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Empregos públicos são produtivos?

Ron Paul anunciou que, caso eleito presidente dos EUA, uma das suas primeiras medidas para acabar com o déficit orçamentário de mais de US$ 1,4 trilhão do governo americano seria a imediata abolição de cinco ministérios e a consequente demissão de aproximadamente 221.000 burocratas.

Recentemente, o jornalista da CNN Wolf Blitzer fez uma pergunta a Ron Paul exatamente sobre essa questão, e sua resposta revela uma ótima maneira de se testar se uma pessoa aceita ou não as premissas fundamentais da moderna macroeconomia keynesiana.

Como relatou o site Politico,

Em entrevista à CNN, Paul foi perguntado por Wolf Blitzer sobre como a eliminação de aproximadamente 221.000 empregos públicos dispersos em cinco ministérios iria estimular a economia.  Paul respondeu: "Esses empregos não são produtivos".

E então, empregos públicos são ou não são "empregos produtivos"?

Produtividade

Primeiramente, é preciso ressaltar que Ron Paul não está sugerindo que tais empregos são de baixa 'produtividade' no sentido econômico do termo, isto é, no sentido de produção por hora.  Paul não estava apenas sugerindo que funcionários públicos são preguiçosos.  O que Paul quis dizer é que empregos governamentais não fornecem bens de consumo ou serviços para a sociedade.

Imagine que um determinado país A envie um embaixador para o país B.  Se fossemos mensurar a produtividade do embaixador em termos de sua produção por hora, o denominador dessa equação seria simplesmente o número total de horas que o burocrata trabalhou.  Porém, pense na produção do embaixador.  A rotina diária de um embaixador consiste basicamente em encontrar-se com diplomatas estrangeiros, fazer negociações, escrever relatórios e memorandos, e se envolver na supervisão de alguns projetos diplomáticos.  A soma de todos esses encontros, relatórios e supervisão de projetos daria a medida da "produção" do embaixador.  Um embaixador que completasse um maior número destas tarefas seria mais produtivo do que outro embaixador.

Isso nos dá uma ideia da "produtividade" do embaixador no sentido puramente economicista do jargão.

Empregos produtivos

A esta altura já deve estar óbvio que Ron Paul, ao sugerir que empregos governamentais não são produtivos, não está exatamente preocupado com a produtividade econômica destes empregos.  Afinal, em um sentido puramente técnico, eles são tão "produtivos" quanto qualquer outro emprego.

Em vez disso, o que Ron Paul está dizendo — e nisso ele é acompanhado pela maioria dos economistas seguidores da Escola Austríaca de Economia — é que as tarefas realizadas por um embaixador (ou por qualquer outro funcionário público) não apresentam uma função de mercado.  Tais serviços não seriam demandados por ninguém em uma economia de mercado.

Em sua essência, o governo cria do nada uma demanda para estes serviços: a existência de embaixadores é o que gera o trabalho realizado por embaixadores.  Eles não levam seus serviços ao mercado para vendê-los a qualquer indivíduo que porventura queira voluntariamente comprá-los.  Os governos nomeiam embaixadores para realizar serviços que nenhum consumidor quer comprar.

Compare estes serviços aos serviços realizados por um indivíduo para cujo trabalho há uma genuína demanda — por exemplo, um engenheiro mecânico.  Engenheiros mecânicos são contratados por clientes que não sabem como atender de maneira mais eficiente as necessidades de seus consumidores porque não possuem a solução para um determinado problema mecânico — como, por exemplo, transportar grandes cargas do ponto A até o ponto B, aumentar a velocidade na qual o bem X é produzido etc.  O engenheiro mecânico desenvolve uma solução para estes problemas em troca da uma remuneração que irá corresponder à quantia de dinheiro que o cliente espera poupar ao adotar essa nova e mais eficiente solução.

O centro da questão

Dado que embaixadores são pagos com dinheiro coletado de impostos, ao passo que engenheiros mecânicos são pagos com o capital que foi acumulado por indivíduos e empresas, os empregos públicos criam a seguinte situação:

  1. Governos contratam e começam a pagar embaixadores.
  2. Governos tributam o público para pagar embaixadores.
  3. O público, por conseguinte, tem sua poupança total reduzida, gastaram parte dela pagando mais impostos.
  4. Com a poupança reduzida, o público possui menos capital para investir em projetos de engenharia.

Assim, pagar funcionários públicos significa retirar recursos econômicos da produção de bens e serviços demandados pelo mercado e desviá-los para o financiamento de serviços para os quais não há nenhuma demanda de mercado.

Foi a isso que Ron Paul se referiu quando disse que empregos públicos "não são produtivos".

A alegação keynesiana e o teste decisivo

embaixada_brasileira2.jpgEconomistas keynesianos argumentam que os salários pagos a funcionários públicos irão inevitavelmente terminar nas mãos do público em geral, pois os funcionários públicos utilizarão seus salários no mercado para adquirir bens de consumo e serviços.  Embora haja um custo inicial no pagamento de impostos, a economia como um todo não irá sofrer nenhum impacto, pois o dinheiro irá retornar para a economia na forma de consumo incorrido por funcionários públicos.

Se não nos aprofundássemos mais neste exemplo, de fato não poderíamos dizer que a alegação keynesiana está errada.  A questão a ser analisada não é simplesmente se os funcionários públicos irão eventualmente gastar seu dinheiro em bens de consumo.  Eles irão.

