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Falácias keynesianas - parte I

Pretendo publicar uma série de artigos apontando as falácias de Keynes, dos keynesianos e seus desdobramentos (neokeynesianos, pós-keynesianos, novos keynesianos etc.).  Para não cansar nem o leitor e nem a minha paciência — já exausta de ouvir repetitivamente a mesma cantilena — vou expor duas falácias de cada vez, apontando suas inúmeras inconsistências.

Uma leitura excelente para mostrar alguns dos argumentos que vou apresentar é o excelente livro de Murray Rothbard, A Grande Depressão Americana, publicado, pela primeira vez, em 1963, mas que continua, a meu ver, sendo o melhor livro e a melhor análise sobre a enorme crise que abalou a economia americana no final dos anos 1920 e início dos anos 30 do século passado.  Sem medo de errar, afirmo que o Instituto Mises Brasil, ao traduzir e publicar, em 2012, essa obra formidável em português, prestou um enorme serviço de esclarecimento não só para economistas como também para comentaristas que vivem repetindo que a culpa daquela depressão pode ser atribuída ao mercado, a "forças obscuras", a "espíritos animais", à "ausência de maior regulamentação do estado", a "baixa oferta monetária", e a "paradoxos da poupança", bem como a outras explicações escatológicas.

É claro que há muitas outras explicações importantes por parte dos economistas austríacos sobre aqueles problemas, especialmente as de Mises, Hayek, Haberler e do próprio Rothbard, reunidas no livro The Austrian Theory of the Trade Cycle and Other Essays, uma compilação de Richard Ebeling com introdução de Roger Garrison, publicada em 1996 pelo Mises Institute de Auburn  e que pode ser baixada no site daquele instituto.

Devo esclarecer aqui que nesta série de artigos não pretendo ser original. Apenas vou relatar o que os autores austríacos têm a dizer sobre a TACE (Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos) e, vez ou outra, rechear esses relatos com comentários adicionais.

Vamos então apontar as duas falácias deste mês: a primeira é a de que a teoria austríaca dos ciclos pressuporia a existência de pleno emprego dos fatores de produção e a segunda a de que ela enxergaria os booms econômicos como períodos caracterizados por "sobreinvestimentos". Vamos refutá-las?

1. A TACE só é válida sob a hipótese inicial de pleno emprego

Nada mais equivocado do que tal afirmativa!  Segundo ela, os ciclos provocados por expansões artificiais do crédito não ocorreriam na existência de desemprego!  Definitivamente, isto é uma enorme falácia porque a TACE não pressupõe pleno emprego dos fatores de produção (capital e trabalho). A explicação é simples: a inflação, definida como expansão da oferta monetária sem lastro, empregará mais trabalho somente na hipótese nada plausível de que os trabalhadores sejam tão néscios a ponto de aceitarem salários reais mais baixos quando estes são mascarados pelos aumentos nos preços dos bens e serviços.  E quanto à ociosidade nos bens de capital, é evidente que isto pode ter ocorrido em decorrência de investimentos equivocados realizados no passado, por exemplo, em algum período de aquecimento da economia e dificilmente recuperados.

Como a TACE mostra claramente, expansões artificiais do crédito, isto é, não baseadas em poupança genuína, mas em moeda fantasiada de poupança, emitem sinais positivos ilusórios para o capital nos setores de ordens mais elevadas, o que atrairá investimentos de longo prazo para esses setores, mas isto só poderá acontecer durante algum tempo, porque o cabo de guerra subsequente entre consumo e investimento, dadas as preferências intertemporais, acabará por elevar a taxa de juros e mostrando a realidade dos fatos: aqueles investimentos foram malinvestments, e esse fato inescapável, ou seja, os erros  cometidos anteriormente, serão amplificados ao final do período de boom.

Espero ter ficado bem claro que expansões artificiais de crédito geram ciclos econômicos e isso nem de longe depende da existência ou ausência de fatores de produção desempregados!

E mais — como escreveu Rothbard — "a expansão do crédito em meio ao desemprego criará mais distorções e maus investimentos, retardará a recuperação do boom anterior e fará com que uma recuperação mais rigorosa seja necessária no futuro".(pág. 70 da edição do IMB).

Na verdade, os fatores desempregados (trabalho e capital, este concebido como uma estrutura e não como um agregado) podem não ser agora desviados de alternativas mais lucrativas em relação ao que seriam caso estivessem sendo empregados, porque sua ociosidade decorreu de investimentos errados, mas também é verdade que os fatores complementares serão utilizados pelo processo produtivo juntamente com os primeiros (e isso fica mais claro quando concebemos o capital como uma estrutura com diversos estágios, cada um deles com um mercado de trabalho específico). Esses fatores complementares serão, portanto, mal investidos, aprofundando o desperdício e a recessão ou depressão.

