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O último plano tem alguma chance de salvar o euro?

Na quinta-feira da semana passada, dia 27 de outubro, os líderes europeus se reuniram para chegar a um acordo: os bancos da zona do euro aceitariam uma redução contábil de 50% no valor de face dos títulos da dívida da Grécia que estão em suas carteiras.  Os líderes também apresentaram um plano para obrigar os bancos a elevarem seu capital para se protegerem de potenciais calotes de outros países do euro.

Até 30 de junho de 2012, os bancos deverão apresentar requerimentos de capital de 9%.  [Requerimentos de capital são a proporção que os bancos devem manter entre seu patrimônio líquido (ativos menos passivo) e seus ativos de risco (empréstimos e títulos).  No caso específico do euro, o patrimônio líquido (ativos menos passivo) dos bancos deve ser 9% do valor de seus ativos de risco.]

Com isso, estima-se que os bancos precisarão obter 106 bilhões de euros para elevar seu capital desta forma.

As autoridades políticas da zona do euro também concordaram em expandir o fundo emergencial de resgate de $610 bilhões para $1,4 trilhão — sugerindo desta forma que podem garantir aproximadamente $1,4 trilhão em títulos emitidos por países como Espanha e Itália.  Mas seria possível este novo plano estabelecer uma plataforma para um crescimento econômico sustentável na zona do euro?

O que é realmente necessário para se estabelecer um ambiente que permita um crescimento econômico sustentável é o aumento da acumulação de capital de toda a economia, e não apenas a elevação dos requerimentos de capital do setor bancário.  E o principal fator para a elevação da acumulação de capital na economia é um aumento da poupança real dos indivíduos.  É a poupança que permite a acumulação de capital e os investimentos que dela decorrem.

Embora não seja possível quantificar o nível exato da poupança necessária, é perfeitamente possível determinar os fatores que solapam sua acumulação.  No caso da zona do euro, um importante fator por trás da atual crise econômica é a política monetária adotada pela região, tanto no passado quanto no presente.

Por exemplo, após estabilizar-se em 7% em julho de 2007, a taxa anual de crescimento do balancete do Banco Central Europeu (se o balancete cresce é porque o banco central está imprimindo dinheiro para comprar títulos) pulou para 53% já em janeiro de 2009.  Em resposta a essa taxa de crescimento anual, a AMS [Austrian Money Supply — Oferta Monetária Austríaca, um mensurador criado pelo próprio Shostak] subiu de 0,3% em julho de 2008 para 15,8% já em agosto de 2009.  Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu reduziu a taxa básica de juros de 4,25% em setembro de 2008 para 1% em maio de 2009.  Ela foi mantida em 1% até março de 2011.

À esquerda, o gráfico da taxa anual de crescimento do balancete do BCE.  À direita, a taxa anual de crescimento da Oferta Monetária Austríaca da zona do euro.

Figure1.png

Essa política monetária frouxa contribuiu amplamente para fazer com que a poupança real da região fosse desviada para empreendimentos insustentáveis e neles desperdiçada.  E isso em um ambiente já distorcido por políticas temerárias já anteriormente aplicadas.  Em vez de ser aplicada na geração de riqueza real, o que geraria uma elevação da acumulação de capital, a poupança real foi desperdiçada no financiamento de várias bolhas, as quais surgiram exatamente em decorrência da política monetária frouxa.

Enormes gastos governamentais e o subsequente aumento da dívida em porcentagem do PIB são outro fator por trás dos estragos infligidos ao conjunto da poupança real — o que, por sua vez, debilitou o processo de formação de capital.  Assim, na Alemanha, a dívida do governo em porcentagem do PIB saiu de 74% em 2209 e foi para 83% em 2010.  Na França, a porcentagem era de 79% em 2009 e foi para 82% em 2010.  E em países como Grécia e Itália, a porcentagem flutua em níveis mais altos.  Na Grécia, a dívida em relação ao PIB era de 130% em 2009 e foi para 160% em 2011.  Na Itália, foi de 116% para 120%.

Figure2.png

Enquanto isso, o BCE relatou, no dia 6 de outubro, que os bancos da zona do euro haviam enrijecido sobremaneira seus padrões de concessão de crédito no terceiro trimestre.  Dezesseis por cento dos bancos haviam dito ter enrijecido suas condições de empréstimo, sendo que no segundo trimestre apenas 2% afirmavam isso.

