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O papel da quarta proposição fundamental de J. S. Mill na teoria austríaca dos ciclos econômicos

Obs: o artigo a seguir é uma versão resumida de um texto escrito especialmente para a futura revista acadêmica do IMB.  Para ver o artigo em seu formato original, com análise gráfica, veja aqui.

 

1. Introdução

A Quarta Proposição Fundamental de John Stuart Mill (1806-1876), formulada em 1848, no Livro I, capítulo V, dos Principles, na forma de um aforismo ("demanda por commodities não é demanda por mão-de-obra"), é um dos elementos decisivos para distinguir a "macroeconomia" dos austríacos e, particularmente, a de Hayek, da macroeconomia convencional. Nos modelos macroeconômicos modernos, de tintas keynesianas ou não, gastos de consumo e de investimento movem-se sempre no mesmo sentido. Mill, contudo, sugere que a demanda por bens de consumo e a demanda por investimentos podem mover-se em sentidos opostos. É lamentável que Keynes, noventa anos depois, demonstrasse não ter compreendido sua essência e enveredado pelo caminho dos "agregados macroeconômicos", no que foi seguido, infelizmente, pelos monetaristas, o que influenciou de modo negativo toda a macroeconomia ensinada nas universidades e — o que é pior — as práticas dos governos em todo o mundo, desde os anos 30 do século XX até hoje.

A Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE) plantada por Menger, formulada por Mises em seu tratado monetário de 1912, desenvolvida posteriormente por Hayek nos anos 30, explicada magistralmente por Rothbard e outros austríacos de renome e compatibilizada com a macroeconomia convencional de maneira bastante criativa por Roger Garrison, é formada por sete elementos, que podem ser assim isolados [ver, para maior profundidade, meu Ação, Tempo e Conhecimento, cap. 7]:

(1º) o processo de mercado; (2º) a doutrina da poupança forçada; (3º) a estrutura de capital da economia; (4º) o papel de coordenação intertemporal da taxa de juros; (5º) o efeito Ricardo, o efeito taxas de juros, o efeito preços relativos e o efeito concertina; (6º); a teoria hayekiana do conhecimento e (7º) a Quarta Proposição Fundamental de John Stuart Mill. 

Neste artigo, queremos mostrar o papel que o último desses elementos desempenha na TACE. Antes, parece conveniente, para evitar eventuais ataques de puristas, ressaltar que, embora, obviamente, a Escola Austríaca não contenha algo que se possa chamar de "macroeconomia", não existe nada de errado em utilizar este termo para que possamos compará-la com as teorias alternativas, das quais as principais são a teoria keynesiana e o monetarismo. Como diriam alguns, "Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha"... De resto, os assuntos tratados pela macroeconomia e pela TACE são rigorosamente os mesmos.

2. As quatro proposições fundamentais de John Stuart Mill

A famosa Quarta Proposição decorre das três primeiras. No entanto, essas últimas parecem envoltas em certo mistério, para quem não leu os Principles of Political Economy de Mill, ou seja, da maneira como anda o ensino de economia hoje, infelizmente, para dez em cada dez economistas jovens. Por isso, para que o leitor não se pergunte por que apenas nos referimos à Quarta Proposição sem fazer qualquer referência às três primeiras, vamos descrevê-las aqui. A Quarta é uma extensão lógica das três primeiras, vale dizer, existe coerência lógica interna entre elas. É importante termos em mente que o quarteto é um resumo da posição dominante clássica na época de Mill e, portanto, anterior ao livro seminal de Menger, o famoso e fenomenal The Principles of Political Economy, de 1871. Vamos aos enunciados das três primeiras proposições:

Primeira: "A indústria é limitada pelo capital" (e, adicionalmente, "todos os aumentos de capital proporcionam, ou são capazes de proporcionar, empregos adicionais na indústria, e isso sem um limite atribuível").

Segunda: "O capital é o resultado da poupança".

Terceira: "A poupança não é um abismo, um negativo, uma ausência, mas é uma utilização produtiva real dos recursos" (e, ainda, "o capital, embora poupado, é o "resultado" da economia e, não obstante, também é consumido)".

E a Quarta Proposição?

Que tal passarmos a palavra ao próprio Mill, no original [The Principles of Political Economy, Book 1, Chapter 5, Section: Fundamentals propositions respecting capital, 9.9]?

[9.9] Passemos agora para um quarto e fundamental teorema a respeito do Capital, o qual é, talvez, mais frequentemente desconsiderado ou mal interpretado do que qualquer um dos anteriores.  O que mantém e emprega a mão-de-obra produtiva é o capital utilizado para colocar a mão-de-obra para trabalhar, e não a demanda por compradores pelos produtos da mão-de-obra quando estes estiverem finalizados.  Demanda por commodities não é demanda por mão-de-obra [negrito nosso].  A demanda por commodities determina em qual setor específico da produção a mão-de-obra e o capital deverão ser empregados; ela determina a direção da mão-de-obra; mas não a quantidade de mão-de-obra empregada ou o valor de seu pagamento.  Isso vai depender da quantidade de capital ou de outros fundos diretamente voltados para a manutenção e a remuneração da mão-de-obra.

Para a maioria dos economistas de hoje, isto soa ou como absurdo ou como incompreensível, porque o keynesianismo inoculou em suas mentes exatamente o oposto. No mundo keynesiano a demanda por mercadorias representa enfaticamente a demanda por mão-de-obra, embora esta seja uma demanda derivada daquela. Esta suposição implícita de que adquirir mercadorias (ou quebrar vidraças, como escreveu Bastiat) contribui para empregar trabalhadores — que a Escola Austríaca sempre rejeitou — é que Mill estava tentando negar. Ele estava querendo demonstrar que comprar mercadorias não é o mesmo que empregar o fator de produção trabalho e que aumentos na demanda por mercadorias, ou seja, por bens de consumo, podem até mesmo fazer diminuir o número de pessoas empregadas. Precisamos entender como a lógica dessa proposição depende claramente da validade das três proposições anteriores. Este é nosso passo seguinte.

3. A coerência entre as quatro proposições de Mill

Iniciemos tomando as duas primeiras proposições: (1ª) a indústria é limitada pelo capital; (2ª) o capital é criado pela poupança.

Em primeiro lugar, notemos que o capital proporciona a base para a produção, que pode ser sob a forma de bens de consumo ou de investimento, sendo que estes servem para aumentar o próprio estoque de capital. A poupança é assim definida por Mill: "consumir menos do que o montante produzido é poupar; e este é o processo mediante o qual o capital aumenta".

Correto, mas devemos lembrar, à guisa de parêntesis que, para os austríacos, no entanto, a poupança não é simplesmente a diferença entre produção e consumo — isto é simplesmente entesouramento —, mas é determinada essencialmente pelas preferências intertemporais, em que a taxa de juros determina quanto vai ser consumido hoje e quanto de consumo será postergado para o futuro, ou seja, poupado hoje!

Se a demanda por bens de consumo aumenta, levando em conta que a capacidade da economia de produzir é limitada por sua base de capital, esse aumento no consumo deve diminuir o nível de investimento, ou seja, a produção de bens de capital. Esse aumento na demanda por bens de consumo pode se dar ou por políticas de estímulo à demanda por esses bens ou por uma diminuição no desejo de poupar por parte dos agentes econômicos. No caso keynesiano, obviamente, se dá pelo primeiro motivo.

Como consequência o desvio da produção de bens de capital para a produção de bens de consumo vai diminuir a taxa de crescimento global da economia, porque o crescimento do capital produz impactos maiores sobre a capacidade de crescimento da economia do que o aumento do consumo. Esse movimento para mais consumo e menos investimento tem um efeito imediato sobre a acumulação de capital, mas também um efeito de longo prazo, na medida em que a economia ficará restrita em sua capacidade de acumular capital por meio do próprio crescimento do produto. origem dos eixos.

O aumento na demanda por mercadorias diminui a oferta de poupança e também provoca uma queda equivalente na geração de capital. Com o passar do tempo, esse nível mais baixo de investimento reduzirá a capacidade de produzir tanto mercadorias como capital, restringindo novamente o crescimento do capital no longo prazo.

Em segundo lugar, Mill está convencido de que não é a compra de bens e serviços que gera emprego, mas sim a sua produção, sua oferta. Nisto, podemos dizer que foi um austrríaco. O que a demanda determina é o que deve ser produzido (notemos a harmonia dessa afirmativa com o pensamento de Menger e toda a tradição austríaca)! Em suas próprias palavras:

A demanda por commodities determina em que ramo específico da produção o trabalho e o capital devem ser empregados; ela determina a direção [preferiríamos dizer o sentido] do trabalho.

É a decisão prévia de produzir, tomada pelas empresas, que determina o nível de
produção e isso vai  depender da quantidade de capital disponível. O produto cresce quando a oferta de capital aumenta. A quantidade de produto é determinada essencialmente pela quantidade de capital. Devemos notar, no entanto, a ausência nesta análise de um fator importantíssimo na Teoria Austríaca, que é a Estrutura de Capital da Economia. Com efeito, Mill  parece considerar o capital como algo homogêneo e agregado, composto pelo estoque acumulado, até a data presente, de investimentos em máquinas, equipamentos, instalações e construções, ou seja, o capital físico.

Isto entra em choque flagrante com a análise austríaca — desenvolvida brilhantemente por Böhm-Bawerk — que trata o capital como uma estrutura bastante heterogênea ao longo dos diferentes estágios da estrutura de produção, desde os que produzem bens de capital (bens de ordens mais elevadas) até os que produzem bens consumo (ou bens de ordens baixas, sendo que os bens de consumo final, na nomenclatura adotada por Menger, ainda em 1871, são chamados de bens de primeira ordem. Para os austríacos, portanto, o capital não se resume a máquinas e equipamentos, mas a todos os insumos que estão sendo utilizados nos diferentes estágios do processo de produção, aí incluída a mão de obra e o tempo de produção em cada estágio ou etapa desse processo.

