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Economias não são destruídas em um dia

No início deste mês, o principal jornal conservador da Argentina, o La Nación, publicou um editorial no qual comparava a economia da Argentina à da Venezuela.  O editorial concluiu que, à medida que a liberdade econômica vai encolhendo na Argentina, e à medida que a Argentina vai adotando, em doses cada vez mais cavalares, aquilo que Hugo Chávez rotulou de "socialismo do século XXI", o país vai se tornando cada vez mais parecido com a Venezuela.  A questão é: irá a Argentina vivenciar o mesmo destino trágico da Venezuela, onde a pobreza está aumentando e itens básicos como papel higiênico se tornaram artigos de luxo?

A semelhança entre as regulamentações e os problemas econômicos que assolam ambos os países é de fato notável, não obstante as óbvias diferenças entre os dois países.  E, ainda assim, quando os argentinos são questionados a respeito destas similaridades, é comum ouvir respostas do tipo "mas a Argentina não é a Venezuela; temos mais infraestrutura e mais recursos".

O problema é que mudanças institucionais definem o destino de um país apenas no longo prazo.  Elas não definem sua prosperidade no curto prazo.

Imagine que Cuba e Coréia do Norte se tornassem, da noite para o dia, os países mais economicamente livres do mundo, com mercados plenamente livres e liberdades civis totais.  Isso bastaria?  Embora os dois países houvessem adquirido liberdades civis e econômicas imediatas, o fato é que eles ainda teriam de acumular riqueza e desenvolver suas economias.  A mudança institucional afeta a situação política imediatamente, mas uma nova economia requer tempo para adquirir forma.  Por exemplo, quando a China abriu parte de sua economia para os mercados internacionais, o país começou a crescer economicamente.  Hoje, estamos todos vendo os efeitos destas décadas de relativa liberalização econômica.  É verdade que várias áreas da China ainda sofrem uma ausência de liberdades significativas, mas o país seria muito diferente hoje caso houvesse se recusado a mudar suas instituições décadas atrás.

O mesmo ocorreria caso um dos mais ricos e desenvolvidos países do mundo adotasse, da noite para o dia, instituições cubanas ou norte-coreanas.  Sua riqueza e todo o seu capital acumulado não desapareceriam em 24 horas.  A dilapidação do capital, embora seja um processo bem mais rápido do que sua acumulação, não se dá de imediato.  O país deixaria de continuar acumulando capital e passaria meramente a consumir seu capital, mas poderia demorar décadas para dilapidar toda a riqueza já construída.  Enquanto ainda houver riqueza, o governo terá recursos para brincar de bolivarianismo — que é o modelo de socialismo populista criado pelo governo da Venezuela — ao mesmo tempo em que continua usufruindo a riqueza, as rodovias, a infraestrutura elétrica e as redes de comunicação já existentes, as quais foram resultado das instituições mais pró-mercado que existiram no passado.

Com o tempo, no entanto, as rodovias começam a se deteriorar por falta de manutenção e investimentos (ou os trens começam a se acidentar gravemente, matando dezenas de passageiros), o setor energético começa a apresentar falhas contínuas e graves, a importação de energia se torna inevitável, e as redes de comunicação ficam obsoletas.  Em outras palavras, todo o populismo econômico é financiado por recursos acumulados por instituições não-populistas, e ele irá durar enquanto houver riqueza a ser dilapidada.

De acordo com o ranking de liberdade econômica do Fraser Institute, a Argentina estava na 32º posição no ano 2000.  Em 2011, no entanto, a Argentina já havia despencado para a 137ª posição, próxima a países como Equador, Mali, China, Nepal, Gabão e Moçambique.  Não há dúvidas de que a Argentina usufrui uma taxa de desenvolvimento e de riqueza maior que a desses outros países.  Mas será que tal situação perdurará pelos próximos 20 ou 30 anos?  A presidente argentina já afirmou que gostaria que a Argentina fosse um país como a Suíça ou a Alemanha, mas o problema é que o caminho para se tornar parecido com a Suíça ou com a Alemanha envolve a adoção de instituições iguais às suíças e alemãs, e não a adoção de instituições venezuelanas, que é o que a Argentina está fazendo.

O grande problema — que ajudou a perpetuar o atual modelo — foi o fato de que, quando as instituições venezuelanas foram inicialmente adotadas na Argentina, isso coincidiu com uma alta taxa de crescimento econômico.  Mas estas taxas de crescimento, no entanto, são bastante enganosas. 

