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Como funciona a burocracia estatal

Uma das mais importantes leis sociológicas existentes é a "Lei de Ferro da Oligarquia": toda e qualquer área do empreendimento humano, todo e qualquer tipo de organização, sempre será liderada por uma relativamente pequena elite.  Essa condição prevalece em todos os campos, seja em uma empresa, em um sindicato, no governo, em uma organização de caridade ou em um clube de xadrez.  Em cada área, as pessoas mais interessadas e capazes, aquelas mais adaptáveis ou mais bem ajustadas para a atividade, irão constituir a elite destacada.

Recorrentemente, tentativas utópicas de se formar instituições ou sociedades isentas da Lei de Ferro sempre acabaram sendo vitimadas por essa mesma lei: as comunidades utópicas, os kibbutz em Israel, a "democracia participativa" durante a era da Nova Esquerda no final dos anos 1960, ou aquele vasto "experimento laboratorial" (como costumava ser chamado) que constituiu a União Soviética.  O que deveria ser almejado não é o absurdo e antinatural objetivo de erradicar tais elites, mas sim, para utilizar a expressão de Pareto, fazê-las "circular".  Essas elites circulam ou se tornam arraigadas e fortificadas?

O mercado versus o governo

A economia de livre mercado fornece um exemplo sem paralelos dessa contínua e saudável circulação das elites.  Em uma economia de mercado dinâmica, as elites que não conseguirem acompanhar seus concorrentes, que não conseguirem satisfazer as demandas dos consumidores da melhor maneira possível, serão rapidamente derrubadas, dando lugar a novas elites que se estabelecerão e farão um melhor trabalho.  Ludwig von Mises escrevia seguidamente sobre o quão inapropriado era os esquerdistas se referirem a determinados magnatas como "o Rei do Aço" ou "o Rei dos Automóveis", pois os consumidores frequentemente destronavam esses supostos monarcas.  Há inúmeros exemplos ao longo da história de várias grandes empresas que não foram capazes de compreender a importância de um novo produto ou de recentes transformações na economia, o que as fez perder mercado para pequenas empresas recém-criadas.  Apenas para citar um exemplo mundialmente famoso, a incapacidade da antiga "monopolista" do setor de fotografias, a Eastman-Kodak, em captar a enorme significância, após a Segunda Guerra Mundial, tanto da fotografia instantânea quanto da xerografia, o que abriu espaço para concorrentes novos e mais alertas às mudanças.

Por sua natureza, o governo não está sujeito aos mecanismos de lucros e prejuízos do livre mercado, isto é, à soberania dos consumidores.  Mesmo uma organização sem fins lucrativos, embora não esteja buscando maximizar seus lucros, ao menos tem de ser eficiente o bastante para evitar prejuízos severos e uma consequente falência.  Ademais, embora tais organizações voluntárias não tenham necessariamente de satisfazer os usuários dos seus bens ou serviços, como ocorreria em um mercado lucrativo, elas ao menos têm de satisfazer os princípios e demandas de seus doadores.  Por outro lado, o governo é a única organização dentre todas as organizações que obtém suas receitas por meio da coerção dos cidadãos.  Consequentemente, o governo não tem de se preocupar com prejuízos ou risco de falência; ele não precisa servir a ninguém senão a ele próprio.  O único limite que restringe um governo é o risco — bastante amplo, é verdade — de os cidadãos se revoltarem e se recusarem a obedecer às suas ordens (inclusive o pagamento de impostos).  Fora essa revolução, no entanto, há pouco ou nada que possa ser feito para se limitar um governo ou para restringir o encastelamento ou o crescimento de sua elite. (Os extraordinários eventos ocorridos em Moscou e em outros países da União Soviética entre 1989 e 1991 foram um glorioso exemplo desse limite à tirania sendo alcançado).

O governo, em suma, está particularmente sujeito aos bem conhecidos malefícios gerados por uma arrogante, mesquinha, tacanha, ineficiente, morosa e sempre crescente "burocracia".  Os socialistas, mesmo durante o aparente apogeu da União Soviética, frequentemente se preocupavam com o problema da burocracia, e tentaram em vão separar o governo do seu aspecto burocrático.  Mas Mises, de maneira vigorosa e direta, já havia demonstrado em sua clássica obra Burocracia que tais esperanças eram inúteis.  A burocracia, com todos os seus evidentes malefícios, anda de mãos dadas com um governo. 

Uma empresa lucrativa poupa e investe seu dinheiro, sempre buscando obter lucros e evitar prejuízos; a maneira como ela irá utilizar esses fundos poupados é flexível, dependendo sempre de como serão suas decisões, as quais estarão sempre visando ao lucro.  Já as agências burocráticas recebem seus fundos diretamente do orçamento do governo.  É o governo quem aloca o dinheiro para cada setor da burocracia.  Sendo assim, uma estrita, precisa e minuciosa obediência às regras estipuladas pela burocracia se torna vital para que cada burocrata e sub-burocrata possam demonstrar que eles utilizaram os fundos exatamente da maneira designada pelo Congresso ou pelo Executivo, e que não os embolsaram ou desviou para gastos em outras áreas não autorizadas.  Não há autonomia; não há como fazer alocações mais eficientes.  Não há um sistema de preços e um mecanismo de lucros e prejuízos guiando as decisões da burocracia.

Mises aponta uma diferença crucial entre o gerenciamento burocrático e o gerenciamento que visa ao lucro.  Os gastos e os produtos empreendedoriais são calibrados de acordo com as valorações dos consumidores, cujos julgamentos, nas palavras de Mises, "são transmitidos e solidificados por um fenômeno impessoal: os preços de mercado".  Ademais, os julgamentos dos consumidores incidem sobre bens e serviços, e não sobre os produtores em si.  "O vínculo vendedor-comprador, bem como a relação empregador-empregado, em uma relação empreendedorial que visa ao lucro", declarou Mises, "é um arranjo do qual ambos os lados se beneficiam". Por outro lado, no governo, uma organização burocrática, o que a nação "obtém em decorrência das despesas, dos serviços prestados, não pode ser avaliado em termos monetários, por mais importante e valoroso que tal 'produto' seja."  Em vez disso, afirma Mises, "a avaliação depende dos critérios do governo" — ou seja, das decisões pessoais e arbitrárias.  Mises acrescenta que "o vínculo entre superior e subordinado é pessoal.  O subordinado depende do julgamento que o superior fará de sua personalidade, e não do seu trabalho."  Em suma, na burocracia estatal, não há apreço pela realidade.[1]

Segundo a análise de Mises para a diferença entre sucursais estatais e privadas, em uma sucursal estatal,

Não é por causa da meticulosidade que as regulamentações administrativas determinam quanto pode ser gasto por cada agência ou aparato estatal em coisas como limpeza, reparo de móveis e equipamentos, iluminação e sistema de ar condicionado.  Em uma grande empresa privada, tais coisas podem ser deixadas, sem hesitação, aos critérios do administrador local.  Ele não irá gastar mais do que o necessário porque ele está utilizando, de certo modo, seu próprio dinheiro.  Se ele desperdiçar o dinheiro da empresa, ele colocará em risco os lucros daquela sucursal e estará assim indiretamente prejudicando seus próprios interesses.  Por outro lado, a situação é diferente para o chefe local de uma agência estatal.  Ao gastar mais dinheiro, ele poderá aprimorar os resultados de seu departamento.  A parcimônia terá de ser imposta a ele por controle governamental.  E isso quase nunca funciona.[2]

Em uma empresa privada que opera concorrencialmente no mercado, os desejos e objetivos dos administradores estão atados aos objetivos lucrativos dos proprietários.  Como explica Mises, o administrador de uma sucursal tem de garantir que sua divisão irá contribuir para os lucros da empresa.  Por outro lado, uma vez abolido esse regimento dos lucros e prejuízos — isto é, movendo-se para o âmbito estatal —, os desejos e objetivos dos administradores, limitados somente pelas ordens e pelo orçamento da legislatura central ou do comitê de planejamento, passarão a falar mais alto.  E esses desejos e objetivos, guiados somente pela ambígua rubrica do "interesse público", significam na verdade aumentar a renda e o prestígio do burocrata-chefe daquela divisão.  Em uma burocracia restringida por regulamentos, essa renda e status inevitavelmente vão depender de quantos sub-burocratas estão subordinados ao burocrata principal.  Quanto mais sub-burocratas estiverem sob o comando de um alto burocrata, maior será a renda e o prestígio desse burocrata.

