clube   |   doar   |   idiomas
Dez lições de economia para iniciantes - Sexta lição: lucros, perdas e empreendedorismo

Duas das palavras mais amaldiçoadas pelos socialistas e comunistas são: lucro e empresário. Essa gente, entre os quais muitos professores de História, cujos conhecimentos de economia são nulos, repetem como papagaios que os que ganham lucros são ladrões, exploradores do povo, tubarões e outras bobagens desse gênero; da mesma forma identificam os empresários, pois, afinal, são eles que ganham lucros...

Pois saiba você que a pessoa que inventou o computador pessoal e as que o aperfeiçoaram, assim como as que desenvolveram a Internet, ganharam muitos milhões de lucros por suas invenções e que, se não fossem esses "ladrões e exploradores", você e muitos milhões de pessoas no mundo inteiro não teriam acesso a muitas facilidades que tornaram a sua vida muito mais interessante do que na época em que não existiam computadores pessoais e nem Internet!  Então, sempre que alguém xingar gratuitamente os empresários ou falar mal dos lucros, pense nisso e dê esse exemplo. Garanto que essa pessoa ficará desconcertada e não terá argumentos para rebater a verdade que você lhe disse.

Os lucros representam a remuneração dos empreendedores, que são aqueles empresários que, por meio de sua ação nos mercados, criam novas informações e as transmitem, coordenam as ações dos agentes econômicos, e descobrem oportunidades de lucros. Os verdadeiros empreendedores precisam estar em permanente estado de alerta, de vigilância e de atenção.

Entenda o que significa dizer que os empreendedores "coordenam as ações dos agentes": quando eles descobrem que podem comprar barato certo recurso para revender esse recurso a um preço maior, eles fazem com que o comportamento que era descoordenado dos donos desse recurso passe a ser coordenado com o comportamento de quem precisa desse recurso. Ao fazer isso, eles estão empreendendo.

Quanto mais forte for a atividade dos empreendedores, maiores serão as novas descobertas de meios e fins, a criatividade e a coordenação e, portanto, mais dinâmica e eficiente será a economia.

Intervencionismo e empreendedorismo são estados contraditórios. Não admitem meios termos, da mesma forma que não há meio termo entre chover e não chover: ou está chovendo ou então não está; ou há empreendedorismo ou intervencionismo. Infelizmente, poucos percebem isso e a imensa maioria das pessoas, incluindo muitos empresários, crê que intervencionismo e empreendedorismo podem conviver na geração do progresso. O empreendedorismo brota do espírito criativo dos indivíduos, que os leva a assumir riscos para criar mais riqueza. Para que possa florescer, depende de quatro atributos: governo limitado, respeito aos direitos de propriedade, leis boas e estáveis e economia de mercado. Quanto mais uma sociedade afastar-se desses pressupostos, mais sufocada ficará a atividade de empreender e mais prejudicada a economia, pois não se conhece exemplo de desenvolvimento econômico sem a presença de empreendedores.  Neste artigo, enfatizamos os efeitos do intervencionismo.

Podemos definir empreendedorismo ou função empresarial como o atributo individual de perceber as possibilidades de lucros ou ganhos eventualmente existentes. Ora, como isso se constitui em uma categoria de ação, esta pode ser encarada como um fenômeno empresarial, que põe em destaque as capacidades perceptiva, criativa e de coordenação de cada agente. O empreendedor é aquele indivíduo que percebe que uma determinada idéia poderá lhe proporcionar ganhos e se empenha para desenvolvê-la na prática. O fato de esse indivíduo ser ou não um empresário (no sentido de ser diretor ou dono de uma empresa), no momento em que nasce sua boa idéia, não é, portanto, relevante para que possamos defini-lo como empreendedor.

Um dos aspectos mais importantes do conceito de empreendedorismo ou função empresarial é que o empreendedor não é meramente a mola propulsora de uma economia de mercado, mas um produto exclusivo da economia de mercado. Em outras palavras, só pode existir empreendedorismo onde houver economia de mercado, uma vez que o processo de descoberta que caracteriza os mercados livres e que exige um permanente estado de sagacidade para descobrir as necessidades específicas dos consumidores não pode ser substituído pelo planejamento, por computadores, por reuniões da "sociedade civil", por "movimentos sindicais", por "câmaras setoriais" ou por "soluções" políticas.

