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Uma radiografia do crédito bancário no Brasil

"Mercado reduz previsão de crescimento do PIB pela 9ª semana consecutiva", estamparam as manchetes dos jornais brasileiros nos últimos dias. Na semana anterior, o Banco Central já trazia péssimas notícias ao divulgar seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que registrou queda de 1,4% em maio. Enquanto a economia do país patina, os analistas revisam suas projeções de crescimento econômico para 2013 e 2014. E o inferno astral da presidente Dilma parece não ter fim.

Dentre as muitas respostas possíveis aos problemas de nossa economia, uma das favoritas do atual governo foi — e tem sido — o crédito bancário. Em especial desde a crise de 2008, o governo petista lançou mão de medidas de estímulo ao crédito de forma consistente (e insistente) nestes últimos anos.

Despertou o monstro do BNDES, usou e abusou da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco do Brasil e implorou aos bancos privados que abrissem a torneira do crédito. Enquanto ordenava os bancos públicos a reduzirem os juros, buscava de todas as formas possíveis convencer os privados a aderir à farra.

Passados quase cinco anos desde o estouro da crise financeira, é preciso tirar uma radiografia do crédito bancário no Brasil. Antecipando a conclusão, estamos nos acercando mais da China comunista do que qualquer economia de livre mercado.

Confirmação da tendência

Este artigo pode ser visto como uma sequência de outro que escrevi no ano passado sobre a "reestatização do crédito" no Brasil (recomendo a leitura deste e deste artigo também). Naquele momento, alertava sobre a tendência preocupante do direcionamento do crédito, cada vez mais nas mãos do estado.

A verdade é que, após o fim do PROES (Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária), a concessão do crédito ficou majoritariamente a cargo do setor financeiro privado (veja gráfico abaixo). E, em larga escala, assim permaneceu até 2008, ano da fatídica crise mundial.

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Fonte: O Ponto Base, BACEN.

A guinada do crédito por bancos oficiais (os bancos controlados direta ou indiretamente pelo governo) a partir de 2009, entretanto, elevou a participação estatal na canalização dos recursos financeiros na economia. Com a exceção de 2010 — ano da festança creditícia e do PIB robusto —, os bancos públicos têm mantido taxas de crescimento na concessão de empréstimos muito superiores às dos bancos privados.

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Crescimento do Crédito ao ano (%). Fonte: O Ponto Base, BACEN.

Ao passo que os bancos privados expandem suas carteiras de crédito ao redor de 6% ao ano, as instituições oficiais ganham mercado em ritmo acelerado, turbinando suas carteiras em quase 30% a.a. A insistente política de redução de juros e de estímulo ao crédito resultou, simplesmente, em uma maior presença do estado no sistema financeiro nacional (SFN). Quando essa tendência foi verificada no ano passado, os bancos públicos detinham cerca de 44% do crédito total do país. Findo o primeiro semestre de 2013, o governo agora responde por quase a metade de todo o crédito do SFN.

Para efeito de comparação, na China comunista, os bancos estatais são responsáveis por 55% do crédito bancário. Nem precisamos recordar um dos pilares do Manifesto Comunista: "Centralização do crédito nas mãos do Estado". É nessa direção que caminha nossa economia.

Os rumos dos recursos

E para onde está sendo canalizado o crédito bancário? Analisando o crescimento anual do saldo de crédito por atividade econômica, é possível identificar algumas tendências interessantes. Apesar de estarem perdendo levemente seu ímpeto, os empréstimos imobiliários seguem aumentando a taxas anuais acima de 30%.

O rural vem crescendo significativamente, enquanto o crédito direcionado à indústria se mantém com incremento ao redor de 10% ao ano. O destaque fica com o crédito concedido ao setor público, isto é, empréstimos a governos federal e estaduais e empresas estatais. É claro que somente os bancos públicos estão surfando essa onda. Banqueiro privado nenhum quer correr esse risco.

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Crescimento do Crédito ao ano (%). Fonte: O Ponto Base, BACEN.

Em apenas um ano, o setor público contraiu mais de R$ 36 bilhões com os bancos oficiais, alcançando um saldo de mais quase R$ 125 bi. E o que é pior, o governo federal vem ativamente estimulando essa modalidade de levantamento de recursos pelos governos estaduais. No ano passado, como parte de um Plano de Ajuste Fiscal — plano do gênero orwelliano, é claro —, Guido Mantega elevou o limite de endividamento de quase 20 estados da federação.

Enquanto os bancos estatais aceleram fundo, os privados pisam no freio. Mas e por que uma tão discrepante atuação entre bancos públicos e privados? Afinal de contas, a expansão do crédito não é extremamente lucrativa à prática bancária?

Responsabilidade ilimitada versus irresponsabilidade limitada

Antes de responder a essa pergunta, é preciso destacar outro dado importante: o endividamento das famílias brasileiras. Ainda que longe dos níveis de países desenvolvidos, o consumidor brasileiro já está endividado em mais de 40% de sua renda. E o crescimento desse indicador foi bastante intenso e repentino.

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Endividamento das Famílias (%).Fonte: O Ponto Base, BACEN.

Mas o que realmente importa é o comprometimento da renda com o serviço da dívida, ou quanto as famílias necessitam dispor de sua renda para arcar com juros e amortização do principal. No Brasil essa relação já passou de 20%. Para se ter uma ideia da ordem de grandeza, quando a bolha dos EUA estourou, esse mesmo indicador não passava de 15% no caso das famílias americanas. As evidências são claras: o consumidor brasileiro já está bastante alavancado.

