clube   |   doar   |   idiomas
O avarento que acumula e guarda dinheiro em sua gaveta pode prejudicar uma economia?

Este artigo foi extraído do livro "O que o governo fez com o nosso dinheiro", futuro lançamento do IMB


O crítico da liberdade monetária não é facilmente silenciado.  Há, em particular, o antigo fantasma do "entesouramento".  A imagem que inevitavelmente vem à mente é a do velho avarento e egoísta que, talvez irracionalmente, talvez por motivos malvados, amontoa e acumula dinheiro (ouro) no porão ou no sótão de sua casa, sem utilizá-lo e sem emprestá-lo — desta forma, estancando o fluxo de circulação e transação da moeda, gerando depressões e outros problemas. 

Mas será que o entesouramento é realmente uma ameaça?

Em primeiro lugar, o que aconteceu foi simplesmente que o velho avarento aumentou sua demanda por dinheiro.  Como resultado — e supondo-se que isso esteja ocorrendo ao longo de toda a economia —, os preços dos bens terão de cair e o poder de compra da onça de ouro irá aumentar.  Não houve nenhuma perda para a sociedade, a qual irá continuar funcionando com uma oferta agora menor, porém mais "poderosa", de onças de ouro.  Cada onça de ouro possui agora um poder de compra maior.

Portanto, mesmo no pior cenário possível, nada de errado aconteceu; a liberdade monetária não criou dificuldades.  

Mas há outro detalhe que está sendo ignorados: não é de modo algum irracional que as pessoas queiram manter consigo uma quantia maior ou menor de dinheiro.  Em termos mais técnicos, não há nada de errado com o fato de que as pessoas queiram a todo o momento variar seus encaixes. 

Façamos aqui uma análise mais aprofundada da questão dos encaixes.  Por que as pessoas desejam ter encaixes?  Isto é, por que as pessoas desejam portar dinheiro vivo?  Por que elas desejam ter liquidez?  Suponhamos que todos fôssemos capazes de prever o futuro com a mais absoluta certeza.  Neste caso, ninguém jamais teria de manter encaixes disponíveis.  Ninguém jamais teria de se preocupar em ter liquidez.  Ninguém jamais teria de se preocupar em ter consigo, a todo o momento, uma determinada quantia de dinheiro prontamente disponível.  Afinal, todos saberiam com exatidão quanto iriam gastar e quanto de receita teriam em qualquer data futura.  O indivíduo não precisaria ter à mão nenhuma quantia de dinheiro vivo.  Ele poderia simplesmente emprestar todo o seu dinheiro e cobrar os juros exatamente naquelas datas em que tivesse de incorrer em despesas, e exatamente no valor necessário.

Mas, é claro, a realidade é outra.  Vivemos em um mundo de incertezas.  As pessoas não sabem com exatidão o que lhes acontecerá ou quais serão suas receitas e custos futuros.  Quanto mais incertas e temerosas forem as pessoas, maior será o valor dos encaixes que desejarão manter; e quanto mais seguras forem, menor será este valor.  Outra razão para se manter encaixes também advém da incerteza.  Se as pessoas creem que o preço do dinheiro cairá no futuro próximo — isto é, se elas creem que haverá inflação de preços —, então elas gastarão mais agora, enquanto o dinheiro ainda tem valor, desta forma "desentesourando" e reduzindo sua demanda por dinheiro.  Inversamente, se elas creem que o preço do dinheiro aumentará no futuro — isto é, que haverá redução de preços —, então elas irão aguardar para gastar o dinheiro apenas mais tarde, quando ele estiver valendo mais.  Neste caso, a demanda por dinheiro irá aumentar.  A demanda das pessoas por encaixes, portanto, aumenta e diminui por motivos sensatos.

Estão enganados aqueles economistas que acreditam que há algo de errado quando o dinheiro não está em "circulação" constante e ativa.  É verdade que o dinheiro só é útil para intermediar a troca de coisas de valor, mas ele não é útil apenas no momento em que ocorre a troca.  Essa verdade sempre foi muito negligenciada.  O dinheiro é igualmente útil quando repousa "inerte" nos encaixes de alguém, mesmo que esteja dentro da gaveta de um avarento.[1]  E o motivo é que este numerário está sendo guardado agora à espera de uma possível troca futura — dando ao seu dono, neste momento, a prestimosidade de permitir trocas a qualquer momento, presente ou futuro, que ele queira.

Vale lembrar que todo o ouro deve, em algum momento, pertencer a alguém, o que significa que todo o estoque de ouro tem necessariamente de estar nos encaixes das pessoas.  Se houver 3.000 toneladas de ouro na sociedade, então todas essas 3.000 toneladas devem ter donos e estar, em qualquer dado momento, nos encaixes de cada indivíduo. O total da soma dos encaixes será sempre idêntico à quantidade total de dinheiro na sociedade.  Consequentemente, e ironicamente, não fosse pela incerteza do mundo real, não haveria absolutamente nenhum sistema monetário!  Em um mundo de certezas plenas, ninguém estaria disposto a portar dinheiro.  A consequência disso? A demanda por dinheiro na sociedade cairia infinitamente, os preços disparariam e qualquer sistema monetário que estivesse em uso entraria em colapso.  Em vez de encaixes serem um fator incômodo e desagradável, interferindo nas trocas monetárias, eles são absolutamente necessários para o funcionamento de qualquer economia monetária.

Adicionalmente, é um equívoco dizer que o dinheiro "circula".  Como todas as metáforas inspiradas nas ciências físicas, dizer que o dinheiro "circula" sugere algum tipo de processo mecânico independente da vontade humana, cujo fluxo se move a uma dada rapidez ou "velocidade".  Na realidade, o dinheiro não "circula"; ele simplesmente é, a cada momento, transferido do encaixe de uma pessoa para o encaixe de outra pessoa.  A existência do dinheiro, repetindo, depende da disposição das pessoas em manter encaixes.

No início desta seção, vimos que o "entesouramento" nunca acarreta qualquer perda para a sociedade.  Agora, veremos que aquele movimento no preço do dinheiro causado por alterações na demanda por dinheiro produz um benefício social positivo — tão positivo quanto qualquer benefício gerado pelo aumento na oferta de bens e serviços.  Vimos que a soma dos encaixes de uma sociedade é igual e idêntica à oferta monetária total.  Suponhamos que a oferta monetária permaneça constante: digamos, 3.000 toneladas.  Agora, suponha que por algum motivo qualquer — talvez uma crescente apreensão nas pessoas —, a demanda das pessoas por encaixes aumente.  Certamente, satisfazer essa demanda é um benefício social positivo.  Mas como tal demanda poderá ser satisfeita se a soma total de dinheiro deve permanecer a mesma?  