Há diferenças entre empresário e empreendedor: diversas categorias de pessoas podem ser consideradas como "empresários": sindicalistas, diretores de "empresas" estatais, herdeiros de empresas que não trabalham, ou envolvidos em "atividades empresariais políticas" (como os lobistas), enquanto o que caracteriza o empreendedor é a percepção da oportunidade de ganho, mesmo que ele não possua um simples centavo ou não detenha qualquer poder.

Para que você compreenda de uma vez por todas o papel dos empreendedores, repito em seguida o exemplo de meu artigo João, Maria, José, Empreendedorismo e Intervencionismo, publicado em 28 de setembro de 2010.

Consideremos dois agentes, João e Maria. Cada um deles possui um conjunto próprio e peculiar de informações que o outro não possui. Ora, um observador externo, por exemplo, um terceiro agente, pode afirmar com razão que existe um conhecimento que ele, como observador, não tem, e que se encontra disperso entre João e Maria, significando com isso que João detém uma parte dele e Maria a outra parte. Há casos em que, para alcançar determinado fim, o agente necessite apenas de seu conjunto pessoal de informações, sem necessidade de ter que relacionar-se com outros agentes.

Mas estes casos são minoria no mundo real, em que a maior parte das ações envolve uma complexidade muito maior. Por exemplo, suponha que João pretende alcançar um fim FJ, para o qual precisa utilizar um meio MJ que não está à sua disposição e que, além disso, ele não saiba como obtê-lo. Admitamos também que Maria pretenda alcançar um fim FM, diferente de FJ e que tenha à sua disposição uma quantidade razoável do meio MJ tão útil para João, mas que para ela não seja importante. Porém, Maria não sabe que esse meio é importante para João e este não sabe que Maria o possui e, ainda, que não pretende utilizá-lo. O que acontece neste exemplo sucede também na maioria das situações reais: o fato dos fins FJ e FM serem contraditórios, ou seja, cada agente busca fins diferentes, com intensidades também diferentes e com um conjunto relativo de informações, no que diz respeito a eles e aos meios utilizáveis. Há, claramente, um desajuste e uma ausência de coordenação, motivados pela dispersão do conhecimento e que só desaparecerão por meio do exercício da função empresarial, ou empreendedorismo.

Suponhamos agora que um terceiro agente — José — percebe a situação de falta de coordenação que foi descrita e se disponha a exercer o empreendedorismo, quando descobre a possibilidade de obter um lucro se procurar Maria, para quem o meio MJ não tem utilidade e propor-lhe que o venda por, suponhamos, R$80.000,00. Sem dúvida, um excelente negócio para Maria, que atribuía ao meio um valor zero ou próximo de zero. Após comprar MJ de Maria, José procura João, que está interessado nele para que possa alcançar o seu fim FJ e lhe propõe vendê-lo por, suponhamos, R$100.000,00. Observe que José não precisa necessariamente possuir recursos para comprar o meio, bastará que tome um empréstimo cujos juros compensem o negócio.  Assim, José conseguiu obter do nada — ex nihilo — um lucro empresarial puro de R$ 20.000,00 do meio MJ. Em consequência, a ação empresarial de José produziu três efeitos: primeiro, criou nova informação, novo conhecimento; segundo, transmitiu esse novo conhecimento no mercado; e terceiro, ensinou os outros dois agentes a agirem em um processo de dependência recíproca.

A criação empresarial de conhecimento representa uma transmissão instantânea dessa informação nos mercados. José não apenas transmitiu a Maria a informação de que o recurso MJ, que ela possuía, mas ao qual não atribuía valor, era importante para alguém e que não havia, racionalmente, razão para desperdiçá-lo, mas também transmitiu a João a informação de que poderia prosseguir com a ação para alcançar o seu objetivo FJ e que poderia ter sido abandonada pela falta do meio adequado. O exemplo ilustra também a importância do sistema de preços como um transmissor de informações muito eficiente, que se espalha sucessivamente por todo o processo de mercado, eliminando a falta de coordenação. José, que apenas percebeu que o recurso MJ possuía valor para João, embora não tivesse valor para Maria, nada mais fez do que transmitir ao mercado essa sua percepção, agindo como um empreendedor e auferindo um lucro.

Observemos também que o conjunto relevante de informações tem natureza essencialmente subjetiva, porque depende daqueles agentes empreendedores que sejam capazes intuitivamente de descobri-lo. Mesmo aquele tipo de informações ou de conhecimento que é geralmente encarado como "objetivo", como os próprios preços, por exemplo, é na realidade gerado por informações subjetivas, como a que levou José a procurar Maria, propor-lhe a compra do meio e, depois, a procurar João e dizer-lhe que estava disposto a vendê-lo.