Com o nível de produção determinado pela quantidade de capital, uma queda nesta última geraria também uma queda no nível de produção. O desvio de esforço produtivo (investimento) para o consumo presente ocorrido no primeiro estágio diminuiu o montante de capital disponível e isso vai provocar queda correspondente no nível de produção Em essência, isto está correto, mas não podemos deixar de lado o que escrevemos há pouco, que, não sendo o capital um simples agregado, assim como o produto, essas quedas não são uniformes ao longo da estrutura de capital da economia.

Por fim, aparece o efeito da queda dos níveis de produção sobre o nível de emprego. Mill acrescenta uma condição adicional, a de que os salários reais deveriam pelo menos ser mantidos:

Eu entendo que, se por demanda por trabalho se entende a demanda pela qual os salários aumentam, ou o aumento no número de trabalhadores no mercado de trabalho, a demanda por commodities não se constitui em demanda por trabalho.

Com a queda no valor do capital puxando para baixo o salário médio real que pode
ser pago, o efeito de uma queda na produção é uma queda na procura de trabalho ao nível atual do salário real. Uma vez que é a disponibilidade de capital no agregado o que importa - o que é muito mais do que apenas o "fundo de salários", pois inclui todo o
estoque de itens de capital que podem ser utilizados no processo de produção - a redução
de capital se traduziu em uma redução na demanda por trabalho. Como Mill escreveu:

Cada adição ao capital dá para o trabalho: ou empregos adicionais ou remunerações adicionais

A conhecida função de produção neoclássica relaciona o nível de produto com o nível de emprego. Então, a queda na produção, mantido o salário real  provoca uma queda no nível de emprego. Portanto, um aumento na demanda por consumo levou a uma queda no nível de emprego, contrariamente ao que o keynesianismo suporia mais de oitenta anos depois. Conclusão correta, mas que padece do mesmo defeito apontado anteriormente: não é correto tratar a mão de obra, o consumo e o emprego de mão de obra como agregados, já que, como a produção é composta por estágios, em cada um destes haverá um mercado de trabalho específico, com oferta e demanda e as quedas não serão uniformes, pelo contrário, serão desiguais ao longo da estrutura de produção.

A Quarta Proposição segue, então, das três primeiras. Ela mostra que um aumento na demanda por mercadorias (consumo presente) levaria a uma  queda na demanda por mão de obra, porque desviaria a utilização de recursos da criação de capital adicional - e é apenas a quantidade de capital que suporta maior emprego. Uma queda na quantidade de capital produzido levaria a uma queda no valor de produção e, portanto, a uma redução no nível de emprego, para que os salários reais pudessem ser mantidos  constantes. Mas notemos que essa diminuição na demanda por mão-de-obra não se dará em todos os estágios da estrutura de produção, mas apenas naqueles que produzem bens de ordens mais elevadas, distantes, portanto, do consumo final.

Por "commodities", é claro que Mill está se referindo ao uso da base de recursos de uma economia para produzir formas de produto não geradoras de crescimento, que não fornecem uma base para aumentar o nível de emprego. Para Mill, a produção de bens e serviços não utilizados para agregar valor ao estoque total de capital, ou como insumos em uma empresa produtiva, mas sim como mercadorias para serem vendidas em um armazém, ou como bens e serviços comprados pelos assalariados, não podem aumentar o nível de emprego ao salário real existente.

E este é o ponto de Mill, na concepção neoclássica. Foi uma conclusão que satisfez toda uma geração de economistas e é difícil ver de que forma ela estaria errada. É certamente um argumento válido em seus próprios termos e contexto. É sempre possível aumentar o emprego ao mesmo tempo, se o salário real médio cair. Mas se o objetivo da política (para Mill) é manter ao mesmo tempo o emprego e tornar a comunidade mais próspera, então o foco deve ser na acumulação de capital em seu sentido mais amplo, o que significa que esse conceito deve incluir as mudanças tecnológicas e, possivelmente, até o desenvolvimento de habilidades (capital humano, conceito que não era conhecido por esse nome na época). Apesar de os austríacos discordarem de políticas econômicas, essa conclusão de Mill não anula o fato elementar de que a essência do crescimento econômico é a acumulação de capital, que acontece mediante investimentos e não por estímulos ao consumo presente. Vidraças quebradas só oferecem ganhos para vidraceiros e para a indústria de vidros.

Resumindo a Quarta Proposição: um aumento na demanda por consumo desvia esforços produtivos da acumulação de capital e, portanto, das formas de produção que podem suportar ou apoiar o nível de emprego. Demanda por mercadorias não é demanda por trabalho!

4. Hayek e a Quarta Proposição

A interpretação austríaca da Quarta Proposição pode ser extraída das palavras de Hayek:

Antes de prosseguir, no entanto, será aconselhável a restabelecer  a proposição de Mill de uma forma que não deixa dúvidas sobre o seu significado exato. Em primeiro lugar, é provavelmente claro que o modo como a doutrina tem sido geralmente colocada precisa ser corrigido, como temos feito,  para substituir bens de consumo por "commodities", e que a demanda por "commodities" terá de ser descrita não como uma simples quantidade, mas como uma demanda ou curva que descreve as quantidades de bens de consumo que serão comprados a preços diferentes. Em segundo lugar, o teste para saber se a demanda por "bens" dos consumidores é  "demanda por trabalho" (ou, podemos dizer,  demanda pura por inputs) deve ser claramente se um aumento na curva de demanda por bens de consumo aumenta a curva de demanda por inputs (e se uma queda da primeira reduz a última), ou se uma alteração na demanda dos consumidores de bens não causa "mudança na mesma direção, ou talvez mesmo, uma mudança na direção uma mudança na direção oposta, para a demanda pura por inputs. [negritos nossos]

Aí parece bastante claro que Hayek tinha em mente a estrutura de capital que caracteriza a Escola Austríaca.

Este é o ponto de Hayek! Tal como interpretou o efeito-Ricardo não como a simples substituição de homens por máquinas e sim por substituições entre bens de ordens mais elevadas por bens de ordens menos elevadas ao longo da estutura de capital, a Quarta Proposição de J. S. Mill, para Hayek, significa que consumo e investimento, definidos não como agregados, mas como compartimentalizados em estágios, podem e devem normalmente variar em sentidos opostos.

Hayek interpreta o aforismo da Quarta Proposição, sugerindo que Mill procurava enfatizar que é precipitado incorporar demandas derivadas em economia política e tirar conclusões a esmo. As teorias macroeconômicas modernas, em que as demandas pelo produto final e pelos fatores de produção movem-se sempre no mesmo sentido, parecem não dar importância a essa advertência. Esta é a Quarta Proposição de Mill segundo Hayek!

5. A quarta proposição e a TACE

Mill, então, alertou para o perigo da incorporação de demandas derivadas em economia política, mas nas teorias macroeconômicas modernas as demandas pelo produto final e pelos fatores de produção movem-se sempre no mesmo sentido.  Assim, na conhecida equação de corte keynesiano Y = C + I, em que Y representa o produto "agregado", C o consumo "agregado" e I o investimento "agregado", se um dos componentes da demanda (C, por exemplo) estiver subindo (caindo), então o outro (I, no caso), necessariamente, também estará subindo (caindo). Essa suposição — errada! — é base para todo o keynesianismo, com seu conhecido efeito multiplicador. Se mostrarmos que ela é falsa, todo o keynesianismo cai por terra! E não é difícil fazer isso.

A formulação austríaca reconhece que as duas demandas podem mover-se em sentidos opostos e essa atenção para com a Quarta Proposição distingue a "macroeconomia" de Hayek — e, por conseguinte, a Escola Austríaca — da macroeconomia keynesiana.

Se o consumo presente está caindo, isto não significa necessariamente que a demanda por trabalho e por outros fatores também esteja caindo: pode significar que a propensão a poupar esteja aumentando e, portanto, que o consumo futuro também vai crescer, o que, se for incorporado às expectativas dos produtores, poderá fazer crescer a produção de bens de consumo futuros e, assim, aumentar a demanda por trabalho no período atual.  Para Hayek, em um dado período, os gastos de consumo e de investimento podem e, em condições de pleno emprego (ou de nível natural de emprego), devem mover-se em sentidos contrários.

Mutatis mutandis, se o consumo está aumentando (como consequência, por exemplo, de uma disposição menor a poupar), isto não significa automaticamente que a demanda por trabalho e por outros insumos componentes da Estrutura de Capital esteja também subindo: pode significar que o desejo de poupar esteja caindo e que, portanto, o consumo futuro também vai cair - porque a formação de capital vai declinar e não será lastreada na poupança, que diminuiu -, o que, quando incorporado às expectativas dos produtores, poderá diminuir a demanda por trabalho imediatamente.

Este deslocamento de recursos entre bens de ordens inferiores ("consumo") e bens de ordens superiores ("investimento") e entre os diversos estágios da estrutura de produção — os efeitos Ricardo, preços relativos, taxas de juros e concertina — é que leva à coordenação intertemporal ou à sua ausência: coordenação, quando o deslocamento é provocado por alterações nas preferências temporais e falta de coordenação quando é causado por manipulações monetárias, por crédito não lastreado em poupança.

Como vimos, a demanda por fatores de produção é estritamente uma demanda derivada e, embora não haja qualquer objeção a esse conceito no âmbito microeconômico de análise de equilíbrio parcial, extrapolar, como fez Keynes, da empresa ou da indústria para a economia como um todo e afirmar que a demanda da economia por mão de obra é derivada à la Marshall da demanda por bens de consumo é incorrer na conhecida falácia da composição, que consiste em se admitir que o que é verdade para uma parte do sistema, então também é verdade para todo o sistema. Vejam que isso nos leva à própria macroeconomia! Por exemplo, se a quantidade de pães fabricados por um trabalhador em uma padaria for muito elevada num determinado dia, o rendimento dos seus colegas aumentará, embora a produção dos mesmos possa até ter sido menor naquele dia; porém, se todos os trabalhadores na padaria conseguirem produzir quantidades muito grandes de pães, o rendimento do conjunto poderá ser mais baixo. Se concluíssemos o contrário, incorreríamos na falácia da composição.