Como consequência, todos os departamentos e agências estatais irão se engalfinhar em seguidas contendas, cada um tentando aumentar suas funções e seu número de empregados, além de tentar se apossar das funções de outras agências.  Portanto, ao passo que a tendência natural de empresas e instituições que operam no livre mercado é ser a mais eficiente possível em atender às demandas dos consumidores, a tendência natural da burocracia estatal é crescer, crescer e crescer, e tudo à custa dos espoliados, extorquidos e ignorantes pagadores de impostos.

Se o lema da economia de mercado é o lucro, o lema da burocracia é o crescimento.  Como esses respectivos objetivos devem ser alcançados?  A maneira de se obter lucro em uma economia de mercado é superando seus concorrentes no dinâmico e continuamente volátil processo de satisfazer as demandas dos consumidores da melhor forma possível: criar restaurantes self-service em vez de restaurantes à la carte, notebooks em vez de computadores, ou mesmo inventar fotocopiadoras e máquinas fotográficas digitais.  Em outras palavras, produzir bens ou serviços concretos, pelos quais os consumidores estarão dispostos a pagar.  Por outro lado, para conseguir seu crescimento, o chefe da burocracia estatal terá de convencer a legislatura ou o comitê de planejamento de que seus serviços serão, de alguma maneira indefinida, benéficos ao "interesse público" ou ao "bem-estar da população como um todo".

Dado que o cidadão é obrigado a pagar impostos, não somente não há nenhum incentivo ou motivo para que o burocrata seja eficiente, como também não há como um burocrata possa, mesmo que ele fosse dotado das melhores intenções do mundo, descobrir o que os consumidores querem e como ele pode satisfazer suas demandas.  No geral, investidores não têm a permissão de se aventurar em uma concorrência contra um serviço estatal.  Consequentemente, os consumidores terão simplesmente de permitir que os burocratas lhes ofertem seus serviços, queiram eles ou não.

Ao construir e operar uma barragem, por exemplo, o governo está fadado a ser ineficiente, a subsidiar alguns cidadãos à custa de outros, a alocar recursos inadequadamente e, no geral, a comportar-se como um navio à deriva no mar, sem uma bússola e sem um leme, tentando fornecer serviços sem estar sendo guiado pelo mecanismo de lucros e prejuízos.  Ademais, para alguns cidadãos, a represa pode não representar benefício algum; no jargão dos economistas, para algumas pessoas, a represa, em vez de ser um "bem" será um "mal".  Assim, para ambientalistas que são filosoficamente contra represas, ou para agricultores e populações ribeirinhas cujas propriedades serão confiscadas e inundadas pelo governo, este "serviço" é claramente negativo.  O que dizer de seus direitos e propriedades?  Logo, a ação governamental não somente está fadada a ser ineficiente e coerciva contra os pagadores de impostos, como também não passa de um mero esquema de redistribuição de renda para alguns grupos à custa de outros.

O principal grupo beneficiado pelos burocratas, obviamente, são os próprios burocratas.  Toda a sua renda é extraída coercivamente dos pagadores de impostos.  Burocratas não pagam impostos; suas supostas "contribuições" tributárias são uma mera ficção contábil.  Se uma quadrilha rouba dinheiro de um indivíduo e fica com 10% para si e repassa os 90% restantes para terceiros, não se pode dizer que estes estão pagando 10% de imposto.  Eles não ganharam seu dinheiro voluntariamente no mercado, ofertando serviços desejados pelos consumidores; apenas receberam uma fatia do dinheiro alheio que foi espoliado pela quadrilha, a qual determinou autonomamente como o butim seria dividido. 

Consequentemente, a existência de uma burocracia estatal cria na sociedade duas grandes classes conflitantes: os pagadores líquidos de impostos e os consumidores líquidos de impostos.  Quanto maior a dimensão dos impostos e do governo, maior será o inevitável conflito de classes criado na sociedade.  Como explicou o brilhante John C. Calhoun em seu livro Disquisition on Government:

Portanto, o inevitável resultado desta iníqua ação fiscal do governo será a divisão da sociedade em duas grandes classes: uma formada por aqueles que, na realidade, pagam os impostos — e, obviamente, arcam exclusivamente com o fardo de sustentar o governo —, e a outra formada por aqueles que recebem sua renda por meio do confisco da renda alheia, e que são, com efeito, sustentados pelo governo.  Em poucas palavras, o resultado será a divisão da sociedade em pagadores de impostos e consumidores de impostos.

Porém, o efeito disso será que ambas as classes terão relações antagonistas no que diz respeito à ação fiscal do governo e a todas as políticas por ele criadas.  Pois quanto maiores forem os impostos e os gastos governamentais, maiores serão os ganhos de um e maiores serão as perdas de outro, e vice versa.  E, por conseguinte, quanto mais o governo se empenhar em uma política de aumentar impostos e gastos, mais ele será apoiado por um grupo e resistido pelo outro.

O efeito, portanto, de qualquer aumento de impostos será o de enriquecer e fortalecer um grupo [os consumidores líquidos de impostos] e empobrecer e enfraquecer o outro [os pagadores líquidos de impostos].[3]

Sendo assim, resta a pergunta: como os burocratas conseguem alcançar seu objetivo prioritário, qual seja, aumentar o número de funcionários públicos subalternos e com isso aumentarem suas próprias rendas?  Apenas se persuadirem a legislatura ou a opinião pública de que sua agência estatal em específico é digna de um aumento em seu orçamento.  Porém, como seria possível fazerem isso, uma vez que tal agência não vende seus serviços no mercado e, mais ainda, suas atividades são necessariamente redistributivas e prejudicam, em vez de beneficiar, a maioria dos consumidores?  A resposta é que os burocratas têm de "criar um consentimento", isto é, eles têm de falsamente persuadir o público ou a legislatura de que suas atividades representam um luminoso benefício, e não um enorme prejuízo, para os pagadores de impostos.  E, pra criar esse consentimento, é necessário utilizar ou empregar intelectuais — a classe formadora de opinião da sociedade — para persuadir o público ou a legislatura de que a burocracia é uma bênção universal.  E se estes intelectuais, ou propagandistas, forem eles próprios empregados do estado, então isso será duplamente insultuoso para os pagadores de impostos: pois agora eles serão forçados a pagar por sua própria e deliberada enganação.

É intrigante que os esquerdistas invariavelmente vituperem os anúncios publicitários feitos pelo mercado, dizendo que são enganosos, estridentes e que "incentivam" artificialmente o consumo, sendo que a publicidade é justamente o método indispensável por meio do qual informações vitais são transmitidas para os consumidores — sobre a natureza e a qualidade do produto, e sobre seu preço e local de oferta.  Incrivelmente, os esquerdistas nunca direcionam essa sua crítica para justamente aquela área onde ela mais se aplica: as propagandas de exaltação do estado, as relações públicas e as tolices baratas e vulgares difundidas pelo governo.  A diferença é que, no mercado, todas as propagandas são rapidamente submetidas a um teste prático: será que essa televisão funciona? Será que esse aparelho elétrico é realmente bom?  Por outro lado, para o governo, não existe esse teste direto junto ao consumidor: não há maneira de o cidadão ou o eleitor descobrirem rapidamente como uma determinada política realmente funcionou.  Além disso, em eleições, ao eleitor não são apresentados programas específicos para ele escolher: ele tem necessariamente de escolher um pacote inteiro criado por um burocrata, o qual irá durar X número de anos e fará com que o eleitor fique preso a este pacote por aquele período de tempo.  E dado que não há como testar diretamente as políticas propostas, torna-se possível entender por que o moderno processo democrático é incapaz de discutir questões políticas, preferindo concentrar-se meramente na demagogia televisiva, a qual é de mais fácil digestão e surte muito mais efeito.

