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Sobre o valor-trabalho e as cinco exceções factuais negligenciadas por Marx

Continuação deste artigo anterior.


A experiência mostra que o valor de troca está em relação com a quantidade de trabalho apenas em parte dos bens, e, mesmo nesses, isto só acontece incidentalmente.  A relação factual, embora seja muito conhecida em decorrência da obviedade dos fatos em que se baseia, é raramente levada em conta.  Todo mundo — inclusive os intelectuais socialistas — concorda que a experiência não confirma inteiramente o princípio do trabalho.  Frequentemente encontramos a opinião de que os casos em que a realidade está de acordo com o princípio do trabalho formam a regra geral, e que os casos que contrariam esse princípio são uma exceção bastante insignificante.  Essa ideia é muito errônea.  Para corrigi-la de uma vez por todas, pretendo reunir as "exceções" que proliferam no início do trabalho, dentro da ciência econômica.  Verão que as "exceções" são tão numerosas, que pouco sobra para a "regra".

1) Em primeiro lugar, todos os "bens raros" foram excluídos do princípio do trabalho. Esses são todos os bens que não podem nunca — ou só podem limitadamente — ser reproduzidos em massa, por algum impedimento objetivo ou legal.  Ricardo menciona, por exemplo, estátuas e quadros, livros raros, moedas raras, vinhos excelentes, e comenta ainda que esses bens "são apenas uma parte muito pequena dos bens diariamente trocados no mercado".  Se pensarmos que nessa mesma categoria se situam, além da terra, todos os inúmeros bens cuja produção está relacionada à patente de invenção, direitos autorais ou segredo industrial, não se consideraria insignificante a extensão de tais bens.

2) Todos os bens que não se produzem por trabalho comum, mas qualificado, são considerados como exceção. Embora nos produtos diários de um escultor, de um marceneiro especializado, de um fabricante de violinos ou de um construtor de máquinas, não se corporifique mais trabalho do que no produto diário de um simples trabalhador manual, ou de um operário de fábrica, os produtos dos primeiros frequentemente têm valor de troca mais elevado — às vezes muito mais elevado — que os dos segundos.

Os defensores da teoria do valor-trabalho naturalmente não puderam ignorar essa exceção.  Porém, singularmente, fazem de conta que isso não é exceção, mas apenas uma pequena variante, que ainda se mantém dentro da regra.  Marx, por exemplo, considera o trabalho qualificado apenas um múltiplo do trabalho comum. "O trabalho complexo", diz ele, "vale só como trabalho comum potenciado, ou multiplicado.  Assim, uma pequena quantidade de trabalho complexo equivale a uma quantidade maior de trabalho comum.  A experiência nos mostra que essa redução acontece constantemente.  Uma mercadoria pode ser produto de um trabalho complexo mas, se seu valor a iguala ao produto de trabalho comum, ela passa a representar apenas determinada quantidade de trabalho comum".

Eis urna obra-prima de espantosa ingenuidade!  Não há nenhuma dúvida de que em muitas coisas — por exemplo, no valor monetário — um dia de trabalho de um escultor pode valer cinco dias de trabalho de um cavador de valetas.  Mas que 10 horas de trabalho do escultor sejam realmente 60 horas de trabalho comum, certamente ninguém pretende afirmar.  Acontece que, para a teoria — assim como para se estabelecer o princípio do valor — não importa o que as pessoas pretendem, e sim o que é real.  Para a teoria, o produto diário do escultor continua sendo produto de um dia de trabalho.  Se, por acaso, um bem que seja produto de um dia de trabalho vale tanto quanto outro bem que seja produto de cinco dias de trabalho, não importa o que as pessoas queiram que ele valha.

E aí está uma exceção à regra — que se quer impor — de que o valor de troca dos bens se mede pela quantidade de trabalho humano neles corporificado.  Imaginemos uma ferrovia que determinasse suas tarifas segundo a extensão do trajeto exigido por passageiros e cargas, mas que determinasse também que, dentro de um trecho com operações particularmente dispendiosas, cada quilômetro fosse computado como dois quilômetros.  Será possível a alguém dizer que a extensão do trajeto é o único princípio para a determinação das tarifas da ferrovia? Certamente não; finge-se que sim, mas, na verdade, o princípio é modificado levando em conta a natureza do trajeto.  Assim também; apesar de todos os artifícios, não se pode salvar a unidade teórica do princípio do trabalho.

Essa segunda exceção abrange também significativa parcela dos bens comerciais, o que não deve ser necessário explicar mais detidamente.  Se quisermos ser rigorosos, estão aí contidos praticamente todos os bens, uma vez que na produção individualizada de quase todos os bens entra em jogo ao menos um pouco de trabalho qualificado: o trabalho de um inventor, de um diretor, de um capataz etc.  Isso eleva o valor do produto a um nível um pouco acima daquele que corresponderia apenas à quantidade de trabalho.

3) A quantidade de exceções aumenta com o número bastante grande de bens produzidos por trabalho extraordinariamente mal pago.  É sabido que — por razões que aqui não se precisa mencionar — em certos ramos da produção o salário de trabalho está sempre abaixo do mínimo necessário para a sobrevivência, como, por exemplo, no caso do trabalho manual feminino, como bordados, costura, malharia etc.  Os produtos dessas ocupações têm, então, um valor extraordinariamente baixo.  Não é incomum que o produto de três dias de trabalho de uma simples costureira não valha nem mesmo o produto de dois dias de uma operária de fábrica.

Todas as exceções que mencionei até aqui eximem certos grupos de bens da validade da lei do valor do trabalho, reduzindo, pois, o campo de validade desta própria lei.  Na verdade, deixam para a lei do valor do trabalho apenas aqueles bens para cuja reprodução não há qualquer limite, e que nada exigem para sua criação além de trabalho.  Mas mesmo esse campo de aplicabilidade tão reduzido não é dominado de modo absoluto pela lei do valor do trabalho: também aí, algumas exceções afrouxam sua validade.