É simples: com as pessoas agora dando mais valor aos seus encaixes, a demanda por dinheiro aumenta e os preços caem.  Como consequência, a mesma soma total de encaixes agora possui um maior poder de compra.  A mesma quantidade de dinheiro agora confere um saldo "real" maior; a mesma soma de dinheiro é agora proporcionalmente maior do que os preços dos bens.  O trabalho que o dinheiro tem de efetuar agora é menor.  Uma mesma quantia de dinheiro compra mais bens e serviços.  Ou, o que dá no mesmo, uma menor quantia de dinheiro compra a mesma quantidade de bens e serviços de antes.  Em suma, os encaixes efetivos do público aumentaram.  Inversamente, uma redução na demanda por dinheiro gerará um aumento nos gastos das pessoas e preços maiores.  Este desejo do público por encaixes efetivos menores, algo que voluntariamente expresso, será satisfeito pela necessidade de que uma determinada quantidade de dinheiro tenha agora de efetuar mais trabalho.

Assim, ao passo que uma alteração no preço do dinheiro oriunda de mudanças na oferta monetária irá simplesmente alterar a efetividade da unidade monetária, sem conferir nenhum benefício social, uma redução ou um aumento no preço do dinheiro causados por uma mudança na demanda por encaixes de fato produz um benefício social, pois satisfaz o desejo do público por uma proporção maior ou menor de encaixes necessários para efetuar as atividades realizadas pelo dinheiro.  Por outro lado, um aumento na oferta de dinheiro frustrará a demanda do público por encaixes mais efetivos (mais efetivos em termos de poder de compra).

Sempre que perguntadas, as pessoas quase sempre dirão que querem o máximo de dinheiro que puderem conseguir.  Mas o que elas realmente querem não é um maior número de unidades monetárias mais onças de ouro ou pedaços de papel —, mas sim unidades mais eficazes, isto é, capazes de comprar mais bens e serviços.  Vimos que a sociedade não pode satisfazer sua demanda por mais dinheiro simplesmente aumentando a oferta deste, pois um aumento da oferta monetária irá simplesmente diluir a eficácia de cada unidade monetária — e o dinheiro, na prática, não será realmente mais abundante do que antes.  

O padrão de vida das pessoas (salvo nos usos não monetários do ouro) não pode ser aumentado pela mineração de uma maior quantidade de ouro.  Se as pessoas querem onças de ouro mais eficazes em seus encaixes, elas poderão obtê-las somente por meio de uma queda nos preços e de um consequente aumento na eficácia de cada onça de ouro.

Estabilizar o nível de preços?

Alguns teóricos afirmam fervorosamente que um sistema monetário livre não seria sensato, pois "o nível de preços não seria estável", isto é, o preço da unidade monetária variaria.  O dinheiro, dizem eles, supostamente tem de ser um padrão de medida fixo, uma espécie de gabarito que jamais é alterado.  Consequentemente, seu valor, ou seu poder de compra, deve ser constante.  Mas isso, como já vimos, é uma impossibilidade.  Um aumento na quantidade de bens e serviços aumenta o poder de compra do dinheiro.  Uma redução nessa quantidade diminui o poder de compra.  Se um determinado setor da economia é mais produtivo do que outro setor, seus preços cairão mais.  Da mesma forma, uma simples alteração nas preferências dos indivíduos por determinados bens e serviços pode alterar os preços de toda a economia. É, portanto, perfeitamente factível que, em uma economia normal, preços subam em determinados setores, e caiam em outros.  É impossível, portanto, querer que o poder de compra do dinheiro seja imutável.

E dado que o preço do dinheiro reconhecidamente flutua no livre mercado, então, segundo os defensores da "estabilidade" do poder de compra do dinheiro, a liberdade deveria ser sobrepujada pelo gerenciamento governamental para se garantir tal estabilidade.[2]  A estabilidade, dizem eles, proporcionaria justiça, por exemplo, para credores e devedores, que teriam a certeza de que estariam devolvendo unidades monetárias, ou onças de ouro, com o mesmo poder de compra de quando emprestaram ou tomaram emprestado.

Todavia, caso credores e devedores queiram se resguardar de mudanças futuras no poder de compra do dinheiro, eles podem facilmente fazer isso no livre mercado.  Ao elaborarem seus contratos, eles podem acordar que o ressarcimento seja feito em uma soma monetária ajustada por algum índice que mensure as mudanças ocorridas no valor do dinheiro.  Os defensores da fictícia estabilidade do poder de compra do dinheiro há muito defendem tais medidas, porém, muito estranhamente, os próprios emprestadores e tomadores de empréstimo, que supostamente mais se beneficiariam com essa estabilidade, muito raro tiram proveito desta oportunidade.  Deveria então o governo forçar certos "benefícios" a pessoas que livremente já os rejeitaram? 

Aparentemente, empreendedores preferem correr riscos, neste mundo de irremediável incerteza, e confiar mais em suas capacidades de antecipar as condições do mercado do que em decretos governamentais.  Afinal, o preço do dinheiro não é diferente de nenhum outro preço no livre no mercado.  Qualquer preço pode mudar em resposta a alterações na demanda dos indivíduos.  Por que seria diferente com os preços monetários?

Com efeito, a estabilização artificial do valor do dinheiro iria distorcer e afetar seriamente as atividades do mercado.  Como já aludimos na seção anterior, as pessoas inevitavelmente teriam frustrados seus desejos de alterar a real proporção de seus encaixes; não haveria nenhuma oportunidade de alterar seus encaixes em relação aos preços.  No que mais, um genuíno aumento no padrão de vida das pessoas decorre de investimentos em capital, o que aumenta a produtividade.  E um aumento na produtividade tende a reduzir os preços (e os custos) e, por conseguinte, a distribuir os frutos da livre iniciativa para todo o público, elevando o padrão de vida de todos os consumidores.  Aumentar forçadamente o nível dos preços impede essa disseminação de um padrão de vida mais elevado.

O dinheiro, em suma, não é "um padrão de medida fixo".  É uma mercadoria que serve como meio para trocas.  Haver uma flexibilidade em seu valor, em resposta a alterações nas demandas dos consumidores, é tão importante e tão benéfica quanto o livre estabelecimento de qualquer outro preço no mercado.