Dessa forma, por mais que a expansão do crédito seja altamente lucrativa para os bancos, a demanda por crédito está bastante contida. Talvez haja espaço para crédito imobiliário — em que as taxas são mais reduzidas, e os prazos bastante mais alongados. Mas os bancos privados não têm capacidade de competir com a generosidade de uma Caixa Econômica Federal — nada nos surpreende o fato de a CEF deter 70% de todo o crédito imobiliário nacional.

Capacidade técnica há, com certeza. Mas não capacidade financeira. No final do dia, banqueiros privados não podem se dar ao luxo de ignorar o demonstrativo de resultados. Se algum empréstimo se provar irrecuperável, quem perde é o banco e seus acionistas. Quem responde pela solvência da instituição é o banqueiro — e não o pagador de impostos, no caso de um banco público.

Os estudiosos do sistema bancário moderno certamente perguntariam: mas e o Banco Central? Não seria uma das funções do BC atuar como o prestamista de última instância? Sim, de fato essa é uma das responsabilidades basilares de um Banco Central. Do ponto de vista sistêmico, essa observação está perfeita.

No entanto, do ponto de vista do banqueiro privado, isso pouco importa, pois no Brasil existe o princípio da responsabilidade ilimitada no sistema financeiro. Conforme as leis que regulam a intervenção e liquidação de bancos (Lei n.6.024/74 e Lei n.9.447/97, a última instituída durante o PROER), quando há uma intervenção, todos os bens dos acionistas controladores e administradores da instituição financeira ficam indisponíveis, para permitir o ressarcimento de eventuais prejuízos.

Aos olhos estrangeiros, tal dispositivo legal pode parecer rudimentar[1] , pois o empresário não deveria responder além do capital empregado no empreendimento (princípio da responsabilidade limitada). Mas quando se trata de instituições bancárias operando com as chamadas reservas fracionárias (RF), o raciocínio não se aplica — ou não deveria se aplicar.

A prática bancária de RF permite que um banco se alavanque sobremaneira auferindo altíssimos lucros. Em contrapartida, uma alavancagem excessiva tem o potencial de acarretar prejuízos catastróficos — ao banco individual e ao sistema bancário como um todo. Ora, quando um banqueiro detém todo o direito sobre os lucros, mas limitado dever sobre as perdas, institui-se imediatamente um sistema perverso de incentivos — o chamado risco moral ou moral hazard.

Para os bancos privados brasileiros — para o bem ou para o mal — não funciona assim.

Já a prática bancária pública é regida pelo princípio da irresponsabilidade limitada. Limitada, em primeiro lugar, pela duração dos mandatos dos cargos políticos. Em segundo, por algum indício ou prova de improbidade administrativa. Mas quem relacionaria causas tão nobres como "garantir a aquisição da casa própria a todo cidadão brasileiro" como um possível caso de improbidade administrativa? Indo mais longe, quem identificaria a relação de causa e efeito entre políticas públicas equivocadas adotadas anos antes e prejuízos vultosos?

Em um banco público, a perda é — por definição! — socializada por toda a sociedade. Já os lucros ficam com os funcionários do próprio banco, burocratas, políticos e apadrinhados. A má gestão não só é provável, como é natural.

Quem arcará com os (prováveis?) prejuízos dos créditos concedidos ao grupo das empresas "X"? Quem será responsabilizado quando a CEF tornar-se uma reedição do falido Banco Nacional da Habitação?

Conclusão

Muitos afirmam que, na ausência do crédito por bancos oficias, a economia estaria ainda pior. Por um lado, essa assertiva tem fundamento. É bastante plausível que alguns empreendimentos estariam sendo liquidados ou redimensionados, causando até uma recessão econômica. Mas se tais investimentos só são viáveis com crédito barato e generoso, talvez nem sequer devessem ter sido iniciados. Portanto, é um processo doloroso, mas inevitável.

Outros argumentam que é devida à falha do setor privado em prover financiamento de longo prazo a razão da existência dos bancos públicos. Em realidade, deveriam enxergar o exato oposto. É a própria existência desses gigantes bancários uma das razões da falta de crédito de longo prazo pelos bancos privados — não é a única, mas, certamente, uma das mais fundamentais.

Além disso, a concessão de crédito barato por bancos públicos não resolve o problema. Apenas impõe uma nova intervenção, cujo resultado será novos problemas — mais uma intervenção que acarretará um desarranjo na estrutura produtiva da economia por canalizar recursos para onde jamais deveriam ir.

Somente a livre iniciativa, na busca pelo lucro e com preços livres (e não "administrados"!), é capaz de alocar eficientemente o capital. Abusar de bancos públicos pode render votos, mas jamais solucionará qualquer problema econômico.

Por fim, essa hiperatividade nos bancos oficiais está causando desconfiança, perda de credibilidade, e possível fardo fiscal. Afinal de contas, se a OGX e afins não quitarem suas obrigações bilionárias com o BNDES e demais instituições financeiras estatais, quem vai tapar o buraco desses bancos? Até quando o Tesouro vai ser chamado para aportar capital (sempre de forma criativa, para não atrapalhar as contas nacionais oficiais, é claro)?

Com essa incerteza toda na economia, bancos privados continuarão à margem dos acontecimentos, assistindo timidamente enquanto os públicos lideram a festa. Ao fim e ao cabo, se administradores e acionistas estão sob o regime da responsabilidade ilimitada, estes serão bem mais prudentes, independentemente do ambiente regulatório.

