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Qual é a oferta monetária “adequada” para uma economia?

Este artigo foi extraído do livro "O que o governo fez com o nosso dinheiro", futuro lançamento do IMB.

 

Agora podemos perguntar: qual é a oferta monetária em uma sociedade e como tal oferta é utilizada?  Em específico, podemos suscitar aquela eterna pergunta: de quanto dinheiro "precisamos"?  Qual a quantidade de dinheiro realmente necessária?  Deve a oferta de moeda ser regulada por algum tipo de "critério", ou ela pode ser deixada totalmente para o livre mercado?

Em primeiro lugar, o estoque total ou oferta de moeda em uma sociedade, em qualquer momento, seria a massa total da moeda-mercadoria existente.  Suponhamos, para o momento, que apenas uma mercadoria tenha sido escolhida pelo livre mercado para ser o dinheiro.  Suponhamos ainda que essa mercadoria seja o ouro (embora pudéssemos ter adotado a prata ou mesmo o ferro; caberá ao mercado, e não a nós, decidir qual é a melhor mercadoria a ser utilizada como dinheiro).  Visto que o ouro é o dinheiro, a oferta total de dinheiro será a quantidade total de ouro que existe na sociedade.  O formato desse ouro não interessa — a menos que o custo de se alterar o ouro para determinados formatos seja maior do que alterá-lo para outros formatos (por exemplo, cunhar moedas custar mais que fundi-las).  Nesse caso, um dos formatos será escolhido pelo mercado para ser a unidade de conta, e os demais formatos terão um ágio ou um desconto de acordo com seus os custos relativos no mercado.

As alterações no estoque total de ouro serão regidas pelas mesmas causas que regem as alterações na oferta dos outros bens.  Aumentos na oferta serão consequência de uma maior produção das minas; reduções na oferta serão decorrência de desgaste natural, de uso no setor industrial etc.  Dado que o mercado escolherá uma mercadoria durável como dinheiro, e dado que o dinheiro é exaurido na mesma taxa que outras mercadorias — mas empregado como meio de troca —, a produção anual de ouro em relação ao estoque total existente tenderá a ser bem pequena.   Logo, alterações no estoque total de ouro geralmente ocorrerão a um ritmo muito lento.

Qual "deve" ser a oferta monetária?  Vários tipos de critério já foram apresentados: que a quantidade de dinheiro deve aumentar de acordo com o aumento populacional, de acordo com o "volume de transações", de acordo com a "quantidade de bens produzidos", de modo a manter o "nível de preço" constante etc.  Poucos, no entanto, sugeriram deixar a decisão para o mercado.  Mas o dinheiro difere das demais mercadorias em um ponto essencial, e perceber tal diferença é o segredo para se compreender as questões monetárias. 

Quando a oferta de um bem qualquer aumenta, esse aumento gera um benefício social; é algo para regozijo geral.  Uma maior quantidade de bens de consumo significa um maior padrão de vida para o povo; uma maior quantidade de bens de capital significa um maior padrão de vida maior no futuro.  A descoberta de novas terras férteis ou de novos recursos naturais também promete aumentar os padrões de vida presente e futuro.  Mas, o que pode ser dito a respeito do dinheiro?  Será que um aumento da oferta monetária também beneficia o público em geral?

Os bens de consumo são, por definição, consumidos e exauridos pelos consumidores; bens de capital e recursos naturais são exauridos no processo de produção dos bens de consumo.  Mas o dinheiro não é consumido e nem exaurido; sua função é apenas atuar como meio de troca — permitir que bens e serviços sejam transferidos rapidamente de uma pessoa para outra.  Tais trocas são realizadas em termos de preços monetários.

Assim, se um aparelho de televisão é trocado por três onças de ouro, dizemos que o "preço" da televisão é de três onças.  Em qualquer momento, todos os bens na economia serão cambiáveis por determinada quantidade de ouro.  Como dito, o dinheiro, ou o ouro, é o denominador comum de todos os preços.  Mas e quanto ao dinheiro em si?  Será que ele tem um "preço"?  Dado que o preço é simplesmente uma relação de troca, então o dinheiro certamente tem um preço.  Contudo, nesse caso, o "preço do dinheiro" é um conjunto do infinito número de relações de troca que existem todos os diversos bens do mercado.

Assim, suponhamos que um aparelho de televisão custe três onças de ouro, que um automóvel custe sessenta onças de ouro, que uma bisnaga de pão custe 1/100 de onça de ouro e que uma hora dos serviços jurídicos do doutor Joaquim custe uma onça de ouro.  O "preço do dinheiro", então, será um conjunto de trocas alternativas.  Uma onça de ouro "valerá" 1/3 da televisão, 1/60 de um automóvel, 100 bisnagas de pão ou uma hora dos serviços do doutor Joaquim.  E assim por diante.  O preço do dinheiro, portanto, é o "poder de compra" da unidade monetária — nesse caso, da onça de ouro.  O preço do dinheiro, ou o seu poder de compra, informa o que aquela unidade pode adquirir ao ser trocada, assim como o preço monetário de um aparelho de televisão informa quanto de dinheiro um aparelho de televisão pode conseguir ao ser trocado.

O que determina o preço do dinheiro?  As mesmas forças que determinam todos os preços no mercado — a venerável, mas eternamente verdadeira, lei da "oferta e demanda".  Todos nós sabemos que se a oferta de ovos aumenta, o preço de cada ovo tende a cair; se a demanda dos consumidores por ovos aumentar, o preço tenderá a subir.  O mesmo fenômeno ocorre para o dinheiro.  Um aumento na oferta de dinheiro tenderá a reduzir seu "preço"; um aumento na demanda por dinheiro irá aumentar seu preço. 

Mas o que é a demanda por dinheiro? No caso dos ovos, sabemos o que significa "demanda".  A demanda por ovos é a quantidade de dinheiro que os consumidores estão dispostos a gastar em ovos, mais os ovos que estão guardados pelos fornecedores e que não estão à venda.  Essa é a demanda total por ovos.  Similarmente, no caso do dinheiro, "demanda" por dinheiro significa os vários bens que são oferecidos em troca do dinheiro, mais a quantidade de dinheiro entesourada e não gasta pelos indivíduos durante um determinado período de tempo.  Em ambos os casos, a "oferta" pode se referir ao estoque total de um determinado bem no mercado.

O que ocorre, então, se a oferta de ouro aumentar e a demanda por dinheiro continuar a mesma?  O "preço da moeda" cai, ou seja, o poder de compra da unidade monetária cairá em todos os setores da economia.  Uma onça de ouro valerá agora menos que 100 bisnagas de pão, menos que 1/3 de um aparelho de televisão etc.  De modo inverso, se a oferta de ouro diminuir, o poder de compra da onça de ouro aumentará.

Qual é o efeito de uma alteração na oferta monetária?  Seguindo o exemplo de David Hume, um dos primeiros economistas a abordar o assunto, podemos nos perguntar o que ocorreria se, da noite para o dia, uma Fada Madrinha entrasse às escondidos em nossos bolsos, carteiras e nos cofres dos bancos e duplicasse a nossa oferta monetária.  Neste exemplo, ela magicamente dobrou nossa quantidade de ouro.  Será que nós agora estamos duas vezes mais ricos?  É obvio que não.  O que nos torna ricos é uma abundância de bens, e o que limita tal abundância é a escassez de recursos para produzi-los: a saber, terra, trabalho e capital.  Multiplicar a quantidade de dinheiro não faz com que tais recursos deixem de ser escassos e se materializem milagrosamente.  É verdade que podemos nos sentir duas vezes mais ricos por um momento, mas claramente o que ocorreu foi apenas uma diluição da oferta monetária.  À medida que as pessoas saírem correndo para gastar essa riqueza recém-encontrada, os preços irão aproximadamente dobrar — ou ao menos aumentar até a demanda ser satisfeita e o dinheiro não mais estiver competindo consigo próprio pelos bens existentes.

Logo, vemos que, embora um aumento na quantidade de dinheiro, assim como um aumento na quantidade de qualquer outro bem, reduz o seu preço, tal alteração não produz — ao contrário do que ocorre com os outros bens — nenhum benefício social.  O público em geral não se torna mais rico.  Ao passo que novos bens de consumo ou de capital aumentam os padrões de vida da população, um aumento da quantidade de dinheiro na economia gera apenas aumento de preços — isto é, dilui seu próprio poder de compra.  A explicação para este aparente enigma é que o dinheiro só é útil pelo seu valor de troca.  Outros bens possuem diversas utilidades "reais", de modo que um aumento em sua oferta satisfaz os desejos de mais consumidores.  Já o dinheiro, por sua vez, possui utilidade apenas enquanto possibilitador de trocas; sua utilidade está justamente em seu valor de troca ou em seu "poder de compra".  Esta lei — de que um aumento na oferta monetária não confere um benefício social — deriva do uso exclusivo, específico e único do dinheiro como meio de troca.

Um aumento na oferta monetária, portanto, irá apenas diluir a efetividade de cada unidade monetária — ou, no nosso caso, de cada onça de ouro.  Por outro lado, uma redução da oferta monetária irá aumentar a capacidade de cada unidade monetária de cumprir sua função.  Chegamos assim à surpreendente verdade de que não importa qual seja a oferta monetária.  Uma determinada quantidade de dinheiro será tão boa quanto qualquer outra quantidade.  O livre mercado simplesmente se ajustará alterando o poder de compra, ou a efetividade, da unidade de ouro. Não há nenhuma necessidade de se interferir no mercado com o intuito de alterar a oferta monetária determinada pelo livre mercado.

Nesta altura, o adepto do gerenciamento estatal do dinheiro irá contestar: "Muito bem, admitindo que é inútil aumentar a oferta monetária, então a mineração de ouro não seria um desperdício de recursos?  O governo não deveria manter a oferta monetária constante e proibir novas minerações?"  Esse argumento pode ser plausível para aqueles que não possuem objeções às intervenções governamentais, mas não convencerá um resoluto defensor da liberdade.  Porém, tal objeção ignora um ponto importante: o fato de que o ouro não é somente dinheiro; ele também é, inevitavelmente, uma mercadoria.  Um aumento na oferta de ouro pode não conferir nenhum benefício monetário, mas confere sim benefícios não-monetários — ou seja, aumenta a quantidade de ouro utilizada no consumo (ornamentos, usos odontológicos e coisas do tipo) e na produção (insumos industriais).  A mineração de ouro, portanto, não é de forma alguma um desperdício social.

Consequentemente, podemos concluir que a melhor maneira de determinar a quantidade de dinheiro na economia, assim como a quantidade de todos os demais bens, é deixando tal serviço a cargo do livre mercado.  Além das indiscutíveis vantagens morais e econômicas da liberdade sobre a coerção, uma quantia de dinheiro estipulada por burocratas não será mais efetiva do que a quantidade de dinheiro estabelecida pelo livre mercado, o qual determinará a produção de ouro de acordo com sua relativa capacidade de satisfazer a necessidade dos consumidores — assim como já faz com todas as outras áreas da economia.[1]



[1] A mineração de ouro, obviamente, não é uma atividade especialmente mais lucrativa do que qualquer outra. No longo prazo, a taxa de lucro desta atividade será igual à taxa de lucro líquida de qualquer outra indústria.



autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Luiz Padilha  30/01/2013 11:49
    Não seria interessante ter, aqui no IMB mesmo, um local dedicado a publicar periodicamente os dados da oferta monetária brasileira? Algo como um índice de inflação real (conforme a definição da EA, e não um índice de preços)?

