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A estatística, o ponto fraco do governo

É fato que vivemos na Era das Estatísticas.  Em uma época obcecada por números e que venera dados estatísticos como sendo algo extremamente "científico", algo capaz de nos fornecer a chave para o segredo de todo o conhecimento, uma vasta gama de dados de todos os tipos, formatos e tamanhos nos é despejada diariamente.  E estes dados provêm majoritariamente de agências do governo.

Embora agências privadas e associações comerciais de fato colham e publiquem algumas estatísticas, elas se limitam a mensurar apenas aquelas variáveis específicas demandadas por indústrias específicas.  A grande maioria das estatísticas é coletada e disseminada pelo governo.  A principal estatística da economia, o popular "produto interno bruto" — que permite que todo e qualquer economista se transforme em um adivinho das condições empreendedoriais —, é publicada pelo governo.

Além do mais, muitas estatísticas são subproduto de outras atividades governamentais: da Receita Federal advêm dados não apenas dos impostos mas também do patrimônio de pessoas e empresas que pagam esses impostos; do Ministério do Trabalho e da Previdência Social advêm estimativas da criação de empregos e do número de desempregados; da Alfândega advêm dados sobre o comércio exterior; do Banco Central advêm dados sobre o sistema bancário, e assim por diante.  E à medida que novas técnicas estatísticas vão sendo desenvolvidas, novas ramificações da burocracia estatal vão sendo criadas para utilizar e aplicar essas estatísticas.

O inchaço das estatísticas governamentais impõe vários malefícios óbvios para o libertário.  Em primeiro lugar, o governo tem de recrutar um verdadeiro exército de civis para fazer o trabalho da coleta de dados e da análise dos números.  Isso significa que uma quantidade enorme de esforços e recursos é retirada do setor produtivo (o setor privado) e desviada para o setor improdutivo (setor público) apenas para fazer a coleta e a subsequente produção de estatísticas.  Em um genuíno livre mercado, no qual a função do governo é mínima, a quantidade de mão-de-obra, de capital e de terra dedicada à coleta de estatísticas iria definhar para apenas uma pequena fração do total atual.  O tanto que o governo gasta apenas para coletar estatísticas, bem como o total de burocratas que ele emprega para tal serviço, ainda tem de ser estimado e divulgado. 

Os custos ocultos do envio de informações

Em segundo lugar, a esmagadora maioria dos dados é coletada por meio da coerção estatal.  Isso não apenas significa que tais dados são produto de atividades contraproducentes e indesejáveis, como também significa que o verdadeiro custo destas estatísticas para a população é muito maior do que a mera quantidade de impostos utilizada pelo governo para financiar esta atividade.  Tanto as empresas privadas quanto os cidadãos têm de arcar com os onerosos custos de registrar todas as informações e arquivar todos os milhares de papeis e recibos que estas estatísticas exigem.  E não apenas isso: estes custos fixos impõem um fardo relativamente maior sobre as micro e pequenas empresas, que não estão equipadas para lidar com esta montanha de formalidades burocráticas — e nem podem se dar ao luxo de gastar muito dinheiro com isso. 

Uma empresa comum tem de desviar tempo, dinheiro e capital humano para compilar todas as estatísticas que o governo e seus múltiplos ministérios e agências exigem.  Vários empregados das empresas privadas se ocupam exclusivamente da coleta e do relato destas estatísticas exigidas pelo governo.  Para pequenas empresas, isso é especialmente oneroso.  Não são incomuns casos em que as pessoas que lidam com o governo têm de manter vários conjuntos de livros de registro apenas para atender aos diversos e desiguais requerimentos das agências e ministérios do governo.

Portanto, estas aparentemente inocentes estatísticas, que são geradas pela coleta compulsória de dados das empresas, afetam sensivelmente o mercado, pois aumentam os custos das pequenas empresas e reduzem sua capacidade de investimento e expansão, algo que é bem visto pelas grandes empresas, que com isso sofrem menos risco de concorrência.  A burocracia enrijece todo o sistema econômico e protege os grandes contra eventuais investidas dos pequenos.

Outras objeções

Mas há outros motivos importantes, e não tão óbvios, para o libertário encarar as estatísticas governamentais com desalento e temor.  Não apenas a coleta e a produção de estatísticas vão muito além da clássica função governamental de defender o indivíduo e a propriedade privada; não apenas recursos econômicos escassos são desperdiçados e mal alocados; não apenas os pagadores de impostos, as indústrias, as pequenas empresas e os consumidores são onerados e sobrecarregados.  Há ainda algo pior: as estatísticas coletadas pelo governo são, em um sentido crucial, essenciais para todas as atividades intervencionistas e de cunho socialista do governo.

