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A China "comunista" e a América "capitalista"

As revoluções comunistas do século XX tinham como objetivo confiscar a riqueza gerada por indústrias privadas e redistribuí-la para os trabalhadores "explorados", sobre cujos ombros os lucros foram extraídos.  Os EUA fizeram da rejeição desta ideia e do seu apoio aos princípios do livre mercado o ponto central de sua narrativa econômica.  No entanto, em decorrência da política tributária atual e da política tributária que vem sendo sugerida para ser aplicada sobre os acionistas das grandes empresas, não é nenhum exagero dizer que governo americano confisca uma fatia da produção industrial que geraria inveja até mesmo no mais raivoso e radical bolchevique.

O propósito de uma empresa é gerar lucros para seus proprietários (todas as outras funções são secundárias a este objetivo).  Empresas de capital aberto distribuem seus lucros por meio de dividendos.  Porém, como resultado do sistema de tributação dupla vigente nos EUA, no qual a renda é tributada em nível corporativo e depois novamente em nível pessoal, o governo recebe uma fatia muito maior da renda das empresas do que seus próprios proprietários.

Suponha que uma empresa americana tenha obtido uma renda de um milhão de dólares durante o período de um ano.  Atualmente, seus lucros seriam tributados a uma alíquota de 35% (para este exemplo ficar mais fluente, não levarei em conta a alíquota menor que incide sobre os primeiros $100.000 de lucros), o que significa que a empresa teria de pagar $350.000 diretamente para o governo (supondo que ela obteve sua renda sem deduções tributárias especiais).  Dos $650.000 restantes, uma típica empresa distribuidora de dividendos distribuiria 40% para seus acionistas (isso é conhecido como "relação de pagamento" e a média real é um pouco menor do que 40%).

Portanto, neste exemplo, a empresa pagaria $260.000 (40% de $650.000) para seus acionistas.  Os restantes $390.000 seriam normalmente mantidos como "lucros retidos" ou "lucros não distribuídos", e seriam utilizados para manter e substituir equipamentos depreciados, para fazer novos investimentos, para financiar pesquisa e desenvolvimento e para expandir as operações da empresa.  Se a empresa não fizer tais investimentos, será impossível sobreviver, e sua capacidade de perpetuar suas distribuições de lucros estaria limitada.

Estes lucros retidos ainda representam ativos para os acionistas, mas seu propósito principal é o de gerar lucros futuros e dividendos mais altos.  Os acionistas só irão se beneficiar diretamente destes lucros retidos quando os dividendos futuros forem distribuídos.  É claro que eles podem hoje vender suas ações e obter algum lucro — pagando o imposto sobre ganhos de capital ao fazerem isso —, mas tal atitude irá apenas transferir estes benefícios futuros para o novo comprador.

Quando distribuídos para os acionistas, os $260.000 em dividendos são tributados novamente a uma alíquota de 15% (de acordo com a lei vigente), agora em nível pessoal.  Como resultado, os acionistas recebem apenas $221.000 daquele lucro de $1 milhão.  Some estes $39.000 de impostos sobre dividendos aos $350.000 já confiscados pela alíquota de 35% do imposto de pessoa jurídica, e temos que o confisco governamental total dos lucros da empresa é de praticamente $390.000.  Em outras palavras, o governo americano obtém desta empresa um fluxo de caixa 75% maior do que seus genuínos proprietários.  Olhando de maneira ligeiramente diferente, o governo confisca aproximadamente 65% dos lucros não retidos, ao passo que os acionistas, que colocaram seu dinheiro na empresa e que correram todo o risco, recebem 35%.  Isso parece justo?

Este nível de tributação coloca as empresas americanas em notória desvantagem em relação às empresas daqueles países contra os quais os EUA concorrem mais vigorosamente.  Na China, a divisão do bolo é muito mais favorável aos proprietários.  Lá, as empresas são tributadas a uma alíquota de 25%, e os dividendos, a 10%.  Utilizando estes números (e a mesma "relação de pagamento" utilizada para a empresa americana), o governo chinês fica com 51% dos lucros corporativos distribuídos e os acionistas, com 49%.  Em Hong Kong (que faz parte da China Comunista, mas que usufrui um governo independente), a situação é ainda melhor.  Lá, a alíquota do imposto corporativo é de 16% e o imposto sobre dividendos é zero.  Fazendo a mesma matemática, o governo fica com 33% e os acionistas ficam com 67%.

Esta comparação levanta um ponto interessante.  Se os acionistas na China comunista podem manter para si uma fatia maior de seus ganhos do que os acionistas na América capitalista, qual nação é mais comunista e qual é mais capitalista?

No final de fevereiro, a administração Obama e Mitt Romney ofereceram propostas concorrenciais para uma reforma deste imposto corporativo, com ambos dizendo que suas propostas tornariam as empresas americanas mais competitivas.  O plano de Romney reduz a alíquota do imposto corporativo para 25%, enquanto mantém o imposto sobre dividendos em 15%.  Isto tornaria as coisas apenas ligeiramente melhores, com o governo abiscoitando 54% dos lucros distribuídos e os acionistas, 46% (distribuição esta ainda não tão generosa quanto a da China Comunista).  Não surpreendentemente, o plano de Obama irá tornar as coisas muito mais difíceis.

Embora o presidente proponha reduzir a alíquota do imposto corporativo para 28% e também queira abolir o imposto sobre dividendos, ele quer passar a tributar as distribuições de dividendos como se fossem renda comum.  Na prática, a vasta maioria dos indivíduos que recebe dividendos está na faixa mais alta da renda tributável.  Isto significa que uma fatia muito volumosa destes dividendos será tributada segundo a alíquota mais alta do imposto de renda de pessoa física, que é de 39%.  Mas Obama também quer submeter estas pessoas de renda mais alta a uma sobretaxa para assim poder financiar o plano de saúde socializado que ele quer implementar, o que significa que vários recebedores de dividendos serão tributados a uma alíquota de 44% (isso também levando em conta a abolição das deduções pessoais para os indivíduos de alta renda).  Portanto, para estes indivíduos de alta renda, utilizando nosso atual exemplo, a nova distribuição segundo a proposta de Obama será de aproximadamente 70/30 a favor do governo.  Isto é ainda pior do que a atual situação.

