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A teoria austríaca do capital e dos juros

O tempo é um elemento inseparável da condição humana.  Tudo o que fazemos envolve o tempo.  Tudo é restringido pelo tempo.  Só o fato de você parar para ler este artigo já requer que você saiba alocar um período de tempo para tal tarefa.  E o período de tempo que você gastar para ler este artigo não mais estará disponível para outros afazeres.

A importância do tempo nos processos de produção econômica e na avaliação das escolhas a serem feitas é algo que foi especialmente enfatizado por vários seguidores da Escola Austríaca de pensamento econômico, começando por Carl Menger, o fundador da escola.

Porém, entre os primeiros membros da Escola Austríaca, foi Eugen von Böhm-Bawerk quem desenvolveu a primeira análise detalhada do papel do tempo nos processos de produção e no processo da escolha humana.  Os primeiros dois volumes de sua obra-prima sobre esse tema, Capital and Interest, foram publicados nos anos 1880.  O terceiro volume, predominantemente respostas aos seus críticos, apareceu em seu formato final no ano de 1914, pouco antes de sua morte.

Outro grande contribuinte para a teoria austríaca do tempo, já nos primórdios do século XX, foi o economista americano Frank A. Fetter.  Sua análise do processo de "avaliação temporal" foi apresentada em dois tratados: The Principles of Economics (1904) e Economic Principles (1915).

Durante os anos 1930 e 1940, contribuições adicionais foram feitas pelos seguintes economistas austríacos: Friedrich A. Hayek em Prices and Production (1931) e The Pure Theory of Capital (1941); Richard von Strigl em Capital and Production (1934); e Ludwig von Mises em Nationalökonomie (1940) e Ação Humana (1949).

Cada uma de nossas ações requer que levemos em consideração o tempo e que saibamos como iremos agir ao longo do tempo.  Seja fritar um ovo ou construir uma nave espacial que irá às estrelas, estamos sempre sendo confrontados com a necessidade de esperar pela consumação do resultado desejado.  Utilizamos os meios à nossa disposição que parecem ser os mais apropriados para as tarefas que almejamos, e tentamos atingir os fins desejados que temos em mente.

Porém, a causa (a utilização dos meios) sempre precede o efeito (o objetivo ou o fim resultante); e entre o começo da causa e o seu efeito resultante, sempre há um período de tempo, seja um período de alguns meros minutos ou de vários anos. Cada um de nossos planos, portanto, contém dentro de si um período de produção.

Raramente, no entanto, podem os nossos planos de produção ser completados em uma única etapa.  Geralmente, os recursos à nossa disposição têm de passar por várias transformações, por vários estágios de produção.  Somente após isso é que os bens de consumo que desejamos estarão prontos para ser utilizados em sua forma final desejada.  Uma árvore tem de ser derrubada na floresta.  A madeira tem de ser transportada e cortada na serraria.  Essa madeira cortada tem de ser levada para a fábrica de polpa e transformada em papel.  O papel deve ser encaixotado e enviado para a empresa que irá utilizá-lo.  Lá, o papel deve ser cortado em um tamanho adequado para o fim desejado, e a impressora irá jogar tinta em várias páginas, as quais serão finalmente enviadas por correio para vários endereços diferentes.

Isso que foi ilustrado no simples exemplo acima é equivalente ao que ocorre em todas as linhas de produção de todos os bens imagináveis de uma economia.

No entanto, a realização destes processos de produção requer uma determinada quantia de poupança.  Isto é, os recursos que serão utilizados nesse processo não podem ter sido consumidos em outros setores da economia.  Logo, eles precisam ter sido poupados.  Recursos e matérias-primas que de outra forma poderiam ter sido utilizados para satisfazer alguns de nossos desejos no presente mais imediato devem ser liberados para atividades produtivas que consomem mais tempo.

Primeiro, alguns desses recursos devem estar disponíveis para serem transformados em bens de capital — ferramentas, maquinários e equipamentos —, os quais posteriormente serão utilizados pelos trabalhadores que estão empregados na produção mais direta de bens de consumo.  Esses trabalhadores irão combinar sua mão-de-obra a esses bens de capital e, por meio de processos de produção mais "alongados", mais complexos ou que demandam mais tempo, irão produzir bens de consumo.  Segundo, recursos e bens de consumo devem estar disponíveis para serem utilizados por esses trabalhadores empregados no processo de produção.

Quanto maior for a poupança, maior poderá ser a quantidade de processos de produção que poderão ser empreendidos na sociedade — e mais alongados eles poderão ser.  Quanto mais alongado for um processo de produção, maior tende a ser a qualidade do produto final.  Consequentemente, quantos mais processos de produção alongados puderem ser implementados, maiores serão as quantidades e a qualidade dos bens que estarão disponíveis para ser consumidos no futuro.  Por quê?  Porque, tudo o mais constante, quanto mais indireto ou quanto mais demorado for um processo de produção, mais produtivos (geralmente) são os métodos de produção dele resultantes.

No entanto, quanto mais longos forem os períodos de produção que utilizamos, mais tempo teremos de esperar pelos bens finais que desejamos consumir.  As pessoas, portanto, têm avaliar o sacrifício exigido, em termos de espera, que estão dispostas a fazer a fim de obter um efeito potencialmente maior e mais desejado, o qual somente poderá ser obtido se o processo de produção se estender por um período mais longo de tempo.