[1] A partir de que momento o encaixe de um indivíduo se torna um vergonhoso "entesouramento"?  A partir de que momento um indivíduo prudente se torna um avarento? É impossível estabelecer qualquer critério definitivo.  Geralmente, a acusação de "entesouramento" significa que A está portanto mais dinheiro do que B julga ser apropriado para A.

[2] Como o governo faria isso não nos importa no momento. Basicamente, envolveria mudanças — operadas pelo governo — na oferta monetária.


0 votos

autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Thiago G  17/02/2013 14:03
    Quem guarda dinheiro na gaveta? Que exemplo ruim! Não é assim que as pessoas poupam. As pessoas emprestam o dinheiro para empresas, famílias ou para o governo. Elas obtém rendimentos e assim cresce a desigualdade. Esse é o problema.
  • Leandro  17/02/2013 15:17
    Thiago, acho que você não participa de debates econômicos. Uma das principais objeções ao padrão-ouro advém do temor de que, neste sistema, os usuários iriam preferir entesourar seu ouro a emprestá-lo a alguém. Daí o enfoque do artigo, o qual, como está escrito lá no início, é meramente o trecho de um livro que está sendo postado semanalmente aqui neste site. Leia os trechos anteriores para se inteirar melhor dos fatos antes de emitir críticas.

    Abraços.
  • Thiago G  17/02/2013 16:51
    Tudo bem, mas os avarentos de hoje em dia não são os mesmos da época do padrão-ouro. Ninguém mais guarda dinheiro debaixo do colchão. E se fizer isso não ficará rico. As pessoas investem em CDB, debêntures, ações, títulos etc. As críticas ao padrão-ouro tinham mais a ver com o entesouramento pelos países, práticas mercantilistas, essas coisas.

    Abs
  • anônimo  17/02/2013 15:19
    Igualdade não existe. Nem no socialismo vai existir, nomenklatura.
  • Cesar Massimo  17/02/2013 18:41
    Thago G,
    Entendi:
    1. A desigualdade é o problema.
    2. A causa é porque umas pessoas emprestam às outras.
    Solução: Vamos proibir as pessoas de emprestar uns aos outros.
    Outra proposta que acho interessante é exigir igualdade absoluta. Por exemplo, se um atleta for melhor que o outro no futebol, por exemplo, nós podemos amarrar seu braço ou coisa parecida de forma que os jogos terminarão sempre empatados. Será um mundo perfeito.
  • Thiago G  18/02/2013 01:25
    Cesar,
    1. Desigualdade é um problema sim. Não diria que é um consenso, porque vocês aparentemente não vêem mal nela. Se você não vê mal algum em alguém esbanjar enquanto outras pessoas passam fome, pode parar de ler aqui, pois não serei capaz de lhe convencer de nada.
    Quando eu falo em igualdade não é igualdade absoluta, mas sim em reduzir as desigualdades a algo SOCIALMENTE aceitável.
    2. São várias as causas da desigualdade. Como vocês mesmos destacam, a ação governamental é uma delas. Eu apontei uma das causas: o fato de alguns auferirem rendimentos em razão de pouparem. Não quis esgotar as causas da desigualdade.
    Qual a solução? Estado, regras... coisas que vocês não gostam. Qual a sua proposta libertária para reduzir as desigualdades? Ou, se você acha que a desigualdade é uma coisa boa, como fazemos para acentuá-la? rs
  • Leandro  18/02/2013 13:01
    "São várias as causas da desigualdade. Como vocês mesmos destacam, a ação governamental é uma delas. [...] Qual a solução? Estado, regras... coisas que vocês não gostam."

    Ou seja, a solução para um problema é intensificar a ação daquele ente que causa esse problema. Profundo.

    "Eu apontei uma das causas: o fato de alguns auferirem rendimentos em razão de pouparem. Não quis esgotar as causas da desigualdade."

    Quer dizer então que uma pessoa se abster de consumir (poupar nada mais é do que se abster de consumi) gera desigualdade? Como é que uma pessoa que deixa de se apropriar de recursos escassos está gerando desigualdade? Se algo, tal pessoa, ao poupar, está liberando recursos, possibilitando que estes sejam consumidos por outras pessoas, geralmente mais pobres.

    Curiosamente, antes de cometer a frase acima, você havia dito que "Se você não vê mal algum em alguém esbanjar enquanto outras pessoas passam fome, pode parar de ler aqui, pois não serei capaz de lhe convencer de nada."

    Ou seja, alguém esbanjar é ruim porque acentua a desigualdade. E alguém poupar (oposto de esbanjar) também é ruim porque gera desigualdade. Se duas coisas totalmente opostas geram o mesmo efeito, então o mundo chegou à danação total.

    O dia em que surgir neste site um esquerdista/progressista que saiba ligar causa e efeito, que entenda o básico de economia, que utilize argumentos racionais em vez de apelar para argumentos emotivos, e que não escreva 4 frases sem se contradizer, poderemos fechar isso aqui

    "Qual a sua proposta libertária para reduzir as desigualdades?"

    Antes de tudo, leia o texto abaixo e entenda a real causa das desigualdades. Tendo entendido isso, você estará mais apto para apontar a solução.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=313

    Depois de lido o texto acima, entenda o que gera riqueza:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1457
  • Thiago G  18/02/2013 15:44
    Vou ser bem cuidadoso dessa vez ;)

    1) O Estado gera distorções na economia.
    2) Algumas distorções não são causadas pelo estado, por exemplo os monopólios naturais (ok, os estados os regulam, mas, por favor, não cole um artigo dizendo que eles não existem ou que é o Estado que os cria)
    3) O Estado pode servir para corrigir aquelas distorções que ele não cria.
    4) Logo, precisamos de alguma ação estatal. (A menos que vocês tenham alguma proposta para solucionar esse problema, e, se vocês tiverem, eu posso apresentar uma série de outros problemas, tais como a desigualdade e externalidades negativas...)
    5) A profundidade que você alega está no conceito de equilíbrio, de moderação.. mas nao vou explicá-lo agora, acho que você entendeu.

