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E se as escolas públicas fossem abolidas?

Em nossa cultura, as escolas públicas são louvadas em público e criticadas em particular, o que é exatamente o oposto de como tratamos as empresas de grande escala, como o Wal-Mart. Em público, todos dizem que o Wal-Mart é horrendo, cheio de produtos estrangeiros de qualidade inferior, e, principalmente, que ele explora seus empregados. Mas, em particular, todos nós compramos seus produtos baratos e de qualidade, e sempre há longas filas de pessoas que têm a esperança de serem contratadas.

Por que isso ocorre? Tem a ver com o fato de que as escolas públicas fazem parte da nossa religião cívica; são a evidência primária que as pessoas citam para mostrar como os governos municipal, estadual e federal estão sempre nos servindo. E há também um elemento psicológico: a maioria de nós entrega a elas alegremente os nossos filhos, certos que estamos de que o governo sempre tem em mente o melhor para os nossos interesses.

Mas será que isso realmente ocorre? Em seu livro Education: Free and Compulsory, Murray Rothbard explica que a verdadeira origem e propósito da educação pública não é bem a educação da maneira como a imaginamos: o propósito único é fazer a doutrinação de uma religião cívica, um consenso em torno da importância do estado. Isso explica por que a elite governamental sempre foi contrária ao homeschooling (ensino doméstico, por conta dos pais) e a um ensino privado que não siga as normas do Ministério da Educação: não é o temor de notas baixas nos exames educacionais que está guiando essa atitude, mas a preocupação de que essas crianças não estejam aprendendo os valores que o estado considera importante.

Mas criticar as escolas públicas não é o propósito desse artigo. Existem escolas públicas decentes, assim como existem escolas públicas horríveis. Portanto, não há razão para se fazer generalizações. Também não há necessidade de ficar mostrando dados sobre resultados de exames educacionais. Vamos apenas lidar com a economia envolvida na questão. Todos os estudos já mostraram que nos Estados Unidos o custo médio de um aluno de uma escola pública é o dobro daquele de um aluno de uma escola privada (aqui vai uma amostra).

Isso é contrário à nossa intuição, já que as pessoas crêem que as escolas públicas são gratuitas e que as escolas privadas são caras. Mas a partir do momento que você leva em consideração a origem do financiamento de ambas as instituições (impostos vs. mensalidades ou doações), verá que a alternativa privada é bem mais barata. De fato, as escolas públicas custam o mesmo tanto que as mais caras e finas escolas privadas do país. A diferença é que o custo das escolas públicas é disseminado por toda a população, ao passo que o custo das escolas privadas é coberto apenas pelas famílias dos estudantes que as freqüentam.

Ou seja: se pudéssemos abolir as escolas públicas e todas as leis educacionais compulsórias, e se pudéssemos substituí-las por uma educação fornecida pelo mercado, teríamos escolas melhores pela metade do preço, e seríamos mais livres também. Além disso, seriamos uma sociedade mais justa, já que apenas os usuários dos serviços de educação pagariam por seus custos.

Mas qual o problema com esse modelo? Bem, há o problema da transição. Existem óbvias e graves dificuldades políticas. Podemos dizer que a educação pública desfruta de uma vantagem política devido aos efeitos das externalidades de rede[*]. O status quo já está amontoado de um número significativo de "subscrições" a esse serviço, e é muito difícil alterar essa situação.

Mas vamos imaginar como seria. Digamos que uma determinada cidade decidiu que os custos da educação pública são muito caros em relação às escolas privadas, e a câmara municipal decidiu abolir as escolas públicas por completo. A primeira coisa que deve ser notada é que isso seria ilegal, já que cada estado requer que as localidades forneçam educação gratuita. Sendo assim, eu não tenho idéia do que aconteceria com aquela câmara municipal. Será que seus integrantes seriam presos? Quem sabe? Certamente eles seriam processados.

Mas digamos que, de alguma maneira, esse problema foi contornado graças a, digamos, uma emenda especial na constituição do estado, que isenta certas localidades caso a câmara municipal aprove o pedido. Aí então haverá o problema da legislação federal e da regulação. Estou puramente especulando, pois eu não conheço as leis relevantes, mas podemos supor que o Ministério da Educação ficaria ciente do ocorrido, e haveria algum tipo de histeria nacional. Mas digamos que miraculosamente consigamos também superar esse problema, e que o governo federal deixe essa localidade seguir adiante com seu plano.

Haverá dois estágios para a transição. No primeiro estágio, muitas coisas aparentemente ruins acontecerão. Por exemplo, o que ocorrerá com as instalações físicas dessas escolas públicas? Elas serão vendidas para os arrematadores que pagarem o preço mais alto, sejam eles proprietários de uma nova escola, empresários de qualquer ramo, ou meros agentes imobiliários. E quanto aos professores e funcionários? Todos dispensados. Já dá até pra imaginar a choradeira.

Com essas escolas públicas abolidas, as pessoas que tinham filhos nelas podem acabar se mudando para outra localidade. Os impostos sobre propriedade, que antes eram utilizados para financiar essas escolas públicas, seriam abolidos — assim, os imóveis localizados nos distritos escolares que eram considerados bons sofreriam uma desvalorização. Haveria reações furiosas em relação a isso. Alguns proprietários encararão essa queda nos preços como um roubo, pois há muito tempo se convenceram de que preços imobiliários altos e crescentes são um direito humano. Para os pais que resolverem permanecer nessa cidade, haverá o grande problema de o que fazer com as crianças durante o dia.

Com os impostos sobre propriedade abolidos, haverá dinheiro extra para pagar as mensalidades escolares. Mas o problema é que os ativos (imóveis) sofreram uma queda em seu valor de mercado, o que vem a ser um problema sério quando se considera os futuros gastos com as mensalidades. Também haverá, obviamente, uma histeria maciça em relação aos pobres, que irão descobrir que não têm qualquer outra opção escolar além do homeschooling.

Dito isso, tudo parece bem catastrófico, certo? De fato. Mas essa foi apenas a primeira etapa. Se de alguma forma conseguirmos chegar à fase dois, algo completamente diferente irá emergir. As atuais escolas privadas estarão lotadas e haverá uma demanda premente por novas escolas. Empresários em busca de lucros irão rapidamente inundar a área, fornecendo escolas que irão concorrer entre si. Além disso, é viável supor que igrejas e outras instituições cívicas também conseguirão arrecadar dinheiro suficiente para pagar pela educação dos mais pobres.