Os sacrifícios de tempo que as pessoas estão dispostas a fazer normalmente são diferentes para cada indivíduo.  E estas distintas avaliações de tempo criam oportunidades para ganhos comerciais.  Aquelas pessoas que estão dispostas a adiar seu consumo — e, consequentemente, o uso de recursos no presente — poderão encontrar indivíduos que desejam ter acesso a uma quantidade de bens e recursos maior do que aquela que sua renda e riqueza lhes permitem adquirir no presente.  E esses segundo grupo de pessoas pode estar disposto a, no futuro, pagar um preço pelo uso desses recursos no presente mais imediato.

Assim, um preço intertemporal irá surgir no mercado à medida que os indivíduos avaliam e "fazem propostas" quanto ao valor do tempo e do uso de recursos.  Esse preço é a taxa de juros.  A taxa de juros reflete as preferências temporais dos agentes de mercado no que diz respeito ao valor dos recursos e das mercadorias no presente em comparação ao valor delas no futuro.

Sendo o preço do tempo, a taxa de juros equilibra a propensão a poupar de uns com o desejo de pegar emprestado de outros.  Mas a taxa de juros não apenas coordena os planos de poupadores e investidores; ela também funciona como um "freio" ou um "regulador" da duração dos períodos de produção empreendidos com a poupança disponível na sociedade.

Por exemplo, quais seriam os respectivos valores presentes de um investimento que retornasse $100 daqui a um ano, daqui a dois ou daqui a três anos, com uma taxa de juros de mercado de, digamos, 10%?  Eles seriam, respectivamente, $90,91, $82,64 e $75,13.  Isso significa que $100 daqui a um ano vale subjetivamente o mesmo que $90,91 hoje; que $100 daqui a dois anos vale subjetivamente o mesmo que $82,64 hoje, e que $100 daqui a três anos vale subjetivamente o mesmo tanto que $75,13 hoje.

Agora, suponha que a preferência temporal das pessoas dessa sociedade tenha mudado, de modo que elas agora optaram por poupar mais.  Consequentemente, haverá uma maior oferta de poupança disponível para ser emprestada.  Isso derruba a taxa de juros para, digamos, 7%.  Quais serão agora os valores presentes daquele investimento que retorna $100 daqui a um, dois e três anos?  Os valores presentes seriam, respectivamente, $93.46, $87.34 e $81.63.

Observe que o valor presente aumentou para todos os três potenciais investimentos, cada qual com um horizonte temporal diferente.  Porém, os aumentos percentuais dos valores presentes desses três possíveis horizontes de investimento não seriam os mesmos.  Para o investimento de um ano, seu valor presente aumentou 2,8%. Para o investimento de dois anos, seu valor presente aumentou 5,7%.  E para o investimento de três anos, seu valor presente aumentou 8,6%.  Claramente, a tendência de uma queda na taxa de juros é estimular um aumento nos investimentos com períodos mais longos de produção.

Se, ao contrário, as preferências temporais se movessem na direção oposta, com as pessoas optando por poupar menos, o que consequentemente geraria um aumento na taxa de juros, os investimentos de longo prazo ficariam relativamente menos atraentes.  Se a taxa de juros aumentasse de 7 para 10%, os valores presentes de um investimento que retornasse $100 daqui a um, dois e três anos diminuiriam, respectivamente, em 2,7%, 5,4% e 8%.  Isso faria com que investimentos com períodos de produção mais curtos se tornassem relativamente mais atraentes.

Em uma economia que está vivenciando um aumento na renda real, a decisão dos assalariados de poupar uma proporção maior de sua renda não requer uma redução absoluta no consumo.  Suponha que as preferências temporais dos assalariados fossem tais que eles normalmente poupassem 25% de sua renda.  Para uma renda de, digamos, $1.000, eles poupariam $250.  Se sua propensão a poupar aumentasse para, digamos, 30%, para uma dada renda de $1.000, seu consumo diminuiria de $750 para $700, e sua poupança aumentaria de $250 para $300.  Entretanto, se a renda dos assalariados aumentasse para, suponhamos, $1.100, e sua propensão a poupar também aumentasse para aqueles 30%, então agora eles estariam poupando $330 dessa renda aumentada.  Porém, o consumo também aumentaria para $770. 

Essa é a razão pela qual, em uma economia que está enriquecendo, a poupança pode aumentar — permitindo um novo processo de formação de capital e, consequentemente, investimentos com períodos mais longos — sem qualquer sacrifício absoluto do consumo.  O consumo aumenta em decorrência da renda real maior, embora aumente menos do que poderia aumentar caso os assalariados não tivessem optado por poupar um maior percentual de sua renda.

Mas se houver uma redução na demanda por bens de consumo e um aumento na poupança, quais seriam os incentivos para os produtores investirem em mais capital e em um aumento da capacidade produtiva?  Esta foi a crítica levantada contra Böhm-Bawerk no início do século XX por um economista chamado L.G. Bostedo.  Ele argumentou que, uma vez que é a demanda de mercado que estimula os fabricantes a produzir e levar bens ao mercado, a decisão dos assalariados de poupar mais e consumir menos destrói exatamente esse incentivo de se empreender novos projetos, os quais a maior poupança supostamente deveria facilitar.  Bostedo concluiu então que uma maior poupança, em vez de ser um motor para o aumento dos investimentos, servia na verdade para retardar o investimento e a formação de capital.

