a função precípua de obnubilar a realidade, por mais que esta teime em se mostrar.
  • capitalista  13/06/2014 14:36
    O engraçado é que nenhuma pessoa de esquerda critica, rebate,ou pelo menos lê esses textos, que nada mais são do que um banho de reflexão sobre economia
  • Mr. Magoo  13/06/2014 18:57
    Ninguém da esquerda criticou porque ele é o economista do partido socialista francês!
  • capitalista  14/06/2014 15:52
    mas nenhum petralha vem argumentar contra os textos do imb, porque eles não tem argumento nenhum é disso que eu estou falando
  • Mohamed Attcka Todomundo  13/06/2014 17:04
    to vendo muitas respostas a esse livro p/ todo lado, tentando dismistificar o argumento do pikety. vcs ñ acham q isso tá meio histerico? é so + um livro, e tão agindo como se fosse uma nova 'Teoria geral do emprego, do juro e da moeda'! ou vcs acham q to subestimando a recepçao ao pikety e sua tyoria?
  • JonatasMand  13/06/2014 17:18
    Não costumo fazer esse tipo de comentário, mas parabéns ao autor do artigo. Não é qualquer merdinha que cita o grande historiador Edward Gibbon.
  • Andre Cavalcante  13/06/2014 18:56
    Puts.

    Tô com "inveja" do autor deste artigo.

    Fino!
  • Caroline  13/06/2014 19:05
    Não acho Piketty tão brilhante assim. Não cheguei a ler o livro, mas assisti a uma entrevista onde ele explica seu trabalho, intenções e pontos de vista. Enfim, é mais um socialista. Não consigo pensar diferente. Mais um trabalho sobre a desigualdade em que a culpa, imaginem, é do capital e dos capitalistas. Criar um imposto global sobre o capital, ainda que isto fosse possível, não resultaria em menor desigualdade, mas em uma intervenção ainda maior na economia que é um dos principais propulsores das desigualdades sociais e das crises do capitalismo no mundo.
  • BLUE EYES  15/06/2014 19:02
    Perfeitas considerações... falou tudo... sem reparos...
  • Emerson Luis, um Psicologo  13/06/2014 19:17

    Também não li o livro de Piketty, mas pode ser que (em parte) muitas pessoas estejam "colocando na boca dele" aquela inveja racionalizada que já tinham antes.

    O artigo me deu uma ideia: vou encadernar blocos de papel sulfite tamanho A5 em branco, colocar na capa um título e um autor fictícios de nomes parecidos ao de Piketty e sua obra e vender por uma fração do preço para esquerdistas enfeitarem suas estantes e posar com eles.

    * * *
  • Cauê  13/06/2014 22:01
    hmmm...

    "A fortuna de Bill Gates só me prejudica se eu deixar o ácido da inveja e do ressentimento corroer a minha mente."

    Não exatamente, vejam:



    "2:37 the world today has 6.8 billion people
    2:40 that tended up to about 9 billion now if we do a really great job
    2:44 on new vaccines healthcare reproductive health services we could lower that by
    2:50 perhaps 10 to 15 percent
    2:51 but there we see an increase are about 1.3
    2:56 the second factor is the services we use"

    Não perderei meu tempo traduzindo nem transcrevendo corretamente (utilizei a transcrição do youtube)...
    Não acredito mais na inocência de vocês...
  • Andre  14/06/2014 00:42
    Virou mais um metacapitalista:

    www.olavodecarvalho.org/semana/040617jt.htm
  • Lopes  14/06/2014 02:34
    Nenhum de nós é favorável à vacina compulsória e à intromissão estatal na construção familiar: por que haveria de aqui comprometer sua inocência por haver defendido a fortuna de um indivíduo que o é; quem além de acreditar, de forma errônea, de que é benefício uma redução da expectativa de crescimento populacional (vide um excelente artigo do Logan Albright: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1861 ) sobre o quão tende a ser subestimado o impacto de uma redução na população.

    Gates, aos distraídos, não ostenta nenhuma ideologia diferente daquela defendida por quaisquer ambientalistas universitários: quaisquer restrições ao crescimento populacional são benéficas. Ele não deseja eliminar a população, meramente tomar medidas que no longo prazo à carregue à segunda etapa demográfica (em que o crescimento populacional retém sua explosão pós-princípio industrial). Caso não concorde com o pensamento supramencionado, revise em quem houve a perda de confiança.