4) Uma quarta exceção do princípio do trabalho é formada pelo conhecido e admitido fenômeno de que também aqueles bens cujo valor de troca se harmonize com a quantidade de custos de trabalho não demonstram tal harmonia em todos os momentos.  Ao contrário: pelas oscilações de oferta e procura, frequentemente o valor de troca sobe ou desce além ou aquém daquele nível que corresponderia ao trabalho corporificado naqueles bens, trabalho esse que só determinaria um ponto de gravitação, não uma fixação do valor de troca.

Parece-me que os defensores socialistas do princípio do trabalho também se ajeitam depressa com essa exceção. Constatam-na, sim, mas a tratam como uma pequena irregularidade passageira, que em nada prejudica a grande "lei" do valor de troca.  Mas não se pode negar que tais irregularidades não são mais que exemplos de valores de troca regulados por outros motivos que não a quantidade de trabalho.  Esse fato deveria provocar pelo menos uma investigação, no sentido de examinar a possibilidade de existir um princípio mais geral do valor de troca, que explicaria não só os valores de troca "regulares", mas também aqueles que — do ponto de vista da teoria do trabalho — são tidos como irregulares.  Nenhuma investigação desse tipo será encontrada entre os teóricos dessa linha.

5) Por fim, vemos que, além dessas oscilações momentâneas, o valor de troca dos bens se desvia da quantidade de trabalho que eles corporificam, de maneira considerável e constante.  De dois bens cuja produção exige exatamente a mesma quantidade média de trabalho, aquele que exigiu maior quantidade de trabalho "prévio" vale mais.  Como sabemos, Ricardo comentou extensamente essa exceção do princípio de trabalho, em duas seções do Capitulo I de suas Grundsätze.  Marx a ignorou na formulação de suas teorias,[1] sem a negar expressamente, o que não poderia fazer: é conhecido demais, para admitir dúvidas, o fato de que o valor de um tronco de carvalho centenário é mais elevado do que o correspondente ao meio-minuto que sua semeadura requer.

Vamos resumir: parcela considerável dos bens não faz parte daquela presumida "lei" segundo a qual o valor dos bens é determinado pela quantidade de trabalho neles corporificada, e o restante dos bens nem obedece sempre, nem com exatidão.  Esse é o material empírico que serve de base para os cálculos do teórico do valor.

Que conclusão um investigador imparcial pode tirar?  Certamente não será a de que a origem e medida de todo valor se fundamenta exclusivamente no trabalho. Uma conclusão dessas não seria em nada melhor do que aquela a que se poderia chegar, pelo método experimental, a partir da constatação de que a eletricidade vem não só do atrito, mas também de outras fontes: toda eletricidade provém de atrito.

Em contrapartida, pode-se concluir que o dispêndio de trabalho exerce ampla influência sobre o valor de troca de muitos bens.  Mas não como causa definitiva, comum a todos os fenômenos de valor, e sim como causa eventual, particular.  Não haverá a necessidade de procurar uma fundamentação interna para essa influência do trabalho sobre o valor, pois ela não seria encontrada.  Pode também ser interessante — além de importante — observar melhor a influência do trabalho sobre o valor dos bens, e expressar esses resultados na forma de leis.  Mas não se pode esquecer que estas não serão mais que leis particulares, que em nada atingem a essência do valor.

Para usar de uma comparação: leis que formulam a influência do trabalho no valor dos bens estão para a lei geral do valor mais ou menos como a lei "Vento oeste traz chuva" está para uma teoria geral da chuva.  Vento oeste é uma causa eventual de chuva, como o emprego de trabalho é causa eventual do valor dos bens.  Mas a essência da chuva se fundamenta tão pouco no vento oeste quanto o valor se fundamenta no emprego de trabalho.

Marx agravou o erro de Ricardo

O próprio Ricardo ultrapassou um pouco as fronteiras legítimas. Ele sabia muito bem que sua lei do valor do trabalho era somente uma lei particular de valor, e que o valor dos "bens raros", por exemplo, tem outros fundamentos.  Mas Ricardo engana-se na medida em que valoriza demais o campo de abrangência dessa lei, atribuindo-lhe uma validade praticamente universal.  A este engano pode-se relacionar o fato de que, em fases posteriores, ele praticamente não dá mais atenção às exceções, pouco valorizadas, que no começo de sua obra mencionara com bastante acerto.  E muitas vezes — injustamente — fala de sua lei como se ela fosse realmente uma lei universal de valor.

Foram os seus sucessores — que ampliaram o campo de abrangência dessa lei — que caíram no erro quase inconcebível de apresentar o trabalho, com pleno e consciente rigor, como princípio universal de valor.  Digo "erro quase inconcebível", pois, com efeito, é difícil acreditar que homens de formação teórica pudessem firmar, depois de reflexão madura, uma doutrina que não podiam apoiar em coisa alguma: nem na natureza da coisa, uma vez que nesta natureza não se revela absolutamente nenhuma relação necessária entre valor e trabalho; nem na experiência, pois esta, ao contrário, mostra que o valor geralmente não se coaduna com o dispêndio de trabalho; nem mesmo, por fim, nas autoridades, pois as autoridades invocadas jamais afirmaram o princípio com aquela pretendida universalidade que agora lhe era conferida.

Mas os seguidores socialistas da teoria da exploração, quando apresentam um princípio tão precário, não o colocam numa posição secundária, em algum ângulo inofensivo de sua doutrina teórica.  Colocam-no no topo de suas afirmações práticas mais importantes. Sustentam que o valor de todas as mercadorias repousa no tempo de trabalho nelas corporificado.  Em outro momento, atacam todos os valores que não se coadunam com essa "lei" (por exemplo, diferenças de valor que recaem como mais-valia para os capitalistas), dizendo-os "ilegais", "antinaturais" e "injustos", e condenando-os a anulação.