A teoria keynesiana, no entanto, não se restringe à demanda por bens de consumo, mas a todas as formas de gastos: quanto maior a demanda agregada, maior a demanda por mão de obra. Este é o ponto fundamental da análise do tipo C + I + G + X - M, sintetizado no início dos anos 40 por Alvin Hansen e John Hicks nas famosas "curvas IS e LM".

Hayek reconhece que no âmbito macroeconômico consumo e investimento podem mover-se em sentidos opostos e esse reconhecimento é básico em suas críticas a Keynes, que desprezou a Quarta Proposição de Mill, já que, na sua visão, isto se daria apenas no caso especial e improvável de uma economia no pleno emprego. Mas consumo e investimento podem se mover no mesmo sentido apenas quando o nível de ociosidade de recursos se move no sentido oposto. Não há custos de oportunidade (ociosidade passada não é um custo) associados a ter mais de ambos os componentes da atividade econômica. Com efeito, foi o desprezo de Keynes em relação à Quarta Proposição de Mill que levou Hayek a se referir à economia keynesiana como "economia da abundância".

Em um ensaio de 1928, Hayek mostra como o mecanismo de preços relativos do mercado desloca recursos das atividades de consumo para atividades de investimento em resposta a mudanças nas preferências intertemporais. Ele mostra como uma queda na demanda por produtos (isto é, no consumo corrente), pode ser associada com um aumento na demanda por trabalho e  outros inputs no espectro temporal da estrutura de produção, permitindo assim um aumento no nível de consumo futuro. Estes são os mecanismos de mercado, cuja existência ou é negada ou ignorada ou negligenciada por Keynes.

Eis a essência da TACE: com taxas de juros artificialmente baixas, os consumidores reduzem a poupança e passam a consumir mais, e os empresários aumentam seus gastos com investimento. E então se cria um desequilíbrio entre poupança e investimento. Tem-se uma economia com crescimento insustentável. Essa é, em suma, a lição da crítica austríaca aos bancos centrais, desenvolvida nos anos 1920 e 1930.

Com bastante clareza, o Prof. Roger Garrison observa que, quando as pessoas optam por poupar mais, elas mandam dois sinais aparentemente conflitantes para o mercado: o primeiro é que consumo menor enfraquece a demanda por bens de capital que estão próximos — em termos temporais — do produto final de consumo. Esse é o efeito derivado da demanda. E o segundo é que uma taxa de juros menor, que significa empréstimos a custos menores, estimula a demanda por bens de capital que estão distantes, em termos temporais, do produto final de consumo. Esse é o efeito do desconto temporal — ou simplesmente o efeito da taxa de juros.

Os efeitos derivados da demanda e do desconto temporal estarão em conflito apenas se o "investimento" for concebido como um simples agregado — como é na fórmula keynesiana C + I + G. Na "macroeconomia" da Escola Austríaca, o capital — logo, o investimento — é concebido como uma estrutura. Mudanças na demanda por investimentos, portanto, produzem efeitos distintos sobre os vários estágios da produção (que podem sofrer adições ou subtrações) que compõem a estrutura de capital.

A teoria de Keynes, feita em termos de agregados, negligencia não só a teoria austríaca do capital, mas qualquer outra teoria do capital. Isso motivou Hayek a afirmar de que "os agregados do Sr. Keynes escondem os mecanismos mais fundamentais da mudança". (Para quem desejar aprofundar-se na análise Garrison, aconselhamos o vídeo de sua lecture The Austrian Theory of the Business Cycles, que pode ser acessado em https://www.youtube.com/watch?v=5rJceunyCwU)

6. Paradoxo da poupança?

Para a Escola Austríaca, o famoso paradoxo da poupança de Keynes é um absurdo! Segundo Keynes, qualquer redução nos gastos resultaria em excessos de estoques, que por sua vez causariam cortes na produção, demissões e espirais baixistas na renda e nas despesas. A economia entraria em recessão e os empresários iriam investir menos. A "solução" que ele apresentou foi que o governo aumentasse os seus dispêndios. Esse paradoxo da poupança sugere, então, que aumentos na disposição de poupar gerariam desemprego e é, com todas as letras, uma balela! Os ciclos econômicos são provocados por poupança de menos e investimentos demais, e não — como acreditava Keynes — por poupança demais e investimentos de menos.

Sempre pensando em "agregados", Keynes sustentava que o mercado atua perversamente, impedindo que a poupança e o investimento se "equilibrem". Partindo do pressuposto de desemprego e ociosidade de recursos como regra geral, defendia políticas contracíclicas fiscais e monetárias, e, em última instância, uma "socialização abrangente do investimento". Já Friedman, incontestável defensor dos mercados, se baseava em níveis ainda maiores de agregados, podendo-se, nesse sentido, dizer que era um "keynesiano". Aliás, é famosa uma de suas frases, "we are all Keynesians". A Teoria Quantitativa da Moeda negligencia a questão da alocação de recursos e as mudanças nos preços relativos, provocadas pelas injeções de moeda na economia, centralizando sua atenção na relação entre oferta de moeda, estabelecida previamente pelos bancos centrais de acordo com uma "regra x", e "nível geral de preços", outro conceito agregado rejeitado pelos austríacos. Se para Keynes a Grande Depressão fora provocada por poupança demais e investimento de menos, para Friedman ela fora provocada por moeda de menos circulando na economia. Isso não lembra, respectivamente, Krugman e Bernanke?

Para estudar a dinâmica da TACE, recomendo vivamente ao leitor a leitura do livro de Roger Garrison, Time and Money: the Macroeconomics of Capital Structure. Recomendo também a coletânea de artigos de Mises, Haberler, Rothbard e Hayek, compilada por Richard Ebeling e com introdução e sumário de Garrison, The Austrian Theory of the Trade Cycle, editada pelo Mises Institute em 1996. E, por fim, o livro memorável de Rothbard, recém editado pelo Instituto Mises Brasil, A Grande Depressão Americana, com introdução de Paul Johnson.

Quando o banco central aumenta a oferta de moeda, o novo dinheiro entra na economia em pontos específicos da estrutura de capital, e não uniformemente, como supõem os keynesianos e os monetaristas. As chamadas "autoridades monetárias", literalmente, criam dinheiro do nada — já que atualmente não se exige qualquer lastro — e o colocam em circulação. Esse novo dinheiro passa a ser visto como poupança (é o mecanismo da poupança forçada ou artificial), um dos sete elementos da TACE a que já nos referimos no início deste artigo. Assim, a oferta de fundos para empréstimos (crédito) aumenta, mas sem que tenha havido qualquer aumento da poupança. Reagindo ao incentivo de uma taxa de juros menor, os agentes (ação humana) passam a poupar menos e a consumir mais. O resultado não será sustentável, mas uma ausência de coordenação que, por algum tempo, fica encoberta pela injeção desses fundos adicionais de crédito. Os bancos centrais criaram um descompasso entre poupança e investimento!

A dinâmica desse ciclo, na linguagem de Mises, gera tanto investimentos excessivos (sobreinvestimentos) como também investimentos errôneos ou maus investimentos. Essas distorções são agravadas pelo sobreconsumo. O cabo de guerra que opõe consumidores a investidores leva a economia para além de suas possibilidades, o que é insustentável. A baixa taxa de juros favorece o investimento, mas as restrições cada vez maiores de recursos impedem que a economia atinja esse ponto. As tentativas dos bancos centrais de proverem cada vez maior liquidez só irão agravar os problemas que eles mesmos criaram, porque seus diretores nunca estudaram a TACE. Alguém aí pensou novamente em Bernanle?

7. Considerações finais

O Prof. Gottfried Haberler, referindo-se às injeções artificiais de crédito na economia, mostra sucintamente como essas emissões provocam falta de coordenação na economia:

... o período de produção é muito mais longo do que o período de circulação de dinheiro.  O dinheiro recém-criado tende a chegar ao mercado para bens de consumo muito antes de os novos processos terem sido completados e já estarem produzindo bens prontos para o consumo [ver obra citada, pág. 57]

Em outras palavras, se um bem leva, por exemplo, oito meses para ser produzido e para ser posto à venda em uma loja de departamentos, a demanda por esse bem acontecerá antes desses oito meses. Isto é ausência de coordenação. Da mesma forma, não existirá coordenação se outro bem leva seis meses em produção até ser posto em uma prateleira de uma loja, mas a demanda por esse bem surgir depois desses seis meses. Na TACE, o elemento que coordena a demanda com a oferta é a taxa de juros. Por isso, quando os governos alteram artificialmente essa variável, a falta de coordenação será um fato líquido e certo. Haverá escassez imprevista ou formação de estoques indesejados.

Em suma, os sete elementos básicos da TACE e, muito especialmente, a Quarta Proposição de John Stuart Mill simplesmente demolem os argumentos keynesianos em prol de estímulos à demanda, não deixando pedra sobre pedra. Estímulos à demanda não aumentam o emprego de mão de obra e costumam mesmo agravar o problema.

O monetarismo, por sua vez, peca pela agregação, por negligenciar a Quarta Proposição de Mill e por também não trabalhar com uma teoria do capital, qualquer que viesse a ser esta. Por isso, o "remédio" receitado por Friedman para combater grandes recessões — injetar moeda maciçamente na economia — para os austríacos não é remédio, mas veneno, porque provoca ausência de coordenação entre poupança e investimento, vale dizer, entre oferta e demanda.

Podemos encerrar enunciando a Quarta Proposição, agora em uma linguagem austríaca: alterações na demanda por bens de consumo não são acompanhadas por mudanças proporcionais na demanda por mão-de-obra. Adicionalmente, uma queda na demanda por bens de consumo pode acontecer porque os indivíduos mostram-se mais dispostos a poupar, o que, sem dúvida, fortalecerá seu poder de compra no futuro. Mudanças na demanda por trabalho não são um simples espelho da demanda por consumo presente, mas refletem alterações nas preferências intertemporais.

