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Dez lições de economia para iniciantes - Quinta lição: os efeitos dos controles de preços

Uma pergunta muito importante é: quanto conhecimento e que tipo de conhecimento por parte dos agentes econômicos tornam-se necessários para que possamos falar em coordenação perfeita entre os planos de todos os agentes econômicos, isto é, em equilíbrio de mercado?

O papel do mercado é o de servir como um processo, mediante o qual, por tentativas e erros, tanto o conhecimento como as expectativas dos diferentes membros da sociedade vão se tornando paulatinamente mais compatíveis no decorrer do tempo.  Surge desta maneira a importância fundamental, primeiro, do sistema de preços, com o papel de emitir sinais para que os diversos participantes do processo de mercado possam coordenar seus planos ao longo do tempo e, segundo, da competição, como o único meio de descoberta das informações que são realmente relevantes.

Evidentemente, a ignorância gerada pela escassez de conhecimento — e que envolve o processo de trocas — fará com que diversos planos fracassem, de modo que a tendência para um maior grau de coordenação dependerá, de um lado, da capacidade de cada agente aprender com seus próprios erros e, de outro, de sua capacidade de substituir os planos que fracassaram anteriormente por planos cada vez mais corretos.

Os preços, portanto, servem como sinalizadores nos mercados, indicando aos seus participantes se suas ações estão corretas e se podem melhorá-las com o decorrer do tempo. Muitos economistas falam sobre preços de equilíbrio, que seriam os preços que teoricamente igualariam as quantidades demandadas e ofertadas de um bem. Mas a grande verdade é que no mundo real não existem preços de equilíbrio, pois a economia é dinâmica; a passagem do tempo é um dado de que não se pode escapar e a incerteza não pode deixar de ser considerada.

Portanto, para a Escola Austríaca, que é essencialmente dinâmica, não existem preços de equilíbrio — o que há são preços que estão convergindo para o equilíbrio, em um processo de aprendizado, de tentativas e erros, conhecido como processo de mercado, ao qual já nos referimos na aula anterior.

Mas, para verificarmos como os controles de preços por parte dos governos são nocivos para as economias, suponhamos um mercado qualquer, um mercado de um bem essencial.  Mais especificamente, o mercado de feijão. Suponhamos que esse mercado esteja "em equilíbrio" e que o preço praticado seja de x reais por quilo de feijão. Suponhamos agora que o governo ouça as reclamações do povo de que o preço x é muito alto e, como o feijão é um item importante na alimentação dos brasileiros, ele estabeleça um preço máximo igual a x - y, ou seja, decreta que o preço máximo ao qual o feijão pode ser vendido é agora inferior ao preço x.

De noite, no jornal da TV, os homens do governo anunciam aos quatro ventos: "Nosso governo pensa nos pobres; agora todas as famílias vão poder comprar feijão". A intenção pode ter sido até boa, mas os resultados de medidas desse tipo são, sempre, desastrosos. Veja só:

O preço menor do feijão vai fazer a demanda por esse produto subir, porque muitas pessoas que não o podiam comprar pagando o preço anterior (x) agora vão ter meios para isso. Por outro lado, como o preço do feijão caiu e os preços dos substitutos do feijão (lentilha, ervilha, soja, etc.) se mantiveram constantes, é claro que o feijão passou a ser relativamente mais barato do que esses substitutos. Por exemplo, se antes você podia comprar com dez reais sete quilos de ervilha e quatro de feijão, agora você pode comprar com esses dez reais os mesmos sete quilos de ervilha, mas não mais quatro de feijão, e sim seis quilos. Isso significa que a demanda por feijão vai subir e que a demanda pelos substitutos do feijão vai cair. Teremos, então, um excesso de demanda por feijão, ou seja, a demanda será maior do que a oferta e um excesso de oferta em cada um dos mercados dos substitutos do feijão.

Com isso, os preços dos substitutos do feijão vão cair (e, possivelmente, os preços dos complementos do feijão, como paio, linguiça, carne seca etc. vão subir), mas o preço do feijão, que deveria aumentar para um valor maior do que o x inicial, por causa do excesso de demanda, não aumenta, porque ele está tabelado em x - y.