Mas o que esperar daqueles que operam sob o regime da irresponsabilidade limitada?




[1] Nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, o sistema bancário é regido pelo princípio de responsabilidade limitada, assim como qualquer outra empresa. Ver o capítulo sobre "Reguladores e bancos" do livro "As leis secretas da economia", de Gustavo H. Franco.

 

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autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Paulo Ghedini  18/07/2013 14:23
    Fernando, essa sua série de artigos sobre o sistema bancário sao simplesmente sensacionais. Parabéns. Com 11 anos de IB, sell-side, etc, eu nunca vi alguém do mercado falar todas essas verdades que você tem escrito tao claramente e sucintamente. Boa, por favor continue. Abs
  • Bernardo  18/07/2013 14:24
    Li o artigo ontem em O Ponto Base e sabia que ele apareceria aqui no Mises.
    Parabéns ao autor e aos demais envolvidos na publicação.
    Abs a todos.
  • Felipe   18/07/2013 14:42
    Fernando, o que você quis dizer ao escrever: "Plano de Ajuste Fiscal — plano do gênero orwelliano, é claro —, Guido Mantega elevou o limite de endividamento de quase 20 estados da federação."
    Gostaria de saber o que seria um plano do gênero orwelliano.

    Abs, e parabéns pelo artigo.
  • Leandro  18/07/2013 14:52
    Trata-se da novilingua e do duplipensar orwelliano. Fala-se uma coisa e faz-se outra totalmente oposta. No caso, "Plano de Ajuste Fiscal" passou a significar elevar os gastos e o endividamento, quando obviamente deveria significar corte de gastos e redução da dívida.
  • Felipe de Lima  19/07/2013 16:06
    Caro Leandro,

    Desculpe a minha visão limitada e ignorância, mas poderia discorrer mais claramente sobe essa questão da "Estatização do crédito"?
    É que eu não entendi o motivo da preocupação com a origem do crédito.Pelo que eu li, entendi que boa parte do dinheiro circulando por ae, vem de empréstimos realizados por instituições "mistas"/públicas.Mas, de forma pragmática, se esses empréstimos tivessem origem privada, faria muita diferença nas consequências?Eu entendo que os motivos que uns ofertam empréstimos não são os mesmos que outros ofertam, e isso tem implicâncias econômicas consideráveis.Eu sei que estou perdendo alguma coisa, mas não me vem a mente o que.


    Agradeço pela atenção/paciência de Professor!

    =)
  • Leandro  19/07/2013 16:28
    Prezado Felipe, todo o dinheiro em circulação se originou de um empréstimo bancário. No nosso atual sistema monetário e financeiro, independentemente de se a instituição bancária é privada ou estatal, é o empréstimo bancário que injeta dinheiro na economia.

    Sendo assim, como você corretamente aludiu, não faz diferença -- para a oferta monetária total -- qual a origem dos empréstimos.

    No entanto, a questão é a seguinte: se você tem bancos temerosos de conceder novos empréstimos, a inflação monetária diminui. Se os bancos se tornam mais imprudentes e saem concedendo empréstimos a rodo, a oferta monetária aumenta.

    No Brasil, os bancos privados -- pelos motivos citados no artigo -- se tornaram prudentes ao passo que os bancos públicos -- também pelos motivos citados no artigo -- se tornaram desvairados. Enquanto os privados estavam contidos, os estatais destrambelharam. Consequentemente, uma oferta monetária que era para estar mais contida há mais tempo continuou subindo -- embora agora a uma velocidade menor -- por causa dos bancos estatais, estimulando a inflação de preços, a redução do poder de compra, o aumento do endividamento e os ciclos econômicos.

    Essa é a diferença no curto prazo. No longo prazo, além de tudo isso, o problema estará na capitalização destes bancos, que poderão enfrentar calotes e terão de ser socorridos com nosso dinheiro de impostos. Isso, aliás, é recorrente na CEF.

    Grande abraço!
  • Um burrinho  28/07/2013 17:39
    Leandro,

    Você poderia atualizar aquele artigo que tratava em que fase do ciclo econômico estaria a economia brasileira, né?

    O artigo é excelente e antecipou muitas situações que estão se materializando.

    Obrigado!
  • Blah  18/07/2013 14:59
    O pior é quando você vai falar sobre o assunto e pessoas supostamente inteligentes dizem "está certo mesmo, você não quer que o pobre tenha uma casa?". Fica difícil ter um debate racional quando o uso da razão e da lógica ficam em último plano.
  • Dilma Roussef  18/07/2013 15:54
    Você não quer que o pobre tenha uma casa? Não o quer em um carro? ;Você não quer a nossa indústria nacional triunfante contra o capital internacional já consolidado pelas potências imperialistas - e por consequência, que o pobre tenha mais empregos?
    Você não quer que ocorra inclusão social?Você não quer um país moderno e competitivo sem ser vendido aos EUA?

    Ora, então, por que não apoiar as políticas petistas? O PT não é meu partido devido ao fato de ser moderado em demasia, está preocupado demais com o que a direita golpista e entreguista pensa. Ainda é relutante demais em assumir para si definitivamente as rédeas do país e retirá-las de uma burguesia covarde e manipuladora. O aumento da presença dos bancos estatais é excelente, porém ainda não é o bastante: Almejamos que 75% do crédito do país seja controlado por instituições do estado comandadas por gente de boa ventura revolucionária.

