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Desmitificando alguns mitos sobre bancos centrais

O moderno sistema mundial de bancos centrais se sustenta sobre mitos.  E, como vários mitos, eles contêm um elemento de verdade que foi distorcido pelo exagero e pelo uso indevido. 

Em dezembro de 2013, o Banco Central americano, o Federal Reserve — aquela máquina que, ao inundar o mundo de dólares, obriga os bancos centrais de outros países a adotarem a mesma política monetária para evitar valorizações cambiais, e que, ao adotar a política inversa (aumento de juros), os obriga a seguir o mesmo padrão — completou seu 100º aniversário.  A ocasião, portanto, é apropriada para se desfazer alguns mitos persistentes.

O primeiro mito é o de que bancos centrais são intrinsecamente necessários para o funcionamento das economias de mercado.  Tanto a teoria quanto a história contrariam e desmentem isso.  Peguemos os exemplos dos bancos centrais mais famosos do mundo.

O Federal Reserve só foi criado em 1913, o que significa que durante o período de maior enriquecimento da história americana — 1865 a 1913 — não havia nenhum banco central.  Mais ainda: quando foi criado, o Fed não possuía a função de gerenciar a oferta monetária do país.  Os EUA ainda operavam sob um padrão-ouro clássico e, sendo assim, não havia necessidade de se ter um banco central para controlar a oferta monetária.  O uso do ouro, ou de qualquer outra commodity, como moeda impõe uma limitação natural à criação de dinheiro, limitação essa representada pelo custo de se extrair da natureza quantidades adicionais desta commodity.  É apenas quando se adota dinheiro de papel e sem nenhum lastro em commodity (o chamado dinheiro fiduciário), que os bancos centrais adquirem a função de controlar a oferta monetária.  E é exatamente este gerenciamento da oferta monetária — que leva a uma criação cíclica de dinheiro — o que gera os ciclos econômicos que fustigam as economias de mercado. 

O Banco Central do Canadá só foi criado em 1935.  O sistema bancário canadense passou incólume à Grande Depressão, não registrando nenhuma grande falência bancária.  Em contraste, milhares de bancos americanos quebraram, não obstante a existência do Federal Reserve.  Essas falências bancárias em larga escala só acabaram porque Franklin Roosevelt decretou feriado bancário e criou o FDIC, o seguro federal para depósitos (o que fez com que as pessoas parassem de retirar seu dinheiro dos bancos).  O Fed não deu qualquer contribuição para a estabilidade bancária.

O segundo mito é o de que bancos centrais são necessários como emprestadores de última instância — isto é, para ofertar liquidez em épocas de tensão financeira, quando o mercado de crédito interbancário fica paralisado.  As operações de liquidez criadas pelo Federal Reserve logo após o colapso do Lehman Brothers em 2008 vêm sendo usadas como o mais recente exemplo prático desta função.  Mas o problema é que este argumento inverte causalidade e efeito.

Walter Bagehot, o eminente jornalista financeiro britânico do século XIX, cunhou a expressão "emprestador de última instância" em seu clássico livro "Lombard Street".  Ele disse que esta era uma função essencial do Banco Central da Inglaterra.

No entanto, o contexto em que ele disse isso quase nunca é mencionado.  Bagehot sabia que um banco central impunha que todos os bancos concentrassem nele suas reservas, automaticamente fazendo com que ele se transformasse em um emprestador de última instância.  Se uma instituição ordena que os bancos repassem a ela parte do dinheiro que foi neles depositado, é óbvio que tal instituição se torna uma "emprestadora de última instância". Mas Bagehot não acreditava que um banco central era inevitável ou mesmo desejável.

Para Bagehot, o "sistema natural" era aquele que "surgiria naturalmente caso o governo não se intrometesse no sistema bancário".  Haveria "vários bancos de tamanho semelhante ou pelo menos muito parecidos".  Ele descreveu este arranjo como "o sistema de várias reservas", no qual cada banco seria responsável por suas próprias reservas, o que levaria a um sistema bancário mais robusto.  No debate atual, o celebrado "emprestador de última instância" de Bagehot é uma solução de eficácia secundária — secundária a um arranjo de bancos operando concorrencialmente em um sistema sem um banco central para protegê-los e socorrê-los.