 

Referências bibliográficas

Ebeling, Richard M. (ed), The Austrian Theory of the Trade Cycle and Other Essays, Ludwig von Mises Institute, Auburn, AL, 1996 (with an Introduction and Summary of Roger W. Garrison 

Garrison, W. Roger, Time and Money: the Macroeconomics of Capital Structure

Hayek, Friedrich A., Money, Capital and Fluctuations: Early Essays, The University of Chicago Press, 1984

Iorio, Ubiratan J., Ação, Tempo e Conhecimento: a Escola Austríaca de Economia, Instituto Mises Brasil, 2011, 1ª Ed., cap. 7

Mises, Ludwig von, As Seis Lições, Instituto Mises Brasil/Instituto Liberal, S. Paulo, 7ª ed., 2009

 Mises, Ludwig von, The Theory of Money and Credit, Liberty Fund, Indianapolis, s/data

Mises, Ludwig von, Human Action: a Treatise on Economics, Liberty Fund, Indianapolis, 2007

Mill, John S., The Principles of Political Economy, Book 1, Chapter 5, Section: Fundamentals propositions respecting capital

Rothbard, Murray N., A Grande Depressão Americana, Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2012, com Introdução de Paul Johson

Stephen Kresge (ed.), The Collected Works of F. A. Hayek, Part I, Good Money, Liberty Fund, Indianapolis, 1999


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autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Luiz Padilha  21/01/2013 12:08
    Eu queria fazer uma pergunta mais geral, provavelmente relacionada com a TACE, mas relacionada mais com a Escola Austríaca em geral:

    Como nós, pobres mortais que estamos mergulhados em keynesianismo até o pescoço, mas que, no entanto, temos uma compreensão muito maior (e cada dia lendo o IMB, maior ainda) da economia real, podemos tirar vantagem desse conhecimento?

    Por exemplo, eu acredito que a quantidade de crédito imobiliário nesse momento, dirigido pela política populista do atual governo, esteja inflando uma bolha imobiliária. Com efeito, os preços dos imóveis estão absurdamente altos e estou preferindo "entesourar" dinheiro do que contrair uma dívida para pagar um imóvel aos preços atuais. O conhecimento da EA me permite ficar tranquilo fazendo isso... Com o rebote desse crédito farto, a queda dos preços artificialmente inflados vai me encontrar com uma boa quantia entesourada podendo comprar um imóvel a preços mais condizentes com a realidade.

    Que outros exemplos vocês podem dar em que o conhecimento da EA pode trazer vantagem para nós?

    (Essa pergunta pode parecer egoísta... e pensando bem, é mesmo :-) Buscar alguma vantagem financeira (além da satisfação pessoal) por tanto estudo não é crime, certo?)
  • Antônio Galdiano  22/01/2013 10:24
    Vou te dar uma dica: se alguém responder honesta e corretamente, este alguém acabou de ganhar um concorrente.
  • anônimo  22/01/2013 11:43
    Então ninguém vai responder
    Ou se responder é algum tipo de empresário suicida
  • anônimo  22/01/2013 14:19
    www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=189

    ( apesar do arquivo não estar disponível nesta página, procure na app store pela mesma entrevista )
  • mauricio barbosa  21/01/2013 12:13
    Essa abordagem quando é vista na academia é abordada superficialmente e olhe lá,para quem ainda é leigo em economia o resumo da ópera é,a taxa de juros livremente estabelecida no mercado é o termômetro da economia,portanto inflação e aumentos de preços são distorções que ocorrem por conta desta variável ser mal administrada pelo estado,ela é o ponto de equilíbrio da economia.É tudo muito simples e o artigo tenta e consegue explicar porque a demanda por trabalho(manipulando-a taxa de juros é contraproducente no arranjo atual.
  • Bernardo Santoro  21/01/2013 12:21
    E é por isso que eu digo que o prof. Ubiratan foi o melhor professor que eu já tive em qualquer matéria.
  • anônimo  21/01/2013 13:13
    O professor explica:

    "o Prof. Roger Garrison observa que, quando as pessoas optam por poupar mais, elas mandam dois sinais aparentemente conflitantes para o mercado: (...) o segundo é que uma taxa de juros menor, que significa empréstimos a custos menores, estimula a demanda por bens de capital que estão distantes, em termos temporais, do produto final de consumo. Esse é o efeito do desconto temporal — ou simplesmente o efeito da taxa de juros."

    Não ficou clara essa passagem, especialmente se comparada com essa outra: "reagindo ao incentivo de uma taxa de juros menor, os agentes (ação humana) passam a poupar menos e a consumir mais".

    O que eu entendi é que, quando as pessoas naturalmente optam por poupar mais, o excesso de poupança faz com que a taxa de juros caia (competição para ver quem empresta sua poupança pelo menor "preço"). Até aí tudo bem. Mas por que é que necessariamente o dinheiro disponível irá para os setores mais distantes do consumo, e não mais perto, como ocorre quando é o governo que manipula e diminui artificialmente a taxa, como visto na segunda afirmação? É só o fato de, no mercado em que os juros caíram naturalmente, elas já estarem predispostas a poupar e investir?

    Obrigado!
  • Leandro  21/01/2013 13:33
    Uma queda nos juros (não importa qual seja a causa, se expansão artificial do crédito ou genuína poupança) irá estimular investimentos voltados para o longo prazo, justamente porque o custo destes investimentos caiu (ver mais detalhes neste artigo).

    A diferença, no entanto, é que quando os juros caem por efeito do aumento da poupança, o simples fato de as pessoas não estarem consumindo (pois elas estão poupando) libera recursos escassos (capital e mão-de-obra) para serem empregados naqueles investimentos de longo prazo. Ou seja, há uma genuína redução do consumo presente. Não há conflito entre investimentos voltados para o futuro e consumo presente.

    Por outro lado, quando os juros caem por efeito de uma expansão artificial do crédito, não está havendo poupança; está havendo apenas criação de dinheiro. Sendo assim, não houve redução do consumo presente.

    Como a redução nos juros não foi causada por um aumento na poupança (isto é, pela abstenção do consumo), mas sim pela simples manipulação dos juros feita pelo Banco Central, não houve uma liberação de recursos de um setor para ser utilizado em outro setor. Aí começam os problemas.

    Mais dinheiro entrando economia via financiamentos para investimentos faz aumentar a demanda por mão-de-obra na indústria e na construção civil, mas ao mesmo tempo os setores de serviço e comércio continuam precisando de mão-de-obra e recursos, pois não houve aumento na poupança (abstenção de consumo). Assim, começa a haver uma batalha por mão-de-obra e por recursos. Houvesse poupança genuína, a mão-de-obra de um setor seria liberada para outro setor, e os recursos mais demandados por um setor seriam liberados para outros setores. Mas como não há poupança, esses fatores de produção começam a ser disputados via aumentos salariais e aumentos de preços.

    Assim, ao mesmo tempo em que uma construtora passa a demandar mais engenheiros, arquitetos, mestres-de-obras, corretores, vendedores, relações públicas etc., os setores de serviço e comércio continuam demandando com a mesma intensidade esses profissionais, pois as pessoas não estão poupando, o que significa que o consumo segue aquecido em todos os setores -- a redução dos juros, como dito, não veio da poupança, mas sim da criação de dinheiro pelo Banco Central.

    No final, os preços sobem generalizadamente, a expansão do crédito é reduzida, e todos esses investimentos que foram estimulados pela expansão artificial do crédito entram em colapso, pois nunca houve uma demanda genuína por eles. Como os consumidores estão mais endividados e o nível geral de preços da economia aumentou, a demanda irá cair. Aí começa a recessão.
  • Tábata Mendonça  21/01/2013 13:42
    Levando em consideração tudo isso que foi dito, podemos dizer que o Brasil está fazendo muitos investimentos ruins, já que tivemos um PIB reduzido devido ao baixo investimento ?

    E podemos ver claramente que o Brasil investe cada vez mais no setor imobiliario, e esse poderia ser tal investimento ruim ?
  • Leandro  21/01/2013 14:13
    Correto para ambos. Ver mais detalhes gráficos aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1347
  • Renato Souza  23/01/2013 21:20
    Tabata

    Nos EUA foi muito claro que os investimentos imobiliários foram ruins. Aqui é menos claro, porque a bolha não é tão grande. Investimentos ruins são aqueles que empobrecem as pessoas e empresas que investiram. No Brasil, algumas construtoras e incorporadoras já começaram a ter prejuizos.
  • anônimo  21/01/2013 13:47
    São conceitos que são omitidos nos cursos de graduação em Economia. Parabenizo a equipe do IMB e a iniciativa do Prof. Iorio no desenvolvimento da revista acadêmica.

    Agora, a tal da mais valia, os "oppression studies" e o desenvolvimentismo, esses sim, são amplamente difundidos e forçados goela abaixo das pessoas. Não há debate racional, só apelação emotiva e politicagem.

    Sou professor do departamento de Economia de uma universidade localizada em uma região pobre do Brasil e fico abismado com a falta de pluralidade no ensino.

    Até 2007, o curso basicamente possuía professores que eram monetaristas e adeptos da escola das expectativas racionais. Havia alguns marxistas e keynesianos, mas ainda dava para ter alguma conversa, pois havia certa liberdade de argumentação.

    Aí chegou o tal do REUNI. Foram contratados marxistas, aquela turma da UNICAMP e da UFRJ.

    Tentem adivinhar o que aconteceu.

    Em nome da "pluralidade" esse professores baniram diversas disciplinas de cunho liberal do currículo e encheram de conteúdos Keynesianos, Schumpeterianos, Kaleckianos, Langeanos, do Celso Furtado, Estudos Comunitários (até hoje, o conteúdo disso é um mistério) e o marxismo tomou proporções absurdas (juntamente com seus adendos: propaganda revolucionária, fortalecimento do CA e do DCE, desinformação e outras coisas que se eu disser, vão descobrir quem sou eu).

