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Dez lições de economia para iniciantes - Nona lição: moeda e preços

Um dos maiores avanços de todos os tempos foi sem dúvida a invenção da moeda. Sim, hoje é difícil pensar que as transações eram realizadas sem dinheiro, mas na mais remota antiguidade o que existiam eram trocas diretas: se você, por exemplo, criava galinhas e desejava comprar arroz, deveria levar algumas galinhas até o mercado (que era um espaço físico) e procurar alguém que, ao mesmo tempo estivesse interessado nas suas galinhas e que tivesse arroz para trocar por elas. É fácil perceber que isso dificultava tremendamente as trocas, porque os custos de transação envolvidos eram gigantescos.

O passo seguinte, centenas de anos depois, em um processo de evolução chamado ordem espontânea, em que as coisas vão sendo descobertas como consequência da ação das pessoas, mas sem que elas planejem como serão descobertas, foi a chamada moeda-mercadoria. Algumas mercadorias, por serem duráveis, por serem fáceis de transportar e, principalmente, por serem aceitas em quase todas as trocas, transformaram-se na moeda da época. O sal foi a principal dessas mercadorias. Então, você não precisava mais levar suas galinhas ao mercado para trocá-las por arroz, bastava levar certa quantidade de sal.

Mais tarde, sempre seguindo essa evolução espontânea, os metais preciosos, como ouro e prata, passaram a ser usados como moeda, especialmente depois da invenção do processo de cunhagem. A etapa seguinte foi a da chamada moeda-papel, um certificado nominativo que você recebia do seu banqueiro declarando que você havia depositado certa quantidade de ouro e que só você poderia pegar de volta quando desejasse. Quando esses papéis passaram a ser ao portador, se transformaram no papel-moeda. E o que chamamos de moeda ou dinheiro passou a ser composto por aqueles certificados (que se transformaram com o tempo nas cédulas) e as moedas metálicas.

Posteriormente, quando os banqueiros descobriram que poderiam emprestar parte do dinheiro que recebiam como depósitos (mesmo este dinheiro não lhes pertencendo, o que é um absurdo) ao público, esses empréstimos, ao gerarem novos depósitos, transformaram-se no que conhecemos como moeda escritural. E a moeda ou dinheiro passou a ser o papel-moeda (mais as moedas metálicas) e os depósitos à vista do público nos bancos comerciais. A faceta mais moderna desse processo evolutivo é a chamada moeda eletrônica, que são os cartões magnéticos utilizados largamente a partir do final do século XX. Qual será o próximo passo? É impossível dizermos, porque, como ressaltamos, a moeda é uma ordem espontânea, um produto da ação humana, porém não planejada.

Os economistas austríacos sempre disseram que aumentos na quantidade existente de moeda não geram benefícios para a sociedade, basicamente porque eles não alteram os serviços de troca que a moeda proporciona; apenas diluem o poder de compra de cada unidade monetária. Portanto, não existe nenhuma "necessidade social" que justifique o crescimento da quantidade de moeda, nem mesmo se a produção ou a população aumentarem: simplesmente, as pessoas poderão manter uma proporção maior de dinheiro para uma dada quantidade de moeda, gastando menos, o que fará subir o poder de compra desse dinheiro. Conforme Mises escreveu no capítulo XVII de "Ação Humana", em 1948,  "... a quantidade de moeda disponível em toda a economia é sempre suficiente para assegurar a todos tudo o que a moeda faz e pode fazer".

A inflação — que não deve ser entendida simplesmente como um aumento contínuo e generalizado de preços (este é o seu efeito, não a sua causa), mas como uma queda progressiva do poder de compra da unidade monetária e a correspondente elevação dos preços — é um método pelo qual o governo, o sistema bancário que ele controla e os grupos que ele favorece politicamente adquirem a capacidade de expropriar parte da riqueza dos demais grupos da sociedade. Portanto, é mais do que aconselhável — é crucial — que a sociedade, mediante o estabelecimento de instituições adequadas, impeça que os governos e os políticos tomem conta da quantidade de moeda, emitindo a seu bel prazer. O economista Friedrich von Hayek, um dos gigantes da Escola Austríaca, tem uma frase muito apropriada para descrever esse perigo: "Entregar o controle da oferta monetária aos políticos é o mesmo que pedir a um gato para tomar conta de um pires de leite".

Por sinal, antigamente não eram os governos que emitiam as moedas: elas eram emitidas por banqueiros privados e competiam entre si. Posteriormente é que os governos descobriram que era um grande negócio para eles serem os detentores do monopólio da moeda e inventaram a chamada "moeda de curso legal", aquela que, por decreto, é a moeda "oficial" de um país ou grupo de países.  

