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Dez lições de economia para iniciantes - Décima lição: bancos, bancos centrais e ciclos econômicos

Você sabia que se a maioria dos correntistas de qualquer banco, por mais sólido que ele venha a ser, resolver sacar o dinheiro de suas contas não haverá dinheiro suficiente nos cofres do banco? E que desde 1970 aconteceram 124 crises bancárias no mundo, sem contar a Islândia e a Europa?

Os bancos comerciais, por receberem depósitos à vista (que, juntamente com o papel-moeda e as moedas metálicas compõem o que os economistas chamam de meios de pagamento ou, simplesmente, moeda) são propagadores de crédito e multiplicadores da moeda emitida pelos bancos centrais.

No sistema de reservas fracionárias acontece o que Fernando Ulrich relata em seu artigo sobre o sistema bancário indicado como leitura complementar a esta aula: "No entanto, no atual sistema bancário de reservas fracionárias, os bancos normalmente não emprestam o dinheiro em espécie que foi depositado.  Eles, em vez disso, criam uma nova conta-corrente (formada unicamente por dígitos eletrônicos), cujo valor é então concedido como empréstimo.  Desta forma, o balancete de um banco irá mostrar um total de $200 na forma de depósitos em conta-corrente, sendo $100 em dinheiro em espécie e $100 em empréstimos (com dinheiro exclusivamente eletrônico).  Portanto, o banco possui 50% de dinheiro em espécie (reservas) para honrar seu passivo de $200.  Ele possui apenas uma "fração" como reserva.  Ao constatarem que os correntistas raramente retiram seus fundos, os bancos se sentem confiantes para expandir o crédito, concedendo empréstimos em quantias várias vezes superiores ao dinheiro originalmente depositado.  Bancos, desta forma, criam dinheiro "ex nihilo".  Ou, como descrito nos atuais livros-texto de economia, eles multiplicam dinheiro.  Trata-se do "multiplicador monetário".

Prossegue Ulrich, em linguagem simples, em seu esclarecedor artigo: "Portanto, por meio da prática de reservas fracionárias, os bancos podem emitir passivos de curto prazo ao mesmo tempo em que mantêm apenas uma pequena fração de ativos líquidos de curto prazo, sendo que a vasta maioria dos ativos está na forma de investimentos de longo prazo.  Ao longo da história, a maioria dos bancos mostrou-se incapaz de sobreviver durante muito tempo seguindo esta prática, dado que eles simplesmente não eram capazes de restituir todo o seu passivo em espécie (no passado, ouro; no presente, cédulas criadas pelo banco central).  A criação de um banco central foi a consequência lógica desse arranjo, uma criação com o objetivo de remediar essa falha".

Até a primeira guerra mundial os governos estavam restritos em sua capacidade de emitir moeda, porque vigia o sistema de lastro ouro, em que eles só podiam emitir caso houvesse um aumento nas suas reservas de ouro. Com o final daquela guerra, os governos no mundo inteiro abandonaram o lastro ouro, que ficou restrito apenas aos Estados Unidos. Mas em 15 de agosto de 1971, no governo Nixon, os Estados Unidos abandonaram o padrão ouro.

Esse abandono de um lastro foi muito ruim porque provocou inflação em todos os países. Para você ter uma ideia de como isso foi ruim, saiba que o Federal Reserve (o Fed — Banco Central americano) foi criado em 1913 e que um dólar do ano de 1800 equivalia a um dólar de 1913, mas que um dólar atual vale 0,03 de um dólar de 1913! Você não acha que existe algo de errado com o Fed e os bancos centrais em geral?

E no Brasil, as coisas foram diferentes? A verdade é que foram muito piores! Veja só que coisa espantosa: nosso Banco Central foi criado pelo decreto 4.595, de 31 de dezembro de 1964. A moeda que circulava na época era o cruzeiro, criado em 1942. O cruzeiro novo foi implantado no dia 13 de fevereiro de 1967. O cruzeiro, padrão monetário desde 1942, perdia três zeros e se transformava em cruzeiro novo. Portanto, 1 cruzeiro = 0,001 cruzeiro novo.

O cruzeiro substituiu o cruzeiro novo em 15 de Maio de 1970, sendo que um cruzeiro valia um cruzeiro novo. Durou até 27 de fevereiro de 1986.

O cruzado é proveniente do Plano Cruzado, implantado pelo governo Sarney. A partir do dia 28 de Fevereiro de 1986, mil cruzeiros passaram a valer um cruzado.
Para implantar o cruzado o governo aproveitou as cédulas de 10 mil, 50 mil e 100 mil cruzeiros, carimbando-as para o novo padrão. Portanto, 1 cruzeiro de 1986  passou a valer 0,001 cruzado, ou seja, 1 cruzeiro de 1964, quando nosso Banco Central foi criado, equivalia a 0,000001 cruzados.

Mas a farra não ficou nisso: o cruzado novo entrou em circulação no dia 15 de janeiro de 1989, na segunda reforma monetária do presidente José Sarney. A nova moeda substituía o cruzado, sendo que 1 cruzado novo valia 1000 cruzados, o que significa que 1 cruzeiro de 1964 equivalia agora a 0,000000001 cruzados novos.

O cruzeiro foi reintroduzido como padrão monetário em substituição ao cruzado novo, como parte do "Plano Collor", em março de 1990, sem ocorrer a perda de três zeros. Então, 1 cruzeiro de 1964 equivalia agora a 0,000000001 cruzeiros de 1989.

O cruzeiro real foi implantado no 1º de Agosto de 1993, substituindo o cruzeiro, sendo 1 cruzeiro real equivalente a 1.000 cruzeiros de 1991. Isso significa que 1 cruzeiro de 1964 passava a valer agora 0,000000000001 cruzeiros reais de 1989!