O teste decisivo é ver até que ponto um indivíduo acredita que o consumo dos funcionários públicos irá devolver o dinheiro à economia de forma tão uniforme e eficientemente distribuída quanto era antes dos impostos.  Será que o dinheiro pago aos funcionários públicos simplesmente passa através da máquina estatal e retorna aos indivíduos de uma economia exatamente da maneira como estava distribuído antes?  Ou será que a distribuição total do dinheiro é alterada quando o dinheiro é confiscado dos indivíduos produtores — que o utilizariam como investimento — e redistribuído a funcionários públicos que o utilizarão para consumo?

Gastos governamentais sob a perspectiva austríaca

No exemplo acima, os seguidores da Escola Austríaca diriam o seguinte:

  • Como o governo contratou funcionários públicos, indivíduos que de outra forma estariam realizando outras atividades irão agora efetuar uma função extramercado, para a qual não há demanda.
  • Como o governo paga os funcionários públicos com dinheiro que foi retirado de indivíduos do setor privado, recursos que estavam sendo utilizado na produção de um determinado tipo de bem ou serviço será agora redirecionado para a produção de serviços extramercados para os quais não há demanda.

Consequentemente, há uma alteração na distribuição de recursos na economia.

E o que ocorre quando os funcionários públicos gastam seu dinheiro consumindo bens e serviços?  Novamente, voltando ao exemplo acima, os seguidores da Escola Austríaca diriam o seguinte:

  • O dinheiro que alguns indivíduos tinham a intenção de gastar em projetos de engenharia mecânica foi transferido para funcionários públicos.
  • Estes funcionários públicos, antes de incorrer qualquer outra forma de consumo, irão adquirir alimentos, roupas, moradias, serviços de saúde e outras necessidades.

O consumo dos funcionários públicos não devolve o dinheiro para aqueles engenheiros mecânicos que seriam os recebedores originais do dinheiro que foi tributado.  Ao contrário, esse dinheiro será desviado para produtores de alimentos, de roupas, imóveis, de serviços de saúde etc.  Se o dinheiro, de alguma forma, acabar voltando para os engenheiros mecânicos, será apenas uma minúscula fatia dos gastos em consumo dos funcionários públicos.  Ou seja, será apenas uma pequena fração da quantidade original que iria para suas mãos.

Os economistas seguidores da Escola Austríaca se referem a esse fenômeno como a não-neutralidade da moeda.

Conclusão

Concorde ou não com a afirmação de Ron Paul de que empregos públicos "não são produtivos", o grau com que você concorda irá fornecer um valioso discernimento sobre até que ponto você acredita na visão keynesiana a respeito do dinheiro na macroeconomia.

A perspectiva austríaca argumenta que todos os empregos estatais retiram recursos do setor produtivo e os desviam para a produção de bens e serviços que jamais existiriam sob condições de livre mercado ou que existiriam em quantidade e volume muito menores.

Neste sentido, empregos públicos não são produtivos.



autor

Ryan P. Long

trabalha como consultor e analista em Ottawa, Canadá.  Já publicou artigos para jornais comerciais e para periódicos acadêmicos sobre economia, teoria da política administrativa e saúde.

Tradução de Leandro Roque


  • Flavio  03/11/2011 09:16

    Se um emprego público produz um bem de consumo ou serviço ele seria mais competitivo se fosse administrado por gestores mais competentes. Mas tem uns cargos publicos nada a haver mesmo, tais como:

    - Analista Politico
    - Arquiteto
    - cobrador
    - Agente Comunitário de Saúde
    - Técnico e Analista Ministerial (sal +/- 4300,00) pra quê ????


    Não dá pra entender pq o estado precisa criar um cargo de analista político. Houve uma explosão desse tipo de cargo voltado a area de humanas nesses últimos 10 anos, deve ser por causa do boom das comodities.


  • Leandro  03/11/2011 09:26
    Flávio, na verdade, independe de os gestores serem competentes ou não. O governo não é capaz de ofertar serviços eficientemente.
  • Daniel  03/11/2011 10:44
    Olha, as editoras estatais da câmara, senado e coisas do tipo produzem um bem (livros), porém eles DESTROEM valor pois não são voltadas para o mercado, e sim para a satisfação dos interesses pessoais e de grupo das elites políticas. Na Feira do Livro de Porto Alegre tem mais de 10 estandes estatais, todos grandes, caríssimos (umas 5x mais caros que os das livrarias), com ar condicionado para os funças e basicamente NENHUM PÚBLICO pois ninguém quer aquelas publicações.\r
    .\r
    Como o artigo torna bem claro, produtividade NÃO é questão de output/recursos usados, e sim de UTILIDADE ou VALOR gerado / recursos. Se fosse mera questão de produzir qualquer bem ou serviço de qualquer maneira e para qualquer um as economias planejadas teriam sido um sucesso.
  • Steve Ling  03/11/2011 10:32
    O melhor exemplo são os médicos que ganham sem trabalhar e muitas vezes com dois vínculos no mesmo horário.
  • Mario  03/11/2011 10:47
    Ele teria muito mais sucesso em diminuir o défcit se acabasse com os gastos dos EUA com defesa (que chega a quase U$ 1 tri por ano).
    Vai demitir uma porrada de gente e economizar no máximo uns U$ 50 bi

    Mas, ele é republicano, e os republicanos tem o rabo preso com a indústria bélica.
  • Leandro  03/11/2011 10:56
    Falou uma besteira sem precedentes, caro Mario. Ron Paul é o político mais anti-guerras da história americana e dentro de seu programa constam reduções brutais no orçamento militar, bem como a retirada de todas as tropas americanas estacionadas em mais de 150 países.

    Informe-se melhor antes de sair fazendo pontificações.