Vamos abordar agora uma questão importante e que está sempre relacionada com a moeda. O que vem a ser a inflação? Sua causa primária, sempre e em qualquer lugar, é um crescimento na moeda e no crédito sem lastro em aumentos correspondentes na produção, na produtividade e na população. Na verdade, a inflação deve ser definida mais propriamente como essa ampliação na oferta de moeda e crédito, e não da forma que se tornou usual — como um aumento contínuo e generalizado de preços. A utilização da palavra "inflação" com este segundo significado tem gerado muitas interpretações incorretas ao longo dos anos, produzindo diagnósticos equivocados e terapias desastrosas. Obviamente, expansões monetárias não são o mesmo que as elevações em todos os preços que elas provocam, porque causa não é efeito.

Inflação significa simplesmente que se a moeda e o crédito são "inflados", os agentes econômicos passam a dispor de mais dinheiro para comprar bens e serviços; ora, se a oferta desses últimos não cresce à mesma velocidade que a das emissões — o que é de se esperar, pois, no mundo real, tartarugas não conseguem acompanhar lebres —, então seus preços crescerão e continuarão a aumentar enquanto a causa persistir.

Como disse o Professor Mises, a batata é mais barata do que o caviar porque sua oferta é muito mais abundante. Pois em um processo inflacionário, a moeda e o crédito desempenham o papel da batata e os demais bens e serviços o do caviar: para comprar as mesmas quantidades de produtos, serão necessárias cada vez mais unidades monetárias, assim como para comprar caviar se gasta mais do que para comprar batatas. É tão simples! Se há mais reais circulando sem lastro, nada mais natural do que o valor do real diminuir relativamente aos dos demais bens!

Uma das falácias mais repetidas é a de que a causa da inflação não são excessos de moeda e crédito, mas "escassez" de produtos. É verdade que um aumento de preços — que não deve ser confundido com inflação — pode ser causado tanto por expansões da moeda e do crédito como por escassez de produtos, ou por ambos. O preço do trigo, por exemplo, pode crescer temporariamente por conta de algum problema na safra, mas não há caso, mesmo em economias de guerra, de aumentos generalizados de preços gerados por escassez universal de bens. Na Alemanha pós-guerra de 1923, por exemplo, os preços subiam astronomicamente, todos reclamavam contra a escassez generalizada, mas levas de estrangeiros entravam no país para comprar produtos alemães, porque muitos preços eram menores na Alemanha do que em seus países.

Guarde o seguinte: existe inflação, mas não existe "inflação dos alimentos", ou "inflação" da cenoura, do chuchu, dos barbeiros, das pizzas, do cafezinho ou do petróleo. Por mais importante que seja na economia, nenhum produto é capaz de provocar aumentos permanentes em todos os demais, mas, devido ao péssimo hábito de se olhar apenas para o que os índices mensais de preços refletem, sempre é possível encontrar o vilão da vez, o bandido do mês, aquele preço que subiu acima da média...

Sair em uma noite fria sem estar agasalhado costuma causar gripe, cujos sintomas — dores no corpo, prostração e entupimento nasal — apenas se manifestam dois ou três dias depois. Da mesma forma, a inflação nasce quando ocorre crescimento sem lastro na moeda e no crédito e se torna visível alguns meses depois, quando todos os preços começam a subir sem parar.

As variações na quantidade de moeda em circulação não são "neutras" porque não afetam todos os preços de maneira uniforme e, portanto, alteram os preços relativos e, assim, a estrutura de capital, como veremos na próxima aula!

A idéia central dos austríacos é que o dinheiro novo entra em um ponto específico do sistema econômico e, sendo assim, ele é gasto em certos bens e serviços particulares, até que, gradualmente, vai-se espalhando por todo o sistema, assim como um objeto qualquer, ao ser atirado na superfície de um lago, forma círculos concêntricos com diâmetros progressivamente maiores, ou como quando se derrama mel no centro de um pires e ele vai-se espalhando a partir do montículo que se forma no ponto em que está sendo derramado (analogias, respectivamente, de Mises e Hayek). Por isso, alguns gastos e preços mudam antes e outros mudam depois e, enquanto a mudança monetária — digamos, uma expansão do crédito — for mantida, sua irradiação para gastos e preços persiste em movimento.

Assim, as alterações provocadas nos preços relativos, que são definidos como as comparações de todos os preços tomados dois a dois, produzem mudanças na alocação de recursos. Quando ocorre uma expansão do crédito bancário, supondo que as expectativas quanto à inflação futura não existam, as taxas de juros, inicialmente, caem, mantendo-se abaixo dos níveis que alcançariam se o crédito não tivesse aumentado. O efeito disso é que, necessariamente, os padrões de gastos sofrerão alterações: os gastos de investimentos subirão relativamente aos gastos de consumo corrente e às poupanças. Portanto, a expansão monetária, necessariamente, provoca uma descoordenação entre os planos de poupança e de investimento do setor privado. Esse impacto descoordenador da política monetária é essencial na visão hayekiana, mas não é levado em conta pela teoria macroeconômica convencional.