Após a Guerra Civil, o sistema bancário dos EUA não operou como o "sistema natural" visionado por Bagehot.  Regulamentações governamentais concentraram as reservas bancárias nas principais cidades americanas, com o previsível resultado de que a economia americana se tornou sujeita a pânicos e corridas bancárias (as quais eram raras em outros países que também ainda não tinham um banco central), culminando no famoso Pânico de 1907.  Em vez de corrigir os problemas do sistema bancário nacional, os legisladores, liderados por um presidente progressista, Woodrow Wilson, criaram um banco central, o Federal Reserve System.

Um terceiro mito é o da independência do banco central.  Isso varia de país para país, mas em todos o banco central se submete aos caprichos do governo.  Varia apenas a intensidade com que tal sujeição é percebida.  Nos EUA, o Federal Reserve é visto como sendo uma entidade independente desde o Acordo de 1951 junto ao Tesouro.  Após o acordo, o Fed não mais tinha a obrigação de manter os preços dos títulos do Tesouro (o que, na prática, significa fixar a taxa de juros).  Tal obrigação, oriunda das necessidades fiscais impostas pela Segunda Guerra Mundial, havia impedido o Fed de combater a inflação de preços por meio da elevação dos juros durante a Guerra da Coréia.

Desde 1951 não houve nenhuma alteração relevante no status legal do Fed.  Ele atuou de forma independente durante algumas épocas — porém, durante outras, suas ações foram completamente submissas a outros setores do governo.

Durante a década de 1950, quando o presidente do Fed era William McChesney Martin, a inflação se manteve baixa.  No entanto, isso pouco teve a ver com Martin.  O presidente Dwight Eisenhower era resolutamente contra a inflação, e durante sua gestão o governo federal praticamente não apresentou déficits orçamentários.  Quando os presidentes Kennedy e Johnson aceitaram o ativismo fiscal keynesiano, os déficits cresceram.  Martin não demonstrou problema algum em acomodar o aumento dos gastos do governo com inflação monetária.  Ele não acreditava que a política monetária poderia — ou deveria — operar de forma independente da política fiscal.  O resultado foi a primeira contínua inflação de preços da história americana em períodos de paz.

A independência do Fed atingiu seu ponto mais baixo sob a gestão de Arthur Burns.  O diário que ele mantinha durante os anos Nixon confirma que a política do Fed havia se tornado totalmente submissa aos objetivos do governo e à campanha à reeleição de Nixon.  Como ele escreveu certa vez em seu diário, "Eu estava encarregado de cuidar da política monetária e ele [Nixon] não precisava se preocupar quanto à possibilidade de o Federal Reserve restringir a economia".  O resultado desta postura foi a grande inflação da década de 1970.

Paul Volcker, que foi o presidente do Fed de 1979 a 1987, restaurou a reputação anti-inflacionária da instituição.  Sua gestão é considerada até hoje o genuíno modelo de independência.  E, verdade seja dita, havia vários políticos no legislativo, bem como pessoas fora do governo, que criticavam asperamente sua política de restrição monetária, a qual de fato domou a inflação e estimulou o crescimento econômico americano da década de 1980.  Não obstante essas reclamações, Volcker, assim como seu antecessor Martin, tinha o apoio resoluto dos dois presidentes americanos a cujas administrações ele serviu: Jimmy Carter e Ronald Reagan.

Na atualidade, foi difícil ver algum resquício de independência no comportamento do Fed sob Ben Bernanke.  Em 2011, por exemplo, o Fed comprou 77% dos títulos da dívida que foram emitidos pelo Tesouro, um comportamento sem precedentes.  Com seu compromisso de manter a taxa básica de juros em praticamente zero durante um longo prazo, Bernanke vinculou a política monetária à política fiscal do governo Obama com o objetivo de inflar artificialmente os preços dos ativos (imóveis e ações) da economia americana.  Isso é o oposto do que deve fazer um banco central independente — e denota um Fed ainda mais submisso a um presidente do que ele já havia sido durante a era Burns/Nixon.

