clube   |   doar   |   idiomas
Os países bálticos e seu exemplo de recuperação robusta

Em 2009 e 2010, as políticas de austeridade que estavam sendo aplicadas pelos países bálticos pareciam estar levando-os ao mais inexorável dos colapsos: em relação a 2008, o governo da Estônia havia reduzidos seus gastos em 4,5% em termos nominais; a Lituânia, em 4,7%; e a Letônia em espetaculares 20,1%. 

Paralelamente, e para efeitos de comparação, em 2010 o governo da Espanha havia aumentado seus gastos em 7,7% em relação a 2008.  Hoje, não obstante alguns cortes feitos pelo governo de Mariano Rajoy, os gastos governamentais da Espanha seguem acima do nível alcançado em 2008.

O efeito de curto prazo sobre os bálticos certamente foi doloroso: em 2009, em plena vigência das políticas austeridade, o PIB destes três países chegou a despencar algo entre 15 e 20% em relação ao nível máximo alcançado durante o ápice da bolha de crédito que havia se formado em suas economias.  Foi aí que os apologistas do esbanjamento e da gastança estatal se puseram a fazer suas panfletagens ideológicas.  Por exemplo, em 2009, o jornal espanhol Público escreveu esta matéria a respeito da Letônia: "El bastión neoliberal de Europa se derrumba".

No entanto, a austeridade do lado dos gastos estatais logrou sanear as finanças públicas destes países.  A Estônia registrou superávit orçamentário já em 2010; a Letônia, que partiu de um déficit superior a 7% em 2009, conseguiu equilibrar seu orçamento em 2012; e a Lituânia, partindo de um déficit de 9,4% em 2009, conseguiu reduzi-lo para 3,3% em 2012.  Esta ortodoxia financeira também permitiu que estes países consolidassem seu endividamento estatal em níveis invejáveis para o Ocidente: a dívida pública da Estônia em relação ao PIB é de ínfimos 10%; a da Letônia é de 38% e a da Lituânia é de 42%.

Foi justamente este clima de rigor, de seriedade e de compromisso com um orçamento equilibrado o que transmitiu confiança aos investidores e ao mercado internacional, e que afastou por completo os temores sobre uma até então tida como inevitável desvalorização de suas moedas, as quais seguiram firmemente atreladas ao euro.  Esta previsibilidade e estabilidade proporcionou a seus cidadãos e a seus empresários a confiança suficiente para manter ou até mesmo aumentar seus níveis de poupança, o que proporcionou a suas respectivas economias o capital suficiente para alterar sua estrutura, até então voltada para atividades sustentadas meramente por bolhas creditícias.

Por exemplo, a taxa de poupança da Estônia passou de 20% do PIB em 2008 para 26% em 2013, o que facilitou a manutenção de suas taxas de investimento em elevados 27% do PIB.  Já a taxa de poupança da Letônia passou de 17% para 24%, consolidando sua taxa de investimento em quase 26% do PIB.  Finalmente, a taxa de poupança da Lituânia, mais lenta, passou de 14 para 18%, alcançando uma taxa de investimentos de 18% do PIB.

A combinação entre estes notáveis volumes de investimento — em plena crise econômica — e mercados internos substancialmente mais livres e flexíveis do que os do resto da Europa permitiu aos bálticos fazer uma revolucionária transformação na estrutura produtiva de suas economia. Se até então suas economias exibiam números robustos em decorrência de uma acentuada expansão do crédito e do consumismo que isso permitia, a recessão e sua consequente austeridade fizeram com que sua população adotasse uma postura mais poupadora e menos consumista. 

Como resultado desta combinação entre menos gastos e mais poupança, o setor exportador voltou a crescer (sem que houvesse nenhuma desvalorização cambial), o que reduziu enormemente o grande déficit nas contas externas destes países, bem como seu endividamento externo.