Em primeiro lugar, "crescimento econômico", quando corretamente entendido, não é um aumento na "produção", mas sim um aumento na "capacidade produtiva".  O alto crescimento observado no PIB após uma grande crise é meramente uma 'recuperação econômica', e não necessariamente representam um crescimento na capacidade produtiva, que é o que realmente interessa.

Em segundo lugar, é possível você aumentar sua capacidade produtiva investindo em atividades econômicas erradas, para as quais não há uma genuína demanda.  Uma pesada regulamentação de preços, como a que ocorre na Argentina (agora acompanhada de uma alta taxa de inflação), gera uma alocação errônea de recursos, pois os preços relativos — isto é, os preços de um determinado setor da economia em relação aos preços dos outros setores — são afetados, fazendo com que os preços de um setor se tornam artificialmente maiores do que os de outros, o que atrai investimentos para este setor.  Embora seja perfeitamente possível ver e até mesmo sentir estes novos investimentos nestes setores, a realidade é que este capital resultou de uma ilusão monetária.  O conceito econômico de capital não depende da tangibilidade ou do tamanho do investimento (isto é, de suas propriedades físicas), mas sim de seu valor econômico.  Quando chegar o momento de os preços relativos se ajustarem de modo a refletir as reais preferências dos consumidores, o valor de mercado deste capital irá cair e ele então será consumido ou destruído em termos econômicos — mesmo que suas qualidades físicas permaneçam inalteradas.  Um bom exemplo disso são os imóveis que foram construídos excessivamente na Espanha — e que hoje totalizam um milhão de casas vazias —, cujo valor atual é metade do que foi no auge da bolha imobiliária.

Em terceiro lugar, a produção pode aumentar não por causa de um aumento nos investimentos, mas sim porque as pessoas estão consumindo o capital investido — como ocorre quando há um aumento na taxa de desgaste das máquinas e da infraestrutura.

Não estou dizendo que não houve nenhum crescimento genuíno na Argentina, mas sim que uma fatia não-trivial do crescimento do PIB argentino pode ser explicada por: (1) recuperação, (2) alocação errônea de investimentos, e (3) consumo de capital.  Afinal, se todo o crescimento do PIB fosse de fato um crescimento genuíno, a criação de empregos não estaria estagnada e a infraestrutura do país estaria excelente, e não em frangalhos.

A maioria dos economistas e dos analistas de políticas públicas tende a fazer uma leitura superficial das variáveis econômicas.  Para eles, se algumas variáveis econômicas estiverem robustas, o PIB estiver crescendo e a inflação se mantiver sob controle, então a economia está saudável.  O problema é que o fato de estarmos observando bons indicadores econômicos não significa que a economia esteja realmente saudável.  Há uma razão pela qual um médico pede a um paciente aparentemente saudável que faça alguns exames.  Sentir-se bem não significa que não possa existir uma doença que ainda não tenha demonstrado nenhum sintoma óbvio no momento. 

O economista que se recusa a examinar mais detidamente a real situação de uma economia é como um médico que se recusa a examinar mais minuciosamente seu paciente.  O paciente argentino contraiu a doença bolivariana, mas a maior parte de seus sintomas dolorosos ainda está para se manifestar.

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Leia também: Cambalache - a história do colapso econômico da Argentina


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autor

Nicolás Cachanosky
é professor assistente de Economia na Metropolitan State University, em Denver.


  • anônimo  29/10/2013 12:14
    'Em terceiro lugar, a produção pode aumentar não por causa de um aumento nos investimentos, mas sim porque as pessoas estão consumindo o capital investido — como ocorre quando há um aumento na taxa de desgaste das máquinas e da infraestrutura.'

    Como é que um desgaste nas máquinas faz aumentar a produção?
  • Leandro  29/10/2013 12:48
    Se você passa a usar uma máquina de maneira mais temerária e acelerada, ela irá se exaurir muito mais rapidamente, mas também irá produzir mais coisas no curto prazo. Sua produção irá aumentar (assim como seus custos de reposição), mas seus investimentos, não.

    Para efeitos de PIB, no entanto, houve mais bens sendo produzidos. Logo, o PIB cresceu.