Como este curso é dirigido a iniciantes em economia, não vamos discutir a importantes questões: os governos devem continuar detendo o monopólio sobre a moeda? Os bancos centrais devem mesmo existir? Para incentivar você a se aprofundar no fascinante mundo econômico, vamos apenas dizer que a resposta de alguns austríacos (entre os quais me incluo) para ambas as perguntas é: não!

 

Sugestões de leitura:

Mises, Ludwig, As seis lições, cap. 4, Inflação

Iorio, Ubiratan J. Ação, tempo e conhecimento: a Escola Austríaca de Economia, IMB, São Paulo, 2011, capítulo 5

Murphy, Robert, A origem do dinheiro e de seu valor 

Schiff, Peter, O que é o dinheiro, como ele surge e como deve ser gerenciado 

Hülsmann, Jörg Guido, Bancos não podem criar dinheiro

Herbener, Jeffrey, Como seria a produção de dinheiro no livre mercado

Shostak, Frank, Inflação não é um aumento generalizado nos preços

Hazlitt, Henry, O básico sobre a inflação

 

Sugestões para reflexão e debate:

1. O que você entende por "ordem espontânea" e por que a moeda se encaixa nessa definição?

2. Quais são os requisitos para que uma mercadoria seja aceita como moeda?

3. Comente: "a moeda é o meio de troca".

4. Pode existir inflação em uma economia que não use moeda?

5. Defina inflação segundo a visão da Escola Austríaca e compare essa definição com aquela que diz que "inflação é um aumento contínuo e generalizado de preços".


2 votos

autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Shirlene Tavares  29/10/2012 04:21
    E quanto às moedas sociais, criadas e utilizadas em pequenas comunidades? Você entende que elas seriam o início desta mudança?
  • Leandro  29/10/2012 04:49
    Moedas sociais têm uma engenharia interessante, mas funcionam muito diferentemente do que as pessoas pensam. Todas as moedas sociais são estritamente reguladas pelo Banco Central e, ao contrário do imaginado, todas têm de ter lastro de 100% em reais. Ninguém pode sair criando moeda social do nada. Para cada moeda social criada, você tem de ter uma igual quantia de reais por trás dela.

    O conceito é complicado de ser explicado numa seção de comentários e necessitaria de todo um artigo a respeito, mas basta dizer que as

    1) moedas sociais não funcionam sem empréstimos maciços (e subsidiados) do Banco do Brasil para a agência emissora de moeda social; e

    2) são um modelo que estimula o consumismo (daí sua imediata sensação de prosperidade criada) e desencorajam a poupança.

    Retire o Banco do Brasil da jogada e todo o arranjo entra em colapso.
  • anônimo  29/10/2012 06:01
    Moeda social lastreada em ouro.Problema resolvido.
  • Shirlene Tavares  29/10/2012 06:59
    Entendi Leandro.\r
    \r
    Mas questiono: com o fim da detenção, pelos governos, do monopólio sobre a moeda e com a extinção dos bancos centrais, como ficariam as relações entre países? Propõe-se que seja mantida uma moeda única em cada país, a liberdade de criação de multiplas moedas em um mesmo país ou uma união monetária mundial?
  • Leandro  29/10/2012 07:19
    Qualquer opção. Quem vai escolher são as pessoas, voluntariamente. O imprescindível é acabar com monopólio estatal sobre a moeda, no qual o estado faz absolutamente o que quer com o poder de compra da população e nenhuma punição é imposta aos criminosos.
  • Shirlene Tavares  29/10/2012 07:49
    Sem entrar no mérito acerca da legitimidade do Estado para esta dominação e a forma com que ele exerce este poder, na minha opinião o que você propõe é uma retrocessão, pois não acredito que as pessoas tenham a capacidade necessária para pensar, propor e organizar uma nova ordem monetária mundial sem a interferência de um organismo maior ou com uma visão melhor do todo.\r
    \r
    Ou restabeleceríamos a prática da permuta, o que, diante das novas necessidades humanas além das básicas de sobrevivência, entendo que seja inviável. Ou nos veríamos diante de um verdadeiro caos, com inúmeras práticas distintas em um mesmo país e sem a força necessária para o estabelecimento de relações entre países.\r
    \r
    Pra mim, a discussão deveria caminhar para os limites do poder do Banco Central ou do Estado e não para sua extinção completa (este poder pode ter sido desvirtuado com o tempo, mas não acredito que tenha sido para isso que ele nasceu).\r
    \r
    Até tribos indígenas possuem líderes.\r
    \r
  • Leandro  29/10/2012 08:01
    "na minha opinião o que você propõe é uma retrocessão, pois não acredito que as pessoas tenham a capacidade necessária para pensar, propor e organizar uma nova ordem monetária mundial sem a interferência de um organismo maior ou com uma visão melhor do todo."

