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Gastos públicos, lucros privados

Vou lhes contar um segredo: sempre que o governo diz ser necessário "estimular a economia por meio de um aumento nos gastos públicos", o que ele na realidade está dizendo é que irá aumentar os lucros de alguns empresários privilegiados (ou ineficientes) à custa dos pagadores de impostos.

Os keynesianos defensores desta doutrina jamais tiveram a coragem moral de colocar as coisas desta maneira.  Eles sempre dizem que tudo é apenas uma questão de "criar empregos", de "reaquecer a economia", de "fomentar o crescimento", de "melhorar o tecido social", ou de "ajudar os mais desfavorecidos". 

Mas a crua realidade é esta: sempre que você apoiar um aumento nos gastos e um aumento no déficit orçamentário do governo (esqueça a ficção do "superávit primário", uma excrescência sem sentido inventada pelo FMI; o que vale é o déficit nominal), você está inevitavelmente defendendo privilégios aos empresários favoritos do governo.  Também está defendendo a socialização dos prejuízos daqueles empresários incompetentes que não souberam investir corretamente.

Isso vale para todo e qualquer tipo de aumento de gastos.

Se o governo disser que irá gastar mais com assistencialismo, os bancos irão financiar o déficit e os pagadores de impostos ficarão com os juros.

Se o governo disser que irá gastar mais com saúde, além dos bancos, as empresas do ramo médico — desde as grandes fornecedoras de equipamentos caros aos mais simples vendedores de luvas de borracha — também irão lucrar mais.

Se o governo disser que irá gastar mais com obras e investimentos públicos, além dos bancos, todas as empreiteiras selecionadas serão beneficiadas.

Se o governo disser que irá gastar mais com subsídios, além dos bancos, empresários e pecuaristas serão os privilegiados.

Por uma questão de justiça, vale dizer que nem todos os keynesianos tentam ocultar o que é evidente.  Um de seus mais brilhantes representantes, Hyman Minsky, deixou bem claro em que consistia todo o teatro keynesiano: endividar o contribuinte para engordar o capitalista.  Leiam suas palavras em um de seus livros mais importantes, Estabilizando uma Economia Instável:

Se o déficit público aumentar quando os investimentos privados e os lucros estiverem diminuindo, os lucros empresariais não irão diminuir tanto quanto diminuiriam na ausência deste déficit.  Com efeito, o Grande Governo serve para consolidar os lucros das empresas.

Direto ao ponto.  Sem embustes nem rodeios.

A verdade é que não há nenhum mistério nisso. E é estranho que poucos abordem as coisas desta maneira. O estado, quando decide "estimular" a economia por meio de mais gastos, pode fazer duas coisas: ou ele pode contratar uma empresa privada para fazer algum desatino qualquer (como construir um estádio de futebol), algo que os consumidores não teriam contratado por si mesmos, de maneira que estas empresas receberão uma injeção de dinheiro público na veia; ou ele pode executar seus dispêndios por meio de alguma estatal, o que inevitavelmente também gerará toda uma série de lucros privados, não apenas em prol de seus empregados, mas também e principalmente em prol de fornecedores, clientes etc. 

E, novamente, em ambos os cenários, o déficit do governo será financiado pelos bancos, e os pagadores de impostos arcarão com os juros.

Não há escapatória: quando o estado se endivida e gasta, o que em última instância ele está fazendo é garantindo lucros a seus empresários favoritos, a maioria deles ineficientes. 

Não há diferença prática entre o estado aumentar seus gastos para "estimular a economia" e o estado socorrer bancos ou terceirizar a gestão de algum serviço público para uma empresa privada em regime de monopólio.  Em todos eles está havendo transferência de recursos públicos para mãos privadas.  A única diferença teórica é que, nestes dois últimos exemplos, vemos com clareza como o dinheiro está sendo transferido dos pagadores de impostos para alguns capitalistas específicos, ao passo que, com os estímulos, muitos se limitam a aplaudir sem perceber que eles próprios estão sendo espoliados.

Por fim, percebam a ironia das ironias: os maldosos liberais defensores da contenção dos gastos e do déficit zero são aqueles que, no final, se recusam a socializar os prejuízos privados e a enriquecer vários torpes capitalistas por meio da espoliação dos pagadores de impostos, ao passo que os intervencionistas "defensores do povo" são os principais aliados dos grandes empresários que obtêm grandes lucros simplesmente porque se beneficiam das consequências do aumento dos gastos do governo e do déficit público.

