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Dez lições de economia austríaca para iniciantes - Primeira lição: economia e instituições

Sabe por que devemos começar esse curso mostrando a importância das instituições na economia?  Imagine que o seu pai (ou, mesmo, você) queira abrir uma loja para vender sapatos.  Para isso, ele vai ter que obter autorização do governo.  Como a burocracia no Brasil é enorme, o seu pai só vai conseguir essa autorização em cerca de cinco meses!  Agora, se você vivesse, por exemplo, na Nova Zelândia, em menos de uma semana o seu pai já poderia abrir a sapataria.  Isso quer dizer que, no Brasil, ele deixaria de vender sapatos e, portanto, de ganhar a receita das vendas por 150 dias!  E, ainda, supondo que ele desejasse contratar dois vendedores para trabalharem na loja, que durante aqueles cinco meses essas duas pessoas não teriam os seus empregos!

Entendeu por que é tão importante analisar a economia tendo em vista as instituições de uma sociedade?  No Brasil, essas instituições (no exemplo dado, a burocracia e a intromissão do governo na vida das pessoas) desencorajam quem quer trabalhar para melhorar de vida.  Em outros países, como a Nova Zelândia, as instituições estimulam as pessoas que desejam progredir.

Vamos a outro exemplo: você sabia que os brasileiros trabalham até o dia 25 de maio de cada ano para pagar os tributos (impostos, taxas e contribuições) que existem no Brasil?  E que são obrigados a pagar, senão serão punidos?  O estado argumenta que a receita dos tributos é para ser revertida em educação, saúde, justiça, segurança e infraestrutura.  Agora responda com sinceridade: apesar de, como brasileiro, sermos obrigados a trabalhar praticamente cinco meses do ano para o governo, nós temos um sistema de educação bom?  De saúde? Nossa justiça é boa?  Vivemos com segurança?  Nossas estradas e portos são bons?  E ainda mais: será que esses cinco itens devem ficar nas mãos do governo?  Por quê?  Então, para que trabalharmos cinco meses de graça?

Um terceiro exemplo: um empregado com um salário de mil reais por mês custa mensalmente, na sapataria do primeiro exemplo, aproximadamente, dois mil e seiscentos reais por mês, ou seja, mais do que o dobro do salário.  Isso acontece porque existem os chamados encargos sociais e trabalhistas, como a contribuição sindical, o fundo de garantia do tempo de serviço, a contribuição previdenciária, o 13º salário e várias outras exigências.  O resultado disso é que, em vez de empregar aqueles dois funcionários, o seu pai vai empregar apenas um na sua sapataria.  Esses encargos provocam, portanto, desemprego e, sendo assim, prejudicam enormemente a economia.

Quando usamos a palavra "instituições", então, estamos querendo dizer que os atos econômicos são influenciados por fatores políticos, éticos, morais, jurídicos, psicológicos, históricos, sociológicos etc.  Quando você encontra dificuldades, por exemplo, para comprar um computador no exterior, é porque alguma decisão política estabeleceu essa dificuldade; quando você se recusa a comprar um aparelho celular que você sabe que foi roubado, é uma imposição ética, da sua consciência, que impede você de fazer essa compra; quando você assina a escritura de compra de um imóvel é porque existe uma legislação sobre o assunto; quando você (se for o caso) sempre que comprar uma camisa, comprar outra idêntica, porque acha que assim terá sorte, é uma decisão influenciada por fatores psicológicos e assim por diante.

Por isso, diversos estudiosos das sociedades costumam dividi-las, para efeito didático, em três grandes sistemas, a saber, o sistema econômico, o sistema político e o sistema ético-moral-cultural.  O primeiro é formado pela economia, isto é, por todas as transações econômicas, desde as mais simples até as mais complexas; o segundo, pela política, ou seja, pelos partidos, pela forma de governo, pela divisão de poderes,etc.  E o terceiro pelas regras morais e características culturais, que acabam se refletindo nas leis.

Cada um desses grandes sistemas vai mudando de forma particular ao longo do tempo e possui regras de conduta, métodos, padrões e objetivos peculiares e, muitas vezes, contrastantes.  É desse contraste que vem a energia para o progresso e para a correção das distorções que eventualmente surgirem.  Quando um ou dois desses sistemas não estão funcionando bem, os restantes podem sustentar a vida social durante algum tempo, mas quando os três apresentam problemas graves, a sociedade fica instável.

É fácil entender que, desses três sistemas, o ético-moral-cultural é o mais importante, porque quando ele vai mal, é muito difícil que a economia e a política possam funcionar adequadamente.  Por exemplo, uma regra moral que deve prevalecer em toda e qualquer sociedade que se preza é aquela que proíbe o roubo e a corrupção.  Se essa regra for desobedecida de modo generalizado, é claro que o roubo e a corrupção vão contaminar a economia e a política, e vai acabar acontecendo um caos na sociedade.

Há duas maneiras de se abordar as questões sociais.  A primeira, que podemos chamar de construtivismo (ou engenharia social), baseia-se na ideia de que a mente e a razão humanas são capazes, por si sós, de permitir aos homens construírem uma "sociedade ideal".  Um exemplo desse tipo de visão é o socialismo-comunismo, como nos casos da antiga União Soviética, de Cuba, da Coreia do Norte e do Vietnã do Norte (a China, de alguns anos para cá vem abandonando lentamente esse modo de ver a sociedade).  Outro exemplo de construtivismo é a Alemanha da época de Hitler.  Como você já deve ter percebido, quem acredita que as pessoas podem construir uma sociedade ideal tem que acreditar também que o poder para tomar as decisões julgadas como "melhores" para todos deve ficar concentrado em poucas mãos.  Não é por acaso que todos esses exemplos são casos de ditaduras com forte concentração de poder, seja nas mãos de um partido (o comunista ou nacional-socialista, que era o nome do partido nazista) ou, mesmo, de uma só pessoa.