A estrutura e os objetivos da burocracia

A burocracia é necessariamente hierárquica — primeiro por causa da Lei de Ferro da Oligarquia, e segundo porque a burocracia se expande ao multiplicar camadas subalternas.  Uma vez que, sem um mercado, não há como testar genuinamente os "méritos" dos serviços prestados pelo governo aos consumidores, em uma burocracia amarrada por regulamentos, o tempo de serviço passa a ser adotado, com grande júbilo, como um substituto para o mérito.  Aumentar o tempo de serviço, portanto, leva a promoções a cargos superiores, ao passo que a expansão do orçamento do governo leva a uma multiplicação dos cargos abaixo de você, o que gera um aumento do seu salário e do seu poder.  O crescimento da burocracia ocorre, portanto, pela multiplicação dos níveis da burocracia.

A teoria da burocracia estatal hierárquica é que a informação é coletada nos postos mais baixos da organização e, a cada posto sucessivamente superior, o chefe escolhe as informações mais importantes coletadas por seus subordinados, separa o joio do trigo, e passa a informação selecionada para seus superiores.  O problema é que favores burocráticos, especialmente nos mais altos escalões, só geram novas gentilezas caso o subordinado saiba agradar aos seus superiores.

Todas as atividades humanas, bem como todas as instituições, tendem a recompensar aqueles que se mostram mais proficientes em adotar o melhor caminho para o sucesso naquela atividade.  No mercado, empreendedores bem sucedidos serão aqueles que souberem antecipar e atender mais corretamente as demandas dos consumidores.  Já o sucesso na burocracia, ao contrário, depende de o indivíduo se mostrar competente em (a) fazer uma eficaz propaganda pessoal de si próprio para persuadir seus superiores de que possui grandes méritos; e, portanto, em (b) entender que a maneira de ascender na carreira é dizendo aos seus superiores exatamente aquilo que eles querem ouvir.  Logo, quanto maior o posto hierárquico da burocracia, maior o número de pessoas subservientes e dispostas a fazer tarefas para você.  Consequentemente, cada superior frequentemente será menos informado do que os burocratas dos escalões mais baixos.

A explicação padrão quanto ao porquê de o governo crescer é que, à medida que o tempo passa, há mais trabalho para o governo realizar; por conseguinte, a "demanda" do povo por mais governo cresce.  Muito mais correta, no entanto, é a explicação de que no mundo da burocracia funciona uma espécie de Lei de Say invertida, na qual a oferta — ou melhor, os ofertantes de "serviços" estatais, a burocracia — constitui ela própria a "demanda" por seus serviços, e que ela consegue manipular perfeitamente seus superiores, ou a legislatura, fazendo com que eles lhe forneçam cada vez mais recursos oriundos de impostos. 

Daí surgiu a hilariantemente satírica, porém extremamente perceptiva, descrição da "Lei de Parkinson" da burocracia.  O professor Parkinson afirmou que, em uma burocracia estatal, "não é necessário haver nenhuma relação entre o trabalho a ser feito e o tamanho da equipe para a qual ele deve ser designado."[4]  O contínuo aumento no total dos funcionários públicos "seria praticamente o mesmo caso o volume de trabalho aumentasse, diminuísse ou até mesmo desaparecesse."[5]  Parkinson identificou duas fundamentais forças "axiomáticas" responsáveis por esse crescimento: (1) "Um burocrata quer multiplicar seus subordinados, e não seus rivais"; e (2) "Burocratas criam serviços uns para os outros."

Parkinson começa seu "modelo" descrevendo um burocrata que se sente estafado por estar trabalhando demais.  O burocrata poderia perfeitamente pedir demissão, mas isso seria impensável, pois ele perderia seu direito a uma magnânima pensão.  Pedir para um novo colega recém-promovido dividir com ele sua carga de trabalho é igualmente impensável, pois assim seu prestígio ficaria reduzido; pior ainda, ele estaria promovendo um perigoso rival, o qual passaria a disputar com ele o cargo de seu chefe quando este se aposentasse.  Ele poderia pedir a contratação de um assistente, mas isso seria perigoso, pois o novato poderia se revelar competente e conquistar o mesmo status que o seu.  Logo, sua escolha mais sensata será pedir a contratação de dois assistentes, os quais iriam então competir entre si por seu favor e atenção; em pouco tempo, ambos os assistentes irão reclamar de carga de trabalho excessiva, e cada um deles irá pedir a contratação de dois novos assistentes.  O burocrata original agora terá a satisfação de ter seis homens subordinados diretamente a ele, o que significa que ele já está pronto para uma promoção e um consequente aumento substancial no seu salário.

Mas e quanto ao trabalho a ser feito?  A quantidade original de trabalho não foi agora dividida entre sete pessoas?  Sendo assim, não seria correto dizer que cada homem estará agora absurda e manifestamente ocioso, com pouco trabalho para fazer?  Não — e eis aqui um dos cintilantes vislumbres de Parkinson quanto à teoria da burocracia —, pois um aspecto da Lei de Parkinson é que "o trabalho se expande de modo a preencher todo o tempo disponível para sua realização".  Ou, como Parkinson também coloca, "A tarefa a ser feita aumenta em importância e complexidade em uma proporção direta ao tempo a ser gasto para realizá-la."[6]

E aqui entra o segundo aspecto da Lei de Parkinson do crescimento da burocracia: "todo funcionário público cria trabalhos improdutivos para todos os outros".  Prossegue Parkinson: "Estes sete burocratas criam tanto trabalho uns para os outros, que no final todos estão completamente ocupados," e o burocrata original, o superior, "estará na realidade trabalhando mais do que nunca."  Documentos e papeladas têm de ser enviados e lidos por todos os burocrata, cada qual em sua vez.  E cada um deles tem de comentar os documentos e enviar seus comentários para todos os outros.  Todos têm de conferir cada documento, bem como as várias emendas propostas.  E o burocrata original, o superior, agora estará envolto nos inevitáveis problemas de relacionamento interpessoal entre ele e sua equipe, e entre os próprios membros de sua equipe, coisa que sempre surge nestes ambientes. 

Finalmente, após um longo processo de interação, escreve Parkinson, o burocrata original dá ao documento a mesma resposta que teria escrito caso todos os seus subordinados "jamais tivessem nascido".  "Um número muito maior de pessoas", conclui Parkinson, "levou muito mais tempo para produzir o mesmo resultado.  Nenhum ficou ocioso.  Todos fizeram o seu melhor."[7]

Conclusão

Por que afinal há uma tendência constante de agigantamento do estado, tanto em tamanho quanto em autoritarismo?  Porque, do ponto de vista dos burocratas, a vantagem de um estado grande e poderoso é clara, direta e inquestionável, ao passo que para os cidadãos comuns, meros pagadores de impostos cuja atenção dificilmente está voltada para o governo, o custo desse estado, não apenas em termos de dinheiro mas também de liberdade, a qual é perdida quando se concede autoridade a burocratas, é muito vago e nebuloso.  São poucos aqueles que realmente têm ideia do quão alto é esse custo.

Consequentemente, dado que os burocratas sabem exatamente o que eles querem, dado que eles trabalham para seu imediato e exclusivo interesse, e dado que os outros cidadãos não têm ideia do quanto estão sendo espoliados — com efeito, sequer prestam atenção a isso —, resta óbvio qual grupo irá prevalecer e dominar o outro.



[1] Ludwig von Mises, Bureaucracy (New Haven: Yale University Press, 1944), p. 53.

[2] Ibid., p.46.  À medida que as empresas foram sendo submetidas a regulamentações e cargas tributárias cada vez mais altas, sua administração foi se tornando cada vez mais burocrática.  Como explicou Mises, "nenhuma empresa que visa ao lucro, por maior que seja, possui a tendência de se tornar burocrática.  Isso só irá acontecer caso sua administração se torne mais restringida por interferências governamentais.  A tendência a uma rigidez burocrática não é algo inerente à evolução das empresas.  Tal rigidez será resultado, isto sim, da interferência governamental sobre o ambiente empreendedorial." Ibid., p.12

[3]  John C. Calhoun, A Disquisition on Government (New York: The Liberal Arts Press, 1953), pp. 17-18.

[4] C. Northcote Parkinson, Parkinson's Law (Cambridge, MA: Houghton Mifflin, 1957), p. 2.

[5] Ibid., p. 4.

[6] Ibid., p. 2.

