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A reestatização do crédito no Brasil

O artigo a seguir foi extraído do um boletim informativo mensal escrito para a empresa VOGA.

 

"A mão invisível do mercado está dando lugar à mão visível e frequentemente autoritária do capitalismo de estado", escreveu a The Economist em janeiro deste ano em uma oportuna reportagem especial sobre a ascensão do capitalismo de estado nos países emergentes.

A Rússia, com seus oligarcas com estreitas relações com o governo, e a China, com suas centenas de empresas estatais, já são conhecidas por esta versão de capitalismo.  O mesmo é válido para os xarifados ricos em petróleo e gás do Oriente Médio.

Mas o Brasil, uma democracia com 200 milhões de habitantes, faz pensar se o país de fato merece fazer parte deste seleto time de capitalistas estatais.  E o fato é que, como corretamente apontado pela revista britânica, o governo brasileiro também sucumbe às tentações da mão visível do estado.

Seja adquirindo ações minoritárias em várias empresas privadas por meio do BNDESPar (a subsidiária do BNDES que investe diretamente em empresas privadas), seja concedendo empréstimos subsidiados para empresas com boas conexões políticas (também por meio do BNDES), ou exercendo forte influência sobre grandes corporações como a Vale (por meio dos poderosos fundos de pensões de estatais que detêm significativas parcelas de ações da empresa), o Leviatã brasileiro está longe de estar adormecido.

Toda esta introdução serve para nos trazer ao assunto deste artigo, qual seja, a evolução do crédito no Brasil, e, como sugere o título, como o estado não está deixando exclusivamente para o mercado a tarefa de decidir a alocação dos fundos.  Porém, antes de prosseguirmos, vale a pena relembrar a recente história das instituições financeiras estatais no Brasil.

Bancos estatais e bancos controlados pelos estados

Não mais do que 15 anos atrás, 23 dos 25 estados do Brasil possuíam seu próprio banco.  Fundados após a Primeira Guerra Mundial e ao longo de todo o século XX, sob o pretexto de fornecer financiamentos de longo prazo sempre que os bancos privados se recusassem a emprestar (ou fossem incapazes de conceder crédito em decorrência da alta inflação de preços ou do excessivo volume de crédito tomado pelos governos), estes bancos acabaram gerando severas atribulações fiscais e monetárias para o país.

O Banespa, no estado de São Paulo; o BANERJ, no estado do Rio de Janeiro; o Baneb, na Bahia; o Credireal, em Minas Gerais; e o Banestado, no Paraná, são apenas uma amostra destas instituições financeiras estatais.  Os mais velhos certamente se lembram bem destes nomes infames.

Na teoria, todos estes bancos tinham o objetivo de gerar desenvolvimento para suas respectivas regiões.  Na prática, a realidade foi totalmente diferente.  Quantidades infinitas de empréstimos eram feitas para seus acionistas controladores — os próprios governos estaduais — sempre que as receitas de impostos se mostravam insuficientes para cobrir os gastos públicos.  As várias empresas estaduais nos setores de telefonia, água e esgoto, rodoviário e de transporte também eram agraciadas com crédito destes bancos estaduais.  Como era de se esperar, estes empréstimos frequentemente não eram quitados.  Porém, o "risco de crédito" dos governos estaduais permanecia inalterado.  Empréstimos adicionais iam sendo concedidos à medida que os antigos eram ou renegociados ou simplesmente cancelados.

Ao fim e ao cabo, a maioria destes bancos estaduais estava em um estado de completa insolvência.  O Banco Central constantemente tinha de intervir e socorrer estas instituições, pois muitas eram consideradas "grandes demais para quebrar".  O ápice do caos ocorreu durante a década de 1980 e início da de 1990, sendo este arranjo um dos principais fatores que contribuíram para a hiperinflação que o país vivenciou naquela época.

Mas, e quanto ao crédito?  O que dizer sobre o crédito de longo prazo?  Será que os bancos estaduais de fato contribuíram para o desenvolvimento de suas respectivas regiões, objetivo este que era o principal pretexto de sua existência?  É muito difícil responder positivamente a esta última pergunta.

Com relação ao crédito em si, pode-se afirmar com toda a certeza que os bancos estaduais cumpriram sua missão de fornecer financiamento.  Crédito de longo prazo.  Crédito de curto prazo.  Crédito de qualquer prazo.  Volumes pequenos e enormes.  Absurdos e bizarros.  Para seu próprio acionista.  Para as empresas de seu acionista.  Para tomadores de empréstimo de bom histórico e de péssimo histórico, igualmente.  Tudo isto foi o inevitável resultado de um sistema bancário estatal operando sob difusos e predominantes conflitos de interesse, pessimamente gerenciado, guiado não pela busca pelo lucro mas sim por objetivos políticos.

De 1988 até a introdução do real em julho de 1994, o crédito concedido por instituições financeiras estatais, não surpreendentemente, representou 64% do crédito total concedido.  Afinal, era impossível um banco privado superar competitivamente um banco público que concedia crédito temerariamente.

O país logo percebeu que o crédito não podia ser criado do nada, sem que houvesse uma poupança anteriormente formada para sustentar sua criação.  Tomadores de empréstimos com histórico ruim são considerados "ruins" por um motivo: sua incapacidade financeira de quitar uma dívida.

Com a transição para a nova moeda, o real, rapidamente surgiu a necessidade de se reestruturar completamente os bancos estaduais.  Uma legislação aprovada em 1996 deu início a este processo, no qual o Ministério da Fazenda instituiu o PROES (Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária).  Seu objetivo era liquidar, trazer solvência ou privatizar os bancos estaduais.

Ao final do programa, em 2002, após nove privatizações bancárias e várias liquidações, a participação do crédito do setor financeiro estatal não representava mais do que 38% do crédito total concedido.  E por que tal participação não era ainda menor?  Porque alguns importantes bancos estaduais continuaram operando, como o Banrisul e o BRB (Banco de Brasília).

Embora práticas de mercado houvessem sido adotadas (o Banrisul até mesmo abriu seu capital na Bovespa), tais bancos ainda são controlados por seus respectivos governos estaduais; logo, são gerenciados de acordo com conveniências políticas.  E o mesmo é válido para os bancos federais — Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal — e para o banco nacional de desenvolvimento, o BNDES.  Estas gigantescas instituições financeiras ainda moldam uma considerável fatia da economia brasileira atualmente.

O que nos leva para a próxima seção, na qual faremos algumas constatações sobre a evolução do crédito.

Crédito "público" ganhando ímpeto

Analisando o gráfico 1 abaixo, é possível ver claramente o comportamento oposto entre o crescimento do crédito privado e o crescimento do crédito "público" nos últimos anos — especialmente desde 2008, quando houve um virtual "sufocamento do crédito" oriundo dos bancos privados, e o estado entrou vigorosamente em cena despejando dinheiro de estímulo (leia-se BNDES) de modo a mais do que compensar a tendência de queda do crédito privado.