    O que você está realmente dizendo é que pessoas agindo voluntariamente são naturalmente imbecis e que apenas burocratas com armas e distintivos é que possuem a sabedoria superior para organizar e apascentar o gado. Sugiro um estudo da história monetária da humanidade. Por séculos, o sistema monetário foi organizado naturalmente, sem imposições estatais (o Banco Central americano só surgiu em 1913), e a moeda utilizada foi aquela escolhida voluntariamente pelos cidadãos, sem nenhuma coerção estatal.

    Sugiro, de início, estes dois artigos:

    []link=www.mises.org.br/Article.aspx?id=258As crises monetárias mundiais[/link]

    O que é o dinheiro, como ele surge e como deve ser gerenciado
  • Tory  29/10/2012 08:12
    Shirlene, acho que você não sabe ler. "As pessoas" já haviam criado uma ordem monetária perfeitamente viável, que era o padrão-ouro. Foi preciso uma grande dose de malabarismo estatal para subverter essa ordem e impor a moeda fiduciária. Não há necessidade alguma de controle estatal da moeda, a não ser para forçar a contínua redução do seu poder de compra.

    E é mesmo preciso trazer índios para esta história? Eles estacionaram no escambo, se muito.
  • Rafael França  29/10/2012 08:55
    Brasil na década de 80, anúncios de jornais para venda de casas, telefones (que eram bens), carros, etc... Tinham seu preço em dólar, pq o Cruzado, Cruzeiro Novo e afins não tinha um valor fixo confiável, o dólar era indexador
  • Shirlene Tavares  29/10/2012 09:13
    Bom... primeiramente eu havia questionado qual sua proposta e você disse que não havia e que as pessoas fariam esta escolha, livremente.\r
    \r
    Neste caso, acredito que você esteja propondo o reinício do caminho abaixo, entre aproximadamente 7 bilhões de pessoas (Artigo: O que é o dinheiro, como ele surge e como deve ser gerenciado):\r
    \r
    "...tão logo surgiu um esquema básico de produção e manufatura, e a prosperidade começou a aumentar, o escambo se tornou uma prática inadequada. Imagine que você é um caçador e quer adquirir uma cama, mas o único produtor de camas da cidade é um vegetariano. O que você pode fazer neste caso? Você primeiro teria de descobrir o que o produtor de camas aceitaria em troca da cama (talvez tofu), e então teria de encontrar alguém que possuísse tofu e estivesse disposto a trocar por carne. Se você não conseguisse encontrar tal pessoa (o produtor de tofu quer um chapéu em troca), você teria de procurar por uma quarta pessoa (alguém que quisesse carne e que possuísse o chapéu que o produtor de tofu quisesse), ou tentar convencer o produtor de camas vegetariano a aceitar sua carne para, algum tempo depois, tentar trocá-la por algum outro bem.(...)" \r
    \r
    Citado e dito isto, sim, repito que se trata de um retrocesso colocar esta livre organização nas mãos das pessoas.\r
    \r
    Com relação à imbecilidade, não, não estou sugerindo que as pessoas sejam imbecis. Estou dizendo apenas que elas teriam que percorrer todo o caminho acima para chegar a algum lugar, o que, repito, seria um retrocesso.\r
    \r
    E, por fim, não, não acho que elas necessitem de "burocratas com armas e distintivos para organizar e apascentar o gado". Acredito, apenas, que a liderança é necessária para se evitar o caos. A qualidade e finalidade desta liderança é que é o ponto.
  • Leandro  29/10/2012 10:48
    Não, Shirlene. Não seria necessário repetir todo este procedimento. Você está cometendo o erro básico de confundir evolução histórica com atualidade. A evolução histórica já nos trouxe à atualidade. Não é necessário reviver toda a história novamente. O parágrafo que você destacou mostra um processo que culminou com a escolha do ouro como moeda. Você não precisa, hoje, repetir todo este mesmo procedimento para voltar a ter o ouro como moeda. O ouro não apenas já é conhecido por todos, como também já possui -- e isso é essencial -- seu valor precificado no mercado. As pessoas já sabem, justamente por causa do processo histórico, que o ouro possui liquidez e que ele pode funcionar como moeda. Adotar o ouro (ou a prata, ou qualquer outra commodity) como moeda seria tão "trabalhoso" quanto adotar o dólar, a libra ou o euro como moeda corrente.