Resultado: as boas intenções do governo ainda não foram capazes de colocar feijão na panela dos pobres. Quem quer comprar feijão, agora, ou vai ter que madrugar no mercado ou (o que é mais comum nesses casos) pagar um "ágio" para ter o produto. Como pobre não tem dinheiro para pagar ágio, o que você conclui?

Mas isso ainda não é tudo: conforme o tempo for passando, as coisas vão piorar para os pobres por causa da interferência do governo ao tabelar o preço do feijão. Do lado da oferta, isto é, dos produtores de feijão, os que estão produzindo a custos mais elevados (que geralmente são os pequenos produtores) começam a sofrer prejuízos, pois o preço tabelado pelo governo é inferior aos custos de produção. Como ninguém trabalha sabendo que vai ter prejuízo, esses produtores (e, com o decorrer do tempo, cada vez mais produtores) vão deixar de produzir esse produto, passando a plantar produtos cujos preços não estão tabelados.

O resultado final é desastroso: a quantidade vendida no mercado de feijão é menor do que a inicial, produtores tiveram prejuízos e encerraram suas atividades, outros passaram a produzir outros produtos, alguns agricultores perderam os seus empregos, quem deseja consumir feijão agora tem que pagar um ágio muito maior e — que desastre! — uma quantidade de pobres maior do que aquela do início vai ficar sem poder comprar feijão.

Essa história de fixação de preços máximos se repete, sem nenhuma mudança, há vinte e cinco séculos, desde Nabucodonosor da Babilônia, passando por Diocleciano em Roma, pelos líderes da Revolução Francesa, pelos controles e congelamentos de preços que o Brasil adotou entre 1986 e 1991 e por toda e qualquer experiência de controle de preços. Nenhuma deu certo. Nenhuma dará certo, jamais! Isso acontece porque preços, entendidos como tal, só são preços se forem voluntariamente determinados nos mercados, pela livre interação entre compradores e vendedores.

O que escrevemos sobre o feijão serve para quaisquer preços de bens e serviços: taxas de juros, salários, taxas de câmbio, margens de lucros etc.

Experimente, por exemplo, seguir o mesmo raciocínio que mostramos para o feijão com a taxa de câmbio, que é o preço da moeda estrangeira em relação à moeda nacional. Suponha que o governo (no caso da taxa de câmbio, seria o Banco Central) fixe a taxa de câmbio em um valor maior do que o valor que o mercado determinaria em um determinado dia (uma desvalorização artificial do real em relação ao dólar). Os resultados: aumento de exportações, queda de importações, pressão para a taxa de câmbio cair (valorizar o real perante o dólar), superávit nas contas externas. Experimente agora deduzir o que aconteceria se o governo (também o Banco Central) tabelasse a taxa de juros em um valor inferior ao de mercado e conclua que: a demanda por crédito subiria, a oferta de crédito cairia, a poupança diminuiria, os investimentos (sem lastro em poupança) subiriam, e surgiria uma pressão para a taxa de juros subir, mas o tabelamento impediria isso.

Em suma, em todo e qualquer mercado, desde Adão e Eva até nossos descendentes em um futuro remoto, preços só são efetivamente preços se forem determinados pelos mercados. Qualquer interferência do governo nos mercados é um corpo estranho, uma agressão que só pode causar mal ao organismo econômico.

 

Sugestões de leitura:

Mises. L., Intervencionismo

Mises, L., As seis lições

Mises, L., Políticas conciliatórias levam ao socialismo 

Iorio, Ubiratan J., O processo de mercado

Rockwell, Lew., O governo destroça a economia — um estudo de caso

Reisman, George, O mito de que o laissez faire é o responsável pela crise atual

Reisman, George, Por que o nazismo era socialismo e por que o socialismo é totalitário 

 

Sugestões para reflexão e debate:

1. Por que dizemos que o sistema de preços emite "sinais" para os participantes dos mercados?

2. O que são preços de equilíbrio e por que no mundo real eles não podem existir?

3. Comente: "Um passo certo para fazer surgir o ágio é tabelar um preço abaixo do que o mercado estabeleceria".

4. Por que as políticas de preços máximos não podem dar certo.

5. Imagine agora que o governo estabeleça uma política de preços mínimos para um determinado produto agrícola, fixando um preço mínimo abaixo do qual esse produto não pode ser vendido. Ele faz isso para beneficiar os produtores desse produto. Geralmente, se compromete a comprar desses produtores o produto ao preço tabelado. Quem perde sempre com essas políticas (que são muito comuns na agricultura)?