    Abraço!
  • Mario  03/11/2011 11:07
    No entanto o partido republicano aumentou em uns 50% os gastos militares no mandato do Bush. Discurso diferente da prática. Não adianta ele se dizer anti-guerra se seu partido é a favor dela.
    Se for assim, mude de partido, ou crie um novo.
  • Leandro  03/11/2011 11:16
    Simplicíssimo, né? Que bobo ele...
  • Isaias Barbosa  03/11/2011 13:57
    Mario, os EUA é bipartidário desde a sua formação. Ron Paul era do Parido Libertário e sabia que não iria conseguir grandes conquistas no partido em que se encontrava. Só quando ele entrou para o Partido Republicano é que realmente teve chances reais de concorrer a presidência.

    www.youtube.com/watch?v=qGUcUuMEXVc
  • Erick Skrabe  18/06/2012 16:12
    E - por incrivel que pareca - o partido Republicano já foi contr as guerras e a interferencia militar em outros paises. "Negócios com todos, aliança com nenhum" já diziam por aí.
  • Gustavo  03/11/2011 11:26
    Mario, você sabia que dentro do partido republicano há várias pessoas que pensam diferente? Antes da eleição presidencial existe uma anterior muito importante dentro de cada partido... Só por que são republicanos não quer dizer que pensam exatamente da mesma maneira, as coisas não funcionam assim.
  • Pedro  03/11/2011 11:51
    1) O autor argumenta; "Será que o dinheiro pago aos funcionários públicos simplesmente passa através da máquina estatal e retorna aos indivíduos de uma economia exatamente da maneira como estava distribuído antes? Ou será que a distribuição total do dinheiro é alterada quando o dinheiro é confiscado dos indivíduos produtores - que o utilizariam como investimento - e redistribuído a funcionários públicos que o utilizarão para consumo?"\r
    Levando o raciocínio ao final, vemos que o serviço de um func. público desvia dinheiro de investimento para consumo, mas a via reversa também seria possível? Acredito que é possível. Então esse efeito de alteração de distribuição de dinheiro na economia seria parcialmente compensado, por que nem toda a renda retirada da economia seria para investimento e nem toda a renda destinada aos salários da função publica vai para o seu consumo. O texto deixa a transparecer que só haveria um tipo de distorção. \r
    Acho que o problema maior é o fato de que o salario do func. publico decorre da imposição de tirar dinheiro do publico em geral. O governo, não gasta esses recursos tão bem quanto o setor privado. Por causa da demanda excessiva de serviço não pago diretamente ou subprecificado. \r
    \r
    2) O autor argumenta ainda que "Os governos nomeiam embaixadores para realizar serviços que nenhum consumidor quer comprar." O serviço diplomático tem um certo "caráter" de Relações Públicas, ou seja, difundir conceitos, valores e ideias de algum pais; representar. \r
    Por exemplo: algumas vezes, já vi jogadores de futebol veteranos difundir o clube que jogaram com o apelido de "embaixador do clube". No poker, é muito comum as organizações de torneios contratarem ex-jogadores ou jogadores veteranos apenas "difundir" o evento.\r
    É provável que uma parte -pequena- do serviço diplomático seria contratada pelo mercado. Kkk \r
    Isso encaxaria com a primeira observaçõa. Haveria então uma demanda artificial pela maior parte do serviço diplomático. \r
    \r
    \r
    Sds
  • Joao  03/11/2011 13:53
    Levando o raciocínio ao final, vemos que o serviço de um func. público desvia dinheiro de investimento para consumo, mas a via reversa também seria possível? Acredito que é possível.

    Isso é mais ou menos como se você me desse um soco na cara e eu saísse por aí me vangloriando por ter dado uma carada na sua mão.
  • Pedro  03/11/2011 15:11
    João\r
    não entendi muito bem sua metafora. de qualquer forma, grato pela leitura do comentario. sds\r
  • Daniel  03/11/2011 15:10
    Os governos restringem o comércio internacional, a livre movimentação de pessoas e capitais, impõem uma montanha de exigências burocráticas para os cidadãos e possuem gigantescas máquinas de guerra. Os governos, depois, contratam embaixadores para realizar acordos comerciais, tratados de harmonização legal e para "negociar" a paz. Ou seja, tudo isso não passa de atividade circular, sem qualquer propósito (a não ser extrair impostos das pessoas). Isso não existiria em sociedades livres.

    Não tem sentido comparar essa atividade circular e improdutiva com os divulgadores de esportes e outras formas de relações públicas, conforme o exemplo citado. Nesses casos os "embaixadores" são guiados pela vontade dos consumidores e sua missão é gerar valor para suas atividades. O mesmo acontece para os representantes de instituições de caridade.
  • Pedro  03/11/2011 15:34
    Daniel, eu argumentei que o "serviço de representatividade" que é pequena parte do serviço diplomatico. \r
    Tal serviço é realizado pelos diplomatas em ambiente publico e por outros profissionais que realizam atividades semelhantes em ambiente privado. \r
    "É provável que uma parte -pequena- do serviço diplomático seria contratada pelo mercado." \r
    Foi meu argumento.\r
    \r
    Eu não argumentei sobre a origem da remuneração da atividade, desnecessario dizer. O seu segundo paragrafo descreve exatamente o serviço de representatividade do qual me refiro. Serviço prestado em regime privado neste caso. \r
    \r
    \r
    \r
  • Daniel  03/11/2011 16:08
    Entendido, Pedro.