Mas as coisas são na realidade ainda piores do que isso.  O imposto de renda corporativo é apenas uma das veias que as empresas abrem para o governo.  Pense em todos os outros impostos que as empresas pagam, como encargos sociais e trabalhistas e impostos sobre vendas.  É claro que estes impostos elas repassam aos seus empregados e consumidores, mas o fato é que a receita flui 100% para o governo, com seus acionistas não recebendo nada senão uma conta pelo custo da coleta.

E ainda há todos os impostos pagos diretamente pelos próprios empregados sobre seus salários.  Claro, este dinheiro pertence aos empregados e não aos acionistas, mas se não fossem os lucros das empresas, estes salários, bem como os impostos pagos sobre eles, não existiriam.  Quando todos estes canais de coleta de impostos são considerados, pense no total que o governo arrecada de impostos oriundos de atividades empresariais e compare ao total que os proprietários das empresas recebem em dividendos.  Não dá pra saber o valor correto, mas tenho certeza de que a fatia que o governo confisca é várias vezes maior do que o total que os acionistas recebem.

Ainda no século XIX, a América era de fato um país capitalista.  Não havia imposto de renda nem de pessoa física nem de pessoa jurídica.  Os acionistas recebiam 100% dos lucros distribuídos.  Como resultado desta estrutura, as empresas americanas cresceram aceleradamente e ajudaram a desencadear a mais veloz expansão econômica que o mundo jamais havia visto.  Mas isso foi ontem, a realidade hoje é outra.  

Considerando-se os atuais números, mesmo se os líderes americanos fossem marxistas ferrenhos, quais seriam suas motivações para estatizar empresas que estão na lista da Fortune 500 [relação das 500 empresas mais bem-sucedidas pela revista Fortune]?  Dado que eles já recebem a maior fatia da distribuição dos lucros, qual seria o ponto de se estatizar empresas?  Tal atitude iria apenas desarranjar e desordenar as estruturas produtivas, destruindo o que ainda resta de qualquer motivação em se buscar o lucro.  Tal medida iria apenas matar a galinha dos ovos de ouro, e os socialistas sabem disso.  Se o governo estatizasse uma empresa, ele também teria de gerenciá-la.  Alguém realmente crê que burocratas tomariam decisões melhores do que proprietários privados?  Nem os próprios burocratas acreditam nisso.  E o que é pior, se estas decisões gerassem prejuízos em vez de lucros, o governo teria de absorver 100% destes prejuízos.  Sob o atual sistema, por outro lado, o governo obtém a maior fatia dos lucros, ao passo que os acionistas privados ficam com 100% dos prejuízos.  Impossível um sistema mais confortável para o governo.

Há um nome para este sistema vigente: fascismo.  Embora o fascismo e o comunismo sejam formas de socialismo, os fascistas ao menos são espertos o bastante para entender que, se os meios de produção forem estatizados, seus empregados e proprietários não irão trabalhar com o mesmo afinco, e o governo acabará perdendo receitas.

É vergonhoso constatar que o país que já foi visto como o farol das liberdades civis e econômicas não mais possui sequer a capacidade de reconhecer o que é realmente capitalismo.  Enquanto os proprietários das empresas continuarem não sendo apropriadamente recompensados pelos seus riscos por causa do governo, as empresas americanas jamais reconquistarão sua dominância, os americanos não reconquistarão suas liberdades perdidas e o padrão de vida do país continuará em queda livre.  Como as coisas estão hoje, os EUA já se tornaram um povo que vive do governo, para o governo e pelo governo, e não o contrário.  Os "comunistas" chineses têm muito o que aprender conosco.

 


autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • Daniel  14/03/2012 06:16
    Faltou o link para o debate que ele participou sobre o assunto. Infelizmente ele "perdeu" na escolha do público, mas o correto não era se posicionar no "China tem um capitalismo melhor" ou "EUA tem um capitalismo melhor" e sim "Ambos fazem um capitalismo capenga". Acho que, apesar de tudo, a China ainda é menos livre. A grande questão é que ela está a cada ano mais livre, enquanto os EUA......
  • JC  14/03/2012 19:56
    fora.tv/2012/03/12/China_Does_Capitalism_Better_Than_America
  • mcmoraes  18/03/2012 09:58
    Obrigado pelo link para o vídeo, JC! Na minha opinião o Schiff ganhou o debate de longe.

    O grisalho ao seu lado direito implorou para que alguém mostrasse a ele que ele estava errado e que, se isso não fosse possível, ficava óbvia a conclusão de que a solução para o problema implicaria em mais intervenções estatais na economia.

    Já o cafeinado à sua esquerda deixou a desejar na sua definição de capitalismo. Ao que tudo indica, todos os seus argumentos cairiam por terra se ele declarasse abertamente sua definição distorcida do capitalismo.

    O chinês, por sua vez, tentou refutar o Schiff com alguns fatos que mostram que a China não pode ser considerada capitalista. Na verdade o que ele conseguiu com isso foi concordar com Schiff quando este disse que o título do debate deveria ter sido "China ou EUA: quem faz o pior capitalismo?".
  • JC  14/03/2012 22:33
    Schiff aceitou o debate, mas sabia que tinha entrado para perder.

    É verdade que os EUA tem caminhado em direção ao capitalismo de estado, e a China saiu do comunismo para o capitalismo de estado. Mas a distância entre os dois ainda é muito grande.

    É claro que em muitas coisas na China seria impossível ou impraticável copiar os modelos do estado social do ocidente. Eles não tem como implementar um esquema de pirâmide que distribua benefícios, por exemplo. Quebraria muito rápido. Eles estão muito mais restritos pelas realidades econômicas do que os EUA.

    Eles não tem como coordenar a concessão de benefícios para a população imigrante, e qual província pagaria por isso, então tem uma situação em que as pessoas precisam economizar para prover para o futuro - o que contrói uma base de capital, onde certamente Schiff tem razão, porque sem capital não há como falar em capitalismo. E o primeiro problema é definir o que se entende por capitalismo, coisa que apenas o Schiff teve base para fazer.