2 votos

autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Neto  01/10/2012 01:59
    1 Porque eles dão uma idéia aproximada de quantas pessoas querem aquele produto
    2 É o preço teórico ideal onde a demanda é exatamente igual a oferta.Não existe porque com o passar do tempo as pessoas e suas necessidades vão mudando, as condições para fabricar aquele produto também mudam, novos concorrentes aparecem, etc
    3 Tabelar pra baixo vai fazer o produto sumir, já que mais gente vai comprar, o que vai dar origem ao ágio
    4 Elas distorcem o mercado criando o resultado oposto ao que pretendia.Elas prejudicam aqueles que estão trabalhando para criar aquele produto, que óbvio, vão fazer outra coisa.
    5 Quem perde são os otários pagadores de impostos.Perde por ser obrigado a pagar a conta e perde por deixar de ter no mercado um produto que seria muito mais barato
  • BSJ  01/10/2012 05:41
    Aos mais velhos:
    Quem lembra do pavoroso Plano Cruzado, em 1986? Ele foi ápice da história da Economia Brasileira em termos de "precificação"?
  • Pedro Valadares  01/10/2012 18:19
    BSJ, quem não se lembrar, vai ter uma amostra agora. Dilma estabeleceu taxação em produtos importados e disse que o produtor nacional que elevar o preço perderá o benefício. Ou seja, a "gerente" está ressuscitando a política de controle de preços.

    Dilma, aliás, parece ter saudade dos anos da hiperinflação, pois vem fazendo um esforço tremendo para destruir o poder de compra do real, inclusive forçando a desvalorização para "proteger" a indústria nacional...

    Tudo isso, como bem mostrou o professor Lório, só pode dar em crise. Teoria dos ciclos monetários a olhos vistos!
  • Antonio  01/10/2012 17:59
    Durante o Plano cruzado, houve confisco de bois no pasto... Que absurdo!\r
    \r
    Quando o seu carro quebrava, não havia peças, e às vezes tinha-se de esperar\r
    3 meses ou mais para conseguir uma peça, de alguma forma, no mercado negro ou\r
    coisa parecida!
  • Pedro Leon  01/10/2012 19:31
    Uma coisa eu não consigo entender: pq aqui tanto se fala dos males feitos pelo Estado e sua máquina imunda, mas a GRANDE MAIORIA das pessoas qu escrevem os textos são funcionários públicos? Como o autor deste texto, por exemplo.

    Isso é algo que realmente me faz pensar se o capitalismo de livre mercado é realmente a saída para um mundo melhor.

    Pois vendo este tipo de coisa: "façam o que eu digo, não façam o que eu faço", está começando a me incomodar tremendamente.

    Gostaria de uma explicação dos responsáveis pelo site.

    Obrigado,
    Pedro Leon
    Funcionário de uma empresa privada.
  • Leandro  01/10/2012 20:33
    Prezado Pedro, quem seria esta GRANDE MAIORIA de funcionários públicos? Dica: não é escrevendo com caixa alta que você conseguirá substanciar sua acusação.

    O Instituto Mises Brasil é formado por sete pessoas. Destas sete, apenas uma, justamente o professor Iório, está no setor público (e ele não escreve artigos pedindo o fim do estado; pode conferir). Portanto, a sua acusação de que a "grande maioria" dos responsáveis pelo site é de funcionários públicos é totalmente descabida e comprova que a sua intenção é unicamente caluniar.

    Em relação a todas as outras pessoas que já tiveram artigos publicados pelo site, tanto brasileiras quanto estrangeiras, nenhuma delas está na "folha de pagamento" do IMB, várias sequer sabem de nossa existência e suas escritas (gratuitas) são aceitas por nós exclusivamente por causa do conteúdo e das ideias defendidas (a profissão de tais pessoas é de importância pra lá de secundária). Mesmo Alan Greenspan, impiedosamente criticado por este site, já teve um artigo seu aqui publicado, simplesmente porque, neste artigo, ele estava defendendo coisas corretas.

    Sua postura afobada lhe deixou a descoberto e gostaríamos de uma explicação sua para tamanha calúnia, que nos "incomoda tremendamente".