    O que você está realmente dizendo é que ninguém poderia hoje construir uma fábrica de automóveis já utilizando a tecnologia atual. Qualquer um que fosse construir uma fábrica de automóveis, pela sua lógica, teria de voltar aos tempos de Henry Ford e dali ir progredindo até os tempos de hoje.

    Sugiro que você tenha a humildade de gastar algum tempo lendo sobre o assunto antes de sair proferindo opiniões "certeiras". Estude em detalhes como se deu a evolução da moeda. Depois estude em detalhes sobre o que seria realmente necessário para se adotar uma nova moeda hoje. Tenha em mente que, antes de você dar sua opinião precipitada sobre um assunto com o qual confessadamente tem pouca intimidade, vários estudiosos dedicaram décadas de suas vidas escrevendo sobre este assunto. Você já se deu ao trabalho de ler suas obras? Já se deu ao trabalho de ler o que pensavam? Seus argumentos? Não? Então por que você se põe a pontificar sobre algo que não domina? Por que deveria ser levada a sério? Humildade sempre.

    Abraços!
  • Gustavo BNG  29/10/2012 11:07
    Nos EUA, a tendência sempre foi de aumento do tamanho do estado. Seria um retrocesso voltar a um estado mínimo, como era em 1900. Entretanto, um estado mínimo é algo muito superior que a situação atual, seja em justiça ou produção de riquezas.
    Assim, refuta-se o pressuposto de que um retrocesso é algo ruim.
  • Renato  30/10/2012 02:52
    Shirlene\r
    \r
    Metais preciosos funcionaram como moedas por longo tempo, portanto não há dificuldade alguma. A criação dos bancos centrais teve como objetivo coordenar a expansão dos meios de pagamento, de forma que essa possa ocorrer mais rapidamente. Mas a expansão dos meios de pagamento é a própria inflação. E inflação, ao contrário do que dizem, é um mal, não um bem. Fora a corrdenação de dinheiro sem lastro, um banco central é desnecessário, bastaria no máximo um currency board (ou nem isso). De cabeça, me lembro que há pelo menos um país que não tem banco central, so currency board. E o Panama, acho que nem isso. Inicialmente, o uso de qualquer moeda era livre no Panamá. Posteriormente, talvez por pressões políticas, eles fecharam com o dolar. Liberdade de uso de moedas não traz problema algum, a não ser que o governo queira se endividar, ou que o governo queira inflacionar a moeda imprimindo, ou se permita aos banqueiros criar moeda do nada. Como essas três opções são ruins para o pais, então o uso de moedas sõ não é livre porque se quer adotar políticas que são ruins para o país.
  • Renato  30/10/2012 14:22
    Shirlene\r
    \r
    Uma liderança que quer cada vez mais poder, às expensas da liberdade de seus liderados, é uma liderança ruim. Só isso já serve para condenar os estados modernos, principalmente aqueles super-interventores.
  • Shirlene Tavares  29/10/2012 09:15
    Prezado Tory,\r
    \r
    agradeço pela colaboração. \r
    \r
    Com toda a certeza a sua educação se presta bastante à atribuição de credibilidade e confiabiliade ao que você diz.\r
    \r
    Peço desculpas se o insultei com a minha falta de conhecimento sobre o assunto.
  • Rhyan  29/10/2012 16:26
    Totalmente off-topic...

    "Sair em uma noite fria sem estar agasalhado costuma causar gripe"

    Na verdade isso é um mito, a gripe é causada por vírus, não pela exposição ao frio ou ao sereno. O fato de existir mais casos de gripe e resfriado no inverno é porque as pessoas ficam mais em ambientes fechados.
  • Lucas Silva  28/12/2012 12:18
    E o vírus sobrevive mais no inverno, por causa da menor exposição a radiação ultra violeta.
  • Miqueias  29/10/2012 17:11
    Qual seria o meio correto pra evitar que banqueiros privados usassem o dinheiro depositado para gerar crédito produzindo, na verdade, dinheiro sem lastro? Apenas a desconfiança dos clientes, em uma economia liberal, seria suficiente?
  • Leandro  29/10/2012 17:40
    Ligas antibancos, uma espécie de Procon que vigiaria e auditaria os bancos.

