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Peixoto, Eustórgia, Azevedo, Macedo e a tirania dos controles de preços

O bem que o estado pode eventualmente fazer é bastante limitado, mas o mal que pode provocar é imenso. E o que ele nos retira compulsoriamente com suas intervenções na ordem espontânea dos mercados é, foi e será sempre, em qualquer lugar e em qualquer época, muito mais do que ele repõe em termos de serviços prestados aos que o sustentam, ou seja, aos pagadores compulsórios de tributos, eufemisticamente denominados de "contribuintes".

Hoje quero dar um exemplo muito simples do arrasa-quarteirão que o Leviatã, em sua modalidade estado-babá, costuma provocar nas vidas dos indivíduos. Vou explicar com o exemplo dos controles de preços, lembrando dois dados históricos a seu respeito: o primeiro é que eles existem desde os tempos do Velho Testamento, passando por Nabucodonosor da Babilônia, por Diocleciano em Roma, pelo período que antecedeu a Revolução de 1789 em França e por muitos outros casos; e o segundo é que todas essas intervenções dos governos fracassaram rotundamente, sem ao menos uma solitária e "robinsoncruseana" exceção.

Vou dar um exemplo muito simples. Suponha dois consumidores com hábitos alimentares peculiares: Peixoto, que não passa sem comer feijão e não suporta lentilhas e Eustórgia, que se delicia diariamente com lentilhas, mas se recusa a comer feijão. Suponha agora que o governo do país em que ambos vivem resolve estabelecer uma política de preços máximos para o feijão, alegando que se trata de um bem essencial para a população e que seu preço de mercado é muito alto, o que, segundo os tecnocratas e demagogos de todas as épocas "prejudica os pobres e favorece os ricos". Medidas assim costumam ser populares e dão votos para o governo, daí sua insistência nelas ao longo da História.

Os bons economistas sabem que qualquer medida do governo provoca dois efeitos, um de curto prazo, que é o efeito que se vê na nomenclatura de Bastiat e outro que aparece depois, que é o efeito que não se vê, mas que se pode e se deve prever. Sabem também que na maioria das vezes, se os resultados iniciais são bons, os que se lhes seguem são ruins e vice-versa. Bons economistas sabem discernir entre ambos; maus economistas apenas enxergam o primeiro, aquilo que se pode identificar "a olho nu".

Bem, o governo, então, decreta que o feijão não poderá ser vendido por mais do que certo preço P1, inferior ao preço de mercado P0 (que os economistas não austríacos costumam chamar de "preço de equilíbrio"). Felicidade geral em toda a nação! Comentaristas econômicos festejam, economistas intervencionistas aplaudem, consumidores de feijão gritam urra! E o governo, de olho nas eleições que já se aproximam, comemora.

O bom Peixoto, no entanto, que ficara feliz porque o bem que tanto aprecia ficou mais barato, começa a perceber que está ficando difícil encontrar o feijão de sua marca preferida no supermercado em que costuma fazer suas compras. Resolve ir a outros mercados e observa o mesmo fenômeno. Tenta então outra marca, mas também não consegue. Eustórgia, por enquanto, está "na dela", porque a medida do governo não afetou o preço do produto que tanto lhe agrada, as lentilhas.

No momento mesmo em que o governo tabelou o preço do feijão qualquer economista da tradição austríaca já sabia de cor e salteado todas as etapas que se sucederiam. Sabiam que o preço P0 era, naquele momento, o que melhor traduzia as transações voluntárias, as ações dos agentes nos mercados e que ele, como qualquer preço, certamente se alteraria de maneira natural ao longo do tempo, porque as complexas circunstâncias que influenciam o processo de mercado estão em permanente mutação. Sabiam também que o "preço" estabelecido pelas autoridades — P1 — não é um preço, mas uma ficção criada em gabinetes, um pseudo preço, como o denominava Mises.

Por que Peixoto começou a encontrar dificuldades para comprar sua comida favorita? Evidentemente, é porque o governo, ao reduzir "na marra" o preço, criou uma escassez, ou seja, provocou um aumento na demanda de feijão, ao mesmo tempo em que desestimulou a oferta desse produto. Esses fatos, que nada mais são do que efeitos líquidos e certos da ação humana, farão o preço verdadeiro (que não é o que foi fixado pelos burocratas) do feijão subir de P0 para P2  e esse aumento vai alargar a diferença (ágio) entre o preço verdadeiro e o falso,  de (P0 - P1)  para (P2 - P1). O resultado é que Peixoto e todos os demais "peixotos" do país — ou seja, os consumidores de feijão — perderão. Só poderão consumir esse produto os que tiverem condições para pagar o ágio — que certamente não são os pobres que o governo alegou estar protegendo ao baixar a medida. Ou então quem se plantar em uma fila no supermercado por volta das três horas da madrugada, na expectativa de que, quando o estabelecimento abrir suas portas, ele conseguirá o produto, desde que tenha bom preparo físico para correr e chegar à frente dos demais...