Crédito dos bancos públicos em vermelho e crédito dos bancos privados em cinza

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Figura 1: Crescimento anual do crédito total — Fontes: BACEN e VOGA

No ano seguinte, 2009, os bancos privados mantiveram sua postura cautelosa.  Somente em 2010 é que vimos a retomada do crescimento do crédito privado na economia.

A alta expansão monetária de 2010, que levou a um crescimento recorde do PIB de 7,5%, culminou em uma inflação de preços acima da meta em 2011, bem como em um aumento da taxa de inadimplência ao longo daquele ano.  Adicionalmente, a Europa e as tribulações de sua dívida soberana contribuíram para boa parte da turbulência nos mercados.  Os eventos de 2011 renovaram as preocupações com relação ao estado da economia mundial.

Sob este cenário, os bancos privados no Brasil, sempre sujeitos ao implacável teste dos lucros e prejuízos (na realidade, nem tão implacável assim quando se leva em consideração o papel do BACEN como emprestador de última instância), não tiveram opção a não ser moderar o ritmo do crescimento do crédito em decorrência do superaquecimento da economia nacional e do trôpego estado das nações desenvolvidas.

Porém, os planejadores centrais em Brasília não suportam a ideia de deixar o mercado se reajustar sozinho.  Eles têm de intervir sempre, fornecendo crédito farto e barato.  E foi exatamente isso o que testemunhamos nos últimos meses de 2011.  O crédito público ganhou impulso, ao passo que as instituições financeiras privadas se abstiveram de conceder ainda mais empréstimos para uma economia já bem alavancada.

Embora o BNDES seja o notório financiador das grandes empresas, os bancos federais também possuem sua fatia.  Mas por que o estado deve interferir nos mercados de crédito?  Oficialmente, por causa da incapacidade ou da relutância dos bancos privados em fornecer financiamento de longo prazo para a economia.

O problema com este raciocínio é que ele é bem aceito pela maioria dos empresários e empreendedores, que gostam de crédito farto e barato.  O governo, consequentemente, passa a ser considerado o redentor do crescimento econômico, e não seu empecilho.

Independentemente de inclinações políticas, não podemos nos abster da enfatizar o seguinte ponto: o senso comum alega que o livre mercado é incapaz de (ou não quer) fornecer financiamentos de longo prazo, de modo que o estado deve intervir para corrigir esta "falha de mercado".  Aos adeptos desta crença, vale relembrá-los que o atual sistema financeiro é completamente controlado e organizado pelo estado e por seu banco central.  Sendo assim, se tal sistema é incapaz de fornecer financiamentos de longo prazo, temos então um bom exemplo de fracasso da intervenção estatal — e a culpa deve ser debitada completamente nele, e não no livre mercado.

Portanto, embora seja conceitualmente errado, o crédito estatal é justificado como sendo uma maneira de corrigir uma suposta falha de mercado.  Mas, como acabamos de argumentar, tal justificativa é, no mínimo, altamente contestável.  Por outro lado, uma questão que já não mais tem como ser contestada é o fato de que a concessão de crédito pelo governo representa mais uma poderosa maneira de ele exercer seu poder sobre a economia.  Citando novamente a The Economist, trata-se da "mão visível do estado".

Uma tendência preocupante

E não dá para negar que esta mão está ficando cada vez mais visível, como claramente mostra a figura 2. 

A área cinza mostra o total de crédito concedido; a linha vermelha mostra qual a porcentagem deste volume de crédito é composta por crédito estatal.

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Figura 2: Quem está emprestando? — Fontes: BACEN e VOGA

A fatia dos bancos públicos no crédito total está em níveis não vistos desde 2000, antes do final do PROES.  O objetivo deste programa era especificamente o de reduzir a presença do estado no setor bancário.  "Privatizar" o sistema bancário e, consequentemente, o crédito.  O que estamos vendo agora é exatamente o oposto daquela tendência.  De certa forma, trata-se da reestatização do crédito.

Não obstante, existem diferenças óbvias entre o financiamento dos bancos estatais na década de 1990 e os atuais.  Naquela época, o crédito era concedido majoritariamente para os governos estaduais e para as empresas estatais.  A lógica econômica por trás daqueles empréstimos era totalmente nula.  Adicionalmente, tudo funcionava como uma assistência fiscal direta aos estados.  Os incentivos econômicos eram extremamente perversos.  Um banco estatal emprestando para uma empresa estatal é a combinação perfeita para o desperdício.  Aquele não se importa muito se a dívida será quitada ou não; este possui poucos incentivos para investir sensatamente.  Ambos usufruem a sempre implícita garantia do socorro estatal.

No presente, estamos lidando com uma parte destes problemas.  Os recebedores do crédito estatal agora são empresas privadas, de grandes a pequenas, e cidadãos brasileiros.  Contrariamente às empresas estatais, empresas privadas não podem se entregar gostosamente à gastança desmesurada.  Por outro lado, bancos estatais certamente podem se dar ao luxo de emprestar com pouca prudência.

O principal problema com o crédito fornecido por instituições financeiras estatais é que ele pode gerar investimentos insustentáveis em determinados setores, com o risco de causar um ciclo econômico de máxima intensidade caso a expansão creditícia seja mais acentuada.

Em vez de simplesmente destruir capital, como ocorria na década de 1990, o risco da atual expansão creditícia é alterar e distorcer a alocação de capital na economia, fazendo com que ela seja ineficiente e insustentável.  Sendo assim, os desequilíbrios podem até demorar um pouco mais para serem formados, mas, no devido tempo, os problemas surgirão.  Esta é a inevitável consequência de quando a política pública determina onde os fundos devem ser investidos: alocação errônea e insustentável do capital.

Talvez o mais incisivo e recente exemplo de uma maciça alocação errônea e insustentável de capital seja a bolha imobiliária americana que estourou em 2006/2007.  Não coincidentemente, a política do governo americano foi o principal fato gerador do desastre imobiliário.  Por meio das agências Fannie Mae e Freddie Mac — duas enormes empresas apadrinhadas pelo governo (empresas privadas que contavam com implícitas garantias de socorro por parte do governo) e responsáveis por fornecer financiamentos imobiliários baratos —, da política declarada do ex-presidente George W. Bush de aumentar o número de proprietários de imóveis, e das baixas taxas de juros estipuladas pelo Federal Reserve, uma enorme bolha foi formada.  Seus efeitos ainda são sentidos até hoje na economia americana.

No Brasil, a Caixa Econômica Federal, um banco estatal, é a principal fonte do financiamento imobiliário, responsável por praticamente 75% de todo o crédito imobiliário pendente.  Porém, em comparação com outros mercados desenvolvidos, ainda há um longo caminho para que a alavancagem se torne uma questão problemática.  O crédito total em relação ao PIB ainda está abaixo dos 50%, ao passo que o crédito imobiliário constitui não mais do que 5%.  No entanto, o sistema se alavancou de maneira bastante veloz nos últimos anos.  E não há nada melhor para ilustrar este ponto do que o comportamento das famílias brasileiras, que estão se alavancando aceleradamente.  Ao olhar a figura 3, vemos que a tendência de crescimento do endividamento das famílias em relação à renda acumulada nos últimos 12 meses não mostra nenhum sinal de arrefecimento. 