    P.S.: fique tranquilo, o professor Iório já foi alertado que, por trabalhar no estado, ele está proibido de falar mal dele. Pensávamos nós que, justamente por trabalhar dentro da máquina e conhecer seus podres em primeira mão, o professor Iório estaria mais bem qualificado do que todos nós para expor as ineficiências do estado. Mas agora, graças aos seus préstimos, estamos cientes de que tal atitude não deve ser permitida, pois "incomoda tremendamente" o ilustre Pedro Leon.

    P.S.2.: Por essa mesma lógica, um deputado envolvido em corrupção está proibido de denunciar os podres de seus colegas e continuar sendo deputado, pois isso "incomodaria profundamente" quem está de fora. Muito melhor seria o deputado ficar de bico calado e continuar metendo a mão. Pelo menos de acordo com a lógica de Pedro Leon.

  • Pedro Valadares  02/10/2012 07:29
    A questão é que nem todo libertário é anarcocapitalista. Os minarquistas reconhecem um papel para o estado. Então, dizer que o IMB está se contradizendo é falta de informação.

  • servidor da pátria mãe  02/10/2012 10:55
    hehehe gostei! eu tb sou servidor publico e vira e mexe leio os textos aqui.

    eu entrei no servico publico pelo mesmo motivo que todos. ganhar muito e trabalhar pouco. qualidade de vida!!!

    agora, vc acha que o que vem em primeiro lugar? minha qualidade de vida ou a qualidade do servico publico prestado?

    a resposta vale para todos. adivinha qual eh????? ocorre que, num ambiente de livre mercado, com concorrencia, para se ter qualidade de vida, ante eh preciso rebolar para ganhar a clientela.

    eh preciso prestar um servico de qualidade, quer queira ou nao. no servico publico eh o contrario. quem mais rebola, mais se enrola. quem mais enrola, mais rebola. :-D
  • oneide teixeira  01/10/2012 20:05
    A Venezuela infelizmente aprovou uma "lei dos preços e custos", ela já enfrentava desabastecimento ou "acapariamiento"

    www.youtube.com/watch?v=kdHpK8kCwKA

    Pq temos que ficar atentos a Venezuela pq dela vem o financiamento de toda a esquerda estatista e de lá que vem o financiamento da intelligentsia socialista fascista na América do sul.
  • Augusto  02/10/2012 02:31
    E nao eh so isso, o governo da venezuela tambem ja ameacou jogar a policia contra os produtores e comerciantes malvados que se recusarem a produzir e vender artigos pelo preco determinado pelo estado.
  • Ubiratan Iorio  02/10/2012 07:31
    Senhor Pedro Leon,

    Estou impressionado com tua lógica! Quer dizer então que um professor de uma universidade pública não pode defender a economia de mercado? Já ouviste falar alguma vez em liberdade acadêmica? Certamente achas que professores de universidades públicas devem defender o estado-elefante que tu, ao que tudo indica, defendes?

    Pois saiba que, exatamente por não ter essa liberdade de expressar minhas opiniões, pedi demissão de dois empregos que são o sonho de muitos brasileiros: o Banco Central e a Embratel (quando ainda era estatal), em que ingressei mediante concursos! Saiba também que entrei para a UERJ, também por concurso, porque me certifiquei de que lá teria liberdade de expressão. E, ainda, que fiz minha carreira também no setor privado.

    Pela tua lógica ilógica, um brasileiro não deveria viver em outro país, um gato não poderia entrar em uma casinha de cachorro, um canário não poderia ser colocado em uma gaiola para periquitos e uma mulher não poderia usar um guarda-chuva masculino...

    Tua mentalidade, com toda a franqueza, não é a de um trabalhador do setor privado, que é como assinaste...

    Encerro te convidando a estudar um pouco de lógica e afirmando com toda a convicção: façam o que eu digo, porque o que digo é o que faço. Se tu duvidares disso, podes perguntar a qualquer um de meus alunos e ex-alunos.