Mas você pensa que a farra acabou aí? Nada disso! O Real foi lançado em 01/07/1994, pelo Plano Real, no governo Itamar Franco. Primeiramente foi estabelecido um índice paralelo para efeito de transição, a Unidade Referencial de Valor (URV). A conversão de cruzeiros reais, para reais foi feita mediante a divisão do valor em cruzeiros reais pelo valor da URV naquela data, que era de CR$2.750,00. Então, um real vale 2.750 cruzeiros reais, ou seja, para encerrar a conversa, 1 cruzeiro de 1964, quando nosso glorioso Banco Central foi criado, equivale a 0,000000000 divididos por 2.750!

Não se assuste, porque a coisa é ainda pior: não consideramos a inflação que aconteceu entre 1964 e 1994, consideramos apenas as mudanças de moeda, senão ainda teríamos que dividir esse último número pela inflação que se verificou naqueles 30 anos, que foi uma das maiores do mundo! Literalmente, desde que foi criado, o Banco Central do Brasil nada mais fez do que destruir a nossa moeda!

E por que é muito importante que não ocorram distúrbios na quantidade de moeda? A resposta dos austríacos é que os ciclos econômicos, vale dizer, a inflação e o desemprego são provocados exatamente por manipulações artificiais na moeda e no crédito.

A ideia central da Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE) é que, quando ocorre uma expansão do crédito bancário, supondo que as expectativas quanto à inflação futura não existam, as taxas de juros, inicialmente, caem, mantendo-se abaixo dos níveis que alcançariam se o crédito não tivesse aumentado. O efeito disso é que, necessariamente, os padrões de gastos sofrerão alterações: os gastos de investimentos subirão relativamente aos gastos de consumo corrente e às poupanças. Portanto, a expansão monetária, necessariamente, provoca uma ausência de coordenação entre os planos de poupança e de investimento do setor privado. Esse impacto descoordenador da política monetária é essencial na visão austríaca, mas não é levado em conta pela teoria macroeconômica convencional.

Ora, a política monetária, ao alterar os preços relativos, modifica os sinais emitidos pelos preços. No caso de uma expansão monetária, estes sinais apontam para a redução dos lucros das empresas que produzem para consumo corrente e para o aumento dos lucros da produção de bens para consumo futuro. Alteram-se, portanto, as taxas de retorno sobre as várias combinações de capital. Os retornos nos estágios de produção mais próximos do consumo caem, enquanto crescem os retornos nos estágios de produção mais afastados do consumo; recursos não específicos deslocam-se dos primeiros para os segundos; vai diminuindo a produção de bens de consumo, ao mesmo tempo em que os padrões de produção de bens de capital vão sofrendo alterações, passando-se a produzir bens que se adaptem a estruturas de produção que abarquem mais estágios do que anteriormente. Para que esses investimentos se completem até o estágio dos bens de consumo final, deverão ser subtraídos mais recursos do consumo, o que significa que a produção de bens de ordens mais baixas deverá manter-se em queda, até que a nova estrutura de produção se complete.

O processo descrito se reverte por ele mesmo: na medida em que as rendas dos donos dos fatores de produção aumentam (em decorrência da expansão monetária), cresce a demanda por bens de consumo, o que faz com que os preços desses bens, relativamente aos preços dos bens mais afastados do consumo, aumentem. Reverte-se, desta forma, o processo: caem os retornos nos estágios mais afastados do consumo final, enquanto sobem os retornos nos estágios mais próximos do consumo final; recursos não específicos fazem o caminho de volta; os bens de capital, que haviam sido dimensionados para a estrutura de produção anterior, têm agora que ser redimensionados para uma estrutura menos intensiva em capital; surgirão perdas e desemprego, que serão mais fortes nos setores que anteriormente haviam se expandido mais e que, agora, se defrontam com superproduções.

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O professor Ubiratan Iorio irá inaugurar a sessão de cursos on-line do Instituto Mises Brasil no dia 7 de novembro com a palestra "Por que estudar a Escola Austríaca". Não fique de fora, inscreva-se já.
As perdas e o desemprego gerados nada mais são do que a contrapartida das alocações perversas de recursos geradas pela expansão monetária. Ou seja, expansão monetária e recessão são inseparáveis!

Para a Escola Austríaca, então, a crise que vem se abatendo sobre os Estados Unidos, a Europa e que se espalha por todo o mundo foi provocada por uma combinação malévola de: bancos centrais fixando as taxas de juros em níveis absurdamente baixos, na tentativa errada de manter as economias em crescimento; gastos irresponsáveis dos governos, que acabaram provocando dívidas públicas espantosamente elevadas. Infelizmente, os governos vêm "combatendo" essa crise da pior forma possível, com os bancos centrais mantendo as taxas de juros próximas de zero e os governos ampliando consideravelmente os seus gastos. Para os austríacos — e toda a experiência de mais de um século mostra que eles estão com a razão — essas medidas só servirão para alimentar mais a crise.

 

Sugestões de leitura:

Hayek, Friedrich von, Desemprego e política monetária

Hayek, Friedrich von, Desestatização do Dinheiro

Mueller, Antony, Políticas de metas de inflação são a causa dos problemas, e não a solução

Schiff, Peter, O que é o dinheiro, como ele surge e como deve ser gerenciado 

Bagus, Philip, A origem do dinheiro e o trágico caminho até o euro,

Ulrich, Fernando, O dilema do sistema bancário e as regras da Basileia

Roque, Leandro, O sistema bancário brasileiro e seus detalhes quase nunca mencionados 

Shostak, Frank, A definição popular de inflação impede a adoção de políticas sensatas  

Garrison, Roger,  Os triângulos hayekianos e a estrutura do capital


Sugestões para reflexão e debate:

1. Por que dizemos que o sistema de preços emite "sinais" para os participantes dos mercados?

2. Geralmente, se compromete a comprar desses produtores o produto ao preço tabelado. Quem perde sempre com essas políticas (que são muito comuns na agricultura)?