    Acho que dando maior publicidade a números e dado que a sensação de inflação é muito maior do que o refletido pelos índices oficiais, uma iniciativa dessas poderia trazer ainda mais publicidade a nossa causa... e como colocou o prof. Joseph Salerno conforme resumido por Fernando Chiocca no artigo "Como ganhar o debate econômico": "o que está faltando são mais pessoas percebendo e fazendo isso [traduzir a apresentar as ideias de charlatães de forma simples]. É imprescindível difundir a educação econômica. E, no ponto em que estamos, trata-se de uma questão de quantidade e não de qualidade."

    Essa iniciativa facilmente atingiria a reputação e a publicidade do conhecido Impostômetro... Que acham?
  • Leandro  30/01/2013 12:26
    É uma boa ideia. O último valor, de novembro de 2012, está no quarto gráfico deste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1489

    Abraço!
  • Luiz Padilha  30/01/2013 12:51
    Leandro,

    Sim, eu vi o artigo... ele traz números absolutos que, para a população em geral é pouco útil. Que tal se construíssemos um índice a partir daqueles números... Algo como um índice de inflação real... dessa forma quando disséssemos que a inflação entre outubro e novembro de 2012 (pelo gráfico) foi 0%, estamos de fato dizendo que o governo imprimiu nenhum dinheiro novo entre outubro e novembro.

    Também entendo que existem diversas formas de calcular esse índice, uma vez que a inflação não é gerada apenas pelo dinheiro impresso, mas também pelo dinheiro criado via crédito em um sistema de reservas fracionárias. Pelo artigo www.mises.org.br/Article.aspx?id=611 e seus comentários, vi que talvez tenhamos de eleger uma dessas formas de calcular (de preferência a mais simples) para que se torne público e fácil de explicar.

    Se eu puder ajudar de alguma forma para compor, publicar e difundir esse número, estou a postos.
  • Rhyan  30/01/2013 20:34
    Já pensei que seria muito interessante ter um site com vários dados econômicos baseados no conhecimento da EA.

    Inflação monetária, desemprego real, PPR, etc..
  • Peterson Mota  31/01/2013 00:01
    Ótimas ideias! Só falta um detalhe básico, quem vai viabilizar isso?

    Sabemos que a equipe do IMB trabalha em bootstrapping mode! Então é preciso voluntários para que se crie um software onde se faça apenas a entrada de dados destas planilhas/gráficos que o Leandro utiliza e os números fiquem disponíveis na periodicidade desejada no site!

    Programadores se apresentem :)
  • Julio dos Santos  30/01/2013 12:20
    Estou ansioso pelo lançamento do livro "O que o governo fez com o nosso dinheiro", pois todos os artigos que estarão nele são ótimos!
  • Vendedor de Pérolas  30/01/2013 12:38
    Perdoem-me pelo [OFF-TOPIC], mas cá está uma lista de curiosas oposições ao anarco-capitalismo que parecem ter saído de um filme de ficção científica:
    (Algumas são até pertinentes, outras não. Nada impossível de refutar)

    - E se houvesse uma invasão alienígena? Não seria necessário que toda a indústria fosse controlada por um instituto de planejamento central para fabricar o esforço de guerra? (Essa eu tirei de um blog marxista indicado pelo Típico Filósofo)

    - E se os ricos tentassem fabricar clones de seres humanos para trabalhar em suas fábricas em um futuro distante? Sem o estado, quem os impediria de criar humanos de laboratório em massa, como em Star Wars?

    - E se algum laboratório de robótica decidisse criar um exército de robôs para dominar o mundo? Quem regularia para que não fizessem? E se decidissem criar inteligências artificiais tão inteligentes como nós, ou mais?

    - O estado atualmente não regula o uso de antibióticos, mas o mesmo seria necessário. Se antibióticos forem utilizados em massa, perderão o efeito pois ocorrerá uma seleção de micro-organismos resistentes a ele. Isso já acontece com gonorreia, por exemplo, onde resta apenas mais um tipo de antibiótico.
    (Mais pertinente das dúvidas, embora nada impossível de replicar. Seria realmente do interesse de algum laboratório ver seu produto perdendo o efeito em um curto período de tempo? Como o caso britânico da gonorreia exemplifica, foi o setor privado o primeiro a demonstrar preocupação.)

    - E quando a população aumentar e não haver como alimentar tanta gente? O estado precisa existir para regular o uso da terra e a expansão populacional.
    (Essa é do século XVIII)

    - E se os filmes decidirem colocar mensagens subliminares entre seus frames, induzindo indivíduos a agir de diversas formas? Por exemplo, estimulando o racismo e o consumismo.
    (Esta é clássica vinda de todas as salas de aula. Ela está factualmente incorreta, mensagens subliminares em frames induzindo indivíduos a agirem não funcionam. São uma farsa confirmada)

    - E se uma empresa de antibióticos decidirem criar um tipo de gripe contra a qual apenas seus remédio pode deter?
    (E se os donos das vidraçarias decidirem sair pelas ruas quebrando todas as janelas da cidade?)

    =====================================================================================
    Perdoem-me novamente pelo OFF-TOPIC.
    Quanto ao artigo, está excelente e mal posso esperar para o lançamento do livro do Rothbard.
  • Brenno  30/01/2013 15:27
    Gostei da última das suas perguntas.

    Não acho que a analogia aos vidraceiros seja válida, pois no caso da gripe o que essa empresa consegue de fato é um monopólio, visto que foi ela mesma que criou o vírus e apenas possui a cura.

    Entretanto, como vejo, este monopólio dela seria temporário, pois se baseia apenas na vantagem inicial que tal empresa possui frente às outras por já possuir uma cura de imediato. Porém, nada impede as demais indústrias de conseguirem descobrir a cura, ou até mesmo curas alternativas ao vírus, visto que não é necessário ter criado uma doença para ser capaz de descobrir a sua cura.
  • Andre Cavalcante  30/01/2013 20:32
    Vou tentar responder às questões:

    - E se houvesse uma invasão alienígena? Não seria necessário que toda a indústria fosse controlada por um instituto de planejamento central para fabricar o esforço de guerra? (Essa eu tirei de um blog marxista indicado pelo Típico Filósofo)

    Exceto se nós já soubéssemos de antemão como são os alienígenas e quais armas surtiriam efeitos contra eles, tanto faz se a gente tenha estado ou não, eles simplesmente chegariam aqui e tomariam a Terra e fariam com ela o que aprouvesse (vide o que aconteceu com os indígenas quando os europeus chegaram no Novo Mundo). Com o conhecimento prévio, o mercado produziria as armas com menos recursos e mais rapidamente. Logo, nem para essa questão absurda seria viável o estado.

    - E se os ricos tentassem fabricar clones de seres humanos para trabalhar em suas fábricas em um futuro distante? Sem o estado, quem os impediria de criar humanos de laboratório em massa, como em Star Wars?

    E porque teriam que ser impedidos? Você parte do pressuposto que clonar humanos é uma coisa ruim, mas veja bem, em Star Wars, os clones são essenciais, porque é muito melhor mandar um cara treinado (o clone) do que pessoas comuns (eu) pra guerra, certo?

    - E se algum laboratório de robótica decidisse criar um exército de robôs para dominar o mundo? Quem regularia para que não fizessem? E se decidissem criar inteligências artificiais tão inteligentes como nós, ou mais?

    Se algum laboratório conseguisse criar tal coisa de verdade, deveria é dominar o mundo, mesmo. E, mais uma vez, a questão parte do pressuposto que robôs inteligentes serão ruins. Será que serão? Muito provavelmente não, porque a ruindade humana é essencialmente não racional, enquanto que máquinas, mesmo as ditas inteligentes, serão essencialmente racionais. Mas, para o bem da questão, vamos supor que sim, os robôs serão maus. Neste caso, é melhor que não tenha estado, porque, sem ele, não haveria propriedade intelectual e a cada passo do avanço tecnológico de uma empresa, os concorrentes estão logo atrás, de tal forma que, em se tornando realidade o tal exército de robôs, os concorrentes também teriam os seus, o que equilibraria a balança e ninguém dominaria o mundo.

    - O estado atualmente não regula o uso de antibióticos, mas o mesmo seria necessário. Se antibióticos forem utilizados em massa, perderão o efeito pois ocorrerá uma seleção de micro-organismos resistentes a ele. Isso já acontece com gonorreia, por exemplo, onde resta apenas mais um tipo de antibiótico.

    Errado. O estado regula o uso de antibióticos e, mesmo assim, bactérias resistentes aparecem. Na verdade, sem estado é mais fácil esse controle, porque as próprias empresas teriam todo interesse em evitar que seu medicamento perdesse a força em pouco tempo. Também a inovação, sendo maior em um mundo livre, criaria um terreno fértil para novas soluções.

    - E quando a população aumentar e não haver como alimentar tanta gente? O estado precisa existir para regular o uso da terra e a expansão populacional.
    (Essa é do século XVIII)

    A população somente pode aumentar se houver alimentos, recursos e energia disponível. Se não, vários irão morrer e o equilíbrio (dinâmico) irá se estabelecer. Em um mundo livre, esses ajustes são mais rápidos e contínuos, de forma que tal quadro jamais ocorreria. Vemos gente morrendo de fome hoje porque os governos, fechando as fronteiras e fazendo as guerras, impede que o mercado alcance a todos.

    - E se os filmes decidirem colocar mensagens subliminares entre seus frames, induzindo indivíduos a agir de diversas formas? Por exemplo, estimulando o racismo e o consumismo.

    A bem da discussão, vamos supor que isso funcionasse (o que é bastante inverossímil). Ora, sem o estado, todos terão tecnologia para isso, de forma que todos fariam as mensagens, levando então a mensagens desencontradas. Ou o indivíduo enlouqueceria (na pior das hipóteses), o que faria imediatamente a mídia se adequar (ninguém quer um cliente morto ou louco, pois cliente morto ou louco não paga a conta), ou, na melhor das hipóteses, as influências se cancelariam e o indivíduo continuaria livre para decidir por si mesmo.
    Com o estado, muito provavelmente somente algumas empresas amigas do rei teriam o respaldo de realizar tal atividade - ou seja - escravização certa.

    - E se uma empresa de antibióticos decidirem criar um tipo de gripe contra a qual apenas seus remédio pode deter?

    Aqui caberia uma questão: porque não fazem isso agora? Que eu saiba nenhum governo proíbe (ou teria condições) de proibir tal coisa (de fato são os governos que alimentam a tal guerra biológica). Mais uma vez, se isso acontecesse, somente o livre mercado poderia rapidamente encontrar meios de amenizar os problemas, porque, uma vez solto no ambiente o patógeno, estimularia os concorrentes a produzir a vacina ou remédio contra. A empresa original teria apenas a vantagem de sair na frente (um monopólio) que poderia durar até alguns anos, mas não duraria mais que isso (vide o caso da AIDS) onde empresas farmacêuticas rapidamente conseguiram um coquetel de medicamentos para combater o vírus HIV.
  • Pensador de Esquerda  30/01/2013 22:57
    "tanto faz se a gente tenha estado ou não, eles simplesmente chegariam aqui e tomariam a Terra e fariam com ela o que aprouvesse".

    Ridículo esse raciocínio. Nunca assistiram aos filmes de Hollywood? ETs são seres inteligentíssimos e sabem a importância do Estado em defesa irrestrita ao seu povo. Nos filmes, os extra-terrestres sempre atacam pelo ponto forte quando fazem a célebre frase: "Levem-me ao seu líder".
  • Peterson Mota  31/01/2013 00:06
    Mais um motivo pra não ter Um Líder!
  • Augusto  31/01/2013 03:44
    Vou tentar responder também aos questionamentos.