No período de boom a demanda de trabalho nos estágios produtores de bens de ordens elevadas subirá, elevando os salários, enquanto que nos estágios mais próximos ao consumo final a demanda de mão de obra poderá até mesmo cair, reduzindo, portanto, os salários. Tudo isso provoca efeitos alocativos ao longo de toda a estrutura de capital que os agregados do Sr. Keynes não permitem enxergar.

Para um desenvolvimento mais aprofundado desses argumentos austríacos, aconselhamos a leitura de Prices and Production, de Hayek, uma brilhante descrição da TACE em que aquele grande economista mostra com clareza contundente que a teoria austríaca sobre os efeitos perniciosos da expansão do crédito também é perfeitamente compatível com a existência de desemprego de fatores de produção.

Resumindo, a TACE — a constatação de que aumentos no crédito sem o correspondente aumento da poupança, ou sem alterações na relação intertemporal entre consumo e poupança — não depende da existência ou da ausência de desemprego de fatores de produção. Aliás, sabemos — e os austríacos principalmente — que o conceito de "pleno emprego" é, na linguagem de Mises, uma "construção imaginária", um factóide inexistente no mundo real da economia.

2. A TACE pressupõe que o boom nada mais é do que um período de "sobreinvestimento"

Aqui — como quase  sempre — parece que Keynes e seu séquito escutaram o galo cantar, mas sem saberem de onde veio o canto. Recorramos a Mises para rebater esse equívoco.

"O investimento adicional só é possível na medida em que há uma oferta adicional de bens de capital disponíveis... O boom em si não resulta numa restrição, e sim num aumento do consumo, ele não obtém mais bens de capital para novos investimentos". Portanto, a essência do boom de expansão do crédito não é um sobreinvestimento, mas investimento equivocado, isto é, mau-investimento (malinvestment)... numa escala para a qual os bens de capital disponíveis não são suficientes.

Como a oferta de bens de capital demanda mais tempo para se concretizar, empresas não podem entrar em operação porque ainda não houve tempo para a instalação de outras empresas que produzam insumos complementares para a produção das primeiras e, como escreveu Mises, "fábricas cujos produtos não podem ser vendidos porque os consumidores antes preferem comprar outros bens que, no entanto, não são produzidos em quantidades suficientes" (porque o crédito artificial estimulou investimentos equivocados em outras etapas do processo produtivo).  Em outras palavras, o término inescapável da expansão creditícia torna visíveis erros que antes pareciam acertos!

É claro que todos veem somente os malinvestments visíveis, sem notar que isso foi provocado porque não surgiram empresas para produzirem bens complementares, bem como empresas necessárias para produzir aqueles bens de consumo que agora são mais demandados.

Mises, em Ação Humana, é bastante claro: "A classe empresarial inteira fica como que na posição de um construtor que superestima a quantidade da oferta disponível de materiais... supervisiona a construção das fundações... e só depois descobre... que não tem o material necessário para completar a estrutura. É óbvio que o erro de nosso construtor não foi um sobreinvestimento, mas um investimento inapropriado".

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Alguns críticos teimosos, levando a metáfora misesiana às últimas consequências, argumentaram (e ainda continuam, 70 anos depois, a argumentar) que se o boom continuar por mais tempo, tais processos a que Mises se refere poderão se completar.

Para a TACE, expansões creditícias sem lastro em poupança genuína deformam o investimento, canalizando-os para os estágios iniciais da produção, restando uma parte insuficiente para a produção de bens de ordens inferiores, isto é, bens de consumo. Somente os mercados livres das agressões do estado podem garantir que uma estrutura natural de produção complementar de capital se desenvolva automaticamente com o decorrer do tempo.

Como escreveu brilhantemente Rothbard em sua obra citada no início: "... a expansão do crédito bancário trava o mercado e destrói os processos que criam uma estrutura equilibrada. Quanto mais longo for o boom, maiores serão as distorções e os malinvestments".

No próximo mês pretendo desmitificar mais duas falácias que os keynesianos costumam usar abusivamente e que vêm influenciando negativamente gerações de economistas, comentaristas de economia, políticos e o público em geral.


1 voto

autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Getulio Malveira  31/05/2013 15:12
    Mais um texto simples e brilhante do prof. Iorio! Uma dúvida somente: seja uma situação de expansão artificial de crédito (que suponho poder ser identificada pelo aumento concomitante de consumo de bens primários e investimentos de longo prazo ou por outro indicador), seria correto dizer que todos os investimentos feitos sob essa conjuntura resultarão necessariamente em malinvestiments? Ou o melhor que se pode fazer em termos de predição é dizer que há uma boa chance de que boa parte desses investimentos se revelem como malinvestments? Que apoio a TACE pode dar ao investidor no momento de avaliar um mercado e tomar sua decisão de investir?

