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O sistema bancário e o estado - por que os banqueiros evitam a atenção pública

Passou a ser aceito pela maioria que os porcos, que eram inequivocamente mais espertos do que os outros animais, deveriam decidir todas as questões políticas da fazenda, embora suas decisões tivessem de ser ratificadas pelo voto da maioria

Orwell, G. (1989 [1945]), A Revolução dos Bichos

 


Jack, banqueiros realmente sabem o que fazem?
O ponto de partida: o início da civilização

O fundador da dinastia bancária dos Médici, Giovanni di Bicci de' Medici (1360—1429), disse aos seus filhos em seu leito de morte: "Evitem ao máximo a atenção do público".[1]  Suas palavras levam à inevitável pergunta: Os banqueiros realmente sabem a verdade sobre o moderno sistema monetário e bancário?

Para desenvolver uma resposta significativa para essa pergunta, na tradição da Escola Austríaca de economia, é necessário começar bem do início, ou seja: com o processo de evolução da civilização.

Por 'processo de evolução da civilização' entende-se o desenvolvimento por meio do qual o homem substitui seu estado de subsistência (isto é, uma existência precária e violenta) pelo arranjo caracterizado pela divisão do trabalho e pela especialização (isto é, cooperação pacífica e produtiva).

Em sua obra magna Ação Humana (1949), Ludwig von Mises (1881—1973) apresenta uma explicação praxeológica para o processo de civilização, a qual nos ajuda a entender o desenrolar de sua evolução.

Se, e na medida em que, pela divisão do trabalho obtém-se maior produtividade do que a obtida pelo trabalho isolado, e se, e na medida em que, o homem seja capaz de perceber este fato, a ação humana tende, naturalmente, para a cooperação e para a associação; o homem torna-se um ser social não por ter de sacrificar seus interesses em favor de um mítico Moloch, a sociedade, mas sim porque pretende melhorar seu próprio bem-estar. A experiência ensina que esta condição — maior produtividade alcançada pela divisão do trabalho — se torna efetiva porque sua causa — a desigualdade inata dos homens e a desigual distribuição geográfica dos fatores naturais de produção — é real. É este fato que nos permite compreender o processo da evolução social.

Para Mises, dois fatores estão no cerne do processo de civilização: (1) É necessário haver uma desigualdade de desejos e habilidades entre as pessoas.  Esta é uma condição necessária para que as pessoas queiram buscar a cooperação entre si.  (2) O homem tem de reconhecer que a divisão do trabalho possibilita um aumento da produtividade.  Sendo assim, Mises pressupõe — como condição necessária — que haja um mínimo de inteligência entre os seres humanos e uma propensão a utilizar essa inteligência na vida prática.

O surgimento do dinheiro - a teoria de Carl Menger para a origem do dinheiro

A desigualdade de habilidade e desejos, em conjunto com a pressuposição de um mínimo de inteligência, leva as pessoas a incorrerem na divisão do trabalho e na especialização.  Isto, por sua vez, produz a necessidade de transações interpessoais.

A forma mais primitiva de uma economia de trocas é o escambo.  Mas o escambo possui limitações.  Por exemplo, sob o escambo, as oportunidades de troca dependem da existência de uma coincidência de desejos entre os agentes que praticam a troca.  Cedo ou tarde, as pessoas (pressupondo que haja um mínimo de inteligência) perceberão que utilizar um meio de troca indireto é economicamente benéfico.  Utilizar um meio de troca indireto aumenta as oportunidades de transações, dado que a coincidência de desejos deixa de ser um pré-requisito para viabilizar a transação.

O meio de troca indireto que se torna universalmente aceito é chamado de "dinheiro".

Em seu livro Principles of Economics (1871), Carl Menger (1840—1921) desenvolve a teoria de que o dinheiro surge espontaneamente das atividades do mercado, que esse dinheiro criado pelo livre mercado é uma mercadoria (metais preciosos, por exemplo).

Posteriormente, Mises demonstrou com o seu teorema da regressão que, de fato, o dinheiro só pode ter surgido dessa maneira, e por motivos praxeológicos: o dinheiro tem de ter surgido a partir de um mercado; e ele tem de ter sido antes utilizado como uma mercadoria.[2]

Estabelecimentos de armazenagem de dinheiro

O dinheiro é um bem econômico como qualquer outro.  Logo, ele será poupado e guardado, como qualquer outro.

As pessoas irão demandar maneiras convenientes de portar e transacionar seu dinheiro.

Dado que os indivíduos inevitavelmente possuem preferências temporais distintas entre si, haverá poupadores (aqueles que mantêm consigo uma quantidade de dinheiro maior do que a que gastam em consumo) e investidores (aqueles que demandam uma quantia de dinheiro maior do que possuem).

É sob este arranjo que dois tipos de empreendimento voltados para o manuseio do dinheiro surgem em um livre mercado: bancos voltados para depósitos (ou armazenamento de dinheiro) e bancos voltados para empréstimos ou concessão de crédito.

Bancos voltados para depósitos oferecem serviços de custódia, proteção, transferência, liquidação e compensação de dinheiro para seus clientes.  Por exemplo, indivíduos que estejam portando dinheiro metálico podem, por comodidade ou segurança, depositar este seu dinheiro em um banco de depósito.  Em troca, eles recebem um certificado de depósito que poderá ser transacionado como dinheiro.  As pessoas que venderem um bem ou serviço a estes depositantes receberão em troca estes certificados e, com isso, poderão trocá-lo pelo dinheiro em espécie que está guardado no banco de depósito.