    - E se houvesse uma invasão alienígena? Não seria necessário que toda a indústria fosse controlada por um instituto de planejamento central para fabricar o esforço de guerra?

    Sim, provavelmente para propósito exclusivo de se matar alienígenas o Estado é melhor que o mercado. O estado pode facilmente roubar 90% dos recursos da sociedade através de impostos e canalizar todo o esforço para a guerra. Já na hipótese de, ao invés de matarmos, querermos fazer comércio com os alienígenas é melhor não ter Estado para não termos taxa de importação. No caso improvável de não encontrarmos nenhum alienígena também seria melhor não ter Estado.

    - E se os ricos tentassem fabricar clones de seres humanos para trabalhar em suas fábricas em um futuro distante? Sem o estado, quem os impediria de criar humanos de laboratório em massa, como em Star Wars?

    Do ponto de vista jurídico pode ocorrer. O mercado de leis dirá o que é proibido e o que não é. Não há garantia nenhuma de que isso seria proibido assim como não há garantia nenhuma de que uma sociedade com Estado proibiria tal prática. Já sobre o ponto de vista econômico é improvável. Embora seja possível que um dia através do livre mercado o salário do trabalhador chegue a ser tão alto que a criação de um clone seja mais barata que pagar este salário, todas as experiências mundiais com trabalho escravo, como a URSS, por exemplo, se mostram menos eficientes do que os trabalhadores livres. É, portanto, muito improvável que qualquer rico tenha interesse em fazer isso.

    - E se algum laboratório de robótica decidisse criar um exército de robôs para dominar o mundo? Quem regularia para que não fizessem? E se decidissem criar inteligências artificiais tão inteligentes como nós, ou mais?

    Tal exército seria extremamente caro. É muito mais provável um governo estatal fazer isso se apropriando violentamente dos recursos das pessoas do que uma instituição privada que precisa angariar recursos sem usar violência.

    - O estado atualmente não regula o uso de antibióticos, mas o mesmo seria necessário. Se antibióticos forem utilizados em massa, perderão o efeito pois ocorrerá uma seleção de micro-organismos resistentes a ele. Isso já acontece com gonorreia, por exemplo, onde resta apenas mais um tipo de antibiótico.

    Se as pessoas utilizaram antibióticos em massa voluntariamente é por que foi benéfico para elas. É imoral que o Estado impeça que as pessoas de hoje usem um medicamente que pode salvar suas vidas, na justificativa de que talvez, quem sabe, no futuro, um dia, outras pessoas que viverão num cenário mais próspero e avançado tecnologicamente possam utilizar este mesmo medicamento.

    - E quando a população aumentar e não haver como alimentar tanta gente? O estado precisa existir para regular o uso da terra e a expansão populacional.

    O cenário futuro mais provável é de uma estagnação da população mundial. Mesmo que isso não ocorra e a população cresça até passarmos fome, não há evidência alguma de que o Estado tenha capacidade de regular o uso da terra de maneira mais eficiente que o mercado. Até hoje o que se viu no mundo foi mais produção e menos fome onde o Estado se intrometeu menos.

    - E se os filmes decidirem colocar mensagens subliminares entre seus frames, induzindo indivíduos a agir de diversas formas? Por exemplo, estimulando o racismo e o consumismo.

    Ok, Che Guevara. Agora você foi longe demais. Liberdade de expressão é inegociável. Se você não quer assistir filmes com mensagens subliminares é um direito seu, mas me deixe assistir o que eu quiser.

    - E se uma empresa de antibióticos decidirem criar um tipo de gripe contra a qual apenas seus remédio pode deter?

    Num sistema de leis privadas isso muito provavelmente seria um crime, pois se trataria de uma agressão física e certamente feriria o princípio da não agressão. Logo, provavelmente essa prática jamais ocorreria, e se ocorresse provavelmente seria punida. Agora me responda, e se um governo decidisse criar um tipo de gripe contra a qual o único remédio existente fosse o do seu lobista favorito da indústria farmacêutica?
  • Daniel  30/01/2013 14:07
    Mais um OFF TOPIC

    Vejo que "Moeda, Crédito Bancário e Ciclos Econômicos" está à venda na Loja Virtual. Vocês pretendem publicar essa obra fundamental na seção "Biblioteca" ?

    Abç e parabéns pelo magnífico trabalho desenvolvido pelo IMB.
  • amauri  30/01/2013 15:03
    Leandro, leio e ouço que os republicanos americanos sao contra aumento dos gastos, impostos e assistencialismo. Mas dizem que é exatamente a base republicana que mais recebem auxilio. Nao é contraditorio?
  • Leandro  30/01/2013 23:33
    Republicanos não têm nada contra aumentar gastos do governo. Afinal, foi sob os governos Reagan e Bush filho que o governo estourou seu orçamento ao detonar os gastos federais.

    Republicanos não têm nada contra assistencialismo. Foi sob o governo de Bush filho que os gastos assistencialistas, como o Prescription Drug Benefit, explodiram (Clinton não apenas havia reduzido os gastos assistencialistas, como também havia cortado vários deles, como o auxílio a mães solteiras, algo impensável hoje em dia.)

    Republicanos nada têm contra aumento de impostos. Um dos maiores aumentos de impostos da história americana aconteceu sob Reagan, que elevou fortemente as alíquotas do Social Security. Recentemente, John Boehner não teve problema algum em acordar com Obama um aumento de impostos.

    Republicanos são iguais aos democratas, só que piores: adotam políticas estatizantes mas utilizando uma retórica de livre mercado.

    Quanto a essa sua informação, nada sei a respeito.
  • pensador barato  30/01/2013 16:04
    Infelizmente a maioria dos pacientes que sofrem do MAL DE CHAGAS são pobres e do campo,eles estão abandonados a própria sorte,haja vista não ser lucrativo para os laboratórios desenvolverem medicamentos para a cura desse mal terrível que aflige varias famílias.Gostaria de saber a opinião dos demais comentaristas e é certo que no atual arranjo tal segmento não é lucrativo mas quem sabe no livre-mercado seja,torço para que isso seja realidade.
  • Pobre paulista  30/01/2013 16:55
    Existem diversas opções, a saber:

    1 - Algum milhonário filantropo poderia cuidar deste cidadão,
    2 - Poderiam existir ONG's voltadas especificamente para esse nicho, que seriam financiadas por pessoas simpatizantes à esta causa;
    3 - Deixar morrer, afinal ninguém vive para sempre (Pessoas ricas TAMBÉM morrem);
    4 - Pesquiar mecanismos baratos para a cura (Ou seja, reduzir custos)

    Entre outros.

    Lembrando que "mal terrível" é um termo relativo. A expansão de crédito é um "mal terrível" assim como a aids, o mal de chagas e o gosto brasileiro por música. Não existe um medidor universal de terribilidade das coisas.

  • pensador barato  30/01/2013 17:20
    Pobre paulista obrigado pelas dicas e idéias só não gostei da sentença de morte ai também já é crueldade.
  • anônimo  30/01/2013 18:29
    Sem o papai estado é provável que morra gente doente mesmo. Sinceramente, e daí? Essa é a postura de um libertário, NADA justifica a escravidão, nem mesmo a morte desse pessoal.
    Eles não vivem em função de mim, porque eu deveria viver em função deles?
  • pensador barato  30/01/2013 21:09
    Anônimo me perdoe,mas,não entendi seu argumento.
  • David  30/01/2013 22:45
    Pensador, tenho dois comentários:

    1)Talvez nem seja necessário buscar uma cura para a doença de Chagas. Esta doença, na maioria das vezes, só ocorre em locais muito pobres. Assim, aumentando-se a riqueza de uma sociedade, instantaneamente a doença de Chagas seria um problema ínfimo.

    2) Sou da área de pesquisas em saúde. Embora minha linha de pesquisas não seja a doença de Chagas, conheço pesquisadores que investigam esse mal. O que posso te dizer é que há, sim, interesse em se estudar essa doença.

    Claro que esses interesses não incluem, necessariamente, o de curar os doentes. O que motiva vários pesquisadores são os mecanismos que o protozoário utiliza para se manter vivo no corpo do hospedeiro. É complicado falar de detalhes técnicos aqui, mas, grosso modo, veja que é fascinante um ser vivo conseguir permanecer durante décadas na vida do hospedeiro sem ser percebido pelo sistema imune.

    Portanto, mesmo que não haja um interesse genuíno em se tratar uma doença específica, ainda assim podem existir pesquisadores interessados em estudá-la, o que pode levar a algum tratamento.
  • Andre Cavalcante  30/01/2013 20:02
    Pensador barato,

    É um barato ver essas questões.
    O primeiro ponto é esse: porque esse pessoal é pobre? Porque não tem emprego, educação, acesso a coisas básicas como saneamento, água potável, moradia simples, mas limpa e digna.
    Questão: o governo pode prover a esse pessoal essas coisas? NÃO, nunca proveu e nem vai prover, pois não é de interesse.
    Num mundo de leis privadas, os mais pobres terão liberdade suficiente para fazer quaisquer atividades que lhe deem o mínimo de recursos - hoje muitos não tem emprego não por faltar trabalho, mas porque as regulações do governo mexem de tal forma na economia que muitos são alijados do mercado de trabalho. Também terão mais recursos, porque o mínimo que conseguirem não mais será tomado pelo governo em impostos e inflação.

    No mais, se você quer mesmo ajudar essa gente, porque não monta uma organização, cria um site, faz propaganda da causa e convence as pessoas, voluntariamente, a doarem dinheiro para as pesquisas da cura (ou vacina) para o mal de Chagas? Ninguém te impede de tal feito.
  • Leonardo Couto  30/01/2013 22:37

    O mais provável é ele adquirir condições de facilmente lidar com esse mal. Tanto pelo melhoria de seus rendimentos quanto pelos custos mais baixos.
    Mas mesmo em caso contrário, haverá ações caritativas abundantes.

    A situação será outra.

    De qualquer forma, a melhor situação dele e de sua família estará em um cenário de liberdade.
  • Professor de Economia  30/01/2013 16:57
    O artigo está completamente equivocado, e até um calouro no primeiro semestre de Ciências Econômicas consegue perceber isso. Passo a demonstrar o porquê.

    A oferta monetária adequada dentro do contexto global de uma determinada economia é aquela que garante a determinação do processo de comunicação como um todo, uma vez que o atual cenário globalizado cumpre um papel essencial na formulação das diretrizes de desenvolvimento para o futuro. Deve-se ter sempre em mente é que o aumento do diálogo entre os diferentes setores produtivos exige a precisão e a definição do sistema de participação geral. Do mesmo modo, o desenvolvimento contínuo de distintas formas de atuação aponta para a melhoria das diversas correntes monetárias.

    Assim, e por exemplo: a ascensão do comércio virtual pode levar a considerar a reestruturação do investimento em commodities, mas a consolidação das estruturas leva a tendências no sentido de aprovar a manutenção de todos os recursos funcionais envolvidos.

    Nota-se, então, que cada vez mais a competitividade nas transações comerciais não vem demonstrando convincentemente a participação na mudança dos métodos utilizados na avaliação de resultados monetários. As experiências acumuladas pelos agentes demonstram que a constante divulgação das informações obstaculiza a apreciação da importância das direções preferenciais. Por isso, faz-se fundamental ressaltar que o julgamento imparcial das eventualidades oferece uma interessante oportunidade para verificação dos índices pretendidos.