    6) Boa, você aparentemente achou um paradoxo no que eu disse. Vamos examinar esse paradoxo:
    6.1) As pessoas poupam e geram desigualdade. Cara não estou falando nada de mais. Você nunca ouviu falar em teoria da escolha intertemporal? Eu poupo agora para ter um maior nível de renda no futuro.. e quem não poupa? esses terão menos riqueza no futuro.
    6.2) Mas e o contrário? E se eu consumir tudo que eu tenho? Tá, aí eu fico mais pobre e os outros ficam relativamente mais ricos. Isso é bobagem. Eu compro uma Ferrari de um milhão, depois de um tempo ela desvaloriza 500 mil reais. Esses 500 mil reais não foram parar no bolso dos mais pobres. Nem o 1 milhão que foi pago a Ferrari.. ah não vou ficar explicando com detalhes, até por que você também não está fazendo isso, mas o valor que eu paguei é distribuído entre os donos da empresa e os funcionários conforme a proporção que há entre lucros e salário.

    Mas e então? é a danação total? Lógico que não, o que distribui renda é a taxação sobre a riqueza (ou doações). As pessoas não apenas consomem ou poupam o dinheiro, elas podem ser taxadas, doar, queimar o dinheiro.. são muitas possibilidades. rs

    Quanto a burrice dos esquerdistas, eu pulo. Só um comentário, se vocês podem ser emocionais quando defendem a liberdade, por que eu não posso ser quando defendo a igualdade?

    Tá vou ver as propostas de vocês para reduzir as desigualdades. Abs
  • Ricardo  18/02/2013 18:12
    Juro que tentei, mas não consegui entender absolutamente nada da "lógica" desse Thiago. Não sei como o Leandro se dá ao trabalho de responder e apontar os erros. É um exercício tão útil quanto dialogar com um papagaio. Aliás, também não entendo porque ficar publicando as tréplicas de vários haters que surgem aqui diariamente. A gororoba de palavras que essa gente vem cuspir aqui não apenas não traz nada de útil ou de interessante (é tudo requentado de discursos de militantes da DA), como serve apenas para poluir a seção de comentários, impedindo que outras contribuições mais interessantes sejam visualizadas.
  • Gustavo BNG  18/02/2013 18:27
    Thiago, ninguém é igual a outro. Por que deveríamos todos ter a mesma renda?
  • Thiago G  18/02/2013 18:43
    Gustavo, não acredito que devam ter a mesma renda, porém não deve ser algo muito discrepante. É só minha opinião. Vou ficar na minha agora, pq não tenho mais nada a acrescentar. Abraço.
  • Augusto  19/02/2013 03:49
    Thiago, poque as diferenças na renda não devem ser muito grandes? Se as pessoas possuem produtividades totalmente distintas. Você não acha justo caras como o Bill Gates, que é um dos responsáveis por nós estarmos tendo essa conversa neste ambiente virtual (pelo menos eu uso windowns), ganhar milhões de vezes mais do que um funcionário da ANCINE? Um beneficiou 5 bilhões de pessoas com produtos inovadores, o outro beneficiou quem?

    Pense um pouco sobre como vc qualifica o que é justo ou injusto. Eu avalio que a riqueza do Bill Gates é justa, pois ele não obrigou ninguém a dar dinheiro a ele. Tudo o que ele conseguiu foi através de transações voluntárias.

    Fico abismado como a deturpação moral da nossa sociedade chegou a tal ponto onde o normal é achar que transações involuntárias (impostos) promovem justiça.

    E o mais trágico é ver as pessoas comprando produtos das empresas (elas voluntáriamente dão dinheiro àquelas empresas), e depois exigem que o governo vá até essas empresas com seus guardas e tome parte dos recursos a força e redistribua para as pessoas. Obviamente ficando com uma pequena comissão pelo "serviço". É um assalto encomendado.

    O que a maioria das pessoas não percebe é que, além de ser moralmente errado, mais impostos sobre as empresas, tem de sair de algum lugar. Podem sair de menores salários, o que seria ruim para as pessoas. Podem sair de preços mais altos, o que é ruim para as pessoas. Ou podem sair de lucros menores, o que também é ruim para as pessoas, pois significará menos empresas e/ou empresas menores e menos ricas, o que significará menos demanda por trabalho e menos oferta de produtos.

    A sociedade vai ficando cada vez mais pobre, e em resposta as pessoas pedem cada vez mais impostos sobre os "ricos", até uma hora em que se entra em colapso. Os criminosos nunca sabem a hora de parar, até serem pegos.

    E ai é como diz a frase, que se não me engano é da Margaret Thatcher: "The problem with socialism is that sonner or later you run out of other's people money."

    Olhe a sua volta Thiago, e analise os fatos. Olhe as relações dívida/PIB das sociais democracias pelo mundo. Olhe para pessoas como o Gérard Depardieu que abriu mão da cidadania francesa depois que sua aliquota de imposto de renda subiu para 75%! Se mais Gérards forem embora da França quem vai pagar a dívida? Olhe o quanto aumentou o orçamento do governo dos EUA em relação ao PIB desde 1900. Não é difícil ver para onde estamos caminhando.

    Por isso Thiago, pense na mensagem que vc quer deixar para os outros seres humanos. Você quer deixar uma mensagem de incentivo ao roubo, de incentivo a mais impostos? Uma mensagem que só vai prejudicar toda a sociedade e beneficiar meia dúzia de políticos? Ou não é melhor deixar uma mensagem positiva, sobre agregar valor para os outros e fazer comércio voluntariamente. Ensinar as pessoas que é possível sim prosperar, trabalhando, empreendendo, inovando e sendo útil.
  • Thiago G  19/02/2013 05:13
    Augusto, fiquei feliz com sua educação. Perdão se eu der uns saltos e não deixar bem claras as relações causais. O fato é que eu pressuponho que todos aqui se interessam por economia, então eu vou deixar algumas coisas meio soltas (talvez por sono, ou preguiça, ou ignorância)
    De fato, o Bill Gates também me proporcionou facilidades, e eu lhe sou grato por isso. E gosto mais dele ainda por ele ser um filantropo. No entanto, uma coisa que aprendi estudando economia é que a utilidade marginal das pessoas é decrescente. Sessenta bilhões deixam o Bill Gates muito feliz, mas 40 bilhões também deixam. Então, se fizermos esse roubo, como você prefere chamar, faremos um pequeno mal a ele, mas podemos trazer para muita gente um grande bem. Eu não acho isso moralmente errado. Contudo, os problemas fáticos que você apresentou são realmente importantes. Assim, é bastante válido promover discussões sobre economia para o maior número de pessoas possível.
    Além disso, realmente os Estados incharam nas últimas décadas e século, e sinceramente eu não sei como os franceses vão tocar em frente seu esforço fiscal "peculiar" sem provocar uma fuga de gente rica e talentosa para outros países.
    Eu apenas clamo para que vocês, ao se debruçarem acerca de questões econômicas, deem uma atenção especial aos aspectos de justiça social que estão inseridos nessas questões.
  • Augusto  19/02/2013 19:16
    Thiago,

    Pode ate ser que esses 20 bilhões deixem algumas pessoas mais felizes que o Bill Gates. Mas, mesmo assim, tomar esses 20 bilhões a força não é correto nem bom para a sociedade.