A lição de toda esta história é aquilo que chamo de "banco central sem romance", parodiando um famoso artigo escrito pelo Nobel de economia James Buchanan intitulado "Política sem Romance".  Um banco central é necessário apenas para uma economia que aceita que o governo detenha o monopólio da produção de papel-moeda fiduciário.  E, durante alguns períodos, ele de fato pode se comportar de maneira independente — mas não quando o governo decide incorrer em déficits orçamentários de larga escala, como os atuais que estão ocorrendo nos EUA sob Obama.

Buscar a estabilidade de preços é um objetivo que praticamente todos concordam ser a responsabilidade de um banco central.  No entanto, foi exatamente neste objetivo que tanto o Fed quanto vários outros bancos centrais do mundo fracassaram miseravelmente.  Desde sua criação em 1913, os preços ao consumidor americano aumentaram 2.326%. 

Se um governo conseguir acabar com seus déficits orçamentários, a estabilidade de preços pode vir a ser um objetivo alcançável para seu banco central.  Caso contrário, a existência de um banco central não passa de pura mitologia.

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Clique aqui para ver nossos principais artigos sobre o tema Banco Central.



autor

Gerald P. O’Driscoll
é membro sênior do Cato Institute e foi vice-presidente da sucursal do Federal Reserve em Dallas.



  • JBALL  03/02/2014 13:06
    Alguém poderia me dar uma explicação melhor sobre o pânico de 1907. Segundo o mainstream, aí teria sido o ponto de início da necessidade de um BC.
  • Leandro  03/02/2014 13:19
    Em 21 de outubro de 1907, houve uma corrida bancária a um banco de Nova York. Como este praticava reservas fracionárias, e como não havia um emprestador de última instância, ele foi à falência.

    Isso desencadeou uma série de outras corridas bancárias em todo o país, com os depositantes exigindo serem restituídos em dinheiro. Como os bancos estavam desprevenidos, porque também praticavam reservas fracionadas, alguns quebraram; outros conseguiram acalmar seus depositantes, demovendo-os da ideia de sacar seu dinheiro.

    Entretanto, tal episódio foi o suficiente para assustar de vez os banqueiros, que decidiram se proteger. Estava na hora de criar um emprestador de última instância, uma poderosa agência que iria cartelizar o setor, protegendo-o dessa insegurança.

    Assim, em dezembro de 1913 nascia o Federal Reserve, entidade criada por poderosos como J.P. Morgan, John D. Rockefeller, Frank A. Vanderlip (presidente do National City Bank of New York, associado aos Rockefellers), Henry Davison (sócio principal do J.P. Morgan Company), Charles D. Norton (presidente do First National Bank of New York), o coronel Edward House (que mais tarde seria o conselheiro do presidente Woodrow Wilson e fundaria o mundialmente poderoso Council on Foreign Relations, presença obrigatória em todas as teorias da conspiração) e Paul Warburg (do banco de investmento Kuhn, Loeb, & Co.)
  • leonardo  03/02/2014 23:05
    Mas por que o sistema bancário não utilizaria as reservas fracionárias? Afinal esse sistema surgiu naturalmente. Em que circunstância acredita-se que os bancos operarariam somente com depósitos a prazo?
  • Victor Hugo  09/04/2018 23:46
    Ou seja, o mercado criou as reservas fracionárias, e o mesmo mercado criou a reserva federal...
  • Pedro Ivo  04/02/2014 18:20
    JBALL, se você quiser conhecer esta história, leia o artigo A Criatura da Ilha Jekyll - O Sistema da Reserva Federal
  • Eduardo R., Rio  09/02/2014 04:42
    Vídeo de G. Edward Griffin explanando o livro A Criatura da Ilha Jekyll: www.youtube.com/watch?v=YocaEuldzKY
  • Carlos Prado  03/02/2014 13:26
    Quanto à necessidade citada no início de seguir as políticas de impressão aleatória de moeda e baixar juros: Há uma vantagem nisso, uma necessidade real? Ou os governos só seguem por que querem adotar a mesma política mercantilista? Se o próximo presidente brasileiro extinguisse ou proibisse o BC de imprimir dinheiro e controlar as taxas de juros haveria algum problema para a população e para o país?
  • Leandro  03/02/2014 13:43
    "Quanto à necessidade citada no início de seguir as políticas de impressão aleatória de moeda e baixar juros: Há uma vantagem nisso, uma necessidade real? Ou os governos só seguem por que querem adotar a mesma política mercantilista?"