Já os bancos voltados para a concessão de empréstimos operam adquirindo poupança genuína dos indivíduos.  Eles emitem títulos que rendem juros.  Os poupadores voluntariamente dão seu dinheiro em troca destes títulos que lhes pagarão uma quantia maior no futuro.  Durante este período, o poupador não tem acesso ao dinheiro que emprestou.

A taxa de juros de mercado será determinada pela oferta de dinheiro emprestado pelos poupadores e pela demanda por esse dinheiro, de modo que a taxa de juros de mercado irá refletir a taxa de preferência temporal desta sociedade.  Em outras palavras, em um livre mercado, haverá de modo natural uma profissão à qual chamaríamos de "banqueiros": alguns banqueiros irão trabalhar no ramo da armazenagem de dinheiro (bancos de depósito) e outros irão trabalhar no ramo da concessão de crédito (bancos de empréstimos).

Para ficar claro: em um livre mercado, instituições voltadas para depósitos e instituições voltadas para a concessão de crédito seriam entidades legalmente distintas e separadas.  Há o banco de depósito e há o banco de crédito.

O incentivo para a agressão

Em um livre mercado, há apenas três maneiras de se adquirir propriedade (ou seja, de forma não-agressora): pela apropriação original de propriedade sem dono (o que na prática denota o princípio do "o primeiro a usar é o proprietário"), pela produção e por contratos voluntários.  

Na realidade, no entanto, as coisas podem ser um tanto diferentes.

Franz Oppenheimer afirmou que "Há duas maneiras fundamentalmente opostas pelas quais um homem, necessitado de sustento, é impelido a obter os meios necessários para satisfazer seus desejos.  Estas são o trabalho e o roubo: ou ele utiliza o próprio trabalho ou ele se apropria forçosamente do trabalho de terceiros".[3]

A lógica da ação humana nos diz que há — e, com efeito, tem de haver — um incentivo econômico para o indivíduo atacar a propriedade de terceiros.  Duas intuições praxeológicas interrelacionadas explicam isso.

Primeiro, sabemos com certeza que é preferível satisfazer uma necessidade ou um desejo mais cedo do que mais tarde; também sabemos com certeza que uma satisfação de desejos a um custo baixo é preferível a uma satisfação de desejos a um custo alto.  Em outras palavras, indivíduos tentam alcançar seus objetivos com o mínimo de esforço possível e no mais curto período de tempo.

Segundo, o processo rumo à civilização não extirpa a propensão do homem à agressão.  É de se esperar que o indivíduo A irá atacar o indivíduo B sempre que ele puder se dar bem — isto é, se os (esperados) benefícios para A oriundos da agressão a B forem maiores do que os (esperados) custos em que ele terá de incorrer ao praticar tal ação.

É este incentivo econômico de cada indivíduo em atacar a propriedade de terceiros que está no cerne do surgimento daquilo que é tipicamente chamado de "governo".

Um governo pode ser entendido como um monopolista territorial da coerção: uma agência que incorre em violações institucionalizadas dos direitos de propriedade e na exploração — na forma de expropriação, tributação e regulação — dos donos de propriedade privada.

Para responder à pergunta "Os banqueiros realmente sabem a verdade sobre o moderno sistema monetário e bancário?", é necessário analisarmos mais detidamente as várias formas de governo.

Em primeiro lugar, é possível fazer uma distinção entre governos com uma baixa preferência temporal e governos com uma alta preferência temporal.  Baixa preferência temporal significa estar mais voltado para o longo prazo; alta preferência temporal significa ser mais imediatista.

Em um lado do espectro está, tomando emprestada a metáfora criminal de Mancur L. Olson (1932—1998), o bandido itinerante.[4]  O bandido itinerante representa uma forma de governo que possui pouco interesse no bem-estar da sociedade; e, como consequência, seu assalto tipicamente chega a quase 100% da renda da sociedade.

O bandido itinerante não tem de lidar com os danos que sua agressão causa à sociedade (em termos de renda perdida).  A preferência temporal do bandido itinerante é, portanto, relativamente alta.  Ele extrai o máximo possível de suas vítimas, e não há praticamente nenhum incentivo econômico para que ele restrinja seu roubo.

Do outro lado do espectro está o bandido estacionário.  Assim como o bandido itinerante, ele também detém o monopólio da coerção de suas vítimas.  No entanto, o bandido estacionário possui um interesse mais abrangente no bem-estar da sociedade.  Ele deseja que suas vítimas sejam produtivas e continuem trabalhando: quanto mais suas vítimas produzirem, mas riqueza haverá para ser apropriada pelo bandido estacionário.

Analisando mais atentamente o bandido estacionário, é possível fazer uma distinção entre um governo em mãos privadas (feudalismo/monarquia) e um governo em mãos públicas (democracia).[5]

O indivíduo que está no comando de um governo em mãos privadas tem o interesse de maximizar o valor presente da renda total que ele pode expropriar de seus governados.  Um monarca, por exemplo, detém o monopólio da expropriação de suas vítimas, e sua preferência temporal será, em decorrência de seu abrangente interesse, relativamente baixa.

Em contraposição, o interino que está no comando do governo em mãos públicas tem o interesse de maximizar sua renda atual.  Ele sabe que dali a alguns anos não mais estará no poder.  Sua preferência temporal, portanto, será relativamente alta.

Um governo em mãos públicas significa que a escolha do interino se dá pelo voto majoritário.  Uma maioria de pessoas decide quem irá ser o administrador temporário do governo, que neste caso é uma propriedade pública.

O eleitor médio irá apoiar aqueles políticos que ele julga (correta ou erroneamente) serem capazes de melhorar sua situação econômica.  Um eleitor tem todos os incentivos econômicos para agir desta maneira — sem se importar com o fato de que a renda que ele irá obter desta forma advém da expropriação de seus concidadãos.