De início, as novas escolas seguirão o modelo das escolas públicas. As crianças ficarão lá de 8h às 16 ou 17h, e todas as matérias serão oferecidas. Mas após um certo período de tempo, novas alternativas surgirão. Haverá escolas fornecendo aulas durante a metade do dia. Haverá escolas grandes, médias e pequenas. Algumas terão 40 crianças por sala de aula, e outras terão quatro ou uma. Haverá uma expansão maciça de tutores particulares. Escolas sectárias de todos os tipos irão surgir. Pequenas escolas serão abertas para atender interesses localizados: ciências, literatura clássica, música, teatro, computadores, agricultura, etc. Surgirão escolas que permitirão apenas alunos do mesmo sexo. Se haverá ou não esportes na grade curricular de uma dada escola será algo deixado unicamente para o mercado decidir.

Ademais, o já surrado modelo de "ensino básico, fundamental e médio" não mais será o único. As turmas não serão necessariamente agrupadas somente por idade. Algumas terão por base a capacidade e o nível de avanço dos alunos. As mensalidades variarão de gratuitas até extremamente caras. O ponto principal é que o cliente estaria no comando.

Serviços de transporte surgiriam para substituir o antigo sistema de ônibus escolares. As pessoas poderiam ganhar dinheiro comprando vans e fornecendo transporte. Em todas as áreas relacionadas à educação, oportunidades de lucro iriam abundar.

Em resumo: o mercado para a educação iria operar da mesma maneira que qualquer outro mercado — como o de comestíveis, por exemplo. Onde houver uma demanda, e obviamente as pessoas demandam educação para seus filhos, haverá uma oferta. Existem grandes redes de supermercado, e existem empórios e quitandas. Existem mercearias e existem armazéns sempre dispostos a prestar seus serviços para toda essa rede. O mesmo ocorre com outros bens, e ocorreria o mesmo com a educação. Novamente, o consumidor é quem iria comandar. Ao fim e ao cabo, o que iria surgir não seria totalmente previsível — o mercado nunca é —, mas o que quer que acontecesse, seria de acordo com os desejos do público consumidor.

Após essa segunda fase, esta cidade emergiria como uma das mais desejáveis do país. As alternativas educacionais seriam ilimitadas. Ela seria a fonte de enormes progressos, e um modelo para a nação. Ela poderia fazer com que todo o país repensasse seu modelo educacional. E então aquelas pessoas que saíram de lá iriam regressar para desfrutar as melhores escolas do país pela metade do preço das escolas públicas, e aquelas que não têm filhos não teriam que pagar um centavo pela educação alheia. Pode algo ser mais atraente?

E então: qual cidade será a primeira a tentar essa alternativa e nos mostrar o caminho?

______________________________

[*] Na microeconomia, uma externalidade de rede ocorre quando a utilidade de um bem depende do número de pessoas que utilizam esse bem. Por exemplo, se apenas uma pessoa tiver um aparelho de fax, não valerá a pena que você também compre um aparelho de fax. Os modems funcionam da mesma forma: ele só tem utilidade se houver outro em algum lugar com o qual você possa se comunicar. Ou, ainda, quanto mais telefones houver, maior será a utilidade de cada telefone. E assim por diante. (N. do T.)

 

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autor

Lew Rockwell
é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.



  • André caniné  16/08/2012 15:51
    Artigo EXCEPCIONAL. Alguma chance de ser distribuído em escolas públicas?
  • Dalton C. Rocha  29/08/2017 17:31
    Veja como é uma escola pública americana, neste site: https://www.youtube.com/watch?v=lmlPR_rehp0&t=526s
  • Joao  05/05/2013 00:42
    O ponto-chave aqui (e numa discussão com um "não-iniciado") é:
    E os pobres?

    Pobres, por produzirem menos, precisam de mais horas de trabalho. Logo, menos tempo para a vida doméstica, incluindo aí educar seus filhos. Fora que a maioria não tem conhecimento pra isso.

    E dado que a "primeira geração" deles já foi irresponsável (constituindo família sem antes ter a capacidade de sustentá-la e prover atenção), como tratar esse caso?

    Instituições de caridade? Não sei. O Brasil nunca foi um país muito caridoso. Antes da educação pública aqui, a grande maioria era totalmente ignorante.

    De qualquer forma é um risco. Talvez as pessoas, com mais dinheiro disponível e cientes da situação dos pobres, (algumas delas) concordem em financiar voluntariamente projetos de educação gratuita. Esses projetos poderiam ser seletivos, mantendo somente os alunos com mais vontade de continuar estudando.

    Ou os pais poderiam fazer algum esquema de rodízio, cooperativa, para educar seus filhos.... queria saber as sugestões dos colegas.
  • mauricio barbosa  05/05/2013 14:04
    João entendo sua preocupação,mas sua indagação carece de lógica pois o individuo instruído não é só aquele que possui um diploma, muito pelo contrário se fosse assim semi-analfabeto nenhum seria empreendedor e na sua visão míope,os analfabetos e os semi-analfabeto estariam liquidados,mas a realidade não é essa,ou seja nós não precisamos do currículo do MEC,mas sim de um currículo básico,seria ler,escrever e tabuada e esse serviço no livre-mercado é acessível a qualquer família.Até mesmo nos dias atuais pagando um professor para aula de reforço não é tão caro assim,então imagina num livre-mercado seria mais acessível ainda e porque essa birra com criança trabalhar fora, hora os pais é quem deve medir essa necessidade e não a sociedade, muito menos esse fanfarrão do leviatã(estado)e só para concluir parafraseando Fernando Ulrich os taxistas de Buenos Aires são os mais letrados do mundo,a grande maioria tem diploma universitário e ai eu te pergunto adiantou tanto esforço para tal,portanto repense seus (pre)conceitos sobre ensino e educação e verás que as critícas do IMB são fundamentadas em fatos e não em pseudas idéias sem cabimento,enfim estude mais esse assunto relacione-se com as pessoas e tu verás que diploma universitário é artigo supérfluo no livre-mercado que por enquanto é um sonho de libertários de qualquer idade veja bem de qualquer idade,origem ou formação.
    OBS: Além do currículo básico você individuo escolheria o currículo necessário para alcançar o patamar de médico,engenheiro,economista ,filósofo e haveria empresas certificadoras para fiscalizar esse processo de ensino e o próprio mercado é o grande selecionador de quem é quem como acontece na atualidade imagina em um livre-mercado sem regulamentações e CLTs da vida.
  • Liberty  08/07/2014 03:52
    Eu talvez possa estar muito errado no que direi, mas de fato, ao meu ver o ensino básico poderia ser gratuito, mas particularmente acho o ensino médio uma perde de tempo em alguns casos, algo que poderia ser substituído por curso técnico. Pense, se o aluno pudesse produzir, ter uma parte de lucro e a outra service para pagar a mensalidade do seu curso técnico, ele não só estaria sustentando seu próprio estudo, como também lucrando e adquirindo experiência real para o mercado de trabalho. Exigem 11 anos do fundamental ao médio, mais 4 de faculdade ou técnico. Além dos impostos o gasto de tempo e energia são absurdos, e apesar do ensino ser público todos sabemos que temos gastos e não são poucos.
  • Lopes  05/05/2013 14:07
    Os pobres do RJ têm 11 anos e ainda nem sabem ler. O arranjo estatal é completamente desfuncional, produz resultados pífios e desperdiça quantidades absurdas de recursos que poderiam ser incomparavelmente melhor aproveitadas pela sociedade. Como um que participa financeiramente e fisicamente de organizações para benefício de crianças pobres, é interessantíssima a constatação de que seus integrantes são quase sempre mulheres de classe B+/A e religiosos, o primeiro por razões que dispensam explanações e o segundo por aglomerações, dado que paróquias sempre reuniram inúmeros indivíduos por causas humanitárias.