    Por último, vale ressaltar que prática cotidiana prova que a constante revolução dos costumes acarreta um processo de reformulação e modernização monetária, processo esse que escapou completamente ao autor do artigo.
  • Marcelo  30/01/2013 17:12
    Alguém mais não entendeu?
  • pensador barato  30/01/2013 17:14
    FALOU,FALOU E NÃO DISSE NADA SEU PROFESSOR DE ECONOMIA DE ARAQUE,SEU IRÔNICO SEM GRAÇA.
  • Sergio  30/01/2013 17:23
    suicidiovirtual.net/dados/lerolero.html

    Mas ate que parece um texto escrito por um Doutô em economia mesmo
  • Tiago Moraes  30/01/2013 20:28
    Eu posso resumir o que escreveste em uma única frase; bobagem sem sentido. Ponto. Mas cá para nós, nem você conseguiria traduzir o que escreveu...
  • Bernardo F  30/01/2013 22:27
    Não houve uma vez uns irreverentes que levaram cartela de bingo a uma assembleia estudantil e gritaram "BINGO" depois de os oradores terem pronunciado uma série de palavras ocas como as do comentário do "Professor de Economia"??
  • Felipe  30/01/2013 23:57
    Huahauhauahua, excelente! Deve ser o homônimo do Típico Filósofo usando o gerador de lero-lero para mostrar exatamente a mentalidade econômica acadêmica. Muito Bom!
  • Vinicius Costa  30/01/2013 20:08
    Tenho uma dúvida. Pelo que entendi, hoje a inflação é dada pela "inflação dos preços".

    Mas pelo que me parece, o natural seria os preços caírem com o tempo, devido a n fatores. Por isso, o índice real de inflação deveria ser o "aumento dos preços + o que deveria ter diminuído" certo?

    O problema é que essa queda de preço não pode de ser medida, portanto esse cálculo seria impossível de ser feito.

    Por isso queria saber, onde posso encontrar os números da expansão monetária aqui do Brasil e se possível de outros países?
  • Luiz Padilha  31/01/2013 10:40
    @Vinicius Costa,

    Tenho uma dúvida. Pelo que entendi, hoje a inflação é dada pela "inflação dos preços".

    Inflação é uma definição inequívoca e significa aumento da oferta monetária. Com o tempo e o keynesianismo dominante, a definição de dicionário virou "aumento generalizado de preços"... no entanto, o aumento generalizado de preços é um dos efeitos da inflação. Então a EA usa o temo "inflação de preços" para essa definição, preservando o termo "inflação" com a sua definição original (1).

    Observe que nenhum dos índices chamados de "índices de inflação" pela mídia, pelos keynesianos e estadistas tem "inflação" no nome. São sempre índices de preços.

    Mas pelo que me parece, o natural seria os preços caírem com o tempo, devido a n fatores. Por isso, o índice real de inflação deveria ser o "aumento dos preços + o que deveria ter diminuído" certo?

    Vc está arranhando a superfície. O natural é os preços serem determinados pela oferta e pela procura. Mantidas essas condições, os preços tendem a cair enquanto a eficiência da produção for passível de aumento... quando essa eficiência atinge seu limite e mantidas oferta e procura iguais, os preços param de cair. No entanto, essas condições não são estanques, e se a procura aumenta sem acompanhamento da oferta, o preço sobe, mesmo que a produção se torne mais eficiente.

    Não existe tal coisa como um índice real de inflação. Seria interessante para fins publicitários que adotássemos um nome assim, mas o índice seria de inflação (simplesmente) e mediria quanto dinheiro novo foi injetado na economia tanto via impressão de moeda quanto via crédito fiduciário. Observe que esse índice não tem nada a ver com preços.

    O problema é que essa queda de preço não pode de ser medida, portanto esse cálculo seria impossível de ser feito.

    De fato esse cálculo não é muito fácil e envolve um número de variáveis provavelmente muito grande para controlarmos todas ao mesmo tempo. De qualquer forma ele não é necessário para medir a inflação "real". Só precisamos medir a quantidade de dinheiro novo na economia... isso não só é possível como é feito regularmente pelo pessoal do IMB em seus artigos.

    Por isso queria saber, onde posso encontrar os números da expansão monetária aqui do Brasil e se possível de outros países?

    No Brasil vc pode ver o site do Banco Central sobre a oferta monetária... o problema é que esse dado está enterrado em diversos outros dados e com o nome de "Meios de Pagamento" (o que está correto, mas pode ser difícil de encontrar para nós, pobres mortais). A série histórica está disponível aqui.
  • Vinicius Costa  31/01/2013 14:13
    Obrigado Luiz.

    Se interpretei da maneira correta a tabela, então a inflação brasileira nos ultimos dez anos vem crescendo cerca de 10% ao ano?
  • Luiz Padilha  06/02/2013 14:28
    Desde 2000 a inflação anual media considerando a variação do M2 (aparentemente o método mais utilizado pelo pessoal no IMB) foi de 14,56%.

    Fiz até um gráfico: clique aqui.
  • Leandro  06/02/2013 14:45
    O M2 brasileiro não é exatamente um bom método porque ele considera algumas variáveis que não são moeda, como letras de câmbio, letras imobiliárias e letras hipotecárias. O melhor até ano passado era o M1. Só que, de lá pra cá, duas coisas aconteceram:

    1) o Banco Central fez várias alterações seguidas no compulsório, tanto dos depósitos à vista quanto dos depósitos em poupança e a prazo, o que levou os bancos a fazerem várias migrações de uma conta para outra (eu mesmo fui vítima disso: tiraram meu dinheiro da poupança e jogaram para uma aplicação a prazo que rendia muito menos);

    2) a maioria dos bancos passou a tratar a conta-poupança como se fosse conta-corrente (com a mesma liquidez), de modo que o M1 também perdeu seu apelo (o M1 não contabiliza a conta-poupança).

    No momento, a melhor contabilidade é esta apresentada neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1489
  • Leonardo  30/01/2013 20:35
    Esse professor de economia é o Mangabeira Unger.
  • Helio Beltrão  30/01/2013 22:21
    Esse "professor" está usando um gerador automático de expressões!

    Veja um exemplo: emptybottle.org/bullshit/index.php

  • Mercado de Milhas  31/01/2013 01:35
    Dinheiro bom é o eletrônico. Ouro é desperdício sim, serve pra praticamente nada.

    O dinheiro ideal seria uma espécie de bitcoin, mas com aumento aleatório entre 3% e 6% anualmente da oferta monetária.







  • Renato Souza  31/01/2013 02:28
    O grande valor de moedas de metal ou papel-moeda é a posse anônimo do dinheiro. Isso diminui o poder do governo.
  • Tiago Moraes  31/01/2013 18:37
    Não, não é, o bitcoin é apenas uma ideia melhor que o sistema de moeda fiduciário que temos hoje, mas passa bem longe de ser o ideal porque ainda é um sistema passível de fraude. Se um dia o bitcoin fazer sucesso e de fato se tornar uma moeda alternativa a nível mundial, com toda a certeza governos se unirão para estatizá-lo, vinculando-o a alguma entidade supranacional, como o a ONU, o Bird...e aí o bitcoin se tornará análogo a qualquer moeda fiduciária supranacional como o euro por exemplo. O ouro ainda é o modelo ideal de moeda, a única forma da população se proteger, inclusive, dos burocratas.
  • Gabriel  31/01/2013 20:43
    Na verdade não, a melhor coisa seria uma competição entre moedas mundias produzidas por empresas privadas.

    O Ouro como moeda é uma escolha do estado, e precisa do aval do estado para funcionar, e como conhecemos como o estado funciona não seria nenhum espanto se anos depois ele fizesse a mesma coisa que os EUA fizeram no século.

    Um livro mercado de moedas mundialmente sendo ofertada por empresas privadas, esse deveria ser o futuro.
  • Neto  31/01/2013 21:50
    'O Ouro como moeda é uma escolha do estado, e precisa do aval do estado para funcionar'

    Que eu saiba o ouro como moeda foi uma escolha DO MERCADO e só depois o estado se apossou dele.
  • Rúben  15/04/2014 20:08
    O OURO era usado de início, como dinheiro(facilitador de trocas). Depois o Estado o transforma em artefatos(objetos). Logo passou a usá-lo, como lastro da MOEDA(padrão monetário). Ultimamente nem isso. Só os colecionadores, hoje, podem ter em mãos; Ouro(material), dinheiro(valor) e moeda(utensílio), num mesmo objeto, já que o ouro como dinheiro e como lastro da MOEDA, perdeu seu uso.
  • Andre Cavalcante  31/01/2013 21:13
    Tiago Moraes,

    Favor entender primeiro o que é bitcoin. Do que você escreveu, NADA é correto!

    "o bitcoin é apenas uma ideia melhor que o sistema de moeda fiduciário que temos hoje, mas passa bem longe de ser o ideal porque ainda é um sistema passível de fraude"

    Como? Onde você leu algo sobre isso? Bitcoin é uma criptomoeda, ou seja, para fraudar bitcoins você teria que ser capaz de criar moedas na sequência correta, usando o algoritmo correto. Para isso, precisaria de um poder de computação maior que o da rede bitcoin atual, ou seja, precisaria de um supercomputador como do Deep Blue. E essa é a única forma de fraude conhecida para o bitcoin. Não confunda o roubo da sua carteira (o que acontece a toda hora e até em bancos) com fraude na moeda. Já o nosso real, este sim, é todo o tempo fraudado pelo BACEN.

    "Se um dia o bitcoin fazer sucesso e de fato se tornar uma moeda alternativa a nível mundial, com toda a certeza governos se unirão para estatizá-lo, vinculando-o a alguma entidade supranacional, como o a ONU, o Bird... e aí o bitcoin se tornará análogo a qualquer moeda fiduciária supranacional como o euro por exemplo."

    Se o bitcoin um dia se tornar uma alternativa mundial, quase nada que os governos façam vai barrar o bitcoin. Por definição, uma criptomoeda é uma moeda descentralizada, logo, impossível de ser vinculada a qualquer entidade, nacional ou supranacional. A única forma de barrar o bitcoin é barrando a internet toda. Pelo jeito você fala do que não tem a mínima ideia do que seja.

    "O ouro ainda é o modelo ideal de moeda, a única forma da população se proteger, inclusive, dos burocratas"

    Aí você escancarou que não tem ideia do que seja moeda e, muito menos, criptomoeda. O ouro é passível de ser retirado de você, a força (roubo direto) ou por "força da lei" (roubo por burocratas). Já aconteceu antes e pode acontecer de novo. E é aqui que bitcoins são melhores que o ouro, pois é uma quasi-commodite, de forma que tem todas as vantagens do ouro, mas a única forma que o governo teria de confiscá-lo, seria bloqueando a internet toda, pois você pode "guardar" seus bitcoins na nuvem, em qualquer lugar do mundo, sem pagar nada (ou quase nada) por isso.

  • Neto  31/01/2013 21:52
    'mas a única forma que o governo teria de confiscá-lo, seria bloqueando a internet toda, pois você pode "guardar" seus bitcoins na nuvem, em qualquer lugar do mundo, sem pagar nada (ou quase nada) por isso.'