    Primeiro, pelo aspecto moral, como falei no outro comentário. Esse 20 bilhões caminharam até o Bill Gates voluntariamente. O mais correto é deixar que o Bill Gates decida o que fazer com eles. Se o Bill Gates decidir fazer projetos sociais, ótimo, com certeza vai gerenciar melhor que o governo. Se o Bill Gates decidir abrir novas empresas, ótimo também. Se ele decidir poupar e emprestar para o banco financiar outros projetos, a sociedade também ganha.

    Segundo por que não há nenhum critério para se definir quais recursos deveriam ser redistribuídos. Quem vai dizer a partir de que ponto a pessoa tem de abrir mão de sua riqueza por causa de sua utilidade marginal? A tendência é os governos quererem sempre mais. Começam taxando os bilionários, depois os milionários, depois o dono da padaria da esquina. Tenha em mente que quem toma essa decisão normalmente é algum Sarney da vida. Prefiro abrir mão desse precedente e deixar o Sarney sem esse poder.

    Terceiro, vamos supor o Sarney em questão seja um ser iluminado e encontre um nível razoável de taxação que seja "justo", apesar de não haver nenhum método para se medir essa "justiça". Ainda assim seria difícil cumprir o objetivo de se transferir riqueza dos mais ricos para os mais necessitados. Primeiro você deverá decidir se irá taxar os ricos ou suas empresas. Se você taxar as empresas incorrerá nos problemas que eu descrevi no outro comentário, preços mais altos, salários menores e menos empresas e/ou empresas mais pobres e consequentemente menos oferta de bens e serviços para os consumidores. Ou seja, os consumidores e trabalhadores seriam prejudicados. Além disso, você não estaria taxando apenas o Bill Gates, mas todos os acionistas menores, inclusive os trabalhadores que depositam suas economias para a aposentadoria num fundo de ações. No caso de você tentar taxar as pessoas ricas e não suas empresas, você cria diversos incentivos a todo tipo de manobras fiscais. Essas manobras são um desperdício de recursos humanos tentando enganar o governo. E se tornam um desperdício ainda maior quando o governo resolve fiscalizar essas manobras através da contratação de funcionários públicos bem pagos. E se tornam um desperdício muitíssimo maior quando estes funcionários começam a receber não só seu salário, mas propina para fazer vista grossa a essas manobras.

    Quarto, todo esse cenário é um desincentivo ao aparecimento de novos Bill Gates. Você pode achar que não, afinal qualquer um continua sendo feliz sendo um Bill Gates com 40 bilhões ou com 60 bilhões. Mas entre o Bill Gates e o dono da padaria existe uma infinidade de empreendedores intermediários, e a mensagem que estamos passando aos jovens da sociedade é que vale mais a pena fazer concurso para ser fiscal da receita do que tentar ser um empreendedor.

    Quinto, mesmo depois do governo se apropriar desses recursos, ele ainda vai gastar de maneira ineficiente e na verdade boa parte estará na prática sendo transferida do Bill Gates para vários Marcos Valerios da vida.
  • Thiago  19/02/2013 22:50
    Augusto,
    A voluntariedade é um aspecto bastante positivo dos mercados. Por sua vez, os governos não possuem essa qualidade, suas decisões são impostas a todos. Realmente, isso não é muito agradável, mas daí dizer que é inaceitável... tenho minhas dúvidas.

    Nesse nosso debate, você está depositando sua fé no mercado e eu estou depositando a minha no mercado e no estado.

    Eu sei que existem muitos políticos inescrupulosos que se aproveitam de seu poder para torná-lo ainda maior. Mas será que o mercado está imune a isso? O governo tem seus controles, o mercado também tem os seus. Mas, mesmo assim, existem pessoas como o Sarney e o Madoff.

    "A tendência é os governos quererem sempre mais. Começam taxando os bilionários, depois os milionários, depois o dono da padaria da esquina. Tenha em mente que quem toma essa decisão normalmente é algum Sarney da vida."
    Eu concordo.

    Em relação à tributação, tem gente que estuda como torná-la mais progressiva, neutra, etc. Contudo, a ganância do governo também pesa aqui.

    "Quarto, todo esse cenário é um desincentivo ao aparecimento de novos Bill Gates. Você pode achar que não, afinal qualquer um continua sendo feliz sendo um Bill Gates com 40 bilhões ou com 60 bilhões. Mas entre o Bill Gates e o dono da padaria existe uma infinidade de empreendedores intermediários, e a mensagem que estamos passando aos jovens da sociedade é que vale mais a pena fazer concurso para ser fiscal da receita do que tentar ser um empreendedor."
    Realmente, no Brasil, não existem muitos Bill Gates. Mas nos EUA também há impostos, assim como no Brasil, e eles conseguem criar esse cenário positivo.

    Abraços


  • Eleno  19/02/2013 23:16
    "O governo tem seus controles"

    Quais?

    "mesmo assim, existem pessoas como o Sarney e o Madoff."

    Madoff só fez madoffices justamente porque a SEC o protegeu.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=213
  • Thiago  19/02/2013 23:54
    Eleno, uma das funções tradicionais dos Poderes Legislativos é controlar a ânsia de tributar dos governantes (embora isso não corresponda, muitas vezes, à prática).

    Onde o governo é presente, os vigaristas mais bem sucedidos estabelecem vínculos com fiscais, juízes... Mas onde ele é ausente, criam-se milícias. O que é pior?
  • Felipe  02/03/2013 04:35
    Você quer que os empregados do Estado (legisladores, juízes, etc) nos protejam do Estado? Isso é uma grande inocência. Meu pai foi roubado pelo INSS em mais de 300 reais mensais, com a benção de algum juíz "defensor do povo". O mais engraçado é que o nosso advogado disse que isso é uma ordem da Dilma, para barrar toda revisão de aposentadoria do INSS em última instância, mesmo quando - obviamente - o cidadão tem todo direito de receber. Logo, o juíz cachorrinho está fazendo seu serviço corretamente para agradar a boca que lhe alimenta.