    Inflação para gasto estatal é ganho social. O gasto realizado pelo estado quando em nome do bem comum está presente em um patamar moral muito acima dos gastos privados.
    Emissão de crédito para setores estratégicos é dever patriótico. O capital internacional deseja devorar nossas riquezas naturais e precisamos resistir.

    Austeridade não vai levar o país para frente, é preciso coragem para fazer as obras que devem ser feitas imediatamente sem ser dada nenhuma importância às consequências. Se os bancos privados se acovardaram, que retorne o regime de compra de títulos do tesouro da década de 90 e que o governo federal nos leve ao progresso imediato.
  • Bernardo  18/07/2013 17:13
    Dilma,
    De quem vc copiou esse texto?? Qual assessor o escreveu??
    Convenhamos, vc sabe que só conseguiria escrever um texto tão claramente desinformativo como esse em seus sonhos.
  • Um burrinho  28/07/2013 17:50
    Essa tal de Dilma que postou esse monte de bobagens é o "um filosofo" travestido...
  • Um burrinho  28/07/2013 17:52
    Dilma (um filosofo),

    Poderia demonstrar onde tais gastos estatais geraram riqueza para a população?

    Obrigado,
  • Valmir  18/07/2013 15:51
    Inflaram tanto o mercado de imóveis que o que se paga de entrada hoje dava para pagar a casa inteira alguns anos atrás. (Quem não tem casa, nem conseguiu ajustar ganho no mesmo ritmo se fudeu) Certamente vamos ter muitos jovens morando com os pais por muito tempo ou então ficando refém da Caixa por décadas para ter uma casa.
  • BubbleObserver  18/07/2013 18:10
    A bolha imobiliária foi inflada pela rápida expansão do crédito, pelo Minha Casa Minha (Dí)Vida - de R4 130K para 150K e 170K, estabelecendo com isso o piso de preços para imóveis em cada cidade; os IPOs de construtoras deu a elas muito caixa para que inflacionassem preço de terrenos, etc, etc. Expansão de crédito não apoiada em expansão de poupança real é inflação na veia direto! Viva Mises que sacou isso já em 1912!!!
  • Wilson Lira  18/07/2013 16:00
    de acordo com o modelo de assimetria de informação de Stiglitz, os bancos públicos são necessários porque o volume de crédito entregue pelos bancos públicos não é suficiente

    Então nãp venha me dizer que o fato do voluma maior de credito dado pelos bancos publicos é negativos. Pois o nível de endividamento desses bancos trouxe um lucro operacional pros bancos publicos muito maior do que pros Bancos Privados, exatamente porque os Bancos Públicos estão dispostos a correr mais risco.

    Se não fosse esse fato a economia brasileira estaria muito pior agora, pois apos a crise de 2008 os bancos privados encolheram sua oferta de credito, enquanto que os bancos publicos mantiveram o oferecimento, ajudando a economia a manter o seu nível de crescimento interno.

    E mesmo o destinamento do credito publico, que eu concordo que tem que ser criticado,na verdade é um problema porque o credito se destina às maiores empresas, que já tem capital aberto. Precisamo emprestar dinheiro para empresas que não conseguem ter acesso naturalmente ao mercado de credito.

    Da uma olhada, mas acho que esse aumento da destinação dos recursos para empresas publicas ocorreu principalmente devido ao emprestimo ao BNDES, da uma olhada.
  • Ricardo  18/07/2013 16:19
    "Então nãp venha me dizer que o fato do voluma maior de credito dado pelos bancos publicos é negativos."

    Era só o que faltava. Sujeito vem aqui, invadindo a propriedade alheia, para determinar o que se pode e o que não se pode dizer.

    E sim, aumento do volume na concessão de crédito pelos públicos é negativo. Gera inflação de preços, redução do poder de compra e ciclos econômicos. E quem mais sofre com estas consequências são justamente os mais pobres. Há centenas de artigos neste site exclusivamente sobre isso. Estude.

    "Pois o nível de endividamento desses bancos trouxe um lucro operacional pros bancos publicos muito maior do que pros Bancos Privados, exatamente porque os Bancos Públicos estão dispostos a correr mais risco."

    Bancos públicos se endividam irresponsavelmente porque sabem que, quando der merda, o contribuinte otário irá salvá-lo. A Caixa Econômica já quebrou três vezes, e dinheiro nosso foi injetado para salvá-la. Com o BB foi a mesma coisa. O senhor protestou contra essa ajuda aos banqueiros?

    "Se não fosse esse fato a economia brasileira estaria muito pior agora, pois apos a crise de 2008 os bancos privados encolheram sua oferta de credito, enquanto que os bancos publicos mantiveram o oferecimento, ajudando a economia a manter o seu nível de crescimento interno."

    Não, a economia estaria melhor agora. Sem essa expansão do crédito, não teria havido todos os investimentos ruins por parte da indústria (que hoje está, como conseqüência, em franca contração) e nem a bolha imobiliária, que fez com que nenhuma pessoa de baixa renda possa comprar um imóvel sem que tenha de se endividar por toda a vida.