Portanto, primeiro ignoram a exceção e proclamam a lei do valor como sendo universal.  Em seguida, após terem obtido, sub-repticiamente, a universalidade dessa lei, voltam a prestar atenção às exceções, rotulando-as de infração dessa lei.  Com efeito, tal argumentação não é muito melhor do que a de alguém que constate que existe gente louca — ignorando que também há gente sensata — e que, a partir desta constatação, chegue a uma "lei de valor universal" segundo a qual "todas as pessoas são loucas", exigindo que se exterminem todos os sábios, considerados "fora da lei".



[1] Marx só lhe dá atenção expressa no terceiro volume, póstumo, como era de se esperar, e, como resultado, entra em contradição com as leis do primeiro volume que tinha construído sem levarem em conta a exceção. 


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autor

Eugen von Böhm-Bawerk
(1851-1914) foi um economista austríaco da Universidade de Viena e ministro das finanças.  Desvendou a moderna teoria intertemporal das taxas de juros em sua obra Capital and Interest. Em seu segundo livro, The Positive Theory of Capital, ele continuou seus estudos sobre a acumulação e a influência do capital, argumentando que há um período médio de produção em todos os processos produtivos.  Sua ênfase na importância de se pensar claramente sobre taxas de juros e sua natureza intertemporal alterou para sempre a teoria econômica.  Böhm-Bawerk tornou-se famoso por ser o primeiro economista a refutar de forma completa e sistemática a teoria da mais-valia e da exploração capitalista.  Veja sua biografia.

 

  • Anarcofóbico  25/05/2013 17:16
    Penso que vocês deveriam ser mais agradecidos a Marx! Sem ele não teríamos a qualidade de vida que temos hoje! Sem seus ensinamentos ainda seríamos explorados, trabalharíamos 20 horas por dia e não teríamos a força e o crescimento possibilitados pelos sindicatos.
  • Rafael  14/10/2013 06:52
    "Penso que vocês deveriam ser mais agradecidos a Marx! Sem ele não teríamos a qualidade de vida que temos hoje!"

    Uma ova! Graças a revolução industrial é que temos a boa vida que vivemos hoje! Graças a revolução industrial foi que o operário pôde consumir o que ele fabricava, diferentemente do feudalismo, onde o servo não via o cheiro do que produzia para os senhores feudais. Sem a revolução industrial você morreria aos 40 anos de idade, isso se você não tivesse nascido morto.

    "Sem seus ensinamentos ainda seríamos explorados,trabalharíamos 20 horas por dia e não teríamos a força e o crescimento possibilitados pelos sindicatos"

    Você consegue chegar ao suprassumo da incoerência. Graças a Marx o Estado hoje é do tamanho de um Tiranossauro Rex e nos explora até a coluna óssea. Hoje mais do que nunca somos explorados com impostos progressivos e regressivos, temos péssimos serviços públicos que pagamos mesmo se escolhermos não usa-los. Os empresários são obrigados a seguir a regra de sindicatos criminosos, temos subempregos com salários mínimos que não valem uma cesta básica, e somente empresários protegidos pelo governo conseguem ter subsídios fiscais. Um empresario hoje ta pagando pra mais de 20 impostos e dezenas de garantias trabalhistas que não condizem com a meritocracia do trabalhador. Todo mundo agora quer mamar nas tetas do governo e ser sustentados pelo papai Estado. Membros de sindicatos ou são lobistas profissionais ou massa de manobra pra políticos fraudadores e eleitoreiros! Dominam todos os setores trabalhistas em beneficio próprio e fazem o ato de empreender mais desagradável e mais burocrático.

    Agradeça a Marx e ignorantes como você para sermos um dos povos mais explorados do mundo pelo monstro estatal. Tem hora que da vontade de perder a paciência com esse povo que não estuda nada e quer vir encher o saco!
  • anônimo  14/10/2013 11:51
    Mas Marx era contrário aos sindicatos, porra!
  • Rafael Fernandes  15/11/2013 19:20
    Mas os sindicatos não são contrarios a Marx porra!
  • Emerson Luis  25/05/2013 23:57
    Outro princípio que refuta Marx é o da economia de escala.

    Quanto mais produtiva é uma fábrica, menor é o custo por unidade e o preço para o consumidor. Por exemplo, duas concorrentes com cem funcionários cada produzem um mesmo produto com qualidade similar, a primeira produzindo 1000 unidades por dia e a segunda, 1500 unidades, ambas com a mesma carga horária.

    A segunda empresa terá condições de oferecer seu produto ao mercado por um preço inferior, pois seus custos são distribuídos por um total de unidades maior. Como consequência, em geral os consumidores vão preferir os produtos dela e assim suas vendas serão maiores, o que causará maiores lucros e maiores salários.

    Seguindo o pensamento de Marx, os funcionários da segunda empresa deveriam receber menos do que os da primeira? Afinal, com a mesma quantidade de horas de trabalho, eles produzem mais unidades de um produto que unitariamente é mais barato do que o da concorrente. Por essa ótica, os funcionários da primeira empresa é que deviam receber mais, pois eles fazem um produto mais caro.

    Se os marxistas forem coerentes com sua ideologia, eles estarão concordando com um absurdo. Se forem coerentes com a realidade, estarão refutando sua doutrina.

