clube   |   doar   |   idiomas
Isolamento, cultura, geografia e até mesmo geologia - e sua relação com a desigualdade

No século XX, dentre todas as explicações inventadas pelos intelectuais ocidentais para explicar as disparidades econômicas, educacionais e empreendedoriais dos indivíduos, duas se sobressaíram: nas primeiras décadas do século, dizia-se que a explicação estava no fato de haver diferenças raciais e inatas de destreza, talento e aptidão; já nas últimas décadas, dizia-se que a explicação estava na discriminação racial.

A maioria de nós consideraria ambas estas duas explicações ridículas.  No entanto, genes e discriminação eram as explicações predominantes para as diferenças entre brancos e negros oferecidas pelos intelectuais no século XX.

Em nenhuma dessas duas épocas a intelligentsia aceitava qualquer outra explicação.  Tais explicações não foram oferecidas como sendo apenas uma possibilidade dentre várias outras.  Não.  Elas foram fornecidas como sendo a verdade predominante, quando não exclusiva.  Em cada uma dessas épocas, os intelectuais estavam plenamente convencidos de que tinham a resposta correta, e rejeitavam e menosprezavam qualquer um que tentasse oferecer outras respostas.  Qualquer indivíduo que dissesse algo em contrário se arriscava a ser visto como um "sentimentalista", no início do século, ou como um "racista", no final do século. 

Desta dogmática insistência em uma teoria generalista surgiram aberrações como as quotas raciais e toda essa infinidade de processos judiciais por racismo que superlotam os tribunais atualmente.  Tudo se baseia na presunção de que diferenças nos êxitos pessoais entre pessoas de cores distintas é uma prova de que alguém prejudicou outra pessoa.

No início do século, a teoria de que o determinismo genético explicaria as diferenças nos êxitos pessoais e seria uma prova de que algumas raças são inferiores às outras levou à defesa de coisas como a segregação racial, a eugenia e, mais tarde, culminaria no Holocausto.  A teoria atualmente predominante — a de que algum tipo de maldade explica as diferenças nos níveis de realizações entre os vários grupos étnicos e raciais — nos trouxe a era dos privilégios e do vitimismo.

Em ambas as eras, as teorias predominantes amaciaram e lisonjearam os egos dos intelectuais — no primeiro caso, eles foram vistos como salvadores da raça humana; no segundo caso, como libertadores das vítimas do racismo.

Dentre as ignoradas explicações alternativas para os diferentes níveis de êxito pessoal e grupal estavam a geografia, a demografia e a cultura.

Por exemplo, pessoas com a desvantagem geográfica de viverem isoladas em vales montanhosos raramente — para não dizer nunca — produziram façanhas de nível internacional.  Elas raramente geraram algum avanço para a ciência, para a tecnologia ou até mesmo para a filosofia.  Muito pelo contrário: as pessoas de tais localidades invariavelmente ficaram para trás em termos de progresso em relação ao resto mundo — inclusive em relação às pessoas da mesma raça que viviam nas planícies logo abaixo.  Montanheses sempre foram conhecidos por sua pobreza e atraso em todos os países ao redor do mundo, especialmente no milênio anterior à criação dos modernos meios de transporte e de comunicação, os quais aliviaram seu isolamento.

Essas comunidades montanhesas não apenas eram isoladas do resto do mundo, como também eram isoladas umas das outras.  Mesmo quando, em uma linha reta, a distância entre elas não era significativa, elas eram separadas por terrenos extremamente acidentados e escarpados.

Como bem observou o ilustre historiador francês Fernand Braudel, "a vida na montanha era persistentemente mais atrasada em relação à vida da planície".  Um padrão de pobreza e atraso podia ser percebido das Montanhas Apalaches nos EUA às Montanhas Rife no Marrocos; dos Montes Pindo na Grécia às montanhas e planaltos do Sri-Lanka, de Taiwan, da Albânia e da Escócia.

Da mesma maneira, pessoas geograficamente isoladas em ilhas distantes ou pessoas isoladas por desertos ou por outras características geográficas raramente apresentaram — ou ao menos conseguiram imitar — os progressos da população continental.  Novamente, isso era especialmente notável antes de os modernos sistemas de transporte e comunicação terem-nas colocado em contato com o resto do mundo.

O atraso em relação às pessoas com um universo cultural mais amplo ocorria independentemente da raça das pessoas que viviam em localidades isoladas.  Por exemplo, quando os espanhóis descobriram as Ilhas Canárias no século XV, encontraram pessoas de raça caucasiana vivendo um nível de vida da idade da pedra.