Já o administrador temporário deste governo, que é propriedade pública, terá todos os incentivos para tentar ganhar a maioria dos eleitores.  Ele irá defender políticas de expropriação dos produtores de alta renda (que normalmente são poucos) para redistribuir o espólio para aquelas pessoas menos produtivas ou improdutivas (que normalmente são muitos).

A importante constatação aqui é a seguinte: a propriedade pública do governo irá levar a uma contínua erosão do interesse da maioria das pessoas em produzir riqueza para a sociedade.  Em outras palavras, a preferência temporal da sociedade irá aumentar.

O governo gera um sistema bancário fraudulento

O aumento da preferência temporal da sociedade é o principal fator que explica o surgimento de práticas fraudulentas no sistema bancário, as quais são perfeitamente resumidas pela adoção de um papel-moeda fiduciário de curso forçado.

Sabemos que os interinos de um governo em mãos públicas desejam expropriar os recursos do público em geral.  Isso pode ser feito mais convenientemente (1) obtendo-se o controle da produção de dinheiro, (2) substituindo o dinheiro metálico por um dinheiro de papel, e (3) criando sempre mais dinheiro por meio da expansão do crédito.

A indústria bancária e os banqueiros são, portanto, aliados naturais do roubo planejado pelo governo.  Com efeito, os banqueiros e aqueles que estão no governo irão, e de maneira muito lógica, fazer um conluio para criar um sistema monetário baseado em um papel-moeda puramente fiduciário e de criação totalmente monopolizada por eles.

Os banqueiros percebem que irão auferir receitas adicionais se puderem criar dinheiro digital por meio da expansão do crédito, processo esse em que dinheiro é criado do nada ao se conceder empréstimos em um volume muito superior ao total de dinheiro real que possuem em seus cofres.  É assim que funciona um sistema bancário de reservas fracionárias.

Os banqueiros sabem que esta prática de reservas fracionárias é um empreendimento extremamente lucrativo.  Sendo assim, tanto os bancos de depósito quanto os bancos de crédito defenderão a fusão de ambas as atividades para um mesmo banco.  Ou seja, a mesma instituição poderá, simultaneamente, aceitar depósitos e conceder empréstimos.

Os administradores temporários de um governo em mãos públicas também são totalmente a favor de um sistema bancário de reservas fracionárias.  Afinal, sendo os primeiros a receber este dinheiro recém-criado pelos bancos, o governo se torna capaz de obter recursos sem ter produzido nada.  Ao agir assim, ele obtém algo em troca de nada.  Ele está retirando recursos escassos de toda a sociedade para benefício exclusivo de sua burocracia.  Trata-se de uma expropriação.

Tendo monopolizado a lei, será relativamente fácil para o governo declarar que a prática de reservas fracionárias é legal.  No entanto, praticar reservas fracionárias é algo um tanto arriscado para um banqueiro.  Ele sabe que se o público se tornar ciente desta sua prática — a qual nada mais é do que falsificação de dinheiro —, pode ocorrer uma corrida bancária, o que tornaria seu banco insolvente e forçaria sua liquidação.

Para o governo, quebras bancárias também são totalmente indesejáveis.  Além de gerarem severos problemas políticos e econômicos, falências bancárias também — e isso é muito importante — colocam em risco o acesso farto e barato ao dinheiro e ao crédito.

Sendo assim, o governo irá, e com enorme apoio de todos os banqueiros, criar um banco central, o qual não apenas permitirá, como também estimulará com grande afinco, que todos os bancos inflacionem de maneira harmoniosa e combinada a quantidade de dinheiro na economia.

Mesmo após a criação de um banco central, o risco de uma corrida bancária ainda não é totalmente eliminado.  É necessário que o banco central adquira o monopólio da produção de dinheiro.

É por isso que, cedo ou tarde, o dinheiro metálico, lastreado em uma commodity como ouro ou prata, será substituído por um dinheiro de papel inconversível (sem nenhum lastro) e de curso forçado; e este dinheiro de papel gozará de privilégios legais (como a obrigatoriedade de se aceito por todos).  Para este fim, o governo legalizará a prática bancária de suspender a restituição, isto é, de se recusarem a restituir certificados de depósito em ouro.  Ato contínuo, o governo se apropriará do ouro e os cidadãos serão obrigados a utilizar apenas o papel, agora sem nenhum lastro; sem nenhuma conversibilidade.

Corrupção coletiva

É de se pensar: como o governo e os banqueiros fizeram isso e continuam fazendo nada lhes acontece?  Por que essa fraudulenta extração de recursos da sociedade via inflação monetária não gera protestos?

Seria falta de conhecimento por parte daqueles que estão do lado perdedor deste regime monetário baseado na falsificação de dinheiro?  Ou será que os custos de se revoltar contra um regime puramente fiduciário é proibitivamente alto do ponto de vista do indivíduo?

Uma resposta economicamente sensata — isto é, praxeológica — a esta pergunta pode ser encontrada naquilo que chamo de "corrupção coletiva".  Tão logo o governo passa a intervir nas questões monetárias da sociedade, os indivíduos irão desenvolver, de forma crescente, uma propensão a violar a propriedade de terceiros.

Ao se aproveitar da ação coerciva do governo, um indivíduo se torna capaz de colher os benefícios do ataque à propriedade de terceiros.  Ao mesmo tempo, ele terá de lidar com apenas uma fração do estrago que esta sua ação impõe à sociedade como um todo.

Ele terá todos os incentivos para agir desta forma.  Afinal, caso não o faça, outros o farão.  E aí ele estaria do lado perdedor.  Ele teria de arcar com as perdas de qualquer oportunidade de violar a propriedade de terceiros da qual abrisse mão.