    O espaço que outrora era relativamente livre para discussão hoje se tornou uma verdadeira mesa de bar com um discursos inflamados e carregados de tons revolucionários. Os alunos ficam tomados por uma besta que eu me surpreendo com o grau da aproximação dos instintos primais que esses facínoras, que tenho que chamar de colegas, provocam nos alunos.

    Não há espaço para a discussão de novas formas de política, outros modelos estatais ou até mesmo sobre os efeitos da ausência de tal ente a curto e a longo prazo sobre uma comunidade.

    A partir deste fato, consigo perceber o argumento de Mises sobre a diferença entre o ser humano e o animal não humano: o primeiro possui a capacidade de reprimir racionalmente sus instintos. E a cooperação social no mercado talvez seja o ambiente onde o racionalismo possa atingir seu ápice.

    Acho que devo convencer o chefe do departamento a colocar uma churrasqueira, mesas de plástico, uma banda de pagode e a fornecer cerveja durante as aulas. Quem sabe assim os recursos são alocados de forma mais eficiente.

    Peço desculpas por eventuais erros do idioma. É que estou com pressa.

    Parabéns mais uma vez.
  • Rudson  21/01/2013 13:50
    "Obs: o artigo a seguir é uma versão resumida de um texto escrito especialmente para a futura revista acadêmica do IMB. Para ver o artigo em seu formato original, com análise gráfica, veja aqui."

    O IMB vai lançar uma revista??
  • Arthur M M  21/01/2013 17:30
    Sei que este não é o lugar correto para divulgar, mas já viram essa notícia ? economia.ig.com.br/2013-01-21/apos-crise-letonia-e-vista-como-modelo-de-austeridade.html
  • Rodrigo Bicalho  21/01/2013 23:49
    Muito interessante o artigo.

    Isso me estimula a ler o livro do John Stuart Mill.
    Tinha ficado com uma impressão errônea dele nas minhas aulas de história do pensamento econômico que ele defendia que o salário pago aos trabalhadores era o salário de subsistencia , que a intervenção do estado era boa para erradicar pobreza e monopólios ( O todo é melhor que um só , ou seja , um utilitarismo "comunista") e aquela bobagem de estado estacionário no longo prazo.

    Não sei se o Mill realmente disse essas coisas, ou se , como dito pelo professor na primeira aula, teriamos aula de história do pensamento econômico privilegiando a interpretação marxista da história.

    Enfim, Excelente artigo...
    Palmas para Ubiratan!
  • amauri  22/01/2013 09:56
    Bom dia Leandro!
    Militantes petistas já estao dizendo que ao termino da gestao Dilma (2014) o Brasil ocupará a posicao numero 3 do PIB mundial. Quando diziam que o Brasil se tornaira a sexta economia achei dificil, e ficou. Será possivel que se chegue a terceira economia do mundo? abs
  • Renan  22/01/2013 16:17
    Leandro, a TACE me desperta muito interesse. Já tem quase uns 2 anos que eu venho matutando sozinho sobre uma premissa básica dela, a que a firma que para haver investimentos é necessário abstenção do consumo. Eu não me sinto seguro quento a validade desta premissa, mas acho que a teoria permanece intacta sem ela. Concordo plenamente que a redução artificial da taxa de juros desencadeia os efeitos destrutivos na estrutura de capital, mas não concordo que para haver um refluxo de bens de capital e demais insumos das etapas finais e intermediárias para as etapas iniciais é necessário que exista uma poupança enquanto durar a expansão da estrutura de capital.

    Suponha que a ultima etapa da produção produza uma quantidade X1 de bens e serviços e utiliza uma quantidade K1*X1 de recursos da etapa anterior, onde K1 é menor que 1 e sendo X1 a quantidade produzida pela etapa imediatamente anterior. Suponha ainda que exista uma retroalimentação (1-K1)*X1 do que é produzido na penúltima etapa para sustentar a produção da primeira etapa. O mesmo raciocínio vale para as etapas anteriores até chegar a primeira etapa. O que eu quero dizer é que, se a demanda por bens e serviços da etapa final da produção for tal que o lucro desta etapa não seja maior que o das demais, esta etapa não será mais atrativa que as outras e nela não serão feitos mais investimentos. Ou seja, esta etapa não desviará recursos necessários às outras etapas e, consequentemente, a produção pode, se não crescer, pelo menos se manter estável(considerando a taxa de depreciação dos bens de capital e a sua reposição). Isto é possível com uma demanda que iguale a oferta de bens de consumo e serviços?

    Vou partir da premissa de que para haver investimento sustentável é necessário liberação de recursos e que esta, por sua vez só acontece se os consumidores pouparem, e vou levar estas premissas até as últimas consequências para demonstrar que a sua premissa fundamental não é 100% válida, ou seja, que não é preciso sempre ter um consumo menor que a oferta de bens de consumo e serviços para manter a estrutura de capital estável, isto é, com um fluxo de recursos destinado a repor o capital consumido.

    Vou tentar mostrar, a partir da situação em que a população diminui sua preferência temporal(e consequentemente do consumo) para incentivar as etapas inciais da produção, que preferência temporal e a poupança caminham em sentidos contrários no início e que, enquanto os investimentos nas etapas iniciais da produção não se converterem em uma quantidade maior de bens e serviços presentes, ocorre uma diminuição da produção nas etapas finais da estrutura de capital, diminuição esta sustentada pelo consumo dos estoques acumulados pela redução inicial do consumo, até que estes estoques se esgotem e a oferta desta etapa passa a ser igual á quantidade produzida, que é igual ao consumo, e que esta situação dure por um tempo antes dos efeitos do alargamento e engordamento da estrutura de capital.

    Supondo que a redução da preferência temporal das pessoas diminua para sustentar um alargamento da produção e não se altere até que elas tenham mais bens e serviços disponíveis nas etapas finais. Afinal, poupar hoje é para depois de um tempo consumir mais, e neste meio tempo é necessário consumir pouco. Se a saída dos empreendedores das etapas finais da produção(que obviamente acontecerá, devido a uma diminuição do consumo) for mais rápida que o movimento de alta da produção das etapas iniciais em direção as etapas finais, os estoques de bens e serviços da etapa final serão consumidos e até que a oferta desta etapa se iguale a demanda, e esta situação poderá durar até que os efeitos do alargamento da estrutura cheguem a etapa final. Neste lapso de tempo, o consumo será igual a oferta de bens e serviços, ou seja, poupança zero. Mas esta situação não é insustentável, pois ela está lastreada numa preferência temporal menor que por sua vez liberou recursos para as etapas finais.

    Qual é a prova do lastro? Uma menor produção da etapa final demanda menos recurso da etapa penúltima liberando recursos desta para as últimas. Observe que o efeito derivado da demanda(menor demanda da última etapa pelos seus recursos) é parcialmente compensado pelo efeito derivado da demanda das últimas etapas(as últimas etapas demandam mais), e este, por sua vez, é derivado da diminuição da taxa de juros, lastreada inicialmente em poupança de bens e serviços(enfatizo aqui o inicialmente, poi depois de um tempo, como mostrei, a poupança volta para zero, o mesmo não acontecendo com a poupança monetária aplicada no banco, e esta, juntamente com os recursos liberados, movimenta a expansão da economia). Digo parcialmente porque o custo de oportunidade das etapas finais aumentam com a diminuição da taxa de juros e o inverso acontece com as etapas inciais(quanto mais longe da etapa final um investimento está, mais distante está no tempo o grosso dos seus retornos, pois demora mais para a população experimentar um aumento de renda provocado pelo aumento da produção e quanto menor é a taxa de juros, menor é a preferência temporal, portanto mais a longo prazo é o planejamento das pessoas para aumentar o seu consumo. Observe que é uma combinação de dois efeitos, maior renda num futuro distante com maior disposição para gastar neste futuro), e consequentemente, menos atrativas são estas etapas, resultando que elas demandam menos recursos das anteriores. Ou seja, a última etapa libera recursos produzidos pela penúltima, a penúltima libera menos ainda, e assim sucessivamente. Estes recursos liberados são empregados nas primeiras etapas.

    Observe, então, que a poupança zero não é sinal de investimento zero, muito menos investimento insustentável, pois, como demonstrado, uma produção baixa na etapa final destinada a prover um baixo consumo de bens e serviços, ambos provocados pela diminuição da preferência temporal, liberam uma maior quantidade de recursos para as etapas iniciais. Observe que nesta situação o consumo está baixo e a poupança também. Se a poupança não chegou a zero, pelo menos diminuiu drasticamente. Como a etapa final da produção está demandando pouco recurso para a sua produção, a etapa anterior está produzindo uma quantidade maior para as inciais, e assim sucessivamente, a tal retroalimentação que falei lá em cima. Esta situação é totalmente sustentável.

    Veja que eu parti da própria TACE para mostrar uma limitação dela mesma. Claro que sem poupança inicial não há liberação de recursos para o alargamento da estrutura de capital, mas manter esta suposição durante todo o processo exigiria concluir que o consumo teria que diminuir continuamente no tempo, pois, como é verdade que a produção de bens e serviços responde à diminuição do consumo, e se é verdade a suposição de que como o consumo deve ser menor que a oferta, uma nova diminuição do consumo deveria acontecer para fazer frente a esta nova oferta reduzida de bens e serviços, ou seja, esta suposição leva retroalimentação dupla em que uma variável(produção na etapa final) inevitavelmente diminui com a diminuição da outra(consumo) e esta, por sua vez, é exigida para ser menor que a primeira(a própria exigência de consumo menor que a produção, se levada a cabo, é uma retroalimentação). Vejo aqui a teoria da engenharia de controle saltando os olhos.

    Ou seja, a tal vilipendiada espiral descendente é uma consequência não só de se tratar o capital como agregado, como foi dito acima, mas também da suposição de que a poupança deve sempre ser maior que zero.