    Apenas mais um exemplo de quão enganosos podem ser os números do PIB.
  • Caio  29/10/2013 13:53
    Sobrecarregando a produção uai. :S
  • anônimo  29/10/2013 14:00
    Ok, mas ainda acho estranho falar que o desgaste sobrecarrega a produção, pra mim o desgaste é consequência da sobrecarga de produção
  • Leandro  29/10/2013 14:07
    Mas não foi dito que "desgaste sobrecarrega a produção". Ao contrário: como você corretamente colocou, "o desgaste é consequência da sobrecarga de produção".

    Leia de novo e veja que o sentido da frase é justamente este que você corretamente atribuiu.
  • Pobre Paulista  29/10/2013 12:43
    "Queremos ser igual a Suíça ou Alemanha, portanto vamos fazer igual à Venezuela". Isso explica bem a política argentina atual.

    Ao menos por aqui nosso governo é mais coerente: "Queremos ser igual a Cuba, portanto vamos fazer igual à Cuba"
  • Bezerra  29/10/2013 13:42
    "Ao menos por aqui nosso governo é mais coerente: 'Queremos ser igual a Cuba, portanto vamos fazer igual à Cuba'"

    Isso é para os radicais deles, mas para o centrão eles vendem o mesmo peixe que a Argentina. Para piorar muitos países do primeiro mundo adotaram políticas intervencionistas, o que os nossos intelectuais usam para justificar intervencionismo por aqui. Eles não conseguem entender a diferença entre causa e consequência.
  • Cauê  29/10/2013 14:34
    Eu tenho a impressão que não é burrice. É canalhice mesmo.

    Veja pessoal quando é necessário eles acionam a iniciativa privada, liberam a concorrência em alguns setores e tudo mais.

    Por isso que insisto a questão não é econômica, é meramente política. Nós estamos fadados a ser uma grande fazenda. Assim como a Argentina, Uruguai, etc.
  • Rene  29/10/2013 15:01
    Grande fazenda? Não sei não, Cauê. O agronegócio também tem sido alvo de ataques por aqui. Vide reserva indígena Raposa Serra do Sol.
  • Cauê  29/10/2013 18:13
    Continuaríamos uma grande fazenda só que sem eficiência huahua

    O fato é que isso é maldade e não burrice. Tenho certeza disso.

    Vão tomar o último setor produtivo do Brasil. Os intermediários já estão quase todos tomados. Todos extremamente endividados junto ao BNDES. De fato, isso aqui já é a URSS é só uma questão de vontade política para que eles anunciem o fato.

    Endivida a galera, zoa todo o mercado e depois é só questão de manipular alguns números e o câmbio pra quebrar o pessoal que acreditou na fada do dente. Vai lá pega uns laranja e compra o pessoal quebrado. Pronto economia estatizada.

    Realmente não vejo saída.

    Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.
  • André  29/10/2013 14:50
    "A presidente argentina já afirmou que gostaria que a Argentina fosse um país como a Suíça ou a Alemanha"

    Estranho seria se ela dissesse que não quer isso.
    O problema é que eles acham que "basta querer".
  • Diego  29/10/2013 15:14
    "Em terceiro lugar, a produção pode aumentar não por causa de um aumento nos investimentos, mas sim porque as pessoas estão consumindo o capital investido — como ocorre quando há um aumento na taxa de desgaste das máquinas e da infraestrutura."

    Quando o autor diz que o consumo de capital investido ocorre quando há um aumento da taxa de desgaste das máquinas e da infraestrutura está implícito que não está ocorrendo a manutenção e reposição destes bens de capital?
  • Pedro  29/10/2013 17:39
    Sim. A reposição é computada nas contas nacionais como "formação bruta de capital fixo".
  • Carlos Marcelo  29/10/2013 20:57
    Formação bruta de K fixo=formação líquida de K fixo + depreciação. Esta é a reposição de capital.
  • Mauricio.  29/10/2013 17:38
    Se olharmos o ranking de liberdade econômica do Fraser Institute, o Brasil está na 102º posição. Interessante notar que já fomos número 37, em 1970. Ou seja, temos menos liberdade econômica hoje do que na época da "ditadura".
  • Ricardo  29/10/2013 17:43
    Calma, Maurício. Em 1970 foram avaliados apenas 54 países (o Brasil estava em 37º). Em 2011 foram avaliados 152 países (o Brasil estava em 102º).