  • Antônio Galdiano  02/10/2012 09:56
    Essa lógica do Pedro Leon é impressionante.
    Então, se alguém é contra o gigantismo estatal:
    Não deveria usar escolas públicas, hopitais públicos, estradas, ruas, internet (o governo azucrina o google e outros o quanto pode), o ar (já que o governo "zela pelo meio ambiente"), a água, a polícia, os bombeiros e toda sorte de coisas que o estado mete o bedelho com o dinheiro que EU, PROF. IÓRIO, PEDRO LEON e TODOS OS PAGADORES DE IMPOSTOS PAGAM?

    Pedro leon, vai... na frente e seja feliz cara!

    Agora, se você quiser seguir uma lógica de verdade notará que o trabalho do prof. Iório é no mínimo consideravelmente melhor a concorrência keynesiana e marxista dominante na "intelligentsia" brasileira.
  • BSJ  02/10/2012 14:25
    Também sou funcionário público. Mas só há pouco tempo mudei meu ponto de vista em relação ao mercado. Durante toda minha vida (tenho quase 40) acreditei no Estado como um "benfeitor" da sociedade. Não dá pra mudar de profissão de uma hora pra outra. Mas, ao menos, é preferível um funcionário público com mentalidade econômica liberal a um empresário com visão keynesiana.
  • Rodrigo DSP  10/10/2012 06:53
    "...é preferível um funcionário público com mentalidade econômica liberal a um empresário com visão keynesiana."

    Perfeito!!
  • Neto  10/10/2012 07:55
    Eu vou confessar uma coisa
    Eu tenho vontade as vezes de tentar de novo o enem e entrar numa univ publica, mas tenho medo de me corromper lá dentro.
    O que eu penso pra ficar com a consciência limpa é que, num mundo livre não existiria a obrigatoriadade de diplomas, no máximo certificações privadas, então até essa univ privada que eu pago tb só existe por causa da coerção, digamos assim

    Se eu entrasse na pública, a única coisa que o governo estaria me 'dando' era o que já seria de graça num mundo sem governos:conhecimento e permissão pra exercer a profissão.Portanto na real eu não ficaria devendo nada

    Faz sentido?
  • Pedro Valadares  10/10/2012 08:15
    Neto, só um adendo. O governo te dará uma educação sobre a qual você não pode opinar e todos os outros cidadãos vão custear, sem ter direito de interferir, é claro!
  • Neto  10/10/2012 08:34
    Eu não preciso de prof nenhum pra aprender nada, sempre aprendi muito mais lendo sozinho do que assistindo aula.

    O que os taxpayers estão pagando é por coisas que são convenientes pros professores, não pros alunos.Pelo menos no meu caso.
  • fabio barbieri  02/10/2012 15:01
    Que coisa essa história de submeter teoria econômica cientifica a programa politico.

    Precisa sofisticar um pouco visão de mundo e ler mais sobre escola austríaca.
    só um exemplo:
    Segundo essa logica, não sobraria um economista austríaco que "faz o que diz" (segundo a fantasiosa concepção do comentarista sobre o que os economistas austriacos dizem):

    Carl Menger: um baita "funça": marajá na Universidade de Viena e Oh! horror! tutor do principe herdeiro do trono da monarquia dual!
    Bohm-Bawerk: duas vezes ministro das finanças e "funça"
    Wieser: ministro uma vez. "funça".
    Mises: será que se ele tivesse ganho do hanz mayer, teria recusado o cargo na universidade de viena?
    etc. etc.

  • Renato  10/10/2012 08:39
    Nenhum desses economistas citados, até onde eu saiba, era partidário do anarco-capitalismo. Chega a ser irônico que o Instituto Mises do Brasil, que é 80% anarco-capitalista (se entendi bem, 4/5 da sua diretoria segue essa doutrina) tenha o nome de um homem que jamais defendeu essa doutrina.
  • Fernando Chiocca  10/10/2012 08:56
    Entendeu mal, 100% é a favor de uma sociedade livre da agressão institucionalizada, i.e., o estado.

    O mesmo vale para 100% dos acadêmicos adjuntos do Mises Institute norte-americano. E é muito, mas muito difícil mesmo encontrar algum economista austríaco que defenda a existência e necessidade do estado em qualquer instância.

    E isso não tem nada de irônico, é apenas o resultado honesto da aplicação racional dos ensinamentos da ciência econômica desenvolvida por Mises, mesmo que o mesmo nunca a tenha levado até as últimas consequências lógicas durante sua vida.