    Minha objeções dizem respeito ao seu exercício de comparação. Os embaixadores contratados pelo governo atuam da mesma forma que os representantes privados? É obvio que não. Sabe aquele ditado, que diz que o estado cria dificuldades para vender facilidades? Pois é, por estarem inseridos nesse esquema, os diplomatas são vendedores de facilidades. E isso é diametralmente oposto da atividade desenvolvida pelos RP's de entidades privadas.
  • Nilton Miranda  03/11/2011 13:26
    Vejam o vídeo; Top 10 Cidades mais ricas do Brasil. www.youtube.com/watch?v=aWBElF2YX8o&feature=related

    Uma coisa curiosa. Brasilia tem a população de 2562000 pessoas. Fortaleza:2447000 Salvador:2676000 Belo Horizonte 2375000 Rio: 6323000

    Observe a população de Brasilia é bem parecida com de Belo Horizonte,Salvador e Fortaleza.

    Mas ! Quanto á questão é riqueza tudo muda muito. Brasilia é a terceira cidade mais rica do Brasil numa lista de 10 cidades. As capitais nordestinas não aparecem na lista.
    Algo interessante Belo Horizonte é a quarta cidade mais rica com um PIB de 38 bilhões de reais. Mas ! Brasilia é a terceira com um PIB de quase 100 bilhões de reais. O Rio tem um PIB de quase 140 bilhões de reais.

    Observe Basilia tem um riqueza mais de 2 vezes maior do que BH, sendo que suas populações são bem parecidas.

    Brasilia tem 71% da riqueza do Rio e só 40% da população carioca.

    Ainda compare á riqueza de Brasilia com as outras 10 cidades mais ricas.

    CONCLUSÃO: Na minha opinião á Riqueza de Brasilia se explica pelo fato de ser Capital Federal e de possuir um número gigantestico de funcionários publícos bem remunerados, ganhando ótimos sálarios.
    Não sei se Brasilia tenha outra fonte forte de riqueza forá desta para explicar tal exuberância,opulência.

    Eu peço ao IBM uma opinião para ver se estou errado ou certo.
    A RIQUEZA DE BRASILIA VÊM DE UM FUNCIONALISMO MUITO NÚMEROSO E BEM PAGO ?

    Obrigado ! Gostaria de que alguém pudesse responder á mim essa pergunta.

    Não sou econômista. Sou apenas um leigo que gosta de econômia e estatistica. Trabalhei diversas vezes como recenseador do IBGE.


  • Fernando Chiocca  03/11/2011 13:36
  • Leandro  03/11/2011 13:39
    É exatamente isso, prezado Nilton. 40% de toda a riqueza que o Brasil produz é confiscada por Brasília. Parte desse confisco é redistribuído ao longo do Brasil (pagamento de funças que moram nos vários estados brasileiros + bolsa família + repasses estaduais e municipais) e parte fica para os funças que moram no Distrito Federal (assessores de deputados, senadores, ministros e toda aquela cambada de aspones que trabalha nas secretárias e agências reguladoras).

    Sim, a riqueza dessa gente é toda fruto do nosso trabalho. A gente trabalha, e eles simplesmente tomam uma parte e se lambuzam -- e, de quebra, ainda atravancam a economia por meio de inúmeras regulamentações e decretos. Ou seja, eles nos empobrecem duplamente.

    Pense nisso quando seu despertador tocar pela manhã.

    Grande abraço!
  • Leandro  03/11/2011 13:44
    Correção: não é 40%, e sim 25%. 40% é quando se considera os governos estaduais e municipais também.
  • Nilton Miranda  03/11/2011 14:07

    Vejam este vídeo de nome sujestivo. "Sorria:você vive no país mais rico do planeta"

    www.youtube.com/watch?v=rOTsKsXDHGY&NR=1 O vídeo da uma ideía da gastança de nossos politicos.


    Uma experiência minha. Quanto via aqueles quadros de autores famosos como Leonardo da Vinci,Miguelanjo,Picasso,Portinari. Quadros de milhões de dóllares. Eu ficava abismato e me perguntava . Como podem valer tanto ?

    Agora quando vejo a gastança com o Congresso,Assembléias legislativa e Câmara de Vereadoes. Mas ! Uma vez abismado e confuso me perguntou. Como podem gastar tanto dinheiro ?

    È para deixar o cidadão "ABESTADO" como fala o deputado e humorista Tirica. Sò para exemplo o gasto da Assembléia Legislativa de MG, meu estado. A grana é tão alta, que muitas empresas nem de longe movimentão da dinheirama.

    E todo mundo se pergunta como podem gastar tanto dinheiro. Tanto dinheiro!
  • Alan  03/11/2011 14:08
    armorgames.com/play/12491/shore-siege-2


    Mais alguém aqui teve a impressão de que esse jogo em flash ilustra rapidamente a teoria austríaca????


    (totalmente off-topic, eu sei)
  • Robson Cota  03/11/2011 23:41
    Fui, conferir!

    Um jogo que mostra perfeitamente a teoria de que quanto maior o capital, maior a produtividade, hehe!
  • Alan  05/11/2011 12:08
    Repare bem: inicialmente, sua taxa de extração de petróleo era extremamente baixa. O que o permitiu aumentar seu arsenal de defesa foi, justamente, a POUPANÇA dessa extração inicialmente baixa. Além disso, você tinha de reinvestir quase tudo que extraía; à medida que reinvestia, porém, você ia ampliando sua capacidade de extração, até chegar o ponto em que você estava com uma quantidade imensa de barris de petróleo e não precisava reinvestir mais nem 50%.