Mas não foram apenas João, Maria e José que ficaram satisfeitos com a ação empreendedora do último. Suponhamos que o fim de João era abrir uma oficina de mecânica de automóveis em uma determinada rua de um bairro, que o meio de que necessitava era um terreno e que Maria tenha herdado de uma tia um terreno baldio nessa mesma rua, que só lhe estava causando custos com as taxas e impostos escorchantes que o município lhe cobrava. Maria e João não se conhecem, mas eis que surge José que, conhecendo os desejos de ambos, percebe uma boa oportunidade de ganho se comprar o terreno de Maria por R$ 80.000,00 (valor que ele possui em uma conta poupança) e revendê-lo para João por um valor maior. Maria vende o terreno para José por aquele valor e José consegue revendê-lo para João por R$ 100.000,00. Admitamos, por fim, que João, de posse do terreno, abra a sua oficina e, com isso, dê emprego para cinco pessoas que se encontravam desempregadas.

Observemos quantos indivíduos ganharam com a idéia que José conseguiu levar adiante. Primeiro, o próprio José, que lucrou R$ 20.000,00; depois, Maria, que, além de ver-se livre das despesas com o terreno, embolsou, em termos brutos, R$ 80.000,00; em terceiro lugar, João, que pode finalmente realizar o seu desejo de ser proprietário de uma oficina mecânica e que poderá obter lucros com o seu funcionamento; e, por fim, os cinco empregados do novo negócio e, obviamente, as suas famílias, que — admitamos - totalizavam, somando as esposas e os três filhos de cada um, vinte pessoas. Portanto, o empreendedorismo de José beneficiou, ao fim e ao cabo, ele mesmo, João, Maria, os cinco mecânicos e mais vinte pessoas, ou seja, vinte e oito pessoas.

Notemos que José, para colocar em prática a sua idéia, nem precisava dispor dos R$ 80.000,00 necessários para comprar o terreno de Maria, bastando que tomasse um empréstimo nesse valor e que o total de juros que teria que pagar pela operação fosse inferior ao ganho obtido com a revenda do terreno para João. Vemos, então, que o empreendedor não precisa ser alguém necessariamente rico, mas alguém que tenha criatividade, inventividade - ideias, enfim.

Ora, se isto acontece em um pequeno negócio como o desse exemplo simples, podemos imaginar a amplitude dos benefícios proporcionados pelos grandes negócios, que envolvem a geração de empregos de centenas e de milhares de pessoas. No entanto, a cultura antiempresarial insiste invariavelmente em associar os grandes negócios a fraudes, negociatas e "maracutaias", em que apenas os "empresários" obtêm lucros e sempre a partir da "exploração" alheia...

Assim, José, o empreendedor inicial (aquele que teve a ideia), conseguiu obter um lucro empresarial bruto de R$ 20.000,00. Mas Maria, de imediato, já ganhou R$ 80.000,00 e poderá, ao longo do tempo, ganhar mais do que o lucro de José, caso aplique bem o seu dinheiro. Da mesma forma, o negócio de João, que lhe custou R$ 100.000,00 pela compra do terreno, fora os custos com máquinas, empregados e a construção de um galpão, entre outros, depois de algum tempo, compensará os seus custos fixos e variáveis de abrir e manter a oficina. A ação empresarial de José produziu vários efeitos: criou nova informação; transmitiu essa informação ao mercado; coordenou os planos de João com os de Maria; deu emprego para cinco mecânicos; beneficiou suas famílias; e aumentou a competição no setor de mecânica de automóveis, porque criou mais uma empresa e, portanto, beneficiou também os proprietários de carros.

Espero que este exemplo simples tenha ajudado você a compreender a importância do empreendedorismo. Note que, no exemplo, tudo deu certo para José, o empreendedor. Mas e se não desse? Se, por exemplo, ele pagasse os R$80.000,00 pelo terreno de Maria, mas não conseguisse revendê-lo para João pelos R$100.000,00, mas apenas por R$76.000,00? Bem, nesse caso, ele incorreria em uma perda ou prejuízo: R$4.000,00 (perda direta, que pode ser medida) mais as perdas representadas pelo tempo que perdeu fazendo os dois negócios (perdas indiretas, que não podem ser calculadas).

A maioria das pessoas só olha para os lucros ganhos pelos empreendedores, mas se esquecem de que eles correm muitos riscos, sendo os principais os riscos de seus empreendimentos não darem bons resultados e isso lhes causar perdas.