Inversamente, pessoas urbanizadas quase sempre se mostraram na vanguarda do progresso, contribuindo muito mais para os avanços históricos da raça humana do que um número similar de pessoas dispersas pelas terras do interior — mesmo quando ambos os grupos eram da mesma raça.

Tão importante quanto o isolamento cultural, especificidades geográficas e geológicas são um fator igualmente importante, uma vez que nem todas as áreas geográficas são igualmente aptas à construção de grandes cidades.  Por exemplo, a esmagadora maioria das cidades foi construída sobre cursos d'água navegáveis — e não são todas as regiões do globo que possuem cursos d'água navegáveis.  Até mesmo a ausência de transporte animal fazia diferença.  Esta era a situação do hemisfério ocidental quando os europeus chegaram e trouxeram cavalos, animais desconhecidos pelos nativos da região.

Assim como é criado pela natureza, o isolamento também pode ser criado artificialmente pelo homem.  No século XV, quando a China era a nação mais avançada do mundo, seus líderes decidiram isolar o país em relação aos outros povos, todos eles considerados meros bárbaros.  Após alguns séculos de isolamento, a China se surpreendeu negativamente ao ver sua liderança ser sobrepujada por outros povos, chegando em alguns casos a ficar à mercê deles.  O Japão cometeu o mesmo erro no século XVII.

Em alguns casos, o isolamento se deve a uma cultura que resiste obstinadamente a absorver traços de outras culturas.  O Oriente Médio, por exemplo, já foi mais avançado que a Europa.  Porém, ao passo que os europeus aprenderam bastante com o Oriente Médio, os árabes não tiveram o mesmo interesse em aprender com os europeus.  A quantidade de livros que a Espanha traduzia do arábico em apenas um ano era maior do que a quantidade de livros que os árabes verteram para o arábico em mil anos.

A demografia também é outra característica crucial.  Dentre os vários motivos para os diferentes níveis de avanços e conquistas está algo tão simples quanto a idade.  A média de idade na Alemanha e no Japão é de mais de 40 anos, ao passo que a média de idade no Afeganistão e no Iêmen é de menos de 20 anos.  Mesmo que as pessoas destes quatro países tivessem absolutamente o mesmo potencial intelectual, o mesmo histórico, a mesma cultura — e os países apresentassem rigorosamente as mesmas características geográficas —, o fato de que as pessoas de determinados países possuem 20 anos a mais de experiência do que as pessoas de outros países ainda seria o suficiente para fazer com que resultados econômicos e pessoais idênticos sejam virtualmente impossíveis.

Ao se analisar os êxitos econômicos dos diferentes povos e das diferentes raças, é possível constatar várias diferenças que não têm nada a ver com genes ou com discriminação, mas sim com questões culturais, geográficas e demográficas.  No entanto, é muito mais trabalhoso examinar estes fatores e suas complexas interações do que simplesmente ser um oportunista e se agarrar à teoria predominante da época, e então se auto-congratular por ser um protetor dos oprimidos.

________________________

Leia também: Intelectuais e raça - o estrago incorrigível


0 votos

autor

Thomas Sowell
, um dos mais influentes economistas americanos, é membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford.  Seu website: www.tsowell.com.



  • Andre  20/08/2013 14:18
    Muito interessantes esses fatores.

    Levando todos em consideração aposto que os asiáticos, tirando os comunistas chineses, é que irão progredir mais.
    Veremos se minha hipótese se confirma, afinal de contas não dá pra prever o futuro e eu posso ter ignorados fatores que anulam esses.
  • Emerson Luis, um Psicologo  20/08/2013 14:31
    Thomas Sowell consegue ser simples e profundo, cativante e racional ao mesmo tempo!

    (Para quem não conhece, ele é negro e nasceu pobre)

    * * *
  • Jorge Anderson Furmanski  24/10/2014 22:15
    Ele é realmente um dos melhores

    ele e Mises mudaram minha forma de enxergar o mundo.
  • Ynes  30/01/2016 15:29
    Realmente. Que Deus continue abençoando esse grande homem.
  • Daniel J.  20/08/2013 14:39
    Como sempre, Sowell acerta o alvo e desfaz a mistica politicamente correta.
    Eu, no caso desse artigo, tive uma duvida: como a Suíça, um país extremamente montanhoso, adquiriu um nível de qualidade de vida tao elevado, e sempre se isolando ( não aderiu a UE, ao EURO, faz questão de se manter "neutra" quanto a politica etc)?
    Não digo que Sowell esteja errado, só quero mesmo entender um pouco mais desse país tão pequeno, isolado e notável na qualidade de vida que seus cidadãoes desfrutam, mesmo tendo um territorio pequeno e uns 3 meses por ano soterrados em neve.
  • Leandro  20/08/2013 14:53
    Isolar-se de pactos políticos e burocráticos nada tem a ver com isolar-se culturalmente de tudo e todos. A Suíça fez o primeiro (e muito corretamente), mas nunca sequer chegou perto de fazer o segundo.