    Sua riqueza em nada tem a ver com seu posicionamento como ideólogo e muito menos como a adquiriu. Apesar de amparado com patentes sobre formatos e softwares, foi um indivíduo cuja riqueza não surgiu sem 12 horas de trabalho por dia durante o início da carreira. E não é por mera obrigação que ao menos o sistema operacional (enquanto formatos de documentos, por exemplo, tornar-se-iam rapidamente obsoletos como reação do próprio mercado na rede contra o direito dado à MS) é até hoje um dos mais populares: apesar de tudo, entre seus vários produtos, logrou unir conveniência e simplicidade que ampararam uma década de computadores domésticos e profissionais (seria enfrentada fortemente pelo software livre).
  • anônimo  14/06/2014 16:42
    'Gates, aos distraídos, não ostenta nenhuma ideologia diferente daquela defendida por quaisquer ambientalistas universitários'

    Tem toda a diferença do mundo, e no ponto principal: o que ele faz é com o dinheiro dele, diferente do socialista que quer fazer com o MEU dinheiro.

    'logrou unir conveniência e simplicidade que ampararam uma década de computadores domésticos e profissionais (seria enfrentada fortemente pelo software livre).'

    Faz décadas que os religiosos do software livre falam dessa ameaça e ela nunca aparece. Aqui, no mundo dos míseros mortais, nosostros sabemos que Linux só é de graça se o teu tempo não vale nada.
  • Lopes  14/06/2014 21:35
    Não discordo, anônimo. O primeiro item está corretíssimo. Entretanto, não faço quaisquer referências aos estatistas, meramente uno ambos os defensores do pensamento em função do fim desejado: há uma concordância entre eles sobre os malefícios do crescimento populacional e a necessidade de ação para evitá-lo.

    Já o segundo, prender-me-ia em uma sina de 'bom nerd' a pregar pelos benefícios do software livre. Simplesmente, à bem da discussão; se o software livre fosse um desperdício, não seria uma tendência global que companhias de TI customizem sistemas operacionais utilizando o Linux para atender às diferentes demandas de cada companhia. Se não compensasse, não seria feito: até mesmo no Brasil está se tornando uma prática recorrente.

    Eu aplaudo o trabalho da MS tentando não cair em exageros: seu sistema operacional é digno dos louros, mas é mister não esquecer quão conveniente foi a 'amizade com o rei' para o sistema de patentes e a tentativa (fracassada) de promover uns softwares utilizando restrições de formato e não apenas qualidade técnica (vide o infame .doc).
  • Carlos Garcia  14/06/2014 11:33
    Você sabe falar inglês, Cauê? Porque parece que não. O artigo fala sobre a influência que a riqueza do Bill Gates (não) tem na vida dos outros. Aí você vem e me posta um vídeo de uma palestra que ele deu pro TED sobre aquecimento global (!!?). Pior, você nos chamou a atenção para os últimos minutos do vídeo, aqueles em que ele ia começar uma nova linha de argumento, mas que o vídeo não mostra como acaba (me parece que ele ia falar sobre controle do crescimento populacional para controle da emissão de carbono).

    Qual seu objetetivo com esse vídeo, Cauê? Porque você parede não ter entendido nem o artigo, e nem o seu próprio vídeo.
  • F1  15/06/2014 01:23
    Garcia, ele apenas quis mostrar que os que são chamados de capitalistas por muitas vezes usam de suas fundações para fazer política.
  • Ali Baba  15/06/2014 12:01
    @F1 15/06/2014 01:23:53

    Garcia, ele apenas quis mostrar que os que são chamados de capitalistas por muitas vezes usam de suas fundações para fazer política.