    De resto, a teoria está perfeita. Sou fã incondicional da TACE, com esta única ressalva que eu espero ter demonstrado ser errada.
  • Leandro  22/01/2013 17:05
    "Já tem quase uns 2 anos que eu venho matutando sozinho sobre uma premissa básica dela, a que a firma que para haver investimentos é necessário abstenção do consumo."

    Ainda não li o resto de seu texto, mas tive de interromper aqui. A TACE não afirma "que para haver investimentos é necessário abstenção do consumo". É possível haver investimentos sem que o consumo seja reduzido. Basta você criar dinheiro do nada e emprestar para as empresas. E é exatamente isso o que ocorre nas economias atuais. A questão é o que ocorrerá aos investimentos financiados desta maneira, bem como o que ocorrerá a toda a economia. O que o TACE faz é justamente estudar as consequências deletérias de tal medida.

    "mas não concordo que para haver um refluxo de bens de capital e demais insumos das etapas finais e intermediárias para as etapas iniciais é necessário que exista uma poupança enquanto durar a expansão da estrutura de capital."

    Nem a TACE diz isso. Quando há uma expansão artificial do crédito, isto é, quando há mais dinheiro entrando economia via financiamentos para investimentos, isso faz aumentar a demanda por mão-de-obra na indústria e na construção civil, mas ao mesmo tempo os setores de serviço e comércio continuam precisando de mão-de-obra e recursos, pois não houve aumento na poupança (abstenção de consumo). Assim, começa a haver uma batalha por mão-de-obra e por recursos. Houvesse poupança genuína, a mão-de-obra de um setor seria liberada para outro setor, e os recursos mais demandados por um setor seriam liberados para outros setores. Mas como não há poupança, esses fatores de produção começam a ser disputados via aumentos salariais e aumentos de preços.

    Assim, ao mesmo tempo em que uma construtora passa a demandar mais engenheiros, arquitetos, mestres-de-obras, corretores, vendedores, relações públicas etc., os setores de serviço e comércio continuam demandando com a mesma intensidade esses profissionais, pois as pessoas não estão poupando, o que significa que o consumo segue aquecido em todos os setores. Há um "cabo de guerra" por recursos, e estes irão para aqueles setores que pagam mais. No cenário de expansão do crédito, quem pagará mais são aqueles setores que receberem o dinheiro recém-criado primeiro, e estes tendem a ser as indústrias (pois são elas que pegam grandes volumes de empréstimo, e não o comércio ou o setor de serviços).

    Ou seja, não é necessário que exista uma poupança para que os recursos sejam desviados das etapas finais e intermediárias para as etapas iniciais. Isso ocorre também com a expansão do crédito. O problema está justamente nas consequências disso.
  • Renan  22/01/2013 17:23
    ""Já tem quase uns 2 anos que eu venho matutando sozinho sobre uma premissa básica dela, a que a firma que para haver investimentos é necessário abstenção do consumo."

    Ainda não li o resto de seu texto, mas tive de interromper aqui. A TACE não afirma "que para haver investimentos é necessário abstenção do consumo".

    Eu me expressei errado, eu quis dizer investimentos sustentáveis.

    ""mas não concordo que para haver um refluxo de bens de capital e demais insumos das etapas finais e intermediárias para as etapas iniciais é necessário que exista uma poupança enquanto durar a expansão da estrutura de capital."

    Nem a TACE diz isso. Quando há uma expansão artificial do crédito, isto é, quando há mais dinheiro entrando economia via financiamentos para investimentos, isso faz aumentar a demanda por mão-de-obra na indústria e na construção civil, mas ao mesmo tempo os setores de serviço e comércio continuam precisando de mão-de-obra e recursos, pois não houve aumento na poupança (abstenção de consumo). "

    Novamente, eu me expressei errado. O que eu quis dizer é que pode haver este refluxo de bens das etapas finais e intermediárias para as iniciais sem haver o tal cabo de guerra.

    Por favor, leia toda a minha objeção e veja que o ponto principal dela é que uma redução do consumo para sustentar a expansão da estrutura de capital implica em uma redução da poupança a médio prazo. Isto porque esta redução do consumo reduz a produção de bens finais, reduzindo assim a diferença entre a oferta destes bens e o consumo dos mesmos e, portanto, reduzindo a poupança.
  • Leandro  22/01/2013 17:50
    Não faz nenhum sentido. Você está dizendo que a redução do consumo implica diminuição da produção de bens finais, e que tal diminuição da produção de bens finais fará com que o consumo destes bens seja relativamente maior. Isso é rocambolesco.

    No final, você deturpou o conceito de poupança. Se houve redução do consumo, então houve poupança. Logo, por definição, haverá mais recursos disponíveis, os quais poderão ser utilizados na produção de novos bens para suprir esta "diferença entre a oferta destes bens e o consumo dos mesmos". O sistema de preços, o qual você em momento algum mencionou, irá ajustar esta suposta discrepância. Surgirão oportunidades de lucro sempre que essa discrepância que você invetou surgisse.

    Acho que este artigo, bem como o gráfico contido nele, pode ajudá-lo a compreender melhor a questão de como a estrutura do capital se expandiria com poupança.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=992
  • Régis Antônio Coimbra  22/01/2013 17:49
    acho que levei uma meia hora para ler o texto e não entendi cada passo. Penso, no entanto, que entendi o argumento geral ou principal: a poupança (acúmulo de capital) é essencial para o investimento e sustentável aumento de consumo; o aumento pela demanda de bens de consumo incitado artificialmente por intervenções do estado (bancos centrais emitindo moeda ou baixando juros) tende a diminuir ainda mais a poupança (e não só desempoçando a poupança) e assim a viabilidade de investimentos na produção de bens, bem como gerando um terrível ruído sobre no que investir - pois a demanda por bens de consumo aumenta muito rápido, muito antes de dar tempo da produção atender à demanda, o que leva à inflação -... e, bem, segundo o autor, isso prova pro A mais B que Keynes estava errado, Hayek estava certo e Mill anteviu tudo, hehe...

    Se entendi certo, discordo. A argumentação está quase certa, mas trata o tempo de modo diferente em alguns pontos em que deveria tratar igual. O efeito a médio e longo prazo parece ser esse mesmo, mas não vejo na argumentação uma consideração adequada da resiliência do sistema de preços e de produção, dos fatores que podem aumentar ou diminuir essa resiliência e dos níveis ótimos em que certa dose da receita keynesiana pode funcionar.

    É típico da escola austríaca raciocinar em termos de tudo ou nada e não fazer cálculos intermediários. Talvez não seja possível calcular os níveis ótimos de keynesianismo, mas reconhecer que algum grau há.

    E, claro, o problema da escola austríaca é eleitoral. Os votos são uma demanda de curtíssimo prazo e um político muito "austríaco" não se elegerá e sua política fracassará inclusive pelo efeito de gastança que permitirá ao sucessor, que se reelegerá.
  • Leandro  23/01/2013 13:02
    "e dos níveis ótimos em que certa dose da receita keynesiana pode funcionar."

    Quais são esses "níveis ótimos"? Qual seria a "certa dose" e qual especificamente seria a "receita keynesiana"? Mais ainda: o que significa uma receita keynesiana "poder funcionar"?

    Você precisa definir seus termos antes de expressá-los. E, ao expressá-los, deve ser claro em suas ideias, explicando exatamente o que você está dizendo. Caso contrário, sua opinião será vápida.

    "É típico da escola austríaca raciocinar em termos de tudo ou nada e não fazer cálculos intermediários. Talvez não seja possível calcular os níveis ótimos de keynesianismo, mas reconhecer que algum grau há."

    Além de recorrer a um espantalho que possui grande apelo entre os leigos e ignaros ("raciocinar em termos de tudo ou nada"), você acabou de se contradizer. Em um parágrafo disse que há "níveis ótimos em que certa dose da receita keynesiana pode funcionar". Agora já está dizendo que "talvez não seja possível calcular os níveis ótimos de keynesianismo, mas reconhecer que algum grau há."

    De novo: qual é esse grau? Como reconhecê-lo se é impossível calculá-lo? Mais ainda: se é impossível calculá-lo, como reconhecê-lo e atacá-lo com eficácia?

    No fundo, isso é apenas a velha arrogância daqueles que se acham capazes de gerenciar a sociedade: quando julgam que algo está errado, já querem logo sair regulando a sociedade, impondo pacotes econômicos, aumentando gastos do governo e dizendo a todos como cada um deve agir.

    "E, claro, o problema da escola austríaca é eleitoral. Os votos são uma demanda de curtíssimo prazo e um político muito "austríaco" não se elegerá e sua política fracassará inclusive pelo efeito de gastança que permitirá ao sucessor, que se reelegerá."

    Concordo plenamente. Exatamente por isso a democracia é um sistema destruidor de riqueza e que sempre leva a economia rumo ao socialismo. Apenas os populistas promotores da redistribuição de riqueza e da distribuição de benesses têm chance. Não há exceção a essa regra.
  • Regis Antonio Coimbra  23/01/2013 13:53
    Entendo que não deve ter dado tempo de ler com atenção e a resposta é meio padrão. Em todo caso, não pretendi ser arrogante, mas breve, e ressalvei que tive dificuldades de entender todos os passos (não por culpa do autor) e que apenas suponho (sabendo que posso ter falhado) ter entendido o argumento geral.

    Em todo caso, posso detalhar alguns dos pontos não de crítica, mas de retorno. Meu comentário não precisa ser entendido como uma tentativa de refutação, mas como um retorno, na linha: "entendi assim e, se for assim..."