    Pare de repetir chavões que aprendeu em sites pró-governo e vá estudar economia imparcialmente, procurando apenas a verdade em vez de ficar tentando defender políticos e governo.
  • Andre Cavalcante  18/07/2013 17:21
    "procurando apenas a verdade em vez de ficar tentando defender políticos e governo"

    ... exceto se ele for político ou do governo, certo?
  • Wilson Lira  19/07/2013 11:45
    Em primeiro lugar eu nao sabia que estava invadindo propriedade alheia, achei que como site era público e aberto para comentários eu poderia dar minha opinião. Mas tudo bem, tem pessoas que acreditam que o direito a propriedade é mais importante que o direito à expressão, mas normalmente são aqueles velhinhos americanos que apontam uma arma pra qualquer que pise em seu gramado gritando "get out of my property"

    O aumento do volume de concessão de credito pelos Bancos Publicos foi uma forma de balancear a queda do volume no mercado bancario privado. Isso ocorreu devido a um medo generalizado que ocorreu após a crise de 2008, mas foi apenas um momento de incerteza de que houvesse um aprofundamento da crise, o que não ocorreu. De acordo com a analise do governo isso não iria ocorrer no Brasil e não ocorreu, logo uma maior participação dos bancos publicos levou sim a um maior lucro dos Bancos Publicos no periodo de 2008 e 2009

    Mais uma vez eu concordo que a destinação de credito, especialmente pelo BNDES, para empresas poderia ser melhor destinado. Minha tese de dissertação de mestrado é exatemente o BNDES e lá eu critico essa destinação de crédito para empresas de grande porte.

    Então pode deixar que eu não me informo sobre o assunto em sites pró-governo, eu me informo nos artigos cientificos que eu tenho acesso na USP para a minha dissertação. Então meu amigo, o bitolado que só se informa sobre os assuntos pela internet é você, não eu

  • Ricardo  19/07/2013 12:26
    "Então pode deixar que eu não me informo sobre o assunto em sites pró-governo, eu me informo nos artigos cientificos que eu tenho acesso na USP para a minha dissertação."

    Ufa! Isso sim é reconfortante. Garantia de intelectualidade profunda e preocupada apenas com a verdade científica.
  • Andre Cavalcante  18/07/2013 17:25
    "Então nãp venha me dizer que o fato do voluma maior de credito dado pelos bancos publicos é negativos. Pois o nível de endividamento desses bancos trouxe um lucro operacional pros bancos publicos muito maior do que pros Bancos Privados, exatamente porque os Bancos Públicos estão dispostos a correr mais risco"

    Cara, sei muito pouco de contabilidade, mas me diz que mágica é essa que eu aumento o nível de endividamento e ainda tenho um maior lucro?

    Não sei se funciona tão diferente assim entre um banco e um trabalhador assalariado, mas se um assalariado se endivida mais do que recebe, tá no buraco.

  • Wilson Lira  19/07/2013 11:50
    Andre, toda vez que voce empresta dinheiro pra alguem, mesmo com toda a analise de documentação e capacidade da empresa pagar o emprestimo, você está fazendo uma aposta, pois não sabe se a empresa vai pagar

    Quando houve a crise de 2008 os bancos privados resolveram reduzir o volume de credito concedido, logo eles diminuiram a quantidade de lucro que ele poderiam auferir atraves do juros dados nos emprestimos

    Ja os bancos publicos, como resolveram aumentar o volume de dinheiro emprestado conseguiu lucrar mais com os juros recebidos nesse periodo, simples assim
  • Ricardo  19/07/2013 12:27
    "Ja os bancos publicos, como resolveram aumentar o volume de dinheiro emprestado conseguiu lucrar mais com os juros recebidos nesse periodo, simples assim"

    Você, pelo visto, não está a par dos aportes do Tesouro e de todas as garantias dadas pelo governo aos bancos públicos, que permitiram essa assunção de risco. Você ignora isso tudo e ainda diz que tiveram lucros porque foram empreendedoriais.

    De fato, não era de se esperar outra coisa de quem recorre a dissertações da USP.
  • Wilson Lira  19/07/2013 19:23
    Ricardo, é obvio que eu conheço e sou um crítico dos aportes do tesouro a essas instituições. Só que a maior parte do aporte que ocorreu nesse período foi o destinado ao BNDES para a Petrobras no valor de 25 bilhões e os outros aportes para a caixa e o Banco do Brasil eram justificaveis dado o panorama existente no pós-crise de 2008.

    O que deve haver agora e não está havendo é repensar o modelo de pra quem voce esta emprestando dinheiro, especialmente através do BNDES. O governo precisa para de emprestar dinheiro pra empresas como a do Eike Batista e focar em projetos que agreguem maior valor social geral

    Alem disso, novos aportes agora não são favoráveis, pois não há motivos para isso agora, mas não pode se criticar a atuação dos bancos publicos durante a crise de 2008 e nem mesmo o aporte que foi feito nesse periodo, voltado ao investimento na Petrobras no valor de 25 milhoes. Aquele aporte foi extremamente necessario dado o contexto de exploracao do Pre-Sal.

    E se voce acha que os textos disponiveis na USP são inferiores ao do site do Mises... bom, só posso me sentir mal por você
  • Leandro  19/07/2013 20:03
    "mas não pode se criticar a atuação dos bancos publicos durante a crise de 2008 e nem mesmo o aporte que foi feito nesse periodo, voltado ao investimento na Petrobras no valor de 25 milhoes. Aquele aporte foi extremamente necessario dado o contexto de exploracao do Pre-Sal."

    Pra começar, boa parte do pré-sal anunciado não existe. Daí a evaporação das ações da OGX. As jazidas que realmente existem já se comprovaram financeiramente inviáveis. Só são viáveis com o barril de petróleo acima dos US$ 140. Ou seja, foi tudo uma genuína destruição de capital.