    E os benefícios sociais disso? Não tenha nem dúvidas de que, se o jogo me permitisse contratar mais marujos, eu o faria.
  • Ana Beatriz Braga  03/11/2011 15:04
    Olá,\r
    \r
    Recentemente comecei a me interessar por economia e a visitar este site, o da Ordem Livre e Instituto Millenium. Meu interesse por política e economia se originou em um sentimento vago de que tudo está sendo regulado demais e os cidadãos são tratados como incapazes, sempre tutelados, e também pela percepção de que nossos impostos são muito altos, com pouca contrapartida. Tenho uma dúvida sobre este artigo: concordo que muitas funções públicas são criadas artificialmente, mas fiquei com a impressão de que vocês estão indo um pouco longe ao colocar tudo no mesmo barco. O Estado não precisa ser gigante e alguns órgãos são perfeitamente inúteis, mas acredito que a diplomacia seja necessária. O que a Escola Austríaca tem a dizer sobre que funções o Estado deve exercer ou não?\r
    \r
    Ana Beatriz
  • Fabio MS  03/11/2011 15:30
    A Escola Austríaca tem a dizer que o estado não tem função (no sentido de representar algum benefício ao governado) nenhuma. Ponto final.
  • Bruno  04/11/2011 17:28
    Tá ai um sujeito que nunca leu Mises
  • Fernando Chiocca  03/11/2011 15:43
    Ana, não somos nós que colocamos todos no mesmo barco. A partir do momento que eles estejam fora do âmbito das trocas voluntárias, à partir do momento que seus serviços não são contratados por consumidores voluntários, e que força é usada para tirar dinheiro de uns e usado para pagar o salário de outros, eles estão, indiscutivelmente em um barco diferente do que a da sociedade voluntária.

    Como o artigo diz, a diplomacia se faz necessária pois "a existência de embaixadores é o que gera o trabalho realizado por embaixadores".

    Você acredita que acredito que a diplomacia seja necessária pra que? Que função ela tem? Esta funções envolven coerção contra comernciantes e viajantes pacficos?
  • André Ramos  03/11/2011 19:37
    Ana, se você for de Brasília, sinta-se convidada para participar, no sábado pela manhã, do primeiro seminário interno do Grupo de Estudos da Escola Austríaca do DF, no qual eu falarei justamente sobre o que você perguntou. Vamos discutir o "papel do governo numa sociedade livre", título do capítulo 2 do livro Capitalismo e Liberdade, do liberal Milton Friedman, fazendo uma análise crítica sob a visão "austríaca".\r
    Neste site você tem dois artigos interessantes sobre o tema:\r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=917\r
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1123\r
    Abraço.
  • Sapiens Magno  04/11/2011 21:34
    Caro André Ramos,

    moro em Brasília e gostaria de conhecer mais. Como faço para participar?
    Obrigado.
  • Sapiens Magno  03/11/2011 15:10
    Concordo em boa parte do que foi dito no artigo mas senti falta de algumas ressalvas. Será que entendi corretamente?

    Sem tais ressalvas fico com a impressão de que os seguidores da escola austríaca defendem um anarco-capitalismo, é o caso? Seria conveniente extinguir completamente o Estado e seus agentes?

    Concordam que existem bens públicos não suscetíveis de serem ofertados pelo mercado? Como fazer com que a sociedade seja provida com bens e serviços cuja utilização não pode ser limitada a apenas alguns usuários? Como fazer com bens e serviços cuja utilização por alguns indivíduos não diminui a possibilidade de utilização por outros?

    Ora, se alguns financiarem, por exemplo, iluminação pública, segurança pública e defesa nacional, todos poderão usufruir destes bens. Como será possível excluir os que se recusarem a pagar por eles? E pagar quanto? Como saber qual seria o preço correto já que os agentes obviamente tenderiam sempre a subestimá-lo? Como mensurar a utilização efetiva de cada um?

    Em suma, minha pergunta é: como contar com o mercado para a oferta de bens que, por suas características próprias, não podem ser eficazmente precificados?
  • Fernando Chiocca  03/11/2011 15:32
    Sapiens;

    Sem tais ressalvas fico com a impressão de que os seguidores da escola austríaca defendem um anarco-capitalismo, é o caso?

    Muitos sim.

    Seria conveniente extinguir completamente o Estado e seus agentes?

    Seria conveniente para os explorados. Para os exploradores não seria nada conveniente.
    Mas acredito que a maioria seja a favor de eliminar completamente a agressão.

    Concordam que existem bens públicos não suscetíveis de serem ofertados pelo mercado?

    Não, não concordamos. Não existe nenhum bem oou serviço que necessite de coerção contra inocentes para ser provido.

    Como fazer com que a sociedade seja provida com bens e serviços cuja utilização não pode ser limitada a apenas alguns usuários? Como fazer com bens e serviços cuja utilização por alguns indivíduos não diminui a possibilidade de utilização por outros?

    Resolvendo o "problema" do carona

    Ora, se alguns financiarem, por exemplo, iluminação pública, segurança pública e defesa nacional, todos poderão usufruir destes bens. Como será possível excluir os que se recusarem a pagar por eles? E pagar quanto?

    Mora em SP? Já foi pra Alphaville? Nunca viu um condominio particular?

    Como saber qual seria o preço correto já que os agentes obviamente tenderiam sempre a subestimá-lo? Como mensurar a utilização efetiva de cada um?

    Respostas que só o mercado livre pode lhe dar.

    Em suma, minha pergunta é: como contar com o mercado para a oferta de bens que, por suas características próprias, não podem ser eficazmente precificados?