Gastos públicos, lucros privados.  É uma lástima que algumas pessoas ainda não tenham entendido de que lado realmente estão e quais interesses privados estão defendendo.



autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • Henrique  12/03/2014 13:59
    Olá, como apóio a causa liberal, gostaria de saber se temos países atualmente fazendo reformas para liberalizar a economia. Quais países seriam? Até Hong Kong implementou um salário mínimo...

    Valeu
  • Rennan Alves  13/03/2014 09:14
    Prezado Henrique, você alguma fonte ou notícia que substancia esta afirmação sobre Hong Kong?

    Não me interprete mal, mas me custa acreditar que uma das áreas mais livres do mundo tenha caído nas graças das regras trabalhistas criadas por Mussolini.
  • Henrique  15/03/2014 16:25
    Hong Kong implementou um salário mínimo e já deu um aumento:

    www.bloomberg.com/news/2012-12-12/hong-kong-to-increase-minimum-wage-by-7-1-as-inflation-bites.html
  • Ivo  12/03/2014 15:49
    Nada como a verdade claramente exposta.
  • Celso  12/03/2014 17:19
    Eu leio, leio, leio o Mises Brasil e tem umas coisa que eu não entendo. Por exemplo, ao aumentar o défict o governo inflaciona a oferta de moeda, certo?
    Ele pode fazer isso ilimitadamente?
    Ele presta conta da quantidade de moeda que ele cria? Se presta, há como os cidadãos verificarem se a informação do governo é realmente verdadeira?
    Outra coisa: o governo vai estimular a economia investindo em determinados empresários que obviamente ficarão muito mais ricos por conta da atitude do governo. Então me parece óbvio que tais empresários recompensarão os membros do governo com algum gesto de gratidão como um depósito milionário na Suíça, por exemplo. Dinheiro esse que em sua maior parte provavelmente voltará como investimento em campanha de reeleição, o que fará com que dificilmente o governo saia do poder. É isso mesmo?
  • Leandro  12/03/2014 18:08
    Este é justamente um dos assuntos mais rotineiramente debatidos neste site. Aliás, deve ser o mais debatido, tanto nos artigos quanto na seção de comentários. Estranho ainda haver dúvidas. Mas vamos lá.

    "Por exemplo, ao aumentar o défict o governo inflaciona a oferta de moeda, certo?"

    Correto, mas isso ocorre de maneira indireta.

    O Banco Central não imprime dinheiro para entregá-lo diretamente ao governo. A Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, proibiu esse tipo de financiamento direto. Entretanto, isso ocorria até meados da década de 1990. Naquela época, o governo mandava para o Congresso uma proposta pedindo autorização para que o Banco Central imprimisse uma determinada quantia de dinheiro para cobrir o déficit orçamentário do governo. E o Congresso sempre aprovava. Era simples assim mesmo: o governo coletava $1.000 em impostos, mas queria gastar $2.000. Solução? Imprima os $1.000 restantes. Depois que a inflação de preços atingiu alguns bilhões por cento, os gênios finalmente resolveram acordar pra realidade.

    Atualmente, quando o governo incorre em déficit, o Tesouro emite títulos. Esses títulos são comprados majoritariamente pelo sistema bancário (pessoas físicas e jurídicas também podem comprá-los via Tesouro Direto). Os bancos compram esses títulos criando dinheiro do nada.

    Ato contínuo, os bancos decidem se irão manter esses títulos (e auferir juros) ou se irão revendê-los ao Banco Central a um preço menor do que compraram (e auferir lucros) e com isso obter mais reservas, o que aumenta sua capacidade de conceder empréstimos.

    O Banco Central, por sua vez, cria dinheiro do nada ao comprar esses títulos que estão em posse do sistema bancário. É por meio desse ato que o BC aumenta a base monetária da economia. Quanto mais títulos o BC compra dos bancos, mais dinheiro os bancos passam a ter em suas reservas. Consequentemente, maior a sua capacidade de fazer empréstimos.

    Portanto, sim, déficits do governo aumentam a oferta monetária. Mas quem de fato aumenta a oferta monetária é o sistema bancário. O Banco Central apenas acomoda o processo. Sem um BC criando dinheiro e repassando aos bancos, os bancos não poderiam financiar continuamente os déficits do governo sem que isso gerasse um aumento nos juros.