Entre 2007 e 2012, as exportações da Estônia subiram de 50% do PIB para 72% do PIB.  As da Letônia subiram de 27% para 44% do PIB, e as da Lituânia foram de 44 para 70%.  Graças a essa transformação na estrutura produtiva, as contas externas destes três países — marcadamente deficitárias durante a época da bolha creditícia — passaram por um acentuado aprimoramento: Estônia e Lituânia, que até então apresentavam um déficit externo de 15% do PIB, passaram a apresentar equilíbrio nas contas externas; já a Letônia reduziu seu déficit externo de 22% do PIB para 1%. 

Vale ressaltar: todo este equilíbrio foi conseguido sem nenhuma desvalorização cambial e sem qualquer imposição de tarifas de importação.  Houve apenas um rearranjo da estrutura produtiva da economia, que deixou de ser consumista e se tornou mais poupadora e mais voltada para produção.  O equilíbrio interno gerou o equilíbrio externo.  Tudo sem pirotecnias e sem prejudicar o poder de compra da população e nem sua liberdade de importação.

E o resultado disso tudo foi espetacular e se traduziu em um vertiginoso crescimento do PIB e do emprego: entre 2010 e 2013, o PIB da Estônia cresceu 16% e a ocupação, 10%.  O PIB da Letônia se expandiu 15% e a ocupação, quase 6%.  Finalmente, o PIB da Lituânia cresceu 13% com uma criação líquida de empregos de 3%.

O êxito dos bálticos deveria ser uma bofetada contra os keynesianos, os quais, no entanto, seguem ardorosamente apegados aos seus lugares-comuns.  Por exemplo, segundo Paul Krugman, nenhum destes países ainda recuperou os níveis de PIB e de emprego vigentes antes da crise.  Só que esta crítica é infundada: dado que a composição do PIB em 2007 era formada por investimentos insensatos fomentados por bolhas creditícias insustentáveis e por um hiperendividamento externo, tal valor do PIB não deveria constituir referência nenhuma

Porém, em todo caso, a crítica ao menos soava verossímil.  Afinal, se os bálticos estavam indo tão bem, por que ainda não superaram as marcas alcançadas em 2007 ou 2008?

Felizmente, este desesperado discurso keynesiano rapidamente passará para os livros de história: prevê-se que Estônia e Lituânia irão superar, em 2014, o PIB que apresentavam antes da crise, ao passo que a Letônia logrará tal feito entre 2015 e 2016.

No entanto, há sim um número que parece ser ruim: as previsões de emprego.  Em 2014, o número de pessoas ocupadas na Estônia será 4% menos do que o máximo alcançado antes da crise.  Na Letônia, será de 14%, e na Lituânia, de 8%.  Sendo assim, o êxito dos bálticos neste quesito pode parecer um tanto parco, algo que aparentemente poderia dar razão aos keynesianos.  No entanto, há ressalvas.

Podemos começar comparando os bálticos com a economia espanhola, a qual não irá de recuperar o nível de PIB alcançado antes da crise pelo menos até o final desta década, e cujo nível de emprego em 2014 será quase 20% inferior ao de 2007.  Ou podemos também comprar os bálticos à Islândia, a menina dos olhos de Krugman e do resto dos keynesianos — país este que, em decorrência de sua acentuada desvalorização monetária, passou a ser um paradigma de como superar uma crise com prontidão —, e que, não obstante haver triplicado seu endividamento público, só irá recuperar o PIB alcançado antes da crise em 2016 (igual à Letônia e pior do que Lituânia e Estônia).  Mais ainda: seu nível de emprego em 2014 será 8% inferior ao máximo alcançado antes da crise.