    De resto, trata-se de um país que sempre foi extremamente aberto ao comércio internacional, absorvendo dele tecnologia para fazer suas fantásticas obras de infraestrutura, que serviram justamente para interligar os pontos isolados do país. (No caso da Suíça, tenho o privilégio de falar com conhecimento de causa, pois já rodei boa parte do país de carro. Sua infraestrutura -- com trens que passam dentro de túneis rochosos de mais de 20km de extensão, transportando carros e interligando duas regiões completamente isoladas -- é estupefaciente).
  • Bruno D  20/08/2013 17:12
    Além disso Leandro,

    Os povos Helvécitos eram conhecidos por suas habilidade em produzir joias e ferramentas finas, isso já em 500 a.c. não eram selvagens e eram mais dados ao comércio e mercantilismo do que a atividade bélica. Para chegar a esse nível deve-se a um alto grau de intercambio.

    Att
  • Daniel  20/08/2013 18:46
    Excelente o texto!

    Apenas uma dúvida, na linha da apresentada sobre a Suiça: o que explica o povo inca, que viveu nos Andes, ter se sobressaído frente aos demais povos sul americanos?
  • anônimo  20/08/2013 21:37
    Talvez o alto contingente populacional num pequeno espaço tenha forçado eles a novos métodos de organização social (Hoppe), e como consequência de uma nova sociedade nascente, a necessidade de infra-estrutura tenha interligado pontos anteriormente de pouco contato, indo contra o isolacionismo (Sowell), ainda que este tenha sido, em muito usado sobretudo para conquista, era algo que as tribos mais primitivas não dispunham.
  • Renato Souza  25/08/2013 14:39
    O fator geográfico deve ser entendido de forma mais ampla. Quando se fala em ilhas, é diferente a situação de uma pequena ilha isolada, de uma ilha que está numa rota comercial importante. Veja o caso da civilização micênica. Quanto à topografia, o mesmo acontece. A Suíça, situada entre Alemanha, Itália e França (três regiões economicamente e culturalmente importantes, se abria comercialmente e culturalmente ao exterior. Eles tiveram a vantagem defensiva de um terreno acidentado, mas rejeitaram o isolamento cultural.

    Quando estava lendo o artigo, imaginei que Sowell iria bater forte na questão do isolamento cultural e econômico auto-infligido das "minorias" norte-americanas. Penso que ele quis deixar isso sugerido, mas não são todas as pessoas que perceberão. Os guetos de negros, parecem ser a expressão física de um gueto espiritual, estimulado pela pregação esquerdista. A "comunidade" de brasileiros, segundo informações que tenho, também sofre desse vício a ponto de odiarem o país onde estão. E quanto aos árabes americanos, muitos deles tomam o país onde estão como seu inimigo. Os mexicanos, em muitos casos, são mais refratários a essa mentalidade de gueto, e muitos deles procuram se integrar. Os povos que emigraram em décadas anteriores para os EUA (escoceses, irlandeses, suecos, italianos, judeus, russos, alemães, chineses) geralmente buscaram aprender com a cultura de seu novo país, mesmo naqueles casos em que mantiveram importantes traços de sua cultura original (como judeus, italianos, irlandeses e chineses).
  • Matheus  26/08/2013 04:03
    Há enorme auto-isolamento cultural por parte dos chineses e outros asiáticos, mas eles são muito mais aceitos na sociedade americana que mexicanos e negros. E olha que esses dois grupos influenciaram/influenciam a cultura de lá (comida mexicana, rock, etc.), fora o fato de compartilharem vários valores ocidentais. Por isso creio que auto-isolamento, embora aconteça, não é gratuito e a questão da etnia tem sua contribuição. Afinal, tem muito vovozinho negro com a memória fresca do que precisou enfrentar só pra andar de ônibus e ir pra escola. Felizmente, hoje os negros estão bem mais integrados na sociedade americana: o sotaque, os empregos, as roupas... Agora é só cuidar para que os netos daqueles vovozinhos não caiam na cilada do revanchismo. Afinal, quem bate esquece fácil, mas quem apanha...
  • Renato Souza  26/08/2013 17:52
    Creio que a resposta está no que aproveitar das outras culturas e no que manter da sua própria.

    Chineses, e muitos povos asiáticos, tem certas características culturais interessantes, que muitos deles mantiveram ao mudar para os EUA: Tendência à poupança, respeito pelos mais velhos, cultura de trabalho duro, busca do estudo.