    Ter o nome de um homem não quer dizer que a instituição segue com fanatismo toda e qualquer posiçao deste homem. Não somos um seita. Prezamos a razão e a ciência, e é exatamente por Mises ser o homem que mais contribuiu para o desenvolvimento desta ciência (e também por ser um radical defensor da liberdade) é que o homenageamos no nome da instituição e carregamos a grande amioria de suas bandeiras.

    Se Mises, apesar de seu radicalismo, ainda defendia algum estado mínimo, isso é problema dele. E você, defende a agressão também? Tem algum argumento para justificar a agressão? Ou apenas justifica dizendo que defende isso pois Mises também defendia? Se tiver argumentos posso refutar todos.
  • Renato  14/10/2012 06:08
    Fernano

    Então eu tinha compreendido errado. Julgava que o professor Iorio não era partidário do anarco-capitalismo, mas de um governo limitado.

    Quanto aos meus motivos para descrer no fim dos governos, certamente não é por idolatria a Mises. Não sou o que se pode ser chamado de libertário, apenas tenho imensa consideração pelas idéias de Mises e de outros austríacos (embora eu deva confessar que estou começando a conhecer, contrariamente a vocês que são profundos conhecedores).

    Minha opinião sobre os governos eu já expus em muitos comentários. Creio que, quando formam grupos, os humanods tem a tendência de instituir chefias monopolísticas. Talvez seja até um comportamento influenciado pelos instintos, visto que há vários outros mamíferos cujos bandos tem líderes monopolísticos. Segundo o meu entendimento, essas chefias monopolísticas tribais são uma forma primitiva de governo (ou um pré-governo), cujo escopo se ampliou quando da formação das cidades-estado das quais se originaram posteriormente os estados maiores e os impérios. Julgo que o entendimento das origens do estado moderno não é irrelevante para a sua compreensão e o estudo dos caminhos possiveis para o desenvolvimento da sociedade.

    Abrsços
  • Neto  14/10/2012 14:01
    A anarquia ia continuar tendo líderes.Só que você só segue se quiser
  • Davi  10/10/2012 08:04
    Outro ponto sobre o fuça liberal.
    A superioridade do sistema de mercado esta no fato de que ele garantir que a busca pelos interesses individuais melhorará a situação da sociedade como um todo. Como o mercado é baseado em trocas voluntárias, o indivíduos na busca de seus interesses egoísticos obrigatoriamente terão que servir alguém, melhorando a vida desta pessoa. Um trabalhador e um empresário, ainda que odeiem a humanidade, serão compelidos pela própria estrutura de mercado a colaborar com a humanidade.
    O sistema estatal é ilegítimo exatamente por causa de sua falha estrutural. O estado não é baseado nas trocas voluntárias mais na expropriação da propriedade, o estado é violento por si só. O fuça tem os mesmos interesses egoísticos do empregado e do empreendedor, ocorre que a estrutura estatal não conduz a colaboração, mas ao roubo. O interesse individual do fuça é contrário ao interesse do resto da sociedade (salario=imposto). Ainda que queira fazer o bem, o fuça inevitalmente, no limite, quando agindo como estado, fará o mal.
    Neste ponto, os fuças liberais são menos piores do que os demais fuças, pois eles sabem da imoralidade de sua situação e trabalham para diminuir os danos alertando os demais. Os fuças liberais sacrificam os seus interesses imediatos (salario, poder) e favor de interesses mediatos (uma sociedade mais moral, eficiente). Os fuças liberais agem no sentido de diminuir os prejuízos causados pelo estado.
  • Thami  10/06/2016 01:03
    O que acontece se um governo chegar a um acordo entre os empresários sobre o controle de preços?
  • Marcelo  10/06/2016 01:38
    Dura uma semana. Se muito.

    Obviamente, nenhum empresário será imbecil o bastante para produzir algo cujo preço está tabelado (o que significa que não há margem para lucro).

    Muito menos ele o fará se o governo continuar inflacionando a oferta monetária (que é o que irá acontecer). A inflação monetária irá aumentar os preços dos seus insumos e seus custos de produção, pois os fornecedores só irão fornecer insumos por "baixo da mesa", cobrando ágio.

    Custos de produção maiores e preço de venda congelado significam redução na produção e consequentemente desabastecimento.

    Mises já explicou isso passo a passo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=374


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