Um sistema monetário puramente fiduciário, tão logo seja adotado, levará a uma corrupção coletiva na maior escala possível.  Como é bem sabido, o governo pode garantir seu apoio ao permitir que uma determinada fatia do público usufrua livremente as receitas fraudulentamente extraídas da sociedade como um todo.  Por exemplo, o governo irá oferecer empregos muito bem pagos a uma determinada casta (e, em particular, irá subsidiar intelectuais e formadores de opinião).  Ele também irá premiar suas empresas favoritas com contratos em licitações e contratos de fornecimento exclusivo.  Empreiteiras, em particular, irão se dar muito bem.  Outras pessoas irão simplesmente receber subsídios diretos para ajudar em sua sobrevivência.

Com a crescente distribuição de oferendas e benesses, um crescente número de pessoas e empresas irão se tornar econômica e socialmente dependentes da continuidade (ou até mesmo do crescimento) desta atividade governamental. 

Sendo assim, será natural que a resistência contra novas expansões do governo e do sistema monetário fiduciário — algo que necessariamente significa mais violações dos direitos de propriedade do indivíduo — diminua.

Obviamente, os banqueiros possuem um papel extremamente importante na difusão desta corrupção coletiva.  Basta dizer que um crescente número de pessoas terá de investir toda a sua poupança em depósitos e títulos bancários definidos em moeda fiduciária.  Afinal, não há outra opção.  Ou elas fazem isso, ou toda a sua poupança será dizimada pela inflação.

Mais cedo ou mais tarde, as pessoas irão desenvolver um grande interesse em apoiar a existência de um governo e em defender o sistema monetário fiduciário vigente — utilizando quaisquer meios que julgarem necessários.

Tudo irá terminar em hiperinflação

A corrupção coletiva, tão logo se torna suficientemente dispersa, levará à hiperinflação — isto é, a um aumento acelerado na quantidade de dinheiro na economia, o que levará à erosão, ou até mesmo à total destruição, do poder de compra do dinheiro fiduciário.

É claro que os banqueiros e aqueles que estão no governo têm interesse em evitar a hiperinflação.  Eles preferem um tipo de inflação que passe basicamente despercebido, uma forma de inflação que não fugirá do controle.

No entanto, tão logo a corrupção coletiva se torna difundida e o setor bancário e financeiro se torna amplamente importante em termos de financiamento do governo e de servir como um importante repositório de toda a poupança dos indivíduos, o fiel da balança já foi girado para o lado hiperinflação.

Pela praxeologia, podemos saber com certeza que uma expansão monetária irá terminar em depressão.  Também sabemos que esforços para se evitar uma depressão por meio do aumento da quantidade de dinheiro irá apenas postergar o dia do acerto final, o que aumentará ainda mais os custos da depressão no futuro.

Como irá a maioria das pessoas reagir a uma iminente depressão?  Se eles nutrirem a esperança de que estarão entre os primeiros recebedores do dinheiro recém-criado (o que na realidade é o que ocorre tão logo a corrupção coletiva se torna suficientemente dispersa), então a resposta parece óbvia.  A maioria terá a esperança de que irá se beneficiar da impressora monetária eletrônica, e irá preferir que a impressora eletrônica continue trabalhando a deixar que o governo e os bancos deem o calote e vão à falência.  Sob tal estrutura de incentivos, o sistema monetário fiduciário acabaria em hiperinflação.

Conclusão

À luz de tudo o que foi dito acima, podemos concluir que: (1) Se e quanto o formato de governo em mãos públicas for adotado, o dinheiro metálico — aquele lastreado em uma commodity — será substituído por um dinheiro de papel fiduciário e de curso forçado. (2) O dinheiro fiduciário leva a uma corrupção coletiva em grande escala.  E (3), tão logo a corrupção coletiva se torna suficientemente dispersa, o regime monetário fiduciário será destruído pela hiperinflação.

De tudo isso, conclui-se que, tão logo um sistema monetário fiduciário seja adotado, bancos e banqueiros irão inevitavelmente se juntar — alguns voluntariamente e cientes de tudo; outros, sem maior ciência — àquele vasto empreendimento criminoso que é o estado.

Sendo seres humanos, banqueiros têm interesses próprios, como todos nós.  Logo, é de se imaginar que eles saibam bastante sobre o real funcionamento do sistema monetário e bancário.  À luz do sombrio histórico monetário pelo qual já passou o mundo, tal conclusão também ajuda muito a explicar as últimas de Giovanni di Bicci de' Medici para seus filhos: "Evitem ao máximo a atenção do público".


[1] Parks, T. (2006), Medici Money, Banking, Metaphysics and Art in Fifteenth-Century Florence, Profile Books Ltd, London, p. 3.

[2] Ver Mises, L. v. (1996), Ação Humana, Cap. XVII, sec.4; Mises, L. v. (1953), The Theory of Money and Credit, pp. 97 – 123.

[3] Oppenheimer, F. (1922), The State, p. 24.

[4] Ver Olson, M. (2000), Power and Prosperity, Outgrowing Communist and Capitalist Dictatorships, Basic Books, esp. pp. 1 – 24.

[5] Neste contexto, ver Hoppe, H.-H., Democracia - o deus que falhou, Por que a monarquia é superior à democracia, As elites naturais, os intelectuais, e o estado



autor

Thorsten Polleit
é economista-chefe da empresa Degussa, especializada em metais preciosos, e co-fundador da firma de investimentos Polleit & Riechert Investment Management LLP.  Ele é professor honorário da Frankfurt School of Finance & Management.


  • Pedro Bolson  07/02/2013 12:27
    Este artigo é muito bom. Tem início, meio e fim.