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Figura 3: Famílias brasileiras se alavancando — Fontes: BACEN e VOGA

É necessário enfatizar que o ponto de partida foi substancialmente baixo, especialmente quando comparado às nações desenvolvidas.  Não mais do que seis anos atrás, as famílias brasileiras alocavam menos de 20% de sua renda para endividamento.  Em novembro de 2011, este valor já havia chegado a 42,5%.  Talvez ainda não seja motivo de grandes preocupações no momento, mas certamente se trata de um índice que deve ser monitorado de perto.

Outro nocivo subproduto desta preocupante tendência é o efeito colateral que ela pode gerar no campo fiscal.  A implícita garantia de socorro pode certamente gerar fardos orçamentários no futuro, exatamente o que ocorreu na década de 1990.  Injeções de capital pelo estado podem se revelar necessárias a fim de se evitar a insolvência dos bancos públicos.  No extremo, dependendo da intensidade do ciclo do crédito, mesmo empresas e bancos privados podem vir a ser socorridos pelo governo, exatamente como foi feito nos EUA, na Espanha, na Irlanda e no Reino Unido (um dos principais culpados pela crise da dívida soberana de 2011 foi a maciça assunção de dívida privada pelos governos centrais).  No entanto, no caso do Brasil, este cenário parece estar ainda alguns anos mais distante.

Conclusão

O Brasil está na contramão dos eventos.  Enquanto ainda estamos nos alavancando, as nações desenvolvidas já estão se desalavancando.  O ciclo do crédito no país está apenas no início.  O principal ponto aqui desenvolvido é que, infelizmente, uma enorme fatia deste crédito está sendo conduzido pelo setor financeiro estatal.  Mais ainda, a fatia do crédito estatal no crédito total vem apresentando, como mostra a figura 2, um acentuado crescimento.

Como tudo isso irá se desenrolar no futuro é algo que não podemos prever, pois vai depender da política, e não da economia.

Será que os padrões de concessão de crédito serão afrouxados para acomodar mais empréstimos ao mercado imobiliário?  Talvez os pagamentos de entrada passem a ser considerados desnecessários, exatamente como fizeram os concessores de empréstimos durante a bolha imobiliária americana.  Podemos apenas especular.

Contudo, a política jamais poderá invalidar e abolir as leis econômicas.  Não importa quanto crédito seja criado pelo sistema: sem que haja uma poupança prévia, os investimentos não poderão ser consumados.  Sem produção e, consequentemente, sem renda, o déficit imobiliário não poderá ser reduzido pela mera criação artificial de crédito.

Muito tem se falado sobre este suposto déficit imobiliário e a consequente demanda por imóveis.  Mas uma demanda real só pode ser criada por uma renda real.  E uma renda real só aumenta se houver um aumento da produtividade, que, por sua vez, é uma consequência de maiores investimentos.  E, para investir, é preciso poupar.  Todo o processo começa pela poupança.  Inverter a ordem natural das coisas é uma receita certa para o desarranjo econômico.

Ludwig von Mises certa vez escreveu que "a história econômica é um longo registro de políticas governamentais que fracassaram porque foram concebidas com uma impertinente desconsideração pelas leis da economia".  Bancos estatais, por definição, operam desconsiderando as leis econômicas.  A história econômica do Brasil é repleta de episódios de má gestão de bancos estatais.  É desanimador constatar que estamos embarcando novamente nesta jornada.


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autor

Fernando Ulrich
é mestre em Economia da Escola Austríaca, com experiência mundial na indústria de elevadores e nos mercados financeiro e imobiliário brasileiros. É conselheiro do Instituto Mises Brasil, estudioso de teoria monetária, entusiasta de moedas digitais, e mantém um blog no portal InfoMoney chamado "Moeda na era digital". Também é autor do livro "Bitcoin - a moeda na era digital".

 

  • Ubiratan Jorge Iorio  18/04/2012 07:35
    Mais um artigo na mosca! Parabéns, Fernando!
  • mauricio barbosa  18/04/2012 07:39
    Fernando Ulrich é uma pena que não podemos prever quando acontecerá o estouro da bolha de crédito estatal visto(libertários) sermos desacreditados pela opinião pública desinformada e alienada. É uma pena.
  • Paulo Sergio  18/04/2012 08:19
    E o que é que a opinião pública tem a ver? A opinião do meu cachorro vale mais que a opinião pública.
  • mauricio barbosa  18/04/2012 16:19
    Paulo Sérgio quando digo opinião pública estou querendo dizer que a população conscientizada pode e deve mudar essa situação,lembrando que o objetivo do IMB é alcançar essa meta, o Hélio Beltrão já deixou isto bem claro em algumas de suas palestras,portanto meu caro repense seus conceitos sobre opinião pública pois o IMB tem este digno objetivo mudar a opinião pública desinformada, espero ter esclarecido sua dúvida e aguardo a tua tréplica,lembrando que este site é coisa séria.
  • Paulo Sergio  18/04/2012 22:03
    Não discordo de nada, só não sei porque é que por isso não dá pra saber qdo a bolha vai estourar
  • mauricio barbosa  19/04/2012 17:43
    Paulo Sérgio acalme-se, pois se a opinião pública desse crédito as críticas aqui(IMB) explanadas com clareza e simplicidade,pode ter certeza nossos políticos não iriam fazer as lambanças que estão fazendo com nossas economias e quando digo que se pudéssemos prever com exatidão quando,em que dia e qual a hora em que iria ocorrer a quebradeira, com certeza os céticos iriam esperar cada minuto,cada segundo para assistir de camarote o caos ou o espetáculo do crescimento(parafraseando o sapo barbudo)para nos dá crédito ou desmascarar a escola austríaca, espero ter esclarecido sua dúvida.Aguardo resposta.Ok! um abraço.
  • Paulo Sergio  20/04/2012 06:34
    Certo, só que como vc disse 'visto que' dava a idéia de que uma coisa era consequência da outra.
    No mais é isso mesmo, pra eles tudo de ruim é culpa do livre mercado e tudo de bom é culpa do governo.
  • mauricio barbosa  20/04/2012 08:51
    Peço-lhe desculpa por meu português ser abaixo da crítica,é um problema de formação (sem querer ser a vítima ou coitadinho)por ser oriundo de escola pública,portanto mais uma prova de que o estado oferta mau o ensino fundamental,médio e superior,enfim é uma lástima em tudo o que se propõe em fazer.
  • Paulo Sergio  18/04/2012 08:35
    Vai ser uma quebradeira de construtoras hein? Estou pensando seriamente em largar a eng civil
  • Hay  18/04/2012 09:13
    Não acho que a quebradeira ocorrerá agora ou em um curto prazo. Lembre-se de que o governo está agora baixando os juros e injetando ainda mais crédito na economia. Tudo isso baseado em dinheiro que não existe, é claro. Poderemos ter um ciclo que pode perdurar até mesmo alguns anos. Porém, como já pudemos verificar em outros países, quanto mais esse ciclo for alimentado com crédito artificial, maior será a queda no futuro.
  • Carlos Araujo  18/04/2012 08:47
    Vocês vão fazer um artigo sobre a recente redução dos juros do BB e CEF, seguidos pelo Bradesco e HSBC? Talvez atualizem aquele artigo sobre a bolha imobiliária no Brasil.
    Abraços.
  • Leandro  18/04/2012 09:37
    Prezado Carlos Araujo, o fato de as pessoas estarem comemorando a redução de juros do cheque especial a mando do governo apenas mostra a nossa miséria intelectual e moral.