    Se for por isso eu posso guardar meu ouro em outros países também.
  • Pobre Paulista  01/02/2013 02:07
    Acontece que os criadores do bitcoin poderiam também emitir moeda virtual, visto que eles detém o algoritimo válido. Não passa portanto de uma moeda qualquer controlada por uma entidade soberana qualquer (que não é o estado, mas tem o mesmo poder sobre a moeda).
  • AR  01/02/2013 18:46
    Caro Pobre Paulista,

    Ainda tenho muito a aprender sobre o Bitcoin, a cada dia busco um pouco mais.
    Quanto ao seu argumento, creio que eu possa ajudar a trazer alguns esclarecimentos.
    Se eu vier a escrever algum erro, peço que me corrijam.

    Todos os detalhes que dizem respeito a [algoritmo/código/programação/protocolo/etc.] relacionados ao Bitcoin estão disponíveis para qualquer pessoa que queira consultá-lo ou estudá-lo. Não é algo fechado, não há segredo industrial.

    Não tenho razão para duvidar que, ao redor do mundo, centenas de programadores já tenham consultado e estudado o seu código, para verificar se existe alguma fraqueza ou falha proposital, da qual algum dos criadores poderia se aproveitar para controlar o sistema. Não tenho conhecimento de nenhuma falha desta natureza que tenha sido apontada até o momento.

    Vamos supor então, por simplicidade, que tenhamos 100 pessoas se utilizando do Bitcoin como ele é hoje. Suponhamos também que este total inclui os criadores, e que a versão atual do Bitcoin não permita que eles obtenham qualquer vantagem indevida frente aos outros.

    Se um desses criadores quiser emitir moeda virtual ao seu bel-prazer, como você sugere, entendo que com o código atual ele não conseguirá fazer isto (tenha em vista que muitos programadores revisaram o código para se certificar de que isso não é possível).

    Se esse criador mal-intencionado quiser mudar o programa para se beneficiar, ele também não terá sucesso. As outras 99 pessoas da rede serão capazes de perceber que ele não está seguindo o protocolo original, e passarão a ignorar QUALQUER COISA vinda dele, até que não retorne ao protocolo original.

    Uma mudança no protocolo, mesmo que mínima, só viria a se tornar realidade se mais de 50% das pessoas da rede, ou neste exemplo, 51 usuários, a aceitassem. Para isto elas passariam a utilizar um programa atualizado, onde a mudança foi incorporada.

    Não vejo razão para que 51% dos usuários venham a concordar com uma mudança que enfraqueceria o protocolo de tal forma, afinal muitos deles estão fugindo dos defeitos das moedas fiduciárias convencionais, ou seja, não querem reproduzi-los no Bitcoin.

    Com tudo isto em vista, pergunto respeitosamente: ainda consegue identificar alguma entidade soberana capaz de controlar a moeda, como havia sugerido?
  • Neto  01/02/2013 21:19
    @AR o governo não precisa se preocupar em derrubar a rede, basta identificar quem usa a rede.Como o Tiago Moraes disse, teu site nunca vai poder anunciar: 'troco bitcoins por reais' porque na hora que fizer isso já vai estar cometendo um crime, o governo vai lá e fecha.

    @Tiago Moraes
    Os criadores não podem emitir ao seu bel prazer, o troço já vem programado com uma quantidade fixa de bitcoins que serão criados daqui até o fim do mundo
    Vai ter um limite, depois não vai mais ter novos bitcoins.
    Mas por outro lado você continua correto ao falar que 'Não passa portanto de uma moeda qualquer controlada por uma entidade soberana qualquer' porque foram esses mesmos caras que definiram esse limite, portanto eles que controlam, ou controlavam, essa oferta
  • AR  03/02/2013 14:18
    @Neto:
    De fato, não vejo grandes empresas negociando diretamente em Bitcoin no curto prazo. Contudo, para negociações menores e informais, onde exista confiança entre as partes, acredito que tais barreiras não terão efeito. Este é o primeiro passo.

    Quanto ao controle do Bitcoin "por uma entidade soberana qualquer", continuo a não concordar. É claro que alguns participantes na comunidade(*) possuem maior influência, mas terão de convencer gente demais para que consigam realizar alguma mudança, e falhariam ao propor alterações que enfraquecessem o Bitcoin. Já vi muitos usuários novos aparecerem por lá dizendo que acham o limite de 21 milhões de bitcoins, divisíveis até a oitava casa, muito pouco rsrs. A ideia sempre foi descartada, e não acredito que conseguirão mudar isso.

    Independentemente da sua opinião, respeito o fato de não acreditar no Bitcoin. Entendo que cada um deve ter a liberdade de adotar e de recusar moedas em acordo com seu próprio juízo.

    (* comunidade diz respeito ao conjunto de todas as pessoas que usam ou ajudam a desenvolver/manter o Bitcoin)


    @Neto e @Tiago Moraes:
    Oportunamente, hoje mesmo vi ser publicado um texto sobre esta questão da criminalização do Bitcoin pelo estado. Recomendo (em inglês), e terei prazer em conhecer suas opiniões.

    A criminalização do Bitcoin por um governo falharia miseravelmente


    PS: Percebi que na mensagem anterior, fiz confusão entre os conceitos de "51% attack", e de "bitcoin fork". Acredito que não prejudicou o entendimento da ideia principal da postagem, mas fica o aviso.
  • anônimo  04/02/2013 09:52
    Ninguém sabe se a criminalização do bitcoin falharia como esse cara afirma.Ninguém tem bola de cristal, nem ele, só que ele não é honesto o suficiente pra admitir.
    Efeito streissand? Quem garante? Pode ser justamente o contrário, quando começarem a prender bitcoinzistas pode haver uma corrida pra se livrar dos bitcoins

  • Tiago Moraes  06/02/2013 18:34
    Esse texto é ridículo. O fundamento do autor, é sustentar a tese de que proibir o bitcoin seria um fracasso análogo ao comércio de bebidas e drogas, ele utiliza exemplos que não são análogos à moeda quando tem um exemplo monetário que prova cabalmente que é sim possível a autoridade estatal abolir um sistema monetário indesejado. O ouro foi instituído como moeda voluntariamente pela civilização e mesmo sua história e tradição milenar não impediu que em poucos meses o ouro fosse totalmente abolido como moeda oficial em qualquer país do mundo. Ocorre que o comércio clandestino de drogas e bebidas é viável a revelia da autoridade estatal, mas a moeda, na nossa atual sociedade, não. Um sistema monetário tem o formato de um funil, por trás de milhões de "trader's" existe um sistema bancário legal que redireciona recursos e este sistema bancário é controlado monopolisticamente por um banco central:
    [Pessoa física Pessoa jurídica]->Bancos->BC->Estado

    1-O primeiro passo para se acabar com o bitcoin seria atacar o meio corporativo:

    O André argumentou que o meio corporativo poderia recorrer ao famoso esquema de descentralização de hospedagens e operações, algo recorrente na web, quando empresas digitais, como a Pirate Bay, utilizam este recurso para fugir de determinadas legislações nacionais, ocorre que esse artifício é utilizado para se fugir de determinadas leis que só existem em determinados países. Nós estamos falando aqui de um sistema monetário fiduciário e a legislação que regula isso tem um alcance a nível global, o bitcoin não tem aparo legal em absolutamente nenhum país do mundo, então o mecanismo de descentralização de hospedagens não funcionaria, no caso, os proprietário de empresas digitais poderiam se dar ao luxo de escolher em que país seriam presos, visto que não teriam proteção em lugar algum. Desconsiderem então a participação dos bancos, pois a história recente já se encarregou de mostrar que bancos que operam a margem da lei, quando descobertos, são rapidamente liquidados pela canetada dos burocratas do BC.

    2-Sem o meio corporativo, o mercado de bitcoins ficaria restrito a pessoas físicas.

    Aqui vamos considerar que da mesma forma que o mecanismo de hospedagens em diferentes países já não funcionada para o meio corporativo, então muito menos entre pessoas físicas, que não são dados digitais que podem trafegas livremente pelo mundo, algo que não funcionaria também, pois como já foi ad nauseam explicado aqui, exceto ilhas desertas sem internet, o bitcoin não teria amparo legal em lugar algum do planeta. O sistema se tornaria underground, funcionando entre pessoas físicas, a maior parte delas se retiraria automaticamente do mercado por temerem a prisão, a oferta de bitcoins cairia drasticamente, ficando restrita à uma minoria que seria obrigada a operar no sistema utilizando dados fake para dificultar o rastreamento das autoridades. O mercado de bitcoins não funcionaria á partir do momento que seus usuários passassem a não mais usar dados reais, principalmente quando ele é considerado ilegal. Sem dados reais as pessoas facilmente seriam vítimas de estelionatários e elas não poderiam recorrer a justiça pois isso implicaria na prisão delas mesmas (da mesma forma que um dono de boca de fumo não pode processar seu fornecedor de cocaína por tê-lo entregue farinha de trigo).

    O fato é que tudo o que eu escrevi é desnecessário, porque o simples fato do bitcoin operar em conjunto com um sistema monetário oficial, onde as pessoas precisariam utilizar moeda oficial para comprar bitcoins, já tornaria o sistema fraco em se proteger e garantir o sigilo para operar ilegalmente, além é claro das própria tentativa do sistema em se proteger de fraudes por parte dos seus usuários, no final, se tornar a arma contra o próprio sistema no caso de uma eventual ataque da autoridade estatal.
  • Andre Cavalcante  07/02/2013 12:54
    Este talvez seja o meu último comentário sobre o assunto.

    Tiago, o que talvez você não tenha percebido é que o que você considera "falhas" no bitcoin é justamente o que faz dele uma alternativa viável: o fato de não estar atrelado a nenhum banco, banco central ou governo, o fato de operar "a margem de qualquer sistema legal", o fato de que as operações com bitcoins são rastreáveis, mas os usuários não (a não ser que você queira) etc.

    E, ao contrário do que você coloca, para um sistema em nível mundial falhar não é preciso muita coisa, basta algumas poucas contra e o sistema desmorona. Já, o contrário, isto é, fazer um sistema funcionar, muitas coisas tem que dar certo, tem que ser certas, então o bitcoin hoje, sim, uma alternativa. Independente do que falem contrários e prós, a rede nasceu no mercado e, se morrer, será por força do mercado. Dar certo, já deu. Se vai vigorar é outra história...

    Abraços
  • Neto  07/02/2013 15:23
    Não existe isso de usuários não rastreáveis. Se o governo quiser vai pegar o Kin dotcon lá no fim do mundo.
    E um site vendendo bitcoins hospedado fora do brasil não significa nada, justamente por eles não terem respaldo em NENHUM governo do mundo.

    'Este talvez seja o meu último comentário sobre o assunto.'
    É bom mesmo, tu não sabe ler; tudo isso já foi dito VÁRIAS vezes

    'Controlar moeda não é simplesmente "controlar emissão" é também o poder de impor legalmente o que será a moeda oficial e o que não será. O André parece não lê artigos do IMB sobre o assunto'

    com certeza.
  • Andre Cavalcante  06/02/2013 16:14

    Neto escreveu em 01/02/2013 21:19:07

    "@AR o governo não precisa se preocupar em derrubar a rede, basta identificar quem usa a rede.Como o Tiago Moraes disse, teu site nunca vai poder anunciar: 'troco bitcoins por reais' porque na hora que fizer isso já vai estar cometendo um crime, o governo vai lá e fecha."

    www.mercadobitcoin.com.br.

    O governo só pode fechar um site no Brasil: se a justiça mandar e ele estiver hospedado no Brasil. Se estiver hospedado no exterior, o máximo que o governo consegue fazer é abrir um pedido para a justiça do país alvo fechar o site. Com o tamanho da economia bitcoin hoje, isso seria mais desastroso para o governo do que deixar as pessoas fazerem "escambo" com bitcoins pela rede.
  • Tiago Moraes  01/02/2013 02:27
    Favor entender primeiro o que é bitcoin. Do que você escreveu, NADA é correto!