    Mercantilismo. Todos os governos do mundo atendem majoritariamente ao lobby do setor exportador, que é extremamente poderoso e eleitoralmente essencial. Governos adoram exportação e odeiam importação.

    Qual o benefício de exportar mais do que importar?

    "Uma moeda depreciada é boa para a economia"

    "Se o próximo presidente brasileiro extinguisse ou proibisse o BC de imprimir dinheiro e controlar as taxas de juros haveria algum problema para a população e para o país?"

    Apenas para o setor exportador. O resto da população seria enormemente beneficiada, a começar pelo substancial aumento do seu poder de compra.

    Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?

    O esfacelamento do real e as perspectivas da economia brasileira

    O que um país deve fazer para substituir o dólar como moeda de reserva mundial
  • Caio  05/02/2014 18:34
    Não acho que o setor exportador é prejudicado por uma moeda forte e estável. Basta ver que há países com grande volume de exportação (ignoro saldo da balança comercial) e moeda forte, como a Alemanha, Suíça, Japão etc.

    O setor exportador tem mais a se beneficiar com boa infra-estrutura, modelos de produção, mão-de-obra qualificada, lei trabalhista simples, poupança etc.
  • Hugo  19/02/2014 14:07
    A Suíça tem constantes superávits comerciais desde o começo dos anos 2000,mesmo com uma moeda bem forte...
  • Pobre Paulista  03/02/2014 14:06
    Lendo esse artigo e esse aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1512

    Me surgiu uma dúvida:

    Pelo que entendi, aumentar ou reduzir a oferta monetária tem um efeito, pelo menos em teoria, inócuo no longo prazo, pois todos os bens e serviços, incluindo salários, iriam se acomodar para essa nova oferta, sem alterar seus preços relativos.

    O problema real é que não só não é possível garantir que os preços relativos se mantenham, como também o novo excedente da oferta monetária não surge uniformemente aos já portadores de cédulas, e sim na mão do emissor (no caso o governo), e esse tem um poder injusto de comprar bens e serviços sem ter produzido nada em troca. Nesse processo, o governo escolhe quais são os seus setores da economia para gastar esse novo dinheiro, causando assim uma ilusão de aquecimento desses setores (e é isso que gera as distorções nos preços relativos), entres outros problemas. Pode-se dizer seguramente que nesse processo o governo roubou riqueza do mercado para si e ainda favoreceu seus setores favoritos.

    A minha pergunta é: Quando há uma redução na oferta monetária, o que acontece? Seguindo a analogia acima, poderia afirmar que nesse caso o governo devolveu riqueza ao mercado?

  • Leandro  03/02/2014 14:29
    Mises costumava dizer que recorrer a uma deflação monetária para corrigir os efeitos de uma inflação monetária é o equivalente a dar marcha à ré em um carro após ter atropelado uma pessoa -- e, assim, passando novamente por cima do atropelado.

    No entanto, há sim quem apresente argumentos positivos para uma deflação monetária:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=163
  • Pobre Paulista  03/02/2014 14:53
    Li e estou 100% com o autor do link citado. Mas ainda tenho dúvidas quanto ao processo deflacionário. O governo simplesmente joga cédulas num incinerador?
  • Leandro  03/02/2014 15:42
    No atual arranjo monetário e bancário, deflação monetária só ocorre quando a quitação de empréstimos é maior do que a concessão de empréstimos, inclusive de empréstimos para o governo.