[7] Ibid., p. 6.


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autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Dinho  15/12/2011 13:34
    Direitos Gays. Eu percebo que temas sobre casamento gay e amor livre gozam de pouca presença na teoría austriaca, enquanto outros temas até mais polêmicos, como legalização das drogas e direção alcolizada, já foram justificados usando a TEA. É que eu pretendo escrever um texto apoiador da união homoerótica, com argumentos austriacos, mas antes queria estar certificado de que este assunto pode ser abordado pelos austriacos, e se ele receberia uma boa acolhida. Aceito co-autoria, existindo algum interessado.
  • Leandro  15/12/2011 14:04
    Mas é claro, Dinho. Isso é filosofia libertária, e a Escola Austríaca lida com -- pois é! -- economia. A EA lida com temas positivos e não normativos.

    Se você quer escrever sobre esse assunto, recorra à filosofia libertária e não à EA.


    P.S.: o que quer dizer "homoerótico"? Aliás, o que quer dizer "homoafetivo"? E "homofobia"? Sim, porque, pelo étimo, "homo" significa 'mesmo'. Logo, homoerótico significa mesmo erotismo. Homoafetivo significa mesmo afeto. Homofobia significa mesma fobia. E homossexual, mesmo sexo.

    A primeira tarefa de um libertário deveria ser lutar contra a corrupção linguística criada pelo estado. Você, ao adotar tais neologismos sem sentido, está imediatamente chancelando as ignaras deturpações estatais do nosso vernáculo, algo a que nenhum libertário deveria se rebaixar. Pior ainda é ver a mídia adotar tais conceitos sem pé nem cabeça e nem sequer questioná-los.
  • Pedro  08/02/2013 13:01
    Leandro,
    voce agora foi direto no coração da questão, sempre brilhante como tenho percebido desde que descobri esse excelente site:

    "A primeira tarefa de um libertário deveria ser lutar contra a corrupção linguística criada pelo estado."

    Essa é uma das coisas mais importantes que se pode fazer em favor da liberdade: combater a corrupção linguistica.

    Ora, a forma de acumular conhecimentos e transmitir conhecimentos é através da linguagem, se as palavras são usadas ao sabor não só de metaforas, hiperboles e etc. PERCEPTÍVEIS, mas sobretudo ao sabor de novos significados que SEMPRE visam parasitar conceitos já cristalizados das palavras, usando-as então num caso com objetivo de transferir-lhe o conceito de outro, certamente que a acumulação e a transmissão de conhecimento será mortalmente ferida. Somado a isso temos ainda a fabricação de conceitos ou atribuição destes às palavras não por análise de seu significado, mas através da ostentação de caretas de repulsa ou de entonação explicita de anuência. Desta forma criando-se simpatia ou antipatia a uma palavra sem que seu significado seja percebido, ou seja, deforma-se o significado da palavra associando a ela uma expressão facial ou entonação verbal. Assim, muitas palavras deixam de ter significados precisos, podendo "significar" qualquer coisa, até mesmo antagônicas e assim dificultando a compreensão dos fatos. Por outro lado através de entonações, caretas e olhares cândidos, além dos eufemismos cretinos, pode-se corromper a linguagem que transmite fatos e idéias, fazendo-a transmitir apenas emoções de aprovação, reprovação ou resignação, como fazem os animais ditos irracionais por não possuirem linguagem complexa. Ou seja, sem uma linguagem complexa os animais conseguem apenas transmitir suas emoções e não argumentos, daí não desenvolvem raciocinios. Afinal, rosnados, urros, dentes arreganhados, rabos encolhidos e etc. não são meios capazes de transmitir idéias complexas ou fatos. Infelizmente o que se tem incentivado, através do Estado e os propagadores dos interesses deste através da propaganda ideológica (antes a igreja legitimando a realeza e atualmente a midia e seus midiaticos igualmente recebendo mimos do Poder estatal, oficiais e oficiosos, "plus ça change plus c'est la même chose"), é a animalização do homem, cada vez mais afeito a se entregar a percepções emocionais, preferindo a comunicação através de emoções para aprovar, reprovar ou resignar-se a algo, em detrimento do ater-se aos significados das palavras analisando os fatos e idéias para JULGAR e conceituar.

    Ora, a deturpação da linguagem como meio politico é percepção muitissimo antiga, até mesmo a bíblia já menciona tal questão. Afinal, onde ninguém consiga se entender dificilmente as pessoas conseguirão se unir em torno de uma questão. É logica a velha frase "DIVIDIR PARA DOMINAR/REINAR" ...Uma popluação emocionada que não consegue se entender, que não aprimora seus conhecimentos através de trocas esta condenada a jamais se unir contra o inimigo comum. É lógico que a deturpação e a "emocionalização" da linguagem é uma estratégia já de muito usada. A corrupção das palavras é já muito antiga. Atualmente a coisa alcança o absurdo, a aberração. Palavras com pseudo significados, onde mesmo no novo significado apropria-se do antigo conceito da palavra, a "dinâmica significativa" e a lambança linguistica como método de um PODER TOTALITÁRIO foi muito bem comentada por George Orwell. Infelizmente, mais uma vez, o circo e o pão dormido fornecidos em meio uma verborragia emocionada e deturpadora, têm surrupiado a atenção devida a este assunto. Com tanto circo e algumas migalhas de pão a massa não se interesa por "perder tempo" para tentar entender os fatos e as idéias, preferindo entregar-se ao "remelexo" e repetir aquilo que mais ouve imitando as expressões emocionais que parecem demonstrar superioridade técnica e sobretudo moral, em busca desta sensação oscilando entre o papagaio e o macaco ...substituindo o raciocínio pelo raciosimio ...rs
  • Fernando Chiocca  15/12/2011 14:45
    E porque um libertário iria apoiar uma intrusão dos poderes estatais onde ela não existe?

    É melhor você escrever algo contra a união hetero e não a favor da homo...

    O casamento gay, os libertários e as questões que ninguém se atreve a discutir
  • Tiago RC  16/12/2011 01:29
    Isso, vamos proibir todo mundo de se casar! Seremos todos mais livres!
  • Leandro  16/12/2011 02:22
    Infelizmente, a instituição do casamento, que era uma instituição tradicionalmente religiosa e não governamental, foi estatizada e quase ninguém percebeu isso. Antes, quem regulava o assunto era a Igreja. Hoje, é o estado. E quase todo mundo acha isso normal.


    Recomendo este pequeno artigo sobre o assunto.
  • Paulo Sergio  16/12/2011 03:34
    Exatamente por isso não faz sentido em falar CASAMENTO gay.
    Casamento é uma instituição religiosa, querer mandar no que as religiões consideram certo é uma arrogância absurda e uma violência contra a liberdade.

    Se o negócio é lutar por leis sobre coisas como herança, separação, etc, tb não faz sentido chamar de casamento, quem está errado é o governo de se meter nas instituições religiosas

    Sinceramente, muita gente aqui é meio cega pra certas coisas.Acham que só o que importa na vida é o dinheiro e o resto pode correr solto que não tem nada a ver.Essa é uma visão ingênua, a própria esquerda já notou que o mundo real não é assim, tanto que ela atua em vários fronts ao mesmo tempo.A lei da palmada por ex, vcs acham que não tem nada a ver com nada? Que não tem a ver com o enfraquecimento da familia que a esquerda já vem fazendo há décadas?



  • Paulo Sergio  16/12/2011 03:59
    Nessas horas sempre vem um gaiato falar: 'ah nao sei o que, ah a homofobia...'
    Como se a questão fosse essa!
    O corpo é teu, tu faz o que quiser com ele, não é isso que esse pessoal quer
    Eles querem que o GOVERNO tenha o poder de prender um pastor que, sei lá, se tiver dois gays se beijando dentro da igreja dele, o pastor botar eles pra fora.
    Eles querem que o GOVERNO pegue teu filho e bote na cabeça dele os valores que o governo acha certo, e não que os pais acham certo.

    E nessa geração i-phone de hoje, de homens mimados,enfraquecidos e afeminados, quem vai lutar contra? Ninguém.