    * * *
  • Luciano A.  26/05/2013 23:08
    Se não me engano, neste caso, os marxistas tentariam usar o conceito de mais-valia absoluta para explicar isso:

    "Para Marx a mais-valia é dividida entre Absoluta e Relativa. Produção de mais-valia absoluta é um modo de incrementar a produção do excedente a ser apropriado pelo capitalista. Consiste na intensificação do ritmo de trabalho, através de uma série de controles impostos aos operários, que incluem da mais severa vigilância a todos os seus atos na unidade produtiva até a cronometragem e determinação dos movimentos necessários à realização das suas tarefas. O capitalista obriga o trabalhador a trabalhar a um ritmo tal que, sem alterar a duração da jornada, produzem mais mercadorias e mais valor."

    Não sou marxista, apenas acredito que eles responderiam dessa forma.

  • Emerson Luis  04/06/2013 13:57
    Se um marxista desse essa resposta, eu replicaria que ele simplesmente não respondeu.

    Os funcionários de duas empresas concorrentes investem o mesmo esforço, tempo, etc., mas os da primeira são mais eficazes e produzem mais. Eles devem receber igual aos da segunda? Na ótica do igualitarismo material, sim.

    Mas se isso ocorresse, de acordo com a natureza humana (cuja existência os marxistas negam) eles logo diminuiriam o seu empenho para reduzir os seus resultados até torná-los iguais aos dos seus colegas menos eficientes.

    Então todos seriam igualmente medíocres!

    Claro que se perguntarmos ao marxista se ELE aceitaria trabalhar mais e receber igual, a resposta (se honesta) será negativa. Mas se o marxista concordar que eles devem receber mais, estará admitindo a importância da democracia e contradizendo o marxismo!

    * * *

    Dizer que os funcionários da empresa mais produtiva são mais eficazes porque são mais explorados, além de não responder a questão, ainda por cima não é necessariamente verdade. Primeiro, as pessoas normalmente gostam de participar de algo bem feito. Segundo, eles em geral recebem mais. Terceiro, as melhorias na produtividade costumam tornar o trabalho mais fácil, mais leve, mais seguro, etc.

    No século 19 os operários recebiam por produção e não um salário fixo. Assim, quando Frederick Taylor introduziu a administração científica para maximizar a produtividade, além de aumentar os lucros, ele estava aliviando o trabalho deles e ainda aumentando a renda deles. Todos os envolvidos foram beneficiados.

    * * *
  • O Subterrâneo  07/11/2014 23:53
    Pelo contrário. Do ponto de vista da economia marginalista, um aumento na produção não gera necessariamente um maior lucro; o gera apenas se a demanda pelo produto for elástica. Um aumento na produção de um produto cuja demanda seja inelástica pode levar, inclusive, a uma diminuição na receita total. O lucro líquido vai ser a diferença entre a receita total e o custo total.
    Do ponto de vista da economia marxista, um aumento na produtividade vai levar a um valor menor nas mercadorias. Isso vai fazer com que uma parcela maior do mercado seja ganha pelo capital mais produtivo, que, dadas certas condições da concorrência, pode aumentar seus preços, aumentando assim sua receita; no entanto, o lucro desse capital vai depender da quantidade de mais-valia extraída dos trabalhadores em relação com os gastos com capital variável e constante.
  • Cris  26/05/2013 01:05
    Estudar Marx em Economia é que nem estudar criacionismo em Biologia, totalmente retrógrado e ultrapassado, não dar para ficar engolindo as besteiras Marxista que já cairão por terra como verdades absolutas, sinceramente acho que estou perdendo o meu tempo na universidade, eu sabia que existia essa doutrinação mas não sabia que era tanto!decepção!
  • anônimo  26/05/2013 16:04
    Estudar Marx é como estudar Evolucionismo... teorias furadas e pesquisas maquiadas sob o nome de "ciência". Não é a toa que o melhor sistema de ensino do mundo retirou o evolucionismo do currículo escolar.
  • Anônimo  26/05/2013 17:04
    - O mundo tem apenas 6000 anos.
    - Florestas sobrevivem debaixo d'água.
    - Peixes de água doce podem viver em água salgada.
    - O aumento do nível dos mares provavelmente em nada impacta a produção energética de algas profundas, essenciais para alimentar um ecossistema marítimo. Afinal, que diferença faz mesmo a pressão e a altitude para a vida?
    - Fósseis são criações do demônio para ludibriar os homens. Embriologia e orgãos vestigiais também são, provavelmente.
    - Dinossauros ou não existiram ou compartilharam o mundo com os homens em algum momento apesar de não haver qualquer registro de um brontossauro gigantesco andando por aí. Não esqueça do período cambriano. Aproximadamente 98% das espécies que já viveram na Terra foram extintas. Se retirarmos o coeficiente do exagero, pelo menos 90% já são cadeia carbônica sob o solo.
    - Ou os dinossauros não existiram ou a pressão atmosférica da Terra abriu uma exceção aos coitados. Qualquer ser tão grande teria seus tecidos esmagados com a pressão atual.
    - Testes práticos de seleção natural usando pressão artificial devem ser pura propaganda. Afinal, a "evolução" não existe. Fixismo pondera sobre tudo. Qualquer mutação que leve um indivíduo a aumentar sua capacidade de sobrevivência e melhor competir por energia provavelmente é propaganda ou mito.
    - Provavelmente, de alguma forma, plantas pteridófitas venceram sobre as angiospermas. Isso explica porque em diversas estratificações visando o mapeamento da história geológica da Terra, durante o período jurássico, há pouco para nenhum registro destas plantas mais complexas.

    Fonte: Answers in Genesis.
  • anon  26/05/2013 19:33
    Fazia tempo que não aparecia um neo-ateu pra tumultuar... Vai passar vergonha.
  • Anônimo  26/05/2013 20:13
    Nem ateu eu sou, anon.