    O governo "incinerar" cédulas é algo cujo efeito sobre a oferta monetária total seria ínfimo, pois a quantia de cédulas na economia é desprezível em relação à quantidade total de dinheiro na economia.
  • leonardo  03/02/2014 23:25
    Não entendi. Os meios de pagamento não derivam da quantidade inicial de dinheiro? No limite reduzindo-se a base a zero, a moeda em questão como meio de pagamento extingue-se. O multiplicador bancário ainda que, como todo modelo matemático, tenha seus problemas de "agregação", tem uma capacidade explicativa da quantidade de meios de pagamento da economia razoável
  • Leandro  04/02/2014 01:28
    Quem está falando em acabar com a base monetária? Desconheço qualquer proposta sequer remotamente semelhante a isso.
  • leonardo  04/02/2014 11:47
    Não eu também não imagino essa situação. Foi um exercício elocubrativo, nessa economia, que não tenha mais a moeda de curso forçado, as pessoas buscarão outros meios de pagamento. Mas podemos pensar em sistema de múltiplas moedas que funcionem com reservas fracionárias (também não sei se isso seria possível). Se uma das moedas for extinta toda a capacidade de emprestar em cima dela também se extingue. O que arrisco a dizer é que existe uma razoável proporcionalidade da quantidade de moeda física em relação a quantidade total dos meios de pagamento, mesmo que não seja perfeita, ou seja, redução da base pela metade tende a reduzir, em algum prazo, os meios de pagamento pela metade (ceteris paribus).
  • anonimo  03/02/2014 15:27
    No segundo parágrafo ele afirma que o FED obriga todos os banco centrais a emitir dinheiro para evitar valorização cambial.

    Mas uma moeda valorizada não é algo bom?

    Obrigado.
  • Leandro  03/02/2014 15:41
    Falta apenas combinar com o governo e com os grupos empresariais defendidos pelo governo, que têm nas exportações sua principal fonte de renda.
  • Marcelo  03/02/2014 17:52
    Leandro, não seria sensato para um brasileiro comum trocar os reais que tem na poupança pelo valor equivalente em uma moeda forte de outro país? Existe algum motivo para não fazer uma operação como essa? Lembro da sua entrevista com o Bruno em que você menciona moedas que mantiveram seu poder de compra enquanto o real despencou, e aí me surgiu a questão...
  • Leandro  03/02/2014 18:15
    Sim, seria muito sensato. E sim, existe um motivo: o governo e suas legislações.

    Experimente tentar converter seus reais em euros, dólares ou franco suíços. Se você conseguir, por favor, venha cá nos dizer qual foi a magia que você utilizou. Um mero mortal no Brasil não consegue nem sequer comprar alguns dólares sem ter de mostrar passaporte, passagem aérea e, principalmente, pagar 6,38% de IOF. Apenas os muito ricos conseguem mandar seu dinheiro para o exterior. Os que não são bobos já fazem isso há muito tempo.
  • Marcelo  06/02/2014 11:24
    Ok, obrigado... Estava pensando em trocar por franco suíços. Se eu conseguir algum dia, volto a postar aqui relatando o processo.
  • Deilton  03/02/2014 18:16
    Se for pensando a longo prazo, acredito que o ouro seja uma alternativa melhor.
  • Emerson Luis, um Psicologo  03/02/2014 16:47

    Como os bancos centrais já existiam antes de nascermos, nossa tendência é considera-los parte da ordem natural e ficarmos surpresos quando somos informados de que há pouco tempo eles não existiam.

    * * *
  • IRCR  03/02/2014 21:18
    Leandro,

    O deutsche bundesbank foi o unico BC realmente independente ?

    uma correção: no BB vc pode comprar até 5k ou 3k dólares sem mostrar passaporte ou passagem e o IOF no cambio é de 0,38%.
  • Leandro  03/02/2014 22:21
    Eu diria que sim. Desconheço outro que tenha um histórico melhor que o Bundesbank.