    Ademais, em 1970, a pontuação do Brasil era de 5,60. Em 2011 foi de 6,51.
  • Mauricio.  29/10/2013 17:40
    Em tempo: no ranking citado acima, em 2000 a Argentina estava na posição 32 e não na posição 34. Não muda a análise, mas vale como uma errata.

    Fonte: www.freetheworld.com/countrydata.php?country=C18&x=37&y=14
  • Cauê  29/10/2013 18:24
    E a história se repete.
    Aí galera vamos começar a apostar quanto tempo vai durar a URSSA (União das República Socialistas Sul Americanas) ?

    www.estadao.com.br/noticias/internacional,justica-argentina-declara-constitucional-a-lei-de-midia,1090986,0.htm

    O governo afirma, com ironia, que os donos do Grupo Clarín poderão repassar as empresas da holding aos filhos. Mas os analistas afirmam que dificilmente o governo autorizaria a passagem das empresas do grupo para os parentes.

    A Globo já deveria ir se preparando huaha

    Só estamos esperando a guerra e/ou quebradeira mundial para que o vice-ministério da suprema felicidade social, venha em nossa defesa uahuah

    Pelos menos ainda dá pra dar umas risadas por enquanto o.O
  • Daniel  29/10/2013 19:52
    Mesmo uma pseudo-economia de mercado como a brasileira não é destruída em um dia.

    Demora um tempo... mas isso pode ser acelerado. É só o governo começar a "dialogar" com determinados grupos.

    Governo Dilma quer abrir diálogo com black blocs
    www.estadao.com.br/noticias/cidades,governo-dilma-quer-abrir-dialogo-com-black-blocs-,1091052,0.htm

    'Ao defender a necessidade de se conseguir interlocutores com os black blocs, Carvalho citou que o governo está em busca de integrantes do grupo que queiram dialogar. "Um dos problemas é essa dificuldade de ter interlocutores que possam e que queiram inclusive dialogar. Que a linguagem aparente - e insisto, aparente - é muito da destruição, da negação. Agora, nós precisamos de alguma forma ter uma ponte, nós estamos buscando com muita força esse diálogo, para que a gente possa achar uma saída eficaz porque só reprimir não resolve", afirmou.'
  • Douglas  29/10/2013 23:56
    Isto é muito dolorido, dialogar com quem não quer diálogo. Quando as pessoas vão começar a enxergar o óbvio? Como achar que alguém que sai pelas ruas mascarado e quebrando tudo quer dialogar? Somos reféns da nossa eterna covardia. A covardia está no sangue do brasileiro. Triste.
  • Daniel C.  30/10/2013 10:42
    Douglas:
    Você está ganhando dinheiro de quem, para me chamar de covarde, seu f.d.p.?
    Por que você esconde que seus amigos mascarados, pagos com o mesmo dinheiro que você recebe, estão a serviço justamente daqueles que simulam a vontade de dialogar?
    Por que você esconde que a vontade daqueles que financiam os mascarados é desmoralizar toda e qualquer manifestação popular?
    Caso você se sinta injustiçado pelas minhas palavras, diga-me então qual é o jardim da infância que você frequenta. Passarei lá para me desculpar e deixar um pirulito para você.
  • Típico Filósofo  29/10/2013 22:31
    Confesso que observei o título deste artigo como um desafio.

    Aguardo apenas que o governo argentino compartilhe de meu ponto de vista.
  • Digo  30/10/2013 00:02
    'E, ainda assim, quando os argentinos são questionados a respeito destas similaridades, é comum ouvir respostas do tipo "mas a Argentina não é a Venezuela; temos mais infraestrutura e mais recursos".'

    O que me admira é o quanto os argentinos tem dificuldade para cair na real. Buenos Aires já é uma sucata. Um favelão com prédios antigos transformados em cortiços, barracos sob as autopistas e uma frota de Fiat 147 e outros carros velhos como não se vê no Brasil desde os anos 80. E ainda assim se consideram ricos. Mas o que esperar dum povo que encontra material idolatrando Che Guevara em toda banca de esquina?
  • Wagner  30/10/2013 16:43
    Brasileiro é igualzinho, é só comparar com outro país, os EUA por exemplo. Por mais problemas que existam nos Estados Unidos os caras ainda são um bastião de liberdade e progresso comparado ao Brasil, mesmo assim se você conversar com o brasileiro médio ele vai te disser "o Brasil é super rico e os EUA tão indo pro buraco... a gente ta bem melhor que eles".