    Em tempos de concessão de créditos em montantes estratosféricos do BNDES. Subsídios para os setores preferidos do governo. Bolsa família/Brasil carinhoso. Financiamento habitacional via bancos públicos... (a lista é enorme, vocês sabem) a ideia de "corrupção coletiva" caiu como uma luva na atual arranjo brasileiro.

    Para complementar, hoje foi dia de IPCA em 0,86%. O maior para os meses de janeiro desde 2003.

    "No entanto, tão logo a corrupção coletiva se torna difundida e o setor bancário e financeiro se torna amplamente importante em termos de financiamento do governo e de servir como um importante repositório de toda a poupança dos indivíduos, o fiel da balança já foi girado para o lado hiperinflação."
  • Rodrigo  07/02/2013 13:14
    Leandro ou outro mais entendido que eu no assunto:

    Você acha que seria possível que a próxima bolha surja com uma hiper valorização do ouro? Digo isso por que tenho acompanhado a alta do metal e ao mesmo tempo, tenho visto uma enchente de programas de tv, envolvendo a busca por ouro.

    Enfim, você acha possível que o ouro, caia no gosto popular, e que essas tolices de "incentivos" acabem sendo usados na aquisição do metal, gerando algo semelhante a uma bolha?

    abraços,
    Rodrigo
  • Leandro  07/02/2013 13:33
    Difícil dizer. Um ativo está em bolha quando sua valorização é forte e rápida. Caso contrário, ele está apenas acompanhando o aumento geral dos preços (como sempre foi o caso dos imóveis no Brasil até antes de 2006).

    O ouro está se valorizando de maneira contínua, porém intermitente. Embora apresente uma inegável tendência de valorização de longo prazo, essa valorização vem ocorrendo meio que aos solavancos. Ele sobe e cai, cai e sobe. Isso não é comportamento de bolha. Ainda não.
  • Conservador-liberal  07/02/2013 13:37
    Muito bom artigo. Gosto muito dos analistas americanos, mas sinto falta de uma análise austriaca acerca da realidade brasileira atual. Os artigos desse tipo no site deveriam ser feito com mais regularidade. Eu sugiriria pelo menos uma vez na semana um artigo sobre IPCA, Petrobrás, BCB etc. Os assuntos mais quentes da semana na mídia nacional. Fica a sugestão. Abraço a todos.
  • Leandro  07/02/2013 14:22
    Nossos artigos voltados exclusivamente para a economia brasileira sempre apresentam análises de prazo mais longo, o que torna desnecessárias análises recorrentes. Até hoje -- modéstia à parte --, não ocorreu nada na economia brasileira que não houvesse sido por nós antecipado.

    Grande abraço!
  • Helio Angelo Junior  07/02/2013 14:17
    A expansão do crédito, via endividamento, nos últimos governos, foi estrondoso. A dívida interna total (em poder do mercado e do Banco Central) de R$ 65,6 bilhões (18.78% do PIB) em 1994 foi para R$ 841,0 bilhões (56,91% do PIB) em 2002, indo para R$ 2.184,2 bilhões (65,36% do PIB) em agosto de 2010, ou seja, 2 trilhões, 184 bilhões e 200 milhões de reais. Com isso o endividamento do governo teve um aumento de 33 vezes, comparando 1994 e 2010.
    Como um governo que se diz sério e comprometido com a sociedade, aumenta a dívida pública a níveis tão alarmantes?
    O final dessa história será a inflação de preços, prejudicando drasticamente o poder de compra do consumidor, pois a inflação nada mais é, do que a desenfreada emissão de moeda fiduciária, tanto na forma de papel moeda quanto na emissão de títulos públicos.
  • anônimo  07/02/2013 19:11
    Se o banqueiro começar a pipocar em colunas sociais, eventos, mídia.. pode esperar, o banco dele vai quebrar ou já quebrou.
  • Aline  07/02/2013 20:46
    A utilidade marginal da riqueza é decrescente, isto é, cada unidade adicional dela gera um incremento de felicidade cada vez menor. Pesquisas mostram que esse ganho marginal quando não se tem nada ou se tem muito pouco, é enorme. Já quando se tem muito, ele é pequeno ou insignificante. Um pobre ou miserável se receber um automóvel, por exemplo, pulará de alegria. Porém alguém abastado não vai se importar muito.

    Pesquisas mostram também que muita desigualdade na sociedade diminui a felicidade, ou seja, gera utilidade marginal negativa.

    Sendo assim para que buscar loucamente o crescimento? Pra que estado minimo? Nós não estamos vivendo uma ilusão? Não é melhor distribuir renda e construir um adequado estado de bem estar social, que exige, obviamente, carga tributária alta? Não é melhor ter a garantia de serviços de saúde e educação universais e bons? Não é melhor ter a velhice assegurada? Não é melhor combater o consumismo e proteger o meio ambiente? Não é melhor trabalhar menos e viver mais?
  • Ricardo  07/02/2013 21:01
    Por que parar por aí? Não é melhor filosofar a trabalhar? Não é melhor ir ao cinema a estudar para uma prova? Não é melhor tomar sorvete a remédio? Não é melhor dormir a desmaiar? Não é melhor ter saúde a ter câncer? Não é melhor fazer sexo e se autossaciar?

    É claro que é melhor viver na delícia, sendo servido por todos, sem ter de fazer nada. É claro que seria perfeito tendo alguém produzindo tudo para nos sustentar. Faça agora fazermos um acordo para decidir quem trabalha e quem é sustentado.