3 votos

autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • pensador barato  05/11/2012 04:48
    Esses estágios intermediários de produção ficaram obscuros nos dois antepenúltimos parágrafos,creio eu que mostrando exemplos didáticos o raciocínio ficará mais claro,ou seja mostrando setores econômicos específicos.
  • Pedro Ivo  05/11/2012 07:57
    Grato por estes 10 artigos introdutórios professor Iorio. Eles tem uma linguagem mui simples e compreensível, e por isto agora posso imprimi-los todos, encaderná-los e dá-los a meus sobrinhos. Abração.
  • amauri  05/11/2012 08:02
    Bom dia!
    Por que, atualmente, há quem diga que a inflação, de longe, não é o principal problema hoje do país. Haveria muito mais benefício em buscar aumento de produtividade, muito mais relevante que meio ponto de inflação.
    abs
  • amauri  05/11/2012 08:15
    Ontem na Folha o banqueiro Andre Esteves concedeu uma entrevista interessante sobre nossa economia, educação...A Escola Austriaca endossaria a entrevista? abs
  • J  05/11/2012 10:12
    Olá, bom artigo, mas acho q as contas ficaram invertidas, se "1 cruzeiro = 0,001 cruzeiro novo" entao 1 cruzeiro novo vale mais que 1 cruzeiro.
    Att.
  • Leandro  05/11/2012 10:29
    A conta está correta, J.

    1.000 cruzeiros = 1 cruzeiro novo

    1 cruzeiro = 0,001 cruzeiro novo

    Isso não é revalorização da moeda, é apenas redenominação. É apenas corte de zeros.

    É o mesmo que eu falar: "Doravante, 100 centímetros passam a se chamar 1 metro".

    Um metro não passou a valer mais que 100 centímetros. Foi apenas uma mudança de unidade de medida. Logo, da mesma maneira que 1 metro vale mais que 1 centímetro, 1 cruzeiro novo vale mais que 1 cruzeiro, pois 1 cruzeiro novo foi o nome dado a 1.000 cruzeiros.
  • gilvan2021@hotmail.com  05/11/2012 10:33
    Semana decisiva nas eleições americanas. Para os austrícas, por que um eventual 2º mandato para Obama seria ruim para a economia dos EUA e do mundo?
  • Leandro  05/11/2012 11:40
    Se Obama ganhar, será mais do mesmo por 4 anos. Mas pode ser pior: o sujeito, que já não teria mais nada a perder e não poderia tentar outra reeleição, poderia se entregar de corpo e alma às medidas socialistas que sua base linha dura exige, pois eles são seus únicos apoiadores devotos. Os EUA caminhariam para ser uma França com um endividamento italiano.

    Se Romney ganhar, as chances são de 90% de que ele continuará a fazer exatamente o mesmo que Obama está fazendo. Porém, caso o improvável aconteça e ele adote medidas que sejam vistas como fomentadoras de um crescimento de longo prazo -- como fez Reagan no seu primeiro ano de governo --, a demanda pelo dólar pode aumentar. A nossa taxa cambial se desvalorizaria acentuadamente, não sendo improvável o dólar chegar a R$3. A inflação de preços aqui, que não dá sinais de arrefecimento, subiria ainda mais. O BACEN ficaria assustado e teria de subir os juros. A economia brasileira estancaria, mas isso seria o de menos. O pior mesmo seria o efeito desta alta dos juros sobre o endividamento dos brasileiros, em nível recorde.

    A conferir.
  • amauri  05/11/2012 13:18
    Boa noite Leandro!
    Nao sei se entendi. Para o Brasil é melhor o Obama vencer? abs
  • Leandro  05/11/2012 13:40
    Do meu ponto de vista, não interessa quem será o próximo presidente dos EUA, mas sim do Fed. Esqueça esse negócio de presidente. Presidente é só fachada. No atual arranjo monetário em que vivemos, quem manda em qualquer economia é o Banco Central. O próprio Paulo Francis já havia percebido isso em 1997

    youtu.be/tRdcmspdsdI?t=2m12s

    Obama ou Romney podem fazer diferença apenas para alguns exportadores, mas estes sempre são privilegiados pelo governo em detrimento do nosso poder de compra. Quem indiretamente determinará meu poder de compra futuro será o presidente do Fed, e é este quem me interessa.
  • anônimo  05/11/2012 14:16
    Leandro,
    Porque é que o FED determinará o SEU poder de compra? Você é a última pessoa que eu ia esperar que usasse dólares
  • Leandro  05/11/2012 14:36
    Anônimo,

    A política monetária do Fed tem efeitos diretos sobre a quantidade de reais na economia brasileira.

    No atual sistema monetário e bancário, todo e qualquer dólar que entra no Brasil é imediatamente transformado em reais por meio da simples criação de dígitos eletrônicos pelo sistema bancário que compra estes dólares. Quando um exportador com conta no Bradesco recebe US$100, ele vende estes dólares para o Bradesco. O Bradesco, para pagar o exportador, cria reais do nada na conta do exportador. Mesmo que o Banco Central não compre dólares, o próprio sistema bancário se encarrega de comprá-los. E, ao fazer isso, ele cria reais. Toda entrada de dólares no Brasil é traduzida em criação de reais.

    Entendeu a encrenca?

    Ademais, há também a questão da taxa de câmbio. Um dólar fortalecido em conjunto com um BACEN inflacionário jogaria o real lá pra baixo, com reflexos imediatos no padrão de vida do brasileiro, exatamente como explicado neste artigo:

    Uma moeda forte poderia trazer desvantagens para os brasileiros?