    Isso é o marketing estatal em ação... uma constante luta para manter as aparências e a esperança.
  • Cauê  30/10/2013 03:13
    Prezada Equipe do IMB,

    Gostaria de saber se existe algum economista que propõe uma anexação da taxa de crescimento à taxa de natalidade da população.
    Qual seria a visão de vocês sobre o assunto ?

    Por exemplo, eu coloco como cláusula pétrea na constituição uma taxa de $100.000 para cada cidadão. E adiciono $100.000 por cada novo nascimento.

    Apenas em uma situação hipotética vocês acham que seria uma boa solução. Quando digo isso é tirando todo aparato de bem-estar social e todo o resto. O valor também é só uma suposição.E ignorando o problema de alocação inicial de recursos.

    Vocês acham que funcionaria para um país ou para uma comunidade menor ?

    Basicamente a ideia é uma base monetária praticamente constante, atrelado a uma fórmula rígida de crescimento da base baseado no número de habitantes.

    Porque acredito que o ouro acabaria voltando para as mãos do governo e o Bitcoin dependeria de muitas coisa. O Ouro talvez poderia continuar a sendo empregado no comércio internacional no caso.

    -------------------------------------------------------------------------------------

    Imaginando talvez inocentemente que o governo não começasse a inventar nascimentos ou matar a população uahuah
  • Pobre Paulista  30/10/2013 10:44
    Respostas aqui: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1512
  • Cauê  30/10/2013 11:40
    Não é essa minha suposição... Gostaria de saber a implicação de se adotar uma medida como essa pois teríamos restrição da base monetária, e o governo estaria de mão atadas (A não ser que ele queira roubar na cara-de-pau mesmo).

    Gostaria mais uma avaliação de aspectos econômicos que isso implicaria. E se possível técnicos, por exemplo como a moeda acaba por se deteriorando seria possível manter a proporção de 100.000 por pessoa ?
    Ou mesmo que não a inflação seria suficientemente baixa ?

    Por que penso eu talvez até com coletas de assinatura isso talvez pudesse ser implementado. É só um exercício mental. Eu sei que politicamente seria fácil de conseguir apoio, pois é só dizer que dessa forma o governo não pode mais se endividar e gerar inflação.


    Pois veja que para confiscar (ou inutilizar) o ouro seria relativamente fácil (como já foi feito). O bitcoin também seria relativamente fácil para o governo tomar conta e é dependente da internet e outros problemas. Como forma de pagamento ou transferência é uma boa, mais como moeda acho que não funcionaria.
  • Pobre Paulista  30/10/2013 11:18
    Discorrendo sobre sua resposta:

    Gostaria de saber se existe algum economista que propõe uma anexação da taxa de crescimento à taxa de natalidade da população.

    Provavelmente sim, todo economista atual tem uma razão para expandir a base monetária.


    Apenas em uma situação hipotética vocês acham que seria uma boa solução

    Não. Leia o artigo citado, Rothbard explica o porquê.

    Imaginando talvez inocentemente que o governo não começasse a inventar nascimentos ou matar a população

    Isso nem mesmo seria necessário, bastaria alterar as estatísticas.

    Mas deu pra entender que nenhuma, absolutamente nenhuma regra criada pelo governo se aplica ao próprio governo. Sempre haveria uma maneira de burlá-la e expandir a base monetária como ele bem quisesse.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  30/10/2013 15:30
    O fato de a economia não ser destruída ou construída rapidamente é ótimo, pois faz com que as políticas destrutivas dos governos demorem a surtir efeito.(Bom para economia)

    O fato de a economia não ser destruída ou construída rapidamente é péssimo, pois faz com que as políticas destrutivas dos governos demorem a surtir efeito.(Bom para políticos)
  • Estrangeiro  31/10/2013 23:50
    Podem discutir o que quiserem, mas uma coisa é certa e não mudará: a matemática. 1+1=2 e 1-1=0. A diferença é óbvia, mas os comunistas fingem que não sabem. Nenhuma empresa ou país(que nada mais é do que uma grande empresa) consegue crescer através de subtração(impostos) de recursos. Para um país ser grande, deve acumular recursos e só gastá-los, se tiver certeza, que o gasto servirá para produzir mais recursos. O resto é apenas blá, blá, blá de comunista ladrão.
  • Edson Jr  02/11/2013 17:40
    Por qual motivo vocês criticam tanto o Comunismo? Ora, para haver Comunismo, o estado precisa estar ausente. Como atrelar o crescimento estatal com o Comunismo?
  • Guilherme  02/11/2013 18:00
    Comunismo é estado ausente?!

