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Contra o Homo Proletarius - a ascensão dos pobres pelo empreendedorismo

"Classe média é o atraso de vida! A classe média é a estupidez! É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista," grita Marilena Chauí. A audiência aplaude. Discursando no Centro Cultural São Paulo no dia 13 de maio para o lançamento do livro Lula e Dilma, Marilena Chauí admite que sua oposição à classe média é motivada menos por massa cinzenta e mais pelas glândulas salivares: "Por que eu defendo esse ponto de vista? Não é só por razões teóricas e políticas. É porque eu odeio a classe média!" Segue o vídeo:

Para uma marxista como Marilena Chauí, a divisão da sociedade em classes com interesses irreconciliáveis não pode se reduzir a uma sopa de letrinhas A-B-C-D. Chauí não está defendendo a estagnação econômica do trabalhador brasileiro. O que ela critica em coerência com o marxismo clássico é considerar qualquer melhoria no padrão de vida da classe trabalhadora como a transição para uma nova classe social.

Para um marxista, tratar o aumento quantitativo da renda como se fosse um salto qualitativo de classe seria como se, para um racista, um negro se tornasse branco apenas porque se mudou para o Leblon.

Em vez de se olhar para a renda, as classes deveriam ser categorizadas por outros critérios, como sua posição em relação aos meios sociais de produção. Para realmente subir de classe, um trabalhador precisaria se apropriar dos meios de produção que exploram sua mão de obra e passar a extrair mais valia de outros trabalhadores. Mas se essa mobilidade vertical for generalizada, se todos os dias um grande número de trabalhadores virarem empresários, a teoria de luta de classes socialista perde seu sentido.

É difícil para um marxista aceitar que, em vez de ler Das Kapital e assistir às palestras da Marilena Chauí, os pobres brasileiros estão abrindo seus próprios negócios. E essa insubordinação ao status proletário está acontecendo nas regiões mais pobres das cidades brasileiras. Apenas nas favelas consideradas pacificadas, o Sebrae-RJ formalizou cerca de 1.700 empresas só em 2011. Não é pouca coisa em termos absolutos, mas trata-se de uma pequena fatia do capitalismo que está subindo os morros. O Sebrae-RJ estimava em 2012 que 92% dos negócios nas favelas continuavam atuando na informalidade.

O Complexo do Alemão no Rio quer ir mais longe e construir seu próprio templo capitalista: um shopping center em plena favela. Segundo o site da BBC,

Orçado em cerca de R$ 22 milhões, o novo centro comercial deve abrigar 500 lojas e tem previsão de inauguração para novembro. As obras ainda não começaram e o local exato onde será instalado o shopping ainda é incerto, mas uma característica já faz com que ele seja diferente dos mais de 800 empreendimentos do tipo espalhados pelo Brasil: 60% das lojas serão comandadas por moradores da favela.

Ao se tornarem seus próprios patrões em busca do lucro, esses moradores estão formando uma nova classe média. Da próxima vez que vier a BH, coloco-me à disposição para levar Chauí ao Oiapoque. Talvez vendo de perto, ela deixe pra lá essa mania de chamar o sujeito que cria empregos e aumenta o poder aquisitivo dos pobres de "reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista." Olha só a cara desses terroristas:

Será que o ódio de Marilena Chauí pela classe média é maior que seu amor pelos pobres? Se sim, as notícias de empreendedorismo na favela devem soar como um arrastão de mais valia. Quando uma pessoa deixa de ser uma empregada vivendo de salário e passa a ser uma empregadora vivendo de lucro, ela está traindo o processo do historicismo materialista.

Quando Andreia Miranda monta uma venda de souvenires no Morro Dona Marta, quando Cristina da Silva Oliveira abre um albergue no Morro Chapéu-Mangueira, quando Carolina Pacheco dos Santos inaugura um café no Morro da Providência, cada uma delas está se distanciando do proletariado e se aproximando da burguesia. Essas mulheres estão se tornando potenciais inimigas da humanidade.

