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Elucidando Milton Friedman e a Escola de Chicago

Mencione a expressão "economia de livre mercado" para uma pessoa relativamente informada e as chances são de que, caso ela já tenha ouvido falar dessa expressão, ela irá relacioná-la completamente ao nome de Milton Friedman.  Por vários anos, o professor Friedman obteve várias menções honrosas na imprensa e entre seus colegas de profissão, e toda uma escola de pensamento friedmaniana — os "monetaristas" — surgiu para desafiar a ortodoxia keynesiana.

Entretanto, em vez da típica reação de reverência e estupefação pelo fato de que "um dos nossos chegou lá", os libertários deveriam encarar toda essa situação com muita desconfiança: "Se ele é um libertário tão devoto, como e por que ele se tornou o economista favorito de boa parte do Establishment?"  Tendo sido conselheiro de Richard Nixon e amigo e colaborador da maioria dos economistas que trabalharam para o governo, principalmente sob Ronald Reagan, Friedman conseguiu deixar sua marca nas políticas governamentais, e de fato passou a encarnar um tipo de apologista não-oficial de determinadas políticas dos governos Nixon e Reagan.

Sendo assim, mostrar alguma desconfiança deveria ser exatamente a reação adequada de um libertário, pois o tipo específico de "economia de livre mercado" defendido pelo professor Friedman dificilmente foi concebido para irritar ou mesmo perturbar o poder do regime.  Milton Friedman é e sempre foi o Libertário da Corte do regime, e está mais do que na hora de os genuínos libertários acordarem para este fato.

A Escola de Chicago

O friedmanismo só pode ser completamente entendido dentro do contexto de suas raízes históricas, e essas raízes estão na chamada "Escola de Economia de Chicago" das décadas de 1920 e 1930.  Friedman, um professor da Universidade de Chicago, tornou-se o incontestável líder da moderna (segunda geração) Escola de Chicago, que possui partidários difundidos por toda a profissão econômica e cujos principais centros são, historicamente, Chicago, UCLA e a Universidade da Virgínia.

Os membros da primeira geração da Escola de Chicago, a geração original, eram considerados "esquerdistas" na época, como de fato o eram por qualquer critério de livre mercado que se adotasse como mensuração.  E embora Friedman tenha modificado algumas de suas abordagens, ele continuou sendo um homem de Chicago da década de 30.  O programa político dos chicaguistas originais é revelado em assombrosos detalhes na abominável obra de um de seus fundadores e principais mentores políticos: A Positive Program for Laissez Faire[1], de Henry C. Simons.  O programa político de Simons era laissez-faire apenas no mais inconsciente e satírico sentido do tempo.

Ele era formado por três ideias principais:

1. Uma drástica política de proibição de todos os tipos de truste para todos os tipos de empresas e sindicatos, reduzindo-os todos ao tamanho de lojas de ferreiro.  Tudo isso com o intuito de se chegar à concorrência "perfeita" e àquilo que Simons imagina ser um "livre mercado".

2. Um vasto esquema de igualitarismo compulsório, igualando as rendas por meio de uma estrutura específica para o imposto de renda; e

3. Uma política proto-keynesiana de estabilização do nível de preços durante uma recessão por meio de programas de expansão das políticas monetária e fiscal.

Leis antitruste extremadas, igualitarismo e keynesianismo: a Escola de Chicago continha em seu núcleo a essência do programa adotado pelo New Deal — daí seu status de esquerdista dentro da profissão econômica no início da década de 1930.  E embora Friedman tenha modificado e suavizado a posição linha-dura de Simons, ele continuou sendo, em sua essência, um Simons redivivo; ele só passou a se parecer com um livre-mercadista porque todo o restante da profissão econômica deslocou-se radicalmente para a esquerda e para a defesa do estado nesse meio tempo.

E, em alguns aspectos, Friedman acrescentou ao programa chicaguista lastimáveis elementos estatistas que sequer estavam presentes na velha Escola de Chicago.[2]

A Escola de Chicago e a teoria do Monopólio e da Concorrência

Peguemos os principais elementos do laissez-faire coletivista de Simons, um de cada vez.  No que concerne a monopólio e concorrência, Friedman e seus colegas felizmente se afastaram da extremada posição antitruste de Simons, tornando-se mais racionais.  Friedman reconhece que a principal fonte geradora de monopólios na economia é o governo e suas intervenções; por isso, passou a combater várias medidas governamentais geradoras de monopólios, pedindo sua completa abolição.

Os chicaguistas foram se tornando progressivamente mais simpáticos à ideia de grandes empresas operando no livre mercado, e alguns friedmanianos como Lester Telser apresentaram excelentes argumentos a favor da publicidade, algo que antes era anátema para todos os defensores da teoria da "concorrência perfeita".  Porém, embora na prática Friedman tenha se tornado mais libertário quanto à questão do monopólio, ele ainda manteve a velha teoria chicaguista: que, de alguma forma, o absurdo, irreal e deplorável mundo da "concorrência perfeita" (um mundo em que cada empresa é tão minúscula, que nada que ela faça pode afetar a demanda e o preço de seus produtos) é melhor e mais desejável do que o mundo real da concorrência de mercado, a qual é rotulada de "imperfeita".

Uma visão infinitamente superior acerca da concorrência é fornecida pela Escola Austríaca de economia, que faz escárnio do modelo de "concorrência perfeita" e prefere o mundo real da concorrência de livre mercado.[3]  Portanto, embora a noção prática de Friedman sobre concorrência e monopólio não seja muito ruim, a debilidade da teoria na qual ele se baseia pode permitir, a qualquer momento, um retorno ao desvario das teorias antitruste dos chicaguistas da década de 1930.  Por exemplo, há algum tempo, o mais eminente colega de Friedman, o professor George J. Stigler, defendeu perante o Congresso americano uma lei antitruste que fragmentasse a siderúrgica U.S. Steel em várias outras pequenas empresas.

O igualitarismo chicaguista de Friedman

Embora Friedman tenha abandonado o apelo de Simons por um igualitarismo extremo, a ser obtido por meio da estrutura do imposto de renda, as feições básicas de um igualitarismo estatista permaneceram.  Permanece no âmbito do desejo chicaguista fazer com que a estrutura tributária concentre toda a sua ênfase no imposto sobre a renda, indubitavelmente o mais totalitário de todos os impostos.  Os chicaguistas preferem mexer com o imposto de renda porque, em sua teoria econômica, eles seguem a desastrosa tradição da ortodoxia econômica anglo-americana, que defende uma separação profunda entre as esferas "microeconômica" e "macroeconômica".

A ideia é que existem dois mundos econômicos claramente separados e independentes.  De um lado, há uma esfera "micro", um mundo no qual os preços individuais são determinados pelas forças de oferta e demanda.  Nesta esfera, concedem os chicaguistas, a economia funciona melhor quando deixada a cargo das forças livres e desimpedidas do mercado.  Entretanto, afirmam eles, existe também uma outra esfera, distinta e totalmente separada da esfera micro: a economia "macro", formada pelos agregados econômicos 'orçamento do governo' e 'política monetária', onde não há nenhuma possibilidade de haver um livre mercado, o qual, aliás, não seria nem mesmo desejável.

Em comum com seus colegas keynesianos, os friedmanianos desejam dar ao governo central o controle absoluto sobre essa área macro, para que ele manipule a economia para fins sociais.  Ao mesmo tempo, afirmam que o mundo micro ainda assim irá, curiosamente, se manter livre de intervenções governamentais.  Em suma, os friedmanianos, assim como os keynesianos, defendem que a vital esfera macro fique sob o controle do estado, pois isso supostamente é necessário para que o livre mercado haja com liberdade na esfera micro.

A realidade, entretanto, como os economistas da Escola Austríaca mostraram, é que as esferas macro e micro são integradas e entrelaçadas.  É impossível fazer abordagens separadas para cada uma.  É impossível entregar a esfera macro para o estado e, ao mesmo tempo, fazer com que haja liberdade em nível micro.  Qualquer tipo de imposto, e principalmente o imposto sobre a renda, introduz esbulho e confiscos sistemáticos na esfera micro formada pelo indivíduo, e gera efeitos distorcivos e inauspiciosos sobre todo o sistema econômico.  É deplorável que os friedmanianos jamais tenham dado atenção à façanha empreendida por Ludwig von Mises, o fundador da moderna Escola Austríaca, que, ainda em 1912, em seu clássico The Theory of Money and Credit, integrou as esferas micro e macro a toda uma teoria econômica.

Milton Friedman revelou de várias maneiras sua posição fundamentalmente igualitarista e a favor do imposto sobre a renda.  Como em outras áreas, Friedman operou não como um oponente do estatismo e um defensor do livre mercado, mas sim como um tecnocrata que aconselha o estado a como ser mais eficiente na prática de suas perversidades.  (Do ponto de vista de um genuíno libertário, quanto mais ineficiente o estado, melhor para a liberdade.[4]) Ele se opôs a isenções tributárias e denunciou todos os tipos de "brechas" nos códigos tributários, além de ter batalhado para fazer com que o imposto de renda fosse mais uniforme — logo, mais eficiente.

Uma das façanhas mais desastrosas de Friedman ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando ele trabalhou para o Tesouro dos EUA e impingiu sobre o sofrido povo americano o sistema do imposto de renda retido na fonte, algo do qual ele sempre se orgulhou.  Antes da Segunda Guerra, quando as alíquotas do imposto de renda eram muito menores do que são hoje, não havia um sistema de retenção na fonte; as pessoas pagavam suas contas anuais de uma só vez, no dia 15 de março.  É óbvio que, sob esse sistema, a Receita Federal jamais conseguiria extrair o montante que extrai atualmente, a taxas confiscatórias, de toda a população trabalhadora.  Todo esse sistema repugnante já teria deliciosamente se desmoronado há muito tempo, por absoluta inépcia.  Foi o friedmaniano sistema do imposto de renda retido na fonte que possibilitou ao governo utilizar cada empregador do país como um não remunerado coletor de impostos, que extrai o tributo serena e silenciosamente de cada contracheque.  Sob vários aspectos, devemos agradecer a Milton Friedman pelo atual leviatã que temos.

Além do imposto de renda, o igualitarismo de Friedman foi revelado em um panfleto, elaborado pela dupla Friedman-Stigler, atacando o controle dos preços dos alugueis.  "Para aqueles, como nós, que gostariam de uma igualdade ainda maior do que a atual . . . é certamente melhor atacar as existentes desigualdades de renda e de riqueza diretamente na origem" do que restringir as compras de determinadas mercadorias, como imóveis.[5] 

Já a influência mais desastrosa de Milton Friedman advém de um legado de seu velho igualitarismo chicaguista: a proposta para uma renda mínimia anual garantida para todos, por meio da criação de um imposto de renda negativo — uma ideia aprovada e defendida intensamente por vários esquerdistas mundo afora [no Brasil, seu mais árduo defensor é Eduardo Suplicy].

Nesse catastrófico esquema, Milton Friedman foi guiado novamente não pelo seu avassalador desejo de remover o estado de nossas vidas, mas sim por sua vontade de tornar o estado mais eficiente.  Ele olhou ao seu redor, viu que os sistemas assistencialistas municipais e estaduais estavam em penúria e concluiu que tudo seria mais eficiente se todo o esquema fosse colocado sob o controle do governo federal — sob a rubrica do imposto de renda —, dando a todas as pessoas a certeza de que receberiam um piso garantido de renda.

De fato, talvez seria mesmo mais eficiente, mas também muito mais desastroso, pois a única coisa que faz com que o atual estado assistencialista seja tolerável é exatamente sua ineficiência, justamente porque, hoje, para conseguirem coletar suas benesses, as pessoas têm de se enveredar pelo emaranhado caótico e aborrecido da burocracia assistencialista, o que desanima a muitos.  O esquema de Friedman tornaria o recebimento das benesses totalmente automático, o que daria a qualquer desocupado o direito de reivindicar automaticamente os frutos do trabalho de gente produtiva.