    Coitado do meu pai, previdência pública, eis um erro que não cometerei.
  • Renato Souza  19/02/2013 22:17
    Eu responderia que, esse raciocínio levado às últimas circunstâncias, é o que aconteceu nos países da comunistas. E o que aconteceu lá deixou talvez quase dois bilhões de pessoas extremamente tristes. E mais de cem milhões mortas. E uma quantidade incalculável sofreu tortura e prisão.

    Então prefiro não começar tomando o dinheiro do Bill Gates, para não terminar morto de frio e fome numa cela fétida, junto com milhões de pessoas.

    Você pode argumentar que não quer chegar a esse ponto, mas iniciado o processo, quem o parará? E mesmo que não se chegue a isso, o potencial de destruição econômica (e criação de miséria) desse caminho, é enorme. A Argentina nunca chegou perto de estatizar toda a economia, mas esse discurso de inveja contra os ricos criou um ambiente institucional tão contrário ao mercado, que ela passou em menos de um século, de um dos países mais ricos do mundo a essa desgraça que hoje vemos.

    Esses são motivos mais que suficientes, mas vou dar uma outra linha de argumentação:

    Governantes socialistas e keynesianso sempre falam de "taxar os mais ricos", mas nunca é isso que eles fazem na prática. Os mais ricos, se forem amigos dos poderosos, tem meios e influência, e são sócios políticos dos socialistas e keynesianos. Taxar os mais ricos nunca os torna menos ricos, porque suas empresas sempre são socorridas pelo governo. "Taxar os mais ricos" é só uma senha para que certos pobres (de grupos específicos) e os mais ricos, em conluio, peguem a grana da classe média. Ficaria meio chato os ricaços e "grupos representantes dos oprimidos" adimitirem que estão em conluio para roubar o cidadão médio, então eles inventaram essa desculpa.

    Finalmente, os mais ricos não seriam tão ricos (relativamente) sem duas instituições criadas especialmente para o bem deles, e que são coercitivas no mais alto grau, e, pior que isso, coercitivas contra pessoas que não cometeram mal algum: O sistema de reservas fracionárias com papel-moeda de curso forçado e as patentes. Certamente o dono de uma grande empresa de informática, um banqueiro, um grande investidor da bolsa, seriam ricos num sistema mais próximo do livre mercado, mas seriam menos ricos (em relação aos outros cidadãos) do que são no nosso sistema atual. Então, se você acha que há algo injusto que faz Bill Gates, os Rockfeller, e os grandeS investidores ficarem mais ricos (em relação aos outros) do que eles deveriam ser, você está INTEIRAMENTE CERTO. Lute contra o sistema de patentes e contra o sistema de papel moeda de curso forçado, e você estará ajudando a redistribuir riquezas. ESTOU COM VOCÊ NESSA LUTA!
  • Thiago  19/02/2013 23:17
    Interessante. Você tem algum exemplo recente de um sistema assim funcionando? Alguma comunidade regida por essas regras? (Obs: ainda há o problema das desigualdades naturais, mas vamos deixá-las de lado, por enquanto)
  • Thiago  20/02/2013 00:34
    Renato, acredito que as propostas que você apresentou podem contribuir para a redução da desigualdade. Mas não estou bem certo de como isso funcionaria na prática (mesmo lendo o artigo).
  • Renato Souza  22/02/2013 02:57
    Thiago


    Não entendi porque você não está bem certo de como isso funcionaria na prática. Até pouco mais de cem anos atrás, não existia banco central algum, nem existiam papéis-moedas não conversíveis em metal. Isso foi algo desconhecido na maior parte da história da humanidade. Há países que não tem banco central e, portanto, não fazem, e nem podem fazer, política monetária. Então, qual a dificuldade? Banco central é como futebol ou rock, só veio a existir por uma série de circunstâncias históricas. Por existir, e apenas por isso, lhe causa estranheza a ideia da sua inexistência. É claro que muita gente tem de vir a ter consciência dos males que os bancos centrais causam, para que haja apoio à ideia da sua extinção. O que sabemos é que nunca seria possível a contínua desvalorização do dinheiro sem a inflação monetária. E sabemos também que os bancos centrais e as moedas não conversíveis em metal foram criados para permitir a fácil inflação monetária.

    Quanto às patentes, novamente temos uma invenção relativamente recente. Antes que houvesse direitos autorais e patentes, a Europa passou por um maravilhoso processo de renovação cultural, desenvolvimento artístico, científico e tecnológico, multiplicação de títulos publicados. Isso prova que a inexistência de direitos autorais e patentes não era impedimento para o desenvolvimento científico, tecnológico e artístico.

    Há muitas outras "novidades" modernas que retiram dinheiro dos mais pobres em favor dos mais ricos. Exemplos fragrantes são as políticas industriais custeadas com o FGTS, os altos impostos de importação, o alto custo da folha de pagamento.

    Não sei a sua idade, mas vou dar meu testemunho. Quando eu era adolescente, existia uma coisa chamada SUNAB aqui no Brasil, que controlava os preços dos produtos de consumo. Pelo costume, muita gente achava que a economia não podia funcionar sem que o governo ficasse controlando preços. Havia outro órgão estatal responsável pelo abastecimento, que era dono de uma imensidão de silos e armazéns. A telefonia era estatizada, e era proibida a importação de computadores. Se você dissesse para a maioria das pessoas que nos outros países não existia nada disso, elas ficariam incrédulas: "mas então, como é que as coisas funcionam lá?". Alguns eram taxativos "então os empresários de lá não são gananciosos, e é por isso que o governo não precisa controlar tudo".

    Entendeu meu ponto? Moeda estatal é tão "necessária" quanto telefone estatal, armazéns estatais, etc.