  • Leandro  31/05/2013 16:24
    A questão principal não é exatamente o quão "aproveitáveis" serão os investimentos estimulados pela expansão do crédito e da moeda. A questão é a destruição que eles geram.

    Na mais otimista das hipóteses, ainda que haja algum investimento minimamente aproveitável, é necessário levar em consideração todos os recursos escassos que foram destruídos neste processo.

    Bolhas não geram desenvolvimentos; bolhas geram apenas uma má alocação e uma consequente destruição de capital. Bolhas fazem com que recursos escassos sejam imobilizados em empreendimentos para os quais não há -- e nem nunca houve -- genuína demanda.

    Durante uma recessão gerada pelo estouro de uma bolha, os consumidores estão mais pobres do que antes justamente por causa de todos os investimentos errôneos e insustentáveis que foram empreendidos em decorrência da expansão artificial do crédito, investimentos estes que imobilizaram capital e recursos escassos para seus projetos, recursos estes que agora não mais estão disponíveis para serem utilizados em outros setores da economia. No geral, a economia está agora com menos capital e menos recursos escassos disponíveis. Capitais e recursos escassos foram desperdiçados na construção de imóveis e de outros empreendimentos sem demanda, capitais e recursos que poderiam estar hoje sendo aplicados em outros setores da economia.

    Por exemplo, tanto em Portugal quanto na Espanha surgiram aeroportos do nada em cidades minúsculas e estradas foram duplicadas sem absolutamente nenhuma demanda. Hoje, esses aeroportos e essas estradas estão completamente abandonados. Toneladas de cimento, de concreto armado, de vergalhões etc. foram imobilizadas nestes empreendimentos, tornando-se escassos para outros empreendimentos da economia. Como isso pode representar criação de riqueza?

    Este capital se encontra agora destruído (ou com um valor extremamente reduzido), as pessoas e empresas estão mais endividadas (afinal, expansão do crédito se dá por aumento do endividamento), e os preços em toda a economia estão mais altos.

    A riqueza genuína só pode ser criada pela divisão do trabalho, pela poupança, pela acumulação de capital, pela capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), pelo respeito à propriedade privada (o que implica baixa tributação), pela segurança institucional, pela desregulamentação econômica, pela moeda forte, pela ausência de inflação, pelo empreendedorismo da população, por leis confiáveis e estáveis, por um arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Agora -- e talvez aqui esteja a sua dúvida --, embora aumentos na quantidade de dinheiro não façam a economia crescer, eles de fato alteram a estrutura da mesma; embora variações na oferta monetária não produzam impacto no crescimento agregado da economia, elas certamente afetam a maneira como os recursos da economia são alocados e distribuídos. Ou seja, as variações da oferta monetária determinam como será a estrutura produtiva da economia, mas não o nível da produção. Variações na oferta monetária sempre serão benéficas apenas para o governo e para suas empresas favoritas -- como o setor bancário e os grandes industriais amigos do rei --, que são os primeiros a receber o novo dinheiro criado.

    Logo, é justamente nestas empresas que você pode investir para ganhar dinheiro durante a bolha. Mas é importantíssimo que você saiba exatamente o momento de cair fora, antes que os balancetes delas comecem a registrar prejuízos.
  • Getulio Malveira  31/05/2013 16:38
    Era justamente essa a minha questão, Leandro. Muito obrigado, foi muito esclarecedor! Lembro que no encontro da E.A de Brasília havia um empresário da construção civil com quem conversei e o que lhe interessava era justamente isso: como a E.A. poderia lhe ajudar a analisar seu mercado. Eu próprio tenho investimentos nesse setor, então me parece importante essa transposição da teoria macro para a análise de mercados específicos.
  • Gabriel Ferreira  05/06/2013 11:24
    As respostas do Leandro são tão construtivas quanto os próprios artigos do instituto. É uma delícia ler a construção de seu raciocínio e argumentação. Parabéns mesmo!
  • Leandro  05/06/2013 11:46
    Gentileza extremada, Gabriel. Obrigado.
  • Lopes  31/05/2013 19:11
    Claríssimo artigo, como de costume do professor Iorio.
    Sempre minha principal referência teórica quando lidando com problemas econômicos.
  • Andre  31/05/2013 19:18
    Excelente artigo!
    E a imagem do castelo de areia foi um escolha perfeita.
  • Eliel  31/05/2013 19:47
    Antes achava economia tão obscura, tão cheia de espíritos animais ...
    Ter descoberto a Escola Austríaca de Economia revolucionou meu entendimento sobre o assunto.
    Agora lendo os textos do prof.Bira, além de assistir suas aulas disponíveis neste site, meu raciocínio evolui a cada artigo.
    Ainda assim confiro as explicações, de economistas convidados pelos veículos de comunicação como, por exemplo, G1, Globo News, etc, a respeito da inflação.
    Mas nenhum a definiu como consequência da "como expansão da oferta monetária sem lastro", nas palavras escritas pelo prof. Iorio linhas acima. Em geral trocam os efeitos pela causa. Outros chegam a dizer que se trata da falta de confiança das pessoas (?)... a causa da inflação ( seres que usam gravatinhas borboleta com estampas de equações econométricas que nem o Dr.Spock aplicaria na economia de Vulcano se pudesse ).
    É isso,
    Live long and prosper.
  • caio  01/06/2013 05:51
    Ainda me é nebulosa a ideia do malinvestment. A teoria Austriaca critica tanto as agregações keynesianas antigas la da decada de 50, que não partiam do individualismo metodologico, porém os modelos de hoje em dia partem de maximização de agentes, e a TACE explicitamente diz que taxa de juros baixas geram investimentos errados, ou seja, os agentes ou ignoram o fator expectativas, ou não aprendem com erros, ou simplesmente a teoria é agregatória assim como a Keynesiana antiga.