Em 1901, em um artigo intitulado "A Função da Poupança", Böhm-Bawerk retrucou essa crítica.  "Em sua premissa está faltando uma única, porém muito importante, palavra", apontou Böhm-Bawerk.  "O senhor Bostedo assume . . . que a poupança significa necessariamente uma redução na demanda por bens de consumo."  Porém, continuou Böhm-Bawerk,

Ele omitiu a pequena palavra 'presente'.  O homem que poupa reduz a sua demanda por bens presentes, mas de maneira alguma ele reduz seu desejo geral por bens que lhe deem prazer. . . . Pois o motivo principal daqueles que poupam é precisamente preparar-se para o consumo futuro; ter meios com os quais suprir suas demandas futuras ou as de seus herdeiros.  Isso significa, nada mais nada menos, que eles desejam garantir que terão controle sobre os meios que permitirão a satisfação de seus desejos futuros, isto é, sobre o consumo de bens em um período futuro.  Em outras palavras, aqueles que poupam reduzem sua demanda por bens de consumo no presente justamente para poderem aumentar proporcionalmente sua demanda por bens de consumo no futuro.

Porém, mesmo se houver uma potencial demanda futura por bens de consumo, como os empreendedores irão saber quais tipos de investimentos em capital deverão fazer?  E quais tipos de bens, e em quais quantidades, devem planejar ofertar no mercado em preparação para esta maior demanda futura?

A resposta de Böhm-Bawerk foi mostrar que a produção é sempre voltada para o futuro — um processo no qual se utiliza meios produtivos hoje com o intuito de se ter bens de consumo para serem vendidos amanhã.  O exato propósito da competição empreendedorial é testar constantemente o mercado, de modo a antecipar da melhor forma as demandas do consumidor, corrigir as existentes e perceber as que estão mudando.  A concorrência é o método de mercado que faz com que a oferta seja sempre correspondente às demandas dos consumidores.  E se erros forem cometidos — e eles serão —, os prejuízos resultantes desse prognóstico errôneo dos lucros funcionam como estímulo para que se faça ajustes apropriados na estrutura de produção, ou para que se realoque mão-de-obra e recursos para outras linhas de produção.

Quando deixado funcionando livremente, argumentou Böhm-Bawerk, o mercado exitosamente garante que as demandas tenderão a igualar a oferta, e que os horizontes temporais dos investimentos serão compatíveis com a poupança disponível necessária para manter e expandir a estrutura do capital no longo prazo.

E qualquer tentativa de manipular esse arranjo — por exemplo, por meio da redução artificial das taxas de juros — inevitavelmente gerará ciclos econômicos.


1 voto

autor

Richard Ebeling

leciona economia na Northwood University de Midland, Michigan, é um scholar adjunto do Mises Institute e trabalha no departamento de pesquisa do American Institute for Economic Research.


  • Guilherme  14/09/2011 17:02
    Esse artigo veio bem a calhar. Já li vários artigos sobre a teoria dos ciclos econômicos, assisti a palestras de economistas da EA e estudei a apresentação do Roger Garrison sobre a macroeconomia baseada na estrutura do capital. Tais conceitos são bastante lógicos e, pra mim, bem mais lúcidos que os propagados pelas escolas mainstream.
    Contudo, há algumas questões que tenho refletido e gostaria de perguntar ao Leandro ou a qualquer outro colega da EA que queira comentar, quais sejam:

    1) Assumimos que em uma economia sem a interferência do Banco Central manipulando artificialmente a taxa de juros, estas seriam definidas de acordo com a preferência temporal dos indivíduos. Ou seja, é o nível de poupança que a determinaria. Então, considerando uma situação em que essa preferência se altere de modo que diminua a poupança e, por conseguinte, cause um aumento na taxa de juros, nesse caso, o custo do investimento foi onerado, como o próprio artigo diz, e o empreendedor reduzirá seu investimento, em especial aquele de longo prazo. Pois bem, e quanto a esse aumento na demanda no presente, suponho que seria atendido ou pelo aumento da produção ou pelo esgotamento dos estoques. Certo? Esse aumento de produção se daria por meio da utilização de uma eventual capacidade ociosa e pelo aumento das horas trabalhadas? Seria esse o investimento em capital na fase final da estrutura?

    2) Boa parte das escolas de economia ensina que as decisões de poupança e de investimento se baseiam na taxa de juros. Um aumento da taxa de juros estimula a poupança e desetimula o investimento e vice-versa. Já a EA entende que é a poupança que determina a taxa de juros e, por conseguinte, influencia as decisões de investimento. Eis minha dúvida: seria correto admitir que realmente existe um conflito de pensamentos ou, na verdade, a premissa da EA serve para uma economia sem a intervenção de uma autoridade monetária manipulando artificialmente as taxas de juros e, por outro lado, as demais escolas já consideram essa interferência estatal e, portanto, as hipóteses de ambas, embora possam parecer contraditórias, são válidas, sendo que para cenários distintos?

    De antemão obrigado.
    Saudações,
    Guilherme
  • Leandro  14/09/2011 17:37
    Prezado Guilherme,

    1) Sim, a demanda seria atendida tanto pelo esgotamento de estoques quanto pela maior produção de bens de consumo em final (em detrimento da produção de bens de capital, por exemplo). Logicamente, essa situação é insustentável no longo prazo, pois, no extremo, toda a economia estancaria. Haveria apenas consumo imediato e nenhuma produção de longo prazo. É impossível haver capital deslocado perpetuamente tanto para produção de bens de consumo quanto para a produção de bens de capital. Logo, quando o futuro chegasse, simplesmente não haveria bens a serem consumidos.

    Falando em termos mais técnicos (pense no triângulo de Hayek), essa explosão do consumo sem um concomitante investimento faz com que a estrutura de produção se contraia (o triângulo fica gordo na extremidade direita e totalmente encolhido na extremidade esquerda), mas sem que tenha havido uma expansão anterior. A economia entra em recessão sem que sequer tenha havido o período da expansão. (Isso explica também por que todas as políticas governamentais de estímulo à demanda provocam o efeito oposto do esperado.)