    E outra: A regulação estatal(Principalmente a de terreno), a inflação, a legislação trabalhista imposta pelo sempre humanitário sindicato dos professores e a pesada taxação são as principais contribuintes para que não ocorram escolas públicas de baixo preço.

    Em Gana, tal problema nunca surgira e há 4 escolas particulares em um bairro pobre de pescadores: www.youtube.com/watch?v=Q899toGT5DQ (Recomendá-lo-ei que ouça cuidadosamente à explicação do pescador que é perfeitamente aplicada àquela constatada por Mises ao estudar o impacto da ausência de mecânica do lucro)

    Perdoe-me, João, porém esse não é um fórum das respostas fáceis. Não me farei por esquecido e ignorarei completamente a ausência mecânicas dos preços, lucros e prejuízos e suas implicações praxeológicas à perpetuação da fraqueza dos serviços estatais; a sempre polêmica existência da burocracia de departamento das secretarias de educação(Que torna a demissão de funcionários um processo longo e árduo no qual poucos diretores públicos ousarão fazê-lo por mero esporte), além do desinteresse democrático público(Dado que o imediatismo democrata é legitimado pelo espetáculo, aquilo que ocorre em folhas de pagamento e no interior de estruturas escolares tenderá a ser pouco eleitoralmente atrativo, além do típico vitimismo dos próprios mestres que sempre depreciarão qualquer medida pública que se faça positiva em prol do contínuo apoio da classe intelectual brasileira) e da infame garantia permanente, que juntamente à burocracia dos departamentos educacionais, garante aos mestres a estabilidade profissional independente de seu desserviço à educação pública. A situação nacional é ainda mais dramática que a americana, onde ocorre há duas décadas um contínuo aumento do orçamento do setor escolar e o mesmo é traduzido em qualidade educacional constantemente declinante.

    Entretanto, João, não desperdice pensamentos a respeito; o estado, sucessor de Jesus e milagreiro da contemporaneidade, jamais deixará suas crianças abandonadas; seguirá a quebrar por entre todas as normas econômicas já estabelecidas e providenciará ao povo a tão almejada educação pública de qualidade, que trará, segundo toda a corja de típicos filósofos da nação, a criação de um país desenvolvido, do último estágio da evolução humana e enfim, o super-homem.
    Leia: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1078

    (É válido ressaltar que ainda dispensei explanações a respeito das implicações éticas de uma educação pública e da tomada do currículo como instrumento de doutrinação por parte do estado e do sindicato de professores.)

    Porém, João, como eu dissera anteriormente, o sonho de uma educação apenas privatizada permanecerá na mente de velhos burgueses como eu, que insistem em lucrar sobre a pobreza(?) e perpetuar minha dominação(?) sobre o proletariado. Permaneceremos aguardando religiosamente pelo dia em que o Messias estatal decidirá ignorar todos os princípios econômicos, as dificuldades burocráticas e legislativas, abraçará a luta de classes curricular e trará ao Brasil uma educação pública de qualidade, iniciando-se assim a nova era dos iluminados que caminharão entre os homens.

    "...e eles o tomarão por salvador, abaixar-se-ão perante sua causa popular e o aceitarão como arauto do novo homem; Paulo Freire, sucessor do carpinteiro da Galileia." - Chico Buarque, 13:2.
  • Paula Nikitin  08/07/2014 10:21
    caro João
    Os pobres com oportunidade e auxílios (hoje) parecem não fazer bom usufruto do que têm, aliás, o contrário... há vagas em EJA e a demanda cada vez é menor, a qualidade aumenta e o desinteresse também devido ao "não preciso disso" pois um filho a mais me resolve a situação (se me entende).... Chegamos ao Posto "C" do queijo onde a população vive na conformidade do caos e gosta dele, não aceita inovações que abalem sua zona de conforto, nenhum esforço é considerado pois cada um vive seu próprio mundo. Com ou sem escolas públicas, creio eu, pobres ou não, os ignorantes continuariam ignorantes.
  • Ali Baba  05/05/2013 11:54
    @Joao,

    É difícil pensar no "e se...?", como esse artigo. Mas pensar no segundo nível "e se..., e se ...?" aí fica impossível.

    Não tem uma fórmula pronta e ter um planejamento de algo assim pode precisamente evitar que soluções apareçam. O fato é que as próprias pessoas devem ser responsáveis pela própria educação (ou de seus filhos menores) e delegar isso para o estado é uma solução ineficiente (como todas as do estado) e perigosa.

    Tudo isso que você falou (rodízio de pais, cooperativa, caridade) pode acontecer para preencher essa lacuna. Ou pode acontecer alguma outra coisa ainda melhor que não temos a capacidade de prever. Se vamos brincar de achismo, eu também tenho alguns "eu acho" para contribuir:

    É provável que a educação seja paga pelos patrões. Ou por pura caridade (como já acontece hoje: quem nunca viu os estudos do filho da empregada sendo bancados pelo patrão?), ou por necessidade mercadológica (preciso que os torneiros mecânicos entendam de matemática, então vou oferecer cursos de matemática básica). Também é provável que alguns empregos ofereçam educação como benefício (assim como oferecem planos de saúde). Pode ser que associações de professores ofereçam educação para pessoas de baixa renda, financiadas por doações de grandes empresas. Pomposas escolas "de ricos" provavelmente oferecerão bolsas para pobres inteligentes.