A popularização das ideias marxistas prega a condenação dos pobres ao trabalhismo. Dentro do materialismo histórico de Karl Marx e Friedrich Engels, o trabalho humano se estabelecia como o patamar supremo alcançado pela evolução natural darwinista. Enquanto os demais animais já nascem com os instrumentos de sobrevivência em sua constituição física, a espécie humana precisa trabalhar para fabricar seus próprios instrumentos. O marxismo, em sua versão popular, substitui o homo economicus fechado na maximização de seu próprio bem-estar pelo homo proletarius fechado na sua condição de trabalhador.

A ideia de homo proletarius pode amarrar os pobres à imobilidade social do trabalhismo. Ela atribui a riqueza dos ricos à exploração, selando com vácuo ideológico o ar de empreendedorismo que os pobres precisam para deixar de ser pobres. Apenas rico pode empreender. Os pobres podem apenas trabalhar.

A retórica anti-empreededorismo faz mais mal ao pobre do que ao rico. Porque mesmo o rico marxista não vai jogar fora a oportunidade de se preparar para o mercado, de continuar os negócios da família ou de investir em ações. Essa instrução de como navegar pelo capitalismo já vem de casa.

Mas o pobre costuma ser pobre em parte porque sua família não soube como sair da pobreza. O caminho ao enriquecimento não é o trajeto que o pobre faz de mãos dadas com seus pais. É uma trilha nova que precisa ser desbravada. Quando jogamos os pobres contra o empreendedorismo, contra a classe média, estamos privando-lhes de oportunidades do crescimento econômico e social. Como diz Thomas Sowell em The Quest for Cosmic Justice, o anticapitalismo priva os pobres de adquirirem capital humano:

Para os atualmente menos afortunados membros da sociedade, os custos da inveja podem ser especialmente altos quando ela faz desviar seu intelecto e sua energia. Nas áreas em que as pessoas mais pobres carecem de capital humano — habilidades, educação, disciplina, visão —, uma das fontes para adquirir essas coisas são as pessoas que prosperaram por essas formas de capital humano. Isso pode acontecer diretamente através da aprendizagem, conselhos, ou tutela formal, ou pode acontecer indiretamente através da observação, imitação e reflexão.

No entanto, todas estas formas de fazer avançar a sair da pobreza podem acabar queimadas por uma ideologia de inveja que atribui a maior prosperidade dos demais à "exploração" de pessoas como eles mesmo, à opressão, ao preconceito, ou a motivos indignos, como "ganância", racismo etc. A aquisição de capital humano, em geral, parece fútil sob esta concepção e a aquisição de capital humano dos exploradores, dos avarentos, e dos racistas especialmente desagradável.

"O trabalho não é um recurso especificamente humano", dizia Ludwig von Mises, "é o que o homem tem em comum com todos os outros animais."

Mises se opunha ao homo proletarius de Marx. Ele não via o homem como uma mera máquina material que trabalha, mas como um agente espiritual que cria. Quando o primeiro homem uniu duas rodas em um eixo, ele não estava apenas cumprindo uma tarefa trabalhosa. Ele estava realizando uma ação empreendedora.

O trabalho por si só não gera riqueza. Apenas o trabalho produtivo gera riqueza. O esforço de se levar um sorvete até a boca pode ser o mesmo de se levar um sorvete até a testa. É a razão humana que empregará nosso trabalho em direção à satisfação humana. O socialista que não entende essa distinção corre o risco de empobrecer seus ouvintes e ainda desperdiçar um sorvete.

A teoria econômica moderna ensina que o capital é mais que um substituto ao trabalho. Apenas o capital enriquece o trabalho humano. Como escreveu Mises, "não há outra maneira de fazer os salários subirem que não seja por meio do investimento em mais capital por trabalhador.  Mais investimento em capital significa dar ao trabalhador ferramentas mais eficientes."

O trabalhador brasileiro ganha pouco porque falta capital para deixar seu trabalho mais produtivo. Ou o morro se move até o capital, ou o capital se move até o morro. Uma forma de resolver o problema é aumentar o número de capitalistas, principalmente permitindo que mais pobres se tornem capitalistas. Se ao desejar que o capitalismo coma na mão dela, a dona de um albergue no Cantagalo aumenta o estoque de capital no morro, ela está de fato aumentando a comida na mão de seus vizinhos.