    Desnecessário dizer, é claro, que essa situação é absolutamente implausível em um livre mercado, pois esse aumento de juros imediatamente incentivaria as pessoas a pouparem (abrindo mão de seu consumo presente), liberando recursos para o investimento em processos de produção voltados para o longo prazo. Seria impossível a economia ficar sobreaquecida desta forma por muito tempo. Obviamente, a única instituição que pode provocar este desequilíbrio é o governo por meio de seu Banco Central, o qual pode manipular os juros por tempo indeterminado. Aliás, é exatamente esse cenário que está ocorrendo hoje nos EUA.

    2) Basicamente, são três as coisas que determinam os juros de mercado: a preferência temporal, o risco do empréstimo e a expectativa de inflação. Uma vez formada essa taxa de juros no livre mercado, ela irá coordenar as decisões de poupança e consumo. No mundo real, no entanto, essa taxa de juros é continuamente distorcida pelas intervenções do banco central (e, secundariamente, pelo sistema bancário de reservas fracionárias), de modo que os juros deixam de sinalizar a quantidade real de recursos que estão disponíveis para investimentos.

    Portanto a premissa da EA não apenas explica todo o conceito de juros, como também mostra por que intervenções nos juros inevitavelmente geram ciclos econômicos. As outras escolas de pensamento não fazem nem uma coisa nem outra.

    Modéstia à parte, esse artigo explica bem esses conceitos:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=552

    Grande abraço!
  • Cristiano  26/06/2012 08:39
    Acrescentaria na resposta 1 o aumento nos preços dos bens que o súbito aumento de consumo causaria, regulando os estoques e sinalizando que aquele setor demanda investimentos para aumentar produção.
  • Rhyan  14/09/2011 19:14
    Gostaria de entender melhor os processos da chamada Microeconomia, como formação de preços, formação da demanda e da oferta. Alguma sugestão?
  • Leandro  14/09/2011 19:23
    Creio ser este uma boa introdução:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=288

    Há também estes outros dois:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=269

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=148

    Esses três já vão lhe ocupar bem e fornecer várias respostas.

    Abração!
  • Rhyan  14/09/2011 19:50
    Tava lendo agora esse artigo do Mises!

    Não entendi o seguinte, se o governo estabelece um preço mínimo (como p.e. o salário), significa que a oferta será maior que a demanda. Por que o vendedor não consequiria vender abaixo do preço tabelado de forma ilegal?
  • Leandro  14/09/2011 20:41
    De forma ilegal ele conseguiria. O difícil seria encontrar um empregador disposto a correr este risco, pois o governo poderia facilmente "enquadrá-lo".

    Isso acontece hoje na economia brasileira. Você não pode contratar alguém pra meio expediente e pagar menos que o salário mínimo, mesmo que esse cara esteja desesperado por um emprego e disposto a aceitar menos que R$ 545. (Acho que a única exceção é para empregadas domésticas).

  • Rhyan  15/09/2011 04:15
    É que na forma que Mises coloca no texto, parece que há outro mecanismo econômico que impediria o consumidor de comprar um produto mais barato.

    Pois, o oposto, quando o preço é limitado no máximo, um consumidor não teria o produto nem pagando mais caro, pois haveria forte escassez e racionamento.

    Valeu!
    Abraço!
  • Tiago  15/09/2011 13:18
    Empregada doméstica também não pode ganhar menos que o mínimo não. Só que você não precisa contratar por mês, pode contratar por dia ou por hora. Há um valor do mínimo para cada caso. Por exemplo, se tem uma diarista que trabalha duas vezes por semana pra ti, você pode contratá-la por dia, e conquanto que para cada dia pague mais que o mínimo diário está ok (normalmente o salário de uma empregada é maior que isso, pelo menos era quando eu tive que registrar).
    Só fique esperto com todas as complicações que vêm junto, como Descanso Semanal Remunerado (DSR) por exemplo, que não aparece quando você faz contrato mensal. Você tem que pagar um dia por semana, que não será trabalhado.... enfim, a CLT é complicada.

    A única exceção que existia com relação a empregada doméstica era a não obrigatoriedade de depositar no FGTS. Não sei se ainda existe.
  • Ubiratan Iorio  14/09/2011 20:17
    Magistral artigo do Prof. Ebeling! Didático, simples, de uma lógica irretocável.
  • Matheus Ben Hur  17/09/2017 21:26
    Leandro,

    Na minha monografia tratei sobre a TACE e a crise de 2008, no decorrer dele afirmei que havia um descompasso entre o nível de investimento na economia e o nível de poupança e fui questionado por essas variáveis serem tidas como identidade uma da outra. Você pode me auxiliar quanto a isso?
  • Leandro  17/09/2017 22:00
    Só são identidades quando os bancos funcionam exclusivamente como intermediários entre poupadores e tomadores de crédito. Neste arranjo, as taxas de juros são livremente determinadas por oferta e demanda (e também por risco de crédito e perspectiva inflacionária futura) e a poupança de fato se torna investimento.

    Porém, quando os bancos são livres para criar dinheiro e emprestá-lo -- pois contam com o suporte do Banco Central --, essa identidade é quebrada. As taxas de juros, manipuladas pelo Banco Central --, também perdem completamente sua função balizadora.

    Portanto, no atual arranjo monetário e bancário, poupança e investimento não mais são identidades, pois o investimento pode ser (temporariamente) estimulado pela expansão artificial do crédito, sem que tenha havido qualquer poupança.