    No atual arranjo, os bancos irão alegremente financiar o déficit do governo, pois sabem que esses títulos que eles compram do Tesouro serão mais tarde comprados pelo Banco Central, pois é assim que ele faz política monetária.

    É justamente por saberem que os títulos do Tesouro serão comprados pelo Banco Central -- o que significa que eles possuem um mercado de revenda garantido e de alta liquidez --, que os bancos animadamente financiam o déficit do governo. Ou seja, aquilo que antes era feito diretamente -- com o BC dando dinheiro diretamente para o Tesouro --, agora passou a ser feito indiretamente, só que um adicional: agora os bancos entraram nesse arranjo e lucram enormemente com isso.

    "Ele pode fazer isso ilimitadamente?"

    Tendo em mente o arranjo descrito assim, a resposta é sim. O BC pode criar a quantidade de dinheiro que quiser e dar aos bancos (em troca de títulos públicos ou de qualquer outro ativo).

    "Ele presta conta da quantidade de moeda que ele cria?"

    Semanalmente. Está tudo no site do BC.

    "Se presta, há como os cidadãos verificarem se a informação do governo é realmente verdadeira?"

    Qual informação? Está tudo disponível. O que ninguém faz (exceto alguns poucos) é questionar a moralidade do sistema.

    "Outra coisa: o governo vai estimular a economia investindo em determinados empresários que obviamente ficarão muito mais ricos por conta da atitude do governo. Então me parece óbvio que tais empresários recompensarão os membros do governo com algum gesto de gratidão como um depósito milionário na Suíça, por exemplo. Dinheiro esse que em sua maior parte provavelmente voltará como investimento em campanha de reeleição, o que fará com que dificilmente o governo saia do poder. É isso mesmo?"

    Não sei sobre contas na Suíça, mas em termos de contribuições de campanha a coisa é bem aberta, principalmente no que tange a doações de empreiteiras para políticos.


    Dois artigos básicos sobre essa questão monetária:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1015
  • Celso  12/03/2014 20:52
    Muito obrigado pela ótima resposta. À noite lerei os artigos indicados.

    Mas, proibir o governo de gastar mais do que arrecada não seria mais prático que apenas acabar com o BC?
  • Pobre Paulista  13/03/2014 03:35
    E quem proibiria o governo? O Governo do governo? Mas caso exista o governo do governo, quem impediria o governo do governo de fazer o mesmo? O governo do governo do governo?
  • Liz  25/04/2018 08:08
    Os governados iriam impedir!
  • Leandro  12/03/2014 21:09
    Já seria um excelente primeiro passo.
  • Vive la liberte!  13/03/2014 11:47
    Obrigado por mais um excelente comentário, Leandro.

    Gostaria de perturbá-lo com uma questão que está me incomodando há um tempo.

    O governo controla a SELIC comprando (reduz a taxa) e vendendo (aumenta a taxa) títulos públicos. Segundo outro artigo, no arranjo atual, o governo está sempre comprando,mas consegue aumentar a SELIC comprando em ritmo mais lento.

    -Para financiar a dívida, o governo precisa vender títulos. Daí minha confusão, pois se o governo está sempre comprando títulos, como consegue abater a dívida sem influenciar na taxa SELIC?

    Não consigo entender esse mecanismo.
    Em certo comentário você falou que só foi entender melhor economia depois que dedicou tempo de estudo ao funcionamento dos bancos. Poderia recomendar algumas leituras?

    Já li alguns artigos aqui no site, mas sou meio burrinho. Preciso encontrar as informações bem explícitas para entender as coisas. :)

    Lembro de ter lido esses:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1801
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344 (já li essa série 3 vezes. Estou seriamente pensando em ler uma quarta vez)

    Abraços.
  • Leandro  13/03/2014 13:24
    "O governo controla a SELIC comprando (reduz a taxa) e vendendo (aumenta a taxa) títulos públicos."

    Em vez de "governo", diga Banco Central. Caso contrário, fica um pouco confuso.

    Deixe-me colocar a frase acima de outra forma: o Banco Central fixa o valor da Selic ao simplesmente dizer que irá comprar e vender títulos a um determinado preço.

    Por exemplo, hoje a SELIC está em 10,75%. Isso significa que o BC se compromete a comprar e vender títulos a um preço que gera esse valor de 10,75.