Ademais, os dados de emprego dos bálticos, embora não sejam lustrosos, devem ser ponderados por sua evolução demográfica.  Por causa de sua baixa natalidade e, principalmente, por causa de seus intensos movimentos migratórios, Estônia, Letônia e Lituânia já vêm perdendo sua população há 25 anos.  Embora haja a tendência de se imaginar que as fortes emigrações que estes países vivenciaram nos últimos anos se deveram à crise econômica, a realidade é que essa influência foi meramente secundária.  Por exemplo, na Letônia — que é o pior entre os bálticos em termos econômicos e que também é o país com a maior emigração —, o saldo migratório líquido apresentava uma saída média de 15.600 entre 1991 e 2007 e passou a apresentar uma média de 24.800 entra 2008 e 2012 (isto é, a perda anual de população via emigração durante os anos da crise não chegou a 0,5% dos cidadãos, uma porcentagem similar à apresentada pela Espanha em 2012). 

A emigração dos bálticos está mais vinculada a fatores políticos e étnicos: a população russa nestes três países foi reduzida em 40% nos últimos 25 anos, o que significa que quase metade da variação de população que estes países sofreram desde então decorreu deste movimento de russos.

No entanto, contrariamente ao que gostam de afirmar seus críticos, esta queda da população não apenas não retira o mérito do milagre econômico dos bálticos, como na realidade o intensifica ainda mais: afinal, conseguir crescimentos econômicos intensos mesmo com um declínio demográfico é algo muito mais difícil.  Por exemplo, a renda per capita da Lituânia já superou, em 2012, o auge alcançado antes da crise.  A Letônia fará isso em 2014.  Já a Islândia, por outro lado, só conseguirá tal feito em 2018, segundo as atuais previsões.

Desta forma, portanto, se corrigirmos o emprego pela variação demográfica, obtemos um retrato mais representativo do ocorrido: o número de empregados em relação à população total na Estônia será, em 2014, de 47,6% em relação aos 49% de 2008; para a Letônia será de 43,8% em relação aos 46,3% de 2008; e para a Lituânia será de 39,2% em relação aos 37,8% de 2008.  Compare isso à Espanha, que caiu de 45,4% em 2007 para 37,7% em 2014 ou com a muito keynesianamente admirada Islândia, que caiu de 52% para 46,6%.

O que podemos concluir em definitivo é que os bálticos são um modelo de recuperação a ser seguidos por países como Espanha, Grécia ou Islândia, ou por todos aqueles países que ainda virão a enfrentar uma forte correção em suas economias que atualmente estão sendo atividades por bolhas creditícias.  O segredo do sucesso é o mesmo de sempre: austeridade do setor público e liberalização do setor privado; mais poupança e investimento, e menos gastança; mais mercado e menos estado.

_______________________________________

Fontes com dados completos e detalhados sobre Estônia, Lituânia, Letônia e Islândia.

Veja também:

http://world-economic-outlook.findthedata.org/l/6266/Estonia

http://world-economic-outlook.findthedata.org/l/93/Latvia

http://world-economic-outlook.findthedata.org/l/98/Lithuania

http://world-economic-outlook.findthedata.org/site_search/iceland

 

3 votos

autor

Juan Ramón Rallo
é diretor do Instituto Juan de Mariana e professor associado de economia aplicada na Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro Los Errores de la Vieja Economía.


  • mauricio barbosa  06/02/2014 16:47
    Estes países estão se recuperando gradativamente, o que prova mais uma vez que a teoria austríaca tem razão. Mas só uma dúvida: hoje a maioria das economias é aberta, mas e se, ao contrário, estivéssemos em um mundo cheio de barreiras comerciais e imigratórias igual na década de 30 do século passado? Eles teriam se recuperado tão rápido ou minha dúvida não procede?
  • Leandro  06/02/2014 17:09
    Não teriam, não. Se fossem fechados, estariam vivendo em condições de autarquia. Impossível prosperar, se desenvolver, se tornar eficiente e enriquecer tendo uma economia fechada.
  • Guilherme  06/02/2014 18:07
    Talvez algo não relacionado ao artigo, mas a parte "uma bofetada nos keynesianos" me lembrou de uma aula de economia uns dias atrás, onde o professor que se dizia "imparcial", começou a falar como todo mundo só fala do livre mercado (onde isso acontece eu não sei) e que por isso as aulas dele iam ser focadas mais a mostrar o lado "bom e positivo" das economias de planejamento centralizado. Quase não acreditei. E é uma universidade privada voltada ao mercado. Enfim.