    abraço
  • Thames  01/06/2013 06:04
    É claro que essa "falha" já foi abordada. Era só você ter pesquisado:

    Expectativas e a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos
  • caio  01/06/2013 06:33
    "Portanto, de acordo com a TACE, a diminuição artificial dos juros pelo banco central leva a uma má alocação de recursos porque os empresários passam a empreender vários projetos importantes que, antes da diminuição das taxas de juros, não eram considerados viáveis. Essa má alocação de recursos é comumente descrita como um boom econômico. Esse processo, entretanto, é interrompido quando os empresários descobrem que a diminuição das taxas de juros não está de acordo com a demanda e oferta de poupança dos consumidores, isto é, as preferências temporais dos consumidores."

    Então.. ainda não entendi a falta de expectativas. Acho que empresário nenhum ignora quanto a produtividade do capital (inclui seu custo) será no futuro. Dizer que juros baixos no presente = um grande boom de investimentos errados é tão bizarro quanto os modelos keynesianos da decada de 50 como a curva de Phillips orignal
  • Leandro  01/06/2013 12:15
    Prezado Caio, a questão é que, mesmo que você seja um empreendedor totalmente ciente da teoria dos ciclos econômicos, você não poderá se dar ao luxo de ficar de fora da farra permitida pela expansão do crédito. Você sabe que a coisa vai dar errado, mas mesmo assim terá de participar, pois, caso fique de fora, você será demolido pelos seus concorrentes, perderá fatia de mercado, perderá receitas e poderá quebrar antes deles.

    Ou seja, durante uma expansão creditícia, aquele empreendedor que se reprimir e não embarcar na euforia simplesmente irá perder uma importante fatia de mercado. Logo, mesmo os empreendedores mais comedidos e totalmente versados na teoria austríaca acabam sendo obrigados a entrar na farra. Se não o fizerem, seus concorrentes agradecerão, tomarão seus clientes e, com isso, poderão até tirá-lo do mercado antes da recessão. Você simplesmente não pode se dar ao luxo de correr este risco.

    Esta é a nocividade de uma expansão creditícia. Ela inevitavelmente pune os prudentes, de um jeito ou de outro.

    Fora isso, você também nada pode fazer contra a subida dos preços, pois existe apenas uma moeda, ela é monopólio do estado e sua aceitação é obrigatória. Simplesmente não há para onde correr. Empreendedores prudentes serão punidos por sua frugalidade e contenção. Este sistema monetário praticamente obriga os sensatos a se juntarem aos desatinados.
  • caio  01/06/2013 19:20
    Leandro, beleza, agora vc tem que explicar de por que no bust, empiricamente, todas as industrias sofrem queda de produção e consumo, se na teoria de voces ocorre uma realocação de setores improdutivos para os produtivos. Ou seja, a teoria do boom bust austriaca não explica o porque da economia estar ruim para setores não relacionados à bolha precedente, não ocorrendo a tal realocação produtiva procedente do malinvestment
  • Leandro  01/06/2013 21:26
    Não entendi a dúvida. Leia o que expliquei ao leitor Getulio Malveira. Durante a expansão do crédito, empresas e indivíduos se endividam (óbvio, pois é por meio de dívida que o crédito se expande). Quando a expansão do crédito se desacelera, a quantidade de dinheiro na economia para de crescer. Consequentemente, a renda fica estagnada, mas as dívidas continuam altas. Isso faz com que os gastos diminuam. E isso afeta todas as empresas e indústrias.