    Quanto aos dólares, poder comprar apenas 3 mil dólares está longe de representar uma possibilidade de poupança em moeda estrangeira. E o IOF de 0,38% é válido apenas para a compra em espécie, sendo que o que interessa é você poder ter uma conta denominada em dólares dentro do país. Era assim na Argentina até o governo resolver confiscar os dólares.
  • Rosemberg Argolo  03/02/2014 22:10
    Boa noite!

    Há pouco tempo eu estava lendo uma notícia sobre um "projeto" para que o Banco Central Brasileiro se tornasse mais independente. Tem um post no IMB que fala sobre o Bundesbank alemão antes do Euro que não inflacionava a moeda e que por isso era duramente criticado pelos governantes, e com isso o povo alemão, por um tempo, ostentou um padrão de vida muito superior ao de outras nações, pois o marco alemão era extremamente valorizado. Embora um banco central não seja desejável na ótica de um livre mercado, qual seria o resultado de uma maior independência do nosso BC? aumentaria o nosso padrão de vida, ou se porventura em sua gestão houvesse pessoas incompetentes que inflacionassem mais ainda a moeda sem o controle dos governantes?

    obrigado.
  • Rosemberg Argolo  04/02/2014 13:19
    Desculpem se não formulei minha pergunta corretamente. Gostaria de saber se no caso de um BC brasileiro independente, qual seria a garantia de que os gestores do BC não continuariam a inflacionar a moeda sendo livres de qualquer interferência do governo?
  • Leandro  04/02/2014 13:24
    Nenhuma. A partir do momento em que você tem um BC, a tendência dele é de inflacionar continuamente. A função precípua de um BC é cartelizar e proteger o sistema bancário, sempre adotando políticas que favoreçam os bancos.

    Por outro lado, e pelo bem da imparcialidade, vale dizer que um BC sujeito a politicagens e às demandas de curto prazo da democracia é um arranjo ainda pior do que um BC independente e, em teoria, blindado pressões populistas feitas por políticos.
  • Bitcoin  03/02/2014 22:29
  • IRCR  03/02/2014 23:13
    Leandro,

    O BC suiço poderia entrar na conta tb ? além do BC de Singapura ?
  • Leandro  04/02/2014 09:30
    O BC suíço já foi bom. Mas, de 2011 para cá, traiu todos aqueles que confiavam na moeda suíça e adotou o mercantilismo, decretando que jamais irá deixar o euro ficar abaixo de 1,20 franco suíço. Veja o que ele fez com a base monetária para manter essa paridade. Comparado a isso, o que Bernanke fez foi um mero piquenique.

    Já o BC de Cingapura se preocupa apenas em manter sua moeda atrelada a uma cesta de várias outras moedas. Isso é bom e ruim, tudo dependendo de como esteja o desempenho destas outras moedas. Na época em que dólar e euro estavam mais fracos, a inflação de preços variou entre 6 e 8%. Agora que ambos voltaram a ficar forte, a inflação de preços caiu para 1,5%.
  • IRCR  04/02/2014 09:53
    Leandro,

    No caso suiço, foi o mesmo que o FED fez ? inflaram os bancos de dinheiro comprando bonds ? sendo que boa parte desse dinheiro ficou nos bancos, sem despejar o dinheiro na economia ? tanto que a inflação de preços lá andou abaixo de 0 nos ultimos anos com uma concessão baixa de crédito algo em torno de 4%aa desde 2010. Se comparamos que nos USA ficou nesse periodo em torno de 1,5%aa, e em contra partida na Argentina, Brasil e Turquia ficou em incriveis (32%aa, 21%aa, e 25%aa respectivamente).