Depois de todas essas observações, espero que tenha ficado bastante claro para você que um das condições, talvez a principal delas, para que uma economia se desenvolva é a liberdade de empreender, sem qualquer interferência do estado. Podemos, então encerrar com as palavras de um campeão da lógica e da liberdade, Ludwig von Mises, no artigo citado nas sugestões de leitura em seguida:

Aqueles empreendedores que se mostrarem incapazes de produzir, da melhor e mais barata maneira possível, os bens e serviços que os consumidores estão demandando com mais urgência, sofrerão prejuízos e serão, em última instância, eliminados de sua posição empreendedorial.  Outros empreendedores que tenham maior capacidade administrativa e que saibam melhor como servir aos consumidores substituirão estes que fracassaram.

 

Sugestões de leitura:

Iorio, Ubiratan J., João, Maria José, Empreendedorismo e Intervencionismo

Huerta de Soto, J., Empreendedorismo, eficiência dinâmica e ética

Mises, L., A natureza econômica dos lucros e prejuízos

Fonseca, Joel P., A virtude do lucro

Abreu, Mariana P., Empreendedor "austríaco" vs. empreendedor schumpeteriano

 

Sugestões para reflexão e debate:

1. Dê exemplos de pessoas que ganharam lucros melhorando a vida de muitas outras pessoas.

2. Como você responderia a alguém que lhe dissesse que os lucros do capitalismo são imorais?

3. Qual a diferença entre empreendedor e empresário?

4. Em que consiste o papel coordenador dos empreendedores?

5. Por que a atividade dos empreendedores exige um permanente estado de alerta?


3 votos

autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Neto  09/10/2012 03:09
    1 Steve Jobs, Elon Musk, Larry Page e Sergey Brin
    2 é do lucro de alguém que vem tudo de bom que faz a tua vida ficar mais fácil e produtiva
    3 empresário está associado a uma empresa, empreendedor é quem tem uma visão de algo que o mercado precisa, sem estar necessariamente ligado a empresa nenhuma
    4 consiste em ligar o 'produtor' em potencial ao consumidor em potencial, e é a ação e a visão do empreendedor que torna isso possível
    5 porque ele pode ficar obsoleto a qualquer momento, nessa hora ele tem que atualizar sua empresa pra ela ficar mais competitiva ou fechar e ir fazer outra coisa
  • Occam's Razor  09/10/2012 05:56
    O IMB já fez um artigo sobre os guardadores de carros, aqueles simpáticos indivíduos que protegem sua propriedade mediante uma módica "contribuição"? Em caso negativo, acho que seria um tema que vale a pena em um texto rápido.
  • Vagner  09/10/2012 08:01
    Que exemplo interessante. Irei pregar no mural da minha escola ou então esfregar na cara da minha professora socialista.
  • Ze  09/10/2012 09:33
    Dizer que "ou há empreendedorismo ou intervencionismo" é desonesto. E o pior é que o próprio texto prova isso, quando diz que o empreendedorismo é um atributo individual. Sendo um atributo individual, ele não pode ser simplesmente anulado por uma intervenção estatal. Isso não faz o menor sentido. Empreendedores de verdade encontram maneiras de escapar dos cerceamentos feitos pelos interventores. Isso acontece o tempo todo no mundo todo!

    Pra vocês verem como uma pequena frase pode trazer descrédito a um texto inteiro. Os argumentos são bons, mas se valer de desonestidade (desnecessária, diga-se) para validá-los só atrapalha.
  • Pedro Valadares  09/10/2012 09:47
    Ze, você está sendo injusto. A questão é que o intervencionismo cria um risco absurdamente maior para o empreendedor, além de elevar os preços de forma errônea em alguns segmentos. Por exemplo, na época da Lei Seca nos EUA, um empreendedor que resolvesse vender bebida correria um risco de ser preso. Além disso, por conta desse contratempo, quem se dispunha a correr o risco elevava o preço da bebida, algo que não aconteceria no livre mercado.

    Dessa forma, o segmento de bebidas roubava capital de outros segmentos, interferindo e todas as cadeias e distorcendo os preços.