E quanto a Eustórgia, "a papa-lentilhas"? Bem, ao estabelecer um preço máximo para o feijão, o governo não mexeu diretamente no preço da lentilha, mas o preço relativo entre os dois produtos se alterou artificialmente: agora, as lentilhas estão relativamente mais caras do que o feijão (porque o preço deste caiu e o da lentilha permaneceu constante). Esse fato, um acontecimento espontâneo nos mercados em reação à agressão que o governo praticou sobre eles, reduzirá a demanda de lentilhas e aumentará ainda mais a demanda de feijão! Portanto, Peixoto e todos os consumidores de feijão perdem, assim como Eustórgia e todos os demais compradores com o seu perfil "lentilhesco".

Os efeitos do controle do preço do feijão pelo governo não param aí. Quer saber por quê? Vou usar um exemplo muito fácil de entender: admita que Peixoto não tenha uma renda alta, mas que goste tanto de feijão a ponto de abandonar a academia em que fazia musculação, para que possa, com o dinheiro que não gastará deixando de "malhar", possa pagar o ágio sobre o preço do feijão e assim não ficar sem seu prato diário favorito. Nesse caso, o dono da academia perderá receita, isso por sua vez afetará seus fornecedores que fabricam aparelhos de treino, bem como funcionários e professores de seu ginásio. É evidente que, quando pensamos em um indivíduo isolado – Peixoto – sua saída da academia produziria distorções bem menos fortes, mas, se pensarmos em todos os consumidores de feijão (cuja demanda, por sinal, é inelástica no Brasil) e nos sacrifícios que vão fazer para continuarem consumindo seu produto predileto, seja abandonando a musculação, seja comprando menos laranjas, menos aparelhos celulares, menos pizzas, etc., podemos formar uma pálida ideia da desordem que a tirania dos controles de preços desencadeia em toda a economia. É evidente que com  Eustórgia e os consumidores de lentilhas aconteceriam efeitos semelhantes. Esta é a história de Peixoto e Eustórgia, ou seja, a história vista pelo lado da demanda. Mas falta o da oferta.

Mas antes de olhar para a oferta, é bom notar que no exemplo eu utilizei dois bens substitutos, mas poderia ter escolhido bens complementares, como, por exemplo, aparelhos de som e DVDs e os efeitos seriam bem parecidos, embora com alguns sinais trocados: se o governo resolvesse fixar o preço dos primeiros abaixo de seu preço de mercado, sua demanda aumentaria e a demanda de DVDs também, o que faria os preços absolutos de ambos os bens subirem. Quanto ao preço relativo, nada podemos afirmar a priori, mas muito provavelmente ele também mudaria.

Vamos agora ao lado da oferta? Bem, para entendermos melhor o comportamento dos produtores de feijão e lentilhas precisamos ter bem claro algo essencial nos mercados: a oferta é sempre mais lenta do que a demanda! Portanto, os efeitos sobre a oferta da agressão governamental à liberdade econômica provocada pela fixação de um preço máximo para o feijão só acontecem depois dos efeitos sobre a demanda que vimos logo aí em cima. Os efeitos iniciais sobre a demanda são os que se veem, enquanto os impactos sobre a oferta são os que se podem e se devem prever; os primeiros são visíveis a olho nu, os segundos não são. Caso o governo insista com sua política populista de tabelar o preço do feijão, os produtores desse bem terão um desestímulo e, com o tempo, alguns (ou muitos, dependendo da situação) deixarão de produzi-lo (deixando de plantá-lo ou diminuindo a área semeada). Consequentemente, a oferta de feijão vai cair no longo prazo, fato que aumentará ainda mais o ágio. Quanto aos produtores de lentilhas, como a demanda pelas mesmas caiu, também serão desestimulados, o que os levará no longo prazo a produzir outros bens, digamos, batatas. Vão todos plantar batatas, mas o certo seria que todos dissessem ao governo; "Vá você plantar batatas e nos deixe em paz"!...