O trabalhismo do homo proletarius trata o trabalho mais como um fim em si mesmo e menos como um meio para o consumo. Preocupados em dividir a sociedade em classes antagônicas, seus defensores acreditam em tirar dos que têm capacidade para dar para os que têm necessidade. Por isso, a capacitação dos necessitados deve ser a prioridade, mesmo que esse progresso cause a ascensão de uma nova burguesia de ex-pobres. Não queremos um partido apenas para os trabalhadores, queremos um partido para todos os pobres, não importa o tamanho de seus sonhos ou a classe de suas ambições.

O velho socialismo quer os pobres de mãos abertas, prontas para a esmola política, ou de mãos fechadas, prontas para a revolução violenta. O novo capitalismo quer os pobres de mãos cheias, para poder consumir, produzir e empreender.



autor

Diogo Costa
é presidente do Instituto Ordem Livre e professor do curso de Relações Internacionais do Ibmec-MG. Trabalhou com pesquisa em políticas públicas para o Cato Institute e para a Atlas Economic Research Foundation em Washington DC. Seus artigos já apareceram em publicações diversas, como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Diogo é Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Petrópolis e Mestre em Ciência Política pela Columbia University de Nova York.  Seu blog: http://www.capitalismoparaospobres.com

  • anônimo  16/11/2013 17:20
    É claro que ela vai falar que aí os pobres estão sendo vítimas da ideologia da classe média. Ou então um esquerdista moderado ia falar que o pobre poder fazer isso é mérito do governo petista.
  • Fabrício  16/11/2013 17:34
    O que????????? Trabalhador querendo virar burguês? Não pode, não pode, não pode!
  • Mohamed Attcka Todomundo  17/11/2013 16:55
    posso, posso, posso!!! seu feio bobo e chato.
  • Rodrigo  16/11/2013 17:59
    E com tanto tarado ideológico aplaudindo é normal que não houvesse ninguém pra perguntar o quê ela se considera.
  • Leonardo.  16/11/2013 18:18
    Sou professor de escola pública e o principal motivo pelo qual me oponho à doutrinação marxista nas escolas é justamente o que o texto aponta, o comunismo mata a ambição e a capacidade empreendedora do pobre, condenando-o a uma vida de imobilidade social.

  • Arthur Gomes  18/11/2013 12:11
    Leonardo;
    Bom dia

    Você é professor de qual matéria na escola. É a nossa obrigação combater esta ideologia em todos os lugares, seja na escola, no trabalho, nas igrejas em todos os lugares.
    Esse marxismo/socialismo/comunista está destruindo o Brasil e causando um mal que levará uns 30 anos para ser corrigido no Brasil.
  • anônimo  16/11/2013 18:19
    Por onde é possível ver a base monetária do Brasil desde 1980?
  • Magno  16/11/2013 18:25
    Site do BACEN, série 1783.

    www.bcb.gov.br/?sgs
  • Bruno D  16/11/2013 18:28
    Hoje é uma data histórica para o brasil, não vou falar que foi algo positivo a prisão dos réus do mensalão, pelo simples fato de terem cometido crimes piores do que o do colarinho branco, como na antiga URSS o sujeito que matava assassinava pegava uns 10 anos e o sujeito que cometesse crime ideológico era condenado a morte.

    Vejamos o Genoíno:

    (ternuma)Genoíno, aquele rapaz foi esquartejado, toda Xambioá sabe disso, todos os moradores de Xambioá sabem da vida do pobre coitado do Antonio Pereira, pai do João Pereira, e vocês nunca tiveram a coragem de pedir pelo menos uma desculpa por terem esquartejado o rapaz. Cortaram primeiro uma orelha, na frente da família, no pátio da casa do Antonio Pereira. Cortaram a segunda orelha, o rapaz urrava de dor, e a mãe desmaiou. Eles continuaram, cortaram os dedos, as mãos e no final deram a facada que matou João Pereira

    Lembram do Al Capone que foi preso por...

    Sonegação de impostos?