  • Neto  09/10/2012 09:51
    Se o empreendedor escapa então não é intervenção.Foi no máximo tentativa de...
    O contexto do artigo é claro: governo tomando decisões no lugar dos empreendedores
  • Blah  09/10/2012 10:02
    Dizer que "ou há empreendedorismo ou intervencionismo" é desonesto. E o pior é que o próprio texto prova isso, quando diz que o empreendedorismo é um atributo individual. Sendo um atributo individual, ele não pode ser simplesmente anulado por uma intervenção estatal. Isso não faz o menor sentido. Empreendedores de verdade encontram maneiras de escapar dos cerceamentos feitos pelos interventores. Isso acontece o tempo todo no mundo todo!

    Quando se fala que ou há empreendorismo ou intervencionismo, não se está dizendo que ou há empreendedores ou interventores. A intenção é mostrar que o intervencionismo nunca pode ser empreendorismo e vice-versa. Um empreendedor pode ser obrigado a passar por barreiras intervencionistas, mas isso só é uma evidência que o intervencionismo é uma barreira para quem realmente quer empreender. A partir do momento em que um empresário passa a fazer parte dos grupos que querem se beneficiar do intervencionismo, ele deixa de ser um empreendedor. Um empreendedor pode, sim, ser um intervencionista, mas ambos são como água e óleo, você está no papel de empreendedor quando assume postura intervencionista.
    Aqui entra um aspecto potencialmente destrutivo do intervencionismo: os vencedores passam a ser não aqueles produzem mais e melhor, mas sim aqueles que têm melhores ligações políticas e conseguem fazer com que o intervencionismo funcione a favor deles. A consequência lógica disso é algo simples, mas difícil de ser digerido para os defensores das "políticas econômicas" dos governos: os indivíduos passarão a concentrar seus esforços mais no lado das intervenções do governo do que no seu negócio. Afinal, se você concentrar seus esforços na inovação, se você só tentar trabalhar para ser bem-sucedido no seu negócio, há grandes chances de certos concorrentes tentem minar seus esforços "em nome do bem comum". Quanto mais intervencionismo, mais as empresas passarão a contar com as intervenções, e menor importância terá o empreendorismo no sucesso das pessoas.
  • Neto  09/10/2012 10:05
    'Sendo um atributo individual, ele não pode ser simplesmente anulado por uma intervenção estatal.'

    Seu filho pode ter o atributo individual da vontade de montar uma barraquinha de limonada, e o governo pode vir e fazer isso


    Devidamente anulado.
  • Rodrigo DSP  09/10/2012 10:14
    Não acho que o prof. Iorio tenha sido desonesto. Creio que a idéia seja mostrar que empreendedorismo e intervencionismo são forças opostas, ou seja, quanto mais intervencionismo houver, menos espaço o empreendedor vai ter para agir.
  • Ze  10/10/2012 05:17
    Vocês focam demais numa teoria e se esquecem de olhar o mundo real.

    No mundo real, intervencionistas e empreendedores coexistem em todo o lugar. Não é difícil enxergar isso! Basta abrir os olhos!

    O autor fala claramente que intervencionismo e empreendedorismo "não admitem meios termos", o que é um absurdo, pois vemos inúmeros empreendedores no Brasil apesar de todo o intervencionismo.

    Se isso não é desonestidade, é ingenuidade; não vejo outra opção. Pode até ser que seja ingenuidade, mas pelo gabarito do autor do artigo, acho meio difícil.

    Como criticar os socialistas se utilizarmos os mesmos truques baixos?
  • Blah  10/10/2012 11:25
    No mundo real, intervencionistas e empreendedores coexistem em todo o lugar. Não é difícil enxergar isso! Basta abrir os olhos!

    O autor fala claramente que intervencionismo e empreendedorismo "não admitem meios termos", o que é um absurdo, pois vemos inúmeros empreendedores no Brasil apesar de todo o intervencionismo.


    O que o artigo afirma é que intervencionismo e empreendorismo são termos contraditórios. Isso não quer dizer que uma pessoa nasce intervencionista ou empreendedora, ou que uma pessoa não pode ser ora empreendedora ora intervencionista. Isso só quer dizer que uma ação específica não pode ser intervencionista e empreendedora ao mesmo tempo.
    Vou dar outro exemplo mais claro: pacifismo e violência são termos contraditórios, certo? Seguindo sua lógica, não haveria como os termos serem contraditórios, uma vez que um sujeito pode ser extremamente pacífico, não gosta de brigar, mas quando "a pátria o chama", ele se torna um soldado obediente e disposto a matar quem for preciso sem fazer perguntas.

    Se isso não é desonestidade, é ingenuidade; não vejo outra opção. Pode até ser que seja ingenuidade, mas pelo gabarito do autor do artigo, acho meio difícil.