    Então, eu não estou nem aí para os poucos bilhões de dólares do Bill Gates (e que, até onde sei, não são produto de roubo), estou mirando nos trilhões de dólares que, no mundo inteiro, são transferidos dos pobres para os ricos através de mecanismos estatais, e outros tantos trilhões que são riqueza destruída pela estupidez e arrogância dos governantes.
  • anônimo  19/02/2013 11:54
    O que ele devia pensar não é na diferença entre as rendas, mas sim que os pobres tenham mais acesso a items fundamentais, e isso só o mercado pode proporcionar
  • Sérgio  17/02/2013 21:15
    então o problema do Thiago é a tal "desigualdade". Pressuponho que ele sugere a "igualdade". Sugiro ao Sr. Thiago a ler este texto:

    O igualitarismo é uma revolta contra a natureza
  • Sérgio  17/02/2013 21:19
    Livro que seria bom o IMB traduzir seria este livro:

    Socialism
  • Neto  22/02/2013 09:49
    '(Obs: ainda há o problema das desigualdades naturais, mas vamos deixá-las de lado, por enquanto)'

    Affff então se eu tenho 110 de QI e os amiguinhos do Thiago tem 60, até nisso eu vou ter que ser obrigado a trabalhar pra sustentar os pobres coitadinhos injustiçados pela natureza?

    Porque é que é tão difícil esses idiotas entenderem que o universo não gira em torno deles?
  • manoel linhares  10/01/2016 19:58
    Muito bem observado
  • roberto  17/02/2013 14:19
    Alô Pessoal
    Como explicaríamos a "crise"japonesa,seu poder de compra em passado recente e a FANTÁSTICA POUPANÇA INTERNA?.
    Porque o governo se vê na "obrigação"de criar juros negativos para estimular(sic)a economia de um país ALTAMENTE INDUSTRIALIZADO,altamente produtivo,etc..?
    Keynes ou Hayek por lá ou uma mistura dos dois?.
    abraços
  • Leandro  17/02/2013 15:18
    Roberto, há dois artigos exclusivamente sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=735

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=894
  • Sérgio  18/02/2013 02:33
    A História do Japão é mito. Leia, por exemplo, esta reportagem da New York Times sobre o Japão. O caso japonês refuta a teoria keynesiana de que o consumismo que mantém a economia funcionando e os empregos, e que a poupança provocaria a falência de milheres de empresas e haveria desemprego... A experiÊncia mostra exatamente o contrária.
  • Diones Reis  18/02/2013 13:56
    Uma pergunta: Estes artigos seriam válidos na atual conjuntura economica japonesa, que é a de desvalorizar o iene?
  • Randalf  17/02/2013 14:30
    Eu penso o contrário, os avarentos são os que mais ajudam a sociedade. Pois eles produzem algo, e oferecem à sociedade, sem retirarem nada dela (eles prescindem de consumir, pois são avarentos). Eles são os que mais ajudam a sociedade.
  • Gustavo BNG  17/02/2013 17:12
    Amigos do IMB, o livro ("O que o governo fez com o nosso dinheiro") sai quando?
  • Higor Monteiro  17/02/2013 19:52
    Muito interessante ... A escola austríaca tem uma qualidade realmente grande quando se trata de sua didática. Muito explicativa, lógica.

    Gostaria que me recomendassem algum artigo ou livro que seja bem explicativo para um não-economista sobre essa relação de um total dinheiro estável que seja apenas a soma de toda a renda dos indivíduos com o sistema de reservas fracionárias.

    ÓTIMO ARTIGO.
  • Bruno D  18/02/2013 00:07
    Quando er um moleque ainda, gostava de ficar juntos aos mais velhos (garotos ainda na faixa dos 16-20 anos) ouvindo seus debates e conversas.

    Entre um cascudo e outro, ouvi dizer uma vez, na era onde o politicamente correto ainda estava sendo produzido em laboratório, e na época da grande recessão e da cultura inflacionária e de incentivo a industria nacional, era a época da reserva de mercado.

    Um desse colegas disse com a maior propriedade: "O dinheiro tem que circular"

    Isso ficou na minha cabeça durante anos.. O dinheiro tem que circular.

    É claro que ele escutou isso de alguém ou de algo como em um programa de televisão ou algum professor de escola, vivíamos na era de bronze do marxismo cultural.

    Só quem viveu aquela época e pode agora ler um site como o Mises-Br sabe a diferença que existe.




  • Murilo Carlos Veras  18/02/2013 03:48


    Inacreditável que nunca tenha pensado nisso, me admira como certos conceitos se imbuem em nossa mente sem percebermos. Mas logo na primeira argumentação de Rothbard percebi o erro induzido e sua razão perniciosa: somo doutrinados a produzir-consumir em ciclos cada vez mais curtos para atender a segmentos específicos da industria, muitas vezes artificialmente criadas, como a industria do entretenimento. Fantástica a saída da especificidade de encaixes, poderia-se falar talvez de qualidade dos inter-encaixes, dependência de quem-para-quem vai e volta o dinheiro? Então vou mais além, por traz da economia o que manda mesmo é a sabedoria, o saber valorar as coisas ordenadamente, mais ou menos como numa orquestra. Imaginemos um mundo em que, em vez de guardar 10% de tudo que ganhassem sob seus colchões, todos doassem a (boas e bem monitoradas, pessoalmente) instituições de caridade e igrejas confiáveis, ninguém garante que esses valores retornariam diretamente algum dia aos seus originais proprietários, mas os benefícios indiretos que trariam, materiais e espirituais, certamente seriam incomensuráveis, apesar de impossível quantificação. Qual o valor do alcoólatra ou drogado que deixa seu vício pelo empenho e testemunho de um padre ou pastor de almas, para depois incrementar seu negócio e acabar empregando o jovem filho de um parente desempregado, quando se menos esperava? Não é certo que esse raciocínio adicional poderia "renovar a face da terra" ou fui longe demais? Pode ser, mas suspeito que a Escola austríaca vem mudando minha forma de valorar as coisas, mormente para (muito) melhor. Parabéns a vocês, que Deus abençoe profusamente esse empreendimento!
  • Luiz Rodrigo  18/02/2013 04:34
    Mais um excelente texto de Rothbard! Ansioso pelo lançamento, especialmente depois de "Educação: livre e obrigatória".

    Mudando um pouco de assunto, gostaria de pedir recomendações de leitura sobre o mercado financeiro sob a perspectiva austríaca. Alguém tem alguma recomendação?

    Abraços, Luiz.
  • jose carlos zanrforlin  18/02/2013 20:50
    Prezado Leandro:

    Há uns 3 anos, supunha interessantes as idéias de uma americana chamada Hellen Brown (que certamente vc conhece), relativamente à facilidade com que ela afirmava poder os Estados Unicos saldar sua dívida. Hoje, após ano e meio de leitura de artigos do IMB, penso que estava errado nessa avaliação.