    Mas somente contando com o mercado sem obstrução é que bens podem ser eficazmente precificados.
  • Fabio MS  03/11/2011 15:34
    TODOS os bens podem ser "eficazmente precificados". Tudo depende do interesse das pessoas em adquiri-los. Os bens que não podem ser "eficazmente precificados", seja lá o que isso signifique, são aqueles pelos quais não existe demanda. Se não existe demanda é porque não são bens necessários.
  • Breno  03/11/2011 17:06
    Pedro,

    Não é possível. Imagine uma fazenda que aumenta o rebanho em 4 vacas leiteiras por ano. E que o governo confisque 1 vaca por ano, essa vaca não iria para outra fazenda estatal leiteira, mas sim para o abate e a carne destinada ao consumo dos funcionários públicos.

    Não é possível fazer o reverso (pegar uma vaca que seria comida e transformar em vaca leiteira) uma vez que o confisco (se imposto sobre capital por exemplo) é sempre sobre vacas que seriam leiteiras de qualquer forma.

    "por que nem toda a renda retirada da economia seria para investimento e nem toda a renda destinada aos salários da função publica vai para o seu consumo."

    É possível que 100% dos impostos coletados sejam retirados de investimento e não de consumo. Bom em uma sociedade pobre o estado pode chegar ao ponto de confiscar o consumo forçando pessoas a situação de pobreza (pessoas parariam de comer carne, outras de andar de carro, de ter eletricidade em casa e por ae vai). Mas não é geralmente o caso.

    2)
    "Por exemplo: algumas vezes, já vi jogadores de futebol veteranos difundir o clube que jogaram com o apelido de "embaixador do clube". No poker, é muito comum as organizações de torneios contratarem ex-jogadores ou jogadores veteranos apenas "difundir" o evento. "

    Você está confundindo garoto propaganda com embaixador. O embaixador do Brasil na França não é garoto propaganda do Brasil ele é só mais um burocrata.
  • Pedro  04/11/2011 10:23
    Breno,\r
    Existe a função de de adido cultural e adido militar.\r
    Ainda lembro que lembro que todo recurso se destina a consumo, seja no presente,ou num futuro.
  • Breno  04/11/2011 17:09
    Pedro,

    Eu considero o adido um função burocrática sem utilidade.

    No mais eu peguei da wikipedia e talvez te ajude a entender:
    "O bem de capital é usado na produção de outros bens, mas que não são diretamente incorporados no produto final. Indivíduos, organizações e governos usam bens de capital na produção de outros bens ou mercadorias. Bem de capital inclui fábricas, máquinas, ferramentas, equipamentos, e diversas construções que são utilizadas para produzir outros produtos para consumo. "

    Você não deveria consumir uma vaca leiteira a mesma serve para produzir leite e o leite sim você deve consumir.
  • Caio  03/11/2011 17:45
    Achei o texto até bem ameno para um austríaco. Em minha ótica a falta de produtividade, vulgo inutilidade do setor público é resumida quando o governo para cortar gastos fecham os órgãos e entidade públicas. Ao fazer isso eles mesmo assumem que são um centro de gastos. Alguém aí ja viu uma empresa privada decretar que vai trabalhar só meio período pra economizar?
  • Mario  03/11/2011 20:04
    Eu já!! Na empresa onde eu trabalhava. Diminuiram a carga de 8h pra 6h pq tavam sem grana.

    Aliás isso é muito comum. Veja as montadoras que dão férias coletivas quando as coisas não vão bem.
  • Augusto  04/11/2011 05:11
    Ja vi sim, nao eh raro. E so nao eh mais comum porque, salvo engano, a lei so permite que se tome esse tipo de acao "depois de consideradas as alternativas".
  • Luiz  03/11/2011 20:39
    É impressão minha ou o problema da produtividade dos cargos públicos é mais grave do que o explicado no texto?

    O dinheiro das empresas(que seria usado para aumentar a produção de bens e serviços para, consequentemente, vender para um número maior de pessoas) vai para o governo em forma de impostos.

    Se o governo, além de consumir os bens e serviços existentes, ainda inibe o aumente de produção dos mesmos, isso não gera uma visão de oferta x demanda meio esquisita?

    Quero dizer... além de não serem produtivos, ainda tornam os bens e serviços produzidos em nosso país mais caros?
  • Felix  03/11/2011 23:14
    "Presidente argentina critica no G20 o 'anarcocapitalismo' financeiro "
    Creio que ela não sabe o que falou
  • Andre Poffo  04/11/2011 00:05
    Pior, ela acha que não há regulamentação financeira, suficiente. O setor financeiro é mais socialista do que ela pensa.
  • Alexandre M. R. Filho  04/11/2011 01:46
    Se o governo controla cada cédula de moeda em circulação, como é que ela tem coragem de falar em anarcocapitalismo financeiro?\r
    \r
    E como é que tem gente que tem coragem de acreditar nisso?\r
    \r
  • Carlos Araujo  05/11/2011 00:10
    Na verdade, o setor financeiro não é tão socialista como ela queria que fosse.
  • tulio  06/11/2011 08:17
    Prezado Fernando Chicota e demais,

    Como já disse antes, sou leitor freqüente, mas de poucos comentários, que me filio a 99% das idéias do site. Contudo, ainda não consigo visualizar a ausência completa do Estado.
    Diante disso, gostaria de fazer algumas colocações e pedir, se possível, que vocês desconstruíssem meu raciocínio para que eu possa "enxergar o outro lado". Obrigado desde já.