    É cada um...
  • Occam's Razor  02/11/2013 18:27
    E antes dele sumir é necessário que fique enoooorme. Yeah, that makes sense.
  • Edson Jr  02/11/2013 18:40
    Occam's Razor, se é ou não necessário ter um estado enorme, não sei. O que sei é que o Comunismo requer ausência do Estado. Logo, se o Estado se faz presente, o Comunismo não se aplica.
  • Leandro  02/11/2013 19:07
    Essa confusão do Edson é extremamente comum, e típica de quem leu Marx, mas não se deu ao trabalho de realmente pensar com mais profundidade naquilo que Marx estava dizendo.

    Tais pessoas acreditam que Marx realmente defendia o fim do estado, mas há um problema: a teoria defendida por Marx era sem pé nem cabeça. Ele dizia que, para abolir o estado, era necessário antes maximizá-lo. A ideia era que, quando tudo fosse do estado, não haveria mais um estado como entidade distinta da sociedade; se tudo se tornasse propriedade do estado, então não haveria mais um estado propriamente dito, pois sociedade e estado teriam virado a mesma coisa, uma só entidade -- e, assim, todos estariam livres do estado.

    Um raciocínio maravilhoso. E há quem veja lógica nele. Ou seja: se algum indivíduo dominar completamente tudo o que pertence a você, dominando inclusive seu corpo e seus pensamentos, então você estará completamente livre, pois não mais terá qualquer noção de liberdade -- afinal, é exatamente a ausência de qualquer noção de liberdade que o fará se sentir livre. Sensacional.

    Quem realmente vê alguma lógica nessa teoria marxista simplesmente não tem suas sinapses funcionando normalmente. Aliás, qualquer um que acredite que Marx defendia a abolição do estado está na realidade acreditando na lógica da teoria acima.
  • anônimo  02/11/2013 19:19
    Leandro, tem aparecido uma grande quantidade de novos leitores aqui no IMB recentemente. Talvez fosse interessante republicar alguns artigos sobre os pontos básicos da teoria austríaca e do anarco-capitalismo, ou quem sabe textos novos mas mais simples de serem entendidos por leigos.

    Abraços, e bom final de semana.
  • Catedrático  02/11/2013 19:33
    É apenas através da dor, do ódio e da completa submissão da vontade que o novo homem poderá surgir e dele, a sociedade comunista. Trata-se da dialética e não é possível escapar da revolução ou tentar inventá-la de outras formas, como cercar acres de terra e atentar o experimento almejado por Marx, pois do nada não é possível tomar os meios de produção; será apenas através do holocausto revolucionário e da tomada efetiva dos meios de produção já elaborados pelo capitalismo que o próximo homem surgirá: livre das amarras classistas que arderam nas chamas da revolução, uma sociedade de Platão.

  • Edson Jr  02/11/2013 19:37
    Leandro, obrigado pela sua atenção. Apenas levei em consideração a associação "Comunismo-Ausência de Estado". Não sou nenhum erudito, mas o processo do Socialismo para o Comunismo, em tese, envolvia o privilégio de burocratas, em detrimento aos trabalhadores? Minha pergunta se refere ao palpite de que, Socialismo e Comunismo jamais foram realmente aplicados.
  • Edson Jr  02/11/2013 19:47
    Leandro, gostaria de lhe fazer algumas perguntas sobre o Capitalismo (não as vi respondidas neste site). Posso?

    A primeira delas, permita-me o atrevimento:

    O Estado seria uma consequência do Capitalismo, como forma de preservar os privilégios de alguns?
  • Leandro  02/11/2013 21:30
    O capitalismo produz riquezas, e são as riquezas produzidas pelo capitalismo que dão sustentação a todo o aparato estatal. O estado, para se manter e operar, depende da contínua extração das riquezas produzidas pelo capitalismo. Sem o capitalismo, o estado mantém-se apenas pela força e pela repressão, como ocorre na Coréia do Norte e em Cuba.