Ademais, de acordo com uma pesquisa da Bloomberg, bancos de toda a zona do euro anunciaram que irão cortar mais de 775 bilhões de euros de seus balancetes nos próximos dois anos com o intuito de atingir os 9% de requerimento de capital [eles podem fazer isso vendendo alguns ativos de risco ou reduzindo seus empréstimos, por exemplo].  Alguns especialistas afirmam que essa desalavancagem do setor bancário poderia chegar a 5 trilhões de euros nos próximos três a cinco anos.

As autoridades políticas e a maioria dos economistas convencionais preferem, no entanto, que a recapitalização dos bancos ocorra sem que haja um processo de desalavancagem, pois consideram que tal processo é ruim para a economia.

Por que o pensamento convencional se opõe à desalavancagem

A ideia convencional sobre o porquê de a desalavancagem ser ruim para a economia pode ser entendida por meio do exemplo a seguir.

Imagine uma empresa X, que possui um patrimônio líquido de $200.  A empresa então pega um empréstimo de $800 e compra um ativo que vale $1.000.  Neste exemplo, podemos dizer que a empresa X possui uma alavancagem de 5.  Em outras palavras, o patrimônio líquido de $200 representa 1/5 do ativo de valor $1.000.  Se o valor desse ativo cair 10% — isto é, cair para $900 —, considerando-se a dívida de $800, o patrimônio líquido da empresa cairá para $100 [ativo de $900 menos passivo de $800].

Isso significa que o patrimônio líquido caiu para 1/9 do ativo que agora vale $900, elevando desta forma a alavancagem de 5 para 9 e tornando a empresa X menos solvente. 

Vamos agora supor que a empresa X decidiu se desalavancar, reduzindo sua alavancagem de volta para 5 (ao fazer isso, a empresa se torna mais solvente).  Para atingir esse objetivo, a empresa X vende ativos por $400 e reduz sua dívida para $400.  Consequentemente, a empresa X terá agora $500 em ativo, $400 em passivo e $100 em patrimônio líquido: a alavancagem agora voltou a ser 5.  No entanto, se várias empresas tentarem simultaneamente reduzir sua alavancagem, há um risco de o valor de todos os ativos despencarem — afinal, quando todo mundo quer vender, os preços tendem a cair. 

Se, por exemplo, o valor dos ativos da empresa X cair 10% — de $500 para $450 —, então, considerando-se a sua dívida de $400, seu patrimônio líquido cairá para $50, o que significa que sua alavancagem voltou para 9. [450 é 9 vezes maior que 50].

Disso podemos concluir que uma pressão sobre os bancos da zona do euro para que eles elevem seu capital poderia forçá-los a reduzir seus ativos.  No entanto, ao reduzirem seus empréstimos — que é o equivalente a reduzir seus ativos —, os bancos estariam forçando vários tomadores de empréstimos a vender seus ativos para assim poderem quitar seus empréstimos e não ficarem insolventes.  Consequentemente, isso desencadearia uma deflação nos preços de ativos.  E isso, por conseguinte, reduziria o valor dos colaterais (dados como garantia pelos tomadores de empréstimos) em posse dos bancos, o que faria com que os bancos tivessem de reduzir ainda mais seus empréstimos, o que geraria um contínuo ciclo deflacionário.

Disso se conclui que, se todas as instituições financeiras fizerem o mesmo (tentarem alterar seus balancetes), elas poderiam derrubar os preços dos ativos, algo que, para um dado nível de endividamento, irá reduzir seu patrimônio líquido e aumentar sua alavancagem, fazendo com que os bancos fiquem menos solventes.  Este é o paradoxo da desalavancagem.  Se esse processo não for interrompido a tempo, ele pode levar a uma contração da liquidez e causar sérios prejuízos à economia real — ou, pelo menos, é o que dizem.

Tal raciocínio implica que, qualquer efeito colateral oriundo de desalavancagens, como uma contração do crédito e uma subsequente depressão econômica, deve ser agressivamente contra-atacado pelas autoridades por meio de políticas monetárias mais frouxas.

Desalavancagem é realmente ruim para a economia?