    Obviamente, as consequências dessa intervenção no mercado de crédito são os ciclos econômicos.

    Dois artigos sobre isso (dê especial atenção ao segundo):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466
  • Getulio Malveira  14/09/2011 20:24
    Não consigo parar de me espantar com a coerência lógica e a evidência das teses austríacas. A teoria do capital é uma das mais fantásticas construções teóricas que já conheci, sem dúvida a mais fantástica fora das ciências naturais. É incrível a perfeita coexistência entre um alto grau de coerência interna e evidência externa.

    Não consigo entender como é possível que teorias dessa ordem sejam quase completamente desconhecidas no mundo acadêmico, particularmente pelos estudiosos da filosofia da ciência, enquanto "teorias" absolutamente exdrúxulas recebem atenção imerecida.
  • Caio  15/09/2011 17:56
    Faço minhas suas palavras, é incrivel, e assustadora, a ausência da EA nas academias.
  • Artur  26/06/2012 15:26
    São propositalmente ignoradas... Não vamos ignorar que as academias estão tomadas por comunistas e idiotas úteis que não se enxergam como vermelhos. Utopias coercivas são o ponto de chegada de 8 entre 10 "intelectuais"... eles precisam justificar os altos salários e tempo desperdiçado com hipóteses estúpidas.
  • mauricio barbosa  26/06/2012 06:10
    Prezado Leandro qual a visão da EA acerca da teoria de Prebisch de industrialização por substituição de importações na qual ele afirmava que os preços dos bens industriais são inflexíveis e os preços dos bens primários(agrícolas e minerais)são flexíveis tornando a balança comercial dos países industrializados superavitárias e dos países agrários deficitárias,creio eu que ela entra em contradição com a teoria econômica austríaca.
  • Leandro  26/06/2012 06:49
    Prezado Mauricio, a teoria do Prebisch não está em contradição apenas com a teoria austríaca: ela está em contradição com a realidade. Basta ver que, desde a globalização, foram justamente os países industrializados -- com grande destaque para os EUA -- que apresentaram balanças comerciais deficitárias, ao passo que os países em desenvolvimento apresentaram grandes superávits.

    A teoria do Prebisch -- como todo bom cepalino -- é a de defender os interesses do setor exportador em detrimento do resto da população. Não há absolutamente nada de original nesta teoria; ela já era aplicada, como demonstrou Adam Smith, desde o século XVIII, com o nome de mercantilismo Esta gente tem um fetiche por exportação que é comparável apenas ao fetiche marxista pela mais-valia.

    Abraços!
  • mauricio barbosa  26/06/2012 18:37
    Prezado Leandro o mercantilismo foi uma politica pró-exportação assim bem como a teoria cepalina,até ai tudo bem concordo com você, mas e quanto a questão da superoferta de bens primários no mercado internacional ao contrário dos bens industriais e de tecnologia de ponta que são monopólios de alguns paises, nisso a teoria cepalina parece acertada ou não!
    Desde já agradeço a atenção e acho que essa questão dá um bom artigo.
  • Leandro  26/06/2012 19:47
    Prezado Mauricio, para que uma teoria seja acertada, ela tem de fazer sentido. E esta teoria cepalina é totalmente destituída de lógica. Dizer que países detentores de tecnologia possuem vantagens monopolísticas no comércio internacional faz tanto sentido quanto eu dizer que países detentores de férteis áreas de cultivo de alimentos é que possuem vantagens monopolísticas no comércio internacional. Aliás, esta "minha" teoria faz mais sentido que a teoria cepalina: afinal, é mais imperativo um país comprar comida do que comprar videocassetes, correto? Logo, o país que vende comida teria mais poder de barganha do que aquele que vende televisões de plasma.

    Adicionalmente, veja que nada mudou na pauta de exportações brasileiras: continuamos exportando café, laranja, soja e minério, bens de baixíssimo valor agregado. No entanto, há mais de uma década temos superávit comercial. Ou seja, a teoria do Prebisch ficou pra próxima.

    Grande abraço!
  • mauricio barbosa  26/06/2012 21:28
    Grande Leandro, excelente resposta pois realmente nos ultimos 11 anos(2001-2011)nossa balança comercial tem sido superaviária(fonte:portalbrasil.net)o que desmente a teoria cepalina e reafirma a teoria das vantagens comparativas que de tão singela é vilipendiada pelos critícos mas que continua sendo aplicável e utíl,quanto ao artigo acho ele interessante por desmistificar essa idéia errônea de que o imperialismo é quem tem atrasado o desenvolvimento dos paises do terceiro mundo,sendo que creio eu a teoria cepalina seja uma das culpadas por disseminar essa falsa idéia encobrindo o verdadeiro culpado,politicas publicas ineficientes e desnecessárias dos países do terceiro mundo,como sempre o estado com seus patifes de plantão fazendo suas lambanças e culpando quem achar na reta.Um grande abraço e obrigado pela paciência.
  • adolfo  02/12/2012 00:51
    pesquisando por raul prebisch, achei este post, sei que é antigo mas queria comentar :

    mais da metade das exportações brasileiras são de produtos industrializados.. isso não desmente a escola cepalina que analisou um brasil "bananeiro", um pouco mais de atenção à realidade. abraços
  • Luis Almeida  02/12/2012 13:33
    Adolfo, em 2011 a quantidade de produtos básicos exportados foi estatisticamente igual à soma das exportações de produtos industrializados de baixo valor agregado.