Agora, além de Peixoto e Eustórgia, vamos introduzir mais dois indivíduos, Azevedo e Macedo. Ambos não suportam nem feijão e nem lentilhas, mas mesmo assim serão afetados, porque o ato do Grande Agressor (o estado) de fixar um preço, seja de que produto for, causa reações ao longo de toda a estrutura de capital da economia. Por exemplo — apenas um entre tantos possíveis! — Azevedo pode ser prejudicado porque, embora não coma feijão e nem lentilhas, gosta muito de grão de bico, cujo mercado, cedo ou tarde, também será afetado pelo aumento do preço relativo do grão de bico comparativamente ao feijão.  Então Macedo, que já era um plantador de batatas estabelecido, agora terá que enfrentar novos competidores, aqueles que deixaram de produzir feijão e lentilhas para produzir batatas. Perderam, então, Peixoto, Eustórgia, Azevedo, Macedo, bem como os produtores de feijão, lentilhas e grão de bico. Ganhou o governo, que provavelmente venceu as eleições, pois a fixação do preço máximo foi quase certamente decretada estrategicamente antes das eleições e, portanto, antes que os efeitos nocivos, que lhe roubariam votos, fossem sentidos.

Então, no longo prazo, a boa teoria econômica ensina que: (1) o ágio cresce absurdamente quanto mais tempo durar o controle do preço; (2) os "pobres" não terão mais acesso ao bem, porque não têm condições de pagar o ágio; (3) os "ricos", que podem pagá-lo, aparentemente serão beneficiados, mas só aparentemente, pois terão que pagar muito mais caro pelo bem; (4) o governo só fez a intervenção no mercado de feijão, mas provocou uma reação em cadeia em muitos outros mercados, tanto os dos bens substitutos (as lentilhas do exemplo, mas também grão-de-bico, soja, ervilhas, grãos de milho, etc.) como os dos bens complementares (toucinho, paio, linguiça, couve, laranja, carne seca, etc.); (5) quando governos tentam substituir os mercados mediante a fixação de preços, os efeitos gerados são tão complexos e se estendem de tal firma por toda a economia que se torna impossível saber tudo o que vai acontecer; (6) controles de preços são atos de tirania, porque eles abolem a liberdade econômica de compradores e vendedores transacionarem a preços voluntariamente acordados. Se imaginarmos então um congelamento geral de todos os preços (como aconteceu no Brasil cinco vezes, entre 1986 e 1991), a tirania é ainda mais cruel, porque desorganiza toda a atividade econômica.

Good intentions and unintended consequences! E olhe que mesmo assim estou supondo que as intenções do governo em meu exemplo tenham sido realmente boas, atributo que, sincramente, não acredito que algum governo possa possuir.

Podemos, a partir desse exemplo, extrair duas conclusões mais amplas: a primeira é que o governo, quando mete sua mão na economia, estraga tudo e a segunda é que a boa teoria econômica é simples e fácil de ser entendida por qualquer leigo, porque ela reflete, como a teoria da Escola Austríaca de Economia, o comportamento de indivíduos comuns, aqueles que não têm diplomas nem láureas de economistas, mas que fazem o mundo real funcionar!

A propósito de que dei esses exemplos? Bom, é que tenho muitas razões para supor que a atual equipe econômica não conhece nossos amigos Peixoto, Eustórgia, Azevedo e Macedo, bem como os efeitos que não se veem, mas que podem e devem ser previstos. Cá entre nós, tenho receios de que muitos erros de um passado não muito distante sejam repetidos no Brasil.


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autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Rhyan  14/12/2012 09:43
    Por que é ruim para Eustórgia a diminuição da demanda por lentilhas?
  • Ricardo  14/12/2012 10:13
    Porque a redução da demanda por lentilhas desestimula a continuidade de sua oferta. Menos lentilhas serão produzidas. O preço poderá até subir.
  • Tiago RC  14/12/2012 10:52
    Isso não parece fazer sentido. Tudo o mais constante, uma diminuição na demanda não pode fazer o preço subir, é contraditório. Mesmo no longo prazo, a produção se adaptaria até o ponto em que continue rentável. Com a saída dos primeiros produtores marginais, o preço que caiu com a diminuição da demanda voltaria de fato a subir, mas não vejo por que subiria a um nível superior ao precedente.
  • Ricardo  14/12/2012 11:07
    A redução da oferta é fato, e isso é ruim para o consumidor deste produto, que passa a lidar com gôndolas mais vazias no supermercado. Quanto ao preço, eu disse que ele pode subir, e não que ele vai subir. Tudo vai depender de vários fatores da ação humana.
  • Breno Almeida  14/12/2012 14:13
    Thiago,

    Pensa no custo de frete. Se levar um caminhão de lentilhas do ponto A para o B, custa 1.000 reais e se a capacidade máxima for de 1.000 quilos e a demanda de 1.000. O custo de frete vai ser de 1 real por quilo.