    Na verdade, foi um problema na compreensão do texto mesmo.
  • Joao Girardi  13/07/2015 17:28
    O estado é uma organização compulsória que existe para regular e coibir atividades dentro da sociedade.

    Para o estado e os "empreendedores" associados "empreenderem", é necessário que obtenham dinheiro através de impostos, dinheiro esse que é tirado à força de seus cidadãos e portanto prejudica o progresso do restante da sociedade.

    Como o estado, em sua posição de tomador de impostos, pode sempre financiar seus projetos mal sucedidos com mais arrecadação e endividamento, você tem aí um bom incentivo para o fracasso. Na verdade ele não é um empreendedor, e sim um "desperdiçador". E o mesmo é válido aos "empreendedores" que dependem de seus subsídios e regulações para se manterem no mercado.

    O intervencionismo não pode coexistir com empreendedorismo e você sabe disso. Você não pode ter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo.
  • Pedro Valadares  09/10/2012 09:34
    Eu costumo dizer que o empreendedor é o cara que realmente acredita no país, pois é ele que está disposto a correr risco (calculado, diga-se) para melhorar a vida dos consumidores.

    O estado não acredita na economia e crê que todos os cidadãos são desonestos como eles.

    Excelente artigo!
  • Ubiratan Iorio  09/10/2012 10:15
    Zé , não julgue os outros por você. Ou há empreendedorismo ou há intervencionismo e não há nada de desonesto em escrever isso. A não ser que você julgue que dizer a verdade é desonesto. O intervencionismo inviabiliza o empreendedorismo.
  • Indignado  15/10/2012 13:36
    analisando a resposta do ubiratan:

    pra comecar ataca o adversario em vez de atacar o argumento.
    depois repete uma frase, nao demonstrando sua validade como se isso nao fosse necessario, como se o obvio não fosse justamente o contrario.

    o bom e que aqui no mises aparece o nome do autor. assim sabemos quem devemos evitar a priori...
  • mcmoraes  15/10/2012 17:50
    Dá-lhe, prof. Iorio. E, a propósito, parabéns pelo seu dia!
  • Bruno  15/10/2012 17:15
    Indignado, não vi nenhuma ofensa na resposta do Ubiratan.

    "Vocês focam demais numa teoria e se esquecem de olhar o mundo real."

    Você está julgando os outros por você, de fato. Exatamente como Ubiratan disse. Você está fechando os olhos para a lógica, para o "mundo real" e para o que está escrito no artigo, seja por interpretação falha, seja por desonestidade, mesmo. Você é quem está vivendo uma fantasia.

    "Intervencionismo e empreendedorismo são estados contraditórios. Não admitem meios termos, da mesma forma que não há meio termo entre chover e não chover: ou está chovendo ou então não está;"

    O que está dito aqui é que intervencionismo e empreendedorismo são estados contraditórios, o que é um fato. Se alguém realiza um ato intervencionista, ele está sendo intervencionista. Por exemplo, se um político cria uma empresa por decreto, você diria que ele está sendo um empreendedor? Isso é uma contradição.
  • Higor Monteiro  08/01/2013 00:45
    O interessante como o foco da discussão dos dois lados não altera o sentido da frase de iorio no MUNDO REAL: ''O intervencionismo inviabiliza o empreendedorismo'' algo claro, que realmente acontece, mostrando como sim, são termos contraditórios e que a discussão do lado do Zé não afere em nada no crédito do texto.
    Discordando do Zé, não acho nem um pouco que a frase que ele destacou do texto da um descrédito a todo o texto e que seja algo desonesto, a menos no ponto de vista do próprio zé.
    Isso só tira o foco do real objetivo do texto... porque não vi o ZÉ dizer que o intervencionismo não inviabiliza o empreendedorismo, pelo o contrário disse que os empreendedores a muito tentam dar um jeito pro cerceamento do estado, em suas palavras ''Empreendedores de verdade encontram maneiras de escapar dos cerceamentos feitos pelos interventores. Isso acontece o tempo todo no mundo todo!''
    Mostrando assim que acaba por concordar que intervencionismo e empreendedorismo não funciona como devia juntos, sendo assim, termos contraditórios.
    Discussão sem pé, sem cabeça ... se achas desonesto, muito bem, mas dizer que tal frase que destacou do texto dá total descrédito ao texto todo, aí sim é desonestidade ...

    Ótimas lições professor iorio! Pretendo levar essas lições comigo quando entrar na faculdade!! Muito obrigado pelo conteúdo.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.