    Não demorou muito pra dar exemplos do tipo : "E hoje, a China, com planejamento centralizado, é uma grande potência!" e mandava coisas coisas como "E um tapa na cara dos neoliberais, tá vendo Alemanha, tá vendo Japão!", ignorando completamente o PIB inflacionado pelas cidades-fantasmas, o autoritarismo e censura do governo local, a qualidade de vida, etc.

    Fiquei surpreso porque na mesma aula ele ainda conseguiu emendar até sobre o Obamacare: "Aí o Obama tá querendo por um sistema de saúde igual o SUS daqui pra ajudar os pobres, aí tá dando a maior polêmica, os republicanos, que são contra os pobres, ficam barrando a proposta, etc etc".

    E pasmem : Ele ainda atacou a rede Globo com "e aqueles sabichões "especialistas" da Globo que ficam pedido estado mínimo, menos gastos, isso é tudo asneira de quem só acha que sabe". Eu nem sabia que a Globo defendia o livre mercado, ainda mais com a puxação de saco que a emissora faz do Obama...

    E continuou com coisas como "No planejamento centralizado teve o problema do avanço tecnológico, mas pelo menos lá, as pessoas tinham o mínimo possível dado pelo Estado, moradia, comida, etc, não era quem nos países capitalistas que morria de fome e não tinha onde morar".
    Quanto de desonestidade é preciso pra ignorar os milhões que morreram de fome na URSS e na China?
    Ele deve ter achado que ninguém conhecia muito bem a História, mas por via das dúvidas resolveu apagar a "dúvida" de qualquer um com "Então, ai o governo falava que certa região só ia plantar trigo, pra ter pra todos. Mas aí podia acontecer de uma nevasca arruinar a colheita e faltar. Aí os vendedores, visando só eles mesmos, escondiam o trigo pra vender no mercado negro pra ganhar mais dinheiro do que o preço fixado pelo governo".

    E o engraçado é que ele também Keynes o máximo. "O Keynes disse isso sobre o capitalismo e acertou, etc etc", "Com ele o Ocidente teve que aceitar políticas sociais e intervenções do governo em vez de Estado Mínimo em certas áreas, o capitalismo teve com conviver com isso pra não se autodestruir".

    Quase tive um câncer nessa aula...




  • daniel  06/02/2014 21:57
    que horror. voce deveria reclamar com a faculdade sobre a imparcialidade do professor, eu nao aceitaria assistir aula de um sujeito desse.
  • Ismael Bezerra  07/02/2014 02:59
    Sou estudante de contabilidade, mas sinceramente, lendo o site do Mises eu sei muito mais de economia do que esse professor.
  • Arthur Gomes  07/02/2014 10:24
    Bom dia

    Guilherme, estes professores universitário são a maioria esquerdistas, socialistas, marxistas. São os chamados agentes multiplicadores, eles apostam na ignorância dos alunos, ou melhor sabem que poucos alunos se levantaram para questionar o professor, quando isso acontece é muito comum que o restante da classe fique a favor do professor com medo de ser perseguido pelo professor.

    Mas o melhor de tudo é questionar o professor e fim de papo, mostre a ele os dados históricos, junte-se com outros alunos da classe e questione o professor, converse com seus colegas de classe. Junte material e espalhe na classe. Faça isso e logo a classe se levantará contra o professor e ele terá que ceder a palavra par o outro lado.

    O melhor caminho é passar informação para a classe, deixar todos sabendo.
    Passe informação no e-mail da classe, a respeito da história do capitalismo, a riqueza gerada e a matança que é o socialismo.