    Se a demanda cair para 500 quilos o custo de frete vai para 2 reais o quilo.

    É claro que a depender da vida útil do produto no estoque e os outros recursos de gestão de estoque podem reduzir o impacto do custo de frete.

    E vale lembrar que dependendo da redução da demanda nem sequer valeria a pena manter uma cadeia de distribuição de lentinha e o resultado seria catastrófico, o desaparecimento da lentinha das prateleiras.
  • Rene  14/12/2012 10:29
    Ainda que no curto prazo ela seja beneficiada com a queda de preços da lentilha, a diminuição da demanda desestimula os produtores, que poderão migrar para outro produto que tenha uma demanda maior, como a batata. Com menos produtores no mercado, o preço da lentilha vai subir já no médio prazo.
  • Rhyan  14/12/2012 17:32
    Eu não sei se é certo ou errado, mas tento entender esses mecanismos imaginando gráficos, sei que na EA não se utiliza muito esses modelos, mas são didáticos.

    Quando eu vejo a curva da demanda deslocar-se para esquerda, imagino que não há nenhuma necessidade de movimentação da curva da oferta para "equilibrar".

    Por isso estou com dificuldades de entender esse médio/longo prazo que traz prejuízos ao consumidor de lentilhas.


    Abraço!
  • Adao  14/12/2012 09:50
    Lembro-me do plano cruzado, o controle sobre o preço da carne e óleo, foi um desespero. As donas de casas faziam fila na porta dos supermercados para comprar carne e corriam atrás onde havia venda do óleo.

    E hoje caminhamos para isso também, você assiste na televisão especialista da FGV, falando(Globo News) sobre os preços para acesso dos mais pobres.

    Trem bala com preços tabelados pelo governo, intervenção no sistema elétrico nacional, vai quebrar as empresas.

    O governo não desiste. República popular e socialista brasileira.
  • TL  14/12/2012 11:58
    Adão,

    no mercado de energia elétrica, os preços aos consumidores cativos (99% das unidades consumidoras) são totalmente tabelados. A ANEEL define o preço que esses consumidores irão pagar e acabou. Não existe mercado algum. Um grupo de burocratas define o valor que você paga em sua residência.

    Já no mercado de consumidores livres (grandes consumidores), existe a possibilidade de contratar energia de uma empresa que não é a concessionária de distribuição da região geográfica. Entretanto o setor é tão regulado, que podemos afirmar que é um pseudo mercado. Pouca coisa se faz no setor sem aprovação da ANEEL.

    Inclusive, quando uma empresa privada/estatal vai fazer melhorias em suas instalações, ela deve utilizar o
    Banco de Preços de Referência ANEEL.

    Entretanto, não pensem que as empresas não gostem da regulamentação. Bem pelo contrário, é garantia legal de grandes lucros.

    Já na área acadêmica, a ANEEL é tratada com um deus pelos pesquisadores/professores brasileiros, uma vez que por lei as empresas do setor são obrigadas a investir em pesquisa e desenvolvimento (professores, e pessoas como eu, têm ótimos lucros; exceto os bolsistas, que ganham menos).

    Não vou me alongar nesse assunto porque eu seria o responsável por uma legião de economistas austríacos com úlcera e depressão.
  • Angelo Viacava  14/12/2012 09:57
    Lembrei da época do cordeiro-mamão. Aqui no RS, quando o Sarney tabelou o preço da carne bovina, os açougueiros começaram a ofertar carne de cordeiro. Com tempo passou-se a desconfiar que poderiam ser até cachorros de rua abatidos, pois não era possível produzir tanto cordeiro de um dia para o outro em substituição às reses que deixaram de ser produzidas e abatidas pelo tabelamento de preços. Mas pra que não passa sem uma carne, até que o cordeiro-cachorro-mamão era bem bom.
  • Antonio Galdiano  14/12/2012 10:10
    Um verdadeiro presente de aniversário.
    Obrigado IMB e professor Iório.
  • José R.C.Monteiro  14/12/2012 13:24
    Saudações, ainda há desorganização provocada pelo estado(sic)que não foi citada pelo professor, o efeito psicológico da desconfiança, esse é eterno, quem sabe está naquilo que é citado por F.Bastiat.
  • Eduardo  14/12/2012 14:01
    Muito bom! Falta a continuação, com os próximos passos do governo. Ao ver o desabastecimento e o mercado negro aparecerem, irá perseguir mercados/produtores que não estejam vendendo seu estoque e fechar mercados/tomar locais produtores que estejam praticando ágio.