    Me desculpe, mas em nenhum momento eu fiz elucubrações estruturais a respeito do bitcoin, apenas afirmei que ele é um sistema passível de fraude, e fundamentei minha afirmação salientando que o mesmo pode muito bem ser apropriado pelo Estado.


    Como? Onde você leu algo sobre isso? Bitcoin é uma criptomoeda, ou seja, para fraudar bitcoins você teria que ser capaz de criar moedas na sequência correta, usando o algoritmo correto. Para isso, precisaria de um poder de computação maior que o da rede bitcoin atual, ou seja, precisaria de um supercomputador como do Deep Blue. E essa é a única forma de fraude conhecida para o bitcoin. Não confunda o roubo da sua carteira (o que acontece a toda hora e até em bancos) com fraude na moeda. Já o nosso real, este sim, é todo o tempo fraudado pelo BACEN.

    E você leu isso onde? Primeiramente, o bitcoin não é uma criptomoeda, sua propagação é em uma rede com arquitetura do tipo P2P, seu código-fonte é aberto, qualquer um pode vê-lo, monitorá-lo e auditá-lo. O que ocorre é que o usuário de bitcoin é livre para criptografar, por conta própria, as suas operações com bitcoins, mas o sistema em si não é criptografado, por tanto, a definição do bitcoin como uma criptomoeda, tal como o Silk e o Libertydollar é equivocada. Novamente repetindo; o que torna o bitcoin passível de fraude é o fato do sistema poder ser apropriado pelo Estado, fundamentarei minha explicação: O que permite a existência do bitcoin no mercado é o fato dele ser tratado como um ativo comum, não como um sistema monetário de fato, mas se um dia ele atingir a escala suficientemente grande para ser tratado como moeda, então a ausência de amparo legal tornará o bitcoin passível de ser estatizado. O funcionamento do sistema monetário fiduciário, inclusive a nível global, é determinado pelas diretrizes dos acordos de Basiléia I e II e não há um único protocolo nestes acordos que autorize operações com moedas fiduciárias que não sejam as moedas nacionais oficiais, sob controle e gerenciamento dos Bancos Centrais.

    Se o bitcoin um dia se tornar uma alternativa mundial, quase nada que os governos façam vai barrar o bitcoin. Por definição, uma criptomoeda é uma moeda descentralizada, logo, impossível de ser vinculada a qualquer entidade, nacional ou supranacional. A única forma de barrar o bitcoin é barrando a internet toda. Pelo jeito você fala do que não tem a mínima ideia do que seja.

    É mesmo? Kim Dotcom também pensava assim com seu finado Megaupload. Amigo, você parece não entender que o que viabiliza a existência de uma moeda não é tão somente a confiança daqueles que realizam operações com ela, mas a legalidade no processo, o bitcoin é aberto a auditorias, isso significa que é possível rastrear os usuários do sistema e isso faz uma diferença muito grande para aquele que detém o monopólio legal do uso da coerção, para isso basta apenas que os signatários de Basileia acordem em tratar as entidades que operam com bitcoin como crimes contra o sistema financeiro e pronto, da noite para o dia todo o sistema se tornaria ilegal.

    Aí você escancarou que não tem ideia do que seja moeda e, muito menos, criptomoeda. O ouro é passível de ser retirado de você, a força (roubo direto) ou por "força da lei" (roubo por burocratas). Já aconteceu antes e pode acontecer de novo. E é aqui que bitcoins são melhores que o ouro, pois é uma quasi-commodite, de forma que tem todas as vantagens do ouro, mas a única forma que o governo teria de confiscá-lo, seria bloqueando a internet toda, pois você pode "guardar" seus bitcoins na nuvem, em qualquer lugar do mundo, sem pagar nada (ou quase nada) por isso.

    Parceiro, sou formando em ciências econômicas, a minha monografia discorre sobre teoria monetária, ainda no sétimo semestre conseguir um score na avaliação da ANPEC que me permitiu acesso a bolsa para fazer mestrado em 4 universidades federais, será que eu realmente não faço a menor ideia do que seja uma moeda? Lamento mas você falou bobagem, não importa se você usa bitcoins, moeda fiduciária convencional, ou uma moeda fiduciária privada, são ativos cuja existência só se realiza dentro de um sistema financeiro pré-existente, traduzindo de outra forma; a liquidez do depositante só se realiza e é garantida dentro desse sistema, fora dele não há absolutamente nada, a segurança de um sistema monetário baseado em moeda commoditie, desvincula a liquidez patrimonial de um agente econômico de um sistema financeiro pré-existente. O depositante ainda tem a opção de entesourar e não inserir-se neste sistema como forma, por exemplo, de se proteger de uma fraude bancária por exemplo. O bitcoin só existe na web, o real só existe nos balancetes bancários e nas impressões da casa da moeda. Enfim, o sistema monetário baseado em moeda-commoditie ganha de lavada de qualquer um desses sistemas, porque ela ainda torna facultativa a inserção no próprio sistema e o depositante ainda tem a liberdade em definir qual o percentual de seus ativos líquidos ficarão entesourados e o quanto trafegará no sistema.
  • Neto  31/01/2013 21:47
    'Dinheiro bom é o eletrônico. Ouro é desperdício sim, serve pra praticamente nada. '

    arghhhhhhh essa doeu no ouvido!! E justamente AQUI no Mises! Putz!
    Ouro tem características que nenhum outro metal tem, de todos os minerais da terra, NENHUM é mais útil que o ouro, ele tem uso em jóias, na indústria aeroespacial, na medicina, na ortodontia, na eletrônica e inclusive nos computadores dos bitcoinzistas idiotas que falam que ele não serve pra praticamente nada.

    geology.com/minerals/gold/uses-of-gold.shtml
  • anônimo  01/02/2013 10:52
    @Tiago Moraes
    Você repete que o defeito do bitcoin é que ele pode ser apropriado pelo estado, mas não entra em mais detalhes sobre como isso ia acontecer. Mesmo que o estado queira se apropriar, a dificuldade técnica disso vai ser imensa, porque ninguém controla uma rede p2p.

    'o bitcoin é aberto a auditorias, isso significa que é possível rastrear os usuários do sistema'...
    Mas será? Mesmo os que usam Tor?
  • Tiago Moraes  01/02/2013 15:41
    @Tiago Moraes
    Você repete que o defeito do bitcoin é que ele pode ser apropriado pelo estado, mas não entra em mais detalhes sobre como isso ia acontecer. Mesmo que o estado queira se apropriar, a dificuldade técnica disso vai ser imensa, porque ninguém controla uma rede p2p.


    É mesmo? Em qual parte o teu analfabetismo funcional não entendeu que o fundamento citado por mim, que viabiliza a estatização do bitcoin é; a ausência de amparo legal por parte dos signatários de Basiléia I e II, onde não há um único protocolo que referende a coexistência de moedas fiduciárias privadas com as moedas nacionais oficiais e manipuláveis pelas autoridades monetárias? No mais, você repete a mesma falácia do André Cavalcante, ao afirmar que o bitcoin não pode ser controlado supostamente por ser uma caixa-preta, a questão é que fora dele isso não existe, o bitcoin pode ser uma caixa-preta com criptografia "quântica", mas àqueles que o operam, pessoas e empreendimentos não.

    "o bitcoin é aberto a auditorias, isso significa que é possível rastrear os usuários do sistema'...
    Mas será? Mesmo os que usam Tor?"


    Não adianta você ter uma rede de consumidores anônimos de bitcoins, se empresas privadas que resolverem operar dentro do sistema não podem fazê-lo em anonimato, afinal, como uma empresa em um mercado digital conseguirá operar em larga escala com bitcoins se esse tipo de serviço não for anunciado por uma cadeia de publicidade explícita? Fora que é impossível ocultar essas operações nos balancetes contábeis. Se autoridades publicas considerarem as operações com bitcoins um crime contra o sistema financeiro, como ofertantes vão operar no sistema, se o simples fato de anunciarem, em seus canais publicitários, a venda de produtos por bitcoins já se configurará como um crime, será mesmo que este sistema sobreviveria sem participações corporativas? Outra coisa, a mesma Lei que fornece amparo legal para o sigilo fiscal do indivíduo, também o obriga a realizar operações financeiras com dados reais; nome completo/razão social, rg/inscrição estadual, cpf/CNPJ...sem o acesso a informações reais do remetente como se proteger de estelionatários? O próprio fato do bitcoin ter como um de seus pilares, evitar qualquer tipo de fraude financeira, já facilita um eventual processo de auditoria por parte do Estado.
  • Thyago  31/01/2013 02:08
    Esse tipo de texto, extremamente claro, é exatamente o que deve ser mostrado em uma aula de economia monetária ou de introdução a economia...

    Perfeito!
  • Daniel  31/01/2013 16:40
    Paul Krugman já defendendo a hiperinflação descarada. Seus artigos deveriam ter classificação indicativa.

    Ira contra a moeda
    blogs.estadao.com.br/paul-krugman/2013/01/09/ira-contra-a-moeda/

    "Portanto cunhar moeda seria pouco digno, mas e daí? Ao mesmo tempo seria economicamente inofensivo - evitaria desdobramentos econômicos catastróficos e ajudaria o governo a se desviar da chantagem.

    Naturalmente, o que todos esperamos é que a perspectiva da moeda de platina ou uma estratégia equivalente simplesmente acabe com a discussão sobre o teto da dívida. Mas se não, vamos cunhar essa bendita moeda."
  • Sergio  31/01/2013 19:01
    Trecho de um comentário no artigo:

    "Entretanto criar dinheiro (dívida ou obrigação... das nações soberanas) do dia para a noite com o aumento da base monetária de forma contínua foi a rotina do último século depois da quebra do padrão ouro. tudo muito simples correto e necessário para viabilizar a expansão econômica para alem do que o lastro material imaginário do metal poderia permitir. Aliás hoje o nosso dinheiro são bites e bites nos computadores do sistema financeiro. Nada mais."

    Parece que o mundo perfeito pra esse pessoal seria um em que todos os trabalhadores são empregados na produção de papel-moeda. Depois era só todo mundo jogar o dinheiro na fonte dos desejos mais proxima e esperar a comida se materializar.
  • Luciano  31/01/2013 19:20
    O que vocês acham desse link aqui?

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/01/31/brasil-tem-o-3-big-mac-mais-caro-do-mundo-diz-pesquisa.htm

    Detalhe: só eu que acho a afirmação abaixo sem sentido?

    "Isso significa que o real está mais valorizado do que todas as outras moedas pesquisadas, com exceção da coroa norueguesa e do franco suíço."
  • Leandro  31/01/2013 19:59
    Não faz sentido nenhum. Pra começar, o preço do bem em questão varia muito por causa dos custos trabalhistas de cada local (algo que não está diretamente relacionado ao poder de compra da moeda).

    Outra coisa: o Big Mac é um bem "non tradable" -- isto é, um bem que não pode ser exportado e importado (você não importa um Big Mac da China, por exemplo). Não se trata de um bem negociado no mercado internacional. Logo, não faz sentido utilizá-lo como comparativo de moedas.