A segunda maneira de enxergar as questões sociais pode ser chamada de racionalismo crítico: racionalismo porque sabe que o homem é racional; mas crítico, porque também sabe que nossa mente e inteligência são falíveis e que cometemos erros, mesmo quando somos bem intencionados.  Ora, se nós cometemos equívocos (por exemplo, compramos um aparelho de TV de baixa qualidade), por que devemos supor que as pessoas do governo também não erram?  Se você pensar bem, será que os que trabalham no governo não erram mais do que nós, porque nós tomamos decisões baseadas na nossa satisfação, enquanto eles decidem o que é melhor ou pior para os outros?  Quem disse que eles sabem o que é melhor para você e sua família do que você mesmo e a sua família?

Além de não sermos infalíveis em todas as decisões que tomamos, existe outro condicionante para essas decisões, que é o nível de nosso conhecimento sobre todos os fatores que influenciam as nossas decisões.  O nosso conhecimento jamais é perfeito e, além disso, ele vai mudando conforme o tempo vai passando.  Por isso, uma decisão qualquer pode ser a melhor possível às três horas da tarde, mas ser uma péssima decisão duas ou três horas depois.  Além disso, decidir sobre algum ato econômico é sempre uma questão pessoal, muito diferente das decisões de engenharia ou de química.  Com isso, queremos que você perceba que a economia, vista como ciência, é uma ciência social, não exata, que não se sujeita a leis matemáticas, e não uma ciência natural, mecânica e impessoal.

Outro fato que mostra que o construtivismo é um equívoco: a economia lida sempre com decisões de indivíduos, decisões pessoais, porque os seres humanos são individualistas.  Ora, o construtivismo trata as pessoas como se fossem coletivos (e não indivíduos), como, por exemplo, "a sociedade".  Pense só nisto: a sociedade existe, é claro, ela é a soma dos indivíduos que fazem parte dela, mas quem toma as decisões econômicas (como, aliás, qualquer outra decisão) não é ela, mas sim os indivíduos!

Nas colmeias, cupinzeiros e formigueiros, cada abelha, cada cupim e cada formiga não "pensam" em si, mas no coletivo.  Tudo o que fazem é em prol da colmeia, do cupinzeiro ou do formigueiro.  Mas com os homens isso não acontecerá jamais, porque tendemos primeiro a pensar em nós próprios e em nossas famílias, depois nas pessoas mais próximas, depois no nosso bairro ou no nosso local de trabalho e só vamos pensar na "sociedade" em último lugar.  O socialismo, portanto, trata os seres humanos como se fossem formigas, cupins ou abelhas, sem vontade própria e sem individualidade e por isso é um sistema desumano.  Agride as características básicas da espécie humana. Sendo assim, fracassou redondamente nos países em que foi imposto e fracassará sempre onde quer que venha a ser implantado.

A experiência histórica, que a Escola Austríaca de Economia sustenta, mostra que o principal ingrediente para que as economias alcancem o progresso é a liberdade de escolha.  Como veremos na segunda aula, passamos a nossa vida fazendo escolhas, desde o berço (quando, por exemplo, escolhemos brincar com um carrinho azul e não com um vermelho), passando pela escolha da profissão, de com quem nos vamos casar, da escola para matricular nossos filhos etc.  Sempre que as pessoas fazem uma escolha, seja no campo da economia (como comprar uma caneta) ou nos outros (como em quem votar) elas imaginam que, naquele momento em que a escolha é feita, aquela é a melhor opção para aumentar a sua satisfação.

Quanto maior a nossa liberdade de escolha, maior a possibilidade de ficarmos mais satisfeitos, de outros ficarem satisfeitos e da economia como um todo progredir.  Quando as telecomunicações estavam a cargo do estado, você só tinha uma empresa de telefonia operando na sua cidade, tinha que esperar um tempo enorme para instalarem um telefone na sua casa, se comprasse um celular tinha que registrá-lo em cartório, os preços eram absurdamente altos e não adiantava você reclamar.  Depois que o setor foi privatizado, nossa liberdade de escolha aumentou bastante, o número de linhas fixas se multiplicou, o número de celulares cresceu enormemente, a competição entre as empresas aumentou e os preços dos serviços em termos reais diminuíram. Além disso tudo, com a entrada de novas empresas no mercado, o número de empregos aumentou.

Procure agora saber se as pessoas que vivem em Cuba têm acesso a telefones (fixos ou celulares).  Entendeu então o que queremos dizer com a expressão liberdade de escolha?

Por fim, temos que falar da importância da propriedade privada para o desenvolvimento individual: se você fosse um fazendeiro da Sibéria no tempo do comunismo e uma das vacas (que eram de propriedade do governo) estivesse para morrer de frio, dificilmente você deixaria a sua cama às duas horas da manhã para salvá-la, porque a vaca não era sua, era do estado.  Mas, se ela fosse sua, primeiro, você cuidaria para que ela não sentisse frio, gastando em equipamentos de calefação e, segundo, mesmo que ela viesse a sentir muito frio, você com certeza deixaria a sua cama para salvá-la, sabe por quê? Simplesmente porque ela lhe pertencia!

A propriedade privada, portanto, ao lado da liberdade de escolha e da economia de mercado são fundamentais para que as pessoas progridam na vida e, portanto, as sociedades também se desenvolvam cada vez mais. Explicaremos a economia de mercado em uma das aulas seguintes.  Por ora, registramos apenas que uma economia de mercado é uma economia em que prevalece a liberdade de escolha individual, seja para consumir como para produzir, para poupar, investir, etc.  Em outras palavras, uma economia em que o estado não exerça controles.  Esses controles, como veremos oportunamente, são sempre maléficos, ao contrário do que, com certeza, ensinaram você a acreditar.

Estamos agora, depois dessas observações sobre a importância das instituições, preparados para as nove lições seguintes, em que vamos tentar mostrar como a economia do mundo real funciona.

Como o homem nasceu para ser livre, para viver uma liberdade responsável, as melhores instituições para estimularem a melhoria do padrão de vida das pessoas são a liberdade de escolha ou economia de mercado e a propriedade privada.

 

Sugestões de leitura:

Iorio, Ubiratan J., Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira, caps. 1 e 2, Forense Univ., 1997, Rio de Janeiro, 2ª edição.