    E sinceramente, não tenho nada a temer. A postagem do Cris incitou conflito juntamente a de quem postou após esse. Não estou defendendo o não-anônimo, apenas tentando cortar pela raiz qualquer discussão improdutiva sobre evolucionismo que venha a ser publicada em um artigo sobre marxismo em um site sobre economia, ética e filosofia.

    É desincentivo qualquer um que deseje prosseguir com a discussão acima a postar.
  • anon  26/05/2013 20:32
    Então qual a razão de citar o "anwser in genesis"? Pode a interpretação rasa de um grupo isolado representar todo o arcabouço filosófico de uma civilização? Sua colocação faz parecer que sim.
  • Anônimo  26/05/2013 21:33
    Não faz e nem disse que fazia.
    Citei o "Answers in Genesis" porque ele é quase sempre referência entre fixistas.
  • Wagner  27/05/2013 14:23
    A evolução ocorreu, não existe dúvidas quanto a isso; O fato de VOCÊ não acreditar nisso não altera a realidade. O que você pode argumentar é se a evolução foi orquestrada por um ser superior para nos enganar sobre a sua existência ou se foi o mero acaso; Negar a teoria da evolução é tão estúpido quanto negar a teoria da gravidade e seguindo esse caminho o máximo que você vai conseguir é parecer um idiota.

    A analogia entre criacionismo nas aulas de biologia e Marx nas aulas de economia foi perfeita.
  • Rafael Fernandes  05/06/2013 20:58
    Idiota é quem acredita que afirmações dogmaticas não fundamentadas, sejam provas concretas. Mesmo que a evolução tenha acontecido, jamais poderia ser provada. A teoria da evolução deve ser considerada no mínimo uma teoria plausivel para aqueles que rejeitam o relato historico da criação e querem explicar de outra forma utilizando material inadequado. Os evolucionistas se acham no direito de entrar no campo religioso, metafisico e da realidade concreta, material alem da compreenção estreita dos materialista e ainda mandar que calem a boca, sem nenhuma base. A existencia de Deus é patente a pessoas de baixo conhecimento enquanto para se afirma a inexistencia de Deus é necessário ter conhecimento pleno de todas as coisas e tempos, o que é impossivel ao homem e nem por isso são desencorajados dessas afirmações arrogantes.
  • Sérgio  26/05/2013 01:43
    Marx era um filhinho de papai que nunca trabalhou na vida e quis ensinar padre a rezar a missa.
  • Catedrático  26/05/2013 01:54
    Carta Aberta de um Cátedra de Sociologia ao senhor Böhm-Bawerk.

    Por que o senhor teima em utilizar seu vasto arcabouço lógico-burguês para a discussão da redação marxista? Já lhe deveria ter servido como evidente a ausência de discrepância racional entre tuas palavras e as de Karl. Ambas operam sob princípios diferenciados dado o discurso marxista pertencendo à vanguarda do proletariado e a tua como reação intelectual elitizada à essa. Ou seja, vossos pontos de vista alterarão os fatos e criarão um debate fútil entre vós, dado que jamais haverá uma verdade ou resposta lógica que não seja pervertida pelo ideal classista teu(De classe dominante).

    Ambos encararam os mesmos fatos e sobre esses, obtiveram raciocínios mutuamente exclusivos. Evidência inegável da desonestidade intelectual do senhor e tua paixão em defender sua classe através de uma produção reacionária. O estudo marxista sempre estará correto pois visa a criação de um novo mundo através do despertar da mentalidade revolucionária do proletariado. É fútil atentado um cientista burguês tentar refutar o ideário de Karl Marx através da lógica e de séculos de conhecimento econômico e social. O fim das classes está fadado a alterar todas as normas de comportamento humano já estabelecidas e por tal motivo, qualquer resposta reacionária não merece a leitura dos ideólogos do marxismo.

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    Permaneço ao aguardo de uma tréplica do senhor Böhm-Bawerk que seja igualmente intelectualmente honesta e racional à minha. É imprescindível que a identidade de cruzados anti-marxistas fanáticos seja denunciada em qualquer argumentação lógica.
  • Pedro Lima  26/05/2013 02:46
    Carta aberta de um troll
  • Luiz Gustavo Vianna Almas  26/05/2013 09:56
    Caríssimo,

    Em nenhum momento de seu texto você tenta mostrar que argumentos de Bohm-Bawerk estão equivocados e por que. Segundo seu texto Bohm-Bawerk está equivocado por ser burguês. Ora, eu poderia dizer que você está equivocado por ser bolchevique ou totalitário (é assim que chamam os comunistas aqui no país em que vivo, a República Tcheca). E desta forma não chegaríamos a lugar nenhum: não estaríamos criando um diálogo construtivo em busca de verdadeiro conhecimento e entendimento da realidade. Então mostre onde os argumentos de Bohm-Bawerk estão equivocados e por que, onde sua teoria falha por não estar de acordo com as evidências mostradas pelos fatos, pela realidade. Saudações.
  • marcelo   09/08/2013 14:15
    Parece que a verdade está definida pela classe e não pela reflexão...como disse seu erro está em ser burguês, por que sempre falam assim???
  • anônimo  26/05/2013 22:30
    Pessoal, o Catedrático é um fake criado com a intenção de esboçar o discurso polilógico dos marxistas. Não esperem argumentação, qualquer coisa que eles digam vem sempre na forma de uma pseudo-denúncia.

    Ele começa alegando que Böhm-Bawerk faz uso de um "arcabouço lógico-burguês";

    Atesta que o uso de lógicas diferentes entre classes, das quais aquela a qual ele pertence é superior intelectualmente, tornando sua posição inquestionável;

    Em seguida diz que "qualquer resposta reacionária não merece a leitura dos ideólogos do marxismo";

    E pra finalizar, contrariando tudo o que disse, pede uma tréplica - de um senhor já falecido há um século, aliás.