  • Marcelo  16/12/2011 04:25
    Thomas Woods fala exatamente isso. O casamento esteve fora do âmbito estatal durante muito tempo. Depois que entrou, as pessoas acham que sempre foi assim e isso é o certo. Grande erro.
  • Francisco Seixas  14/02/2013 19:07
    Prezado Marcelo.

    Essa tendência das pessoas se prenderem a princípios pré-concebidos, sem questionamento, na base do - "sempre foi assim" - , relutantes em aceitar outra explicação para aquela "verdade estabelecida", é algo que o estado sempre soube explorar com maestria.

    Na Alegoria da Caverna, Platão aborda filosoficamente esse comportamento típico da humanidade. Essa tendência comportamental, no meu entender, é o que torna a sociedade passível de manipulação e, consequentemente, relutante em ascender na escala do conhecimento.

    Por isso é tão difícil a luta dos libertários contra as "verdades estatais".

    Abraço.
  • Daniel Monteiro  17/12/2011 17:39
    A Marinor Brito, senadora do PSOL pelo Estado do Pará, foi destituída do cargo para liberar a vaga para o então "ficha suja" Jader Barbalho do PMDB. A mesma que juntamente com a senadora Marta Suplicy advogam com unhas e dentes a união gay e a sua criminalização aos que descumprirem tal regulamentação, não adicionou em nada ao progresso economico em Brasília. Por outro lado, Jader surrupiou os cofres públicos em seu Estado e agora retorna a casa para fazer novos negócios. Mas eu pergunto: não é mais fácil debater o artigo relacionando o verdadeiro poder do governo em vez de união gay?
  • Arion  18/12/2011 09:07
    Não galera. Nós temos que ser realistas e pragmáticos nesses casos.

    Dinho, compreendo a tua iniciativa mas o Leandro disse bem: a Escola Austríaca está dentro da Ética Libertária e não ao contrário.

    Contudo eu acredito que devemos ter uma posição pragmática nisso. Já que o estado regulou as relações de união entre as pessoas penso que todas as uniões deveriam estar ao abrigo da mesma norma. Não deve uma norma ser dirigida apenas a um determinado grupo. Essa sempre foi a defesa dos libertários (no sentido de ter que lutar dentro do estado não de aceita-lo).

    Um bom exemplo é a diferenciação de impostos entre carros nacionais e importados. Porque é errado o governo discriminar pela origem (já não bastasse ser errado tributar em si). Outro exemplo são as drogas: enquanto têm algumas liberadas outras são proibidas com base em uma arbitrariedade de que o governo tem o direito e obrigação de regular nossa vida e fiscalizar o que fazemos com nosso próprio corpo.

    Nossa indignação deve ser dirigida para a criação de norma que discriminam uma coisa e permitem outra conforme atendam determinados grupos de interesse. Nunca sem perder de vista que o fato de fazer uma norma igual para casos iguais não muda o fato que não deve o governo intrometer-se e regular a vida particular das pessoas ou suas associações (igrejas, clubes, etc).
  • Paulo Sergio  18/12/2011 10:03
    'Já que o estado regulou as relações de união entre as pessoas penso que todas as uniões deveriam estar ao abrigo da mesma norma. Não deve uma norma ser dirigida apenas a um determinado grupo.'

    Vc ainda não entendeu que isso não tem nada a ver com 'relações de união entre as pessoas'.
  • Rafael Franca  08/02/2013 13:16
    Paulo, não é porque estatistas querem impor uma visão e comportamento, que devemos ser diametralmente opostos ao que dizem. A questão central é sobre direitos de herança, que não podem ser surrupiados por um estado glutão, que tenta abocanhar 40 a 50 % de uma herança, e deve ser destinada a quem o indivíduo escolheu, e no caso de não haver um testamento, destinada ao conjuge e filhos, em partes iguais. Se o conjuge é do mesmo sexo, isso é problema de cada um!
  • anônimo  09/02/2013 07:44
    'herança, e deve ser destinada a quem o indivíduo escolheu, e no caso de não haver um testamento, destinada ao conjuge e filhos, '

    Não é só isso não, eles querem dar mais poderes e usar o governo pra impôr certos conteúdos na televisão, na mídia e nas escolas
  • Neto  09/02/2013 12:29
    Se não tem testamento, como é que tu sabe que quem o defunto escolheria pra ser dono de 100% do que era dele seria o tal 'parceiro'?
    E ainda nesse caso, não seria mais fácil então, tirar cinco minutos e fazer um testamento? Do que passar anos lutando pra ter direitos 'garantidos' via governo, que não é fonte de direito nenhum?
  • Paulo Sergio  27/12/2011 09:14
    O que o movimento gayzista realmente quer:
    www1.folha.uol.com.br/poder/poderepolitica/jean_wyllys.shtml
  • R. Domini  08/02/2013 12:00
    Pode contar uma piada de gay antes que seja proibido pelo Estado?

    O cara foi fazer um exame de próstata, se deitou e colocou um 38 na mão do médico.
    - Pra quê isso, rapaz?
    - Doutor, é que se eu gostar do exame, pode apertar o gatilho.
  • Jurista Juridico  08/02/2013 12:36
    O caput do art. 226 da Constituição Federal confere à família, base da sociedade, especial proteção do Estado. O conceito de "família" deve ser compreendido em seu coloquial ou proverbial significado de núcleo doméstico, pouco importando se formal ou informalmente constituída, ou se integrada por casais heteroafetivos ou por pares homoafetivos.

    A Constituição Democrática de 1988, ao utilizar-se da expressão "família", não limita sua formação a casais heteroafetivos nem a formalidade cartorária, celebração civil ou liturgia religiosa. Trata-se de uma instituição privada que, voluntariamente constituída entre pessoas adultas, mantém com o Estado e a sociedade civil uma necessária relação tricotômica.

    No plano dos costumes, a Constituição Federal de 1988 caminha na direção do pluralismo como categoria sócio-político-cultural, e o Texto Magno deve ser mantido na posse do seu fundamental atributo da coerência, o que passa pela eliminação de preconceito quanto à orientação sexual das pessoas. Assim, o núcleo familiar é o principal locus institucional de concreção dos direitos fundamentais, e a isonomia entre casais heteroafetivos e pares homoafetivos somente ganha plenitude de sentido se desembocar no igual direito subjetivo à formação de uma autonomizada família com a devida tutela estatal de seus interesses.

    O concreto uso da sexualidade faz parte da autonomia da vontade das pessoas naturais. Além disso, o direito à preferência sexual é uma direta emanação do princípio da dignidade da pessoa humana, mais precisamente do direito à autoestima no mais elevado ponto da consciência do indivíduo. Trata-se do direito à busca da felicidade, que acarreta um salto normativo da proibição do preconceito para a proclamação do próprio direito à liberdade sexual.
  • Ali Baba  08/02/2013 13:25
    A união entre pessoas do mesmo sexo é um contrato, como o é de casamento entre pessoas de sexos diferentes. Como libertário, não faz sentido proibir tais contratos. Como libertário tampouco faz sentido pedir que o estado regule assim ou assado tais uniões. Moralmente, é uma questão de opinião: os católicos vão fazer o que o Papa acha certo; os evangélicos, o que o pastor acha certo; os ateus, o que sua própria consciência acha certo. No entanto, do ponto de vista filosófico libertário, as pessoas tem direito a seu próprio corpo e fazem dele o que quiserem; as uniões são contratos e podem ser celebrados livremente; se você não quer gays no seu estabelecimento, desde que de forma não agressiva, pode pedir para que se retirem e que não entrem em sua propriedade privada (e sofrer as consequencias que o eventual marketing negativo trará). Não tem muito mais o que discutir.
  • anônimo  08/02/2013 19:50
    Perfeito. O fato de o casamento ter sua origem (e boa parte de sua história, é claro) dentro de um contexto religioso, não legitima qualquer dependência obrigatória a ele. As igrejas têm todo o direito de condenar um casamento gay e de não realizá-lo, mas gays também têm todo o direito de criar/buscar instituições que o realizem, também chamando de "casamento" (ou alguém é dono das palavras?), também realizado por uma igreja, se for o caso e se essa igreja não for contra tais "contratos". O que deturpa a questão é a intromissão estatal, sendo que a querela deveria ser tão somente privada. Não deveria haver um estado a legitimar ou não qualquer união. Um estado não deveria poder "permitir" ou não um casamento gay, pois isso é da esfera privada. Gays, se quisessem, casar-se-iam da forma que bem entendessem, através do contrato que quisessem estabelecer, e de forma religiosa também, dentro de religiões sem restrições a isso (caso não as haja, poderiam ser criadas, por que não?). Da mesma forma, também não cabe ao estado dizer o que as igrejas que têm restrições a isso devem fazer... Tudo é bem mais simples do que parece. Por isso, sempre que me perguntam se sou a favor da legalização (estatal) do casamento gay, sempre respondo que não; tampouco sou a favor da legalização (estatal) do casamento hétero... Não legitimo um estado regulador dessas coisas. Quem legitima, depois tem que aguentar o jogo do "quem grita mais alto" e é quando os progressistas caem em contradição plena: cultuam o deus-estado e se dizem democráticos, mas não aceitam o "grito" mais forte da maioria mais conservadora.
  • anônimo  08/02/2013 13:34
    "A explicação padrão quanto ao porquê de o governo crescer é que, à medida que o tempo passo*, há mais trabalho para o governo realizar"; Faltou um 'u' em passo(u)
  • Pedro  08/02/2013 13:34
    Arion,
    perfeito seu raciocínio:

    "Já que o estado regulou as relações de união entre as pessoas penso que todas as uniões deveriam estar ao abrigo da mesma norma. Não deve uma norma ser dirigida apenas a um determinado grupo".

    A discriminação perante a lei é só mais uma prova do arbitrio estatal, da sua "nocividade" à harmonia entre a população. O Estado é essencialmente discricionário e desagregador. A manutenção do poder depende justamente de criar discórdia e assim fomentar a demanda pelo Poder do estado como árbitro. A própria simpatia, cada vez maior, do Estado e dos propagadores de sua ideologia totalitária pelos bandidos, pelos indivíduos que iniciam agressões contra inocentes, é a constatação disso. Ou seja, o Estado tem propagandeado (via o novo clero ou a midia mimada com privilégios oficiais e oficiosos) uma moral extremamente tolerante e paternal para com os bandidos e ao mesmo tempo lança uma fúria moral contra fumantes (eu não fumo ha muitos anos) e sobretudo contra motoristas. Vide a Lei Seca que preve até mesmo prisão para um pai de familia que bebeu duas latinhas de cerveja e esta dirigindo perfeitamente o seu carro. A lei ontra bêbados ao volante já existia, foi apenas "DRACONIZADA" com objetivo de criar mais uma indisposição moral contra individuos inofensivos.

    Fosse a inibição de mortes e acidentes de transito a motivação da draconiana e safada lei, muito mais se teria que melhorar a lei sobre acidentes, com os causadores sofrendo sanções e sendo responsabilizados pelos prejuizos que causam ...mas causar acidentes por imprudência não tem punição, somente em caso de sangue. Ora, que se fizesse um cadastro de motoristas regularmente envolvidos em pequenos acidentes que deveriam se cadastrados pelas partes e avaliados para sanções aos causadores.

    ...mas o PIOR É QUE ESTES TÃO ZELOSOS E DRACONIANOS CONTRA MOTORISTAS INOCENTES NÃO O SÃO CONTRA FACINORAS, BANDIDOS CULPADOS, QUE JÁ ASSALTARAM E MATARAM, SEQUESTRARAM, TORTURARAM ...ESTES SÃO AQUINHOADOS COM PENAS COMPARATIVAMENTE BRANDAS VASTAS REGALIAS, COMO REDUÇÕES A 1/6 DA PENA A QUE CONDENADOS, ALÉM DE GOZAREM DE INDULTOS PARA VISITAREM FAMILIARES E AMIGOS EM DATAS COMEMORATIVAS.

    - E A REALIDADE MOSTRA QUE NESTAS SAIDAS ELES VOLTAM A MATAR, ROUBAR, SEQUESTRAR, TORTURAR COM A OSTENSIVA COMPREENSÃO DAS AUTORIDADES E O OLHAR CARINHOSO DE CONSTERNADOS E RESIGNADOS POLÍTICOS E CORTESÃOS.

    Quando um policial mata um bandido e alega-se exagero, a gritaria é que este deve ser PUNIDO, mas quando é um bandido que mata um inocente, a gritaria é que deve ser recuperado para a sociedade. ...Perceba-se isso!
    Se um bandido entra em sua casa, rouba os frutos de seu trabalho, mata seu filho e num descuido dele voce lhe dá 2 ou 3 tiros, a lei será draconiana com voce, as autoridades dirão que voce incorreu em "excesso de defesa" e deve ser processado por dolo ...e se voce deu um tiro nas costas do facinora que estava fugindo depois de roubar e matar seu familiar, então voce será condenado, inapelavelmente condenado.
    Ah! o zeloso estado mistura o atropelador, ou o "mula", o estelionatário, o brigão com facinoras na mesma cela. Ou seja, acaba por levar um criminoso amador a se profissionalizar com os grandes mestres do crime, abtendo aulas com facínoras irrecuperáveis e altamente profissionais do banditismo.

    ...EIS O ESTADO!!!!!!!!!!
  • Tiago Moraes  08/02/2013 15:03
    Esse artigo cai como uma luva em um dos livros recentes que li; "Honoráveis Bandidos" do jornalista investigativo Palmério Dória, que narra as desventuras das mais de 5 décadas de história política dos Sarney's. Em uma passagem do livro, voltada à explicar o enorme poder de José Sarney, Dória menciona que o Congresso Nacional e seus 594 burocratas (513 Deputados e 81 Senadores) possuem uma folha de pagamentos com mais de 10.000 funcionários (concursados + comissionados) e explica que esse descalabro numérico se deve ao fato de que o poder que um Parlamentar tem para influenciar outros grupos políticos e se locupletar financeiramente, deriva de sua capacidade em nomear cargos e funções.
  • Cristiano  08/02/2013 17:25
    Sim, também. Mas não se esqueça. Os parlamentares não sào burocratas. A Burocracia são os funcionários publicos. Para os funcionários públicos, os políticos eleitos são só os palhaços da vez. Um quadro na parede que ele troca de 4 em 4 anos. Os burocratas sim, permanecem por toda a vida lá.
  • José Ricardo das Chagas Monteiro  08/02/2013 16:31
    Saudações, quando acabarmos com a estatização nacional, veremos surgir a estatização mundial, hoje, títeres dos burrocratas brasileiros, amanhã, do governo mundial.
    Duvido que há algo pronto, vamos trocar de frigideiras.
  • Bruno  08/02/2013 16:46
    O estado tem tanto a ver sobre casamento gay como comentar sobre isso aqui nesse artigo.

  • Marcus Benites  09/02/2013 13:44
    Um comentarista propôs a discussão e os demais a acolheram. Tudo voluntariamente. As escolhas voluntárias o incomodam?
  • Bruno  11/02/2013 19:02
    Parece que incomodou não a mim, mas a minha escolha sim, voluntária, parece não ter agradado.

    Até no meu comentário foi respondido, muito voluntariamente, a indagação que ele fez:

    Ele perguntou voluntariamente
    e eu respondi de forma voluntária.
    Nada mais recíproco poderia.

    O homossexual ativista quer que o meu direito de respeitar o direito natural não seja tão respeitado assim.

    Para tornar-me igual aos outros, já que me sinto diferente, tornamo-nos todos iguais voluntariamente ou não.

    Uma forma de igualitarismo não voluntário é claro.

    Tudo isso voluntariamente falando.
  • Neto  11/02/2013 21:24
    Mas o que o Bruno disse é verdade, o estado não devia ter a ver com casamento gay nem com casamento nenhum.
  • Marcus Benites  12/02/2013 00:09
    E os demais, voluntariamente, também quiseram se manifestar sobre o assunto. Por que questionar tais escolhas voluntárias? Somos responsáveis por nossos comentários e os demais pelos dos demais. Cada um tenha a opinião que quiser, mas pregar que "os demais comentaristas não deveriam falar sobre isso" é, digamos, não necessariamente defender a liberdade. Digamos que foi o assunto que "agradou" ao público consumidor e ele o consumiu, tudo voluntariamente. Att.
  • Joao Marcos T. Theodoro  12/02/2013 01:15
    A crítica a um abrupto desvio de assunto é tão aceitável quanto o desvio criticado. Poderíamos começar a trocar receitas de bolo nestes comentários, mas isso, naturalmente, seria absolutamente recriminável.