    O que se está fazendo, na realidade, nada mais é do que comemorar o fato de que as pessoas de mais baixa renda estão sendo estimuladas a se endividarem ainda mais, com a ilusão de que o consumo desta gente irá garantir uns pontos percentuais a mais no PIB e, consequentemente, a popularidade dos governantes. Nada mais asqueroso.

    Se o povo cair no engodo (sempre há a esperança de que isso não vai acontecer), o que acontecerá é que o endividamento e a inadimplência (já ambos em níveis recordes) irão aumentar ainda mais, com consequências fatídicas para a economia no futuro: uma economia formada por endividados sem renda e sem capacidade de consumo.
  • Mario Cunha  18/04/2012 10:11
    Leandro, acabo de ler que os empréstimos pessoais do BB tiveram um aumento de 45% em março em comparação com fevereiro. Infelizmente, o endividamento se agravará.
  • Paulo Sergio  18/04/2012 10:35
    A escola austríaca não tem nada que seja um substituto pro PIB?
    Tipo, um índice mais confiável?
  • Alexandre M. R. Filho  18/04/2012 13:08
    Tem o PPR. O Leandro é que é bom em explicar como calculá-lo.
  • Bernardo Santoro  18/04/2012 10:54
    Leandro, mas aí entra uma questão jurídica: hoje é praticamente impossível se cobrar dívida de pobre. São "bens de família", supressio, prescrição, abuso de poder econômico, onerosidade excessiva superveniente, entre outros institutos jurídicos que impedem a execução. Sem contar o próprio custo de se mover a máquina pública da justiça, que é alto e nem sempre compensa.

    A verdade é que essas dívidas de cheque especial nunca serão pagas. E isso refletirá obviamente nos juros para os bons pagadores e nos tributos que irão cobrir esses buracos.

    Em última análise está ocorrendo uma socialização de recursos através desses empréstimos, sempre às custas dos poupadores.
  • Mr.Garone  18/04/2012 08:51
    É só ter o conhecimento de análise técnica de forex e mercado de capitais e alguns dados econômicos, você consegue prever com exatidão qualquer coisa no mundo inteiro.
  • Mario Cunha  18/04/2012 11:11
    Pq você está perdendo seu tempo aqui então? Já que você consegue prever tudo, vá ganhar bilhões de dólares no mercado financeiro!
  • Rhyan  18/04/2012 09:20
    Por que esse crédito todo não derruba a Selic?
  • Leandro  18/04/2012 09:34
    A SELIC é determinada pelo nível das reservas bancárias e pela demanda por empréstimos no mercado interbancário (aquele mercado no qual os bancos emprestam uns aos outros para manter o nível de suas reservas no valor estipulado pelo BACEN).

    Via de regra, o volume total de crédito concedido na economia -- que é de múltiplas vezes o total das reservas bancárias -- não afeta diretamente a SELIC. O que afeta a SELIC, repetindo, são as transações no mercado interbancário, as quais, por sua vez, são afetadas diretamente pelas injeções de dinheiro que o BACEN faz neste setor quando ele compra títulos.
  • Rhyan  18/04/2012 09:41
    Entendi, obrigado!
    Abraço!
  • Luciano A.  18/04/2012 09:22
    ótimo artigo,\r
    \r
    Alguém poderia me um livro sobre a história da economia brasileira que siga a visão da escola austriáca?
  • Pedro Valadares  29/05/2012 12:45
    Tem o livro do Ubiraci.
  • Felix  18/04/2012 09:39
    "prever com exatidão qualquer coisa no mundo inteiro"\r
    \r
    Rapaz, fazia tempo que não via tanta humildade assim...
  • Sir Income  18/04/2012 10:10
    Muito bom o artigo.

    O BNDES, a Caixa e o BB seguem os Acordos de Basileia? Estes acordos geram mais segurança?

    Abraços,
    Sir Income
  • Breno  19/04/2012 13:49
    Sim, são obrigados a seguir a Basiléia.\r
    \r
    As restrições impostas pela Basiléia são basicamente limites que os bancos têm para realizar algumas operações (como empréstimos em geral, posições em dólar, etc). Mas esses limites tomam como base o Patrimônio de Referência desses bancos.\r
    \r
    Se o Governo quiser emprestar mais mas estiver com a "Basiléia apertada", é só aportar mais recursos do Tesouro no BNDES, ou fazer uma nova emissão de ações no BB, aumentando a base de capital dos bancos e os limites aplicáveis.
  • Carlos Araujo  18/04/2012 16:08
    Olá Leandro, eu sei de tudo que você disse.

    Só queria mesmo saber se iam escrever um artigo, ou adendo ao outro artigo, comentando o recente acontecimento, se isso afeta a bolha imobiliária ou não.

    Abraço.
  • Leandro  18/04/2012 16:55
    Prezado Carlos, ainda é incerto se o financiamento para a compra de imóveis será afetado, pois, inicialmente, a redução se deu para financiamento de veículos, crédito pessoal, consignado e aquisição de bens.

    Mas é preciso aguardar novos dados sobre o setor, que devem sair semana que vem.

    Paralelamente, um assunto interessante e importante tem sido ignorado: já estamos oficialmente em um regime de "câmbio fixo com mobilidade para cima".

    O Banco Central vem diariamente fazendo leilões de compra de dólar à vista, muitas vezes dois leilões por dia. O BACEN entra no mercado e define um (alto) preço de compra para o dólar. Agindo assim, o preço do dólar será aquele que o BACEN definir. Quando você tem uma instituição poderosa e com poder de criar dinheiro do nada, o preço que ele define para a compra acabará sendo o preço oficial.

    Por exemplo, se o dólar está a R$ 1,86 e o BACEN define que compra dólares a R$ 1,87, as empresas que quiserem vender dólar irão correr para o BACEN. Qualquer pessoa que quiser comprar a preços menores não conseguirá, pois os ofertantes preferirão vender para o BACEN. E mesmo quem estava disposto a vender a preços baixos preferirá vender para o BACEN, que deixou claro que comprará àquele valor maior. Sendo assim, o dólar sobe para R$ 1,87.

    É por isso que o dólar vem subindo diariamente, e parece não haver disposição para deixá-lo abaixo de R$ 1,84.