    Embora seja engraçado, é recomendável que, por esporte, ou melhor, por prática do debate, levem a sério o comentário, e respondam como se fosse um debatedor sério. É ótimo para aprender a debater com marxistas de verdade - eles de fato utilizam destas falácias.
  • Getulio Malveira  26/05/2013 12:25
    "tal argumentação não é muito melhor do que a de alguém que constate que existe gente louca — ignorando que também há gente sensata — e que, a partir desta constatação, chegue a uma "lei de valor universal" segundo a qual "todas as pessoas são loucas", exigindo que se exterminem todos os sábios, considerados "fora da lei"."


    Böhm-Bawerk, profeta a contragosto!
  • Marcio L  26/05/2013 20:23
    Vocês poderiam traduzir este texto: mises.org/daily/5226/How-to-Reach-the-Left Como alcançar a esquerda. Interessante o resgate que o autor faz de algumas bandeiras que já foram defendidas por libertários no passado e que hoje são identificadas como bandeiras esquerdistas, talvez pela alta identificação dos libertários com os conservadores durante a aliança que mantiveram contra o Socialismo.

    Ele enfatiza bastante as grandes coorporações que em aliança com o Estado passam a construir uma espécie de "Estado Coorporativo" onde as grandes coorporações se unem ao Estado para oprimir os demais.

    Diz que é importante os libertários se diferenciarem dos conservadores e tentar construir uma ponte com os libertários de esquerda.

    Ao longo do texto ele defende que há uma diferença na ênfase que provoca desconfianças mútuas (eu mesmo sou um pouco desconfiado do libertarianismo clássico, mas sou aberto)mas que os objetivos são muito próximos quando não são os mesmos.

    Entre alguns exemplos ele diz que o que em debates informais, os libertários acabam defendendo o mercado corporativo, que não é a mesma coisa que o livre mercado, ele cita um termo em inglês que faz muito mais sentido na lingua original "freed market" com o qual tenta definir melhor as intenções do movimento, fala sobre negócios pequenos, sobre a solidariedade e cooperação. Um ótimo texto
  • Ali Baba  27/05/2013 12:09
    @Cris,

    Entendi a colocação, mas os ateus estão em baixa entre os conservadores mais vocais que acessam esse site. Digo os conservadores pois, como bom libertário, defendo que você pode acreditar (ou, no caso, desacreditar) do que quiser. E sempre que um ateu fala algo "en passant" nesse site recebe uma torrente de contra-argumentos do tipo "melhor se calar" vindo dos conservadores de plantão.

    De qualquer forma, como ancap e ateu (as duas coisas não necessariamente relacionadas, veja bem, mas co-habitantes da minha psique) também tenho de discordar dessa visão de "retrógrado e ultrapassado". A própria Economia Austríaca é "retrógrada", no sentido que resgata valores e conceitos da economia clássica e não da vanguarda; e "ultrapassada", no sentido que foi o pensamento dominante em uma época e agora está relegada ao gueto acadêmico. Veja que rotular algo de ultrapassado e retrógrado não diz nada a respeito do valor conceitual desse algo, apenas ao aspecto temporal em que se encaixa na história humana.

    O marxismo e o keynesianismo não são ruins porque são "retrógrados e ultrapassados", são ruins porque todas as provas empíricas em seu favor deram errado e todas as provas empíricas em favor da EA deram certo. E (me desculpem os religiosos e conservadores de plantão), esse também é o caso do criacionismo... no entanto esse não deveria ser assunto desse site.
  • Rafael Fernandes  05/06/2013 21:42
    Não é o mesmo caso do criacionismo não. Gosto do site e respeito muito os libertarios do site, mas se isso não é assunto do site eu espero que isso esteja sendo dito aos ateus, porque sempre são eles que começam c esse debate. Foi postado uma analogia aqui que não tem nada a ver para ridicularizar os crentes
  • anônimo  07/06/2013 13:37
    'E (me desculpem os religiosos e conservadores de plantão), esse também é o caso do criacionismo... '

    Você está atacando um espantalho aí.Dependendo da sua definição de 'Deus', não tem nada de incompatível em acreditar em Deus e desacreditar do criacionismo. Como inclusive era o caso do próprio Einstein, que acreditava num 'Deus' parecido com o que o filósofo Espinoza descreve.

    Em vez de assumir essa posição arrogante de achar que quem não acredita nas infantilidades ateístas está bancando o conservador de plantão, poderia ter a humildade de admitir que está diante de um conhecimento que vai além do seu fanatismo cético.

    O ateísmo como posição filosófica é infantil, é simplória, os caras são tão limitados que não reconhecem que o próprio ateísmo e ceticismo são frutos da filosofia.E apenas alguns frutos, dentre muitos.
  • Thiago Machado  30/05/2013 00:47
    Acredito que pelo fato do texto ser antigo, muito antes de muitas discussões acerca da teoria do valor-trabalho, o autor faz a confusão elementar entre valor e valor-de-troca. O primeiro é sim baseado do tempo de trabalho. E ao invés de piorar o erro de Ricardo, Marx o conserta, pois Ricardo considerava o valor de uma mercadoria o tempo de trabalho para produzi-la. Desse modo, se um marceneiro levasse dois dias para fazer uma cadeira e o seu concorrente tomasse três dias para fazer uma cadeira igual, aquela que demorou mais teria maior valor. Claro que é um absurdo, e consta no texto acima. Contudo, Marx discorda de Ricardo e o corrige de modo a definir o valor como o tempo de trabalho SOCIALMENTE necessário para se produzir uma mercadoria, ou seja, dadas as condições técnicas e produtivas gerais de determinada formação social. Sendo assim, se no geral a sociedade em que os nosso marceneiros viviam produzia no geral uma cadeira em um dia, o trabalho a mais que aqueles dispenderam foi trabalho perdido.