    Esse é um momento histórico mesmo.
  • Silvio  16/11/2013 21:15
    Esse (e outros diversos episódios) são muito importantes para não nos esquecermos de que somos governados não por simples larápios, mas sim por verdadeiros monstros psicopatas.
  • anônimo  16/11/2013 22:32
    Esse momento não foi uma vitória da direita, nem de libertarian, nem de conservadores nem de ninguém.Esse momento foi apenas uma falha da esquerda.
    O culpado de tudo foi o Joaquinzão, que foi inclusive indicado pelo Lula.Negro, esquerdista, indicado pelo PT, tinha tudo pra ser mais um 'amigo'.Mas o problema é que foi um erro de cálculo e o cara virou traidor do movimento.
  • jose irineu  16/11/2013 20:37
    "O velho socialismo quer os pobres de mãos abertas, prontas para a esmola política, ou de mãos fechadas, prontas para a revolução violenta. O novo capitalismo quer os pobres de mãos cheias, para poder consumir, produzir e empreender."

    E tem uns malucos ai que somente querem ver a pobreza reduzida, mais simples né?
  • Brenno  16/11/2013 21:55
    Mas sabe o medo dos esquerdistas, quando os "pobres' descobrirem que por sua capacidade de empreender ou trabalhar, o de gerar riqueza para o mesmo e família depende mais dele do que do governo, esse na verdade o grande vilão, ai os esquerdistas não terão mais alienados suficiente para espalhar suas besteiras.
  • Vito Fontenelle  17/11/2013 04:41
    Excelente texto. A exploração e manutenção da pobreza são os principais mercados dos socialistas.
  • jair junior  17/11/2013 15:34
    Melhor texto que já li em toda a minha vida: lúcido, simples, direto! Parabéns, Diogo Costa, você é muito mais que um brasileiro - você é um sujeito que acredita no ser humano como pessoa (indivíduo), com direito a sonhos... nós temos o direito de viver - e sonhar!
  • Eliel  17/11/2013 17:03
    "É porque eu odeio a classe média!"

    Qual "classe" pertence Marilena?
  • Típico Filósofo  17/11/2013 17:44
    A grande filósofa Marilena Chauí não pertence à "classe média".

    Vejamos:

    *Fez doutorado na França.
    *É professora titular na USP.
    *Foi Secretária da Cultura pela prefeitura de São Paulo.
    *É integrante fundadora do PT é integrou seus diretórios estadual e municipal.
    *Presidente da Associação Nacional de Estudos Filosóficos do Século XVIII.
    *Doutora Honoris Causa pela Universidade de Paris VIII e pela universidade de Córdoba, na Argentina.
    *Também alcançou sucesso fora dos setores acadêmicos com seu livro "O que é Ideologia".

    Através destes conhecimentos, é perfeitamente possível determinar que a renda da pensadora está acima da classe média nazista, terrorista e abominável; ela consiste em uma das mais honoráveis integrantes da nobre esquerda fabiana e vanguardista, junto a outros nomes como Oscar Niemeyer; está completamente distante da abominação cognitiva e dialética que é a classe média.
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/11/2013 17:23
    Brilhante observação, Típico Filósofo!

    Devemos acrescentar os altos lucros que a Marilena Chauí obtém com seus livros defendendo socialismo angelical e atacando o capitalismo suíno.

    Aparentemente, toda biblioteca pública e toda biblioteca de faculdade possui pelo menos um exemplar de "Convite...", fora os exemplares comprados por particulares.

    * * *
  • Eduardo Bellani  18/11/2013 18:57
    Essa eu acho que sei.

    intelligentsia é como ela provavelmente se define.
  • Típico Filósofo  17/11/2013 17:35
    Absurdo.

    A classe média é, na verdade, uma ilusão perversa feita para alienar a classe trabalhadora através da miragem do sucesso através do trabalho em detrimento da luta de classes. Seu papel na dialética histórica é meramente substituir a iminente revolução comunista ao taxá-la de utopia e lograr tornar-se o novo objetivo do proletariado. Trata-se de um absurdo que deve ser combatido ao máximo por aqueles que adotam as causas revolucionárias.

    O estado deve sim perpetuar a pobreza. Entretanto, diferentemente daquilo pensado pelos reacionários, esta não é uma atitude que visa lesar os pobres e criar dependência; ela tem como objetivo conscientizá-los através do ódio classista e incentivá-los à agitação revolucionária: a única forma legítima de trazer mudanças à sociedade.