    Quanto aos grupos que você citou (mexicanos e negros) muitos mexicanos tendem a trabalhar bastante e poupar (principalmente aquelesw que mandam dinheiro para suas famílias no México).

    Eu diria que os negros acabaram absorvendo vários aspectos ruins da cultura branca, e mantiveram alguns aspectos ruins de sua cultura. Eles haviam sido escravos, e escravos aprendem a serem dependentes das decisões de outros. Após o fim das leis de segregação, os "progressistas", sentiram que não poderiam deixar os negros se desenvolverem livremente, porque deixariam de ser massa de manobra para eles, os "progressistas". Então, passaram a estimular esse aspecto ruim da cultura negra (a falta de senso de independência). Isso é ótimo para as esquerdas, pois os negros, imbuídos dessa mentalidade de dependência em relação ao estado (seu novo "amo" no lugar dos antigos donos de escravos) sabotam-se a si mesmos, deixando de atingir o nível econômico e social que atingiriam de outra forma. Assim, basta aos esquerdistas atribuírem essa falta de progresso de grande parte dos negros a eventos antigos (escravidão e leis de segregação), e oferecerem como "solução" o aumento da dependência do estado.

    Finalmente, sobre as leis de segregação, elas eram típicas de uma parte dos estados, principalmente no sudeste e centro-sul do país. Não há nenhum "vovozinho" que vivesse em outras partes do pais que tenha passado por essa experiência.
  • Mr Citan  29/01/2016 19:10
    Renato Souza , soberbo o seu raciocínio. Parabéns.
  • Nobre  29/01/2016 20:45
    Breve e fantástico raciocínio. Grande comunidade, excelentes artigos, excelentes comentários. Insights, pessoas respeitosas e bem articuladas.
    Sinto falta de um conteúdo audio-visual. Seria fundamental para atingir maior público.

    Uma pergunta:
    Os administradores do site/instituto publicam alguma "prestação de contas" para com os doadores?

    Ideias, Liberdade, Ação...
  • Andre  29/01/2016 16:09
    Os grandes centros populacionais da Suiça se encontram em planaltos.
  • ErnBorg  14/02/2016 04:52
    A Suíça passou boa parte do século 20 tirando pobres de circulação ao roubar, seqüestrar crianças cujos pais e famílias o estado suíço considerava incapazes de cuidar delas, e depois alugando-as para trabalho escravo.

    Também praticaram esterilizações e abortos forçados, além de perseguição estatal contra mães solteiras.

    A prosperidade da Suíça esconde segredos sujos e práticas desumanas, que até hoje o estado suíço se recusa a reconhecer ou reparar.

    oglobo.globo.com/opiniao/uma-infamia-no-passado-da-suica-14566231
  • Andre  17/02/2016 15:33
    "A Suíça passou boa parte do século 20 tirando pobres de circulação ao roubar, seqüestrar crianças cujos pais e famílias o estado suíço considerava incapazes de cuidar delas, e depois alugando-as para trabalho escravo.

    Também praticaram esterilizações e abortos forçados, além de perseguição estatal contra mães solteiras.".

    Mais uma demonstração de que o estado causa sofrimento às pessoas.

    "A prosperidade da Suíça esconde segredos sujos e práticas desumanas, que até hoje o estado suíço se recusa a reconhecer ou reparar.

    oglobo.globo.com/opiniao/uma-infamia-no-passado-da-suica-14566231".

    Não faz o menor sentido afirmar que a "prosperidade da Suíça esconde segredos sujos e práticas desumanas", como se uma coisa tivesse a ver com a outra.

    Quem esconde essas práticas do estado Suíço são os estatistas Suíços.

    Certamente a Suíça poderia ser MAIS RICA se tais práticas não tivesse ocorrido.
  • anônimo  17/02/2016 18:48
    Página não encontrada.
    Favor definir 'perseguição às mães solteiras'
  • Henrique Simoes  20/08/2013 15:38
    Excelente artigo. A beleza da razão é facilmente verificável. Parabéns, Leandro, por mais essa tradução. Abs
  • Luís Filippe Serpe  20/08/2013 16:29
    Gostaria de indicar o livro "Guns, Germs and Steel", do Jared Diamond. Este livro, com tradução em português, trata justamente deste assunto. Ele explica, em termos geográficos e de disponibilidade de recursos, de que maneira os diferentes povos evoluíram ao longo da história. Talvez não sejam fatores determinísticos, mas ajudam a compreender as diferenças em evolução das civilizações, desde os primórdios da história registrada. O título do livro se refere aos três principais fatores que levam um povo a exercer domínio sobre outros: as armas (guns), representando a força militar; os germes (germs), representando as doenças infecciosas; e por fim o aço (steel) representando a tecnologia superior.