    Pois bem, avancemos para a distinção necessária. O valor (tempo de trabalho socialmente necessário) só é realizado no mercado - até lá ele é apenas uma potência - e quando lá chega ele é realizado como valor-de-troca, aquilo que nós conhecemos como preço. Como era evidente à época de Marx e nos é evidente ainda hoje, o preço se determina pela oferta/demanda, o que faz com que valor e valor-de-troca não sejam necessariamente iguais. Desse modo, é que o empreendedor schumpeteriano, lendo Marx, vai sacar que ao aumentar a sua produtividade para além daquela dos seus concorrentes vai poder reduzir o tempo de trabalho individual da sua mercadoria, podendo oferta um preço abaixo do preço de mercado (aquele mais próximo do tempo de trabalho socialmente necessário), mas ainda assim acima do seu custo individual de produção (tempo de trabalho individual dele). Isso é o que Marx chama de superlucro, uma das formas de se realizar mais-valia relativa, já que os salários daqueles que não forem demitidos tendem a permanecer os mesmos, enquanto os lucros aumentam.

    Pelos meus estudos de Marx reconheço que a única coisa apresentada neste artigo e que me intriga é a diferença entre trabalho simples e trabalho comum. Há quem estude isto a partir do conceito marxiano de general intellect, mas ainda não estou familiarizado. Como marxista venho a este site tentar aprender um pouco do pensamento libertarianista, não concordo com muita coisa, mas tento perceber a racionalidade e mesmo os pontos em comum. Acho que antes de tudo o conhecimento é construído com o diálogo. Vamos que vamos!
  • Leandro  30/05/2013 11:37
    Não. A questão do valor já havia sido abordada em detalhes profundos no artigo anterior a este, cuja leitura foi sugerida lá na primeira linha.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1600
  • Renato Souza  30/05/2013 15:30
    Tiago

    Creio que você confundiu as coisas. Para dois produtos que utilizam exatamente os mesmos insumos físicos, com o mesmo tipo de equipamentos, a mesma complexidade, e trabalhadores com o mesmo grau de especialização, numa área do mercado sem muitas inovações, e com relativa liberdade de movimentação de empresários e trabalhadores, etc, há uma tendência no mercado de que aquele produto que com maior uso de mão de obra ter um preço maior. Isso não quer dizer que os preços sejam exatamente proporcionais. No caso de produtos em que os outros insumos e custos (inclusive alugueis, e impostos) forem relativamente pequenos em relação ao custo de mão de obra, a proporção será mais linear. O mercado causa isso. E o mercado também causa um lucro maior para o empresário que criar inovações, diminuindo seu custo, ou aperfeiçoando o produto dentro do mesmo custo. E isso é ótimo, porque premia a inovação, e é a causa de náo não estarmos sentados agora lascando pedras para fabricar machados, pontas de lança e facas...

    Mas isso não quer dizer que Marx estava certo. A correlação (ainda que bastante imperfeita) entre uso de mão de obra e preço de mercado, não indica que o valor seja uma característica implicita à mercadoria. O mercado, ao pagar mais pelos bens mais procurados, incentiva maior alocação de produtores para esses bens mais procurados, diminuindo a produção dos menos procurados, até que se chegue a uma situação de "equilíbrio", sempre provisório, por causa das inovações e crescimento natural, e alteração das condições. Nessa situação provisória de "equilíbrio" os ganhos pelo mesmo trabalho e pelo mesmo investimento tendem a ser iguais, caso contrário, tanto os investidores como os trabalhadores mudariam de ramo. Isso é mais perceptível nos ramos menos dinâmicos. Não deixa ser irônico que Marx, que considerava a própria liberdade de troca como algo nefasto, tenha tomado como valor intrinsico dos bens algo que é um caso particular das leis que descrevem o mercado livre. Numa economia fortemente distorcida por regulações e intervenções, essa correlação seria menos clara, e numa economia planejada, não há nenhum motivo para essa correlação existir. Dirigentes estatais podem ter motivos (e isso realmente aconteceu) para fazer aqueles produzem a comida, por exemplo, viverem na penúria, ou até morrerem de fome. Da mesma forma que há leis econômicas que descrevem o comportamento das pessoas num ambiente de mercado (relações livres) há leis que descrevem o comportamento das pessoas num ambiente de extrema coerção (sociedade planejada), e Stalin, Mao e Pol Pot não eram pontos fora da curva. Há leis que descrevem qual é o comportamento mais vantajoso das pessoas nessa situação, e normalmente será vantajoso para os dirigentes favorecer economicamente certos grupos e penalizar outros, de forma a obter e manter poder, e transmitir vantagens políticas aos seus descendentes. Essas leis não tem de produzir, e normalmente não produzem, remuneração proporcional à quantidade socialmente necessária para produção de cada bem. Mesmo porque, numa situação dessas, a quantidade real de trabalho utilizada para produzir cada bem é bastante variável, por falta de um mercado que a discipline.

    Mas saí do assunto. Resumindo, aquilo que Marx considerou O valor dos bens, nada mais é que um caso particular das leis que regem o mercado.
  • Tiago Moraes  30/05/2013 16:38
    Errado, o valor em Marx sequer é condição particular do mercado, ele simplesmente não existe. O valor em Marx é o tempo socialmente necessário para se produzir uma mercadoria em uma economia local, ou seja, haveria supostamente uma correlação EXATA entre tempo e preço (o preço em Marx é um "espelho" monetário do valor). A questão é que para se estabelecer uma relação objetiva entre variáveis, precisaríamos de um parâmetro constante e perfeitamente mensurável, ou como alguns autores se referem; uma UNIDADE INVARIÁVEL DE VALOR e isso não existe em uma economia real, logo não é possível provar uma relação de proporcionalidade exata entre tempo médio de produção de mercadorias e seus preços (porém, é ridiculamente fácil provar o oposto), tendo em vista que custos com mão-de-obra, custos de insumos e bens de capital e preços, variam de forma aleatória entre si.