    Já a Petrobras está conseguindo a façanha de apresentar prejuízos (estatal monopolista que tem prejuízo é algo que exige talento), e suas ações já despencaram mais de 40% em três anos.

    Se, mesmo lendo as valorosas monografias da USP, você não aprendeu isso, então a situação ali está pior do que eu pensava, e é o Ricardo quem deve se sentir mal por você.
  • Wilson Lira  20/07/2013 00:54
    as jazidas que se mostraram inviaveis foram as de Tubarao Azul, que foram reservadas pro Eike Batista, mas existem outras que tem um porte bem mais consideravel e que foram reservadas para a Petrobras antes do Leilao.

    A queda de Eike Batista veio exatemente por causa desses lotes maiores que ele deixou de comprar, existe um artigo da folha recente sobre isso.

    Realmente a Petrobras esta apresentando prejuizo, como parte da influencia do governo de segurar o preco da gasolina e o da inflacao em uma medida populista, tambem nao deveria ocorrer esse tipo de interferencia

    Mas o mercado de credito atua numa outra logica de escassez devido ao modelo de assimetria de informacoes em um nivel sub-otimo, onde eh possivel a aplicacao de um modelo de second best, baseado em credito publico

  • Tory  19/07/2013 20:29
    "agreguem maior valor social geral"

    Isso veio da USP também?
  • Wilson Lira  20/07/2013 00:29
    ja ouviu falar em equilibrio geral? Maximização de bem-estar? Modelos de otimização?
  • Leandro  20/07/2013 00:42
    Durante quatro anos seguidos na universidade. Até enjoar.

    E você, já ouviu falar em individualismo metodológico? Em abordagem causal-realista? Em praxeologia? Em estrutura do capital?
  • Tory  20/07/2013 01:01
    Essas teorias falam em agregar valor social? Sabem, por exemplo, o que eu gostaria de fazer com meu dinheiro e meu trabalho? Ou me tratam como um Sim, no Sim City? Para atingir esse mítico equilíbrio eu vou ter que me comportar como o Bozo Mantega gostaria? Aliás, o bem-estar é o meu ou o de quem enriquece extorquindo meu dinheiro?
  • Pobre Paulista  20/07/2013 01:44
    Já ouviu falar na teoria da indecibilidade de Kenneth Arrow, e a impossibilidade de se definir uma "Função de bem estar social" em um ambiente não-ditatorial?

    Lá na própria FEA ensinam isso...

    E sim, os textos do mises são muito superiores às monografias da USP, acho que ninguém tem dúvidas disso.
  • Wilson Lira  20/07/2013 11:14
    Bom, ai talvez haja realmente um caso de praxeologia. Voces ja definiram a priori que os textos do Mises sao mais interessantes pra voces porque eles se encaixam dentro de uma filosofia pessoal de voces, que acreditam na importancia da liberdade de escolha do individuo.

    Acho que a funcao do site eh essa mesmo, agregar gente que acredita que o grande mal da economia eh o fato de existir um governo. Se voces acham que os textos do Mises sao melhores que textos classicos de autores como Dornsbuch e Stiglitz, tudo bem.

    Voces conseguem pelos menos me dar um exemplo de experiencia empirica no mundo onde a nao-interferencia ou a nao existencia do governo levou a uma situacao melhor do que aquela com governo? Isso eu ja perguntei a libertarios antes e eles conseguiram responder
  • Leandro  20/07/2013 15:18
    "Bom, ai talvez haja realmente um caso de praxeologia. Voces ja definiram a priori que os textos do Mises sao mais interessantes pra voces porque eles se encaixam dentro de uma filosofia pessoal de voces, que acreditam na importancia da liberdade de escolha do individuo."

    Parcialmente correto. São mais interessantes também porque defendem a liberdade de escolha do indivíduo, mas também são melhores porque são verdadeiros.

    "Acho que a funcao do site eh essa mesmo, agregar gente que acredita que o grande mal da economia eh o fato de existir um governo."

    Errado. O grade mal é existir coerção e intervencionismo. Se o governo existe, mas não faz nada (ou faz muito pouco), isso já ajuda enormemente.

    "Se voces acham que os textos do Mises sao melhores que textos classicos de autores como Dornsbuch e Stiglitz, tudo bem."

    Stiglitz? Até Miriam Leitão dá calor nele...

    "Voces conseguem pelos menos me dar um exemplo de experiencia empirica no mundo onde a nao-interferencia ou a nao existencia do governo levou a uma situacao melhor do que aquela com governo?"

    Um exemplo? Há inúmeros. Mas como você quer só um, posso citar aqui um bem incontestável: a proibição (e posterior liberação) do comércio de bebidas alcoólicas. Já ouviu falar em um cavalheiro chamado Al Capone?

    "Isso eu ja perguntei a libertarios antes e eles conseguiram responder"

    Você não tem de perguntar pra libertários; tem de perguntar pra economistas. Libertarianismo é filosofia, e isso nada tem a ver com economia.
  • Rodolfo  20/07/2013 16:18
    É realmente um caso de fetichização do estado e de suas medidas intervencionistas. Em primeiro lugar, gostaria de saber o que o leva a crer que a análise de burocratas sempre serão mais sólidas do que a dos agentes privados? Os banqueiros privados temem prejuízos, porém almejam lucros, assim aqueles que realizaram análises mais acertadas em 2008 e concederam maiores volumes de empréstimos lucraram mais, já aqueles que erraram em suas análises rapidamente se redimiram ao voltar a ampliar o crédito. Já as perdas dos Bancos Públicos são sentidas por todos os "contribuintes". Se eles acertaram em 2008, logo começaram a errar ao continuar expandindo o crédito e, com isto, gerando todos os efeitos maléficos que estamos vendo atualmente os que poderemos amargar no futuro. O histórico desses bancos em nada contribuem para que recebam qualquer confiança.