    Já em Singapura o BC pode não fixar uma taxa de juros, mas segue bem os anseios americanos
    www.tradingeconomics.com/singapore/interest-rate
  • Leandro  04/02/2014 10:27
    Em vez de títulos, ele passou a comprar os euros que adentravam a economia em decorrência das exportações. E, ao que tudo indica, não houve nenhum aumento da demanda por empréstimos bancários, que é o que realmente governa a expansão monetária.
  • Luciano A.  04/02/2014 17:11
    Mais um ótimo artigo,

    "Regulamentações governamentais concentraram as reservas bancárias nas principais cidades americanas, com o previsível resultado de que a economia americana se tornou sujeita a pânicos e corridas bancárias"

    Quais foram essas regulamentações e como elas contribuíram para as corridas bancárias?
  • zanforlin  05/02/2014 12:22
    Como vai, Leandro?

    A pergunta é meio fora do tema, mas de simples resposta para você...
    Estou a escrever um artigo jurídico que envolve inflação e correção monetária. Em face do que já venho lendo por aqui há algum tempo, inflação é basicamente causada por criação de moeda do nada. Sendo assim, o cálculo do índice de correção monetária deve levar em conta o efeito (aumento de preços) ou, principalmente, a quantidade de moeda/ventania jogada no mercado? Claro que o aumento de preços, como efeito, reflete certo "delta" de inflação, mas isso é preciso? Por outro lado, apenas sabendo-se a quantidade de moeda criada é suficiente para a elaboração desse índice?
    Grato, muito grato.
    jcz
  • Leandro  05/02/2014 13:15
    Essa é a pergunta de R$1 milhão, caro Zanforlin. Devemos utilizar apenas a variação de preços ou nos basear na variação da oferta monetária?

    O grande problema de se utilizar um índice de preços é que, mesmo que a mensuração fosse feita da maneira mais acurada possível, ainda assim ela estará subestimando o real valor. E será assim por dois motivos:

    1) Não existe algo como um "nível de preços". Cada item sofre uma variação peculiar em seu preço, de modo que é impossível agrupar todas as variações observadas e juntá-las em um único valor (como ocorre com o IPCA) e então dizer que há um único "nível de preços".

    2) Há também a questão da média ponderada. Se o preço do restaurante a quilo que você frequenta subiu 15% em um ano, então não tem conversa: a inflação de preços que você sente diariamente subiu pelo menos 15%. No entanto, este valor será "ponderado" pelo IBGE e em seguida entrará (com um valor já bem diluído) no valor final do IPCA. Ou seja, aquela inflação que você sente diariamente será captada pelo IBGE de forma bem mais diluída e suave.

    De resto, há o grande problema dos preços controlados diretamente pelo governo (os quais estão reprimidos) e que possuem um alto peso nos cálculos do IBGE.

    Falei sobre isso em meu último artigo sobre a economia brasileira


    Por outro lado, utilizar a quantidade de moeda jogada na economia, ao menos no Brasil, geraria percentuais bem altos, sempre em pelo menos dois dígitos anuais (pois os déficits governamentais também geram criação de moeda pelo sistema bancário).

    Enfim, taí uma ótima discussão. Eu não tenho uma resposta pronta. Apenas creio que utilizar um índice de preços não é correto (pelos motivos explicados acima) e fiar-se apenas na expansão monetária geraria uma compreensível gritaria.

    Grande abraço!
  • zanforlin  05/02/2014 13:39
    Agradeço-lhe, meu caro.
    No fundo, mesmo sendo leigo, eu desconfiava que sua resposta seria mais ou menos essa. E a questão diz respeito a recente julgamento no STF que reconheceu a inviabilidade da TR como índice de correção (ADI 4425).
    Saúde e paz.
    jcz
  • aspone  11/02/2014 20:41
    Mas zanforlin, até parece que vc não entende como funcionam as decisões judiciais...

    Eles primeiro escolhem o que querem, depois procuram fundamentos para a escolha.

    Não quiseram a TR, então procuram como fundamentar.

    Se vc pedir qualquer índice ou mesmo a taxa de crescimento da base monetária, p. ex., eles primeiro vão ver se acham legal concordar com vc.

    Depois, vão procurar o que conseguirem e o que não conseguirem para fundamentar essa escolha.