    O que Marx ignora e isso foi mostrado por Menger, é que os custos de produção são determinados pelo preço do bem final e não o contrário. Se o comportamento subjetivo do consumidor eleva a demanda por um bem, o seu preço final tende a se elevar, essa elevação revela carência pelos fatores de produção necessários para produzi-los, fazendo com que o preço desses fatores suba a posteriori (incluindo o da mão-de-obra).
  • Renato Souza  31/05/2013 13:40
    Tiago Moraes

    O preço final tem certamente influência sobre os preços dos insumos. Mas essa influência depende do peso relativo daquele produto final. E depende também da elasticidade da produção daquele insumo.
    Imaginemos um produto final que utilize uma parte consideravel da produção de certo insumo. Imeginemos que a demanda por esse produto aumente. Os preços desse produto final aumentarão, e os seus produtores demandarão uma maior quantidade daquele insumo, aumentando o seu preço. Se a produção daquele insumo for elástica, eventualmente com o aumento da sua produção, o seu preço tornará a baixar. Se ela for pouco elática, o seu preço continuará alto, ou pode aumentar ainda mais, conforme aumente a demanda pelo produto final, ou pode não baixar até o nível de preços anterior.
    Grande parte dos insumos são utilizados para uma grande gama de produtos finais, e seus preços sofrem influências diversas. Digamos que ocorre uma "votação" das demandas dos diversos produtos finais, quanto ao preço daquele insumo.

    Aquela situação que considerei pode acontecer, mas para isso o preço do produto final deve ser irrelevante na formação do preço de seus insumos (inclusive mão de obra). É uma situação particular. Mas foi muito bom você trazer para a discussão a influência do preço dos produtos sobre os preços dos insumo.
  • Lucas Favaro  08/07/2014 06:11
    Thiago Machado

    "Acredito que pelo fato do texto ser antigo, muito antes de muitas discussões acerca da teoria do valor-trabalho, o autor faz a confusão elementar entre valor e valor-de-troca. O primeiro é sim baseado do tempo de trabalho. E ao invés de piorar o erro de Ricardo, Marx o conserta, pois Ricardo considerava o valor de uma mercadoria o tempo de trabalho para produzi-la. Desse modo, se um marceneiro levasse dois dias para fazer uma cadeira e o seu concorrente tomasse três dias para fazer uma cadeira igual, aquela que demorou mais teria maior valor. Claro que é um absurdo, e consta no texto acima. Contudo, Marx discorda de Ricardo e o corrige de modo a definir o valor como o tempo de trabalho SOCIALMENTE necessário para se produzir uma mercadoria, ou seja, dadas as condições técnicas e produtivas gerais de determinada formação social. Sendo assim, se no geral a sociedade em que os nosso marceneiros viviam produzia no geral uma cadeira em um dia, o trabalho a mais que aqueles dispenderam foi trabalho perdido."

    Colocar o termo "socialmente" no meio do termo "tempo de trabalho" resolve apenas o problema do valor de produtos iguais, mas não dá nenhum respaldo para se afirmar que o trabalho é homogêneo em todas as situações, como é preciso admitir para admitir a teoria do valor-trabalho (o que Marx pra tentar abradar esse problema foi dividir o trabalho entre simples e complexo, mas fazendo isso só mostrou o quanto ele estava perdido entre os sofismas que ele criou). O problema do trabalho heterogêneo ainda persiste, os pontos dois e três levantados por Bohm-Bawerk ainda persistem. Na verdade esse seu adendo não resolve em nada os problemas levantados por Bohm-Bawerk.

    Abraços.
  • Ali Baba  31/05/2013 11:31
    @Tiago,

    Você ainda está vivendo no maravilhoso mundo de Marx. Seja bem-vindo à realidade, espero que seus estudos de libertarismo sejam tão profundos quanto seus estudos de Marx. Nesse caso, posso considerar você um libertário em formação. Agora tenha cuidado, como Alice no país das maravilhas, não há volta!

    No mundo real, os custos de produção não são determinados pelo preço do bem final. No mundo real, os custos de produção determinam se algo vai ser produzido por aquele produtor em especial ou não.

    É muito simples de entender: o preço é o resultado da oferta e da procura (essa lei é tão irrevogável quanto a lei da gravidade). Se você é um produtor novo de um produto que já está no mercado, não vai poder cobrar um preço maior do que o de seus concorrentes (a menos que sua qualidade seja maior - ou seu departamento de marketing seja mais competente... mesmo assim há limites); se o seu custo de produção for maior que o da concorrência você será expulso do mercado. Simples assim.

    Agora, se você é o primeiro produtor daquele produto, você pode ter sucesso vendendo ele ao preço que quiser até surgirem concorrentes (claro que vai depender se existe demanda para tal produto, mas estou supondo que sim). Quando surgirem concorrentes, você estará em maus lençóis se não mantiver os custos de produção sob controle... se eles subirem para além do preço pago pelo consenso do mercado, você será expulso do mercado também.

    Onde estão todos aqueles jargões marxistas? Unidade Invariável de Valor? Trabalho necessário? Mais-valia?

    Cara... tudo isso é BULLSHIT! O mercado é simples... tão simples quanto eu escrevi acima. Qualquer teórico querendo complicar isso tá querendo vender livro. Isso é constante na história humana: alguém formula uma teoria bem fechadinha que parece que funciona e imediatamente tenta vendê-la como se fosse a verdade irrevogável. A vida real continuamente prova que esses gurus estão errados. De Karl Marx a Rhonda Byrne: tudo BULLSHIT.


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