Fedako, J, O "nós" é uma falácia

Mises, L, A desigualdade e o egoísmo estimulam o desenvolvimento

Bastiat, A vidraça quebrada 

Williams, W, A pobreza é fácil de ser explicada

 

Sugestões para reflexão e debate:

1. Pense se é mesmo tão importante que, para abrir uma sapataria, você tenha que obter autorização do governo.

2. Você acredita que uma só pessoa que detenha todo o poder político (por exemplo, Fidel Castro em Cuba) pode determinar o que é melhor ou pior para você, de modo melhor do que aquele que você mesmo decidir escolher?

3. Por que a economia não é uma ciência exata?

4. Por que a liberdade de escolha e a propriedade privada são tão importantes para o desenvolvimento das economias?

5. Pense na diferença entre uma economia baseada em indivíduos e uma economia baseada em "coletivos".


5 votos

autor

Ubiratan Jorge Iorio
é economista, Diretor Acadêmico do IMB e Professor Associado de Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).  Visite seu website.

  • Eduardo Schmitt Alba  04/09/2012 07:24
    Ótimo artigo!
    Parabéns!
  • Bruno  04/09/2012 07:43
    Muito bom! Eu só trocaria a palavra "privatização" por "concessão", que é o que ocorre de fato. Alguma lição mais adiante vai tratar desse tema?
  • PESCADOR  04/09/2012 07:55
    Gostei. Que venham as outras 9 licões! As sugestões de leitura ajudam demais, vale muito a pena ler também. Estou seriamente pensando em imprimir tudo, organizadamente, e montar um "livro" para presentear alguns amigos que precisam urgentemente parar de lamber as botas do estado e começar a defender a liberdade.
  • Bruno  04/09/2012 09:43
    Você "pescou" minha ideia! hehehe
  • Sergio Quintela  04/09/2012 16:12
    Idem! :)
  • Pedro Ivo  28/09/2012 15:02
    Sem querer jogar água na sua fogueira, mas eles vão encontrar 1001 maneiras de racionalizar as próprias crenças para não abandoná-las. As pessoas pensam com os colhões, não com o cérebro.

    Mas se você der este livro ao seu filho, sobrinho ou filho de um amigo, tende a dar + certo.

    Eu vou imprimir para os meus sobrinhos, por ex..
  • Antonio Galdiano  04/09/2012 08:00
    Parabenizo a iniciativa e já vou para as reflexões. Quanto à sugestão para reflexão e debate (item 2), possivelmente eu tenho uma posição um pouco divergente da "veia central" da EA, apesar de chegar às mesmas conclusões.\r
    "2. Você acredita que uma só pessoa que detenha todo o poder político (por exemplo, Fidel Castro em Cuba) pode determinar o que é melhor ou pior para você, de modo melhor do que aquele que você mesmo decidir escolher?" ou, no meio do texto " Quem disse que eles sabem o que é melhor para você e sua família do que você mesmo e a sua família?". A minha resposta a essas 2 perguntas é: É sim possível que outra pessoa saiba o que é melhor pra mim do que eu mesmo se levarmos em conta que nem todos seres humanos possuem uma conduta moral que favoreça a paz (não iniciação de agreção) e o prosperidade (propriedade privada e divisão do trabalho de mercado). Mesmo ferindo esses conceitos, é possível que ações de força levem a uma situação posterior (digamos em um tempo t1) melhor, como por exemplo alguém que tome minha poupança e ganhe mais para mim no mercado acionário. Ainda assim, a atitude de força, a despeito dos resultados, é recriminável pois se eu não possuo o que produzo e se terceiros podem tomar meu patrimônio ganho honestamente ou correr risco não autorizado com ele, qual é o incentivo que tenho em mantê-lo? e qual é o incentivo que o agressor tem para fazer os negócios de forma apropriada? Ou seja, posterior ao tempo t1, qual o incentivo que terei de manter meus bens se outrem pode tomá-lo e usá-lo a revelia?\r
    Ou seja, essa abordagem difere da "veia central" por reconhecer que outrem pode atingir um resultado melhor no curto prazo, mas não podem fazê-lo tempo todo. I.e., meu argumento é moral, e não econômico.\r
    Não sei se estou divergindo da posição da EA de fato, só não lembro de ter visto essa leitura por aqui antes. Nesse sentido, qualquer esclarecimento é bem vindo!
  • Tiago Irineu  04/09/2012 08:30
    Eu não vou dizer que defendo o ponto de vista da EA, porque eu nem li o bastante para realmente entender perfeitamente todo o complexo teórico que ela propõe, mas eu acho que você mesmo deu a resposta quando diz que dizia da parte moral e não da econômica.
    Já é imoral só o ato dele "tomar" sua poupança, independente do que ele faça a posteriori , nesse momento ele já atacou seu direito a propriedade privada(poupança), e a sua liberdade de fazer o que bem entender com o seu dinheiro.
    e caso você pensasse que ele geraria mais lucros investindo seu dinheiro, você contrataria ele, e ambos ganhariam, e mais importante, você acha que alguém que te rouba, vai te repassar os lucros que obteve investindo o que tirou de você ? Sinceramente não vejo como isso seria logicamente possível.

    Ps: Ainda tenho que estudar muito mesmo a EA, têm dois meses que encontrei esse site, e todo o material que ele disponibiliza, então caso eu tenha dito algo incoerente ou falho , não tome como fala da EA mas sim da minha capacidade intelectual no momento.
  • Patrick de Lima Lopes  04/09/2012 08:12
    Brilhante artigo, Lorio!