O cidadão comum, enquanto consumidor, não possui nenhuma necessidade de utilizar estatísticas em sua rotina.  Por meio da publicidade, das informações fornecidas por amigos, e de sua própria experiência, ele é capaz de descobrir o que está acontecendo nos mercados à sua volta.  O mesmo é válido para uma empresa.  O empreendedor tem de saber mensurar e satisfazer as condições do mercado em que ele atua, determinar os preços que ele tem de pagar por aquilo que ele compra e de cobrar por aquilo que ele vende, incorrer em contabilidade de custos para estimar seus gastos e por aí vai.  Porém, nenhuma destas atividades depende realmente daquela mixórdia de dados estatísticos sobre a economia ingerida e regurgitada pelo governo.  O empreendedor, assim como o consumidor, conhece e aprende os detalhes de seu mercado por meio de suas experiências diárias.

Um substituto para os dados do mercado

Já os burocratas, assim como todos os pretensos reformadores estatistas, vivem em uma realidade completamente distinta.  Eles decididamente vivem fora do mercado.  Consequentemente, para se inteirar da situação que estão tentando planejar e reformar, eles têm de obter um conhecimento que não é pessoal, que não advém da experiência diária.  E o único formato que tal conhecimento pode adquirir é o formato estatístico.

As estatísticas são os olhos e os ouvidos do burocrata, do político, do reformador socialista.  É somente por meio da estatística que eles podem saber, ou ao menos ter uma vaga ideia, do que está acontecendo na economia.

É somente por meio da estatística que eles podem descobrir quantos idosos apresentam raquitismo, quantos jovens têm cáries, quantos pobres precisam de mais repasses do governo, e quantos empresários precisam de mais subsídios estatais.  Desta forma, é somente por meio da estatística que estes intervencionistas descobrem quem "necessita" do quê ao longo de toda a economia, e quanto de dinheiro federal deve ser canalizado em qual direção.

O plano-mestre

Certamente, somente pelas estatísticas pode o governo federal fazer qualquer tentativa, por mais espasmódica que seja, de planejar, regular, controlar e reformar várias indústrias — ou, em última instância, de impor o planejamento central e a socialização de todo o sistema econômico.  Por exemplo, se o governo não recebesse nenhuma estatística sobre o funcionamento das companhias aéreas, como ele iria sequer pensar em regular as tarifas e as finanças das empresas?  Se o governo não recebesse dados sobre a situação das indústrias, como ele iria especificar tarifas protecionistas?  Sem a estatística, como o governo iria regular rigidamente o mercado de telefonia?  Principalmente: sem as estatísticas, como o governo iria manipular as taxas de juros?  Como o governo iria impor controles de preços se ele não soubesse sequer quais bens estão sendo vendidos no mercado e a que preços? 

As estatísticas, repetindo, são os olhos e os ouvidos dos intervencionistas: do intelectual reformista, do político, do burocrata do governo.  Arranque estes olhos e ouvidos, destrua estas diretrizes de conhecimento, e toda a ameaça de qualquer tipo de intervenção estatal será quase que completamente eliminada.

Obviamente, é verdade que mesmo privado de todo o conhecimento estatístico da situação do país, o governo ainda assim poderia tentar intervir, tributar, subsidiar, regular e controlar.  Ele poderia tentar subsidiar os pobres e os idosos mesmo sem ter a mais mínima ideia de quantos deles existem e de onde eles estão; ele poderia tentar regular uma indústria sem nem mesmo saber quantas empresas existem e quais são suas características básicas; ele poderia tentar controlar os ciclos econômicos sem nem mesmo saber se os preços e a atividade empreendedorial estão em ascensão ou em queda.  Ele poderia tentar, mas não iria muito longe.  O caos seria óbvio, patente e evidente demais até mesmo para os padrões burocráticos, e mais ainda para os cidadãos.

E isso pode ser comprovado pelo fato de que um dos principais argumentos em prol da intervenção estatal é que o governo "corrige" o mercado, e torna o mercado e toda a economia mais "racional".  Obviamente, se o governo fosse privado de tudo o que se passa na seara econômica, simplesmente não poderia haver nem mesmo uma pretensa racionalidade na intervenção estatal.

Seguramente, a ausência de estatísticas recolhidas pelo estado iria, de maneira absoluta e imediata, destruir toda e qualquer tentativa de planejamento de cunho de socialista.  É difícil imaginar, por exemplo, o que os planejadores centrais do Kremlin poderiam fazer para planejar e controlar a vida dos cidadãos soviéticos se eles fossem privados de todas as informações, de todos os dados estatísticos, sobre estes cidadãos.  O governo não saberia nem para quem dar ordens, muito menos como tentar planejar uma intrincada economia.