    Quer redistribuir riqueza? Primeiro, produza essa riqueza. Depois, só depois, você conseguirá viver uns 10 anos em sociedade redistributiva. Após estes 10 anos, com o capital exaurido, será necessário voltar a trabalhar para criar novamente esta riqueza, a qual será novamente redistribuída durante mais 10 anos. Com o tempo, após vários períodos de redistribuição, a sociedade estará mais pobre (ou bem menos rica do que poderia).

    Vocês social-democratas sofrem de um enorme problema de realidade econômica. Vocês acham que as coisas são abundantes, que não existe escassez, que tudo já está pronto na natureza e que não é necessário trabalhar para se criar riqueza. Basta tributar, redistribuir o que já existe e, voilà!, todo mundo enriquece e será feliz para sempre. Isso é alquimia pura, e tal alquimia matou mais de 170 milhões de pessoas no século XX.

  • Valentim Pizzoni  07/02/2013 21:18
    Essa sua receita é a garantia que você vai ser mais roubada (carga tributária alta), vai ter serviços piores em saúde e doutrinação (Educação estatal? Sério? Alguém acredita nisto?), sem aposentadoria, uma vez que a curva de natalidade tornou crianças uma coisa rara e o esquema de pirâmide da previdência está desabando no mundo inteiro. Mas o meio ambiente vai melhorar com certeza, uma vez que a lei vai garantir, do mesmo modo como erradicou os assassinatos, roubos estupros e politicos corruptos!(vide a lei da ficha limpa) A receita proposta tem uma única conclusão lógica: vamos trabalhar mais e viver menos e pior!
  • Bruno  07/02/2013 23:47
    Faz tempo que eu não vejo um comentário tão demagogo.

  • Angelo Viacava  07/02/2013 23:51
    O Filósofo é a Aline?
  • Augusto  08/02/2013 01:20
    Aline,

    para que buscar loucamente o crescimento?

    Ninguém aqui está te obrigando a buscar nada loucamente. Se você não quer crescer e prosperar é um direito seu. Compre um pedaço de terra barato num lugar pouco acessível e viva feliz na subsistência. Eu sou pacífico com você, e gostaria que você fosse pacífica comigo e não impusesse seu padrão de mediocridade em mim através da violência estatal.

    Pra que estado minimo?

    Se você quer viver em um mundo com estado grande você pode fazer isso sem impor essa tragédia sobre os outros. Quando comprar seu pedaço de terra doe metade da sua produção para o vizinho todo mês e peça que ele distribua da maneira que achar mais justo. A outra metade da produção vc diz ao vizinho que ele pode comprar de você, mas somente usando cédulas de papel que tenham a sua foto impressa, e permita que ele imprima quantos papéis desse ele quiser. Adicionalmente estipule várias regras complexas e cheias de detalhes sobre como tudo deve ser feito na sua casa. A que horas deve-se tomar banho. Quantas vezes se pode ir ao banheiro por dia. E contrate vários funcionários para fiscalizarem você e verificar que você está cumprindo suas próprias regras. Pronto! Assim você pode viver no seu estado grande sem prejudicar nenhum de nós.

    Nós não estamos vivendo uma ilusão?

    Pode ser. Mas não há nenhuma evidência que indique isso.


    Não é melhor distribuir renda e construir um adequado estado de bem estar social, que exige, obviamente, carga tributária alta?

    Ninguém aqui está te impedindo de distribuir sua renda.

    Não é melhor ter a garantia de serviços de saúde e educação universais e bons?

    E muito bom ter ar garantido e luz solar garantida. Mas essa ideia de ter coisas escassas garantidas soa como escravidão pra mim. O que eu gostaria é de viver numa sociedade onde a oferta desses serviços é abundante e de qualidade. Como temos a indústria de computadores hoje em dia.

    Não é melhor ter a velhice assegurada?

    Do jeito que essa frase está colocada parece que você acredita que os contribuintes do INSS e de todos os outros sistemas públicos de aposentadoria compulsória ao redor do mundo, vão receber o dinheiro que lhes foi prometido pelo governo. Das duas uma, ou os contribuintes não receberão esses benefícios. As regras como tempo de aposentadoria, etc, serão mudadas. Ou os governos "honrarão" suas promessas pagando através de impressão de dinheiro e moeda desvalorizada. Sua pergunta ou é um atestado de desinformação completa sobre a situação financeira de todas as previdências públicas ao redor do globo, ou um atestado de burrice, ou simplesmente um atestado de desonestidade intelectual.

    Não é melhor combater o consumismo e proteger o meio ambiente?

    Favor reformular a pergunta sem usar a falácia da falsa dicotomia. De qualquer forma já adianto minha posição sobre o consumismo. Sim devemos combater o consumismo e o Keynesianismo, através de exemplo e persuasão, sem usar violência. E sobre o meio ambiente, sim, devemos protegê-lo. Devemos protegê-lo do governo que vem impedindo o progresso da sociedade e o meio ambiente paga caro por isso. O petróleo já salvou as baleias da extinção ao prover iluminação de querosene mais barata que o óleo de baleia. Os fertilizantes já salvaram quilômetros de florestas da expansão da fronteira agrícola. Enquanto isso o governo subsidia o preço da energia elétrica na Amazônia criando um incentivo para a colonização da floresta. Os exemplos de como o livre mercado protege o meio ambiente e de como o Estado o destrói são quase infinitos.

    Não é melhor trabalhar menos e viver mais?