    Agora, uma vez que o estado se apodera de boa parte das riquezas produzidas pelo capitalismo, torna-se extremamente vantajoso pertencer ao estado ou ter fortes ligações com pessoas que estão dentro do estado. Consequentemente, vários empresários preguiçosos e com fortes conexões políticas utilizam o estado para fazer com que parte desta riqueza abocanhada por ele seja utilizada em proveito deles próprios.

    Este tema, aliás, ao contrário do que você disse, é o mais onipresente neste site. Não se passa uma semana sem que ao menos um artigo sobre isso seja publicado. Recomendo este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1714
  • Edson Jr  02/11/2013 23:19
    Leandro, parece que concordamos que o Capitalismo antecede o Estado. De igual modo, também entendo o Capitalismo como capaz de gerar riquezas e o Estado como uma força de coerção. Essa correlação, no entanto, não descarta uma possível causalidade. É natural do Capitalismo haver acúmulo de capital por parte de alguns e, com isso, o desejo de conservar ou aumentar continuamente suas riquezas, atrelado ao temor da perda. Aqui começa o Estado e morre o Capitalismo.

    O Estado surge e se faz presente para a manutenção dos privilégios de alguns, em detrimento dos demais. Isso inclui prejuízo aos próprios defensores do capitalismo e de toda a sociedade.

    Sim, o tema realmente é debatido no site, mas parece haver confusão entre causa e efeito.
  • Leandro  02/11/2013 23:55
    "parece que concordamos que o Capitalismo antecede o Estado."

    É perfeitamente possível haver capitalismo sem estado. No entanto -- e esse é o ponto -- quando o capitalismo surgiu, o estado já existia há mais de mil anos. Discorrerei sobre isso mais abaixo.

    "De igual modo, também entendo o Capitalismo como capaz de gerar riquezas e o Estado como uma força de coerção."

    Correto.

    "Essa correlação, no entanto, não descarta uma possível causalidade."

    Vejamos.

    "É natural do Capitalismo haver acúmulo de capital por parte de alguns e, com isso, o desejo de conservar ou aumentar continuamente suas riquezas, atrelado ao temor da perda."

    Correto.

    "Aqui começa o Estado e morre o Capitalismo."

    Houve um enorme salto na lógica. Um sujeito ser rico e ter medo de perder seu conforto não gera, por si só, a criação de um estado. Esse sujeito teria de conseguir fazer com que todas as outras pessoas da sociedade consentissem com o surgimento de um aparato de coerção e compulsão que estivesse sob as ordens desse sujeito.

    Ele teria de chegar para as pessoas e dizer: "Ei, tive uma ideia brilhante. De agora em diante, haverá uma entidade que dará ordens a vocês, confiscará parte da sua renda, e terá o monopólio da coerção e da tomada suprema de decisões judiciais. Essa entidade será gerenciada por pessoas que são amigas minhas. O que acham dessa minha brilhante ideia?"

    Você realmente acha que tal agência seria criada?

    É por isso que, como dito acima, quando o capitalismo realmente surgiu, o estado já existia. Com o passar do tempo, alguns poderosos que haviam enriquecido no livre mercado simplesmente perceberam que, em vez de continuar suando e labutando para agradar os consumidores (e com isso manter sua riqueza), era muito mais prático fazer lobby e pedir a proteção do estado, desta forma aumentando sua riqueza de maneira muito mais tranquila e menos trabalhosa.

    "O Estado surge e se faz presente para a manutenção dos privilégios de alguns, em detrimento dos demais."

    O estado não surgiu para a manutenção dos privilégios. Ele já existia. Esse é o ponto.

    "Isso inclui prejuízo aos próprios defensores do capitalismo e de toda a sociedade."

    Correto.

    "Sim, o tema realmente é debatido no site, mas parece haver confusão entre causa e efeito."

    Parece que a confusão está com você. Não há nenhum problema de causa e efeito.
  • Edson Jr  03/11/2013 15:51
    O Capitalismo - nos moldes liberais - apenas existe onde o Estado se fizer ausente, mas tal configuração "Capitalismo-Ausência do Estado" não encontra eco na realidade. Nesse caso, embora possível no campo das ideias, não há como garantir o sucesso desse arranjo na prática.