Portanto, dentre todas as várias medidas que já foram propostas ao longo dos anos para tentar restringir e limitar o governo, ou para revogar suas desastrosas intervenções, a simples e nada espalhafatosa abolição das estatísticas do governo provavelmente seria a mais completa e eficaz delas.  A estatística, tão vital para o estatismo — seu homônimo —, também é o calcanhar da Aquiles do estado.



autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Sérgio  05/06/2013 12:04
    Muito bom, este texto. A moda agora é só falar em estatísticas, mas poucos questionam a metodologia absurda das estatísticas do governo.
  • Pedro Ivo  06/06/2013 13:25
    E quando você adentra nas metodologias, encontra toda sorte de arbitrariedades, como esta denunciada pelo Leandro Roque: A real taxa de desemprego no Brasil
  • pensador barato  05/06/2013 13:05
    As estatísticas não passa de manipulação descabida por isso questiono se realmente índia e china tem mais de 1 bilhão de habitantes e por ai vai...
  • Yochanan Ben Efraym  05/06/2013 13:27
    Excelente artigo!


    Vivo aprendendo com esse espaço. Que o ETERNO abençoe a todos vocês!!
  • Sergio Araujo  05/06/2013 13:43
    Está estatisticamente provado que estatísticas não provam nada.
  • Diego  05/06/2013 13:52
    Olá, simpatizo bastante com as idéias liberais, e concordo em parte com suas críticas, principalmente no que se refere a burocracia enfrentada pelas empresas etc. No entanto creio que as estatísticas são em parte um subproduto da burocracia, tendo custo marginal muito baixo dado a ocorrência desta, ou seja, a burocracia não é gerada pelas estatísticas e sim o contrário... no mais as estatísticas são de grande utilidade, não só para planejar o gasto público (é, dado que ele existe, que seja ao menos planejado), mas também para as empresas. O formalismo matemático nos permite chegar a conclusões que seriam muito difíceis de se alcançar via raciocínio simples e puro, tanto é que as críticas aos modelos econômicos direcionam-se a suas premissas e não a técnica, visto que se aplicada corretamente é definitiva. Assim posso citar como benefício adicional o desenvolvimento científico que faz uso desses dados, servindo inclusive para fundamentar críticas contra a intervenção estatal. O grande problema que vejo nos libertários é não ter a capacidade de abstrair os efeitos generalizados não implicando isso na rejeição das condições da individualidade.
  • pensador barato  05/06/2013 16:52
    Diego não questiono a estatística enquanto ciência(Matemática)aplicada,questiono o uso manipulador por parte dos governantes e picaretas em geral...
  • Andre Cavalcante  05/06/2013 18:33
    Diego,

    Você diz: "No entanto creio que as estatísticas são em parte um subproduto da burocracia, tendo custo marginal muito baixo dado a ocorrência desta, ou seja, a burocracia não é gerada pelas estatísticas e sim o contrário... no mais as estatísticas são de grande utilidade, não só para planejar o gasto público (é, dado que ele existe, que seja ao menos planejado), mas também para as empresas."

    Ora, é justamente esse o ponto que o autor do artigo quer enfatizar: a estatística aparece exatamente para sustentar a burocracia. Ela só se desenvolveu por causa do governo e de sua necessidade. E não, a burocracia é filha da estatística. Sem estatística, sem burocracia. O verbete da Wikipedia, na parte da etimologia da palavra estatística é esclarecedor:

    "O termo estatística surge da expressão em latim statisticum collegium palestra sobre os assuntos do Estado, de onde surgiu a palavra em língua italiana statista, que significa "homem de estado", ou político, e a palavra alemã Statistik, designando a análise de dados sobre o Estado. A palavra foi proposta pela primeira vez no século XVII, em latim, por Schmeitzel na Universidade de Jena e adotada pelo acadêmico alemão Godofredo Achenwall. Aparece como vocabulário na Enciclopédia Britânica em 1797, e adquiriu um significado de coleta e classificação de dados, no início do século XIX."