    Surpresa!!!
  • Marcelo Simoes Nunes  13/06/2014 23:25
    Não li o livro e não gostei. É incrível como essa massa crédula que se auto intitula esquerda é burra e incapaz de pensar com a própria cabeça. Nessa semana passou uma entrevista dele a um jornalista da Globo. Dizem que ele avaliou dados de todo o mundo para seu livro, mas na entrevista dá para perceber sua total ignorância do Brasil.Ele lamenta que a Receita Federal não lhe tenha repassado dados sobre o patrimônio dos brasileiros. Santa ignorância! Ele não sabe que cada bem é lançado pelo valor declarado de compra (que muitas vezes é deliberadamente subavaliado) e que uma vez lançado esse valor não mais se modifica. Será que ele acha que a Receita faria a correção de cada bem, de cada brasileiro, somente para atendê-lo? E as subavaliações, que nem o Leão do IR é capaz de de enfrentar, quem as corrigiria? Tão grande quanto o livro de Piketty, devem ser os erros que cometeu.
  • Marco  14/06/2014 13:40
    Mas quais são esses erros? Criticam o livro mas não apresentam um dado que o desminta. O ressentimento parece vir do outro lado...
  • Hay  14/06/2014 14:59
    Po cara, você só precisava pesquisar por "Piketty" neste site! Veja aqui
  • Gredson  14/06/2014 17:24
    Na verdade, no próprio artigo já indica outros artigos que critica os dados.
  • L  03/07/2014 06:51
    40 minutos de argumentos contra Piketty, incluindo a inserção de informações falsas sobre a história americana a fim de pintar os republicanos como vilões (secundário, porém relevante no que diz respeito à confiabilidade dos dados fornecidos na obra).
    mises.org/media/8498/Interviews-gtgt-Thomas-Piketty-Refuted
  • Henrique  15/07/2014 21:01
    mises.org.br/Article.aspx?id=1836
  • anônimo  14/06/2014 17:33
    'Um imposto global sobre o capital, porém, exigiria uma autoridade mundial para estabelecê-lo, arrecadá-lo e impingi-lo (...) mas eu duvido que isso chegará a acontecer, pelo simples motivo de que os chefes supremos desse governo mundial precisariam de um paraíso fiscal no qual colocar o seu próprio dinheiro.'

    Quem disse que precisariam?
  • Ali Baba  15/06/2014 12:08
    anônimo 14/06/2014 17:33:38

    'Um imposto global sobre o capital, porém, exigiria uma autoridade mundial para estabelecê-lo, arrecadá-lo e impingi-lo (...) mas eu duvido que isso chegará a acontecer, pelo simples motivo de que os chefes supremos desse governo mundial precisariam de um paraíso fiscal no qual colocar o seu próprio dinheiro.'

    Quem disse que precisariam?


    Onde mais eles colocariam a riqueza que roubariam de nós?

    Mas talvez você tenha razão... quando a sociedade finalmente aceitar um roubo em escala mundial como esse, pode ser que aceite que os ladrões ostentem explicitamente os frutos do seu roubo e não sejam punidos por isso.
  • BLUE EYES  15/06/2014 18:54
    Mas isso já acontece... na China e na Rússia isso é regra e não exceção... os mandachuva de lá ostentam o que roubam... só nós ocidentais é que acreditamos que por lá não há corrupção explicita e que os ladrões do erário público sofrem apenamento... acreditem... na China a tal frase "vc sabe com quem está falando" é regra...
  • Ali Baba  15/06/2014 21:29
    @BLUE EYES 15/06/2014 18:54:07

    Mas isso já acontece... na China e na Rússia isso é regra e não exceção... os mandachuva de lá ostentam o que roubam... só nós ocidentais é que acreditamos que por lá não há corrupção explicita e que os ladrões do erário público sofrem apenamento... acreditem... na China a tal frase "vc sabe com quem está falando" é regra...