    Favor reformular a pergunta sem usar a falácia da falsa dicotomia. De qualquer forma, responderei. Se você quer trabalhar menos, fique a vontade. Vamos torcer para que os médicos e toda a indústria de medicamentos não pensem assim, pois se assim for, a parte do viver mais pode ficar comprometida.
  • Marcos  08/02/2013 01:22
    Salvo raríssimas exceções, o homem possui o automatismo de buscar atingir suas metas com o menor esforço possível. Tais metas, na quase totalidade das aspirações humanas, são superiores ou excessivamente superiores ao realmente necessário para se ter uma vida prospera e saudável. Esse desejo pelo excesso, pela fartura e pela sobra é decorrente de uma cultura temerosa, alarmada e covarde, amplamente difundida em todos os povos da Terra, desde os tempos primitivos. O homem e ensejado a ter medo do futuro, a se precaver, a buscar meios para garantir a estabilidade da perene satisfação dos seus anseios e necessidades. Desta forma, ele buscará arrebatar para si, no menor tempo possível, com o menor esforço (leia-se menor produtividade), a maior quantidade de fatores propícios para a segurança da sua "prosperidade". Esses fatores são os dinheiros. Neste cenário, falar de distribuição de renda, de igualdade de acesso à riqueza e de velhice assegurada é uma ilusão, por mais que a situação atual também o seja.
  • Felipe  08/02/2013 03:50
    O Butão não é o país mais feliz do mundo? Eles não eram um povo seminômade até pouco tempo? A Aline pode ir buscar sua felicidade no Butão, então, e não as custas do dinheiro dos outros. Eu fico pensando como as crianças estão crescendo hoje em dia...
  • Eduardo Bellani  08/02/2013 12:14
    A utilidade marginal da riqueza é decrescente, isto é, cada unidade
    adicional dela gera um incremento de felicidade cada vez
    menor. Pesquisas mostram que esse ganho marginal quando não se tem
    nada ou se tem muito pouco, é enorme. Já quando se tem muito, ele é
    pequeno ou insignificante. Um pobre ou miserável se receber um
    automóvel, por exemplo, pulará de alegria. Porém alguém abastado não
    vai se importar muito.


    A utilidade marginal decrescente é um fato para qualquer bem. O
    "pequeno" erro neoclássico implícito nessa frase é a comparação de
    utilidade entre as pessoas. O Bill Gates vai ganhar menos satisfação
    com o próximo dólar do que com o de ontem, ceteris paribus, mas
    isso não implica que a satisfação dele não é muito maior que a de um
    miserável que acaba de ganhar na loteria. Não existe modo de fazer
    essa comparação.

    Pesquisas mostram também que muita desigualdade na sociedade diminui a
    felicidade, ou seja, gera utilidade marginal negativa.


    Odeio me repetir, mas você pode me dizer em que unidades as pessoas
    que fizeram essas pesquisas mediram a felicidade?

    Pra que estado minimo?

    Para viver num arranjo social que destrua menos riqueza e seja mais
    ético. Ou seja, tanto pelo ponto de vista utilitário quanto
    deontológico, o estado é um mal.

    Nós não estamos vivendo uma ilusão?

    Os seres humanos são limitados a sua percepção e ao alcance de sua
    razão. Dado isso, temos mapas mentais que podem não se adequar em
    graus diferentes a realidade. Mas tirando isso, de que ilusão você
    está falando? Não projete as suas nos outros, por favor.

    [/i]Não é melhor distribuir renda e construir um adequado estado de
    bem estar social, que exige, obviamente, carga tributária alta?[/i]

    Não é melhor ter tempo ocioso num nível adequado para podermos nos
    concentrar em trabalhos de alto nível, o que exige, obviamente,
    escravos? [1]

    Por sinal, adorei o termo adequado. Desconfio que é adequado de acordo
    com especialistas formados por universidades, impondo (opa) seu senso
    de opressão adequada pra cima dos inferiores que, coitados, não tem
    capacidade intelectual pra cuidar da própria vida.

    Não é melhor ter a garantia de serviços de saúde e educação
    universais e bons?Não é melhor ter a velhice assegurada? Não é melhor
    combater o consumismo e proteger o meio ambiente? Não é melhor
    trabalhar menos e viver mais?


    Petitio principii. Implícito nessa frase está a presunção de
    que o estado de bem estar social poderia fazer essas coisas. E dei
    risada de combater o consumismo num ambiente keynesiano onde o consumo
    é elevado a níveis sagrados e místicos.

    Lhe aconselho a maneirar o tom de suas declarações e passar uns meses
    estudando antes de voltar a comentar. Eu começaria com
    A Lei do Bastiat, e com
    Economia Numa Única
    Lição
    do Henry Hazlitt.