    Agora, pode ser que algo ainda mais brilhante e estupendo surja espontaneamente do Livre Mercado que nenhum de nós, com nossa estreiteza de pensamento, consiga conceber de antemão. Isso também é um fato pró-Mercado: quando as condições se estabelecem, o Mercado invariavelmente acha uma solução estável. Isso é precisamente o que é inibido em um planejamento central: ele abafa a criatividade e evita que soluções inteligentes e economicamente estáveis apareçam.
  • Joao  05/05/2013 16:58
    Obrigado a todos. Desculpem por quase sempre eu perguntar algo do "como seria num mundo livre", mas é que cada nova ideia que eu conheço, sobre como funcionaria o mundo livre do Estado, é um incentivo a mais pra mim (e pra quem me ouvir) no estudo e divulgação do libertarianismo.


    Gostei e achei bem plausível a ideia da educação fornecida pelo patrão também!!

    Obrigado a todos.
  • Anônimo  05/05/2013 18:20
    Assistiu aos vídeos que o "Lopes" indicou?

    Eles mostram que uma educação privada de qualidade para todos é perfeitamente possível e já existe.

    Tudo que pode ser oferecido pelos capitalistas DEVE ser oferecido por eles.
    Tudo que pode ser feito por máquina à menor custo que com humanos DEVE ser feito pela máquina.
    Tudo que pode ser privatizado DEVE ser privatizado.
    Tudo que pode ter sua alíquota de impostos reduzida DEVE tê-la reduzida.
    Tudo que aumenta a burocracia e torna o mercado menos volátil DEVE ser abolido.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  24/06/2013 16:25
    Discordo do autor quando diz que "existem escolas públicas boas". Nenhum escola pública é boa.
  • anônimo  09/08/2013 18:45
    Dúvida: seguindo a lógica do texto, não há escolas privadas mais baratas nos EUA pois as escolas públicas "grátis" ocupam a demanda, certo? Se a demanda das escolas públicas se deslocassem para as escolas privadas, haveriam necessariamente mais escolas ou os preços das mesmas aumentariam?
  • joao  10/08/2013 00:35
    Eu tava pensando nisso, mas sobre as universidades brasileiras.

    E tem aquele fator de que a intervenção estatal desvia recursos escassos: docentes e pesquisadores, por exemplo. Um bom pesquisador não vai querer perder a estabilidade do cargo público a menos (e olhe lá) que ele ganhe MUITO mais que na universidade pública. Ou seja: o Estado literalmente toma recursos do setor privado de educação (docentes, pesquisadores), além de desestimular a concorrência no setor privado por manter a demanda (dos bons alunos por boas universidades) reduzida.

    Se a demanda aumentasse e os custos caíssem, o lucro aumentaria. Isso atrairia mais concorrentes no setor e as mensalidades cairiam, além da qualidade em geral aumentar.

    Hoje a única demanda "grande" por educação superior que não é absorvida pelas universidades públicas é a daqueles que não têm condições de estudar lá. O mercado então atende a essa demanda, oferecendo o tipo de ensino demandado por eles (os alunos): o pagou passou. A concorrência nesse nicho (de universidades para esse público específico) só conseguiu mesmo reduzir as mensalidades...mas a qualidade continua péssima.
  • Emerson Luis, um Psicologo  29/11/2013 18:49
    Toda melhoria que uma mudança liberal pode trazer esbarra em interesses particulares e em comodismos de pessoas que preferem que tudo continue como está, pois está bom (ou suportável) para elas.

    * * *
  • Típico Filósofo  25/06/2014 15:07
    '10% do PIB à educação confirmado em até 10 anos!'

    www.cidadeverde.com/dilma-aprova-hoje-plano-que-destina-10-do-pib-para-educaacaao-166274

    Se já não bastassem as adições de fundos sempre insuficientes aos sempre necessitados, combativos, grevistas e professores revolucionários; possuímos agora um prognóstico político deverás positivo à revolução: mais creches para a formação do revolucionário desde a infância, mais fundos para serviços sem quaisquer motivação para funcionar, que nunca funcionaram e que sob um prisma de sua incapacidade de serem afetados por sua própria incompetência na forma de prejuízos, são recompensados por tal incompetência através de um aumento de investimento em bases falidas; e finalmente, garantia de apoio revolucionário constante da classe estudantil à greves (omissão de nosso serviço à própria classe, ironicamente) e futuros, mais ambiciosas reformas democráticas.

    [b]Liberdade à pátria, venceremos!
  • Bruno Machado  08/07/2014 02:29
    Acho a ideia muito complicada de ser colocada em pratica, já que nunca foi posta em pratica em nenhum lugar do mundo. Esse tipo de inovação é interessante para países em situações muito melhores que a nossa. A utilização de vouchers não seria um substituto mais viável para a privatização do ensino por completo, podendo ser adotado progressivamente, talvez?
  • Liberty  08/07/2014 03:41
    Algo que sempre pensei para meu filho de 4 anos é o ensino privado em casa e para interação social coloca-lo em esportes com o tempo que lhe restaria. Obviamente o ensino em casa me da a liberdade de escolher um professor com métodos que vão de acordo com meu filho. Não farei isso no Brasil, seria caro demais, meu objetivo é me mudar para o Canada ou talvez Austrália onde tem certa demanda na minha área de atuação. Sou amplamente acusado de estar "fugindo" do meu país ao invés de tentar melhora-lo. Nunca me senti na obrigatoriedade de lutar por algo que já perdi o interesse, além do mais estou na faculdade e estou sentindo na pele a censura de muitos dos meus professores, não desejo essa falta de liberdade para meu filho.
  • Tiago  08/07/2014 14:21
    Achei o artigo inteligente, mas vi um problema na argumentação. O argumento é basicamente esse: Se tiramos o peso da arrecadação que vai para a escola pública, então haverá dinheiro suficiente para o cidadão pagar uma escola particular. É possível diminuir a arrecadação que vai para a educação, logo....
    O problema não é de validade, mas de um pressuposto fundamental do texto: que a escola particular é melhor que a pública. Isso não foi discutido, está implícito e acho que merecia uma discussão. O que torna uma escola melhor que outra é seu caráter privado ou público? Fui professor de 3 escolas particulares de BH e hoje sou professor de um colégio federal...cuja qualidade deixa no pé pelo menos 2 dos colégios anteriores. Vejamos as Universidades...as particulares, mesmo as mais caras delas, são melhores que as públicas? Assim, antes de discutir como privatizar a educação, eu preferia discutir como tornar a educação melhor.
  • Malthus  08/07/2014 17:44
    As universidades públicas têm melhor desempenho simplesmente porque seus alunos (majoritariamwnte de classe média alta) são oriundos das melhores escolas do país. Ou seja, a universidade pública se faz porque trabalha com matéria-prima de boa qualidade.

    Coloque analfabetos sem nenhuma cultura numa USP ou numa Unicamp e vejamos quão boas elas realmente serão.