    Ou os próprios bancos se encarregariam de denunciar as fraudes alheias. Dado que qualquer pessoa estaria livre para abrir bancos, seria de seu interesse tentar cooptar os clientes dos bancos concorrentes. E nada mais eficaz pR abalar a credibilidade da concorrência do que denunciar seus atos.
  • Joel Pinheiro  29/10/2012 17:24
    Uma pergunta minha ao Prof. Ubiratan, Leandro e outros mais entendidos de economia monetária: se o governo brasileiro mantivesse o BC e continuasse a emitir o Real, mas permitisse a livre entrada e circulação de qualquer moeda no Brasil, e tirasse a exigência de que o Real fosse aceito como meio de troca, isso equivaleria à proposta de abolir a moeda estatal? Se sim (e é o que me parece), a mudança institucional proposta pode ser muito menos "radical": não se trataria de abolir nada, mas apenas permitir outras moedas concorrentes. Estou certo?
  • Leandro  29/10/2012 17:43
    Correto. E essa -- a liberação do uso de moedas estrangeiras no Brasil --, inclusive, é uma de nossas bandeiras.
  • Rhyan  29/10/2012 23:54
    Creio que o real não sobreviveria, mas se nesse caso do Joel fosse incluído lastro em ouro para o real?
  • Gabriel  30/10/2012 06:46
    Prezados, bom dia. Leandro, bom dia.
    Conheci esse site eventualmente navegando pela internet. Muito bom!

    Li em outros lugares que inflaç?o é boa para os que tem dívida de longo prazo. Se isso é verdade, de que forma isso aconteceria? Como funciona a mecânica?

    Outra pergunta: Como nó assalariados, da economia real, podemos ter um sucesso financeiro nesse mundo de dinheiro virtual? Qualquer um com superávits (gastar menos do que ganhar) está caminhando para uma solidez financeira?

    Obrigado.
  • Leandro  30/10/2012 07:36
    A inflação é boa para quem tem dívidas pois a depreciação da moeda facilita a quitação de dívidas. Ao mesmo tempo, ela pune o credor.

    Se eu lhe empresto $100 e cobro $110 daqui a dois anos, a facilidade que você terá para me pagar esse valor será diretamente proporcional ao aumento da quantidade de dinheiro havido na economia. Quanto maior houver sido a inflação, maior será a sua facilidade. Por outro lado, pior será para mim, que receberei de volta um valor monetário com poder de compra menor do que aquele à época do meu empréstimo para você.

    Quanto às outras perguntas, poupar sempre será algo positivo, mas nunca o suficiente. De nada adianta você poupar e o governo destruir a moeda, como fez na década de 1980. Você precisa saber como investir para manter seu poder de compra. O IMB, por questão de estatuto, não fornece dicas de investimento, embora sempre tenhamos sido abertos em nossa predileção por metais, como o ouro.

    FAQ: como comprar ouro no Brasil?
  • Gabriel  30/10/2012 12:04
    Leandro,

    Mesmo as dívidas cujo saldo devedor tem atualização monetária, como os financiamentos imobiliários?

    Ou cujas parcelas reajustadas pelo INCC, como consórcios imobiliários?

    Neste caso o emprestador está protegido da inflação?

    Obrigado, novamente.
  • Leandro  30/10/2012 12:47
    Estas são mais protegidas. Porém, tenha em mente dois detalhes:

    1) os índices de inflação sempre subestimam a inflação real ocorrida;

    2) para você, o que interessa é a inflação de preços daqueles itens que você consome rotineiramente (como alimentos e aluguéis), e não a inflação de preços de itens mais supérfluos (como cigarros).

    Portanto, uma correção pelo IPCA ou pelo INCC sempre estará abaixo da inflação de preços dos alimentos, por exemplo. Logo, embora o reajuste reduza bastante suas perdas, você ainda assim estará tendo perdas. Bancos sabem disso, por isso seus juros para empréstimos sempre foram historicamente altos. Eu faria o mesmo se fosse eles.
  • Occam's Razor  30/10/2012 08:39
    A inflação potencializa a perpetuação da corrida dos ratos opequenoinvestidor.com.br/2009/10/ativos-e-passivos-financeiros-voce-sabe-a-diferenca/
  • Ismael  02/11/2012 06:31
    Caros Leandro e Ubiratan,

    Sobre a liberdade de mercado, gostaria de compreender melhor um determinado fato - Como poderíamos (sociedade, consumidores) proteger nossas crianças do assédio da indústria de alimentos que se vale da mídia para criar desejos de consumo sem qualquer responsabilidade com qualidade nutricional (com consequências à saúde de populações futuras)e tambem na ética de não interferir na manutenabilidade da relação educacional pais-filhos (como por exemplo da importância para uma criança conhecer limites do consumo)?
    Quais seriam os aparatos para a sociedade que assegurariam esta proteção contra um "mercado livre" que poderia ilimitadamente (ainda mais do que hoje) fazer uso da propaganda sobre crianças expostas à TV moldando formas de consumo ao bel prazer da industria alimentícia? No livre mercado existe esta relação intrínseca de produção de bens-serviços e liberdade de propaganda? A indústria pornográfica ou de armamentos ou de bebidas ou de cigarros, através da propaganda, teria que tipos de liberdades dentro da ideia de "mercado livre"?
    Obrigado pela atenção e por gentileza indiquem artigos relacionados!
  • Leandro  02/11/2012 06:58
    Há um artigo inteiro sobre isso:

    Em defesa da publicidade infantil

    Não queira, por gentileza, criar uma sociedade de derrotados e fracotes, em que as "crianças" não podem ver um Big Mac na TV porque (você acha que) elas ficarão descontroladas...

    Eu mesmo cresci em uma época em que havia propaganda de tudo na TV. E não fiquei imbecilizado por isso. Ao contrário até, eu diria.
  • Sergio  02/11/2012 15:37
    Taí uma coisa que os libertários não sabem responder. Como vamos combater, por exemplo, a pornografia e a prostituição infantil numa sociedade sem Estado? Eles até podem responder: ah, isso é um assunto que cabe à família resolver (eu já libertário do Fórum do Mises Americnao responder isso). Em primeiro lugar, o próprio Rothbard disse que os pais não tem a obrigação de assumir a responsabilidade de cuidar filhos (esta é a ética rothbardiana). Em segundo lugar, e quando os próprios pais colocam a filha para se prostituir ou até vendem a filha para um explorador (como estamos cansados de ouvir nas notícias sobre casos de prostituiçao infantil). E aí libertários? Como se resolve?

    Vocês acham que tudo é simples, tudo se resolve no "contrato livre". Por exemplo, o tal Eduardo acima citou o YouTube. Todos sabemos que o YouTube só retira os videos de conteúdo impróprio para os menores por causa da lei estatal que proibe conteudos impróprios aos menores. E mesmo com a lei, ainda tá cheio de conteúdo impróprio disponível no YouTube. Ou seja, os libertários não tem solução. Me perdoem, libertários. Concordo muito com a teoria econômica, mas prefiro defender um Estado Mínimo, pois há casos que sem o Estado é impossível de resolver. A pornografia e a prostituição infantil é um desses.
  • Luis Almeida  02/11/2012 16:46
    Esse tal Sergio ou vive em uma dimensão paralela ou mora no paraíso (gostaria de saber onde). Recorrentemente ele vem atormentar este fórum com as mesmas perguntas de sempre (as quais já foram várias vezes respondidas, mas ele finge que não viu):

    "Como os libertários resolveriam isso e isso?"

    O curioso é que absolutamente todos os problemas que ele cita já ocorrem abundantemente em nosso mundo totalmente estatal. Sendo assim, chegou a vez de trocarmos os papeis. Diga aí, caro Sergio: o que você está fazendo hoje para resolver estes problemas que existem hoje em nosso mundo estatal? Acha que Sarney está fazendo um bom trabalho ou você acha que ele precisa de ainda mais poderes?

    Sem tergiversar e fazer outra pergunta (seu artifício favorito). Apenas responda a estas minhas duas perguntas acima. Chega de fugas.
  • Sérgio  02/11/2012 17:36
    Aqui o único que está a pergunta com outra pergunta é você. Eu fiz uma pergunta, cadê a resposta? Mas vou responder suas perguntas:

    1) o que você está fazendo hoje para resolver estes problemas que existem hoje em nosso mundo estatal?
    - Eu dou aula de ensino religioso e transmito os valores judaico-cristãos aos alunos. E é assim que devemos atuar: no combate cultural.

    2) Acha que Sarney está fazendo um bom trabalho ou você acha que ele precisa de ainda mais poderes?
    - Sarney, como outros políticos brasileiros, é um esquerdista. E este é o problema. Devemos tirar a esquerda do governo e colocar conservadores e libertários. Apenas políticos apoiados na ética judaico-cristã poderá resolver isso. É de políticos assim que precisamos para resolver o problema.
  • Luis Almeida  02/11/2012 20:21
    Prezado Sergio, sou também moderador desta seção de comentários. Acompanho sempre suas postagens aqui, as quais, curiosamente, têm o mesmo IP de outro sujeito daí do RS -- que, embora "coincidentemente" tenho o seu mesmo estilo de escrita, "curiosamente" tem outra ideologia. Seria algum distúrbio psicológico ou o senhor é um troll profissional? De resto, as respostas às suas perguntas estão em todos os comentários seus. É só procurá-los. Tem tempo para isso você tem de sobra.