O assistencialismo e sua "função de oferta"

O que poucos entendem é que o assistencialismo não é, como muito creem, um simples e absoluto ato de Deus ou uma rígida constante da natureza, como uma erupção vulcânica.  O assistencialismo, como todos os outros atos econômicos humanos, possui uma curva de oferta, ou uma "função de oferta": em outras palavras, se você fizer com que um programa assistencialista pague benesses generosas, você poderá produzir o tanto de clientes assistencialistas que você quiser.  Por outro lado, pague pouco a eles e você poderá reduzir o número de clientes ao seu sabor.  Em suma, se o governo anunciar que qualquer pessoa que se apresentar a um balcão "assistencialista" irá receber automaticamente um cheque anual de, digamos, $60.000 pela duração de tempo que ela quiser, rapidamente vamos descobrir que praticamente todo mundo irá se tornar um beneficiário do assistencialismo.  E ainda pior: rapidamente irão criar uma organização em prol do "direito dos assistidos" e fazer lobby para pressionar o governo a aumentar as benesses para $90.000, como forma de compensar o aumento no custo de vida.

Mais especificamente, a função de oferta dos usuários do assistencialismo é inversamente proporcional à diferença entre o salário vigente em um determinado setor e o nível de pagamentos assistencialistas.  Essa diferença é o "custo de oportunidade" de se ir para o assistencialismo — o quanto uma pessoa perde ao vadiar ao invés de trabalhar.  Se, por exemplo, os salários em um dado setor aumentam, mas os pagamentos assistencialistas permanecem os mesmos, o "custo de oportunidade" de se ficar ocioso aumenta, e as pessoas tenderão a sair do assistencialismo e ir trabalhar.  Se ocorrer o oposto, mais pessoas irão para o assistencialismo.  Se estar no assistencialismo fosse um fato absoluto da natureza, então não haveria relação entre esse diferencial e o número de pessoas recebendo assistencialismo.

Em segundo lugar, a oferta de usuários dos programas assistencialistas é inversamente proporcional a um outro fator também de importância vital: o desincentivo cultural de se entrar para o assistencialismo.  Se esse desincentivo for forte; se, por exemplo, um indivíduo ou um grupo acreditar piamente que há algo ruim ou maléfico em utilizar o assistencialismo, então eles não o farão, ponto.  Se, por outro lado, eles não se importarem com o estigma do assistencialismo, ou, ainda pior, considerarem o assistencialismo como um direito — um direito de exercer uma reivindicação compulsória e espoliativa sobre a produção alheia —, então o número de pessoas recebendo assistencialismo irá aumentar astronomicamente, como vem acontecendo nos últimos anos.

Há vários exemplos recentes sobre esse "efeito estigma".  Já foi demonstrado que, dado o mesmo nível de renda, mais pessoas tendem a ir para o assistencialismo nas áreas urbanas do que nas áreas rurais, presumivelmente em função da maior visibilidade e, consequentemente, maior estigma sobre os assistidos nas regiões mais esparsamente povoadas.  Ainda mais importante é o fulgurante fato de que determinados grupos étnicos e religiosos, mesmo quando significativamente mais pobres do que o resto da população, simplesmente não aceitam ir para o assistencialismo por causa de suas crenças profundamente éticas.  Assim, nos EUA, por exemplo, os sino-americanos, embora predominantemente pobres, quase nunca são encontrados recebendo assistencialismo.  Uma recente reportagem sobre pessoas descendentes de albaneses que moram em Nova York ilustra esse mesmo fato.

Os albaneses são invariavelmente pessoas pobres que moram em cortiços, e mesmo assim não há albaneses americanos recebendo assistencialismo.  Por quê?  Porque, disse um de seus líderes, "albaneses não mendigam nem suplicam.  E, para um albanês, receber assistencialismo é o mesmo que mendigar na rua".[6]

Outro exemplo é o dos membros da Igreja Mórmon.  Pouquíssimos recebem assistencialismo público.  Pois os mórmons não apenas inculcam em seus membros as virtudes da poupança, da frugalidade, da autoajuda e da independência, como também cuidam de seus próprios membros necessitados por meio dos programas de caridade privada da própria igreja, os quais se baseiam no princípio de ajudar os pobres a se ajudarem a si próprios, e, com isso, a saírem da caridade o mais rapidamente possível.[7]  Desta forma, a Igreja Mórmon afirma a seus membros que "buscar e aceitar auxílio público direto é algo que frequentemente traz a maldição da indolência e do ócio, além de estimular várias outras perversidades trazidas pelo assistencialismo.  Tal atitude destrói a independência individual, a diligência, a frugalidade e o respeito próprio".[8]  Assim, o altamente exitoso programa caritativo privado da Igreja Mórmon baseia-se nos princípios que a Igreja estimulou seus membros a estabelecer e a manter: independência econômica, poupança, e a criação de empreendimentos geradores de emprego.  A igreja manteve-se pronta e preparada durante todos os momentos para ajudar os membros fieis necessitados.

A abordagem libertária para o problema do assistencialismo, portanto, é abolir toda a assistência pública coerciva, substituindo-a pela caridade privada baseada no princípio do estímulo à independência e à autoajuda, reforçando também por toda a sociedade as virtudes da autossuficiência e da autonomia.  Nenhuma pessoa fisicamente capaz deve voluntariamente jogar para outra pessoa o fardo do seu sustento próprio.

Os incentivos sob o plano de Friedman

Porém, o plano de Friedman, ao contrário, vai exatamente em direção oposta, pois estabelece o assistencialismo como um direito automático; uma reivindicação automática e coerciva sobre os frutos do labor alheio.  O plano, portanto, remove o 'efeito estigma' por completo, ao desastrosamente desencorajar o trabalho produtivo por causa da tributação excessiva e ao estabelecer uma renda garantida para quem não trabalha, estimulando o ócio.  Ademais, ao estabelecer uma renda mínima como um "direito" coercivo, os usuários do assistencialismo são estimulados a exigir pisos cada vez mais altos, o que agrava continuamente todo o problema.  Porém, Friedman, preso naquela separação anglo-americana entre "micro" e "macro", dedica pouca ou quase nenhuma atenção estes efeitos cataclísmicos sobre os incentivos.

Até mesmo os deficientes são prejudicados pelo plano friedmaniano, pois a concessão automática de assistencialismo remove o incentivo para que um trabalhador fisicamente incapacitado invista em sua própria reabilitação vocacional, dado que o retorno monetário líquido de tal investimento passaria agora a ser extremamente reduzido.  Assim, a renda garantida tende a perpetuar a situação desses deficientes.  Por fim, o assistencialismo friedmaniano também garantiria o pagamento de uma maior renda por pessoa para famílias em programas assistenciais, desta forma subsidiando um contínuo aumento na população infantil entre os pobres — justamente aqueles que menos podem bancar tal crescimento populacional.  Sem querer me juntar à atual histeria sobre "explosão demográfica", é certamente um absurdo subsidiar deliberadamente a procriação de mais crianças pobres, que é o que plano de Friedman faria ao garantir seu direito automático ao assistencialismo.

A moeda e os ciclos econômicos

A terceira principal característica do programa do New Deal era proto-keynesiana: o planejamento da esfera "macro" pelo governo com o intuito de acabar com os ciclos econômicos.  Nessa abordagem relativa a toda área da moeda e dos ciclos econômicos — uma área em que, infelizmente, Friedman concentrou a maior parte de seus esforços —, ele remete não somente aos chicaguistas antigos, mas, assim como eles, ao economista da Universidade de Yale Irving Fisher, que era a personificação absoluta do economista pró-establishment ao longo das décadas de 1900, 1910 e 1920.  Friedman, com efeito, saudou abertamente Fisher como o "maior economista do século XX".  E quando se lê os escritos de Friedman, tem-se a pura impressão de se estar lendo uma mera reciclagem de Fischer com notas de rodapé, tudo camuflado, é claro, com volumosas tolices matemáticas e estatísticas.  Economistas e a imprensa, por exemplo, aclamaram a "descoberta" de Friedman de que as taxas de juros nominais tendem a subir à medida que os preços sobem.  Nesse caso, um prêmio inflacionário é acrescido à taxa de juros nominal de modo a fazer com que a taxa de juros "real" permaneça a mesma.  Aparentemente, ambos — economistas e imprensa — ignoram o fato de que Fisher já havia apontado isso ainda no começo do século XX.

Mas o principal problema com a abordagem fisheriana de Friedman é que ele faz aquela mesma separação ortodoxa entre as esferas macro e micro, que arruinou suas ideias sobre tributação.  Pois, de novo, Fisher acreditava que, de um lado, há um mundo em que os preços individuais são determinados pela oferta e pela demanda, mas, de outro, há um mundo em que o agregado "nível de preços" é determinado pela oferta de moeda e pela velocidade com que esse dinheiro troca de mãos.  E ambos os mundos, nessa teoria, nunca entram em conflito.  A esfera agregada, macro, deve estar sujeita à manipulação e ao planejamento governamental, supostamente sem interferir ou afetar a esfera micro dos preços individuais.

A teoria de Fisher sobre a moeda

Mantendo seu enfoque, Irving Fisher escreveu um famoso artigo em 1923, "The Business Cycle Largely a 'Dance of the Dollar'" — citado favoravelmente por Friedman —, que estabeleceu o modelo para a "puramente monetária" teoria chicaguista dos ciclos econômicos.  Nessa visão simplista, os ciclos econômicos são meramente uma "dança"; em outras palavras, uma essencialmente aleatória e causalmente desconexa série de aumentos e diminuições no "nível de preços".  Os ciclos econômicos, em suma, são variações aleatórias e supérfluas no nível agregado de preços.  Portanto, dado que o livre mercado provoca normalmente essa "dança" aleatória, a cura para um ciclo econômico é fazer com que o governo implemente medidas para estabilizar o nível de preços, para manter esse nível constante.  Este se tornou o propósito da Escola de Chicago da década de 1930, e permaneceu sendo também o objetivo de Milton Friedman.

Por que um nível de preços estável seria uma ideia ética, a ser alcançada até mesmo pelo uso da coerção governamental?  Os friedmanianos simplesmente assumem esse objetivo como autoevidente e sem a necessidade de apresentarem qualquer argumentação racional.  Porém, os trabalhos originais de Fisher demonstram um total equívoco quanto à natureza do dinheiro, e quanto aos nomes das várias unidades monetárias.  Na realidade, como a maioria dos economistas do século XIX sabia muito bem, estes nomes (dólar, libra, franco etc.) não eram nomes que designavam realidades em si próprias, mas simplesmente nomes para unidades de peso de ouro ou prata.  Foram essas duas commodities, ao serem adotadas voluntariamente pelo livre mercado, que surgiram como sendo dinheiro genuíno; os nomes e as cédulas eram simplesmente substitutos monetários, meros recibos ou títulos que davam ao seu portador o direito de redimi-los em ouro ou prata.

Mas Irving Fisher se recusava a reconhecer a verdadeira natureza do dinheiro, a correta função do padrão-ouro, e o fato de que o nome de uma moeda representava uma unidade de peso em ouro.  Em vez disso, ele partiu do princípio de que esses nomes escritos nas cédulas de papel emitidas por vários governos eram absolutos, eram dinheiro em si mesmo.  E que a função desse "dinheiro" era "mensurar" valores.  Por conseguinte, Fisher julgava necessário manter o poder de compra da moeda — ou o nível de preços — constante.

Esse objetivo quixotesco de manter um nível de preços estável contrasta com a visão econômica do século XIX — e com a subsequente Escola Austríaca.  Eles aclamavam os resultados gerados pelo mercado livre e desimpedido — pelo capitalismo laissez-faire —, os quais invariavelmente produziam uma regular e contínua queda no nível de preços.  Pois sem a intervenção do governo, a produtividade e a oferta de bens tende a aumentar constantemente, o que gera um declínio nos preços.  Assim, na primeira metade do século XIX — a "Revolução Industrial" —, os preços tendiam a cair constantemente, aumentando desta forma os salários reais mesmo que não tivesse havido um aumento dos salários nominais. 

Atualmente, podemos ver, em exemplos como aparelhos de TV cujos preços caem ao mesmo tempo em que versões mais modernas vão sendo lançadas, como esse declínio constante nos preços gera os benefícios de um maior padrão de vida para todos os consumidores.  E isso em um período de inflação de preços crescente.