    Só que alguém com mais conhecimento prático da China, como Minxin Pei, pode facilmente citar dezenas de coisas que acontecem na China que não tem nada a ver com capitalismo, a mais gritante sendo a falta da segurança jurídica, com um estado autoritário que toma o lado de quem tem os melhores contatos, coisa que não aconteceria jamais nos EUA com o mesmo nível de descaramento. Os EUA caminha para um vasto controle estatal do sistema financeiro e parte da indústria? Bem, é exatamente esta a situação na China HOJE.

    Poderia ser um de nós a argumentar como ele que, não, o Brasil não é mais capitalista que os EUA, apesar das mudanças relativas, e apesar de realmente ter um quesito ou outro onde temos mais capitalismo.

    E chegamos a uma situação hoje de desgaste deste sistema, onde com um passo a mais em direção ao capitalismo poderia se enfraquecer demais a autoridade do governo chinês. Depois da crise mundial vimos uma reversão também na China.

    Por outro lado, como observou bem Ian Bremmer, se é verdade que os EUA tem mudado seu modelo em direção ao capitalismo de estado, também teriam algumas dificuldade para se adaptar neste sistema, porque não está na estrutura do estado americano um número de instituições que conhecemos bem, que servem para controlar as coisas de cima para baixo. Obama tem controlado o que pode através do FED e de outras maneiras indiretas. Imagine o quanto ele gostaria de ter uma Petrobras ou um BNDES na mao. Mas para a sorte dos americanos, eles ainda não tem.

    Talvez no final das contas nos EUA eles fiquem mesmo brigando entre si e jamais entrem em um consenso necessário para se tornarem ainda mais estatistas do que já tem acontecido nos últimos anos, como vimos no debate sobre a dívida.

    E aí vem o lado humorístico do debate : para Orville Schell, sentado ao lado do Schiff, esta indecisão americana é que é a verdadeira desgraça, e o fato de ter que lidar com uma bancada religiosa do meio-oeste. Ele na verdade é admirador da tecnocracia e da visão homogênea e de longo prazo do estado forte chinês, que, na cabeça dele, é o que significa capitalismo. É a visão do intelectual americano, que provavelmente acredita em decisões tomadas pela junta do partido comunista bem mais do que os chineses.
  • Getulio Malveira  14/03/2012 06:38
    Surpreendente essa comparação EUA-China! O Brasil vai no mesmo caminho. O pior é que, ao invés de exigir a redução da carga tributária, os empresários preferem exigir barreiras protecionistas.
  • Daniel  14/03/2012 06:42
    Bom lembrete, poderíamos ter um adendo final com o mesmo cálculo para o Brasil...
  • Leandro  14/03/2012 06:53
    No Brasil, a alíquota do IRPJ é quase idêntica à americana: 34% (IRPJ de 15%, mais uma sobretaxa de 10% sobre o lucro que ultrapassa um determinado valor, mais CSLL de 9%).

    Só que aqui no Brasil não há impostos sobre dividendos. Incrivelmente estamos em melhor situação que os americanos -- isso pelo menos até o senhor Mantega descobrir que há este espaço para ele criar mais impostos. A sorte nossa é que ele não deve nem saber o que são dividendos.
  • Vinicius  14/03/2012 07:43
    Não querendo desanimar:
    www.conjur.com.br/2012-fev-19/projeto-lei-revoga-imposto-renda-lucros-dividendos
  • Leandro  14/03/2012 07:50
    Já desanimou. Impressionante a concentração de gênios neste partido.
  • Lucas Amaro  14/03/2012 08:41
    "Somente com duas das alterações, os autores preveem um aumento de arrecadação superior a R$ 23,5 bilhões por ano."

    Não perdoam nada. Tudo tem que ter uma "contribuição social", para dar mais dinheiro para o Estado.

    É incrível o pensamento estatólatra. Esses dias vi um comentário em um vídeo no Youtube, o cidadão disse que era para o Brasil ser 4x maior que o Canadá, já que a nossa arrecadação total de impostos é 4x maior...

    Oras, desde quando mais dinheiro na mão de burocratas é uma possibilidade de avanço?
  • Against taxation  14/03/2012 13:28
    O governo sempre com eufemismos: utilizar a denominação contribuição já é um insulto. Contribuição, por definição, é algo voluntário. O que chamam de contribuição é mais um imposto, ainda que queiram dar outra denomincação jurídica a isso.
  • Eduardo  14/03/2012 08:15
    É melhor nem espalhar muito isso, se não ele vai tirar até isso.
  • Eduardo  14/03/2012 08:19
    Putz, ferrou agora.

    Será que é muito complicado imigrar para Hong Kong?
  • Joao  15/03/2012 10:05
    Os empresarios preferem diminuir os impostos, mas como sabem que isso nao vai acontecer pedem proteção, que é mais plausivel de acontecer (não que isto esteja certo, mas é a realidade).
  • Miguel  14/03/2012 06:52
    Isso parece um resumo de "A Revolta de Atlas". Incrível como esse livro é atual.
  • anônimo  14/03/2012 08:50
    Miguel, é fato.
    Parece que Ayn Rand escreveu esse livro ano passado.