    Curiosamente, a própria The Economist não se cansa de repetir que o índice tem fins meramente lúdicos, e não deve ser levado a sério. Parece que a imprensa brasileira, aparentemente a soldo da FIESP, não leu este alerta.
  • Andre Cavalcante  31/01/2013 21:26
    Leando, aproveitando. Essa passagem:

    "Se um sanduíche em determinado país é mais caro do que esse valor, a moeda está valorizada em relação ao dólar. No contrário, caso o sanduíche seja mais barato do que nos EUA, a moeda está desvalorizada."

    Não devia ser exatamente o contrário?: onde o Big Mac estivesse mais barato significaria uma moeda mais forte, pois, com a mesma quantidade de moeda eu compraria mais bens? E onde ele estivesse mais caro, indicaria uma moeda desvalorizada?

    Abraços
  • Leandro  01/02/2013 01:31
    A lógica dos gênios é a seguinte: os dois sanduíches têm de custar o mesmo valor.

    Sendo assim, pega-se o valor cobrado no Brasil e divide-se pela taxa de câmbio. Se após essa divisão o valor do sanduíche no Brasil continuar acima do americano, então diz-se que a taxa de câmbio está apreciada -- a taxa de câmbio teria de ter um valor maior para que a divisão desse o mesmo valor do sanduíche americano.

    Exemplo: nos EUA, o Big Mac custa US$1. No Brasil ele custa R$3. Para que ambos tenham o mesmo valor, a taxa de câmbio tem de ser 3:1.

    Se a taxa de câmbio for de 1,5:1, então a divisão vai dar 2. Sendo assim, segundo os gênios, o real estaria sobrevalorizado. Ele teria de custar 3 dólares e não 1,5.
  • Luiz Padilha  06/02/2013 14:40
    @Leandro,

    Essa não é a lógica original do "Índice Big Mac", mas é como as pessoas estão vendo ele na realidade...

    A ideia original é que o Big Mac é um sanduiche feito completamente de materia prima perecível e produzida localmente. Supondo que a demanda e a oferta do Big Mac fosse constante entre os países (o que não é verdade, mas ok, é tudo uma grande simplificação mesmo) as diferenças de preço reflitiriam o custo de produção naquele país.

    Assim, se o Big Mag custa 10 USD no Brasil e 5 USD nos EUA, o "custo-Brasil" de produzir Big Macs é o dobro dos EUA.

    Embora tenha diversas limitações metodológicas e premissas bastante forçadas, o Índice Big Mac é uma anedota interessante e que reflete pelo menos em parte o custo agregado pela ineficiência dos nossos transportes, da nossa agricultura, da nossa logística, etc. Mas não é mais do que isso, uma anedota.
  • Leandro  06/02/2013 14:53
    "A ideia original é que o Big Mac é um sanduiche feito completamente de materia prima perecível e produzida localmente."

    Se a ideia original foi essa -- algo de que duvido -- então piorou. Se é tudo produzido localmente, então o bem não é tradable, ou seja, não é comercializado entre fronteiras. Não há comércio internacional. Sendo assim, não faz o mais mínimo sentido colocar taxa de câmbio no meio.

    É como comparar o preço de um barbeiro em São Tomé das Letras com o preço de outro barbeiro em Malibu e daí sair vaticinando que o câmbio está apreciado ou depreciado.
  • Andre Cavalcante  04/02/2013 19:34
    Puts,

    e ele continua...

    "apenas afirmei que ele é um sistema passível de fraude, e fundamentei minha afirmação salientando que o mesmo pode muito bem ser apropriado pelo Estado."

    Favor indicar que tipo de fraude pode haver na rede bitcoin.
    Favor indicar como o estado pode se apropriar de uma criptomoeda descentralizada.

    Pra facilitar tua vida:

    en.wikipedia.org/wiki/Crypto-anarchism
  • anônimo  06/02/2013 12:04
    André, a falta de leitura está fazendo você falar besteira.
    Ele já explicou mil vezes:
    'a mesma falácia do André Cavalcante, ao afirmar que o bitcoin não pode ser controlado supostamente por ser uma caixa-preta, a questão é que fora dele isso não existe, o bitcoin pode ser uma caixa-preta com criptografia "quântica", mas àqueles que o operam, pessoas e empreendimentos não.'

    'Se autoridades publicas considerarem as operações com bitcoins um crime contra o sistema financeiro, como ofertantes vão operar no sistema, se o simples fato de anunciarem, em seus canais publicitários, a venda de produtos por bitcoins já se configurará como um crime?'

    E fraude = os governos considerarem como fraude algo que não está garantido pelos acordos da Basiléia.
  • anônimo  06/02/2013 13:28
    @Tiago Moraes
    Se o teu objetivo for vender coisas na deep web, mesmo que o governo queira considerar ilegal não vai ter muito como fechar
  • Andre Cavalcante  06/02/2013 14:20
    anônimo,

    Talvez você não saiba, mas a gente explica: controlar uma moeda é basicamente controlar a sua emissão. É impossível um governo qualquer controlar a emissão de bitcoins. Se serão os operadores, no mercado, a "controlarem" o quanto vale a moeda, então é exatamente isso que o bitcoin preconiza e o que se deseja. Portanto não é falácia.

    E volto a questionar: como alguém, ou um governo, pode fraudar a rede bitcoin? Até agora, você e todos os demais dizem ser possível, mas não dizem como. Eu opero com bitcoins e, se puder, tô louco para saber como gerar bitcoins fora do processo de mineração prescrito no algoritmo e efetuado pela rede - ia faturar um bocado antes das coisas explodirem.

    Por outro lado, o governo pode instituir que fazer xixi em pé é crime inafiançável, daí isso ser um crime de fato é outra questão. Aliás, a grande vantagem de se usar bitcoins é justamente ele não seguir os acordos de Basiléia, ou qualquer outro acordo entre governos e bancos centrais - estes sim, acordos que são uma fraude com toda a população do globo porque permite que os bancos operem com reservas fracionárias.

  • Tiago Moraes  06/02/2013 15:44
    Controlar moeda não é simplesmente "controlar emissão" é também o poder de impor legalmente o que será a moeda oficial e o que não será. O André parece não lê artigos do IMB sobre o assunto, já foi repetido a exaustão aqui; "comece a usar algo que não seja a moeda oficial, como tal, e você é PRESO" ou "O Estado detém o monopólio legal da moeda". Nenhum Estado no mundo controlava emissões de barras de ouro, sua oferta é sempre em torno de 1,5% ~2% a.a. mas isso não impediu que Nixon dissesse, em 1971, que daquele dia em diante o ouro não seria mais conversível em doláres e ponto final. Novamente repetindo; o que mantém o bitcoin funcionado é o fato do mesmo ser tratado, em termos legais, como um ativo virtual comum, não como moeda. No dia em que o bitcoin atingir a escala que proporcione o seu tratamento legal análogo ao de uma moeda, ele com toda a certeza será abolido pelos Estados, simplesmente porque não há amparo legal em NENHUM país do mundo que autorize a existência de um sistema monetário paralelo ao oficial. Aliás, se isso realmente fosse possível, os próprios bancos já teriam feito isso a muito tempo e o sistema monetário baseado em moedas fiduciárias privadas teria se tornado fato factível, para o agrado de uma parcela da EA que defende o free banking.
  • Miron  13/04/2014 02:26
    Não li os outros comentários, mas só o texto. Não vi muito sentido no texto, já que o mercado não é capaz de criar dinheiro, só o governo (através da dívida pública e do Banco Central) e os bancos (pelo sistema fracionário). Sua sugestão é que o dinheiro seja criado apenas pelos bancos? Se nenhum dinheiro for criado, e a economia real crescer, temos deflação, bem pior que inflação.
  • Leandro  14/04/2014 12:33
    "Não vi muito sentido no texto, já que o mercado não é capaz de criar dinheiro,"

    Pelo visto, você simplesmente ignora toda a história monetária do mundo. O dinheiro não foi uma criação do governo, mas sim da livre transação entre as pessoas.

    Sugestão de estudos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1502
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1336
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1505

    "Sua sugestão é que o dinheiro seja criado apenas pelos bancos?"

    Dica: este é exatamente o arranjo vigente hoje. Quem cria dinheiro e joga esse dinheiro na economia são os bancos. O Banco Central apenas dá suporte a esse arranjo, garantindo aos bancos segurança para que eles possam criar dinheiro à vontade, sem temores de sofrerem uma corrida bancária.

    "Se nenhum dinheiro for criado, e a economia real crescer, temos deflação, bem pior que inflação."

    Deflação de preços é ruim? Desde quando? Por que preços em queda é uma coisa negativa? Se fosse ruim, a indústria tecnológica, que vivencia deflação de preços há quase 40 anos, já deveria estar em petição de miséria.

    Você tem de saber diferenciar entre queda de preços gerada por recessão e queda de preços gerada por maior produtividade.
  • Carlos  14/04/2014 13:38
    "Se nenhum dinheiro for criado, e a economia real crescer, temos deflação, bem pior que inflação."


    Nossa, é tão ruim quando a economia cresce e eu e todos os pobres temos produtos variados cada vez mais baratos à nossa disposição! Bom é quando está tudo cada vez mais caro, o meu salário vai ficando cada vez mais apertado e se não vier um aumento eu não poderei voltar a um padrão de consumo de outrora.
  • Miron  14/04/2014 14:59
    Quando falei "Sua sugestão é que o dinheiro seja criado apenas pelos bancos?", perguntei se sua sugestão era usar apenas o sistema fracionário. No Brasil, como tempos um compulsório alto, os bancos criam pouco dinheiro. Boa parte do dinheiro novo vem do Open Market. Uma parte boa também vem da remuneração desse compulsório. Outra parte vem do dinheiro que pagam os novos títulos da dívida pública, quando são emitidos.

    Com deflação, quem não precisa usar cada centavo do seu dinheiro tem muitas razões para poupar, tirar o dinheiro da economia. É bem melhor segurar o dinheiro que fazer investimentos arriscados.

    E as pessoas aqui respondem com muita ironia. Parece um banco de velhos rabugentos. Se vocês mudarem de atitude, talvez alguém da economia real comece a levar vocês a sério.
  • Leandro  14/04/2014 16:17
    "No Brasil, como tempos um compulsório alto, os bancos criam pouco dinheiro. Boa parte do dinheiro novo vem do Open Market"

    Não!

    No Brasil, todo o dinheiro -- absolutamente todo o dinheiro -- que existe na economia foi criado pelo sistema bancário. Todo, sem exceção.

    Ao contrário do que muita gente pensa, o Banco Central não joga dinheiro na economia. Ele podia fazer isso até o ano 2000, quando a Lei de Responsabilidade Fiscal o proibiu. Tudo que ele pode fazer é dar dinheiro aos bancos que, por sua vez, jogarão o dinheiro na economia.

    Repito: são os bancos, e apenas os bancos, que jogam dinheiro na economia. Não tem nada disso de "boa parte do dinheiro novo vem do Open Market". Dinheiro criado no mercado aberto fica nas reservas bancárias dos bancos para fins de compensação interbancária. Esse dinheiro não entra na economia. O dinheiro só entra na economia quando bancos concedem empréstimo. (Para provar que tal fato é totalmente aceito, veja esta reveladora monografia feita por ninguém menos que o Banco Central da Inglaterra).

    Outra coisa: a expansão do crédito no Brasil (criação de dinheiro) ocorre a uma das mais altas taxas do mundo. Ela varia entre 15 e 30% ao ano (veja o gráfico aqui), ao passo que nos outros países tal taxa raramente fica acima de 10%.

    Dizer que, nos Brasil, "os bancos criam pouco dinheiro" é um acinte, algo que beira o escárnio.