    Estou fora de casa e escrevendo pelo celular. Tenha a bondade de ler meus dois últimos artigos, que falam exatamente sobre isso.
  • caio  01/06/2013 23:27
    Não ha duvida nenhuma, mas a explicação do endividamento causando uma diminuição de demanda não é Austríaca, muito menos o que você disse sobre deflação causando desemprego.

    Agora, você abandonou a TACE, só não abandonou na hora de dizer o que gera a bolha. Você ainda acredita que o Fed causou ela? Você não explicou como, e pior, ja ocorreram varios periodos com taxas reais mais baixas até, sem ocorrerem bolhas. Esses argumentos não duram 3 segundos num V.A.R
  • Leandro  02/06/2013 00:46
    "Não ha duvida nenhuma, mas a explicação do endividamento causando uma diminuição de demanda não é Austríaca, muito menos o que você disse sobre deflação causando desemprego."

    Obrigado pelo elogio. Acabou de dizer que eu inventei uma teoria própria. Mas não. Apenas repeti o que aprendi estudando teoria austríaca. Se eu deduzi algo que, segundo você, não estava na teoria austríaca, então meu cérebro deve ser privilegiado.

    "Agora, você abandonou a TACE, só não abandonou na hora de dizer o que gera a bolha."

    Obrigado de novo. Então eu criei uma teoria própria. Vou pedir meu Nobel.

    "Você ainda acredita que o Fed causou ela? Você não explicou como, e pior, ja ocorreram varios periodos com taxas reais mais baixas até, sem ocorrerem bolhas."

    Pelo que entendi, você queria que eu explicasse todos os detalhes da crise americana numa simples seção de comentários, e escrevendo de um celular.... Obrigado pelo elogio involuntário.

    Temos inúmeros artigos explicando a crise americana. Este é bastante simples:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=168

    Mas se você quiser um bem completo, mas voltado para a realidade européia, pode ver este abaixo. O mecanismo é idêntico para o fenômeno americano.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1514


    "Esses argumentos não duram 3 segundos num V.A.R"

    É verdade. Quando se dialoga com alguém que não domina os detalhes do assunto em questão, qualquer debate é uma completa perda de tempo e tem de ser encerrado imediatamente.

    Grande abraço!
  • caio  02/06/2013 02:04
    Leandro

    nãnãninãnão.. Não adianta falar que rigidez de salário causa ciclos econômicos e dizer que isso é TACE, porque não é.

    "As pessoas ficam animadas. Empreendedores recebem financiamento barato para praticamente qualquer investimento que queiram fazer, não importa o quão irracional tal investimento seria em outras circunstâncias."

    É.. me parece algo pra la de tosco mesmo. Repito, esse tipo de raciocinio não explica boa parte da historia recente, é muito mais plausivel uma falha de mercado, informação assimetrica, etc.. ou o que até os outros heterodoxos chamam de esquema ponzi é menos estranha que essa "teoria"

    abraço
  • Leandro  02/06/2013 02:44
    "Não adianta falar que rigidez de salário causa ciclos econômicos e dizer que isso é TACE, porque não é."

    A TACE jamais disse que "rigidez de salário causa ciclos econômicos". Você não entendeu nada, criou um espantalho, bateu nele e saiu cantando vitória. Rigidez salarial prolonga recessões, mas não é causa dos ciclos econômicos. A raiz dos ciclos econômicos é a expansão monetária.

    Meu filho, aproveita sua noite de sábado e vai dar uma estudada básica nestes conceitos triviais. Querer discutir algo sem conhecer sequer as premissas mais básicas do tópico é algo vergonhoso e auto-humilhante. Apenas um conselho.
  • Gabriel Ferreira  05/06/2013 11:40
    Qualquer debate pressupõe uma certa igualdade de conhecimento entre os indivíduos. Lembrei agora de um vídeo que assisti no qual um físico moderno voltava no tempo e tentava um debate com um físico da idade média. Foi engraçado, o que eu vi aqui agora também foi... tsc, o da idade média também pensou ter ganho o debate...
  • Ronei  01/06/2013 15:30
    Para o aprendizado é necessário identificar o problema, no caso a taxa de juros artificial, mas existem inúmeros outros fatores organizacionais que desviam a atenção desse fator. Por exemplo, adaptação dos funcionários a um novo procedimento, falta de uma equipe de marketing, falta de um controle financeiro melhor... e por aí vai. Diria que para um empreendedor que não conhece a tace, descobrir que o seu mau investimento se deve a uma taxa de juros artificial ele precisará realizar muitos maus investimentos, talvez, mesmo assim ele não consiga entender.
  • IRCR  01/06/2013 09:08
    Leandro