    Se na próxima reunião do COPOM ele decidir subir a SELIC para 11%, então ele estará simplesmente dizendo que, dali em diante, ele irá comprar e vender títulos a um preço que faça com que os juros sejam de 11%.

    Para entender melhor como funciona o BC, imagine que você tenha uma casa de câmbio que tenha a capacidade de produzir reais infinitamente (assim como o BC tem a capacidade de criar dinheiro quando quiser). Imagine agora que você se compromete a comprar e a vender dólares por um preço fixo de $1 por dólar. Ao fazer isso, você simplesmente fixou o preço do dólar. Ninguém conseguirá vender dólar a um preço maior que o seu. Quem seria tolo de comprar dólar por qualquer valor maior que $1 dado que você está vendendo a esse valor para quem quiser comprar? Igualmente, ninguém conseguirá comprar dólar a um preço menor do que $1, pois a pessoa que estiver vendendo irá simplesmente preferir ir à sua casa de câmbio e vender dólar por $1.

    O BC opera de maneira idêntica. Ele simplesmente diz a que preço irá comprar e vender títulos, e pronto. A taxa de juros dos títulos está fixada. Ninguém conseguirá vender títulos a um preço maior e ninguém conseguirá comprar títulos a um preço menor. A partir daí, as operações de mercado aberto irão ocorrer de acordo. Um aumento dos juros (ou seja, uma redução dos preços dos títulos) fará com que os bancos se sintam mais atraídos a comprar títulos em posse do BC e do governo, sobrando menos dinheiro para emprestar para pessoas e empresas, o que encarece os empréstimos. Uma redução dos juros (ou seja, um aumento dos preços dos títulos) gerará o efeito inverso.

    É assim que a coisa funciona.

    "Segundo outro artigo, no arranjo atual, o governo está sempre comprando, mas consegue aumentar a SELIC comprando em ritmo mais lento."

    Isso é apenas uma consequência da explicação acima. O BC está sempre comprando e vendendo títulos. Se ele quiser aumentar a SELIC, ele simplesmente estipula que, dali em diante, irá comprar e vender títulos a um preço menor. Isso significa que os bancos podem agora comprar títulos em posse do BC a um preço menor. Mas também significa que os bancos só podem agora vender títulos ao BC a um preço menor. Ato contínuo, os bancos passam a vender menos para o BC e a comprar mais do BC. Logo, a quantidade de dinheiro em suas reservas passa a crescer a uma taxa menor.

    "Para financiar a dívida, o governo precisa vender títulos. Daí minha confusão, pois se o governo está sempre comprando títulos, como consegue abater a dívida sem influenciar na taxa SELIC?"

    Vamos tentar de novo: a partir do momento em que o BC fixa a taxa de juros, o Tesouro só irá conseguir vender novos títulos à taxa fixada pelo BC. O mecanismo funciona identicamente ao exemplo da casa de câmbio.

    Portanto, taí a resposta: o BC regula os juros fixando um preço para os títulos, o Tesouro emite os títulos e os bancos compram pagando o preço fixado pelo BC. Só isso.

    Não se preocupe se ainda não ficou 100% claro. De primeira, demora um pouco para você entender mesmo. Mas, com o tempo, à medida que você for digerindo aquele exemplo da casa de câmbio, você irá entender tudo. Esse é o segredo: pense no exemplo da casa de câmbio.

    P.S.: ao contrário do que você disse, o governo não consegue abater a dívida. Tanto é que a dívida bruta -- que representa justamente o estoque total de títulos emitidos pelo Tesouro -- só faz aumentar. Atualmente está em R$2,830 trilhões. Estava em R$2,583 trilhões em dezembro de 2012.
  • Vive la liberte!  13/03/2014 18:46
    Obrigado pela resposta, Leandro. Confesso que ainda não digeri o mecanismo, rs. Vou passar um tempo pensando sobre o exemplo com a casa de câmbio.
    Cometi um erro ao escrever "abater a dívida" quando minha intenção era dizer "cobrir o déficit". Fica a errata. :D