    Hoje, claro, podemos usar a estatística para análises mais conforme a ciência acadêmica, contudo o texto é claro: sem ela não teríamos a burocracia estatal e o controle de hoje.
  • Diego  05/06/2013 19:58
    Entendo o raciocínio, se o governo não soubesse o que está acontecendo, ele não poderia intervir, ou não saberia se precisa intervir. No entanto isso não se aplica de forma generalizada, no mundo real, onde se tem recursos a serem aplicados, por mais que seja indesejável, injusto, etc., é no mínimo sensato quando se estar a par do que está acontecendo, e a melhor forma de se fazer isso é olhando para as estatísticas. Veja, não estou defendendo o gasto público, entretanto vocês culpam o objeto em vez do sujeito. É como culpar o cidadão por ter uma arma, o objeto é inofensivo, já não se pode ter certeza quanto ao seu dono.
  • Diego  05/06/2013 17:22
    Entendo o preconceito com os métodos quantitativos, que em muito parte da incompreensão por parte dos críticos das técnicas utilizadas, desconheço um artigo sério que não exponha as limitações de sua metodologia, econometria não é bruxaria para torturar os dados e obter as respostas que se quer obter, e sim uma metodologia séria, que nos dá mais um indicativo da comprovação ou rejeição de uma hipótese. Não utilizar a ascensão da tecnologia ao nosso favor, seria no mínimo burrice, e isso se dá pela formalização matemática de hipóteses elaborada a partir da observação dos fatos. Tanto é que os mais respeitáveis centros acadêmicos do mundo adotam metodologias econométricas, motivo inclusive para a escola austríaca de economia ser pouco considerada nas discussões em economia.
  • Glaucio  05/06/2013 18:32
    Procure por um video no you tube do professor Ubiratan Iorio, onde perguntam a ele sobre econometria e olhe a resposta dele.
  • Diego  05/06/2013 19:59
    Posso lhe citar dezenas de pessoas que a defendem o contrário...
  • Tory  05/06/2013 19:02
    Justamente porque a economia austríaca não vê eficácia alguma nesses modelos alimentados pelas estatísticas.

    Seu raciocínio é circular. Simplificando, quer dizer que se os austríacos se fizessem mais simpáticos aos olhos dos keynesianos, estes tratariam aqueles com mais respeito. Claro, né? Ninguém quer ouvir que está errado.
  • Mark  05/06/2013 19:57
    Tudo bem a escola austríaca não considerar eficaz o uso da econometria, mas quais são os argumentos que refutam o uso da estatística? Apenas afirmar que é errada, sem nenhuma demonstração científica, não passa de papo de bar.
    Assim como o Diego, acredito que esse preconceito existe pela falta de conhecimento.
  • Ricardo  05/06/2013 20:04
    "quais são os argumentos que refutam o uso da estatística? Apenas afirmar que é errada, sem nenhuma demonstração científica, não passa de papo de bar."

    Jesus amado! O artigo fala especificamente da estatística colhida e utilizada pelo governo. Ele nada fala contra estatísticas colhidas para outros fins. O que está acontecendo com a capacidade de leitura do brasileiro?
  • Mark  06/06/2013 12:15
    Não sei se a capacidade de leitura do brasileiro vem melhorando ou piorando, mas posso afirmar que a sua é péssima. O meu comentário foi uma resposta às afirmações do Glaucio e do Tory, e não ao texto.
    Sugiro praticar, ou quem sabe se inscrever em um curso de interpretação de textos.
  • Tory  05/06/2013 20:35
    Modelos que tentam simular comportamentos complexos e difusos são interessantes para estudos, academicamente. Para prever o futuro são o desastre certo. Veja o caso do IPCC, por exemplo.
  • Diego  05/06/2013 20:10
    Em primeiro lugar, os economistas das escola austríaca não são levados em conta nem nos debates dos keynesianos, nem dos neoclássicos, nem de ninguém que acompanhou o desenvolvimento da economia nos últimos 40 anos! Uma teoria da qual não se pode provar, contra um universo gigante de teorias bem fundamentadas com resultados empíricos bem documentados e formalizados matematicamente... eis o motivo, tanto é verdade que os economistas neoclássicos defendem algumas posições da escola austríaca, mas somente após as devidas comprovações empíricas, a escola de Chicago que o diga. Não estou dizendo que estão errados, mas que essa ojeriza aos métodos quantitativos, contribui bastante para o descrédito da mesma.
  • Ricardo  05/06/2013 20:14
    Outro semi-analfabeto. O artigo critica única e exclusivamente o uso de estatísticas pelo governo, que as utiliza para controlar e regular a vida das pessoas. O artigo nada diz sobre o uso da estatística em outras searas.

    Aqui mesmo neste site há vários artigos que utilizam dados estatísticos, principalmente os do Leandro Roque e do Fernando Ulrich.

    É cada iletrado que surge aqui...
  • Diego  05/06/2013 20:28
    Perdoe-me, mas a conversa evoluiu para outro lado, essas ofensas proferidas só mostram o nível de imaturidade de meu interlocutor frente a idéias que confrontem suas convicções, não limitei meu argumento ao artigo, quis usar o espaço de debate para expor minha impressão quanto a Escola Austríaca, cujo artigo corrobora com a mesma. Você deveria se educar, falando desse jeito, pareca aqueles fanáticos marxistas...