    Abraços!
  • Pedro  05/11/2012 14:17
    Não seria propício se aproveitar do recente "boom" de discussões sobre Anarcocapitalismo na internet e discuti-lo aqui? Colocar um artigo explicando as ideias, falando sobre os autores, como Rothbard, importante autor de muitos artigos do site, e sugerindo livros para um maior aprofundamento...

    Digo isso, pois eu mesmo sou bem curioso quanto ao assunto.
  • Pedro Ivo  08/11/2012 11:51
    Caro Pedro:

    há 49 artigos sobre este assunto aqui no sítio, no endereço anarcocapitalismo. Confira!
  • Rhyan  05/11/2012 18:49
    Por isso que algumas teorias miopes dizem que o causa crises é a superprodução?
  • Leandro  06/11/2012 02:20
    Teoria completamente sem sentido. Recessões não são causadas por "superprodução", mas sim por investimentos errôneos e insustentáveis -- pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros --, para os quais nunca houve demanda legítima. Não se trata de um problema de superprodução, mas sim de um problema de capital desviado para aplicações que não são genuinamente demandadas pelo público.

    A causa de uma recessão não é uma abundância de bens (consequência de uma superprodução), mas sim a destruição de capital. Recursos escassos foram aplicados em investimentos para as quais não havia demanda. Quando esta falta de demanda se torna patente, o valor destes investimentos cai, e os empreendedores que fizeram tais investimentos se descobrem com um capital valendo bem menos do que imaginavam valer. Aí então começa a recessão, que nada mais é do que o período de reajuste desta estrutura de produção que foi distorcida pela expansão do crédito bancário e pela distorção das taxas de juros.

  • Rhyan  06/11/2012 04:58
    Obrigado, Leandro.

    Eu estou familiarizado com a teoria austríaca, pelo menos com o básico. O que eu não entendo bem são as outras teorias/escolas econômicas.

    Abraço!
  • Neto  06/11/2012 07:34
    Não é possível que você não entenda nada de marxismo.
    Propaganda marxista no ensino brasileiro é bem forte!
  • Rhyan  06/11/2012 08:10
    Nem consigo considerar o marxismo como uma teoria econômica.
  • Sugestão  06/11/2012 06:37
    Ubiratan, no começo de meus estudos eu só fui entender realmente a questão da estrutura de capital quando apresentado aos triângulos hayekianos presentes na apresentação do Roger Garrison aqui mesmo no site. Poderia ser interessante usar figuras do tipo para clarificar dúvidas ou ao menos linkar aqui a apresentação para a visão "ilustrada" do que está aqui em texto.
  • Leandro  06/11/2012 06:46
    Acrescentado -- muito embora ele tenha sido sugerido na sétima lição, cujo tema era o mais propício.
  • amauri  06/11/2012 09:38


    Boa tarde Leandro!
    Leio na imprensa que os republicanos são contra qualquer intervenção do Estado na Economia, pensam em revogar a regulamentação em Wall street porem, seus congressistas aprovaram a intervenção no setor bancário. Nao é contraditório? abs
  • Leandro  06/11/2012 09:47
    Você também deve ter lido que eles defendem a chacina dos negros e dos homossexuais, bem como a volta da escravidão, cuja mão-de-obra desta vez seria formada exclusivamente por feministas.

    Arnaldo Jabor passou pertinho em sua última coluna, na qual ele soltou a franga de vez.

    Sugestão já dada aqui repetidas vezes: fique longe da imprensa. É uma questão de higiene e saúde mental.
  • anônimo  06/11/2012 10:06
    Ou então vão criar um apocalipse zumbi



  • Rodrigo Mak  06/11/2012 11:26
    Pode isso, Arnaldo??\r
    \r
    Esse cara está completamente alucinado...\r
  • eduardo  06/11/2012 16:45
    Que lixo esse Jabor!! Pensar que já achei ele sensato e crítico, vergonha...obrigado maturidade, obrigado internet!

    Mas não concordo sobre ignorar a imprensa. Será sempre ela a levantar e divulgar as notícias. Indivíduos, blogs, portais pequenos nunca conseguirão fazer isso. Pra mim, só resta ler com MUITO senso crítico, estudando os fatos/teoria por fora e evitando as colunas de opinião. Focando de preferência o jornal/revista que mais se alinhe com a sua visão.
  • Leandro  06/11/2012 17:23
    Eu utilizo a mídia (internet) exclusivamente para me informar sobre notícias pontuais. "Houve um terremoto em tal lugar", "a tarifa de energia será reajustada", "governo promulga tal medida" etc. Ou seja, exatamente o tipo de notícia redigida por estagiários. Por incrível que pareça, são as melhores. Na imprensa atual é assim: quanto mais você sobe na hierarquia de um jornal, quanto mais importantes os redatores, piores as coisas ficam.
  • Fernando  20/06/2016 13:28
    HAAHAHHAA boa Leandro
  • Gustavo BNG  06/11/2012 10:48
    Essas dez lições do prof. Ubiratan foram um almoço intelectual grátis por semana.
  • Bright  06/11/2012 16:41
    Se o Bacen parar de imprimir dinheiro, o país entra em recessão. Correto?

    Quanto mais tarde ele parar de imprimir dinheiro, muito pior será a consequente recessão. Correto?

    Sendo assim, até que ponto ele poderá continuar imprimindo dinheiro? Para sempre?

    É possível parar de imprimir dinheiro provocando uma recessão mais suave?
  • Leandro  06/11/2012 17:19
    1) Correto.

    2) Correto.

    3) Governos e bancos sempre criam dinheiro continuamente. O que varia é apenas o ritmo com que criam dinheiro. Quando este ritmo se reduz, a economia desacelera. Se a queda de ritmo for forte, ela entra em recessão.