    Abração e obrigado novamente.
  • Edson  13/03/2014 23:34
    Leandro, tenho uma pergunta muito idiota, típica de um leigo: o que são títulos do tesouro? Poderia me explicar de forma didática? Ou me indicar alguns links?
  • Leandro  13/03/2014 23:40
    Tudo aqui em detalhes:

    mises.org.br/Article.aspx?id=344
  • Philipe  14/03/2014 21:00
    "Ato contínuo, os bancos decidem se irão manter esses títulos (e auferir juros) ou se irão revendê-los ao Banco Central a um preço menor do que compraram (e auferir lucros) e com isso obter mais reservas, o que aumenta sua capacidade de conceder empréstimos. "

    Irão revender os títulos a um preço MENOR ? Oo
  • Leandro  14/03/2014 21:49
    Maior, é claro. My bad.
  • gredson  12/03/2014 18:22
    será que a palavra "capitalista" é o correto?

    não seria melhor corporativista?

    eu acredito que o capitalismo gira em torno de trocas voluntarias. quando o governo financia empresas privadas com imposto roubado do contribuinte, não há nada de voluntario, por parte de quem paga o imposto.
  • Leandro  12/03/2014 18:40
    É um bom ponto. Mas a definição precípua de capitalista é 'detentor do capital'. Isso vale tanto para o mega empresário detentor dos sofisticados meios de produção de uma fábrica quanto para o pipoqueiro detentor do carrinho da pipoca, das panelas, do milho e do butijão de gás.

    Se esse capitalista (o mega empresário ou o pipoqueiro) faz negócios com o governo, ele também se qualifica como corporativista, mas a definição de capitalista (detentor do capital) não é alterada.
  • Emerson Luis, um Psicologo  12/03/2014 19:54

    O duro é saber disso e ouvir professor marxista dizendo que o Brasil é capitalista.

    * * *
  • Henrique  12/03/2014 21:47
    Pessoal,
    os governos, principalmente dos países desenvolvidos, vão conseguir continuar se endividando e honrar os compromissos do welfare state relativos à saúde e à aposentadoria da população?
    Em algumas décadas, veremos cortes profundos nesses governos?

    valeu!
  • Leandro  12/03/2014 22:10
    Isso é absolutamente certo. Vai ocorrer, sem nenhuma sombra de dúvida. A questão não é apenas econômica; é também demográfica e matemática. Ou seja, é irreversível.

    Este será o calote mais inevitável de todos (para qualquer governo).

    Mas o calote não ocorrerá subitamente. E também não será sobre os títulos públicos. O governo (de qualquer país) vai começar cortando alguns benefícios previdenciários daqueles grupos que têm menos poder político e pouco poder eleitoral. E daí vai começar a aprofundar. Nos EUA, o governo vai começar a cortar o Medicare e o Medicaid. Aqui no Brasil serão alguns pensionistas. E assim por diante. A faca começará sempre sobre os menos influentes.

    Haverá gritaria, mas será feito.
  • Henrique  12/03/2014 22:20
    Leandro, será, então, o fim do welfare state como o conhecemos?

    Valeu
  • Adriano  12/03/2014 23:30
    Essa bolha um dia vai estourar.
  • Mauricio.  13/03/2014 01:29
    Hoje saiu uma notícia interessante pra esta discussão. Governo (ou seja, nós, contribuintes) vai ter que pagar R$ 7 bilhões a Varig devido a prejuízos causados pelos governos socialistas de Sarney e Collor.

    STF garante à Varig indenização que pode chegar a R$ 7 bilhões
    veja.abril.com.br/noticia/economia/stf-garante-a-varig-indenizacao-que-pode-chegar-a-r-7-bilhoes
  • Gustavo  13/03/2014 14:42
    "Gastos públicos, lucros privados. É uma lástima que algumas pessoas ainda não tenham entendido de que lado realmente estão e quais interesses privados estão defendendo."

    Essa conclusão é interessante. Existe algum artigo publicado no site que aborde essa questão? Sinceramente penso que o que falta ao liberalismo é um bom relações públicas.
  • Gustavo  13/03/2014 15:16
    Ok, desculpe, acho que não me expressei bem. Refiro-me a artigos que abordem especificamente a questão da difusão e promoção das ideias liberais, já que é evidente a facilidade com que as pessoas espontaneamente se identificam com "a esquerda" sem saber o que isso significa. Quando o autor conclui dizendo que algumas pessoas não entendem de que lado estão e quais interesses estão defendendo, ele tentou suavizar a realidade: Pouquíssimas são as pessoas que compreendem a ideia de liberalismo e orientação política nos dias de hoje. O quem vem sendo feito para mudar isso? O Instituto é uma excelente iniciativa, mas vamos concordar que ainda é pouco.
  • Guilherme  13/03/2014 16:15
    Boa tarde,