    Por fim, alguém vai convencer o governo de que os custos dos produtores estão mesmo altos em relação ao preço, daí ele irá tabelar os preços dos insumos de produção dos bens originalmente tabelados (em valores artificialmente baixos, claro), para manter os custos baixos.

    E assim começa a espiral intervencionista...
  • FABIO  14/12/2012 14:14
    Sugestão de artigo para o Misses.

    Artigo sobre a nova lei de incentivos para a industria automobilistica e a obrigatoriedade de Airbag e abs de serie em todos os carros fabricados no Brasil...
  • Ubiratan Iorio  14/12/2012 14:17
    Caro TL, obrigado por seu inteligente comentário. Mas eu não diria úlcera e depressão, mas ataques de riso, tamanhas são as agressões do estado à ordem espontânea de mercado.
    Um abraço.
  • João Dibo  14/12/2012 16:44
    Se, por exemplo, o produto tabelado pelo Governo for oriundo de um monopólio, o efeito da oferta seria o mesmo?
  • Pedro Valadares  14/12/2012 23:15
    Sim! E isso já acontece. Veja o caso da gasolina. O governo manipula o preço, deixando-o artificialmente baixo. Assim, ele está tornando o alcool menos competitivo e aumento o ágio da gasolina. Além disso, está prejudicando a Petrobrás, obrigando-a a operar abaixo do que o mercado estabelece. Dessa forma, ele faz com que acionistas minoritários percam dinheiro, o que prejudica outros setores que se beneficiariam caso a Petrobrás estivesse lucrando e dividindo esses lucros com os acionistas.
  • amauri  14/12/2012 18:58
    Boa tarde!
    "Pelo padrão das informações, é possível que as melhoras sociais da venezuela sejam decorrentes das ações do governo, que não necessariamente utilizou a alta do petróleo para patrocinar estas reformas, mas que pode ter utilizado esta alta para gastos em infraestrutura que alavavancaram as indústrias do país, como a construção civil e a metalúrgia, sem contar, por óbvio apetroleira.
    Em termos estatíscos, houve sim uma melhora geral nos índices, a destacar o PIB, ainda mais quando consideramos o coeficiente GINI, que é o de disparidade de renda, que caiu de 47.23 em 1999 e caiu para 39 no ano passado. O que preocupa é são as dispesas do país, mesmo que seu crescimento esteja ainda abaixo do crescimento das receitas".
    Li este comentario agora. O problema, por este comentario, da Venezuela é nao respeitar a liberdade de expressao, tem gente querendo copiar o modelo. O Hugo Chaves, sem a truculencia é o cara? abs
  • Leandro  14/12/2012 19:10
    Não. O problema deste comentário que você postou está na total ignorância econômica de quem o fez. Já que a pessoa citou o PIB, eis a seguir o gráfico da evolução do PIB per capita desde 1960. Ele é hoje menor do que foi durante metade da década de 1960 e toda a década de 1970!

    www.tradingeconomics.com/charts/venezuela-gdp-per-capita.png?s=vennygdppcapkd&d1=19600101&d2=20121231
  • David  16/12/2012 21:31
    Leandro, complementando sua resposta, veja que houve um aumento do PIB venezuelano a partir de 2004. Algum esquerdista mais empedernido poderia argumentar que as políticas de Chávez começaram a fazer efeito a partir desse ano, após ele corrigir a "herança maldita" de governos anteriores.

    Mas é preciso lembrar que foi a partir de 2004 que o preço do petróleo começou a disparar. (veja o gráfico aqui: www.energyandcapital.com/articles/market-outlook-energy/655)

    Como, segundo a wikipedia (pt.wikipedia.org/wiki/Economia_da_Venezuela), o petróleo é responsável por cerca de um terço do PIB, é fácil perceber por que, desde 2004, houve um aumento do PIB per capita na Venezuela.