    Um arigo pra você dar uma lidinha quando puder:
    www.bdadolfo.blogspot.com.br/2013/06/um-conselho-aos-seguidores-de-von-mises.html
  • Malthus  05/06/2013 20:52
    Retirado do blog linkado acima:

    "Vejamos: tem o governo o direito de desapropriar uma área para lá construir uma rodovia? Eu acredito que sim. Sim, em determinados casos o governo deve desapropriar áreas mesmo contra a vontade do proprietário original. Isto é uma ofensa ao direito de propriedade? Sim, claro que é. Eu sou um defensor do direito de propriedade, mas este não é absoluto. O que acham do governo desapropriar TODAS as terras? O único proprietário de terras seria o governo, e em vez de impostos pagaríamos apenas aluguel. Isso viola os requisitos do livre mercado?"

    Peraí! O Sachsida defende que o governo tem o direito de desapropriar TODAS as terras do país, e aí sai fazendo beicinho quando é corretamente chamado de socialista? Ora, um sujeito que defende que o governo pode tomar minha propriedade é sim uma ameaça iminente à minha vida, e não pode ser tratado com delicadeza. E isso não é postura exclusivamente libertária, não. Isso é questão de preservação da espécie, auto defesa. Nenhum conservador genuíno toleraria esse desaforo.

    P.S.: o coitado tá sendo massacrado na seção de comentários do blog dele. Fez confusão primária entre Escola Austríaca e filosofia libertária, e citou Mises, que não tem nada a ver com o assunto.
  • Alexandre M. R. Filho  05/06/2013 20:29
    Qual proposição da EA não foi comprovada empiricamente?


  • Tory  05/06/2013 20:32
    É, os métodos quantitativos estão dando certo mesmo, né? Tem visto como a economia anda aí viçosa?

    Repito, já que o uso de Twitter e o Facebook amplia o DDA da maioria: tratar economia como fórmula é uma furada, e toda a experiência do século XX comprova isso. O problema da estatística, nesse contexto, é que ela é usada como comprovação ou como ponto de partida (dependendo da conveniência do Krugman da vez) para esses devaneios que resultam em fórmulas matemáticas para encontrar um "equilíbrio" econômico, ou uma quantidade "ideal" de inflação.
  • Luciano  05/06/2013 20:44
    Sempre que ouço argumentos deste tipo me recordo de um ensaio escrito pelo nobre senhor que dá nome a este instituto, em 1920, e que teria poupado milhões de pessoas de muitas privações e sofrimento caso tivesse sido levado em conta pela "vanguarda" política de certos países.

    Os "resultados empíricos bem documentados" vieram, sim. Mas a que preço?

  • Diego  05/06/2013 21:59
    Senhores, não me interpretem mal, no fundo concordamos mais do que discordamos... meu ponto é: a estatística é útil, funciona como sintetizador de informações da realidade, se o governo faz mal uso dela, paciência, não é a primeira vez que isso acontece. Agora, vocês me dizerem que é desperdício de dinheiro público, como se fosse algo totalmente dispensável em nossa realidade é no mínimo ingênuo. Os países com melhor qualidade de vida vem adotando um conceito chamado Gestão para Resultados, esse é o segredo dos países nórdicos, implementar conceitos de mercado dentro do setor público. Uma alternativa mais realista do que a abolição do estado, etc. Mas como disse concordo que o governo devia se concentrar em suas atribuições fundamentais, temo é que o extremismo libertário acabe com seu potencial reformista que o país precisa.
  • Rodrigo  06/06/2013 10:53
    Diego,

    A critica da EA sobre a estatistica nao advem de fanatismo. Segue algumas sugestoes de.leitura:

    1) A pretensao do conhecimento , do Hayek.
    Esse foi o discurso de hayek quando ganhou o nobel.
    Aqui ele mostra q esses metodos quantitativos dependem de variaveis quantitativas, para poderem explicar um fenomeno. Todavia, em muitos casos , as causas sao melhores explicadas, por variavris q nao podem ser medidas. Assim, restringir nosso pensamento a variaveis quantitativas pode nos abdicar das melhores explicacoes.

    2) cap 6 do Acao Humana do Mises , especificamente sobre probabilidade de caso.
    Todos os testes de significancia dos parametros econometricos se aplicam a esse caso.

    3) A Logica do cisne Negro de Nassim Taleb
    ainda q nao seja ausdtriaco, eh um tratado fenomenal sobre probabilidade e risco , quando aplicado a um sistema complexo como a Economia.

    Abracao Diego
  • Eduardo Bellani  06/06/2013 13:08
    Os países com melhor qualidade de vida vem adotando um conceito
    chamado Gestão para Resultados, esse é o segredo dos países nórdicos,
    implementar conceitos de mercado dentro do setor público.