    Quanto ao que você disse:

    1) "Eu dou aula de ensino religioso e transmito os valores judaico-cristãos aos alunos. E é assim que devemos atuar: no combate cultural"

    Dar aula de ensino religioso é bonito e eu respeito bastante, mas tem efeito nulo sobre a pornografia e a pedofilia. Ensinar religião a crianças não afeta em nada a ação da indústria pornográfica e a pederastia (como você confessou no item 2, a seguir).

    2) "Devemos tirar a esquerda do governo e colocar conservadores e libertários. Apenas políticos apoiados na ética judaico-cristã poderá resolver isso. É de políticos assim que precisamos para resolver o problema"

    Confissão aterradora e extremamente incoerente. Você afirmou explicitamente que são políticos que irão resolver tais questões. Ou seja, nada de família, nada de pais, nada nem mesmo de educadores. Políticos é que são a solução -- o que significa que o seu trabalho de educador religioso é, por confissão própria, inútil. Você anulou tudo o que disse no item 1.
  • anônimo  28/12/2012 13:01
    Sérgio
    E daí que Rothbard disse? A filosofia liberal existe há muitos séculos, que eu saiba começou bem antes de Von Mises, e é até comum os liberais discordarem entre si em vários assuntos, então que se dane o que Rothbard disse porque isso aqui não é uma religião de adoradores do São Rothbard

    Quanto ao youtube a solução é os pais deixarem de ser preguiçosos e passarem a controlar tudo que os filhos vêem.Uma cantora lá, Madona, disse que a filha dela era assim.A filha dela não assistia televisão, só desenhos e dvds que ela como mãe aprovava.

    Os pais que botam a filha pra prostituição, isso poderia estar previsto numa sociedade por contratos, uma família que faz uma coisa dessas jamais iria fazer parte da comunidade
    Mas é o tipo do problema que só existe onde tem gente com pouca ética e moral

  • Eduardo  02/11/2012 11:02
    "A indústria pornográfica ou de armamentos ou de bebidas ou de cigarros, através da propaganda, teria que tipos de liberdades dentro da ideia de "mercado livre"?"

    Idealmente, haveria as liberdades de entrar em contratos privados e de usarem sua propriedade privada (no caso, veículos de comunicação) como quiserem.

    Ou seja, quem 'limitaria' as propagandas e conteúdos divulgados seriam contratos com as empresas que fazem esse tipo de comunicação.
    Há um incentivo pra, por exemplo, o youtube ter políticas privadas contra propagandas 'pesadas' demais, e sujeitar seus anunciantes a esses contratos. O incentivo é que o público-alvo por ser muito generalizado se perderia com tais propagandas, e haveria prejuízos.

    O próprio facebook poderia permitir pornografia, já que existem inúmeras redes sociais que permitem sem problemas, mas eles têm políticas próprias pra proibir isso, porque é dos interesses deles com seu público-alvo.

    No entanto, uma propaganda 'pesada' de sex toys ou maconha não precisam ser necessariamente eliminadas, e poderiam ser veiculadas pra públicos mais específicos. Elas seriam apenas marginalizadas e tiradas de veículos mais familiares e infantis como youtube, telejornais ou canais de desenho.

    O cuidado das crianças tem que estar a cargo dos pais.
    Primeiramente, eles devem ensinar às suas crianças valores sobre consumo e sobre alimentação.
    Em segundo plano, eles controlam que tipo de veículos de comunicação essas crianças podem acessar, moldando os contratos privados desses veículos em direção a terem políticas internas mais adequadas do que marketar.
  • Lucas Silva  28/12/2012 12:30
    Totalmente acordado.

    Hoje em dia, com acesso a internet e mesmo canais de TV internacionais, as crianças podem tranquilamente acessar pornografia e outros materiais, não existem mecanismos de controle a isso e nunca existirão (a menos que queira uma ChinaNet da vida). A família pode muito bem ensinar os valores que achar mais conveniente para seus filhos, moldando eles de uma forma que acharem mais correta.

    Sérgio, quando você defende políticos religiosos, cuidado, pois qualquer estado (máximo ou mínimo) deve ser laico. Nada de leis religiosas, como estamos vendo em abundância hoje em dia.

    Abraços!
  • anônimo  29/12/2012 16:37
    'qualquer estado (máximo ou mínimo) deve ser laico.'

    Quem foi que disse? Se as pessoas de uma religião qualquer resolverem criar o próprio 'estado' elas tem todo o direito de escolher a lei que quiserem.
  • Luis A.  15/12/2016 10:49
    Excelente matéria, excelente iniciativa.

    Venho de uma área do conhecimento diferente e estou nos primeiros passos da Economia.
    Esse conteúdo foi e tem sido de grande valia. Continuem, por favor.

    Agradeço.


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