Será mesmo realmente verdade que, se cada banco tentasse "corrigir" seu balancete, o resultado coletivo seria desastroso para a economia real?  Muito pelo contrário.  Ao ajustarem seus balancetes para que eles passem a refletir as condições verdadeiras, os bancos estariam estabelecendo as bases para uma recuperação econômica sustentável.  Afinal, ao reduzirem seus empréstimos, os bancos estariam provavelmente também reduzindo a expansão do crédito criado "do nada".  É este tipo de crédito que debilita a geração de riqueza e consequentemente leva ao empobrecimento econômico.

Contrariamente aos defensores do "paradoxo da desalavancagem", podemos apenas concluir que, se cada banco tivesse o objetivo de corrigir seus balancetes, e nesse processo reduzissem a expansão do crédito que criam do nada (por meio das reservas fracionárias), isso estabeleceria as bases para uma sólida recuperação econômica.

A recessão na zona do euro ocorrerá não como resultado da desalavancagem per se, mais sim em decorrência dos danos infligidos no processo de formação de capital pelas frouxas políticas monetárias e fiscais do passado e do presente.

A desalavancagem é apenas um sintoma da reduzida capacidade da economia de gerar capital.  Por conseguinte, qualquer tentativa de corrigir o sintoma irá apenas piorar as coisas.  (Observe novamente que, nesse sentido, a desalavancagem é uma boa notícia para o processo de formação de capital, pois ela reduz o crédito inflacionário e consequentemente o dinheiro que é criado do nada.)

Enquanto isso, uma queda na taxa anual de crescimento da Oferta Monetária Austríaca da zona do euro, de 15,8% em agosto de 2008 para - 0,3% em maio deste ano, está solapando de maneira severa as várias bolhas que haviam sido formadas.  Esta é uma boa notícia para o processo de formação de capital e para os genuínos criadores de riqueza.

Figure3.png 

Esse declínio no ritmo de crescimento da oferta monetária está pressionando várias atividades características de bolhas, algo que pode ser observado por meio de vários indicadores econômicos.

Por exemplo, os últimos dados mostram que a atividade industrial na zona do euro enfraqueceu-se ainda mais em outubro.  O purchasing management index (PMI — indicador de saúde econômica do setor industrial que se baseia em indicadores como novos pedidos, estoques, produção, entregas de fornecedores e ambiente de trabalho) caiu de 48,5 em setembro para 47,3 em outubro agora.  Em outubro do ano passado, o PMI estava em 54,6 — nossa análise monetária aponta para futuros novos enfraquecimentos na zona do euro.

Da mesma forma, o PMI do setor de serviços também se enfraqueceu em outubro.  O índice caiu de 48,8 em setembro para 47,2 em outubro.  Utilizando como base o ritmo da variação da Oferta Monetária Austríaca (com uma defasagem de 9 e 10 meses), é provável que o PMI do setor de serviços se enfraqueça ainda mais.

[Em vermelho, a oferta monetária austríaca; em azul, o PMI do setor industrial (à esquerda, com defasagem de 9 meses) e do setor de serviços (à direita, com defasagem de 10 meses)].

Figure4.png

É de se imaginar que, em decorrência de um futuro declínio na atividade econômica — o estoura de bolhas formadas em diversos setores —, as autoridades econômicas irão recorrer a vários esquemas para tentar impedir essa contração.  Por exemplo, o uso do fundo emergencial de resgate irá solapar os benefícios gerados por uma queda no ritmo de crescimento da oferta monetária.  (A poupança real será retirada de atividades geradoras de riqueza e desviada para o financiamento de bolhas e outras atividades não-produtivas).

Ademais, como resposta ao enfraquecimento da atividade econômica — a qual, como vimos, é uma ótima notícia para os genuínos geradores de riqueza —, o BCE provavelmente irá acelerar o ritmo de injeções monetárias.  Isso irá retardar a recuperação econômica.  Como efeito, o BCE já começou a elevar o ritmo de injeções.  A taxa anual de crescimento do balancete do BCE, que estava em negativos 9,5% em junho, pulou para 23% em outubro.

Pode-se concluir que, embora uma atual queda no ritmo de crescimento da oferta monetária na zona do euro seja algo positivo para o processo de formação de capital, a interferência do banco central para contrabalançar o estouro de bolhas e consequente declínio dos indicadores de atividade econômica irá piorar as coisas no que diz respeito ao processo de formação de capital.