    De resto, não há diferença entre educação privada e educação estatal. As duas estão sob total controle do Ministério da Educação, que é quem estabelece os currículos e é quem autoriza a abertura de novas universidades. A educação no Brasil já está estatizada há muito tempo. O que muda é apenas o provedor do serviço. Se ele é estatal ou privado, isso é o de menos. Quem comanda toda a educação no Brasil é o estado. Daí ser esta merda.

    Por fim, recomendo este artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=319
  • Lopes  08/07/2014 19:45
    Francamente, quando há produtividade declinante e academia perniciosa, independendo do quão 'high rankers' são as universidades de um país; elas já estão condenadas a fracassar miseravelmente em termos de sua contribuição ao desenvolvimento de tal nação.

    Aos que acompanham seu orçamento, devem estar cientes que apesar de fundos muito superiores comparados aos detidos na época de '90 pelas federais, os mesmos não são refletidos em aumento da produtividade da mão de obra (que tem de oferecer bens de capital que justifiquem tal qualificação, caso não, serão 5 anos formando estudantes para operarem enxadas, o que é um inútil desperdício) e nem mesmo em mais pluralismo político, simbolizando a linha de produção de massa de manobra que são as universidades; tornando ainda mais improvável a mudança do cenário no longo prazo.

    A realidade é que se não houverem bens de capital, universidades nada serão além de um belo desperdício de dinheiro quanto à produtividade da mão-de-obra; e sob um prisma mais positivo, um passaporte profissional para que os alimentandos da educação pública simplesmente (e inteligentemente) direcionem-se aonde os bens de capital realmente estão (caso não desaguem no sempre forte funcionalismo público).
  • anônimo  08/07/2014 21:09
    Pra um aluno ser bom não é questão apenas de ter uma boa escola, ele tem que ter disciplina e estudar em casa. Como diz o professor Pier, a aula é a parte menos importante da educação.
    Eu estudo engenharia numa universidade federal e aprendi muito mais cálculo no youtube do que com meus professores
    www.youtube.com/watch?v=ICuZbGpV2EY
  • anônimo  09/07/2014 13:25
    'O argumento é basicamente esse: Se tiramos o peso da arrecadação que vai para a escola pública, então haverá dinheiro suficiente para o cidadão pagar uma escola particular. É possível diminuir a arrecadação que vai para a educação, logo....'

    O problema não é a arrecadação das escolas públicas, o problema é TODO tipo de arrecadação.E é a pura verdade, num mundo sem o governo fazendo 'caridade' a educação seria a coisa mais barata do mundo, acessível pra todo mundo, como era antes do governo se meter.
  • Jonas  13/12/2014 18:16
    Não entendi o seguinte, como é que alguma escola privada iria oferecer mensalidade "gratuita"? Não existe caridade que atenda a toda a população pobre. Não entendo como os pobres teriam recursos para bancar as escolas privadas, ainda que fosse a mais barata delas.
  • Marra  13/12/2014 20:53
    Ué, a Khan Academy é totalmente gratuita. E de alcance universal. E há em português.

    https://pt.khanacademy.org

    Acho que você tá meio desatualizado do mundo. Mas ainda há tempo.
  • Carlos Eduardo  05/03/2015 19:32
    Desculpe, mas eu também não entendi. Por que exatamente uma escola ofereceria serviços gratuitos? A quantidade de pessoas que não podem desembolsar um valor mensal para pagar escola é bem grande em nosso país. Será que existiria vagas gratuitas em particulares para todas elas?
    Será que o governo não poderia repassar a administração de todas as escolas para a iniciativa privada e colaborar com aqueles que não tem condições pagando o valor correspondente (em forma de "bolsa", ou em forma de isenção de impostos, etc) diretamente para as escolas privadas?
  • anônimo  05/03/2015 20:47
    'Desculpe, mas eu também não entendi. Por que exatamente uma escola ofereceria serviços gratuitos? '
    Pergunte pro Salman Khan.
  • Carlos Eduardo  06/03/2015 12:09
    Pelo o que vi aqui, isso é só um site. E é uma ONG. Não é um bom exemplo. Não dá pra comparar a estrutura necessária pra se manter um site que funciona com materiais gravados (escalabilidade infinita) com uma estrutura física de uma escola.

    É muito bonito falar que com certeza iria funcionar, mas sem dizer como e sem dar exemplos reais. Gosto muito do liberalismo, estou me aprofundando cada vez mais no assunto, mas muitas vezes o discurso tem um teor utópico e me lembra muito o discurso comunista, onde as coisas serão belas e maravilhosas e funcionais e justas, só ninguém sabe como, ninguém nunca viu funcionar. Usam exemplos simplórios, específicos demais, regionais demais, pra fazer uma extrapolação pra um contexto global de um mundo utópico.

    Sou totalmente a favor da privatização de todo o sistema educacional. Do infantil ao superior. Mas não dá pra fazer isso e esperar que pessoas que não tem condições de pagar dependam de "bons corações", que irão, de alguma forma, de algum jeito, por algum motivo, fornecer pra elas a educação gratuita. Isso é ilusão. Pra mim que privatizem tudo, desde que seja garantido que os mais desfavorecidos tenham acesso a educação. E digo isso mais pelo bem e progresso do país do que por compaixão. Me parece óbvio que somente com o governo custeando essas crianças e jovens, diretamente através de mensalidades, é que poderia funcionar. E se fizessem isso, estaria de bom tamanho.



  • Antônio Costa   06/03/2015 12:24
    A Khan Academy -- maior e mais demandada plataforma educacional do mundo, e a preferida por pais que fazem homeschooling -- "não é um bom exemplo"?!

    De duas uma: ou você conhece coisa muito melhor (o que o torna invejável) ou você não faz a mais mínima idéia do que está falando.

    Aliás, o que seria "um bom exemplo"? As escolas certificadas pelo MEC?
  • Carlos Eduardo  06/03/2015 12:38
    Bahh, só ratificou o que acabei de dizer. Vai insistir nesse único exemplozinho?

    "The organization produces micro lectures in the form of YouTube videos."

    "The project is funded by donations."

    Sobre um "bom exemplo", se ficou extremamente difícil de você entender, eu explico. Seria simplesmente um exemplo de algum país ou região que faz o que acabei de falar: não possui escolas públicas mas mesmo assim não deixa de ter "ensino gratuito".

    Até nessa afetação de arrogância algum de vocês, liberais, são exatamente iguais aos comunistinhas.

    Cansei já. Até mais.
  • Gaúcho Macho  06/03/2015 13:23
    Ui, santa!

    O sujeito faz uma pergunta, ela é respondida, e aí ele bate pezinho e diz "Ai, cansei" (enquanto utiliza as mãos para abanar o rosto).