    Sei que não tem muito a ver com este especifico artigo, porem aqui seria o site em que minha duvida poderia ser respondida; vamos la;

    Estava discutindo liberdade com uns amigos em um bar e todos concordamos que para termos liberdade e exerce-la precisaríamos adotar a propriedade privada para tudo e para todos...porem nossa discussão parou quando tentamos adotar este conceito para crianças e bebes, que ainda não conseguiriam exercer seus direitos de propriedade sobre seus próprios corpos, por exemplo. Os pais são os proprietários da criança? Caso sim, eles poderiam vende-las? Se não, por favor alguém poderia me explicar este conceito? pode parecer uma pergunta ignorante, porem não achei a resposte em nenhum dos livros que li...
    abs,
  • Vive la liberte!  13/03/2014 18:40
    Aqui você encontra algumas sugestões para esse dilema:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=136

    Trecho:
    "O libertário poderia argumentar que os pais têm várias obrigações positivas para com os filhos, tais como a obrigação de alimentar, dar abrigo, educar, etc. A idéia aqui é a de que o libertarianismo não se opõe a "direitos positivos"[2] — desde que voluntariamente praticados. Uma maneira de fazer isso é através de um contrato; outra, é através da violação da propriedade alheia. Assim, se você estiver passando por um homem se afogando em um lago, você não tem a obrigação (legal) de tentar resgatá-lo; mas se você empurrar alguém em um lago, aí sim você tem a obrigação positiva de tentar resgatá-lo. Se não o fizer, responderá por homicídio. Do mesmo modo, se suas ações voluntárias derem vida a uma criança que tenha necessidades naturais de abrigo, comida, proteção e cuidados, essa situação será semelhante a jogar alguém num lago. Em ambos os casos, você cria uma situação em que um outro ser humano está em desesperadora necessidade de ajuda, sem a qual morrerá. Ao criar essa situação de necessidade, você passa a ser obrigado a saciar essas necessidades. E certamente esse conjunto de obrigações positivas incluiria a obrigação de emancipar a criança em um certo momento"

    Abraços e bons estudos para nós. :)
  • Carlos Rodrigo   13/03/2014 19:30
    Vou Fazer uma monografia no curso de direito, o tema sobre monopólios governamentais, gostaria de saber o que vcs do site mises me indicariam como temas em torno desse assunto, como por exemplo poderia fazer uma análise da lei antitruste brasileira ou outra Lei, além disso gostaria de artigos, outras monografias, sites, livros, blogs, que pudessem me ajudar. Um obrigado a todos
  • Magno  13/03/2014 19:38
    Leia todos os artigos recomendados pelo Thales. Todos.
  • Rennan Alves  15/03/2014 10:32
    O que me espanta nos keynesianos, são seus raciocínios beirando o cinismo e a imbecilidade com os quais defendem maior intervenção e gastos estatais.

    Vejam esta matéria da BBC.

    "O saldo geral disso tudo é que, após o governo arrecadar e gastar, a desigualdade de renda caía 19% naquele ano. Mas num país tão desigual, a queda precisa ser maior, afirma Fernado Gaiger, um dos autores da pesquisa: "O tributo tem uma função de coesão social"."

    Rico é menos taxado no Brasil do que na maioria do G20
  • Eduardo  17/03/2014 03:01
    Resumindo, um liberal é aquele que é contra o uso do estado para enriquecer artificialmente pela coerção os magnatas amiguinhos do governo, mas que defendem que o cara que enriqueceu produzindo valor para a sociedade merece ficar com o seu dinheiro e não tem cabimento ficar taxando o cara produtivo só por ele ser rico.

    Um esquerdista é aquele cujas idéias intervencionistas idiotas têm por consequência (que uns percebem, e outros não) enriquecer artificialmente os ricaços poderosos com conexões políticas; aí o esquerdista olha esse arranjo, conclui que os ricos (que muitas vezes são beneficiados pelo intervencionismo esquerdista) têm dinheiro demais, e defendem que todos os ricos sejam taxados para compensar essas injustiças.