    4) Não. A expansão da oferta monetária cria vários desarranjos na estrutura de produção da economia. Investimentos são feitos em setores e em áreas da economia para os quais não há demanda genuína. A demanda só pode ser mantida exatamente pela continuidade da expansão do crédito. Quando tal expansão é interrompida, todos estes desarranjos entram em processo de correção. Essa é a recessão.
  • Antonio  07/11/2012 14:39
    Caro Leandro,\r
    \r
    Entendo a lógica dos ciclos econômicos, mas fico um pouco confuso com certas passagens. Por exemplo, se as taxas de juros estão artificialmente baixas, os investimentos não iriam para onde a taxa marginal de retorno é mais alta?... Então não haveria mudança em relação aos investimentos com a taxa de juros de equilíbrio natural de mercado. Se temos investimentos que têm retorno de 100% aa, 50% aa, 10 % aa, e supondo taxa de equilíbrio de mercado de 5% aa, contiunuarei a investir na atividade que me dá 100% aa de retorno mesmo se os juros forem artificialmente abaixados para 1% aa. Pq haveria eu de fazer o investimento na atividade que dá retorno de 10% aa em vez de na de 100% aa? Agora se o crédito for direcionado, como é o caso no Brasil, concordo, pois daí eu só poderia tomar o empréstimo se investisse na atividade que rende apenas 10% aa. Pode até ser que por razões culturais (conheço melhor um tal negócio) eu invista no negócio de 10% aa em vez no que me dá 100% de retorno, mesmo com o crédito livre, mas isso não é o que aconteceria de maneira geral na economia.\r
    \r
    \r
    Grato pela presteza!
  • Leandro  07/11/2012 15:29
    "Por exemplo, se as taxas de juros estão artificialmente baixas, os investimentos não iriam para onde a taxa marginal de retorno é mais alta?"

    Exato. Taxas de juros baixas fazem, por exemplo, com que investimentos mais voltados para o longo prazo se tornem mais atraentes. Antes, empreender um projeto de construção civil a juros bancários de 30% ao ano não era muito atraente, pois os custos eram altos; porém, se os juros caírem para 20%, o projeto já se torna rentável, pois o custo do crédito diminuiu.

    Mas, ao contrário do que muita gente pensa, as taxas de juros não são o principal fator determinante para a formação de bolhas ou mesmo de ciclos econômicos em geral. A redução da taxa de juros decorrente de manipulações monetárias feitas pelo Banco Central e pelo sistema bancário de reservas fracionárias desencadeia o início do ciclo/bolha, porém, a partir daí, alterações na oferta monetária têm mais importância.

    Por quê?

    Porque a expansão da oferta monetária da economia, como Mises explicou, não ocorre de maneira uniforme. Sempre há aqueles setores que recebem esse novo dinheiro antes do resto da economia. E esse dinheiro recém-criado que entra primeiramente em determinados setores da economia altera toda a estrutura de preços da economia; altera todos os preços relativos. Se o dinheiro recém-criado vai primeiramente para o setor imobiliário, por exemplo, a estrutura de preços da economia fica distorcida em relação a este setor, fazendo com que investimentos nesse setor aparentem ser mais vantajosos, mais lucrativos, pois os preços estão sempre subindo.

    A taxa de juros pode permanecer constante esse tempo todo. Ela pode estar nominalmente alta (como sempre foi no Brasil). Não interessa. O que interessa são as expectativas de lucros. As taxas de juros por si sós têm pequeno efeito sobre o planejamento empreendedorial e, consequentemente, sobre a formação de bolhas e de ciclos econômicos. O que afeta uma decisão de planejamento é a expectativa de lucros. E se os lucros propiciados por um investimento forem maiores do que os juros cobrados sobre os empréstimos para esse investimento, tal investimento é vantajoso.

    Ademais, os lucros são totalmente afetados por variações da quantidade de dinheiro na economia. Mais dinheiro sendo criado, maiores os lucros contábeis daqueles setores que recebem esse dinheiro antes dos outros. Essa expansão monetária acaba também resultando em aumentos salariais, o que faz com que as pessoas tenham uma sensação de maior riqueza. O consumo aumenta. O endividamento aumenta. A expectativa da renda futura cresce. Por causa disso, as empresas ampliam seus investimentos e se expandem, pois estão prevendo uma maior demanda futura por seus produtos, justamente por causa desse crescimento da renda das pessoas.

    Porém, chega um ponto em que essa expansão monetária é interrompida, pois a inflação de preços começa a ficar alta. E aí, o que acontece?

    Os indivíduos se endividaram para poder consumir, na crença de que o aumento futuro esperado na sua renda facilitaria a quitação destas dívidas. Já as empresas embarcaram em investimentos de longo prazo, levadas tanto pela redução artificial dos juros (o que fez com que os investimentos se tornassem mais financeiramente viáveis) quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos -- no caso de construtoras imobiliárias, tal aumento da renda geraria a valorização de seus ativos, os imóveis.

    Logo, quando o Banco Central reverte sua política monetária e reduz a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro na economia, todos estes projetos não se concretizam. No caso dos indivíduos, tal redução faz com que suas rendas não aumentem como esperado, o que torna suas dívidas difíceis de serem quitadas. No caso das empresas, tal redução faz com que suas receitas futuras não sejam as previstas, ao mesmo tempo em que seus custos (com mão-de-obra e bens de capital) seguem crescendo em decorrência da inflação passada.

    Portanto, para resumir: a redução da taxa de juros decorrente de manipulações monetárias feitas pelo Banco Central desencadeia o início do ciclo; porém, a partir daí, alterações na oferta monetária têm mais importância. Variações na quantidade de dinheiro na economia afetam os preços relativos dos setores da economia e, consequentemente, alteram as expectativas de lucros de cada setor. Isso importa mais do que os juros praticados.

    Um artigo excelente (e bem curto) sobre esta mecânica é este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1350

    "Se temos investimentos que têm retorno de 100% aa, 50% aa, 10 % aa, e supondo taxa de equilíbrio de mercado de 5% aa, contiunuarei a investir na atividade que me dá 100% aa de retorno mesmo se os juros forem artificialmente abaixados para 1% aa. Pq haveria eu de fazer o investimento na atividade que dá retorno de 10% aa em vez de na de 100% aa?"