    Ele pediu um exemplo prático, o exemplo foi dado, e aí ele dá chilique. E o que é mais legal: segundo o indigitado, a mera citação de um exemplo prático, que existe no mundo, configura "afetação de arrogância", e torna alguém "igual aos comunistinhas".

    Sério, com uma "direita" assim, quem precisa de esquerda?
  • Gaúcho Normal  06/03/2015 13:55
    E tem a questão de que escolas para os mais pobres não precisam ter, necessariamente, custo zero. Eles podem muito bem ter mensalidades. Quem pretende oferecer um produto para as massas, quer que as massas consumam. Como os pobres terão acesso? A resposta para isso está, basicamente, em qualquer artigo de economia desse site.

    Se quiser algo mais específico, procure pelas obras de Pauline Dixon e James Tooley sobre o assunto.
  • Anônimo  06/03/2015 14:24
    Sincero: tivesse conhecido o Khan Academy e o Duolingo (ensina inúmeros idiomas gratuitamente e você tem a opção adicional de pagar por serviços extras caso esteja tendo muita dificuldade - ou seja, perfeito para todo tipo de classe) antes, as caixolas medievais, suadouros e templos de tormento e manipulação que as escolas tradicionais são pareceriam algo primitivo. Não só o Khan Academy estraçalha sua competição naquilo que tange à sua eficiência em ensinar (um dos propósitos da escola), como também o faz sem criar o lastro doloroso de tormento psicológico e pesadelo de Hemingway que a escola é a inúmeros alunos - em especial aqueles de escolas públicas.

    Não sinto falta do ar condicionado quebrado, da turma barulhenta, do professor desinteressado e carrancudo; do bullying, dos furtos, do vandalismo e das tentativas de doutrinação ideológica (que são um sucesso em escolas privadas, mas até nisto os professores das públicas parecem não nutrir interesse algum). Também não sinto falta das matérias ensinadas pela metade ou simplesmente ignoradas. A gente sofria muito por muito pouco.

    Não sei se fui eu que vivi algumas das piores experiências da vida enquanto estava sendo "educado", ou se a escola está ficando ultrapassada mesmo.
  • Gaúcho da Fronteira  06/03/2015 15:39
    Bah, tchê, teu comentário foste jocoso às pampas.
  • João Gabriel  06/03/2015 13:34
    Implantar ensino a distância gratuito no Brasil é uma das maiores utopias que uma pessoa poder ter em relação a educação ao Brasil.

    A maioria da população mal tem acesso a internet de qualidade. É uma idéia que começa falha por aí.
    Para que uma uma idéia como essa funcione, antes de tudo a população precisa ter valores culturais e infraestrutura compatíveis com tal realidade.

    Eu dei aula para o ensino superior privado.
    A maioria dos alunos que eu tive não conseguiam interpretar textos simples. Chegam ao ensino superior sem capacidade alguma.
    Não querem estudar, não querem melhorar. Estão no ensino superior por um único motivo, o mercado brasileiro julga que uma pessoa é mais competente que outra por ter um diploma na mão. Caso contrário nunca estariam numa faculdade.

    O brasileiro antes de tudo precisa desenvolver seus valores cívicos e morais. Se não houver pelo menos isso, não existe método no mundo que resolva a educação da nação.

    É utópico acreditar que semi-analfabetos vão ter a disciplina de sentarem em frente a um computador e estudar por livre e espontânea vontade.

    Enfim, se não for resolvida a decadência moral e cultural do país, nem adianta pensar em questões econômicas como uma salvação para a educação.

    Obs.: Hoje, 20% das aulas são permitidas a serem lecionadas a distância. Não melhorou em nada. Provavelmente piorou. A única diferença é que agora as instituições tem uma ótima maneira diminuir os gastos.
  • Kolko  06/03/2015 15:18
    Mera gemeção de professor que sabe que ficará sem emprego caso os pais não mais sejam obrigados pelo governo a colocar seus filhos em um ambiente tétrico no qual têm de assistir a uma apresentação maçante e quase que sem importância.

    "É utópico acreditar que semi-analfabetos vão ter a disciplina de sentarem em frente a um computador e estudar por livre e espontânea vontade."

    Quer coisa mais autoritária do que isso? O cidadão simplesmente decreta que, sem ele para ministrar rigores e disciplinas, as pessoas se afundarão na preguiça.

    Ora, mesmo que isso acontecesse, o problema é delas. A vida irá lhes ensinar as consequências disso. Não queira ser a palmatória do mundo.
  • Joao Gabriel  06/03/2015 17:36
    Primeiramente eu deixei claro que DEI aula. Não dou mais. Não preciso.

    Segundo, dei aula para uma instituição privada. A maioria dos alunos pagava para estar lá, e mesmo assim preferiam faltar as aulas.
    Se o modelo é engessado, o problema não é meu. Nenhum professor cria seus próprios modelos dentro de instituições privadas.

    Em terceiro lugar. Eu frequentei a PUC-Pr. Eu paguei para estudar e naturalmente nem tudo naquela universidade satisfez minhas necessidades.

    "Mera gemeção de professor que sabe que ficará sem emprego caso os pais não mais sejam obrigados pelo governo a colocar seus filhos em um ambiente tétrico no qual têm de assistir a uma apresentação maçante e quase que sem importância." Sério mesmo?
    Como disse antes, não preciso dar aula para viver, e coitado de quem precisa. Antes mesmo de dar aula já tinha outra fonte de renda.

    "Quer coisa mais autoritária do que isso? O cidadão simplesmente decreta que, sem ele para ministrar rigores e disciplinas, as pessoas se afundarão na preguiça." Só pode estar de brincadeira comigo né champs!!!
    E nem um momento eu disse que as pessoas são obrigadas ou estão em estado de dependência absoluta de um professor.
    O que eu afirmo aqui, com certeza e por experiência própria, é que a grande maioria da população deste país não tem capacidade e vontade para aprender por conta própria. E o motivo disso é bem simples, e volto a repetir aqui, a cultura do país é DECADENTE.

    O problema de algumas pessoas é achar que uma simples intervenção econômica vai melhorar tudo. Esquecem que o livre mercado pode ser usado para difundir idéias de esquerda também. A prova disso é George Soros.

    Lógico que privatizar é o ideal. Qualquer imbecil percebe que o estado não consegue administrar nada com eficácia. Mas privatizar é apenas parte de uma solução.
  • Felipe  06/03/2015 15:33
    "Não querem estudar, não querem melhorar."

    Você não enxerga o problema?