Foi Irving Fisher, suas doutrinas e sua influência, quem em grande parte foi o responsável pelas desastrosas políticas inflacionárias do Banco Central americano (o Federal Reserve System) durante a década de 1920, e portanto pelo subsequente holocausto de 1929.  Um dos principais objetivos de Benjamin Strong, o presidente do Fed durante aquela década, era, sob a influência da doutrina de Fisher, manter o nível de preços constante.  E dado que, durante aquela época, os preços do atacado ora se mantinham constantes, ora chegavam a apresentar algum declínio, Fisher, Strong e todo o resto do establishment econômico se recusaram a reconhecer que um problema inflacionário sequer existisse.  Portanto, como resultado, Strong, Fisher e o Fed se recusaram a dar importância aos alertas de economistas 'heterodoxos', como Ludwig von Mises e H. Parker Willis, que afirmavam que a expansão inflacionária do crédito bancário orquestrada pelo Fed estava levando os EUA a um inevitável colapso econômico.

Tão obstinados e cegados pela ideologia estavam essas sumidades que, ainda em 1930, Fisher, em suas profecias econômicas, escreveu que não havia nenhuma depressão, e que o colapso da bolsa de valores seria apenas algo temporário.[9]

A teoria de Friedman sobra a moeda

Por sua vez, Friedman, em sua demasiadamente elogiada obra Monetary History of the United States, demonstrou seu viés fisherista ao oferecer sua interpretação da história econômica americana.[10]  Benjamin Strong, indubitavelmente a mais desastrosa influência sobre a economia americana durante a década de 1920, é tratado como uma celebridade por Friedman precisamente por sua estabilização do nível de preços durante aquela década.[11]  Com efeito, Friedman atribui a depressão de 1929 não à anterior expansão econômica estimulada pela inflação monetária, mas sim ao fato de o Fed, já sem Strong na presidência, não ter inflacionado a oferta monetária de maneira suficientemente agressiva antes e durante a depressão.

Em suma: embora Milton Friedman tenha efetuado um préstimo ao trazer de volta ao debate no meio econômico acadêmico a predominante influência da moeda e da oferta monetária sobre os ciclos econômicos, é preciso reconhecer que essa abordagem "puramente monetarista" é praticamente o oposto da sólida — e genuinamente livre-mercadista — teoria austríaca.  Enquanto os austríacos seguiam afirmando que a expansão monetária orquestrada por Strong levaria inevitavelmente a um colapso, a dupla Fisher-Friedman acreditava que tudo que o Fed deveria fazer era injetar mais dinheiro para contrabalançar qualquer recessão.  Ao acreditarem que não há nenhuma influência causal que gera uma expansão econômica seguida de uma recessão — porque acreditam na simplista teoria da "Dança da Moeda" —, os chicaguistas querem simplesmente que o governo manipule essa dança; mais especificamente, que ele aumente a quantidade de dinheiro na economia para neutralizar uma recessão.

Durante a década de 1930, portanto, a posição Fisher-Chicago era a de que, pra curar a depressão, o nível de preços tinha de ser "reflacionado" de volta para os níveis vigentes na década de 1920.  E tal reflação deveria ser efetuada ao:

1. fazer com que o Fed expandisse a oferta monetária, e

2. fazer com que o governo federal gastasse, incorresse em déficits orçamentários e implantasse programas de obras públicas em larga escala.

Ou seja, durante a década de 1930, Fisher e a Escola de Chicago eram "keynesianos pré-Keynes"; e, por esse motivo, eram considerados bastante radicais e socialistas — e por uma boa razão.  Assim como os keynesianos que surgiriam mais tarde, os chicaguistas defendiam políticas fiscais e monetárias "compensatórias", embora sempre dando uma maior ênfase à questão monetária.

Pode-se contra-argumentar dizendo que Milton Friedman deixou de acreditar em política monetárias e fiscais manipulativas, passando a defender um aumento "automático" da oferta monetária (sem jamais definir qual agregado monetário utilizar) a uma taxa indefinida ente 3 e 5% ao ano.  Mas essa modificação de postura em relação aos velhos chicaguistas é puramente técnica, advindo da constatação de Friedman de que os as manipulações diárias e de curto prazo empreendidas pelo Banco Central demoram para surtir efeito, o que significa que elas tendem a agravar, e não a melhorar, os ciclos.

Porém, é preciso também compreender que essa política inflacionista automática de Friedman é simplesmente mais uma variante de sua obsessiva busca pelo mesmo e velho objetivo fisheriano-chicaguista: a estabilização do nível de preços — nesse caso, uma estabilização de longo prazo.  Portanto, Milton Friedman é, pura e simplesmente, um inflacionista estatista, embora um inflacionista mais moderado do que a esmagadora maioria dos keynesianos.  Mas este seria um consolo muito pequeno, e dificilmente qualifica Friedman como um economista pró-livre mercado nesta área de suprema importância.

Fisher, Friedman e o fim do padrão-ouro

Desde seus primórdios, Irving Fisher era — muito corretamente — considerado um radical monetarista e um estatista por causa do seu desejo de abolir o padrão-ouro.  Fisher percebeu que o padrão-ouro — sob o qual a moeda básica é uma commodity que deve ser escavada e trabalhada pelo livre mercado ao invés de criada pelo governo — era incompatível com seu irresistível desejo de estabilizar o nível de preços.  Consequentemente, Fisher foi um dos primeiros economistas modernos a clamar pela abolição do padrão-ouro e sua substituição pela moeda fiduciária de curso forçado.

Sob esse sistema, o nome da moeda — dólar, franco, marco etc. — se torna o supremo padrão monetário, e o controle absoluto da oferta e do uso dessas unidades é necessariamente garantido ao governo central.  Em suma, o papel-moeda de curso forçado é inerentemente o dinheiro do estatismo absoluto.  O dinheiro é a mercadoria central, o centro neurálgico, por assim dizer, da moderna economia de mercado, e qualquer sistema que entregue o controle absoluto dessa mercadoria ao estado está irremediavelmente incompatível com uma economia de livre mercado — ou, em última instância, com a própria liberdade individual.

Entretanto, Milton Friedman sempre defendeu que se cortassem todos os laços, por mais fracos que fossem, entre a moeda e o ouro, de modo que o mundo entrasse em um total e absoluto padrão-dólar, com todo o controle entregue ao Federal Reserve System.  É claro que, uma vez atingido esse novo estágio, Friedman recomenda que o Fed utilize esse poder absoluto de maneira muito sagaz; porém, nenhum libertário que se preze pode ter qualquer sentimento que não o de desdém pela ideia de se conceder um poder coercitivo para um grupo qualquer e então ficar na esperança de que tal grupo não irá utilizar seu poder ao máximo.

Os motivos que levam Friedman a ser totalmente indiferente às tirânicas e despóticas implicações de seu esquema de moeda fiduciária de curso forçado é, repetindo, a arbitrária separação chicaguista entre o micro e o macro; a vã e quimérica esperança de que é possível haver um controle totalitário da esfera macro ao mesmo tempo em que o "livre mercado" é preservado na esfera micro.  Já deveria estar claro por agora que esse tipo truncado de micro "livre mercado" chicaguista é "livre" apenas no mais irônico e zombeteiro sentido do termo.  Está muito mais para a "liberdade" orwelliana de "Liberdade é Escravidão".

Um retorno ao padrão-ouro

Não há dúvidas quanto ao fato de que o atual sistema monetário internacional é uma monstruosidade irracional e abortiva, e necessita de drásticas reformas.  Ao contrário da sugestão de Friedman, de que todas as moedas de papel livremente impressas por bancos centrais devem ser livres para "flutuar" umas contra as outras, temos de ir é exatamente na direção oposta: um padrão-ouro internacional que restaure a utilização onipresente da moeda-commodity e retire de todos os governos a capacidade de manipular as moedas para benefício de uma pequena casta e em detrimento do restante da população. 

Ademais, o ouro, ou qualquer outra commodity, é vital para o fornecimento de um dinheiro internacional — uma moeda básica com a qual todas as nações podem comercializar e na qual basear suas contas.  A absurdidade filosófica do plano friedmaniano, em que cada governo emite sua própria moeda de papel de curso forçado, pode ser mais bem entendida se considerarmos o que aconteceria se cada estado, cada cidade, cada vila, cada bairro, cada quadra, cada casa, cada família ou cada indivíduo pudesse emitir sua própria moeda e, ato contínuo, como gosta Friedman, houvesse uma livre flutuação da taxa de câmbio entre todas essas milhões de moedas.  O caos que resultaria desse arranjo geraria a destruição do próprio conceito de moeda — a entidade que serve como meio geral de troca para todas as transações que ocorrem no mercado.  Filosoficamente, o friedmanismo inerentemente leva à destruição da moeda, reduzindo-nos ao caos e ao primitivismo de um sistema de escambo.

Um dos erros cruciais de Friedman ao sugerir a entrega de todo o poder monetário ao estado é que ele não compreendeu à época que tal esquema seria inerentemente inflacionário.  Pois o estado, ao ter sob seu total poder o controle da emissão monetária, não teria incentivos para se auto-restringir.  O conselho de Friedman para que o estado restringisse esse poder a uma expansão de 3—4% ao ano ignora o crucial fato de que qualquer grupo que se aposse do poder absoluto de "imprimir dinheiro" tenderá a . . . imprimir dinheiro!  

Suponha que o governo conceda a João o poder absoluto e o monopólio compulsório da impressora de dinheiro, e permita que ele imprima toda a quantidade de dinheiro que julgue ser adequada aos seus propósitos e que utilize a impressora da maneira que mais lhe aprouver.  Não seria, a priori, algo bastante lógico imaginar que João irá utilizar esse poder de falsificação legalizada para ganhar amigos e satisfazer suas próprias necessidades, fazendo com que sua gerência da moeda tenda a ser inflacionária?  Da mesma maneira, o estado, ao se arrogar o monopólio compulsório da falsificação legalizada, simplesmente passou a utilizá-la como bem quis.  Daí o estado ser uma entidade inerentemente inflacionária, como seria qualquer grupo com o poder exclusivo de criar dinheiro.  O esquema de Friedman apenas intensifica esse poder e essa inflação.

Externalidades

Portanto, nos dois vitais campos macro da tributação e da moeda, a influência de Milton Friedman foi enorme — muito maior do que em qualquer outra área — e quase uniformemente desastrosa do ponto de vista de um mercado genuinamente livre.  Porém, mesmo no nível micro, onde sua influência foi menor e muitas vezes bastante benéfica, Friedman forneceu aos intervencionistas uma brecha teórica tão larga quanto uma porta de celeiro.  Friedman sempre defendeu ser legítimo o governo interferir no livre mercado sempre que as ações de um indivíduo gerarem efeitos benéficos sobre terceiros.  Sendo assim, se A fizer algo que irá involuntariamente beneficiar B, e se B não tiver como pagar por isso, os chicaguistas consideram ser isso um "defeito" do livre mercado, passando ser então a tarefa do governo "corrigir" esse defeito tributando B para pagar A por esse "benefício".

É por essa razão que Friedman defende que o governo destine fundos para a educação, por exemplo; dado que a educação de crianças é supostamente um benefício para outras pessoas, então o governo está supostamente correto ao tributar essas pessoas para pagar por esses "benefícios".  (Novamente, nesta área, a perniciosa influência de Friedman foi a de tentar tornar uma ineficiente operação estatal bem mais eficiente; aqui ele sugere substituir as impraticáveis escolas públicas pelo sistema de vouchers, em que o estado concede vouchers para famílias que, com isso, poderão escolher a escola particular em que matricularão seus filhos — um arranjo que deixa intacto todo o conceito de financiamento público para a educação.)