    Ironicamente, um dos efeitos da impressão desenfreada de dólares do FED pode ter sido o de salvar o mandato de Chávez.
  • Leandro  16/12/2012 22:53
    Ótimo complemento, David. Abraços!
  • jose carlos zanrforlin  14/12/2012 19:05
    Não percebi a razão pela qual a oferta e o preço da lentilha haverá de alterar-se pelo tabelamento do feijão. No exemplo, A é um feijãonófago e não consome lentinhas; B é lentilhófago e não consome feijões. Logo, mais uma vez, não vejo como o desestímulo ao plantio de feitão (pelo preço artificialmente baixo) pode afetar o plantio da lentilha, com demanda cativa.

    Desde já agradeço esclarecimento.
    jcz
  • Andre Cavalcante  14/12/2012 19:55
    Olá jose carlos zanrforlin,

    "não vejo como o desestímulo ao plantio de feitão (pelo preço artificialmente baixo) pode afetar o plantio da lentilha, com demanda cativa."

    Primeiro você deve entender que o tabelamento para baixo do valor do feijão vai levar a uma maior demanda e, consequentemente maior consumo, esgotando-se os estoques atuais e levando a falta do produto para a venda tão logo os estoques originais acabem. Como o preço está artificialmente baixo, há um desestímulo a se continuar plantando feijão e, de fato, os produtores podem/irão mudar de cultura. Resultado, no longo prazo, não vai ter feijão e somente vai poder comprar aquele que pagar ágio, ou seja, o mercado vai tentar se ajustar, colocando um preço mais alto. Resultado, no longo prazo o governo não só não conseguiu o intento como piorou este mercado.

    Mas há um porém: quando o preço de mercado do feijão baixar, vários que compravam lentilha, mas não são cativos, vão em busca do feijão mais baixo (porque o preço relativo tornou o feijão melhor do que a lentilha). Então o que acontece é o seguinte: o preço da lentilha também vai baixar, em seguida ao preço do feijão, pela queda na demanda por lentilha. Novamente, pode parecer que foi bom para o consumidor cativo de lentilhas, assim como pareceu que foi bom para o consumidor cativo de feijão, mas logo mais, as lentilhas em estoque também acabarão e não haverá estímulo para produção de mais lentilhas. Em geral, produtos substitutos tendem a ter seus preços mais ou menos vinculados um ao outro. Resultado: ambos saem perdendo: no final não há nem feijões, nem lentilhas suficientes, porque boa parte dos produtores resolveu ir plantar batatas e os preços daqueles produtos acabaram aumentando - basicamente se ajustando às demandas cativas (quem paga ágio ao preço tabelado do feijão ou mais caro, devido a diminuição da oferta, no caso da lentilha)

    O pior é que a espiral não para, pois o aumento na produção de batatas vai alterar o mercado de batatas e assim sucessivamente.

    Abraços
  • TL  15/12/2012 12:06
    Olá André Cavalcante.

    Eu ia escrever uma réplica a você, pois não havia entendido os motivos que tenderiam a exaurir o estoque de lentilha. Entretanto, ao organizar o seu raciocínio de forma cronológica, acabei por entender os motivos.

    T1
    Preço do feijão é tabelado (preço de venda inferior ao custo de produção)

    T2
    Demanda de feijão aumenta
    Demanda de lentilha diminui
    (Consumidores preferem feijão à lentilha, devido ao preço)

    T3
    Estoque de feijão é exaurido (demanda > oferta e preço tabelado)
    Como o preço do feijão está artificialmente baixo, os produtores não têm como fomentar a produção (iriam ter prejuízos, caso contrário). Ainda, os produtores são incentivados a abandonar a cultura do feijão, agravando a situação.

    T4
    Estoque de lentilha tende à exaurir (demanda > oferta)
    Durante T2 e T3, o incentivo para produção de lentilha foi diminuído, devido a diminuição do preço de venda da lentilha.
    Depois que o feijão acabou (T3) e devido ao baixo preço da lentilha (T2 e T3), ocorre um aumento na demanda por lentilhas (T4) [consumidores habituais +consumidores captados pelo baixo preço da lentilha + antigos consumidores de feijão]

    T5
    Como o preço da lentilha não está tabelado, haverá um aumento no preço da lentilha (provavelmente acima do preço da lentilha em T1)
    Aqui, entendemos porque Eustórgia, "o papa lentilha", também é afetado pelo congelamento do preço do feijão.
  • Dalton C. Rocha  14/12/2012 19:12
    Ainda bem que Fernando Collor extinguiu a SUNAB, em 1991. Assim, não há um órgão que possa tabelar preços em larga escala, no Brasil.
  • Cristovam  14/12/2012 22:42
    kakakakaka,

    O riso é porque estou me lembrado do plano cruzado, quando Sarney botou a policia federal pra prender boi no pasto. Absurdo....