    Houve casos de malinvestment nos USA ? e atualmente no brasil tb há ?
  • Leandro  01/06/2013 12:13
    Sabe soletrar "bolha imobiliária"?
  • IRCR  01/06/2013 18:31
    Digo alem de imoveis
  • Hay  05/06/2013 13:07
    Há também a bolha do ensino superior nos EUA:
    * Nos últimos 25 anos, o custo da educação nos EUA subiu 440%, 4 vezes mais do que da inflação.
    * Quase metade dos graduados realizam trabalhos que não requerem curso superior.
    * 85% dos graduados voltam às casas dos pais após a formatura.

    Isso tudo porque houve uma injeção massiva de crédito na educação superior nos EUA. E essa bolha pode ter efeitos muito mais nefastos do que a imobiliária. Uma pessoa que fez um financiamento ou mesmo uma série de hipotecas tem como garantia sua casa. Se, de repente, ela estiver devendo muito mais do que a casa vale, ela normalmente pode simplesmente deixar que o banco tome a casa - e fique com o rombo. Já quem faz um financiamento para estudar em uma universidade nos EUA não tem opção. Se ela deixar de pagar, o valor é descontado do contra-cheque e até mesmo do seguro-desemprego.
  • Caio  03/06/2013 11:53
    Perfeito o texto, mas me restou uma dúvidas quanto ao seguinte parágrafo:
    "É óbvio que o erro de nosso construtor não foi um sobreinvestimento, mas um investimento inapropriado".

    Um sobreinvestimento não é um investimento inapropriado?
  • Caio  07/06/2013 14:22
    Alguém pode ajudar?
  • Leandro  07/06/2013 14:32
    "Sobreinvestimento" é um investimento excessivo, um investimento que passou do ponto. Por exemplo, uma sala de cinema que era para ter apenas 100 lugares foi construída com 200 lugares.

    Já um investimento inapropriado é um investimento que sequer deveria ter sido feito, pois não há genuína demanda para ele. Por exemplo, a construção de uma sala de cinema IMAX, com garçons servindo uísque e que cobra um ingresso de R$70, em São Tomé das Letras.
  • Caio  07/06/2013 19:55
    Aí que tá Leandro, os 100 lugares a mais não pode ser entendido também como um investimento que nem deveria ser feito? Se não por que? Afinal há de convir que para os lugares a mais também não há demanda, assim como uma sala de cinema IMAX, com garçons servindo uísque e que cobra um ingresso de R$70, em São Tomé das Letras.

  • Leandro  07/06/2013 20:18
    Foi um investimento adicional desnecessário. Havia sim demanda para uma sala de cinema com 100 lugares, mas não uma com 200 lugares. Logo, o custo desta obra saiu desnecessariamente mais alto.

    Já em São Tomé das Letras nunca houve sequer demanda para uma sala IMAX com ingresso a R$70, a qual acabou sendo construída mesmo assim.

    Para não ficar só na teoria, basta ver o que ocorreu na Espanha e em Portugal na década passada: rodovias foram duplicadas e hoje estão às moscas, aeroportos regionais foram construídos e hoje só urubus pousam lá, mais de 600 mil imóveis estão vazios (na Espanha). Isso não é meramente um investimento excessivo mas sim um investimento completamente errôneo.
  • ricardo arruda  03/06/2013 16:06
    Gostaria do comentário de Ubiratan sobre esse vídeo do Big Think https://www.youtube.com/watch?v=cWn86ESze6M
  • Malthus  03/06/2013 16:48
    Essa adoção da linguagem da física pela economia foi abordada neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1603
  • Eliel  03/06/2013 22:04
    Caro Ricardo, como físico e estudioso da ciência econômica ensinada pelos pais fundadores da Escola Austríaca peço licença em colar aqui, nesse espaço, a transcrição em português, perdoem os erros,da fala do ilustre professor doutor Lee Smolin. O Dr. Smolin, pra quem não sabe, é teórico da Teoria da Gravidade Quântica em Loop, um desenvolvimento das equações de Asthekar para os anéis de espaço. Até onde sei é rival dos teóricos da teoria de Supercordas reunidas na Teoria M e liderada por Ed. Witten, Brian Green e Cia.
    Um conselho a você que é físico, químico, matemático, astrônomo, engenheiro ... estude o básico da economia ensinada pela Escola Austríaca e conhecerá, sem mistérios e sem economês falacioso, o que rola por aí e que é chamada de mainstream. As vídeo aulas do professor Alex Catarino reforçam a filosofia das ciências física e economia comparadas. Melhor mesmo é assistir aos vídeos postados abaixo.