Além da questão vitalmente importante da educação, Friedman iria, na prática, limitar o argumento das externalidades positivas a medidas como parques urbanos.  Nesse quesito, Friedman se preocupava com o fato de que, se os parques urbanos fossem privados, um indivíduo poderia se beneficiar caso pudesse, de longe, usufruir a vista de um deles sem ser obrigado a pagar por esse benefício psíquico.  Consequentemente, ele defende que todos os parques urbanos sejam estatais.  Já os parques rurais, segundo Friedman, podem ser privados, pois eles podem ser mantidos em lugares remotos o bastante para obrigar todos os usuários a pagar pelos serviços prestados.

É um pequeno conforto saber que Friedman limitaria seu argumento das externalidades positivas a poucas áreas, como educação e parques urbanos.  A realidade, entretanto, é que tal argumento pode ser utilizado para justificar praticamente quaisquer intervenções, subsídios e esquemas tributários.  Eu, por exemplo, li Ação Humana; consequentemente, absorvi mais sabedoria e me tornei uma pessoa melhor; ao me tornar uma pessoa melhor, estou beneficiando meus semelhantes; entretanto, segurem-se, eles não estão me pagando por esse benefício!  Não deveria o governo tributar essas pessoas e me subsidiar por eu ter me tornado tão honrado e decente em decorrência de minha leitura de Ação Humana?

Ou, peguemos outro exemplo, para irritar as feministas: muitos homens obtêm um grande nível de satisfação ao observarem garotas trajando minissaias; entretanto, esses homens não estão pagando por este desfrute.  Eis aí outra externalidade positiva não sendo corrigida!  Não deveriam todos os homens do país serem tributados com o intuito de subsidiar garotas que utilizam minissaias?

Não há por que multiplicar os exemplos; eles proliferam quase que infinitamente, e expõem a total absurdidade e a amplitude das concessões chicaguistas ao estatismo.  A única resposta que os chicaguistas conseguiram dar a esta reductio ad absurdum é que eles não implementariam uma intervenção governamental a este ponto, embora reconheçam a lógica do argumento.  Mas por que não?  Sob qual padrão, sob qual critério eles julgam ser adequando interromper o raciocínio em parques e escolas?  O ponto é que não existe tal critério, e isso apenas demonstra a falência intelectual e a falta de rigor lógico que estão no âmago da maioria das escolas de pensamento econômico e de ciências sociais atuais — o friedmanismo incluído.

O impacto de Friedman

E assim, ao examinarmos as credenciais de Friedman para ser o líder da ciência econômica defensora do livre mercado, chegamos à assustadora conclusão de que é difícil sequer considerá-lo um economista pró-livre mercado.  Mesmo na esfera micro, as concessões teóricas de Friedman ao egrégio ideal da "concorrência perfeita" podem servir como base para a criação de várias leis antitruste, bem como de várias agências reguladoras; e sua concessão à intervenção governamental sobre externalidades positivas poderiam servir de argumento para a imposição de um estado virtualmente totalitário, ainda que Friedman ilogicamente restrinja sua aplicação a algumas poucas áreas.  Porém, mesmo nesse ponto, Friedman utiliza seu argumento para justificar o fornecimento estatal de educação para todos.

Porém, é na esfera macro — insensatamente isolada de maneira hermética da esfera micro por economistas que permanecem ignorantes da façanha de Ludwig von Mises, que demonstrou que ambas são integradas — que a influência de Friedman tem se demonstrado a mais perversa.  Encontramos em Friedman uma pesada responsabilidade tanto pelo imposto de renda retido na fonte quanto pela lamentável proposta da renda mínima anual garantida.  Ao mesmo tempo, vemos em Friedman a resoluta defesa para que o controle absoluto da oferta monetária seja dado ao estado — logo a oferta monetária, uma área crucial da economia de mercado.   E em várias outras áreas, vemos Friedman propondo medidas não em prol da liberdade, não em favor da redução gradual do leviatã, mas sim medidas concebidas para fazer com que o poder do estado se torne mais eficiente, e, por conseguinte, mais opressor.


[1] Henry C. Simons, A Positive Program for Laissez Faire: Some Proposals for a Liberal Economic Policy (Chicago: University of Chicago Press, 1934).

[2] Neste artigo, estou restringindo a discussão ao âmbito político-econômico, e omitindo os problemas técnicos da teoria e da metodologia econômica.  É nesta última que Friedman surge em seu pior, pois ele alterou a metodologia original chicaguista — aristotélica e racionalista em sua essência — e transformou-a em uma egrégia e extremada variante do positivismo.

[3] Para uma excelente introdução à visão austríaca, veja F.A. Hayek, O Significado da Competição.

[4] Há um interessante relato de que, certa vez, o industrialista Charles F. Kettering tentou animar um amigo no hospital, que estava reclamando sobre o crescimento acelerado do governo, dizendo a seguinte frase: "Anime-se, Jim! Graças a Deus ainda não temos um governo do tamanho equivalente ao que pagamos."

[5] Milton Friedman and George J. Stigler, Roofs or Ceilings? (Irvington-on-Hudson, N.Y.: Foundation for Economic Education, 1946), p. 10.

[6] New York Times (April 13, 1970).

[7] Esse foi o mesmo princípio que guiou a Charity Organization Society da Inglaterra do século XIX.  Essa organização liberal clássica "acreditava que o mais sério aspecto da pobreza era a degradação do caráter do homem ou da mulher pobre.  A caridade indiscriminada apenas piorava as coisas; ela desmoralizava.  A verdadeira caridade demandava amizade e consideração, o tipo de ajuda que restauraria no indivíduo o respeito próprio e sua capacidade de se sustentar a si próprio e a sua família." Charles Loch Mowat, The Charity Organization Society (London: Methuen, 1961), p. 2.

[8] Welfare Plan of the Church of Jesus Christ of Latter-Day Saints (The General Church Welfare Committee, 1960), p. 48.

[9] Irving Fisher, The Stock Market Crash — And After (New York: Macmillan, 1930).

[10] Milton Friedman and Anna Schwartz, A Monetary History of the United States, 1867-1960 (Princeton, N.J.: Princeton University Press, 1963).

[11] Ver Murray N. Rothbard, America's Great Depression (Princeton, N.J.: D. Van Nostrand, 1963), para uma visão oposta sobre a década de 1920.



autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Felipe Barbosa  05/08/2011 11:04
    Definitivamente Friedman não é o maior "livre mercadista" que existe por ai, mas eu, como muitos amigos meus, paramos de ver no governo a solução, e o vimos como ele realmente é, o problema, através dos videos dele no youtube, os discursos as entrevistas a ideia do sistema de voucher.

    A associação dele com o regime Pinochet, Nixon, Reagan também não é motivo de orgulho, mas deve ter sido o que separou o chile de então com a venezuela de Chavez de hoje.

    Hoje me considero anarco capitalista, defensor do mercado totalmente livre e desregulamentado, graças a principio, pelas ideias de Friedman e creio que dado tempo o suficiente ele haveria de ter radicalizado, o filho e o neto dele são radicais! E pra finalizar, no fim da vida, ele rejeitou a existencia do FED, como todo homem sensato e moral deveria fazer.

    Enfim, é um bom texto, meus parabens.
  • Breno Almeida  05/08/2011 14:42
    Não conheça o Milton Friedman pelo Rothbard, conheça o Milton pelos livros dele.
  • Breno Almeida  05/08/2011 15:00
    Eu sinceramente achei o Rothbard desonesto eu não tenho capacidade para defender o Milton Friedman ponto a ponto. Mas imagine a situação:

    Fulano é libertário e quer liberar a maconha. O ideal seria liberar completamente o mercado de maconha, mas isso seria politicamente dificil. Então esse libertário decide apoiar a idéia de regulamentar a venda de maconha, com controle de quantidades, produção, impostos sobre e etc. Sem dúvida regulamentar é errado e não tem nada mais anti-libertário.

    Porém ainda é muito melhor do que ficar no estado atual onde a maconha é criminalizada e por ser criminalizada causa mais danos do que se estiver regulamentada.

    Tanto o Milton Friedman quando Hayke pareciam entender como era inviavel políticamente defender o laissez-faire. E como um meio termo poderia trazer ganhos para o liberalismo.

    Porque o Rothbard foi um completo fracassado acadêmico e financeiro? Porque não se comprava mais o laisssez-faire na economia-politca.(Hoje com o Ron Paul e a Internet o Rothbard antingiu certo sucesso)

    O artigo também pega uma visão inicial do Milton e coloca como se essa fosse a sua visão atual. Eu poderia escrever uma artigo dizendo que Von Mises não é liberal com base nas idéias do mesmo no começo da carreira como intervertor do governo ou até mesmo do próprio Rothbard antes do mesmo se formar libertário. Isso seria completamente desonesto da minha parte e esse artigo as vezes parece que faz isso.
  • Fernando Chiocca  05/08/2011 15:37
    Breno parece que sequer leu o artigo, além de não conhecer nada de Friedman. Visão atual ele não tem nenhuma pois já faleceu. E o que foi exposto e criticado no artigo não foram "meras passagens de um alegado começo de carreira de Friedman", e sim tudo que ele lutou, defendeu, implementou e acreditou por toda sua carreira.

    E mais infeliz ainda foi esta analogia sem pé nem cabeça com liberalização vs. regulamenteção da maconha. Não tem noção do que está dizendo. Rothbard sempre deixou claro que qualquer avanço em direção a liberdade é positivo e merece apoio. O ideal é reduzir 100% os impostos, mas uma redução de 0,5% deve ser apoiada pelos libertários.

    No mais, fique a vontade para tentar escrever seu artigo, mas já lhe adianto que vai ser bem difícil; Rothbard nasceu libertário e nem ele e nem Mises cometeram erros crassos como os demonstrados acima cometidos por Friedman...
  • Breno Almeida  05/08/2011 17:39
    Fernando Chiocca,\r
    \r
    Verdade que eu não escrevo bem, mas eu sabia que Milton Friedman já estava morto quando eu escrevi o comentário. Alias nem faz tanto tempo que eu vi uma homenagem do Patri ao avô. Eu li o artigo acima e já li outros onde Rothbard ataca tanto Milton quanto David Friedman e os agoristas e Adam Smith e mais gente. \r
    \r
    Você disse:\r
    "E o que foi exposto e criticado no artigo não foram "meras passagens de um alegado começo de carreira de Friedman", e sim tudo que ele lutou, defendeu, implementou e acreditou por toda sua carreira. "\r
    \r
    Essa caricatura que você fez (e o artigo também) do Milton Friedman é do mesmo que defende a abolição do FED www.youtube.com/watch?v=JL3FT0O4kYg ?\r
    \r
    Esse vídeo acima prova que você foi desonesto ou só esquecido?\r
    \r
    Ninguem se importa com o Rotbhard a ponto de pegar o pouco que ele escreveu antes de conhecer Mises para acusa-lo de não ser libertário. Talvez um dia se ele se tornar mais relevante para o "mainstream" alguem faça esse tipo de desonestidade. Eu não vou fazer isso. Por exemplo já vi gente acusando o Rothbard de não ser libertário porque o mesmo defendia que a lei proiba contratos voluntários entre correntistas e bancos que fazem reservas fracionárias. E proibir um contrato voluntário pode ser considerado anti-libertário. Só que ele não defendia exatamente probir as pessoas de assinarem um contrato voluntário:\r
    \r
    "to separate the government from money; and (d) either to enforce 100 percent reserve banking on the commercial banks(forçar???? bem anti-libertário né), or at least to arrive at a system where any bank, at the slightest hint of nonpayment of its demand liabilities, is forced quickly into bankruptcy and liquidation. While the outlawing of fractional reserve as fraud would be preferable if it could be enforced, the problems of enforcement, especially where banks can continually innovate in forms of credit, make free banking an attractive alternative. (Apesar de gostar da idéia de usar força ele conclui de forma favoravel a um sistema bancário livre)" Mas tem gente desonesta que usa isso para atacar.\r
    \r
    Ou então usar o simpatico artigo de Rothbard sobre Che Guevara:\r
    \r
    "Che was a notable revolutionary, but not a distinguished administrator, and even poorer as an economist."\r
    \r
    Para dizer que o Rothbard não era libertário, pq nenhum libertário consideraria Che um notavel revolucionário. O máximo que um libertário pode dizer de Che é que ele era um porco assasino ou jamais um libertário escreveria um artigo sobre Che sem mencionar os crimes cometido pelo revolucionário. Obviamente o artigo foca na capacidade de Che em enfrentar ( e vencer?) o imperialismo americano. Mas muita gente olha de outra forma.\r
    \r
    Todo mundo sabe (Bem o google sabe) que Von Mises foi um importante conselheiro de um governo facista e o que ele fazia na camara de comércio não era exatamente promover o liberalismo (mises.org/pdf/asc/essays/kuehneltLeddihn.pdf) apesar de tentar, claro. E que esse passado é frequentemente distorcido por pessoas desonestas que chegam as conclussões mais bizarras como por exemplo de que ele era facista, que é um absurdo semelhante a dizer que Milton Friedman não era libertário.\r
    \r
    Você disse:\r
    "Rothbard sempre deixou claro que qualquer avanço em direção a liberdade é positivo e merece apoio. O ideal é reduzir 100% os impostos, mas uma redução de 0,5% deve ser apoiada pelos libertários."\r
    \r
    Eu sei disso, mas na hora de escrever o artigo parece que Rothbard se esqueceu:\r
    \r
    Do artigo:\r
    "A abordagem libertária para o problema do assistencialismo, portanto, é abolir toda a assistência pública coerciva, substituindo-a pela caridade privada baseada no princípio do estímulo à independência e à autoajuda, reforçando também por toda a sociedade as virtudes da autossuficiência e da autonomia."\r
    \r
    Atençao para palavra abolir! Aqui ou Rothbard se esquece (que o Milton Friedman queria trocar o programa assistencialista atual por outro menos invasivo) ou ele foi desonesto. Como eu não acredito que o Rothbard simplesmente se esqueceu acho que ele simplesmente foi desonesto.\r
    \r
    Eu sou grato por você ter traduzido e me apresentado pelo Orkut o artigo da Matrix que mudou a minha vida e grato ao Rothbard por ter feito o original. \r
    \r
    Mas mantenho minha convicção que nesse artigo o Rothbard foi desonesto. É claro que todo mundo erra, isso não muda nada em relação a minha admiração e gratidão.
  • Fernando Chiocca  05/08/2011 18:43