    O que caracterizei de modo abreviado (afinal, não se trata de outro artigo, mas de um comentário) por "raciocínios à base do tudo ou nada" posso detalhar um pouco mais. A escola austríaca geralmente não faz cálculos quantitativos, mas de proporção; não faz cálculos de tempo do tipo "em tantos meses" mas do tipo "no final". Não é necessariamente um defeito, pode ser entendido como uma opção e, mais, uma opção com bons fundamentos... mas não deixa de ser "um problema" (aspas porque se não tem solução, não é um problema) que se não tem solução precisa de uma justificativa - por exemplo... algo como: cálculos com a pretensão preditiva quantitativa sobre valores no tempo são ilusórios e só aumentam a confusão (ou ilusão) de precisão. Em todo caso, não lembro desse argumento no que li de Mises e Hayek (pode e espero que seja minha falha), ou de outro autor afim.

    Também não sei se há níveis ótimos de "keynesianismo". Por "keynesianismo" refiro-me de modo telegráfico à qualquer pretensão de intervir na economia supostamente sabendo o que se está fazendo, inclusive apresentando fórmulas e cálculos quantitativos sobre quanto, quanto tempo, com que resultados tendenciais ou mesmo quantitativamente medidos.

    De modo similar, também não sei se é ou não possível calcular. São questões independentes: pode haver um nível ótimo de intervenção, mas não ser possível calcular com precisão relevante. Nesse caso, alguma intervenção emergencial pode ser justificada, mas nenhuma política de médio ou longo prazo pode ser definida com fundamento (isso é, ainda que alguma medida emergencial possa-se justificar, a médio prazo não se sabe se vai ajudar ou atrapalhar, ou vai ajudar em alguns casos e atrapalhar em outros... ou atrapalhar em todos).

    A escola austríaca (para mim não é um espantalho que eu pretenda espancar, é um rótulo ao qual sou mesmo simpático, com a ressalva eleitoral na qual concordamos) ou a imagem que dela consegui formar (um espantalho, talvez, mas não que eu pretenda espancar) frustra-me não por estar errada (e pode estar), mas por não possuir esse esforço de demonstrar mais do que por argumentos gerais que ou quanto falha o keynesianismo (ou intervencionismo, se preferires).

    Meu interesse é apresentar argumentos que possam ser recepcionados pelos keynesianos e pelos demagogos. Algo como "ok, já está dado que vocês vão intervir, gastar dinheiro etc... mas é prudente reduzir isso a certos limites de segurança que se não são ótimos, são menos péssimos". Então, uma fórmula (talvez correta) que diz que toda intervenção é deletéria interrompe qualquer possibilidade de diálogo e, se preferires, de persuasão. A "escola austríaca" tendendo a ficar sempre como uma Cassandra econômica, cujas previsões tem quiçá a virtude de estarem certas e a maldição de não serem ouvidas ou levadas em consideração.

    Li com prazer e admiração Mises e Hayek para fazer um trabalho de conclusão de uma Especialização em Direito e Economia na UFRGS, no qual tentei mostrar como a crise imobiliária dos EUA foi uma falha causada prioritariamente pela intervenção (juros baixos, instituições semi-estatais garantindo créditos imobiliários) e não pela falta de fiscalização, a qual foi uma consequência do tamanho da intervenção e não de falta de intervenção... Mas esbarro nessa falta que identifico talvez por não conhecer um autor crucial que já tratou disso: ok, entendemos como (Mises já explicou)... mas não entendemos quanto (ou entendemos, conforme um autor que ainda não conheço).

    Reitero: pode não ser possível de modo relevante ou qualquer calcular "quanto", mas também não lembro de Mises ou outro ter mostrado esse cálculo. Está claro o argumento de Smith sobre a impossibilidade de um cálculo centralizado e também está claro o argumento de Mises de que, não só não é possível um cálculo centralizado como a ação mais ou menos cega ainda por cima gera ruído, tornando ainda mais cega a ação - e, pior, já não só do ator centralizado, o estado, mas também dos demais agentes, pelo comprometimento do sistema de preços. Penso que estamos de acordo sobre isso.

    No entanto - e, reitero, meu objetivo não é refutar, mas dizer "olha... entendi assim e se é assim, não entendo como... e, ao contrário, desconfio que..." - isso não me parece tratar de modo adequado de alguns problemas como, digamos, "o fato da prosperidade". O "ocidente" (se não um espantalho, um grande saco de gatos) prosperou muito nos últimos 200 anos, de modo crescente. De modo similar, os EUA inclusive nos últimos 20 e poucos anos, mesmo incluindo a crise. Não é fácil defender "o argumento" da escola austríaca em contraponto a esse fato da prosperidade.

    Isso é, pode-se argumentar que sem intervenção a prosperidade seria muito maior e sem grandes solavancos. No entanto... não é possível apontar ainda que de modo aproximado "quanto"? Isso é, além de dize que o keynesianismo atrapalha, mostrar quanto atrapalha?

    Não me parece ser uma curiosidade mórbida ou fútil. Minha preocupação é como dialogar com "keynesianos" que apresentam bonitas fórmulas (ilusórias, de certo) sobre não só a necessidade de intervenção mas de quantidades, metas etc.

    Já vi debates parecidos. Por exemplo, sobre ser possível algum grau de inflação. Quanta inflação a economia pode suportar sem correr riscos muito grandes? Envolve duas questões independentes: quanto é possível suportar (mesmo causando problemas e não trazendo benefícios estritamente econômicos - se é que faz sentido em supor tal abstração de "benefícios estritamente econômicos".

    Outra questão, bem mais ambiciosa, é se algum grau de intervenção gera benefícios... por exemplo, manutenção do pleno emprego ou aumento do crescimento econômico geral.

    A questão do "benefícios estritamente econômicos" é um assunto por si só bastante espinhoso (e de base), pois relaciona-se com o problema "eleitoral".

    Dito de outro modo: dado o problema eleitoral, que ambos reconhecemos, como incluir isso na "escola austríaca"? Não é um problema digno ou que possa ser trabalhado? Pergunto porque, como já argumentei, sem o incluir e sem um plano de diálogo e negociação com a ordem estabelecida keynesiana (intervencionista), a escola austríaca vira uma Cassandra.
  • Tiago Moraes  31/01/2013 01:50
    "O que caracterizei de modo abreviado (afinal, não se trata de outro artigo, mas de um comentário) por "raciocínios à base do tudo ou nada" posso detalhar um pouco mais. A escola austríaca geralmente não faz cálculos quantitativos, mas de proporção; não faz cálculos de tempo do tipo "em tantos meses" mas do tipo "no final"."

    Você novamente cometeu a falácia do espantalho que o Leandro evidenciou, sinceramente você não tem know-how para escrever um post enorme com elucubrações sobra uma tradição econômica cujos fundamentos você não só conhece como inclusive inverte. A sua afirmação, por exemplo, em que a EA supostamente apela para "um tudo ou nada" e ignora o fator tempo é totalmente descabida. Ora, uma das bases críticas da EA em relação ao mainstream acadêmico é justamente o seu vício em modelos de estática comparativa, ao passo que a teoria econômica, segundo a EA, deve partir do princípio de que a atividade econômica deve ser tratada como processos dinâmicos que se modificam continuamente ao longo do tempo, o teu argumento inverte a realidade e coloca o mainstream como defensor de um princípio da EA e a EA como defensora de uma das bases do pensamento matemático do mainstream, isso meu caro, é insuficiência em teoria econômica. Existe sim cálculos quantitativos na EA, a diferença é que para a EA, a matemática é aplicável quando a variável em questão é por natureza quantitativa, diferentemente do mainstream, que estende o raciocínio analítico até mesmo às variáveis subjetivas que não são passíveis de mensuração, a teoria do consumidor é um exemplo disso, para estes aspectos subjetivos da teoria econômica, a EA utiliza a lógica e crítica a aplicação das abstrações esotéricas do cálculo puro.


    Também não sei se há níveis ótimos de "keynesianismo". Por "keynesianismo" refiro-me de modo telegráfico à qualquer pretensão de intervir na economia supostamente sabendo o que se está fazendo, inclusive apresentando fórmulas e cálculos quantitativos sobre quanto, quanto tempo, com que resultados tendenciais ou mesmo quantitativamente medidos.

    Não é que você não sabe, você sabe sim que essa ideia de ótimo é uma particularidade subjetiva do seu raciocínio e a partir dela manifesta a pretensão em sistematizar isso matematicamente, 99% do que é publicado em periódicos acadêmicos segue essa premissa, mas com uma diferença, você ao menos admite não ter ciência do que de fato seria esse ótimo, mas os "doutores" não, eles tem a empáfia de afirmar que as abstrações matemáticas dos modelos que eles elaboram, são fidedignos à realidade. Quando um economista deriva uma função demanda, ele se esquece de avisar àqueles que compõem essa demanda, de que eles devem agir de acordo com que a derivada da função no modelo dele prevê...

    De modo similar, também não sei se é ou não possível calcular. São questões independentes: pode haver um nível ótimo de intervenção, mas não ser possível calcular com precisão relevante. Nesse caso, alguma intervenção emergencial pode ser justificada, mas nenhuma política de médio ou longo prazo pode ser definida com fundamento (isso é, ainda que alguma medida emergencial possa-se justificar, a médio prazo não se sabe se vai ajudar ou atrapalhar, ou vai ajudar em alguns casos e atrapalhar em outros... ou atrapalhar em todos).

    Amigo, a expressão "não sei" e o verbo "calcular" não podem aparecer na mesma frase. Existe um conflito lógico aqui, você sequer pode falar em precisão se você não sabe o valor deste "ótimo". Saber intuitivamente que ele existe seria por tanto irrelevante se você não sabe o seu valor numérico, não haveria condições sequer de mensurar a acurácia do modelo, pois ele não teria fundamento, a não ser que você invente o número para este "ótimo" e tente trabalhar em cima dele, mas você nunca vai saber o quão próximo ou distante estará o "ótimo real" do seu "ótimo hipotético".

    A escola austríaca (para mim não é um espantalho que eu pretenda espancar, é um rótulo ao qual sou mesmo simpático, com a ressalva eleitoral na qual concordamos) ou a imagem que dela consegui formar (um espantalho, talvez, mas não que eu pretenda espancar) frustra-me não por estar errada (e pode estar), mas por não possuir esse esforço de demonstrar mais do que por argumentos gerais que ou quanto falha o keynesianismo (ou intervencionismo, se preferires).