    Exatamente, mas escalar isso para o globo todo é pouco provável. Se tudo mais falhar, pelo menos a Suíça duvido que faria parte de algo semelhante. Ato contínuo eles guardariam a riqueza de todos os governantes ladrões que meterem a mão no dinheiro do tal imposto.
  • Homem Verde  14/06/2014 18:02
    Por que só pensar na riqueza de outras pessoas? Por que não pensar em adquirir sua própria riqueza? Por que só pensar imitando os outros? Por que não pensar em pensar?
  • Mr. Magoo  14/06/2014 20:47
    Entendi e concordo capitalista. Acredito também que não vai aparecer ninguém criticando, porque para a esquerda e o momento de aplaudir (popularmente) a obra do que rebater críticas. O Homem-Bolha já deu o aval ao panfleto, fazendo-o virar um Deus ex machina, porque o conceito de fundo (tributação!, tributação!, tributação!) nesse momento e muito importante para os USA. Estão tentando impor os "modelos fiscais" americanos no mundo. Os europeus que o digam. Nesse caos financeiro mundial estamos no vale tudo. E aqui que entra o tal.
  • Mr. Magoo  15/06/2014 21:56
    Socialista é incapaz de criar. Só quer usufruir, não produzir.
  • capitalista  16/06/2014 01:20
    uma vez, eu vi uma pessoa na rua com uma roupa que possuía uma das mais famosas frases de seu madruga: "Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar", então quando ela se virou, notei que ela tinha um broche do PSOL em sua mochila. Engraçado. Os socialistas admitem ser preguiçosos.
  • Roger  16/06/2014 12:30
    As idéias dele (Piketty) só são úteis no contexto de evocar emoções revolucionárias. Mas se fosse para aplicar na prática suas teorias, teríamos muitos mais socialistas indo a bancarrota do que capitalistas.
  • Mr. Magoo  16/06/2014 14:36
    Certo Roger. O problema tá no fato que eles não são aqueles que paga a bancarrota.
  • Roger  16/06/2014 20:08
    Sim, é claro.

    Entretanto duvido e muito que eles (socialistas) gostariam de perder as suas fortunas, mesmo que sejam roubadas. É sobre esse ponto que acho difícil as teorias de Piketty serem aplicadas na prática. O único porém é um cenário [mundial] onde os socialistas não precisem se preocupar com a justiça, seja ela qualquer.
  • Steve Ling  16/06/2014 19:22
    Ele vai dividir o faturaramento desse livro com os pobres?
  • out  16/06/2014 20:28
    Boa tarde pessoal, ao meu ver a maioria não leu o livro, quero deixar bem claro que não sou comuna, socialista, muito menos militante vermelho. Uma coisa é pesquisar sobre a atuação, encontrar aqui e ali, um site ou um "especialista", que acuse-o de maquiar ou manipular dados, outra é ler e tirar as suas próprias conclusões, estamos entrando em uma espiral descendente de conclusões precipitadas, baseadas em capas, ou em "gurus" da TV e Blogs, gostaria de afirmar, não estou vendendo o livro, muito menos defendendo ou autor ou conteúdo, eu apensa li o livro e tive uma visão um pouco diferente, que me levou a refletir sobre... Sei que serei atacado, mas conheci o site por meio de um outro blog, compartilho de idéias e pensamentos semelhantes à de outros artigos. A questão que me gera uma duvida é, hoje em dia o quão estamos sendo superficiais em nossas analises e conclusões, ou melhor, apenas uma rápida pesquisa no Google, ou uma simples entrevista, já basta para nos informar e moldar?
  • Felipe  17/06/2014 00:26
    out,

    eu apensa li o livro e tive uma visão um pouco diferente, que me levou a refletir sobre...
    Você chegou a ler aquele artigo do IMB que refuta a tese central do livro?
    mises.org.br/Article.aspx?id=1836
    Eu nem cheguei a ler o livro por causa desta e de outras críticas ao mesmo. Isso porque não vi ninguém rebater estas críticas. Se você acha que ela não é correta, então por favor explique.

    A questão que me gera uma duvida é, hoje em dia o quão estamos sendo superficiais em nossas analises e conclusões, ou melhor, apenas uma rápida pesquisa no Google, ou uma simples entrevista, já basta para nos informar e moldar?
    Concordo que isso é uma tendência. Mas isso não é necessariamente um problema. O maior obstáculo (na minha opinião) é que a maioria das pessoas não tem a capacidade de debater ideias com argumentos e contra-argumentos - ficando presas nos seus conceitos pré-estabelecidos.

  • Andre Cavalcante  17/06/2014 01:10
    Olá out

    "A questão que me gera uma duvida é, hoje em dia o quão estamos sendo superficiais em nossas analises e conclusões, ou melhor, apenas uma rápida pesquisa no Google, ou uma simples entrevista, já basta para nos informar e moldar?"

    Realmente você foi bem superficial em seu comentário. E não, uma rápida pesquisa no Google não deve ser o suficiente para nos informar e moldar. É preciso muito mais que isso; por exemplo, é preciso que se saiba interpretar bem o que se lê e treinar a mente a desenvolver o pensamento crítico, lógico e racional.