  • anônimo  20/08/2013 16:52
    Parece um tanto redundante, já que uma arma É uma tecnologia.
    E germes só fazem diferença em povos muito primitivos, como os índios americanos quando do primeiro contato com o europeu.
  • Hueber  21/08/2013 00:15
    "E germes só fazem diferença em povos muito primitivos, como os índios americanos quando do primeiro contato com o europeu." Bem, esse é justamente um dos pontos do livro. Se não tiver paciência tem um documentário no youtube com o mesmo nome do livro.
  • Luis Filippe Serpe  20/08/2013 17:35
    Sim, a arma é uma tecnologia, mas não é só a tecnologia, como sabemos. A força militar vai além de apenas tecnologia bélica. O que o autor quis dizer é que esse conjunto de fatores que compreende a força militar decorre das vantagens iniciais de desenvolvimento, permitindo que eles se expandam, e, quando por fim caírem, deixem um legado.
    A tecnologia exerce uma força poderosa. Mas em impérios antigos, a força bélica, como conquistadora, influenciou para que o sistema de civilização se expandisse e continuasse a longo prazo.

    Quanto aos germes, permitiram um domínio importante, devido à dizimação de populações isoladas que não tinham anticorpos, obviamente. Mas é importante frisar que foi o principal fator de extermínio em algumas regiões. Não tem a ver com povos primitivos, mas com povos sem convivências com os germes, a meu ver.
  • júlio cesar  20/08/2013 20:58
    sem sair do assunto que e muito bom por sinal, pois se trata de uma forma muito interessante de explicar as diferenças entre os povos, alias nunca parei para pensar desta forma quanto a isso prova de que se trata de um artigo muito útil, porem fica uma pergunta: como se explica as desigualdades dentro do pais? claro que a varias explicações para este fenômeno porem queria uma se possível bem próxima do exposto acima.
  • gabriel  20/08/2013 21:53
    Não tem a ver com o texto, mas não pude deixar de compartilhar este vídeo.
    É interessante ver essa 'entrevista'

    www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Cg4PE5KxV5Q
  • Augustine  24/08/2013 20:28
    Acredito também haver outra forma de isolamento que exila muitos da prosperidade econômica: o isolamento cultural. Isto é evidente nos EUA, mas também é possível discerní-lo no Brasil.

    Nos EUA, não só negros tendem a viver em certos bairros, como se cercam apenas de expressões artísticas que lhes é particular (e.g., rap). Mas não há apenas o auto-isolamento cultural, mas também aquele que a intelligentsia lhes impõe, afirmando sua linguagem de gueto que não é entendida pela maioria da população.

    Mas não só os negros, pois os hispânicos nos EUA também são vítimas da intelligentsia quando esta finge que os afirma os educando em espanhol, mas na verdade os mantém na pobreza por crescerem sem aprender a língua do comércio e da indústria, o inglês.

    No Brasil, graças à administrações petralhas consecutivas, se está seguindo o mesmo modelo, como se viu no caso de se tentar ensinar o "lulês" ao invés do português às crianças no ensino primário. Alguém que assim falasse jamais galgaria lideranças produtivas na economia, mas apenas lideranças parasitárias, como líder sindical ou presidente.

    Ou seja, há, sim, várias maneiras de condenar frações significativas de uma população à pobreza, tanto auto-impostas como impostas pela intelligentsia.
  • anônimo  29/01/2016 16:43
    Associou a política (cultural) da "intelligentsia americana" ao Lulopetismo?
  • cmr  29/01/2016 20:07
    ...mas na verdade os mantém na pobreza por crescerem sem aprender a língua do comércio e da indústria, o inglês.

    Essa inteligentsia está muito burra ao ensinar só espanhol para os latinos, como consequência nos EUA se fala cada vez menos inglês e mais espanhol, em breve o espanhol será um/o idioma usado de facto nos EUA.
  • genesis  19/11/2014 21:03
    O único problema do Brasil é a cultura.
  • Viking  29/01/2016 14:32
    Muito bom artigo, como sempre!
  • Andre Cavalcante  29/01/2016 15:43
    Gostei,

    Mas valeria a pena uma análise bem ampla do Brasil.