  • André Ramos  14/03/2012 10:26
    Ayn Rand veio do futuro para nos alertar... Infelizmente, parece que ela chegou "tarde" demais.
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  16/03/2012 03:19
    Saudações, prezado colega virtual, perfeito, lembro a todo momento do livro.
  • EUDES  14/03/2012 07:14
    Excelente artigo ! O autor disse muito com poucas palavras.
  • Catarinense  14/03/2012 08:09
    Alguém sabe onde fica o vale de Galt mais próximo?
  • Morett  14/03/2012 09:00
    Se descobrir, peça para Galt me procurar para fazer o juramento também. rs
  • Carlos  14/03/2012 09:31
    O artigo é de um reducionismo e superficialismo bem ao nível da direita liberal xiita. Quer resumir todo um regime socio-econômico a questão da fatia que o estado abocanha dos lucros e se ela é maior que a parcela dos acionistas. Se os EUA são menos capitalistas que a China, porque o Peter Schiff não vai morar lá, já que regimes mais capitalistas são melhores pra ele? Pq se sacrificar ficando nos EUA?
  • Luciano A.  14/03/2012 12:25
    \r
    Caso não tenha percebido as palavras capitalista e comunista do título e no texto estão entre aspas em sinal de ironia pelo fato de um país oficialmente comunista como a China ter uma tributação mais baixa que os EUA.\r
    \r
    Parece que interpretação de texto não é o seu forte. E já que pelo visto você não aprecia o capitalismo, por que não vai morar em Cuba ou na Córéia do Norte?
  • Gustavo Sauer.  14/03/2012 13:05
    Essa mentalidade "país X: ame-o ou deixe-o" é típica de mentes autoritárias.
  • Leninmarquisson da Silva  15/03/2012 05:57
    Acho incrivelmente hilário quando esses esquerdinhas tentam posar de intelectuais, mas só o que fazem é emplumar os ad hominem; "O artigo é de um reducionismo e superficialismo bem ao nível da direita liberal xiita."

    E depois o argumento irrefutável: "Porque o Schiff não se muda pra China, então"?

    Coerência é para os fracos, né Carlos?



  • Felipe Barbosa  15/03/2012 12:13
    Ele não vai morar lá, mas ele ja incorporou a empresa dele lá, e hoje contrata chineses, não americanos.
  • Carlos  14/03/2012 09:45
    A proposta do Obama é boa, tanto por aumentar a tributação dos ricos quanto por ser em parte para financiar as mudanças no sistema de saúde. Os EUA é um dos países mais desiguais do mundo e a cada ano fica mais. É preciso desconcentrar a renda. Tamanha desigualdade não é coisa de país civilizado. As palavras de ordem são: redistribuir e democratizar.
  • Laszlo  14/03/2012 13:46
    Tem um vídeo da Margaret Thatcher respondendo a um socialista sobre "redistribuição".

    (Não tem nada ver com a Dama de Ferro, simplesmente pelo argumento, antes que começem os xiliques...)

    www.youtube.com/watch?v=okHGCz6xxiw

    Os socialistas querem ver diminuir o "abismo" economico e social entre ricos e pobres, mas tanto faz se os pobres continuam pobres, ou até mesmo fiquem mais pobres, contanto que os ricos fiquem menos ricos.

    Só interessa a linha de cima baixar, não importa se a linha de baixo não subir.

    Pura ideologia da inveja e dos fracassados.

  • Andre Cavalcante  14/03/2012 14:45
    Carlos,

    Cê tá confundindo desigualdade com pobreza. Pegue uma curva do sino (distribuição de gauss). Há sempre os à esquerda, ao centro (média) e à direita. Os à esquerda são "pobres", os ao centro são classe média e os à direita são "ricos". Desigualdade é a medida da diferença entre a quantidade de ricos e a dos pobres (ou a concentração de renda na mão de uns ou outros). Outra maneira de ver a desigualdade é pegar o coeficiente de Gini, ou algum outro tipo R/P 10 (10% mais ricos sobre 10% mais pobres) etc. Isso quer dizer que a desigualdade em si, não quer dizer nada a respeito do nível de pobreza ou riqueza de seus cidadãos.

    Por exemplo, vamos imaginar um país que tenha 10% da população pobre, 85% no centro e apenas 5% de ricos, com uma renda per capita de USD200.00/mês, com os mais ricos ganhando USD1500.00/mês. É claramente uma sociedade bem igual (a diferença entre os ricos e média é menos de 10x, e boa parte da população está na média). Logicamente, apesar de a sociedade ser "igual" ela é bastante ruim.

    Vamos pegar um outro exemplo: um curva em que a sociedade apresenta 20% de pobres, 65% ao centro 15% de ricos, com uma renda per capita de USD900.00/mês, sendo que os 15% mais ricos tenham uma renda de USD10000.00/mês, ou seja, um país bastante desigual (a diferença entre a renda do rico e a média aqui é mais de 10x). Entretanto, provavelmente os 85% da classe média daquele país "igual" ficaria muito feliz em ser "pobre" no país deste segundo exemplo.

    Se acham que meu exemplo está "fora da realidade", olha só esses números (o GINI quanto mais alto, mais desigual):

    Singapura: GINI = 42.5, PIB per capita = 38.972USD/ano.
    Austrália: GINI = 35.2, PIB per capita = 46.824USD/ano.
    Moldávia: GINI = 33.2, PIB per capita = 1.666USD/ano.
    Paquistão: GINI = 30.6, PIB per capita = 1.022USD/ano.

    Não me parece que os "pobres" da Austrália achem tão ruim ter uma concentração de renda maior que na Moldávia ou Paquistão.

    A propósito, o nosso país é o encontro do pior dos mundos: muita desigualdade e pobreza:
    Brasil: GINI = 57.0, PIB per capita = 8.295USD/ano. (Lembrar que boa parte da riqueza nacional vai pra mão do Estado e, de lá, para a mão dos "amigos do rei" - é isso que faz a desigualdade ser alta e ainda manter baixo a renda per capita).

    Relativo isso!
  • Leandro Pereira  14/03/2012 17:31
    Carlos, va ler Le Monde Diplomatique...
    Como pode alguem falar TANTA BOBEIRA. Fico inconformado. Com certeza nao conhece uma linha sequer sobre a Historia dos Estados Unidos da America.
  • Carlos  14/03/2012 09:50
    O sistema de saúde americano tal como é hoje é uma violação dos direitos humanos. É coisa de país barbaro, um escandalo. Urge reforma-lo. Mas a ONU, que se diz defensora dos direitos humanos, não fala nada por causa da influência americana nela.
  • Leandro  14/03/2012 11:51
    De fato, Carlos, o estado abocanhar 75% do fluxo de caixa de uma empresa ou 65% dos lucros não retidos é apenas um detalhe que não pode de maneira algum ser mencionado. Quem o faz é "reducionista" e "superficial".