    Falou...
  • J. Rodrigues  15/12/2012 00:40
    Hoje precisei socorrer um amigo 'TRABAIADÔ'que ganha a vida consertando aparelhos de ar condicionado e por isso mesmo tem um aparelho de solda que usa oxigenio e glp (botija de 5 kg) para soldar tubos de cobre. O glp acabou e ele me pediu para obter uma recarga para continuar o trabalho. Imediatamente me prontifiquei ir trocar o vasio por um cheio no depósito de gas quando fiquei sabendo que a venda do recipiente de 5kg está PROIBIDA. Proibida por quem e por quê? indaguei. Ninguém soube responder. Só sabiam que está proibida! Como até há bem pouco tempo estava acostumado a comprar essas recargas para lampião de pescaria, fogareiro, etc. e não presenciei nenhuma tragédia diferente das que ocorrem com os botijões de 13 kg achei que estava louco ou então quem proibiu. Mas, logo fiquei sabendo que tem um seu fulano que mora numa rua sem saída num bairro distante (bem escondidinho) que recarrega os "botijõesinhos". Pois é! o mercado pode mais que os burocratas. Só que o "abençoado" seu fulano opera clandestinamente, o consumidor não sabe quantos kg tem na botija e nem tem referência de preço, mas agradece pelo fato do seu fulano prestar tal serviço que de outra forma o meu amigo soldador ficaria em maus lençóis. Quem são esses "caras" que querem se meter na vida dos outros e ditar o que é melhor para os outros? Por que não vão cuidar da própria vida? Odeio essa gente!
  • Filósofo  15/12/2012 02:02
    Os botijõeszinhos significam um grande perigo à pólis devido a seu risco de explosões e uma forte ameaça à vida do seu amigo. Entretanto, ele, guiado apenas pelo lucro desenfreado, não apenas colocou a própria vida em risco ao oferecer o serviço de solda requerido pelos donos do ar condicionado como também ainda ousou explorar a mais-valia da amizade de um camarada.

    Não se preocupe, camarada. Seu amigo trabalhador, na verdade, foi salvo pelo estado que o resgatou de sua própria doença(A busca pelo lucro). Mas, não entre em pânico, o estado irá providenciar ar condicionados públicos de qualidade à toda população. Agora, quanto ao senhor que repara butijõeszinhos, seus talentos deverão ser retirados e alocados para servirem à comunidade em prol do bem-comum.

    (Sem falar que não é justo que uns tenham máquinas de reparar ar condicionado e outros não. Não é justo que uns saibam preencher butijõeszinhos de gás e outros não. Não é justo que uns tenham ar condicionado e outros não. Vale lembrar: Em um país quente como este, a produção de ar condicionados é um setor estratégico, logo, deve ser mantido pelo estado à serviço do bem comum.)

    Estamos retirando direitos do senhor, do amigo do senhor e do eremita que restaura butijõeszinhos? Estamos. Mas, é tudo para evitar acidentes, evitar a busca inconsequente pelo lucro e pelo bem comum.
  • Ubiratan Iorio  15/12/2012 00:50
    Caro André Cavalcante , vc transmitiu exatamente a ideia quebtentei passar no artigo!

    Cristtovam, imagine a seguinte cena nomtempo do Sarney: dois bois estão pastando e um deles vê o avião da Polícia Federal e então diz para o outro: "Se escone, mermão, que os homi estão atrás de nós".,,, kkkkkk
  • Cesar  15/12/2012 11:28
    Preciso enviar este artigo ao atual Presidente José 'leite de magnésia' Sarney.
    Alguém tem o email dele?
    É para ele recordar as trapalhadas.
  • Nicolae Poteauscu  15/12/2012 15:33
    sarney@senador.gov.br
  • Humberto  15/12/2012 16:05
    O ex-presidente Sarney foi uma vítima dos seus assessores, principalmente do seu Ministro da Fazenda na ocasião.
  • Cesar  15/12/2012 20:42
    E nós fomos vítimas dele. (Continuamos sendo).
  • J. Rodrigues  15/12/2012 14:34
    Filósofo, muito obrigado. Agora entendi. Ainda bem que o estado, este ser abstrato, mas bondoso que só ele, pensa ni nóis.
  • Anonimo  15/12/2012 15:31
    Filósofo 15/12/2012 02:02:41

    Os botijõeszinhos significam um grande perigo à pólis devido a seu risco de explosões e uma forte ameaça à vida do seu amigo. Entretanto, ele, guiado apenas pelo lucro desenfreado, não apenas colocou a própria vida em risco ao oferecer o serviço de solda requerido pelos donos do ar condicionado como também ainda ousou explorar a mais-valia da amizade de um camarada.