    O empreendedorismo é uma miragem produto de uma ilusão ainda maior: A fantasia de que indivíduos possuem "vontade" e "capacidade de ação" para satisfazer uns aos outros e assim gerar utilidade social. A escola de Frankfurt comprova: O indivíduo nada mais é que um vazio a ser preenchido por sua função de classe e sendo assim, o holocausto revolucionário - e não a "cooperação voluntária", são capazes de trazer a prosperidade.
  • Pobre Paulista  17/11/2013 18:10
    Eu ia pesquisar essa tal de "Escola de Frankfurt" mas desisti com medo de descobrir que isso é verdadeiro.
  • Vito Fontenelle  17/11/2013 19:05
    "A fantasia de que indivíduos possuem "vontade" e "capacidade de ação" para satisfazer uns aos outros e assim gerar utilidade social. A escola de Frankfurt comprova: O indivíduo nada mais é que um vazio a ser preenchido por sua função de classe e sendo assim, o holocausto revolucionário - e não a "cooperação voluntária", são capazes de trazer a prosperidade."
    Isso é sociopatia!
  • anônimo  17/11/2013 21:29
    A única coisa que a Escola de Frankfurt comprova é como as pessoas são facilmente manipuláveis por qualquer besteira sem lógica mas dita num blablablá rebuscado.
  • Eliel  17/11/2013 18:08
    Grato Típico Filósofo.

    Conclusão:

    Marilena pertence à sua classe!
  • Claudio L. Ferreira  18/11/2013 00:01
    A verdade é que não precisamos do estado o estado é que precisa de nós.
  • max ribas  18/11/2013 02:33
    Marilena Chauí : apenas umá perfeita idiota latino americana..
  • Rafael Franca  18/11/2013 11:42
    Um dos melhores artigos que já li aqui.
  • Renato Borges  18/11/2013 13:36
    Perfeito o artigo.

    O que me deixa triste é que o PT ainda consegue vender a ideia de que essa melhora foi graças a ele, não apesar dele.

    Estamos perdidos. Malditamente perdidos.

    Cada vez mais me convenço de que a única solução é ir às armas e buscar cada vez mais o debate.
  • Emerson Luis, um Psicologo  18/11/2013 17:08
    Tem um vídeo da Marilena Chauí em que ela reclama que muitos pobres que melhoraram sua situação econômico nos anos recentes atribuem essa melhora ao seu próprio esforço e não aos programas do governo.

    * * *
  • Arthur Gomes  18/11/2013 17:31
    Marilena Chauí
    É a tipica esquerdista, gosta de ganhar dinheiro com palestras, livros, depoimentos e tudo mais, enchem o bolso de dinheiro ficam milionários. Passam férias em Paris, Londres, Nova York e outros lugares descolados. No Brasil ficam a turma de estudantes emburrecidos pelas suas palestras, apenas idiotas úteis aos projetos do governo totalitário. A pessoa via sonhando com um emprego no serviço público para ganhar bem e não fazer nada, não ter concorrência e tudo mais.
    E o pior na faculdade os professores terroristas ensinam a ler as matérias dessa mulher tresloucada. Ainda existem estudantes que são obrigados e ler esse lixo ideológico, quando o estudante é novo de idade é pior ainda ele acha que isso é o correto o idiota útil fica maravilhado com tudo isso e passa a repetir este pensando, mesmo não sabendo disso. Se o cara é rico fica com sentimento de culpa se o cara é pobre acha que é explorado, ou seja o estudante é sempre emburrecido.
    Ainda perguntam o problema da educação no país, uma das respostas está logo acima.
    Senhora Marilena Chauí,
  • Leonardo.  21/11/2013 12:56
    Olá, desculpe a demora em responder. Eu sou professor de física, mas, sempre que posso, defendo as ideias do liberalismo econômico junto aos alunos.

  • Daniel C.  25/11/2013 02:58
    E as olavetes da vida pensam que seu ídolo é a máxima expressão da coerência e da liberdade. Mostrem-me uma linha sequer que Olavo de Carvalho escreveu contra essa mulher. Mostrem-me uma gravação na qual ele profira uma palavra contra essa traidora. Pelo contrário, ele foi, ou é ainda, amiguinho da família. De há muito esse tal deixou transparecer qual é o seu joguinho. Bem, o que esperar de uma pessoa que afirma ser onívora por falta de opção, já que, segundo ele, as plantas pensam? Só rindo...