    1º Em comentário por você (Fernando) postado no artigo "Empregos públicos são produtivos?", você responde a uma participante que questionas sobre iluminação pública, segurança pública e segurança nacional com a seguinte pergunta:
    "Mora em SP? Já foi pra Alphaville? Nunca viu um condominio particular?"

    E é ai que está minha dúvida: O Alphaville, assim como todos os condomínios particulares possuem uma "estrutura estatal". Eles possuem o síndico (poder executivo), o conselho de administração (poder legislativo), a empresa de administração (consultoria), existe as multas (restrição de liberdade - coação - poder judiciário), a contratação de empresas tercerizadas da preferencia do síndico e etc. Para conseguir construir sua casa no terreno que você comprou, você tem que ter o projeto aprovado pelo conselho (alvará). Se eles não autorizarem, você não constrói. Logo, assim como o governo com os cidadãos, o Alphaville restringe a liberdade de seus condôminos.

    Alguém pode argumentar: "você mora no Alphaville se você quiser". É verdade, mas com a extinção do estado a tendência natural não seria o surgimento das exigências privadas para suprir a ausência de legislação, ou melhor, a substituição da legislação publica pela legislação privada? Além disso, com o fim do estado a tendência não é o surgimento cada vez maior dos condomínios particulares (pois eles teriam a infra-estrutura necessária), logo, nós não teríamos mais a liberdade de escolha, pois todos teriam as mesmas, ou parecidas, exigências (restrições de liberdade).

    Trazendo para o artigo, na completa ausência do Estado o que impediria o estatuto do Alphaville estabelecer que quem bebesse e dirigisse dentro do condomínio teria que pagar multa de R$XXXXX, ou, pior, que seria preso por 30 dias, pois como o poder de polícia não é mais exclusividade do estado, o condomínio poderia assumir tal responsabilidade? Alias, regras assim já existem. você só pode andar no condomínio até 20km/h, sob pena de multa de 50% do valor da taxa condominial (coação).

    Imaginemos agora que os moradores de Alphaville precisam se locomover para fora do condomínio, logo eles precisam transitar por estradas privadas, estradas essas que também são utilizadas por outros condomínios. Pois bem, o proprietário das estradas, que recebeu um estímulo das empresas seguradoras que não querem pagar indenização decorrentes de acidentes, estabelece que naquela estrada ninguém pode passar de 60KM/H e que todos os motoristas que ali ingressarem devem fazer exame de urina para medir a dosagem de drogas e álcool no organismo, sendo que quem não fizesse o exame pagaria multa e seria preso por 24 horas. Os outros proprietários de estradas,também agraciados pelas seguradoras, achando a idéia boa, vez que o número de acidentes naquela estrada caiu para quase zero, e as indenizações também, começam a fazer as mesmas restrições. Onde ficaria nossa liberdade?

    Por fim, o próprio Mises, no primeiro parágrafo do capítulo Intervencionismo do livro Seis Lições afirma:
    "Diz uma frase famosa, muito citada: "O melhor governo é o que menos governa". Esta não me parece uma caracterização adequada das funções de um bom governo. Compete a ele fazer todas as coisas para as quais ele é necessário e para as quais foi instituído. Tem o dever de proteger as pessoas dentro do país contra as investidas violentas e fraudulentas de bandidos, bem como de defender o país contra inimigos externos. São estas as funções do governo num sistema livre, no sistema da economia de mercado."

    E por diversas vezes ele afirma (ou dar a entender) que não defende a extinção do governo, mas sim a restrição de sua atuação, ou seja, o estado mínimo.

    Diante disso, pergunto novamente, não é o estado um "mal necessário", sendo que a briga deveria ser não para destruí-lo, mas sim para diminuí-lo?
    Obrigado mais uma vez
  • Fernando Chiocca  06/11/2011 14:21
    Oi tulio

    Não, não dá para comparar um condôminio com o estado de forma alguma.
    Condôminio surgem de terrenos que são propriedades privadas e esta propriedade é parcialmente cedida a quem compra um lote, já com as regras de seu uso determinadas, assim como os meios de possíveis mudanças futuras de regras já estabelecidas. Quem adquiri um lote concorda, através de um contrato, com estas regras.
    Já o estado surge através do dominio violento que um grupo faz de um território, estabelecendo uma relação de súditos e mestres, sobrevivendo através da exploração das riquezas produzidas pelos súditos, impondo coercitivamente suas regras sobre eles. Regras estas que servem apenas para os súditos, e que os mestres não precisam seguir. Aqui explicado em um minuto:Hello I'm The State
    E não tem fundamento nenhum a comparação de dizer que tanto no estado quanto no condôminio, quem não concordar com as regras pode sair. É o mesmo que dizer que se você não concorda com os alto índice de assaltos que ocorre no seu bairro, vc pode sair. Quem tem que sair são os bandidos, não eu.
    Este artigo explica bem a total invalidade da comparação entre o estado e um conômínio: Mercado versus estado

    Mas realmente, a transformação das atuais cidades que são dominadas por estados na direção da liberdade seria algo complicado e talvez algumas coisas continuassem, na prática, bem parecidas. Mas só pelo fato de haver enorme descentralização (o quão absurdo é um grupo em Brasília definir regras para todos os cantos do Brasil!!) já iria previnir de forma definitiva muitos abusos contra as liberdades.

    Não, não existe nenhum condômino que imponha um limite de velocidade de 20 km/h sob pena de 50% do condôminio. Você está inventando dados para tentar construir um ponto. E posso afirmar com bastante segurança que se existisse, não venderia nenhum lote ou iria a falência.