    Eu fui o único que achei graça do segundo comentário do Bruno? hehe Muito bom!
  • Bruno  08/02/2013 17:33
    Srs,
    por falar em questões estatais,

    Eu escutei em algum lugar que durante a revolução francesa por decreto fizeram com que o ouro tivesse o mesmo valor do que o ferro, claro que nivelaram por baixo.

    Onde é possível encontrar algum documento, livro, artigo, resenha... sobre esse tema?

    Att
  • R. Domini  08/02/2013 19:25
    Uma curiosidade:
    Qual fuso horário segue este site? Pois as respostas dos leitores são sempre diferentes do horário oficial de Brasília.
  • Leandro  08/02/2013 20:40
    Horário de Greenwich.
  • Ari Pereira  08/02/2013 21:02
    Olá Leandro, olá a todos,

    Que pena... Mais um texto totalmente congruente, analítico, fundamentado e muito esclarecedor para aqueles que não estão acostumados a informações deste calibre, como aliás, é o caso da grande e esmagadora maioria da população (mundial), reféns das políticas de "press releases" perpetradas pelo Mainstream.

    ...
    Dinho: nada contra seu ponto de vista, mas penso que de fato não é a Escola Austríaca que deva tratar dessas questões.
    ...

    Retomando o raciocínio: novamente, mais um excelente Post do Leandro e do ILVM-Brasil.
    Simplesmente, nada mais a declarar.

    Porém, o que mais me desapontou:

    - Porque um texto desse naipe descambou para a questão gay, casamento, homofobia, etc?

    - Porque permitiu-se degringolar uma linha de raciocínio objetiva e premente e descambou-se para a questão da união gay?

    - Como conseguimos transformar um Post com o título "Como funciona a burocracia estatal" em tantos comentários tratando de uniões hetero(ou homo, não importa)sexuais?

    - Porque o comentário do Leandro simplesmente não conseguiu calar na raiz o desvirtuamento da questão?

    - Será que em nosso íntimo já passamos a acreditar que como as questões relacionadas a bandidíssima economia baseada na falácia do BC são pouco prováveis de serem equacionadas, optamos por trilhar caminhos mais fáceis de melhor aceitação popular, ou mesmo de nossa própria consciência?

    - Será que a "raiz de todos problemas" já é tema menor e a "homo"fobia, a "homo"sexualidade e afins, devam passar a ter maior relevância?


    Alguns pensarão que mais um "homofóbico" está querendo colocar água fria nesta questão tão profunda socialmente.
    Acreditem não é o caso. Não tenho "mesmofobia".

    Apenas existe uma questão de urgência nos temas tratados por Mises.

    E essa urgência é o combate permanente a idéia institucionalizada de um Banco Central, que em meu entendimento, simplesmente "É" a raiz de todos os males...

    Duvidam disso? Abaixo a frase de um dos pioneiros "entusiastas" do sistema de reservas fracionárias:

    "SE ME PERMITIREM IMPRIMIR E CONTROLAR O DINHEIRO DE UMA NAÇÃO, EU NÃO ME IMPORTO COM QUEM ESCREVE, OU COM QUEM FAZ ÀS SUAS LEIS". Para os estudiosos deste universo, já sabem de quem se trata.

    Dessa forma, todo o mais é secundário.
    Assim penso que o seja.

    TODAS as questões legislativas de uma sociedade simplesmente estão em segundo plano, pois se a sociedade perder sua capacidade de gerir e administrar sua (eventual) riqueza tenderá a ser leviana em todas as outras questões do relacionamento social. TODOS optarão pela conveniência de apoiar qualquer legislação, conquanto que ela atenda seus interesses econômicos mais mesquinhos.

    Seja casamento, família, religião, educação ou qualquer outro tema "basilar" da sociedade, sem controle da gestão de sua economia e prosperidade, essa mesma sociedade estará refém das conveniências monetárias e vai "pensar com o bolso".
    Ponto.

    Já para você, leitor assíduo deste site e de outras fontes "out-of-box", sinceramente, nada deveria haver de novidade no tema central do Post. Fico até de certa forma bem perplexo quando vejo tantos leitores sentirem-se "lesados", revoltados mesmo, com esse tipo de informação. Até que esse Post teve pouco dessa surpresa. Aqui optou-se mais pela tangência.

    Pergunte-se: foi a primeira vez que soube disso?
    É a primeira vez que tem acesso a falácia do sitema BC vs moeda fiduciária vs burocracia?
    Não sabia que seu dinheiro não tem lastro algum perante o sistema?
    Que burocratas são a força motriz desse não-lastro?

    Se for seu caso, você de fato é A inocência pessoa e tem de ter o benefício e beneplácito da dúvida.
    Todos os outros, honestamente, pecam de Omissão Econômica Moral.
    Cunhei esse termo há algum tempo.

    Como já dizia o Rei Salomão nos idos de Judá, "... nada acontece de novo sob o sol", sábio Salomão
    Desde de a Batalha de Waterloo até a propalada Primavera Árabe, eu pessoalmente, não vi nada de novo.

    Apenas a repetição da mesma técnica, que em escala global, impregna nações e seus representantes sem a mínima noção de pensamento coletivo a impetrarem sistemas baseados em nada, atrelado a nada, que gera nada, do nada.

    Convenhamos: esses mágicos são de se aplaudir. De pé!

    Honestamente penso que muitos dos leitores do site já devem ter atinado para o fato de que os princípios basilares da Escola Austríaca não são apenas "mais um modelo acadêmico" de como se deve enxergar Economia. Seus fundamentos são O fundamento da Economia. Não há nada de inovador nas proposições de Mises, por um motivo simples: nada inova-se em Economia. Não gosto da Escola Austríaca por que ela abomina a criação de Reservas Fiduciárias. Mas como entendo, sei, aceito e abomino a criação de tal regime econômico, logo simpatizo com a Escola de Viena. Perdoem-me, mas julguei ser importante essa distinção.

    Mas sei que como poucos outros, esse pensamento é raro. Há toda uma sorte de "inovadores" pensadores que pelos motivos mais vis possíveis, maculam princípios econômicos estimulando, gerando, advogando e criando aberrações como moedas fiduciárias, Bancos Centrais e máquinas de impressão de dígitos.

    Se você ainda tem alguma dúvida do pragmatismo dessa declaração, sugiro que leia todos os artigos do site (são bons pois estão e português), mas com toda a certeza existe farto e gratuito material para sua leitura em toda a internet.

    Meu sentimento quando leio cada um dos posts do site é: até quando?

    - Até quando vamos ter que tolerar a atitude de quadrilhas expropriatórias da (pouca) riqueza alheia?
    - Até quando a população, por ignorar esses temas, será refém de sua própria ignorância?
    - Quantos ciclos econômicos (e suas sempre certas quebradeiras) serão necessários?
    - Até quando?

    Outro dia, li um artigo no site que incitava sempre que fosse possível, quando encontrássemos simpatizantes desses esdrúxulos pensamentos econômicos, questioná-los com indagações do tipo: "...Explique-me como a distribuição de papel na economia pode gerar riqueza". E outras mais.

    A ideia portanto seria desqualificar a argumentação do interlocutor com base em lógica irrefutável que claramente, por não haver respaldo, iria aos poucos desmontando o pensamento Keynesiano dominante.

    O problema é que o próprio artigo já desanima a estratégia.
    O interlocutor (no caso) simplesmente respaldou-se em uma sucessão de tecnicidades para esvaziar a questão.
    E é o que sempre fazem.

    Penso, que a estratégia da inquisição racional aos representantes da bandalheira já não surti efeito, se é que em algum momento surtiu. Assim, a alternativa (em minha visão) seria propalar as ideias de Viena para nossos círculos pessoais, para que aos poucos outros possam compreender os meandros da falácia sistêmica em que vivemos e criar uma massa crítica de mudanças.

    Sugiro portanto o Ativismo Econômico: atitude condizente com a premência do momento.