    De um lado temos um arranjo em que o poder de parasitas é limitado, e os frutos do trabalho de pessoas capazes é recompensado, e do outro temos um arranjo em que o governo e amigos do governo vão ficando cada vez mais ricos e poderosos às custas do resto da população.
  • humberto  25/03/2014 07:49
    "(OU ineficientes)" você quis dizer (E ineficientes) imagino, embora seja quase um pleonasmo. Já que o que porventura seja eficiente de estímulo estatal não precisa.
  • RENATO BARBOSA DA SILVA RAMOS  22/07/2014 14:50
    PREZADOS SRS,

    EXCELENTE MATÉRIA QUE DESMASCARA A INCULTA FAMIGERADA PSEUDO TEORIA DO KEYNESIANINSMO. COMO DISSE O EMU AMIGO (IN MEMORIAN) PROFESSOR MILTON FIREDMAN "... NAÕ EXISTE ALMOÇO DE GRAÇA...!"
    RENATO RAMOS
  • Marcio Cajado  22/07/2014 15:20
    "Gastos públicos, lucros privados. É uma lástima que algumas pessoas ainda não tenham entendido de que lado realmente estão e quais interesses privados estão defendendo."

    Óbvio que poucas pessoas vão entender questões como essa, somos condicionados a pensar de forma errada desde que entramos nas escolas estatais até ingressarmos nas instituições, as idéias contrárias estão para todo lado, infelizmente aprendemos de forma torta e quem luta para descobrir o oculto desse mundo se libertá e percebe a realidade desse mundo, mas como fazer isso para uma grande massa que se preocupa se o Brasil vai ganhar a copa, se fulano vai terminar com ciclano na novela das 20 horas, isso tem que mudar, como competir com a mídia corporativa e suas mentiras, lutar contra o sistema acadêmico, complicado

    Vi um debate e professores da PUC de economia falam merda atras de merda, e quantas pessoas passam na mão deles...
  • Raphael  22/07/2014 15:24
    Eu não consigo entender muita coisa, comecei a ler sobre economia agora (depois de ler Ayn Rand)e por enquanto só queria entender o seguinte, se alguém puder ajudar, é claro:
    Por que Friedman não é da escola austríaca? o que é diferente no pensamento dele para mises e os outros?
    E por que eu ouvi dizer, se não me engano no site mises americano, que Ayn Rand e mises "discordavam" em tal coisa? Q "coisa" era essa? Seria o egoísmo da Rand?
    Agradeço pela ajuda.
  • anônimo  22/07/2014 16:34
    O melhor artigo para um iniciante:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349

    Friedman acredita nas respostas da Escola de Chicago e Mises nas respostas da Escola Austríaca.
  • Tano  22/07/2014 16:29
    Eu acho que o artigo é correto e que a maioria das pessoas não vem isso. Tenho certeza que a maioria que começou a ler este site faz pouco não sabíamos disto.
    Mas também acho que têm outros motivos pelo qual as pessoas, no geral, "aceitam" que o governo gaste e "estimule" a economia. Os gastos do governo não só beneficiam grandes empresarios, também beneficiam pequenos e medios empresarios, e muitos empregados desses setores que são estimulados. E também porque "pospõe a crise". Vai entre aspas porque pospoe a crise de alguns somente, e também porque muitas vezes é so no papel (exemplo: Brasil evitou ter queda no PIB e teve aumento de 0,5%) Claro, no fim das contas o resultado é pior, mas o imediatismo e miopia é caracteristico do ser humano.
  • Brian  23/07/2014 00:00
    Eu vejo um caminho de um liberalismo em um mapa direcionado somente pelo Estado em crise, por que pela democracia, uma boa parte da sociedade se vincula pelos beneficios constituídos pelo Estado.

    Por exemplo, a existência singular somente com a não intervenção macro dos beneficios do emprego formal. Como o povo Brasileiro regiagiria economicamente sem os seguintes benefícios:

    - Sem décimo terceiro.
    - Sem férias remuneradas.
    - Sem FGTS, PIS.
    - Sem verbas rescisórias.
    - Sem empréstimo de Banco estatal.
    - Sem as carreiras dos funcionários públicos.
    - Sem horas-extras adicionais (50%,100%).
    - Sem plano de carreira.
    - Sem diplomas de qualificação para validar aspectos legais da profissão.
    - Sem barganha de sindicatos.
    - Sem aposentadoria (só vale poupar).