  • anônimo  25/11/2013 12:51
    "Mostrem-me uma linha sequer que Olavo de Carvalho escreveu contra essa mulher."

    www.olavodecarvalho.org/textos/entrevista_fsp_set2006.html
    www.olavodecarvalho.org/convidados/0096.htm (este não é dele, mas está hospedado em seu site)

    "Mostrem-me uma gravação na qual ele profira uma palavra contra essa traidora."

    www.youtube.com/watch?v=1a8DFjuTglk
    www.youtube.com/watch?v=pVieRgVdUw0
    www.youtube.com/watch?v=dfbPFVyd8TM

    Seja menos passional e mais racional. Qualquer googlada básica levaria você aos resultados acima.
  • Hay  25/11/2013 13:33
    Imagino que isso seja uma trollagem, já que o Olavo falou algumas vezes sobre a Chauí, e nem uma vez sequer de forma elogiosa.
    Digite no Google o seguinte:

    site:olavodecarvalho.org marilena chauí
  • Daniel  23/10/2014 15:29
    Só gostei da parte do sorvete, tentar entender a política hoje através do velho paradigma esquerda X direita é a mesma coisa de tentar entender o mundo através da lógica ou da matemática, ou seja, tentar reduzir todo o significado do mundo para que o mundo possa ser entendido. Por outro lado, o sistema não ajuda, o sistema representativo não me representa, pois não quero ser representado, entendo minha parcela da soberania como indelegável, mas desperdiçar um sorvete, realmente é uma coisa muito gravosa.
  • Natalia Matiazzo  11/09/2017 03:54
    Aproveitando esse texto, se puderem responder a esse texto, ficaria agradecida, porque aqui num determinado ponto é citado isso de ¨uso alienado¨ e não compreendi muito bem.

    Estou tendo que ler esse livro pro meu curso de Letras chamado Linguagem e Persuasão de um tal de Adilson Citelli, o qual aborda o conceito de discurso, neutralidade, signo linguístico e seus componentes... Tava tudo ok até chegar num capítulo baseado num artigo ou livro dessa mulher seguindo o anterior cujo título é: O discurso dominante.

    E é todo recheado com essa paranoia de luta de classe, desmerecimento de pessoas produtivas em o mito da competência/eficiência, que não há ética para chegar a essa eficiência, aquele falso sentimentalismo para com os incapazes marginalizados, que segundo ela e esse autor que a referencia: não possuem o direito de falar, e claro, aquela conspiração de dominação dos opressores, que no caso, são simplesmente pessoas bem-sucedidas ou governos que vão contra a ideologia deles.

    Aqui vai essa pérola:

    Em um artigo muito instigante, Marilena Chauí desenvolveu o conceito de discurso competente. Vamos examiná-lo mais de perto, visto sua utilidade no sentido de ajudar a clarear pontos que foram levantados até agora.
    Como é sabido, vivemos em uma sociedade que premia as competências, no campo profissional, intelectual, emocional, esportivo etc. Ao limbo são condenados aqueles que estão "do lado" da incompetência, porque não conseguem subir na vida, ou são instáveis emocionalmente, desgarrados da família, maus alunos, repetentes nos exames vestibulares, inseguros nas tomadas de decisões.

    Se olharmos a questão por esse ângulo, veremos que o leque dos fracassados é enorme; os vitoriosos cabem nos pequenos círculos gerenciais. O parâmetro que irá atribuir medalhas honoríficas a uns e adjetivos pouco nobres a outros é sempre o da eficiência. Mede-se o sujeito por aquilo que produzirá, quer ao nível material - os negócios realizados, os imóveis adquiridos, até as peças que fabrica -, quer ao nível espiritual - a agudeza com que permite opiniões, os livros que escreve, a harmonia emocional que consegue estabelecer, a capacidade com que convence auditórios inteiros.

    O mito da eficiência costuma desconsiderar as naturezas e finalidades dos bens produzidos. Deus e o diabo podem diferenciar-se na Terra do Sol, mas, no que diz respeito à organização produtiva, eles se misturam. Não se pergunta para que, para onde, para quem os bens se voltam. Alguém ganhou, alguém perdeu, afirmaram-se individualidades, foram os seres brutalizados, são perguntas improcedentes para o caso.