    E, realmente, o Schiff não tem a sua profundidade intelectual nem a sua sapiência econômica. Você, aliás, poderá trucidá-lo intelectualmente em São Paulo, em maio agora, dias 12 e 13. Você terá microfone aberto para aplicar-lhe uma surra com este seu irrefragável intelecto argumentativo.

    Quanto a "redistribuir e democratizar", este é o grito de guerra dos indolentes, invejosos e incapazes, que querem apenas ser sustentados por terceiros, sem dar nada em troca.

    Por fim, você está certo quanto ao sistema de saúde americano. Um sistema no qual o estado regula absolutamente todas as relações paciente/médico, sempre em conluio com as seguradoras -- a concorrência interestadual entre as segurados é proibida pelo governo federal --, de fato representa uma violação dos direitos humanos. Nesta você acertou. Errou apenas na solução, como sempre. (Para quem estiver interessado em mais detalhes sobre o sistema de saúde americano, favor ler o início deste artigo.)

    De resto, por que você não vai fazer suas cantilenas estatistas lá nos blogs e sites da esgotosfera governamental, todos eles financiados por estatais e implorando por leitores? Pelo visto, nem você aguenta o nível de lá. Compreensível.
  • Rene  14/03/2012 12:01
    Carlos, eu acho que isso foi um desafio.
  • Paulo Sergio  15/03/2012 08:06
    Urge é? E o direito como vai?
  • Luciano A.  14/03/2012 10:51
    "Ainda no século XIX, a América era de fato um país capitalista. Não havia imposto de renda nem de pessoa física nem de pessoa jurídica. Os acionistas recebiam 100% dos lucros distribuídos. Como resultado desta estrutura, as empresas americanas cresceram aceleradamente e ajudaram a desencadear a mais veloz expansão econômica que o mundo jamais havia visto."\r
    \r
    Como era a carga tributária e o tamanho de estado nos EUA no século XIX? Há algum artigo neste site sobre isso?
  • Rodrigo  14/03/2012 11:20
    Tenho a msm dúvida. Gostaria muito que houvesse algo simples mas com conteúdo abrangente sobre o assunto. O máximo que vi foi a Wikipédia sobre o conceito de minarquismo qd falava do tamanho do estado americano. Mas Wikipédia não conta.
  • Diego  14/03/2012 11:20
    Se não me engano girava em torno de 3%.
  • Leandro  14/03/2012 11:52
    O governo federal se sustentava exclusivamente com tarifas; o federalismo era praticamente pleno. Gastos do governo federal em relação ao PIB não ultrapassavam os 5%. E, ao contrário do que dizem os gênios de hoje, a humanidade não só não pereceu, como cresceu e elevou substancialmente seu padrão de vida e suas riquezas neste período.
  • Eduardo  14/03/2012 12:55
    Ótima abordagem. O que levou os americanos a abandoranrem o sistema tributário e econômico do século XIX?
  • Leandro  14/03/2012 13:14
    O crescimento natural do estado, pois uma minarquia é impossível (como explicado neste artigo).

    Para isso colaborou a criação do Federal Reserve e do imposto de renda, ambos em 1913, bem como a eclosão da Primeira Guerra Mundial, que levou ao esforço de guerra capitaneado pelo estado. Daí pra frente, foi só inchaço, com um breve interlúdio no período 1921-1923, quando o presidente foi o sensacional Warren G. Harding, que ficava o tempo todo bebendo, jogando pôquer e fazendo farra -- exatamente o tipo de coisa que um presidente deve fazer em tempo integral, em vez de ficar regulando a economia, controlando a vida dos outros e tentando salvar o mundo.

    Durante o mandato Harding, que assumiu o governo em meio a uma forte recessão gerada pelo fim da 1º Guerra -- quando a oferta monetária foi elevado para financiar as atividades belicistas e a estrutura de produção da economia foi toda desvirtuada -- gastos e impostos decresceram, e a recessão, acentuada, durou apenas 1 ano. Foi a última recessão na qual um governo não interveio. Justamente por isso, foi a mais curta.
  • Paulo Sergio  15/03/2012 08:04
    Uma minarquia acaba e a conclusão é de que minarquias são impossíveis...
    E quantas anarquias conseguiram durar, por acaso?
  • Fernando Chiocca  15/03/2012 08:20
    Todas que foram tentadas.. diferente da minarquia, que não só teoricamente, como empiricamente já se provou impossível.

    Minarquia é uma utopia.

    O dia que uma sociedade de leis privadas existir, muito dificilmente (pra não dizer impossível) um estado irá surgir dela, simplesmente pq as pessoas não admitiriam o roubo legal e repudiariam qualquer tipo de monopólio.

    Do contrário, quando as pessoas concedem a uma instituição o poder de roubar, e ainda dela determinar unilateralmente o quanto deve roubar, e ainda concedem o poder dela ser a monopolista de decisões finais de disputas em um determinado território, inclusive de disputas que ela seja uma das partes, aí tudo estará perdido, e o resultado pode ser visto mundo a fora.
  • Paulo Sergio  15/03/2012 08:26
    Peraí...eu tinha perguntado quantas anarquias conseguiram DURAR...todas!?
    Então a anarquia do velho oeste, da irlanda, etc existe até hoje é?
  • Fernando Chiocca  15/03/2012 09:24
    Como alguma coisa que não EXISTIU vai DURAR?

    Veja aqui o que é uma sociedade de leis privadas.

    Já a minarquia, como explicado acima, não tem como durar. O exemplo americano não é apenas o exemplo de um simples caso falho. É a prova perfeita de que a teoria contém erros inerentemente fundamentais.

    A fundação dos EUA foi um momento único da história do mundo. Uma reunião de mentes brilhantes como aquela em que quase todos os founding fathers estavam cientes de todos os males do estado e da democracia, e se encontraram numa posição em que tinham o poder de formular os preceitos de um estado como foi feito, redigindo uma constituição como foi feita, que limitava claramente os poderes do estado, com um Bill of Rights para assegurar mais ainda os direitos individuais, e de nada adiantou. Os EUA é o maior estado/império da história do mundo.

    E por que? Porque os founding father concederam ao estado o poder de taxar e o monopólio de tomador de decisão final no terrítorio.