    www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/ie5-04.xls

    Como você bem disse, mais atenção à realidade e menos ideologia.
  • jose carlos zanforlin  26/06/2012 07:42
    Prezado Leandro:\r
    \r
    Eis trecho de sua resposta ao Guilherme:\r
    \r
    "Desnecessário dizer, é claro, que essa situação é absolutamente implausível em um livre mercado, pois esse aumento de juros imediatamente incentivaria as pessoas a pouparem (abrindo mão de seu consumo presente), liberando recursos para o investimento em processos de produção voltados para o longo prazo."\r
    \r
    Pergunto: num sistema econômico sem reservas fracionárias, em que bancos fossem obrigados a manter 100% dos depósitos feitos pelas pessoas, como se liberariam recursos para a produção de longo prazo? Talvez por meio de autorização de depositantes para utilização de seus depósitos? Veja vc que a questão consiste justamente em que, para "realização destes processos de produção requer-se uma determinada quantia de poupança" conforme trecho transcrito do Autor. \r
    \r
    Por outra forma ainda: utilização de poupança implica a prática de reserva fracionária?\r
    Grato.
  • Leandro  26/06/2012 07:51
    Depósitos a prazo, prezado José Carlos. Os quais, aliás, possuem exatamente esta função de intermediar poupança e investimento. O dinheiro emprestado não poderia ser utilizado ao mesmo tempo pelo correntista e pelo tomador de empréstimo, pois é este descasamento entre poupança e consumo que gera os ciclos econômicos.

    Grande abraço!
  • Gabriel Moraes  26/06/2012 10:14
    Leandro, vendo a critica de Bostedo me surgiu uma curiosidade, quais são as criticas a E.A que realmente tem sentido, logica, ou mesmo os pontos que a teoria ainda não resolveu?

    O que deixaria um Austríaco de calças curtas em um debate?
  • Leandro  26/06/2012 10:32
    Desconheço, Gabriel. Ao menos no que tange a assuntos puramente econômicos (e falo isso porque algumas pessoas confundem filosofia libertária com escola austríaca), não conheço nenhum ponto falho.

    Há, no máximo, algumas divergências internas sobre alguns assuntos, como reservas fracionárias e direitos autorais.

    Abraços!
  • Rhyan  26/06/2012 10:22
    Acho que seria interessante se vocês criassem um banco de dados com as bibliografias dos principais membros da EA. Nem a wikipedia em inglês tem todos os livros publicados.
  • Henrique  26/06/2012 13:00
    Quando observo o mercado e as distorções constantemente impostas pelos governos sou obrigado a presumir que o valor do capital corrente está em desacordo com seu poder de compra real. Dito de outro modo, não é possível que o euro valha a mesma coisa que ontem (com irrisório viés percentual) se hoje o governo injetou artificialmente não sei quantos bilhões no mercado. O valor do dinheiro corrente obviamente não vale a mesma coisa se diluído por causa de um aumento irreal. Partindo da premissa que essas injeções de capital, mudanças artificiais das taxas de juros, dentro outros mecanismos de controle do mercado, criam distorções quanto ao poder de compra real do dinheiro, deixo a pergunta: Existe como calcular seu poder real de compra? Alguma metodologia, teoria, ilação, qualquer coisa, que possa criar uma inferência quanto ao que cada realzinho realmente poderia comprar numa economia livre de distorções?
  • Rui Ribeiro de Magalhaes  26/06/2012 15:17
    Caríssimo Leandro:

    "Quanto mais alongado for um processo de produção, maior tende a ser a qualidade do produto final"?

    Defina alongado, por favor?E de que modo essa situação influência o aumento de qualidade e a provável escolha pelos consumidores

    Cumprimentos
    Rui Ribeiro de Magalhães
  • Leandro  26/06/2012 19:53
    Prezado Rui, é exatamente como o artigo explica:

    "Raramente, no entanto, podem os nossos planos de produção ser completados em uma única etapa. Geralmente, os recursos à nossa disposição têm de passar por várias transformações, por vários estágios de produção. Somente após isso é que os bens de consumo que desejamos estarão prontos para ser utilizados em sua forma final desejada. Uma árvore tem de ser derrubada na floresta. A madeira tem de ser transportada e cortada na serraria. Essa madeira cortada tem de ser levada para a fábrica de polpa e transformada em papel. O papel deve ser encaixotado e enviado para a empresa que irá utilizá-lo. Lá, o papel deve ser cortado em um tamanho adequado para o fim desejado, e a impressora irá jogar tinta em várias páginas, as quais serão finalmente enviadas por correio para vários endereços diferentes."

    Ou seja, se você quiser construir uma BMW bem feita, você não conseguirá fazer tudo com apenas um estágio de produção. Sua estrutura de produção será "longa", com vários estágios, vários processos distintos. Haverá diferentes processos produtivos para diferentes partes do automóvel. Haverá um processo de produção para os pneus, outro processo para a carroceria, outro para o bloco do motor, outro para o cabeçote, outro para os cilindros e pistões, outro para a transmissão, outro para o estofado, outro para o câmbio, outro para o volante etc. Se você quiser construir uma BMW utilizando um único processo de produção conseguirá no máximo fazer um carro igual ao dos Flintstones.

    Abraços!
  • Alfeu Rabelo Neto  27/06/2012 07:11
    Não sei se eu entendi a teoria dos juros e os ciclos econômicos. Montei esse esquema aqui, por favor, analisem se está certo:



    Cenário normal:


    Juros baixos são porque tem muita poupança, o que significa que tem pouco consumo hoje. Resultam em muito investimento de longo prazo, aumentando a oferta e tendem a dar origem no futuro a mais consumo com a mesma % de poupança ou maior, já que houve crescimento econômico.