    Eu pessoalmente já fiz isso, em uma classe de 20 a 30 alunos se você conseguir 2 ou 3 alunos que possam questionar o professor é uma vitória.
  • Emerson Luis, um Psicologo  06/02/2014 19:21

    O pior é que os bons exemplos nacionais como estes, em vez de serem elogiados e imitados, são criticados ou ignorados pela maioria dos outros países.

    * * *
  • Cristiano  06/02/2014 20:20
    Não entendo bem, por falta de informações (na era da super informação) o que falta para esses países radicalizarem no liberalismo.
    Dividas de 30 ou 40% do PIB ainda são astronômicas e impagáveis; adotar o euro é um suicídio monetário, manter estruturas estatais em nações pequenas é totalmente obtuso.
  • Henrique  09/02/2014 02:51
    Enquanto isso, no Brasil, a dívida é de 110%. Se for pra comparar, eu diria que 40% está muito bom...
  • IRCR  06/02/2014 21:19
    Leandro,

    Olhando a divida pelo PIB desses países, apenas a Estonia aumentou um pouco, o outros dois dispararam
    www.tradingeconomics.com/charts/estonia-government-debt-to-gdp.png?s=estdebt2gdp
    www.tradingeconomics.com/charts/latvia-government-debt-to-gdp.png?s=lvadebt2gdp
    www.tradingeconomics.com/charts/lithuania-government-debt-to-gdp.png?s=ltudebt2gdp

    Isso foi o que ? bailout a bancos e pacotes de socorros a empresas ? por que subiram tanto ?
    Outra coisa tb e que nesses paises não houve uma grande contração no M2 mesmo havendo uma contração na expansão de crédito.
  • Leandro  06/02/2014 21:46
    Explicado no artigo: altos déficits -- de até dois dígitos -- em 2009, 2010 e 2011, causados pela queda nas receitas tributárias em decorrência da grande recessão.

    O M2 se contraiu na Lituânia e na Letônia entre 2008 e 2010, ficando estagnado na Estônia neste mesmo período.
  • IRCR  06/02/2014 22:55
    Leandro,

    Mas a retração não chegou nem perto comparado aos paises que usam o Euro.
  • Leandro  07/02/2014 10:22
    Obviamente. Nestes outros países do euro, além do estrondoso estouro da bolha imobiliária -- o que afetou severamente o balancete dos bancos e, consequentemente, sua capacidade de expandir o crédito --, a falta de confiança transmitida por seus respectivos governos não animou nem investidores estrangeiros a colocarem ali o seu dinheiro e nem bancos estrangeiros a concederem empréstimos. Daí o mergulho de M2 e M3 na Grécia e na Espanha, principalmente.

    Fazendo uma simplificação grosseira, duas coisas conduzem a economia: balancetes e a confiança transmitida pelo governo. Se esta for grande, os balancetes (de bancos, empresas e pessoas físicas) se expandem e a economia se move -- até o momento em que o endividamento e os investimentos mal sucedidos se tornam grande demais a ponto de requerer uma desalavancagem e uma realocação de ativos, o que reinicia o ciclo. O tamanho dessa desalavancagem e dessa realocação indicará o tamanho da recessão.
  • Cassiano Correia  09/12/2014 05:25
    Leandro, tenho uma dúvida.

    Os três bálticos acertaram em terem adotado o euro (Lituânia mês que vem começa a usá-lo), ou você acha que eles deveriam ter mantido suas moedas próprias?
  • Leandro  09/12/2014 11:12
    Acertaram.

    Estônia e Lituânia tinham um Currency Board (na verdade, um Banco Central que simulava características de um Currency Board) que inicialmente era ancorado ao marco alemão e depois ao próprio euro. Ou seja, ao abandonarem o Currency Board e adotarem efetivamente o euro, deram um passo rumo a uma maior confiança dos mercados internacionais, pois agora será realmente impossível seus governos intervirem no Currency Board para se financiar.

    Já a Letônia, embora nunca tenha tido um Currency Board, utilizava um sistema de câmbio atrelado ao euro. Tal mudança também traz ainda mais confiança, pois acaba de vez com qualquer possibilidade de seu governo se financiar via Banco Central.
  • Diones Reis  09/12/2014 13:20
    Leandro, apenas uma correção.