    Minarquia - Não dura = Fato (além de ser antiética)

    Se uma Sociedade de Leis Privadas não durar, o que eu duvido, e for suplantada por outro estado ou desenvolver um estado a partir dela, paciência. Pelo menos foi tentada a única alternativa ética e a que teoricamente tem a maior chance de garantir a liberdade indefinidamente dentre todas as outras teorias alternativas. Ou seja, não há porquê alguém ético e conhecedor das teorias defender outra alternativa (ou seja, defender a agressão).
  • Paulo Sergio  15/03/2012 10:07
    'Como alguma coisa que não EXISTIU vai DURAR?'

    Não existiu? Vcs mesmos citam o velho oeste como exemplo de anarquia, agora vem com essa de não existiu?
  • Fernando Chiocca  15/03/2012 11:49
    O "velho oeste" nunca foi nada além de partes do terrítorio americano que por algum período ficaram mais livres das intervenções governamentais, deixados em grande medida de lado pelo estado, o que fez muito bem a estas regiões, como não poderia deixar de ser diferente. Mas logo o estado retomou o controle dessas áreas e fudeu com tudo, como de costume. Eles não desenvolveram uma soberania independente dos EUA.

    Na própria história dos EUA existem muitos outros exemplos de períodos semi anárquicos em determinadas regiões, como por exemplo o caso da colônia da Pensilvânia, que durante os seus primeiros anos, não existia nenhum imposto e nenhuma intervenção estatal. Existia apenas um governo simbólico que se reunia duas vezes por ano e não fazia nada. E, naturalmente, neste período a colônia cresceu e se desenvolveu mais que todas as outras, até que seu proprietor da colônia, Willian Penn, resolveu explorar a colônia e estabelecer um governo ali.

    Pennsylvania's Anarchist Experiment: 1681-1690

    Mas o que temos aqui com este Paulo Sérgio é a velha história de alguém querendo defender a agressão de qualquer jeito usando o patético "argumento" de que "devemos agredir agora, pois senão vão agredir depois", como aqueles conhecidos minarquistas que "defendem o estado pois senão, pasmem, um estado poderia surgir".

    Garotinho, defenda a agressão que você quiser. Boa sorte.
  • Paulo Sergio  15/03/2012 13:47
    Agora eu to defendendo agressão é? Era só o que faltava
    Eu sou um cético, só isso.Se eu n acredito nesse mundo anarco imaginário de vcs é pq pelo menos até agora é só teoria.
    Se um dia vcs fizerem isso funcionar, ótimo, bom pra vcs.
    Boa sorte.
  • Jose Roberto Baschiera Junior  15/03/2012 09:42
    Da mesma maneira que nenhuma anarquia existe hoje. Nenhum governo(de qualquer tipo) no mundo inteiro funciona. Não existe absolutamente nenhum governo no mundo que preste, nenhum em nenhum nível, desde municípios até países inteiros.

    Centenas de milhares de diferentes níveis governamentais no mundo = 0% funciona
  • JC  14/03/2012 19:43
    Dá até pra começar antes. Logo nos primeiros governos americanos já vemos duas facções políticas nos EUA. Uma delas lutando para manter bem longe a influência federal nos estados, até mesmo por causa da questão da escravidão praticada nos estados do sul, que mantinha uma economia bastante próspera, e dependente do livre-comércio.

    Já a outra facção mais ao norte representava mais o interesse financeiro e industrial, e buscava colocar os EUA no mesmo caminho que começava a surgir na Europa, com um modelo de estado republicano centralizado, nacionalista, industrial e militarista. O maior defensor destas idéias foi Alexander Hamilton, mas não teve êxito, atrasando este programa por algumas décadas.

    Como ponto bastante fundamental deste programa, defendiam um estado monetarista, com um banco central, com a expansão de crédito escritural por reserva fracionária, para financiar essa indústria bem como outras atividades. Thomas Jefferson era um grande inimigo deste modelo, e sempre viu isto como algo que eventualmente transformaria todos em servos.

    Por outro lado, a prática da escravidão nas fazendas era algo muito mais urgente do que isso, e a posição dos defensores de um governo federal fraco podia ser acusada de complacencência com a escravidão, porque se fosse deixado à cargo da política dos estados do sul, a escravidão persistiria.

    Até aí tudo bem, eles se toleravam. Mas com o tempo essa questão foi criando discussões cada vez piores, especialmente quando algum novo território entrava na federação e eles brigavam para decidir se iam aceitar ou não a escravidão.

    Toda esta briga como sabemos acabou levando o país à sangrenta guerra civil americana, cuja análise divide opiniões até hoje. Mas acho que é seguro dizer que teve como resultado não apenas a liberação de milhões de escravos, mas também a imposição de impostos federais, imposição de políticas protecionistas, o colapso econômico e a submissão dos estados do sul. Isso de certa forma ajudou para colocar o país no caminho pretendido por Hamilton.

    Como acontece em geral com as guerras, sempre acelera este tipo de mudança social e política, até porque tanto um lado quanto o outro acumularam uma dívida gigantesca para a época. E como sempre acontece, há sempre uma causa ou bandeira que legitima um aumento do poder de um governo centralizado. Temos alguns que lutam por ideias, outros por seus próprios interesses, e a grande maioria confusa no meio.
  • André Ramos  15/03/2012 10:04
    Leandro, e quanto à política econômica e industrial? Procede a alegação de alguns esquerdistas de que os EUA do séc. XIX praticavam o protecionismo?
  • Leandro  15/03/2012 14:33
    Os estados do norte gostavam de protecionismo para dar conforto às suas indústrias. Já os estados do sul defendiam o livre comércio, pois queriam importações baratas. Em 1860, o Congresso aprovou a Morrill Tariff, que elevou enormemente as tarifas sobre importações para proteger as indústrias do norte bem como seus altos salários, prejudicando severamente os estados do sul, que agora tinham de arcar com os altos custos de importação, mas que não tinham como repassar estes altos custos para seus preços, pois vendiam três quartos da sua produção para o mercado mundial. Vestuário, equipamentos agrícolas, maquinários e vários outros itens ficaram extremamente caros de se obter.