    Veja este trecho de artigo da Sra. Hellen, que li em ASIA TIMES ON LINE, que, suponho contraria o que venho lendo aqui:

    "We have a mountain of critical work to do, improving our schools, rebuilding our infrastructure, pursuing our research goals, and so forth. And with millions of unemployed and underemployed, the people are there to do it. What we don't have, we are told, is just the money to bring workers and resources together.

    But we do have it. Or we could.

    Money today is simply a legal agreement between parties. Nothing backs it but "the full faith and credit of the United States". The United States could issue its credit directly to fund its own budget, just as our forebears did in the American colonies and as Abraham Lincoln did in the Civil War".

    A íntegra do artigo está no seguinte endereço: www.atimes.com/atimes/Global_Economy/GECON-01-150213.html

    Essa última parte da transcrição bem demonstra, suponho, visão totalmente Keynesiana da moeda; logo, prefiro refazer minha avaliação sobre o que pensava dos escritos da Sra. Hellen, para tê-los como insubsistentes como prática.

    Estou certo agora?
    Grato.
    Abraço.



  • Leandro  19/02/2013 02:40
    Prezado Zanforlin, o que essa dona está dizendo é exatamente aquilo que foi feito no Brasil na década de 1980. É a lógica de que não há escassez de recursos na natureza e todos os bens são infinitos. O único problema seria "colocar estes recursos para trabalhar", mágica essa que seria efetuada perfeitamente pela simples impressão de dinheiro.

    Esta teoria foi também bastante popular no Zimbábue da década passada.

    Grande abraço!
  • TL  19/02/2013 18:05
    Prezado Jose Carlos Zanrforlin.

    Admito que antes de conhecer o IMB, a leitura do livro da senhora Ellen Brown, Web of Debt, era de ordem prioritária. Eu me lembro, que no início de 2012, eu estava super empolgado com as ideias defendidas por ela. Entretanto, antes de comprar o livro, eu encontrei o IMB. No final, deixei de ler o livro dela.

    Lembro, também, de artigos com muitos elogios ao Bank of North Dakota.

    Se minha memória não falha, a ideia dela é promover bancos similar ao FED, entretanto de caráter público e não privado. Ela defende que as comunidades possam criar seu próprio banco central para emitir moeda fiduciária sem lastro em títulos (dívida pública), ao contrário do que acontece hoje nos EUA.

    Leandro e demais leitores, me corrijam se eu tiver errado. Depois do advento do FED, quando o governo americano precisa de dinheiro, ele emite títulos públicos que são comprados pelo FED. O FED imprime o dinheiro e paga o governo. No momento do vencimento desses títulos, o governo promete pagar o principal mais juros ao FED (com dinheiro proveniente dos impostos). Claro, todos nós sabemos que algumas vezes o governo não tem o dinheiro para pagar os juros e o principal de suas dívidas, por isso ele rola suas dívidas (emite novos títulos para pagar os juros e o principal de títulos que estão próximos de vencer; em outros termos, faz um novo empréstimo para quitar uma dívida anterior).

    O pagamento de juros sobre esses títulos, conforme a senhora Ellen Brown, são desnecessários, pois o estado poderia simplesmente emitir seu próprio dinheiro, sem precisar incorrer em dívida pública e pagamento de juros (sem lastro em títulos).

    O exemplo mais citado é os Greenbacks. Moeda totalmente fiduciária, que foi emitida pelo governo dos EUA sem a necessidade de lastro em títulos públicos ou metais preciosos (uma moeda totalmente baseada na confiança no governo dos EUA).

    Bom, todos os versados na Escola Austríaca e que não conhecem a história dos Greenbacks já suspeitam do desfecho: hiperinflação. Os defensores dessa moeda fiduciária proclamam que a hiperinflação somente ocorreu devido à guerra, momento em que os gastos governamentais aumentaram. Parece que o governo dos EUA resistiu a tentação de emitir dinheiro por um tempo e exatamente nesse período os EUA vivenciaram uma enorme prosperidade econômica (ou poderia ser um ciclo econômico, no caso de contínua expansão da oferta monetária).

    Em minha opinião, a combinação de moeda fiduciária (sem lastro algum, baseado somente na confiança no Governo), welfare state e Keynesianismo é explosiva.

    E por quê, na época, eu achei razoável essa política econômica? Nos primórdios dos meus estudos sobre economia, eu analisei uma planilha do governo brasileiro chamada de consolidação das contas pública (ou algo similar) [achei ela no site do Tesouro Nacional]. Essa planilha apontava que 45% das receitas do governo federal brasileiro eram utilizadas para o pagamento de dívidas públicas (juros, encargos e amortização). Portanto, achei extremamente razoável a ideia de não pagar juros sobre esses títulos. Entretanto, ignorei completamente que não haveria controle algum sobre a quantidade de moeda na economia.

    Em resumo, somente mudaria a forma de confisco. Antes era confisco por taxação e agora seria confisco por inflação.
  • Leandro  19/02/2013 18:20
    Uma ligeira correção (falarei de modo generalizado, pois aqui no Brasil a coisa funciona idêntica aos EUA):

    Depois do advento do Banco Central, quando o governo precisa de dinheiro, o Tesouro emite títulos públicos que são comprados pelo sistema bancário (o Banco Central não compra os títulos diretamente do Tesouro). Mais adiante, o sistema bancário revende parte desses títulos ao Banco Central, que os compra criando dinheiro eletrônico nas reservas dos bancos (naquilo que é tecnicamente chamado de "Operações de Mercado Aberto").

    Portanto, sim, é o Banco Central quem financia o governo, mas isso é feito de maneira indireta, utilizando o sistema bancário como intermediário.

    No final, o Banco Central e os bancos estão em posse desses títulos. Ambos auferem juros pagos pelo Tesouro (ou seja, por nós, pagadores de impostos). Os títulos que estão em posse do BC e que estão vencendo são simplesmente rolados, utilizando esse esquema que você corretamente descreveu, de modo que boa parte da dívida pública jamais será saldada (mas o montante de juros sobre ela será cada vez maior).
  • Renato Souza  22/02/2013 04:28
    Uma moeda totalmente fiduciária poderia ser algo bom?

    Em princípio, é claro que se for para criar moeda do nada, é melhor fazer isso sem pagar juros.

    O problema é que, se pagando juros os governos se descontrolam, quanto mais se descontrolariam sem pagar? Os governos atuais são viciados em inflação monetária, e devem ser tratados como viciados. Você confia num viciado? Eu não.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.