    A formação do Estado e seu consequente caráter coercitivo, normalmente se dá por um processo lento e gradual. Alguns poucos que possuem elevado grau de acumulação de capital, naturalmente constroem todo um aparato repressivo, visando garantir a manutenção e o aumento de suas riquezas. Conflitos e guerras surgem entre os "mais fortes" até o ponto onde o confronto não compensa as perdas e acordos começam a ser estabelecidos. A criação do Estado se dá nesse contexto, como garantia de manutenção dos privilégios de poucos, mas o Capitalismo (no sentido de trocas livres e espontâneas entre pessoas) já morreu bem antes. Esse foi meu argumento, embora não tenha aplicado corretamente o termo Capitalismo.

    O Estado sempre serviu para manutenção de privilégios. É a razão de sua existência e crescimento. Preocupações sociais sempre foram secundárias, normalmente com o objetivo de iludir o povo para a manutenção do poder.
  • Edson Jr  03/11/2013 16:00
    Para quem estiver interessado em responder:

    O processo de do transição do Socialismo para o Comunismo, em tese, envolvia o privilégio de burocratas, em detrimento aos trabalhadores?
  • Emerson Luis, um Psicologo  07/11/2013 15:52
    A Venezuela pensa que não vai virar uma Cuba.

    A Argentina pensa que não vai virar uma Venezuela.

    O Brasil pensa que não vai virar uma Argentina.

    Será que não podíamos fazer um programa "Mais Líderes" e trazer a Angela Merkel e líderes de Hong Kong, Singapura, Austrália, Canadá, Chile, etc. para governar o Brasil?

    * * *
  • Pedro Ferreira  12/11/2013 13:59
    Sou portugues, e felizmente em Portugal embora tenhamos politicos corruptos e incompetentes como na América Latina, pelo menos estamos ancorados às instuições europeias que não nos deixam descambar economicamente e ideologicamente. Realmente tenho medo do que está a acontecer à América Latina, e da viragem à esquerda que o Brasil (país da minha mulher) está a dar à boleia do PT, e da Argentina, Venezuela e restantes países da América do Sul. A união socialista das republicas americanas vai quebrar mais cedo ou mais tarde, mas quem vão sofrer são as populações que cairam na conversa dos politicos mentirosos. Nós também já tivemos 15 anos de governação do nosso partido de esquerda, e fomos à falência em 2011, tendo agora cá o FMI...
  • Leandro  12/11/2013 14:11
    Prezado Pedro, vocês portugueses estão em uma situação muito melhor do que imaginam. Além de terem uma moeda forte e com alto poder de compra, vocês praticamente já se esqueceram do que é inflação. Adicionalmente, têm a liberdade de comprar produtos de todo o mundo pagando tarifas de importação baixíssimas.

    Para curar Portugal, falta liberalizar seu mercado de trabalho, acabar com o poder dos sindicatos e, principalmente, controlar seu governo perdulário e altamente tributador (restaurar a monarquia seria uma ótima).

    Quando estiverem em depressão por acharem que a situação econômica aí está ruim, é só ler notícias sobre a América Latina.
  • Pedro Ferreira  12/11/2013 15:50
    Pois eu sei disso, e finalmente agora que fomos resgatados pela União Europeia (principalmente através do dinheiro da Alemanha) por não nos sabermos governar, estamos a ser governados e reformados através dos outros (Alemanha e FMI), e aqui também ainda temos a válvula de escape que é circular dentro do espaço europeu e procurar trabalho na Alemanha, ou noutro pais europeu em melhor estado económico. E como existem paises com povos capazes e competentes na Europa, temos influencias positivas que não nos deixam descambar. A nossa sorte é que esta crise provou que o projeto europeu é mesmo para continuar e se aprofundar, quanto mais estivermos integrados a nivel economico, bancario e politico com o núcleo duro da UE melhor.

    Mas realmente é uma pena um pais tão grande e com tantos recursos naturais como o Brasil não conseguir ter um governo mais competente (e uma boa parte dos frutos que o PT e Lula colheram foram lançados pelo FHC), e com uma estratégia de longo prazo, tenho pena de ver a América Latina a descambar para o socialismo e o Brasil a ir atrás. Esperemos que as coisas mudem para a Argentina, Brasil e América Latina em geral. Para mim o legado do Sr. Hugo Chavez é ter sido o carrasco de pelo menos uma geração de cidadãos Latino-Americanos, algo que nem o Sr. Fidel Castro conseguiu.


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