    Consequentemente, os estados do sul se rebelaram e quiseram se separar da federação. Aí deu-se origem àquela maravilha que foi a Guerra Civil Americana, com 600.000 mortos.

    Recomendo este texto a respeito, que faz uma ótima compilação destes eventos.

    Abraços!
  • Pedro  14/03/2012 11:59
    Tem dois sites onde você pega os dados sobre carga tributária e gastos do governo americano durante toda sua história:

    www.usgovernmentspending.com/

    www.usgovernmentrevenue.com/
  • Alexandre M. R. Filho  14/03/2012 11:12
    E os caras são tão bons em propaganda que, se alguma coisa dá errado, a culpa é do capitalismo. Incrível...
  • Marcelo  14/03/2012 13:04
    Faltou botar na conta que, com a não distribuição de todo o lucro, o valor da empresa cresce e os donos da empresa ficam mais ricos. Comparar só os valores distribuidos distorce bastante a conta.
  • Andre Cavalcante  14/03/2012 13:21
    Marcelo, não entendi o teu raciocínio. Como os donos da empresa podem ficar mais ricos ou a empresa crescer com parte do lucro indo pro estado?
  • Marcelo  14/03/2012 13:40
    A questão que levantei é q os lucros retidos aumentam o valor da empresa, e como os acionistas são os donos, eles são beneficiados por esse aumento do valor, apesar de nao terem efetivamente recebido dinheiro ainda. Essa variável nao foi considerado no calculo do texto acima, obviamente ela nao invalida o peso do Estado, mas a proporção com certeza fica mais baixa isso for considerado.
  • Luciano A.  14/03/2012 13:55
    Explique como os donos da empresa serão beneficiados pelo aumento de valor se depois com maiores lucros pagaram mais impostos mantendo tudo na mesma?
  • Luciano A.  14/03/2012 13:39
    Mesmo que o lucro não distribuido seja usado para expandir a atividade da empresa e aumentar o seu valor, os acionistas só iram se beneficiar quando os novos lucros e dividendos ocorrerem e da mesma forma o estado arrecadará a mesma parcela sobre desses novos resultados. No fim, o que importa realmente são os valores distribuidos.
  • Marcelo  14/03/2012 13:57
    Realmente, oq importa são os valores distribuidos, então considerando o lucro TOTAL distribuído, de 1MM, o governo receberia 350K de imposto sobre lucro e depois mais 97,5K de imposto sobre a distribuição de dividendo, totalizando 447.5K de um total de 1MM, isso muda o rateio para 44,75/55,25 ao inves dos 66/33 que o texto argumenta.
    Faz bastante diferença. A questao é q o Governo garante o "dele" primeiro, já que taxa lucro antes da distribuição, mas esse lucro será eventulmente todo distrinuido, mesmo q nao no primeiro moemento. Apesar da particição do governo americano ainda ser muito grande, nao é os 66% que ele defende.
  • Leandro  14/03/2012 14:21
    Esse seu raciocínio não faz nenhum sentido. Você está simplesmente dizendo que, após ter dado 35% de seu lucro de 1 milhão para o governo, a empresa irá distribuir todo o valor restante ($650.000) como dividendos. Ora, nenhuma empresa faz isso. Se fizesse, quebraria. Ela tem de reter lucros para investimentos, pagamento de salários, despesas etc.

    A maneira correta de calcular o esbulho é justamente esta que o Schiff apresentou: mostrando o valor total que foi confiscado do dinheiro que é dos proprietários. O lucro não distribuído não é especificamente um dinheiro "dos proprietários"; é um dinheiro "da empresa", um dinheiro que tem de ser reinvestido caso os proprietários queiram se manter ativos. Não é um dinheiro que o sujeito pega para gastar fazendo um cruzeiro nas Bahamas. Este seria o dinheiro dos dividendos.
  • Luciano A.  14/03/2012 14:26
    Acho que você não entendeu o que eu escrevi.\r
    \r
    O que importa é o lucro que o empresário e o investidor recebem em relação a arrecadação do governo. O valor reinvestido na empresa só terá utilidade para os donos quando novos lucros maiores forem auferidos e neste momento o estado novamente ficará com maior parcela.\r
  • Fernando Chiocca  14/03/2012 13:21
    E tem gente que ainda acha que a URSS perdeu a Guerra Fria...

    O comunismo dominou os EUA. Fato.
  • Glorioso Camarada Friedman  14/03/2012 15:06
    Vocês acham que o Ron Paul tem chance ? Meio off... mas... não ando acompanhando muito, mas pelo que vi... parece que ele ta ganhando delegados mas perdendo nas votações.
  • Thyago  14/03/2012 17:03
    Mais um artigo pra abalar do Peter...

    Valeria a pena fazer os cálculos para o Brasil também. Os americanos também tem muito a aprender conosco, infelizmente...
  • anônimo  14/03/2012 17:32
    Oi, O texto diz que a taxa de imposto americana é até superior a Chinesa, mas e sobre a livre iniciativa e regulamentações, como eu poderia comparar a China com a America nesse campo?
  • Andre Cavalcante  14/03/2012 18:10
    Comparando o índice de liberdade econômica da Heritage, temos a China com um índice de 51.2 e o Brasil 57.9. Quanto maior o índice, maior a liberdade, logo, o Brasil ainda é "mais livre", ou diria "menos fechado".

    Para comparar, o campeão do índice é Hong Kong com um índice de 89.9 e o dos EUA é 76.3, é apenas o 10º no ranking, com queda de 1.5 pontos em relação ao ano passado.

    Ou seja, a China ainda é muito mais socialista que os EUA, exceto pela taxação. A liberdade fiscal, pasmem, na China recebeu o índice 70.4, os EUA, 69.8, e o Brasil, 69.1.