    Assim sendo, se, por exemplo, no interior do sistema tecno-burocrático-militar, um pesquisador de física atômica consegue descobrir uma partícula com maior poder de destruição do que as já existentes, então a ele está assegurado o galhardão da competência, pouco importando a natureza ética de tal descoberta: a glória do cientista virá, ainda que pela porta do inferno. Da mesma forma, o policial agraciado com uma nova patente na polícia por haver desvendado um caso obscuro. E verdade que ele fez uso de várias formas de violência física e psicológica contra os suspeitos; mas o que está em causa aqui não é perguntar acerca da justeza de uma forma de ação e sim reconhecer a eficiência da polícia, conquanto se tenha comprometido os resquícios de humanidade de torturados e torturadores.

    É possível objetar que o biólogo que ajudou a encontrar a cura para o câncer, contribuindo, portanto, para extirpar um mal que ataca a humanidade, revelou, felizmente, eficácia e competência. O problema não está, obviamente, no fato da eficácia e da competência, mas na sua natureza e no uso alienado que dela se faz.

    Ao diluir tudo num plano meramente concorrencial e triunfalista, as instituições impedem que se façam perguntas, que se indague das naturezas das competências. E a quem cabe o papel de uniformizar interesses contraditórios, escamoteando e mascarando as diferenças, impedindo que a sociedade reconheça o profundo antagonismo existente entre a competência do físico que pesquisou a nova partícula atômica e a do biólogo que descobriu a cura do câncer?

    A ponte por onde transita a mistificação da competência é a palavra, é o discurso burocrático-institucional com seu aparente ar de neutralidade e sua validação assegurada pela cientificidade. Afinal, quem afirma é o doutor, o padre, o professor, o economista, o cientista etc.! Isso ajuda a perpetuar as relações de dominação entre os que falam a e pela instituição e os que são por ela falados.

    Os segundos, sem a devida competência, ficam entregues a uma espécie de marginalidade discursiva: um reino do silêncio, um mundo de vozes que não são ouvidas. O discurso autoritário e persuasivamente desejoso de aplainar as diferenças, fazendo com que as verdades de uma instituição sejam expressão da verdade de todos, e assim colocado por Marilena Chauí: "O discurso competente confunde-se, pois, com a linguagem institucionalmente permitida ou autorizada, isto é, com um discurso no qual os interlocutores já foram previamente reconhecidos como tendo o direito de falar e ouvir..."

    E lembra a autora que o discurso burguês sofreu algumas transformações. Antes o seu domínio passava pelo aspecto legislador, ético e pedagógico. Ou seja, as ideias enunciadas eram capazes de normatizar valores e ensinar. Dizia-se acerca do certo e do errado, do que era justo ou injusto, normal e anormal.

    Existia, portanto, o desejo de se guiar e ensinar. Certas instituições como Pátria, Família, Escola, serviam de referência básica às pessoas. O professor, o pai, o governante, eram figuras legitimadoras de situações. Os textos, e no caso do Brasil se pode ler tal visão através dos escritos pedagógicos de Olavo Bilac, de Rui Barbosa, insistiam nas orações aos moços, nos decálogos do bom comportamento, na ritualização da tradição e dos bons costumes.
    Conquanto o discurso burguês não tenha perdido as particularidades acima colocadas, ganhou nova cara: "Tornou-se discurso neutro da cientificidade e do conhecimento"

    Se é neutro, ninguém o produz; se científico, ninguém o questiona. Quem fala é o Ministério da Fazenda, através do seu corpo técnico; a Sociedade Médica através de seus doutos membros; a grande corporação multinacional através de seus executivos etc. Autorizado pelas instituições, o discurso se impõe aos homens determinando-lhes uma série de condutas pessoais.

    Os recursos retóricos se encarregam de dotar os discursos de mecanismos persuasivos: o eufemismo, a hipérbole, os raciocínios tautológicos, a metáfora cativante permitem que projetos de dominação de que muitas vezes não suspeitamos, possam esconder-se por detrás dos inocentes signos verbais. A palavra, o discurso e o poder se contemplam de modo narcisista; cabe-nos tentar jogar uma pedra na lâmina de água.


    CHAUÍ, Marilena. O discurso competente. In: - Cultura e democracia; o discurso
    competente e outras falas. São Paulo. Moderna, 1981. p. 3-13





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