    Juros altos são porque tem pouca poupança, o que significa que tem relativamente muito consumo hoje. Resultam em pouco investimento de longo prazo e tende a dar origem no futuro a menos consumo (em relação ao cenário de juros baixos) e mais poupança que antes (no cenário de juros altos).



    Cenário de expansão creditícia artificial:


    Juros baixos atravez de inflação: mesmo com pouca poupança real há crédito, o que significa muito consumo hoje e resulta em muitos investimentos de longo prazo, mas não mais consumo no futuro, já que não há poupança a ser gasta no futuro, pois já foi gasta no presente.


    Enquanto os juros se manterem ou caírem (oferta monetária aumentando cada vez mais) irá haver consumo pra aqueles investimentos feitos com poupança artificial,
    porém, o aumento de preços vai começar a incomodar bastante, e esse aumento corrói a poupança, fazendo os juros subirem, e por isso a oferta monetária tem que crescer
    cada vez mais pra que esse ciclo continue, resultando em ainda mais aumentos de preços. Esses aumentos de preços também destróem os lucros, resultando em recessão. Pra evitar que isso ocorra os juros serão aumentados, diminuindo o consumo, e, assim, levando a uma quebradeira geral pra quem achou que sempre haveria demanda (recessão).

    Quando o dinheiro novo flui pra um setor em especial, se vê a formação de uma bolha.

    Dinheiro pode ser criado do nada tanto por injeção de dinheiro nos bancos, via operações de mercado aberto, quanto por reservas fracionárias.

    Crises podem resultar facilmente em muitos calotes, muitos colotes podem levar à falência de bancos, e dado que por causa das reservas fracionárias os bancos são
    dependentes entre si, caso não haja alguém que cubra o rombo desse banco, a falência de um pode levar a falência de vários outros, aumentando a recessão na economia.
  • Leandro  27/06/2012 07:21
    Muito bom, Alfeu.

    Caso se interesse, sugiro a leitura destes dois artigos, nesta ordem:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=552
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1108

    Grande abraço!

  • Johnny Jonathan  02/07/2012 21:27
    Eu aprendi mais sobre essa teoria do capital e juros com alguns artigos aqui sobre o Japão, do que com esse. O exemplo empírico é de encher os olhos.

    Digo, não sei se entendi bem, algo deve ta faltando... mas na leitura dos artigos e nos comentários, foi explicado o porque que um sistema deflacionário não é ruim e a partir dai conseguir visualizar a teoria com facilidade, a partir da leitura de outros textos.

    Digo, se você tem uma deflação, você tem a "mágica" de juros baixos, porque a deflação estimula a poupança - já que o dinheiro de amanhã estará mais valorizado do que o de hoje, vale a pena guardar, mesmo sem juros ou com juros baixos - e não tem a inflação, obvio, estamos numa deflação.
    Assim, o investimento com o crédito fácil compete com o investimento de só guardar dinheiro, logo um investimento no setor produtivo tende a alocar recursos mais eficientemente, e num sistema inflacionário a criação de bolhas - má alocação de capital - ou recessõs é mais frequente por não haver incentivo a poupança, ou pelo contrário, ter isentivo ao consumismo. Consumismo faz você comprar produtos que você não quer tanto, só pela oportunidade - ou seja, este mesmo produto estará mais caro amanhã. E isso consome a poupança no presente, que normalmente é substituída por crédito.
    Assim o setor produtivo se esforça pra pessoas comprarem produtos que elas não querem, e somada a facilidade de aquisição (quando os juros estão baixos) cria-se bolhas.

    Dito isso, percebi que realmente, um sistema deflacionário é mais interessante porque gerá poupança, e é a poupança que promove a produção de riqueza de forma eficiente. No caso Japonês, a poupança deles é consumida pelo governo, e isso gerá estagnação econômica. Isso mostra também que, mesmo num arranjo favorável que é o Japão poupador, o governo é muito ineficiente atuando como empresário - ele destrói capital, não importa o que ele faça com dinheiro.

    Não sei se essa interpretação estar certa, mas foi a partir primeiro dela que conseguir entender esse artigo.
  • Daniel Marchi  09/07/2012 12:47
    A cada minuto que passa a economia brasileira ganha um novo malinvestiment.

    Volkswagen obtém R$ 342 milhões do BNDES para carros
    g1.globo.com/carros/noticia/2012/07/volkswagen-obtem-r-342-milhoes-do-bndes-para-carros.html
  • Fernando Soares  22/09/2012 18:55
    Por que as pessoas emprestam dinheiro sem cobrar juros?
  • Augusto  23/09/2012 06:12
    Pela mesma razao que deixamos o dinheiro na conta corrente: para alguem guardar. (o que nos depositamos na conta corrente tambem eh emprestado e nos nao recebemos juros por isso, diferente da poupanca)
  • Josias Luna  08/01/2014 08:19
    O artigo www.mises.org.br/Article.aspx?id=288 citado pelo Leandro nesta seção não encontra-se disponível. Gostaria de lê-lo na sequência que o Leandro recomendou para entendar a Microeconomia.
  • david  08/01/2014 16:22
    Leandro, qual sua opinião sobre o debate entre Sraffa e Hayek? Pelo que tenho pesquisado sobre a TACE, o assunto que mais aparece trata da taxa natural de juros, pelo menos o seu conceito wickselliano. O Murphy aparentemente ficou do lado do Sraffa e acha que ainda não houve uma resposta à altura dos austríacos.

    valeu,
  • Leandro  08/01/2014 16:27
    Não tenho acompanhado.