    O ensino é ineficiente por causa do formato dele, tudo engessado, mais de 12 matérias obrigatórias, a maioria com pouco sentido prático, não há quase ninguém que tenha alguma motivação para levar isso a sério.

    O problema não é cultural, e sim o formato das escolas que desmotivam qualquer um a estudar.

    Precisamos criar métodos que motivem as pessoas a estudarem, e apenas dando total liberdade aos pais e as escolas é que poderemos ter isso

    E a Khan Academy é um dos caminhos.
  • Anônimo  06/03/2015 16:03
    Estes semi-analfabetos, sob as palavras de mais um "defensor" deles, estão realmente aprendendo alguma coisa na escola pública? Seu nível é aterrorizantemente baixo e o de seus antecessores também; seja em modos sociais ou acadêmicos. O policial médio é cria deste sistema público, por exemplo; e ele é intolerável e asqueroso - quando não um cão de farda. E isto não é luxo daqui: nos EUA, em que se gasta fortunas por aluno, acontece o mesmo. Por toda a América Latina, parece até tradição. O problema é simples de entender: não adianta jogar dinheiro ao setor de educação se ele não possui algum motivo para funcionar; se uma uma empresa não consegue satisfazer seus consumidores minimamente, vai à falência - no setor público, ela recebe mais dinheiro até funcionar. A incompetência não somente não é punida, como um pode dizer que é remunerada.

    Gastos por aluno: static2.businessinsider.com/image/4f0b5867eab8ea4c24000033/spending-per-pupil-by-country.jpg

    E o pior de tudo é que conseguir um cara com mínimo interesse para falar e ouvir estudantes não é nem tão difícil quanto prover vários outros serviços públicos como saúde; e nem isso os brasileiros conseguem. E o grande educado daqui, de fundamental e colegial públicos mais universidade privada; ou tem habilidades anacrônicas ao mercado de trabalho e serve só para alimentar o Brain Drain - ou é só mais um comunista que vota pelas exatas ideias que destroem o país.

    O pessoal fala tanto em educação ser a solução para tudo. Se for educação como a que gera os melhores educados do Brasil (incluindo a aristocracia política que já governa o país), este país vira um campo de extermínio em 10 anos.
  • Joao Gabriel  06/03/2015 17:55
    "O ensino é ineficiente por causa do formato dele, tudo engessado, mais de 12 matérias obrigatórias, a maioria com pouco sentido prático, não há quase ninguém que tenha alguma motivação para levar isso a sério.
    O problema não é cultural, e sim o formato das escolas que desmotivam qualquer um a estudar."

    Meu amigo, você acha que nos EUA, Japão e Alemanha a grade de matérias das escolas é como?
    Concordo se você me disser que eles são mais flexíveis que nós. Mas é impossível não fixar algumas matérias básicas quando se leciona para massas. Alguma coisa vai ser engessada/padronizada.

    Eu pessoalmente acho errado o governo determinar a grade curricular das escolas, esse é um canal perfeito para inserir ideologias nas instituições de ensino.
    Acredito que cada instituição deveria ser livre para oferecer o que acha ser mais adequado, enquanto que os pais e alunos deveriam decidir o que é melhor para eles. Mas vir aqui e dizer que o fracasso das pessoas é culpa exclusivamente da grade curricular é afirmar que as pessoas são incapazes de ultrapassar esses obstáculos para alcançar seus objetivos. Aí esse discurso já começa a tender para a ideologia dos camaradas vermelhos.

    As pessoas não se superam por motivações. Elas se superam para ultrapassar barreiras.
  • Felipe  06/03/2015 19:15
    "Meu amigo, você acha que nos EUA, Japão e Alemanha a grade de matérias das escolas é como?"

    Mas EUA também tem sérios problemas educacionais, muitos alunos desinteressados e analfabetismo funcional (talvez menos que a gente por que a língua deles são mais fáceis).

    Já o Japão não podemos comparar por conta da sua forte disciplina, e a Alemanha eu desconheço.

    "Acredito que cada instituição deveria ser livre para oferecer o que acha ser mais adequado, enquanto que os pais e alunos deveriam decidir o que é melhor para eles."

    Você deu umas voltas, mas no final parece que chegamos a conclusões próximas, é exatamente o que eu quero, quanto mais liberdade para os pais e as escola melhor.

    Já pensou uma vez como seria interessante você colocar seu filho, ao invés do ensino fundamental, colocar numa escola voltada apenas para o "português e inglês" (com cursos de nível básico ao avançado), e numa escola voltado para "ensinamentos algébricos".

    E quando adolescente, colocar seu filho onde ele mais se identifica como uma escola voltada para "programação", uma escola voltada para "matemática avançada e aplicações práticas" ou voltada para o "estudo da história humana".

    " Mas vir aqui e dizer que o fracasso das pessoas é culpa exclusivamente da grade curricular é afirmar que as pessoas são incapazes de ultrapassar esses obstáculos para alcançar seus objetivos.

    Não é isso, mas a falta de motivação implica e muito no péssimo desempenho dos alunos. A escola de hoje parece mais uma prisão para os jovens, não inspira nada, os alunos veem os estudos apenas como uma obrigação ou um castigo.
  • anônimo  08/03/2015 04:57
    Esqueçam essa besteira de grade engessada.A maioria das particulares é ruim porque os alunos são ruins, simples assim.Pagou, passou.Isso se chama fábrica de diplomas.
  • Leandro Gomes  21/02/2015 01:16
    É engraçado, eu e minha família somos (estamos ) pobres, mas minha mãe trabalhando duro e sem a presença do meu pai conseguiu arcar com os custos de um colégio particular. Assim como minha mãe milhares de famílias em situações menos confortáveis conseguem pagar instituições privadas de ensino com a ideia de que lá, seus filhos teriam um melhor desenvolvimento intelectual.

    Só que... Esses pais assim como minha mãe pagou. Pagam praticamente duas mensalidades ( Considerando apenas um filho(a) ) A da escola privada e da escola pública. Mesmo não utilizando seus serviços.

    Acredito que medidas tomadas do dia para a noite mais prejudicam que ajudam. Acredito que tudo é uma questão de fazer com que as pessoas se acostumem aos novos padrões.
    Um exemplo que acredito ser ideal, seria o Estado desonerar aqueles que pagam entidades privadas de ensino. Já que eu não uso, não teria o pq pagar.
    Mas manteria a opção pública durante um certo período talvez 10 anos. Indo diminuindo paulatinamente seus investimentos nessa área até chegar a ZERO!

    Isso daria tempo para que as pessoas se acostumassem. Talvez ao ver o filho do vizinho estudando em um colégio particular essa pessoa veria que com a ausência de impostos a ser pagos, tenderia a conseguir arcar com esse investimento e até sobrar uma certa quantia.