Novamente, vale reafirmar que a atual crise europeia se deve às frouxas políticas monetárias e fiscais do passado e do presente.  Da mesma forma, dada a severidade da crise, é grande a probabilidade de que o conjunto da poupança real tenha sido seriamente afetado.  Isso significa que, para corrigir os problemas da zona do euro, é necessário antes de tudo atacar os fatores que solaparam a poupança real.

Portanto, qualquer política que defenda uma postura fiscal e monetária mais apertada irá criar as bases necessárias para uma importante acumulação de capital, e irá desencadear uma sólida expansão econômica.  Obviamente, tal postura fiscal e monetária irá dizimar várias bolhas e atividades não-produtivas, as quais surgiram justamente em decorrência da frouxidão de ambas estas políticas.

Quanto maior for a atual porcentagem destas atividades na zona do euro, mais severa será a contração econômica.  Tal contração, no entanto, será algo positivo, pois irá fornecer mais recursos e mais espaço para que os genuínos geradores de riqueza possam trabalhar e, com isso, fazer a economia voltar ao caminho do sólido crescimento econômico.

No entanto, é duvidoso que as autoridades políticas e econômicas da zona do euro irão permitir um adequado processo de limpeza — com efeito, elas já afirmaram que a desalavancagem dos bancos deve ser contrabalanceada.  Mas, como já vimos, desalavancagem é um fenômeno positivo para a geração de riqueza.  Logo, é de se imaginar que o último plano de recapitalização bancária apresentado pelos líderes europeus não irá produzir resultados significativos.

Resumo e conclusão

Na semana passada, os líderes europeus apresentaram um acordo para que os bancos da zona do euro aceitassem uma redução contábil de 50% no valor de face dos títulos da dívida da Grécia que estão em suas carteiras.  Os líderes também formularam um plano para a recapitalização dos bancos.  Adicionalmente, as autoridades políticas e econômicas concordaram em expandir o fundo emergencial de resgate para $1,4 trilhão (o original era de $610 bilhões).

O que é necessário para se corrigir os problemas da zona do euro não é apenas fortalecer o capital dos bancos, mas sim fortalecer toda a acumulação de capital da zona do euro.  As autoridades insistem que a recapitalização dos bancos deve ocorrer sem um processo de desalavancagem, algo que elas consideram nocivo para a economia.  Isso significa que as autoridades irão contrabalançar de modo agressivo quaisquer efeitos colaterais gerados pela desalavancagem, tais como uma contração do crédito ou uma recessão acentuada.  

No entanto, a realidade é que a desalavancagem é necessária para se limpar o sistema e estabelecer as bases para uma sólida expansão econômica.  Com efeito, qualquer política que tenha o objetivo de contrabalançar o processo de desalavancagem irá apenas piorar as coisas.



autor

Frank Shostak
é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.


  • Cristiano  04/11/2011 11:51
    Essa queda de braço, desalavancagem (do mercado) x alavancagem (do BCE), não pode acabar bem. Não consigo imaginar oque pode sair disso. Penso que em primeiro momento teriamos bancos "represando" crédito, isso é segurando dinheiro criado pelo BCE sem empresta-los. Isso geraria um nível baixo de alavancagem bancária mas sem desalavancar o valor do ativos bruscamente.
    Porém, num segundo momento, poderiamos ter uma criação de bolhas ainda mais infladas e frágeis quando os bancos se sentirem mais seguros e passarem a emprestar todo o dinheiro antes represado. Esses empréstimos se mostrarão ainda menos viáveis num prazo ainda menor. Será uma bolha maior em tamanho e de menor duração.
  • Julio  04/11/2011 13:55
    A solução para reaquecer a economia dos EUA e da Europa é a estatização dos bancos e uma vez comandando os, o estado pode fazer o crédito voltar a circular, subir o consumo e elevar o investimento. Esses pacotes e outros estímulos são inúteis, pois os bancos não põem o crédito para circular. O estado deve fazê-lo diretamente.
  • Domingos  04/11/2011 14:50
    Fascinante, Julio.\r
    \r
    Uma receita para aumentar o cabo de guerra entre investidores e consumidores, justamente o que causou a crise. Está tomando o efeito pela causa, numa bela inversão de raciocínio à moda Keynes.\r
    \r
    E, aliás, não precisa estatizar, pois o Banco Central (CENTRAL te sugere algo?), autarquia DO GOVERNO já cumpre esse papel de comandar o cartel sobre a moeda fiduciária e o controle sobre a reserva fracionária. Adiantou algo?
  •   04/11/2011 15:12
    Com certeza! Ai faz igual os bancos públicos faziam na década de 80 no Brasil e o dinheiro vai circular... trilhões de euros que valem menos que o papel onde foram impressos nas mãos de todos...
  • Daniel Marchi  04/11/2011 15:55
    Julio está "up to date" com as idéias de um certo economista