    Com qual parte da teoria de Hayek você não concorda? Qual parte da teoria de Sraffa você acha ser superior à de Hayek?

    Sempre tenha em mente que o próprio arcabouço no qual Sraffa se baseia é conceitualmente falho

    De resto, sempre vi alguém comentando o debate Hayek x Sraffa, jamais vi a teoria hayekiana sendo corretamente apresentada. Para você ter uma ideia, há acadêmicos que descrevem a teoria hayekiana sem nem sequer mencionar a questão da variação da oferta monetária, algo central na tese de Hayek. Eles dão a entender que Hayek falava apenas de taxas de juros, e acabam criando uma versão totalmente cartunesca da abordagem de Hayek sobre os ciclos econômicos.
  • Leandro  08/01/2014 16:46
  • david  08/01/2014 19:42
    Obrigado pelo texto do Rallo, ainda não tinha lido, apenas a discussão dele com o tal do Lord Keynes sobre o assunto. Bastante esclarecedor.
    Até onde entendi da controvérsia de Hayek x Sraffa, o autríaco dizia que sempre que os juros estivessem abaixo da taxa natural existiria descoordenação. Então o Sraffa disse que não existe UMA taxa de juros, mas várias e seria impossível pra autoridade monetária fazer coincidir essas taxas "como propunha Hayek". Não sei se é acurada essa posição do Sraffa ou um erro de leitura sobre o que o Hayek queria dizer. No entanto, a meu ver, essas diversas taxas apenas reforçam a posição austríaca contra o intervencionismo.
    Mas o que me chamou a atenção mesmo foi o posicionamento do Bob Murphy com relação à necessidade de um estudo mais aprofundado sobre múltiplas taxas de juros pra TACE. Tem alguma dica sobre isso?
    Um outro texto interessante sobre o tema se chama sraffallacies econo-miaytuya.blogspot.com.br/2013/01/sraffallacies-misesian-defense-of-abct-i.html

    obrigado,
  • Ein Stein  20/06/2016 13:53
    Leandro, sendo "O tempo um elemento inseparável da condição humana" ele influi naturalmente nas taxas de juros - preferência temporal.
    Mas a tecnologia pode mudar completamente os postulados econômicos. Basta eu emprestar meu suado dinheiro para um empreendedor a uma taxa baixa de juros e enfiar-me numa nave a 99% da velocidade da luz, passados algumas semanas na nave eu voltaria para nosso tempo e estaria rico de tudo, e ainda jovem, bilionário!
  • Josélton  29/11/2016 09:51
    Eu tenho certas dúvidas em relação a juros, por exemplo no livro do rothbard "O que o governo fez com nosso dinheiro" há um trecho na página 97:

    "Entretanto, quando a elevação de juros acabou com a farra da expansão
    monetária, o estrago já estava feito: empresas e famílias no limite do
    endividamento, bancos perigosamente alavancados e uma estrutura de
    produção completamente insustentável."

    A qual juros seria essa elevação de juros? Seriam os juros normais de empréstimos a pessoas? os juros dos títulos de dívida?

    O meu entendimento é que o governo aumenta os juros dos títulos de divida assim os bancos emprestam ao governo dinheiro e como os juros são altos não vale apena emprestar a população à juros baixos e por isso os juros à pessoas normais aumentam.

    Esse entendimento está correto?


    Ademais, na página 99 temos:

    "O rol de ações extraordinárias sem precedentes, no entanto, não
    havia acabado. Em questão de meses, o Fed levaria a sua taxa básica de
    juros a zero. "

    Seriam esses juros relacionados aos títulos de dívida? Assim funcionaria da mesma forma que meu entendimento anterior só que o contrário, como os títulos não rendem mais, os bancos emprestam mais certo?


    Como vocês podem ver eu tenho duvidas basicas sobre o assunto, há algum artigo/livro que explica isso bem?
  • Guilherme  29/11/2016 11:00
    "A qual juros seria essa elevação de juros? Seriam os juros normais de empréstimos a pessoas? Os juros dos títulos de dívida?"

    Todos.

    Tenha em mente que o Banco Central controla apenas uma taxa: a taxa básica, a SELIC, que a taxa a que os bancos emprestam dinheiro entre si no mercado interbancário.

    Mas esta taxa influencia todas as outras taxas da economia.

    Se o BC eleva a taxa básica, todas as outras reagem de acordo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

    "O meu entendimento é que o governo aumenta os juros dos títulos de divida"

    O BC controla apenas os juros de um tipo de título da dívida: os títulos atrelados à SELIC, que a taxa do mercado interbancário.

    Os juros de todos os outros títulos não são diretamente controlados pelo BC.

    "assim os bancos emprestam ao governo dinheiro e como os juros são altos não vale apena emprestar a população à juros baixos e por isso os juros à pessoas normais aumentam."

    Raciocínio correto.

    "Seriam esses juros relacionados aos títulos de dívida?"

    Taxa básica de juros.

    "Assim funcionaria da mesma forma que meu entendimento anterior só que o contrário, como os títulos não rendem mais, os bancos emprestam mais certo?"

    Na teoria, sim. Só que o Fed incorreu em uma heterodoxia que nunca havia antes sido feita em lugar nenhum do mundo: ele começou a pagar juros sobre todo e qualquer depósito que os bancos voluntariamente deixassem parados no Fed. Aí não ocorreu expansão creditícia nenhuma:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2213


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