    Mas como explicarei aos construtivistas cientificistas que seu método de administração do ser-humano "supostamente" baseado em verdades científicas que buscam torná-lo o mais saudável possível não passa de uma arrogância fatal?
  • Glelson Fontes  04/09/2012 09:37
    Poderia explicar um pouco da visão da escola austríaca sobre o positivismo.
  • mcmoraes  04/09/2012 12:39
  • Carlos Eduardo  04/09/2012 09:57
    Bacana a iniciativa do IMB e do prof. Iorio com essa série pra iniciantes. Estou compartilhando e recomendando os textos no Facebook, acredito que seria legal se outras pessoas fizessem o mesmo, pra espalhar o assunto e a visão austríaca. Abraços!
  • Sérgio  04/09/2012 10:17
    Só sei q se eu vivesse na Nova Zelândia, nem constituiria família:

    menteconservadora.blogspot.com.br/2011/07/na-nova-zelandia-garotas-dormem-com.html

    Taí seus trouxas!
  • Gabriel  07/09/2012 05:30
    O que uma coisa tem a ver com a outra?

    Se ela quer dormir com 20 homens numa semana, em um dia ou na vida toda, ela que faça o que quiser. Não está afetando ninguém negativamente mesmo (muito pelo contrário, hehe)
  • .......  04/09/2012 10:19
    As 10 lições tem que virar um livro! Há várias instituições por aí que poderiam lançá-lo (IEE, IFL, o próprio mises.org, etc). No aguardo dos próximos textos!
  • Fernando Chiocca  04/09/2012 11:28
    Só é errado dizer que na Nova Zelândia, demorar 1 semana para receber autorização do estado para vender sapato "estimula as pessoas que desejam progredir".
    Não estimula, apenas desestimula menos. Governo só atrapalha, toda hora, em toda parte e em todo lugar.
  • Lucas  04/09/2012 12:24
    Sim, o governo só controla através de impedimentos! É um absurdo, mas isso significa que no exemplo do sapateiro é também um estímulo. Se todas as dificuldades conhecidas são equacionadas na hora de uma decisão, uma menor dificuldade será sempre um estímulo a ação humana intencionada.
    Como, por exemplo, um desconto de saldão numa loja. Talvez eu quisesse um produto X por $100 mas agora como vi que existe um melhor pelos mesmos $100, opto por outro caminho. E, obviamente, o mesmo vale para partir de uma não-ação para a decisão de uma ação.
  • Ubiratan Iorio  04/09/2012 12:28
    Tá bom, Fernando, entrego os pontos... hehehe Governo só atrapalha, mas na N Zelândia são 6 ou 7 dias, aqui são 152. Então, não fui muito errado quando escrevi "estimula". Bom, poderia ter escrito "desestimula bem menos"... Mas de qq forma, se conseguíssemos aqui na Brazuca diminuir de 152 para 7 dias já seria uma coisa espetacular.
  • Vitor Hoher Nunes  04/09/2012 13:13
    Prof. Ubiratan,\r
    \r
    Existe algum local que seja possível conseguir o seu livro "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira"? É possível com a editora? Só achei em sebos online...\r
    \r
    Desde já agradeço!\r
    \r
    Abraços\r
    \r
  • Danielbg  04/09/2012 13:22
    Livro: www.mises.org.br/Product.aspx?product=24
  • Vitor Hoher Nunes  04/09/2012 13:50
    Obrigado pela presteza, Danielbg.\r
    \r
    Eu já tinha visto o livro no site do IMB, mas não consigo efetuar a compra por aqui. Não sei se os livros se esgotaram, mas sempre que eu clico em "comprar", aparece depois o "carrinho" vazio e não consigo ir adiante. Para outros itens o procedimento funciona normalmente...
  • Danielbg  04/09/2012 14:04
    Vitor, você tem razão, aqui também verifiquei o mesmo problema.
  • Nyappy!  04/09/2012 14:13
    Na verdade o livro não é vendido aqui mo IMB, infelizmente, mas podemos encontrar em outros lugares:

    www.americanas.com.br/produto/5835798/livros/economia/economia/livro-economia-e-liberdade
    www.estantevirtual.com.br/q/ubiratan-j-iorio-economia-e-liberdade
  • Bernardo Fachini  04/09/2012 14:46
    Eu já comprei o meu pela Estante Virtual. Tá muito barato. Com frete, deu R$ 10,00.
  • Danielbg  04/09/2012 14:40
    Acabei de comprar o meu no site estantevirtual!
  • Erick  04/09/2012 16:56
    Pelo visto a tal Thali Livros vai ganhar dinheiro a rodo com esse curso... a não ser, é claro, que o prof. Ubiratan nos autorize a escanear seu livro e a distribui-lo em pdf livremente por aí ;)
  • Sergio Quintela  04/09/2012 15:52
    Off-Topic: artigo interessante no AutoEntusiastas: autoentusiastas.blogspot.com.br/2012/09/ipi-e-dolar-quando-mexer-demais-estraga.html
  • Cesar  04/09/2012 16:22
    Prof Iorio,
    Parabens pela excelente aula, cujo dominio da linguagem e conhecimento técnico permitem o aprendizado sem necessidade de aula presencial!!
  • Andre Cavalcante  04/09/2012 19:04
    Muito bom artigo. Tô ansioso pelos demais.

    Só uma obs.: a frase "Sendo assim, fracassou redondamente nos países em foi imposto e fracassará sempre onde quer que venha a ser implantado." seria melhor como: "Sendo assim, fracassou redondamente nos países em QUE foi imposto e fracassará sempre onde quer que venha a ser implantado."

    Concordo com o Fernando: o governo da NZ atrapalha menos. Concordo também com o Bruno. A telefonia fixa aqui no Brasil tem grandes operadoras mas elas foram monopólios em suas áreas de atuação quando da "privatização", logo foram "concessões". Telefonia celular veio em seguida e somente 10 anos após a tal concessão é que foi liberada a concorrência entre elas em qualquer canto do Brasil. E o principal para que uma telefônica possa operar, o canal de comunicação, mesmo na atualidade é de propriedade do governo e apenas concedido para as teles, logo, o modelo é de concessão e a tele é monopolista do canal em todo o território nacional.