    A Lituania irá adotar o Euro em 01/01/2015, até lá estão usando a moeda local.
  • Cassiano Correia  09/12/2014 17:26
    Obrigado pela resposta Leandro.

    Mas agora fiquei com mais duas dúvidas.

    E no caso da Polônia, Hungria, República Tcheca, Croácia, Romênia, Bulgária, Dinamarca, Suécia e Reino Unido, que fazem parte da União Europeia, mas não da zona do euro? Compensaria para eles adotar o euro também?

    E no caso da Bósnia e Kosovo, que não são da UE, mas adotaram o euro unilateralmente? Fizeram o certo? Ou deveriam ter se unido à UE primeiro?

    Agradeço desde já.
  • Leandro  09/12/2014 17:50
    Reino Unido, Dinamarca e Suécia têm moedas fortes, tradicionais e já historicamente estabelecidas. Sendo assim, não faria sentido abandoná-las.

    A Bulgária opera um Currency Board ancorado ao euro. Ou seja, na prática, sua economia já está "euroizada".

    Polônia e República Tcheca são os países do Leste Europeu que mais fizeram reformas de mercado (estou desconsiderando os bálticos). Isso gerou confiança nos investidores estrangeiros, que aportaram nesses países consideráveis somas de capital estrangeiro, o que ajudou bastante a moeda desses países. A carestia se manteve baixa e suas moedas, relativamente fortes.

    Hungria e Romênia são bem mais desarrumadas e disfuncionais, e tiveram de recorrer a juros altos (para o padrão europeu) para dar alguma robustez às suas moedas. Teriam feito melhor se ao menos tivessem imitado a Bulgária e implantado um Currency Board. Estão até bem, mas poderiam ter se desenvolvido mais. A Romênia, em especial, é a mais avacalhada.

    Nos Bálcãs, a Bósnia ainda não adotou o euro, mas implantou um Currency Board ainda em 1995 atrelado ao merco alemão (tanto é que sua moeda se chama 'marco conversível') Considerando que o país era um campo minado e passou por uma violenta guerra civil, chega a ser um milagre que sua economia hoje esteja decente. Graças ao Currency Board.

    Sobe o Kosovo e a Croácia, nada sei sobre eles. Desculpe.

    Abraço!
  • Lucas  07/02/2014 00:50
    Boa tarde!

    Fugindo um pouco ao assunto do tópico, estou à procura de livros ou artigos que abordem a origem dos estados nacionais europeus sob o ponto de vista da economia austríaca. Gostaria que me indicassem alguma fonte.

    Obrigado!
  • José Henrique  07/02/2014 02:30
    É por isso que admiro tanto a pequena Estônia. Um dia ainda debandarei para Tallinn!!!
  • Eric K.  07/02/2014 12:35
    É por isso que eu considero os países bálticos e o leste europeu como um todo, como o Futuro da Humanidade. Eu acredito que com a decadência de grande parte da Europa ocidental e de maior parte dos países das Américas, a quantidade de imigração para esses países irá aumentar exponencialmente.
  • Paulo  07/02/2014 17:46
    Me interessa saber aonde eu consigo pegar a informação da taxa de poupança no brasil e em outros países e tal.
    Há um site especifico?
  • Paulo  08/02/2014 10:57
    Obrigado!
  • Rodrigo  12/02/2014 21:15
    Sou casado com uma lituana, e segundo ela é muito forte o movimento emigratório lá, é muito normal pessoas irem principalmente para inglaterra, alemanha ou noruega para trabalhar, os jovens lituanos tem um forte sentimento "anti-rússia", e pelo menos por parte de minha esposa, ela não tem muita esperanças em relação aos governantes de lá, mas acho que isso é igual em todos os países
  • Anderson  09/09/2015 03:14
    Leandro (ou qualquer boa alma que possa me ajudar),