    Por fim, compulsório já se revelou um mecanismo completamente inócuo. Tanto é que vários países desenvolvidos (e de baixa inflação) já o aboliram ou o reduziram a níveis insignificantes.

    "Uma parte boa também vem da remuneração desse compulsório".

    De novo: dinheiro que remunera compulsório fica nas reservas bancárias, que atendem ao mercado interbancário. Esse dinheiro não entra na economia.

    "Outra parte vem do dinheiro que pagam os novos títulos da dívida pública, quando são emitidos."

    Argumento totalmente circular. Você está simplesmente dizendo que o dinheiro é criado do "dinheiro que pagam os novos títulos da dívida pública". Ué, e de onde vem esse dinheiro que paga os novos títulos da dívida pública?

    Resposta: o dinheiro é criado pelos bancos e entregue ao Tesouro.

    "Com deflação, quem não precisa usar cada centavo do seu dinheiro tem muitas razões para poupar, tirar o dinheiro da economia. É bem melhor segurar o dinheiro que fazer investimentos arriscados."

    Esse deve ser um dos maiores mitos de teoria econômica. Trata-se de um raciocínio comum, mas completamente equivocado. Não apenas a teoria explica por que ele está errado, como também ele nunca se concretizou na prática.

    Por essa lógica, não haveria um único investimento em produtos tecnológicos -- de máquinas fotográficas e celulares, passado por iPads, laptops e desktops --, pois tais produtos vivenciam uma deflação de preços há décadas.

    O seu erro está em ignorar o conceito de preferência temporal. As pessoas sempre irão preferir consumir um produto hoje a consumir este mesmo produto daqui a um ano. Em um cenário em que todos os preços estejam caindo, essa propensão ao consumo presente será ainda mais forte, pois o indivíduo sabe que, daqui a um ano, seu dinheiro terá ainda mais poder de compra, o que diminui sua urgência em poupar. Se ele sabe que terá mais poder de compra no futuro, então seu temor em relação à sua renda futura é menor, o que aumenta sua propensão ao consumo presente.

    Mesmo sabendo que um carro estará $3.000 mais barato daqui a dois anos, você ainda assim irá comprá-lo hoje, pois sabe que daqui a dois anos seu dinheiro estará valendo mais. Não obstante seu gasto de hoje, você terá maior poder de compra para aquisições futuras. É justamente o fato de você saber que terá maior poder de compra no futuro o que não irá restringir seu consumo presente.

    Além do mais, você não pode postergar sua demanda por alimentos, roupas, moradia e alguns outros bens.

    Em termos práticos, houve contínua deflação de preços nos EUA na segunda metade do século XIX, após a Guerra Civil. Os preços caíram de 1865 a 1913 (data de criação do Fed). Não obstante essa deflação, esse foi o período de maior crescimento e enriquecimento da história americana.

    Adicionalmente, caso este seu raciocínio fosse válido, absolutamente nenhum produto eletrônico (que apresenta deflação ano após ano) jamais teria sido comprado na história da humanidade.

    "E as pessoas aqui respondem com muita ironia. Parece um banco de velhos rabugentos."

    Juro que não entendo. As pessoas vêm aqui e falam um monte de incorreções técnicas, mas sempre com um inabalável ar de superioridade. Aí, quando elas são gentilmente corrigidas (veja a minha paciência acima), em vez de demonstrarem gratidão, saem esperneando e dizendo que foram tratados por rabugentos.

    "Se vocês mudarem de atitude, talvez alguém da economia real comece a levar vocês a sério."

    Aquela mesma "economia real" que está hoje sob o comando de gênios incompreendidos (e incompreensíveis) como Mantega, Dilma e Tombini? É neles que devemos nos espelhar e a eles que devemos aspirar?
  • Miron  14/04/2014 18:20
    Leandro, boa resposta. Deu pra ver que você sabe muito sobre o sistema financeiro quando comenta sobre a expansão do crédito nos outros países. Não gostei do comentário do Carlos, acho que não foi nada construtivo. Só queria entender o texto.

    Em algumas coisas a gente se desentendeu, como quando você falou "No Brasil, todo o dinheiro -- absolutamente todo o dinheiro -- que existe na economia foi criado pelo sistema bancário. Todo, sem exceção." Isso é claro, inquestionável. "Tudo que ele pode fazer é dar dinheiro aos bancos que, por sua vez, jogarão o dinheiro na economia". Foi isso mesmo que eu quis dizer.

    "Dinheiro criado no mercado aberto fica nas reservas bancárias dos bancos para fins de compensação interbancária. Esse dinheiro não entra na economia. O dinheiro só entra na economia quando bancos concedem empréstimo". Isso é óbvio, não quis dizer o contrário. Só não fico falando o passo a passo do que acontece, resumindo: através do mercado aberto o Banco Central cria dinheiro que entra na economia através dos Bancos. E quando os Bancos acham que o SELIC tá remunerando bem a reserva compulsória, ele não faz nem questão de colocar esse dinheiro novo na economia, prefere receber do governo em vez de receber das pessoas.

    "Argumento totalmente circular. Você está simplesmente dizendo que o dinheiro é criado do "dinheiro que pagam os novos títulos da dívida pública". Ué, e de onde vem esse dinheiro que paga os novos títulos da dívida pública?" Realmente foi argumento circular, mas e daí?

    Só acho que se o dinheiro continuar constante e a produção aumentar, com deflação, quem já tem muito dinheiro (não digo classe média), não vai se incomodar em investir esse dinheiro. Além disso, limitar o dinheiro que existe numa economia parece uma limitação para o Homem. No curto prazo pode ser que a deflação faça alguém que recebe um salário fixo permita que essa pessoa possa consumir mais e viver melhor, mas duvido que os salários também não fossem sofrer deflação.

    Se o dinheiro pode ser criado pelo homem (como pelo sistema bancário), porque fazer do homem comum servo do dinheiro em vez de seu senhor?
  • Leandro  14/04/2014 19:58
    "Só acho que se o dinheiro continuar constante e a produção aumentar, com deflação, quem já tem muito dinheiro (não digo classe média), não vai se incomodar em investir esse dinheiro."

    Se não investirem, não haverá aumento da produção. Sem aumento da produção, não há como haver deflação de preços.

    "Além disso, limitar o dinheiro que existe numa economia parece uma limitação para o Homem. No curto prazo pode ser que a deflação faça alguém que recebe um salário fixo permita que essa pessoa possa consumir mais e viver melhor, mas duvido que os salários também não fossem sofrer deflação."

    Aumentos salariais dependerão da produtividade. Nos EUA da segunda metade do século XIX, os salários reais dispararam, pois os preços caíram e os salários nominais cresceram. E o desemprego foi quase nulo.

    De novo: produtividade.

    "Se o dinheiro pode ser criado pelo homem (como pelo sistema bancário), porque fazer do homem comum servo do dinheiro em vez de seu senhor?"

    Ora, mas é justamente no atual arranjo que o homem é servo do dinheiro. Atualmente, o dinheiro só entra na economia por meio de endividamento. Não há outra maneira de o dinheiro passar a existir que não seja pela contratação de uma dívida, seja ela pública (governo) ou privada (pessoas e empresas).

    Não há forma maior de escravidão do que ser servo de uma dívida.

    É justamente por isso que libertários defendem o padrão-ouro (ou outros arranjos, como cripto-moedas). Neste arranjo, o dinheiro é escavado do solo e entra na economia sem que ninguém tenha que necessariamente se endividar.

    Outro arranjo que dispensa a dívida é o de colocar o BC financiando diretamente o Tesouro, desta maneira jogando dinheiro diretamente na economia. O Brasil fez isso com maestria na década de 1980, e o resultado foi visto nas alterações diárias de preços. Acho que não queremos isso de volta.
  • Miron  14/04/2014 20:35
    "Se não investirem, não haverá aumento da produção. Sem aumento da produção, não há como haver deflação de preços". Sim. Alguém, com muito dinheiro, pode limitar o investimento. É claro que isso também acontece hoje, mas se algum bilionário hoje prefere guardar dinheiro, ele vai perder, a inflação vai transferir o dinheiro dele pra bancos que recebem o dinheiro novo, e esse dinheiro novo é emprestado pra quem quer ou precisa produzir ou consumir.

    Num sistema com dinheiro fixo, alguns ainda vão querer consumir mais do que outros, e pra isso vão precisar de crédito, provavelmente emprestado com juros. Essa pessoa pegaria x emprestado e ia dever x + juros, como hoje, e logo haveria mais dívida que dinheiro na economia, exatamente como funciona hoje. De qualquer maneira, o homem continua servo do dinheiro. Você vê alguma forma de resolver isso? Tirando ouro do meio, por favor. Alguma coisa com moeda fiduciária, que dá menos trabalho inútil.
  • Leandro  14/04/2014 21:12
    Não existe esse negócio de "guardar dinheiro". Hoje, nenhum milionário "guarda" dinheiro em casa. O dinheiro está sempre aplicado em algum ativo, seja ele tangível (imóveis) ou intangível (ações ou qualquer aplicação financeira). O que interessa é que, em última instância, esse dinheiro está necessariamente em alguma conta bancária. E, estando em algum banco, esse dinheiro compõe reservas, as quais dão folga para os bancos emprestarem mais, e a juros menores.

    Portanto, esqueça essa historinha inventada por Keynes de que ricos "entesouram" dinheiro. Isso não existe.

    Mesmo em ambiente de deflação de preços, qualquer aplicação bancário trará algum juro, mesmo que seja ínfimo (caso contrário, os bancos simplesmente sofrerão uma corrida bancária e irão à falência). E esse pequeno juro já é melhor do que deixar o dinheiro fora do banco, sem render nada.


    "Num sistema com dinheiro fixo [...]"

    Ninguém aqui defende um sistema com dinheiro fixo, simplesmente porque isso exigiria uma enorme intervenção estatal. Em um sistema livre, a escolha do dinheiro seria voluntária. E isso, por si só, já faria com que a oferta de pelo menos uma dessas moedas fosse variável. Aliás, para ficar num exemplo bem simples, um sistema livre permitiria a circulação de dólares e euros. Ora, qualquer exportação faria com que a oferta de dólares e euros aumentasse dentro do país. E nenhum libertário coibiria isso.

    Quantidade fixa de dinheiro é apenas uma construção teórica que ajuda a entender melhor vários fenômenos econômicos. Mas não é algo exequível na prática.

    "De qualquer maneira, o homem continua servo do dinheiro. Você vê alguma forma de resolver isso? Tirando ouro do meio, por favor. Alguma coisa com moeda fiduciária, que dá menos trabalho inútil."

    Ué, como assim? Você pede arranjos alternativos, mas já sai proibindo alguns de antemão? "Quero saber quanto é dois mais dois, mas por favor não diga que é quatro!"

    Se você quer dinheiro fiduciário, criado do nada e sem lastro nenhum, então o atual arranjo lhe serve perfeitamente. Não há por que querer mudá-lo. Você pode, no máximo, melhorá-lo um pouco com um Currency Board.


    P.S.: gentileza postar as respostas no devido lugar, clicando em "Responder" logo abaixo do comentário ao qual você está respondendo. Caso contrário, fica uma bagunça ininteligível.
  • Jacob  13/07/2015 01:03
    No caso do ouro, que pode ser tanto uma mercadoria quanto uma moeda, o valor de uma quantidade de ouro (como moeda) não seria inevitavelmente quanto essa mesma quantidade vale como mercadoria? Qualquer arranjo diferente deste certamente convergiria para um equilíbrio, correto?


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