    Essa caricatura que você fez (e o artigo também) do Milton Friedman é do mesmo que defende a abolição do FED www.youtube.com/watch?v=JL3FT0O4kYg ?

    Não. É este aqui: Milton Friedman: The Purpose of the Federal Reserve

    Esse vídeo acima prova que você foi desonesto ou só esquecido?

    Você está está ignorando toda a obra de Friedman e se baseando em uma entrevista que o Friedman diz rapidamente que a preferência dele era que o Fed fosse abolido, numa parte editada, cortada, que o entrevistador está arrumando seus papéis, que não se sabe o que ele disse antes e nem depois, não sabemos se ele disse que queria que fosse colocado algo no lugar do Fed e eu é que estou sendo desonesto? Tá certinho hein rapáz..

    E falando em honestidade, o Roberto linkou logo acima entrevista em que o Friedman diz que o Greenspan é fantástico, e nesta que voce linkou ele diz que acha o Bernanke muito bom...

    Ninguem se importa com o Rotbhard a ponto de pegar o pouco que ele escreveu antes de conhecer Mises para acusa-lo de não ser libertário.

    Você parece se incomodar bastante...

    Talvez um dia se ele se tornar mais relevante para o "mainstream" alguem faça esse tipo de desonestidade.

    Com a estrondosa audiência de sites como Mises.org e LRC, e ficando cada vez mais difícil de esconder que os austríacos estão sempre certos e o mainstream econômico sempre errando, Rothbard está sendo lido mais do que o próprio Friedman, e já está incomodando um pouco: The Ghost of Murray Rothbard Haunts The Economist

    E a única desonestidade que vi por enquanto foi a sua.

    Eu não vou fazer isso.

    Heheheeh. Não vai fazer "de novo"? É isso que vc quis dizer?

    Por exemplo já vi gente acusando o Rothbard de não ser libertário porque o mesmo defendia que a lei proiba contratos voluntários entre correntistas e bancos que fazem reservas fracionárias. E proibir um contrato voluntário pode ser considerado anti-libertário. Só que ele não defendia exatamente probir as pessoas de assinarem um contrato voluntário:

    Como é que é?
    Vc já viu gente sendo desonesta dizendo que Rothbard defendia algo que ele não defendia. Tá. E daí?
    Onde foi que no texto o Rothbard disse que o Friedman defendia algo que ele não defendia?

    "Che was a notable revolutionary, but not a distinguished administrator, and even poorer as an economist."

    Para dizer que o Rothbard não era libertário, pq nenhum libertário consideraria Che um notavel revolucionário.


    Hehehe, vc está querendo dizer então que os revolucionarios em Cuba não conseguiram tomar o poder? Che foi um notável revolucionário e um péssimo administrador e um economista patético. E isso é um fato e qualquer um, libertário, comunista, socialista democrata, palmeirense, corinthiano, só pode reconhecer isso.
    Se eu digo que Hitler foi notável ao derrotar a França, isso faz de mim um nazista?
    No mais, você mesmo já disse tudo: Obviamente o artigo foca na capacidade de Che em enfrentar ( e vencer?) o imperialismo americano. Mas muita gente olha de outra forma.

    que é um absurdo semelhante a dizer que Milton Friedman não era libertário.

    O próprio Friedman nunca se considerou um libertário e sempre disse que era um Republicano.

    Atençao para palavra abolir! Aqui ou Rothbard se esquece (que o Milton Friedman queria trocar o programa assistencialista atual por outro menos invasivo) ou ele foi desonesto. Como eu não acredito que o Rothbard simplesmente se esqueceu acho que ele simplesmente foi desonesto.

    Desonestidade é criticar o que desconhece.
    O objetivo de Friedman, como Rothbard nos relata no artigo acima, era apenas o de tornar o assistencialismo mais eficiente (e muito mais invasivo), e foi o que ele conseguiu, e o que acarretou em consequências desastrosas.
    Friedman's Mistake

    Eu sou grato por você ter traduzido e me apresentado pelo Orkut o artigo da Matrix que mudou a minha vida e grato ao Rothbard por ter feito o original.

    Obrigado.

    Mas mantenho minha convicção que nesse artigo o Rothbard foi desonesto.

    Continuo aguardando que aponte em quais pontos Rothbard faltou com honestidade. Se não apontar, como o mcmoraes já disse, o único desonesto aqui continuará sendo você.
  • mcmoraes  05/08/2011 16:28
    @Breno Almeida: "...Porque o Rothbard foi um completo fracassado acadêmico e financeiro? Porque não se comprava mais o laisssez-faire na economia-politca.(Hoje com o Ron Paul e a Internet o Rothbard antingiu certo sucesso)..."

    Sinceramente, eu achei você desonesto aqui.
  • Getulio Malveira  05/08/2011 17:14
    Sinceramente não vejo razão para a objeção ao texto. Certo, se alguém deseja estudar a escola de chicago deve ler os trabalhos dessa escola, mas este site, pelo que entendo, publica trabalhos da escola austríaca. Ontem mesmo eu elogiava o texto do professor Ubiratan Iorio, pela ponderação com a qual tratou as escolas que, na visão dele, deram alguma contribuição para a causa da liberdade. Mas isso não pode ser feito as custas de se apagar as nítidas diferenças entre as escolas, principalmente quanto aos aspectos estritamente econômicos. Nesse sentido, o texto do Rothbard veio em momento certo para evidenciar a superioridade epistemológica, política e moral da EA. \r
    \r
    Creio que se alguém, conhecedor da escola de chicago, pretende defendê-la aqui deveria apresentar algum argumento mais forte e concreto, ao invés de tecer impressões gerais sobre o texto do Rothbard (que, aliás, nem foi publicado na íntegra ainda).
  • Breno Almeida  05/08/2011 18:03
    Getulio,\r
    \r
    O texto não é sobre a escola de Chicago. O texto é um ataque pessoal ao Milton Friedman, o texto acusa o Milton Friedman de não ser libertário.
  • Roberto Chiocca  06/08/2011 12:39
    O texto nao é um ataque pessoal a Milton Friedman e sim um desmascaramento e uma elucidação das idéias que ele defendia, só quem usou ataques rasos aqui foi vc Breno, com adjetivos e ad hominens e ad popoluns, inclusive nao achei razoável a aprovação do seu cmentario que foi bastante agressivo e sem educação
  • Marcos Anger  26/10/2017 11:02
    Xente, caiam na real! Não existe libertarianismo! Friedman era um proto keynesiano...
    Para uma economia "bombar", tem de possuir regras claras e condições de igualdade de oportunidades de qualidade a todos.
    Não! Friedman não era socialista, marxista. Marx antes da igualdade, ele queria justiça social em meio a constante luta de classes existente nas sociedades humanas ao longo dos séculos...
  • Roberto Chiocca  05/08/2011 15:04
    Felipe,
    Eu também comecei a me interessar pelo liberalismo através de Friedman, mas, este não mais é um caminho essencial, era outra época e a EA era completamente desconhecida aqui no Brasil, hoje trabalhos de Rothbard, Mises, Hoppe e outros austriacos estão bastante disponiveis, videos de palestras, entrevistas e debates, bem como temos nos EUA Ron Paul diariamente na grande midia e até um "host" libertário e austriaco na Fox(Napolitano). As ideias da EA são mais palataveis e qualquer um pode aprender sem muita dificuldade, estas doses diarias que disponibilizamos aqui com certeza tem muito poder de influencia e poupa o leitor de ter que estudar a escola de chicago para só depois ter uma decepção e ver que se trata de apenas mais uma escola estatista compravadamente equivocada não apenas aprioristicamente, mas empiricamente(mas ainda assim sugiro que vá ao conteúdo original, apenas para comprovar que Rothbard tem a mais absoluta razão).
    Quanto a Friedman, acredito que seja melhor deixá-lo falar por si próprio, avance para os 1:45
    www.youtube.com/watch?v=Mckg2NtPrSQ&feature=related
  • Fernando Chiocca  05/08/2011 15:52
    Exatamente.

    Friedman pode ter ajudado até mais do que qualquer um antes dele a difundir ideias de liberdade, mas com o atual acesso a defensores da liberdade que acumulam todos os prós de Friedman, sem ter nenhum de seus muitos contras, Friedman é totalmente dispensável para a aprendizagem teórica, permanecendo importante apenas para uma aprendizagem histórica.