    Abraços!
  • Prentice Franco  18/04/2012 19:34
    "A mão invisível do mercado está dando lugar à mão visível e frequentemente autoritária do capitalismo de estado", escreveu a The Economist";
    Anos de exploração de politica econômica entreguista, será que tem que entregar de mãos beijada as nossas riqueza é claro que o estado tem que intervir quando é de interesse público, quando a sociedade é constantemente lesada, difícil é achar um comentarista econômico que sustente algo positivo, ainda mais quando está moldurado por uma mídia para lá de comprada.
    Relacionar os padrões do passado em economia é um fato muito corriqueiro, mas é verdade também que nem tudo que aconteceu no passado vai se repetir no futuro, as configurações mudaram as experiências adquiridas tudo vai se colocar como variantes de mudanças que fica difícil acertar alguma opinião em relação ao que a aconteceu 20, 30 anos atrás e o que acontecerá hoje ou amanhã. Dizer que os bancos estatais fizeram financiamento que deram prejuízo, pois na época, trabalhavam para fomenta a economia, não é, não vai ser, porque as configurações estruturais como econômicas, fiscais, tributárias são diferente nos dias de hoje.
    Intervenção do estado sim quando as políticas imposta pelo sistema não estão de acordo com a razão. Pergunto; Porque o Brasil tem a classificação de grau de investimento feito pelas "AGENCIAS DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO" equiparado com a Espanha se estruturalmente nos estamos melhores que eles, porque o Estados Unidos tem o Triplo AAA se o grau de endividamento passa da casa dos 15 Trilhões? Fica claro e cristalino que a política monetária imposta para o nosso país é a de exploração e a mídia com o mesmo interesse esconde, blinda dos pobres mortais brasileiros.
    A aproveitando e puxando um gancho, a política do PETRÓLEO é bem comum neste quesito de explorar o povo, não vejo Grande Mídia falar de Concessões de exploração de Petróleo, feita pela ANP, fraudulentas, pela Venezuela, Bolívia e Muito menos o não respeito aos contratos estabelecidos como é o caso da argentina pelo contrário só vejo a mídia e comentarista econômicos com artigos moldurados por seus representantes fazendo sensacionalismo com a informação e blindando qualquer opinião à favor das expropriações, detalhe que meus comentários foram apagados no Blog da Mirian Leitão.
    Empresa envolvida em corrupção expropriação já!!
  • Domingos  19/04/2012 07:22
    Parabéns, Fernando.

    Como sempre, uma autoridade nos artigos sobre economia monetária.

    Um abraço.
  • Antonio  19/04/2012 14:15
    Voces são muito bons comediantes .... me mato rindo quando leio isso!!!!

    Mercado????? Concorrência perfeita???
  • Leandro  19/04/2012 14:21
    Realmente, quem fala em "concorrência perfeita", uma teoria que está à esquerda do marxismo, não pode ser levado a sério.

    Só não entendi por que você fez este brilhante comentário neste artigo, que sequer mencionou tal termo.
  • Antonio  19/04/2012 14:38
    Partindo da desregulamentação do sitema financeiro pelo "genial" Serra, a concentração, os juros e spreads abusivos ...etc etc etc fizeram do atual "mercado" financeiro no Brasil uma terra de ninguém ... da exploração do trabalho, através de metas inatingíveis .... de contas impagáveis ... enfim, o caos regulamentado!!!!

    Por que esse mercado não corrigiu esses problemas? Ou não são problemas???

    Talvez, em concorrência perfeitas, isso fosse possível .... mas isso, assim como o mercado "regulador" NÃO EXISTEM!!!

    O que resta??? O ESTADO!!!!
  • Diego  19/04/2012 19:24
    Que raciocínio é esse "Partindo da desregulamentação surgiu... o caos regulamentado", a esquerdalha não consegue produzir uma frase faça algum sentido.
  • Leandro  19/04/2012 14:43
    Serra desregulamentou o sistema financeiro?! Quando? Quando era Ministro da Saúde? Ou quando foi prefeito de São Paulo?

    No mais, "concentração, juros e spreads abusivos" ocorrem num setor sob pleno controle do estado (consegue soletrar B-A-N-C-O--C-E-N-T-R-A-L), inclusive contando com a participação de três enormes bancos estatais. Aliás, como mostram os gráficos deste artigo, o estado é hoje o maior banqueiro do país.

    E o que o senhor vem aqui pedir? Mais estado. Mais políticos. Mais Sarneys. Ah, volta pro esgoto, vai...
  • Antonio  19/04/2012 18:57
    Pelo SENADOR José SERRA, Senhor!!!

    Segue um trecho: "Destarte que a proposta em discussão originou-se da Proposta de Emenda Constitucional 21/97 de autoria do Senador José Serra que visava a revogação do inciso V do art. 163 e o art. 192 da Constituição Federal, bem como o art. 52 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias sobre a fiscalização das instituições financeiras, a estruturação e o funcionamento do sistema financeiro nacional e a participação de pessoas residentes e domiciliadas no exterior no capital das instituições financeiras nacionais. E a PEC original foi alterada (PEC 53/99) com o substitutivo do Senador Jefferson Péres com aprovação Senado Federal e tendo o seguinte teor jurídico : "Art. 192 O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equlibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares, que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram".


    Tenha uma boa noite ... já que não se importa com a crise na educação ... na saúde .... de infraestrutura ... que o setor privado explora, com péssima qualidade sem ter o menor respeito com os cidadãos que garatem lucros absurdos!!!
  • Leandro  19/04/2012 19:23
    Agora, sim, entendi seu esbravejo com a educação do país. O senhor próprio é uma vítima dela. Comprovou que não tem a mínima capacidade de interpretar uma PEC que visa à regulamentação do sistema financeiro por leis complementares.

    Autor da PEC: José Serra

    Substitutivo feito pelo falecido Jefferson Peres

    Objetivo: "O sistema financeiro nacional [...] será regulado por leis complementares, que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram"

    Beleza.

    Leia a íntegra aqui, em vez de ficar apenas repassando trechos que alguém lhe mandou ou que o senhor viu sendo publicado em blogs governistas.

    Abraços!
  • Antonio  19/04/2012 19:44
    www.dji.com.br/constituicao_federal/cf192.htm


    Isso pode ajudar na tua interpretação sobre "regulamentação"!!!

    Ignorante (quem desconhece)!!!

    Abraço
  • Leandro  19/04/2012 19:48
    Ah, agora ficou claríssimo!

    Realmente, desregulamentação por todos os lados. Principalmente na maneira (e na clareza) de se fazer leis.
  • Tiago Moraes  21/04/2012 18:10
    Sr. Antônio.

    1 - O Banco Central determina a taxa de juros interbancária (SELIC).
    2 - O Banco Central detém o monopólio da emissão de moeda.
    3 - O Banco Central é quem determina os percentuais de reservas que os bancos devem manter.
    4 - O Estado controla quase metade do crédito em circulação no país.
    5 - Dois dos cinco maiores bancos do Brasil, são estatais.
    6 - Nenhum investidor pode criar um banco no país, sem cumprir toda as exigências do Banco Central, ainda que as cumpra, nada garante que que terá a permissão de fazê-lo.
    7 - Até a participação de capital estrangeiro em bancos nacionais é limitada e controlada pelo Estado.
    8 - Um terço do spread bancário é custo de operação financeira e impostos.
    9 - O Brasil é um dos poucos países do mundo a ter legislação específica até mesmo para caloteiros.

    E ainda assim o Senhor vem aqui falar em "desregulamentação"?