    Geografia:
    - conta com os maiores e melhores rios navegáveis do planeta;
    - uma das maiores costas marítimas;
    - grande área de planície (isolada, em princípio, interligada, hoje);
    - grande área de planalto (não dá pra dizer que seja uma coisa de outro mundo fazer uma estrada nos terrenos do Brasil);
    - terremos bastante férteis (mesmo na floresta)
    - ritmo de chuvas/dos rios/marés conhecido;
    - não temos grandes problemas com ventos;
    - não temos grandes problemas com terremotos;

    Raças:
    - branca: de muitos países: portugueses, espanhóis, ingleses, italianos, alemães, holandeses, etc.
    - amarela: índios de várias etnias; asiáticos, da china;
    - preta: vindos da áfrica;
    - parda: árabes também vieram prá cá, em menor número;
    - o brasileiro é um mestiço, no final das contas.

    Demografia:
    - somos ainda uma nação "jovem", mas tá envelhecendo...
    - 200.000.000 de habitantes


    E agora, como explicar que no Brasil nunca houve um desenvolvimento genuíno? Sugestão: cultura!


    Cultura:
    - Veja-se: Pare de acreditar no governo: Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o Estado

    A gente parece que mesclou o ruim das raças que nos formaram. Parece que só ficamos com o orgulho do branco, o vitimismo do negro, a pequenez do asiático e o atraso do índio... Agora, imagina se tivéssemos pego o pragmatismo europeu, o trabalho asiático, a visão do todo de indígenas, a força de negros...

    Cultura, cultura, cultura...

    Abraços

  • Curioso  29/01/2016 17:05
    "E agora, como explicar que no Brasil nunca houve um desenvolvimento genuíno? Sugestão: cultura!"

    Eu iria um pouco além, e diria a geografia.

    Você mesmo listou como o Brasil é rico e fértil, e nada é pior para o desenvolvimento de um ser humano do que ter tudo que precisa de mão beijada.
  • Rodrigo Amado  29/01/2016 17:17
    "Você mesmo listou como o Brasil é rico e fértil, e nada é pior para o desenvolvimento de um ser humano do que ter tudo que precisa de mão beijada.".

    Exatamente, as pessoas ficam mimadas.

    Isso inclusive é uma teoria que muitos já propuseram para explicar porque geralmente (há exceções, mas a tendência é essa) os países com longos e rigorosos invernos com muita neve serem mais desenvolvidos.
  • Tannhauser  29/01/2016 18:06
    Não dá para pegar o Brasil inteiro e concluir que nunca se desenvolveu.

    O melhor é pegar regiões menores, estados, podendo dividir alguns e fundir outros. O país é muito diverso para colocarmos tudo na mesma cesta. Tem regiões que deram certo, outras não.

    O Brasil é a união de varíos Estados menores, razoavelmente independentes e autônomos. Atualmente está sob a jurisdição de um governo centralizador, mas nem sempre foi assim e nem sempre será.




  • Mr. Magoo  29/01/2016 18:11
    Quando se trata de prosperidade têm poucas coisas mais perigosas de que herdar uma fortuna ou ter abundantes reservas naturais.
    No lugar de fabricar ou inventar coisas ou prestar serviços úteis, uma economia rica em matérias primas, tende a vender a si mesma em grandes volumes.
    Quando as matérias primas estão em alta, mineradores, agricultores, pecuaristas, vivem vida de rei, mas quando desabam toda a economia desaba com elas.
  • Andre Cavalcante  29/01/2016 20:02
    Olá Rodrigo Amado 29/01/2016 17:17:42,

    "Isso inclusive é uma teoria que muitos já propuseram para explicar porque geralmente (há exceções, mas a tendência é essa) os países com longos e rigorosos invernos com muita neve serem mais desenvolvidos."

    Discutível.

    A Europa era virtualmente um deserto gélido até por volta de 600 a.C. quando o ser humano já tinha como fazer fogo melhor, melhor roupas, melhor tecnologia, ferro, bronze etc. Só passou a se desenvolver depois disso. Antes, somente eram desenvolvidas regiões mais ao sul, e mais quentes, como o vale do Nilo ou o encontro dos rios Trigres e Eufrates. Aliás muitos historiadores falam exatamente o contrário desta sua afirmação, isto é, que o clima do Egito e as cheias do Nilo, por serem muito mais previsíveis é que permitiram o florescimento da "civilização".

    Mais tarde, só o domínio da navegação em águas relativamente calmas do Mediterrâneo (que conta com portos muito próximos, menos de 1 dia de viagem mesmo a vela) é onde se pode desenvolver aquele continente.

    Alemanha, Holanda etc. só se desenvolveram quase que com a revolução industrial e o uso maciço de energia, justamente para se sobrepor ao inverno.

  • Anderson S  29/01/2016 18:17
    Pois é, cultura.

    Falta cultura de leitura, falta cultura de foco, falta cultura de sucesso genuíno. Enfim...