    Quanto a achar que os textos produzidos por acadêmicos da USP sejam melhores do que os do IMB você só pode estar de brincadeira. Aqui temos textos de uma galeria de grandes economistas como Eugen von Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek, Henry Hazlitt, Israel Kirzner, Jesus Huerta de Soto. Já a USP jamais produziu nenhum economista digno de nota, nem mesmo em qualquer manualzinho pífio de história do pensamento econômico. Prova disso é que nem mesmo você citou, dentre as suas referências "teóricas", qualquer economista que já tenha passado pelos bancos desta universidade.
  • Wilson Lira  20/07/2013 11:30
    ah, eu tentei colocar isso antes, mas acho que nao foi autorizado. Como voces modelam o fato de que a concorrencia de mercado eh imperfeita?
  • Guilherme  20/07/2013 14:59
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1603
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=757

    Tem tudo no site. É só você usar a ferramenta de busca.
  • Tiago Moraes  26/07/2013 21:32
    Ninguém aqui nega que a concorrência seja imperfeita, ela é produto do homem intrinsecamente imperfeito, querer que algo imperfeito reproduza algo digno de perfeição é um devaneio "deslógico" incomensurável!!

    Vocês estatistas é que criam modelos de intervenção que ignoram fatores do mundo real e que são intrinsecamente relacionados ao Estado, como burocracia, interesses político/partidários, corrupção... enfim as "falhas de governo" que deveriam estar na outra metade do livro do Stiglitz que ele nunca escreveu. A questão aqui é como você concebe a ideia onde a coordenação de agentes econômicos, que possuem conhecimento prático acumulado nos seus respectivos campos de atuação, estão em capacidade decisória inferior ao de um burocrata. O problema da informação assimétrica acomete muito mais um burocrata do que um empresário privado com experiência em seu campo de atuação, porquê digo isso? Ora, porquê se o primeiro fosse superior ao segundo, a posição social deles estaria invertida, pois quem entende de mercado, progride nele e não fora dele...

  • Andre  18/07/2013 16:12
    Todo dia tenho visto notícias do BC leiloando dólares para manter o preço.
    Uma hora o poço vai secar. Ainda tá bem cheio, mas tem fundo.
  • Eduardo  18/07/2013 16:47
    Seria equívoco meu afirmar que uma bolha imobiliária no Brasil só não estourou AINDA porque o governo está maquiando a catastrofe que está em andamento (calote por parte de familias que não conseguirem arcar com o financiamento junto a CEF)?

    Cedo ou tarde, esse alto índice de endividamento das famílias tende a romper da pior forma possível (com inadimplência).

    Nos EUA, os fornecedores dos créditos que não puderam ser quitados eram bancos privados e, portanto, a inadimplência e a posterior descoberta de um rombo gigantesco apareceram muito mais rapidamente....correto?
  • Andre Cavalcante  18/07/2013 17:42
    "Seria equívoco meu afirmar que uma bolha imobiliária no Brasil só não estourou AINDA porque o governo está maquiando a catastrofe que está em andamento (calote por parte de familias que não conseguirem arcar com o financiamento junto a CEF)?"

    Não estourou AINDA?

    Bolha Imobiliária Fase I. Já começaram as promoções! – Ossami Sakamori

    Tenho certeza que já. Em minha cidade, Manaus, tem apartamentos de 1ª linha que são vendidos com todos os armários e totalmente climatizado e mais bônus de até R$100.000,00, entre "meros" R$600.000,00 a R$800.000,00.

  • Pedro Ivo  19/07/2013 17:00
    Aqui no DF as construções ficam concentradas em algumas cidades satélites (funcionam como bairros, mas são cidades completas), como Águas Claras (ela é um empreendimento imobiliário que criou desde a raiz uma cidade completa, com o diferencial de permitir prédios de até 30 andares, algo impossível em Brasília [vulgo Plano Piloto] e em certas cidades satélites como Sobradinho e Planaltina [que ficam na parte norte do DF, e que junto com os condomínios da região congregam quase 700 mil pessoas, e só se permite a construção de prédios de 3, 4 ou 6 andares, dependendo da área, por razões supostamente ambientais relativas ao DF ser a nascente dos rios Paraná – Bacia do Prata – e Tocantins – Bacia Amazônica]). Onde os empreendimentos estão concentrados, ocorrem "promoções" (com muitas aspas) para desovar estoque.