    Eu lhe faço a seguinte pargunta; dado o fato que o Sr. mesmo reconhece que os banqueiros lucram tanto no Brasil e considerando que o Sr. alega que o sistema financeiro brasileiro é "desregulamentado" porque então temos tão poucas instituições financeiras? Porque apenas 5 bancos no Brasil, detém quase 80% das movimentações financeiras correntes?
  • Cristiano  20/04/2012 12:46
    Artigo primoroso. Merece destaque o PROES, foi quase silencioso, a midia nunca falou dele mas fez um escandalo sobre o PROER.
  • Marcus V. Benites  20/04/2012 12:53
    Perde tempo com isso não... Quando alguém vem com esse papo de "setor privado explora" ou "ganham lucros absurdos", dê um osso a ele e o mande pra casinha. Está aquém da capacidade de análise necessária para discutir qualquer coisa. O marxismo é como o platonismo. É bonito, romântico, mas... levar a sério? Não tem qualquer outra importância que não seja histórica, ou seja, infelizmente fez/faz parte das sociedades. Querer torná-lo, no entanto, viável ou defensável? Tem tantas qualidades pra isso como o nazismo. "Setor privado explora" foi de doer. É a ignorância pura, a mediocridade pedindo espaço para manifestação.
  • Juliano  20/04/2012 13:54
    Senhores, \r
    \r
    Dentro de um mercado extremamente cartelizado como é o sistema bancário, seria algo tão nocivo que uma instituição pública praticasse margens de lucro menores? Assumindo que a margem que eles começaram a praticar ainda assim fosse lucrativa, dispensando a injeção de dinheiro adicional, qual seria o problema de forçar reduções nas margens através da concorrência com bancos públicos?\r
    \r
    Concordo que o melhor seria simplesmente desregular, aumentando a concorrência. Mas, dentro das opções atuais, essa alternativa é assim tão ruim?\r
    \r
    Abraços a parabéns pelos textos. \r
    São excelentes!\r
    Juliano
  • Leandro  20/04/2012 14:03
    Prezado Juliano, o problema não é esse.

    Como eu disse ao leitor Carlos Araujo lá em cima, o fato de as pessoas estarem comemorando a redução de juros do cheque especial e no financiamento do consumismo, tudo a mando do governo, apenas mostra a nossa miséria intelectual e moral.

    O que se está fazendo, na realidade, nada mais é do que comemorar o fato de que as pessoas de mais baixa renda estão sendo estimuladas a se endividarem ainda mais, com a ilusão de que o consumo desta gente irá garantir uns pontos percentuais a mais no PIB e, consequentemente, a popularidade dos governantes. Nada mais asqueroso.

    Se o povo cair no engodo (sempre há a esperança de que isso não vai acontecer), o que acontecerá é que o endividamento e a inadimplência (já ambos em níveis recordes) irão aumentar ainda mais, com consequências fatídicas para a economia no futuro: uma economia formada por endividados sem renda e sem capacidade de consumo.

    Sempre lembrando que os juros estão caindo à canetada, e não por ter havido aumento na poupança. Daí o perigo desse estímulo ao endividamento.

    Abraços e obrigado pelos elogios.
  • Juliano  20/04/2012 14:22
    Oi Leandro,\r
    \r
    Em uma economia livre, as taxas de juros são um reflexo da quantidade de poupança e da demanda por dinheiro. Com o sistema bancário regulado como temos, não dá nem pra saber qual seria a taxa de juros "correta". \r
    \r
    Nem estou entrando no mérito de como esse dinheiro vai afetar a economia. Só pondero que se a taxa de juros que estava sendo praticada era muito alta em função da falta de concorrência, baixá-la de forma responsável e sem injeção de dinheiro novo não seria nada demais. A única coisa que estaria sendo feita é a oferta de um produto a preços menores, mas ainda assim de forma lucrativa. Isso faria os concorrentes reverem suas estratégias.\r
    \r
    Claro que não estou cogitando aí uma possível exposição excessiva a riscos que os bancos públicos poderiam estar tomando em função de uma medida populista, que mudaria completamente a conversa. \r
    \r
    Abraços e obrigado pela resposta,\r
    Juliano
  • Antônio  20/04/2012 14:24
    Leandro, o que te leva acreditar que o aumento do consumo será majoritariamente, em termos de volume, pelas camadas mais pobres, e não pela "classe média" ... de certa forma "poupadores" e, pelo investimento de médias e grandes empresas, também poupadoras, pelo simples motivo da relação investimento produtivo x ivestimento especulativo ter tornado, nesse período recente nada atrativo produzir?

    Para sua informação, a inadimplência faz parte da estrutura do spread bancário, ou seja, os bancos estariam "segurados" contra um aumento desse componente .... além disso, tu sabe que a relação dívida/PIB está muito aquém do que ocorre em países desenvolvidos, e isso dá margem para que um país, em pleno processo de desenvolvimento, com taxas de juros muito acima das praticadas em outros países, que incluem altas taxas de serviço e lucro, possa fazer esse tipo de política sem grande preocupação com efeitos inesperados.
  • Leandro  20/04/2012 14:55
    "o que te leva acreditar que o aumento do consumo será majoritariamente, em termos de volume, pelas camadas mais pobres, e não pela "classe média[...]?"

    Quem é que usa cheque especial? Quem é que precisa de crediário? Ricos? Ou pessoas financeiramente apertadas?

    "a inadimplência faz parte da estrutura do spread bancário, ou seja, os bancos estariam "segurados" contra um aumento desse componente"

    Como assim segurados? Se o spread decorre do risco da inadimplência, então uma redução no spread, por si só, não altera o risco da inadimplência. Deveria ser o contrário: uma redução da inadimplência gera uma redução no spread. Só que, como foi dito, a inadimplência está em níveis recordes. E é isso que você parece não entender.

    Os bancos estatais estão reduzindo os juros e estimulando o endividamento porque sabem que, se der errado, o governo vai salvá-los. Como já fez com o BB e com a Caixa várias vezes. Aliás, irá salvar os bancos privados também. E você certamente vai aplaudir ao mesmo tempo em que vocifera contra eles.

    "além disso, tu sabe que a relação dívida/PIB está muito aquém do que ocorre em países desenvolvidos, e isso dá margem para que um país [...] com taxas de juros muito acima das praticadas em outros países [...]"

    Raciocínio ilógico. Se os juros são altos, então qualquer pequeno aumento na dívida irá, por definição, gerar um fardo muito grande apenas para o serviço desta dívida. Este raciocínio de que "ainda estamos bem, por isso podemos intensificar políticas erradas" foi exatamente o que fizeram americanos e europeus.

    Ademais, esta sua informação sobre a dívida, embora numericamente correta, esconde uma perigosíssima armadilha: ao passo que aqui no Brasil o "comprometimento de renda das famílias com o serviço das dívidas" é de 22%, nos EUA este valor é de apenas 11%.

    As consequências que isto pode gerar no futuro caso o endividamento siga aumentando são tenebrosas.
  • Antonio  20/04/2012 15:32
    "Quem é que usa cheque especial? Quem é que precisa de crediário? Ricos? Ou pessoas financeiramente apertadas?"