    EM relação a alunos que apresentam ótimo desempenho mas não possuem condições financeiras, estes já possuem inúmeras instituições que dão bolsas integrais a eles.
    Estes inclusive servem de propaganda da qualidade de ensino da instituição.
  • Giovanni  06/03/2015 16:12
    Artigo fudido, ótimo.
    O melhor que li aqui referente a educação.
    Sou surrado em conversas quando digo que todo ensino deve ser privado.

    Não tem como o governo oferecer educação boa.
    Veja o PT criou o ideb e vao mal no próprio indicador criado, vergonha.

    Nas escolas necessitam de um raio privatizador
  • Marco Martins  09/08/2015 18:13

    Como exemplo de uma área livre aqui no Brasil é a de Analista de Sistemas que felizmente não possui regulamentação ainda. O próprio mercado tratou de criar as certificação 'selos de qualidade' onde e exigência não é obrigatória, posso contratar para minha empresa um profissional de banco dados altamente qualificado (com certificação) para um projeto ultra complexo ou posso contratar um profissional mediano para coisas simples. Em falar em pobres, também existem institutos como o IOS (Instituto da Oportunidade Social) que oferecem ensino gratuito patrocinado por empresas que necessitam da mão de obra 'especializada' desses futuros profissionais. Na minha opinião se tivéssemos regulamentação do governo nessa área nada disso seria viável. Teríamos sim, uma grande reserva de mercado, com profissionais improdutivos e caros, consequentemente todos os projetos seriam bem mais caros.

    Eu gostaria de ter exemplos no ensino fundamental, portanto, alguém conhece algum pais que possui politicas de ensino libertarias? Ou que esteja indo para esse caminho?
  • RichardD  22/09/2015 11:26
    Muitos bons artigos seguidos
  • Will  17/08/2016 15:16
    acho que deviam abolir todas escolas publicas e transformar em escolas privadas pois o governo gasta bilhoes com elas e produzem um monte de delinquentes...so fazer uma pesquisa sobre os presidiarios e vão ver que 99% saem de escolas publicas...
  • Ignacio  12/09/2017 22:13
    Gostei do ponto do artigo. Acho muito interessante e bem lógica a linha de sucessão de fatores. Mas pareceu-me um pouco ignorar os erros de percurso que estão no meio desse caminho proposto, tendo em vista a natureza humana e a própria praxeologia diante de problemas culturais como marxismo, gramscianismo e a guerra cultural instaurada (vejo que os comentários são bem antigos aqui). Seria interessante ver na perspectiva libertária como isso poderia causar um caos "social", com revolução, morticínio etc...porque pra mim isso é ainda uma variável plenamente possível.
    Minha crítica se coloca, no entanto, na estratégia da exposição desse novo horizonte, a de abordar economicamente o problema e não historicamente, o que pra mim faz mais sentido, quero dizer a respeito de "como surgiu o serviço de educação estatal", "como a escola educa uma criança na escola, impondo orientação de gênero etc".
  • juca  25/04/2018 22:04
    "Ou seja: se pudéssemos abolir as escolas públicas e todas as leis educacionais compulsórias, e se pudéssemos substituí-las por uma educação fornecida pelo mercado, teríamos escolas melhores pela metade do preço, e seríamos mais livres também. " Exemplo por favor. Já estou de saco cheio desse liberalismo dedutivo de vocês. Não são muito diferentes daquilo que chamam de "esquerdistas". Enquanto o insano rebento do Tarso defende um socialismo que nunca foi aplicado em lugar algum do mundo, também vocês defendem um liberalismo utópico. Seus amados EUA quase foram à bancarrota em 1929 ao aplicarem quase tudo o que este site preconiza. Mesmo as grandes universidades particulares em países ricos gozam de fartos recebimentos de verbas públicas.
  • Kfouri  25/04/2018 22:22
    "Seus amados EUA quase foram à bancarrota em 1929 ao aplicarem quase tudo o que este site preconiza."

    Tadinho, esse ignaro chegou agora, coitado. E, pelo nível, acabou de sair de uma aula da oitava série. Vou lhe presentear (gratuitamente!) com a real educação de mercado:

    Sobre a crise de 1929 e a Grande Depressão - esclarecendo causa e consequência

    Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª Parte)

    A Grande Depressão - uma análise das causas e consequências

    1920 - a última depressão na qual um governo não se intrometeu foi também a mais rápida

    O New Deal ridicularizado (novamente)


    "Exemplo por favor [sic]"

    De educação de qualidade fornecida pelo mercado?

    Já ouviu falar em Khan Academy? Cousera? Todas iniciativas privadas (e gratuitas!), que ensinam melhor que todas as escolas públicas brasileiras juntas.

    Agora, se você quer ser produto da educação controlada pelo estado (como claramente você é, vide seu baixo nível e sua predileção por recorrer a chavões e lugares-comuns surradíssimos), fique à vontade. No máximo, conseguirá algum emprego como flanelinha.
  • Bernardo  25/04/2018 22:29
    Ei, pega leva com o Salmonella (com excesso de mortadela). Inclusive recomendo este artigo, que expande o artigo acima e o torna muito mais completo e atualizado:

    E se as escolas públicas fossem abolidas e as particulares não mais tivessem de seguir o MEC?
  • Mirian Otto Algarve  04/10/2018 21:57
    Gostei muito desse artigo e não gosto da ideia da escola pública. Não vejo elas cumprindo o seu papel essencial. Também sou contra a existência do MEC. Os Estados Unidos tinham uma educação de excelência até a criação de um ministério para regular a educação. Após a criação desse ministério a educação dos EUA andou para trás. Vejo o MEC como um empecilho para o aprimoramento da educação.
    No caso específico do Brasil para nós podermos abolir as escolas públicas vejo que deveria vir de cima. A União deveria proibir as escolas públicas. Para suprir a necessidade dessas escolas públicas o governo poderia dar voucher para os alunos das escolas públicas estudarem na rede privada. O governo também deveria isentar de tributação as instituições filantrópicas que estejam fornecendo ensino gratuito para as crianças carentes. E dar mais apoio ao homeschooling (ensino doméstico) através de bibliotecas públicas com laboratórios para esses pais adeptos da educação doméstica utilizarem.
    No início será meio difícil esta aceitação pelas pessoas, mas com o tempo acredito que a sociedade irá conseguir ver que é melhor o Estado não se meter na educação.
    Vejo que o brasileiro foi doutrinado desde pequeno a pensar que precisamos do governo para tudo, inclusive para a educação de nossos filhos. Mas na verdade quanto menos Estado mais vantajoso é a vida da sociedade.


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