    [1] mises.org/daily/5076/Ten-Reasons-Not-to-Abolish-Slavery
  • Fabiano  08/02/2013 00:17
    "Pesquisas mostram" que a utilidade marginal da riqueza decresce quando há parasitas ao redor buscando vagabundar mais, trabalhar menos e ter sua velhice assegurada às custas dos outros.
  • Anarco-individualista  08/02/2013 23:44
    Monarquia uma ova!
    GOVERNO NENHUM!!!!!!!
  • Gustavo Sauer  09/02/2013 18:47
    Por que a mesma instituição não pode aceitar depósitos e fazer empréstimos? Uma instituição não poderia dar a opção aos clientes pro tipo de depósito que querem fazer?
  • Matheus Polli  11/02/2013 03:41
    Que medo desse Jack mexendo a cabeça!
  • Rodrigo Rodrigues Silva  12/02/2013 07:59
    Primeiro quero parabenizar a publicação desse artigo, realmente uma análise profunda sobre nossa sociedade atual. Inclusive acredito que futuramente nossa época será lembrada e analisada por conta do sistema monetário fiduciário. Contudo, sabemos que a explicação do aumento generalizado da inflação em vários países, nesse século, ocorreram por conta da emissão excessiva de moeda na economia, estimulada pelo insaciável desejo dos governos em estimular sua política fiscal, pelas mais diversas desculpas. O que esta coerente com o texto acima. Certo? Mas também sabemos que atualmente nesse novo milênio não temos mais presente a hiperinflação. O que não torna o texto menos verdadeiro, pelo contrário pelo menos em minha opinião esta totalmente correto.
    Portanto, me pergunto qual os motivos da hiperinflação não despontar atualmente. Acredito que o sistema de metas de inflação seja uma das explicações possíveis. Pois sinaliza aos Bancos Centrais a capacidade de articulação dessas políticas mencionadas acima, sem no entanto, disparar o mecanismo de preços, de forma a se ajustar ao crescimento produtivo com o sistema monetário.
    Dessa forma, acredito que atualmente um dos efeitos colaterais dessa "corrupção coletiva" não é mais visível, isto é, o sistema fiduciário e seu efeito direto que é a crescente participação do governo na economia, não necessariamente pode terminar em hiperinflação.
    Criando uma metáfora meia boca, podemos dizer que os "reformadores sociais" para esconder a doença "que mais parece um câncer crescendo continuamente" minorizaram seu efeito colateral. A inflação. Mas existe um outro efeito incontestável. O aumento do Estado aumenta a burocratização e cria entraves para a produção. De forma que a queda de produtividade na economia é iminente, e inclusive já esta acontecendo.
    Portanto, os índices de produtividades são como uma ferida aberta, e apesar de alguns governos incompetentes como o brasileiro ainda deixar escapar a inflação, outros mais atentos mantém baixo esse indicador, mas não poderão esconder para baixo do tapete as quedas de produtividade que a expansão estatal ocasiona na economia.
    Claro que acredito ter razão, mas gostaria de saber o ponto de vista de outras pessoas extremamente inteligentes que vi responderem as postagens aqui. Obrigado.


  • Leandro  12/02/2013 14:14
    Eu tenho uma visão um tanto divergente acerca dessa questão da hiperinflação.

    Sim, é verdade que o atual arranjo financeiro e monetário produz inflação contínua, porém não creio que ele possa levar à hiperinflação, e por um motivo muito simples: não é do interesse dos bancos gerarem hiperinflação.

    Imagine que você seja um banqueiro. Você fez vários empréstimos. Você espera que todos esses empréstimos sejam quitados. Mais ainda: você espera que esses empréstimos sejam quitados com uma moeda que tenha poder de compra. Sendo assim, torna-se óbvio que, se você produzir uma hiperinflação, o maior prejudicado será você próprio: todos os seus empréstimos serão quitados com uma moeda cujo poder de compra não vale mais nada. Quando você concedeu o empréstimo, a moeda valia alguma coisa; quando você recebeu o pagamento do empréstimo, a moeda não valia mais nada. Consequentemente, seus ativos (empréstimos pendentes) perderão a maior parte do seu valor, seu balancete irá para o vermelho e você quebrará.

    Adicionalmente, há também o fato de que banqueiros também querem se aposentar. Logo, eles também possuem investimentos em planos de previdência. Se gerarem uma hiperinflação, eles também serão duramente afetados. Sua poupança não mais valerá nada.

    Não é à toa que, até o momento, todos os fenômenos de hiperinflação que o mundo vivenciou ocorreram em um arranjo em que o Banco Central imprimia dinheiro e o injetava diretamente na economia, sem depender do sistema bancário. Alemanha na década de 1920, Hungria no pós-guerra, Brasil, Peru, Bolívia e Argentina na década de 1980, Zimbábue recentemente -- tudo obra de um Banco Central que podia monetizar diretamente a dívida do governo.

    Portanto, ficamos assim: o antigo arranjo financeiro, em que o BC podia jogar dinheiro diretamente na economia, tendia a gerar hiperinflações recorrentes. Já o atual arranjo financeiro, em que o BC depende do sistema bancário para que o dinheiro entre na economia, não tende a produzir hiperinflação, mas produz uma contínua e "moderada" inflação de preços (no Brasil, entre 4 e 10% ao ano). Produz também os ciclos econômicos, algo que o primeiro arranjo não gerava (ele já ia diretamente para a hiperinflação, destruindo a divisão do trabalho).

    Conclusão: não vejo risco de hiperinflação de preços no atual arranjo, mas sua poupança continuará sendo destruída a uma taxa de 5 a 10% ao ano. E isso é muito sério.
  • Ari Pereira  13/02/2013 21:29
    Caros,
    Para os que não tem muito tempo para estudar o atual sistema bancário, segue o link:

    Slaves to debit...


    Mais curto e elucidativo ainda não havia visto.

    Abs,
  • anônimo  06/03/2013 01:39
    www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=rede-capitalista-domina-mundo
  • Miqueias  07/03/2013 00:55
    "E a maioria delas são bancos."

    É mesmo? E você acha que essa analise feita com métodos(?) questionáveis vai contra o que é dito aqui no Mises?

    Se os bancos controlam essa rede, os Bancos Centrais controlam esses bancos e os governos controlam os BCs, podemos concluir que quem controla a tal rede, indiretamente, é o ___________.

    Todo dia aparece um desses malucos aqui, que acha que descobriu uma coisa que vai destruir toda a argumentação do liberalismo. Give it time!
  • Marcos Pinho  25/10/2013 13:17
    Faz tempo que eu queria fazer um questionamento aqui: O descalabro dos governos ao redor do mundo no fundo não são uma exigência daqueles que providenciam o acesso ao governo?
    E esse acesso não seria capitaneado pelos maiores capitalistas do mundo, em cada pais e unidade federativa?
    Não seria necessário compreender que "poder" é diferente de "governo"?
    Como isso faz diferença na presente análise?


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