    Você não entendeu o significado da expressão, a falácia do espantalho ocorre quando o debatedor acha que está atacando o objeto, quando na verdade tudo o que ele está fazendo é atacar a ideia equivocada que ele tem deste objeto, ou seja, em nenhum momento você questionou a EA, pois mostrou não ter ciência do que ela de fato propõe e qual é a sua metodologia, você atacou uma suposta ideia particular que você tem da escola, um espantalho que você criou inconsequentemente e que nada tem a ver com a EA.

    Meu interesse é apresentar argumentos que possam ser recepcionados pelos keynesianos e pelos demagogos. Algo como "ok, já está dado que vocês vão intervir, gastar dinheiro etc... mas é prudente reduzir isso a certos limites de segurança que se não são ótimos, são menos péssimos". Então, uma fórmula (talvez correta) que diz que toda intervenção é deletéria interrompe qualquer possibilidade de diálogo e, se preferires, de persuasão. A "escola austríaca" tendendo a ficar sempre como uma Cassandra econômica, cujas previsões tem quiçá a virtude de estarem certas e a maldição de não serem ouvidas ou levadas em consideração.

    Aqui chegamos a um ponto interessante, se você considera que a EA é correta em suas objeções, não seguindo uma base apriorista (que é a linha misesiana) mas uma base chicaguista, que prega que uma teoria correta é àquela que consegue predizer a realidade com acurácia, então sua proposição ficaria em xeque, pois não faz sentido, que uma corrente de pensamento econômico, estando correta, se alie com uma corrente de pensamento econômica comprovadamente errada, porque a mesma está no stabilishment. Até porque, essa aliança demandaria algum tipo de concessão teórica, algo inviável para uma teoria que se supõe correta, aceitar absorver ideias equivocadas de uma outra tradição incompatível (keynesiana) tão somente para se fazer ouvir. Se fizermos isso nos igualaríamos aos socialistas, que não conseguem por em prática, suas ideias contidas no papel, porque fizeram a concessão a ideia de utilizar o Estado como ferramente para seus desígnios, o que culminou com o chamado "Socialismo real".

  • Renan  22/01/2013 19:08
    "No final, você deturpou o conceito de poupança. Se houve redução do consumo, então houve poupança. Logo, por definição, haverá mais recursos disponíveis, os quais poderão ser utilizados na produção de novos bens para suprir esta "diferença entre a oferta destes bens e o consumo dos mesmos". O sistema de preços, o qual você em momento algum mencionou, irá ajustar esta suposta discrepância. Surgirão oportunidades de lucro sempre que essa discrepância que você invetou surgisse."

    Eu vou ler o artigo, mas antes gostaria de esclarecer uma coisa. Acho que você não entendeu o que eu quis dizer. Quando eu disse "diferença entre a oferta destes bens e o consumo dos mesmos" eu não quis dizer que este diferença seria negativa, o que é impossível, afinal, não se pode consumir bens não existentes. O meu ponto é que esta diferença, que é o que eu entendo por poupança, e que é por definição positiva, vai diminuir, podendo chegar a zero. Vai diminuir pois a etapa final da produção será desestimulada por uma menor demanda, caso esta demanda se mantenha baixa. E quanto mais esta diferença diminuir, ou seja, quanto menor for a oferta de bens finais, maiores serão as oportunidades de lucro nesta etapa. Mas o ponto importante é que, novamente, se a demanda pelos bens finais permanecer baixa, os lucros da etapa final tendem a se igualar aos das outras etapas da produção, pois se o lucro aumenta(ou diminui) em uma etapa, mais empreendedores migram(ou saem) para ela, o que aumenta(ou diminui) a oferta diminuindo(ou aumentando) os lucros em tal etapa.

    Se o consumo diminui na etapa final e a oferta também diminui na mesma proporção, e se esta situação se mantém por um tempo, durante este tempo esta etapa que está ofertando menos também está demandando menos recursos que são produzidos na penúltima etapa da produção, liberando recursos para serem usados nas etapas iniciais. O que vai acontecer é que a redução da demanda da última etapa pelos recursos da penúltima é parcialmente contrabalanceada pela maior demanda das etapas inciais, pois elas são estimuladas pela redução da preferência temporal. o mesmo raciocínio vale para a antepenúltima, e assim por diante.

    Ora, me parece evidente que se o consumo diminui de X para X/2, e se a produção da última etapa diminui para X/2, e se esta tendencia dure algum tempo, os estoques diminuirão com o tempo. Isto é ou não é uma situação de diminuição de poupança? Pode acontecer ainda de a diferença entre a oferta e o consumo seja zero. E também parece evidente esta situação libera recursos, afinal, quem seria louco de negar que uma redução de 50% na produção de uma etapa não reduz a demanda desta pelos recursos produzidos pela etapa anterior? Portanto, não necessariamente poupança diminuindo, ou possivelmente zero implica investimentos insustentáveis.

    A não ser que o meu conceito de poupança esteja errado. Para mim, significa bens não consumidos.

    Saudações!
  • Pedro  23/01/2013 19:36
    Olá, eu irei começar meus estudos de economia esse ano numa faculdade federal e já venho acompanhando o site há alguns poucos meses. Devo dizer que eu gostei muito do artigo, mas muitos conceitos, que requeriam conhecimento prévio, fizeram com que a compreensão em alguns momentos fosse muito difícil para mim, leigo. Por isso, fiquei muito contente quando o Prof Ubiratan recomendou leituras para aprofundamento, algo que eu irei fazer com enorme dedicação visto a ausência do ensino destas teorias nas faculdades brasileiras.

    O capitalisminstitute.org escreveu em seu site um guia para iniciantes em economia e libertarianismo, nele são listados 85 livros separados em sete categorias diferentes de leituras recomendadas para um maior aprofundamento de seus leitores. Eu realmente gostaria muito ,e acredito que muitas outras pessoas também, se os IMB pudesse adotar uma iniciativa similar e fizesse uma postagem especial onde seriam listados didaticamente leituras recomendadas para um maior aprofundamento na Teoria Austríaca. Eu vejo que você já fazem isso, mas não da forma organizada que é necessária para um estudo sistemático. As recomendações são muito dispersas pelos artigos e não seguem uma sequência ou separação didática.

    Essa é a minha sugestão, deixarei aqui o link para como foi feito no capitalimsinstitute, embora não se limite apenas a EA www.capitalisminstitute.org/books/.

    Abraços!
  • Marcos  24/01/2013 17:04
    Esse texto me lembra da época em que pegava economia para estudar e não entendia nada. Aquilo não entrava na minha cabeça. Pensava que era por deficiência minha, mas com o tempo fui descobrindo que simplesmente aquilo não fazia sentido. Que diferença para essa lição. Apesar de ser complexa e me demandar mais de uma leitura para apreender os conceitos, não tive aquele instinto de que algo não se encaixava. E o melhor é que me levou a entender mais especificamente o motivo da macroeconomia simplesmente não ser intelectualmente paltável para mim.

    Bom saber que não sou tão burro quanto eu pensava
  • Mohamed Attcka Todomundo  10/03/2013 21:37
    nunca somos tao burros qanto pensamos - somos sempre +.

    mas tudo bem: ignorancia eh um projeto de vida. o dia q a gente achar q sabe realmente de alguma coisa, nossa vida acabou.
  • Henrique  07/07/2015 17:08
    Não sei se minha interpretação está correta, mas segundo a TACE, o capital tem apenas 2 destinos possíveis: consumo ou investimento.

    Entretanto, onde se encaixaria aí o entesouramento? O que aconteceria se um número significativo de pessoas resolvesse guardar dinheiro embaixo do colchão, sem gastar ou investir em produção?
  • Leandro  07/07/2015 17:31
    O entesouramento é também uma forma de poupança (ele representa uma abstenção do consumo).

    O que aconteceria? Vejamos.

    A quantia de dinheiro que passa a ser entesourada estará sendo retirada tanto daquela quantia que seria gasta em consumo quanto daquela quantia que seria gasta em investimentos.

    Logo, não há argumentos para afirmar que haverá algum impacto a priori na proporção entre consumo e investimento.

    Se um indivíduo passa a querer guardar mais dinheiro embaixo de seu colchão, não há razão alguma para supor que esse aumento na demanda por dinheiro irá afetar a proporção da quantidade de dinheiro que ele direciona para investimentos (aplicações bancárias que são subsequentemente emprestadas pelos bancos) e a quantidade de dinheiro que ele direciona para o consumo.

    Tanto seu consumo quanto seu investimento irão cair, porém não há motivos para imaginar que a proporção entre ambos será alterada.

    O que esse aumento na demanda por moeda irá provocar é uma redução tanto nos preços nominais quanto na renda nominal. Porém, não se pode afirmar a priori que a estrutura do capital, a renda real e a taxa de juros serão alteradas.

    Ademais, no atual sistema monetário em que vivemos, aumentos temporais na demanda por dinheiro -- o que causa deflação de preços -- podem ser rapidamente contrabalançados por um correspondente aumento na oferta monetária, tanto da parte do Banco Central quanto dos bancos que praticam reservas fracionárias.

    Essa, repito, não é uma possibilidade meramente teórica; trata-se de algo que de fato ocorre no mundo de hoje. Como os bancos centrais perseguem uma meta de inflação de preços, eles vigorosamente lutam contra qualquer possibilidade de deflação de preços. Logo, no atual sistema monetário, qualquer aumento na demanda por dinheiro gera aumentos na oferta monetária, o que, no curto prazo, impedirá qualquer elevação de juros.

    Portanto, a resposta simples e direta é essa: no curto prazo, haveria queda de preços e da renda nominal. No longo prazo, essa demanda seria contrabalançada por um aumento da oferta monetária.


  • Henrique  08/07/2015 03:07
    Perfeito, Leandro.

    Grato pela costumeira presteza e clareza.

    Abraço.


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