    "Todavia, nos países mais adiantados, as seguintes medidas poderão geralmente ser postas em prática:
    (...)
    5. Centralização do crédito nas mãos do Estado por meio de um banco nacional com capital do Estado e com o monopólio exclusivo."

    Fonte: Manifesto do Partido Comunista
    www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000042.pdf
  • anônimo  04/11/2011 16:37
    Nossa, Julio. Tenho certeza que essa idéia genial nunca foi pensada ou posta em prática antes. Você deveria levar um Nobel de Economia, um da Paz e um título de melhor do melhor do mundo em enxugar gelo.
  • Leandro  04/11/2011 16:43
    A quem interessar possa, essa "sugestão" do Julio já foi explicitamente abordada (e impecavelmente destruída) pelo mestre em pessoa:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=242
  • Julio  04/11/2011 17:42
    Não vejo outro caminho que a estatização para destravar o crédito, recuperar a economia e baixar o desemprego. Um sistema bancário estatal pode sim trazer problemas, mas o sistema bancário privado não é santo. Pode ser muito pior que o estatal, como mostra toda a lambança que fizeram com securitização de empréstimos imobiliários em busca de altos lucros. Seja como for o é pior a situação continuar como hoje, com estagnação e alto desemprego.
  • Leandro  04/11/2011 17:54
    Julio, o que lhe faz crer que a expansão do crédito bancário gera crescimento econômico? Como é que aumentar a quantidade de dinheiro na economia pode gerar uma maior disponibilidade de bens (que é a essência do crescimento econômico?) Por que você crê que um aumento na quantidade de papeizinhos pintados pode estimular a economia, aumentar a acumulação de capital e proporcionar mais investimentos?

    Aliás, se a sua crítica é a falta de crédito farto, então você tem necessariamente de ser fã do sistema bancário atual, pois fartura de crédito foi o que não faltou na década passada. E foi exatamente a fartura do crédito que causou o colapso da economia mundial. O que você quer é exatamente mais do mesmo.

    Abração!
  • Julio  04/11/2011 18:06
    Pegando a economia dos EUA, o consumo responde por 70% do PIB. Se o consumo cresce, o PIB cresce. Com o crédito travado o consumo não cresce, a economia não sai da estagnação.
  • Leandro  04/11/2011 18:12
    E o que lhe faz pensar que é o consumo o que gera riqueza? Como consumir sem antes haver produção?

    É a produção, meu caro, e não o consumo, o que gera riqueza e crescimento. E para produzir, você precisa investir. E para investir, você precisa acumular capital. E para acumular capital, você precisa poupar. E o que o consumo faz é justamente destruir poupança, o que inviabiliza novos investimentos.

    Pode começar estudando por aqui:

    Não é o consumo que cria a prosperidade
  • Andre Poffo  04/11/2011 18:32
    Ele vai esbarrar na Lei de Say, explico antes:

    O que a Lei de Say diz é: Não há como consumir antes de produzir.
    Aquilo que Keynes coloca como "A oferta cria sua própria demanda" pode gerar conclusões equivocadas.
  • Zeh  04/11/2011 19:22
    Julio...é essa teoria louca de ficar imprimindo dinheiro, dando crédito pra todo mundo que colocou o mundo na situação que está.
    O crédito farto só parece que impulsa a economia porque na verdade ele "força" o mercado a consumir o que foi poupado, quando a poupança esgota, o recessão chega...