    Sugiro que TODOS os que leem (e claro concordem com) os artigos postulados no site, deveriam por inerente obrigação moral, encaminhar esse links para outras pessoas que minimamente se interessem por ter sua pseudo liberdade minimamente retomada.

    Do contrário, honestamente acho que a continuar como estão as coisas, nossa atitude será cada vez mais de revolta intima com cada fato novo que surge, ou no mínimo nos juntamos a massa alienada como reconforto da alma.

    Pois há também o predomínio daquela postura de intelectualidade vazia, que locupleta-se em ser sabedor dos "truques do mágico". Com o passar do tempo, geralmente esse tipo de intelectual deixa de desejar que os "truques" sejam revelados, pois se isso acontecer, sua única virtude (a arguta intelectualidade) passa a ser de compartilhamento comum.

    Será nosso caso? Será o seu caso?

    A atitude me parece ser bem simples:

    (A) selecione o link da matéria;
    (B) de um "copy";
    (C) vá ao seu programa de e-mail favorito;
    (D) Envie para alguns conhecidos.


    Com o passar do tempo, DE DENTRO PARA FORA - será criada a visão coletiva da bandalheira.

    Não esperem por vacilos por parte da corja. Quando ocorrem "erros" nos postulados deles, o que se gera são recessões profundas onde a última coisa que a multidão tresloucada estará preocupada é com critérios. Nessa hora é cada um por si. Deus por todos.

    Sugiro portanto o Ativismo Econômico em detrimento da locupletação intelectual.
    Salve essa bandeira, salve Pestalozzi.

    Em tempo: as questão basilares sobre o casamento gay não tem nada a ver com amor, união, família ou ética.
    Tem haver com herança, como aliás foi a preocupação quando da Lei do Celibato Sacerdotal.


    Abraços,

    Ari

  • Cesar Massimo  09/02/2013 22:13
    Essa estorinha de associar o celibato com herança da época do meu ginásio. A lógica é exatamente a inversa!
    Gostaria que usasse a EA ou qualquer outra escola para conectar falta de descendentes com aumento de riqueza.
  • Marcus Benites  09/02/2013 01:02
    Se tiverem estômago, leiam artigo publicado no UOL, mas que poderia, não fosse o uso da norma culta, estar perfeitamente no site do PSTU... Infelizmente, "tá tudo dominado" mesmo! O pior é que tanto articulista quanto um comentarista de baixo (com cara de professor de história aposentado) veem que a "revolução econômica" venezuelana (com inflação de 20% e desvalorização constante da moeda, durma-se com um barulho desses...) ainda não chegou ao "povo" de fato, pois a transição do capitalismo para a bobajada deles não se deu, ainda, totalmente, e porque, também, o "capital financeiro" boicota o sistema para que não dê certo... Ante a obviedade de um sistema socialista não enriquecer seu povo (ah, vá!), a culpa é do capitalismo... Minha tendência é achar que é só ignorância mesmo, mas tem horas que não dá pra não pensar em falta de caráter mesmo. O link: operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/26803/economia+venezuelana+cresceu+o+importante+agora+e+transforma-la.shtml
  • Sérgio  09/02/2013 08:01
    Acho que é na má intenção mesmo. Qualquer um que observar a realidade econômica da Venezuela, perceberá que a Venezuela está numa merda. Inflação de preços 30% ao ano, desabestecimento, apagões, o número de subnutridos e de pessoas vivendo em situação precárias e em áreas de risco só aumentou na Era Chavista, a produção industrial venezuelana caiu nestes 15 anos de Era Chavista, produção agrícola, nem preciso dizer que com a política de controle de preços, a produção de grãos só caiu, etc. Qualquer um que observa a situação econômica da Venezuela e o declínio da qualidade de vida de seu povo, percebe a fraude. Como acreditar nestes números? Como a Venezuela foi um dos países que mais cresceu nos últimos anos, se os indicadores econômicos (produção industrial, produção agrícola) mostram o contrário?
  • anônimo  09/02/2013 08:58
    UOL é lixo esquerdista até a alma.
  • anônimo  09/02/2013 13:41
    Para fazer a maquiagem o governo criou um grande programa de casas populares. A partir disso, o país saiu de 11% em extrema pobreza para 7%, já que é esse, pasme, o indicador da ONU (quantas pessoas moram na casa e se ela tem saneamento e se as crianças estão na escola). As crianças na escola obrigadas a rezar na cartilha do governo, "aprendendo" as bobagens todas que já sabemos, mais as casas geradas a partir do empobrecimento geral da população (é o que ocorre com a tal "distribuição de renda"), principalmente com a desvalorização da moeda, inflação de mais de 20% e um "crescimento econômico" falso de mais de 5%, afinal obtido exclusivamente por investimento estatal. E isso tudo fornecido por dados oficiais. A coisa, pois, deve ser bem pior... Lá o presidente é deus, domina a mídia e o sistema de ensino, domina o congresso, frauda eleições... E mesmo assim tomou quase 50% de votos contra no último pleito. Por que será? Curioso que já metade do país não esteja aguentando mais tanta "melhoria" econômica, não?
  • Bernardo F  09/02/2013 20:29
    Vejam este site:
    www.global21.com.br/noticias/2020011/1/falta-de-dolar-gera-forte-escassez-de-alimentos-e-produtos-na-venezuela-kejal-vyas
    Ele mostra realmente o que esta acontecendo na Venezuela.
  • Bruno  10/02/2013 20:13
    A melhor forma de pegar esses caras é pelo bolso, por exemplo o CFREA-RJ a qual eu sou coagido a ser filiado pois do contrário não poderia trabalhar, me cobra 350/ano para entre outras coisas homenagear um comunista, lutar pela equídade de generos (que coisa mais abstrata), crescimento sustentável (ué? O crescimento por si só já não denota sustentabilidade?) lutar por politicas públicas mais.. (ou seja mais burocracia mais impostos), e seu dever de casa que é regular a atividade ela não faz.

    Bem, aqui também devemos ter vários profissionais que por ano tem que pagar esse monstruosidade que de Conselho Regional não tem nada. É mais um órgão do establishment procurando aumentar mais sua esfera e seguir com a agenda globalista burocrática.

    Como podemos deixar de pagar esse órgão? Pois ele virou uma classe propagandista da ideologia atual.

  • Angelo Viacava  12/02/2013 02:04
    Pessimismo meu ou não há no mundo, hoje, sociedade que caminhe para um estado de não-governo?
  • Anonimo.  02/01/2016 21:56
    Seasteading.org
    É uma idéia maluca, cara, mas é o mais perto que tem no mundo de hoje do anarco capitalismo.
  • Francisco Seixas  18/02/2013 20:17
    Prezado Bruno,

    imensa satisfação eu tive ao ler seu comentário. Mais um "soldado" na luta.

    Sou engenheiro civil formado há 35 anos.

    Desde relativamente pouco tempo após formado eu tenho combatido a existência de aberrações fincadas no interesse do estado como o CREA, OAB, CRM, etc. mas infelizmente o que eu vejo é que o caminho cada vez mais aponta para o sentido oposto.

    Agora surgiu o CAU (CAOS seria melhor).


    Abraço.
  • Alex  18/02/2013 19:39
    Excelente texto, como sempre.

    Estou me graduando este ano em Economia e gostaria de alguma sugestão de assunto para o TCC, que aliás será apresentado em uma universidade cheia de burocratas, um verdadeiro inferno. Todos os dias sou obrigado a escutar um monte de baboseiras que, se não fosse por Mises e grandes outros nomes, estaria aceitando aquelas idéias absurdas como algo natural.

    Meus agradecimento a toda equipe do IBM.

    Atenciosamente,

  • Alex  18/02/2013 19:57
    Desculpe pelos erros*
  • Lucas S  16/04/2013 23:29
    Meu pai tem uma pequena empresa com 9 funcionários. Acreditem se quiser, mas ele precisa pagar um contador pra saber o quanto deve pagar para os imundos do estado. É, coisa é braba demais.
  • Emerson Luis  02/01/2016 17:37

    Lei de Parkinson, Lei de Murphy, Princípio de Peter...

    Quem disse que as leis não funcionam no Estado?

    * * *


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