    E outas que só para não ficar pior nos custos trabalhistas. No final das contas, o Estado é imenso para "regrar o sistema".
  • Francisco  23/07/2014 15:21
    Provavelmente teria uma "revolta popular" se tais benefícios fossem retirados com o estado na forma que se encontra hoje.

    Por outro lado com o estado em crise, provavelmente as pessoas se "tocariam" que nunca existiu "almoço grátis". Isso não significa (claro) que todos passariam a cuidar de seus próprios problemas, mas acredito que a maioria iria por esse caminho, ou seja, independência de outro (aquele que vive do fruto do trabalho alheio) na forma como é hoje.

    Acho um aspecto interessante o fato que (pelo menos me parece dessa forma) o instituto mises publicando esses ótimos artigos acaba direcionando seu publico para independência do individuo para com o estado, mesmo que o artigo não trate exatamente disso. Eu pelo menos adquiri um senso de responsabilidade (para comigo mesmo) muito grande, e sou grato ao instituto por isso.

    Mas tudo isso que escrevi acima é achismo, não tem como prever como seria a reação do publico a bancarrota do estado, ou a aniquilação dos privilégios que hoje existem.
  • Gustavo Ramos  23/07/2014 14:50
    Prezados colegas, não sou economista mas acompanho com interesse todos os posts do site. As vezes até me arrisco a fazer um comentário. Dessa vez eu tenho uma dúvida que talvez os senhores possam elucidar. O que aconteceria se o governo brasileiro (cito como exemplo, poderia ser qualquer outro governo) estimulasse o hábito da poupança? Parece-me que o governo não vê nenhuma outra solução para a economia que não seja gastar ainda mais (ele próprio) e estimular a gastança da população. O que aconteceria num cenário de poupança?
  • Gabriel da Silva Merlin  28/07/2014 04:16
    Pessoal tenho aprendido muito no imb (principalmente com os artigos do leandro), por isso desde já gostaria de dar os parabens ao pessoal do IMB.

    Porem gostaria de que me sanassem uma dúvida, no cenário financeira atual o governo emite títulos da dívida pública que são vendidos principalmente aos bancos, e ai que começa a minha dúvida. O Banco Central para controlar a taxa de juros e a oferta de moeda realização operações de mercado aberto, onde compera/vende títulos públicos dos bancos para aumentar/diminuir a oferta de moeda e a taxa de juros.

    Mas pra mim essa conta parece não fechar, vou ver se consigo ser claro. O banco vai lá e compra titulos publicos do governo federal, ato continuo ele teve um decrescimo de dinheiro para adquirir esse título, e ai se o Banco Central comprar esse título na verdade ele estaria apenas retornando ao status quo ante, pois o Banco Central irá pagar por esse título o preço dele, ou seja na prática o banco comercial estaria retornando ao status de antes de ter comprado o título público. Não sei se me fiz claro, mas não consigo entender essa parte, a não ser que o Banco Central compre os títulos públicos por um valor maior do que os bancos comerciais compraram do governo, ai passaria a fazer sentido.

    E ai por enquanto o que eu capitei desse mecanismo é que na prática o Banco Central continua financiando o défict do governo, porque no final quem vai comprar os títulos vai acabar sendo o Banco Central.

    Só que a questão referente ao controle da taxa de juros e oferta de moeda não me parece muito clara, a não ser que o Banco Central compre o título público em poder dos bancos comerciais por um valor maior do que estes bancos pagaram ao governo.
  • Leandro  28/07/2014 06:46
    O BC não controla a quantidade de moeda na economia. Ele consegue controlar apenas a base monetária, e mesmo assim de forma muito falha.

    Sobre sua dúvida, ela foi dissecada em detalhes na seção de comentários do artigo linkado abaixo (procure pela minha discussão com o leitor Andre, está lá embaixo, bem no final):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
  • Gabriel da Silva Merlin  28/07/2014 16:16
    Mais uma vez parabéns, acho que agora compreendi a questão.

    Primeiro porque o Banco Central paga mais pelos títulos públicos do que os bancos comerciais pagaram ao governo, e ai os bancos lucram com essa intermediação que eles fazem entre o BC e o governo.

    Segundo porque o governo após se capitalizar após a emissão dos títulos injeta o dinheiro na economia, consequentemente esse dinheiro vai parar nas contas bancárias, aumentando o dinheiro que os bancos tem para conceder empréstimos. E ai no final o banco "lucra" por todos os lados.



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