    Mas esse é o ponto. Investimentos serão direcionados justamente para aqueles setores que prometem maior retorno. No Brasil dos últimos anos, tal setor foi o imobiliário. É assim que se formam as bolhas.

    "Agora se o crédito for direcionado, como é o caso no Brasil, concordo, pois daí eu só poderia tomar o empréstimo se investisse na atividade que rende apenas 10% aa."

    Não precisa ser direcionado. Empreendedores sempre irão atrás daqueles setores que estão gerando maiores retornos. A bolha se forma. E depois estoura. Inevitavelmente.
  •   29/07/2016 17:36
    Oi Leandro,

    já faz algum tempo que eu tive contato com a TACE pela primeira vez e foi a teoria que conseguiu conectar a maioria dos pontos pra mim. No entanto um detalhe ainda não fechava, era a razão pela qual, com a queda forçada do juros, os preços/investimentos relativos eram alterados.

    Em muitos artigos sobre o tema o autor se limita a dizer que os setores iniciais da cadeia, mais intensivos em bens de capital, se expandem. Essa afirmação não fazia sentido, eu só conseguia imaginar todos os setores se expandindo de forma igual e portanto mantendo os preços relativos iguais.

    Eu só conseguia entender que forçando a taxa de juros a valores baixos o banco central era obrigado a expandir a base monetária ou aconteceria o que acontece com qualquer produto com preço controlado, iria faltar crédito.

    Sua explicação usando as palavras certas, "expansão da oferta monetária não ocorre de maneira uniforme" e "altera todos os preços relativos" finalmente conectou todos os pontos.

    Obrigado.

    Surgiu uma outra dúvida, algo que acredito nunca ter acontecido e nem ser possível, mas serve para melhor entender a TACE. Se o governo reduzir os juros e não direcionar, a expansão da base monetária acontecerá de maneira uniforme? Nesse caso, os preços relativos serão iguais? O que aconteceria com preços relativos iguais e expansão da base monetária? Apenas inflação de preços sem nenhuma bolha?
  • Leandro  29/07/2016 22:24
    Apenas não confunda base monetária com oferta monetária. A base monetária é formada apenas pelas cédulas de papel mais reservas bancárias (que os bancos mantêm depositadas junto ao Banco Central). O dinheiro que realmente entra na economia compõe a oferta monetária (M1, M2, M3, M4).

    Dito isso, a expansão monetária nunca ocorre de maneira uniforme. O dinheiro sempre entra especificamente em um determinado setor da economia primeiro. Se uma imobiliária pede um empréstimo, o dinheiro estará entrando neste setor, aumentando os preços dos materiais de construção e os salários de engenheiros, arquitetos e pedreiros.

    A única maneira de haver uma expansão monetária uniforme seria se, da noite para o dia, as contas bancárias de todos os indivíduos sofresse um acréscimo em igual quantidade.

    E, ainda assim, isso não garantiria uma alteração idêntica dos preços em todas as áreas da economia, pois algumas pessoas irão optar por poupar esse dinheiro enquanto outras irão gastar tudo.

    Mais sobre isso:

    Como a expansão monetária orquestrada pelo governo piora artificialmente a desigualdade de riqueza

    Como a crescente estatização do crédito destruiu a economia brasileira e as finanças dos governos

    Obrigado pelas palavras e grande abraço.
  • Antonio  08/11/2012 09:19
    Leandro,\r
    \r
    Veja se entendi corretamente, por favor. Os investimentos cujas taxas de retorno são mais altas são aqueles de longo prazo, geralmente em infraestrutura. Normalmente, as pessoas não os fazem, não pq não percebem que dão maiores retornos, mas por falta de crédito. Uma vez tendo crédito farto, podendo tomar empréstimos de longo prazo, elas os farão. Acho que agora faz mais sentido para mim.\r
    \r
    É isso?\r
    \r
    Em relação ao crédito direcionado, quis dizer que no Brasil há algumas linhas de crédito com juros subsidiados para algumas atividades especificamente, e então não posso tomar o dinheiro e fazer outra coisa no lugar, legalmente. Nesse caso, a distorção ainda é maior, penso.
  • Leandro  08/11/2012 09:35
    Correto. Esse artigo abaixo utiliza um exemplo numérico que ajuda a entender a relação entre redução de juros e atractividade dos investimentos.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1105
  • Randalf  27/11/2012 16:49
    Boas, eu gostaria de tirar uma dúvida, se alguém souber responder.

    Quando um banco central cria dinheiro e o empresta para a economia, quando a economia o devolve com juros, o banco central destrói esse dinheiro criado (ou seja, não o insere mais na economia), ou gasta-o?!

    Cumprimentos,
    Randalf
  • Leandro  28/11/2012 03:28
    Prezado Randalf, creio que você esteja se referindo ao modus operandi do Banco Central Europeu (ou do Banco Central suíço). Ambos utilizam as chamadas operações compromissadas (semelhantes às janelas de redesconto) como ferramenta principal de injeção de dinheiro no sistema bancário, ao passo que o Fed e o Banco Central brasileiro utilizam as operações de mercado aberto.

    Em uma operação de mercado aberto, como já explicado inúmeras vezes aqui, o Banco Central compra títulos públicos em posse do sistema bancário. Ele faz isso criando dinheiro eletrônico do nada e depositando nas reservas bancárias (uma conta-corrente que cada banco tem junto ao Banco Central). Esses títulos públicos adquiridos pelo Banco Central continuam coletando juros pagos pelo Tesouro. Porém, quando o título vence, o Banco Central simplesmente "rola" a dívida -- ele compra um novo título para substituir o título vincendo, dando dinheiro diretamente para o Tesouro em troca de um novo título.