    Mas é exatamente isso que te perguntei ... por que tu acha que o maior volume do crédito vai ser tomado por esses, e não pela classe média que vai deixar de poupar e investir em imóveis .. etc... e as empresas que vão deixar de ter lucro com juros para investir na produção, em termos de volume!!!

    A inadimplência, como componente do spread,está em torno de 30%, ou seja a cada 100 reais de "juros" que são pagos 30 são uma forma de "seguro" contra os que não pagam e, com toda certeza, a inadimplência não chega a esses níveis.

    Logo, acredito eu, que a redução dos juros e do spread (entre seus componentes está a margem liquida) pode reduzir a inadimplência sim!!!

    Outra coisa, a queda dos juros aumenta o volume de crédito, mas reduz o serviço da dívida ... e, ainda não se pode afirmar que o aumento no volume vai superar em termos de montante de juros pagos o que se pagava antes da redução ... provavelmente sim!!!

    Acredito, como consequência ... uma substituição da queda nas exportações pelo consumo e investimento ... e que passaremos de forma relativamente tranquila por essa crise!!!
  • Leandro  20/04/2012 19:13
    Antonio, pelo que entendi, você acha bom se as pessoas pararem de poupar e se entregarem gostosamente ao consumismo. Você acha que consumo gera crescimento.

    Da mesma forma, pelo que entendi, você acha que a simples manipulação de juros pode fazer com que crises econômicas sejam evitadas (dica: são essas manipulações que geram as crises). Falta explicar por que EUA e Europa, com juros zero, há quatro anos, não saem do lugar.

    Não. Consumismo e juros baixos geram apenas endividamento e consumo de capital. O que gera crescimento econômico é poupança e acumulação de capital. Incentivo ao consumismo gera apenas elevação de preços e escassez de recursos a serem investidos (coisa que keynesianos não levam em conta em suas análises). No final, há apenas preços altos em todos os setores, inclusive no setor de bens capital, o que inviabiliza novos investimentos. (Exatamente o que está acontecendo agora no setor imobiliário, situação que tende a piorar caso o governo volte a dar mais incentivos ao setor.)

    No mais, pra que tantas exclamações? Você acha que seu ponto de vista pode ser reforçado mediante o uso de meros acenos ortográficos?

    Abraços!
  • Matheus Souza  20/04/2012 21:30
    Sou estudante de economia (UFOP), conheci a Escola Austiaca a pouco tempo (já que na grade curricular da Universidade não tem nada sobre a Escola Austriaca) e estou me familiarizando bem com o pensamento da escola.

    Talvez posso ter compreendido de maneira equivocada, mas pelo que entendi esse aumento do financiamento de crédito por parte do governo brasileiro é semelhante o que o governo dos EUA fez com o setor imobilario, causando a crise de 2008?

    Caso o governo continue com está atitude, poderemos esperar o estouro de uma crise financeira no Brasil nos próximos anos?

    Obrigado e parabéns pelo texto.
  • Jose Roberto  24/04/2012 04:14
    Leandro.

    Não sei se vocês pretendem fazer mais algum artigo sobre o credito, falando das recentes quedas das taxas de juros. Mas tenho um duvida.

    A expansão do M1 esteve contida nos últimos meses. O que pode projetar menor inflação nos próximos meses. Porém agora com essa queda nas taxas de juros a tendência é que mais dinheiro entre na economia via crédito.

    Se a quantidade de crédito que entrar for realmente grande, apenas essa contida do M1 é capaz de impedir um avanço da inflação? E esse crédito vai sair de onde?

    abraço
  • Leandro  24/04/2012 04:51
    Prezado José Roberto, existem vários tipos de crédito que não implicam expansão da oferta monetária. Por exemplo, se você compra um anel para a sua namorada e parcela em três vezes no cartão de crédito, este parcelamento é computado nas contas nacionais como crédito, mas não houve absolutamente nenhuma expansão da oferta monetária. O mesmo é válido para o parcelamento de carros, de passagens aéreas, de compra de imóveis etc. Nestes casos, o que normalmente acontece é que o banco faz o pagamento à vista para o vendedor e então passa a cobrar de você a restituição, com juros.

    Por outro lado, uma expansão monetária ocorre quando uma empresa vai ao banco e abre uma linha de financiamento para a aquisição de bens de capital, por exemplo. Ou uma construtora imobiliária pede empréstimo para comprar mais materiais de construção. Ou uma rede varejista pede empréstimo para comprar terrenos e expandir suas instalações.

    Embora o tipo de crédito mencionado no primeiro parágrafo não seja inerentemente inflacionário, ele pode sim elevar os preços em determinados setores da economia. Se o pessoal se concentrar na compra de carros, por exemplo, os preços podem subir. Ou na compra de materiais para reforma da casa.

    Como a coisa irá se desenrolar é algo que não dá para prever.

    Abraços!
  • Jose Roberto  24/04/2012 06:28
    Leandro.

    Entendi essa parte. Mas e quanto ao sistema de reservas fracionárias? Não vai ter aumento na oferta monetária, mas os bancos podem criar crédito sem que estejam usando recursos próprios para pagar a vista esses vendedores. Isso, como você já explicou varias vezes, inclusive para mim diretamente, gera aumento de preços. Pelo que entendi, os bancos tanto podem usar o M1 para oferecer crédito sem fracionar como fracionando. Mas como o M1 não tem crescido substancialmente em relação ao passado, creio que precisarão(bancos privados) fracionar mais para acompanhar a insanidade da Caixa e do BB.
  • Pipe  24/04/2012 07:10
    Eu acho, inclusive, que o governo vai diminuir o compulsório. Deve ser o próximo passo do governo.
  • Leandro  24/04/2012 07:12
    Para os bancos criarem crédito fiduciário -- isto é, criarem dinheiro do nada para conceder empréstimos --, uma dessas duas coisas tem de ocorrer:

    1) As reservas bancárias têm de aumentar (estão caindo);

    2) O compulsório tem de diminuir (não diminuíram).

    Dada esta realidade, o crédito terá de vir ou dos depósitos a prazo ou do próprio capital dos bancos.

    Como mostram as notícias, os bancos têm aumentado suas provisões por causa da inadimplência, que vem subindo. Como foram surpreendidos com essa decisão do BB e da Caixa, é bem possível que, no desespero, eles recorram a estas provisões para fornecer crédito.
  • Jose Roberto  24/04/2012 07:14
    Então existe uma boa chance de os juros da poupança terem uma ligeira alta. Para os bancos poderem arrecadar mais dinheiro para emprestar. Isso vai diminuir ainda mais o spread.
  • Pipe  24/04/2012 07:43
    Leandro, sei não, eu acho que vai ocorrer uma diminuição do compulsório e não vai demorar:
    Juros: depois da redução nos bancos, economistas defendem compulsório menor

    Se isso acontecer, eu prevejo um ciclo de crédito farto e barato, o governo muito feliz, o povo elogiando as iniciativas que salvaram o país da crise e elevaram o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento. O problema seria o que viria depois disso.
  • Diego  24/04/2012 13:07
    Leandro, como podemos verificar o nível das reservas bancárias?
  • Leandro  24/04/2012 18:14
    Diego, aqui:

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie2-04.xls

    São divulgadas semanalmente pelo BACEN.