    Abraços
  • Luis Antonio  04/09/2012 20:01
    Caro Professor Iorio:

    Meu senão nesta lição, fica por conta da área da comunicações, pois por longo tempo, fui sentindo a evolução da telefonia, e me lembro de tempos em que ainda como estatal, não haviam demoras como as citadas, e chamava à atenção o fato do baixo preço das tarifas.
    Notei após um determinado tempo, que estas coisas, foram tendendo para o quadro que o Sr. citou, tendo vindo em seguida, as informações, dos arranjos desonestos, que passaram pelo impedimento de expansão do número de aparelhos de modo que pode-se dizer que tudo piorou nestes serviços.
    Recorrendo ao livro da "Privataria tucana" encontramos delatação de arranjos que visaram destruir o funcionamento que estava estabelecido via leis do Congresso Nacional, que estabelece leis para quem os paga, e isto teria sido conseguido com o intuito, já de mudar o jogo, destruindo a qualidade do funcionamento da estatal, já com interesses de privatização e assim realmente uma linha com aparelho além da demora, tinha um custo absurdo próximo de mil cruzeiros à época, sem se falar da indústria do aluguel de telefones.
    Paralelamente a isto, não pode haver risco em se tratando de comunicações, no fato de que um país, esteja nesse interim em mãos alheias, o que pode derrepente num momento estratégico ser bloqueado e ficar sem poder se comunicar?
    Grato pela atenção, e parabéns pela forma didática como apresntou a 1ª lição.
  • Leandro  05/09/2012 04:07
    Prezado Luis Antonio,

    A Telebrás podia apresentar um serviço relativamente bom na época em que havia poucas linhas telefônicas no país, o que mascarava o problema do cálculo econômico. Porém, à medida que o número de telefones foi aumentando, o problema do cálculo econômico foi se tornando mais acentuado, explícito e inevitável. O fato de as tarifas serem subsidiadas (daí aparentarem ser baratas) em nada ajudava a operação da estatal.

    Como já explicado inúmeras vezes neste site, uma empresa ser gerida pelo governo significa apenas que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e prejuízos. Todos os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal monopolista não precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira -- seus fundos, oriundos do Tesouro, não infinitos.

    Uma empresa que não é gerida privadamente e que não está sujeita a uma concorrência direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado, em uma dimensão paralela.

    E há também a questão política. A gerência governamental está sempre subordinada a ineficiências criadas por conchavos políticos, a esquemas de propina em licitações, a loteamentos de cargos para apadrinhados políticos e a monumentais desvios de verba -- afinal, como dito, uma estatal não busca o lucro, não precisa se submeter ao mecanismo de lucros e prejuízos do mercado, não tem concorrência e não deve transparência a ninguém.

    Daí a deterioração dos serviços da Telebrás ser inevitável. Não existe mágica em economia.

    O referido livro foi escrito por um autor que nada entende de economia, e que estava preocupado apenas em fazer panfletagem partidária, algo explícito já em seu título. A deterioração da Telebrás era algo economicamente evitável. Mesmo que ela fosse gerida por anjos, seus serviços iriam decair.
  • Luis Antonio  05/09/2012 12:36
    Grato professor Leandro:
    Mas ainda me restam umas questões:
    A primeira, é a respeito da parte final de meus escritos, no quesito "Segurança Nacional", mediante esta condição de se ter as comunicações em mãos privadas.
    A segunda ainda é qto à questão das empresas,ou seja, se uma gestão nas estatais, for bem administrada, sem permissão aos desvários e bandidagens, não pode vir a ser próspera?
    Em debates, surgiu o caso da Codelco, chilena que se manteve estatal, e acaba de se tornar a maior do mundo em seu setor, sendo vizivelmente responsavel pelo bom momento de seu país.
    Por favor, desculpe a insistência, mas é só no anelo de entender.
  • Leandro  05/09/2012 13:01
    Luis Antonio, sobre estatais bem administradas serem prósperas, isso só pode ocorrer caso a estatal:

    1) esteja atuando em um mercado de genuína livre concorrência, isto é, um mercado em que não há nenhuma regulação à entrada de novos concorrentes. Neste caso, ela poderá utilizar o sistema de preços fornecidos por este mercado; e

    2) não se valha do Tesouro -- nem mesmo implicitamente -- para cobrir seus déficits.

    Como eu desconheço um só caso que cumpra os dois requisitos acima, é impossível dizer se uma determinada estatal é ou não "eficiente", pois tal definição não pode ser aferida sob estas condições. Qualquer empresa que opere em ambiente regulado e que tenha a garantia implícita de que o Tesouro irá cobrir seus déficits e seus investimentos errôneos não pode, por definição, ser "eficiente". Qualquer definição de eficiência seria subjetiva -- e ao sabor das preferências ideológicas do debatedor.

    Quanto a ser "próspera", aí vai depender da sua definição de "prosperidade". Se prosperidade é ganhar muito dinheiro e quase não ter prejuízos, bom, aí qualquer empresa protegida pelo governo, seja ela privada ou estatal, será "próspera". A Receita Federal, por exemplo, é uma agência governamental indubitavelmente próspera. Mas isso não é necessariamente bom para os cidadãos.

    Quanto a dizer que a CODELCO é a responsável pelo bom momento do Chile, isso é algo que não faz nenhum sentido. A CODELCO exporta cobre e quem define o preço do cobre não é um burocrata chileno, mas sim o mercado mundial. A estatal simplesmente surfa na onda e vende o cobre aos preços determinados pelo mercado. O que você pode dizer é que a alta do preço do cobre ajudou a aumentar as receitas do governo chileno. Aí tudo bem. Só que aí cabe a você explicar por que um governo ter mais receitas -- o que não apenas lhe permite fazer todos os tipos de populismo como também de implementar todos os tipos de medidas e regulamentações intrusivas -- seria algo bom para o país. Vide a Venezuela e as ainda mais fartas receitas de petróleo.

    Finalmente, sobre telecomunicações, não entendi sua preocupação. Aliás, diria que o modelo que você defende é exatamente o que preocupa. Monopólio das comunicações em mãos do estado é uma medida primordial para um governo se tornar totalitário e controlar o fluxo de informações. Não é à toa que o item 6 do Manifesto Comunista deixa claro: "Centralização dos meios de comunicação e transporte nas mãos do estado."