    Há informações sobre como andam esses países bálticos? Se continuam adotando essa política de austeridade/encolhimento estatal, ou se perderam o rumo?
  • Qualquer boa alma  09/09/2015 12:01
    Ao que tudo indica, os países bálticos continuam avançando rumo a uma economia mais livre. Veja nos gráficos que seguem em cada link que a liberdade econômica nesses países cresce de forma consistente:

    Estônia: www.heritage.org/index/country/estonia
    Lituânia: www.heritage.org/index/country/lithuania
    Letônia: www.heritage.org/index/country/latvia

    Para efeito de comparação, veja o Brasil-sil-sil: www.heritage.org/index/country/brazil

    Se você não conhece o ranking da Heritage Foudation, leia esse breve artigo da Wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Liberdade_Econ%C3%B4mica

    Ainda no artigo, veja que lá consta a posição dos países nos anos de 2013, 2014 e 2015. A Estônia ocupava a 13ª posição, passou para a 11ª e atualmente ocupa a 8ª. Lituânia, por sua vez, estava em 22º lugar, passou para o 21º e atualmente ocupa o 15º. Letônia, a seu turno, estava em 55º, foi para o 42º e agora está no 37º lugar. Sobre o Brasil, então, confira lá. Pensando bem, melhor não fazer isso.

    E, como reflexo disso, veja que o PIB desses países estão com as maiores taxas de crescimento da zona do Euro: g1.globo.com/economia/noticia/2015/09/pib-da-zona-do-euro-e-revisado-para-cima-com-crescimento-maior-na-italia.html

    O crescimento do PIB pode até parecer modesto mas, para efeito de comparação, veja o do Brasil-sil-sil: g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/08/pib-do-brasil-recua-19-no-segundo-trimestre-e-pais-entra-em-recessao.html

    Hüvasti - Sudie - Ardievas
  • Mohamed Attcka Todomundo  09/09/2015 13:14
    a estonia é o + livre, tlv, por ser kintal da finlandia. os finlandeses para fugir de impostos abrem filiais na estonia p/ produzir de tudo, e vão lá só p/ consumir alias.como os impostos saõ + baixos sobre tudo, e helsinque fica a 2h de balsa de tallin, os finlandeses vão la passear, comprar bebidas, e por ai vai.

    no doc. O mundo 2º os brasileiros - finlandia mostra um pouco disso
  • Anderson  09/09/2015 14:51
    Boa Alma,

    Obrigado pelas informações. É que eu não fui específico, os principais indicadores que eu tinha em mente era o de redução de gastos dos governos e a taxa de poupança, ou seja, sinais de que estão fazendo uma austeridade certinha (assim como foi demonstrado pelo artigo). Mas, por essas informações, principalmente a da liberdade econômica, dá para se ter ideia de que estão andando no caminho correto (espero que continuem!).


    Prezado Mohamed Attcka,

    Eu assisti esse (outros também) episódio do tal programa. É, espero que a terra do Arvo Pärt continue atraindo investimentos pelos próximos anos.
  • Mohamed Attcka Todomundo  11/09/2015 14:52
    kem é Arvo Pärt?
  • Anderson  11/09/2015 15:13
    Arvo Pärt é um dos maiores compositores eruditos (música clássica) do século XX. É estoniano, viveu sob regime soviético, o que dificultou seu trabalho, mas continuou firme, sendo inovador e compondo grandiosas músicas e sinfonias.

    No wikipédia dá para encontrar algumas poucas informações sobre ele.
  • A=A  11/09/2015 15:14
    E quem é John Galt?
  • André Henrique  27/05/2016 12:35
    John Galt S2 Dagny
  • Fernando  30/12/2017 07:24
    Pelos países serem formado por uma população idosa, isso não afeta o empreendedorismo? Ou seja, a criação de novos negócios? Me refiro a abertura de novas empresas!
    Além disso não afetaria também a inovação?


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.