    Contarei rapidamente um pouco do que já vi no Brasil.

    Eu nasci num lar bem estruturado, com pais atentos e preparados para instruir-me em diversas coisas. Desde cedo vi os meus pais lendo livros diariamente como se fosse uma atividade tão habitual como alimentar-se, banhar-se e vestir-se e etc; e eles não apenas os liam como também comentava sobre os conteúdos. As conversas, por exemplo, eram em boa linguagem (não nessa gíria medonha que presenciamos em tempos recentes) sempre utilizando-se das próclises, ênclises e até mesóclises.

    Quando fui à escola, percebi logo a diferença em modos de estudar e de como viver sem estudar, por parte dos alunos. Muitos se queixavam, no ensino fundamental e ensino médio, do quão difícil era estudar, quando não até mesmo compreender o que estava escrito nos livros; claro, eu não os entendia porque não sentia as mesmas dificuldades. Porém, hoje em dia eu consigo entendê-los, faltava-lhes cultura de estudo! Não dava para eles gostarem e levarem os estudos a sério, pois não se sentiam habituados a tal coisa, não lhes era natural.
  • Ynes  30/01/2016 19:23
    A maior parte dessa culpa é do papai Getúlio Vargas.
  • Augustine  01/02/2016 03:03
    A bem da verdade, a geografia do Brasil é o problema: https://www.stratfor.com/sample/analysis/geopolitics-brazil-emergent-powers-struggle-geography

    TLDR: a tragédia de tantos rios navegáveis cruzando zonas produtivas, mas que não desagüam no oceano, mas em rios que desembocam em portos estrangeiros.
  • fabio reis  29/01/2016 18:50
    o unico problema do brasil é a aversao ao esforco , trabalho e meritocracia.

    enquanto outros povos em condicoes muito diferentes da nossa avancam , nos regredimos.

    Basta dizer q NAO tivemos guerras como Alemanha e olha a posicao dos dois paises em relacao a Educacao , PIB e IDH.




  • Tarantino  30/01/2016 03:37
    O Brasil não vai pra frente porque o povo daqui é sem vergonha.

    Simples assim.
  • Carlos Lima  01/02/2016 14:12
    taí, gostei. de maneira curta e grossa o tarantino foi direto ao ponto. resumiu a esculhambação reinante em poucas palavras e não perdeu tempo procurando explicar o retumbante fracasso da sub-raça brasileira. com certeza somos uns sem vergonha. e paralelamente podemos constatar também que nosso povo é burro, covarde, preguiçoso e ladrão, pelo menos em sua esmagadora maioria. pronto. as explicações metafísicas passam a ser desnecessárias. falou pouco e bom, e por isso está de parabéns. valeu tarantino.
  • corsario90  31/01/2016 13:35
    As Cotas Raciais são um Fratricídio para qualquer raça, pois estimula a preguiça e elimina a ação humana individual, motora da genuína independência do ser humano!
  • Marcelo SImoes Nunes  01/02/2016 00:40
    Depois do desgoverno de PT, o Brasil vai levar uns trinta anos para retornar ao estado em que se encontrava antes do péssimo exemplo do Molusco
  • anônimo  01/02/2016 02:47
    e essa reportagem?

    www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160131_segredo_alemanha_economia_ab?ocid=socialflow_facebook

    oq o pessoal aqui acha?
  • Leandro  01/02/2016 12:07
    Vira e mexe algum iluminado redescobre a Alemanha e começa a falar sobre suas virtudes (isso ocorre com mais frequência quando todos os outros arranjos social-democratas estão indo para a latrina).

    Curiosamente, ninguém -- absolutamente ninguém -- fala sobre aquela virtude que foi exclusiva do país no pós-guerra, e que foi a responsável direta por sua modernização: a moeda mais forte e mais estável do mundo (superando inclusive o franco suíço).

    A moeda forte, que gerou uma inflação de preços ínfima, levou à robustez do setor industrial e ao alto padrão de vida dos alemães. Não fosse a moeda forte, a indústria alemã não teria nem sequer renascido, quanto mais prosperado.

    Para a felicidade dos alemães, seus governantes não deram ouvidos a economistas pós-keynesianos que diziam que dizimar o poder de compra da população é algo bom para a economia.

    Os alemães sempre entenderam que, no mundo globalizado em que vivemos, para você ser um bom exportador você tem de ser, antes de tudo, um grande importador. Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, você tem de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo. E também tem de comprar, continuamente, peças de reposição.

    Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem — e irão aumentar —, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional. E os alemães sempre souberam disso.