    Por favor, poderia me dizer como é possível implementar conceitos de
    mercado quando não existe nem lucro nem prejuízo?

    Muito obrigado.

    (sobre a discussão sobre estatística, recomendo esse
    artigo
    traduzido do Hoppe e, se ainda sobrar alguma dúvida, esse
    livro do Mises)
  • Andre Cavalcante  06/06/2013 15:20
    Diego,

    Me permita.

    1. Não existe isso de extremismo libertário. Ou se é libertário ou se é outra coisa, conservador, socialista, talvez. Extremismos somente acontecem quando se relativiza a liberdade e a propriedade. Se você não relativizar, que é o que caracteriza o libertário, então você é libertário.

    2. Apesar de, como ciência, a EA não ser empirista, são as evidências empíricas que melhor comprovam as teorias da EA. É o que o IMB sempre faz por aqui: pega a história da economia e faz uma análise segundo os princípios da EA de economia. Resultado: sempre consegue ter uma abordagem melhor do que outras escolas e, melhor ainda, fazer previsões mais acuradas do futuro.

    3. Mais uma vez: estatística foi a base para o controle do estado moderno e continua sendo. Mas ela não diz muita coisa. No momento em que você escolhe um índice qualquer e passa a monitorá-lo, e com certeza controlá-lo a partir de alguma variável econômica, para que o mesmo fique em um determinado patamar (uma decisão política), então ele já não serve mais como medidor preciso. E isso se mostra muito facilmente da seguinte forma: imagine que se queira diminuir o número de acidentes de trânsito; podemos usar vários índices, um deles é a quantidade de pessoas que comem pão e que se envolvem em acidentes (pode parecer um absurdo, mas a estatística vai mostrar uma correlação próxima de 100%, ou seja, "comer pão causa acidentes de trânsito"); logo para diminuir a correlação, basta simplesmente proibir as pessoas de comerem pão: se mesmo uma pequena quantidade cumprir com a determinação, as estatísticas de associação entre um e outro diminuiriam - em outras palavras, a complexidade do mundo real é bem maior do que a estatística, pura e simples, pode mostrar.

    Logo, não é simplesmente "usar adequadamente" a estatística: ela simplesmente não serve para mostrar leis relativas ao comportamento humano. Se a probabilidade e a estatísticas se dão muito bem com fenômenos naturais é porque eles acontecem segundo um lei natural e seus agentes não tem uma característica fundamental: livre-arbítrio. Tão simples quanto isso.
  • anônimo  06/06/2013 17:46
    'Apesar de, como ciência, a EA não ser empirista, são as evidências empíricas que melhor comprovam as teorias da EA.'

    Isso porque quando um país com welfare state tem algum sucesso, ele teve a despeito (como diria o Rodrigo Constantino) do welfare state. Isso não é jeito de provar nada.Se você tem sucesso e tem muitas variáveis, alguém comprometido com X pode falar que 'X teve sucesso a despeito de Y', já o outro comprometido com Y pode falar 'Y teve sucesso a despeito de X'
    E nenhum dos dois pode provar nada.
  • Andre Cavalcante  06/06/2013 18:08
    Exato o raciocínio, mas errado é achar que a justificativa da EA é esse "a despeito de...". Por exemplo, pegue a Grande Recessão de 30: enquanto o mainstream keynesiano tenta explicar as causas e consequências de uma variada maneira (i.e, depende do autor e não da teoria), quase todos que aplicam a EA no evento chegam às mesmas conclusões.
  • Laudelino  06/06/2013 00:15
    Sou responsável pela área de sistemas de uma multinacional e posso falar livremente.

    70% das pessoas dos departamentos fiscais, 40% do contábil e 20% da área de T.I. trabalham exclusivamente para atender as regulações loucas do governo e o maior projeto de dominação da história recente. O Sped. Uma montoeira de informações de gigas e gigas de arquivo texto que se não forem entregues a empresa é multada fortemente e em outros casos pode até ter sua atividade interrompida. A desculpa é estatística, mas no fundo é apenas controle e arrecadação.

    Ninguém consegue atender plenamente as 3 regulações novas diárias criadas desde 1952.

    Ninguém acha estranho mas agora ao vender alguma coisa dentro da sua relação com o cliente, existe uma entidade chamada governo que verifica de vai autorizar ou não a sua nota fiscal ou o seu serviço.

    Ninguém acha estranho, mas hoje temos mais obrigações para com o governo do que para com os nossos clientes.

    Na verdade no Brasil o empresariado assim como o povo é bem manso e nem sente mais dor... todos atendem a qualquer determinação sem nem ao menos protestar... país de gente sem sangue... com sangue de carrapato que é o sangue dos outros...
  • TL  06/06/2013 03:30
    Prezado Diego.