    Lee Smolin: Physics Envy and Economic Theory



    0:00
    Então, eu fui puxado para a economia em 2007 por causa da crise econômica de 2008. Mike Brown, que tinha sido o primeiro diretor financeiro da Microsoft, Chief Financial Officer da Microsoft e tesoureiro da Microsoft, ele veio para Toronto em 2007 e levou eu e minha esposa para jantar fora e disse:
    ele estava tentando montar um grupo de pesquisa para trabalhar em economia e que ele gostaria que eu a ser envolvido. E eu disse: "Eu não sei nada sobre a economia." E ele disse: "Isso é tudo bem, porque ninguém faz e todo o sistema está prestes a entrar em colapso. "Ele disse:" O saldo folhas de todos os grandes bancos de investimento - é como eles têm câncer. Eles estão cheios de buracos ".
    E eu me lembro de estar muito impressionado com isso porque isso foi antes que alguém estava falando sobre isto. E então eu comecei a fazer amizade com um grupo de pessoas que estava reunindo para entender o que ia acontecer e entender se havia alguma maneira de salvar a situação. Ele Foi uma coisa muito ambicioso e, é claro, nós falhamos. Mas ao longo do caminho eu estava motivado como uma espécie de serviço público a se interessar por economia.
    E o que eu encontrei. . . economia, de certa forma, é muito fácil para um físico para entender porque é muito matemático. E os modelos matemáticos que eles usam são muito limpos. Eles são baseadas em suposições e hipóteses, e você pode estudá-los. E, como eu estudei, comecei de entender, alguns para mim e mais a partir de apenas lendo por aí, porque as falhas com os modelos econômicos padrão, com os modelos padrão de financiamento, são bem conhecidos. Eles têm sido na literatura há décadas e décadas. Então deixe-me dar alguns exemplos.

    1:36

    O modelo padrão da economia é chamado o modelo neoclássico e ele assume que mercados ou sistemas de negociação que acontece entre consumidores e empresas e há certa simples modelos de como o que se passa. E as idéias que estes vêm ao equilíbrio. Equilíbrio não no sentido físico, mas no sentido econômico especial em que você chegar a um ponto em que os preços são fixados de modo que as forças de mercado fixar os preços de tal forma que a maximizar o felicidade dos consumidores e maximizar os lucros das empresas. E, assim chamado equilíbrio ninguém pode tornar-se mais feliz ou mais rentável sem alguém a tornar-se menos felizes ou menos rentável. E a ideologia por trás disso - e não por trás da matemática porque atemática não tem uma ideologia - mas por trás os argumentos que foram feitas e ainda são feitas a partir deste modelo é que os mercados não precisam de regulação porque eles têm estes singular equilíbrios onde todos benefícios para o máximo possível. E se você estiver em equilíbrio você não pode fazer melhor.

    2:46

    Agora há uma falha com isso e é uma falha óbvia e é conhecida desde o
    1970 de alguns teoremas provado por alguns economistas, incluindo alguns dos fundadores deste campo da economia matemática, o que é que não há um equilíbrio, há muitos equilíbrios.
    Na verdade, há uma grande número de equilíbrios. E assim que os equilíbrios, mesmo admitindo que este é um modelo decente da economia, que não é claro, mas mesmo assumindo É um bom modelo, que você está em equilíbrio depende da história passada, que depende de regulamentação, isso depende de política, depende do gosto, depende de mudança de gosto, mudar as preferências.
    E assim a história é importante e que é chamado de assuntos path dependence. Isto leva-nos fora do modelo neoclássico de economia, mas isso não nos levar para fora da economia, porque algum economista sábio, por exemplo, Brian Arthur tinha sido durante anos desenvolvimento de modelos e teorias da economia dependente caminho onde a história não importa. Pessoas
    a partir da área de sistemas complexos, como Stu Kauffman, Prubac em modelos de mercados emergentes onde a história importa, onde não há um único equilíbrio, onde há muitos equilíbrios. E onde a mudança é primordial.