    Pronto,abriram se os esgotos.
    Aposto que é um funcionário publico de alguma estatal de bosta.
  • Paulo Kogos  16/12/2012 15:52
    outro ponto a ser lembrado é o surgimento de um mercado negro
    por ser ilegal, o mercado negro vai atrair individuos mais predispostos a riscos, ao uso da violência etc... e menos os individuos especializados em realmente produzir feijão (o mercado negro oferece uma boa saída uma vez que a alternativa seria a fome em massa mas ele está longe de ser a solução ótima)

    o resultado do controle de preços será o oposto da meritocracia de mercado (onde o melhor produtor de feijão é o melhor produtor de feijão) e sim um mercado distorcido onde o melhor produtor de feijão é o melhor subornador, matador, falsificador e ainda assim esse individuo ilegal seria uma benção pra economia

    outro problema
    a qualidade do feijão... o feijão clandestino não estaria sujeito a nenhum procedimento de segurança, nenhum selo de certificação... meio o q acontece com as drogas hj

  • Augusto  17/12/2012 08:22
    Pessoal,

    Bom dia.

    Aproveitando que estamos falando de controle de precos, outro dia vi uma noticia no jornal e fiquei curioso sobre como um mercado genuinamente livre se manifestaria em vista da mesma ocorrencia.

    A noticia falava da manipulacao de precos durante o evento "Black Friday Brazil", no fim de outubro.Era mais ou menos o seguinte: na quinta-feira, um produto era anunciado por R$ 100. Na tal "sexta-feira negra", o mesmo produto era anunciado por R$ 110, com um desconto de R$ 10 - ou seja, na promocao, saia pelos mesmos R$ 100 do dia anterior.

    Eu nao quero discutir se o Procon deve intervir, ou se deve haver uma investigacao policial - nao eh esse o meu ponto.

    Evidentemente, uma loja que fosse flagrada praticando esse tipo de "promocao" seria publicamente denunciada, como aconteceu na "Black Friday Brazil", em que varias lojas foram denunciadas, em tempo real, na internet. O proprio mercado se encarregaria de jogar essas lojas numa "lista negra", pois o comportamento nao eh percebido como adequado.

    Meu ponto eh: se uma tal situacao ocorresse em uma situacao de mercado livre (e ela pode ocorrer, porque o mercado nao vai mudar as pessoas - nem as que vendem, nem as que compram). Algum comprador poderia reclamar ter sido enganado pela tal "promocao", ou considera-se que se o comprador comprou, eh porque estava satisfeito com o preco anunciado? Como uma corte de arbitragem (privada, claro, hehe) lidaria com um reclamante que se julgasse prejudicado? Vamos deixar mais claro: se voce fosse convidado a participar de uma camara arbitral para decidir o assunto, qual seria sua posicao?
  • Marco  17/12/2012 08:38
    Não entendi muito bem o ponto. Um estabelecimento comercial tem o direito de vender seu produto ao preço que quiser. Compra quem quiser. Se hoje eu anuncio um bem por $100 e amanhã anuncio o mesmo bem por $110 e digo que ele "está em promoção" (apesar do claro aumento de $10), eu não estou lesando ninguém. O produto está ali à venda e seu preço está claramente demarcado. Compra quem quer. Ninguém está sendo enganado.

    Crime seria se eu combinasse um preço, mas na hora de passar seu cartão de débito (ou crédito) eu digitasse outro preço. Fora isso, não há crime nenhum. Eu ponho o preço que eu quiser em minhas mercadorias. Se houver otários dispostos a pagar aquele preço exorbitante, estes merecem se estrepar mesmo. Seleção natural.
  • Andre Cavalcante  17/12/2012 13:54
    Vou te dar um exemplo que deixa meu pai absolutamente irado.
    Aqui em Manaus, tem um supermercado que vende o maracujá a R$16,00 o quilo. Isso mesmo, não é mentira. No mesmo bairro há várias tabernas e outros mercados que vendem o maracujá a menos de R$8,00. Se procurar encontras até a R$5,00. Meu diz que é caso de polícia. Eu digo que é babaca o cara que compra a R$16,00. Olha que isso acontece a vários MESES, ou seja, realmente tem gente que acha que tá fazendo bom negócio comprando no dito supermercado.

    Abraços


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