    Em uma operação compromissada, o Banco Central empresta dinheiro aos bancos à taxa de juros que ele próprio determina (que seria a taxa básica de juros da economia). O colateral desse empréstimo é também um título público. O BCE compra o título do sistema bancário por, digamos, 1.000 euros com a condição de que o sistema bancário o recompre dali a um ano, por exemplo, 1.010 euros (taxa de juros de 1% ao ano).

    Durante esse período em que o título está em posse do BCE, ele coleta juros sobre estes títulos e remete parte do seu lucro para os bancos centrais de todos os países da zona do euro, os quais os repassam para seus respectivos governos. Quando o título matura, o BCE pode rolá-lo. Neste caso, o aumento de 1.000 euros nas reservas bancárias será mantido.

    Portanto, eis aí a resposta. O dinheiro que o BCE coleta via juros sobre títulos públicos em sua posse é repassado para os governos. E quando o título vence, ele é rolado. Logo, na prática, não ocorre essa destruição de dinheiro da qual você falou.


    Recomendo esse artigo, que explica tudo isso em detalhes:

    Como funciona o Banco Central Europeu
  • Randalf  28/11/2012 10:20
    Então aqueles documentários que dizem que a dívida tem sempre de ser maior do que o dinheiro existente não têm sentido nenhum, já que o dinheiro na economia pode ser usado inúmeras vezes para pagar o empréstimo (e juros) aos bancos centrais. Basicamente, era essa a dúvida que queria tirar.

    Randalf
  • Leandro  28/11/2012 10:27
    Hum, mais ou menos. No atual sistema monetário, todo o dinheiro que existe na economia foi injetado nela por meio da criação de uma dívida. O Banco Central injeta dinheiro no sistema bancário comprando títulos da dívida, e o sistema bancário injeta dinheiro na economia por meio da concessão de empréstimos para pessoas e empresas. Nem o BC e nem os bancos dão dinheiro de graça. Eles criam dinheiro em troca de uma dívida. É assim que a quantidade de dinheiro na economia aumenta.

  • Randalf  28/11/2012 10:49
    Então vamos ver se entendi. Suponhamos que o Banco Central empresta dinheiro para um banco comercial, e passado algum tempo, o banco comercial paga os juros e a dívida ao Banco Central. O que o Banco central fará com o dinheiro?! Usa-o para emitir nova dívida ou gasta-o (enviando para os governos sem categoria de 'dívida'). Pois são coisas totalmente diferentes e levam a resultados totalmente diferentes também. Se todo o dinheiro que sai do Banco Central (dívidas pagas inclusive, com juros) sair como 'dívida', temos um problema sério. Se pelo contrário, o Banco Central apenas 'oferecer' o dinheiro aos tesouros (se os juros caírem nos tesouros por exemplo), já não existe um problema tão fundamental.

    Entende a dúvida?!
  • Leandro  28/11/2012 11:14
    "Suponhamos que o Banco Central empresta dinheiro para um banco comercial, e passado algum tempo, o banco comercial paga os juros e a dívida ao Banco Central. O que o Banco central fará com o dinheiro?!"

    Isso raramente acontece, pois, como dito, o BC rola a dívida (a qual, afinal, é um título do Tesouro e não do sistema bancário; o título foi usado apenas como colateral para o empréstimo). Mais especificamente, o Tesouro emite uma nova dívida para substituir a antiga, e o BC compra esta dívida imprimindo dinheiro.

    Porém, caso o BC não role a dívida e o banco pague integralmente, o que ocorrerá é que, momentaneamente, a base monetária (dinheiro puramente eletrônico) estará reduzida, mas o título continuará em posse do BC -- afinal, quem quita a dívida do título é o Tesouro e não o sistema bancário. Ou seja, voltamos à situação acima. E na irrealista hipótese de o Tesouro quitar esse título, o que ocorreria é que haveria uma parcela do dinheiro eletrônico da economia sumiria. E voltaria segundos depois, tão logo o BC comprasse outro título do sistema bancário.


    "Se todo o dinheiro que sai do Banco Central (dívidas pagas inclusive, com juros) sair como 'dívida', temos um problema sério."

    Não entendi aquele "dívidas pagas inclusive, com juros". Dinheiro só sai do BC por meio da compra de um título. Não há outra forma -- redução de compulsório é apenas liberação de dinheiro que já havia sido anteriormente criado.
  • Randalf  28/11/2012 11:19
    Ok, o que fazem os Bancos Centrais com os juros que cobram?
  • Leandro  28/11/2012 11:50
    Bancos centrais não cobram juros.  Bancos centrais auferem juros dos títulos do Tesouro que porventura estejam em sua posse.  O que fazem com esse dinheiro?  Já expliquei lá em cima (assim como o artigo linkado): eles remetem de volta ao Tesouro.  
  • Randalf  28/11/2012 14:23
    Caro Leandro, talvez eu não me esteja a exprimir da melhor forma. Vou tentar exemplificar.

    Suponhamos que eu produzo 5 cartas (cartas especiais, pouco importa, o que importa é que eu faço a função de banco central). E empresto-lhe (o senhor é a economia). E digo-lhe assim: 'Vai-me pagar as 5 cartas a um juro de 5%, mais tarde'. Ora, como é que o senhor pagará as 5 cartas mais os juros se apenas 5 cartas foram criadas?!... Só se pedir mais cartas emprestadas (de mim) para pagar as anteriores, mas a questão mantém-se. O que acontece se eu (banco central) parar de emprestar cartas?!.. Certamente não conseguirá pagar as suas dívidas, faça o que fizer.

    A minha pergunta é: 'Os Bancos Centrais funcionam da mesma forma'?