    Abraços!
  • Alvaro  24/04/2012 10:06
    Só um detalhe, pelo BACEN, a legenda correta para o último gráfico seria:

    "Endividamento das famílias com o Sistema Financeiro Nacional em relação à renda acumulado dos últimos 12 meses"

    O comprometimento mensal da renda gasta com dívidas é de cerca de 22.18%

    Mais resumido:
    www1.folha.uol.com.br/poder/1032165-divida-familiar-pode-bater-recorde-em-2012.shtml

    De resto, ótimo artigo.

    Alguém aí tem alguma idéia de como esse crescente endividamento pode atrapalhar o crescimento econômico no país no longo prazo, isto é, sem relacionar com os ciclos de negócios? Conhecem algum artigo (austríaco ou mainstream) que fale sobre isso?

    Obrigado,
    Alvaro
  • Leandro  24/04/2012 10:27
    Álvaro, está escrito imediatamente acima da figura: "Ao olhar a figura 3, vemos que a tendência de crescimento do endividamento das famílias em relação à renda acumulada nos últimos 12 meses não mostra nenhum sinal de arrefecimento"

    Sobre as consequências deste endividamento, elas foram especuladas neste artigo.

    Abraços!
  • Alvaro  24/04/2012 10:47
    Falei legenda, mas na verdade me refiria ao parágrafo abaixo do gráfico. Me parece que trocou o grau de endividamento com o comprometimento da renda mensa com serviço da dívida. Ou entendi errado.

    Obrigado pelo link, já vou ler.

    Alvaro
  • Jose Roberto  24/04/2012 11:26
    Não falaram em quanto, mas a Caixa vai cortar também juros do financiamento imobiliário.

    economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2012/04/24/caixa-vai-cortar-juros-de-financiamento-de-imoveis.jhtm
  • amauri  25/04/2012 04:21
    Bom dia !
    Como a Escola Austriaca enxerga a globalização economica?
    abs
  • amauri  25/04/2012 05:05
    Grato Leandro!
    Mas, não ha um regulador central para gerir o globalismo? abs
  • Jose Roberto  03/05/2012 03:44
    Leandro, passados alguns dias, já é possível ter uma ideia melhor de como os bancos privados estão lidando com juros mais baixos?

    Eu imaginava que a queda da Selic somada a queda dos juros cobrados pelos bancos fariam os juros da poupança subirem, para os bancos aumentarem o volume de crédito disponível. Mas ao contrário disso, o governo está tentando forçar a poupança para baixo, para que o dinheiro que entraria na poupança vá para o tesouro direto, em investimentos que ainda por cima tem impostos.

    Se o governo têm contido o M1 e ao mesmo tempo estão impedindo os bancos de arrecadarem mais com a poupança, o bancos deverão ter que utilizar mais do próprio bolso para fazer empréstimos e torcer para não sofrerem com inadimplência. Isso é sustentável?

    E mais, com o tesouro direto mais atrativo em relação a poupança, não existe uma chance de os bancos direcionarem recursos demais em títulos da dívida pública e ao mesmo tempo liberarem recursos demais para empréstimos a juros mais baixos aos consumidores e virem a sofrer com maturação descompassada?
  • Hay  03/05/2012 05:08
    Até onde estou vendo, o governo não quer que um aumento na quantidade de dinheiro na poupança porque isso limitaria severamente a expansão creditícia baseada na emissão de títulos, que é basicamente o que está sendo feito.

    Ainda estou achando que o governo vai querer diminuir o compulsório, já que esse parece ser um dos principais motivos pelos quais as taxas de juros são, na prática, mais altas para o consumidor. Com um compulsório menor, os bancos terão margem de manobra maior, poderão emprestar mais dinheiro do nada e o risco, inicialmente, será menor. É claro que isso terá as consequências já bastante conhecidas, mas quem disse que o governo e a população são racionais quando o assunto é economia?
  • Jose Roberto  03/05/2012 05:32
    Faz sentido.

    O Leandro até explicou em outros artigos que países que recorrem menos a impressora tendem a ter compulsório menor. E como o Bacen diminuiu o ritmo da impressão de dinheiro, faz sentido que o compulsório caia.
    Mas eu vejo isso tudo como medidas desesperadas, pelo seguinte:

    Bacen imprimia muito dinheiro, por um tempo isso não causou problemas. Agora mesmo com um ritmo menor de impressão, o aumento de preços cresce bastante. O Bacen está impossibilitado de retomar as impressões aceleradas, se fizer isso a inflação oficial estoura a meta.
    A economia começou a esfriar, o governo sente que precisa estimular, mas não pode fazer à moda antiga, então está barrando os importados para tentar de alguma maneira aumentar a exportação.
    Obviamente, isso não ajuda. Força os juros dos empréstimos para baixo, consumindo assim capital dos bancos e das poupanças.
    Para continuar se financiando, força o juros da poupança para baixo, privilegiando o Tesouro Direto.
    Para compensar a questão dos juros das poupanças em relação ao capital para empréstimos, deve baixar o compulsório.
  • Leandro  03/05/2012 05:44
    Exato. Ou o Banco Central reduz o compulsório (até agora, nada), ou ele aumenta a expansão monetária (muito comedida), ou os bancos vão queimar capital próprio com estes novos empréstimos a juros baixos (chances nulas, a menos que sejam muito imbecis).

    Outra alternativa seria seduzir o público a fazer uma migração maciça para depósitos a prazo, mas isso não seria algo fácil de ser feito no curto prazo.

    Fora estas quatro hipóteses, não visualizo nenhuma outra alternativa.
  • Nando  03/05/2012 06:05
    Tornando a poupança menos atrativa em relação ao tesouro direto o governo não estaria atrapalhando também o crédito imobiliário, setor que ele tenta reaquecer? Pra qualquer lado que o governo correr ele terá problemas?
  • Jose Roberto  03/05/2012 06:54
    Para mim o governo está desesperado.
  • Gustavo Sauer.  04/05/2012 15:33
    São constantes as notícias e a empolgação dos jornalistas ao dizer que os juros para financiamento da casa própria está sendo diminuido pelo governo. Este governo, como já ouvi falarem, está sendo o primeiro governo na história com coragem para "peitar" o setor bancário!

    É de dar risada (pra não chorar).
  • Carlos Araujo  04/05/2012 20:38
    É juntar a fome com a vontade de comer.
    Os bancos seguem tendo recordes de lucros, enquanto a mídia e a população lançam loas à presianta por peitar os bancos.

    Não é atoa que o apedeuta-mor recebeu um premio de uma fundação socialista por "lutar contra a pobreza no Brasil" na mesma semana que recebeu um premio de uma outra fundação, esta liberal, por adotar políticas de livre mercado.
  • Ale  21/09/2018 20:24
    Dito e feito. Belo artigo, previu bem o que ocorreria !!


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