    Como reconheço neste primeiro blog de 2008, também agradeço Friedman por ter sido importante para meu aprendizado:

    Comecei a me aprofundar mais neste caminho do conhecimento alguns anos atrás, com o positivista igualitário Milton Friedman, que apesar de não seguir princípio ético algum e de utilizar uma teoria econômica completamente falaciosa, conseguiu chegar a algumas conclusões corretas, que podem ser confirmadas através da teoria econômica apropriada. Em Liberdade de escolher, Friedman utilizou de forma brilhante alguns exemplos empíricos históricos para desmoronar muitas mentiras propagadas pelos ideólogos do Estado, embora viesse a defender e inclusive trabalhar pessoalmente para implementar muitas outras.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=76

    Mas como diz Robert Higgs:

    Glaeser quotes Milton Friedman to good effect in his article, but Friedman's writings ought to be the beginning, rather than the end of wisdom in this area. In regard to freedom, Friedman's arguments were good as far as they went, but they did not go nearly far enough. Like Glaser, Friedman was prepared to make many concessions to state power, and his focus on utilitarian arguments, as opposed to moral principles, diminished the intellectual force of his laudable efforts to enlarge the scope of liberty in economic affairs.

    www.lewrockwell.com/higgs/higgs175.html

    Se eu tivesse ido direto para o austro-libertarianismo, teria sido milvezes melhor.
  • Felipe Barbosa  05/08/2011 17:48
    concordo que a escola austriaca seja o destino natural para qualquer defensor da liberdade, ela é a chegada, mas acho que a melhor partida é o Sr Friedman, o video dele defendendo o FED foi bem indigesto, devo reconhecer, mas como hayek disse que keynes reconhecia seus erros proximo do fim friedman reconheceria os fracassos da politica monetaria

    nesse vide, em 1:31 ele claramente diz, abolish the fed
    www.youtube.com/watch?v=JL3FT0O4kYg

    não pelos motivos que queremos, mas ainda assim...
    acho que as palestras dele tornam o livre mercado muito mais palatavel pra quem só ve solução no estado, em uma entrevista ele defende ganancia como eu proprio não seria capaz de imaginar na época.

    www.youtube.com/watch?v=RWsx1X8PV_A

    enfim, reconheço ouro como a unidade de troca natural, a liberdade a unica força verdadeiramente criativa e o livre mercado a mais moral e abrangente forma de interação social.

    mas que ele tem um jeito com as palavras... po... se tem!
  • Domingos  05/08/2011 17:03
    Não conhecia essa visão de Friedman sobre o imposto de renda. Muito bom saber disso, pois é similar a do pós keynesiano Jonh K. Galbraith. Porém este argumentava o confisco pelo imposto de renda como instrumento de controle/estabilização da demanda agregada.\r
    \r
    Então fiquei com uma dúvida sobre esse ponto. O objetivo de Friedman era apenas assistencialista (com seus argumentos sobre geração de renda mínima) ou tinha também o viés intervencionista de controle da demanda agregada?\r
    \r
    Grande abraço
  • Breno Almeida  05/08/2011 18:02
    mcmoraes,\r
    \r
    "Sinceramente, eu achei você desonesto aqui."\r
    \r
    Qualquer pesquisa sobre a vida de Rothbard vai te mostrar que ele teve dificuldades financeiras. Foi para uma universidade muito fraca para ganhar um salário ruim para dar aulas.\r
    \r
    Ele nunca teve reconhecimento acadêmico em vida, bem não em relação a produtividade. Por exemplo ele escreveu um livro enorme sobre a crise de 1929 que é muito bom, mas só recentemente passou a ser reconhecido por historiadores.\r
    \r
    Os livros do Rothbard não vendiam bem na sua epoca, mas hoje melhorou muito.\r
    \r
    Você esta agindo como um membro de torcida, viu alguem e concluiu que ele não é do seu time então você decidiu atacar. E concluiu errado pq eu nunca li nada sobre a escola de Chicago que seja relevante.
  • Leandro  05/08/2011 18:41
    Perdoe-me, Breno, mas você infelizmente está recorrendo à falácia do argumento argumentum ad populum ao dizer que só presta aquilo que tem audiência. Pior ainda: está dizendo que só é bom aquilo que tem aceitação acadêmica.

    Por esse seu critério, então, as economias keynesianas e marxistas, cheias de seguidores e amplamente aceitas nos meios acadêmicos, devem ser impecáveis.

    O fato de Rothbard ter sido desprezado pelo meio acadêmico (não é verdade o fato de que ele foi para universidades fracas, pois deu aulas na Universidade de Las Vegas e no Instituto Politécnico de Nova York), um meio dominado por keynesianos e marxistas, deve ser visto como um enorme mérito em seu currículo, talvez a sua maior façanha, pois certamente suas ideias desafiantes apavorava esta gente.

    Ademais, aqui vai minha opinião: quanto mais seguidores uma ideia tem, maiores são as chances de ela estar errada. E a explicação é simples: inteligência não brota do chão, não dá em árvore. As ideias corretas sempre são aquelas que exigem mais raciocínio, mais uso da razão e da lógica. Já as ideias erradas sempre são aquelas que possuem apelo simples, de fácil digestão. Quando uma ideia ou um pensamento é partilhado por milhões de pessoas, pode saber que ali não há massa crítica; pode saber que ali só pode ter bobagem.

    Se algum dia o IMB tiver, sei lá, 100.000 leitores, esteja certo de que vou me olhar no espelho e me perguntar: o que houve com minha inteligência? Por que comecei a escrever besteiras?

    Grande abraço!
  • Diego Cardoso  09/08/2011 18:14
    Caro Leandro, admiro seu trabalho e sua valorosa contribuição para o IMB.
    Espero, sinceramente, que o seguinte trecho em seu comentário seja uma ironia:

    "Se algum dia o IMB tiver, sei lá, 100.000 leitores, esteja certo de que vou me olhar no espelho e me perguntar: o que houve com minha inteligência? Por que comecei a escrever besteiras?"

  • Leandro  09/08/2011 18:26
    Prezado Diego, obrigado pelos elogios. Eu sinceramente não consigo enxergar um grande número de pessoas interessadas em economia (favor considerar essa frase dentro de todo o contexto da minha explicação acima). Não é um assunto dos mais atraentes -- embora eu particularmente o ache extremamente prazeroso.

    Compare, por exemplo, um site sério sobre filosofia a um site de fofocas, ou a um site sobre novelas ou sobre modas ou sobre futebol. Qual terá mais leitores? Se o site de filosofia tiver o mesmo número de leitores dos outros sites é porque ou houve uma revolução inexplicável na mentalidade da população ou o site de filosofia simplesmente baixou seu nível intelectual.

    Com o IMB é a mesma coisa.

    Ok, 100.000 pode ser um tanto baixo, e até podemos chegar a esse número. Mas certamente nunca a 1 milhão, que é o que conseguem sites de fofocas, futebol e afins. Se chegarmos a esse número, certamente é porque estamos fazendo lambança.

    Mantenho minha opinião.

    Grande abraço!
  • Diego Cardoso  09/08/2011 23:16
    Caro Leandro, entendo sua posição. Como disse H.L. Mencken "for every complex problem, there is a solution that is simple, neat, and wrong" . Imagino que muito provavelmente seu argumento considere a relativa impopularidade da Escola Austríaca frente às demais linhas de pensamento, a despeito de sua notável superioridade. Neste contexto estamos em acordo.

    Contudo, acho interessante tomar a cautela de não inverter o argumentum ad populum e inferir - também falaciosamente - que tudo o que é popular (e/ou simples) é falso. Não nos esqueçamos da Navalha de Occam, um dos pilares do método científico.

    Apenas como ilustração, várias teorias bastante complexas concorriam para explicar o movimento dos planetas, as marés e a trajetória de queda de objetos. Newton, com uma fórmula simples para a Lei de Atração de Massas, resolveu todas essas questões de uma só vez e foi amplamente aceito.

    Nem sempre o argumento mais intrincado, complexo e restrito a uma minoria de adeptos é o verdadeiro. Nas ciências em geral, a elegância da síntese é bastante recorrente. Talvez eu seja muito otimista, mas ainda creio que chegará o dia em que a EA será "mainstream". E, se esse dia chegar, não poderemos negar que a maioria estará certa.

    Sigo acompanhando seu ótimo trabalho.
    Abraços.
  • mcmoraes  05/08/2011 19:59
    "...Qualquer pesquisa sobre a vida de Rothbard vai te mostrar que ele teve dificuldades financeiras. Foi para uma universidade muito fraca para ganhar um salário ruim para dar aulas..."

    E desde quando ganhar um salário ruim para dar aulas é ser um completo fracassado financeiro?

    "...Ele nunca teve reconhecimento acadêmico em vida, bem não em relação a produtividade. Por exemplo ele escreveu um livro enorme sobre a crise de 1929 que é muito bom, mas só recentemente passou a ser reconhecido por historiadores. Os livros do Rothbard não vendiam bem na sua epoca, mas hoje melhorou muito..."

    E desde quando ser um erudito reconhecido somente após a morte é ser um completo fracassado acadêmico? A história está cheia de grandes gênios eruditos que foram desprezados em suas terras e em seus tempos.

    "...Você esta agindo como um membro de torcida, viu alguem e concluiu que ele não é do seu time então você decidiu atacar.

    O que eu fiz foi me inspirar no seu comportamento. Você fez uma afirmação vazia e eu decidi retorná-la a você. Aliás, você até mesmo forneceu munição para uma contra-argumentação. Veja bem, o fato do Rothbard ter sido popularizado pelo Ron Paul é prova de seu sucesso, pois ele foi mentor e inspirador do Ron Paul e não o contrário. Ou seja, o Ron Paul não foi nem nunca poderia ter sido seu "pistolão". Além disso, dizer que hoje o Rothbard está mais popularizado por causa da Internet é o mesmo que dizer que sua obra é um sucesso, visto que não há órgão centralizador na Internet. Um erudito só pode se beneficiar da Internet se sua obra for realmente boa.

    "...E concluiu errado pq eu nunca li nada sobre a escola de Chicago que seja relevante..."

    Não entendi essa frase. Ou ela ficou truncada ou você fugiu do assunto.
  • Fabio MS  05/08/2011 18:02
    Pessoal do MisesBR, gostaria que algum de vocês escrevesse um artigo sobre o "novo plano" do governo Dilma para a economia, anunciado pelo Mantega recentemente.\r
    Fica a sugestão.\r
    Abraço.
  • Breno Almeida  06/08/2011 05:26
    Leandro,

    "Perdoe-me, Breno, mas você infelizmente está recorrendo à falácia do argumento argumentum ad populum ao dizer que só presta aquilo que tem audiência. Pior ainda: está dizendo que só é bom aquilo que tem aceitação acadêmica."

    Eu não disse isso. Você nega que os Keynes foi um sucesso academico? Ou acha que a alta vendagem de Teoria Geral é um sinal de fracasso? Ou que o marxismo foi um fracasso completo sem ter qualquer influência na política da epoca?

    Ser um sucesso não significa ser lógicamente correto. E nisso vc está certo e eu não pensava diferente.

    "Por esse seu critério, então, as economias keynesianas e marxistas, cheias de seguidores e amplamente aceitas nos meios acadêmicos, devem ser impecáveis. "

    Eu não usei esse critério. Os fisiocratas eram um sucesso na sua epóca e nem por isso que afirmação de que a terra é a única fonte de riqueza de uma nação seja um raciocinio impecavel.

    Não é pq a lógica dos fisiocratas era bizarra que o mesmos não faziam sucesso.

    "O fato de Rothbard ter sido desprezado pelo meio acadêmico (não é verdade o fato de que ele foi para universidades fracas, pois deu aulas na Universidade de Las Vegas e no Instituto Politécnico de Nova York), um meio dominado por keynesianos e marxistas, deve ser visto como um enorme mérito em seu currículo, talvez a sua maior façanha, pois certamente suas ideias desafiantes apavorava esta gente."

    Universidade de Nevada(fica em las vegas) é fraca e sobrevivia graças ao dinheiro do estado. O único economista relevante que pisou lá foi o Rothbard. Sem ele a contribuição dessa universidade para o debate da ciência economica seria provavelmente zero. E o instituto politécnico do Brooklyn (depois renomeado para Nova York) não é/era referência em economia, hj parece que não tem mais economia provavelmente só algum curso dentro de uma gradução mais técnica.

    Você está construindo um mito, um herói. A posição do status-quo era mais de deboche do que de medo. Hj as ideias dele podem ser acessadas pela massa e isso pode criar pavor(no status-quo), mas na epoca não. E olhado o odio irracional que midia tem do Tea Party talvez seja o caso.

    "Ademais, aqui vai minha opinião: quanto mais seguidores uma ideia tem, maiores são as chances de ela estar errada. E a explicação é simples: inteligência não brota do chão, não dá em árvore. As ideias corretas sempre são aquelas que exigem mais raciocínio, mais uso da razão e da lógica. Já as ideias erradas sempre são aquelas que possuem apelo simples, de fácil digestão. Quando uma ideia ou um pensamento é partilhado por milhões de pessoas, pode saber que ali não há massa crítica; pode saber que ali só pode ter bobagem."

    Pelo seu critério o Laissez-faire é uma bobagem, afinal no século retrassado ele foi dominante. Eu leio tudo que você escreve e é sempre de facil digestão.Von Mises escreve com clareza e é fácil de digerir. Vc precisa de um malabarismo lógico muito maior para fazer alguem digerir uma mentira do que a verdade. Bom quem passou por Marx ou Keynes sabe como aquilo é obscuro e mesmo com muito raciocinio é dificil de entender.