    4:09

    Outro sintoma disso é a idéia de que a arbitragem não é, quero dizer, nestes modelos neoclássicos quando você vai para o equilíbrio, a arbitragem é impossível. Arbitragem está fazendo um lucro de negociação em torno de um círculo de bens ou de um círculo de moedas sem realmente produzir nada. E equilíbrio que deveria ser impossível, mas muitas empresas e bancos de investimento feito fortunas fora da troca de moeda, então por que é isso? Acontece porque você nunca está realmente no estado de equilíbrio.
    Então porque é que a noção de equilíbrio tão poderoso? Acho que parte da resposta é essa idéia de física inveja, que os economistas pensavam que o que eles estão fazendo é mais científica, portanto, mais correto, se parecia física. E física tinha essa imagem atemporal em que o que realmente importava, como dizíamos antes, é toda a história do sistema. E física, há também uma grande noção de vir para o equilíbrio que é, embora no entanto,

    5:08

    É importante dizer, uma noção diferente de equilíbrio. E de alguma forma as pessoas em economia fui seduzido para este modelo que mais uma vez trabalha no pequeno - se você tiver um pouco pequeno canto da economia, um mercado pequeno - pode funcionar por um tempo para caracterizar aproximadamente o que está acontecendo. Arbitragem nem sempre está lá. Não é sempre, quer dizer, a arbitragem, a arbitragem não se comido. Há forças de mercado que não empurrá-lo para equilíbrios. Há alguma verdade nisso.
    Mas a coisa toda é um desastre se eu posso dizer que, como um outsider. E isso levou indiretamente - Não foi o único motivo pelo qual os regulamentos foram levantadas sobre os mercados e comércio através das décadas, mas quando as pessoas estavam fazendo argumentos para o Congresso, para o gabinete do presidente que a economia estaria melhor sem regulamentação, essa foi a "razão científica para isso" e levou à situação muito instável da última crise econômica. E, de fato ainda há uma situação muito perigosa e instável da economia mundial porque - bem, eu não sou um economista. Eu não vou pontificar sobre os problemas a economia, mas podia-se ver como a idéia de atemporalidade deu falso conforto de um fracassado teoria científica no campo da economia.



    Espero ter ajudado assim como aqui fui e continuo sendo auxiliado,
    Abraços.



  • Anônimo  03/06/2013 22:15
    Obrigado pelo grande favor de traduzir o vídeo.
    Facilitou em muito a reflexão.
  • carlos alberto  09/06/2013 18:34
    Tradução para algo ligeiramente assemelhado ao Português;
    abs liberais.
  • anônimo  03/06/2013 23:22
    Ele não comentou o principal
    A física pode testar suas hipóteses, a economia não.
  • Eliel  04/06/2013 17:46
    Isso mesmo, caro anônimo.
    E mais:
    "O homem aspira profundamente ao conhecimento certo. E por esta razão, o sentido da obra de
    Hume nos comove. A matéria bruta sensível, única fonte de nosso conhecimento, nos modifica, nos faz crer, esperar. Mas não pode conduzir-nos ao saber e à compreensão de relações que revelam leis. Kant então propõe um pensamento. Sob a forma em que foi apresentada é indefensável, porém marca um nítido progresso para resolver o dilema de Hume. "O empírico, no conhecimento, jamais é certo" (Hume). Se queremos conhecimentos certos temos de baseá-los na razão. Tal é o caso da geometria, tal o do princípio de causalidade. Estes conhecimentos, mais alguns outros, formam uma parte de nosso instrumento-pensamento. Por conseguinte não devem ser obtidos pelos sentidos. São conhecimentos a priori."

    Albert Einstein, Como Vejo o Mundo, pag.23, pdf.

    Abraços.
  • Hugo  07/11/2013 03:08
    Quando tenho as aulas de macroeconomia sinto uma verdadeira vergonha alheia da minha professora que defende esse lixo de teoria.Ela chegou inclusive a falar que não é necessário poupança para fazer o país crescer pq já há o crédito bancário...


    E Keynes deu a entender que montou a teoria geral com a ideia de que as crises são surtos de esquizofrenia das pessoas,ele fala que as expectativas são a causa das crises,porém ele não fala o que causa essas expectativas negativas...vai entender!
  • Pedro Ivo  27/08/2014 14:46
    Agora as falácias keynesianas são divulgadas até mesmo por punks, e en cartoons:

    A crise do € - (parte I)
    A crise do € - (parte II)

    Pior é ver como o debate está confuso. O canal do youtube (VivendiPT) tem postagens de cunho keynesiano, chicaguista, austríaco e institucionalista. E nalguns vídeos os entrevistados misturam dos 4 um pouco, mais marxismo.
  • Gabriel  10/01/2016 01:17
    Eu estou lendo a teoria geral do Keynes e queria uma opinião de alguém sobre uma fala. Se o Leandro estiver lendo, sinta-se à vontade pra comentar.

    "Dizer que a produção líquida de hoje é maior que a de dez anos atrás ou a
    do ano anterior, mas que o nível de preços é inferior, equivale a afirmar
    que a Rainha Vitória era uma soberana melhor, porém não uma mulher
    mais feliz, que a Rainha Elisabete"

    Isso tem sentido?


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