    Por outro lado, estando a comunicação a cargo de várias empresas privadas concorrentes, cabe a você explicar qual seria o interesse financeiro de todas elas em repentinamente parar de prover tais serviços. O que elas ganhariam com isso? De onde viria seus lucros? Estes empresários repentinamente deixaram de ser gananciosos? Não entendo a lógica.

    Mesmo que, por algum insondável motivo, todas as empresas inexplicavelmente parassem de fornecer seus serviços (e inevitavelmente começassem a ter prejuízos calamitosos), o que impede que ao menos uma saia deste esquisito cartel, ofereça serviços e, com isso, lucre horrores?

    Como visto, basta usar a lógica e razão para ver que nenhum argumento pró-coerção estatal faz o mais mínimo sentido.

    Abraços!
  • Juliano  21/09/2012 10:07
    ..."arranjos que visaram destruir o funcionamento que estava estabelecido via leis do Congresso Nacional, que estabelece leis para quem os paga, e isto teria sido conseguido com o intuito, já de mudar o jogo, destruindo a qualidade do funcionamento da estatal, já com interesses de privatização e assim realmente uma linha com aparelho além da demora, tinha um custo absurdo próximo de mil cruzeiros à época, sem se falar da indústria do aluguel de telefones."\r
    \r
    Isso por si só já demonstra a falha nas empresas estatais, que é seu gerenciamento político. A estatal atua em uma monopólio, ou pelo menos sempre têm uma fatia gigantesca de benefícios, e pode tomar direções favorecendo interesses de grupos específicos. Como a população não tem escolha, fica totalmente à mercê desses grupos.\r
    \r
    Quando a monopolista do transporte público decide entrar em greve, a cidade pára. Isso é absolutamente impossível em arranjos decentralizados. Dá pra imaginar uma cidade ficar sem comida pois todos os seus restaurantes pararam por algum motivo? Quando o arranjo é centralizado, sua manipulação por qualquer grupo é sempre simplificada.\r
    \r
    Assim, a própria utilização da Estatal com fins políticos (favorecer a privatização) já é uma denúncia de seus problemas. Hoje a gente vê o tempo todo elas serem usadas pra favorecer sindicatos, blogueiros que falem bem do governo ou assumir mais riscos simplesmente porque é popular para o governo. Quando as aventuras políticas geram prejuíso, nós novamente somos chamados a "contribuir".\r
    \r
    Empresa estatal é uma empresa que te força a consumir dela (quando não é um monopólio, vc vai pagar do mesmo jeito), te obriga a dividir quaisquer custos extras e vc vai ser o último a ser lembrado na hora de dividir os lucros. Dá pra imaginar um arranjo pior?
  • Sérgio  02/05/2013 07:51
    Telebrás, bom serviço? rsrs


    Felipe Patury e João Sorima Neto

    Uma das melhores piadas sobre o antigo regime soviético conta a história de um habitante de Moscou que, em 1975, foi até a loja comprar uma geladeira. Na hora de pagar, foi informado de que o eletrodoméstico seria entregue em 1981. Ao anotar a data anunciada num caderninho, pergunta:

    — De manhã ou de tarde?

    — Que diferença faz? — quis saber o funcionário da loja. — É que eu comprei um fogão no ano passado, eles marcaram a entrega para o mesmo dia e quero organizar a minha agenda.

    Para os brasileiros, fica difícil ouvir uma piada dessas e não se lembrar da Telebrás, a estatal que demora mais de dois anos para entregar os telefones que vende, cuja privatização está marcada para esta quarta-feira, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Se o leilão da Telebrás não for adiado por uma daquelas ações judiciais apresentadas à última hora pelos adversários da privatização, o brasileiro estará assistindo a uma mudança histórica que terá ampla repercussão na vida de milhões de pessoas. Quem já não viu ou entrou numa daquelas imensas filas das teles estaduais para garantir o direito de comprar uma linha residencial? Quando chega diante do funcionário, o consumidor finge que está pagando por um serviço que vai receber e o funcionário finge que está recebendo por um serviço que vai entregar. Como na prática todo mundo sempre soube que a instalação ia levar anos, quem pôde adotou uma saída alternativa. Alguns alugaram uma linha, pagando mensalidades quase tão altas quanto a taxa do condomínio. Outros compraram a sua linha no mercado paralelo, a prazo, bancando o equivalente a um segundo telefone a título de juros. E muita gente formou grupos para comprar um telefone em sociedade. O aparelho fica instalado na casa de um deles e assim todos têm um meio de dar e receber recados. Sem alternativas, os mais pobres dependem dos telefones comunitários, aqueles orelhões que, além de discar, também recebem ligações.

    O resultado é que um telefone já entregue passou a valer ouro. Em 1995, a empresa telefônica de São Paulo, a Telesp, vendia uma linha residencial por 970 reais. Como não havia oferta, quem quisesse um telefone tinha de pagar mais de 4.000 reais no mercado paralelo. Em alguns bairros da periferia paulistana, o telefone no paralelo saía por 9.000 reais — um ágio de 850% sobre a tabela oficial. Comprar e vender telefones se transformou num negócio que ocupou os classificados dos jornais e criou algumas grandes fortunas. O telefone tornou-se um artigo tão raro que jamais foi considerado um serviço, como o acesso à água ou à energia elétrica, algo que se pede para ligar e desligar. O telefone do brasileiro é um bem, pertence à sua família. Está listado no imposto de renda na coluna do patrimônio, declarado em testamento e lembrado na hora do divórcio. Ter duas ou três linhas em casa já foi considerado indicativo de prosperidade. Em tempos de crise, houve quem vendesse a sua linha para pagar uma dívida. Ou procurasse um agiota para dar o telefone como garantia de um empréstimo. Até bem pouco tempo atrás, os recém-casados faziam conta para comprar três bens a prazo: o imóvel, o carro e o telefone.