    Coisas como "economia social de mercado" e sindicatos compreensivos e patrões bonzinhos "que coordenam salário e produtividade com o objetivo obter um aumento real dos rendimentos dos funcionários, além de manter os postos de trabalho" não seriam possíveis sem uma moeda forte e estável.

    Dêem-me uma moeda forte e estável, e eu aceito a economia alemã a qualquer momento.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2175
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1419
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1898
  • Andre  04/02/2016 10:43
    Artigo veiculado pelo Mises que para variar "abriu" mais ainda minha cabeça e me tornou menos estúpido, mas fiquei com algumas dúvidas e as principais seguem abaixo:

    1) Como num mesmo país raças diferentes se destacam de formas diferentes? Lendo o trecho a seguir concluo que o autor crê sim na raça como sendo um dos fatores dessa diferenciação, mas ele não quis entrar nessa discussão.
    "...Ao se analisar os êxitos econômicos dos diferentes povos e das diferentes raças, é possível constatar várias diferenças que não têm nada a ver com genes ou com discriminação..."
    Ou seja, várias diferenças não tem a ver com genes, mas deixa subentendido que algumas tem.

    2) A recente abertura imigracionista da Alemanha tem como objetivo justamente derrubar "barreiras"? (concordo com a ideia do autor que quanto menos barreiras um país possui, mais avançado ele será)
  • Rodrigo Amado  04/02/2016 12:11
    "Ou seja, várias diferenças não tem a ver com genes, mas deixa subentendido que algumas tem.".

    Não somos todos clones.
    Logo os genes devem ser levados em consideração.

    "A recente abertura imigracionista da Alemanha tem como objetivo justamente derrubar "barreiras"? (concordo com a ideia do autor que quanto menos barreiras um país possui, mais avançado ele será)".

    Não acho que derrubar uma barreira que impede pessoas menos civilizadas de entrarem em um país vá ajudar o país à se tornar melhor, considerando que "mais civilizado" = "melhor".

    De qualquer forma para espantar os não civilizados não é preciso erguer barreiras, basta cortar o Welfare State que a maioria deles vai fugir como se suas vidas estivessem sendo ameaçadas.
  • Giovana Depicoli  07/04/2016 14:47
    Não acredito que brasileiro seja um povo preguiçoso, trapaceiro nem nada disso. Existem pessoas boas e ruins em todos os lugares, a questão para o Brasil, acredito eu, venha do fato de SEMPRE ter havido grande presença do Estado na vida dos brasileiros. Desde a nossa colonização, mesmo tendo terras férteis, rios navegáveis, entre outras coisas, nunca tivemos liberdade de comércio interno, trocas internas, liberdade civil. Diferente dos EUA em que o norte era um povo livre, um Estado praticamente nulo, a sociedade não era estamental como no Brasil desde seus primórdios (donos de terras ou escravos), lá todos eram de certa maneira comerciantes, pessoas que trocavam livremente o que produziam, logo geraram riqueza e prosperaram. Assim como a Europa antes dos Estados se agigantarem e se meterem nas trocas comerciais, gerando guerras econômicas entre nações e exploração econômica. No Brasil SEMPRE houve um planejamento central voltado para atender interesses bem definidos de quem compunha o Estado. Começou com o pau-brasil, depois a cana-de-açúcar, o breve período da mineração de ouro e diamante (que de certa forma criou mecanismos capazes de gerar um "livre" comercio interno entre as regiões) e depois o ciclo do café. O Estado sempre esteve fortemente ligado a economia brasileira, planejando-a a bel prazer. Nunca fomos livres e capazes de nos desenvolvemos através de trocas livres. E quando nossa moeda se valoriza um pouco para conseguirmos ter "contato" com produtos internacionais, vem o governo e taxa esses produtos a um valor absurdo, com a desculpa de que devemos ajudar a desenvolver a "nossa indústria nacional", balela, somos hiper protecionista e ainda não desenvolvemos nada, só exportamos commodities e enriquecemos os fanfarrões protegidos pelo Estado... Basicamente continuamos "escravos" do Estado e de quem controla ele com seus interesses, sempre seremos o país das commodities, da indústria atrasada, dos privilégios e dos analfabetos funcionais, formados pelo sistema educacional, para defender um Estado que os sangra todos os dias.
  • Diego Montenegro  23/04/2018 19:04
    Sou Geógrafo e sei a importância que o espaço geográfico tem para o desenvolvimento de uma nação. Acredito que o fator "espacial" não seja DETERMINANTE para o sucesso ou fracasso, mas que esse fator espacial, juntamente com as ações do estado é que vão resultar em algo.
    O terreno é um fator importante, sem dúvidas, mas com a política correta esse isolamento geográfico pode ser rompido. Interessante a discussão do artigo.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.