    Uma pena....
  • Eduardo Bellani  12/02/2014 00:40
    Para exemplificar o princípio demonstrado pelo caro aspone, cito Valdez Adriani Farias, procurador federal, na íntegra:


    Ao Jornalista Moacir Pereira:

    Muito me honra ter opinião totalmente oposta a sua.

    Em meu artigo (DC 05.02.14) sustentei e ratifico a necessidade de observância dos princípios fundadores da Constituição da República. A nossa Constituição, assim como um edifício, esta calcada em vários pilares, e não apenas no direito de propriedade como o Senhor equivocadamente defende e desinforma.

    As suas conclusões equivocadas possivelmente não decorrem do desconhecimento da Constituição, mas de uma visão míope e comprometida com uma sociedade excludente, a qual por ser lastreada em apenas uma pilastra já começou a ruir.

    A sociedade que todos nós brasileiros estamos construindo a duras penas é aquela idealizada pela Constituição Cidadã, apesar dos desserviços e da desinformação praticados por grande parte da mídia tradicional.


    fonte
  • anonimo  08/02/2014 13:33
    O Banco central Americano é privado e pertence as famílias: Rothschild, Morgan e Rockefeller?

    1/3 da Bolsa de Nova York pertence ao Narcotráfico?
  • Leandro  08/02/2014 13:40
    Não. Essa afirmação sobre o Fed ser privado não é totalmente correta.

    O presidente do Fed é apontado pelo presidente americano, e a autoridade do Fed é derivada do Congresso americano, o qual tem poderes de supervisão sobre o Fed -- embora não tenha, em tese!, poderes sobre a política monetária que este adota.

    Ademais, o presidente do Fed, após ser escolhido pelo presidente americano, precisa ser aprovado pelo Congresso.

    É também o governo quem determina os salários de alguns dos funcionários do alto escalão do Fed.

    Nesse sentido amplo, o Fed é estatal.

    Agora, o Fed é "privado" em dois sentidos:

    1) Suas 12 sucursais (Boston, Nova York, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e San Francisco) são geridas privadamente (é como se as sucursais do Banco Central no Rio, em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza etc. tivessem gerência privada). Mas elas apenas obedecem às ordens do Fed de Washington, que é quem manda em todo o sistema.

    2) O Fed como um todo não sofre qualquer auditoria política. Trata-se de uma caixa-preta mais impenetrável que a CIA.

    Por fim, vale ressaltar que a autorização para o Fed funcionar foi concedida pelo congresso americano no Federal Reserve Act de 1913. Logo, tecnicamente, a existência legal do Fed também depende do governo.


    Sobre a Bolsa de NY ser minoritariamnete controlada pela narcotráfico, nada sei.
  • Ari Pereira  18/03/2014 13:44
    Bem, parece que finalmente alguma coisa começa efetivamente a aparecer nesse sentido…

    THE GUARDIAN - The truth is out: money is just an IOU, and the banks are rolling in it.
    The Bank of England's dose of honesty throws the theoretical basis for austerity out the window.

    www.theguardian.com/commentisfree/2014/mar/18/truth-money-iou-bank-of-england-austerity?CMP=fb_gu

  • Carlos Garcia  29/04/2014 20:21
    Olá a todos!
    Achei esse vídeo bastante interessante. É sobre o modelo americano de criação de moeda, mas é similar ao que ocorre no Brasil (pelo que eu entendi de artigos semelhantes)

  • Victor Hugo  09/04/2018 23:45
    É cada mentira...
    Dizer que o Canadá e seu sistema bancário passaram incólumes à grande depressão só porque não tinham um banco central já mostra a desonestidade do autor... Sim, o Canadá não tinha um banco central e não, o Canadá não passou incólume, foi a segunda economia mais afetada, e igualmente aos USA estava crescendo muito com a desregulamentação desenfreada, até que colapsou.... Por sorte, apesar da economia, financeira, ter colapsado, havia grande capital intelectual humano nestes dois países, e aí vemos a velha máxima, o conhecimento é a única coisa que não pode tirar de você.


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