    Vou dar um ex.: há cá em Sobradinho apartamentos de 110 metros quadrados (3 quartos sendo um suíte, sala, banheiro social, cozinha grande e dependência de empregada completa, e uma vaga na garagem) por R$565 mil [como a cidade só permite construções entre 3 a 6 andares, tudo aqui é caro por culpa de uma falsa escassez provocada pelas normas urbanas. Do contrário, poderiam estar bem mais em conta]. Em Águas Claras até bem pouco tempo, um apartamento semelhante (até um pouco maior) estava acima de 600 mil (bem acima. Podia estrapolar os 700 mil), mas é um condomínio vertical com salão de festas, salão de jogos, academia, quadra coberta de futsal, churrasqueira, parque para crianças, piscina, espaço gourmet e lan-house. Agora já estão vendendo estes apartamentos 'na casa' dos 300 mil (ou abaixo, como descobri. É desespero mesmo!) este mesmo apartamento com todas estas amenidades (mas com taxas de condomínio acima dos R$ 1000. De modo que tem gente comprando e depois se endivida para residir). Naturalmente, isto também pucha para baixo preços mesmo onde não há excesso de imóveis a desovar. Tem gente tendo prejuízo para todo lado, perdendo uma parte de seu patrimônio pois comprou na alta, e a baixa já se instalou, e não sei a que pé ela ficará.
  • IRCR  18/07/2013 17:54
    olha o subprime à brasileira

    g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2013/07/hipoteca-de-imovel-pode-garantir-credito-alto-veja-vantagens-e-riscos.html
  • Occam's Razor  18/07/2013 21:32
    Meu deus! Eu era tão feliz quando não entendia as consequências dessas insanidades
  • Gabriel Pompeu de Souza  21/07/2013 15:44
    Occam's Razor,

    Eu também era tão feliz quando não sabia!

    Faz 10 meses que descobri esse site. Faz 10 meses que tô "sem chão".

    É como se eu tivesse descoberto o mundo de Matrix!

    Impressionante! É melhor saber da sombria verdade, ou viver no mundo da ilusão??
  • Carlos  19/07/2013 12:19
    O que sustenta crédito imobiliário?
    Poupança e FGTS.
    Ambos são corrigidos por uma sobrenatural TR que por razões altamente manipulativas, insiste em ficar no zero.
    Assim quem aplica em poupança, e por incrível que parece tem sido muita gente, perde para a inflação - IPCA na faixa de 6,5% contra rendimento desta aplicação de 6% -.
    Tudo bem, apesar de não ser entendível é pelo menos voluntário por parte de quem está rasgando dinheiro.
    Mas o FGTS ninguém tem o poder de aplicar por conta própria e nem de utilizar da maneira que interessar. Nada de voluntário.
    Mas o rendimento é 3% mais TR. Como a TR é zero e a inflação 6,5%, é um verdadeiro roubo que se faz dos trabalhadores para sustentar quem se financia para compra de imóvel.
    O saldo devedor dos contratos é corrigido pela TR. Como a TR é zero, então vocês enxergam o problema.
    Com o tempo pode ter pressões para melhorar o rendimento da poupança e FGTS e por consequência isto irá começar a onerar quem tem financiamento imobiliário.
  • Pedro Ivo  19/07/2013 12:26
    Dúvida: no subtítulo "Os rumos dos recursos"[b] está escrito "empréstimos imobiliários seguem aumentando a taxas anuais acima de 30%" e "o crédito direcionado a indústria se mantém com incremento ao redor de 10% ao ano".

    ? O autor quis dizer que 30% do crédito disponível 'naquele ano' está neste setor (imobiliário) [b]ou
    que o crédito para este setor 'aumenta' 30% ao ano (progressão geométrica)?

  • anônimo  19/07/2013 12:32
    Aumenta 30% ao ano. Se em um ano foi R$100, no ano seguinte será R$130.
  • Mauricio.  29/07/2013 04:24
    Pessoal, queria ver se é correto meu raciocínio: se praticamente 22% da renda das famílias está comprometida com os serviços da dívida e outros quase 40% a gente perde em impostos, sobra somente 38% da renda para o consumo. Não estaria aí o problema, ou seja, impostos muito altos?
  • Hugo  26/12/2013 22:14
    Não,Mauricio,isso não influencia em nada,por exemplo na época dos calotes dos EUA em 2008 a parcela da renda destinada às quitações de empréstimo não passavam de 16%,sendo que isso já foi mostrado em um dos artigos do IMB.


    O problema Mauricio já foi até ressaltado em alguns artigos aqui também (inclusive sobre os países europeus em 2008),porém agora não me lembro quais artigos,mas vou tentar explicar a ideia para vc:

    Tudo começou quando o governo começou a incentivar muito o mercado de crédito aqui no Brasil,e como os juros estavam ficando mais baixos boa parte da população começou a tomar um monte de empréstimos dos bancos,ela estava na expectativa de que o crédito mais barato e farto continuaria pela eternidade e que a renda continuaria subindo (sendo essa produto da expansão de crédito),porém em 2010 quando a inflação começou a sair do controle devido à enorme aceleração da criação de crédito,e com isso a expansão dele começou a esfriar (os bancos privados começaram a emprestar bem menos) e com esse aumento de inflação os bancos começaram a aumentar os juros.A consequência dessa desaceleração do crédito foi um aumento de renda bem menor (ou até estagnação da mesma) que o esperado pelas pessoas,e ainda somado ao descontrole inflacionário que é a consequência da expansão creditícia intensificou esse processo de esfriamento da renda,fazendo com que a proporção da renda usada para quitação de empréstimos subisse.Não sei se vc anda acompanhando o assunto mas há muita gente que se pendurou em vários empréstimos nos últimos anos e que estão pegando outros empréstimos para quitar os anteriores,ou seja,essas pessoas não só não estão conseguindo pagar os empréstimos como ainda estão conseguindo somente rolar suas dívidas,e claro,como consequência os índices de endividamento estão muito altos.


    Espero ter ajudado!


    PS:Caso eu tenha errado algum ponto no raciocínio dou total liberdade à equipe do IMB e aos outros leitores para corrigir.


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