    "Em primeiro lugar, os economistas das escola austríaca não são levados em conta nem nos debates dos keynesianos, nem dos neoclássicos, nem de ninguém que acompanhou o desenvolvimento da economia nos últimos 40 anos! Uma teoria da qual não se pode provar, contra um universo gigante de teorias bem fundamentadas com resultados empíricos bem documentados e formalizados matematicamente . . ."

    Você destacou corretamente a diferença entre a Escola Austríaca e as demais: a rejeição do empirismo como método epistemológico.

    A EA rejeita o empirismo porque esse não é o método correto para análise da ação humana [economia]. A EA utiliza o método epistemológico apriorístico, similar ao método utilizado pela matemática. Por exemplo, o teorema de Pitágoras.

    Ao afirmar que a EA é "uma teoria da qual não se pode provar" e ao enfatizar que as demais escolas são científicas por causa do empirismo, você afirma que a EA não seria científica porque suas proposições não podem ser falseadas pela experiência (não é possível realizar um experimento que negue a validade das proposições).

    É importante destacar que essa acusação também se aplica às escolas econômicas fundamentadas no próprio empirismo. Ao analisarmos a premissa fundamental do empirismo e positivismo, de que o conhecimento deve ser verificável pela experiência [falseável], podemos perceber que ela é autodestrutiva, pois a própria premissa do empirismo não é falseável pela experiência.

    Para análise detalhada do empirismo e positivismo na ciência econômica, recomendo a leitura do capítulo 'O Socialismo de Engenharia Social e os Fundamentos da Análise Econômica' do livro 'Uma Teoria do Socialismo e do Capitalismo' de Hans-Hermann Hoppe.
  • Daniel  06/06/2013 13:40
    O sistema de ensino superior em nível mundial - esse treco que damos o nome de Academia - vem há mais de um século sendo ocupado e gerido pelo estado. Não precisa ser nenhum gênio pra conhecer a forte tendência do sistema estatal ensinar "teorias" pró-estatismo, pró-intervencionismo (por que será né?). Aí me aparece esse filisteu dizendo que EA não é reconhecida nos círculos keynesianos, neoclássicos etc etc. Só mesmo Olavo de Carvalho e suas 4 palavrinhas (VTNC) pra responder essa bobagem. A EA não é respeitada no meio estatista?!?! Isso só aumenta a reputação dos austríacos, ora bolas.
  • Platão Aristóteles  05/06/2013 18:34
    Já conhecem o «Manual do socialismo»? www.scribd.com/document_downloads/134640820?extension=pdf&from=embed&source=embed Ou pt.scribd.com/doc/134640820/MANUAL-DO-SOCIALISMO
  • Felipe Barbosa  05/06/2013 19:06
    Google trends não só colhe informações melhor como também sabe trabalhar com elas melhor do que 20 IBGEs de uma só vez.
  • Wagner  05/06/2013 19:27
    [Off-topic]

    O pior é receber email escrito isso:

    "Planos de saúde são notórios pelos imensos problemas causados aos consumidores e, por isso, quem deveria receber investimentos públicos não é uma saúde privada ineficaz, mas sim a saúde pública que é direito de todos e dever do Estado."
    Joana Cruz
    Advogada, Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
  • Anônimo  06/06/2013 02:23
    Sabe quando uma frase parece saída do repertório do "Um Filósofo"?

    Inspira desistência e dói apenas de ler. Magoa-me ao extremo ler qualquer coisa vinda de um jurista pró-estado.

    TOP 10 formas de comentar mais esta pérola vinda de juristas:
    (Nada sério, apenas brincadeiras, disparates e questionamentos sérios.)

    10º - O setor de telecomunicações é campeão em reclamações. Por isso, um modelo estatista seria melhor. Todos sabemos que deu muito certo.

    9º - Claramente as pessoas na fila do hospital o fazem por agradecimento ao sistema público. Elas não contam como reclamações.

    8º - É claro que eu tenho o direito de você me dever saúde e educação gratuitas e diversos outros serviços subsidiados.

    7º - É claro que você tem o direito de eu dever a você saúde e educação além de subsidiar seus outros serviços.

    6º - É claro que uma instituição que não sofrerá punições que signifiquem aos seus agentes caso sirva serviços ruins oferecerá algo melhor que as que sofrem.

    5º - É claro que o serviço médico não será tomado pelo seu uso irresponsável de seus habitantes caso ele seja gratuito. E também é óbvio que aqueles que precisam de fato dessa não sofrerão qualquer tipo de impedimento a seu entendimento por isso.

    4º - É óbvio que o Brasil será a exceção aos questionamentos dos neoliberais da 6º e 5º. Ele possui um excelente histórico de serviços públicos, não?