    Por exemplo, o autor não está criticando exatamente o conteúdo da obra, mas quem lê a obra, e ainda ironiza o fato de que ele, ao menos, pode se dar o luxo de ter inveja da venda magnânima de uma obra, em teoria científica, portanto, restrita a um público com mais capacidade, mas que bate recordes de venda - obviamente quem está lendo não tá entendendo nada ou o faz apenas porque "tá na moda". Mas parece que pouca gente entende isso.

    Sobre o Piketty e sua obra você poderia ter começado por: mises.org.br/Article.aspx?id=1855. E depois continuar com: mises.org.br/Search.aspx?text=Piketty. E isso só neste site.



  • Jeferson  17/06/2014 14:19
    Isso tá me lembrando uma coisa que vi ontem. Inveja é uma situação em que você se sente mal pelo sucesso alheio, mesmo que a sua situação lhe seja satisfatória... ou seria se você não soubesse do sucesso alheio. Existe alguma palavra para o oposto, ou seja, a situação em que você se sente bem, ou conformado pela sua própria miséria porque a miséria alheia é maior que a sua? Eu vejo essas duas coisas como repressoras do crescimento e da prosperidade humana, mas não apenas a primeira é explicitamente condenada em praticamente qualquer religião. Já a segunda... eu nem sei se há uma palavra que a defina. Alguém mais esclarecido poderia me ajudar?
  • Fernando Chiocca  17/06/2014 15:39
    O Helmut Shoeck pode te ajudar: Envy
  • Jeferson  17/06/2014 16:12
    Valeu a dica. Acho que vou comprar e ler. Pelos comentários vi que ele também definiria isso como inveja, embora eu não estivesse exatamente me referindo à satisfação que algumas pessoas têm ao ver a desgraça alheia independente da sua própria, e sim ao "consolo" ou "conformismo" que pessoas em situação já ruim sentem ao vislumbrar que outras pessoas estão em situações piores.

    Isso é até usado como máxima para consolar as pessoas: "Podia ser pior". "Olha quanta gente gostaria de estar no seu lugar". "Tem gente em situação muito pior do que a sua, e você aí reclamando". Eu vejo esse tipo de sentimento como daninho porque, se poderia ser pior, também poderia ser melhor, então, por que se conformar ao invés de tentar melhorar?

    O termo que procuro não seria "conformismo" porque essa não é a única fonte dele. Acredito que "resignação" também não se aplique. Alguma outra idéia.
  • Andre  17/06/2014 15:59
    "Existe alguma palavra para o oposto, ou seja, a situação em que você se sente bem, ou conformado pela sua própria miséria porque a miséria alheia é maior que a sua?"

    Em alemão existe "Schadenfreude":

    en.wikipedia.org/wiki/Schadenfreude
  • Jeferson  17/06/2014 18:09
    Obrigado, André! Provavelmente não existe em português mesmo. Depois nossa língua é riquíssima porque nós temos a palavra "saudade". ;D
  • Eduardo  24/06/2014 14:22
    Discordo dos que elogiaram do artigo. Está repleto de argumentos "ad hominem". Não que haja apenas isso: o autor certamente entra no mérito dos argumentos dele, só que muito rapidamente e não com a mesma profundidade que Piketty para elaborar sua tese.
    E claro, estou ciente de que tanto o Financial Times quando Robert Murphy já apresentaram contra-argumentos, mas ambos não possuem a mesma profundidade de Thomas Piketty: a análise do Financial Times ainda está em debate, além de ser bem mais pontual do que a análise de Piketty, enquanto que a do Robert Murphy compila contra-argumentos já realizados - além de ter alguns argumentos "ad hominem".
    Sendo transparente, concordo com o Piketty, mas posso alterar de posição. A Escola Austríaca me fascina bastante, pois conseguiu quebrar algumas das minhas convicções no passado. Entretanto, no que se refere especificamente a este assunto, não encontrei nenhum estudo de peso apto a provar - no sentido científico do termo - que o Piketty está equivocado em suas conclusões.
  • Eduardo R., Rio  06/07/2014 06:27
    Texto de Stephen Kanitz, "Piketty Entrevista Roberto Carlos".


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