    Nunca vi explicado dessa maneira aqui, mas é assim que eu vejo:

    Imagina que o país não sobre intervenção nenhuma no mercado, o dinheiro é privado e a economia está crescendo um pouco mais cada ano, pessoas estão poupando, o nível geral de poupança crescendo. O crescimento não é bestial mas está acontecendo e cada vez mais forte.
    O que ocorreria nessa economia é um bom crescimento, estável e de longo prazo.
    Agora imagine que após alguns anos de crescimento, um governo de esquerda tome o poder e institua um banco central e começa a imprimir dinheiro, diminui as taxas de juros e oferece crédito abundante. Essa economia vai disparar, um boom começa, parece que a solução foi ótima, a economia nunca foi tão forte.
    Mas o que na verdade foi feito, não foi um aumento do crescimento, o governo na realidade pegou o crescimento futuro e puxou para o presente. É como se ele tivesse juntado todo o crescimento dos próximos(inventando valores) 20 anos e distribuído ele em, digamos, 5 ou 10 anos de vigoroso crescimento. Porém após esse crescimento futuro terminar de ser consumido(a poupança), ficará um vazio, um buraco nesse espaço(nesse exemplo, são 10 anos de buraco). É como quando puxamos a ponta de um tapete e vamos amontoando ele todo... naquele espaço o tapete "cresce", mas lá na frente ele falta(não foi criado mais tapete, foi apenas amontoado, esse é o crescimento que o governo "cria").
    A unica solução para a "crise" é deixar esse buraco ser preenchido novamente por poupança, é um trabalho sofrido e demorado, mas que garantirá mais e mais crescimento futuro, e sustentável dessa vez.
    O elemento mais importante é esse: poupança.
  • Glelson Fontes  04/11/2011 17:11
    Penso que o Instituto Mises poderia indicar os "livros base" da ideologia oposta a nossa - esquerda. Muitos já sabem e inclusive tinha perspectiva de mundo esquerdista mas alguns ainda não absorveram tal conhecimento.
  • Arnaldo  04/11/2011 21:01
    2
  • Arion  04/11/2011 21:40
    Glelson,
    Como tu eu sou um militante por um mundo em que as pessoas tenham acesso aos bens e serviços criados tais como saúde, educação, boas moradias, alimentação, um trabalho que provenha o necessário e etc.
    Contudo tu tens que entender uma coisa que é defendida aqui: Esse mundo mais "justo" não pode e não deve ser enfiado garganta abaixo. E por isso existe esse aparente abismo entre o defendido pela Escola Austríaca (dita direita por ti) e os socialistas, comunistas, sociais-democratas e outros. A nossa defesa é que isso deve ser feito por vontade própria, no melhor sentído a palavra amor ao próximo (do grego antigo, forma de comportamento e não sentimento) e não por coerção.

    Aqui ninguém defende a pobreza mas sim uma geração cada vez maior da riqueza. E quando se fala em riqueza não estamos falando em "dinheiro" mas sim na produção.

    Só que quando os governos do mundo inteiro resolveram estatizar o dinheiro e abolir a forma como ele era escolhido pelas pessoas (tratado aqui como mercado, mas dá no mesmo)eles passaram a comandar um esquema socialista de gerenciamento monetário.

    A farra dos bancos que os socialistas e outros tanto falam é uma farra de crédito feita entre os governos que socializaram as moedas e seus compadres banqueiros (curioso como sistemas socialistas sempre criam uma elite bem beneficiada, não?) que são os primeiros a receber os benefícios do meio monetário artificial criado (papel-moeda).

    Quando um governo imprime dinheiro e entrega ele aos bancos para pagar suas contas ele ROUBA da população mais pobre e também dos poupadores na mesma proporção percentual do dinheiro criado (inflação monetária). E porque o dinheiro é artificial (papel moeda, sem lastro) ele pode criar o quanto quiser sem nenhum problema a não ser conseguir tinta e papel (ou bits).

    Dessa forma é a dívida dos governos, que produz a pobreza e não o capitalismo. Como tu bem deve saber hoje, devido ao governo brasileiro ter feito dívidas no passado, 69% do que é arrecadado vai para o pagamento das dívidas. Pior que isso é que esses 69% pagam somente os juros. A dívida permanece e é apenas "rolada".

    Deixo abaixo um exemplo de como esse problema econômico já foi previsto a dois séculos atrás.