    veja.abril.com.br/290798/p_102.html

    O cara ainda vem citar aquele panfleto petista Privataria Tucana, sendo que o autor de tal livro não apresenta nenhuma prova, nenhuma fonte, sobre as acusações...
  • Sérgio Quintela  04/09/2012 20:30
    Artigo bacana sobre burocracia = corrupção: www.naopossoevitar.com.br/2012/03/burocracia-e-corrupcao.html mas na verdade o que me fez colar esta url aqui é o vídeo que tem no começo do post, tristemente hilário, sobre burocracia e funcionário publico.
  • Juliano  04/09/2012 21:25
    A concessão do setor de telefonia não é um bom exemplo de livre escolha. Claro, comparado com o tenebroso passado estamos no paraíso. Agora, de longe, foge a um real modelo de livre comércio, concorrência, escolha ou afim, que se encontra em países desenvolvidos.
  • Sérgio  05/09/2012 06:08
    Ranking | 05/09/2012 08:02


    Salvar notícia
    Suíça é o primeiro em competitividade; Brasil sobe 5 lugares
    Desempenho do Brasil neste ano colocou o país em 48º lugar em ranking global

    Suíça fica com o primeiro lugar em ranking de competitividade

    São Paulo – A Suíça se manteve pelo quarto ano consecutivo como o país com as melhores condições de competitividade do mundo, segundo o Relatório de Competitividade Global 2012-2013, divulgado na manhã desta quarta-feira pelo Fórum Econômico Mundial.

    O segundo lugar também não trouxe surpresas e Cingapura manteve a vice-liderança no ranking. A primeira mudança aconteceu na terceira posição, que ficou com a Finlândia, país que passou a Suécia desde a última divulgação.

    O ranking do Relatório Global de Competitividade é baseado no Índice de Competitividade Global (GCI, na sigla em inglês). O estudo leva em consideração os dados econômicos e pesquisas de opinião feitas em 144 países com a colaboração de parceiros locais. No Brasil, o Movimento Brasil Competitivo (MBC) e a Fundação Dom Cabral realizam em conjunto a pesquisa.

    São abordados 12 pontos: instituições, infraestrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação primária (no mesmo tópico), educação superior e capacitação (no mesmo tópico), eficiência no mercado de bens, eficiência no mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, prontidão tecnológica, tamanho de mercado, sofisticação de negócios e inovação.

    Brasil sobe, mas não supera China

    O Brasil subiu cinco posições no ranking deste ano, passando de 53º para 48º.

    Entre os países do BRICS, o desempenho colocou o Brasil em uma posição mais alta que Índia, Rússia e África do Sul. A melhora não foi suficiente, porém, para superar a China.

    Confira o desempenho dos BRICS neste ano:


    exame.abril.com.br/economia/noticias/suica-e-primeiro-em-competitividade-brasil-sobe-5-posicoes
  • BSJ  05/09/2012 06:41
    Conversando com um colega marxista, eu disse-lhe que, se o governo diminuísse a carga tributária, os empresários empregariam mais pessoas. Ele retrucou, dizendo que se o governo de uma hora pra outra tirasse os impostos, os empresários (sempre gananciosos e perversos) não usariam os incentivos para contratar mais trabalhadores. Ao contrário, continuariam empregando com o mesmo salário de antes, e embolsariam os novos lucros dos incentivos fiscais dados pelo governo.
  • Fellipe  05/09/2012 12:25
    Isso pode acontecer como pode não acontecer. A maioria das pessoas esquecem no fator liberdade que é o mais importante. Todo funcionário é livre para mudar de emprego. Se você se sentir explorado pelo patrão você pode mudar de emprego.

    No meu ultimo trabalho eu fazia horas extras não remuneradas e ganhava 2 salários mínimos. Cansei, pedi demissão, e hoje estou ganhando mais e trabalhando menos, graças ao meu esforço. Eu aceitei o primeiro trabalho pois era o meu primeiro emprego, logo estava louco para começar e aceitei qualquer coisa. Aprendi, melhorei e cresci como pessoa. Pedi um aumento e ele não veio, outro alguém ofereceu mais e eu sai. É muito simples.
  • Juliano  21/09/2012 10:46
    O empresário não contrata mais pessoas porque ele quer, é pelo fato de que mais funcionários fariam ele ganhar mais. Se não houver perspectiva de maior lucro, ele deixa como está. Com menos dinheiro indo para o governo, mais dinheiro fica na mão do negócio. Isso pode fazer com que ele ofereça seus produtos por um preço menor (se ele não o fizer, o concorrente terá essa opção).\r
    \r
    Se, por qualquer razão, ele simplesmente aumentar seu lucro ao invés de investir no negócio, esse dinheiro será usado no consumo dele (presente ou futuro). Vai consumir itens que serão produzidos por outras pessoas, fazendo girar a engrenagem.\r
    \r
    Dinheiro que não vai para o governo fica na economia, não desaparece. Esse dinheiro vai estimular as áreas que melhor atenderem às vontades dos consumidores. Quando vai para o governo, as áreas estimuladas são as que melhor atendem os desejos dos políticos. \r
    \r
    Quando o dinheiro fica nas mãos das pessoas, os empreendedores tentam atender o público geral. O consumidor é o rei! No segundo caso, os empreendedores se organizam e se esforçam pra atender os desejos dos políticos. O mercado de consumo vira produto nas mãos dos políticos.
  • Victor Augusto  23/10/2012 21:10
    Colega, a empresa não contra mais funcionário só por que tem dinheiro sobrando, é necessário verificar a demanda da empresa. Se a expectativa de demanda é de aumentar, com ou sem tributo a empresa vai contratar mais funcionários.
  • Pedro  05/09/2012 11:19
    Valeu, Bira!
  • Leandro  05/09/2012 13:10
    Prezados, acaba ser disponibilizada aqui no site a versão em .pdf do livro do professor Ubiratan: Economia e Liberdade - A Escola Austríaca e a Economia Brasileira

    Façam bom proveito.
  • Vitor Hoher Nunes  06/09/2012 05:29
    Obrigado, Leandro! Será de grande proveito!\r
    Agradeço também ao pessoal que deu as dicas de onde conseguir o livro.
  • Diego Vasconcelos  06/09/2012 06:52
    Sábias palavras.. \r
    \r
    "A maioria das pessoas esquecem no fator liberdade que é o mais importante. Todo funcionário é livre para mudar de emprego. Se você se sentir explorado pelo patrão você pode mudar de emprego"
  • felipe  10/09/2012 20:53
    Bom texto, certamente um interessante mecanismo de provocação para que se debrucemos sobre a economia sob a lente da EAE.
    Entretanto, para mim, não ficou muito claro o conceito de "instituições" segundo este modelo teórico.
    Bela iniciativa!!!
    Parabéns!!
  • Higor Monteiro  02/05/2013 01:17
    Como a economia austríaca lida com os argumentos pró-estado, pró-socialismo, os quais defendem a abolição da propriedade privada, pois sem propriedade, as pessoas fariam um trabalho melhor pois tratando os bens de forma eficiente também receberiam bens que foram trabalhados de forma eficientes, sempre argumentando que não haveria roubo, nem descuido pois seria de todos?