    "Se algum dia o IMB tiver, sei lá, 100.000 leitores, esteja certo de que vou me olhar no espelho e me perguntar: o que houve com minha inteligência? Por que comecei a escrever besteiras?"

    A qualidade dos seus artigos não vai mudar devido ao número de leitores. Se vc amanhã decidir não mais escrever, seus textos vão continuar na Internet e podem atingir centenas de milhares de leitores e isso não vai fazer com que o mesmos se torne por "mágica" um amontoado de bobagens.

    Não há razão para ver virtude no fracasso de público. Tá parecendo aqueles cineastas chatos que fazem filmes que ninguem quer assistir, vivem no ostracismo e acham isso o máximo.

  • Leandro  06/08/2011 06:10
    Prezado Breno, como você apenas repetiu quase tudo o que eu disse, vou me ater a responder apenas às suas novas considerações:

    1) O laissez-faire do século XIX não era dominante porque popular. Era dominante simplesmente porque era a única ideologia que as pessoas conheciam à época (comunismo, socialismo, fascismo, social-democracia e congêneres são invenções muito recentes na história da humanidade). Tão logo estas novas ideologias totalitárias surgiram, elas foram rapidamente abraçadas pelo populacho, justamente por serem de fácil apelo e digestão. Ou seja, isso apenas comprova meu ponto.

    2) Mantenho toda a minha opinião sobre universidades. Utilizar a aceitação acadêmica que tal economista teve como critério para definir se ele é relevante ou não é uma postura que resultou em seguidas tragédias para o mundo. Vemos hoje Marx e Keynes dominando tudo, e Milton Friedman sendo utilizado para "domar" os mais liberais: "Vejam só! Friedman defende expansão monetária para combater recessões! Pronto! Agora vocês, misesianos, fiquem quietos!"

    Mas é claro que respeito você, que pensa diferente.

    3) A posição de deboche do status quo em relação a determinados economistas dura apenas enquanto as ideias deles permanecem escondidas, graças ao meio acadêmico. Porem, tão logo as ideias começam a se difundir e a ganhar adeptos, a postura de deboche vai adquirindo novas feições, até finalmente se tornar aquilo que sempre foi: medo. Medo de que essas novas ideias contagiem o público e comece a fazê-los questionar o status quo, o que acabará solapando o privilégio desta casta que só prospera graças à ignorância econômica das massas.

    O atual desespero da mídia e do meio acadêmico americano, que está vendo seu poder de persuasão definhar graças à ascensão de uma mídia paralela que expõe suas falácias, é bastante ilustrativo disso. Antes esse pessoal marginal era ignorado. Depois, ridicularizado. Agora, temido. No futuro, eles vencerão.


    Grande abraço e muito obrigado pelos seus elogios!
  • João Victor.  26/04/2015 20:25
    Qual a mídia paralela que vc citou no comentário, Leandro ?
  • Leandro  27/04/2015 12:48
    Majoritariamente sites e blogs de internet.
  • Breno Almeida  06/08/2011 06:16
    Fernando,

    "nem depois, não sabemos se ele disse que queria que fosse colocado algo no lugar do Fed e eu é que estou sendo desonesto? Tá certinho hein rapáz.."

    Você teve a oportunidade de ficar perto do David Friedman, poderia ter perguntado o que o pai realmente pensava a respeito de um sistema bancário livre.

    Ainda dá tempo de perguntar.

    "E falando em honestidade, o Roberto linkou logo acima entrevista em que o Friedman diz que o Greenspan é fantástico, e nesta que voce linkou ele diz que acha o Bernanke muito bom..."

    Böhm Bawerk disse que Karl Marx era um execelente intelectual e muito habilidoso no uso da dialética. Logo Böhm Bawerk era comunista.

    "Você parece se incomodar bastante..."

    Eu admiro Rothbard.

    "Com a estrondosa audiência de sites como Mises.org e LRC, e ficando cada vez mais difícil de esconder que os austríacos estão sempre certos e o mainstream econômico sempre errando, Rothbard está sendo lido mais do que o próprio Friedman, e já está incomodando um pouco: The Ghost of Murray Rothbard Haunts The Economist "

    Sim o começo é verdade. MAs Milton Friedman ainda é mais buscado no google que Rothbard. www.google.com/trends?q=milton+friedman%2C+rothbard Não sei qual é a sua fonte para dizer que Rothbard é mais lido. Mas não dúvido que a popularidade do Rothbard cresceu especialmente devido ao sucesso do Ron Paul que basicamente defende as ideias do Rothbard.

    "E a única desonestidade que vi por enquanto foi a sua."

    Você odeia as pessoas que discordam de você e isso atrapalha o seu raciocinio.

    "Heheheeh. Não vai fazer "de novo"? É isso que vc quis dizer?"

    Eu quero dizer que eu não vou pesquisar o que o Rothbard escreveu antes de conhecer Mises para escrever um artigo usando esses textos antigos como prova de que Rothbard não era libertáio. Primeiro pq dá muito trabalho, segundo pq seria desonesto.

    "Onde foi que no texto o Rothbard disse que o Friedman defendia algo que ele não defendia?"

    Eu estou tentando te explicar. Que se fulano defende politica tal, como sendo melhor que atual, isso não significa que fulano seja contra a politica libertaria radical.

    Rothbard diz: Milton Friedman defende X, mas o libertário deve defender Y, logo o Milton Friedman é contra Y e por isso não é um genuino libertário.

    Não é pq fulano defende que X (Por exemplo renda minima garantida pelo estado) é melhor que Z(um amontoado de vale-gás,vale-comida,vale aquilo) que ele seja contra Y(caridade voluntária). Ou que ele ache que X é sempre melhor do que Y.

    "No mais, você mesmo já disse tudo: Obviamente o artigo foca na capacidade de Che em enfrentar ( e vencer?) o imperialismo americano. Mas muita gente olha de outra forma."

    Eu estou tentando dizer que desonestidade inteletcual é comum, que todo mundo erra. Que é possível distorcer a visão de outra pessoa. É uma pena que vc ache que eu estou atacando Rothbard. Eu escrevo mal é verdade, talvez seja essa a razão da confusão.

    "O próprio Friedman nunca se considerou um libertário e sempre disse que era um Republicano."

    Bom então o Milton Friedman se esqueceu de usar a palavra republicano nessa entrevista ou então vc Fernando foi desonesto ao afirmar que o Friedman N-U-N-C-A se considerou libertário.

    "I was persuaded at that time in the early 1960s that we were on the verge of developing a strong libertarian movement. These were libertarians, all of them, though Hayek would not have labeled himself a libertarian. As you know, he always avoided the term conservative, too. He would call himself an Old Whig. The others would have called themselves libertarians."
    (reason.com/archives/1995/06/01/best-of-both-worlds/2)


    "Desonestidade é criticar o que desconhece."

    Desonestidade é distorcer o que aconteceu. Criticar o que desconhece é arrogancia.

    "O objetivo de Friedman, como Rothbard nos relata no artigo acima, era apenas o de tornar o assistencialismo mais eficiente (e muito mais invasivo), e foi o que ele conseguiu, e o que acarretou em consequências desastrosas."

    O objetido do Friedman era substituir o assistencialismo anterior por um que fosse menos invasivo. O Friedman fracassou e acabou sendo contra o proprio projeto, pq os politicos se recusaram a abolir o assistencialismo anterior e decidiram adicionar o assistencialismo sugerido pelo Friedman ao assistencialismo já existente.

    "Continuo aguardando que aponte em quais pontos Rothbard faltou com honestidade. Se não apontar, como o mcmoraes já disse, o único desonesto aqui continuará sendo você."

    Desonestos aqui só eu e o David Friedman www.blogger.com/comment.g?blogID=19727420&postID=156933589253312847


  • Fernando Chiocca  07/08/2011 13:49
    Eu estou tentando te explicar. Que se fulano defende politica tal, como sendo melhor que atual, isso não significa que fulano seja contra a politica libertaria radical.

    Tudo de antilibertário que o Friedman defendia está exposto acima, desde fim do padrão ouro e controle da moeda pelo estado até renda mínima. E você foi incapaz de contestar qualquer passagem específica. No caso do renda mínima dele, mesmo se ele teoricamente defendesse que sua proposta iria diminuir o tamanho da invasão estatal (mas que na realidade aumenta), ele defendia que TEM QUE EXISTIR a espoliação de produtores para assistir não produtores.
    Este Fulano era contra a politica libertaria "radical".

    E quanto a estes recentes ataques de David Friedman contra Rothbard e defendendo Milton, é compreensível, já que que o Milton Friedman é pai dele! Qualquer um que não seja nem filho nem neto dele e entra nessa (tipo você), aí já é algo incompreensível.
    O Lew está basicamente certo: o legado de Rothbard está vivo e vibrante, e o monetarismo positivista de Friedman e suas ideias que traem a liberdade já foram reveladas como a fraude que são. O futuro é de Rothbard. E ainda, muito do trabalho de Rothabrd é lido e comprado através do mises.org, não da amazon. Mas ad popolum é algo que realmente não me interessa.
  • mcmoraes  07/08/2011 14:58
    @Fernando Chiocca: "...E você foi incapaz de contestar qualquer passagem específica..."

    Cabe lembrar que o Breno Almeida fez essa barulheira toda após afirmar: "...eu não tenho capacidade para defender o Milton Friedman ponto a ponto...". Haja paciência!
  • Breno Almeida  06/08/2011 09:06
    Leandro,\r
    \r
    Agradeço a paciência.\r
    \r
    1) "O laissez-faire do século XIX não era dominante porque popular. Era dominante simplesmente porque era a única ideologia que as pessoas conheciam à época."\r
    \r
    O problema que o laissez-faire não era a única, pois antes do laissez-faire tinha o perido mercantilista dominado pelos economista fisiocratas. Turgot vivia nesse periodo mercantilista ele tentou derrubar barreiras ao comércio e não conseguiu, no seculo seguinte que as barreiras começaram a cair devido a popularidade de "A riqueza das nações" superar a popularidade dos panfletos mercantilistas.\r
    \r
    "Tão logo estas novas ideologias totalitárias surgiram, elas foram rapidamente abraçadas pelo populacho, justamente por serem de fácil apelo e digestão. Ou seja, isso apenas comprova meu ponto."\r
    \r
    Sim é comum que as pessoas sem educação economica acreditem em certas falácias, algumas são uma verdadeira tradição milenar. E o que as ideologias autoritárias recentes exploram antigas falácias mercantilistas para conquistar a população.\r
    \r
    Realmente é dificil explicar que para uma pessoa ficar rica outra não precisa ficar pobre. E que as ideologias autoritárias modernas exploram essa falácia.\r
    Nisso eu concordo.\r
    \r
    2) \r
    \r
    "Mas é claro que respeito você, que pensa diferente."\r
    \r
    Não, eu não penso diferente. \r
    \r
    Eu não disse que Rothbard é irrelevante, pq o meio acadêmico não considerou o trabalho dele relevante. Eu disse que o meio acadêmico não considerou o trabalho do Rothbard relevante e só, até pq isso é um fato que eu nunca vi ninguem negar.(Mesmo que o estado de irrelevancia tenha mudado hoje)\r
    \r
    Apelo a autoridade é uma falácia comum eu não concordo com ela. É muito comum aqui os minarqusitas apelarem a autoridade do Von Mises para manter os anarquistas quietos.\r
    \r
    Do mesmo modo que eu não acho que estado minimo é certo pq o Von MIses cita a utilidade do estado. Eu tambem não acho que Rothbard é irrelevante pq outros economitas acham Rothbard irrelevante.\r
    \r
    Eu só disse que os economistas da epoca em que o Rothbard escrevia achavam o Rothbard irrelevante.\r
    \r
    3) Tá ponto para você, eu errei. A lógica correta é que eles debochavam do ostracismo das ideias e não dás ideias em si.
  • Luiz Henrique  06/08/2011 22:37
    Seu artigo nem cheguei ao final. Considero que seja verdade. Só me dá a chance de colocá-lo no seu devido lugar de direito. As coisas são caso a caso. Não, não adianta suplicar por liberdades gerais. Cada situação tem as suas peculiaridades. A sua súplica só pode ser atendida ser for sua. Se acaso precisar de uma graça, posso escutá-lo e, se assim for de direito, entrego o caminho.
  • Rhyan  07/08/2011 03:11
    Mas F. A. Hayek também não defendia imposto de renda negativo?
  • Fernando Chiocca  07/08/2011 05:35
    Não Rhyan.