    Randalf
  • Leandro  28/11/2012 16:24
    Você está me perguntando como seria o pagamento de juros em uma economia de oferta monetária fixa? Normal. Mas os juros nominais obviamente seriam muito baixos. Dependendo da situação -- por exemplo, uma economia em que os preços caiam 3% ao ano --, um juro nominal tão ínfimo quanto 0,5% ao ano seria equivalente a um juro real de 3,61%. Se você tomasse $100 emprestado e dali a um ano devolve $100,50, o seu credor estará auferindo um ganho real de 3,61%.
  • Randalf  28/11/2012 16:58
    Bem, se a oferta monetária fosse fixa, a dívida emitida pelo entidade que lançou a moeda não seria, já que com juros, e com o tempo, a dívida aumentava. Mas como é que consegue pagar uma dívida com uma oferta monetária fixa, se a dívida é maior do que a oferta monetária e continua a crescer?! E a única maneira de aumentar a oferta monetária é aumentando a dívida na mesma proporção?! Compreende a minha dúvida?! A discussão segue dos comentários anteriores, sobre a questão de que existe mais dívida aos bancos centrais do que o dinheiro existente na economia. Não sei se se lembra.
  • Leandro  28/11/2012 17:24
    Se toda a dívida (pública e privada) fosse quitada e tanto o BC quanto o sistema bancário não criassem mais moeda, toda a oferta monetária, inclusive cédulas e moedas metálicas, seria extinta. Por isso, oferta monetária fixa é impossível em um arranjo em que há Banco Central fazendo operações de mercado aberto ou de redesconto.

    No entanto, não é correto dizer que o pagamento de juros requer um crescimento constante da massa monetária. Isso é uma questão de não confundir estoque com fluxo. Pagamento de juros é um fluxo ao passo que a oferta monetária é um estoque.

    Como o espaço aqui é pequeno, sugiro este artigo que lida exatamente com isso:

    mises.org/daily/4569/What-Does-DebtBased-Money-Imply-for-Interest-Payments
  • Rhyan  28/11/2012 04:05
    Uma pergunta meio off...

    Sei que no gráfico de investimento e poupança o eixo Y representa os juros. Mas e no gráfico de oferta e demanda de moeda, o que é o eixo Y?

  • Leandro  28/11/2012 04:54
    Também representa os juros.
  • Gil  18/01/2013 18:30
    Eu sou um HERÓI. Passei por todas estas bagunças de nossos desgovernos, e ainda estou VIVO. Meio machucado, mas VIVO.
  • Gil  19/01/2013 00:02
    Como alguem já disse: fuja da escola. Estou vendo que só aprendi mentiras.Dizem que Juscelino foi o maior ou melhor presidente do Brasil, porque construi a podridão de Brasilia (se a capital continuasse a ser Rio de Janeiro não caberia tantos corruptos, os morros limitariam a expansão). Trouxe as indústrias de automóveis, multinacionais, que lá fora fabricam limousines e aqui, carroças(como dizia o collor). Culpa delas? Não creio. A tecnologia que a Volks, Ford, GM usam nas matrizes poderiam usar aqui.O que as impede? Em primeiro lugar a CLT do Sr Getulio Mussolini, depois, Sindicatos, impostos,etc.Portanto, só compramos carros nacionais, porque SEMPRE(as vezes menos, às vezes mais)foram protegidas por impostos de importações, e outras coisas.E ainda endividou o país.US 3 bi(naqueletempo ainda tinha um resto de padrão ouro)era muito dinheiro. E la nave vá.
  • Gil  19/01/2013 00:20
    A mais de 20 anos atrás, um alemão chamado Egon, lá de Jaraguá do Sul(SC) falou que dinheiro demais é pior que dinheiro de menos.Na época não entendi nada, só agora, lendo os artigos do IMB é que entendo.A empresa do Egon está cada vez melhor.Devia ser adepto da EA.
  • Josias Luna  08/01/2014 07:48
    "Ora, a política monetária, ao alterar os preços relativos, modifica os sinais emitidos pelos preços. No caso de uma expansão monetária, estes sinais apontam para a redução dos lucros das empresas que produzem para consumo corrente e para o aumento dos lucros da produção de bens para consumo futuro. Alteram-se, portanto, as taxas de retorno sobre as várias combinações de capital. Os retornos nos estágios de produção mais próximos do consumo caem, enquanto crescem os retornos nos estágios de produção mais afastados do consumo; recursos não específicos deslocam-se dos primeiros para os segundos; vai diminuindo a produção de bens de consumo, ao mesmo tempo em que os padrões de produção de bens de capital vão sofrendo alterações, passando-se a produzir bens que se adaptem a estruturas de produção que abarquem mais estágios do que anteriormente. Para que esses investimentos se completem até o estágio dos bens de consumo final, deverão ser subtraídos mais recursos do consumo, o que significa que a produção de bens de ordens mais baixas deverá manter-se em queda, até que a nova estrutura de produção se complete."

    Esse parágrafo (e o posterior) ficou confuso para mim. Alguém poderia explicar ou citar algum artigo que explique de outra forma?
  • Moderador  08/01/2014 10:50
  • Regis  23/06/2016 20:17
    Pela lição anterior, não seria a própria expansão monetária o conceito de inflação? Fiquei um pouco confuso porque a lição anterior (número 9) disse que inflação não deve ser entendida como a alta de preços, pois isso seria a consequência de uma expansão monetária e consequente enfraquecimento do poder de compra da moeda. Por outro lado nessa lição me deu a entender que a inflação é justamente a alta de preços... Se alguém puder me explicar eu agradeço.
  • Danese  23/06/2016 20:46
    Sim, inflação é aumento da oferta monetária. E aumento de preços é uma consequência da inflação.

    E o artigo acima não se contradiz nesse ponto.

    E recomendo este, que aborda especificamente este ponto:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1779
  • Regis  23/06/2016 20:49
    Ok. Muito obrigado.


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