    Eu já tenho um ponto contrário a esses argumento pró-socialismo, mas queria saber das outras ideias dentro da escola austríaca.
  • Leandro  02/05/2013 01:24
    Resposta completa:

    A propriedade comunal dos meios de produção (por exemplo, das fábricas) impede a existência de mercados para bens de capital (por exemplo, máquinas). Se não há propriedade privada sobre os meios de produção, não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços legítimos. Se não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços. E sem esse cálculo de preços, é impossível haver qualquer racionalidade econômica -- o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

    Sem preços, não há cálculo de lucros e prejuízos, e consequentemente não há como direcionar o uso de bens da capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.

    Em contraste, a propriedade privada sobre o capital e a liberdade de trocas resultam na formação de preços (bem como salários e juros), os quais refletem as preferências dos consumidores e permitem que o capital seja direcionado para as aplicações mais urgentes, ao mesmo tempo em que o julgamento empreendedorial tem de lidar constantemente com as contínuas mudanças nos desejos dos consumidores.

    O socialismo, um sistema que na prática requer um estado totalitário, não é uma opção viável ao capitalismo. Qualquer passo rumo ao socialismo é um passo rumo à irracionalidade econômica.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1349

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1141
  • Higor Monteiro  02/05/2013 01:46
    Leandro, muito obrigado pela resposta bastante esclarecedora, e agora que recomendou vou começar a ler este livro do professor Mises.

    No ponto que citou sobre os preços e sobre o direcionamento dos bens de forma mais eficiente com a existência da propriedade privada, entra outro ponto, a da teoria monetária, onde a moeda serviria como emissor desses preços legítimos, isso? onde já refutaria a proposta dos socialistas de abolição da moeda, certo?

    Obrigado, abraços.
  • Leandro  02/05/2013 04:26
    Correto. Abolir o dinheiro é uma boçalidade incomensurável. Sem o dinheiro, a sociedade opera na base do escambo e a divisão do trabalho é totalmente aniquilada. O único regime comunista que aboliu a moeda foi o do Camboja. Um terço da população foi dizimada.

    Veja esse artigo sobre a importância do dinheiro:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1502
  • Douglas Silva  12/03/2015 14:56
    Perdão pela minha ignorância, conheci a Escola Austríaca a pouco tempo, alguém poderia me explicar os itens 3, 4 e 5 ?

    3. Por que a economia não é uma ciência exata?

    4. Por que a liberdade de escolha e a propriedade privada são tão importantes para o desenvolvimento das economias?

    5. Pense na diferença entre uma economia baseada em indivíduos e uma economia baseada em "coletivos".
  • Michael  12/03/2015 15:08
    3) Sem propriedade privada não há moralidade e nem civilização

    A ética e a economia da propriedade privada


    4) Porque a economia é a ciência da ação humana, e o comportamento humano é, por definição, impossível de ser matematizado.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=17


    5. Quem age é o indivíduo, e não o coletivo. O coletivo é formado por indivíduos, e é o indivíduo que age.

    O que realmente é a "sociedade"
  • Douglas Silva  12/03/2015 15:35
    ''Porque a economia é a ciência da ação humana, e o comportamento humano é, por definição, impossível de ser matematizado.'' Deixe eu perguntar, se a Economia é o estudo da ação humana, em que sentido ela estuda a ação humana, a psicologia também não faz isso?
  • Michael  12/03/2015 17:02
    Explicado nos artigos linkados.

    E tem mais aqui:

    Psicologia versus Praxeologia

    Ação humana é ação propositada, e tal constatação não está relacionada à psicologia. Enquanto esta última visa a explicar o funcionamento dos eventos (mentais) interiores de uma pessoa, bem como os motivos que a levaram a uma determinada ação, a praxeologia está estritamente confinada à lógica da ação humana.

    A praxeologia, baseando-se no axioma da ação humana, utiliza a lógica formal para chegar à conclusão de que a ação humana é ação propositada (a qual é totalmente oposta de ação não propositada). A praxeologia não recorre a nenhum tipo de suposição comportamental.
  • Woody  27/04/2015 12:45
    Excelente iniciativa. A cada dia aprendo mais com vocês. Esse site, se fosse lido por uma boa parte da população acadêmica, faria uma diferença absurda no nosso país. Ainda chegaremos lá.
    Em pouco tempo enfrentarei a difícil escolha de encontrar uma escola para minha filha, que ainda tem 1 ano e 2 meses. Mesmo em São Paulo, e pagando fortunas de mensalidade, a maioria das escolas está infestada pelo sócio-construtivismo. Gostaria de saber se alguém aqui já passou por isso e conhece boas escolas que adotem o racionalismo. Tenho certeza de que o melhor investimento que posso fazer por minha filha é garantir que estude em escolas que a levem o mais longe possível de visões coletivistas. É claro que não nenhuma garantia, mesmo em escolas que não adotem isso de forma aberta. Sempre haverá professores doutrinadores, e por isso mesmo eu sempre estarei de olho nas coisas que estiverem sendo ensinadas a ela. Não só isso, transmitirei a ela esses conhecimentos logo cedo para que esteja de certa forma blindada a todo tipo de doutrinação que possa vir a sofrer.

    Grato.


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