    Sim um condôminio poderia criar estas regras que incluem coerção.. só queria ver um empreendimento desses ter sucesso no mercado. Se tivesse, ótimo. Estaria atendendo a demanda de pessoas que querem este tipo de coisa, e as outras pessoas seriam atendidas por outros empreendedores.

    Sim, Mises defendia um estado mínimo, embora sua defesa implicasse num anarquismo na prática, já que ele defendia o direito de secessão individual.
    E você nos trouxe um trcho que mostra a autocontradição inescapável de Mises; proteger as pessoas contra as investidas violentas e fraudulentas investindo violentamente contra as pessoas!!??

    Mises foi um gênio, pra mim um dos maiores, mas não perfeito.. e por mais que eu o admire, não posso concordar com falhas claras de sua vasta obra.
  • tulio  06/11/2011 14:44
    Prezado Fernando,
    Inicialmente, muito obrigado pela resposta.
    Com relação aos comentários, vou gostaria de fazer algumas colocações:
    1º Com relação à multa de 50%, não inventei não. Ele existe em pelo menos um condomínio aqui em Salvador. Ela não é aplicada porque na prática, não tem como se controlar, mas ela existe e pode. Contudo, como não tenho como comprovar neste momento e como esse não é o ponto central da conversa, aceitarei a carapuça. Desta forma, não existe tal multa (velocidade), mas existem diversas outras multas que são aplicadas aos condôminos por coisa ainda mais simples, como portar animal nas áreas comuns, fazer barulho e etc. Logo, existe a coação.
    2º As regras de convivência ( ou a legislação privada do condomínio pode e é alterada). Logo, quando compramos o lote no condomínio (ou uma loja no shop, ou um apto. etc...) não quer dizer que as regras iniciais serão as mesmas para sempre não. A cada reunião de condomínio, novas regras podem ser criadas e todos os moradores, concordem ou não, terão que respeitá-las.
    3º A idéia central de meu comentário e não sei se consegui explanar bem, é que exista Estado ou não, nós nunca teremos a plena liberdade, pois sempre estaremos sujeito às regras de convivência, regras essas que nem sempre concordaremos, mas teremos que nos sujeitas. E, pior, em algumas situações específicas as regras privadas podem até ser pior que as regras públicas.
    4º Concordo plenamente quando você diz: "(o quão absurdo é um grupo em Brasília definir regras para todos os cantos do Brasil!!)". Contudo, ainda não consigo ver a extinção do Estado como solução. Apenas vejo a transferência de boa parte dos problemas.
    Abraços,
  • Fernando Chiocca  06/11/2011 15:14
    1º - Leia o artigo que linkei para saber a diferença entre coação e regras privadas.

    2º - Eles já concordaram que pode haver mudanças que eles terão que concordar se quiserem continuar vivendo ali.

    3º - Numa sociedade livre você poderia ter a liberdade plena sim, dentro de sua propriedade. Você só considerou propriedades com muitos donos, como um clube que todos os sócios são donos e as regras devem ser decididas entre todos. Mas você pode ter uma propriedade apenas sua e fazer o que quiser lá, dentro dos limites já exaustivamente explicados dentro do libertarianismo de se respeitar a propriedade alheia.

    4º - O estado é o monopolizador de decisões finais dentro de um território e adquiri seus rendimentos através da coerção. Eu não consigo ver a manutenção de uma agência do crime como esta servindo para solucionar qualquer coisa.
  • bernardo  18/12/2011 07:45
    Fernando, com todo respeito, suas palavras são uma piada, voce ta afirmando que uma sociedade totalmente livre, sem estado, seria perfeita, como se o ser humano em seu estado natural fosse um ser bom em 100% dos casos. Voce é contra as regulações do estado, entao me diz, sobre as leis de transito, hoje morrem milhares de pessoas no transito, na maioria dos casos por imprudencia, isso porque temos leis, sem elas voce acha que seria como? Seria um caos total, respeito zero. Sem o estado, como será a segurança publica, cada pessoa faria o que quisesse, se eu quiser te matar amanha, ta OK entao? O que impede das iniciativas privadas colocarem regras abusivas, do mesmo modo, ou piores que o estado? Não venha me dizer que ninguem iria consumir serviços de empresas abusivas, quando se é obrigado, não existe isso de oferta e procura.
    O que me parece é que voce ta idealizando um mundo completamente utópico na sua cabeça, onde não haveria pessoas más intencionadas, como se o mercado controlasse todos os aspectos da sociedade, eu só posso é rir disso.
  • Fernando Chiocca  19/12/2011 08:33
    Não bernardo, eu não disse que todos os seres humanos são bons. Não sei onde leu isso.

    E como nem todos são bons, é preciso existir leis para proteger os bons e punir os maus.

    Esse é mais um motivo para não existir estado, pois estado é uma organização criminosa, e os que não são bons sempre estarão a frente dela, fazendo mal aos outros.

    Quando digo que sou contra todas as regulações do estado, estou falando das intervenções estatais que agridem a vontade livre dos seres humanos, que impedem ou obstruem trocas voluntárias. Elas são sempre um mal, pois prejudicam as partes que não podem fazer o que escolheram fazer.

    Mas isso não quer dizer ausência de leis; muito pelo contrário. As leis que protegem consumidores, motoristas e qualquer pessoa em qualquer situação de agressões contra suas pessoas e propriedades, incluindo fraudes, seriam finalemnte aplicadas a todos em uma sociedade livre do maior criminoso de todos, o estado.


    A real piada é alguém vir cheio de si criticar duramente uma posição quando se está num estado de ignorância como o seu. Recomendo que leia diversos artigos deste site antes de tentar criticar a posição libertária.


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