    Tire as suas conclusões...
  • Against taxation  14/03/2012 17:51
    Prezados membros do IMB,\r
    \r
    Gostaria de sugerir dois temas a serem abordados por vocês: primeiro, a chamada Era Vargas, que é usada como argumento pelos intervencionistas para mostrar o erro do liberalismo. O segundo é sobre o Barão de Mauá, que parece que acabou indo à falência pela própria ação do governo. Era isso. Abs!
  • Rafa  14/03/2012 20:46
    Concordo, a história contada através da visão da escola Austríaca é sempre fascinante!
  • André Ramos  15/03/2012 09:54
    "Warren G. Harding, que ficava o tempo todo bebendo, jogando pôquer e fazendo farra -- exatamente o tipo de coisa que um presidente deve fazer em tempo integral, em vez de ficar regulando a economia, controlando a vida dos outros e tentando salvar o mundo."\r
    Essa passagem foi sensacional. Pegando o gancho dela, meu voto para presidente em 2014 jpa tem dono: o ex-futebolista Adriano!\r
    :-)\r
  • alex  15/03/2012 15:47
    Leandro,no artigo cita que o governo americano do séc 19 não taxava as empresas com imposto sobre os lucros................Mata a minha curiosidade,a partir de quando foi inventado esses impostos?
  • Leandro  15/03/2012 16:05
    Começou em 1909, com a adoção de um imposto de 2% sobre a renda as empresas, e foi ratificado em 1913, por meio do Revenue Act.
  • Rodrigo  16/03/2012 06:28
    Leandro

    Que livros poderia nos indicar sobre a história econômica dos EUA, principalmente na época entre a independência e século 19?
  • Leandro  16/03/2012 06:37
    Não há livro mais completo do que este.

    São 1.616 páginas lhe aguardando. E você pode baixar gratuitamente para seu iPhone ou iPad.

    Abraços!
  • André Ramos  16/03/2012 14:23
    mises.org/store/How-Capitalism-Saved-America-P260.aspx\r
    \r
  • Adriano Ramos  17/03/2012 23:35
    Meus amigos! como funcionaria o pro-labore nesse complexo arranjo? poderíamos aumentar a base de cálculo do pro-labore? ou fazendo assim, estaríamos "dando" mais possibilidade do governo "tributar"?
  • Marcelo  19/03/2012 02:50
    Bom dia.

    Escrevo porque tive uma dúvida ao ler um artigo do Peter Schiff em relação aos bandos americanos. A certo ponto ele escreve: "When the american banks fail as a result of higher interest rates...".

    Pois bem, não entendi por que isso levaria os bancos americanos à falência, já que ouço reclamações, aqui no Brasil, indicando o contrário; que os juros altos praticados no Brasil só favorecem a um setor da economia - os bancos. Aí ficou minha dúvida, por que aqui no Brasil juros altos favorecem os bancos e por que nos EUA isso significaria a falência de muitos bancos? Podem me ajudar? Agradeço.
  • Leandro  19/03/2012 02:54
    Marcelo, é uma questão de contabilidade. Os bancos possuem em seus ativos vários títulos do governo. Quando a taxa básica de juros sobe, os preços dos títulos governamentais caem. Sempre.

    Logo, o que o Schiff está dizendo é que, se a taxa básica de juros americana subir muito (tipo, dos atuais 0,25% para, digamos, 4% ou 5%), os preços dos títulos governamentais irão despencar. Consequentemente, esta redução nos preços destes títulos -- que são ativos para os bancos -- representará uma acentuada redução no valor destes ativos bancários, o que poderá deixar os bancos contabilmente insolventes.

    E sim, você tocou num ponto importante: aumento de juros está longe de ser algo positivo tanto para os bancos quanto para aquelas pessoas ou empresas que possuem títulos. Afinal, aumento de juros significa que o valor destes títulos foi reduzido.

    Grande abraço!
  • Marcelo  19/03/2012 13:17
    Leandro,

    Entendi a questão contábil e como o aumentos de juros prejudica os detentores, sejam bancos, empresas ou pessoas.

    No entanto, isso diz respeito àqueles que já possuem os títulos e veem o valor de face reduzir. Mas confesso que a afirmação "juros altos favorecem aos bancos" - que tanto ouço por aí - ainda ecoa na minha cabeça com alguma insistente autoridade.

    Porque compreendo o impacto negativo do movimento (alta dos juros) para os detentores. Porém, diferentemente, a prática prolongada de juros altos não seria a alegria dos bancos, já que fazem um empréstimo considerado seguro* para o governo?

    Desse modo, a afirmação não estaria de todo errada, embora estivesse mal colocada para o caso americano atual, onde os bancos quebrariam já no primeiro movimento de alta de juros devido a seus balanços ruins.

    Meu raciocínio está correto?


    *Sem querer entrar no mérito.
  • Leandro  19/03/2012 13:34
    Prezado Marcelo, não há dúvidas de que juros altos beneficiam os bancos nesta questão dos empréstimos ao governo, pois, como você corretamente disse, emprestar para o governo já é um empreendimento seguro; a juros altos, então, a farra é completa.

    Porém, há uma outra questão. Tudo o mais constante, o volume de empréstimos concedidos pelos bancos ao setor privado tende a ser menor quando os juros estão altos e tende a ser maior quando os juros estão baixos. Dependendo do quão menor seja este volume, a rentabilidade dos bancos pode ser menor a juros altos do que a juros baixos. Veja aqui no Brasil, por exemplo. Os lucros bancários têm sido maiores quando os juros são menores, justamente por causa do maior volume de empréstimos.

    Portanto, essa história de que juros altos sempre beneficiam os bancos não é algo que se mantém válido para toda e qualquer situação. Dependendo do caso, juros mais baixos podem ser ainda melhores. Aliás, se juros altos fossem sempre preferíveis a juros baixos, então os bancos não teriam o menor interesse em praticar reservas fracionárias, prática esta que por definição diminui os juros cobrados sobre os empréstimos.

    Grande abraço!
  • Marcelo  19/03/2012 15:11
    Com essa explicação, fiquei sem dúvidas.
    Muito obrigado!

    Um abraço!
  • Paulo Sergio  18/04/2012 02:27
    Olhem só que legal, tio sam bate recorde no número de pessoas renunciando à cidadania americana:
    finance.yahoo.com/news/tax-time-pushes-americans-hike-204320491.html


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