    "Para preservar nossa liberdade, nós não deixaremos que nossos governantes nos ponham em dívida perpétua."
    "Nós devemos escolher entre economia e liberdade ou profusão e servidão."
    "É obrigação de cada geração pagar por suas próprias dívidas a medida que o tempo passa."
    "Se o povo americano um dia deixarem banqueiros privados controlarem o dinheiro deles, primeiro através da inflação e depois deflação, os bancos e corporações que crescerão vão priválos de suas próprias propriedades até que um dia seus filhos nasçam sem terra no mesmo continente que seus pais conquistaram." Thomas Jefferson.

    Para tu ter idéia do quanto um dinheiro de papel corrói a poupança da população, atingindo os mais pobres, US$1,00 em 1892 comprava o mesmo que US$ 0,04 em 2005. Isso é o que o dinheiro de papel faz. Se tu poupasse esse um dolar ou um real ou a moeda de papel que o teu governo te obriga a negociar tu seria expoliado, roubado, tributado ou o nome que quiser dar em 96% da tua riqueza.

    Para melhores esclarecimentos segue um link do poder de compra do dollar e do yene ao longo dos anos.
    www.administradores.com.br/informe-se/producao-academica/eua-e-japao-de-1850-a-2005-evolucao-do-pib-e-do-ppp/3863/
  • Max  05/11/2011 06:37
    Só acrescendo um pequeno comentário, Arion: esse ponto de um mundo mais "justo" (dá pra usar IDH nesse aspecto) não se limita nem apenas a uma questão de se forçar essas melhoras goela abaixo ou de deixar a responsabilidade com as pessoas. É também questão de eficiência. É só pegar a lista de países com maior liberdade do mundo e se vai observar que grande parte coincide no topo dos países com melhor IDH do mundo.
  • Julio  05/11/2011 11:34
    "US$1,00 em 1892 comprava o mesmo que US$ 0,04 em 2005" sic

    O contrário, não?
  • Arion  05/11/2011 16:20
    Júlio, sim. Desculpe, acho que troquei as bolas mas deu para entender né?

    Outra forma de colocar as coisas é dizer que US$1,00 em 1892 valia o mesmo que US$ 25,00 em 2005. Ou seja, uma inflação de 2500%.


    Max tu tens razão. O livre mercado é sempre muito mais eficiente que qualquer governo de "pessoas superiores e iluminadas". Como Mises muito bem exemplificou quando mostrou a impossibilidade do cálculo econômico no socialismo o mesmo vale para sistemas ou setores que são socializados pelo governo. Uma completa distorção de preços levando, no final das contas, ao empobrecimento da população.
  • Zeca  06/11/2011 13:59
    De vez em quando, leio alguns artigos nesse blog. Embora não concorde 100% com as posições da escola austríaca, acredito que em sua essência ela esteja correta. O problema é que alguns leitores ainda não entenderam bem a questão e acham que a impressão pura e simples de dinheiro, desde que direcionado (pelo Estado aos seus amigos preferidos), acaba gerando emprego e crescimento econômico. Na realidade a expansão monetária e do crédito criam bolhas, inflam ativos, geram inflação de preços, distorcem a economia e superendividam o Estado e as famílias, empobrecendo toda a sociedade. Esse é o grande estrago que o Governo (Banco Central) e os bancos fazem... E nisso, concordo plenamento com os austríacos.
  • Daniel V.  07/11/2011 03:22
    Andre,\r
    Say na verdade é o seguinte: não pode haver "superprodrução" ja que se alguem oferta algo no mercado ele busca obter algo em troca, ou seja, so há oferta de certo bem porque há demanda por outros bens.\r
    \r
    Julio, vc citou securitização. As duas gigantes desse mercado eram empresas praticamente estatais e foi a garantia implicita de salvamento pelo tesouro americano que proporcionou tanta alavancagem
  • Vinicius Aguilar  16/11/2011 09:15
    Bom dia Leandro,\r
    \r
    Gostaria de saber a fonte dos dados utilizados no graficos, teria como disponibilizar os links ?\r
    \r
    \r
    Obrigado
  • Leandro  16/11/2011 17:58
    Prezado Vinícius, os dados são compilados pelo próprio Shostak, que possui uma empresa de consultoria sobre o assunto. Mas para você ter acesso aos dados, tem de ser assinante.

    aaseconomics.com/services/

    Para saber sobre a metodologia que ele utiliza, clique aqui. E veja também minha resposta ao leitor César, neste mesmo link indicado.

    Grande abraço!


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