    Hayek rejeitava a proposta de Friedman de IRN.
    Hayek on the Negative Income Tax

    Ele defendia algo diferente, defendia que o estado ajudasse aqueles mais miseráveis que não conseguiriam prover para si.

    E na minha visão, ambos foram anti-liberdade nessa.. com Friedman sendo bem pior que Hayek.
  • Rhyan  07/08/2011 09:14
    Obrigado!
  • Rhyan  07/08/2011 14:56
    Dizem que depois de velho ele defendeu a abolição do FED.
  • j.sena  24/11/2011 16:48
    Ele dizia umas frases soltas aqui e acolá... Como nessa entrevista ao Pontual:\r
    \r
    "Época: E se o FMI tornar-se um banco central mundial? \r
    Friedman: Sabe o que dizem dos alcoólicos? Que de manhã eles precisam de um pouco mais do veneno que não os matou na véspera. É a mesma coisa. Sou a favor da abolição dos bancos centrais, incluindo o Federal Reserve. Ter a mesma coisa em escala internacional seria um grande erro. Essa proposta é uma insensatez total."\r
    \r
    \r
    revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI191298-15223,00.html
  • Rodrigo  07/08/2011 15:04
    Fernando, como Hayek conciliaria a desestatização do dinheiro com a manutenção do Estado?
  • Fernando Chiocca  07/08/2011 15:54
    O estado se mantém através da tomada forçada da riqueza produzida por seus súditos, e essa riqueza não precisa ser o seu dinheiro de papel.

    O monopolio do dinheiro por parte do estado apenas torna tudo mil vezes pior: Por que o Banco Central é a raiz de todos os males
  • Thyago  10/08/2011 21:34
    Vixxx hehehe
  • Marconi Soldate  17/09/2011 21:39
    sou liberal, mas apoio o renda minima, como friedman. o problema dos mais radicais aqui, nao eh erro de teoria economica, mas de nao enxergar que a situacao atual eh de extrema injustica. ao meter a mao no bolso do trabalhador para financiar um pobre (talvez vagabundo), com um renda minima, vc garante, para toda sociedade, que os pobres o sao por seus proprio fracasso e que, com um renda minima, tem a chance de vencer. hj, ao olhar um pedinte na rua, vc nao sabe se ele eh um vagabundo ou uma pessoa que nunca teve uma oportuniade na vida. oportunidade, por exemplo, de tomar um banho, vestir uma roupa decente e procurar um emprego. sou a favor de friedman e de renda minima nesse sentido, ou seja, de separar claramente fracassados que querem oportunidades pra vencer de simples vagabundos. hj estao misturados
  • Neto  10/09/2012 10:04
    'Outro exemplo é o dos membros da Igreja Mórmon. Pouquíssimos recebem assistencialismo público. Pois os mórmons não apenas inculcam em seus membros as virtudes da poupança, da frugalidade, da autoajuda e da independência, como também cuidam de seus próprios membros necessitados por meio dos programas de caridade privada da própria igreja, os quais se baseiam no princípio de ajudar os pobres a se ajudarem a si próprios, e, com isso, a saírem da caridade o mais rapidamente possível.[7] Desta forma, a Igreja Mórmon afirma a seus membros que "buscar e aceitar auxílio público direto é algo que frequentemente traz a maldição da indolência e do ócio, além de estimular várias outras perversidades trazidas pelo assistencialismo. Tal atitude destrói a independência individual, a diligência, a frugalidade e o respeito próprio".[8] Assim, o altamente exitoso programa caritativo privado da Igreja Mórmon baseia-se nos princípios que a Igreja estimulou seus membros a estabelecer e a manter: independência econômica, poupança, e a criação de empreendimentos geradores de emprego. '

    Nada mais anti americano do que isso.Digo, anti essa america de hoje
  • Artur Fernando  27/11/2012 09:03
    Quando o assistencialismo é direto e privado, o dependente não é estimulado a permanecer nessa situação por vergonha. Quando o assistencialismo não tem rosto, é fácil se tornar vagabundo. Os Mórmons estão certos nessa.
  • anônimo  03/09/2013 00:27
    Mas, afinal, o assistencialismo melhora ou não a vida dos pobres?
  • Emerson Luis  03/03/2016 12:43

    Friedman não era perfeito, assim como Rothbard, Mises, Hayek, Smith, etc. Curiosamente, o que alguns apontam como falha de certo pensador, outros podem apontar como acerto.

    E realmente, muito do que é citado sobre Friedman é referente ao começo de sua carreira na década de 1930, ele pode ter mudado muitas ideias até sua morte em 2006. De qualquer forma, ele contribuiu para a causa da liberdade, mesmo tendo cometido erros. E pelo que sei, ele nunca disse que era liberal no sentido de anarcocapitalista.

    Essa é uma das diferenças entre esquerdistas em geral, de um lado, e liberais e conservadores "de boa estirpe" de outro: os esquerdistas têm ídolos, atribuem qualidades e capacidades sobre-humanas a seus líderes e pensadores, enquanto os libercons têm heróis, encaram seus líderes e pensadores como grandes pessoas, mas humanos.

    Sobre esse trecho:

    "A absurdidade filosófica do plano friedmaniano, em que cada governo emite sua própria moeda de papel de curso forçado, pode ser mais bem entendida se considerarmos o que aconteceria se cada estado, cada cidade, cada vila, cada bairro, cada quadra, cada casa, cada família ou cada indivíduo pudesse emitir sua própria moeda e, ato contínuo, como gosta Friedman, houvesse uma livre flutuação da taxa de câmbio entre todas essas milhões de moedas. O caos que resultaria desse arranjo geraria a destruição do próprio conceito de moeda — a entidade que serve como meio geral de troca para todas as transações que ocorrem no mercado. Filosoficamente, o friedmanismo inerentemente leva à destruição da moeda, reduzindo-nos ao caos e ao primitivismo de um sistema de escambo. "

    Curioso, parece ser uma defesa da estatização e do monopólio estatal do dinheiro.

    * * *
  • Gustavo  23/03/2016 19:48
    Leandro,

    Num debate que assisti recentemente pelo youtube: https://www.youtube.com/watch?v=l2RByG_vutE, David Friedman falou duas coisas em relação à reservas fracionárias e padrão ouro que me deixaram com uma "pulga atrás da orelha".

    1 - Que o sistema de reservas fracionárias não é imoral como os austríacos defendem, seria imoral apenas caso o banco não deixasse claro para o cliente a real natureza do seu depósito(que é o caso de como funciona hoje). Que numa eventual insolvência do banco, poderia ser acionado um termo de contrato onde o banco em questão poderia devolver o dinheiro ao cliente numa data futura, por exemplo.

    2 - O fim do padrão ouro se deve ao seu custo. Como não existe imoralidade "per se" no sistema de reservas fracionárias, então o mais racional é se utilizar de uma moeda de fácil produção e baixo custo.

    Nosso colega Bob Murphy foi tão bombardeado nesse debate que eu acho que ele preferiu nem se esforçar em responder esses pontos que Friedman levantou. Gostaria de saber seus pensamentos a respeito.

    Um abraço.
  • Leandro  23/03/2016 21:45
    Não vi.

    Mas valem alguns comentários:

    1 - A Escola Austríaca não faz juízo de valor. Ela é uma ciência que se dedica exclusivamente a explicar o funcionamento das coisas, bem como as consequências de cada política. Ela não está no ramo de distribuir atestados de ética e moralidade.

    Fazer juízos de valor, dizer se algo é ético e moral, é a função da filosofia libertária.

    No que tange às reservas fracionárias, a EA apenas explica quais são suas conseqüências. Quaisquer juízos de valor a respeito deste sistema estão fora do âmbito da EA, e já adentram a filosofia libertária.

    Portanto, se um economista seguidor da EA fala bem ou mal das reservas fracionárias ele não está mais falando do ponto de vista da EA. A partir do momento em que ele emite um juízo de valor, ele saiu do escopo da EA e adentrou o da filosofia libertária.

    2- Não veja problemas com o argumento de que "o mais racional é se utilizar de uma moeda de fácil produção e baixo custo". Eu mesmo já escrevi que seria um tanto impraticável voltar a utilizar o ouro físico como moeda (afinal, se um grama de ouro vale quase R$ 150, como você compraria um pirulito?)

    Por isso defendo Currency Board ancorado em ouro, livre concorrência de moedas ou, na pior das hipóteses, uma política monetária que tenha como meta o preço do ouro, e não taxa de juros.

    Agora, dizer que essa foi a causa do fim do padrão-ouro, bom, aí já é desonestidade.
  • Pobre Paulista  24/03/2016 00:08
    Me intrometendo na conversa,

    Acho irrelevante discutir se as reservas fracionárias são, per se, morais ou imorais, mesmo do ponto de vista da filosofia libertária. O que é importante para a filosofia libertária é o PNA, e um corolário disso é a exigência de cumprimento de contratos livremente acordados.

    Portanto, uma vez que o banco deixe claro ao cliente que ele pratica reservas fracionárias, e os clientes ainda assim livremente depositam seu dinheiro lá, não há absolutamente nada de imoral neste arranjo. Imoral seria o banco prometer que não pratica RF e ainda assim praticar. Mas estamos falando da imoralidade do descumprimento de contratos, e não das reservas fracionárias.

    Ademais, um sistema bancário genuinamente livre com moedas concorrentes iria rapidamente encontrar um equilíbrio entre as demandas dos consumidores e dos fornecedores destes serviços, e portanto, independentemente de qual seria o arranjo final, ele seria absolutamente moral.
  • Victor Jaeger  25/04/2017 08:45
    Mises Brasil, eu acho que vocês não tão sendo um pouco equivocados em escrever essa materia a respeito do Milton Friedman, acho que nos liberais deveriamos se unir mais do que se separar porque de fato ele contribuiou muito na sua forma bem didatica de transmitir os pensamentos de livre mercado e livre iniciativa, e ainda por cima ele tem muitos vídeos no youtube, isso ajuda a divulgar mais o Liberalismo no Brasil que de fato é pouco conhecido, é mais difamado, porque nosso país existe pouca polittização.
  • Samuel Levi Rodrigues Lima  01/03/2018 15:01
    A escola austríaca gosta de criticar Friedman, porém somente por causa dele o liberalismo econômico ganhou a força que tem hoje. Ele afirmava que as medidas assistencialistas eram passageiras, somente um meio e não um fim. De que outro modo seria? Acabar com o assistencialismo de um dia para o outro? Impossível. As soluções dele se tornaram viáveis na prática e trouxeram força ao sistema de livre mercado, muito mais do que a escola austríaca que, apesar de estar certa nas teorias econômicas e no sistema de liberdade, não conseguiu a concretização dessas medidas e, caso concretize-as, será por conta justamente da escola de Chicago.
  • Leandro Passos  14/12/2018 18:20
    Em relação às externalidade não acho que M. Friedman estava de todo errado, acredito que não se deve deixar unicamente nas mãos de núcleos menores como família e/ou indivíduo a supervisão educacional de um menor. O argumento é que sem um certo nível intelectual não é possível ter liberdade, Friedman fala sobre isso em 'Capitalismo e Liberdade' e convenhamos é lógico, de certa maneira até remete ao mito da caverna, não estou dizendo que o estado tem que monopolizar a educação, mas que este supervisione a mesma e em situações irregulares exerça controle até que estas se resolvam. (É ruim tem quer falar sobre o estado exercendo controle, mas como árbitro este as vezes tem que colocar certos "vagões do trem na linha, para evitar que todo o trem se descarrilhe").
  • YURI OLEGARIO VIANNA  08/01/2019 02:49
    Sou novo em EA. Tenho uma dúvida: oque seria "o monetarismo positivista de Friedman" e por que ele é criticado pelos economistas austríacos??


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