    3º - Serviços médicos no Canadá e Suécia devem ser símbolo máximo de eficiência, não? Se eles não forem, quem se importa?

    2º - Por que educação é direito de todos? Porque está na Constituição. É óbvio que essa é que determina os parâmetros de ética do indivíduo e tudo que nela está estabelecido é indiscutível pois são, provavelmente, a obra máxima da capacidade intelectual humana; ou seja, quase divina.

    1º - Sim, companheira. Ao criar bloqueios para a entrada de novas concorrentes, decidir investimentos no setor privado(Não foram explicados em seu comentário) e taxá-lo, estamos semeando as sementes de melhores serviços. Afinal, as companhias de seguro não auferem ganhos taxativos ao estado que ele poderá investir no que achar melhor. Sim, está sendo uma resposta ruim, mas você também fez uma sentença horrível.
  • Juliano  05/06/2013 20:15
    Algum comentário!?

    br.noticias.yahoo.com/blogs/vi-na-internet/soneg%C3%B4metro-vai-calcular-quanto-o-pa%C3%ADs-deixa-arrecadar-222750287.html

  • Sergio  06/06/2013 00:56
    Iniciada em 1o de janeiro de 2013, até o dia 3 de junho, a contagem já tinha ultrapassado a casa dos R$ 130 bilhões (você leu certo). Para efeito de comparação, com esse montante seria possível alimentar 121 deputados corruptos.
  • Sergio  06/06/2013 01:00
    Desculpe pulular os comentarios aqui, mas a materia lá no yahoo tem nos comentarios o seu melhor:
    Porque não fazer também o "DESVIÔMETRO"?
    E o Robalhômetro vã lançar quando?
    E QUANDO VÃO INAUGURAR O CORRUPTÔMETRO?
  • anônimo  06/06/2013 00:47
    [Off-topic]

    Sugestão de tradução e publicação: Resist Not Evil. Além de mais um excelente livro no acervo do IMB, renderia uma série de excelentes artigos.
  • Sergio  06/06/2013 00:53
    Sonegômetro, mais conhecido como 'dinheiro que não foi pro bolso de cachoeiras e valérios'
  • pensador barato  06/06/2013 01:10
    O sonegômetro é uma piada de mau gosto dos burrocratas de Brasília sindicato boçal querendo ganhar mídia com essa idéia babaca e se por acaso essa estimativa estiver correta por que então eles não dão nomes aos bois é mais um papo furado vindo da ilha da fantasia...
  • anônimo  06/06/2013 10:16
    Se é sonegado, como eles podem saber?
  • Luís  08/06/2013 21:32
    Kkkkkkkk....foi o que pensei quando li sobre o sonegometro!
  • Típico Filósofo  06/06/2013 01:56
    Mais um protesto do senhor Rothbard pelos interesses de sua classe, negando completamente a imprescindibilidade social dos compromisso das corporações para com as agências de taxação. É vital que o Estado impeça a concentração do mercado devido à natureza predatória e anti-ética dos grandes capitalistas: Sobrepõem-se através da maior exploração da mais-valia.

    Anuncio o oposto: Os deveres das companhias estratégicas para a perpetuação do poder dos ricos(Importadoras, tecnologia da computação, educação e saúde)junto ao fisco deveriam aumentar mais e mais ao ponto de que os serviços privados estarão impossíveis de agir e assim a mídia movimentará a população para lutar por serviços públicos de qualidade.

    Um leitor astuto e ciente da busca pelo bem comum me orientará para a diminuição da arrecadação que ocorreria caso tal política fosse implantada(As orientações do Sped são parte fundamental dessas), entretanto, tal atitude seria imprescindível para a retomada de políticas nacionais voltadas ao crescimento; ou seja, com maior presença de políticas estratégicas de impressão monetária ao bem comum e menos compromisso para com os interesses privados da classe média.
  • Daniel Marchi  12/08/2013 17:50
    Mais informações para mais intervenção do estado. Agora eles vão mergulhar de cabeça na questão da saúde e dos comportamentos "adequados".

    IBGE começa nesta segunda coleta para Pesquisa Nacional de Saúde
    g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/08/ibge-comeca-nesta-segunda-coleta-para-pesquisa-nacional-de-saude.html

    (...) entre as metas, está o enfrentamento de doenças crônicas, a redução do tabaco, a redução do sedentarismo, a redução da pressão arterial, deter a diabetes, deter o sedentarismo, reduzir o consumo de sal e aumentar o consumo de frutas, legumes e hortaliças. "Elas serão monitoradas pela Pesquisa Nacional de Saúde. Como faremos a cada cinco anos, poderemos fazer esse monitoramento", concluiu.



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